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Contra Info: Rede tradutora de contra-informação

Contra Info é uma rede internacional de contra-informação e tradução, uma infraestrutura mantida por anarquistas, anti-autoritárixs e libertárixs ativxs em diferentes partes do mundo. Ler mais »

[Brasil] Sai a Crónica Subversiva 2

Número 2 da Crônica Subversiva
(com separata sobre Santiago Maldonado e o número 5 da revista da CNA Kataklisma)

Depois de uma operação anti anarquista em Porto Alegre, a condenação dos 23 no Rio de Janeiro e antes da festa eleitoral daqueles que tentam governar e devastar tudo, aparece o segundo número da Crônica Subversiva.

Como cada publicação antiautoritária que surge em diferentes tempos e lugares, a Crônica Subversiva procura ser um canal de expansão de idéias que não estão, nem estarão nunca, contidas nos meios de comunicação.

Também é uma publicação com uma visão particular da vida, da autonomia, e da procura da anarquia e da revolta, que parte daquele instinto, inquebrantável e sincero, de sermos indômitos. Essa a sensação que faz as pessoas sair nas ruas, se arriscar, agir, e fazer algo na anarquia, a que procuramos espalhar com estas letras.

Primavera 2018

Clica aqui para baixar e imprimir (no link vem um arquivo com o corpo da Revista  e outro ainda com a separata)

[Vigo, Galiza] XORNADAS ANTIRREPRESIVAS: A HISTORIA DA “COPEL”


recebido a 16/10/18
Como cada outono, a CNT-Vigo organiza unhas xornadas antirrepresivas co obxeto de concienciar e visibilizar o aumento da criminalización das loitas sindicais e sociais, a represión do estado e o continuo empeoramento do trato e situación das persoas presas nos cárceres.

Esta situación non é un problema excepcional ou puntual, senon que se trata dunha circunstancia que ven para quedarse grazas a creación por parte do sistema da sensación de medo como instrumento para a dominación, “chivos espiatorios” como o suposto aumento e a desprotección da xente fronte a criminalidade ou o medo a inmigración, entre outras razóns. Todo esta situación vese reflectida polo avance desmesurado da extrema dereita e o fascismo en Europa, o incremento das sancións e o troco destas a tipos penais, que antes como moito so chegaban a meras sancións económicas.

Este ano centramos estas xornadas na Coordinadora de Presos En Lucha (COPEL), un histórico movemento de presas e presos que loitaron pola liberdade e uns dereitos básicos nas cadeas na transición a democracia. Este evento desenvolverase nas seguintes datas:

VENRES día 19 de Outubro ás 19:00 h., proxección e debate do documental “COPEL: Unha historia de rebeldía e dignidade”, no local da CNT de Vigo, na R/Príncipe nº 22, 1º andar, local 34.

VENRES día 26 de Outubro ás 19:00h., palestra-debate a cargo de José Manuel Botana, membro da COPEL, no local da CNT de Vigo, na R/ Príncipe nº 22, 1º andar, local 34.

A CNT-Vigo está na obriga de analizar a realidade e explicar as causas deste sistema. Por esta razón, facemos un chamamento co obxeto de que difundades a organización deste evento que consideramos de gran interese e vixencia.

CNT-Vigo

em castelhano

Chile: Faixa e barricadas de fogo, 20 anos depois do assassinato de Claudia López

20 anos depois da morte de Claudia López: Memória e Combate.

11-09-2018. A duas décadas exatas da morte em combate da companheira anarquista Claudia López, na povoação La Pincoya em Santiago, durante os distúrbios comemorativos do início da ditadura militar no Chile  –  e ainda no âmbito de uma nova comemoração desta data, saímos à rua na nossa povoação a recordá-la; colocamos uma faixa, levantamos barricadas de fogo e desafiamos a polícía junto aos nossos/as companheiros/as e vizinhos/as.

Algures no território chileno,
Biblioteca Antiautoritária Libertad
Inverno, 2018

em espanhol

[prisões gregas] Pola Roupa, companheira da Luta Revolucionária, sentenciada a prisão perpétua mais 25 anos

[A sentença refere-se a um ataque explosivo ocorrido 10 de Abril de 2014 contra a sede do Banco da Grécia, em Atenas]

O Tribunal impôs uma sentença de prisão perpétua mais 25 anos à companheira Pola Roupa, adotando a proposta de sentença do acusador do ministério público Drako. A sentença de prisão perpétua a que o companheiro Nikos Maziotis foi condenado, em 2016, pelo mesmo ataque não é apenas uma vingança radical contra os dois rebeldes não arrependidos e coerentes que não foram entregues à prisão em 2013 no final do primeiro julgamento da Luta Revolucionária – entraram na clandestinidade a fim de continuar as ações da Organização. Isso prova, de acordo com os argumentos do acusador Drako, a periculosidade das ações da Luta Revolucionária como um meio de minar e derrubar a economia e o Estado.

Recordemos que o acusador Drako afirmou no seu discurso que o ataque ao Banco da Grécia poderia causar o colapso do prédio e que, se o prédio tivesse entrado em colapso, o sistema financeiro e a economia do país entrariam em colapso.

A sentença de prisão perpétua para Roupa, tal como para Maziotis, confirma do lado do inimigo, isto é, do Estado, a correção da estratégia da Luta Revolucionária, que considerava que os principais golpes em estruturas-chave de um sistema já enfraquecido em crise poderiam causar o seu colapso.

Solidariedade à Luta Revolucionária

em inglês via 325nostate l italiano

[Carolina do Norte, EUA] Reportagem de uma Ação

Acção direta contra Mountain Valley Pipeline em Brush Mountain (29.06.2018)

No meio da névoa do amanhecer no dia 22 de Junho, imobilizamos e sprayamos várias peças de equipamentos pesados de construção ao longo da US 220 na Carolina do Norte. Uma escavadoura, um trator e alguns de carregadores frontais todos provaram um excelente veneno, por meio de xarope de bordo e alvejante. Extintores de incêndio existentes no local também foram inutilizados.

Este pequeno ato de ataque foi realizado contra a proposta de construção da Mountain Valley Pipeline Southgate e a destruição de vários hectares de floresta, na clareira do novo corredor I-840.

Para a defesa da Natureza

Pelo ataque aos instrumentos de aniquilação ecológica

em inglês l alemão l francês

 

Treviso, Itália: Instalações da Liga do Norte atacadas pela célula Haris Hatzimihelakis

Cansadxs de ficar em silêncio, fartxs de ver violência sistemática e diária a ocorrer na sociedade – seja através do racismo, sexismo ou trabalho assalariado – cujos valores essenciais são autoridade e lucro. Enfastiadxs da exploração, a vermos todos os partidos políticos como o principal responsável disso – como elxs reprimem a liberdade com o aparelho estatal, reformista e repressivo (TV, media, associações, exército, proteção civil, etc.). O estado e o capital são os maiores criminosos, até violam as suas próprias leis – roubando através dos impostos, matando através das guerras e do trabalho assalariado, rejeição de botes de migrantes no mar, campos de concentração para imigrantes na Europa e África, contaminando irreversivelmente seres humanos, animais e todo o planeta – tudo pelo lucro e poder.

Não esqueçamos a cumplicidade hipócrita da sociedade composta por cidadãos/ãs que fingem não ver os horrores do racismo e nacionalismo, presentes e passados. Essa aceitação é o pilar do totalitarismo e da democracia: ao longo do tempo a autoridade baseada na indiferença, medo, apatia foi não só sócapaz de criar gulags e campos de concentração nazis e, presentemente, os campos de concentração na Líbia e fora das nossas casas. É uma história que se repete a si mesma.

12.08.2018

Na madrugada desse dia as instalações da Liga do Norte foram atacadas em Treviso, com um dispositivo explosivo. Reivindicamos a colocação do dispositivo contra políticos, polícias e seus lacaios. Não queremos ser cúmplices de tudo isso, nos oporemos à violência indiscriminada do Estado com violência indiscriminada contra os responsáveis, por tudo isso. A quase total pacificação da Itália, onde as massas estão ocupadas a fazer guerra entre os pobres, um dos nossos objetivos é o da oposição à renúncia, impotência e quietude. O Estado e o capital usam todas as formas de tecnologia e violência para desviar a atenção dos problemas reais dos explorados, sendo o principal deles o ódio entre xs mais vulneráveis e despossuídos, por meio de fronteiras, géneros, cores da pele.

Escusado será dizer que nenhuma facção insignificante de políticos autoritários será capaz de satisfazer os nossos desejos. Está-se a falar sobre o governo “verde-amarelo”, esquerda e direita, queremos que o estado seja destruído. Está a prometer-se aumentos salariais, redução de impostos, empregos, queremos a eliminação de dinheiro, bens e trabalho. Está a lutar por melhores condições do governo, mas só queremos nos divertir com as ruínas em chamas das suas cidades. Você faz política, nós fazemos guerra social.

