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Contra Info: Rede tradutora de contra-informação

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Prisões chilenas: Acerca da situação jurídica do nosso companheiro Marcelo Villaroel – Solidariedade revolucionária como resposta à vingança do Estado!

Acerca da situação jurídica do nosso companheiro Marcelo Villarroel… ou de como a vingança do estado se perpetua em silêncio

Em Setembro passado, foi notificada na 4ª Procuradoria Militar de Santiago a resposta negativa à petição feita para prescrição das sentenças, solicitação essa realizada pelo nosso companheiro Marcelo, há vários meses.

Imediatamente, Marcelo apelou dessa recusa, ficando a resolução do recurso nas mãos do Tribunal Marcial, reafirmando este a recusa, nos primeiros dias de Outubro.

Estas condenações correspondem a causas originadas por ações enquadradas na antiga militância no Mapu-lautaro, organização na qual o nosso compa foi ativo desde muito jovem e da qual foi expulso por “desvios anarquistas”, quando já se encontrava na prisão, em 1995.

Marcelo purgou ininterruptamente 11 anos, dois meses e quinze dias – de 13 de Outubro de 1992 até 28 de Dezembro de 2003 – ficando depois, em prisão noturna, até Março de 2005, altura em que lhe é concedida a chamada “liberdade condicional”, que o obriga a assinar semanalmente até cumprir 20 anos de controle penitenciário.

Marcelo é indiciado como participante no assalto ao Bank Segurity, aos primeiros dias de Novembro de 2007, assim como outros compas –  expropriação essa na qual morreu um polícia e que causou uma resposta do Estado sem precedentes. Marcelo decide passar à clandestinidade e, em Fevereiro de 2008, na sua ausência a “liberdade condicional” é-lhe revogada.

É detido na Argentina em Março de 2008 e, em Setembro de 2014, é condenado a 14 anos efetivos por 2 assaltos bancários.

Foram, entretanto, reactualizadas as penas relativas às causas antigas (emanadas da sempre sinistra “Justiça Militar” ), ficando da seguinte maneira:

– Associação ilícita terrorista: 10 anos e 1 dia.

– Danos a um veículo fiscal, com lesões graves a carabineiros (bófia): 3 anos + 541 dias.

– Co-autoria de homicídio qualificado como terrorista: 15 anos e 1 dia.

– Roubo com intimidação, lei 18.314: 10 anos e 1 dia.

– Atentado explosivo contra embaixada da Espanha: 8 anos.

No total, essas condenações antigas totalizam 46 anos, estabelecendo como data de término o mês de Fevereiro de 2056.

Há uma série de irregularidades nos cálculos e, embora a questão legal nunca tenha sido nem virá a ser o nosso ponto de concentração único, acreditamos que se torna urgente e necessário enfrentar essa situação que, à luz de qualquer ponto de vista, representa uma clara vingança contra um companheiro que mantém em alta as suas convicções subversivas – de corte autónomo e libertário – nunca tendo abandonado o confronto direto pela libertação total, nem nunca renunciado à sua história de combate, deixando-a como mercadoria para livros ou galardões para traficantes de histórias – prestadas onde se refugiam centenas de renegadxs que perambulam por diferentes espaços de índole pseudo-radical.

A nossa chamada é para se deixar tanto a verborreia como os falsos gestos de solidariedade – para que se enfrente esta e cada uma das vinganças que provêm do Estado, como política constante contra todxs aquelxs que não renegam os seus vínculos e convicções.

É hora de agir, de tornar realidade aquilo de nenhum compa estar sózinho na orisão.

PELA DESTRUIÇÃO DE TODAS AS PRISÕES!!!
ENQUANTO EXISTIR MISÉRIA, HAVERÁ REBELIÃO!!!

Pessoas próximas a Marcelo
Santiago-Valparaíso
Outubro de 2017

[República Checa] Texto do companheiro anarquista perseguido da Anti-Fénix, Lukáš Borl

Todo o poder para a imaginação?

Quando extensas greves e motins de trabalhadores e estudantes ocorreram em França, em 1968, um dos slogans daquela época era: “Todo o poder para a imaginação”.
A polícia checa e os tribunais têm agora a sua própria interpetação deste slogan: afirmam a sua autoridade através da promoção da sua própria imaginação.

Quando a polícia pretendeu um mandado de prisão – contra mim – os motivos alegados para isso eram apenas declarações especulativas e um monte de aleatórios disparates. Isso, obviamente, foi o suficiente para obter o mandado. Torna-se mesmo assustador o quão poderosa a sua imaginação pode ser.

Encontra-se escrito em alguns documentos: “Lukáš B. não tem residência permanente na República Checa. Com base na actual investigação, aclarou-se que, de Outubro de 2015 até Dezembro de 2015, se encontrava a movimentar-se, no território da república eslovaca,nos arredores da cidade de Žilina. Depois, em Abril / Maio, estava a mudar-se para a Eslovénia, nos arredores da cidade de Ljubljana.

Dali saíu – o mais provável para a Holanda – acompanhado de (nome da pessoa).
Depois foi descoberto que, no início do verão (junho de 2016) Lukáš Borl tinha participado numa reunião secreta dos defensores dos direitos dos animais, Frente de libertação animal (ALF), que aconteceu em França, nos arredores de Marselha, sob o nome RAT ATTACK [ATAQUE DE RATOS]. A partir da comunicação descoberta tornou-se claro que Lukáš B. planeia viajar ao longo da costa de Itália e França até a fronteira da Bélgica e Holanda, onde é suposto ter um emprego – fotografando para uma revista sobre migração. Especial da pesquisa pessoal: cabelo castanho, barba, 8-10 rastas na cabeça, 15-20 cm de largura.”

Que tipo de investigação pode levar a escrever tal absurdo? Em toda essa construção há apenas uma afirmação verdadeira – naquele momento não tinha realmente residência permanente na República Checa. Que espécie de polícia  pode ter na comunicação “descoberto” se deduzir declarações absolutamente falsas? Aparentemente, toda a investigação e comunicação “descoberta” ocorreu apenas nas cabeças das chefias da polícia. Apenas uma excogitação casual, tal como lhe poderemos chamar. Claro, a polícia vai pensar num nome melhor para o que fazem, simplesmente porque não é tático em absoluto admitir que a autoridade deles se baseia em excogitação e incapacidade de investigação.
Lukáš Borl
antifenix.noblogs.org

Notas de Contra Info:

No dia 28 de Abril de 2015, Lukáš foi um dos muitos anarquistas presos na operação policial Fénix. Foi libertado, após dois dias de prisão, mas outros três anarquistas permaneceram em prisão preventiva desde então (após um ano ainda havia um companheiro em custódia, à espera de julgamento).

Nos meses seguintes, Lukáš encontrava-se sob vigilância da polícia secreta. Sob a pressão das preocupações também poderia acabar na prisão, pela sua atitude e atividades anarquistas, decidindo, assim, passar à clandestinidade.Depois disso o lugar onde se encontra é desconhecido. Mas ainda publica textos em que sublinha a sua vontade de permanecer parte do movimento anarquista e das suas atividades.

A 4 de Setembro de 2016, Lukáš Borl foi preso pela polícia em Most e depois levado a prisão preventiva, em Litoměřice. Acusam Lukáš pela fundação, apoio e promoção de um movimento destinado a reprimir os direitos humanos e as liberdades.

O companheiro foi libertado sob fiança a 13. 4. 2017. Significa isso que vai aguardar o julgamento fora dos muros da prisão.

em inglês

[Itália] Atualização do Julgamento “Scripta Manent” – Solidariedade Internacional a 16 de Novembro de 2017

O julgamento dxs anarquistas, acusadxs ao longo da operação “Scripta Manent”, começará a 16 de Novembro, no tribunal de segurança máxima da prisão de Turim.

À companheira Anna Beniamino assim como aos companheiros Alfredo Cospito, Danilo Cremonese e Nicola Gai não será permitido que compareçam na sala do tribunal, estando sujeitxs a uma vídeo-conferência a partir da secção de vigilância máxima 2, onde se encontram confinadxs.

Aos companheiros Marco Bisesti, Alessandro Mercogliano e à companheira Valentina Speziale será permitido comparecer na sala de tribunal, recusando estxs participar no julgamento em solidariedade com xs companheirxs sujeitxs à video-conferência.

via Croce Nera Anarchica

[Santiago, Chile] Crónica da VII Convenção de Tatuagens e Arte Corporal SOLIDARIEDADE À FLOR DA PELE

Foi sob um belo céu nublado que nos reunimos para dar vida à VII Convenção de Tatuagens e arte corporal Solidariedade à Flor da Pele, com o objectivo não só de contribuir economicamente para apoio aos/às nossxs companheirxs na prisão, mas também abrir um ponto de encontro anti-prisões.

Bem cedo recebemos rondas policiais, assediando tatuadorxs, companheirxs e até vizinhxs, mas sem conseguir impedir o desenvolvimento da atividade. Desde o início ficou claro que o engenho e a vontade das mãos solidárias conseguem tornear os diferentes obstáculos que se vão gerando – demonstrando, assim, que quando a convicção anárquica é o que nos guia, sempre se conseguem ultrapassar as dificuldades.

Agradecemos a presença e o compromisso de todxs xs tatuadorxs, das companheiras responsáveis pelas suspensões e/ou piercing e daquelxs que nos acompanharam com danças, pinturas e oficinas  e que, com a melhor das disposições, contribuíram para o desenvolvimento e difusão da atividade. A todxs xs que não puderam comparecer, esperamos contar com vocês para a próxima conve…

Leram-se as mensagens  de alguns/mas companheirxs na prisão – deixando escapar ideias/sentires para longe dos corredores prisionais, ajudando a diluir o dentro/fora. Durante o dia foi sempre sendo atualizada a informação sobre os diferentes processos de repressão e combate no Wallmapu, procurando nutrir as diversas correntes envolvidas no conflito.

