Contato

Para contribuir com traduções, edições-correções e/ou materiais originais para publicação tais como atualizações a partir das ruas, reportagens de ações, comunicados de reivindicação, textos dxs companheirxs presxs ou perseguidxs, chamadas, brochuras, artigos de opinião, etc.: contrainfo(at)espiv.net

Contra Info: Rede tradutora de contra-informação

Contra Info é uma rede internacional de contra-informação e tradução, uma infraestrutura mantida por anarquistas, anti-autoritárixs e libertárixs ativxs em diferentes partes do mundo. Ler mais »

La Paz, Bolívia (Biblioteca Flecha Negra): RECORDANDO O PUNKY MAURI

Atividade onde se projetará vídeos
Debate anti-carcerário
Conversa com as Edições Herejes acerca da reedição do livro “Punky Mauri, a ofensiva não te esquece”

Sábado 26 de maio às 18:00

Biblioteca anti-autoritária Flecha Negra
Rua 1, descendo até ao río Orkojawira, zona Villa Fátima

em espanhol

Indonésia: O companheiro anarquista Brian Valentino precisa do nosso apoio!

recebido em inglês a 17.05.18

O nosso companheiro, Brian Valentino, está detido na prisão de Polda em Yogyakarta, a principal sede de polícia de Yogyakarta (região feudal especial no território de Java Central).

Desde o dia da sua prisão – do 1º de Maio a 16 de Maio de 2018 – que ao nosso companheiro, entretanto espancado e torturado, foi negado os seus direitos de apoio jurídico legal ou jurista. A polícia ou a assistência judiciária não nos deram uma razão clara sobre isso, portanto não temos certeza se é a polícia ou o advogado legal que se recusa a ajudá-lo.

Para ser claro, recebemos informações do pai de Brian Valentino, que acabou de o visitar, após uma semana de intervalo, tendo-se certificado de que Brian era o único dos presos que não recebeu nenhuma ajuda legal ainda, 15 dias depois de ter sido detido.

Portanto, pedimos aos/às companheirxs, na Indonésia ou internacionais, para se fortalecer a solidariedade com Brian Valentino, nosso querido amigo anarquista, a quem foram recusados os seus direitos de assistência judiciária. Não estamos a limitar a solidariedade, pode ser legal ou qualquer outra coisa. Mas para doação à família e réus:

Doação: BRI 5175-01-001-257-503 (Ilona)
Email: palanghitam@riseup.net

Ou comunique isso à embaixada local da Indonésia. Por qualquer meio necessário.

– Cruz Negra Anarquista / Solidariedade Anti-Autoritária de Yogyakarta, Indonésia

em inglês l alemão

Em solidariedade com Peike, preso do G20 [flyer]

. Assiste às audiências do processo de recurso!

dia 13 – 09/05 – 13:00 – 16:00
dia 14 – 11/05 – 09:00 – 16: 00
dia 15 – 14/05 – 09:00 – 11:30
dia 16 – 17/05 – 13:00 – 17:00

Tribunal Distrital Central
Sievekingplatz 3
Hamburgo

Novas datas e atualizações: freepeike.noblogs.org

Uma hora antes do início de cada sessão haverá café e música junto ao exterior do tribunal – organização pelos companheirxs alemães (United We Stand).
Se precisares de um lugar para ficar em Hamburgo envie um email para o grupo de apoio (Free Peike): freepeike@riseup.net

EM SOLIDARIEDADE COM PEIKE, PRESO DO G20: VENHA ÀS AUDIÊNCIAS DO PROCESSO DE RECURSO!

No Verão de 2017 teve lugar em Hamburgo a Cimeira do G20. Enquanto os “nossos” líderes mundiais, as pessoas mais poderosas e ricas do planeta, se reuniam nós também nos reunimos em Hamburgo – para lhes mostrar que a sua dominação é inaceitável e que continuamos a lutar por um mundo melhor. Durante estes dias de fortes protestos, de caos e repressão policial, o nosso amigo e companheiro Peike foi preso, juntamente com muitxs outrxs.

Após dois meses de prisão, em 27 de Agosto 2017, Peike teve este processo judicial, o primeiro dxs ativistas anti-G20 presxs. O infame juiz Kriten – conhecido pelas suas tendências de direita – sentenciou Peike em dois anos e 7 meses de prisão por, supostamente,  ter dois cartuchos, ter resistido às prisões e perturbado a paz pública, sem que houvesse alguma evidência de coerência.

Após 5 meses de cativeiro e repressão, o apelo para o tribunal de última instância começou a 9 de Fevereiro de 2018. No decorrer deste processo (12 sessões de julgamento já tiveram lugar) torna-se desde já evidente que este juíz não se encontra com objetividade  e “justiça”. Para além disso, este processo parece ter cada vez menos a ver com o que fazer com Peike e com o seu incidente particular.
Apesar de todos os processos que mostraram claramente esta conduta humilde, o estado está ansioso para condenar, não importa o quê, para mostrar a todxs que ainda são o poder e que não irão tolerar a rebelião.

Apesar desta loucura, Peike continua a lutar. Ele sabe que não está apenas a lutar pela sua própria liberdade, mas também por todxs xs outrxs que resistiram à Cimeira do G20. Até que possamos lutar juntxs com o Peike em liberdade – enquanto estiver preso – precisamos mostrar-lhe solidariedade. Venha para as próximas sessões de tribunais.

Vem para as próximas sessões de conversa para que possamos mostrar a Peike que não está sózinho!

Liberdade para Peike e para todxs xs outrxs ativistas.
Resiste à repressão, destrói todo os estados.

TODAS AS INFORMAÇÕES DO CASO em: freepeike.noblogs.org

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Yogyakarta, Indonésia: Repressão anti-anarquista após Marcha contra o Feudalismo (1º de Maio)

– Ontem, 44 dxs nossxs companheirxs foram presxs, acusadxs de destruição de propriedade, provocação e confrontos com a polícia. A equipa jurídica noturna tentou vê-los, mas ainda não o poude fazer pois foram isoladxs (02.05.18)
– Um dxs assessorxs jurídicos foi preso e espancado.
– Até agora xs nossxs 12 companheirxs ainda estão presxs e a polícia continua a caça às bruxas (03.05.18)

Solidariedade internacional – por todos os meios necessários – com xs companheirxs detidxs!

Mais informações

https://agitasi.noblogs.org/

Atualização (recebida a 03.05.18)

COMUNICADO

Embora este seja um comunicado exclusivo em relação a Yogyakarta ou à Indonésia em geral, apelamos à pressão internacional e solidariedade contra este sistema feudal podre que ainda existe neste século!

Saudações ao amado povo de Yogyakarta, aqueles que vilipendiam a nossa manifestação (intencionalmente destinada a censurar a instituição de Kraton, em Yogyakarta).

Acreditem-nos quando dizemos que já sabíamos – mesmo antes de termos realizado a manifestação – que haveria uma antipatia do público em relação à nossa demonstração. É muito compreensível.  O Feudalismo cria essa crença de que os reis e a realeza são seres meio divinos; a sua autoridade é sagrada e auto-justificada. Somene tornou-se um governante num sistema feudal por ter nascido na família certa: a família real. Todo o território feudal é propriedade do rei e da família real, as pessoas são apenas ocupantes que podem ser despejados a qualquer momento por vontade do rei. O sistema é perpetuado por essa crença irracional relativa ao domínio feudal, entre outras coisas. Em Yogyakarta, o feudalismo é o que faz Yogyakarta “especial”. Politicamente, esse status especial significa que Yogyakarta não é governada por um governador eleito tal como outras províncias na Indonésia.
Em vez disso, a região é governada por um governador que também é um Sultão. Socioculturalmente, esse status especial tem outro significado; isto dá uma falsa sensação de orgulho ao povo de Yogyakarta. Yogyakarta é especial porque é governado por um sultão, as pessoas orgulham-se disto.
Como é que ser governado através de um poder não verificado pode ser alguma coisa de que se possa orgulhar? O que há de tão orgulhoso assim em ser-se subordinado de outro ser humano, unicamente porque aquele nasceu na família real?
A nossa manifestação não foi feita para atrair simpatia. Se atrair simpatia fosse o nosso objetivo, não teríamos feito uma demonstração que perturbasse a reprodução de valores sociais como a que fizemos. Não, a nossa demonstração não se destinava a isso. Não somos um partido político, uma organização “esquerdista”, uma ONG, ou os proponentes do incumbente governante ou das suas oposições que precisassem do apoio das pessoas e da sua simpatia.

NÓS TAMBÉM NÃO FAZEMOS PARTE DO PMII; FAIZI ZAIN E SEUS COMPARSAS QUE ESPERARAM POR UM MOTIM PARA ELEVAR A SUA AGENDA DE DEITAR ABAIXO JOKOWI PARA BENEFÍCIO DOS SEUS MESTRES POLÍTICOS!
ELES SÃO CORRETORES DE PODER! NÓS NÃO SOMOS!

A nossa manifestação foi feita para perturbar a circulação do capital em Yogyakarta. Intencionalmente queremos criar uma situação não propícia ao investimento de capital, seja nacional ou estrangeiro – que intensificará o desenvolvimento e a gentrificação, retirando estes ao ambiente e às pessoas da classe baixa em Yogyakarta qualquer direito.

Nós tínhamos já conjecturado que o público ficaria enfurecido pelo nosso vandalismo e apelos provocativos.

A destruição de um posto policial e a chamada para “assassinar o sultão!” irritaram enormemente o povo de Yogyakarta. A raiva está ausente quando a polícia repetidamente, com violência, se encontra na linha de frente dos conflitos entre os interesses das pessoas e dos governantes, do lado do governantes, é claro, como o de Temon, Kulonprogo, onde há um processo em curso de apropriação de terras pelo Sultão – através da legitimação do Sultan Ground / Pakualaman Ground, um sistema de propriedade fundiária feudal, em nome da expansão do capital da indústria do turismo. A raiva também está ausente quando os habitantes dos kampungs urbanos (assentamentos informais, favelas) têm que lidar com a escassez de água, causada pelo uso da água subterrânea por hotéis e apartamentos, cuja construção está a ser intensificada sob a bênção do sultão, é claro.