As coisas estão difíceis, trata-se de um abismo existencial entre nós e elxs e nãqo há espaço para diálogo.. como consequência disso sabemos onde atacar.  Atacar o racismo e a exploração em particular. Atacar o Estado, o capital e todxs xs responsáveis. A ação direta torna claro o porque e o como, para nós.

Pela Anarquia!
Pela solidariedade internacional anarquista e rebelde!
Por um mundo sem fronteiras nem autoridade.

Com esta ação, saudamos a chamada lançada pelxs companheirxs da “célula Santiago Maldonado”, na qual se propunha aumentar os ataques à paz dos representantes da dominação e cúmplices.

Benvinda seja qualquer individualidade anarquista ou célula que continue a espalhar a chama, através da ação, no aqui e agora!

‘Hoje somos nós que levamos a tocha anarquista nas mãos. Amanhã será com alguém diverso. Sempre e quando não a receba extinta[1]

Solidariedade com todxs xs prisioneirxs, Tamara Sol, Juan Aliste, Juan Flores, Freddy, Marcelo, J.Gan, Marius Mason, Meyer-falk, Dinos Yatzoglou, Lisa Dorfer, membrxs da CCF e da Luta Revolucionária.

Aos/ás anarquistas em Florença, Turim, Nápoles, Cagliari, Chile, Rússia, Alemanha, Polónia, da Operação Scripta Manent.

E para todxs xs rebeldes presxs nas cadeias de toda a parte do mundo!

Célula Haris Hatzimihelakis /International Negra (1881-2018)

[1] Célula Santiago Maldonado /FAI-FRI reivindica um ataque explosivo contra quartéis de carabineiros (07/12/2017)

italiano via roundrobin l inglês via 325

Floresta de Hambach: Foto Impressões de 06.10.2018

Setúbal, Portugal: 18º Aniversário da COSA!

18 anos de okupação, resistência, criatividade, luta, autonomia, solidariedade, confronto, apoio-mútuo, liberdade

Numa altura em que se avizinham grandes transformações em Setúbal, continuamos a resistir e a lutar. A lógica do sistema dominante é cada vez mais forte e querem domesticar tudo e todes. Nunca vamos esquecer os pilares que sustentam a COSA e as nossas vidas. Vem celebrar o prazer de confrontar o que nos oprime! Suspeitamos que em breve o processo contra a COSA vai voltar a andar e precisamos de toda a solidariedade e apoio possível.

Programa:

Sexta 12
14h – Kafeta
17h – Pinturas, pintadas, salpicos e afins
20h – Jantar Bela Vida  (cada um trás algo pa comer)
22h – Convívio  (som, conversas, jogos, canções, etc)

Sábado 13
16h – Mostra de faixas pela COSA
17h – Oficina de construção de marionetas e fantoches, seguida de uma pequena peça
20h – Jantarada Brava
21.30h – Quizz!!! Uma oportunidade de brilhar entre os teus amigues!!
23h – Concertos – Enmasse + Desmarques + Catapulta + Sharp Knives

Domingo 14
15h – Oficina de Fermentados – Vamos fazer chucrute!  (tragam frascos grandes, couve branca ou coração, raízes e sal marinho)
17h – Piknik ao sabor do vento  (trás algo para contribuir)
17.30h – Oficina de Shiatsu (tragam uma esteira ou pequeno colchão, toalha ou lenço e roupa confortável)
20.30h – Sessão de pankecas!
21.30h – Cinema

Aparece sem medos, trás companhia e mantém a chama acesa
Rua Latino Coelho Nº 2  –  Setúbal

COSA É VIDA  *  ESTADO É MORTE
          STOP DESPEJO DA COSA
                        1 DESPEJO = 1000 OKUPAÇÕES

[Bosque de Hambach] Jazzy e Winter libertadxs da prisão com restrições

fonte: CNA Rhineland

Na terça-feira, 2 de outubro de 2018, Jazzy e Winter foram libertadxs, após audiência em tribunal.

Ambxs estiveram duas semanas em prisão preventiva. Agora, o tribunal distrital de Düren decidiu não continuar a aplicar a ordem de restrição de liberdade.

Ambxs estão agora em liberdade e as suas identidades continuam desconhecidas das autoridades!

Mas ainda há três “Hambi” na Prisão: UPIII, Andrea (UP 20) e Eule. Todxs xs prisioneirxs precisam do nosso apoio! Pode-se escrever um e-mail para abc-rhineland@riseup.net o qual será imprimido e enviado para aquelxs.

em alemão l inglês  l espanhol

Porto Alegre, Brasil: Balanço dos Encontros “SEM DEUSES SEM MESTRES”

Aconteceu em Porto Alegre!

SEM DEUSES SEM MESTRES.
História, Memória e Atualidade do Anarquismo

Alguns anarquistas convidaram a quatro encontros, entre 1 e 22 de setembro, para trocar idéias sobre história e atualidade do anarquismo, na okupação Pandorga.

No primeiro encontro, no meio da persistente chuva, 25 pessoas chegaram para a atividade,  juntos gritamos e aplaudimos o forte trovão que ressonou no inicio da projeção do capitulo 1 do documentário Sem deuses Sem mestres: 1840-1906: A Paixão pela Destruição.

As formas em que nos posicionamos em relação ao entorno, enquanto anarquistas, abriu o debate para lembrar que o anarquismo surge, e se repensa, a partir das inquietudes por responder à opressão social, econômica, política, moral, etc.. Desde a interação social, com preocupações sobre como abordar alguns temas no nosso cotidiano, até a necessidade de expandir nossas idéias na procura de afins, ressaltou nossa  impossibilidade de permanecer apáticos frente à dominação. Seja uma pessoa tirana, seja o conflito pela terra dos povos não civilizados, seja a luta contra a exploração daqueles que estão obrigados a trabalhar, seja a tirania democrática ou monárquica, ou algum evento que evidencia à dominação, ficou claro que a procura pela liberdade é ainda a grande propulsora dos anarquistas.

Conversamos e percebemos que a pesar de não procurar nenhuma uniformidade,  é importante falar de alguns “princípios” anarquistas, elementos que nos permitissem nos identificar e posicionar como tais. Para uns trata-se da procura pela vida livre e o rechaço à todo aquilo que atente contra ela, para outros trata-se da destruição do estado e do capitalismo, alguns manifestaram a necessidade de “militar” para se sentir anarquistas, entanto que outros questionaram o anarquismo como estilo de vida e de liberação só individual.  Longe de dar uma resposta, o debate evidenciou a diversidade das motivações e os porquês das proximidades com o anarquismo, mas sobretudo, insistimos em que ser anarquista vai muito além de simplesmente adotar esse nome, se tratando duma posição não autoritária, duma intolerância com o governo, o Estado, a autoridade, duma vontade por disseminar sementes de liberdade e da possibilidade, concreta, de não nos sentir oprimidos por ninguém, nem oprimir ser nenhum.

Outro dos pontos que debatemos, nesse primeiro encontro, foi o poder, a partir da referencia ao empoderamento e outras “formas” de poder. Alguns manifestaram uma aproximação ao termo poder a partir das noções de poder popular e empoderamento, alguns outros rechaçaram a idéia de poder, resgatando a herança anarquista que nunca propus o poder como fim nem como meio, esclarecendo que este tipo de propostas provêm da aproximação das propostas esquerdistas, sobretudo a partir dos anos 60.

No segundo encontro, assistimos o capitulo 2 do documentário Sem deuses Sem mestres, 1907 – 1921: Terra e Liberdade. Ainda que com menos gente, e tendo acalmado, em parte, a sede do primeiro encontro, debatemos sobre dois pontos amplos: a educação libertária, e o tema da terra. Este último, infelizmente, não teve um retorno muito acalorado no debate, porém, cabe salientar que se remarcou a importância da terra para qualquer projeção de vida livre. Já o tema da educação libertaria, foi mais abordado, e a partir dessas reflexões também se apontou para a necessidade de espalhar as idéias, e de ter caminhos para transmitir práticas e princípios.

No terceiro encontro, assistimos o terceiro episódio do documentário, 1922 – 1945, Em memória do derrotado, que aborda dois episódios importantes: o assassinato de Sacco e Vanzetti nos Estados Unidos e a Revolução Espanhola, ambos como experiências frustrantes tomando em conta seus resultados finais. No debate insistiu-se em que depois dessa experiência, os anarquistas ainda vibram e agem, nos inconformado com o título do capítulo. Alguns dos assistentes ficaram impressionados com a real possibilidade de uma vida autogestionada, como foram os primórdios das cidades liberadas pelas colunas anarquistas na Catalunha. Falou-se bastante dos impasses e dos ataques dos comunistas dentro da Revolução Espanhola, e consequentemente, lembramos que e União Soviética não só não ajudou os combatentes, sob uma mínima proposta em comum da luta contra o fascismo, mas que até sabotou essa luta.

