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Grécia: Grupos de contra-informação produzem cartaz contra devotos da pátria e defensores da unidade nacional

PULVERIZEMOS A UNIDADE NACIONAL

Uma vez que não nascemos ontem, desde que cuspimos na propaganda da media corporativa temos vindo a manter bem viva a memória…
Nascidos aqui ou não, também aqui vivemos ou caminhamos por estas ruas, e por isso sabemos bem demais que:

TAMBÉM OS GREGOS ASSASSINAM
(massivamente) no Afeganistão, na Somália ou por onde as botas do exército grego caminhem, como o massacre em Srebrenica no passado recente, e como em todo o lugar onde a protecção dos “interesses económicos nacionais” for necessária.

TAMBÉM OS GREGOS VIOLAM
meninas e meninos de África, da Europa Oriental e de todo o lado, desde há vários anos já, nos bordéis da capital ou nos bares de alterne da província, dentro das delegacias dos nossos bairros.
Outra prova tangível do seu marialvismo, reforçada pelas condições económicas (camufladas) do “poder grego”.

TAMBÉM OS GREGOS ROUBAM
banqueiros gregos, armadores, patrões, empresários de médio ou longo alcance, condutores de igrejas ou políticos, juízes honestos e polícias incorruptíveis; na Grécia, nos Balcãs e por onde expandam os seus imundos negócios.

A UNIDADE NACIONAL É UM EMBUSTE
cujo objetivo é criar a ilusão em todos nós “os de baixo” que temos interesses comuns com aqueles que nos vão ao bolso, com os que violam a nossa personalidade, assim como com aqueles que querem espremer-nos até dizer chega antes de nos exterminar numa cozinha, numa prisão ou num manicómio.

NÃO SOMENTE DEVEMOS RECUSAR ORGANIZAR A NOSSA RESISTÊNCIA NA BASE DA UNIDADE NACIONAL COMO
TAMBÉM DEVEMOS PULVERIZÁ-LA!

Grupos de Contra-informação, contra os devotos da pátria
e os defensores da unidade nacional

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  • José Preto

    Reparo quanto à tradução: “armada” (em Português) refere-se à Marinha de Guerra e não ao exército. Quanto à substância:não dou por demonstrado o que ocorreu em Srebrenica. Ou seja: aconteceu de certeza uma coisa pavorosa, mas não sei quem a fez. Não sei se foram lobos cinzentos,por exemplo. Lembro Mladic a dizer (exactamente em Srebrenica), “nós os sérvios somos diferentes”. Em todo o caso, “sérvios” não são gregos (a não ser para os sérvios, para quem todos os ortodoxos são sérvios e… isso aplica-se também aos ortodoxos albaneses, uns 30%da população do Kosovo, motivo pelo qual me é difícil acreditar no racismo sérvio”).

    Quanto à presença grega nas guerras neo coloniais faltam-me também informações precisas. Mas reconheço que a Grécia fez permanentemente investimentos militares disparatadamente dispendiosos (e uma parte do déficit teria podido evitar-se, como se vê, se a UE tivesse usado a sua influência para manter a Turquia com juízo, uma vez que a OTAN não parece servir para tanto). Mas os gregos não tiveram nada a ver com Srebrenica.(Isso seguramente).

    Quanto a tudo o mais, os gregos não são super-homens. Mas são gregos. E se desviarmos os olhos de Atenas e olharmos Nicosia, por exemplo, temos ali com que surpreender toda a gente. Um motorista de autocarro, uma secretária, por exemplo, ganham (exactamente) quatro vezes mais do que em Lisboa. E em Atenas os reformados trabalham, porque a reforma é miserável e não dá para viver. (O que é capaz de ser verdade). Mas as reformas que eles olham assim são de setecentos euros.E a Universidade de Atenas (do ponto de vista da notação de Xangai) está duzentos níveis acima de Lisboa.

    Não obstante há um detalhe (na longa arenga, só um detalhe me merece adesão), ei-lo: apelar à unidade nacional para justificar a violação das mais evidentes obrigações da solidariedade do grupo nacional, não pode ser. Salvar o Estado, isentando-o de cumprir as funções para que serve (a primeira das quais é ser o primeiro instrumento da solidariedade do grupo nacional), isso não pode ser. Realmente não.

    Pulverizar a “unidade nacional”?… Isso não faz grande sentido. A nação e o estado são coisas muito diferentes. A Grécia é uma nação em dois estados. A Sérvia é uma nação agora em quatro estados (Sérvia, República Serbska da Bósnia,Montenegro e Kosovo).

    Mandar os Estado às urtigas é uma coisa. Mandarmo-nos a nós próprios à urtigas é outra coisa. Pode-se fazer, se nos apetecer, sobretudo. Mas é outra coisa.

    O seu conterrâneo Sampaio Bruno gostava de repetir os americanos e dizer “ubi libertas ibi patria”. Estou radicalmente de acordo. Mesmo a nação é alguma coisa onde existimos e não coisa onde devamos deixar de existir (de alguma maneira).

    Quanto aos déficits é preciso discutir as coisas um pouco mais fundo: a lógica dos grandes espaços é uma lógica deficitária, ou seja, depois da 2ª guerra e em confronto com o bloco da europa oriental, os estados ocidentais concluíram que eram todos incapazes de por si sós fazerem frente às necessidades do desafio e essas eram, naquelas circunstâncias, as da própria existência: quanto aos fins da defesa, a impotência deu origem aos grandes espaços militares. Quanto ao desenvolvimento, a impotência deu origem aos grandes espaços económicos. A lógica dos grandes espaços é a do suprimento das impotências. Quer isto dizer que toda a gente tinha de viver – e não podia viver- senão acima das suas possibilidades. É preciso perguntar-lhes (às direcções políticas dos grandes espaços) se já estão prontos para morrer, agora que nos dizem que não podem viver acima das suas possibilidades…

    E se estiverem prontos para morrer, para que lhes servirão, então, as guerras neo-coloniais que, para mais, lhes aceleram razoavelmente a morte? (a Líbia é mesmo uma guerra neo-colonial, porque traduz o regresso das antigas potências coloniais da área ao controlo directo das matérias primas, embora com relativo desinteresse – ao menos tentado – pela estruturação política directa da subjugação étnica, função de que se dispensarão enquanto puderem fazê-lo).

    No plano geral olho com preocupação o atrevimento do pinochetismo que, no Chile, recusa a educação pública gratuita, por exemplo, mantendo-se em vigor, no ensino superior, propinas de perto de dois mil dólares mensais (o que evidentemente, se aplicado em Portugal, excluiria muito mais de metade da população estudantil do superior, embora a ICAR assuma essa perspectiva, que me lembro bem do reitor da católica a protestar porque o ensino superior não comporta sacrifício nem esforço financeiro suficientemente intenso). Pergunto-me de que século saiu esta gente. E vejo nisto o inicio da morte de muitas coisas.Mas é preciso pensar (e fazer) outras coisas, para que a vida seja possível.

    um beijo,
    JP

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