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Prisões gregas: Evi Statiri anuncia uma greve de fome a partir de 14 de Setembro

Nota de Contra Info: A 7 de Setembro de 2015 fez-se pública a recusa do conselho judicial, datada de 3 de Setembro, em relação à última solicitação de libertação apresentada por Evi Statiri – esposa do prisioneiro anarquista Gerasimos Tsakalos, membro da Conspiração de Células de Fogo – que se encontra há seis meses sob prisão preventiva, acusada absurdamente por participação na CCF.

Recordamos que xs compas presxs da CCF, assim como a anarquista presa Angeliki Spyropoulou, levaram a cabo uma dura greve de fome, de 2 de Março a 4 de Abril de 2015, com vista a se conseguir o levantamento da medida de prisão preventiva tanto para Evi Statiri como para Athena Tsakalou (mãe dos irmãos Tsakalos), detidas após o plano de fuga frustrado da CCF das prisões de Koridallos.

Segue-se a tradução em português do comunicado de greve de fome de Evi Statiri, emitido a 7/9/2015, a partir das prisões de mulheres de Koridallos:

Seis meses já se passaram desde o dia em que fui forçada a olhar o céu através do arame farpado e a contar o tempo entre fechos da porta da minha cela. A recusa de re-exame da situação – com vista à minha libertação – por parte do conselho judicial só veio confirmar o que sabia já desde os primeiros dias em que permaneci nas masmorras dos serviços antiterroristas. A minha prisão não é meramente um caso pessoal – trata-se, acima de tudo, de um reflexo de toda uma estratégia de repressão, visando a dominação do medo e a satisfação do ódio vingativo das autoridades persecutórias contra xs presxs políticxs e todxs aquelxs que não se alienam com os valores da cultura do Poder.

Permaneço na prisão, tendo como única prova “incriminatória” o fato de estar casada com Gerasimos Tsakalos, preso político e membro da CCF.

Continuo na prisão porque não assinei um “certificado de crenças sociais” e não renunciei tanto ao meu companheiro como à nossa relação.

Sei que a rejeição fascista do conselho judicial – de me devolver a liberdade que me tinha tirado – é resultado tanto das ordens do Poder como dos processos policiais – judiciais essas que claramente visam transmitir uma mensagem de intimidação.

Quem se posicionar ao lado dxs presxs políticxs corre o risco de se vir a encontrar um dia na cela vizinha… Quem não se curvar, quem for frontal, quem não amordaçar a sua voz contra os ídolos do Poder, pode acabar a arrastar-se acorrentadx nos calabouços, nas sedes do Ministério Público, nas salas dos tribunais …

Mas os gestos de solidariedade da semana passada vieram-me demonstrar que o medo pode governar mas não reina nas mentes e corações das pessoas livres.

Um grande agradecimento para todxs aquelxs que através das suas ações fazem desaparecer a ditadura da mentira e a hipocrisia da justiça que insiste em me manter encerrada nas suas celas. Agora uma nova batalha está a começar…

Perante o ultimato da negação judicial não me resta outra opção senão responder com o último refúgio de uma pessoa em cativeiro, a greve de fome pela minha libertação.

Era intenção minha começar a greve de fome a 8 de Setembro, tal como tinha mencionado na carta anterior, no caso da decisão ser negativa. No entanto, nos dias a seguir ao anúncio da minha decisão, muitxs companheirxs, em especial da periferia, pediram-me para atrasar essa data, de forma a que mais compas pudessem voltar às suas cidades e se fosse melhor organizada a luta solidária. Compreendendo as dificuldades que existem, inclusive com o período pré-eleitoral e dado entender a solidariedade como o repartir de anseios, desejos e lutas comuns, e não como uma ferramenta a usar – respeitando e concordando com a perspectiva dos compas, de forma a se multiplicarem as possibilidades de solidariedade – optei por adiar o início da greve de fome para a próxima semana.

Na segunda-feira, 14 de Setembro de 2015, começarei uma greve de fome contra o medo e a injustiça.

É uma decisão cujo peso me pode esmagar, mas não me restam mais opções … Recuso-me a aceitar o golpe de estado da mentira e da hipocrisia de uma justiça que, em nome do Poder, executa contratos de extermínio da liberdade.

Esta greve de fome, além de luta pela minha libertação, é também uma homenagem a todxs aquelxs que antes de mim lutaram contra a fealdade do Poder e também uma barricada de resistência para xs que o sistema tentará capturar depois de mim – porque se atreveram a posicionar-se ao lado dxs presxs políticxs, a gritar pelo justo e a viver livres e não como escravos.

LUTA ATÉ À LIBERTAÇÃO
A SOLIDARIEDADE É A NOSSA ARMA

Evi Statiri
Prisões de Koridallos
7 de Sertembro de 2015

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