No último encontro, proposto para estabelecer uma ponte entre o ultimo episódio do documentário e os espaços e tempos mais imediatos, nos sentamos numa roda, numa tarde agradavelmente quente, para conversar sobre nossa memória em relação ao anarquismo. Um companheiro anarquista, recuperando a importância da voz e a escuta,  compartilhou conmosco episódios, caminhadas, anedotas e experiências da ampla e insistente história dos antiautoritários na região. Desde a lembrança da Colônia Cecília, fomos ouvindo sobre como os anarquistas espalharam-se por vários estados e, junto com mais outros expulsos de terras distantes, e companheiros que brotaram nestas matas, se juntaram em espaços, colônias rurais, sindicatos e o afã de criar publicações, sabedores de que assim, conseguiam chegar até outros corações rebeldes e que para muitos compas esse era o mais apreciado contato com outros anarquistas da região e do mundo. Assim, fomos mergulhando na história dos compas e da imprensa anarquistas na região.

Ouvimos também  sobre os embates contra os rebeldes: as leis de expulsão dos indesejáveis, o confinamento de presos em Clevelândia, os embates que chegaram do populismo da Era Vargas, durante a qual os sindicatos foram incorporados ao Estado, perdendo sua autonomia. Neste período, também se vivenciou uma forte repressão contra anarquistas e dissidentes de todo tipo, o qual provocou uma considerável descida na agitação ácrata.

Mas os anarquistas são teimosos, aqui e agora, e fomos teimosos também nos contextos mais duros. Assim, ouvimos sobre a permanência de centros de cultura, sobre jornais que resistiram, ainda que trocando de nome, sobre editoriais e até estudos fotográficos que se mantiveram pelo menos durante uma parte do período ditatorial, sobre os estudantes do MEL, nesta difícil etapa, marcada, aliás, por uma clara distancia dos grupos da esquerda.

Transitamos também pelo retorno à democracia, momento em que aparece o jornal anarquista, o Inimigo do Rei, assim como os anarkopunks e as tendências mais organizacionais do anarquismo que, esta vez, e sob a influencia de organizações de terras vizinhas, começam a tender pontes com o esquerdismo. Esta proximidade, muda a linguagem ácrata na região até a atualidade com suas respectivas consequências.

Finalmente, e ainda que muito sucintamente, abordamos o tema dos confrontos nas ruas que foram se criando e cultivando há mais tempo do que o 2013 como uma das faces atuais que nos movem para as ruas e para um desrespeito à materialidade da dominação, fator que cultiva uma proposta de conflito e não passividade diante das múltiplas formas de opressão.

Em todos os encontros, a riqueza da historia do anarquismo, nos levou da mão por reflexões, inquietações e sensações muito abrangentes, dentre as quais sobressaiu uma inquietude sobre as várias formas de procurar a anarquia, não como uma preocupação ou problema a ser resolvido, mas como um cenário que  paradoxalmente nos afirma nas procuras particulares e nas formas de vivenciar anarquia.

A inquietação diante da dominação, ascendeu a chispa para debater, em cada encontro, sobre o fato de que todas as ações dos anarquistas, seja em ação individual, coletiva, de reivindicação, de manifestação coletiva, ou de arremetida violenta, são fruto dum contexto; resposta e proposta diante de alguma situação frente à qual poucos podemos ficar indiferentes.  E ainda que  nos posicionando num combate permanente e histórico contra as máquinas do predomínio, na procura pela liberação total sentimos também a necessidade da vida livre a cada passo, assim, debatemos também sobre as possibilidades de vida em autonomia, sempre como uma facada ao encurralamento da vida imposta pela “sociedade normalizada”. Consequentemente, entendemos as ações anarquistas como aquelas repelem o que agride, e neste simples gesto, elas combatem há séculos, o sistema de dominação, não respeitando jamais as agressões legitimas da violência dos que mandam.

Foram encontros muito especiais, num momento em que valorizamos com maior afinco as decisões assumidas na hora de nos posicionar anarquistas. Estes encontros propiciaram, além do mais, nos juntar a falar do que acontece nosso entorno, de nos conhecer e até nos criticar para nos fortalecer, observando nossas palavras, nossas respostas diante de situações com as quais não concordamos, nossos interagires com os desconhecidos. Somado a isso tudo, nos encontros também trocamos idéias, sobre o quotidiano, desde a estranha posição de quem não está pensando em quem votar, mas qual vai ser a cor da chibata contra qual vamos combater, ou seja, desde o estranho olhar de quem se desapega das correntes e gaiolas e não as deseja pra ser nenhum, e isso, esse tipo de encontro, fez que alguns dos assistentes saíssem com pelo menos uma preocupação no rosto e outros, saíssemos sempre com um sorriso, sabendo que não somos tão poucos, e que temos tanta vontade como para seguir na vigência da procura pela anarquia.

Porto Alegre, primavera de 2018.

Cartaz A em pdf  l Cartaz B em pdf

Nota de Contra Info

Recentemente foi disponibilizado o documentário “Sem Deuses, Sem Mestres: História do Anarquismo”, dirigido por Tancrède Ramonet, legendado em português. O documentário realizado em três partes – de 52 minutos cada – busca retomar os principais acontecimentos dos últimos 150 anos de História Social, resgatando as origens e ações realizadas em nome do ideal político que tem lutado contra deuses e mestres. A partir de materiais de arquivo, além de vasta documentação, a série reconta a história do movimento anarquista internacional, de Paris a Nova Iorque, e de Tóquio a Buenos Aires.

Os episódios estão disponíveis online :

1840-1906 – A paixão por destruição:

1907-1921 – Terra e Liberdade:

1922-1945 – Em memória do derrotado:

E para download (via torrent) em melhor qualidade no link: https://goo.gl/d3B576

Para download via torrent sugerimos a utilização do software qbittorrent, disponível para download em https://www.qbittorrent.org/

[Brasil] Para além das eleições e das intervenções. Nosso total rechaço à democracia.

Para além das eleições e das intervenções. Nosso total rechaço à democracia.

Qual o motivo que faz as pessoas se submeterem a outras pessoas?
O que faz uma pessoa pensar que o patronato ou o governo são
indispensáveis?
O que faz pensar que as pessoas livres não podem se apoiar, se
autogerir?
(Carlos Coletivação/Brasília, O Inimigo do Rei, n° 20, Jul. 1987)


Trinta anos depois…
.

Tem passado três décadas desde o ovacionado “retorno” à democracia. Aos poucos, foram apresentando a democracia como o remédio a todos os males, como a única via de governo, de política, o fim da história, um direito humano! Apresentaram o “governo representativo” com um brilho incomum que permitiria às pessoas terem liberdade… de eleger qual seria “melhor capacitado” para mandar nelas.

No entanto, eleger quem governe parece não deixar todos contentes. Existe um  inconformismo cada vez mais crescente e não só desde as margens (onde nunca fomos parte do “sistema”) ou desde o antagonismo (onde nunca aceitamos ser governados). O inconformismo parece crescer gradualmente entre a mesma população que seria contemplada pelo regime democrático: A percentagem dos que não votaram nas eleições municipais de 2012 foi de 19,1%, e a dos votos brancos e nulos de 9,1%. Em 2016, nas eleições presidenciais, a abstenção foi de 21,5%, os votos brancos e nulos somaram 14,3% (segundo dados do Estadão dados), totalizando mais de 35% dos eleitores. Nenhum dos candidatos somou tantos votos. O que nos dizem essas estatísticas? É suficiente com não votar? Não votar desestabiliza de alguma forma à autoridade parlamentar?

Pareceria que a eleição está perdendo popularidade, mas enquanto uma parte do mecanismo eleitoral do governo perde adeptos, a democracia se impõe, e junto com ela se impõe a permanência de uns governando aos outros.

