Contato

Para contribuir com traduções, edições-correções e/ou materiais originais para publicação tais como atualizações a partir das ruas, reportagens de ações, comunicados de reivindicação, textos dxs companheirxs presxs ou perseguidxs, chamadas, brochuras, artigos de opinião, etc.: contrainfo(at)espiv.net

Contra Info: Rede tradutora de contra-informação

Contra Info é uma rede internacional de contra-informação e tradução, uma infraestrutura mantida por anarquistas, anti-autoritárixs e libertárixs ativxs em diferentes partes do mundo. Ler mais »

Prisões italianas: Ação do compa Alfredo Cospito em solidariedade com a Conspiração das Células de Fogo

A 30 de Agosto o preso anarquista Alfredo Cospito destruíu os vidros das divisórias da sala de visitas da secção de alta vigilância AS 2 da prisão de Ferrara, em solidariedade com xs presxs da CCF, recentemente condenadxs a mais de cem anos de prisão cada um/a por intenção de fuga das prisões de Koridallos. Segue-se o comunicado do companheiro:break1

Hoje, 30 de Agosto, passados quase quatro anos da minha detenção, quis celebrar o aniversário, oferecendo-me a destruição dos painéis da sala de visitas. Esta ação é a minha contribuição à solidariedade revolucionária com os meus irmãos e a minha irmã da CCF-FAI/FRI, condenadxs no enésimo julgamento a mais de 110 anos cada um/a pela tentativa falhada de fuga da prisão. O preso anarquista não é nenhuma bandeirazinha nem muito menos é necessário que se construa um monumento à sua volta, às vezes é um pedaço do nosso coração, às vezes não….de qualquer maneira continua a lutar, vivendo… Não há necessidade de o recordar, mas de o reivindicar, libertá-lo, ainda que ao fim e ao cabo também o possa fazer por si mesmx  porque pela sua natureza não pertence a nenhum rebanho…

Viva a FAI/FRI
Longa vida à CCF

em espanhol

México: Cartaz em solidariedade com xs compas presxs na Operação Scripta Manent (Itália)

Convidamos xs companheirxs a expressar a sua solidariedade da única maneira que acreditamos ser eficaz…”

Безымянный-4Solidariedade revolucionária com xs companheirxs anarquistas presxs na Operação Scrpta Manent

Destrói tudo o que te destrói

Responder à repressão significa passar à ofensiva, só desse modo poderemos ajudar xs nosssxs companheirxs presxs

Xanthi, norte da Grécia: Solidariedade com xs companheirxs suspeitxs de participação na FAI (Itália)

xanthiColocámos uma faixa na entrada principal da Escola Politécnica no centro da cidade de Xanthi,onde se podia ler:””Respeito e solidariedade para com xs companheirxs presxs da FAI”. Os nossos pensamentos vão para xs companheirxs presxs pelos ataques da FAI em Itália assim como para  todxs xs outrxs companheirxs que se encontram encarceradxs, em todo o mundo.

em inglês

Itália [Op. Scripta Manent]: Endereços atuais dos anarquistas capturados a 6 de Setembro

f-a-iA 6 de Setembro de 2016, a secção de Turim da unidade antiterrorista DIGOS  desencadeou uma operação anti-anarquista sob o nome “Scripta Manent” [por escrito é seguro]. Buscas domiciliárias foram levadas a cabo em várias regiões da Itália. Os anarquistas Alfredo Cospito e Nicola Gai, encarcerados desde Setembro de 2012 por tiro na perna a Adinolfi (Célula Olga – FAI / FRI), receberam uma nova notificação de detenção na prisão. Além disso, seis prisões foram realizadas cá fora (cinco no contexto desta operação, uma como resultado de buscas em residência).

Com a Operação Scripta Manent pretende-se atribuir aos/às acusadxs uma série de ações reclamadas pela FAI (Federação Anarquista Informal) em Itália. Por isso, xs companheirxs Marco, Sandrone, Anna, Danilo e Valentina, juntamente com Alfredo e Nicola, são susceptíveis de enfrentar a acusação de “associação subversiva com intenção terrorista”.

A seguir indicam-se os seus endereços para correspondência (que poderão mudar a qualquer momento):

Marco Bisesti
Alessandro Mercogliano
C.R. Rebibbia, Via Raffaele Majetti 70, 00156 Roma, Italia

Anna Beniamino
C.C. Via Aurelia nord km 79,500 n. snc 00053 Civitavecchia, Italia

Emiliano Danilo Cremonese
C.C. Via San Donato 2, 65129 Pescara, Italia

Valentina Speziale
C.C. Via Ettore Ianni 30, 66100 Chieti, Italia

Nicola e Alfredo encontram-se presos na ala AS2 da prisão de Ferrara:

Nicola Gai
Alfredo Cospito

C.C. Via dell’Arginone 327, 44122 Ferrara, Italia

Daniele, um editor da Croce Nera Anarchica [Cruz Negra Anárquica] foi capturado no mesmo dia, no âmbito de outra ação de detenção, após a polícia ter encontrado algumas baterias e um manual do eletricista no seu apartamento. Deverá deverá enfrentar acusações de “posse de materiais para a fabricação de dispositivos explosivos”.

O companheiro poderá ser contactado através da seguinte morada:

Daniele Cortelli
C.C. Regina Coeli, Via della Lungara 29, 00165 Roma, Italia

Fontes: Italiano: Informa-azione & CNA; Inglês: ActForFreedomNow

Lisboa, Portugal: Programa da Feira Anarquista do Livro 2016 – 23, 24 e 25 de Setembro

www.fal2016.tk

Clica aqui para teres acesso ao programa da FAL 2016 em Alemão, Castelhano, Catalão, Francês, Galego, Grego, Inglês e Italiano.

Feira Anarquista do Livro 2016

                                                                 Rua da Penha de França 217, Lisboa

Em todos os sítios onde os civilizados apareceram pela primeira vez, foram sempre considerados pelos indígenas como seres nocivos, fantasmas, espectros. Nunca como seres vivos!
Intuição insuperável, profética perspicácia, se ainda se pode dizer.