À Flor da Pele tem a marca da presença de todxs aquelxs que – apesar de já não estarem mais connosco de modo físico – vivem na memória dos corações negros, assim Barry Horne, Sebastián Oversluij e Mauricio Morales, acompanharam-nos sempre. Os caminhos da luta sempre acabam por se cruzar, mas há circunstâncias em que não se conseguem encontrar … esta jornada é dedicada à memória de Santiago Maldonado.

Porque uma jaula é sempre uma jaula…
Até destruir o último bastião da sociedade carcerária.
Solidariedade à Flor da Pele.
Solidárixs afins pela Anarquia/Coletivo Sacco e Vanzetti.

* * *

MENSAGENS DE COMPANHEIRXS PRESXS

*JOAQUÍN GARCÍA*

Acabo de me inteirar desta iniciativa de solidariedade. Agradeço enormemente todas as mostras de carinho que me acompanham nestes momentos. Cada gesto, cada palavra adquire um significado muito maior no encerro prisional; quebrar a rotina, aqui, passa a ser o mais importante de tudo. Espero que tudo se realize da forma mais agradável e serena que seja possível e que a solidariedade seja vivida à flor da pele.
Envio-lhes muitos abraços, saudações e carinhos.
Joaquín García
Secção de Máxima Segurança/Prisão de Alta Segurança.
4 de Novembro de 2017.

*Companheiro detido a 19 de Novembro de 2015 e acusado pelo atentado explosivo contra a 12ª Delegacia de San Miguel, passando a seguir à clandestinidade, numa mudança de medida cautelar, e voltando a ser detido, em Setembro de 2016, quando transportava um revólver e munições. Encontra-se em prisão preventiva.

*ENRIQUE GUZMÁN, NATALY CASANOVA E JUAN FLORES*

Estas palavras nascem e voam das celas da prisão de San Miguel, da unidade especial de alta segurança e da ex-penitenciária, para saudar aquela instância cúmplice que nos é dedicada pelxs compas que organizam e dão vida à Convenção de Tatuagens e Arte Corporal Solidariedade à Flor da Pele…

Através destas palavras – nascidas nestes centros de tortura – desejamos, de forma fraterna e cúmplice, saudar aquelxs que, à base da criatividade rebelde e subordinada, organizam e participam nesta iniciativa anti-prisões.. Iniciativa solidária com aquelxs que sentem no sabor amargo da prisão, dia a dia, a ira, a impotência e a indignação de não poderem materializar a guerra por se encontrarem rodeadxs de barras, câmaras e guardas…

Neste sentido, compartilhamos a mesma ira, impotência e indignação contra os bastardos que compõem e perpetuam esta sociedade –  a que cativa as nossas vidas e a dxs nossxs irmãos/ãs… é por isso que enviamos o nosso respeito e carinho fraternais a todas essas mentes conscientes que não dão espaço ao imobilismo e à indiferença…

Há aproximadamente 7 meses e meio que nos encontramos à mercê da polícia da prisão e de exames e transferências quotidianas até aos  tribunais do estado chileno, os que julgam a nossa necessidade de enfrentar o Domínio – o julgamento que discute o nosso suposto rol participativo nas bombas detonadas contra a estação de metro “Los Dominicos”, contra a 39, a 1ª delegacia de polícia em Santiago e  o subcentro da escola militar (fatos reivindicados pelxs compas da conspiração das células de fogo e da conspiração internacional de vingança) está em fase final, após o arsenal legal / fiscal e a entrada de mais de 150 testemunhas, 80 peritos, 230 documentos e 640 evidências periciais, nesta segunda-feira será discutido os dias livres (que não podem ser mais do que 4) para preparar as alegações de fecho.

Despedimos-nos, com um sinal cúmplice, dxs compas que se encontram nas prisões de Korydallos (Grécia), dos de Ferrara (Itália) e, para a imensidade de irmãos/ãs presxs e caídxs nesta guerra, despedimos-nos com o gostoso sabor do carinho solidário que nos manifestam uma vez mais!!!

Nataly Casanova (Prisão de San Miguel)
Enrique Guzmán (Segurança Máxima/Prisão de Segurança Máxima)
Juan Flores (Ex Penitenciária)

*MARCELO VILLARROEL*

Abraçando todxs e cada um dos gestos e atos de solidariedade com xs prisioneirxs da Guerra Social.

Da prisão da Alta Segurança de Santiago, uma vez mais, escapam estas letras carregadas de fraternidade insurrecta – para saudar e abraçar cada um/a dxs companheirxs que tornam possível que esta iniciativa se realize na sua 7ª versão, mantendo-a com vida há vários anos já , com a finalidade concreta de se solidarizar com aquelxs que vivem a prisão como resultado irrenunciável de uma opção de luta subversiva contra o Estado, o Capital e toda a Autoridade.

Resgato a vontade e a insistência de ir gerando redes de cumplicidade que permitam quebrar, no quotidiano, os muros e jaulas que nos encerram.

Em tempos em que os valores – que nos têm motivado para a nossa ação de combate direto – são relativizados por quem nunca arriscou nada, é altamente resgatável promover a sensação de comunidade que nos irmana, independentemente do lugar onde nos encontremos – porque está enraizado no desejo e na necessidade incontível de sermos livres, para além das dificuldades próprias de um caminho onde muitxs irmãos/ãs perderam a vida, enquanto outrxs resistem atrás das grades.

Portanto, cada grão de areia que aponta ao fortalecimento da ruptura do separatismo e da  indiferença – expandindo as práticas solidárias –  é um ataque direto à imobilidade e passividade com que o poder e os seus múltiplos dispositivos de controle vão semeando fragmentação, amnésia e medo,  com os quais devemos conviver quotidianamente pois são as práticas normalizadas no mundo cidadão e que tanto odiamos.

Os tempos são e continuarão a ser de luta direta contra o Estado, através da revolta permanente, e há que ter claro que continuará a haver feridxs, perseguidxs, prisioneirxs e mortxs de pensamento e ação anti-autoritárias – e não podemos imaginar transformações radicais sem a dor da perda, porque não há guerra asséptica – já que o Poder da dominação capitalista não perdoa nem esquece aquelxs que se rebelam.

Por estes dias se cumprem 10 anos desde que assumimos a clandestinidade como negação da legalidade juridica-policial do Estado. Há 10 anos, começou uma caça a 4 companheiros em que nos acusavam de participar numa série de expropriações bancárias e da morte de um polícia uniformizado, após o assalto ao Banco Security, fato ocorrido no centro de Santiago, em Outubro de 2007.

O Estado, através dos seus sequazes guardiões, desencadeou uma caça sem precedentes,assim como uma ofensiva sistemática em relação a diversos meios e espaços autónomos anticapitalistas da época, meios esses que expressavam uma posição de confrontação insurreta.

Desde esse momento, a permanente repressão do Poder sobre sectores subversivos autónomos e libertários tem-se mantido de forma ininterrupta, fortalecendo o seu aparelho político-jurídico-policial-penitenciário em função desta resistência-ofensiva – que cultiva práticas de ataque descentralizado e multiforme como expressão inequívoca da continuidade de luta de todxs aquelxs que crêm na destruição do mundo do Poder e dos miseráveis que o sustentam.

A 10 anos já do começo dessa caça, com orgulho pode-se dizer que não há arrependimento, nem esquecimento, nem abrando, nem renúncia do caminhar subversivo. A partir de uma posição em contínua tensão, nada está acabado.

Tudo continua!!!

Encorajando o encontro daquelxs que se encontram a trilhar o caminho da guerra social, daquelxs que alimentam a memória de combate de todxs xs que não perdem a bússola do conflito…

Abraçando todos xs presxs dignxs e xs irmãos/ãs que se expressam no ataque direto aos símbolos do Poder.

ABAIXO AS JAULAS!!!
ATÉ SE DESTRUIR O ÚLTIMO BASTIÃO DA SOCIEDADE CARCERÁRIA!!!
CAMINHANDO ORGULHOSXS PELA SENDA DA GUERRA SOCIAL, AVANÇAMOS FIRMES ATÉ À LIBERTAÇÃO!!!
ENQUANTO EXISTA MISÉRIA HAVERÁ REBELIÃO!!!

Marcelo Villarroel Sepúlveda
Prisioneiro Libertário
K.A.S / Stgo, Chile.
Sábado 4 Nov. 2017.

em espanhol

Chile: Semana de solidariedade subversiva com Kevin Garrido e Joaquín García [13 a 20 de Novembro]

Semana de solidariedade subversiva, 2 anos depois de aprisionarem Kevin e Joaquín

Sabemos que ali, dentro das prisões, nunca se faz noite. Ali, as recordações cristalizam e esquece-se de como se vê o céu sem grades e arame farpado. Se a morte tiver a sua cor própria, deve ser a pintada nas prisões, porque é lá que se encontra o reino da morte lenta, isso sente-se todos os dias.