O Estado, suas engrenagens e suas articulações, estão sustentados pela exaltação da democracia como a forma mais hospitaleira da política. A propaganda pela democracia tem provocado a idéia de que ela é o ponto final do trabalho por uma política e organização social “perfeita”. Com essa jogada, a democracia possibilitou que o Estado mantenha o poder, e que as pessoas acreditem nele como o poder legítimo. Mas, até os cérebros da organização estatal: Hobbes e Maquiavel, defensores do “pacto social” (no qual as pessoas, supostamente, elegeriam o Estado voluntariamente), sabem que a máquina estatal senta-se na poltrona da submissão: Segundo eles, não pode existir unidade entre o povo e seu governo se não há submissão – voluntária ou involuntária, legítima ou ilegítima – e não há submissão sem terror, em algumas doses. (Christian Ferrer, em: El Lenguaje Libertário). Essa submissão, temos claro, se consolidou, e se consolida, mediante as forças armadas, que são a mão do terror, da tortura e da prisão estatal. A democracia se impôs graças a elas, que a usaram como amnistia geral para lavar, na política do está tudo bem, anos de tortura e desaparecimento.

A máquina estatal não existe sem os repressores.

Mas, a participação política dos militares e policiais tem profunda pisada na estruturação do estado e da civilização que o sustenta e não somente como a força armada que  impõe à força os ideais da política estatal e da democracia. Lembremos que foram militares o primeiro governo republicano de 1889 e os governos ditatoriais do período 1964-1985. Militares e policiais são elo central da maquina estatal, e estão, permanentemente, tentando controlar o Estado.

Os militares já governaram mediante o voto (Marechal Enrico Gaspar Dutra, 1946) e quando precisaram, eles governaram mediante imposição ou tomada violenta do mandato (nos períodos ditatoriais). Mas é agora, nestas eleições que o Estado e as forças armadas expõem sua estreita vinculação, com candidatos cada vez menos à paisana, e  é, mediante a amabilidade da pergunta e o acordo democrático que, eles tentam governar de novo. A manobra da imposição da democracia como uma tirania é perversa na sua consolidação, esta vez é a “sociedade” – historicamente surrada, torturada, punida pelas forças repressivas que existem para controlar e apagar toda dissidência e crítica – a que pode pôr no poder a face repressiva do sistema estatal.

Jair Bolsonaro (candidato à presidência pelo PSL), o General Mourão (candidato à vice-presidência pelo PRTB), o Cabo Daciolo (candidato à presidência pelo Patriota), o Delegado Ranolfo Vieira (candidato do PTB para vice-governador do estado de Rio Grande do Sul), são parte das forças armadas, e defendem como parte das suas campanhas, os valores dessas instituições. A possibilidade deles serem eleitos, de pessoas torcerem e desejarem que eles sejam os seus governantes, são um sinal apavorante do protagonismo das forças repressivas nas expectativas de eleição do governante.

Os pedidos de intervenção militar, a candidatura de militares e policiais, estão mostrando algo; o voto ciente, a eleição de serem governadas por pessoas e instituições que tem nos seus currículos inúmeras chacinas. Se pode se passar por alto que os militares e policiais quando mandaram o fizeram no fiel apego ao exercício da tirania, não se pode passar por alto que esses pedidos, que cada voto por estes personagens, significam um “amor” a ser mandado e um “amor” à obediência, pontos nevrálgicos do agir das forças armadas.

Esse “amor” submisso à obediência é muito parecido com aquilo que move milhares de pessoas a frequentarem igrejas entregando o futuro e o presente das suas vidas nas mãos de outros. Mas, esse “amor” não é mais que a negação da força individual, da capacidade de transformar as coisas, e de governar a própria vida. O Estado domina com as mesmas táticas que uma igreja: roubando às pessoas a confiança nelas mesmas, fazendo-as acreditar que sem essas instituições, não são nada. Tornam-las dependentes de algo que se construiu encima delas com o único objetivo de dominá-las.

A democracia pretende impor a fé em que a eleição de um novo tirano, é a única via possível, se espera-se uma vida melhor. Enquanto que suas forças armadas predicam os valores da obediência e submissão. O resultado é que terminamos assistindo  eleitores ansiosos por serem mandados por policiais e militares! o extremo do amor submisso.

Mas, vamos para o outro extremo, a possível “alternativa”: A esquerda, a qual amparada no medo à irmã malvada da democracia, a ditadura, tenta “abrir espaço” dentro do Estado para a inclusão de representantes da «diversidade»: povos não civilizados, negros, feministas, etc., quem talvez, sinceramente, acreditavam que se podia mudar as coisas desde dentro do sistema. Mas, o jogo do poder é sujo e perverso: ou se impõe o silêncio e se entrega a vida à quem tem mais poder, ou se, ainda sobra algo de dignidade, uma facção da máfia dos donos do poder, dão uma rajada e assassinam…O caso recente da vereadora do PSOL Marielle Franco é um claro exemplo disso…ela não foi assassinada só por ser mulher, negra, lésbica e sair da Maré, mas por não calar sua indignação frente às chacinas nas favelas do Rio de Janeiro. Se ela tivesse sido negra, lésbica, mulher e saído da Maré para ser vereadora que aplaudisse o sistema, o estado e as oportunidades sociais, as quais a ajudaram a ser bem-sucedida, outra seria sua história.

Entre essas “boas intenções”, e a opressão mais tradicional, não existe muita diferença, nenhuma pensa na máquina estatal como um problema. Ambas duas tem como objetivo, o controle das finanças, os “recursos” e a população,  e tem a repressão como estratégia.

E ainda mais, o rechaço de uns, e a eleição dos outros, pouco ou nada muda. A honestidade do discurso conservador, moralista, fascista e racista do Bolsonaro, pode provocar que outras opções como as do “centrão” aparentem ser melhores, quando no fundo são a mesma coisa com palavras mais concordantes com o politicamente correto do momento. De uma ou outra forma, a máquina estatal, articulada com os interesses financeiros de quem domina o mundo, acaba sempre tornando as pessoas cada vez mais dependentes da sua assistência, ou, eliminando-as se incomodam. A diferença entre as opções radica só no estilo da chibata e da chibatada.

Uma vez que a idéia de que a democracia é o ponto final, ela se consolida e começa a se acreditar que ela precisa só ser melhorada com mais leis ou emendas, e junto com ela, a dominação também se consolida. A máquina estatal, pensada e construída permanentemente com a finalidade de dominar e controlar a população e o território, tem como pilar a contenção da liberdade. A democracia e o voto são as ferramentas que o povo tem para manter-se sob o julgo do opressor. Um Estado  jamais poderá outorgar liberdade e autonomia. Como já foi dito milhares de vezes, se votar mudasse algo, seria proibido!

Diante disso, como vão as lutas radicais?

Em 2016 tivemos que presenciar “anarquistas” assumindo um cargo de governantes públicos, o posto de vereador, em Alto Paraíso (Goiás). Eles defenderam, seriamente, que terem se candidatado e assumido o posto de vereador, era uma prática anarquista por se tratar dum mandato coletivo e por estar baseada na proposta federalista de Proudhon.  Podemos aceitar que até os “anarquistas” tentem ser incluídos no Estado?

Pouco ajuda pretender que, mediante a indiferença, estes acontecimentos ficam fora do âmbito anti-autoritário, ou que pensando muito fortemente que esses não são anarquistas se evita o problema de fundo: uma perda de foco total sobre o que é a luta anarquista. Ainda mais, é necessário dizer que quem tolera este tipo de eventos vira, em parte, cúmplice das severas contradições que essa aberração traz. E como não queremos ser parte disso, achamos igualmente necessário retomar alguns pontos básicos: Os anarquistas propuseram como principio a autonomia e ausência de autoridade e desde essa afronta, não governar nem sermos governados. Sermos ingovernáveis não tem nada a ver com mandatos coletivos.

Justamente com estes exemplos, pareceria que já nada é uma força totalmente  alheia e irrecuperável pela instituição estatal, que tudo é constantemente incluído no Estado e que até a rebeldia é normatizada por ele. Pareceria estar tudo resolvido ao mesmo tempo em que  tudo está mais opressivo. Difunde-se a regra do vale tudo, do tudo é tolerado sempre que seja contido nos direitos.

Não podemos esquecer que muitos dos direitos atuais foram vitórias efetivas, provenientes de protestos, lutas sangrentas e urgentes. Mas, também não podemos esquecer que essas vitórias foram transformadas em formas úteis para a própria máquina estatal. Faz várias décadas, o racismo, o sexismo, a homofobia não faziam parte da agenda política estatal nem das ongs, eram lutas estabelecidas diante dos contextos normativos e genocidas, mas com o passar do tempo e sucessivas derrotas, a máquina estatal incluiu essas lutas, assim como muitas das lutas laborais vitoriosas, transformando-as em benefícios e direitos garantidos pelo Estado. Com essa inclusão elas foram engolidas pela dominação. Ao serem parte dos parâmetros estatais, cada vez que existisse um descontentamento ou um contexto opressivo a mais, essas causas, que já viraram demandas por reformas dos novos direitos, fazem com que os atos antes rebeldes virem parte da agenda estatal: o truque mais engenhoso do sistema segundo Teodore Kaczinsky. Também Alexandre Samis, historiador e anarcosindicalista desta região aponta estes mecanismos: “Os anarquistas antes lutavam por direitos, e hoje lutam para que estes direitos não continuem sendo retirados”, o que quer dizer que se antes se lutava por aquilo que não existia nas leis, por aquilo que era o impossível, pela liberdade e dignidade sempre alheios ao Estado, hoje se luta por maiores ou menores “privilégios”, outorgados pelo próprio Estado, o que termina referenciando até a rebeldia nos termos dele.