Esse apelo para “assassinar o sultão!” que irritou algumas pessoas em Yogyakarta – tendo nós escrito ou não esse apelo ou sendo o apelo literal ou simbólico – teve a sua própria importância na ruidosa contestação à autoridade do Sultão em Yogyakarta, aparentemente sagrada e inquestionável; um poder sem mecanismo de controle porque é protegido pela “fé” em relação à autoridade auto-justificada do sultão. Esta “Fé” é responsável pela privação dos direitos das pessoas. Mais cedo ou mais tarde, xs que estão a ler isto, provavelmente serão excluídxs pelo “desenvolvimento” em Yogyakarta também. Um “desenvolvimento” para os interesses do sultão e dos seus comparsas; corporações locais e nacionais; investidores nacionais ou estrangeiros.

Sim, o sultão é um dos principais orquestradores de muitos problemas em Yogyakarta; despejo, apropriação de terras, gentrificação e desenvolvimento que excluem e retiram direitos às pessoas de classe média e baixa. O Sultão e a sua família real, e também os seus comparsas, são os que dominam todos os aspectos económicos em Yogyakarta.

Yogyakarta é uma das províncias mais desiguais, em termos económicos, na Indonésia. O desenvolvimento em Yogyakarta não é realizado para os interesses do povo, mas para os interesses da classe dominante: os capitalistas e feudais. Em Yogyakarta, os dois sistemas preversos estão a ter um caso, esmagando as pessoas; aqueles que não são membros da realeza e são da classe média e baixa.

Mães, vocês não estão cansadas de ter de visitar xs vossxs filhxs nas prisões,duas vezes por semana, aquelxs  que provavelmente tiveram que roubar ou roubar pessoas apenas para sobreviver?

E a razão pela qual elxs estão nessas prisões superpovoadas em Yogyarta é a pobreza profundamente enraizada que prevalece em Yogyakarta. Acha que o Sultão se preocupa com isso?

E então, vamos continuar a nos enganar, pensando nas novidades, e que tudo está bem? Ou ainda, que é “especial”? Não temos interesse em ser admiradxs. Nós não somos um partido político que precise dos votos das pessoas nas eleições.

Somos apenas pessoas que estão doentes. Cansadas de tudo o que está a acontecer à nossa volta e de como as pessoas são embaladas por essa falsa consciência, dizendo-lhes que está tudo bem.

Estamos a apelar às pessoas da classe média e baixa, intelectuais, artistas, académicxs, aquelxs que afirmam ser liberais e moderadxs, e outrxs que escolhem ser “neutrxs”. Lembra-se do evento histórico que deu origem ao conceito de estado-nação moderno? O período que dá pelo nome de período das luzes, onde os reis, rainhas e a realeza foram guilhotinadxs na Praça de la Révolution. Não criou ele o que se chama de democracia? Não queremos repetir ou glorificar a história. A democracia que vocês defendem, mantêm e vendem não está a levar a outro lugar senão à pobreza, degradação ecológica e retirada de direitos.

Nós somos xs libertárixs.
Nós somos o que vocês chamam de anarquistas. Sonhamos um mundo onde as pessoas cooperam umas com as outras, trabalham juntas, governem a si mesmxs, de forma horizontal, sem governantes, sem realeza, sem contrato político, social ou dos capitalistas. Queremos uma vida na sua forma mais verdadeira, onde os desejos naturais do ser humano estão em sintonia com a natureza; uma vida sem classes, racial, étnica, religiosa e outras falsas divisões.

Somos o que vocês chamam de utopistas.

Queremos uma sociedade livre sem opressores. Queremos uma sociedade onde as pessoas possam ter crenças, orientações sexuais ou qualquer coisa sem temer a perseguição.
Total liberdade!

Anarquistas

em alemão l inglês

Setúbal, Portugal: Convite a todxs para uma semana de (des)construção à Maxadada!

recebido a 01.05.18

Jornadas de trabalho colectivo* 7-14 Maio

Convidamos todxs para uma semana de (des)construção à Maxadada! Para melhorar o espaço precisamos de dar uns toques nas vedaçõess, esgoto, telhados, forno e horta. E também estamxs abertxs a propostas para construir coisas novas – será forno solar, casa na árvore, filtro para as águas residuais ou algo diferente?

Sempre precisamos de mais materiais de construção: tijolos, cimento, barrotes, parafusos, buchas, dobradiças, fechaduras, tintas, lonas, pincéis, rolos, materiais de isolamento, arame farpado, redes etc. Da nossa parte podes contar com sítio para dormir, comida vegan e suminhos.

Aparece e traz as tuas ideias, vontade e amigxs!

*Para saber mais sobre “Trabalho” sugerimos a leitura de:

Paul Lafargue – “O direito à Preguiça”.
Bob Black – “A Abolição do Trabalho”.

https://adamaxada.wordpress.com/
À da Maxada – Setúbal

em inglês / alemão

 

Porto, Portugal: Programa do 1º Encontro Anarquista do Livro – 4 a 6 de Maio

O Encontro Anarquista do Livro realiza-se nos dias 4, 5 e 6 de Maio de 2018, no Porto, e constitui um espaço de afirmação da dissidência, de intercâmbio de ideias, experiências e materiais, e de fortalecimento de redes de afinidade.

Programa completo:

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Brasil: Cartaz em solidariedade com xs que resistem à Operação Erebo

Ainda no contexto em que colar um cartaz pode ser muito mais complicado do que antes – com uma investigação que segue na procura dos tão desejadxs “culpadxs” – a indiferença é impossível diante das repressões.

A solidariedade tem sido a melhor propaganda anarquista e um impulso de ação ao longo dos vastos territórios em conflito. Umas vezes ampla e diversa, outras vezes em ato vingador em ação individual.

É um impulso que nos faz reagir diante dos golpes aos outrxs – ainda mais se chamarmos esses outrxs de companheirxs ou afins. Não como espírito humanitário, mas como resposta agressiva – como grunhido que nos reafirme na nossa decisão de antagonismo contra a dominação. Como abalo de coragem que nos permita escrever de cabeça erguida a nossa história.

Nem arrependidxs nem amedrontadxs, estamos onde sempre estivemos, contra toda a autoridade e em defesa da liberdade. Em solidariedade com xs nossxs companheirxs e mais convencidxs do que nunca.

Enquanto algum ou alguma dxs nossxs estiver a ser incomodadx, aparecerão os cantos de força e guerra – os que xs nossxs ancestrais não civilizadxs, indomáveis, bandidxs, marginais e anárquicxs nos têm ensinado – entoados forte (e graduados).

Primeira parte da publicação contra-informativa RAJADA

Material recebido a 18/4/2018:

A primeira parte da publicação contra-informativa RAJADA está pronta.

A publicação RAJADA não está alinhada com a visão predominante da sociedade.

Esta publicação reúne algumas palavras dirigidas na contra-mão do sistema e sobretudo das pessoas que o mantém funcionando.

Na capa, André Soudy, da “gangue Bonnot”, guiliotinado por negar pedido de clemência ao estado francês.

PARTE UM:

“HOJE POR HOJE” por Sebastian Oversluij

“ANARQUISMO INDIVIDUALISTA” por S.E. Parker

“UMA NOTA SOBRE AUTORIDADE” por Enzo Martucci

“LIBERDADE E SOLIDÃO” por Marilisa Fiorina

“ICONOCLASTAS, AVANTE!” por Renzo Novatore

”ANTES DE DORMIR” por Mauricio Morales

Em memória de Paul Z. Simons

Para ler e descarregar a RAJADA clica aqui.

11 de Junho, 2018: Um dia contra o olvido

11 de Junho é um dia internacional de solidariedade com Marius Mason e todxs xs prisioneirxs anarquistas a longo prazo. Uma centelha na eterna noite da repressão estatal. Um dia dedicado a honrar todxs aquelxs que nos foram roubadxs. Neste dia, compartilhamos canções, eventos e acções para celebrar xs nossxs companheirxs capturadxs. Em anos anteriores, as celebrações do 11 de Junho têm sido internacionais e abrangentes – de festas com amigos até diversos ataques inspiradores; de recolhas de fundos e noites de escrita de cartas a presxs até todas as formas incalculáveis e desconhecidas para manter a chama viva.

Fruto do esforço acumulado para este dia, todos os anos alguns de nós se juntam para discutir e reflectir acerca das lições dos anos anteriores e para renovar esta chamada à solidariedade contínua. Este ano, convidamos-vos a explorar e ponderar connosco o modo como a manutenção do apoio a prisioneirxs a longo prazo depende directamente da manutenção de movimentos e lutas de que todxs continuamos a fazer parte. Como poderemos esperar continuar décadas de apoio  enquanto os movimentos, grupos e pessoas vêm e vão, e são reduzidos a cinzas ou apanhadas nos esgotantes fluxos e refluxos da luta? Indo mais fundo, o que podemos aprender com xs prisioneirxs a longo prazo e os seus legados de solidariedade? Como podemos sustentar e melhorar a saúde dos nossos movimentos, e por sua vez fortalecer esse apoio?

Em vários dos últimos anos floresceram as críticas ao encarceramento, o que frequentemente resultou numa miríade de projectos e esforços de apoio a prisioneirxs. Encorporando estabilidade, compromisso e longevidade, são prisioneirxs da Libertação Negra, da Nova Esquerda, dos movimentos indígenas, e aquelxs que incessantemente os apoiaram durante décadas. Além destes esforços, houve um ressurgimento da organização contra o próprio encarceramento massivo. Apesar de terem sido grupos mais pequenos a dar voz a estes sentimentos há muitos anos atrás, é encorajador ver mais pessoas a tomar este trabalho em mãos. Houve também um aumento de esforços para apoiar presxs rebeldes que se têm envolvido em tudo desde greves ao trabalho até incendiar e destruir unidades inteiras na prisão. Ao mesmo tempo, há cada vez mais projectos a criticar o estado em si mesmo – constatando que este é sustentado pelos pilares das prisões e pela polícia. Finalmente, há muitos esforços dirigidos para as necessidades de prisioneirxs queer e trans, sobreviventes criminalizadxs de abuso doméstico e sexual, e pessoas com problemas de saúde mental, para dar apenas alguns exemplos.

O espírito do dia 11 de Junho, que convida toda a gente a participar de acordo com os seus desejos, afinidades pessoais e preferências tácticas, encoraja-nos a ver difundida uma tal actividade. Em particular, uma coisa que nos anima ver é quão difundida se tornou a escrita de cartas, blogs, livros e zines por prisioneirxs. Após anos de discussão sobre o amplificar das vozes dxs prisioneirxs, estamos a ver os resultados e valorizamos as incontáveis horas dedicadas por prisioneirxs e apoiantes para lançar e sustentar estas publicações. A complementar estes esforços estão aquelxs que expandiram a solidariedade internacional ao traduzir e passar a palavra dxs nossxs companheirxs, tal como xs que empreenderam belos gestos e mensagens de solidariedade com acção corajosa e de ataque.

