Contato

Para contribuir com traduções, edições-correções e/ou materiais originais para publicação tais como atualizações a partir das ruas, reportagens de ações, comunicados de reivindicação, textos dxs companheirxs presxs ou perseguidxs, chamadas, brochuras, artigos de opinião, etc.: contrainfo(at)espiv.net

Contra Info: Rede tradutora de contra-informação

Contra Info é uma rede internacional de contra-informação e tradução, uma infraestrutura mantida por anarquistas, anti-autoritárixs e libertárixs ativxs em diferentes partes do mundo. Ler mais »

[Itália] Furor Manet

FUROR MANET
Setembro 2016, a Operação Scripta Manent, dirigida pelo procurador do Ministério Público de Turin Sparagna, leva à detenção de 8, entre companheiros e companheiras.

A principal acusação é a constituição de uma associação subversiva com fins terroristas. Junto com isso, a imputação inclui vários outros ataques, todos assinados pela FAI (Federação Anarquista Informal) e FAI / FRI (Federação Anarquista Informal / Frente Revolucionária Internacional). Até hoje, cinco companheiros e uma companheira permanecem na prisão, outra em prisão domiciliária, enquanto no bunker de Turim o julgamento segue a bom ritmo. Dezenas de polícias de múltiplas cidades vão alternando no cenário do tribunal, na presunção de reconstruir a história do movimento anarquista contemporâneo. O começo está sinalizado, como já vimos inúmeras vezes, na época do julgamento de Marini, durante os anos 90. Desde então, o aprofundamento obsessivo e incessante das nossas vidas leva os espiões profissionais a enumerar e distorcer até os detalhes mais ínfimos, até os mais insignificantes ou íntimos do dia a dia, das nossas vidas e relacionamentos. Uma representação patética, mecânica e determinista que nos deixa indiferentes.

É nas diferenças individuais e nos confrontos ásperos e por vezes carregados de tensões contrastantes que reside a história do movimento anarquista – a história de cada um ou uma de nós, com limites e contradições. A esta história pertencem as práticas revolucionárias, algumas das quais estão no banco dos réus em Turim.

Em tempos como este, mais do que nunca, apoiar métodos revolucionários significa lutar contra a repressão do Estado, cujo objetivo é sepultar os/as nossos/as companheiros/as debaixo de anos de prisão e aniquilar a história do movimento anarquista.

Nem um passo atrás, pela Anarquia.
Cassa antirep. Alpi Occidentali

[convite] Feira Anarquista do Livro de Lisboa, nos dias 26, 27 e 28 de outubro

Dado que as mudanças climáticas nos trouxeram o verão mais frio dos últimos trinta anos, dada a nossa constante e orgânica exigência de nos incendiarmos de paixão e de nos aquecermos com a rebeldia das nossas lutas diárias, vamos acender a nossa chama neste outono! E assim regressa a Feira Anarquista do Livro de Lisboa, nos dias 26, 27 e 28 de outubro, e novamente nos belos bosques da Penha de França. Se quiseres participar com a tua editora/distribuidora/espaço de informação ou simplesmente vir espalhar umas palavras de subversão impressas em papel, escreve-nos para feiranarquistadolivro@riseup.net
Até já!

em inglês l alemão

Montevideu, Uruguai: Convite para a 7ª Feira do Livro Anarquista

7ª Feira do Livro Anarquista em Montevideu. Proximamente, em Setembro. Centro Social “Cordon Norte”, J. Requena 1758 FERIAANARQUISTAMVD.WORDPRESS.COM

A partir de Montevideu-Uruguai, convidamos todxs xs interessadxs a participarem na Sétima Feira do Livro Anarquista.

A máquina do capitalismo continua a sua colonização em cada esfera das nossas vidas, mercantilizando as relações e arrasando o eco-sistema. A civilização mantém-se enquadrada na sua rotina de produção e consumo – enquanto o desenvolvimento vai tornando os dispositivos de vigilância e repressão cada vez mais sofisticados – mantendo-se a mira sobre todxs xs que quebrem os códigos impostos e alterem a normalidade.

Vive-se tempos de sobre-informação, onde os meios de comunicação são cada vez mais eficientes na tarefa de formar verdades absolutas, construídas mediante relatos que propiciam o medo e a submissão dos que fazem o jogo ao domínio estatal. Aumenta a cegueira montada pelo show mediático do espectáculo, gerando um foco de atenção manipulado e aparado ao gosto dos poderosos. Isto assegura ainda mais dependência e adoração a instituições punitivas e repressivas, bem como se favorecem os antigos mecanismos do tipo militar e a “mão dura”, que são outro sintoma de decomposição social.

O planeta encontra-se na etapa do colapso ambiental, fruto dos métodos produtivos capitalistas que avassalam o meio envolvente, provocando nele uma sistemática decadência cuja consequência é o assassinato e empobrecimento da vida.

Enquanto a democracia oferece uma política tranquilizadora baseada no diálogo e na mediação, os governos da direita ou da esquerda oferecem diferentes formas de administrar a mesma miséria, deixando à rédea solta as macro-empresas exploradoras e as multinacionais. As soluções reformistas emanam de todo o lado e por toda a parte como comprimidos adormecedores, dando lugar ao rearranjo dum sistema que perpetua a sua hegemonia e trata de conseguir uma cobertura mais benevolente e aceitável.

Enquanto anarquistas e anti-autoritárixs, a nossa posição deve manter-se firme e sustentada. Se se deseja que sejamos protagonistas – gestantes da mudança debemos combsocial, encaminhando-nos para um mundo de solidariedade recíproca – onde cada individualidade conviva com o resto em total liberdade, deve-se então combater o monstro capitalista em todas as suas facetas e variantes. O confronto é inevitável  – sempre que mantenhamos intacta a convicção de transformação – mas devemos pensar estrategicamente. Traçar um imaginário prático revolucionário no presente é um desafio necessário e vital – visto que assumir a responsabilidade perante um mundo que se desarma aos bocados requer um compromisso incorruptível, onde não funcionam as meias tintas. Por isso convocamos à sétima feira do livro anarquista, para levar a cabo instâncias de reflexão e diálogo que alimentem a nossa capacidade de incidência no presente – já que agora é quando temos mais de nos exercitar para desenvolver uma força criadora que abra caminho a outra forma de vida.

Temos que repensar as formas dinâmicas de nos defendermos dos poderosos e dos seus fantoches, dos responsáveis da devastação. Já é hora de se ampliar e propagar a prática transformadora como potência de uma vida em liberdade – contraposta aos interesses dos políticos e empresários que procuram a nossa aprovação conformista.  A passividade instalada tem de ser substituída por uma atitude vivaz e rebelde, que contagie ao desejo de mudança, que infunda ânimo à reafirmação sobre as bases da auto-organização horizontal, enquanto modelo generalizado. Ainda temos muito que pensar e projetar nesta direção, porque baixar a guarda e a resignação não é nenhuma opção para xs amantes da liberdade.

em espanhol

Porto Alegre, Brasil: Por Santiago Maldonado, nossas ações e corações!

recebido a 07.08.18

Por Santiago Maldonado, nossas ações e corações!
Quem morre lutando vive em cada companheirx!

Santiago Maldonado, companheiro anarquista, foi desaparecido em 1 de agosto de 2017. Se encontrava na comunidade Mapuche Pu Lof, em Chubut, no sul da Argentina quando tropas repressivas foram mandadas até a comunidade para desalojar os Mapuche que tinham retomado seu território ancestral, “propriedade” do empresário Luciano Benetton. O Estado argentino escondeu Santiago durante mais de 6 meses até que seu corpo foi “achado” no rio Chubut em outubro.

Seu assassinato não foi um “acidente” nem um “abuso policial”! Seu assassinato foi ordenado pelo Estado Argentino que defendia à empresa Benetton e isso é o claro exemplo do corporativismo estatal-empresarial no qual nossas vidas sempre valerão muito menos que seus benefícios. Mas, os poderosos erraram e xs anarquistas de todas as terras se revoltaram indignados e insurretos!

A um ano da sua morte em combate, não pedimos “justiça”, nem “reparação” pelo seu assassinato. Se assim fosse, estaríamos validando o trabalho dos seus carrascos. Somos anarquistas e não demandamos nada. Não há justiça possível que venha dos nossos inimigos, dos mesmos que nos matam. Estaremos satisfeitos quando a dominação e o poder se derrubem e suas ruinas afoguem os que os perpetuam… e isso, está nas nossas mãos, não nas de terceiros…

Por Santiago, pela terra e pela liberdade, façamos da sua memória um chamado eterno a lutar!

Para imprimir, em pdf, clica aqui

[Prisões chilenas] Comunicado do compa Juan Aliste Vega a partir do Hospital Prisional

Através dos trâmites desenvolvidos e da insistência com que têm vindo a ser feitos há já 4 meses, dentro e fora dos limites físicos da prisão, conseguiu-se por fim a minha transferência do Prisão de Alta Segurança para o Hospital Prisional, a 19 de Julho, de modo a que me pudessem fazer um electrocardiograma e vários exames com rigor.