Sabemos que incluir a rebeldia na agenda de algum ministério ou ONG só a mata mediante golpes graduais, transformando-a em grito vazio. A revolta jamais pode ser contida nas regras da repressão.

Consequentemente, a procura duma vida livre e pronta para responder com braveza a toda a opressão, precisa ser mais vigente do que nunca.

Precisamos ter a sagacidade de perceber as engrenagens da dominação. E para isso, pode ser saudável desbancar algumas propostas como a luta pelos direitos, pelo empoderamento, ou pela democracia direta, que referenciam seus parâmetros de luta a partir de parâmetros instituídos pelo próprio Estado.

Entendemos que quando se defende estar lutando pelos direitos, se defende também o poder judiciário (cuja função é cuidar dos direitos mediante o controle, julgamento e punição), o poder legislativo (encarregado de fazer as leis e delimitar o que é crime), o poder executivo (que faz que isso tudo aconteça),  e a figura do cidadão (proprietário, ou em caminho de ser-lo, trabalhador, com vários juros a pagar, espiado com todos, sonhando com o novo aparelho para comprar), ou seja, se defende e validam os pilares da construção estatal.

Com o empoderamento acontece uma coisa similar aos direitos: Em 1977, o psicólogo norte-americano Julian Rappaport cunhou o termo “empowerment”n a partir da palavra “power” (“poder”) para defender que era preciso dar ferramentas a certos grupos oprimidos para que eles tivessem condições e autonomia de se desenvolver. O educador brasileiro Paulo Freire criou sua versão do termo para debater a proposta de Rappaport: para ele, eram os próprios grupos desfavorecidos que deveriam empoderar-se a si próprios, uma noção que se tornou popular entre educadores e sociólogos e em alguns movimentos. Atualmente a idéia do empoderamento é usada pela ONU (Organização das Nações Unidas), pelo Banco Mundial e o PNUD (Plano de Desenvolvimento das Nações Unidas) sobretudo para se referir aos avanços nos direitos e na inclusão das mulheres, assim como para orientar seus planos de ação. Não necessitamos sermos muito sagazes para ver que lutar pelo empoderamento virou ser uma parte da agenda governamental e das ongs internacionais.

A crítica à democracia, por sua vez, as vezes aponta na valorização da democracia direta como resposta contra formas distorcidas da democracia, ou contra a democracia burguesa. Cabe salientar, inicialmente, que a democracia direta refere só a uma forma de tomada de decisões, e não à escolha de líder. O antagonismo anárquico refere a uma expressão mais ampla da liberdade: formas de vida autônomas, expressões de luta contra a dominação, solidariedade, e mais. Já a riqueza das formas coletivas de tomada de decisões, para os inimigos da dominação, tem pelo menos duas fontes: por um lado os acordos livres, a tomada de decisões coletivas, às vezes simplesmente um acordo para determinada tarefa, e outras vezes com uma projeção maior como as sociedades e coletividades. Por outro lado, as formas de tomar decisões das múltiplas formas de vida não ocidentais, valorizam a confiança duns nos outros para realizarem planos coletivos e individuais, são grandes acordos para fazer algo baseados principalmente nas decisões coletivas, que não recorrem à votação para chegar num acordo.

O uso dos referentes legais e reconhecidos pela instituição estatal, para alguns, pode ser uma estratégia para se aproximar de outros movimentos de luta, com a intenção de serem mais fortes quantitativamente, mas esta estratégia provoca uma contradição profunda no coração das propostas anti autoritárias: tentar unir o poder e o direito, com a anarquia, e a difusão de uma idéia de anarquismo que, através desses parâmetros de luta, toleraria parte dos pilares essenciais do Estado: os direitos, a cidadania e a democracia.

É suficiente com não votar?

Não dizemos que exista uma via certa ou única de luta contra a dominação, o que questionamos é o caminho democrático como estratégia… uma estratégia condenada ao fracasso se o que se quer é viver sem mandar nem sermos mandados, pessoal e coletivamente. Temos a permanente necessidade de dar confronto à dominação, e não vai ser nos aproximando dela que consigamos erradicá-la. Precisamos perder o medo do novo, do estranho, do ilegal, e entender que para além da democracia e as eleições, está, não a ditadura e a escolha de militares, está a vida sem donos nem chibatas, e claro, está também o perigo, formoso, de sermos os únicos responsáveis do que nos aconteça.

Cabe nos perguntar, de novo então, se para essa vida é suficiente com nos afastar do sistema democrático parlamentar, é suficiente com não votar? Pode se deixar que mais um seja o «elegido»?

Historicamente, a resposta anarquista diante da política estatal, partidária, e em consequência democrática, foi a vivência de uma política baseada na camaradagem comunitária, e não no medo, nem na imposição duma maioria. Ao mesmo tempo, sabemos de povos inteiros que delegam nada, da sua vida, para ninguém. Estes exemplos de povos e pessoas que não responsabilizam o estado, o governo, nem a igreja de todo o que acontece na sua vida, pelo contrário, que lutam para não serem dependentes, são antecedentes da vida que  existe nas margens da máquina estatal. E isso, abre caminhos para nós.

Em consequência, a resposta anarquista para o sistema estatal, que controla e se baseia na submissão, complementou-se com a aniquilação das instituições, auto reprodutoras da hierarquia, para que elas jamais consigam se apropriar da luta pela  autonomia.

Por isso, não basta com não votar, é preciso sabotar e esculachar a democracia, e suas engrenagens.

Somos seres que ansiamos a liberdade e a enxergamos para além dos falsos abraços inclusivos do poder, não temos donos nem obedecemos aq poderoso nenhum. Ainda mais, não queremos mandar sobre ser nenhum. Nos encontrando, nesse afã, com o intuito de ser uma força capaz de desestabilizar à dominação, nos parece importante não serenar nosso total rechaço à autoridade. Não delegar nossa vida, com suas altas e baixas, a ninguém. Não poder culpar ninguém de nossas angustias e que ninguém  possa se apropriar de nossas vitórias. Caminhar de cabeça erguida, seguros das nossas decisões e ações pois elas vem de nosso mais profundo sentir, não de programas impostos pelos que querem dominar. E isso, nos situa não como defensoras dos direitos, mas como os inimigos dos governantes, do sistema eleitoral e de cada um dos partidos e cargos institucionais.

Essa procura pela liberdade, esse anseio de autonomia, de sermos ingovernáveis, com certeza traz problemas, problemas para os governantes e para os poderosos, que se esforçam por esmagar estas procuras há séculos e não tem sucesso. Os problemas que a procura pela absoluta liberdade traz aos governantes, não se iniciaram com a ditadura nem pararam com a democracia.

Primavera 2018. Porto Alegre.
Texto retirado da Crônica Subversiva n° 2.
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Salsburgo, Áustria: Ataques à BIG, Hypo e ao Departamento de Finanças


Na noite de domingo para segunda-feira a BIG (Empresa imobiliária federal) foi atacada com fogo e tinta. São responsáveis pela construção da prisão em Puch.

Atacamos o Hypobank com tinta. É um símbolo da política de corrupção e especulação do ÖVP e FPÖ.
Quebrámos os vidros das janelas do Departamento de Estado das Finanças e atacámos com bombas  de mau cheiro, porque estamos a atacar o estado.

Em Salzburgo, em 16 de setembro – porque o governo austríaco está a preparar uma reunião de Cimeira da UE, alguns dias depois. para implementar práticas mais restritivas de vigilância e controle, especialmente contra migrantes.

Não nos importamos com a manifestação contra a Cimeira, onde xs participantes serão filmadxs, vigiadxs e criminalizadxs. Não jogamos pelas regras dos governantes.

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Ucrânia: Anarquistas de Kiew atearam fogo a um centro de treino policial. 19.09.2018

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Repressões e prisões tornaram-se parte das nossas vidas, assim como das vidas de todxs aquelxs companheirxs recalcitrantes que preferem conduzir uma luta ofensiva contra o Estado e o capital, atacando todas as manifestações de poder e destruindo a ordem opressora. Cada vez mais no decorrer dessa luta ouvimos chamadas de todos os cantos do mundo para solidariedade com pessoas afins reprimidas e presas, ouvimos histórias de como mais um/a de nós foi colocado/a atrás das grades, espancado/a, torturado/a ou mesmo morto/a, e também ouvimos como esta ou aquela infra-estrutura de anarquistas foi destruída, saqueada, como esta ou aquela iniciativa sofreu ataques de grupos punitivos do Ministério do Interior (MVD).

