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[Portugal] “Ninguém que não deseje a tua libertação total pode ser considerado teu aliado”

NINGUÉM QUE NÃO DESEJE A TUA LIBERTAÇÃO TOTAL PODE SER CONSIDERADO TEU ALIADO

Se não se estender a crítica do fascismo à democracia, capitalismo, às prisões, às pátrias, ao patriarcado, à propriedade, ao especismo e a qualquer regime que envolva sermos governadxs: estamos a nos condenar a um emaranhado histórico único que só acabará para dar lugar a um planeta inabitável. Os social-democratas eleitoralistas estão confortáveis demais ao condenar as atrocidades da direita e ao esconder as suas próprias, querem é estar nas ruas e no governo ao mesmo tempo.

Os regimes autoritários ganham terreno, rápida e eficientemente, porque os objetivos que perseguem são medíocres: não há nenhuma complexidade em submeter os outros através das armas, impostos, mentiras e propaganda – 90% dos projetos políticos estão comprometidos é com isso (toda a infraestrutura necessária já está construída e a funcionar).

Na realidade, ninguém que te trate como massa doutrinável, ninguém que entenda a luta como um passatempo a fazer de vítima e alheio à tua capacidade criativa e ofensiva, ninguém que não deseje a tua libertação total pode ser considerado teu aliado.

Anarquistas

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Portugal: ” Reflexão sobre esta merda toda, num 25 de Abril qualquer”

Comunicado recebido a 25 de Abril de 2017
[Reflexão sobre esta merda toda, num 25 de Abril qualquer]

Nem democracia nem ditadura! Nem esquerdas nem direitas ou centros, tampouco!
Em todo o mundo, na democracia só há é mais hipocrisia!

Hipocrisia, quando se utiliza a máscara mais fantástica de todas, a repressão legal.

Quando se financiam os bancos que financiam as empresas de armamento. O florescimento do negócio de armamento não só beneficia as empresas de armas mas também os bancos e as seguradoras. O financiamento dos bancos é feito com o nosso suor e sangue e destina-se ao ataque terrorista dos povos, em todo o mundo.

Quando, em nome do “povo” se cometem as maiores barbaridades, roubando-nos um a um todos os direitos, liberdades e garantias conquistados com sangue, suor e lágrimas mas também com as armas dos oprimidos e oprimidas.

Quando as “esquerdas” e as “direitas e centros” apenas nos pretendem ludibriar – apresentando de forma mais ou menos folclórica o seu dito patriotismo à causa da gerência das “crises” – num ataque final do capitalismo, no seu tão desejado regresso às trevas da escravatura mais diabólica, porque mascarada neste mundo do espectáculo.

Porque todos os seus poderes são militaristas, porque todos os seus rituais são uma lição subliminar de violência, instilação de medo e de subserviência! Trata-se da invenção mais perigosa de todas – apenas nos pretendem amansar – porque nos tolhem os movimentos e petrificam os cérebros.
 
Porque, em súmula, se trata da traição maior de todas, feita com o consentimento e com o selo das populações oprimidas, com o seu voto!

Recuperemos a memória, reflectindo sobre o passado e sobre o presente, aqui e agora. Tomemos as ruas da nossa revolta e conquistemos a auto-organização, a entre – ajuda e o apoio-mútuo. Sem partidos nem manipulações.

Portugal, 25 de Abril de 2017,
Alguns e algumas anarquistas

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Okupa Figueira, Porto Alegre: Vivenciar a anarquia e auto-gestão, mobilizar alternativas à normatividade

figueiraAs raízes que quebram o concreto de um bairro no meio de uma civilização. Resistente, sensível. Uma árvore que vive há 150 anos observando os cursos de vidas que passaram por ela, cada mudança da sociedade em que vive. A figueira agora, habita um espaço que, sem pedir alguma autorização, abre caminhos para o surgimento de uma vida que respeita a inquietação de nossos corpos e mentes, que fomenta ideias e que resiste em meio a uma cidade hostil e fria que é Porto Alegre, em um país hostil e frio que denominaram Brasil. Nós escolhemos não esperar mais para colocar em prática ideias que nos atormentavam enquanto sobrevivíamos isolades na vida cotidiana. Sabemos que resistir à uma sociedade machista, patriarcal, hetero-normativa, racista e classista é viver em guerra. Viver em guerra em um mundo dominado por homens, que tentam sufocar e silenciar todos os dias nossas vivências. Optamos por não sermos subjugades. Não sermos submisses. Nem ao estado, nem aos homens, nem ao capitalismo. Construímos então, uma barricada. Um refúgio em meio ao concreto cinza. Um lugar de experiências e processos, vivenciando a anarkia e a auto-gestão, mobilizando possibilidades de alternativas à normatividade.
Resistimos.

Essa carta é dirigida à todas as mulheres, cis e trans, homens trans, bixa, monstra, sapatão, que queiram se juntar ao espaço e construi-lo com o que puderem, seja uma troka de ideia, uma oficina, uma atividade, ou até mesmo uma visita.

A figueira é um espaço exclusivo, no qual não entram homens cis.

figueira.squat.net