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Treviso, Itália: Instalações da Liga do Norte atacadas pela célula Haris Hatzimihelakis

Cansadxs de ficar em silêncio, fartxs de ver violência sistemática e diária a ocorrer na sociedade – seja através do racismo, sexismo ou trabalho assalariado – cujos valores essenciais são autoridade e lucro. Enfastiadxs da exploração, a vermos todos os partidos políticos como o principal responsável disso – como elxs reprimem a liberdade com o aparelho estatal, reformista e repressivo (TV, media, associações, exército, proteção civil, etc.). O estado e o capital são os maiores criminosos, até violam as suas próprias leis – roubando através dos impostos, matando através das guerras e do trabalho assalariado, rejeição de botes de migrantes no mar, campos de concentração para imigrantes na Europa e África, contaminando irreversivelmente seres humanos, animais e todo o planeta – tudo pelo lucro e poder.

Não esqueçamos a cumplicidade hipócrita da sociedade composta por cidadãos/ãs que fingem não ver os horrores do racismo e nacionalismo, presentes e passados. Essa aceitação é o pilar do totalitarismo e da democracia: ao longo do tempo a autoridade baseada na indiferença, medo, apatia foi não só sócapaz de criar gulags e campos de concentração nazis e, presentemente, os campos de concentração na Líbia e fora das nossas casas. É uma história que se repete a si mesma.

12.08.2018

Na madrugada desse dia as instalações da Liga do Norte foram atacadas em Treviso, com um dispositivo explosivo. Reivindicamos a colocação do dispositivo contra políticos, polícias e seus lacaios. Não queremos ser cúmplices de tudo isso, nos oporemos à violência indiscriminada do Estado com violência indiscriminada contra os responsáveis, por tudo isso. A quase total pacificação da Itália, onde as massas estão ocupadas a fazer guerra entre os pobres, um dos nossos objetivos é o da oposição à renúncia, impotência e quietude. O Estado e o capital usam todas as formas de tecnologia e violência para desviar a atenção dos problemas reais dos explorados, sendo o principal deles o ódio entre xs mais vulneráveis e despossuídos, por meio de fronteiras, géneros, cores da pele.

Escusado será dizer que nenhuma facção insignificante de políticos autoritários será capaz de satisfazer os nossos desejos. Está-se a falar sobre o governo “verde-amarelo”, esquerda e direita, queremos que o estado seja destruído. Está a prometer-se aumentos salariais, redução de impostos, empregos, queremos a eliminação de dinheiro, bens e trabalho. Está a lutar por melhores condições do governo, mas só queremos nos divertir com as ruínas em chamas das suas cidades. Você faz política, nós fazemos guerra social.

As coisas estão difíceis, trata-se de um abismo existencial entre nós e elxs e não há espaço para diálogo.. como consequência disso sabemos onde atacar. Atacar o racismo e a exploração em particular. Atacar o Estado, o capital e todxs xs responsáveis. A ação direta torna claro o porque e o como, para nós.

Pela Anarquia!
Pela solidariedade internacional anarquista e rebelde!
Por um mundo sem fronteiras nem autoridade.

Com esta ação, saudamos a chamada lançada pelxs companheirxs da “célula Santiago Maldonado”, na qual se propunha aumentar os ataques à paz dos representantes da dominação e cúmplices.

Benvinda seja qualquer individualidade anarquista ou célula que continue a espalhar a chama, através da ação, no aqui e agora!

“Hoje tomamos a tocha da anarquia nas mãos, amanhã será outra pessoa. Para que não se apague!” [1]

Solidariedade com todxs xs prisioneirxs, Tamara Sol, Juan Aliste, Juan Flores, Freddy, Marcelo, J.Gan, Marius Mason, Meyer-falk, Dinos Yatzoglou, Lisa Dorfer, membrxs da CCF e da Luta Revolucionária.

Aos/ás anarquistas em Florença, Turim, Nápoles, Cagliari, Chile, Rússia, Alemanha, Polónia, da Operação Scripta Manent.

E para todxs xs rebeldes presxs nas cadeias de toda a parte do mundo!

Célula Haris Hatzimihelakis /International Negra (1881-2018)

[1] Célula Santiago Maldonado /FAI-FRI reivindica um ataque explosivo contra quartéis de carabineiros (07/12/2017)

original em italiano via a tradução em inglês

Itália: Engenho explosivo em San Giovanni (FAI-FRI)

Em tempos de paz e hibernação não há melhor resposta do que a ação. Um estímulo, uma continuidade e uma sacudidela para acordar aquelxs que dormem. Agir, de iniciativa própria, quebra o imobilismo e inflama aquelxs a quem o sangue ferve.

A prática anarquista do ataque deve ser o estímulo base da anarquia, caso contrário é um morto vivo. Um agir necessário para nos tornar vivos, nas formas que julgamos apropriadas, fora de qualquer programa, estrutura hierárquica ou vertical. Uma das muitas práticas revolucionárias que fazem parte da anarquia, nas suas entranhas.

Decidimos tomar nas mãos a nossa própria vida, quebrando a paz opressiva que nos circunda.

Na noite de 6 para 7 de Dezembro foi colocada no quartel dos carabinieri do bairro de San Giovanni, em Roma, uma garrafa térmica de aço com 1,6 kg de explosivos.

A nossa atenção virou-se para os principais guardiões da ordem mortal do capitalismo: as forças da ordem. Sem elas os privilégios, a arrogância, a riqueza acumulada pelos proprietários não existiriam: sempre tiveram a função de reprimir, encarcerar, deportar, torturar, matar aquelxs que, por escolha ou necessidade, se encontram fora da sua lei.

A luta contra o Estado não é simples e não se reduz a fórmulas mágicas. Mas é lá que estão os objetivos e não se pode andar sempre a fazer teorias e a falar de conveniência. Todo o indivíduo livre por decisão própria tem necessidade de colocar em prática a ação, aqui e agora. Não há delegação na luta pela liberdade.

Não devemos permitir-nos ser tomadxs do desânimo que estes tempos instilam em doses maciças. O que teriam sido estes anos se uma minoria de refratárixs não tivesse apanhado a tocha da anarquia? Se essxs companheirxs tivessem esperado melhores tempos?

Nada que o presidente da Comissão Europeia, cujo Natal foi arruinado, não saiba. Nada que se refira ao vampiro da Equitalia, mutilado que foi numa das suas garras [1]. O feiticeiro de Ansaldo Nuclear também deve ter sentido forte o calor da tocha da anarquia.[2]

Hoje tomamos a tocha da anarquia nas mãos, amanhã será outra pessoa. Para que não se apague!

Quem quer aguardar, continuará a aguardar. Quem não quer agir, justificando-se politicamente, continuará a não fazê-lo. Não esperamos nenhum comboio da esperança, não aguardamos momentos melhores. As condições criam-se com o confronto. O movimento é quando se age, caso contrário permanece imóvel. A libertação do indivíduo da autoridade e exploração é realizada por aquelxs diretamente envolvidxs.

No entanto, aquelxs que atacam são contagiadxs por uma pulsão. Quer dizer, a propaganda pelo facto.

Contra a bófia, políticos e seus ladrões. Contra os engenheiros da ciência e da indústria. Contra todos os mestres, mas também contra todos os servos. Contra as fileiras de cidadãos honestos da sociedade prisional.

Não nos interessa perder tempo e energia na crítica dos reformistas. Mesmo que não nos consideremos uma minoria de élite, enquanto anarquistas, temos nossas ações e nossas demandas. Nossa propaganda. Cada indivíduo e grupo de afinidades desenvolve e aumenta suas experiências na ligação fraterna. Sem especialização e sem querer impor um método. Nós escolhemos isso. Que todxs encontrem o seu caminho em ação. A organização hierárquica estruturada, além de matar a liberdade dos indivíduos, também se torna mais exposta à reação da repressão.

A organização anarquista informal é o instrumento que consideramos mais apropriado neste momento, para essa ação específica, porque nos permite manter nossa irredutível individualidade, dialogar através da reivindicação com os outros rebeldes e, finalmente, a propaganda transmitida pela eco da explosão.

Não é e não quer ser um instrumento absoluto e definitivo.

Um grupo de ação nasce e desenvolve-se sobre o conhecimento, através da confiança. Mas outros grupos e indivíduos podem compartilhar, até temporariamente, um projeto, um debate, sem se conhecer pessoalmente. Comunicam-se diretamente através da ação. A ação destrutiva direta é a resposta elementar para enfrentar a repressão. Mas não é isso apenas. A práxis anarquista também é um relançamento, uma proposta que vai além da solidariedade, relançando a espiral da repressão-ação-repressão. As ações de solidariedade são impotentes, mas não podemos fazer fronteira com a crítica, por mais armada que seja, de alguma operação ou processo opressivo.