No dia seguinte, 20 de Julho, de manhã, fui novamente transferido até ao INCA, Instituto de Neurocirurgia, no meio de um considerável operativo prisional/policial, para que por fim me fosse feita uma angiografia – exame esse com que se pretende obter uma imagem mais detalhada da área cerebral onde mantenho a malformação cerebral produzida pelas agressões sofridas anteriormente. Vale a pena assinalar que este exame é uma peça chave e imprescindível para a extração cirúrgica iminente a que devo submeter-me. No final o exame realizou-se sem problema algum, através de um correcto e digno trato por parte da equipa médica em questão.

Uma vez concluído aquele procedimento, fui transferido de ambulância até ao hospital prisional, donde me terão de dar alta para voltar ao CAS nas próximas horas. Os procedimentos médicos só pretendem aclarar e dar conta da minha situação atual. São vários os passos que lhes deveriam dar continuidade, tanto ou mais complexos que estes, até que se realize a operação cerebral qualificada como urgente desde Março – apesar de todos os entraves e obstáculos que envolvem ser um refém do Estado, estar sob a custódia da mais férrea polícia do território – possuidores de uma lógica de vingança e  crueldade, além de submergidos no repulsivo tecido burocrático.

Estas palavras, longe de qualquer sentimento de vítima ou de lástima, encontram-se caregadas de vitalidade revolucionária, insurreta e subversiva. É no contexto do constante exercício da solidariedade revolucionária, levada a cabo há já alguns anos pelxs prisioneirxs subversivxs, que se torna imprescindível comunicar os recentes passos dados nesta nova batalha. Não foi a primeira e sem dúvida não será a última vez que como reféns do Estado a devamos enfrentar.

Pretendia aproveitar esta comunicação para abraçar as diversas iniciativas que foram erguidas em Santiago, Concepción, Valdivia, Temuco e noutros territórios tal como aqueles gestos internacionalistas que sabem cruzar fronteiras na Argentina, Uruguai, Brasil e Espanha…Gestos e atividades – a partir das quais se pratica uma solidariedade que constrói e reforça as nossas redes subversivas – o mais vital dos oxigénios, para percorrer caminhos até à libertação total a partir do confinamento.

Aqui continuamos firmes, sem vacilar, orgulhosos de poder contar com esta formosa cumplicidade rebelde que percorre territórios, expande-se, multiplica-se e permite enfrentar tudo o que apareça.

Enquanto existir miséria…Haverá rebelião!

Juan Aliste Vega
Prisioneiro Subversivo
Hospital Prisional

Julho 2018.

espanhol

[Dalgum lugar] “A paz é a desmemória e esquecimento – À memória de Mauricio Morales Duarte” pelo compa Gustavo Rodríguez


A paz é a desmemória e esquecimento
– À memória de Mauricio Morales Duarte

“O culto dos mortos nada mais é do que desprezo à verdadeira dor. […] Esta última também deve desaparecer, as pessoas devem reagir com firmeza perante a fatalidade da morte. Devemos lutar contra o sofrimento em vez de o exibir, de o passear em procissões grotescas e falsas comemorações […] Há que deitar abaixo as pirâmides, as sepulturas, as tumbas; Há que passar o arado pelos muros do cemitério para livrar a humanidade do que chamamos respeito pelos mortos, do que é o culto aos cadáveres”.
Albert Libertad

Este é o terceiro texto que escrevo em sua memória, ao longo destes nove anos de ausência; no entanto, a dor não desaparece. Não foi capaz de desaparecer apesar do tempo decorrido, tal como eu não fui capaz de dissipar a dor pelo desaparecimento físico do meu querido Urubu, do meu estimado Rafa (Daniel Barret), do meu irmão Canek e de tantos outros que partiram mas que vivem na nossa memória negra. E não é que queira mostrar a dor nem a recriar em comemorações de luto: os anarquistas não rendemos culto aos cadáveres. Simplesmente encontro-me incapaz de o superar. E eu não pude – nem quero – superar esse sentimento porque sempre o transformei em fúria. Não pretendo fazer o menor esforço para os esquecer porque a memória, companheirxs, é a nossa mais potente arma.

Nem todos os que nomeei morreram em combate mas tampouco nada há a enaltecer no facto de se cair em combate. Nós não temos mártires. Não acreditamos no sacrifício e na imolação. Isso deixamos para os cristãos, muçulmanos, nacionalistas, bolcheviques. A nós, a única coisa que nos motiva é a liberdade sem restrições e a paixão pela vida, por isso lutamos pela Libertação Total. É por isso que a nossa guerra é contra a domesticação e a dominação. Contra todo o Poder, contra toda a Autoridade, contra todo o existente.

A partir do momento em que nos assumimos como anarquistas sem culpabilidade alguma, implicitamente assumimos a ilegalidade na nossa ação, aceitando as consequências da guerra anárquica. Sabemos, de antemão, o que se nos depara: a repressão sob todas as suas facetas, deportação, prisão, morte. Esses são os riscos consequentes com a nossa praxis, riscos que todxs os que elegeram a luta contra toda a Autoridade assumiram. Mas não por um mundo melhor nem por uma luminosa sociedade futura, nem em nome de uma classe ou causa, nem sequer esperançados na concretização da cada vez mais inacessível Revolução Social; também não é por um preço a pagar, antes sim por um peso a tirar. Faz-lo pelo prazer que produz dar rédea solta a todas as paixões, pelo gozo de viver intensamente, confrontando dia a dia a morte em vida que o sistema de dominação nos impõe, pela satisfação de se ser anarquista até às últimas consequências, pelo deleite de dar impulso aos empenhos de destruição do levante anárquico.

Na noite de 22 de Maio de 2009 o nosso querido Mauri não decidiu se imolar em nome de nenhuma causa, nem concluiu que tinha chegado a hora para se sacrificar por um amanhã melhor. Naquela noite fatídica, Mauri acomodou na sua mochila a bomba artesanal – com a qual daria um novo golpe no poder. Seria um novo ataque – não o primeiro nem o último – desta vez contra a Escola de Gendarmeria de Santiago e faria isso com alegria, com aquele espírito lúdico que o caracterizou, assumindo os perigos da guerra anárquica tal como todos nós fazemos a partir do conflito diário. Mas quem ama a vida aborrece o seu opressor, detesta com furor a quem causa a morte e confronta-o em todas as latitudes.

Naquele 22 de Maio, Mauri saiu para iluminar a noite de Santiago, procurando dar vida à Anarquia, com a paixão que guiava seus passos, propagando a energia negativa da fúria anárquica, senhor absoluto de sua vida em plena liberdade. Naquela noite, a morte de nós o arrebatou, deixando as Fúrias presas nos nossos corações. Levou-o sem pedir permissão, tal como havia roubado vinte e dois dias antes a companheira Zoé Aveilla, enquanto esta instalava uma bomba ao alvorecer do dia 1º de Maio, tal como nos poderia ter arrebatado a cada um de nós, sem por isso desistir de jogar o jogo uma vez mais.

Hoje, as Fúrias continuam a nos incitar para não parar de lutar até que a raiva seja libertada, criando uma potência no eu que é ao mesmo tempo o seu próprio significado. Como na mitologia grega, as Fúrias nos exortam a combater e a não esquecer os caídos. Heráclito nos lembra que “Mesmo que o próprio Sol tentasse abandonar o seu curso, as Fúrias encontrá-lo-iam “. É por isso que o arqué da anarquia – ontem, hoje, amanhã e sempre – é a guerra contra toda a Autoridade.

Nos nossos dias, a melhor homenagem ou comemoração a Mauri é recarregar centenas de milhares de extintores, realizar incontáveis expropriações, facilitar múltiplas fugas, confrontar com unhas e dentes esta morte em vida que nos impõem. A paz é a desmemória  e o esquecimento: demos ânimo à criatividade destruidora, ampliemos a guerra anárquica a todos os confins da Terra, procuremos dar vida â Anarquia.

Pela Internacional Negra!

Gustavo Rodríguez,
Planeta Terra, 20 de Maio 2018.

em espanhol

Santiago, Chile: 1º Comunicado público da “Rede Anti-Prisional Solidária com Juan e Marcelo”

A “R.A.S” foi apresentada no decorrer da atividade “Rap Solidário” a 14/07/2018.

O que é a prisão?

Prisão é uma estrutura material através da qual se pretendem inibir os atos de qualquer pessoa que transgrida as condutas impostas pelo Estado. Assim, o castigo, a imposição e disciplina socialmente aceite constituem o regime em que xs cativxs têm que viver, procurando-se dessa forma anular as suas ações, ideias e convições. Estes atos podem constituir delitos e, tal como os que desafiam a ordem, serem de ordem política revolucionária é com estes que de novo tomamos posição – seja apoiando ou solidarizando-nos com aquelxs companheirxs que hoje se encontram presxs por terem levado para a frente ações subversivas em prole de uma ideia política de libertação. A entrega destxs companheirxs faz com que queiramos apoiá-lxs de forma real, concretamente porque são nossxs afins.

Nós, companheirxs autónomxs e anarquistas temos vindo a realizar iniciativas e projetos libertários, há já há algum tempo – partindo de diferentes espaços e contextos – procurando com isso gerar um corte com a ordem, as normas e tudo o que pretenda impor o Capital e o Estado. É sob este prisma que diversas pessoas convergiram, presentemente, para de forma coletiva levantarem a “Rede Anti-prisional Solidária com Juan e Marcelo”.