E. Cioran

A tragédia talvez tenha começado com o advento da humanidade, mas nunca como agora a vida esteve tão encurralada e acorrentada. As utopias sociais estão completamente mortas, os novos messias da democracia caem muito antes de poderem sequer indicar o caminho da salvação… e os dominados e dominadas? Esses resignam-se cada vez mais à sua condição de rebanho, o progresso tecnológico condiciona-os como nunca e nada nesta história nos faz esperar um final feliz. Sabemos que tudo isto vai acabar muito mal e, por isso, alguns e algumas já não temos nada a perder: decidimos agarrar a vida com os dentes e os punhos fechados, porque o sangue ainda nos queima as veias! E é assim que insistimos em mais uma Feira Anarquista do Livro, porque ainda nos interessa propagar a palavra dos/as rebeldes, dos criminosos e das criminosas, dos conspiradores e das conspiradoras, e porque insistimos em manter vivas memórias e saberes dos quais nos tentam, a todo o custo, tornar órfãos, porque sabemos que desistir já não é uma opção, encostaram-nos ao abismo e só nos resta resistir…

E depois de dois anos de Mostra de Edições Subversivas optámos por recuperar um nome já velho (com uma pequena mudança na ordem das palavras, sempre traiçoeiras), e não, não nos pusemos nostálgicos, mas nestes dias em que a anarquia volta a ser o crime que contém todos os crimes, com a repressão a golpear grupos e indivíduos em todo o globo (Espanha, República Checa, França, Grécia, Chile, etc.), decidimos que esta palavra não está vazia, carrega às suas costas séculos de uivos que gritam “Não!”
E como um fungo especialmente teimoso, aqui estamos e aqui continuaremos…

Para participar na Feira Anarquista do Livro de Lisboa, contacta-nos através do email: feiranarquistadolivro@riseup.net

Feira Anarquista do Livro 2016 | Lisboa

www.fal2016.tk

PROGRAMA:

SEXTA 23
20h
Jantar

21h
Mesa redonda em torno da história do fanzine anti-autoritário em diferentes latitudes: Venezuela, Espanha e Portugal.
Exposição de fanzines durante os três dias da feira.

23h
Projecção do documentário “Que Trabaje Federica”, de Carlos Plusvalías (28 min.)
Documentário baseado no livro de Michael Seidman, “Os Operários contra o trabalho”, editado pela Pepitas de Calabaza.Michael Seidman faz um estudo comparado da história social e política durante a revolução espanhola em Barcelona e o governo da Frente Popular em Paris, entre 1936-1939, centrando-se na atitude adoptada pelos trabalhadores de ambas as cidades face ao trabalho, quando as organizações que os representavam exerciam, em maior ou menor medida, responsabilidades de governo.
Editado pela primeira vez em 1991, nos Estados Unidos, “Os operários contra o trabalho” abunda em documentos e informações em primeira mão sobre as lutas operárias quotidianas, e demonstra que as análises produtivistas e culturalistas são incapazes de abarcar de forma adequada aspectos fundamentais do comportamento da classe trabalhadora. Este trabalho, que oferece um exame da actividade da classe operária tanto em contextos revolucionários como reformistas, põe em evidência a persistência de uma resistência directa e indirecta ao trabalho.

SÁBADO 24
15h
Apresentação de O Irresponsável de Pedro García Olivo, pelo seu editor e tradutor.
O Irresponsável, livro diabólico de Pedro García Olivo, inaugura a crítica feroz que o autor dispara contra a Escola, campo laboral que tinha justamente acabado de experimentar. Essa experiência, entranhada na sua consciência e na sua carne, só poderia ser expurgada através do ato da escrita catártica libertada no papel através de um ataque sem tréguas ao alvo da sua repulsa. O Irresponsável é o seu resultado. Nem sempre fácil de adentrar, este é um livro pessoal que nos abre uma janela para a luta do autor dentro e contra a Instituição Escolar e que deixa entrever a crítica antipedagógica por si elaborada em trabalhos posteriores como El educador mercenario, El enigma de la docilidad e La bala y la Escuela.

17h
Mesa redonda em torno de publicações de informação crítica: CQFD (França) / El Topo (Espanha) / Mapa (Portugal)
O El Topo Tabernário é de Sevilha, e o CQFD de Marselha. Dois jornais Libertários em papel que continuam a chegar às ruas independentemente de Estados de Excepção, de perseguições políticas ou das limitações à liberdade de informação, tão comuns nos nossos dias. Para os apresentar, estarão presentes membros dos dois colectivos redactoriais que, para além de partilharem os seus modos de funcionamento e os seus formatos, farão parte de um debate sobre a informação alternativa, a crise política e social na Europa, o papel dos jornais e da comunicação alternativa. Ao debate juntar-se-ão projectos de Portugal organizados na Rede de Informação alternativa, compondo assim uma mesa redonda aberta à discussão.

20h
Jantarzinho bom

22h
Concerto de tango com La Miséria Deluxe e mais alguma banda surpresa…

DOMINGO 25
11/12h
Manhã “Pipi das Meias-Altas” para os mini-humanos, actividades diversas:
Grande espectáculo de fantoches!
Encadernação de livros
Oficina de brinquedos
Tinta para pintar paredes
& etc…

15h30
Surrealistas & Anarquistas. Apresentação a partir do livro Manifestos do Surrealismo de André Breton (Letra Livre, 2016) por António Cândido Franco.
A partir de 1946, Andre Breton aproxima-se do movimento libertário francês, analisando em retrospectiva o nascimento do surrealismo e a respectiva ligação ao partido comunista francês em 1925. Agarramos na recente edição da Letra Livre de “Os Manifestos do Surrealismo” para propor uma viagem pela aproximação dos surrealistas ao movimento anarquista.

17h
Apresentação de A un Latido de Distancia pela autora, Adelaida Artigado.
Não há nada mais antigo, recorrente e rotineiro que o poder de intimidação e dominação do castigo. E poucos castigos minaram tanto a vontade popular, poucas instituições o condensaram de uma forma tão nítida, como a prisão.
As dores e as penas que povoam estes breves relatos, dão-nos conta da crueldade e do absurdo inerentes ao encerro humano. Mas, como um maravilhoso contrário que sempre forma parte dessa paisagem tenebrosa, Adelaide Atrigado faz-nos sentir, a um batimento de distância, o espírito de luta das e dos pobres, a sua cumplicidade e solidariedade, a sua lealdade, essa força para resistir, criar e, em definitivo, para rir-se do poder e da opressão que nos destrói sem piedade.
Para Dostoievsky, “o grau de civilização de uma sociedade mede-se pela forma como trata os seus presos”. Felizmente, a humanidade também se reflete em todos e em cada um dos gestos de rebeldia das pessoas que estão sequestradas por todos os Estados.