… de 13 de Novembro a 20 de Novembro…

FAZ 2 ANOS A 19 DE NOVEMBRO QUE KEVIN E JOAQUÍN FORAM SEQUESTRADXS PELAS GARRAS SUJAS DO CAPITAL E  SUA ABSURDA ORDEM, CORTANDO DE UM SEGUNDO PARA O OUTRO, OS SEUS SELVAGENS E MUITAS VEZES CERTEIROS PASSOS…

AGORA, O SEU PRESENTE ASQUEROSO É OUTRO: DIA APÓS DIA TÊM DE COMBATER O SISTEMA NUM DOS AMBIENTES MAIS RUINS E ANGUSTIANTES. APESAR DISSO, É BASTANTE CLARO QUE NÃO GANHARAM ESTA GUERRA A ELES E A NÓS TAMPOUCO, JÀ QUE OS NOSSOS NEGROS CORAÇÕES CONTINUAM A BATER COM FORÇA, POR MAIS FARTOS E ESGOTADOS QUE ESTEJAM, CONTINUAREMOS A LUTAR, CONSPIRANDO E TENTANDO FAZER COLAPSAR TODA ESTA MALDITA SOCIEDADE DEVASTADORA DO QUE A RODEIA…

CHAMAMOS A TODXS XS MALDITXS DE CORAÇÃO NEGRO PARA SE SOLIDARIZAREM COM A SITUAÇÃO DXS COMPAS JOAQUÍN E KEVIN  TAL COMO COM TODXS XS OUTRXS PRESXS!! DE 13 DE NOVEMBRO A 20 DE NOVEMBRO, DEMOS AS MÃOS PARA SE CONSPIRARE AMPLIAR O CAOS, FORA DOS LICEUS, UNIVERSIDADES, NA CIDADE E ATÉ MESMO NAS CASAS DXS BASTARDXS QUE ALIMENTAM E DEFENDEM A AUTORIDADE.

AO CONSPIRAR, SOMENTE NOS DETÉM AS NOSSAS PRÓPRIAS CAUTELAS, É ASSIM QUE VAMOS, COM TODA A RAIVA E S0LIDARIEDADE, QUEIMAR, SAQUEAR E SABOTAR!!

NÃO OS ESQUECEMOS, TODXS XS PRESXS EM LIBERDADE JÁ!!!
ABAIXO A SOCIEDADE CARCERÁRIA DE CONTROLO!!!
LIBERDADE A TODXS XS QUE LUTAM CONTRA A AUTORIDADE!!!

em espanhol

Santiago, Chile: Sai o nº 22 do boletim “La Bomba”

EDITORIAL

A todxs xs nossxs queridxs leitorxs, em qualquer parte do mundo, assim como a presxs subversivxs do nosso território. Entregamos-vos um novo boletim recompilatório, desta vez corresponderá a Setembro.

Começámos esta recompilação pelas ações que se desenrolaram no mês de Agosto, como por exemplo as diversas manifestações estudantis, que culminaram em fortes confrontos em vários liceus da cidade e nas quais a propaganda anárquica e insurrecional se viu reflectida, longe dxs convocadorxs e do institucional. Os cortes de rua com barricadas, as bombas molotov contra a polícia e os panfletos pelos ares, apelavam ao caos e à solidariedade ativa com xs presxs.

No sul, entretanto – especificamente em Concepción – as manifestações contra o gasoduto – que se pretende instalar no mar – estão a tomar muita força. Existem já múltiplas expressões da rejeição a este projecto de devastação (onde xs companheirxs que dão origem ao conflito não recuam). Desta forma, as ruas da cidade são tomadas para expressar o descontentamento e a desordem também se torna uma arma. Assim, os confrontos com a bófia tornam-se a tónica junto às barricadas incendiárias. O fato que provocou agitação na imprensa foi a queima de um automóvel dentro da Universidade de Concepción, no contexto de um desses protestos.

Já a avançar para o mês que nos corresponde.. Setembro Negro… Tomam-se as consciências e as ruas… Pleno de propaganda e ação. Uma nova data, marcando o início da ditadura militar fundada por Augusto Pinochet, o 11 de Setembro de 1973. Início do terror nas ruas, dos desaparecimentos, da tortura e morte. Da criação de organismos dedicados à contra-revolta e à repressão. Claro que, depois desses factos, várias vontades deram lugar à ofensiva, desenvolvendo tácticas de guerrilha, com a firme ideia de derrubar o ditador, para se poder viver livres e felizes. Sob aquela perspectiva, foram várias as organizações a empreenderem aquele caminho de resistência armada e, após anos árduos de confronto, esses sonhos de liberdade foram truncados pelas balas inimigas. Já em tempos de transição à democracia, nos anos 90, os organismos do Estado continuaram a operar, mais balas para revolucionárixs ou a prisão eram o destino dos “extremistas”, tudo isso no governo de Patricio Aylwin. Enquanto essas organizações que lutaram contra a ditadura e a democracia eram desmanteladas, nesses anos, muitxs dxs seus membros não desistiram, continuando fortes na luta, optando por novos caminhos para a subversão.

Essa consciência para cada desaparecidx, muertx e /ou prisioneirx – com o objectivo de continuar a todo custo com a luta, também – é o que muitxs dxs companheirxs atualmente propagam nas ruas, com combates, antes e depois de 11 de setembro, tanto nas universidades, como nas ruas ou nas manifestações, enfrentando a polícia em várias cidades do país, realizando ataques armados, barricadas de fogo, saques, forte sabotagem às estruturas do estado e um contínuo de transbordamentos espontâneoo ou coordenados que marcam essas datas. Os anos podem passar, mas ninguém permanece indiferente à história, ninguém esquece, muito menos perdoa.

Após os factos enquadrados no “11” tudo continua, assim deixamos reivindicações provenientes de Santiago e valparaíso. Para além disso, ações coordenadas por parte das células da Frente de Libertação Animal e pela Frente de Libertação da Terra, em Santiago e na Provincia de Arauco, assim como outros gestos perpetuados no anonimato, em várias regiões do país.

Finalizamos desta maneira esta nova entrega – antecipada. Recordamos que esta iniciativa é publicada três vezes ao ano, ainda assim não teremos problemas em antecipá-la, sempre que existam mais ações e comunicados extensos – comunicados esses que com muito gosto os integramos no boletim, como forma de apoio aos grupos de ação a atuar no nosso território.

“La Bomba”, Pela expansão do Caos e da Anarquia.
Individualidades Anárquicas.
Setembro 2017, Chile.

Clica aqui para ler/descarregar a publicação.

em espanhol

[Berlim] Chamam-lhe “Zona de Perigo” mas é só um bairro ingovernável

Saudações de Berlim para Atenas

Daqui, da Rigaer Strabe (Rua Rigaer), tanto a nível individual como em grupos, saudamos a iniciativa de se iniciar uma discussão sobre uma insurreição, preenchendo-a com experiências do passado, teorias atuais e possibilidades práticas. Foi assim que entendemos a chamada para o festival da insurreição em Atenas (insurrectionfestival.noblogs.org).

Descobrimos, no seu programa, vários aspectos em que nós, na zona norte de Friedrichshain, estamos envolvidos também. Não há movimento anarquista, anti-autoritário ou radical de esquerda em Berlim, há apenas uma cena.
O embotamento da maioria de uma sociedade fascista torna complicado ir em frente.  A fim de se destruir integralmente as estruturas de poder precisamos procurar o confronto, nas nossas comunidades locais. É necessária uma concentração de pessoas, ideias e estruturas a cooperar contra o estado, a fim de se proteger da agressão exterior e poder realmente se desenvolver.

Ao longo dos últimos anos, e tanto devido à intensidade de nossas ações como à repressão da bófia, foi na rua Rigaer que se iniciou esse processo. As nossas ações não se têm concentrado simplesmente na violência material, estão a tentar destruir as normas e valores sociais; nesse sentido, mudando o significado de propriedade, segurança e medo, bem como o de trabalho e a competição, por exemplo.

Em Berlim, é proibido organizar um mercado de pulgas ( feira da ladra) onde tudo pode ser dado sem ser de graça, é proibido tocar música em espaços públicos ou apenas concentrar-se na rua com muitas pessoas. Pode ser permitido se alguém solicitar uma permissão à polícia. Fizemos tudo isso sem ter uma permissão e, toda a vez que o fazíamos, a polícia aparecia e atacava-nos. Como resposta, muitas pedras foram jogadas à bófia e aos seus carros.

Talvez a ocupação policial em Exarchia seja mais violenta, mas em Friedrichshain estão mais perto – a força de ocupação está à espera na frente da sua porta.

Paralela à repressão, outra forma de contra-rebelião preventiva em Berlim é a integração. As administrações estão sempre a apresentar mesas redondas, usando vários políticos e “bons” polícias. A ideia é levar lá os habitantes de Friedrichshainer Nordkiez, junto com os representantes dos escritórios da administração, de modo a ser criada uma imagem na qual os políticos escutem as preocupações do público e todas as partes envolvidas encontrem uma solução. Deste modo, não há mais necessidade de resistência real, e a “paz social” pode ser restaurado. Devemos combater tanto a integração como a repressão.

A população, na nossa parte da cidade, está a ser substituída lentamente, devido à gentrificação. O aumento das rendas, se não se tiver o dinheiro, leva a não se poder pagar mais o aluguer e acabar por se mudar. É por isso que vários carros de luxo, assim como os novos investidores, estão a ser atacados nos nossos bairros.

Perguntas controversas dentro dos nossos círculos são, por exemplo, a do relacionamento com os vizinhos. Algumas pessoas são simpáticas connosco e odeiam os polícias. Mas, como interagimos com aqueles que não querem ter qualquer posição neste conflito ou com quem apenas quer manter-se a viver a sua vida capitalista sem quaisquer distúrbios?

Somos apenas alguns/mas nesta cidade, muito poucxs. Quando o estado nos ataca, como no ano passado – quando a bófia invadiu o Rigaer 94 duas vezes e ocupou uma vez a casa, durante mais de três semanas; ao destruir grandes partes dela, tornou-se possível mobilizar muitas pessoas de fora dos nossos círculos. Durante semanas, no verão de 2016, carros foram queimados em toda a cidade e, durante uma manifestação maior, muitas pessoas atacaram a polícia.

Mas uma insurreição não pode ser planeada, surge das tensões sociais onde as tendências radicais estão integradas, numa maior resistência social. Outra questão diversa seria se deveríamos procurar pessoas nesta individualizada e alienada sociedade ou se seria melhor colocar apenas uma utopia lá fora, que falasse por si mesma?