Quem são Juan e Marcelo?

Juan Aliste Vega e Marcelo Villarroel Sepúlveda são prisioneiros subversivos, bautónomos e libertários que atualmente se encontram na prisão de alta segurança de Santiago, Chile, a partir de Julho de 2010 (Juan) e desde Dezembro de 2009 (Marcelo).

É desde muito jovens que estes companheiros têm participado em casos de luta revolucionária – primeiro em plena ditadura militar e posteriormente a ela também – desenvolvendo práticas ofensivas contra o Capital e o Estado. Ataques que foram tanto a estruturas materiais como a sujeitos que formavam parte do aparelho estatal. A época exigia posicionamentos e determinação, assim o entenderam eles, procurando alcançar isso através do ingresso no Mapu-Lautaro, um dos diversos grupos político-militares que existiram nesse período.

O seu desafio à ordem estabelecida levou-os a serem presos em 1991 e 1992, respectivamente. A prisão foi uma circunstância – nem desejada nem procurada pela opção de vida que escolheram – tal como disse um deles numa antiga entrevista; durante mais de uma década tiveram de viver a enfrentar o confinamento, a repressão do carcereiro e as lógicas próprias daquela instituição lúgubre.

De novo em liberdade e, em anos seguintes, uma nova situação causa impacto na opinião pública, polícia, política estatal e Estado. 18 de Outubro de 2007. Um assalto bancário, em pleno centro da capital de Santiago, a entidade é um Banco Security. Os assaltantes conseguem o dinheiro, fogem em diferentes direções, dois deles dão de caras com dois motoristas da polícia, há troca de disparos e um é abatido, é o policía Luís Moyano. O ter defendido os interesses do Capital lhe custou um grande preço, a morte.

Assim se desenrolaram os factos e a caçada iria ser desencadeada: Juan, Marcelo, Carlos Gutiérrez Quiduleo* e Freddy Fuentevilla Saa** são expostos na televisão e sinalizados como os assaltantes e assassinos do polícia. Os companheiros decidem passar à clandestinidade, quebrando um deles um benefício intra-penitenciário ao qual tinha acedido em 2003***.

A 15 de Março de 2008, Marcelo e Freddy são detidos em San Martin de los Andes, território argentino. Acusados de posse ilegal de armas de guerra, foram condenados depois a 3 anos e 6 meses. Ao atingirem metade da sentença, em 16 de Dezembro de 2009, são expulsos para o Chile e levados para a prisão de alta segurança. Juan, por seu lado, é detido a 10 de Julho de 2010 no terminal de autocarros de Retiro, Buenos Aires, território argentino. E ele é imediatamente expulso para o nosso país e levado também para a prisão de alta segurança.

Em Santiago do Chile – após 4 anos de longa prisão preventiva em Julho de 2014 – realizou-se o julgamento que os condenou, respetivamente, a 42 anos (Juan), 14 anos (Marcelo), 15 anos (Freddy) de prisão. No decorrer do processo chamado “Caso Security” e /ou “Caso Moyano”.

Entretanto mais de uma década se passou desde aqueles acontecimentos no centro da capital de Santiago – tal como o que tudo o que tiveram eles de afrontar depois, assim como o assédio às suas famílias e círculos próximos. A clandestinidade, os espancamentos, as detenções, as difamações, a exposição à opinião pública, a prisão, as transferências para diversas unidades, as condenações. Todo um processo acompanhado também pela mão solidária de companheirxs anónimxs, grupos, coletivos, organizações políticas, através de apoio material e simbólico – onde se desenrolaram diversas atividades, apontamentos de imprensa, fóruns, palestras, espetáculos musicais, concentrações, agitação nas ruas por meio de propaganda, cartazes, publicações, difusão on-line  e, de maneira ilegal, uma ampla multiformidade de ações subversivas no Chile e diversos outros lugares do mundo.

O que é que iremos desenvolver, enquanto “Rede Solidária”?

Apoio e solidariedade (numa de suas múltiplas formas) é o que desejamos desenvolver e projectar – entendido de forma prática, que serão públicos e sistemáticos – o essencial para nós será agitar e difundir a situação dos companheiros mencionados, através de cartazes, propaganda e atividades, gestos concretos que visam “construir uma ponte” a partir da prisão, entre eles e aqueles que se encontram “fora dos muros”.

Este tipo de instâncias abertas – ocupando as ruas, espaços diversos, meios electrónicos, associando -nos com outros grupos e individualidades, etc – são importantes, pois permitem dar a conhecer a situação dos companheiros, as suas ideias e práticas políticas, que existem e resistem apesar de muitas adversidades. Outro fator importante é que permite que mais pessoas indaguem e se interessem por estas perspetivas anti-prisionais – uma luta mais entre tantas outras contra o Capital e o Estado. Pretendemos agitar e difundir para criar e juntar, para potenciar a teoria e a prática, porque quando existe na consciência uma ideia radical claramente algo tem de ser feito.

PERANTE A INDIFERENÇA MASSIVA: RESISTÊNCIA ANTI-PRISIONAL ATIVA!
LIBERDADE PARA JUAN, MARCELO E TODXS XS PRESXS DA GUERRA SOCIAL!
ENQUANTO EXISTA MISÉRIA HAVERÁ REBELIÃO!

Rede Anti-Prisional Solidária com Juan e Marcelo.
rsanticarcelaria@riseup.net
Julho de 2018
Santiago de Chile

Notas:
* Carlos Gutiérrez Quiduleo, Weychafe [Lutador em idioma Mapuche] Libertário. A história subversiva do companheiro remonta aos anos 80, quando fazia parte da guerrilha urbana do Movimento Juvenil Lautaro (MJL). Foi detido em Janeiro de 1995, acusado de Associação Terrorista Ilícita, sendo libertado sob fiança em Outubro de 1998.  A seguir foi preso em meados de 2003, acusado de assaltar um Banco Santander em Ñuñoa, Santiago. Foi libertado sob fiança em meados de 2005 sendo sentenciado à prisão em 2006, para essa causa, em 5 anos e 1 dia. Mais tarde é acusado de participar no assalto ao Banco Security em Santiago Centro. Foi preso em 28 de Novembro de 2013 em Angol, na região de La Araucanía pela equipa do PDI, após 6 anos de clandestinidade, sendo rapidamente transferido para a seção de segurança máxima dentro da prisão de alta segurança em Santiago. Conseguiu sair da prisão em 10/09/2015.

** Freddy Fuentevilla Saa (Subversivo Autónomo). A história subversiva do companheiro remonta aos anos 90, quando fazia parte da guerrilha urbana do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR).
Depois de ser sinalizado como participante no assalto ao Banco Security no centro de Santiago, passa à clandestinidade, é preso em território argentino, depois expulso para o Chile e condenado (fatos descritos no texto).  Conseguiu sair da prisão em 18/06/2018.

*** Marcelo Villarroel Sepúlveda (Libertário Subversivo). É o companheiro que quebra o benefício intra-penitenciário  ao qual acedeu em 28 de Dezembro de 2003. A sentença que caiu sobre ele é até 26 de Fevereiro de 2056.
Fazendo um breve resumo das sentenças podemos discriminá-las da seguinte forma: Associação Terrorista Ilícita, 10 anos e 1 dia pela sua participação na guerrilha urbana Mapu-Lautaro. Danos a veículos fiscais com ferimentos graves aos carabineiros, 3 anos e 541 dias, por ataques armados a viaturas policiais nas comunas de Cerro Navia e Conchalí. Co-autor de homicídio qualificado terrorista, 15 anos e 1 dia, para o confronto armado com a escolta do intendente Luis Pareto, onde morreram 3 detetives na comuna de Las Condes. Roubo com intimidação (lei 18.314), 10 anos e 1 dia, para expropriação de um banco do Estado e a um camião de frangos, que foram distribuídos numa cidade na comuna de Renca. Por último, um ataque explosivo contra a casa do embaixador espanhol, 8 anos e 1 dia, durante a comemoração dos 500 anos do massacre dos povos ancestrais neste território. Todas estas ações foram concretizadas em Santiago do Chile.

em espanhol

Edição especial do boletim “La Bomba” 25 [em português]

recebido a 31.07.18

{Edição Especial} Projeto Nemesis

Clica aqui para ler/imprimir (pdf)

[Brasil] 4ª edição do Solidariedade a Flor de Pele (Pelotas/RS) de 12 a 14 out.

Chamado para a 4ª edição do Solidariedade a Flor de Pele – Santiago Maldonado Presente!

recebido a 31.07.18

Nos somamos à iniciativa – em coordenação com a convenção anárquica de tatuagens e piercings “Arte y Sabotaje” na Argentina, e “Tinta Negra” no Uruguai – de homenagear a vida em combate do companheiro e tatuador Santiago Maldonado “Lechuga”, que foi assassinado pelo estado argentino em 1 de agosto de 2017, enquanto lutava junto aos Mapuches na comunidade Pu Lof, no sul do território controlado pelo estado argentino.