Entre estes muitos projectos de apoio a presxs, vemos uma variedade de orientações, de tácticas, de estratégias e práticas. Com a expansão das iniciativas, surgiram intermináveis emergências e chamadas urgentes à acção para apoiar prisioneirxs, além de todas as outras crises constantes neste mundo de pesadelo. Com tanta coisa para fazer, somos forçadxs a fazer escolhas. O activismo tradicional, que exige que tanta da nossa energia seja dirigida para acções imediatas e frequentemente simbólicas – à custa de intenções e estratégias de longo prazo – não vai funcionar, simplesmente. Precisamos de agir com a preocupação de sustentar os nossos movimentos e projectos, de forma a que possamos continuar capazes de apoiar companheirxs a cumprir décadas na prisão. Isto exige uma abordagem holística à luta e à vida solidária.

Gestos isolados são importantes, e por vezes o melhor que conseguimos fazer. Mas o que significa fazê-lo a longo prazo?

Ainda que 11 de Junho seja apenas um dia, é uma manifestação da força e da fortaleza diárias de companheirxs presxs, e do trabalho incansável e de bastidores daquelxs que xs apoiam. Muitas vezes visitando; escrevendo; levantando dinheiro; divulgando informação; partilhando arte, poemas e escritos. Sentimo-nxs inspiradxs pelos grupos de apoio a Jeremy Hammond e Marius Mason, que trabalham consistentemente para os manter ligados ao resto do mundo. Vemos o exemplo de Sacramento Prisoner Support [Apoio a Prisioneirxs de Sacramento], lutando há anos para libertar Eric McDavid. Sentimo-nos impressionadxs por todxs xs que ajudaram prisioneirxs a longo prazo como Zolo Azania, Russell Maroon Shoatz, David Gilbert, Sean Swain, Mumia Abu-Jamal, Jalil Muntaqim, Leonard Peltier, e tantxs outrxs, para publicarem livros escritos nas suas celas.

Visões & Possibilidades

Face à perspectiva de longo prazo de ajudar companheirxs ao longo de décadas nas prisões, e o trabalho de curto prazo que esta solidariedade implica, arriscamos-nos a perdermos-nos nas correntes alternadas do desespero e mania que não deixam espaço para a reflexão. É difícil saber por onde ir quando nos confrontamos com a esmagadora tarefa de melhorar a privação e a miséria que xs nossxs companheirxs enfrentam, e ao mesmo tempo permanecer críticxs do reformismo. Queremos xs nossxs companheirxs livres agora e a demolição imediata de todas as prisões, mas não temos ideia de como o fazer. Apesar das décadas de acção combinada em solidariedade com prisioneirxs anarquistas, não temos um diagrama, apenas visões.

Ao descartar as dicotomias fracturantes e os seus fetiches tácticos (luta de massas vs acção directa), podemos chegar a uma nova métrica para avaliar o nosso trabalho: pode esta acção sustentar-me e às/aos minhas/meus companheirxs ao longo dos próximos anos? Parece improvável que um movimento vibrante de solidariedade com prisioneirxs possa florescer se as nossas preocupações forem apenas ideológicas, tácticas ou estratégicas. A alegria e a dificuldade das relações humanas, a tristeza gerada pelo cimento e pelo arame farpado, a luta contra ideias e comportamentos opressivos e a correspondente necessidade de formas transformadoras para lidar com o conflito, o entusiasmo e o medo que vêm com a libertação de um/a companheirx, e a frustração e exaustão associadas a este trabalho, tudo isto devia integrar o modo como entendemos a solidariedade.

Parece-nos que ao abordar directamente estas considerações, podemos começar a pensar para além das crises imediatas: leituras controladas, cartas desaparecidas, limitações na solidariedade, lutando por fundos do comissariado. Ao nos ancorarmos nas relações com os indivíduos na prisão – vendo-os não como celebridades, líderes ou “pessoas oprimidas” abstratas – abrimos espaço para sonhar com o que uma vida em comum, compartilhada em comum com xs nossxs companheirxs presxs poderia significar. Com isso, saímos do reino do puramente político e entramos no reino do humano. Não se pode sobreviver de dever e ideologia, mas as relações humanas podem nos nutrir e sustentar. E devemos lutar continuamente para manter os caminhos claros – para alcançar xs nossxs companheiros dessa maneira, à medida que o estado continua a desumanizá-lxs e isolá-lxs, restringindo cada vez mais as visitas àquelxs por trás do vidro ou, pior ainda, aquelxs numa tela, se estamos a poucos metros ou centenas de quilómetros de distância. Visitas presenciais e de contato, de valor inestimável para a construção de conexões humanas reais, são muitas vezes altas na lista de demandas de prisioneirxs e daquelxs que as apoiam no exterior. Recentemente, nos inspiramos na campanha da Fight Toxic Prisons para manter as visitas de contato no Departamento de Correções da Flórida.

Temos que nos esforçar por entrelaçar as nossas vidas com as vidas dxs nossxs amigxs e companheirxs na prisão. E na realidade, de muitas formas, as nossas vidas entrelaçam-se. A repressão a grupos de apoio a prisioneirxs pela Operação Scripta Manent (a tentativa do estado italiano para reprimir actividades anarquistas ao acusar indivíduxs de ataques incendiários e com explosivos) recorda-os de que há frequentemente uma linha fina a separar aquelxs que estão presxs daquelxs que estão cá fora a apoiá-lxs de todas as formas que possam.

Atualizações de prisioneirxs

Ao longo do último ano, xs nossxs companheirxs presxs enfrentaram os olhos frios e a mão violenta do estado com a sua integridade intacta. No Chile, Tamara Sol tentou escapar da prisão, foi seriamente ferida no processo, e foi desde então transferida: primeiro para uma prisão de máxima segurança em Santiago, e depois para a prisão especialmente brutal  de Llancahue, em Valdivia. A embrulhada “Bombs Case 2”, com Juan Flores acusado de múltiplos bombardeamentos em Sa ntiago e sentenciado a 23 anos na prisão. Na Alemanha, Lisa foi condenada a mais de 7 anos de prisão depois de ter sido considerada culpada de assaltar um banco em Aachen. Ela foi transferida para JVA Willich II em Fevereiro. Nos Estados Unidos, Walter Bond entrou em greve de fome por seis dias, exigindo refeições veganas, o fim da manipulação do correio e uma transferência para Nova Yorque, onde ele tenciona viver quando for libertado. Como retaliação, foi transferido para a Communications Management Unit em Terre Haute, no Indiana. Na Grécia, Pola Roupa e Nikos Maziotis entraram em greve de fome por quase 40 dias exigindo melhores condições e mais tempo de visitas, bem como a abolição daultra-repressiva prisão tipo-C em que Nikos tem estado detido. Dinos Yagtzoglou foi preso e enfrenta acusações relacionadas com uma carta armadilhada que feriu o anterior primeiro ministro Grego. A sua resistência atrás das grades despoletou a insurreição em três prisões gregas, garantindo a sua exigência de ser transferido para a prisão de Korydallos.

Nos Estados Unidos, o prisioneiro anarquista trans e de eco/libertação animalMarius Mason precisa de mais correio! Ele  gosta de receber artigos sobre os direitos dos animais, activismo ambiental, Resistence to alt-right, Black Lives Matter, e outras lutas penitenciárias. O Carswell Federal Medical Center, onde Marius tem estado detido nos últimos anos, é uma prisão notoriamente restritiva e cruel. Neste momento estão a negar-lhe os prometidos cuidados médicos relacionados com a sua transição, tal como opções veganas adequadas.

11 de Junho é uma ideia, e não apenas um dia. 11 de Junho é a cada dia. E as ideias são à prova de bala. Vamos dar vida ao resto do ano e renovar a celebração das vidas dxs prisineirxs anarquistas ao continuar as suas lutas ao seu lado.

Em suma: é uma chamada, por isso estamos a chamar-te! Dia 11 de Junho é o que fizeres dele. Segue o teu coração e enche o mundo de gestos belos. Não há acção que seja demasiado pequena ou demasiado grande.

June 11

[Madrid] Antonio Morillo permanecerá sempre na nossa memória anarquista

Morillo, a Luta continua CNT-AIT

Antonio Morillo, um anarco-sindicalista ligado à seção de limpezas do Metro de Madrid, morreu em casa antes de completar 40 anos, deixando para trás uma filha de 4 anos e o amor da sua vida.

Gostaríamos de lembrar este companheiro que foi sempre firme e combativo na luta contra os patrões. “Não pode haver paz social até que a emancipação das trabalhadoras e dos trabalhadores seja alcançada”

Ele permanecerá sempre na nossa memória anarquista.

Saúde e Raiva

Fonte: A edição nº8 de “Amotinadxs”, de Abril, (folha de informação mensal do Local Anarquista Motín, de Madrid), recebida em 9.4.2018.

em alemão l inglês

Santiago, Chile: Faixa em memória do companheiro Javier Recabarren

Javier Recabarren presente na Juventude Combatente – 29 de Março e todos os dias…para as ruas! (A)

29.03.2018. Durante o “Dia do Jovem Combatente” fizemos uma faixa em memória do anarquista Javier Recabarren que morreu há já três anos, atropelado por um autocarro da Transantiago.

O modo de ação do compa, em relação aos combates de rua e chamadas anti-especismo ou anti-cárcere – em suma, a sua participação na ampla luta anti-autoritária – continua presente na nossa memória. Ele era um companheiro, um irmão afim que trazemos para a rua, por meio deste gesto mínimo de propaganda, de algum lugar em Santiago.

em espanhol l inglês

[Itália] “Assim é…se lhe parece. Reflexões e atualizações em relação ao processo Scripta Manent”

Ilustração do artista gráfico holandês M. C. Escher.

As audiências em relação ao processo Scripta Manent encontram-se a decorrer ( Março a Julho).  As reflexões que se seguem – da autoria da companheira anarquista Anna Beniamino  – publicadas em Março, são datadas de Janeiro de 2018.

Assim é…se lhe parece
Reflexões e atualizações em relação ao processo

Não há grandes reflexões a fazer a propósito dum episódio repressivo (basicamente é sobre o jogo simples e cíclico da ação e reação), nem sobre as manigâncias da repressão, outra coisa bem conhecida; no máximo algumas observações sobre o desenvolvimento das suas técnicas e estratégias.