No dia 16 de Junho deste ano, um espectáculo de hip hop nas ruas transformou-se numa utopia. Como esperado, a bófia atacou logo a seguir e isso levou a tumultos – o que só valeria uma pequena nota em Atenas, mas que se tornou a história principal em Berlim. Os media  e políticos compararam a rua Rigaer com a guerra na Síria. Devemos escalar a situação ainda mais, apesar de sermos poucas pessoas?

O movimento autónomo foi alimentado nos anos 80pela difícil situação habitacional
e as muitas Okupas que existiam por toda a cidade. As experiências desde então mostram-nos que, logo que demos um passo atrás, o inimigo move-se logo um passo à frente, atrás de nós. Nos casos em que os okupantes negociaram com o estado perderam sempre. Nos casos em que não negociámos, também podemos ter perdido mas, lutando contra a ofensiva, ganhámos novos elementos para as nossas estruturas.

Através de uma escalada realista, estamos a tentar tornar impossível de controlar uma parte da cidade, um processo que deveria ser ampliado de forma cronologica e espacial. Talvez a bófia ataque os nossos espaços em Friedrichshain novamente, num futuro próximo. Então, pedir-te-emos ajuda, para atacar a autoridade, não importa onde tu estejas. Tal como em Berlim, em Atenas e noutros lugares estão a tentar reagir às operações organizadas pelo estado contra a resistência.

Companheiros/as e amigos/as da Okupa Rigaer 94 e da resistência em Friedrichshain

Notas:

A polícia usa o rótulo Dangerzone para um tipo de lei marcial que lhes permite deter e procurar pessoas sem razão, destroçar casas, sem autorização de busca, ou confiscar tudo.

em inglês

[Prisões mexicanas] Carta do companheiro Fernando Bárcenas

A todxs xs companheirxs rebeldes

Escrevo a todxs aquelxs que constroem os caminhos da sua autonomia, recordando que dentro destes muros tentamos arrebatar o nosso tempo vital à engrenagem, gerando momentos de lucidez num mundo asfixiante…é, pois, assim que durante estes anos têm sucessivamente surgido propostas de resistência – desde combates isolados em zonas esquecidas, gritos que se perdem na obscuridade, até momentos coletivos de organização informal, no cotiadiano da vida em regime aberto, ou seja, na população geral, onde há quase três anos surgiu a ideia de criar um espaço distinto, onde os presos possam gritar que já basta de tanta aniquilação.

Sabemos que o sistema penitenciário está desenhado para a submissão dos nossos corpos e das nossas mentes à estrutura do comércio, e por isso não lhes vamos pedir que mudem, sabemos que o dinheiro é a linguagem dos poderosos e, por isso mesmo, não temos petições, agora queremos auto-gestionar a nossa vida dentro destes muros – sabendo-se que o que procuram os seus programas de readaptação social é tão só criar seres submissos, arrependidos, com culpa e que, portanto, aceitam o trabalho escravo às mãos dos funcionários da prisão.

Foi assim que surgiu, por fim, a ideia de fundar uma biblioteca alternativa, no auditório do reclusório norte. Mas, para que cresça este projeto de autonomia e que se permita se permita o seu funcionamento, necessitamos do seu apoio e solidariedade – pois no interior da prisão somos reprimidos de modo mais eficaz – sendo isto uma chamada à todxs aquelxs que se sabem em guerra, necessitamos de vocês, só convosco podemos lograr ter a força para enfrentar a lógica putrefata do sistema…

Não nos deixem sós na construção de mais um espaço para a autonomia, a nossa luta não é menos importante, nós também somos escravos, filhos de uma guerra, somos pobres, chamados de delinquentes e por isso nos marginalizam, mas junto a vós demonstraremos que somos capazes de viver a liberdade aqui e agora, ainda que estejamos entre muros de pedra…

É por isso que pedimos apoio para manter este projecto, a biblioteca autónoma no reclusório norte.

Com amor e força para todxs
Fernando Bárcenas
(10/10/17)

Mail: cna.mex@gmail.com

Grécia: Texto de Tasos Theofilou sobre a sua libertação em tribunal

A profundidade e a intensidade da minha gratidão pelas pessoas que por qualquer meio me apoiaram, todos estes anos, excede a minha capacidade de o expressar. Ao mesmo tempo, a minha absolvição de todas as acusações é muito mais importante do que uma reivindicação pessoal. É uma vitória para o mundo da luta contra a repressão. Uma vitória dxs desamparadxs contra o profundo estado policial em que nos encontramos. Uma vitória do movimento e meios alternativos contra os media corporativos dominantes. Uma vitória da contra-informação contra a propaganda do regime. Uma vitória do movimento contra a depravação da autoridade.

A decisão de qualquer tribunal que teve que se confrontar com um arquivo tão volumoso, mas a que faltava qualquer tipo de prova, como o tribunal de primeiro instância e também o de segunda instância, não poderia ser outra coisa senão política. Mas, em contraste com o de 1ª instância, a maioria dos membros do Tribunal de Reclusão de Felonia de 2ª instância, teve a honestidade de permanecer consistente nas suas declarações da – ainda classista – justiça criminal e não sucumbir à pressão do lobby da cruzada “anti -terrorista “, mas escutar o movimento de solidariedade, acabando por me absolver de todas as acusações.

Portanto, essa decisão é ao mesmo tempo um primeiro limite para as maquinações da unidade antiterrorista e da indústria de perseguições consequente, maquinações essas tendo como cabeça de lança a lei anti-terrorismo 187A e o elemento “científico” do DNA.

O campo da justiça criminal pode e deve ser mais um campo de luta, já que as decisões judiciais individuais que se materializam também definem – sempre dentro dos limites que a sua posição de classe impõe – correlações sociais e políticas. Esta luta particular tem futuros pontos de referência. Do pedido de libertação de Irianna ao tribunal, a 17 de Julho ao julgamento do processo de Skouries, em Setembro, de qualquer julgamento de manifestante até todos os tribunais de terror.

Tasos Theofilou

Atenas
12/7/2017

Traduzido por A.F.F.N

em inglês via 325 nostate

Vídeo pela Semana Internacional de Ação Contra o Especismo

La Paz, Bolívia: JORNADA ANTIESPECISTA

A luta contra o especismo representa um confronto com a normalidade da sociedade que aceita os comportamentos impostos e que nos “ensina” a ver os animais de outras espécies como insignificâncias e mercadorias. À medida que crescemos vão-nos domesticando e a dominação para com os animais vai-se perpetuando enquanto nos insensibilizamos. O  capital faz o mesmo connosco, domestica-nos, vê-nos como mão de obra barata, pretende controlar as nossas vidas, quer-nos escravxs submissxs e obedientes.

A luta contra a autoridade e a dominação também trancende uma ofensiva na qual lutamos pelos animais de outras espécies, devemos nos conectar com outras lutas, pela terra, pelos povos indígenas, contra o patriarcado, contra o capital e demais lutas que procuram dignificar o nosso modo de vida, já que existe similitude no problema de fundo e torna-se necessário não a nossa especialização mas, pelo contrário, criar laços fortes no qual identifiquemos toda a forma de domínio para o destruir.

Faremos uma crítica ao veganismo burguês, falaremos das lutas animalistas e projetaremos alguns vídeos relacionados com a conversa.

Esperamos-los na 5ª feira, dia 16 Novembro às 19:00, na
Biblioteca Anti-autoritária Flecha Negra.

em espanhol

[Praga, República Checa] Veredito do caso Fénix: Acusadxs absolvidxs

REPRESSÕES NA CHAMADA REPÚBLICA CHECA, OUTONO DE 2017  – O JULGAMENTO FÉNIX – ACUSAÇÕES REFUTADAS – MINISTÉRIO PÚBLICO APELOU – 3 ANOS DE FALTA DE EVIDÊNCIAS – 3 ANOS QUE LIXARAM COMPLETAMENTE AS NOSSAS VIDAS

PANFLETO ANTI-FÉNIX

3 anos de falta de evidências – 3 anos que lixaram completamente as nossas vidas

O clamor do caso Fénix consiste num conjunto de acusações de muitos crimes, variando da auto-intitulada “promoção do terrorismo” à preparação de ataques terroristas. Foram estes foram os mais discutidos até ao final do julgamento no Tribunal Municipal em Praga. No veredicto, o juiz declarou a absolvição de todxs xs cinco réus do caso Fénix ​​1. É uma vitória? Porque é que essa decisão não é definitiva? O artigo que se segue é a tradução de uma visão geral – já com mais de um mês – sobre as audiências do tribunal e algumas análises sobre da nossa situação e experiência, originalmente escritas em língua checa.

Esta longa audiência foi acerca de cinco anarquistas. Três delxs eram acusadxs ​​de planificar um ataque terrorista a um comboio que transportava apetrechos militares. 2 delxs foram acusadxs ​​de saber sobre tais planos e de não ter impedido xs presumíveis autorxs. Duas dessas cinco pessoas também foram acusadas de preparar um ataque com cocktails molotov contra carros da polícia durante o desalojo da okupa Cibulka. Basicamente, de acordo com os polícias implantados, existem no total cinco pessoas e três diferentes crimes nos quais estão envolvidas. (E tudo isso é apenas no caso do Fénix ​​1, porque algumas dessas pessoas estão a ser confrontadas com novas acusações, no contexto do Fénix ​​2).

No grupo onde xs cinco acusadxs ​​estavam envolvidxs, havia dois polícias infiltrados. Esses indivíduos prepararam de forma ativa os dois ataques e também os iniciaram, em parte. No entanto, o juiz não avaliou as suas ações enquanto provocação – visto os materiais que detectariam isso não estarem disponíveis.

A juíza, Hana Hrncirova, enfatizou que absolveu todxs xs acusadxs precisamente por falta de suficiência de provas. Destacou a falta de transparência do trabalho da polícia: “A razão que levou o tribunal a tomar tal decisão baseia-se no fato do juíz, durante a avaliação das evidências, ter expressado fortes dúvidas sobre a transparência dos métodos da polícia – tanto antes do início da ação penal como quando foi legalmente permitido envolver os agentes implantados no caso “ afirmou ela.