Escolhemos o dia 12 de outubro para o início das atividades. Há 526 anos, os primeiros barcos coloniais chegavam no continente e, com eles, uma nova ordem social, que veio a se impor sobre as pessoas que viviam nesses territórios. Foi o começo dos genocídios, da devastação da terra e da expansão do capitalismo, mas também, de muitas lutas, batalhas, de resistências e ofensivas contra a colonização, que seguem vivas até hoje em cada canto da América Latina. Um exemplo, é a luta anti-capitalista e anti-estatal que os Mapuches seguem encarando.

Em julho do ano passado, a comunidade Mapuche Pu Lof estava recuperando terras que são reconhecidas pelo estado Argentino como propriedades do empresário Benetton. Para desalojar os Mapuches, no 1 de agosto, o estado argentino mandou suas tropas repressivas e foi neste contexto que Santiago Maldonado “desapareceu”. Durante mais de 6 meses, o estado argentino escondeu seu assassinato até que seu corpo fosse supostamente “encontrado” no rio Chubut em 17 de outubro. Santiago morreu como viveu, como um anarquista, solidário, lutando pela terra, contra a propriedade e contra o capital!

As três primeiras edições do Solidariedade a Flor de Pele proporcionaram momentos de encontros, trokas de materiais e debates fokados na luta anti carcerária. Então, foram espaços importantes tanto para a difusão da situação de companheirxs anarquistas presxs e/ou perseguidxs, quanto para a difusão da kontra-kultura anarko-punk, vendo as tatuagens e piercings como ferramentas que nos possibilitam juntar fundos para apoiar axs compas encarceradxs. Seguimos agora com este mesmo impulso.

Os ventos repressivos contra a Anarquia chegaram também por aqui. Em outubro de 2017, através da operação “Erebo”, que teve na mira a biblioteca anárquica Kaos, várixs companheirxs foram perseguidxs e okupações e kasas particulares foram invadidas. No Rio de Janeiro, a partir da operação Firewall, 21 pessoas acabam de ser condenados a penas de prisão que vão de 5 a 13 anos em regime fechado, pelos protestos de rua de 2013 e 2014.

No meio deste contexto, no qual nos querem amedrontadxs, a solidariedade se torna urgente e imprescindível! Não podemos deixar que o medo nos paralise! Convidamos a todxs xs anarquistas em luta e a todxs xs interessadxs a participarem da quarta edição do Solidariedade a Flor da Pele que acontecerá em Pelotas (RS) nos dias 12, 13 e 14 de outubro!

Em breve, publicaremos a programação no nosso blog: aflordepele.noblogs.org. Qualquer contribuição, aporte ou sugestão é benvinda e podem ser enviada no email novo: aflordepele4 [arroba]riseup.net

Fogo a todas as prisões!
Que viva a Anarquia!

Às pessoas que precisariam de alojamento, lhes pedimos que nos avisem
quanto antes pelo email para organizar o espaço!

aflordapele.noblogs.org/

Indonésia: Atualização solidária em relação ao julgamento de 4 prisioneiros anarquistas em Yogyakarta

Inicia-se o julgamento de 4 companheiros anarquistas em Yogyakarta, relativo ao caso do 1º de Maio

26.07.18: O julgamento começou para os 4 prisioneiros de guerra anarquistas que foram transferidos para a Prisão Cebongan pelo caso Yogyakarta M1 (1º de Maio).

Os quatro companheiros presos são:

– Azhar M. Hasan (Azhar)
– Zikra Wahyudi (Zikra)
– Muhammad Ibrahim (Boim)
– Muhammad Edo Asrianur (Edo)

A repressão do estado contra as ações anarquistas (no 1º de Maio) está a entrar numa nova fase – tal como o julgamento preliminar a audição começa. Os 4 presos de guerra anarquistas que participaram nas manifestações junto à Uin Yogyakarta (Universidade Islâmica do Estado de Sunan Kalijaga), enfrentam uma audiência preliminar de julgamento no Tribunal Distrital de Sleman a 26 de Julho.

A primeira audiência preliminar de julgamento consistiu na leitura da acusação contra os companheiros. O acusador declarou que este julgamento deve ocorrer separadamente do caso criminal e pediu uma divisão na audição.

O julgamento está a ocorrer por ordem sequencial. Azhar e Zikra têm o número de processo 306 / Pd.B / 2018 / PNSmn, enquanto o de Edo e Boim são o número de processo 305 / Pid.B / 2018 / PNSmn. Portanto, é um arquivo de caso dividido, no entanto, o julgamento ainda terá lugar na mesma sala do tribunal.

Foi convocada uma audiência dividida já que os acusados estão a enfrentar acusações diferentes de julgamentos em andamento.

Na acusação que foi lida há evidências apresentadas que são relativas à violência e destruição contra instalações públicas. Isso está de acordo com as evidências já reunidas pela polícia e pela acusação do Ministério Público.

Com base nas acusações criminais, os 4 prisioneiros de guerra anarquistas estão a ser ameaçados com o Artigo 170, parágrafo 1, que prevê pena máxima de 5 anos de prisão, ou com o artigo 406 do Código Penal, que prevê pena máxima de 2 anos de prisão. Também houve evidências anexas que alegam que os 4 companheiros cometeram ações criminosas durante  o 1º de Maio.  Os quatro prisioneiros de guerra não constituem excepção.

Mais Informações:

Website: palanghitam.noblogs.org
Email: civilrebellion@riseup.net

em inglês

Santiago do Chile: Sai o nº 26 do boletim “La Bomba”

Distintos contextos agitam o começo do ano no território chileno, destacando-se os ataques no território central e sul no âmbito da visita papal – cuja ênfase se encontra na polémica dos bastardos do clero e as denúncias de abusos destes – bem como a tão ansiada visita à “zona vermelha do conflito mapuche” por parte do Papa.

Mais de 10 mil milhões de pesos são disponibilizados para tornar a visita possível, a imprensa gere o seu respectivo espetáculo e os lacaixs preparam a festa. Assim, a zona centro e sul também reage à visita, recebendo o bastardo com múltiplos ataques contra igrejas, enquanto a polícia se encontra em alerta e a imprensa mostra as ameaças deixadas nos diversos atentados.

Contudo, os ataques contra instituições eclesiásticas de laias diferentes são uma constante, tanto na história recente como na distante. A título de exemplo, até Outubro de 2017 foram 27 as igrejas incendiadas na Araucanía, entre elas algumas católicas e evangélicas, e os ataques registados na última década – oriundos de uma práxis anti-autoritária / anárquica – foram múltiplos, tal como na história anarquista desde os inícios do século XX.

Existiram razões de sobra para isso. A implantação violenta do catolicismo na América Latina deixou os seus resíduos até à atualidade – dito doutro modo, a opinião da igreja ainda continua a ser respeitada nos estados laicos, espargindo o seu poder, sem interrogações, assimilando e transformando todos os resíduos culturais e sociais que existissem até à sua chegada, para aumentar o seu império. No caso da igreja evangélica, e no seu pranto eterno por ser relegada, encontramos a sua missão mais ambiciosa na intervenção dos espaços “excluídos” da sociedade lá nas cidades, semeando o arrependimento e a culpa tal como a homofobia e o “entorpecimento mental”. Sendo esta uma opinião superficial e breve, seria possível esgrimir milhares de outras razões.

Ao exposto anteriormente, junta-se o espaço da violência política e das ruas, que pode ser amplo, diversificado e se manifestar em múltiplas oportunidades. Diversos grupos e individualidades confluem sob diferentes circunstâncias, tal como o que aconteceu em reacções espontâneas ou vontades enraizadas, transbordando a passividade, tendo como factor comum a subversão factor comum a subversão nas ruas.

Durante este período, uma semana de agitação foi realizada em memória de um pequeno subversivo que tombou. Um espaço é dedicado a Javier Recabarren – desta vez para comemorar os três anos passados sobre a morte desse companheiro anarquista – cuja vida transcorreu entre a amplitude da insurreição nas ruas,fazendo eco dos seus pensamentos e convicções.

No contexto desta nova chamada à sua memória, resgatamos as diversas ações desenvolvidas e que deixaram reflectidas nesses lugares as ideias que motivaram e acompanharam a vida e luta do companheiro. Luta que além disso continua presente, continuando a expandir-se aqui e agora e seguramente para sempre, apesar das lamentáveis perdas de valiosxs companheirxs.

As ações que se agruparam nesta ocasião, tal como o ocorrido em edições anteriores, mostram como se concentram motivações e convocatórias heterogéneas numa mesma escala temporal, dando luzes da presença subversiva/insurrecional/anti-autoritária no território dominado pelo Estado chileno. Esperamos, também, que as expressões dos distintos grupos sejam de utilidade para estimular a discussão e retro-alimentação, impulsionando novas iniciativas.

Editorxs do Boletim “La Bomba”.
Março 2018, Chile.

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em espanhol

México, Oaxaca: Atentado explosivo contra Banco Santander

QUE A MEMÓRIA HISTÓRICA SEPULTE AQUELXS QUE CONDENEM A PASSAGEM À OFENSIVA CONTRA A AUTORIDADE!