20h
Jantarada

21h
Projecção do documentário “Curdistão, guerra de raparigas” de Mylène Sauloy, 2016 (legendas em espanhol) e debate com o colectivo da editora Descontrol de Barcelona sobre o livro A revolução ignorada. Feminismo, democracia directa e pluralismo radical no Médio Oriente.
A partir destes dois meios (documentário e livro), lançamos a última conversa da feira sobre a revolução que se está a levar a cabo na zona ocidental do Curdistão, Rojava, assediada pela guerra fratricida da Síria. Uma revolução/guerra onde as mulheres têm um papel protagonista.

* FIM *

Hamburgo: Caixas Multibanco sabotadas em solidariedade com xs anarquistas acusadxs no caso Aachen

bankraubDurante a noite de 1 de Setembro de 2016, sabotamos várias Caixas Multibanco em Hamburgo como mostra de solidariedade com xs nossxs companheirxs acusadxs no caso Aachen.

A audiência de extradição de uma compa, processada pelo Estado alemão por assalto a banco em Aachen, teve lugar na Holanda no dia 1 de Setembro.

A nossa solidariedade estende-se também a todxs xs outrxs anarquistas represaliadxs [mais um compa preso em Barcelona, de origem portuguesa] por esta repressão anti anarquista.

Solidariedade, raiva e anarquia!

Atualização do caso Aachen em espanhol  solidaritatrebel(arroba)riseup.net

Itália: Acerca da detenção do anarquista Divine Umoru a 2 de Agosto de 2016

A 2 de Agosto de 2016, a polícia italiana invadiu a casa do anarquista Divine Umoru, na cidade de Bolonha, tendo-o detido sob a acusação de porte de material explosivo para fabricação de bombas. O compa foi levado para a prisão de Bolonha e depois transferido para a seção de alta vigilância AS2 da prisão de Ferrara, onde foi mantido incomunicável e em isolamento durante 18 dias.

Foi convocada uma concentração solidária junto à prisão de Ferrara a 21 de Agosto, tendo-se dado a conhecer a 24 de Agosto que Divine tinha tido já a sua primeira visita de um familiar, tendo enviado saudações a todxs aquelxs que se solidarizaram com ele e também, é claro, o afeto, o calor e a raiva dxs que se reuniram junto à prisión de Ferrara, comunicando que se sentia forte.

O compa pode enviar e receber cartas, ainda que a sua correspondência esteja controlada pelos carcereiros.
A sua direção atual é:

Divine Umoru
via Arginone 327
44122 Ferrara

Vídeo da concentração solidária de 21 de Agosto:

espanhol  inglês  alemão

[Itália] Exposição e discussão em Rovereto e Bérgamo com um/a companheiro/a sobre o Caso Security e a repressão nas prisões chilenas

cs

NÃO ESQUECER  NEM PERDOAR

Em solidariedade e apoio a todos os companheiros cativos do caso Security, desprezando o controle do poder sob a forma de inquisição democrática.

Ao lado dos corações que persistem sem rendição, após anos de convicções e muros de betão nunca vacilaram na sua luta contra o Poder e as suas estruturas.

Projeção do vídeo:
*Contra a sociedade carcerária nem um minuto de silêncio*
Liberdade para todxs, Liberdade imediata! Chile 2016

Sexta-feira, 23 de Setembro
20h Jantar
21h Forum/Discussão
Laboratorio Anarchicho, LA ZONA
via bonomelli 9 Bergamo
lab.lazona@gmail.com

Sábado, 24 de Setembro
A partir das 17 hrs. no
Circolo CABANA
via campagnole 22 Rovereto

em italiano l espanhol

Sacco e Vanzetti: Uma viagem através do tempo – Texto de membros da CCF para um evento organizado pela Biblioteca Anárquica Kaos

//pt-contrainfo.espiv.net/files/2016/09/carta-de-elementos-CCF-para-evento-Biblioteca-Kaos.pdfTexto em pdf

Apresenta-se abaixo um texto escrito em Atenas, na Grécia – por vários membros presos da Conspiração de Células de Fogo – para um evento da Okupa Biblioteca Anárquica Kaos, no Brasil.

A todxs xs companheirxs, a todxs xs nossxs irmãos e irmãs anarquistas presentes neste evento organizado pela biblioteca Anárquica Kaos. Deixem que os nossos pensamentos irrompam e viajem para o Brasil de forma a serem enviadas estas breves palavras, com a esperança de que possam sentir um pouco a nossa presença ao vosso lado.

Em resposta ao tema do evento a ter lugar durante a Semana Internacional de Solidariedade aos/às presxs anarquistas gostaríamos de lançar a nossa contribuição pessoal e histórica em relação ao caso de Nicola Sacco e Bartholemeo Vanzetti. A Conspiração de Células de Fogo foi desde o início um grupo anarquista de ação direta que aspirava a um recrudescimento da presença agressiva anarquista na Grécia. Assim, a CCF não hesitou em criticar muitas vezes aquilo que se acreditava estar a ser impeditivo da generalização dessa intensificação. Mas quando a opressão finalmente chegou à nossa porta, aí entendemos completamente que se não estivéssemos ao nível dos nossos padrões ter-nos-íamos recusado a defender a nossa identidade, os nossos pontos de vista políticos e a nossa própria substância. Além do mais, poderíamos ter acabado por estar em completo contraste com as nossas críticas contra outrxs no passado. Deste modo, sete anos após o dia em que a repressão se abateu sobre nós, continuamos na vanguarda da dignidade anarquista, pelo menos de modo que a percepcionamos. Recusamos-nos a nos desonrar de qualquer forma e defendemos o que acreditávamos que tínhamos de defender, pagando o preço da nossa atitude intransigente.