Sublinhou ainda, a juíza, que a polícia atuou sem ter mandato durante meses e quando o advogado da defesa pediu os registos de sua atividade, não os tinham: “O tribunal não possui vestígios de registos, nem de um ao menos”, disse a juíza. Por fim afirmou que: “O advogado de defesa tentou obter esses materiais porque se pode supor que, com base nessas permissões individuais, deveria haver algum registo nalgum lugar. Esses registos, no entanto, nunca viriam a ser incluídos no arquivo.”

De acordo com o que a polícia afirmou, os materiais dos primeiros meses de infiltração “não existem ou não podem ser usados”. Então, temos outra pilha de arquivos que existem, arquivos com uma transcrição das comunicações de telefone celular gravadas e que, de fato, podem ser usados. Especialmente para provar que os agentes secretos, a infiltração e a construção do caso não são uma questão do passado, como ouvimos com muita frequência. Cómico não deixou de ser o momento, quando o juiz levantou esta pilha sobre a cabeça (é um volume de cerca de 400 páginas A4) e disse que, a partir de todas essas transcrições, nenhuma coisa tem algum valor como evidência.

A decisão não é definitiva porque o promotor público Pazourek achou que ainda não tinha destruído a vida das pessoas o suficiente e apelou. Enquanto ex-polícia, acredita que a polícia atuou corretamente e espera que a Supremo Tribunal de Recurso confirme a sua opinião. Certamente que fará o possível para encontrar algo que “deve estar lá e pode ser usado”. Podemos, simplesmente, esperar que este caçador de anarquistas – propondo um mínimo de 12 anos de prisão para xs acusadxs no caso Fénix e desempenhando também um papel no Fénix 2 – tenha elementos sem valor de evidência no próximo julgamento, também.

Ao contrário de Pazourek, o ministro do interior – amante de armas, social-democrata – Josef Chovanec, não tem tempo para esperar pelo Tribunal de Apelação. As eleições parlamentares estão a aproximar-se e ele tem que dar prioridade ao polimento da imagem – apresentando-se como um justo e bom pai. E, portanto, após três anos, percebeu de repente, que no caso Fénix, “algo não está certo”. No seu perfil do “Twitter”, deixou alguns comentários fazendo referência a fatos pertencentes à história checa: “Se se prova que se trata, apenas, de uma provocação policial, pedirei um caso de investigação minuciosa e  a punição dos culpados. A polícia de um estado tão democrático […] não pode destruir arbitrariamente a vida das pessoas, e isso independentemente do seu pensamento político. Espero que o “julgamento de Omladina”* pertença à nossa história e não ao nosso presente“. Pena que não estivesse lá a dizer essas palavras quando, no momento da prisão de Martin Ignacak, o detetive principal Palfiova, olhando para o arquivo, declarou: “nós podemos fazer tudo!”

Se o próprio Chovanec é, ou não, direta ou parcialmente responsável pelo processo contra o movimento anarquista, não sabemos e demorará muito tempo ainda até descobrirmos. Certamente que – se o tribunal enviasse as cinco pessoas para trás das grades – podemos apostar que iria tocar nos ombros dos seus amigos “pelo bom trabalho que fizeram”. Agora, quando o contrário aconteceu, pode sempre culpar  – pelos erros e abuso de poder – apenas alguns indivíduos de um aparelho policial e punitivo que, de outra forma. é “impecável” e “útil para toda a comunidade”.

A falta de provas ganha

Para muitos de nós, o veredito do Tribunal é um alívio. Por um momento, podemos respirar, nos encontrar para jantar e ver xs nossxs amigxs – num estado de espírito mais relaxado, fora dos muros da prisão. Estes momentos são importantes na vida e é bom que possamos aproveitá-los. A prisão é uma instituição inútil, divide relacionamentos, isola pessoas e destrói vidas. É por isso que o veredito, por mais agradável que seja do que “culpado”, não é uma vitória total para nós. Não esquecemos o que três anos de infiltração e posterior investigação significaram. Ales, Martin e Peter ficaram presos durante 27 meses no total, Lukas durante 7 meses e, antes disso, tinha estado um ano na clandestinidade. Todxs elxs ainda aguardam julgamentos (recurso do Fénix ​​1 e para alguns delxs e outrxs 2 companheirxs da Fénix ​​2). Alguns/mas delxs com possíveis sentenças de prisão perpétua, ainda no ar. Não vamos deixar esquecer que Igor – hoje considerado inocente – esteve com a mais difícil custódia, durante três meses, e ainda está a enfrentar restrições difíceis, declarando aos serviços de liberdade condicional há quase ano e meio. Além disso, ainda está sob risco de deportação da República Checa devido à sua permanência sob custódia.

As famílias, amigxs e pessoas mais próximas dxs réus e preso – bem como todxs aquelxs que são diretamente afetadxs pelo caso Fénix – estão a enfrentar uma grande pressão emocional e segregação. A polícia entrou em vários espaços e tem levado mais e mais pessoas para interrogatórios. A polícia está a utilizar práticas de abuso de poder, tais como levar as pessoas para a floresta, ameaçando xs parceirxs e pais e mães dxs suspeitxs. Uma lista do que foi feito durante as várias ações repressivas – e estamos apenas a falar dos últimos três anos – na cena anti-autoritária na chamada República Checa-  provavelmente seria longa e assustadora.

Em suma, é claro que não há nada para comemorar. A necessidade de esmagar o sistema opressivo ainda está em jogo, basta pensar numa estratégia melhor e encontrar novas formas de lutar. Em casos como o Fénix, é necessário entender do que realmente se trata. As unidades repressivas não têm medo de nós sózinhos, nem temem Martin, Peter, Sasha, Ales, Katarína, Radka, Igor, Lukas, Ales e xs outrxs acusadxs. O que os assusta é que mais e mais pessoas se identificam com as nossas ideias, especialmente se começarem a usar uma maior variedade de táticas. Os protetores do status quo investem muitas forças, energia e recursos para manter as pessoas na crença de que esta é a liberdade com a qual sonharam.

As pessoas anti-autoritárias e anarquistas que acreditam que podemos viver as nossas vidas de uma forma mais genuína do que a oferecida pelo neoliberalismo – e de que não precisamos de Estado e Política – podem oferecer uma alternativa que possa interferir com esse estilo de vida consumista.

A repressão é, então, vista como a ferramenta ideal para suprimir ideias. E por elas, o aparelho estatal quer nos desacreditar – através de meios sensacionalistas e rotulando-nos de terroristas – intimidando-nos, usando o encarceramento e dividindo o movimento entre “radicais” e xs “não-violentxs” e colocando-nos uns contra xs outrxs. Paralisando-nos com a paranóia.

A questão é, então, onde essa tentativa de repressão é bem sucedida e em que pontos podemos trabalhar sobre nós mesmxs. Como não cair em armadilhas que são invisíveis à primeira vista e como derrubar muros nas nossas cabeças. Dentro de nós mesmxs e entre nós e outras pessoas.

Como quebrar esses muros e construir pontes fora deles. Como superar o medo, obter aquilo pelo qual se está a lutar e respeitar cada qual. E por último, mas não menos importante, como não cair no desejo de ganhar num jogo que não é nosso e que só nos afasta de coisas e atividades importantes.

O caso Fénix ​​tornou-se um ponto crucial nas vidas de muitxs de nós. Podemos aprender muito com isso. Tomá-lo como um ponto de referência, para entender melhor como funcionam as estruturas de poder e para que nos entendamos mutuamente, bem como para analisar criticamente os nossos próprios erros. Não queremos fingir que temos as respostas para todas as perguntas. Mas aprendemos uma coisa. Se queremos que as nossas ações e a nossa organização sejam, realmente, efetivas e perigosas para as estruturas de opressão que nos mantêm sob controle, essas devem ser decorrentes de discussões coletivas e negociações que vão além dos esquemas fornecidos pelo estado. Aprendemos que não há motivo para nos escondermos da repressão, é melhor estar pronto para a enfrentar e criar condições que tornem essas operações inativas. No tempo em que as pessoas estiverem presas – primeiro discute-se se esta é a medida certa para implementar ou não, apenas após a prisão – há uma razão para continuar a lutar. Isso não quer dizer que, se o processo judicial acontecer na ordem oposta, a questão seja resolvida- em vez disso, precisamos imaginar um mundo completamente diferente. Um mundo sem prisões, fronteiras e polícia, onde devemos realmente resolver os problemas, em vez de nos espalhar por trás dos muros.

Fénix não é uma operação visando alguns/mas anarquistas ingénuxs, mas um ataque ao futuro da subversão como um todo. É também uma demonstração do poder policial e do trabalho dos agentes secretos do estado na democracia que ouvimos tão frequentemente como sinónimo de liberdade.

Não te deixes apanhar!

Em Solidariedade, Cruz Negra Anarquista, Praga, Equinócio de Outono de 2017.

“Os meus pilares de valores são: Vida, Justiça, Liberdade e Igualdade. As pessoas que constroem casos e querem aprisionar pessoas dificilmente entendem tais valores. Estou pronto para qualquer veredito, e levá-lo-ei de cabeça erguida. Um veredito que afetará a minha vida e a vida dos outros. “
Final do discurso de Martin Ignacak.

Nota:

*Em 1894, o julgamento Omladina, convocado na capital regional austro-húngara de Praga, colocou ostensivamente o anarquismo e o anarco-sindicalismo checo no tribunal, bem como condenando, especificamente, 68 nacionalistas checos por atividades radicais.

em inglês (pdf) aqui

 

[Holanda] Incendiar todas as prisões – Graffiti em solidariedade com xs presxs anarquistas Lisa e Peike (vídeo)

No fim de semana passado, colocámos do outro lado da rua, frente à sede da polícia e centro de treinos, em Haia, um graffiti de solidariedade onde se podia ler: queimar todas as prisões.