Após vários meses de preparação – com vista a se direcionar os objetivos – decidimos começar a atacar cada um desses miseráveis símbolos e figuras que representam o poder e a autoridade. E que melhor instante seria do que ao recordar o compa insurreto Mauricio Morales – nove anos passados da sua morte – ao fazer a guerra que desde sempre tem estado declarada por todos xs indivíduxs que num ato de violência e amor se negam a aceitar o condicionamento que qualquer tipo de dominação impõe. Todxs aquelxs que em conspiração informal dão rédea solta aos seus mais puros desejos de agitação e guerra, não pedindo direitos nem justiça, apenas objetivando a libertação total.

Assim, na madrugada de 25 de Maio, colocámos um dispositivo explosivo numa sucursal bancária Santander, na cidade de Oaxaca, causando danos aquela.

POR CADA COMPANHEIRO CAÍDO!
POR CADA COMPANHEIRO PRESO!
POR CADA COMPANHEIRO FUGITIVO E PERSEGUIDO POR CADA ATAQUE FRONTAL E SEM MEDIAÇÃO!
PELA LIBERTAÇÃO TOTAL!
GUERRA AO ESTADO!

Brigada de Ação Informal Bruno Filippi

em espanhol

Santiago do Chile: Sai o nº 25 do boletim “La Bomba”- Projeto Nemesis

{Edição Especial} Projeto Nemesis.

Falar da CCF é falar de convicção revolucionária, é falar de novas formas de dar vida às ideias anarquistas. É práxis contra o mundo decadente, contra os poderosos, aqueles que dirigem as vidas de milhões de pessoas em todo o mundo, contra o capital e tudo o que cheire a poder. Trata-se de ataque – um ataque digno e ilegal desenvolvido de forma progressiva – sob uma nova visão de guerrilha.

A nova guerrilha urbana em território grego instalou na opinião pública a recusa ao modo de vida imposto, aos seus valores e lógica, o jogo da Imprensa por segurança apressou-se a minimizá-los e/ou silenciá-los (da mesma forma que aconteceu e ainda acontece no nosso território), mas o CCF atingiu de tal forma que não importa o que diga a élite grega, os seus media ou quem quer que seja. A prática da nova anarquia está aí, está viva e só resta posicionar-se: de um lado a subordinação e do outro a busca da liberdade.

Uma busca de liberdade em que só cada um dos membros saberá quando começou a traçá-la, o que se sabe publicamente é que a CCF nasce em Janeiro de 2008 – e daí em diante foram mais de 300 os atentados da mais diversa envergadura contra estruturas financeiras, policiais, judiciais, casas de políticos e um longo etc. em território grego – o medo mudou de campo, os poderosos já não se podiam manter tranquilos, seguramente que nojentas polícias procuravam dia e noite xs executorxs daqueles atos, atos esses que punham em causa a segurança interna.

Por outro lado, as ideias e atos de guerrilha levados a cabo pela CCF começaram a cruzar fronteiras, e claro, chegaram rapidamente ao nosso país, tal como a muitos outros. Sempre que membros da organização foram detidxs novas propostas chegavam a diversos lugares, a luta não acabava na prisão, esta tornava-se um novo campo de batalha. Os poderosos e os media de certeza que festejaram o suposto fim da CCF – supunham que a prisão seria o suficiente para apaziguar a ação anarquista, no entanto com o tempo ficou claro que as ideias fluíram novamente, saíam da prisão e materializavam-se em comunicados, livros, revistas e supostamente em ações da mais diversa índoles em diversos países (o Chile, por exemplo) enquanto que na Grécia renascia novamente nas ruas, com uma conspiração que procurava dar continuidade ao projeto da nova guerrilha urbana.

De aí em diante – com prisioneirxs nas prisões de máxima segurança, com perseguições e extorsões a familiares, difamações, através de extensos julgamentos que procuravam condenações eternas, com prémios sobre as cabeças dxs clandestinxs, com outrxs companheirxs que continuam nas ruas – a CCF não terminou e isso ficou demonstrado através de uma nova proposta internacional na qual se  procura atentar contra o meio envolvente pessoal do inimigo: o Projeto Nemesis.

Assim, a CCF começou por fazer voar um explosivo na casa da procuradora do Ministério Público Georgia Tsatani e lançando a sua proclamação. As ideias chegaram ao nosso território e alguns grupos de ação anarquista responderam. Uma bomba falsa semeou o pânico numa Villa Militar, recinto onde vivem membros das Forças Armadas. Posteriormente uma bomba incendiária queimou o acesso da Associação de Funcionários do Poder Judicial. Por outro lado, da Grécia para a Alemanha, a CCF voltaria a causar estragos, através do envio de uma carta-bomba ao Ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble. A quinta e última ação de que temos conhecimento é a de uma bomba incendiária que danificou a Confederação de Donos de Camiões (Chile).

Nesse sentido, querendo promover a expansão das ideias e ações da CCF à volta desta proposta internacional e por conseguinte as ideias e ações dos diversos grupos que a ela responderam – e como não – dos 10 anos passados desde a aparição daquele grupo armado grego, demos corpo a este boletim especial.

O nosso trabalho é uma modesta contribuição da propaganda que temos vindo a realizar desde 2012, sob o nome “La Bomba”, um boletim cujo objectivo é que não se percam as contribuições em torno do ataque anarquista no Chile; é por este motivo que continuamos a criar um arquivo tanto on-line como material, de modo a que estas iniciativas continuem a ter difusão e possam ser lidas em qualquer parte do mundo.

Editorxs do Boletim “La Bomba”.
Janeiro 2018, Chile.

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em espanhol

[Brasil] Mês pela Terra e contra o Capital: Autonomia, Combate, Resistência

Mês pela Terra e contra o Capital: Autonomia, Combate, Resistência

Respondendo ao chamado pelo mês pela terra e contra o capital, aconteceu, em junho na Okupa Viúva Negra em Novo Hamburgo (RS) uma atividade onde compartilhamos alguns exemplos de luta pela terra e contra o capital na região.

Os exemplos foram focados sobretudo em relatos das lutas dos povos originários cuja relação com a terra se opõe diretamente aos projetos desenvolvimentistas que buscam aniquilar qualquer outra forma de vida ou relação com a terra que não seja a da propriedade e/ou da produção.

Mencionou-se às retomadas dos Guarani Mbya que há um par de semana atrás retomaram, de forma autônoma, uma das suas terras ancestrais, conhecida como “Fazenda do Arado Velho”, situada no bairro Belém Velho, na beira do lago Guaíba, onde chegaram de barco e montaram seu acampamento. Também a retomada Guarani Mbya de Makiné que existe há um ano. Como qualquer confrontação direta com os poderosos, donos do capital, do Estado e da terra é propensa à repressão, os Guarani sofreram ameaças por parte de seguranças privados do local que estava reservado à construção de condomínios de luxo, projeto que está sendo barrado pela retomada dos Guarani! Também mencionamos o caso das retomadas autônomas Kaingang pela região do Alto Uruguai, região, hoje, cercada pelo agronegócio. Em Vicente Dutra, em uma terra retomada que aconteceu em julho de 2016, os Kaingang plantaram 4000 pés de araucárias buscando fortalecer sua autonomia.

Lembramos também da legitimidade do uso da violência, seja para defender a Terra dos exploradores, seja para atacar os inimigos e vários lutadores encontram-se hoje nas cadeias por lutar contra o agronegócio. Três Kaingang seguem presos desde 2016 em Sananduva sendo acusados pela FARSUL de incêndio e formação de quadrilha. Seja ou não uma montagem por parte dos grandes proprietários rurais ligados com a polícia, reafirmamos nossa solidariedade com os presos e perseguidos.

Além dos exemplos locais, falamos também da situação do Machi Celestino Cordova, Mapuche preso na penitenciária de Temuco (Chile) há 5 anos, cumprindo uma pena de 18 anos. Além de evidenciar a perseguição dos Mapuche, exemplo claro da continuidade do estado etnocida chileno, ressaltamos sua luta radicalmente anti-estatal como exemplo feroz de luta pela terra e contra o capital. Conscientes das diferenças históricas entre as diversas regiões da América Latina, sabemos que a luta pela terra e contra o capital se compõe de diversas expressões e estratégias inscritas contextos diferentes, e a troca de experiências só poderá nutrir ainda mais nossas lutas.

Como anarquistas, nos fraternizamos com essas lutas sem procurar que elas cumpram com nossas expectativas antiespecistas ou antipatriarcais, para dar uns exemplos. Não procuramos neles, novos “militantes” anarquistas nem queremos nos apropriar de lutas que não nos pertencem, porém manifestamos, e sempre o faremos, nossa solidariedade mais que em palavras, a quem está disposto a entregar sua vida numa luta contra a hegemonia do capital e a onipresença do estado.

A luta pela terra e contra o capital não se limita aos exemplos que mencionamos acima. As portas do ataque contra os inimigos da terra, aqui e agora, estão sempre abertas para a imaginação dos rebeldes. São infinitas as formas de lutar, desde retomadas de terra, a ocupações de Zonas a Defender, à destruição material de símbolos e expressões da devastação da terra. Enquanto tenhamos claro que a luta que levamos a cabo se fortalece na expansão da nossa solidariedade com xs que lutam contra inimigxs comuns sabendo respeitar nossas próprias diferenças, seguiremos abrindo os caminhos da luta multiforme que potencializa a destruição das relações de poder, do capital e do Estado.