Voltando ao passado, numa época em que dois companheiros – os anarquistas da práxis forjados no fogo da revolta Nicola Sacco e Bartholomeo Vanzetti – foram presos com acusações de expropriação armada e assassinato, enfrentámos desafios que não são de modo algum inéditos. Um fato que beneficia de ampla evidência é que tanto Sacco como Vanzetti participaram em redes militantes informais de afinidade anarquista, todas elas foram afiliadas a publicações como o jornal anarquista Cronaca Sovversiva, em cuja publicação eles próprios ajudaram, publicação essa que apoiava a necessidade de propaganda pela práxis. Sabe-se também que estas redes militantes informais foram responsáveis por uma série de ataques que sacudiram os Estados Unidos de 1914 em diante, ataques esses que estavam a ser financiados por expropriações armadas. Finalmente, é um facto que alguns dos companheiros de Sacco e Vanzetti confidenciaram, após o assassinato dos dois companheiros, que eles eram dois dos cinco ladrões da fábrica de calçados em Braintree, Massachusetts. Um dos companheiros de Sacco e Vanzetti, Mario Buda, por exemplo, durante uma entrevista, quando lhe perguntaram sobre o financiamento do seu grupo, respondeu: “Nós geralmente íamos aos sítios onde poderíamos encontrá-lo (o dinheiro) e levávamo-lo“, ou seja, aos bancos e fábricas. Muitos anos depois, em 1955, ele recebeu a visita do anarquista Charles Poggi, que estava a investigar historicamente o caso de Sacco e Vanzetti. Na discussão entre eles, Buda admitiu, pelo menos, a participação de Sacco no roubo em Braintree com a frase “Sacco estava lá” (“Sacco c ‘era“). Poggi ficou também com a impressão de que Buda foi um dos assaltantes, mas devido à discrição daquele, não levantou a questão.

Os dois companheiros foram presos após uma perseguição e apesar de se encontrarem armados não havia elementos de prova de incriminação contra eles – sem a técnica de investigação de balística que não tinha sido aperfeiçoada ainda naquela época e uma vez as testemunhas não podiam testemunhar nada que fosse confiável. Assim, ambos os companheiros escolheram defender-se declarando que estavam inocentes do roubo, ainda que culpados como anarquistas – num tempo em que, por tão pouco que isto representasse, poderia ser prova suficiente para alguém ser processado, torturado, preso ou mesmo deportado – na medida em que a onda de ataques anarquistas que abalaram os EUA tinha levado o Estado a tomar medidas de emergência contra anarquistas e imigrantes anarquistas, através de uma série de leis.

No pico da histeria anti anarquista, a que puseram o nome de Red Scare [Medo Vermelho], os dois companheiros tentaram equilibrar-se sem rede de modo a evitarem a pena de morte e a manterem a dignidade – uma vez que teimosamente se recusavam a perder a sua identidade, embora isso pudesse revelar-se suficientemente condenatório também.

Infelizmente, o caso de Sacco e Vanzetti é lembrado hoje exclusivamente como um exemplo de montagem do governo. A narrativa histórica que tem prevalecido está a tentar lançar um véu no contexto histórico mais amplo da era em que se deu o julgamento de dois companheiros referidos, induzindo deliberadamente em erro – retratando-os como meros sindicalistas organizados quando na verdade Sacco e Vanzetti e quase todxs xs companheirxs em torno da Cronaca Sovversiva tinham sentimentos profundamente anti – formalistas, distanciando-se das organizações oficiais anarquistas.

Em última análise, o caso dos dois companheiros foi sendo degradado tornando-o numa história onde se eleva o valor da vítima, em vez de ser um exemplo atemporal de uma orgulhosa insurreição anarquista. Tal tema é quase desconhecido até hoje. Naturalmente que cada companheirx mantém sempre o direito de não dar sequer um pingo de si mesmx para o inimigo, especialmente quando têm evidências insuficientes – se as houver até – para o/a condenar.

No entanto, isso é uma coisa outra coisa é o fetichismo político da vítima que omite deliberadamente e totalmente aquelxs que optam pessoalmente por defender o seu compromisso militante à anarquia. E se alguém tem dúvidas, deixem-nos saber os motivos porque é que os nomes dxs companheirxs de Sacco e Vanzetti continuam a ser lançados no esquecimento. Quantos ainda se lembram ou sabem sequer alguma coisa da “dinamite-girl”, a velha companheira de 19 anos de idade Gabriella Antollini, que reivindicou a responsabilidade do transporte de armas e explosivos? Quantos se lembram de Nicola Recci que perdeu quase toda a mão durante a fabricação de dispositivos explosivos? Com que frequência é Carlo Valdinoci mencionado, ele que morreu pela explosão de uma bomba que estava a planear colocar na casa do ministro da Justiça Palmer; ou Andrea Salsedo, que foi atirado de uma janela pela polícia, durante um interrogatório acerca de uma reivindicação de responsabilidade que foi descoberta na sua loja de impressão? Todxs estxs e muitxs mais, estavam destinadxs a ser deixados de fora dos livros de história, porque como realmente é o caso não eram “inocentes”.

Neste ponto, apesar do stress e de se declararem inocentes das acusações, nunca Sacco e Vanzetti denunciaram o seu património insurrecionário. Um fato comprovado pelo número das ações ofensivas em todo o mundo feito em nome da solidariedade aos dois companheiros. Desde o bombardeio, usando um carro com fios, de Wall Street até ao pacote-bomba enviado para o embaixador dos EUA em Paris, bem como dezenas de atentados de embaixadas americanas em diversos países. Os companheiros muitas vezes exortaram eles mesmos o movimento a fazer retaliações contra o Estado e juízes. Em Junho de 1926, numa edição da Protesta Umana, Vanzetti escreveu entre outras coisas: ”Tentarei ver Thayer morto antes do anúncio da nossa sentença” e pediu aos/às companheirxs “Vingança, vingança em nosso nome e em nome do nosso modo de vida e mortxs “. O artigo conclui com  “Health Is In You” [A saúde está em você] que foi o título de um manual sobre dispositivos explosivos publicado pela Cronaca Sovversiva (alguns dizem que traduzido por Emma Goldman a si mesma).

A rica contribuição da anarquia insurrecional no movimento de solidariedade com Sacco e Vanzetti está a ser, em grande parte, negligenciada até hoje. Na ocasião da chamada para a Semana de Acção Internacional pelxs anarquistas encarceradxs, vale a pena ser definitivamente lembrado em toda a sua perspetiva o legado de tal solidariedade militante. Quem acredita que a dissociação com atos militantes de solidariedade é nova ou tem falta de raízes, está profundamente enganadx.