Trata-se de um graffiti solidário com Lisa e Peike, ambxs em prisões alemãs: Lisa está presa a cumprir pena de sete anos e meio por causa de uma convicção (sob suspeita de assalto bancário); Peike foi condenado a dois anos e sete meses devido aos protestos contra a cimeira do G20, em Hamburgo.

Queremos que todxs sejam libertadxs! Liberdade para Lisa e Peike e todxs xs presxs anarquistas! Fogo a todas as prisões!.

Queremos-los em liberdade! Liberdade para Lisa e Peike e todxs xs presxs anarquistas! Fogo a todas as prisões!

Anarchist Damage Squad (Pelotão Dano Anarquista)

em inglês, alemão, francês

Atenas, Grécia: Semana Internacional de Ação Antiespecista – Vídeo da manifestação de 4 Novembro

Vídeo da manifestação que foi chamada pela Iniciativa Anarquista para a Libertação Total de Animais & Terra e que ocorreu em Atenas, em 04.11.17, no contexto da Semana Internacional de Ação Antiespecista.

em grego l inglês

Sydney, Austrália: Solidariedade com anarquistas de Porto Alegre (Brasil)

Solidariedade a partir de Sydney – no território conhecido por Austrália – com anarquistas em Porto Alegre, perante a repressão exercida sobre elxs pelo estado brasileiro. As fotos foram tiradas em frente da biblioteca e livraria anarquista Jura Books, em Petersham (Sydney).

em inglês

Porto Alegre, Brasil: Quando a anarquia incomoda

[Comunicado da Biblioteca Kaos frente à perseguição a anarquistas na região do Rio Grande do Sul]

QUANDO A ANARQUIA INCOMODA

Há muitas coisas para falar, mas iremos pelo mais urgente. No 25 de outubro começou uma perseguição anti-anarquista contra a FAG, o Parhesia, a ocupação Pandorga e algumas individualidades e que tiveram espaços e moradias invadidas pela polícia. Se não toda, provavelmente uma boa parte da diversidade anarquista foi atingida e várixs delxs se pronunciaram, a partir do seu ponto de vista, com firmeza, diante da repressão. E isso é vento fresco que fortalece a todx aquelx que se sinta em sedição.

Fica evidente que a mira dos agentes da repressão também aponta contra nós, contra as publicações que fizemos ou nas quais participamos. E é sobre isso que vamos a nos pronunciar. A cronologia da Confrontação Anárquica – tanto aquela que recolhe informação desde 2000 até 2015 como a que recolhe a ação anárquica de 2016 – são os livros que estão exibindo como “provas” de vandalismo, ataques e atos criminosos. A partir das múltiplas formas de procurar a liberdade que se encontram no anarquismo, esses livros falam da informalidade anárquica como um opção de acordo com o rosto da dominação atual. Ainda mais, esclarecemos que estes livros falam de ações que não são só anarquistas. O foco dos livros é a difusão de ações anárquicas. Para sermos mais precisxs, difundem-se ações nas quais nós sentimos o aroma da anarquia. E entre o anarquismo e a anarquia há diferenças que podem ser delicadas mas que são importantes.

O instinto anárquico é aquele impulso anti-dominação que pode estar presente em qualquer individualidade ou coletividade, para além das pertenças ideológicas e militâncias políticas. É por isso que nas cronologias incluímos conflitos das populações não ocidentais, a conflitualidade nas ruas dentro de protestos mais abrangentes e motivações diversas, ações contra o estado e o capital e muito mais.Longe de ir pela teoria, esclarecemos isto já que a perseguição contra xs anarquistas não toma em conta estas diferenças, procurando achar um bode expiatório para múltiplos eventos que incomodaram aos polícias e aos poderosos de sempre.

Surpreende que a polícia, o Delegado Jardim, e a mídia mostrem, como a grande novidade,  fatos que já foram manchete no seu momento e já foram pesquisados pela polícia também, só pelo fato de estarem condensadas em nossas publicações. Nenhum dos livros é uma reivindicação. São livros de uma memória anárquica, com ações e conflitos muito anteriores à existência da biblioteca kaos e que com certeza irão continuar para além de nós.

A publicação mostra, com alegria e de cabeça erguida sim, a existência de um confronto anárquico que dá resposta à dominação, à devastação da terra e ao ataque contra toda forma de liberdade, mas não reivindica a autoria desses fatos que podem ser colhidos, tal como nós fizemos, de várias páginas de internet e jornais locais. E se fizemos essas publicações sabendo do risco que elas apresentavam é porque a insubmissão merece ser defendida, uivada, festejada e gritada por todos os meios possíveis. Jamais acreditaremos nem respeitaremos a obediência que pretendem impor, a submissão e o medo que querem inocular nas pessoas desde que nascem.

Para além disso tudo. As ações que estão nas cronologias são ações de ataque contra a materialidade da dominação. Ou seja contra prédios, carros, máquinas, estradas, vidraças. Coisas. Objetos. Símbolos. A polícia do território controlado pelo estado brasileiro é internacionalmente famosa por ser uma polícia assassina. As operações de pacificação, são chacinas, autênticos massacres, como a da Candelária e a do Carandiru, assim como o assassinato pelas costas de Eltom Brum (que até teve uma torcida policial recebendo o assassino). E são eles que vêm falar de terror, de quadrilhas do mal, de tentativa de homicídio? Mostram um estilete e tijolos ecológicos como armas, enquanto eles estão de pistola na mão. Falam de terrorismo e quadrilhas do mal enquanto preparam a seguinte invasão contra uma vila ou favela, onde os mortos nem serão mencionados pela mídia. Assim, insignificantes são para eles.

Gostaríamos de acreditar que todos se sentem insultados com as provas do delegado Jardim. Num contexto onde as armas são corriqueiras, tijolos ecológicos apresentados como explosivos é um insulto para qualquer um. Porém, não esquecemos do uso policial do pinho sol como arma (prova) contra Rafael Braga a quem sequestraram até ele pegar tuberculoses, ou seja até sentir que fizeram de tudo para matá-lo.

As repressões contra os anarquistas mostram duas coisas. A primeira que apresentar “terroristas” na tela serve como show para tirar os holofotes dos problemas como a corrupção, o descrédito político-policial e o genocídio devagar mediante reformas econômicas. Que agora tentem resolver fatos do 2013 e persigam um livro e literatura, mostra claramente um uso mediático e espectacular que pretende esconder o crescente ataque contra a população, despolitizar mediante ameaças e espalhar o medo até de ler (práticas evidentemente democráticas).

A segunda coisa que apresenta uma perseguição anti-anarquista é que a anarquia incomoda:  Quando falamos da anarquia que incomoda, claramente, não estamos falando de meninos e meninas bem comportados agindo dentro das margens impostas pelo poder, não falamos de pessoas que têm as leis lhes desenhando seus limites de ação,nos seus corpos e corações. Quando falamos da anarquia que incomoda falamos de uma insubmissão tão forte – de pessoas e grupos que tem sido capazes de interromper a normalidade da praça dos poderes, de paralisar a cidade, de quebrar os símbolos da
militarização no Haiti, de queimar os veículos que sequestram e matam arrastando como cavalos da inquisição (Cláudia, não esquecemos da sua morte).

Os livros da Biblioteca Kaos difundem essa anarquia. A que incomoda. Aquela que responde ao embate do agronegócio, da civilização colonizante, da militarização, do ecocídio, da sociedade carcerária…Em palavras mais simples, enquanto a dominação tenta destruir o planeta e todos que eles acham indesejáveis, nós difundimos o que ataca a dominação.

E quando a anarquia incomoda, a reação dos poderosos ameaça e quer farejar o medo. A resposta anarquista e anárquica contra essa perseguição ficará nos nossos corações e ações.  O modo como enfrentarmos esta encruzilhada marcará o momento de nosso passo pela trilha da vida em rebeldia.

Força e solidariedade com xs perseguidxs pela operação Erebo.

Biblioteca Anárquica Kaos
Outubro 2017

em espanhol

Copenhaga, Dinamarca: Embaixada da Argentina atacada com tinta

Foi na noite de 17 para 18 de Outubro que atacámos com tinta a entrada da embaixada argentina, em Copenhaga, além de lá termos grafitado o nome de Santiago Maldonado e um A circulado.

Esta ação surge na sequência do desaparecimento do anarquista Santiago Maldonado: o estado argentino é o grande responsável pelo que aconteceu há mais de dois meses. Alguns dias depois, ouvimos a triste notícia: o seu cadáver tinha sido encontrado [no rio Chubut]. Tanto o Estado como a polícia são responsáveis! Estamos furiosxs!

Anarquistas

em inglês l alemão l francês l espanhol

Montevideu, Uruguai: Corte de rua e queima de coberturas por Santiago Maldonado

Quando era meio-dia de quarta-feira, 25, decidimos cortar a monotonia da tarde, assim como o tráfego e a circulação de mercadorias, para que os transeuntes tomem um instante das suas alienadas horas e reflitam sobre a vida e morte de Santiago Maldonado, lutador anarquista recentemente assassinado pelo Estado argentino.

Santiago esteve desaparecido e foi assassinado por se solidarizar com a causa do povo Mapuche que, até à data, resiste firme em várias comunidades, instaladas em territórios recuperados à multinacional Benetton.

Vai também para elxs o nosso apoio e queremos também chamar a atenção dos cidadãos comuns para elxs e para a sua digna luta.

Por tudo isto, decidimos cortar o tráfego nos cruzamentos das ruas Arenal Grande e Galicia, queimando várias coberturas e deixando panfletos para explicar a acção.

Santiago não morreu, vive na revolta!

A guerra social continua!