As autoridades, tal como há cem anos, estão a tentar travar-nos. Hoje, como ontem, opomos-nos aos guardiões das estruturas estatais que foram treinados e dotados com o “direito legal” ou, em palavras simples – cães de estado leais aos seus mestres e interessados em manter o status quo, reprimindo anarquistas e outras pessoas rebeldes.

Todos esses momentos desagradáveis vão acontecer e acompanhar-nos-ão pelo caminho bem direção à libertação. Tudo isso é esperado e não é surpreendente. O desafio a partir do inimigo tem sido aceito por nós, logo que nos tornamos anarquistas, e os apelos de nossos companheiros ficaram muito claros. Para nós isso significa apenas que a luta contra manifestações de pode tem que ser permanente! Portanto, só a solidariedade por tempo indeterminado, a luta até à plena vitória e satisfação de todos os nossos desejos rebeldes! Não há negociações com funcionários do Estado: em conflito constante com as autoridades!

Antes de contarmos aos nossos irmãos e irmãs acerca do nosso próximo ato, vale a pena discorrer e especular no objetivo escolhido e no método que usamos. O método que os nossos corações rebeldes preferiram foi coordenado com as convicções e ideias de outros anarquistas insurgentes – as de que ataques, incêndios, explosões e ações armadas contra os nossos inimigos devem ser parte integrante da guerra contra eles.

Agora acerca da escolha do alvo. Como alvo de ataques de retaliação, consideramos como estruturas inimigas, todas as  facções e individualidades bem como qualquer infraestrutura conectada que sirvam para cometer terrorismo de estado contra anarquistas e pessoas que pensem. O estado continua a torturar, a quebrar, destruir, organizar processos e meter os combatentes da liberdade na cadeia. Portanto, atacamos aqueles que controlam, prendem e nos matam numa base diária.

Os nossos inimigos: começando pela polícia, juízes, acusadores do ministério público e guardas prisionais, terminando nos cidadãos que em consciência formam e apoiam essa sociedade podre. Em suma, toda a figura chave no sistema, todo o seu servo, são um alvo para nós, guerrilheirxs anarquistas.

Ao contrário deles, somos anarquistas e, portanto, não queremos pertencer a nenhum estado e seguir as suas leis. Não somos obrigados e não queremos obedecer às leis, porque qualquer lei é apoiada pela inevitabilidade da punição pela violação do direito de vingança apropriado pelo Estado. Nos nossos relacionamentos com outras pessoas não somos guiados por leis escritas por funcionários. A nossa lei é nossa ética!

Cada segmento-alvo requer considerações e explicações separadas pela sua má conduta. Dado que à noite o fogo foi iniciado no centro de treino do Ministério da Administração Interna, devemos prestar atenção a essa gangue organizada.

Na Ucrânia, após o Maidan em 2014, o novo governo começou a chamada reforma do Ministério da Administração Interna. A sua principal tarefa era transformar a polícia na “polícia nacional”, reabilitando a imagem das estruturas de poder e restaurando a confiança das pessoas nelas. Eles estão a tentar convencer as pessoas de que a nova polícia não é aquela polícia odiosa que apareceu na era soviética. Este truque é tão antigo quanto o próprio mundo. Apesar de todas as reformas, eles continuam a ser a bófia de sempre!b Há mais de cem anos que o território da moderna Ucrânia pertencia ao Império Russo, mesmo assim a polícia estava a proteger o Estado e as pessoas ricas, tal como faz hoje. Então todos os revolucionários travaram guerra contra isso até à revolução de Fevereiro de 1917, após o que o departamento de polícia foi abolido.

Agora, a ideia do Ministério da Administração Interna – criado pelas autoridades e responsável perante eles, está totalmente estruturado e visa a realização de funções repressivas e punitivas, proteger os cidadãos poderosos e rico da nossa presença nas ruas. Portanto, nenhum governo antigo ou novo e nenhum estado – ucraniano, russo, bielorrusso, grego, etc, com a sua polícia e ministérios – nunca poderão ganhar a nossa confiança. Sabemos perfeitamente todas as suas intenções e, portanto, enquanto o aparato repressivo permanecer, vamos continuar a nossa luta!

Uma patrulha policial comum, operativos ou um grupo de propósito especial estão em estado de prontidão e, ao sinal das autoridades superiores, vão deter qualquer um, e, em seguida, aplicar medidas de contenção e punição para ele. Tudo de acordo com as instruções e leis que protegem o estado e o capital. Antes de entrarmos na cadeia e sermos entregues aos guardas da prisão, o nosso irmão ou irmã terá que lidar com representantes do Ministério da Administração Interna. Então, o Ministério do Interior – e o que estiver conectado com isso – é visto por nós como um instrumento para quebrar o espírito e a vontade de qualquer anarquista insurgente que se mova energicamente em frente.

Do ponto de vista da perspectiva revolucionária, pode-se até dizer com segurança que a existência de uma instituição profissional como o Ministério do Interior prejudica não só nós xs anarquistas mas também o resto da sociedade, desestabilizando e enfraquecendo as suas oportunidades de autodefesa – deixando assim as pessoas sem direito à autodefesa, fazendo com que se sintam desamparadas. A população, sendo incapaz de resolver problemas de forma independente, transfere esses poderes para o sistema e o Ministério da Administração Interna, por sua vez, como qualquer outra instituição do estado, confia e conta com o medo, com a incapacidade das pessoas para realizar o seu potencial interno, sem restrições externas.

Assim, de noite, a 19 de Setembro de 2018, o centro de treino dos funcionários do Ministério do Interior tornou-se o objeto do nosso ataque. É aqui, no centro de treino, que eles são treinados para nos deter com sucesso, atirar sonre nós, praticar confiscações e assaltos aos nossos apartamentos de armas na mão, armas que as pessoas comuns não podem possuir.

O centro de treino está localizado a 500 m da Rua Boryspilskaya, na floresta, no distrito Darnytskyi da cidade de Kiev. No centro existem pistolas e galerias de tiro automáticas, uma pista de obstáculos, um  campo de ténis, um campo de vólei, um campo para mini-futebol, salas de treino bem como uma estrutura onde grupos de captura são praticados. Foi em tal estrutura que lançámos um “galo vermelho”!
Estivemos mais de quatro meses a cuidando desse objeto. Há pouco tempo, no edifício acima mencionado, reparos de caros foram realizados e equipamentos elétricos foram adquiridos.

Para o incêndio a provocar, precisávamos de 17 litros de mistura incendiária, 10 pneus de carros e coisas antigas encontradas na rua. Fizemos 2 áreas de fogo em lugares diferentes. Também na parede deixamos uma mensagem: Destrua o Ministério da Administração Interna. O guarda e dois cães não suspeitaram de nada…

Embora o nosso ataque seja simbólico, ainda assim aponta para o inimigo e a direção na qual a resistência deve se desenvolver.

Nossas calorosas saudações e solidariedade vão para xs anarquistas na Rússia e nas prisões bielorrussas e campos de prisioneiros: Ilya Romanov, Oleksandr Kolchenko, Sergey Romanov, Yevgeny Karakashev, Ilya Shakursky, Vasily Kuksov, Dmitry Pchelintsev, Victor Filinkov, Andrei Chernov, Arman Sagynbaev, Mikhail Kulkov, Maxim Ivankin , July Boyarshinov e outrxs.

Este fogo é para si. Não nos importa se é culpado ou não, se está ou não envolvido/a no que é acusado/a. O fato é que na luta contra o Estado somos todxs culpadxs. Portanto, saibam que se xs “inocentes” uma vez mereceram a nossa solidariedade, então xs “culpadxs” merecerão mil vezes…

Também queremos enviar palavras de solidariedade aos/ás anarquistas que operam no Chile, Grécia, Itália e a todxs xs outrxs companheirxs que lutam tanto fora quanto dentro das prisões! Saiba que as suas ações e lutas são importantes para nós!

Viva a Anarquia!
Destrua o Ministério da Administração Interna! Destrua o estado!

Célula anarquista Ilya Romanov / FAI –FRI

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Sydney: Solidariedade com anarquistas em Yogyakarta

Liberdade para xs prisioneirxs da guerra de classes em Yogyakarta

No contexto da semana anual de solidariedade com os prisioneiros anarquistas, alguns anarquistas em Sydney visitaram o consulado indonésio em Maroubra na quinta-feira, 23 de Agosto.