X/xs companheirxs / prisioneirxs são parte da luta, dão-nos flanco e dão-nos força. Mas é necessário agir e organizar. O avanço do desenvolvimento tecnológico, as políticas de controle e repressão não dão muita margem para avaliação sobre o que fazer. A vida e a repressão na metrópole estão a ser redesenhadas. Mover-se, agir, pode-se tornar cada vez mais complicado.

Ao contrário dos “choques” frequentemente anunciados por um certo antagonismo, a imprevisibilidade é a melhor arma contra a sociedade de controle. Atinge onde não te esperam. Hoje, atingimos o coração da capital militarizada para desafiar os delírios da segurança. Amanhã, quem sabe, talvez nos subúrbios onde você menos espera. Não fazemos tréguas, escolhemos os nossos próprios tempos. Este sempre foi o princípio da guerrilha urbana. Com a diferença de que a conspiração informal das células não conhece hierarquias ou direções estratégicas. E é por isso que é ainda menos previsível.

O estado italiano está na vanguarda das políticas repressivas e militares. Por localização geográfica, muitas vezes é-lhe proposto fazer o trabalho sujo para defender as fronteiras da fortaleza europa.

O recente acordo do Ministro Minniti [3] com os sangrentos coronéis líbios não passa de uma prova recente. Atingido o número de escravos necessários “vamos usá-los em casa”, além de ser popular, ainda é um bom negócio. Na noite passada, trouxemos a guerra para casa do ministro Minniti. Os responsáveis diretos em uniforme, aqueles que obedecem, mantendo silêncio e sendo silenciosos, receberam um gosto do que merecem. Com esta ação, lançamos uma campanha internacional de ataque contra homens, estruturas e meios de repressão. Cada um/a com a ferramenta que considera mais oportuna e, se quiser, contribuindo para o debate.

FEDERAÇÂO ANÁRQUICA INFORMAL – FRENTE REVOLUCIONÁRIA INTERNACIONAL
Célula Santiago Maldonado

Dedicamos essa ação ao anarquista argentino sequestrado e assassinado pelos sicários da Benetton. Que em breve surja o dia em que quem desaparecerá da face da terra serão os seus opressores.

[1] refere-se a uma carta-bomba enviada em 2003 por uma célula FAI para casa do presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi. Prodi abriu o pacote em sua casa, mas a explosão subsequente não resultou em ferimentos graves.

[2] refere-se ao ataque de 2012 contra o presidente-executivo da Ansaldo Nuclear, Roberto Adinolfi, pela célula Olga da FAI-FRI, no qual Andinolfi foi atingido num joelho.

[3] Marco Minniti, ministro italiano do interior.

em italiano

México: Ataque à bomba contra sucursal bancária em solidariedade com xs compas acusadxs de assalto em Aachen

Respondendo à chamada internacional de ações em solidariedade com xs companheirxs acusadxs de assalto a banco em Aachen, Alemanha, colocámos um dispositivo explosivo com cerca de um quilo de pólvora negra – às 2:30 da madrugada de 20 de Abril – numa sucursal do citibanamex, situada sobre o eixo 10.

Repetimos a ação realizada pelxs companheirxs da Célula Incendiária Gatos/as Noturnos/as e Bruxos/as Malvados/as, há cerca de dois meses. Pelos vistos tinham recontruído a sua sucursal após o ataque dxs compas, decidimos pois ajudá-los a redecorá-la.

Será necessário explicar porque é que atacámos um banco? Estas merdas deixam a gente sem casa, dão financiamento a empresas da guerra, a empresas que destroem o meio ambiente, a exploradores enquanto milhões vivem reféns das dívidas e das suas falsas promessas…

São eles os terroristas, usam o medo com avisos de pagamento, de dívida,  ameaçam despejar-te ou deixar-te sem nada. E mesmo assim ainda se atrevem a dizer que nós é que somos xs delinquentxs, xs desalmadxs, xs asssassinxs…

À polícia: Bom trabalho esse, defendendo os interesses dos vossos donos, continuem assim…

Aos banqueiros: Por enquanto são as vossas sucursais, em breve serão os vossos lares.

Aos/às companheirxs insurretxs, em especial aos/às acusadxs de Aachen: mandamos-vos uma saudação e um abraço, continuemos a resistir, continuemos a  causar mossa.

Nenhum retrocesso indigno!
Fogo e pólvora ao assassino explorador!

Célula Insurreta Poucxs Mas Loucxs
F.A.I./F.R.I.

em grego

Cidade do México: Ataque explosivo-incendiário em solidariedade com as presas de Aachen

Razões para lutar temos de sobra. Por termos considerado a necessidade de agirmos directamente contra o Capital, cada vez mais encontramos mais motivos para continuar a lutar. Há algumas semanas, por exemplo, algumas companheiras foram acusadas de roubo em Aachen, Alemanha – e entendendo o respectivo processo burocrático da “justiça legítima” da burguesia, privaram-nas de liberdade. Não devemos esquecer o quanto já foi mencionado nestes espaços de difusão, que a expropriação é uma ação justa, direta e parte da história de todo o movimento revolucionário. Enfatizando a palavra de ordem: “Que crime é expropriar ou incendiar um banco, em comparação com fundá-lo?”

A raiva e fúria tornaram-nos mais fortes. Não nos podemos mais dar ao luxo de permanecer na passividade e no conforto condicional que nos aprisiona numa “realidade” imposta por um grupo de assassinos.

Na madrugada de 2 de Fevereiro do ano em curso, concentrámos a nossa discordância dentro de um bidão com 8 litros de material altamente inflamável, em combinação com material explosivo e um detonador dos mais simples. Colocamos-lo precisamente no meio de dois caixas automáticos, na sucursal de banco CitiBanamex situada na rua Eje, 10 esquina com a rua Xocoyoacán – causando a danificação total a ambos os caixas e respetivos billetes, agora calcinados. A sucursal ao que parece permanecerá encerrada algumas semanas.

O Citigroup é a maior representação do asqueroso imperialismo. Os bancos, os santuários do Capital. E nós, a consequência do seu asqueroso sistema. Cada dia mais conscientes e afins à luta pela liberdade.

Desta forma, solidarizamos-nos com as companheiras presas na Alemanha. Assim como com os companheiros [presos no México] Luis Fernando Sotelo e Fernando Bársenas.

Nem culpadxs, nem inocentes!
Liberdade para xs Presxs em guerra!
Que ardam os muros das prisões!

Contra o Estado, o Capital e toda a forma de autoridade.

F.A.I. F.R.I.
Célula Incendiária Gatxs Noturnxs e Bruxxs Malvadxs.

em espanhol l grego

México: Ataque incendiário contra gasolineira no Estado do México

No dia de hoje [5 de Janeiro de 2017] atacámos con bombas incendiárias e cocktails molotov a gasolineia situada na Av. Canl Prados em Tultitlán, Estado do México, causando um incêndio nas bombas de gasolina, o qual não pudemos ficar a apreciar nem a calcular os danos causados.

Quais os motivos? A vingança pelos nossxs companheirxs, detidxs pelas forças do Estado por protestar contra o chamado “mega gasolinaço” – que mata de fome o nosso povo em benefício dos ricos e poderosos. Mas este não foi o nosso único motivo, queremos também denunciar e atacar o progresso, desenvolvimento e a totalidade do projecto civilizacional que estropia e destrói a mãe terra.

Até à destruição de todos os muros das prisões!
Que arda o que tenha de arder!
Defesa da mãe terra por todos os meios necessários!

Atentamente: Célula de Ação Informal “Punky Maury” –FAI/IRF

[Chile] Projecto Nemesis: Dispositivo incendiário/explosivo contra a Associação Nacional de Funcionários do Poder Judicial

Durante a madrugada de 11 de Dezembro instalámos um dispositivo incendiário/explosivo – de fabricação caseira com um sistema de retardador – na “Associação Nacional de Funcionários do Poder Judicial”, situada no centro de Santiago (rua Cienfuegos). O dispositivo funcionou correctamente, incendiando a porta do recinto.

A “Associação Nacional de Funcionários do Poder Judicial” é o lugar onde se reúnem os funcionários que permitem diariamente o funcionamento do complexo judicial-carcerário. Atingimos uma guarida das engrenagens activas do sistema – a mesma que permite diariamente que os miseráveis indivíduos do aparelho do Estado exerçam o direito que a si mesmos atribuíram para julgar e encerrar outras pessoas.

Cada sentença emitida por juízes, cada condenação solicitada pelo ministério público, cada encerramento nos cárceres do poder, são sustentados pelo rol de funções de cada funcionário judicial –  pois valida com o seu trabalho a existência e manutenção da indústria repressiva.

Em tempo de julgamentos contra anarquistas em que se arriscam condenas pesadas, a nossa ação constitui um raio de fogo proveniente do mais profundo das nossas obscuras intenções para com a ordem social do domínio.