Para terminar, mandamos um salve a todxs xs que, enfrentando as adversidades e as consequências de uma vida em combate, seguem dando guerra ao estado e o capital, lutando por um mundo em que a terra não seja vista nem como propriedade, nem como simples meio de produção.

Celestino Cordova na rua já!
Liberdade a Leonir Franco preso em Sananduva por lutar pela terra!
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[Brasil]”Condenados: Incorrigíveis!!” comunicado da Biblioteca Anárquica Kaos

recebido a 20.07.18

Condenados: Incorrigíveis!!

Já que estamos contra tudo que atente contra a liberdade, hoje estamos contra a condenação dos 23 detidos pelos protestos de 2013 e 2014 no Rio de Janeiro.

A liberdade do outro estende a minha ao infinito – M. Bakunin

23 pessoas, no Rio de Janeiro, foram condenadas na “Operação Firewall” por atos violentos, formação de quadrilha, dano qualificado, resistência, lesões corporais e posse de artefatos explosivos a penas que vão de 5 a 13 anos de prisão em regime fechado pelo Juiz Flavio Itabaiana da 27ª vara criminal de Rio de Janeiro. Todos eles foram perseguidos pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática que foi a polícia política da Copa e dos Jogos Olímpicos, a mesma que monitorou os protestos em Porto Alegre e São Paulo.

Não é à toa que a operação repressiva recebe esse nome: Firewall (parede de fogo) que é o nome dum dispositivo dentro de uma rede de computadores que tem como objetivo aplicar um protocolo de segurança num ponto dessa rede, esse Firewall evitaria os elementos nocivos dentro da rede de computadores. Os meios e tecnologias de comunicação são usados como ferramentas de controle e repressão (disso sabemos já há tempo) mas, esta vez, foi o claro exemplo da potencialidade destes recursos para fins repressivos.

Segundo o Juiz (num ato de benevolência) não foi decretada a prisão preventiva para os condenados poderem recorrer, sob medidas cautelares, à condenação. Mas esta condenação, ainda com essa possibilidade de recorrer em “liberdade”, para nós, é o precedente para saber onde nos querem (encerrados). E essa condenação, agora, precisa virar o precedente para a agitação contra a sociedade carcerária, para a agitação pela solidariedade.

Sendo reprimidxs também há pouco pela Operação Erebo, o mínimo gesto que podemos fazer diante dessa condenação é manifestar a contundente solidariedade a través do chamado a agitação combativa e solidária contra a condenação.

Mas não sob a bandeira de estar contra a criminalização do protesto. O protesto não pode ser contido nas regras do legal ou ilegal, do criminal ou do inocente, do permitido ou do proibido. O protesto desborda essas lógicas precisamente porque caminha no sentido contrário a elas. Estamos contra a repressão porque o sistema de dominação inteiro é uma repressão constante e qualquer um que percebe isso e age contra, protesta, sai nas ruas, quebra material e individualmente com essa dominação. Quem se rebela contra a ordem existente sempre será considerado “criminoso”, porque o “crime” dos protestos é o sintoma de não termos nos submetido totalmente à dominação. Se lutarmos sob a bandeira de “protesto não é crime”, aceitaríamos e legitimaríamos a existência das prisões e sendo anarquistas, como somos, amamos a liberdade e somos inimigos irreconciliáveis das gaiolas.

Como não sair nas ruas contra os espetáculos que justificaram limpezas sociais? Como ficar indiferente diante da remoção, militarização e o enfeite das cidades para o passeio e turismo dos burgueses que foram a Copa e os Jogos Olímpicos? Tristeza grande saber que ao grito do gol ou no entusiasmo duma medalha de ouro há quem se esqueça dos atropelos, das mortes e políticas genocidas que são produzidas por este espetáculo. E alegria infinita saber que os incorrigíveis saíram e quebraram tudo, até o pretendido controle das “autoridades” que investiram milhões em segurança.

O protesto violento é o mínimo gesto de sensibilidade que temos diante da opressão dominadora que pretende se expandir como a vida “normal”. É o sinal de que ainda sentimos a crueldade da devastação, da guerra não declarada e como os animais diante do domador… reagimos contra a chibata.

Contra as condenações, nossa agitação permanente.
Solidariedade para xs que lutam!

Biblioteca Anárquica Kaos

Os 23 condenados pelos protestos do 2013 no Rio de Janeiro são:

•   Elisa Quadros Pinto Sanzi, condenada a 7 anos de prisão
•   Luiz Carlos Rendeiro Júnior, condenado a 7 anos de prisão
•   Gabriel das Silva Marinho, condenado a 5 anos e 10 meses de prisão
•   Karlayne Moraes da Silva Pinheiro, condenada a 7 anos de prisão
•   Eloisa Samy Santiago, condenada a 7 anos de prisão
•   Igor Mendes da Silva, condenado a 7 anos de prisão
•   Camila Aparecida Rodrigues Jordan, condenada a 7 anos de prisão
•   Igor Pereira D’Icarahy, condenado a 7 anos de prisão
•   Drean Moraes de Moura, condenada a 5 anos e 10 meses de prisão
•   Shirlene Feitoza da Fonseca, condenada a 5 anos e 10 meses de prisão
•   Leonardo Fortini Baroni, condenada a 7 anos de prisão
•   Emerson Raphael Oliveira da Fonseca, condenado a 7 anos de prisão
•   Rafael Rêgo Barros Caruso, condenado a 7 anos de prisão
•   Filipe Proença de Carvalho Moraes, condenado a 7 anos de prisão
•   Pedro Guilherme Mascarenhas Freire, condenado a 7 anos de prisão
•   Felipe Frieb de Carvalho, condenado a 7 anos de prisão
•   Pedro Brandão Maia, condenado a 7 anos de prisão
•   Bruno de Sousa Vieira Machado, condenado a 7 anos de prisão
•   André de Castro Sanchez Basseres, condenado a 7 anos de prisão
•   Joseane Maria Araújo de Freitas, condenada a 7 anos de prisão
•   Rebeca Martins de Souza, condenada a 7 anos de prisão
•   Fábio Raposo Barbosa, condenado a 7 anos de prisão
•   Caio Silva de Souza, condenado a 7 a anos de prisão

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[São Paulo, Bra$il] Roda de conversa em solidariedade com Marcelo Villarroel Sepúlveda

recebido a 18.07.18

Na próxima segunda-feira, 23 de julho, acontecerá um encontro em solidariedade ao preso libertário Marcelo Villarroel Sepúlveda, que se encontra encarcerado no presídio de segurança máxima de Santiago, território controlado pelo estado chileno, juntamente a Juan Aliste Vega.

Durante o encontro haverá leitura e escrita de cartas, atualizações sobre o “caso security” que se prolonga desde 2007 e uma conversa informal.

O encontro acontecerá no “espaço tia Estela”, situado na okupa do viaduto no Brás, em São Paulo.

Para enviar qualquer mensagem, sugestões ou contribuições escreva para: atentadoautonomo@espiv.net

“Enquanto houver miséria haverá rebelião”

Chamado a 20 anos do assassinato de Cláudia Lopez: Nenhum Minuto de Silêncio, Toda uma Vida de Combate!

recebido a 06.07.18

A partir dos cantos mais inquietos da memória nos auto convocamos – tanto enquanto companheirxs que conheciam a Cláudia numa base de fraternidade rebelde como também aquelxs de nós que, sem a terem conhecido, se reconhecem na sua experiência de vida e de luta – para continuar o combate ao esquecimento, colaborando para não deixar que a história se escreva por si só, somando-nos àquela torrente de recordações que decantou em práxis e resistência, multiplicando-se e expandido-se através de bibliotecas, centros sociais, atividades, combates na rua, ações, faixas, murais e panfletos.

Desta vez – a partir do nosso olhar, da nossa recordação, com raiva e dor, com as nossas derrotas parciais mas também com as custosas vitórias – pretendemos erguer, longe das verdades inquestionáveis, um exercício/práxis de memória e voltar a percorrer os passos que levaram nesse 11 de setembro a companheira Cláudia López, a “chica” Cláudia, com os seus 25 anos, a caminhar até à povoação La Pincoya, onde deixou a sua vida na rua, assassinada pelas balas policiais, tiros garantidos por um Estado sempre ao serviço do capital e dos poderosos. Destes fatos e desta realidade não há dúvida alguma, apesar da infâmia jornalística ou manobras jurídico-policiais.

O facto da “chica” ter estado nessa noite em La Pincoya não obedece à casualidade ou a algum impulso rebelde momentâneo – antes sim a uma decisão e a um caminho traçado desde há anos em lutas e confrontos na rua, tanto nas universidades como em diversas povoações, tal como na sua participação ativa em coordenações combativas, somando forças entre distintas experiências autónomas e lutas anti-estatais.

Ao longo destes anos, muito se comentou com respeito à militância política da companheira – sem lugar a dúvidas não pode ser compreendida a partir de categorias únicas e determinantes pois eram tempos em que a partir de um acertado questionamento a um marxismo dogmático por parte de quem apostava por revitalizar uma prática ofensiva contra o poder e o capital, se gera uma aproximação entre tendências de um marxismo revolucionário e a autonomia com o anarquismo. É nesse espaço que a Cláudia se movia, sem negociar com tonalidades médias.