Coletivo Fuego en Las Calles (Fogo nas ruas)

em espanhol

Brasil: Contra a “Operação Erebo”

Recebido a 26/10/17

A polícia deflagrou a chamada “Operação Erebo”, com o intuito de perseguir anarquistas em Porto Alegre, região sul do território dominado pelo Estado bra$ileiro. Essa operação tem por objetivo prender anarquistas supostamente envolvidos em atividades informais desde 2013.

Sobre o caso, não precisamos falar mais do que o necessário:

NÃO FALAMOS A LÍNGUA DO INIMIGO

Não se trata de pessoas “culpadas” ou “inocentes”, muito menos se estavam “certas” ou “erradas”. A moralidade é a língua dos tribunais. Somos contra todas as leis, pois sua natureza opressora serve apenas para manter a “ordem e progresso”, responsáveis pela miséria humana. Estamos contra as prisões e consequentemente não colaboramos para preencher os depósitos humanos. Nós apoiamos com força total xs 10 anarquistas perseguidxs pela máquina genocida do Estado.

NÃO ACREDITAMOS NO ESPETÁCULO MIDIÁTICO

A mídia como sempre se aproveitou do episódio para armar seu espetáculo. Todas as notícias tentam caracterizar xs anarquistas perseguidxs como um único grupo a fim de dar credibilidade para o verme Paulo Cesar Jardim e seus cães da Delegacia de Polícia Civil. O momento da putrefata nação é delicado e está mais que explícito o interesse político da imprensa, ao qual desprezamos completamente.

NÃO CONSEGUIRÃO PRENDER UMA IDEIA!!!

Nem uma, nem mil operações policiais serão capazes de interromper a luta pela liberdade. A anarquia surge nas brechas do autoritarismo e do domínio tecnológico, sendo essa uma paixão muito mais forte do que qualquer cela.

PELA LIBERDADE TOTAL!!!
ESTAMOS EM TODO O LUGAR!!!

[Chile] Acerca das detenções em espaços anarquistas no Brasil e pela internacionalização da ofensiva anarquista no cone sul

SOLIDARIEDADE É AÇÃO!

A polícia civil do Rio Grande do Sul invadiu, na madrugada de 25 de Outubro de 2017, espaços e lugares anarquistas – no contexto duma investigação por ataques contra bancos, esquadras da polícia, empresas, automotoras e sedes de partidos políticos, realizados por grupos anárquicos, nos quatro últimos anos, em Porto Alegre.

Tudo isto ocorre na véspera da 8ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre – cuja abertura seria a 27 de Outubro –  e que foi suspensa até novo aviso, face aos acontecimentos.

Operação Erebo, é este o nome dado ao novo golpe repressivo contra companheirxs anarquistas. Erebo (negrura) era um deus primordial da obscuridade e sombra, na mitologia grega.

Tudo isto se desenrola, segundo a repressão, no âmbito de uma investigação iniciada há um ano – acerca de um ataque a um veículo nas proximidades de um quartel policial – investigação que contemplaria mais de trinta suspeitxs, entre xs quais e segundo palavras do Director da Polícia Metropolitana (Fábio Motta), se contariam pessoas do Brasil, Chile, Bolívia e França. Estas pessoas, segundo declarações na imprensa do chefe da Polícia Civil (Emerson Wendt), conformariam uma organização que se posiciona “contra toda a forma de poder, controlo e moral existente na sociedade”.

A repressão exercida pelos bastardos é do mesmo tipo que noutros operativos repressivos já feitos sentir na região do cone sul* – tal foi o caso da Operação Salamandra (“Caso Bombas”, Chile, 2010) ou da repressão contra meios anarquistas na Bolívia, em Maio de 2012 – confiscando livros, máscaras, folhetos, cartazes, computadores e, particularmente neste caso, uma grande quantidade de eco-tijolos, apresentados pela polícia como bombas molotovs.

As acusações levantadas pela repressão incluem intenção de homicídio, organização criminosa, formação de gangues e danos a património público com material explosivo.

Por seu lado, a imprensa corporativa local desenvolve o seu papel de colaboração miserável – de forma a validar e justificar a operação repressiva. Num dos noticiários, um repórter exibe nas mãos (sem luvas) uma das provas que considerava mais evidentes para dar conta da periculosidade do suposto grupo criminal: um exemplar do livro “Cronologia da confrontação anárquica”, que recompila ações diretas levadas a cabo no território dominado pelo Estado do Brasil.

Para lá das evidências e das acusações vemos, novamente, como as estratégias repressivas dos Estados são internacionalizadas e atingem ambientes anti-autoritários e companheirxs – tentando impedir o avanço da luta anárquica em todas as suas formas e expressões.

Perante isto, a nossa resposta só pode ser uma: a solidariedade internacional e o fortalecimento das redes de ação e coordenação, potenciando a ofensiva anárquica, em guerra contra os Estados e toda a forma de poder.

Do Chile ao Brasil, solidariedade, agitação e ação direta, contra toda a autoridade!

Sin Banderas Ni Fronteras, núcleo de agitação anti-autoritária.
Chile, 26 de Outubro de 2017.

*Cone Sul; a área mais austral da América Latina, conformada por Argentina, Chile e Uruguai, Paraguai, Ilhas Malvinas e a Região Sul do Brasil.

em espanhol, inglês via insurrection news

[Espanha] Nenhum Estado nos fará livres – Contra o Nacionalismo

CONTRA O ESTADO E O CAPITAL O ÚNICO CAMINHO É A LUTA – A LUTA ESTÁ NAS RUAS – NEM NAÇÕES NEM FRONTEIRAS (A)

Cartazes, panfleto e volantes contra o nacionalismo – em todas as suas expressões – foram distribuídos por todo o Estado espanhol, a partir de 18 de Outubro de 2017. Na cidade de Madrid ficaram disponíveis, a maior parte deles, no Local Anarquista Motín.

No panfleto distribuído podia ler-se:

NENHUM ESTADO NOS FARÁ LIVRES

Nenhum Estado, espanhol ou catalão, nos dará qualquer tipo de liberdade. Isto porque a razão de ser de qualquer Estado é submeter xs exploradxs e garantir os privilégios das classes dirigentes. O Estado regulamenta a exploração mediante a Lei e assegura que xs oprimidxs nunca se levantarão contra uma ordem que os explora, humilha, expulsa, entristece, rouba e assassina, por todo o planeta.

Nenhuma polícia, Mossos, Guarda Civil ou Nacional nos protegerá. Pelo contrário, são a força de choque do Estado que protege a propriedade privada e que se encarrega de reprimir e perseguir todxs aquelxs que não se ajoelham e decidem lutar contra o seu podre mundo. Não há uma boa polícia ou má polícia, todos os corpos repressivos obedecem a uma lógica muito específica: manter a ordem. Não esqueçamos o desempenho de qualquer das forças policiais em greves gerais, manifestações, invasões em bairros, controlos racistas, vigilância de prisões, despejos e desokupações, e inclusive como força de ocupação estrangeira (lembre-se do número de corpos repressivos implantados em missões internacionais). Obedecem e servem aos seus mestres.

A Democracia, as instituições parlamentares e xs políticxs não cuidam dos nossos interesses mas, apenas, dos seus próprios interesses. Ninguém, para além de nós próprixs deveria velar pelos nossos interesses. Escolher xs nossxs amos, votar, submeter-nos a maiorias e / ou minorias, atuar nos quadros democráticos …torna-nos cúmplices da nossa própria dominação e instaura em nós o espírito de delegação em profissionais. Colocamos as nossas vidas nas suas mãos. Confiar em políticxs que só procuram (como todxs elxs, aliás) rentabilizar as nossas lutas e sentimentos – enquanto nos submetem ou aspiram a submeter-nos – faz com que nos convertamos numa massa servil disposta a se mobilizar ou desmobilizar, segundo os seus interesses eleitorais e lutas pelo poder.

Nenhum nacionalismo ou bandeira deveriam nos representar. Como oprimidxs e exploradxs, deveríamos entender que temos mais em comum com qualquer outrx exploradx ou oprimidx do que com um empresário ou político nascido no mesmo lugar que nós. Nacionalismo e patriotismo são ferramentas do Poder com as quais se infectam e manipulam os oprimidos, fazendo-os dançar ao ritmo dos opressores para se vincularem com os inimigos da nossa classe e seus projetos e necessidades, em constante mudança. O carinho à terra em que vivemos ou à nossa língua são-nos arrebatados para justificar a criação de novos estados. Impedindo, assim, que a cultura seja algo vivo, em constante evolução e livre desenvolvimento entre indivíduos e comunidade. O Estado é a morte de todo o desenvolvimento livre, construindo fronteiras e semeando as sementes do racismo e da xenofobia.

Sob o capitalismo, Estado ou qualquer forma de autoridade nunca seremos livres. Construamos um mundo novo sobre as ruínas da sociedade autoritária e estatal. Construamos e lutemos pela anarquia, como combate constante contra toda a forma de opressão e exploração, em solidariedade e apoio mútuo com xs nossxs iguais, venham donde venham.

NEM NAÇÕES NEM FRONTEIRAS!

em espanhol via ContraMadriz

Argentina: Morte aos Estados assassinos, Santiago presente!

ESTADO/ TERRORISTA E ASSASSINO/ SANTIAGO PRESENTE!

AGORA JÁ FAZES PARTE DA TERRA QUE TANTO AMAVAS

Tristes são as horas que estamos a viver. Ontem, 20 de Outubro, Sérgio Maldonado confirmou o que tanto temíamos. O corpo plantado pela Gendarmeria no rio Chubut é o companheiro Santiago Maldonado.

A gendarmeria é responsável. O Estado é responsável. Porque foram eles que o levaram do território rebelde de Cushamen, a 1 de Agosto.

Santiago Maldonado já não é um desaparecido, agora é um assassinado. Mas não podemos nos esquecer nunca do mais importante. Santiago Maldonado foi morto por lutar, por ser solidário, por enfrentar a Gendarmeria ao lado dos weichafes (guerreiros) do MAP, o Movimento Mapuche Autónomo do Puel Mapu, exigindo a liberdade de Facundo Jones Huala.