Ação que enquadramos na proposta internacional do PROJETO NEMESIS, impulsionado a partir da Grécia por companheirxs da Conspiração de Células de Fogo – com vista a atingir os poderosos e os cúmplices nos seus lugares, casas, trabalho ou reunião.

Forma de ação que é autónoma, quebrando a passividade dos cidadãos, atuando fora dos horários programados pelas manifestações dos movimentos sociais.

Incêndios intencionais que complementam e elevam de grau os distúrbios nas ruas e o da pequena sabotagem.

Qualquer um/a pode fazê-lo, trata-se apenas de se decidir, planificar, tomar medidas de precaução, agir e experimentar o prazer do ataque, essa sensação que acalma as nossas ânsias de atingir diretamente o Poder – essa que nos faz sentir mais completxs e respirar mais oxigénio sem nos sentirmos superiores a nada nem a ninguém.

Os fogos e as explosões noturnas, nascidas de conspirações, constituem o órgão dinâmico da proposta insurrecional contra o domínio – totalmente vigente nas nossas vidas, para além de quanto adversa se mostre a realidade perante nós.
Não queremos criar um movimento, apelamos à conformação de células de ação, coordenadas entre si.

Somos xs continuadorxs de cada revolta e de cada conspiração que no Chile, América Latina, e no mundo tem oposto a violência libertadora à violência da escravatura. Somos o gérmen da continuidade das estratégias e das táticas guerrilheiras – experimentando ares novos com os nossos princípios e métodos anti-autoritários.

A morte de Fidel Castro, um ex-guerrilheiro que terminou a construir um Estado comunista em Cuba, os acordos de paz entre o Estado da Colômbia e as FARC, a guerrilha esquerdista existente há mais tempo no mundo contemporâneo, não representam para nós em absoluto a morte da luta revolucionária e da ação armada contra a opressão. O que morre com elxs é tão somente a derrota do paradigma autoritário, nas filas da luta anti-capitalista.

Mais do que nunca o nosso tempo convida à ação anti-autoritária e autónoma.

Os nossos incêndios e explosões não esquecem a matança perpetuada pelo Estado na Escola Santa María de Iquique, em 1907, nem o assassinato de 81 presos no incêndio da prisão cárcel de San Miguel, em Dezembro de 2010.

Saudamos a vida insurreta do companheiro anarquista Alexandros Grigoropoulous, arrebatada por um polícia em Dezembro de 2008.

Recordamos com fogo o companheiro anarquista nihilista Sebastian Oversluij que morreu disparando, a 11 de Dezembro de 2013, ao tentar expropriar o dinheiro aos responsáveis da miséria.

Do Chile à Grécia, de Rojava ao México, dos EUA a Espanha, Itália, Alemanha e no mundo inteiro.

Ação insurrecional e solidariedade com xs companheirxs presxs!

Pela expressão armada dos nossos desejos de liberdade.
Todos os dias são Dezembro Negro!
Não fiques de fora! Arma-te e sê violentx!

Guerra ao domínio!
Morte à civilização, ao patriarcado e a toda a autoridade.

Célula Incendiária “Novos Fogos no Horizonte”.
Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional.

Santiago: Reivindicação de dispositivo simulado em Villa Militar Oeste

No dispositivo foi escrito: “Sebastián Oversluij Presente”. Junto a um A, símbolo anarquista.

“A grande cidade apresenta, além disso, uma elevada concentração de objectivos de ataque (…) Alguns/mas combatentes, por poucxs que sejam, podem pôr em xeque, até, grandes contingentes de forças inimigas, através de acções apropriadas – a guerrilha deve deixar bem claro que os seus ataques se dirigem, por princípio, contra todas as instituições do inimigo de classe, todos os postos de administração e de polícia, o ponto nevrálgico dos centros diretivos, mas também os altos funcionários dessas instituições, juízes, directores, etc.; deixar muito claro que a guerra vai ser levada até aos bairros residenciais desses senhores (…) Utiliza a surpresa como arma e que seja ela que determine o tempo e lugar das operações.”

O moderno estado capitalista e a estratégia da luta armada / RAF.

As ideias e práticas antagónicas ao capital e ao estado têm sido a dor de cabeça da ordem burguesa – desde que se entranharam há séculos atrás, com toda a sua pujança, em território chileno – gerando diversas reacções, levadas a cabo pelos aparelhos armados do estado, fosse em ditadura ou democracia.

Durante os anos 60 salientou-se a VOP (Vanguarda Organizada do Povo), enquanto nos anos 70 esse lugar é ocupado por diversos grupos armados marxistas, a finalidade era sempre combater o poder estabelecido nessa época. Enquanto que a VOP o fazia nos tempos de Allende, o MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária), FPMR (Frente Patriótica Manuel Rodríguez) e Mapu Lautauro (Movimento de Ação Popular Unitária) combatiam contra a ditadura militar de direita, fazendo-se parte da guerra contra a dominação, contra o Estado.

Durante a transição democrática estas organizações acabam por sentir o golpe ofensivo do Estado, desmembrando-se em seguida, ainda que parte dos seus/suas combatentes decida não desistir.

Durante os anos 90, e dada a reduzida expressão anti-capitalista, ressurgem novas correntes de autonomia e horizontalidade, fazendo-se estas notar na expressão política – principalmente em manifestações e violência nas ruas. Do anonimato à sabotagem com cargas explosivas a diversos alvos do capital e do Estado, aquelas começam a ressoar e, na década seguinte, esta forma de agir coloca a anarquia debaixo da mira atenta da polícia de investigação criminal.

A expressão viva desta nova etapa do anti-capitalismo começa a cimentar, a pulso em território chileno, a nova subversão, autónoma e libertária.

Nas mentes dos agentes do poder não cabe a possibilidade de que. no meio da democracia, existam indíviduxs dispostxs a fragilizar e interromper a paz social e a circulação capitalista. Os bombazos, a luta nas ruas, as extensas jornadas de protesto acompanhadas de fortes ataques à polícia, sabotagens, o fogo destruidor e a propaganda das ideias insurretas, de forma multiforme, começam a tomar parte da nova prática difusa e descentralizada, sem liderança nem dirigentes da expressão anti-capitalista – a práxis da luta anarquista insurreccional.

Com o passar do tempo o Estado começa a reestruturar-se, armando-se até aos dentes, fazendo a sua vigilância constante e sistemática, introduzindo o seu discurso na sociedade com o amparo da sua fiel amiga de sempre: a imprensa. Por isso mesmo as manipulações fazem da prisão o castigo efectivo, para xs que saem da norma imposta, o aniquilamento físico e mental debaixo de toneladas de betão e sim, é possível, o assassinato, sendo esta a forma máxima de castigo para xs subversivxs.

Sob estas tácticas do estado, a luta subversiva é catalogada como delinquência. Para todxs xs os que fazem dela a sua vida vida isto não tem relevância alguma, porque a reivindicação e o orgulho revolucionário contradirão sempre as suas “verdades”. No entanto, devemos entender que este qualificativo tem como objectivo a prevalência dos interesses dxs poderosxs. Aí radica a aposta do ataque insurreccional – golpear e atingir o poder – até que não possam controlar a sua asquerosa ordem.

Desta forma, e sob o prisma das ideias e acontecimentos expostos, voltámos a gerar uma corrente de acções, as que não pararam e que em seguida descreveremos. Hoje, tornámos parte do nosso projecto o seguinte: envio de balas ao pároco da Igreja dos Sacramentinos, em Março; os roubos em universidades, para fins políticos, em Julho; a colocação de um dispositivo incendiário num autocarro da transantiago (sem passageirxs) em Agosto. Todas estas acções reivindicadas pela Brigada da Morte, Bando Ilegalista Sebastián O. Seguel e o Núcleo de Ataque Herminia Concha, afins à FAI/FRI, que agora formam parte dos Núcleos Antagónicos da Nova Guerrilha Urbana.

No dia 2 de Dezembro, abandonámos um artefacto simulado no interior da Villa Militar Oeste, localizada na Av. Pajaritos, Estação Central, Santiago, Chile. (1)

O nosso dispositivo era composto por um extintor com cabos ligados a um telemóvel, o qual simulava um detonador à distância. Avisamos desde já, a não colocação de um engenho explosivo real foi por decisão política. Porque se bem que neste lugar vivam seres que merecem morrer, dia e noite passam trabalhadores que não são os nossos objectivos.

Dessa mesma perspectiva, utilizámos essa simulação no Mall Plaza Alameda e num autocarro da transantiago (com passageirxs) em Dezembro de 2015. Ao contrário do que se passou com o engenho explosivo que colocámos no Centro de Reinserção da Guarda- Prisional, em Fevereiro deste ano, composto por 1 kilo de ANFO, colocado estrategicamente junto a um reservatório de gás.

