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Santiago, Chile: Confrontos a 19 de Maio na Juan Gómez Millas

“A anarquia não se desvanece na boca: prevalece nas mãos ativas”
Mauricio Morales, anarquista de ação

I.

Todos os dias a aparelhagem do Poder – através dos seus diversos aparelhos – pretende, sob uma série de estratégias repressivas e de comunicação, isolar surtos históricos contínuos de resistência e ofensiva autónoma impulsados por diversos colectivos e individualidades que – longe de toda a lógica conciliadora e legalista- têm dado vida ao combate contra a hegemonia capitalista em todas as suas sus formas.

Nós rompemos o cerco com o qual nos pretendem controlar, em consequência sentimos-nos e posicionamos-nos ao lado daquelxs indómitxs que, de maneira informal, horizontal e auto-organizada, decidiram escapar, conspirar e atacar a ordem existente, encarnando o combate contra a forma de vida imposta pelas estruturas sociais da dominação.

A força e a violência foram utilizadas historicamente por grupos antagónicos ao Poder, com todos os seus acertos e erros temos aprendido a carregar com ela. Levar à ação a violência das lutas nas ruas – planificada – e sair em busca de confronto com a polícia, para a atacar e provocar o maior dano possível é uma decisão una que alguns indivíduos assumem sem imposições, dirigentes, líderes ou vanguardas, conectando-nos com diversas  recordações e histórias, mas sempre sob o impulso de destruir este sistema de morte, levantado pelo Poder e a Autoridade.

II.

O contexto que se vive actualmente no Wallmapu é um exemplo concreto de que a guerra é real, refletindo-se nos ataques por parte do Estado – cuja motivação é a vingança perante a digna resistência das comunidades que lutam pela sua autonomia  e livre determinação. Neste caminho, aquelxs que se confrontaram com a usurpação e o despojo, receberam o mais sujo e miserável da omnipotência neo-colonial.

Como seres que negam e combatem toda a autoridade, não podemos ficar indiferentes perante o claro exemplo da dignidade que algumas comunidades mapuche deram. Demonstram-nos explicitamente que a autonomia não se negocia, pelo contrário consegue-se mediante a materialização de expressões concretas de luta e organização. É na confrontação em que nos encontramos que se vai ganhando, milímetro a milímetro, dignidade e valor. Como foi demonstrado a 19 de Abril do presente ano – quando diversas comunidades se negaram ao CENSO com barricadas, pedradas e confrontos, defendendo a sua autonomia, encerrando assim a possibilidade de diálogo com o inimigo, muito menos aceitar formar parte das suas estatísticas tecnocratas funcionais ao controlo e à opressão.

III.

Recordamos a partir do fogo da vida do guerreiro e companheiro Mauricio Morales, o qual há 8 anos morreu em ação, na madrugada de 22 de Maio de 2009. Irmanamos-nos com as ideias e práticas que o companheiro defendeu e propagou através de diversas ferramentas  e materiais, sempre a partir de uma visão multiforme do prisma anárquico, com as quais concebemos a luta.

Nas ruas, solidarizamos-nos com xs companheirxs Nataly Casanova, Enrique Guzman e Juan Flores, que estão a enfrentar desde Março o julgamento contra elxs, arriscando condenações que vão de 10 anos até prisão perpétua. Os compas têm enfrentado com dignidade todas as jogadas repressivas – que tanto a polícia como os gendarmes (guardas prisionais) abatem sobre elxs, decididxs a não hesitar nem mostrar arrependimento de quem decidiram ser.

Nataly, Juan, Enrique em liberdade!

Com todo um mundo por destruir, avançamos com xs nossxs mortxs em combate contra o Poder.

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