Um fato notável é que, enquanto certos círculos anarquistas na Argentina caluniavam Severino Di Giovanni, acusando-o mesmo de ser um fascista, a viúva de Sacco – numa correspondência, alguns dias após a execução de ambos os companheiros – expressava a sua gratidão pelo apoio daquele ao caso. Na mesma carta, indicava que o diretor de uma determinada empresa de cigarros com o nome “Combinador” se tinha oferecido para dar a um tipo particular de cigarros da marca o nome “Sacco e Vanzetti”, tentando obter descaradamente lucro da notoriedade do caso. Em 26 de Novembro de 1927, uma bomba colocada por Di Giovanni e companheirxs explodiu numa filial da referida empresa em Buenos Aires. Fazia parte desse mesmo grupo o companheiro de Sacco e Vanzetti Ferrecio Coacci, o qual tinha sido deportado dos EUA. Coacci também era suspeito no roubo pelo qual Sacco e Vanzetti foram condenados, tendo a sua casa sido a primeira a ser invadida na investigação do caso.

Esperamos que consigamos nestas poucas palavras incentivar o interesse dos/as participantes do evento, definindo as bases para um autêntica discussão de companheirismo sobre todas as questões acima mencionadas – uma vez que, infelizmente, estamos condenadxs a nada aprender da nossa história, condenando-nos assim ao mesmo erro, uma e outra vez.

Do coração, enviamos a todos vós as nossas mais calorosas saudações.

Por fim, devemos lembrar-nos da frase do anarquista Luigi Galleani, companheiro de Sacco e Vanzetti e um dos editores de Cronaca Sovversiva: “Nenhum ato de rebelião é inútil; nenhum ato de rebelião é prejudicial.

Os membros da Conspiração de Células de Fogo

Michalis Nikolopoulos
Giorgos Nikolopoulos
Haris Hatzimihelakis
Panagiotis Argirou
Theofilos Mavropoulos
Damiano Bolano

Grécia: Atualização da situação dos companheiros Kostas Sakkas e Marios Seisidis, recentemente presos

“Força para os companheiros Sakkas e Seisidis – Nada acabou – A luta pela revolução e Anarquia prossegue” (faixa em papel da Okupa Terra Incognita em Tessalónica, Grécia)

“Força para os companheiros Sakkas e Seisidis – Nada acabou – A luta pela revolução e Anarquia prossegue” (faixa em papel da Okupa Terra Incognita em Tessalónica, Grécia)

A 17 de Agosto de 2016, Kostas Sakkas e Marios Seisidis enfrentaram em Atenas um julgamento – relativo às circunstâncias da sua detenção em Esparta (4 de Agosto).

Durante o julgamento que durou várias horas, com presença constante de companheirxs em solidariedade, Marios Seisidis e Kostas Sakkas declararam em tribunal que eram anarquistas, explicando as razões para a partir da lei se manterem fugitivxs. Ambos negaram as acusações assim como expuseram as mentiras das testemunhas de acusação (três da bófia). O acusador declarou que havia evidência suficiente – baseado somente nas crenças dos dois acusados – de que tinham cometido um ato punível.

Marios Seisidis foi condenado a 32 meses de prisão por utilização de bilhete de identidade falso assim como chapa de matrícula de veículo forjada, roubo de carro e resistência à autoridade; Kostas Sakkas foi condenado a 33 meses de prisão pelas mesmas acusações, além de uma multa de 200 euros por infração de trânsito.

Kostas Sakkas é agora mantido na prisão Korydallos (Atenas) e Marios Seisidis está actualmente encarcerado na prisão Malandrino (Phocis).

                                                                                                                                     inglês

Chile: Atualização do caso PDI

23ER

A liberdade é o crime que perseguem (18 de Agosto) – Liberdade para xs chavalxs Manuel, Amaru, Felipe, Natália, Maria Paz

“Implícitas à estrutura social as jaulas fornecem ao Estado a legitimidade do castigador, querendo este ser regulador das relações antagónicas – a partir das quais a incutida moral dos cidadãos define o modo de atuar dos indivíduos na base dos interesses do poder – nas quais quem transgride essas normas e/ou se posicione em confronto com qualquer forma de poder/domínio e/ou autoridade cairá nas suas goelas”
Palavras de Natalia Alvarado, Nataly Casanova e Mª Paz, quando se completavam 5 anos após o assassinato de 81 chavalxs numa prisão do Estado Chileno (San Miguel)

A 18 de Agosto, no infame centro de justiça de Santiago, realizou-se uma nova jornada de preparação do julgamento oral do denominado Caso PDI” em que a acusação procurava apresentar novas provas no sentido de se ampliar a gama de “provas incriminatórias” com o fim de perpetuar o sequestro dxs nossxs companheirxs; numa reviravolta inesperada para a acusação muita provas foram rejeitadas, por diferentes motivos, tendo como consequência que se pedisse o adiamento do fim da preparação do julgamento oral para 22 de Agosto – com o objetivo de revisar/entregar novos elementos de prova.

A dia 22 de Agosto, concretizou-se, de facto, uma nova audiência de preparação do julgamento oral – sendo já a última deste tipo – e onde se fixou a acusação final que de uma forma detalhada é:

– homicídio frustrado, pedindo-se 15 anos.
– Posse de dispositivo incendiário, pedindo-se 5 anos.
– Premeditação, pedindo-se 3 anos.

O que soma 23 anos de sequestro para cada um/uma dxs nossxs companheirxs.

Na iminência da execução do julgamento oral, a chamada será sempre para se multiplicarem as ações solidárias pelxs presxs anárquicos que enfrentam a miséria desta vida!

LIBERDADE IMEDIATA PARA MANUEL, MARIA PAZ, NATÁLIA, AMARU, FELIPE!