Agora, regressando à madrugada do 2 de Dezembro: esta acção de hostilidade, num local onde vivem os militares e polícias, está destinada a desmoralizar o inimigo histórico dxs revolucionárixs. Inimigo a combater com todas as nossas forças e armas. Daqui, da nossa posição, avisamos-vos poderosos: hoje foi uma simulação, mas temos todas as armas e explosivos de que precisamos e não hesitaremos em utilizá-los, no dia, hora e local que decidamos para vos atingir.

Desde já advertimos: militares nojentxs, caminhem com cuidado: María Riquelme (Bloco 4 dpto 12), Iván Pinto (Bloco 11 dpto 24), Luis Orellana (Bloco 11 dpto 1123), Oscar Moya (Bloco 11 dpto 1124), Sergio Martínez (bloco 11, dpto 1142). A vossa paz e tranquilidade terminou. Hoje, foram escolhidxs aleatoriamente, qualquer um ou uma podia estar ali, com cuidado mas estamos a xs observar.

Para finalizar, é imprescendível enviar uma saudação combativa e um sinal de cumplicidade aos/às companheirxs da Conspiração das Células de Fogo (na prisão e cá fora) na Grécia. Com esta acção desejamos contribuir mesmo que humildemente à iniciativa do Projecto Nemesis. Esperando que essa proposta ressoe em cada revolucionárix e se materialize em acções concretas, por todo o mundo.

Tão pouco esquecemos xs nossxs irmãos/irmãs na prisão. Marcelo Villaroel, Freddy Fuentevilla, Juan Aliste, quando passam já 9 anos da emissão da ordem de busca e captura contra eles. Não esquecemos como o já extinto torturador Alejandro Bernales dava a mensagem entre linhas, através da imprensa. “ Caminham com a morte”. Não esquecemos também o extenso processo jurídico que tiveram que enfrentar por uma acção iniciada pela justiça militar, que com o decorrer do tempo, foi transferida para a justiça civil a cargo do fiscal militar Roberto Reveco. Transferência onde não existiu grande mudança, predominando o desejo das condenações do poder. Ainda assim, os nossos irmãos mantiveram-se firmes e irredutíveis, dignos e indómitos. A vocês, a nossa solidariedade.

Também desejamos enviar uma saudação internacionalista às mulheres guerrilheiras autónomas que dão vida à Revolução, em Rojava, no Médio Oriente. Mulheres que levam à prática ideias antagónicas ao capital, estado e patriarcado, no meio de um conflito bélico contra sacanas, polícias e militares opostos à liberdade e à autonomia.

Por último recordamos o nosso irmão e companheiro Sebastián Oversluij Seguel, a 3 anos da sua morte, duramte uma tentativa de assalto bancário, a 11 de Dezembro de 2013, na comuna de Pudahuel, Santiago, Chile. Morto às mãos do vigilante William Vera, militar com um currículo extenso, assassino a soldo do capital, com experiência em conflitos bélicos no estrangeiro.

Por tudo isto e muito mais: Atacar o corpo Militar!
A hostilidade está plenamente justificada!
Guerra ao inimigo, no seu território!
Tudo continua… Voltaremos!

Coluna Insurreccional “Ira e Complot” – FAI/FRI
Núcleos Antagónicos da Nova Guerrilha Urbana

(1) “Bomba simulada, na proximidade do metro Pajaritos, mobilizou Carabineros”. Bio Bio Chile, 2 de Dezembro 2016.

em espanhol

[CCF/FAI-FRI] Projeto Nemesis: uma proposta aberta

«Quem fala de guerra, deve ter um plano…»

A autoridade mais insidiosa é a que mantém a promessa de globalidade. É por isso que passamos de uma monarquia para uma democracia e não para a liberdade. A palavra “segurança” é a mais apreciada pela democracia. Quanto mais ouvimos falar sobre “segurança” mais as nossas vidas e a nossa liberdade recuam. Mas, sobretudo, o poder e a democracia contemporâneos empurraram a sociedade  para compromissos e para se submeter quase voluntariamente. A democracia agita-se como uma fábrica transparente que produz relações sociais. Os indivíduos submetem-se à ideologia governamental, às normas sociais e aos comportamentos disciplinados, considerando que o que vivemos hoje (a tirania económica, a chantagem da escravidão assalariada, na ditadura do espectáculo, a segurança tecnológica) é uma inevitável e natural ordem do mundo.

Portanto, mesmo na presença de uma autoridade omnipresente, chefes, funcionários, gerentes e proprietários sempre existirão. Hoje, a visibilidade de quem está no poder é particularmente clara. Políticos, líderes empresariais, proprietários, armadores, editores, jornalistas, juízes e a bófia são as pessoas no poder. O projeto Nemesis visa atacar essas pessoas. Esta é a nossa oportunidade de jogar para que o medo mude de campo. Em vez de se atacar os símbolos impessoais da justiça, acreditamos que é muito importante traduzir os nossos ataques no ambiente pessoal dos nossos inimigos: casas, escritórios, locais de socialização e veículos. Sabemos que para o poder, “ninguém é insubstituível”, mas também sabemos que um golpe em particular a um deles seria o medo instilado em cem outros. Criamos um legado de medo para as pessoas de sua espécie assim como para as susceptíveis de as substituir. Este é o contrapeso mínimo que podemos trazer o equilíbrio do terror em que o inimigo tem todo o controlo. Equilibrando o terror causado pelos assassinatos de trabalhadores pelos seus patrões, os disparos acidentais pela bófia, os milhares de anos de prisão proferidas pelos juízes, as mentiras de jornalistas, as leis e ordens de políticos. Em todos estes casos, o inimigo tem um nome e um endereço.

Ao atacá-los mostra-se que as pessoas como autoridade podem ser vencidas – ao mesmo tempo que, em vez de confinar a insurreição anarquista a conflitos ocasionais com a bófia – podemos fazer da revolução uma componente permanente das nossas vidas. Descobrindo aqueles que se escondem atrás de ordens e decisões que governam nossas vidas, estudando os seus movimentos e rotas e organizando as nossas próprias células ofensivas que responderão aos desafios da autoridade. Não antecipamos um curto-circuito social que conduzirá a mobilizações de massas, mas tornamos-nos os aceleradores da história através de nossas ações, criando o dicotomia ” com a autoridade ou com a liberdade”. Criamos espaços e eras onde a história é escrita pela nossa própria mão e não  percorrendo-a passivamente. O guerrilheiro urbano anarquista é uma forma de olhar a vida directamente nos olhos, de modo a que se forme um autêntico “nós” coletivo. É a construção de um processo anarquista de libertação com coragem, coerência e determinação. As nossas ações não são avaliadas apenas em função dos golpes infligidos ao inimigo, mas também em relação à possibilidade de mudar as nossas próprias vidas.

O projeto Nemesis é uma proposta internacional de se criar uma lista com os nomes de pessoas do poder com o objetivo de as atacar lá, onde se sintam em segurança, nos bastidores … nas suas próprias casas. A explosão da bomba em Atenas, na casa da procuradora distrital do M.P. Georgia Tsatani, foi o primeiro ataque, o primeiro ato do projeto Nemesis. Compartilhamos este projecto com todas as células do FAI-FRI e todos os anarquistas de ação, por todo o mundo, querendo iniciar um diálogo sobre a difusão da luta anarquista. E nós sabemos que o melhor diálogo para a avaliação de uma acção não pode ser outra coisa senão uma nova ação…

Através do projeto Nemesis saudamos todos xs nossxs companheirxs cativxs nas celas da democracia em todo o mundo e que não estão mais ao nosso lado. É especialmente dedicado aos membros do CCF  Olga Economidou, George Polydoros, Gerasimos Tsakalos, Christos Tsakalos, à nossa companheira anarquista Angeliki Spyropoulou e aos companheiros italianos da FAI, Alfredo Cospito e Nicola Gai.

A todxs aquelxs que não enterraram o machado de guerra…

Conspiração de Células de Fogo / FAI-FRI

Voltaremos em breve.

em  francês

Prisão de Ferrara, Itália: Carta do companheiro anarquista Alfredo Cospito sobre a operação Scripta Manent

panteraEste texto foi escrito por Alfredo durante a sua recente greve de fome, começada a 3 de Outubro e terminada a 25 de Outubro, altura em que as autoridades da prisão o libertaram do isolamento.

Valentina, Danilo, Anna, Marco, Sandro, Daniele, Nicola – amigos, irmãos, irmãs, companheirxs que foram detidxs e de novo detidxs.

Deveria narrar a mesma velha história sobre outra fabricação. Em vez disso, desejo falar sobre o motivo pelo qual elxs foram detidxs. Os irmãos e irmãs foram presxs porque atacaram, estavam cansadxs de esperar, ignoraram-se as decisões da maioria e tomaram-se medidas.