É o que vou tentar fazer aqui – mais de um ano depois das detenções – após a abertura do julgamento, o qual abriu uma brecha na bolha de censura e permitiu descobrir os arquivos da Procuradoria na complexidade da sua miséria. Isto depois do breve relatório aparecido na última edição da Croce Nera [Croce Nera Anarchica, nº 3 de Fevereiro de 2017] e os desenvolvimentos que ocorreram entre o fecho do processo e a audiência preliminar [de Julho de 2016].

No entanto, antes de qualquer comentário, quero reafirmar, simplesmente, o meu orgulho na anarquia e anarquistas – o que me permitiu alimentar com a solidariedade, feita de ações, escritos, de raiva que se recuperou para além dos portões e de prisão em prisão, mostrando novamente quanto a tensão anarquista está viva, atual e capaz de zombar das categorias e ir além dos limites que a repressão nos quer impor, ao desistir do peso dos medos e do mito do consenso.

Sempre pensei que a anarquia é uma coisa séria, se praticada por mulheres e homens fornecidxs da razão e, instintivamente, de algo que – quando o poder os bloqueia nas suas gaiolas – recai sobre ele e transforma em força as fraquezas que ele gostaria de nos insuflar. Estamos aqui por causa disso, num jogo de dados sem fim, entre a autoridade e a sua negação.

Além disso, era bem claro para mim que a anarquia tinha o privilégio indiscutível de poder se apoiar numa base filosófica poderosa, histórica e cultural, além dum instinto atávico para a negação – elementos que ainda hoje se misturam num conjunto eficaz de receitas destrutivas.

«A anarquia é poderosa, quando quer», enfatiza o companheiro anarquista Panagiotis Argirou na sua declaração, no verão passado, em solidariedade às pessoas presas no G20 em Hamburgo.

A ideia anarquista continua a ser um problema para a autoridade, mostrando aos espíritos livres o aspecto concreto que está na negação desta última.

Mas não quero criar mal-entendidos: não há processos simples contra ideias. Quando a repressão ataca é sempre como resultado de factos, ações específicas que minam a pacificação social – que é difusa e acostumada a controlar, tão típica desses tempos.

Ação e reação: mete-se em andamento processos contra anarquistas, pelo que estxs anarquistas são: inimigos do Estado.

A repressão – tal como a codificação e a aplicação do código penal que vêm a seguir – muda de forma e adapta-se segundo os riscos e o grau de perigosidade do confronto em curso: pode avançar com uma ferocidade vingadora, fazendo tábua rasa de tudo o que ela encontra no seu caminho, ou com um certo paternalismo até, ou com todo um painel de nuances intermédias. Por vezes são xs refratárixs, eles próprios, que dão o ritmo da ação, às vezes são elxs que sofrem golpes repressivos – e respondem. Muitas vezes são elxs que se queixam de não se mexerem – a não ser quando são encurraladxs pela repressão, em vez de atacarem os primeiros.
No entanto, deve-se ter presente que receber golpes não significa ser as «vítimas».

É provável que a «vítima da repressão» seja um papel já muito antigo, confortável para alguns no teatro da democracia – um rótulo falso e desagradável que produziu o pietismo e não uma consciência combativa.

É lá que se situa a importância destes tempos: na nova (ou renovada) consciência de ser um objeto contundente, portador de germes subversivos se se quiser – não apenas no interior de um “meio” estreito, mas também para se apresentar de forma social ou anti-social, de acordo com cada um/a – como orgulhosxs portadorxs de intensa crítica da era da dominação tecnológica, controlo e homologação geral.

Despir o imperador e montar as suas partes escondidas foi – e continua a ser hoje tal como no passado – alguma coisa que provoca a repressão, seja com os velhos ou com novos instrumentos. As categorias ridículas do Código Penal – desculpas, provocações, associações – visam impressionar o tecido que conecta pensamento e ação: a solidariedade.

Não podemos nos permitir ser surpreendidos com isso; há mais de um século, existiram associações de malfeitores e a autoridade real mandou fechar os jornais e perseguiu xs subversivxs e as suas reuniões, vigiava os lugares mal afamados onde estavam a reunir-se. Hoje monitorizam também a tela e as telecomunicações.

Ao contrário do passado, o controlo tornou-se invasivo devido ao advento de novos dispositivos tecnológicos – algo que é frequentemente acompanhado por uma consciência e uma confiança menos fortes no seu próprio potencial e possibilidades de se lhe opor [ao controlo].

Modelos e técnicas repressivas são reintroduzidos e modernizados (às vezes nem mesmo isso), usados se necessário; actualmente, são usados para conter ou tentar conter uma efervescência inegável nos meios anarquistas, entre outras coisas.
Constatar isso não significa parar como animais aterrorizados, porque surpreendidos com os faróis de um camião que chega em alta velocidade, ou se jogar – mãos e pés amarrados – na boca do monstro, persuadidxs de sua inevitável voracidade.  Mas sim uma mudança de perspectiva: aspirar, hoje e sempre, ser um bocado indigesto, sem tombar na paranóia de ver uma omnisciência e um todo-poderoso poder, onde muitas vezes não há estratégia geral, mas um emaranhado informe de interesses de carreira que surge em contraste e orientação alheias às de funcionários mais ou menos zelosos.

Não devemos esquecer o factor humano, mesmo na sua forma mais débil, como uma papelada de comissariado, a qual – ao voar e distorcer pedaços das nossas vidas – nos mostra um amplo panorama da miséria da sua existência.

Começando pelo fim: da associação ao incitamento e vice-versa.

Com a notificação do encerramento do dossier, em Abril de 2017 – para pessoas presas e outrxs acusadxs de Setembro de 2017 – além das ofensas de que já são acusadxs, foi adicionado, para 12 dos primeiros 17 acusadxs, este 414 C.p. (incitamento a crimes e delitos) com o objetivo de terrorismo, como redactores e / ou difusores da Croce Nera, o boletim em papel e o blog – referindo explicitamente para publicações e artigos do n °s 0 a 3. Sinal dos tempos, a ofensa de incitamento é agravada «por ter cometido os fatos através de instrumentos de informática e telecomunicações».

Além disso, em 2 de Junho de 2017, com um timing bastante oportuno em comparação com a audiência preliminar de 5 de Junho, o efeito bola de neve da repressão levou mais outros 7 companheirxs – estxs embora acusadxs ​​permanecem  livres até ao julgamento-  por 270 bis [Associação para fins de terrorismo] e 414 C.p, enquanto redatores (ou não) de Croce Nera, do blog RadioAzione e de Anarhija.info.

Isto além de se acusar 2 destes de 280 C.p [ato de terrorismo com engrenagens que podem causar a morte] por causa da descoberta – durante as perseguições de Setembro de 2016 – junto com outros textos publicados em Croce Nera, de uma cópia da reivindicação de ataque contra o tribunal de Civitavecchia, em Janeiro de 2016, pelo Comité de Pirotecnia por um ano extraordinário – FAI / FRI.

A seguir à audiência preliminar, as duas partes da investigação foram fundidas e todos os acompanhantes foram enviados para julgamento, permanecendo inalteradas as diferentes acusações. Após quase um ano de controlo obsessivo (com bloqueios e sequestro sistemático do correio dxs prisioneirxs, passou diretamente aos arquivos do Gabinete do Procurador sendo adicionado ao processo na audiência preliminar), pois o ministério público e a polícia – através de vigilância electrónica à solidariedade – conseguiram fazer sair uma medida punitiva contra xs companheirxs que mantiveram contacto com xs prisioneirxs e prosseguiram a atividade editorial.

O fato de usarem os artigos 270bis e 414 C.p. juntos está a tornar-se uma rotina, nas suas estratégias, se olharmos para o que foi feito com o julgamento do processo Shadow, em Perugia, e o uso que se faz dele neste processo.

Sem esquecer a intensificação, nos últimos anos, do “único” uso dos 414 C.p. – sem o usarem mais do que como complemento às acusações de associação  para atacar qualquer escrito que “defenda” a ação anarquista – como ferramenta maleável destinada a sufocar as chamas das palavras e ações solidárias.

Também se deve acrescentar que os pequenos truques dos polícias não impressionaram ninguém.

Alvará reciclável….a estrutura do inquérito

Talvez os escritos permaneçam, mas em relação ao Scripta Manent a base e os DIGOS de Turim realmente não queriam jogar nada fora. Saíram do antigo cemitério de velharias os processos passados e classificados, mastigados e cuspidos de 20 anos de vigilância e repressão:

O processo ORAI (também chamado de processo do Marini, investigação do ROS, Roma) de 1995 ;

A investigação do ataque ao Palazzo Marino [a sede da Câmara Municipal] em Milão, 1997, por Azione Rivoluzionaria Anarchica;

A investigação de Solidarietà Internazionale (pelo procurador Dambruoso, investigação conduzida pelo DIGOS, Milão), arquivado em 2000;

A operação Croce Nera (processo do Piazzi, liderada pelo ROS, Bolonha), que meteu na prisão, em 2005, os redatores da Croce Nera da época, arquivado num curto espaço de tempo;

A investigação sobre um pacote incendiário enviado ao comissário-chefe do Lecce em 2005, assinado por Narodnaja Volja / FAI;

A investigação sobre o ataque ao quartel dos Carabinieri de Fossano e os pacotes incendiários assinados pela FAI / RAT [Rivolta Anonima e Tremenda], 2006 (processo do Tatangelo, ROS, Turim), arquivado em 2008;

A investigação de pacotes incendiários e o ataque na área de Crocetta, em Turim, em 2007, assinados pela FAI / RAT (processo do Tatangelo, DIGOS, Turim), arquivado em 2009;

A operação Shadow (Processo do Comodi, Digos, Turim) começada em 2009 para 270bis [associação para fins de terrorismo], 280 [ato de terrorismo com  mecanismos que podem causar a morte], concluída em 2016 com condenações por 414 C.p. para o boletim KNO3 e 2 condenações por roubo de carro e tentativa de sabotagem de caminho de ferro;

A operação Ardire (processo do Comodi, ROS, Perugia), começada em 2010, com 8 pessoas em prisão preventiva em 2012, o dossier foi inteiramente transferido para o da Scripta Manent, por passagem e jurisdição territorial, primeiro em Milão, depois em Turim;

As investigações Kontro, Replay, Sisters, Tortuga (proc.do Manotti, ROS, Génova) sobre os ataques às casernas dos Carabinieri em Génova, o R.I.S. [Reparto Investigazioni Scientifiche, a “polícia científica” dos Carabinieri] de Parma, em 2005, e outros ataques;

As investigações Evoluzione e Evoluzione II (Procuradores Musto e Milita, ROS, Nápoles), começadas em 2012 com o ataque a Adinolfi, até que “evoluem” para vigilância dos blogs RadioAzione e RadioAzione Croazia;

A investigação Moto (processo de Franz e Piacente, ROS, Génova), que levou, em 2012, à prisão de Nicola Gai e Alfredo Cospito;

A investigação do pacote-bomba contra a Equitalia (processo Cennicola e Polino, DiIGOS, Roma) de 2011, reaberta em 2014;

A investigação sobre o ataque ao tribunal de Civitavecchia e os cocktails Molotov contra o Quartel dos Carabinieri em Civitavecchia em 2016 (processo do Cennicola, ROS, Roma).