Panfleto distribuído no dia 3 de Setembro de 2016 - Solidariedade ativa e insurreta com xs presxs da guerra social - Liberdade imediata para Amaru, Natália, Felipe, Maria Paz, Manuel

Panfleto distribuído no dia 3 de Setembro de 2016 – Solidariedade ativa e insurreta com xs presxs da guerra social – Liberdade imediata para Amaru, Natália, Felipe, Maria Paz, Manuel

Biblioteca Kaos, Porto Alegre: Atividade integrada na Semana de Agitação pelxs anarquistas presxs – 27/08

SEMANA-Agitação-1

     Clica na imagem para teres acesso ao comunicado da Biblioteca Anárquica Kaos

Cartaz em  pdf

ATIVIDADE: SEMANA DE AGITAÇÃO
PELXS PRESXS ANARQUISTAS
89 anos do assassinato de Sacco e Vanzeti…a memória e a solidariedade…continuam!
BIBLIOTECA ANARQUICA KAOS
Apresentação do livro
Vigência da memória e solidariedade anarquista: das jornadas dos anos 20 à agitação permanente pelos/as anarquistas sequestrados/as hoje.
Troca de ideias
Reivindicação anarquista diante da prisão
 Escrita e tradução de cartas para xs compas da CCF (Grécia), Tato [Natalia Collado]/(Chile) e Fernando Bárcenas (México)
Feira de material anarquista
A atividade acontecerá na Ocupação Pandorga: Vila Cabo Rocha (Rua Professor Freitas e Castro, 191 – Bairro Azenha )
16 horas, Sábado 27 de agosto de 2016
COM ESPAÇO, SEM ESPAÇO…SEGUIMOS INCOMODANDO!

Okupa Figueira, Porto Alegre: Vivenciar a anarquia e auto-gestão, mobilizar alternativas à normatividade

figueiraAs raízes que quebram o concreto de um bairro no meio de uma civilização. Resistente, sensível. Uma árvore que vive há 150 anos observando os cursos de vidas que passaram por ela, cada mudança da sociedade em que vive. A figueira agora, habita um espaço que, sem pedir alguma autorização, abre caminhos para o surgimento de uma vida que respeita a inquietação de nossos corpos e mentes, que fomenta ideias e que resiste em meio a uma cidade hostil e fria que é Porto Alegre, em um país hostil e frio que denominaram Brasil. Nós escolhemos não esperar mais para colocar em prática ideias que nos atormentavam enquanto sobrevivíamos isolades na vida cotidiana. Sabemos que resistir à uma sociedade machista, patriarcal, hetero-normativa, racista e classista é viver em guerra. Viver em guerra em um mundo dominado por homens, que tentam sufocar e silenciar todos os dias nossas vivências. Optamos por não sermos subjugades. Não sermos submisses. Nem ao estado, nem aos homens, nem ao capitalismo. Construímos então, uma barricada. Um refúgio em meio ao concreto cinza. Um lugar de experiências e processos, vivenciando a anarkia e a auto-gestão, mobilizando possibilidades de alternativas à normatividade.
Resistimos.

Essa carta é dirigida à todas as mulheres, cis e trans, homens trans, bixa, monstra, sapatão, que queiram se juntar ao espaço e construi-lo com o que puderem, seja uma troka de ideia, uma oficina, uma atividade, ou até mesmo uma visita.

A figueira é um espaço exclusivo, no qual não entram homens cis.

figueira.squat.net

Atenas: Caça de patriota no centro da cidade [Julho de 2016]

takNo dia 8 de Julho de 2016 localizamos um fascista que deambulava na esquina das ruas Patision e Stournari, o mesmo local onde se desenrolava um protesto de imigrantes (sentados na via). Este gorila tinha tatuada uma enorme bandeira grega numa mão e com a outra segurava um capacete de mota. Ao receber os primeiros murraços, e apesar da sua altura e do seu orgulho nacionalista grego, o patriota correu a esconder-se numa loja próxima, choramingando e pedindo por favor que não o amachucassem. Esperamos que tenha aprendido algo desta lição, investindo um pouco de dinheiro na sua estética pessoal, tirando o símbolo nacional da mão.

TODAS AS PÁTRIAS À MERDA!

Núcleo de lutas de rua Mario Vando

em  grego, espanhol, alemão

Alemanha: Nove carros incendiados em Mulheim

9 carros incendiadosÀs primeiras horas do dia 14 de Fevereiro de 2016 deitamos fogo ao cemitério-urbano de Mulheim An Der Ruhr, queimando nove carros – mediante a colocação de dispositivos incendiários artesanais nas suas rodas. Para nós todos os carros são igualmente máquinas tóxicas e repulsivas do sistema industrial-tecnológico e foi assim que acabaram por ser queimados indiscriminadamente – optamos por não definirmos os objectivos numa base limitativa, baseados numa definição abstracta de carros de “luxo”.

Este ataque é um ato de vingança por todxs xs compas não-humanxs esmagadxs nos caminhos do “progresso” humano, tal como por aquelxs cujos lugares e vidas são todos os dias destruídos em nome da produção de carros – produção essa destinada a um prazenteiro e ardiloso funcionamento da sociedade é à acumulação de poder nas mãos das corporações – destruindo os nossos lugares de vida, o meio natural.

Escolhemos para agir o dia anterior à data fixada inicialmente para o julgamento pela intenção de fuga da Conspiração de Células de Fogo (Núcleo de Membrxs Presxs) – para estarmos junto a elxs, até que todas as prisões sejam só cinzas e ruínas e todxs xs compas humanxs e não-humanxs sejam livres.

Enviamos também as nossas saudações, amor e raiva a Mónica Caballero e a Francisco Solar acusadxs de bombardeio de duas igrejas em Espanha e cujo julgamento está marcado para 8, 9, e 10 de Março.

Este é um gesto de cumplicidade na guerra de libertação total.

Avancemos com a rejeição violenta da civilização e seus valores.

Até que todos sejamos livres!

Wildfire Cell (Célula Fogo Selvagem) – FLA/FLT/FAI

em espanhol

Bristol, Reino Unido: Vandalismo solidário em vista da semana de ação internacional pelxs companheirxs encapsuladxs

auto-transportÀs primeiras horas de 6 de Agosto na zona de Easton, na estação de serviço (Gordano Services), enquanto os motoristas de caminhão estavam inativos nas suas cabinas de condução, 10 a 15 carros de quatro carros-transportadores foram pintados com spray, causando às suas gananciosas empresas que destroem a terra uma perda de tempo e de dinheiro infinitamente maior do que gastamos cometendo este crime oportunista.

Solidariedade a todxs xs companheirxs presxs e aquelxs que se encontram em fuga. Rumo à semana internacional de solidariedade com xs presxs anarquistas – de 23 a 30 Agosto.