Permaneço otimista e animado porque a lógica de ‘1 + 1 = 2′ diz-me que xs companheirxs que atacaram ainda estão livres, são capazes até de atacar novamente.

O poder não reprime aleatoriamente. Hoje quer isolar e aniquilar parte do movimento anarquista, que tão “pequeno” quanto possa ser foi capaz de quebrar as correntes que o amarravam à velha “Anarquia social”.

Um anarquismo social que de uma maneira suicida e compulsiva procura “consenso a todo custo”. Diluindo continuamente as suas aspirações.

Esta visão que “nunca vai além’ é muito conveniente para o poder que, pelo contrário, teme aqueles anarquistas que recusam que o ‘consenso’ amarre as suas mãos, porque acreditam que só fora da ação (não feita de teorias abstractas ou buscando – perseguindo ‘pessoas’) pode nascer a estratégia, o caminho a seguir.

Não quero comentar as “acusações” e as chamadas “evidências”. A única coisa que eu diria é que os irmãos e irmãs da FAI-FRI sempre reivindicaram com as cabeças erguidas, na frente dos porcos da toga preta, os seus próprios méritos, suas próprias ações, assumindo plena responsabilidade, cuspindo nas faces dos porcos , como o mantivemos em Génova.

A minha prioridade principal não é sair da prisão a todo custo, mas sair com a cabeça erguida sem ter renegado nada do que eu era e do que sou.

Eu sairei de forma boa ou de forma ruim, tudo dependerá da minha força, das minhas capacidades, da força de meus irmãos e irmãs lá fora, mas certamente  sairei com a cabeça erguida.

A minha cumplicidade ideal vai para os irmãos da “Cooperativa Artigiana Fuoco ed Affini” – FAI; os irmãos e irmãs da FAI-RAT (Rivolta Anonima Tremenda); os irmãos e irmãs da Narodnaja Volja – FAI, quem quer que sejam, onde quer que estejam.

A minha cumplicidade ideal vai para o anarquismo da práxis, o qual em novas formas está ressurgindo em boa parte do mundo, depois de uma longa hibernação.

Avante sem medo.

O futuro é nosso.

Pensamento e dinamite

Alfredo Cospito

em inglês via insurrectionnews

Prisões italianas: Ação do compa Alfredo Cospito em solidariedade com a Conspiração das Células de Fogo

A 30 de Agosto o preso anarquista Alfredo Cospito destruíu os vidros das divisórias da sala de visitas da secção de alta vigilância AS 2 da prisão de Ferrara, em solidariedade com xs presxs da CCF, recentemente condenadxs a mais de cem anos de prisão cada um/a por intenção de fuga das prisões de Koridallos. Segue-se o comunicado do companheiro:break1

Hoje, 30 de Agosto, passados quase quatro anos da minha detenção, quis celebrar o aniversário, oferecendo-me a destruição dos painéis da sala de visitas. Esta ação é a minha contribuição à solidariedade revolucionária com os meus irmãos e a minha irmã da CCF-FAI/FRI, condenadxs no enésimo julgamento a mais de 110 anos cada um/a pela tentativa falhada de fuga da prisão. O preso anarquista não é nenhuma bandeirazinha nem muito menos é necessário que se construa um monumento à sua volta, às vezes é um pedaço do nosso coração, às vezes não….de qualquer maneira continua a lutar, vivendo… Não há necessidade de o recordar, mas de o reivindicar, libertá-lo, ainda que ao fim e ao cabo também o possa fazer por si mesmx  porque pela sua natureza não pertence a nenhum rebanho…

Viva a FAI/FRI
Longa vida à CCF

em espanhol

Barcelona: Segundo comunicado de Individualidades pela Dispersão do Caos – FAI/FRI – Abril/16

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10 de Abril de 2016

“Sou amante da liberdade e só posso brindar o meu respeito e solidariedade aquelxs que, como eu, têm o valor e a dignidade de defender a sua própria vida com unhas e dentes “
Claudio Lavazza.

Ao passear pelas ruas desta metrópole morta chamada Barcelona quem esteja atentx pode fazer uma rápida análise da realidade vigente nesta como em outras cidades do mundo civilizado, nas ruas comerciais do centro tais como Paseo de Gracia, Portal del Angel ou Diagonal podemos observar como as massas aborregadas atestam cada centímetro do solo, como jovens e velhxs se idiotizam com tecnologia, como xs pobres e xs acomodadxs olham as mesmas montras, suspiram pelos mesmos objetos, usam a mesma moda e idolatram os mesmos ídolos sociais. No mesmo recanto podemos ver o luxo e o consumo mais absurdo enquanto a poucos metros, nalguma porta ou esquina, alguns/mas desgracadxs dormem entre papelão e lixo. Tudo isso acontece sob o olhar atento de centenas de câmaras de vigilância colocadas especialmente no centro e em áreas comerciais; exércitos de polícia também atestam as cidades, desde patrulhas de secretas a esquadrões de choque de metralhadora na mão, tudo isto para a segurança do cidadão/ã que felizmente se sente protegidx ao contemplar o estado policial.

Na sociedade de massas que se desenvolve no capitalismo pode-se estar cercado de milhões de pessoas e ao mesmo tempo sentires-te só e isoladx. Procura-se preencher o isolamento social e o vazio existencial – produzido pelo deserto da sociedade de massas – pela procura da aceitação, modas, pertença a “algo”, trabalho, ócio alienante, drogas e consumismo. Este isolamento social é constantemente confundido com ndividualismo, no entanto, que pessoa com uma consciência individualista toleraria o ataque que em si mesma a própria sociedade da obediência e das massas representa para x próprix indivíduo?

Após uma época de crise e agitação social – parecendo que tudo vai finalmente voltar ao normal – a vida é menos vivida do que nunca mas nada acontece porque x cidadão/ã dá graças por ainda quebrar as costas 8 horas ou mais no trabalho de merda, cobrando uma ninharia para continuar a pagar preços exorbitantes por alugar um quarto, comprar mercadorias ou simplesmente para continuar a comprar a merda que oferecem as montras. O/a cidadão/ã está convencidx de que “algo está a mudar” porque governa a cidade uma mulher, prefeita de um partido de esquerdas e progressista. Partidos que, aliás, foram incubados nos protestos de rua no período de convulsão, mostrando que a grande maioria da massa saíu à rua para reclamar mas que, apesar dos slogans incendiários e de terem nalguns casos chegado a aplaudir ou até mesmo participar nos motins, tiveram só uma momentânea frustração – ao verem o estado de bem-estar que lhes tinha sido prometido ir por água abaixo e basicamente tudo o que desejavam era terem mais uma vez a oportunidade de reviverem a sua antiga vida com as suas ilusões de trabalho, consumo, lazer estúpido e televisão. Aliás, esta nova normalidade já não é tão subtil como era dantes, este é a normalidade dos estados de emergência, o “nível de alerta 4 anti-terrorismo”, o encerramento das fronteiras, as macro – prisões a estourar, os militares patrulhando as ruas … o controle multiplicando-se em cada esquina da cidade. Uma normalidade que não aceitamos e da qual não vamos ser merxs espectadorxs.

Há muitxs anarquistas que se deixaram arrastar pelo espectacularidade das mobilizações de massas e das lutas de rua – sem parar para fazer uma análise da situação – cheixs de ilusões confiaram nas massas cidadãs e pensaram que a revolução estava ao virar da esquina. Anos mais tarde cada um/a de nós pode comprovar como estas mesmas massas se dirigiram às urnas para votar ou simplesmente seguiram a sua vida à primeira oportunidade que tiveram para recuperar um mínimo das miseráveis condições que tinham perdido, rastejando num servilismo voluntário ainda mais repugnante do que o que professavam antes. A tudo isto é necessário acrescentar que, após esta época de crise, o Estado não esquece nem perdoa aquelxs que quebraram a paz social e, portanto, neste momento, quando quase todo o panorama da luta foi desactivado e / ou recuperado, o aparelho policial atinge, com vários golpes, o entorno anarquista – a fim de incutir pânico e pô-los fora do caminho xs poucxs que ainda têm o desejo de continuar a luta. Assim, acreditamos que os principais fatores que influenciaram o sentimento atual de derrota do anarquismo no Estado espanhol foram, principalmente (entre outras razões) o fracasso das expectativas depositadas sobre “o povo” e os últimos golpes repressivos – para xs quais o meio anarquista não estava preparado.