Esta longa lista foi feita pela leitura na diagonal do índice [do processo Scripta Manent]; esquecendo seguramente certas coisas – sem listar outras vigilâncias e arquivos passados de uma investigação para outra, de um município para outro,  quantas vezes fonte de batalhas para obter jurisdição territorial, através de combinações possibilitadas pela formulação de delito associativo.

A estratégia por trás de tudo isto é bastante visível e a pilha de papel, ainda que contraditória, torna-se sugestiva. Isto considerando que são injetadas nos registros do Scripta Manent, quase inteiramente, as actas dos processos acima enumerados, para além das basófias do par Sparagna / DIGOS de Turim, que só à sua conta fez 206, e alguns arquivos de actos judiciais.

Registo e seleção: centenas de nomes e CVs, episódios de subversão no dia a dia indexados, seccionados e recompostos ad hoc. Trajectórias existenciais, fragmentos de discussão e periódicos publicados sobrepostos à interpretação (discordantes segundo o controlador de serviço), acrobacias espaço – temporais, estudos comportamentais dignos de Lombroso.  Esta não é seguramente a primeira vez que isso acontece – tal como a tentativa bem experimentada já de dividir entre “bons e maus” e a definição da imprensa anarquista como “clandestina” e preparatória à «associação».

Acontece frequentemente – eu mesma faço isso – fazemos ironia dos consideráveis fios de embrulho e das contradições evidentes nos arquivos judiciais; esquecemos, no entanto, que há nisso uma consciente arrogância de poder.

Além dos resultados, grandes ou pequenos, o aparelho repressivo está bem ciente da latitude que as suas operações anti-terrorismo lhe dão. Vigiar e punir…acompanhamento aprofundado de contactos, reações, tentativas de pressão sobre o “frágil” e amplitude da solidariedade, longas detenções preventivas…

No entanto, acredito que as análises que tendem a ver a repressão contra certos sectores do movimento – como laboratório onde testar técnicas repressivas a expandir aos mais amplos sectores sociais – são míopes e erróneas. Há lá uma presunção paternalista, ainda que ingénua – além da tentativa de encontrar consensos, através do cimento da luta contra a repressão – na morna dissensão destes anos.

O uso da cenoura e do pau, pelo contrário, é muito mais articulado e sorrateiro.

O poder não precisa de testar in vitro a repressão sobre os anarquistas;  simplesmente usa contra os anarquistas um pouco da violência desdobrada muito mais violentamente algures: o Estado não se preocupa por treinar bandos de mercenários armados para defender as suas fronteiras e interesses, de afogar todos os dias milhares de seres humanos, de usar o seu território para ofensas simples de opinião (basta clicar na página do primeiro idiota dos fundamentalistas religiosos do século XXI para acabar amordaçado no primeiro voo).

Por enquanto, a repressão espalha-se a punições muito diversas e está bem ciente por onde pode expandir-se cegamente, com a ampla cobertura escravizada dos media. Sem esquecer que, mesmo nos sectores do movimento, as frases “exemplares” não faltam.

Acontece que, muitas vezes, são xs companheirxs xs mais atentxs e conscientes da repressão. Não é por acaso que é no movimento que mais se presta atenção à evolução das técnicas de registo, controle, vigilância e de manipulação do consenso.

Psico-antropologia do comissariado

Num cenário onde tudo é baseado em inferências/especulações, manuseiam-se doses maciças de estudo comportamental para dar sentido a tudo isto. A consciência da omnipresente vigilância policial invasiva  – e o que fazer para se subtrair a ela – torna-se significativa em si mesma.

Existem práticas correntes nos círculos do movimento – práticas essas que são mesmo difundidas socialmente – pelas mais diferentes razões: falar de forma evasiva ao telefone ou usá-lo de forma limitada, não da maneira compulsiva como faria o guia do perfeito cidadão-consumidor; prestar atenção para ver se se é seguido a pé; procurar microfones e câmaras em casa, no carro e no seu local de trabalho; prestar atenção à vigilância de telecomunicações, apenas para dar alguns exemplos.

Após alguns anos, também ficamos a conhecer as interpretações oportunistas da bófia em relação aos encontros com amigos e companheirxs e a participação, por vezes, nos momentos de ajuntamento do movimento: de acordo com o acórdão sem recurso do serviço de voyeur, estamos muito ou muito pouco presentes.

Também conhecemos a paixão dos “apêndices” para realizar qualquer atividade, viagem ou pequena excursão como «encontro entre cúmplices» (o excesso de zelo do esbirro piemontês a tomar forma em longas reportagens em vídeo na praia na Ligúria, em meados de Agosto, com percursos de natação até a bóia que vão tornar-se «reuniões reservadas»).

Agora, na intersecção perfeita entre psicopolicial e comédia italiana, é a ausência que se torna evocativa: ausência física, falta de telefonemas e contactos. Isso não está relacionado, na tese acusadora, a um evento ou ação em particular, mas [que é sugestivo para a polícia] é o próprio fato de fugir do controlo, mais especificamente não sendo vigiado passo a passo, e não está claro se isso depende da vontade das pessoas que estão a ser vigiadas ou da incapacidade óbvia daqueles.

Demasiada irónico? Talvez, uma vez que a realidade é feita de uma vigilância obsessiva e perturbadora: buscas improvisadas para esconder a intervenção de microfones escondidos em casa que não funcionam bem, vigilância e radiografia dos correios, com a recolha de encomendas directamente de caixas de correio ou correios, cópias de chaves para entrar em locais de trabalho sem o conhecimento de pessoas sob investigação, câmaras escondidas em locais públicos considerados como “objectivos potenciais”.

Aqui estão alguns exemplos de um aplicação bastante densa de vigilância, além de métodos mais tradicionais: telefones sob escuta há vários anos, microfones em casa e nos locais de trabalho, GPS em carros, câmaras a apontar para a entrada da casa, adega, local de trabalho, controlos cruzados de chamadas telefónicas e posicionamento geográfico de computadores portáveis, perseguições a pé com fotos e vídeos, intercepção de correios e escutas através dos microfones dos computadores.

Em seguida e para se ficar ainda mais embrulhado na ilusão tecnológica e (pseudo)científica do novo milénio, um florescimento de estatísticas, diagramas, percentagens, cruzamento de dados mais curiosos: quantas vezes as pessoas sob investigação foram vistas ao longo dos anos (… até em casa, entre membros da mesma família ou pessoas que moram juntas, e mesmo durante os processos em que estiveram envolvidos, e quantas vezes se reencontraram…os seus telefones; em que dias da semana chegam as bombas empacotadas; quais as cidades mais afectadas por ataques; que palavras usam, preferencialmente, os anarquistas…mas aqui vamos além do estudo estatístico – sociológico -comportamental e para outro pilar do tribunal…

A sugestão de uma peritagem

Neste caso [montagem policial] o que chama a atenção é a evidência de uma técnica de remendos com o objetivo de colar delitos precisos a certos acusadxs. Para dar substância aos pressupostos da acusação há um uso maciço de peritagens gráficas – linguístico – estilísticas, a fim de atribuir a alguns acusados a escrita de certos textos de reivindicação.

Explicado que é desta maneira pode parecer até uma coisa séria (e é este o caso, quando serve como desculpa para detenção preventiva), mas quando descobrimos o conhecimento moderno – que usa a tecnologia e o espírito humano – podemos ver a que ponto os métodos utilizados são manobráveis ao seu desejo, questionáveis e com resultados aleatórios.

Deste ponto de vista, é bem clara a escolha de se continuar nisto, ignorando com conhecimento de causa os resultados que contradizem a tese escolhida: de um só golpe as comparações que levem a resultados negativos são ignoradas e em seu lugar retalham-se os textos  de modo a adaptá-los ao que se estava à procura. Palavras de uso comum ou próprias da linguagem político-poética-anarquista tornam-se caracterizantes a um ponto que – já no paradoxo de correspondências – estão cheias de atribuições… ou seja que dali saem tantos disparates que estes vão mesmo para além das acusações.

A máquina da repressão está bem consciente da inconsistência de certas comparações e peritagens – admitindo-o, até – mas também se encontra consciente de que o uso do ADN e outros conhecimentos técnico-científico foi “refogado” para a opinião pública como tecnologia segura e indiscutível, tal como se o tenta usar no tribunal.

Na realidade, os exemplos de manipulação de erros e/ou de aproximações (e até a jurisprudência agora é obrigada a admitir isso, depois dos primeiros anos de uso “acrítico” e de qualquer traço biológico). Podemos ver alguns exemplos recentes disso, um pouco por todo o mundo, em ações judiciais contra companheirxs.

Desta colheita compulsiva de material e confrontações cruzadas podem-se, no entanto, encontrar algumas informações sobre a sua colheita e utilizações sistemáticas.

O DAP [Dipartimento Amministrazione Penitenziaria, corresponde à Administração Prisional] oferece-se como fonte – além de identificar fotos e impressões digitais a que se pode juntar vestígios de prisões passadas, fornecendo ficheiros pessoais e traços gráficos de todos os anarquistas que passaram pelas masmorras italianas – surgindo mesmo dos seus arquivos o correio, as instâncias judiciais, os pedidos à administração, etc. Se o caso não foi por detenção ou perseguição, chegam mesmo a esgravatar nos arquivos municipais.

Há mais de dez anos que utilizam múltiplas bases de dados de ADN – alimentadas não só com assuntos embarcados – vindos das buscas por ordem judicial  – mas também conservando amostras e fazendo comparações cruzadas de partes delas por convicção, em posse de diferentes arquivos [policiais e/ou judiciais].