Vândalos eco-anarquistas – FAI / FRI

[23 a 30 Agosto] Cartaz da semana de solidariedade internacional com xs presxs anarquistas

sol intem pdf aqui

Alabama, EUA: Companheiro anarquista Michael Kimble colocado em isolamento disciplinar na prisão Holman

mmmainA 1 de Agosto de 2016 eclodiu um motim na prisão Holman no Alabama, após uma altercação, na qual vários presos e pelo menos um guarda prisional ficaram feridos. Alguns presos barricaram-se no interior da ala-dormitório C, que abriga 114 detidos, ateando fogo e resistindo ao esquadrão anti-motins (CERT) que entretanto tinha chegado pronto para reprimir a rebelião. Energia e água foram desligados, todos os detidos foram bloqueados nas celas. Trata-se apenas da mais recente de uma série de revoltas na prisão Holman. Em Março de 2016 o diretor tinha sido esfaqueado quando colocou o pé na ala-dormitório C tendo os presos se amotinado repetidamente, ateando fogo, colocando barricadas, etc.
prisonrev-624x382Abaixo apresenta-se a transcrição de uma carta do companheiro anarquista Michael Kimble, colocado em isolamento disciplinar, na prisão Holman, na sequência do último motim ali ocorrido; recebida através de Anarchy Live! com data de 8 de Agosto de 2016:

Rebelião em contínuo

No momento estou a escrever a partir do isolamento disciplinar (segregação), depois de ter sido despojado, algemado, esbofeteado e colocado aqui pelo CERT (esquadrão anti-motins) na segunda-feira, 1 de Agosto de 2016, eram aproximadamente 23:45.

Agora é quarta-feira e ainda não me foi devolvido nem os objetos pessoais (sapatos/slides, sabonete, desodorizante, roupas, escova de dentes, etc.) nem uma nota da investigação, a respeito do motivo porque sou mantido em segregação, ao fim de 72 horas.

Estou a assumir que estou a ser retido por ter estado numa rebelião (motim), ocorrida a 1 de Agosto de 2016, por volta das 15:06. Inicialmente tinha havido uma briga entre os presos mas que rapidamente se transformou numa rebelião contra os guardas – quando estes tentaram intervir, depois de se ser dito inúmeras vezes que as coisas estavam sob controle.

Os guardas não nos deram ouvidos e foram expulsos da ala-dormitório C – tornada num espaço de auto-governação e resistência contra os funcionários da prisão. Fogos foram levantados, as unidades de controlo tomadas.

Sou um dos cerca de dez prisioneiros que também foi colocado em segregação.

Então, se não tiver notícias de mim pessoalmente, isso significa que todos os meus bens, incluindo cartas, endereços, números de telefone, foram destruídos ou perdidos. Tive que pedir emprestado material de escrita para obter isto aí fora.

em  inglês, grego, italiano

 
Nota de Contra Info: No dia 13 de Agosto, os prisioneiros continuavam em isolamento não lhes tendo sido entregue ainda a nota justificativa dos motivos para serem mantidos em tal situação – de acordo com o regulamento prisional isso teria de ser feito nas primeiras 72 horas – nem os seus bens básicos devolvidos ou ter tido acesso aos endereços ou números de telefone de contactos. Um apelo para se fazerem chamadas telefónicas para a prisão, a exigir o fim do isolamento de Michael Kimble e dos seus companheiros, foi lançado aqui

Porto, Portugal: Saíu o nº 0 de “Erva Rebelde”, uma nova publicação de índole anarquista

IMGErva Rebelde_0003m a n i f e s t o GER(A)
grupo erva rebelde

Esta sociedade não satisfaz.
Usa-nos como cobaias na experiência incessante de um poder que testa em nós cada nova fuga em frente.
Mas a máscara das garantias e direitos cai e revela a cupidez do dinheiro, que contribui com os capatazes de que necessita para a rapina dos e aos Estados, sendo o pós-desastre terreno fértil para a instituição de novos totalitarismos e hierarquias.
A vacuidade toma conta de tudo.
Sabemos que o poder encontra sempre novas metamorfoses em que se apresenta como o salvador dos desastres que cria.
Contudo, os mitos do progresso, do desenvolvimento, da eficiência, não podem levar senão ao fracasso, como o demonstrou, por exemplo, o fim da experiência ‘soviética’ e as convulsões generalizadas que atravessam o capitalismo, desde os EUA à China.
Porém, onde se encontrou a crítica com a acção estão os que nos antecederam e os que nos acompanham com esse sentido crítico em busca daquilo a que aspiramos.
É valioso o nosso legado, difuso e amplo, e nós estamos também disponíveis para o fortalecer, no confronto atento e aberto.
Por isso estamos contra a imposição de um modelo civilizacional tido por superior, mas na verdade embrutecedor e colonialista, que faz tábua rasa da cultura e organização social de muitos povos;
contra o endoutrinamento sistemático do nosso pensamento e da nossa energia;
contra a normalização mediática, massificadora, a tecnologia ao serviço do império, seja nuclear, genética, digital, vertiginosa;
contra a resignação em vista da recompensa num longínquo amanhã, seja ele místico ou político.
Não queremos ser peões nesta fazenda, a trabalhar por comida e um cartão de plástico para uso no botequim do fazendeiro. E não nos supomos livres por poder sair de uma fazenda e ceder a nossa força a outra em tudo idêntica.
Antes procuramos formas de trazer esta falência à consciência colectiva. Queremos actuar sobre ela para construir uma sociedade antiautoritária, assente na liberdade, solidariedade, autogestão e acracia.
Queremos agir para limpar o pó que nos soterra.
Procuramos acções onde a fruição se conjugue com a demolição do existente, afirmando a construção de outra vida, como uma erva daninha que cresce irreverente, necessariamente à margem desta loucura colectiva. Só assim poderemos evitar ir na corrente.
Não nos revemos reféns de um passado, não trazemos prontas soluções, nem esperamos no futuro líderes, santos ou salvadores que nos baste seguir.
Somos anarquistas!

número zero. Porto. Maio de 2016. 38 Páginas.
contactos: ervarebelde@riseup.net

Karditsa, Grécia: Faixa em solidariedade com Marios Seisidis e Kostas Sakkas

a.s.karditsas

Mantenho o coração flamejante, corajoso, inquieto.” [Nikos Kazantzakis]    Solidariedade com os lutadores anarquistas Kostas Sakkas e Marios Seisidis!

Faixa pendurada na praça central da cidade de Karditsa como mostra mínima de solidariedade com Marios Seisidis e Kostas Sakkas. Força para os nossos companheiros.Nada acabou, tudo continua.