Lamentavelmente para o Poder, permanecemos aqui e continuamos com o mesmo desejo (ou até mais) de manter o ataque até às últimas consequências contra o mundo do Poder e da sua sociedade de escravos consentidos – durante todo este período continuámos aqui a conspirar, atacando de diferentes formas, recolhendo recursos materiais e conhecimento técnico para a agudização da ofensiva anarquista. Temos assumido a repressão como algo inevitável, inerente à luta, há muito tempo já que  deixamos de colocar as nossas vidas e futuro nas mãos da sociedade dxs servis e escravxs sorridentes que aceitam passiva ou ativamente que o existente se vá perpetuando.

Pouco nos importa que as condições não estejam maduras, aqui as condições somos nós que as escolhemos. Não importa que a maioria dos “anarquistas” tenham virado as costas à essência conflitual da anarquia e tenham optado por se submeter no mundo do medo, na paranóia ou rebaixando-se  até posicionamentos reformistas e cidadanistas. Pouco importa que o Poder aponte as armas contra nós – nesta guerra nos recusamos a assumir um papel de vítima inocente, e assim, também apontaremos as nossas armas contra o poder e a sua civilização.

Tomamos posição ao lado dxs compas de todo o mundo que apostam no conflito permanente e multiforme, para viver a Anarquia aqui e agora, juntamos-nos a vós a  internacional negra dos anarquistas da práxis e mais uma vez passamos ao ataque quotidiano e à recuperação das nossas vidas. Somente através do ataque anarquista multiforme somos capazes de experimentar sentimentos de liberdade num mundo enjaulado e a experimentação de liberdade merece o risco de prisão ou morte, risco que assumimos. À margem de diferentes tendências, posições e contextos compartilhamos o caminho com todxs aquelxs que optam pela coerência de levar a teoria a algo vivo e real, por isso compartilhamos cumplicidade com irmãos/ãs de todo o mundo – embora nunca tenhamos visto as suas caras, as suas ações, ataques e textos deram-nos a determinação e motivação para continuar na luta. Através da nova guerrilha urbana anarquista, da organização informal e do ataque difuso permanente, materializamos os nossos desejos e paixões em algo real e perigoso.

Por outro lado, e paralelamente, uma outra forma miserável se desenvolve, a que tenta transformar a anarquia na nova tendência social-democrata. Em toda a parte esta praga se espalha, sob diferentes nomes ou formas organizativas. Em Barcelona, cidade cheia de misérias pessoais e políticas, não poderia fugir à regra, aqui a ação direta, a sabotagem e ataques estão quase desaparecidos da linguagem e da prática, a coerência em qualquer projecto brilha pela sua ausência. Aqui, podem ser encontrados atos miseráveis de colaboracionismo com os media, discursos reformistas e pacificadores, colaboração aberta e clara com grupúsculos autoritários, esquerdistas e / ou patrioteiros, bem como “anarquistas” que votam ou pediram o voto, desfazendo-se em elogios a partidos políticos como as CUP ou Guayem …

Portanto, a nossa posição é clara em relação a todxs estxs cobardes e miseráveis: NÃO os reconhecemos como companheirxs, nem sequer como anarquistas, não nos importando nada o que eles tenham a dizer a nosso respeito e acerca dos nossos posicionamentos e ações. Podem manter os seus discursos de “poder popular” e o seu ativismo inofensivo de fim de semana, o seu radicalismo subcultural e o consumo de alternativismo (além do abuso de drogas e álcool) nas festas “auto-gestionadas” nas okupas, podendo continuar a jogar aos/às políticxs no seu micro-mundo da assembleia onde são “alguém” e rindo-se das graças do asco patriótico catalão.

Outrora, no âmbito anarquista, mesmo entre as suas tendências mais moderadas, eram aceites ou estavam generalizadas as práticas do saqueio, calote… em última análise, formas de recuperação da vida que ao mesmo tempo constituíam um ataque frontal contra a propriedade e contra o sistema em si mesmo.
Hoje em dia, no auge da coerência e da luta contra o estado / capital, a prática generalizada é a de se ir à procura de comida no lixo e viver em casas okupadas gratuitas – embora nalguns casos as casas estejam a cair aos pedaços – mas acima de tudo o que nestes dias é a cereja em cima do bolo são as fantásticas cooperativas e negócios “auto-gestionados”. Alguns/mas viram nesta gestão da miséria e sobrevivência das migalhas e sobras do capitalismo o novo evangelho anti-capitalista – quando na realidade estas práticas, além de não estarem fora da lógica do mercado livre, criando apenas um novo consumo “alternativo”, estão completamente vazias de discurso ofensivo contra o mundo do domínio e não representam ameaça alguma. Inclusivé a okupação – que antes se caracterizava pela sua combatividade – ficou vazia da sua essência de conflito e, até mesmo, de crítica contra a propriedade privada e do mundo que a produz.
Actualmente a okupação tornou-se um fim em si, cujo único objectivo é viver de graça dentro do capitalismo.

Que ninguém se equivoque: aquelxs que abertamente se posicionam em guerra contra o poder e a sua sociedade, incluíndo nós, não estamos livres de “pecado”. O ser anarquista coloca-nos em conflito com o existente, mas ainda assim vivendo dentro das margens do sistema de domínio e da sua sociedade, crescemos nele e nele aprendemos muitos dos valores, atitudes e papéis sociais que tentamos abolir. Não estamos imunes à influência do mundo dominante e é por isso que, ao mesmo tempo que levamos a batalha externa contra o poder, também travamos uma batalha interna connosco próprixs para nos desfazermos da lógica de dominação e dos seus valores. Além disso, quando dizemos que ser espectador é ser cúmplice é também aplicável a muitxs que só pelo mero facto de se considerarem anarquistas e compartilharem pensamentos e ideias subversivas já pensam que fazem “algo”. Simplesmente quantas vezes nos temos cruzado com pessoas que vestem de negro da cabeça aos pés, soltam discursos incendiários à esquerda e à direita, clamam pela revolta e a insurreição generalizada, e no momento da verdade o mais “ousado” que fizeram na sua vida foi um blog e desabafos na internet. A teoria sem prática converte-se em mera política, idealismo e charlatonice que morre na boca de quem o pronuncia.

Se há de procurar algum/a dxs responsáveis ou uma das principais causas da situação actual, devemos também olhar para nós mesmxs. Não é a repressão ou qualquer outra causa que perpetua a ordem existente mas sim as nossas decisões e actos, a maioria dos anarquistas são vítimas de suas próprias desculpas na hora de abordar o conflito.
Como anarquistas, entendemos como objectivo prioritário a destruição absoluta do poder existente – em qualquer das suas formas – e acreditamos que as práticas anarquistas devem ser dirigidas para esse objectivo assim como à criação de redes e estruturas que facilitem e tornem possível a agudização do conflito.
Limitar as expressões anárquicas a um simples activismo para calar a consciência, politicagem barata, ou uma extensão não-oficial dos serviços sociais do Estado, parece-nos desprezível.

Reivindicamos a responsabilidade da seguinte ação – demonstrando uma vez mais que o ataque continua a ser possível, apesar das circunstâncias adversas:

– Noite de 26 de Janeiro, um veículo da empresa de segurança Prosegur é incendiado na Avenida Coll del Portell mediante acendalhas de incêndio nos seus pneus dianteiros e traseiros, no bairro Vallcarca. O fogo, sempre imprevisível estendeu-se a outros veículos estacionados – segundo informam os meios do poder, 20 veículos foram totalmente queimados, outros 20 parcialmente destruídos , além de outros danos pessoais. Ainda que o nosso objetivo inicial fosse a furgoneta da empresa de segurança, não iremos lamentar a destruição do resto das máquinas, de facto regojizamos-nos com isso e reivindicamos a destruição total ou parcial dos 40 veículos. La “cultura” do automóvel, o seu estúpido culto e consumo, tão enraizado nas massas, realiza às expensas de cada um/a cada vez maior degradação e destruição da Natureza selvagem. Se elxs não têm consideração por este facto nós tampouco teremos consideração na hora de se queimar as suas odiosas máquinas.

A guerra já nos tinha sido declarada há muito tempo, agora é questão de tomar o caminho do conflito ou continuar a abaixar a cabeça, enquanto se  mantém uma pose radical. As cidades oferecem oportunidades de ataque, difuso e constante, em todos os sítios. Para aquelxs que queiram romper com o imobilismo e a passividadeo em todos os sítios existem objectivos falíveis de serem atingidos. Para aquelxs que não querem fazer nada e continuar a serem expectadorxs da sua morte em vida, em todos os sítios haverá desculpas..

COM XS NOSSXS PRESXS PRESENTES E XS QUE TOMBARAM NA MEMÓRIA !!
PELA INTERNACIONAL NEGRA DE ANARQUISTAS DA PRÁXIS!!
PELA EXTENSÃO DO CAOS E DA ANARQUIA!!

Individualidades pela Dispersão do Caos – Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional

Atenas: Reivindicação de uma explosão numa Repartição de Finanças

UK - TUC protest march - Anarchists demontration cuts through central LondonO Dezembro Negro chegou agora ao fim, mas isso não significa que as hostilidades contra o poder tenham cessado.