* * *
Aquilo que acabei de descrever não aborda mais do que alguns dos aspectos – a desenvolver e a serem alvo de reflexão, portanto. O que resta é o facto da sua ausência [do controlo], num contexto onde os procedimentos repressivos são vasos de comunicação, se tornar um motivo para se ser acusadx. A solidariedade é uma prova agravante e, se a operação Scripta Manent visava atingir alguns anarquistas, pode-se dizer que, até como desforra disso, aumentou a solidariedade e a consciência. E que aquilo tudo, ao fim e ao cabo – apesar do tão pequeno pedaço de céu que eu agora posso ver – nada mais faz do que me devolver o sorriso.

Anna
Roma, Janeiro de 2018

*****

Para escrever à Anna e outrxs companheirxs, actualmente na prisão no seguimento da Operação Scripta Manent:

BENIAMINO ANNA
Casa circondariale Rebibbia Femminile
Via Bartolo Longo, 92
00156 – Roma

BISESTI MARCO
Casa circondariale
Strada Statale per Casale, 50/A
15121 – Alessandria

NICOLA GAI
ALFREDO COSPITO
DANILO CREMONESE
ALESSANDRO MERCOGLIANO
Casa circondariale
Via Arginone, 327
44122 – Ferrara

Fonte: Croce Nera Anarchica
via Attaque (francês)

[Federação Russa] Apoio ao prisioneiro político anarquista Evgeny Karakashev

recebido a 05.04.18

Apelamos à solidariedade e apoio ao anarquista Evgeny Karakashev, da Crimeia. Teve início a recolha de fundos para cobrir as despesas com a defesa.

Evgeny nasceu a 21 de Agosto de 1978. Vive em Yevpatoria, na Crimeia. Trata-se de um activista com convicções anarquistas. No dia 1 de Fevereiro de 2018 Karakashev foi detido, no dia 2 foi preso por suspeição de ter cometido crimes contemplados na Parte 1 do Art. 282 (incitamento ao ódio e inimizade) e na Parte 2 do Art. 205.2 (apelo público ao terrorismo) do Código Criminal da Federação Russa. Encontra-se em prisão preventiva desde 2 de Fevereiro de 2018.

Descrição do caso

No dia 1 de Fevereiro de 2018, Evgeny Karakashev foi detido por agentes da polícia em Yevpatoriya. A jornalista Alyona Savchuk escreveu nas redes sociais que procuraram Karakashev no dia da detenção. “Levaram-no violentamente: alguns homens à paisana forçaram a entrada, não se identificaram, atiraram-no imediatamente para o chão, agarraram-no, algemaram-no com as mãos atrás das costas. Evgeny afirma que foi algemado até às instalações de detenção temporária. Tem uma grande escoriação no lado direito da testa. Só à noite é que Karakashev conseguiu telefonar a um amigo e pedir-lhe para encontrar um advogado” – diz Savchuk – “O investigador Abushayev disse que não se recorda durante quanto tempo Karakashev esteve algemado, 5 minutos ou 3 horas, e que Karakashev «se ofereceu» para ir a esquadra voluntariamente”.

No dia 2 de Fevereiro de 2018, o Tribunal da cidade de Evpatoria prendeu Evgeny por 2 meses por suspeição de «incitamento ao ódio e à inimizade» e «apelos públicos ao terrorismo».

Resulta do despacho relativo à instauração do processo penal que, de acordo com a investigação, Karakashev publicou um vídeo numa das suas páginas na rede social «VKontakte», no final de 2014, que alegadamente apela ao terrorismo. Além disso, de acordo com o relatório, em Janeiro de 2017 Karakashev postou de uma outra conta, num chat com 35 pessoas, um texto que contém sinais de “propaganda de ideologia violenta” e “apelos a actividades terroristas”. Não se especifica exactamente o que terá Karakashev publicado, no entanto o documento afirma que os peritos investigaram um «teletexto, que começa com as palavras “usar granada contra” e termina com as palavras “nas janelas das autoridades, boa sorte”».

É óbvio que a razão para iniciar um caso criminal foi o vídeo “Chamada Vídeo dos Guerrilheiros de Primorsky”, publicado na rede social “VKontakte”, no qual os guerrilheiros explicam os motivos das suas acções. Este vídeo é entendido na Rússia como sendo extremista, por “incitar ao ódio contra um grupo social específico” [a polícia].

De acordo como o advogado Alexei Ladin, o próprio Evgeny Karakashev acredita que o início do caso criminal contra si e sua subsequente prisão se relacionam com o seu activismo: ele opôs-se a uma construção numa zona de lazer em Yevpatoriya, perto de um lago. Evgeny é um anarquista e antifascista. Karakashev tomou sempre uma posição civil activa, participou, por exemplo, num protesto junto ao edifício do FSB em Simferopol, e em Novembro de 2016 tencionou organizar uma acção “contra a brutalidade policial na Crimeia”, junto ao edifício do Ministério do Interior de Evpatoria. Esta acção foi interdita pelas autoridades locais. Depois deste incidente, Evgeny foi chamado pelo staff dos ditos órgãos policiais e convidado a dar explicações, Evgeny recusou dar qualquer testemunho.

Sinais de motivação política para a sua perseguição

É muito provável que o caso criminal contra Evgeny Karakashev tenha sido despoletado no contexto das suas actividades públicas de oposição política como participante das acções de protesto na Crimeia. No contexto da perseguição de activistas de extrema esquerda e antifascistas desde Janeiro de 2018, o caso de Karakashev parece ter uma motivação claramente política.
Deste modo, as circunstâncias da acusação levam-nos a acreditar que a detenção de Evgeny Karakashev foi um meio para acabar com as suas actividades públicas.

Ao mesmo tempo, a detenção foi aplicada em violação do direito a um julgamento justo, e a outros direitos e liberdades garantidos pela Constituição da Federação Russa, pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos e pela Convenção Europeia para a Protecção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais, baseando-se-se na adulteração de provas do alegado crime na ausência de elementos de delito de ofensa.

Como se pode ajudar: Pode-se transferir dinheiro pelo sistema Paypal: o nosso endereço é abc-msk@ riseup.net  Por favor mencionar “para Evgeny Karakashev”

Endereço prisional de Evgeni:
Karakashev Evgeni Vitalevich, bul. Lenina 4, 295006 Simferopol,
Respublika Krym, Russia.

Nota que na prisão apenas se aceitam cartas em Russo.

Cruz Negra Anarquista de Moscovo

fonte: avtonom.org

em inglês

[Santiago, Chile] Lançamento do livro: Louis Lingg. Já o devem saber pelos estrondos

Lançamento do livro: Louis Lingg. Já o devem saber pelos estrondos. Memória insurreta: Origens do 1º de Maio e a vida de um dos seus protagonistas

Em que dia? 5º feira, 5 de Abril 2018
A que horas? 19:00
Onde? Avenida Brasil 658, Santiago Centro*Vídeos
*Lançamento-conversa
*Venda de rifas e comida em solidariedade com Juan Aliste Vega e a sua situação médica.

Louis foi um anarquista alemão que, após imigrar para os Estados Unidos, participa em diversas lutas, greves e círculos de ação anarquista. É detido após os acontecimentos do 4 de Maio de 1886, na Praça Haymarket, sendo processado por conspiração e morte de vários polícias. Por fim é condenado à forca, juntamente  com mais quatro anarquistas.A 10 de Novembro, um dia antes da data da sua execução, Louis decide suicidar-se mediante explosivos, no interior da sua cela. Em homenagem aos quatro anarquistas mortos pelo Estado e em memória da grande repressão que se seguiu às mobilizações por uma jornada laboral de oito horas é que se comemora até aos nossos dias o primeiro de Maio como o “Dia internacional dxs trabalhadorxs”.

Neste livro resgatamos a história de Louis Lingg, um dos anarquistas (protagonista deste processo) que tem sido mais esquecido.

“Repito que sou inimigo da “ordem” atual e repito também que, com todas as minhas forças e enquanto me restar um alento, a vou combater (…) digo-lhes: Desprezo-os!; desprezo a sua ordem, as suas leis, a sua força, a sua autoridade! Enforquem-me!
–Louis Lingg-

***Ficha técnica do livro***
Título: Louis Lingg. Já o devem saber pelos estrondos. Memória insurreta: Origens do 1º de Maio e a vida de um dos seus protagonistas.
Autor: Colecciones Memoria Negra
Editorial: Colecciones Memoria Negra
Preço: $4.000
Páginas: 198 com Ilustrações.

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* Companheirxs de Bibliotecas e editoras: Para as editoras que queiram distribuir este livro, assim como para as bibliotecas às quais podemos doar algum exemplar contatem-se particularmente – antes de assistirem – para  se coordenar entregas durante a atividade.

*Companheirxs prisioneirxs da Guerra Social: As visitas e íntimxs de cada companheirx na prisão que nos escrevam e avisem-nos para coordenar a entrega de uma cópia do livro para xs compas encarceradxs e efetivamente esta chegue às mãos do/a compa.

Colecciones memoria negra
www.coleccionesmemorianegra.wordpress.com
coleccionesmemorianegra@gmail.com

[Portugal] Comunicado do Movimento Antifascista Português

 http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/46150

Clica na imagem para teres acesso ao comunicado

em pdf aqui

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Finlândia: Acções de solidariedade com anarquistas e antifascistas da Rússia em Fevereiro e Março

recebido a 04.04.18

Concerto de apoio em Helsínquia a 4.03.2018.  Faixa onde se pode ler em finlandês “Liberdade para antifascistas na Rússia”.

A seguir um resumo das recentes acções de apoio a compas reprimidxs na Rússia:

No dia 4 de Fevereiro, a Cruz Negra Anarquista de Helsínquia organizou o “Amazing Vegan Sunday Soli Lunch” [Incrível, Domingo Comida Vegan Solidária] em Lymy. O evento foi um sucesso. Em Tampere, um concerto solidário foi organizado no dia 2 de Março.
Participaram quatro bandas e vendeu-se comida vegan. Varis Tampere, que organizou o evento e ainda a TAL (União Anarquista de Tampere) vendendo t-shirts e livros sobre anti-fascismo. Também em Helsínquia, Varis organizou um concerto solidário no dia 4 de Março com duas bandas de hardcore, um sorteio, hambúrgers de tofú e informação sobre a situação na Rússia. Os fundos recolhidos foram enviados para a Rússia para serem usados nas despesas de defesa e noutras formas de apoio aos/às anti-fascistas e anarquistas reprimidxs em S.Petersburgo, Penza,Tšeljabinsk e noutros locais da Rússia.