Uma faixa foi amarrada à cerca em torno do consulado, onde se podia ler: “Bebaskan tahanan perang kelas di Yogya” (Liberdade para xs prisioneirxs da guerra de classes em Yogyakarta). Dezenas de folhetos também foram distribuídos e espalhados junto à embaixada.

Anarquistas em Yogyakarta enfrentaram uma onda de repressão após a manifestação do 1º de Maio de 2018, onde se viram barricadas em chamas nas ruas, um posto policial incendiado e um apelo para que o sultão local fosse morto.

Dezenas de anarquistas e compas da guerra de classes foram presxs após a manifestação e alguns deles ainda estão presos enfrentando um processo.

Desejamos solidariedade e força a todxs xs prisioneirxs anarquistas e revolucionárixs na Indonésia e no mundo.

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Alemanha: Dois anarquistas, expulsos da Floresta de Hambach, encontram-se presos

fonte Cruz Negra Anarquista de Rhineland

Durante duas semanas a RWE – com a ajuda de um grande destacamento policial de todo o país, tem expulsado a ocupação da Floresta de Hambach, perto da cidade de Colónia. Desde domingo 16/09, mais duas pessoas encontram-se presas. Isso significa que todxs xs cinco ativistas detidxs se encontram agora presxs em prisão preventiva.

A polícia prendeu os dois anarquistas no sábado. Eles não são oficialmente conhecidos pela polícia. Foram supostamente trancados juntos numa casa na árvore, na ocupação “The North”. O delegado do ministério público e o juiz acusam ambos de “um forte caso de resistência aos agentes de execução (Vollstreckungsbeamte)”, §113 Abs. 2 StGB.

O ativista preso Winter tornou-se uma sensação da internet – através de um discurso em movimento logo após a sua prisão, compartilhado nas mídias sociais. “Eles provavelmente estão a pensar que ganharam, mas não nos podem vencer porque precisam da floresta tanto quanto nós. Eles também não podem vencer a luta, porque são muitas as pessoas que estão por trás de nós. E simplesmente não entendem, que nós não lutamos apenas por nós mas por todos nós ”, disse Winter durante a detenção.

Aterrar na cadeia sob custódia no contexto dessas alegações, só se tornou possível através da mudança de lei do “Código Penal (StGB)” a partir do final de maio de 2017, onde a sentença mínima para “Resistência contra agentes de execução” foi aumentada para 6 meses. Além disso, há a decisão do Tribunal Superior Regional de Estugarda, no contexto dos “Protestos dos 21 de Estugarda”, em que o bloqueio “em antecipação ao destacamento policial” foi avaliado como equivalente a “resistência violenta”. Ambos são “afiamentos” da lei, particularmente dirigidoa a ativistas de esquerda.

Durante três dias xs acusadxs ​​não tiveram a possibilidade de entrar em contato com o seu advogado – tal como se encontrarem frente ao juiz e magistrado. Jazzy disse que, ao longo desses dias, exigiu claramente ver o seu advogado e manteve seu direito à defesa legal. No seu discurso, Winter falou sobre não se identificar: “Eles nunca entenderão como é viver entre pessoas para as quais não importa qual é o seu nome“.

A Cruz Negra Anarquista, no seu papel de apoio a prisioneirxs, dá o conselho: “Nenhuma pessoa deve ajudar no seu próprio processo legal. Nesta questão, apontamos para o §136 StPO, que dá o direito elementar de não dar a identidade, mesmo que isso seja frequentemente usado de maneira errada ou esquecido em julgamentos. Estamos a pedir a todas as pessoas próximas das pessoas presas, que aceitem e apoiem ​​o desejo de Winter ”.

Mais informações sobre xs prisioneirxs de Hambacher Forst em: abcrhineland.blackblogs.org

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[Floresta de Hambach] Repousa em paz Steffen

Na quarta-feira à tarde, por volta das 15h45, o jornalista ecologista, blogueiro e ativista Steffen Horst Meyn, morreu na aldeia das casas nas árvores Beechtown, na Floresta de Hambach. Caíu enquanto tentava documentar uma ação de despejo em andamento pelas Forças Especiais da Polícia (SEK), numa ponte suspensa de cerca de 20 m de altura. Equipas de resgate no local tentaram ressuscitá-lo. No entanto, morreu um pouco mais tarde ainda na floresta, num helicóptero de resgate.
Fotos tiradas por Steffen pouco antes do acidente

De acordo com as nossas informações, não há conexão direta com o auge da ação policial local, no momento do acidente. Mas sabemos em primeira mão que o único motivo que levou o falecido a subir às árvores foi ter sido constantemente impedido de fazer o seu trabalho no chão pela polícia.

Na Floresta de Hambach, estou agora a 25 m de Beechtown para documentar o trabalho de evacuação. Não há fita de barreira aqui.” Steffen Horst Meyn

Repousa em paz, Steffen!

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[Floresta de Hambach] Um amigo caíu de uma árvore e morreu durante uma tentativa da polícia de desalojo da “aldeia de cabanas em árvores”

19.09.2018

Hoje , um amigo – que nos acompanhou como jornalista durante muito tempo na floresta – caíu em Beechtown de uma ponte suspensa a mais de 20 metros de altura e morreu. Nesse momento a polícia e a RWE tentaram desalojar a aldeia de cabanas nas árvores. O SEK estava no processo de deter um ativista,  perto da ponte suspensa. O nosso amigo aparentemente encontrava-se ali no caminho quando caíu.

Estamos profundamente emocionadxs. Todos xs nossxs pensamentos e desejos estão com ele.  A nossa compaixão vai para todxs xs familiares, amigxs e pessoas que se sentem consternadas. Instamos a polícia e a RWE a abandonar o bosque imediatamente e a deter-se esta operação perigosa.  Não poderão voltar a estar mais vidas em perigo.

O que se necessita agora é de um momento de descanso. Inclusivé isto é difícil para vós neste momento assim como é difícil para nós dar uma pista real: Recomendamos assim – para proteger todxs xs ativistas – que não seja dada nenhuma declaração, nem sequer dar nenhum testemunho na polícia.  O acidente deve ser e será superado e reavaliado, mas a polícia não é o local para o fazer.  O seu  interesse é culpar xs ativistas.”

Atualização: A pessoa que faleceu era fotógrafo e amigo de longa data dos ocupantes e encontrava-se a fazer uma reportagem sobre o desalojo das casas das árvores. Caíu de costas, de uma altura de cerca de 20 metros, não tendo resistido aos ferimentos. A invasão policial terminou por agora.

Mais informação: https://hambachforest.org

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[Londres] Chamada para uma manifestação unitária contra a extrema-direita (13 Out)


Grande mobilização de militantes antifascistas em Londres. 13 de Outubro.

Uma coligação de grupos, incluindo os Antifascistas de Londres, convocou uma manifestação contra a extrema-direita da Aliança Rapazes Futebol Democrático (DFLA). A extrema direita já provou a si própria ser uma ameaça ressurgente, mobilizando 20.000 numa forte manifestação no centro de Londres, em Junho deste ano, atacando sindicalistas, negros e outras minorias étnicas e também livrarias de esquerda. Deixados sem controle certamente que repetirão esses ataques ultrajantes.

Os antifascistas começaram a unir-se de modo a combaterem essa nova ameaça. Em Julho, um bloco militante de cerca de 500 antifascistas concentrou-se para se opor a uma manifestação #FreeTommy. Procure maneiras de se envolver na construção de um movimento antifascista em massa nas próximas semanas.

Se estiver em Londres, fixe a data e participe na manifestação. Se estiver fora de Londres, considere organizar transporte para xs amigxs e companheirxs. Conheça o ponto de encontro a ser anunciado.

Contato: LDNANTIFASCISTS@RISEUP.NET
Defende Londres da violência fascista!

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[USA] Fire Ant: Solidariedade Prisioneiro/a Anarquista #1

Fire Ant é uma nova publicação focada em espalhar as palavras de prisioneirxs anarquistas e gerar solidariedade material para xs nossxs amigxs presxs. Iniciada como colaboração entre prisioneirxs anarquistas e anarquistas no Maine, a Fire Ant procura estruturar ajuda material para prisioneirxs anarquistas enquanto promove a comunicação entre anarquistas de ambos os lados dos muros.

A Edição # 1 contém escritos de Michael Kimble, Jennifer Gann, Eric King e Sean Swain, bem como um texto em solidariedade com Marius Mason.

Se quiser apoiar a Fire Ant e os esforços mais amplos em solidariedade com xs prisioneirxs anarquistas, era favor imprimir e distribuir esta publicação ou doar para o Fundo de Guerra dxs Prisioneirxs Anarquistas da Cruz Negra de Bloomington.