Ao longo do passado mês de Dezembro, companheirxs de diferentes trincheiras, tendências e lugares do mundo passaram à ofensiva e – através da acção polimórfica anarquista – iniciaram um caminho comum, o do constante ataque polimórfico. Agora que o Dezembro Negro terminou, cabe-nos a nós continuar o que começámos, aguçar a ofensiva e tornar o nosso quotidiano num acto de rebelião contra a normalidade e o status quo.

Queremos quebrar tudo o que nos limita, todos os limites ou barreiras, e derrubar o último bastião do Poder juntamente com companheirxs de todo o mundo com quem partilhamos as mesmas paixões e desejos destrutivos. No nosso campo de confronto diário com o existente, não há espaço para capitulações ou mediações mas apenas guerra até ao fim amargo de todas as formas de dominação. Para isso, queremos nos tornar ainda mais eficazes com todos os meios e formas de luta que temos à nossa disposição.

Reivindicamos a responsabilidade pela colocação de um dispositivo explosivo-incendiário na Repartição de Finanças para Residentes no Estrangeiro na rua Metsovou [no centro de Atenas] na madrugada de 13 de Janeiro.

Mandamos uma saudação conspiratória a todos os grupos e indivíduxs que responderam à chamada do Dezembro Negro, a todxs aquelxs que de uma forma ou outra contribuem para a permanente ofensiva anarquista. A todxs aquelxs que se atrevem a viver verdadeiramente e a tornar a sua existência numa forma de ataque, irreconciliável quer com o Poder ou qualquer sociedade-prisão.

Não esquecemos xs nossxs prisioneirxs e xs nossos companheirxs que tombaram

Por um 2016 negro e por uma vida de rebelião

Individualidades Insurgentes – FAI/IRF

em grego | inglês l espanhol l alemão

Santiago do Chile: Adjudicação de dispositivo explosivo no Centro de Reinserção da Guarda Prisional

1-1 2-13-1Santiago 11 de Fevereiro de 2016

No dia 11 de Fevereiro dirigimos-nos para o cruzamento das ruas Pedro Lagos e Arturo Prat, lugar no qual se situa o Centro de Reinserção da Guarda Prisional, onde colocámos uma poderosa bomba de relógio. Este foi um acto consciente e libertário, que longe de querer causar dano a transeuntes, procurou ter como alvo directo não só as instalações do dito recinto como também, se possível, levar no mesmo golpe a vida de alguns/mas carceireirxs, não nos importando categorias ou postos. Acabar com qualquer um/a destxs miseráveis será sempre, para nós, um gosto.

Há que mencionar que o engenho falhou e assumimos que isso se passou devido a erro nosso e não ao eficiente trabalho da polícia, como se disse na imprensa.

Juntamente com isto, aproveitamos para advertir todxs estxs subhumanxs uniformizadxs – em especial ao Tenente Lagos e ao gangue de rufias que há na prisão concessionada Santiago 1 – que hoje improvisámos uma carga explosiva. Amanhã podem ser 9 milímetros nas suas cabeças. Que o saibam e o tenham bem claro: Aos/às presxs políticxs não se lhes toca.

Com esta explosão saudamos xs nossxs irmãos/ãs encarceradxs nos diversos centros de detenção espalhados por todo o mundo. Também uma saudação para xs sempre subversivxs Juan Aliste Veja, Marcelo Villarroel Sepúlveda e Freddy Fuentevilla Saa, a resistir com dignidade na Prisão de Alta Segurança, após terem sido condenados no mediático caso Security.

A Hans Niemeyer Salinas e Alejandro Astorga Valdés. A Juan Flores Riquelme, Nataly Casanova Muñoz e Enrique Guzmán Amadeus, encarceradxs num dos processos mais dantescos dos últimos anos. A Tamara Sol Farías Vergara, Natalia Collado, Ignacio Muñoz, Kevin Garrido e Joaquin Garcia. Todxs elxs são presxs da Guerra Social no Chile.

A Francisco Solar e Mónica Caballero, companheirxs acusadxs em Espanha como bodes expiatórios do novo inimigo interno a combater. Companheirxs a vossa coragem enche-nos de convicção.

É imperativo nosso recordar que numa Acção como a que empreendemos hoje, mas há quase 7 anos atrás, morreu o companheiro Mauricio Morales Duarte, produto da detonação antecipada do engenho explosivo que trazia consigo. Companheiro, neste dia estiveste mais presente que nunca nos nossos corações.

Honra e Glória aos/às guerreirxs caídxs em luta contra o Estado/Capital.

Sebastián Oversluij e Mauricio Morales presentes em cada golpe contra o Poder.

Presxs Politícxs em guerra em liberdade já!!
Ruas para levantar a Insurreição!!

Célula Insurreccional 11 de Dezembro – FAI / FRI
Núcleos Antagónicos da Nova Guerrilha Urbana

em espanhol

[Chile] Projecto Fénix 2016: Dispositivo incendiário contra empresa de segurança, em Santiago

Bird-phoenix-flight-artContra a tirania da realidade que tem sido imposta às pessoas escolho sempre o realismo mágico da anarquia e a revolução que nunca se termina
Christos Tsakalos.

Lutar pela liberdade inclui combater a impunidade de quem reprime e vigia as nossas vidas.

Abrimos a época dos incêndios de 2016 durante a noite de domingo, 3 de Janeiro, atacando com um dispositivo incendiário de ativação retardada os escritórios centrais da ISP Service, empresa de segurança privada criada por um ex-agente de inteligência da ditadura chilena que, como muitos outros ex-agentes da repressão ditatorial, desenvolveram o seu próprio negócio de segurança no sector privado, uma vez chegada a democracia. O nosso fogo conseguiu danificar parte da fachada do edifício localizado na rua Lord Cochrane, no centro de Santiago.

Estamos conscientes de que as empresas de guardas, câmaras e monitoramento remoto são um negócio rentável apoiado pela ideologia da segurança, promovida pelo Estado / Capital e apoiada pela maioria social que, sem questionar os discursos do poder, reproduz e defende a ideia da Segurança Total, fica feliz por em cada esquina de bairro aparecerem cada vez mais câmaras, guardas e bófia.

Acendendo o nosso fogo revoltoso nos narizes de quem vigia, demonstramos uma vez mais a vulnerabilidade da rede de dominação, potenciando as nossas decisões, relações e práticas quootidianas no ataque direto a edifícios, representantes, gestores e defensores do controlo social.

Já o dissemos e reafirmamos-lo: o poder nunca é invulnerável, o ataque anarquista é sempre possível.

A partir da informalidade antiautoritária, organizamos-nos sem especialistas, sem líderes ou hierarquias, para levar a cabo a praxis da conspiração anarquista contra o poder, dando continuidade, através do fogo, ao projeto da Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional, porque a FAI / FRI  cobra vida onde qualquer indivíduo, célula ou grupo forjou com a sua própria AUTONOMIA o ataque direto, sem dar origem a dúvidas sobre as suas intenções, com uma forma de atuar certeira e não indiscriminada, com a SOLIDARIEDADE e o INTERNACIONALISMO anárquico como componentes essenciais de uma sedição libertadora sem centros nem periferia que quebre a normalidade opressiva e construa no presente a perspectiva da liberdade total.

Que mais ações como esta motivem a planificação de mais e melhores ignições e incêndios contra a miséria da ordem estabelecida, lembrando-se sempre de combinar as aprendizagens sobre como fabricar bombas incendiárias/explosivos com os conhecimentos necessários sobre como como deslocarmos-nos de forma segura através da cidade no momento de empreender a ação conspiratória e clandestina.

Combinemos as diversas formas de luta para derrubar este ou qualquer sistema de vida baseado no poder e na exploração!

Saudamos aquelxs que responderam com propaganda e acção à iniciativa por um Dezembro Negro – proposta a partir das prisões gregas pelos companheiros Panagiotis Argirou e Nikos Romanos. Que o ímpeto pela ação e debate não se detenha, que continue, se projecte e se concretize em estratégias de luta e em mais actos de insurreição que criem obstáculo e ponham em perigo os planos do poder.

Saudamos cada presx em luta que se mantenha dignx e consequente nas prisões do mundo civilizado.

Saudamos a vida em luta do guerreiro mapuche Matias Catrileo, assassinado há 8 anos (3 de Janeiro de 2008) pelas balas da democracia, disparadas nessa ocasião pelo polícia Walter Ramirez Espinoza, durante uma ação de recuperação de terras ancestrais.

Saudamos a cada humanx e animal que luta pela sua liberdade passando à ação contra o mundo da autoridade.

E aos/às nossxs companheirxs da FAI/FRI, encontrar-nos-emos novamente no voo da Fénix.