A paixão pela liberdade é mais forte do que todas as celas da prisão!

Solidariedade significa ataque!

Espaço auto-gerido de Karditsa

inglês

Grécia: Reféns do estado, Marios Seisidis e Kostas Sakkas enfrentam julgamento a 17 de Agosto

zografou_athens

Faixa em Zografou, distrito de Atenas, onde se pode ler: “”Fogo às celas prisionais! Força para Sakkas e Seisidis! “(Anarquistas expropriaram material do município de Zografou para a acepção da presente faixa.)

A 5 de Agosto de 2016, os companheiros Kostas Sakkas e Marios Seisidis foram trazidos à sede da polícia de Atenas e, posteriormente, ao tribunal, onde a sua audição foi re-agendada. Segundo as informações recolhidas,  foram agora transferidos para prisões separadas, um bocado afastadas de Atenas; Marios Seisidis para a prisão Malandrino e Kostas Sakkas para a prisão Domokos. Ambos irão ser julgados em Atenas – na quarta-feira, 17 de Agosto – a respeito das circunstâncias da sua detenção em Esparta.

inglês

Suíça [Julho de 2016]: Buscas em casas de Zurique e St. Gallen

dissonanz
Ding Dong – É o Estado

As buscas domiciliárias regressaram a Zurique e St. Gallen no domingo, 10 de Julho de 2016. Desta vez foram 3 as rusgas efetuadas. A razão declarada no mandado de busca – autorizado pela acção penal de Zurique – era “fogo posto, etc.”, segundo se soube. Numa análise mais detalhada do mandato de busca tornou-se evidente que era acerca de um alegado ataque incendiário a uma antena de telecomunicações em Waidberg, 8037 Zurique, o qual teria ocorrido na noite anterior.

Enquanto que em Zurique as buscas domiciliárias eram realizadas por polícias com o seu uniforme habitual, em St. Gallen as forças especiais aproveitavam para as transformar numa sessão de treino: aríete, balaclavas e metralhadoras, dezenas de presunçosos “robocops” a forçarem xs residentes da casa invadida a colocarem-se no chão, enquanto vasculhavam cada quarto de cima para baixo. Paralelamente aos objetivos frustrados – nos 3 casos tiveram de se ir embora sem as algemas virem a ser utilizadas – esta ação põe em evidência mais uma vez para que é que serve a polícia: o braço repressivo do Estado, equipado com todos os meios a fim de o defender e neutralizar potenciais inimigos. E nesta categoria recaem aquelxs que não aceitam ter uma autoridade indiscutível sobre as suas cabeças; aquelxs que não aceitam serem deitadxs fora pela riqueza da sociedade, xs que se recusam a serem alienadxs, isoladxs e controladxs através da tecnologia, ao mesmo tempo que dia após dia é anunciada a ilusão de unidade, felicidade e possibilidades ilimitadas.

Caso a justificativa do mandado de busca prove em si a existência de um evento factual, é essencial defender este ataque dirigido contra essas estruturas que ajudam a transformar a nossa autonomia numa vida de escravidão ditada pelos sinais de rádio das antenas. Porque cada propagação de fogo precisa de uma centelha…

Artigo traduzido do jornal anarquista de Zurique “Dissonanz”, n ° 32,
20 de Julho de 2016.

Nota adicional: No contexto das buscas domiciliárias a polícia estava à procura de uma pessoa específica, sem sucesso. Até à data (29 de Julho), não houve qualquer notícia desta pessoa ter sido presa. Desejamos ao/à companheirx muita força para o seu percurso fora das garras do Estado.

Madrid: “Estado de terror e massacre de humanos e não humanos na Turquia” em debate – 10/08

estadodeterror150Estado de terror e massacre de humanos e não humanos na Turquia – Quarta-feira, 10 de Agosto às 19h no Local Anarquista Magdalena (Dos Hermanas, 11 – Metro: Tirso de Molina)

Desde o massacre de Roboski a 28 de Dezembro de 2011 que a matança sistemática de humanos e não humanos é uma prática habitual do governo turco. Algumas organizações estão a levar a cabo a cabo um trabalho de documentação e denúncia internacional desta situação, dando importância a todas as vidas arrancadas, independentemente da espécie a que pertençam. Para além disso, realizam trabalho de protesto a nível local, assim como a sua difusão e estão a lançar una campanha de objeção de consciência total. Companheirxs que residem no Estado turco falarão sobre esta problemática assim como sobre as resistências que se estão a desenvolver para a enfrentar.

Porto Alegre, Brasil: Notícias da Biblioteca Kaos

Solidariedade com a Biblioteca Kaos Incendiar a bófia (Tessalónica)

Solidariedade com a Biblioteca Kaos
Incendiar a bófia (Tessalónica)

Galera. Companheirxs, amigxs…

Antes de tudo, estamos bem…

O dia do desalojo passou, e esperando que baixe a poeira, queremos dar um salve a todxs xs compas que estiveram com nós, que são parte da Kaos e com quem continuaremos caminhando juntxs.

Também queremos compartilhar os gestos de solidariedade que tem voado até nós nos fortalecendo nestes momentos. Nosso companheirismo anárquico vai se construindo com estes atos, com estas afinidades, e com este estar juntxs traspassando as distâncias, os idiomas e as fronteiras.

Em breve estaremos contando como foi nossa “despedida” do espaço e lhes convidando a nossa próxima atividade.

Com espaço, sem espaço, seguiremos incomodando!

Vejam as fotos dos atos de solidariedade com a biblioteca Kaos aqui

Biblioteca anárquica Kaos
5 de agosto de 2016

Chile: Solidariedade com a Biblioteka Kaos do Brasil

Imagen34 de Agosto 2016

A Biblioteka Kaos (Brasil) é uma okupação anárquica que através da difusão de ideias e de práticas anti-autoritárias propaga uma atitude de confrontação com toda a forma de poder.

Nas semanas antecedentes aos Jogos Olímpicos 2016, que terão lugar no Brasil, o espaço recebeu uma ameaça de despejo que se levaria a cabo nos primeiros dias de Agosto.

A DEFENDER E A MULTIPLICAR OS ESPAÇOS AUTÓNOMOS
E TODA A INICIATIVA QUE APONTE À DESTRUIÇÃO DO PODER!