Turku 18.3.2018

Turku 18.3.2018

No dia das eleições presidenciais na Rússia, houve manifestações em Turku e Helsínquia contra a tortura praticada pelo FSB e, mais genericamente, contra o regime de Putin. Em Turku, um grupo de anarquistas e antifascistas reuniu-se em frente do consulado russo ostentando uma faixa com o texto “Libertem xs anarquistas na Rússia! Fim à tortura pelo FSB!”. A faixa foi depois estendida sobre a auto-estrada. Em Helsínquia, cerca de 50 pessoas concentraram-se à porta da embaixada russa gritando palavras de ordem e mostrando faixas contra o FSB e Putin, e pela libertação dxs prisioneirxs anti-fascistas. As pessoas, ao ir votar, não puderam evitar reparar na manifestação organizada pelo grupo anarquista local A-ryhmä, pela CNA de Helsínquia e a Varis.

Manifestação na embaixada russa em Helsínquia a 18.3.2018.

FSB é o principal terrorista

Como balanço geral, chamou-se a atenção para a situação na Rússia nos últimos meses e as pessoas foram motivadas a agir em conjunto contra a repressão e pelos nossos objectivos comuns. Continuaremos a apoiar xs companheirxs na Rússia.

fonte:  varisverkosto.com

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[Brasil] Jamais poderão nos parar. Do Brasil à Rússia, que viva a anarquia

Vivemos na antiga e bela contradição de arriscar a liberdade lutando por ela…
E jamais poderão nos parar.
Do Brasil a Rússia. Que viva a anarquia.

Sabemos que na imensidão dos mares e continentes, nas montanhas e selvas, guerreiros e guerreiras afrontam, há tempos imemoriáveis, lutas contra quem quer destruir e devastar para escravizar, dominar e vender.
Não fechamos os olhos diante disso, ainda mais, somos parte dessas lutas também, mas hoje, ao calor de certas arremetidas, queremos mandar este salve, este abraço cúmplice para nós, anarquistas.Prenderam-nos na Espanha, França, México, Chile, Grécia, Argentina, Alemanha, Itália, Rússia, em todos os Estados. Perseguiram-nos de um continente ao outro. Mataram-nos no garrote vil, nas cadeiras eléctricas, na guilhotina, atirando contra nós. Nos desapareceram no Rio de La Plata e no Chubut, apareceram-nos de novo para limpar suas mãos. Nos mandaram para todo tipo de presídios, até ilhas das quais não pudéssemos sair.Deram-nos o banho da purificação na Indonésia. Nos condenaram por séculos a permanecer nas gaiolas na Grécia. Nos mataram a porradas de cassetete na Colômbia em um 1º de maio.  Nos lançaram de uma janela no terceiro andar. Estamos com fome nas ruas da Venezuela. Nos chamaram terroristas e condenaram nossas tentativas de fuga. Prenderam-nos na Rússia e torturaram-nos para nos obrigar a dizer que somos parte de uma organização fictícia. Nos bombardeiam na Síria.

Dentro da disposição dos poderosos por nos atacar na guerra que eles têm declarado contra tudo o que é livre, querem nos paralisar, nos enquadrar nas suas regras, querem nos tornar cidadãos ordeiros e trabalhadores disciplinados agradecidos com suas migalhas. Querem que recuemos e nos digamos democratas, que neguemos o que somos e cedamos, aos poucos, nossas ânsias de viver como queremos: sem governar e sem ser governados.

Querem que percamos a disposição de afrontar seus massacres, sua devastação, sua dominação. Querem nos neutralizar de todas as maneiras, pela paralisação, pela prisão ou pela morte. Não economizam esforços por nos tirar fora do jogo. Querem, dito claramente, nos banir.
Mas, este mundo não é deles e nós vivemos na antiga e bela contradição de arriscar a liberdade lutando por ela e jamais poderão nos parar.

Somos inspiração mútua entre nós, somos rios se juntando para fazer a torrente crescer e poder ser correnteza violenta de vida e revelia.
Somos pirotecnia fugaz e imprevisível que no entanto brilha e ascende.
Somos Ilya Romanov inquebrantável guerreiro que resiste as torturas e luta. Somos Mario e Tortuga feridos e interrogados sob medicação nos mostrando o que é coragem.
Somos  Panagiotis Argyrou, Michalis Nikolopoulos, Giorgos Nikolopoulos, Haris Hatzimichelakis, Theofilos Mavropoulos, Damianos Bolano, Christos Tsakalos, Gerasimos Tsakalos, Giorgos Poludoros, Olga Okonomidou, Aggeliki Spyropoulou,  Spyros Mandylas conspirando liberdade em cada minuto e nos inspirando a gritar que nosso dia chegará!
Somos Konstantinos Giagtozglou.
Somos Kevin e Joaquín na espera do julgamento e sem perder oportunidade para bater nos tiranos e escapar da prisão.
Somos Tamara, lembrança de que a vingança é um ato de amor por nossos companheirxs e afins.
Somos as fugitivas de sempre.
Somos Mummia Abu Jamal guerreiro que sobrevive contra toda adversidade. Somos Juan, condenado pela nefasta lei antiterrorista. Somos Lisa, inimiga dos bancos.
Somos Alfredo Cospito, ousado tendo um gesto solidário e combativo, quebrando as vidraças da prisão que tentam o conter.
Somos Nicola Gai e os compas acusados pela Scripta Manent e as recentes operações repressivas em Turim.
Somos Diego e os detidos na  Argentina.
Somos Tato, com o sorriso presente.
Somos Fredy, Marcelo e Juan, inclaudicáveis sem importar os tipos de governantes.
Somos Santiago Maldonado viajando e lutando.
Somos Mauricio Morales e o Pelao Angry pelejando até a vida estalar.

Somos aquelxs que incomodam porque não damos trégua à guerra, porque agimos sem quartéis e sem comandos, porque reavivamos aos embates da destruição. Somos aquelxs que escrevemos nossa história como as sementes que brotam no meio do concreto: sem permissão e contra toda expectativa.

E quando nos perseguem e vemos nossas façanhas, nossos atos, marcar uma diferença no entorno da pretendida pacificação social, vemos que somos uma força real e incontrolável.
Somos aquelxs que quando dão um passo decidido mudam o mundo ao redor.

Vivemos numa guerra que nos foi imposta, e na qual não conseguimos nem podemos ficar indiferentes. Num contexto de guerra particular, onde a militarização nas ruas cresce e até é aplaudida pela sociedade, onde povos não civilizados ainda são exterminados, onde se se é negra, lésbica e saída da favela, ainda que jogando segundo as regras do “sistema dominador” pode ser assassinada sem disfarces nem vergonhas no meio das ruas. Nessa guerra nos lembram que se eles querem, podem matar até aqueles que usam “as armas legais” se eles fossem gritar contra a dominação, como fizeram com Anastasia Baburova nas ruas de Moscou.

Desde um contexto de guerra em que ainda se sentem os estragos dos jogos olímpicos e da copa do mundo, fazemos menção aos compas da Rússia porque nas prévias dos mega-eventos desportivos procuram castigar aqueles que por si só são um incómodo: mendigos, não brancos, não ocidentais, não civilizados, anti-sociais e claro… aquelxs que lutam, como nós, contra a diversão dos poderosos e que sempre pesa sobre as costas de todos os demais.

Se hoje na Rússia na sala de espera dos jogos prendem e torturam com choques eléctricos, ontem militarizaram e despejaram favelas e incontáveis pessoas, encarcerando todo aquele que podia incomodar seu entretenimento no Brasil: copa do mundo e jogos olímpicos. Na Grécia, no 2004, os supra gastos foram a ante-sala para a “crise” econômica e os consequentes protestos. No México em 1968, se gritava “não queremos jogos olímpicos, queremos revolução” no meio de um clima de protestos, esse grito teve como resposta o conhecido massacre de Tlatelolco, dez dias antes da inauguração dos jogos olímpicos, onde um número desconhecido de pessoas foram assassinados por franco-atiradores em um protesto no centro da Cidade do México na praça de Tlatelolco.

Penduramos uma faixa – em um viaduto de um movimentado vai e vem urbano – na qual uivamos anarquia para esta gente e para todxs compas anarquistas.
Tomar um tempo no meio dessa guerra para construir um gesto de afeto para os que lutam e afrontam tormentas sem medo dos ventos e relâmpagos, é parte de nosso feroz rechaço à uma vida esvaziada de decisões. Com cada vegetação, com cada terra de neves, de florestas ou montanhas fazemos possíveis encontros indecifráveis de liberdade. Porque para nós é abraço cálido, é força no coração receber os acenos por estas vias, nos permitem nos sentir juntos, nos seguir inspirando uns aos outros, nos sentir vivos. Daí que queremos que este aceno, “simples mas, acreditamos, importante” ecoe nos corações de nossos afins, que provoque neles um sorriso por saber que nós vivendo no meio da guerra diária nos demos um tempo na batalha para fazer algo pensando só em nossos irmãos e irmãs, companheirxs, cúmplices, queremos chegar até elxs.

Passeamos pelas ruas, visitamos pessoas de ideias próximas e sabemos que a quantidade de gestos que acontecem por vários lugares: Ações, adesivos, cartazes, faixas, atividades, pixações e troca de ideias acontecem espontaneamente sem ser comunicadas nem compartilhadas na grande rede. Assim, os gestos de solidariedade são insondáveis. Porém, chamamos a compartilhar esse mundo insondável, cientes do sorriso que nos provoca saber que lá estamos uns pelos outros contra toda probabilidade e com absoluta decisão por lutar pela liberdade.

Com o grito de viva a anarquia e o abraço cúmplice.
Anarquistas.

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Hamburgo: Vidros estilhaçados e ácido butírico no Eurocommand

18 de Fevereiro de 2018

Vocês roubam-nos o ar para agir, nós roubamos-lhes o ar para respirar!

Na noite de 17 para 18 de Fevereiro de 2018, quebramos as janelas e atiramos o ácido butírico nas instalações do Eurocommand s.r.l., Gärtnerstraße 92b em 25469 Halstenbek.