Viva a Coordenação Informal da Ação Anarquista Multiforme em todo o mundo!

Célula Anarquista de Ataque Incendiário “Fogo e Conciência”.
Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional – Chile.

 

em espanhol l inglês  traduzido por Insurrection News

Grécia: Ataque contra o centro estatal de emprego em Larissa

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A 27 de Dezembro, de madrugada, atacámos com pedras a sede de OAED (centro estatal de emprego) no âmbito da chamada por um Dezembro Negro. Enquanto a sociedade se diverte nos templos do consumo xs nossxs compas permanecem encerradxs nas celas da democracia, em todo o mundo. Não esquecemos nada e enviasmos -lhes um sinal de solidariedade e cumplicidade.

Força a todxs xs processadxs pelo Projeto Fénix.

Por um Dezembro Negro e por novo ano ainda mais negro para o inimigo.

Núcleo de destruições urbanas – FAI/FRI

em grego l espanhol

Barcelona: Ações por um Dezembro Negro das individualidades pela Dispersão do Caos – FAI/FRI

Após as últimas operações policiais contra o meio anarquista, muito se disse e se escreveu – sendo na sua grande maioria uma queixa ou uma “condenação” à repressão por parte do poder – tanto em comunicados como nas opiniões.  Tendo em conta a última operação repressiva e as reacções que se seguiram, consideramos importante dar a nossa perspectiva sobre os acontecimentos

Começando pela visão de que a repressão, que se tem vindo a abater sobre nós, é a resposta lógica do Estado aqueles que consideram (ou o Estado mesmo considera) como os seus/suas inimigxs – não entendemos os comunicados em que de uma ponta à outra se descrevem como vítimas (e, claro, com as palavras mais apropriadas) se roga ao Estado que deixe de lançar as suas hordas policiais de forma “indiscriminada” contra xs anarquistas. Que a repressão é injustificada, supostamente usa-se e abusa-se do termo “montagem”, que não fazemos nada de mal…que nos atacam por “pensar diferente”… tenta-se dar uma imagem de “normalidade” e, por todos os meios, que esta imagem pública seja o mais limpa ou socialmente aceitável. Faz-se o possível para se distanciar de discursos ou práticas violentas, caindo assim no jogo de poder, usando a mesma linguagem, fazendo distinções entre anarquistas “bons/boas” e “maus/más” fomentando deste modo a mesma criminalização.

Chegados a este ponto, entre estxs “anarquistas” há quem não tenha tido vergonha de conceder entrevistas aos meios de comunicação dando uma imagem lamentável e, o que é pior, situando-se como porta-vozes do “movimento anarquista” (e já de passagem por todos os movimentos sociais) estxs aspirantes a políticxs e guias de massas tentam fazer todo o possível para afastar o anarquismo de seu carácter subversivo e de confronto, pintando-o como um simples movimento de activismo social, vazio de todo o discurso e prática de confronto com o poder e a ordem existente.

Por outro lado há os discursos dos que falam continuamente sobre o terrível que é a repressão, que todxs estamos controladíssimxs, que não se pode fazer nada… estas atitudes não fazem mais que difundir o pânico e a paranóia colectiva e por trás destes discursos e atitudes estão aquelxs que escondendo o seu imobilismo usam, como pretexto, a omnipresença da repressão, os seguimentos, os clássico  “a mim têm-me fichadíssimx”…etc, etc. Não estar disposto a assumir as coisas é uma decisão pessoal, mas esconder-se atrás de um medo descontrolado – e em muitos casos infundado – e dedicar-se a espalhar esse sentimento derrotista é perigoso é contraproducente. Isso não quer dizer que uns/umas sejam “bravxs” e xs outrxs “cobardes”, é totalmente normal ter medo das detenções nas delegacias de polícia, das prisões, dos espancamentos, das torturas e assassinatos realizados pela bófia ou pelos carcereiros …

No entanto, dar rédea solta ao medo permite o pânico e a paranóia – que por sua dá lugar aos discursos derrotistas que atraem a passividade e o imobilismo e ao é melhor “portar-se bem” tanto para si mesmx como para com o resto dxs companheirxs para não se acabar por ser o alvo de investigações policiais.

Como nota final sobre este assunto apenas dizer que, ainda que o Estado não tenha mostrado mais que a ponta do iceberg, isto não é nada comparado com o que poderia ter sido solto e, de fato, basta olhar para a repressão que se exerce actualmente noutras partes do mundo (e não é preciso ir muito longe) ou na própria Espanha há algumas décadas.

Deve ficar claro que, a partir do momento em que nos posicionemos como anarquistas, passamos a viver em risco permanente e com possibilidade de sermos atingidxs pela engrenagem repressiva – ainda que à margem das nossas práticas, pois como já se viu, há ocasiões nas quais a dita máquina repressiva procura acima de tudo provocar medo entre o inimigo, levando à frente qualquer um/a em vez de dar golpes certeiros – aos olhos do poder qualquer um de nós pode ser um objectivo.

Não obstante o desencadear das operações policiais, encarceramentos e  difamações levadas a cabo (e do está por vir) o poder sabe que permanecemos, como sempre, indivíduxs aos quais não nos podem controlar nem assustar por mais que tentem – não poderão acabar com as nossas ânsias de destruir todo aquilo que nos oprime. Enche-nos de alegria comprovar que, apesar de todo o transcrito, não conseguiram deter a ofensiva contra o existente, há sempre continue sem ceder ao medo e à submissão social, passando ao ataque permanente. A acção multiforme anarquista continuou espalhando-se pelos diversos bairros, cidades e vilas em forma de publicações e textos combativos, cartazes, pintadas, faixas, sabotagem, incêndios e explosivos, cortes de ruas com barricadas com barricadas, confrontos, ataques a edifícios do poder e distúrbios durante manifestações…

Ainda que a tendência em Espanha tem sido para a não reivindicação das ações, pelo que muitas delas ficam mudas ou são silenciadas, sabemos bem que tudo isto tem vindo a ser sucedido em maior ou menor grau. A violência minoritária sempre continuou e continuará e, sim, falamos de violência, sem tabus ou complexos, pois estamos convencidos de que o poder não cairá por si nem nenhum messias cairá do céu com a solução debaixo do braço.

Não usamos palavras como “auto-defesa” ou “contra-violência” ou não falamos de violência anarquista apenas quando haja um contexto de levantamento de massas porque resulta mais aceitável. Temos comprovado que, apesar de tudo, a prática insurrecional e o ataque continua a ser possível, a polícia não pode estar em toda a parte, nem nos espiar ou controlar a todxs: um pouco de senso comum, uma boa planificação e vontade são mais do que suficientes para se comprovar que a imagem de um mundo controlado e pacificado não passa de uma ilusão e quebrar esta ilusão de tranquilidade está nas nossas mãos.

Porque frente aos ataques do poder e à miséria de alguns/mas “anarquistas” que só se preocupam em darem ares de bons/as jovens inocentes perante a sociedade, e salvar-se a si mesmxs, nós armamos os nossos desejos e paixões, passamos ao ataque. Frente às massas e à sua passividade apenas oferecemos a nossa agressividade, não esperamos nada deles e lançamos-nos em pleno à revolta anárquica permanente.

Somos xs revoltosxs que decidiram seguir de pé e assumir o risco por nos atrevermos a viver a anarquia aqui e agora.

Para nós, as palavras sem actos são palavras mortas, por isso aproveitamos este comunicado para reivindicar as siguintes ações em diferentes zonas de Barcelona:

O incêndio de vários veículos de diferentes empresas privadas oo estatais, a maioria deles de empresas de segurança.

Ataques a sucursais bancárias mediante la rotura dos vidros e do caixa eletrónico com martelos, pedras e tinta ou incêndio do mesmo.

Incêndio de contentores e destruição de diverso mobiliário urbano.

Através deste comunicado queremos saudar afectivamente xs nossxs presxs, especialmente Monica e Francisco que lestão há mais de dois anos em prisão preventiva sem baixar a cabeça, xs compas Nicola e Alfredo, xs compas do CCF e xs compas atualmente prisioneirxs no Chile, assim como todxs xs compas presxs em qualquer parte do mundo, tal como saudamos xs nossxs e recordamos xs que tombaram e a todxs aquelxs que dia a dia continuam a apostar no conflito e na insurreição permanente em todo o lado, fazendo da anarquia uma ameaço, de novo.

Por um Dezembro Negro em todo o lado!

Pela Internacional Negra de anarquistas da praxis!

Pela extensão do Caos e da Anarquia!

Nada acaba, a guerra continua…

Individualidades pela Dispersão do Caos – FAI/FRI

Nota: Desenho realizado no Chile por um compa em prisão preventiva, acusado na montagem “Caso Bombas”, há anos atrás.