Santiago Maldonado foi morto pela propriedade privada. Não satisfeitos com o terem-lo feito desaparecer e matado, quiseram e e continuam a distorcer a sua figura. E até muitxs dos que dizem honrar a sua memória, também.

Há que tê-lo sempre nos nossos corações como um lutador – alguém que tentou, ao lado de outrxs, mudar esta sociedade de merda onde a mercadoria prevalece sobre a vida.

A nossa melhor homenagem será continuar a lutar, continuar a desafiar o Estado e o Capital como ele o fazia. Santiago Maldonado esse que pelejou nas barricadas de Chiloé defendendo o mar. Santiago Maldonado esse que lutou pela imensa terra do sul.

Cada vez que sopre o forte vento da Patagónia, ele lá estará. De cada vez que os rebeldes do mundo tentarem tomar o céu por assalto, ele lá estará.

Descansa companheiro, o mar, a terra e as florestas pelas quais deste a vida estão à tua espera, para te abrigar.

em espanhol l inglês

Setúbal, Portugal: COSA e À DA MACHADA em solidariedade com A TRAVÊSSA Okupada no Porto

A Solidariedade atravêssa tudo

Força aí companheires, queremos desde já expressar a nossa solidariedade com as vossas ambições. Estamos juntes. É com esta e outras iniciativas que se ultrapassam barreiras/obstáculos da vida quotidiana. Ao criar algo de raíz feito por nós, sem as estruturas do poder dominantes, vivemos um processo que nos garante outra dinâmica político-social. Encorajamos todes que queiram continuar e desafiamos todes a experimentar estas aventuras subversivas de modo a recuperarmos as nossas vidas.

1 Despejo = 1000 Okupações!!!

Nota de Contra Info:
Na manhã do dia 16 de Outubro, o espaço ocupado A Travêssa dos Campos foi alvo de uma acção repressiva por parte da autoridade policial. Chegaram por volta das 7h30 com grande aparato de meios e agentes e preparados para uma entrada rápida e violenta no edifício. Após o arrombamento das portas foi dada a ordem – todos para o chão, caralho! Juntaram todas as pessoas numa sala, duas delas algemadas, e revistaram cada uma delas e os seus pertences. Para além disso, fotografaram e filmaram a operação e toda a gente que resistia no edifício. Ao todo foram 21 pessoas, mais uma cadela levada para o canil. Na esquadra, toda a gente foi identificada e novamente revistada. A todos os envolvidos foi aplicado um termo de identidade e residência e passada uma constituição de arguido sem referência a qualquer crime.

em alemão

Polónia: Convite da CNA Varsóvia para a 4ª edição do “Dias Anti-Prisão” [27-29 de Outubro]

Queridxs amigxs,

A Cruz Negra Anarquista (CNA) de Varsóvia convida-te para participares na 4ª edição do “Antiprison Days”, em Varsóvia, de 27 a 29 de Outubro de 2017. O tema principal deste ano é “Apoia a tua CNA local”.

Aqui, na Polónia, sentimos a necessidade de discutir sobre o importante papel das estruturas anti-repressivas nas nossas lutas, assim gostaríamos de convidar diversas pessoas e grupos para compartilhar as suas experiências com repressões e como ser possível lidar com elas. Haverá também espaço para falar sobre as dificuldades no interior do grupo de apoio e porque é que/como as campanhas anti-repressão e anti-prisão fazem parte de todas as lutas sociais / da terra/ climáticas /mundiais.

Claro que não seremos capazes de falar sobre tudo o que é importante – até porque o evento estará aberto a toda a gente – mas o objetivo é que se inicie algum tipo de processo na mente das pessoas. Haverá também espaço para apresentares as tuas atividades e / ou os teus grupos.

Se gostares de participar no evento e preparar alguma apresentação / discussão, sente-te mais do que bem-vindx para nos contatar: ack.waw [at] riseup. O programa ainda está em aberto, então, se tiveres alguma ideia, basta escrever-nos. O prazo para as propostas de programas é 12 de Outubro. Também nos podemos oferecer para cobrir os custos de viagem se for necessário.

Os melhores sucessos! Em solidariedade,

CNA Varsovia

A Cruz Negra Anarquista de Varsóvia convida-te para o 4º “Dias Anti-prisão”!

O tema do sistema prisional na Polónia ainda é considerado um tabu social e ainda é comum ser pintada uma imagem denegrida daquelxs que se encontram atrás das grades. Simultâneamente, as autoridades estão a aplicar a política de medo para justificar a implementação de leis cada vez mais rígidas, visando todxs aquelxs que se opõem às suas intenções autoritárias.

No oeste da Europa e nos EUA, as campanhas anti-prisão estão naturalmente ligadas às lutas sociais noutros sectores: lutas pelas leis dos trabalhadores, lutas contra a usurpação da terra e eliminação de terras de pequenos agricultores, apoiando imigrantes, protegendo o ambiente, lutando pelos direitos dos inquilinos, etc. Na Polónia, se este tema existe é como um todo, mas é ainda como um recém-nascido que ainda não adquiriu o seu direito de passagem.

Entretanto, só em 2016, mais de 70 mil pessoas foram presas em 64 centros de detenção e 84 prisões, na Polónia. O que o sistema realmente gera é mais patologia, privação de dignidade, violência e escravidão moderna. Isto não é uma piada – cerca de 22,5% dxs presxs são obrigadxs a trabalhar de graça e a nova alteração à lei do sistema prisional, que foram forçados a não demorar muito a publicá-la, aumentará esses números rapidamente. Os presos terão que trabalhar ainda mais para a glória do capitalismo, para o crescimento da “nossa” economia, de modo semelhante ao edifício Kulczyk dos prisioneiros, o chamado “Via da Liberdade”.

Muda isso alguma coisa, as condições em são mantidos? De modo algum. Ainda continuam a ser tratadxs como uma classe inferior, o lixo da sociedade, para se ter vergonha delxs, para serem despojadxs do que resta de sua humanidade, para serem humilhadxs, espancadxs, abusadxs e privadxs de qualquer expetativa. Ainda é inacreditável que estatisticamente, a cada segundo do dia alguém atrás das grades cometa suicídio?

Achas que viver “fora” faz de ti uma pessoa livre? Pensa novamente: quanto tempo gastas no trabalho? Quanto tempo gastas com os teus entes queridos? Com que frequência tens de sacrificar essas relações para sobreviver? E, finalmente, sentes-te realmente segurx? Até que ponto as forças te podem controlar? Há apenas um ano entraram em vigor três novos atos, transformando o significado da palavra “liberdade” em pó – a emenda ao ato da polícia (também conhecido como a lei de vigilância), o ato antiterrorista e o acto das assembleias públicas. As estatísticas são claras – a brutalidade da polícia está a aumentar a cada ano que passa e os responsáveis ​​ficam impunes – por exemplo, cerca de 98,7% dos processos contra a polícia, incluso declarações de torturas, não terminou em acusação. Enquanto isso, nas esquadras da polícia, pessoas são assassinadas; para cada ato de resistência tão simples como seja escrever folhetos, participar em manifestações ou organizando eventos e ações, estão a emitir acusações de crimes mais ou menos graves.

Não continuaremos a ser passivxs! Precisamos de solidariedade para com aquelxs que são reprimidxs, atrás das grades e do lado de fora das prisões, precisamos construir estruturas anti-repressão. É o que queremos discutir durante o 4º “Dias Anti-prisão”.

A repressão está a tornar-se cada vez mais comum. Para contra-atacar precisamos agir juntxs.

Até que todxs sejam livres, nenhum de nós está livre.
Apoie o CNA local.

http://www.ack.most.org.pl/

Junta-te a nós durante o 4º “Dias anti-prisão”!
27-29 de Outubro de 2017
Przychodnia Skłot // Cafe Kryzys

O que está a ser planeado para o 4º “Dias Anti-prisão”

– Reuniões e painéis de discussão;
– Galeria de arte anti-prisão, uma exposição de obras de artistas envolvidos em projetos   com prisioneirxs;
– Exibições de filmes anti-prisão;
– Escrever cartas aos/às prisioneirxs;
– Coleta de livros para xs presxs;
– Soli tattos;
– Dda CNA;
– Benefit para a CNA.

em polaco, inglês, alemão

Madrid: Nem Nações, Nem Estado, Nem Capitalismo

Esta é a nossa independência; Nem nações, nem Estado, nem capitalismo.

[Sabotagem ao Baixa Bank em Vallekas e um apelo]

Na madrugada de 12 de Outubro – noite anterior à festa colonialista e militarista preferida pelo nacionalismo espanhol – foi destroçada uma caixa ATM do Caixa Bank, no bairro de Vallekas tal como realizada uma pintada na qual se podia ler: “Esta é a nossa independência: nem nações, nem Estado, nem capitalismo”.

A mensagem é simples, enquanto os nacionalismos catalão e espanhol são reativados e se cobrem com a bandeira da democracia, alguns/mas decidimos agir e atacar aquilo que realmente nos oprime, explora e rouba a nossa independência. Estamos cansadxs de esperar, cansadxs de contemplar como a Democracia, o Estado e os corpos repressivos dos dois lados se vêm cheios de legitimidade, através dos nacionalismos.

Atacamos aquilo que nos oprime: fronteiras, nações, bancos, patrões, fascistas, estado, capitalismo, patriarcado… através deste pequeno gesto, fazemos uma chamada para que se ampliem os ataques contra o capitalismo, estados e os seus interesses. Não vamos esperar por nenhum processo para continuar a lutar pela anarquia, a única forma de independência que reconhecemos.

Nem nações, nem Estado, nem capitalismo!
Pela Anarquia!

Alguns/mas anarquistas contra o patriotismo

via contramadriz