A ser utilizada plenamente e ao máximo a partir das Cimeiras da OSCE e do G20, um novo software de vigilância operacional em tempo real é a aposta da polícia de Hamburgo. O acordo foi concedido à empresa Eurocommand com o seu software CommandX. Assim, 696 polícias tiveram 368 horas de treino operacional para o uso do sistema de gerenciamento de força e a ilustração da situação real. Os bombeiros e o centro de comando de resgate também foram equipados com o CommandX. A conexão com os bancos de dados nos carros e com os sistemas de controle operacional garante uma troca de dados de amplitude preocupante.

Durante o G20, todos os dados geográficos convergiram para Alsterdorf, num grande painel de vídeo, onde foram apresentados como um mapa do estado atual. Em tempo real, imagens aéreas de helicópteros e vídeos do Bodycam ou vigilância de rua também estavam disponíveis.
Nesta base, durante a cimeira poderiam coordenar imediatamente as unidades operacionais. Que na maioria dos casos chegou tarde demais. Segundo as informações do Senado, o software CommandX teria fornecido bons resultados: “Sem défice comprovado”.

É de salientar que até mesmo representantes da proteção do estado, da polícia federal e do exército teriam estado diante das telas do centro operacional.
Não está provado que os tão utilizados drones também foram usados ​​e equipados com câmaras de vídeo Eurocommand, durante o G20. Pelo menos, o CommandX é certamente capaz de incorporar essas informações.

O Eurocommand não se declarou como objetivo de alvo de ataque apenas para comercialização de seu sistema de vigilância CommandX: Sascha Pomp é o diretor do Eurocommand. Sua maneira de pensar é muito clara após as suas bem conhecidas considerações sobre aquelxs que protestaram contra o G20, que ele chamou de “doente e asocial” e “um cavalheiro que não merece qualquer respeito ou piedade”. Outras vezes fica irritado com o seu próprio delírio violento: “Mas é simples: fechar a ala direita e deixar terroristas num clube para uma troca íntima de opinião e esperar …” Como AfD, no twitter, comentou sobre as ações da polícia e conseguiu e solicitou a notícia da bófia durante os dias da cimeira.

O nosso ataque é um ataque contra aqueles que querem monitorizar e controlar, tal como o é contra aqueles que fornecem as habilidades para isso.

Foda-se o Eurocommand!

Comando-X

Fonte: Indymedia

em italiano

Avis de tempêtes #3 – jornal anarquista para a guerra social acaba de sair

https://pt-contrainfo.espiv.net/files/2018/04/Avisdetempetes3.pdf

Clica na imagem para descarregar o pdf (francês)

O GRANDE DESAFIO

Para ler, imprimir e difundir este pequeno jornal à sua volta (em formato A5 e são 20 páginas), pode encontrar cada novo número a cada 15 dias, assim como os anteriores, no blog:

avisdetempetes.noblogs.org

“Nada parece escapar à reprodução social, nada parece ser capaz de se opôr ao eterno retorno ao mais mortal dos hábitos: o poder. As greves selvagens que param após a concessão de algumas migalhas, os protestos populares a que só falta a satisfação de sua reivindicação serena para se tornar consenso de massas, a abstenção política que se precipita nas urnas ao apelo de novxs políticxs, revoluções sociais triunfantes quando recebem uma mudança de custódia … “Foi  preciso a rotina contrair dentes longos para nós aparecermos por aí!” costumava dizer um velho surrealista.

em francês

[Madrid] Projeção do documentário “Montagem: Caso Bombas” no Local Anarquista Motín – 3 de Abril

Terça-feira, 3 de Abril, às 19h30, como sempre na primeira terça-feira de cada mês: PROJEÇÃO

Desta vez vamos projetar o documentário “Montagem: Caso Bombas” com pipocas e jantar.

Muitos estados e governos, amparados na impunidade concedida pelo exercício do poder, recorreram às montagens como arma política para desacreditar, invalidar e aprisionar os seus detratores. Mas o que é uma montagem política e policial? Como é feita? Quem as faz? Estas questões são abordadas neste documentário, desenvolvido coletivamente pelo Canal Barrial 3 do Bairro Yungay, tendo como pano de fundo e principal referência a montagem denominada “Caso Bombas”, articulada contra o mundo anarquista e as casas okupadas no Chile da “transição para a democracia”.

Como vir cá ter?

Calle Matilde Hernández, 47 <M> Oporto o Vista Alegre, Madrid (Espanha)

localanarquistamotin

em espanhol

Hamburgo, Alemanha: Peike em liberdade já!

Sessão de apelação 8

Terça-feira, 3 de Abril de 2018 9:00-17:00 (café às 8:00)

Amtsgericht Mitte (Sievekingplatz 3, Hamburgo)

Oitavo dia de julgamento de recurso – Peike gostaria que tantos companheiros quanto possível estivessem presentes no tribunal para o apoiar.

Próximas:

Sessão 9: quinta-feira, 5 de Abril de 2018 9:00-17:00

Sessão 10: quinta-feira, 19 de Abril de 2018 9:00-12:00

Sessão 11: quarta-feira, 25 de Abril, a partir das 6h00

Sessão 12: quinta-feira 26 de Abril, 9:00-16:00

Lute contra o estado policial alemão!

Mais informações em: freepeike.noblogs.org/

em inglês  l alemão

Madrid, Espanha: Sai a publicação anarquista “Infâmia”

Na época da Antiga Roma, a infâmia era a degradação da honra civil. O afetado por ela deve ter levado a cabo um ato desonroso ou vil para acto contínuo ser desacreditado por um censor, que lhe outorgava a categoria de infame. Dessa forma o afetado não podia aceder a cargos públicos ou votar nas eleições, o que limitava as suas faculdades sociais e jurídicas.

A lei romana reconhecida dois tipos de infâmia de acordo com as suas causas. A infâmia iurs é uma consequência de uma fraude ou alguma ação dolosa. A infâmia facti era decretada quando a pessoa desenvolvia um ato contrário à ordem pública, moral ou de bons costumes.

É com este tipo de infâmia que nos sentimos identificadxs, aquela que orgulhosamente reivindicamos, pois que tarefa, ação ou estratégia claramente anarquista não se enquadra na definição de “um ato contrário à ordem pública, à moral ou aos bons costumes”?

Se a sua ordem pública se baseia no exercício de uma violência (explícita e simbólica) para nos forçar a agir contra os nossos interesses e a favor dos benefícios dos assassinos e exploradores, rebelamos-nos contra ela e declaramos-nos infames. Se a sua moral a única coisa que defende é a propriedade privada (o conceito sob o qual a pilhagem da vasta maioria dxs despojadxs e oprimidxs é realizada através da acumulação dos meios de subsistência em algumas poucas mãos privilegiadas), rebelamos-nos contra isso e declaramos-nos infames. Se os seus bons costumes nos amarram à hierarquia social, convertendo-nos em seres humanos de segunda classe, rebelamos-nos contra ela e declaramos-nos infames.

Por isso nasce esta publicação. Para estender a chama da infâmia e da desobediência. Para lutar pela anarquia.

Para ler mais e descarregar clica aqui.

em espanhol

Chile: Cartazes em memória das companheiras Norma Vergara e Claudia López

Como gesto mínimo em sua memória, imprimimos cartazes em recordação das companheiras Norma Vergara e Claudia López

OS ANOS PASSAM E XS NOSSXS MORTOS EM GUERRA CONTINUAM A ACOMPANHAR-NOS

Norma Vergara é assassinada pelas balas da DIPOLCAR a 26 de Março de 1993. Tinha decidido combatrr os aparelhos repressivos do Estado e lutava na clandestinidade nas Forças Rebeldes e Populares Lautaro. Claudia López, ao lutar encapuçada, na povoação La Pincoya, é assassinada pelas balas policiais a 11 de Setembro de 1998.

Ambas foram assassinadas pelos defensores da autoridade, ainda que em diferentes dinâmicas de confrontação, ambas elegeram o confronto, romper com os seus contextos e os papéis secundários impostos socialmente às mulheres. Recordamos as companheiras, resgatando a sua decisão de combater, num confronto sem trégua contra o Estado, seus guardiões e seus falsos críticos.

Irmanamos-nos com esta vontade de guerra, que rompe moldes, estereótipos, que combate o apelo à resignação, que participa e gera acções contra a autoridade, o seu fogo não se apaga…

…em Março, passados 25 anos da morte de Norma Vergara…
…em Setembro passados 20 anos da morte de Claudia López…

SOB MÚLTIPLAS FORMAS, COMBATENDO O PODER,
TODXS PARA AS RUAS!!!

em espanhol

Santiago, Chile: Agitação nas ruas por Norma, Jhonny, Lambros, Javier e um 29 de Março combativo

A 20 de Março, saímos às ruas para realizar uma ação de informação (colocando cartazes) pelxs nossxs companheirxs que faleceram em diversas circunstâncias no Chile e Grécia, antecedendo um novo 29 de Março, Dia do Jovem Combatente:

– Norma Vergara, guerrilheira urbana falecida a 26/03/1993. Assassinada pela DIPOLCAR. Está presente na luta contra o capital e o estado.

– Jhonny Cariqueo, jovem rebelde e anárquico falecido a 31/03/2008. Assassinado pela bófia da 26ª esquadra da polícia de Pudahuel. Nem esquecido nem perdoado.

– Lambros Foundas, guerrilheiro urbano grego falecido a 10/03/2010. Morto durante um tiroteio com a bófia. Está presente na luta revolucionária.

– Javier Recabarren, joven rebelde e anárquico falecido a 18/03/2015. Está presente na luta contra o capital e o estado.

– 29 de Março, Dia do Jovem Combatente, todas e todos para as ruas, a propagar a memória, a resistência e a subversão. Às barricadas!

Santiago, Chile: Panfletos em memória do companheiro anarquista Javier Recabarren

Uma vida curta em revolta vale muito mais do que cem anos de submissão. Javier Recabarren presente!

 18/03/2018. Pegamos neste pequeno panfleto, em memória do companheiro Javier, começamos a lançá-lo pelos ares nas ruas da podre cidade de Santiago. Um gesto mínimo de memória pela sua revoltosa vida, da qual somos afins.

* * *
Javier Recabarren, rebelde anarquista de 11 anos de idade, falece ao ser atropelado por um autocarro da locomoção coletiva em Santiago de Chile a 18/03/2015.

Nós, seus/as companheirxs, continuaremos a segui-lo, recordando-o nas lutas cotidianas pela libertação total – libertação animal, humana e da terra. Em cada encapuçadx, em cada barricada incendiária, em cada ataque à polícia, em suma em qualquer transbordo anticapitalista, estará presente.

Javier Recabarren Presente!
Juventude Combatente, Insurreição Permanente!

em espanhol