O coletivo da Fire Ant pode ser contatado por carta para:
Fire Ant
PO Box 164
Harmony, ME 04942
EUA

Edição #1 (inglês)

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[Madrid] Ataques a ATM no âmbito da Semana Internacional em Solidariedade com xs Presxs Anarquistas

Durante a Semana Internacional em Solidariedade com xs Prexs Anarquistas foram sabotados mais de uma dezena de ATM em diversos bairros de Madrid. As ferramentas para este tipo de sabotagem são simples e fáceis de encontrar: martelos e sprays.

Entendemos a solidariedade como a continuidade da luta que conduziu xs nossxs companheirxs às prisões do Estado. A solidariedade anarquista é muito mais do que uma mera palavra escrita ou de que uma atividade de assistência a presxs. Esta solidariedade materializa-se no ataque às estruturas do capitalismo e do Estado e procura aprofundar-se no conflito, através da ação direta.
Abaixo os muros das prisões. Viva a anarquia.

Pelxs companheirxs atingidxs pela Operação Scripta Manent!

Pelxs companheirxs represaliadxs após a Cimeira do G20 em Hamburgo!

Pelos anarquistas indonésios processadxs após o 1º de Maio!

Pela Lisa e todxs xs anarquistas presxs!

Anarquistas

[Brasil] 4ª edição do Solidariedade a Flor de Pele (Pelotas/RS) de 12 a 14 outubro de 2018

Chamado para a 4ª edição do Solidariedade a Flor de Pele – Santiago Maldonado Presente!

RECORDATÓRIO

Nos somamos à iniciativa – em coordenação com a convenção anárquica de tatuagens e piercings “Arte y Sabotaje” na Argentina, e “Tinta Negra” no Uruguai – de homenagear a vida em combate do companheiro e tatuador Santiago Maldonado “Lechuga”, que foi assassinado pelo estado argentino em 1 de agosto de 2017, enquanto lutava junto aos Mapuches na comunidade Pu Lof, no sul do território controlado pelo estado argentino.

Escolhemos o dia 12 de outubro para o início das atividades. Há 526 anos, os primeiros barcos coloniais chegavam no continente e, com eles, uma nova ordem social, que veio a se impor sobre as pessoas que viviam nesses territórios. Foi o começo dos genocídios, da devastação da terra e da expansão do capitalismo, mas também, de muitas lutas, batalhas, de resistências e ofensivas contra a colonização, que seguem vivas até hoje em cada canto da América Latina. Um exemplo, é a luta anti-capitalista e anti-estatal que os Mapuches seguem encarando.

Em julho do ano passado, a comunidade Mapuche Pu Lof estava recuperando terras que são reconhecidas pelo estado Argentino como propriedades do empresário Benetton. Para desalojar os Mapuches, no 1 de agosto, o estado argentino mandou suas tropas repressivas e foi neste contexto que Santiago Maldonado “desapareceu”. Durante mais de 6 meses, o estado argentino escondeu seu assassinato até que seu corpo fosse supostamente “encontrado” no rio Chubut em 17 de outubro. Santiago morreu como viveu, como um anarquista, solidário, lutando pela terra, contra a propriedade e contra o capital!

As três primeiras edições do Solidariedade a Flor de Pele proporcionaram momentos de encontros, trokas de materiais e debates fokados na luta anti carcerária. Então, foram espaços importantes tanto para a difusão da situação de companheirxs anarquistas presxs e/ou perseguidxs, quanto para a difusão da kontra-kultura anarko-punk, vendo as tatuagens e piercings como ferramentas que nos possibilitam juntar fundos para apoiar axs compas encarceradxs. Seguimos agora com este mesmo impulso.

Os ventos repressivos contra a Anarquia chegaram também por aqui. Em outubro de 2017, através da operação “Erebo”, que teve na mira a biblioteca anárquica Kaos, várixs companheirxs foram perseguidxs e okupações e kasas particulares foram invadidas. No Rio de Janeiro, a partir da operação Firewall, 21 pessoas acabam de ser condenados a penas de prisão que vão de 5 a 13 anos em regime fechado, pelos protestos de rua de 2013 e 2014.

No meio deste contexto, no qual nos querem amedrontadxs, a solidariedade se torna urgente e imprescindível! Não podemos deixar que o medo nos paralise! Convidamos a todxs xs anarquistas em luta e a todxs xs interessadxs a participarem da quarta edição do Solidariedade a Flor da Pele que acontecerá em Pelotas (RS) nos dias 12, 13 e 14 de outubro!

Em breve, publicaremos a programação no nosso blog: aflordepele.noblogs.org. Qualquer contribuição, aporte ou sugestão é benvinda e podem ser enviada no email novo: aflordepele4 [arroba]riseup.net

Fogo a todas as prisões!
Que viva a Anarquia!

Às pessoas que precisariam de alojamento, lhes pedimos que nos avisem quanto antes pelo email para organizar o espaço!
aflordapele.noblogs.org/

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[Haia, Holanda] Faixas em solidariedade com prisioneirxs anarquistas

Liberdade para todxs xs anarquistas presxs.
Por uma sociedade sem prisões nem Estado (A)

Fogo a todas as prisões (A)

Hoje [30 de Agosto] no último dia da 6ª Semana Anual de solidariedade com xs prisioneirxs anarquistas, foram penduradas três faixas alusivas em Haia, na Holanda.

Esta última semana internacional em solidariedade com xs prisioneirxs anarquistas, acontece pela sexta vez. Com a crescente repressão contra anarquistas na Europa e mais além, é importante continuar a mostrar solidariedade com prisioneirxs anarquistas. Não só durante esta semana, mas sempre.

Solidariedade com todxs xs prisioneirxs. Demolição das prisões.
Pela Anarquia!

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Buenos Aires, Argentina: “Arte e Sabotagem” Jornada de apoio a presxs – 25/08

Arte e Sabotagem – 1ª edição – Jornada de apoio a presxs

Edição especial – pelo nosso irmão Santiago Maldonado, companheiro Lechuga presente!

25/08 – sábado – a partir das 14h

“Kaasa La Gomera” – Barracas,
(cruzamento das ruas Quinquela Martin e Hornos)
Buenos Aires

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[Itália] Furor Manet

FUROR MANET
Setembro 2016, a Operação Scripta Manent, dirigida pelo procurador do Ministério Público de Turin Sparagna, leva à detenção de 8, entre companheiros e companheiras.

A principal acusação é a constituição de uma associação subversiva com fins terroristas. Junto com isso, a imputação inclui vários outros ataques, todos assinados pela FAI (Federação Anarquista Informal) e FAI / FRI (Federação Anarquista Informal / Frente Revolucionária Internacional). Até hoje, cinco companheiros e uma companheira permanecem na prisão, outra em prisão domiciliária, enquanto no bunker de Turim o julgamento segue a bom ritmo. Dezenas de polícias de múltiplas cidades vão alternando no cenário do tribunal, na presunção de reconstruir a história do movimento anarquista contemporâneo. O começo está sinalizado, como já vimos inúmeras vezes, na época do julgamento de Marini, durante os anos 90. Desde então, o aprofundamento obsessivo e incessante das nossas vidas leva os espiões profissionais a enumerar e distorcer até os detalhes mais ínfimos, até os mais insignificantes ou íntimos do dia a dia, das nossas vidas e relacionamentos. Uma representação patética, mecânica e determinista que nos deixa indiferentes.

É nas diferenças individuais e nos confrontos ásperos e por vezes carregados de tensões contrastantes que reside a história do movimento anarquista – a história de cada um ou uma de nós, com limites e contradições. A esta história pertencem as práticas revolucionárias, algumas das quais estão no banco dos réus em Turim.

Em tempos como este, mais do que nunca, apoiar métodos revolucionários significa lutar contra a repressão do Estado, cujo objetivo é sepultar os/as nossos/as companheiros/as debaixo de anos de prisão e aniquilar a história do movimento anarquista.

Nem um passo atrás, pela Anarquia.
Cassa antirep. Alpi Occidentali

[convite] Feira Anarquista do Livro de Lisboa, nos dias 26, 27 e 28 de outubro

Dado que as mudanças climáticas nos trouxeram o verão mais frio dos últimos trinta anos, dada a nossa constante e orgânica exigência de nos incendiarmos de paixão e de nos aquecermos com a rebeldia das nossas lutas diárias, vamos acender a nossa chama neste outono! E assim regressa a Feira Anarquista do Livro de Lisboa, nos dias 26, 27 e 28 de outubro, e novamente nos belos bosques da Penha de França. Se quiseres participar com a tua editora/distribuidora/espaço de informação ou simplesmente vir espalhar umas palavras de subversão impressas em papel, escreve-nos para feiranarquistadolivro@riseup.net
Até já!

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