Eram tempos também de sequelas palpáveis de uma transição nauseabunda, tempos de consolidação de um capitalismo selvagem, concebido sob o resguardo dos fuzis e botas militares e de modo servil administrado pelos governos “concertacionistas” da época; tempos em que muitxs baixaram a guarda – sob a falácia de que deslocada que foi a besta ditatorial a luta carecia de sentido – negando-se a aceitar que continuavam mandando os mesmos numa democracia, uma forma mais sofisticada de um regime autoritário. Neste contexto, também existiram muitxs que, com base numa lucidez insurreta, optaram por manter viva uma chama rebelde e combativa para assim fazer frente a uma realidade asfixiante, Cláudia estava entre elxs.

É por isso que, sem medo a nos equivocar, mantemos a claridade do caminho da “chica” Cláudia – das lutas secundárias durante os últimos anos da ditadura aos combates durante a transição democrática – compartilhando trincheira com ela,  resgatando a relação de companheirismo que forjamos, organizando-nos por afinidade, com objetivos comuns, pisando as mesmas ruas, defendendo as mesmas barricadas que não pararam de levantar-se até hoje.

Passaram 20 anos desde que aquelas balas policiais crivaram o corpo da “Chica”; hoje, longe dos suportes judiciais e dos cantos vitimistas, procuramos armar a nossa memória com ofensiva e combate, unindo distintas gerações para dar continuidade à luta contra a ordem imperante. Resgatar a história da Cláudia não é só resgatar um passado relativamente recente, mas também tirar do esquecimento experiências e vivências para projetar a luta a partir do presente. Procuramos sabotar a maquinaria da amnésia fazendo propagar a dança rebelde da companheira em todos os cantos onde surjam caminhos de negação ao mundo dos poderosos. As balas que assassinaram Cláudia continuaram a assassinar diversxs companheirxs e ainda permanecem impacientes para serem descarregadas em qualquer que questione o Estado.

Aproximando-se a data da nova comemoração do assassinato policial, fazemos um chamado a cada companheirx, individualidade, coletivo, grupo, organização e iniciativa para que ergam a sua própria atividade ou propaganda na variedade multiforme que possa ter a memória, tomando em suas mãos o trabalho coletivo para que esta data não passe despercebida.

A partir desta coordenadora convocaremos algumas atividades que serão difundidas atempadamente, mas sobretudo buscamos propagar e estimular a reprodução de outras iniciativas que se juntem a essas. Das ruas de “La Pincoya”, Santiago Centro ou Temuco até qualquer rua nas urbes de outros países, que a memória saiba viajar e ser traduzida no único idioma possível, o do conflito com o existente e a lembrança dxs nossxs mortxs.

A 20 anos dos assassinato da companheira Cláudia López, retomamos a frase que a companheira criou em seu momento: Juventude Combatente, Inssurreição Permanente!

Coordenadora a 20 anos do assassinato da companheira Cláudia López
Território austral dominado pelo capital e estado chileno.
https://todaunavidadecombate.wordpress.com

S.Paulo, Brasil: Chamado para uma Feira de Materiais Independentes – 25/08

recebido a 18.07.18

CHAMADO PARA UMA FEIRA DE MATERIAIS INDEPENDENTES – ATIVIDADE DA
SEXTA SEMANA INTERNACIONAL PELXS ANARQUISTAS PRESXS

Em resposta ao chamado da “sexta semana internacional em solidariedade pelxs anarquistas presxs”, que acontecerá de 23 a 30 de agosto, haverá uma primeira feira de inverno de materiais independentes no dia 25 desse mês.

Este é um chamado aberto para quem quiser nos enviar propostas com o foco anti autoritário para somar na atividade. Além disso, é principalmente um convite para participar dessa iniciativa no “espaço Tia Estela”, situado de baixo do “viaduto alcântara machado” em São Paulo.
Toda contribuição para autogestão do espaço é bem-vinda.

A luta pela liberdade não acontece sem a luta contra as prisões. Estes espaços repugnantes estão cercados por muralhas, formas violentas de controle, dispositivos de segurança e vigilância constante. Sem uma estrutura como estas seria impossível algum Estado ou qualquer governo manter-se no poder. É necessário enxergar as cadeias não só como a principal ferramenta da dominação contra as pessoas subversivas que preferem a guerra à passividade das massas, mas também como laboratório do sistema e um dos principais meios para perpetuar a escravidão e o trabalho.

Uma batalha foi perdida porém, mesmo atrás das grades, a luta continua.
Dentro das cadeias estão, de maneira contida e continuada, os conflitos contra os aparatos jurídicos dos estados nação e toda a sociedade moralista que lhe dá suporte. Essa realidade prolonga a caminhada pela destruição da civilização, das máquinas predatórias do mundo cibernético e industrial, de todas as grades, muros e fronteiras que massacram a vida na terra.

Por essas e muito mais coisas, é necessário apoiar xs anarquistas presxs, não deixa-los sós e, com isso, voltar nosso olhar para as pedras pilares que dão corpo ao inimigo.

“Viver a anarquia comporta o risco de acabar no cárcere” – Marco, cárcere de Alexandria.

O cronograma completo estará disponível no dia 23 de Agosto.
Envie uma mensagem, envie uma contribuição!

Inverno Anárquico
invernoanarquico@riseup.net

em inglês

Madrid, Espanha: Queima de multibanco em solidariedade com Lisa

Queima de caixa multibanco em solidariedade com a companheira anarquista condenada na Alemanha por expropriar um banco

Fez dois anos a 13 de abril que detiveram Lisa, durante uma operação policial coordenada pela polícia da Catalunha (mossos d’esquadra) e pela polícia alemã. Desde então, a companheira tem-se encontrado presa em diversos presídios espanhóis e alemães (onde se encontra agora). Recentemente a companheira foi condenada por um tribunal alemão a 7 anos de prisão (acusada ​​de expropriar uma surcursal bancária em Aachen, Alemanha).

Na madrugada de 11 de Abril deitamos fogo a um ATM Bankia em Vallekas (Madrid) – na rua Carlos Martin Alvarez – assim como se realizaram pintadas em solidariedade com a companheira.

O ataque é justificado por si só: os bancos são um dos principais motores da sociedade do Estado e do capitalismo. Investimentos em prisões, centros juvenis ou indústrias de armas; concessão de crédito a empresas e estados; desalojar e especular com a habitação, cumplicidade com os processos de gentrificação entre muitas outras responsabilidades nas engrenagens do capitalismo, dão uma boa prova disso …. O sistema bancário – em toda a sua estrutura –  sempre foi um dos  maiores inimigos dos exploradxs e, portanto, dxs anarquistas, como o provam bem as expropriações e sabotagens que sempre têm acompanhado a luta anarquista ao longo de toda a sua história.

Confrontando o submisso panorama esquerdista (que atinge os meios libertários) – que se juntam aos protestos acriticamente controlados, cívicos e cidadãos , que clamam pela liberdade de polícias e políticos corruptos, em plena catarse do nacionalismo cidadão e entre tantxs outrxs que nadam na auto-complacência da vitimização, nas redes sociais – muitxs de nós não renunciam ao ataque.

Que sirva este pequeno sinal de solidariedade, como expressão de carinho e alento para Lisa e para o resto dxs companheirxs anarquistas represaliadxs pelo Estado, em Itália, Grécia, França, Alemanha, Turquia, Chile, México, Rússia e em todo o mundo.

Solidariedade é ataque!
Força para Lisa!
Viva a anarquia!

Anarquistas

em espanhol

[Brasil] Fagulha nº5 – Chamado para colaboração

recebido a 12.06.18

Estamos de volta! E já começamos a arquitetar a 5ª edição de Fagulha. Gostaríamos de abordar temas atuais como a repressão a anarquistas na América Latina, efeitos e possibilidades abertas com a greve dos caminhoneiros, Revolução em Rojava, e também temas gerais como autonomia na tecnologia e cultura de segurança, permacultura, cuidado, história passadas de resistência, sugestões de livros e filmes, etc.
Quer ajudar a construir essa edição? Envie um texto sobre um desses temas ou sobre qualquer outro que você ache que possa se encaixar em Fagulha. Fecharemos essa edição no dia 20 de setembro.

Envie suas colaborações para fagulha@riseup.net ou através da nossa página de contato em https://fagulha.org/contato/

México: Fernando Bárcenas por fim livre!

Fernando Bárcenas saíu da prisão a 11 de Junho de 2018, pelas 21h. Uma vez cá fora queimou o uniforme prisional que foi obrigado a usar durante 4 anos e meio.

Preso a 13 de Dezembro de 2013, durante os protestos contra o aumento das tarifas do metro, o companheiro foi acusado de ter incendiado a árvore de Natal da Coca-Cola; desde então encontrava-se na prisão norte conhecida como ReNo, na cidade do México.

Em dezembro de 2014 foi condenado a 5 anos e 9 meses de prisão por ofensas de ataques à paz pública e à associação criminosa. Pouco depois de sua detenção, Fernando trabalhou em numerosos projetos: oficinas de redação, difusão e informação – fanzines e o jornal independente de combate à prisão “El Canero”, que significa “Aquele que está na cadeia”- um media livre, produzido por prisioneirxs, por trás das grades de várias cadeias, na capital mexicana e noutros lugares.

Para Fernando, “El Canero” é um projeto que quer explicar a realidade vivida nas prisões e relacioná-la a um contexto social mais amplo, no qual somos todxs prisioneirxs em diferentes níveis. Este jornal ajuda a espalhar a luta anti-prisão, tecendo uma ligação de comunicação entre xs prisioneirxs e o mundo exterior”. Para ele é “demonstrar que a luta é conduzida independentemente do local e com os meios disponíveis, sem esperar que todas as condições sejam cumpridas”.

Assim, o primeiro Canero foi lançado em junho de 2014 e até ao momento foram já escritos cinco números, o conteúdo tem evoluído. Este jornal é o produto de inúmeras reuniões de prisioneirxs, intercâmbios e reflexões, ações conjuntas, greves de fome … No seu caminho, Canero vê o nascimento de organizações informais de prisioneirxs em  resistência, ações coordenadas – ele liberta denunciando a besta da prisão, a autoridade e confinamento dentro e fora dos muros.

Em novembro de 2017, Fernando lança uma nova ideia: criar uma biblioteca independente gerida pelxs próprixs prisioneirxs, e após vários meses de trabalho e construção, a biblioteca foi inaugurada a 28 de abril de 2018 com o nome de Xosé Tarrio González *; a biblioteca continua a crescer até hoje contando já com muitos documentos, entre livros, revistas e folhetos … a biblioteca continua a sua rota, hoje.

Durante todos esses anos, Fernando também incentivou e iniciou a organização de prisioneirxs na resistência; primeiro, incentiva a formação do CCPR (Coordenação de Combate dxs Prisioneirxs em Resistência), mais tarde participou na coordenação de greves de fome com outrxs prisioneirxs anarquistas (da Cidade do México). Depois disso, o compa lança e encoraja a formação do C.I.P.RE (coordenação informal de prisioneiros em resistência) como uma forma de organização e espaço para todxs aquelxs que foram apanhadxs e torturadxs pela maquinaria de prisão. O CIPRE, sendo uma organização informal, dissolveu-se e hoje está a desaparecer sem deixar nenhuma experiência organizacional, por trás dele. O compa lança por fim uma nova proposta – dando origem ao coletivo de prisioneiros CIMARRON, que se refere ao significado de “fugir, fugir” da propriedade de um mestre.

Um abraço apertado Fernando, companheiro!
Finalmente nas ruas.

Até à liberdade total!

N.T: *Xosé Tarrío González nasceu em 1968 em La Coruña. Aos onze anos, foi trancado num colégio interno e, em seguida, foi posto num reformatório para acabar em 17 anos de prisão, onde contraiu SIDA. Na prisão propagou o anarquismo e a rebelião, liderando inúmeras tentativas de fuga, praticando a verdadeira solidariedade entre xs prisioneirxs, combatendo resolutamente os guardas da prisão e a prisão; todas essas atitudes levam à sua humilhação, isolamento, sendo torturado inúmeras vezes. Em 2004 a sua saúde volta a deteriorar-se de novo, devido à sua doença e. a 2 de janeiro de 2005, morre vítima da prisão e da sociedade que a apoia. Xosé foi prisioneiro em regime FIES especial e autor do livro “Huye, hombre, huye” [Foge, homem, foge].

em francês l italiano

Setúbal, Portugal: Solidariedade com a C.O.S.A. (1-3 Junho)

Casa Okupada de Setúbal Autogestionada (C.O.S.A) a resistir à 17 anos!

2 de Junho (16h) – Concentração Solidariedade com a C.O.S.A.!

Passado 1 ano da última audiência prévia voltamos a juntar companheires, amigues e todas que estão solidárias com a COSA, para continuar a resistir. Vamos passar uns dias em grande descobrindo novas e reforçando velhas afinidades. Vão haver actividades, belo pitéu, acções, exercício, música e tudo mais que desejarmos. Aparece sem medos e divulga!

Mantendo a chama acesa!!!

Saúde & Anarquia

COSA – R. Latino Coelho nº2, Setúbal

La Paz, Bolívia (Biblioteca Flecha Negra): RECORDANDO O PUNKY MAURI

Atividade onde se projetará vídeos
Debate anti-carcerário
Conversa com as Edições Herejes acerca da reedição do livro “Punky Mauri, a ofensiva não te esquece”

Sábado 26 de maio às 18:00

Biblioteca anti-autoritária Flecha Negra
Rua 1, descendo até ao río Orkojawira, zona Villa Fátima

em espanhol

Indonésia: O companheiro anarquista Brian Valentino precisa do nosso apoio!

recebido em inglês a 17.05.18

O nosso companheiro, Brian Valentino, está detido na prisão de Polda em Yogyakarta, a principal sede de polícia de Yogyakarta (região feudal especial no território de Java Central).

Desde o dia da sua prisão – do 1º de Maio a 16 de Maio de 2018 – que ao nosso companheiro, entretanto espancado e torturado, foi negado os seus direitos de apoio jurídico legal ou jurista. A polícia ou a assistência judiciária não nos deram uma razão clara sobre isso, portanto não temos certeza se é a polícia ou o advogado legal que se recusa a ajudá-lo.

Para ser claro, recebemos informações do pai de Brian Valentino, que acabou de o visitar, após uma semana de intervalo, tendo-se certificado de que Brian era o único dos presos que não recebeu nenhuma ajuda legal ainda, 15 dias depois de ter sido detido.

Portanto, pedimos aos/às companheirxs, na Indonésia ou internacionais, para se fortalecer a solidariedade com Brian Valentino, nosso querido amigo anarquista, a quem foram recusados os seus direitos de assistência judiciária. Não estamos a limitar a solidariedade, pode ser legal ou qualquer outra coisa. Mas para doação à família e réus:

Doação: BRI 5175-01-001-257-503 (Ilona)
Email: palanghitam@riseup.net

Ou comunique isso à embaixada local da Indonésia. Por qualquer meio necessário.

– Cruz Negra Anarquista / Solidariedade Anti-Autoritária de Yogyakarta, Indonésia

em inglês l alemão

Em solidariedade com Peike, preso do G20 [flyer]

. Assiste às audiências do processo de recurso!

dia 13 – 09/05 – 13:00 – 16:00
dia 14 – 11/05 – 09:00 – 16: 00
dia 15 – 14/05 – 09:00 – 11:30
dia 16 – 17/05 – 13:00 – 17:00

Tribunal Distrital Central
Sievekingplatz 3
Hamburgo

Novas datas e atualizações: freepeike.noblogs.org

Uma hora antes do início de cada sessão haverá café e música junto ao exterior do tribunal – organização pelos companheirxs alemães (United We Stand).
Se precisares de um lugar para ficar em Hamburgo envie um email para o grupo de apoio (Free Peike): freepeike@riseup.net

EM SOLIDARIEDADE COM PEIKE, PRESO DO G20: VENHA ÀS AUDIÊNCIAS DO PROCESSO DE RECURSO!

No Verão de 2017 teve lugar em Hamburgo a Cimeira do G20. Enquanto os “nossos” líderes mundiais, as pessoas mais poderosas e ricas do planeta, se reuniam nós também nos reunimos em Hamburgo – para lhes mostrar que a sua dominação é inaceitável e que continuamos a lutar por um mundo melhor. Durante estes dias de fortes protestos, de caos e repressão policial, o nosso amigo e companheiro Peike foi preso, juntamente com muitxs outrxs.

Após dois meses de prisão, em 27 de Agosto 2017, Peike teve este processo judicial, o primeiro dxs ativistas anti-G20 presxs. O infame juiz Kriten – conhecido pelas suas tendências de direita – sentenciou Peike em dois anos e 7 meses de prisão por, supostamente,  ter dois cartuchos, ter resistido às prisões e perturbado a paz pública, sem que houvesse alguma evidência de coerência.

Após 5 meses de cativeiro e repressão, o apelo para o tribunal de última instância começou a 9 de Fevereiro de 2018. No decorrer deste processo (12 sessões de julgamento já tiveram lugar) torna-se desde já evidente que este juíz não se encontra com objetividade  e “justiça”. Para além disso, este processo parece ter cada vez menos a ver com o que fazer com Peike e com o seu incidente particular.
Apesar de todos os processos que mostraram claramente esta conduta humilde, o estado está ansioso para condenar, não importa o quê, para mostrar a todxs que ainda são o poder e que não irão tolerar a rebelião.

Apesar desta loucura, Peike continua a lutar. Ele sabe que não está apenas a lutar pela sua própria liberdade, mas também por todxs xs outrxs que resistiram à Cimeira do G20. Até que possamos lutar juntxs com o Peike em liberdade – enquanto estiver preso – precisamos mostrar-lhe solidariedade. Venha para as próximas sessões de tribunais.

Vem para as próximas sessões de conversa para que possamos mostrar a Peike que não está sózinho!

Liberdade para Peike e para todxs xs outrxs ativistas.
Resiste à repressão, destrói todo os estados.

TODAS AS INFORMAÇÕES DO CASO em: freepeike.noblogs.org

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