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Brasil: [Biblioteca Anárquica Kaos] “Entramos incomodando e saímos provocando”

SOLIDARIEDADE COM A BIBLIOTECA ANÁRQUICA K(A)OS – QUEIMA A BÓFIA

Comunicado recebido a 17 de Maio de 2017

Entramos incomodando e saímos provocando
A Biblioteca Anárquica Kaos comunica que esta sem espaço.

Como acontece com cada okupação, e ainda mais se está pela anarquia, o tempo é uma incerteza. Mas, isso não pode frear esforços e vontades que quebrem a normalidade urbana e cidadã. Já contrárixs ao sistema, dificilmente mediremos nosso passos com relógios ou acumulo de tempo. Já em contra da dominação, cada ataque ao sistema para nós é uma vitoria ganha, mas não aquela vitoria do ponto final na guerra. Cada ação feita, cada passo dado fora das celas ordeiras do comportamento normativo que impõe a vida moderna, cada fogo aceso, pedra atirada, regra quebrada, são pequenos triunfos. Cada vez que procuramos a anarquia e fazemos as coisas acontecer ganhamos um pouco da preciosa liberdade. Essas são nossas vitórias.

Entramos incomodando

Ao longo de pouco mais de dois meses okupamos uma casa pertencente à alta burguesia local e os incomodamos certamente. Suas constantes aparições, os esforços que tiveram que fazer para “limpar sua imagem” diante de uma vizinhança que sentia-se afetada pelo abandono do lugar, até o fato deles ter que sair de suas cômodas casas para ir constantemente a nos enxergar, desacreditando que tínhamos tomado “sua” casa foram gratificantes formas de saber que estávamos incomodando aos poderosos de sempre, os donos da cidade faz séculos. E foi atrevido sim.

Rodeados pela Praça Matriz, uma delegacia, o palácio de governo, em pleno coração da materialidade do sistema estatal, okupamos uma propriedade histórica com a aberta confrontação anárquica de espalhar nossas idéias sem amaciá-las, as vezes rodeadxs e constantemente fotografadxs pelos puxa sacos dos donos, conspiramos no meio do monstro. E foi uma ousadia sim.

Sem esperar as melhores condições, sem buscar seguranças absolutas, procuramos o impossível e o fizemos acontecer.

Para quem duvide da força dxs individuos, há certamente um antes e um depois da Biblioteca Kaos na rua, no bairro e no entorno. Poucxs e loucxs, mudamos a paisagem do lugar em poucos dias, possibilitamos encontros, debates, conflitos e conspirações sem precisar cabeças nem estruturas verticais para espalhar revolta. E como um espaço anárquico não é o local mas as individualidades que fazem ele acontecer, cada umx dxs que agimos nesse espaço, assim como todxs xs que nos fortaleceram chegando até lá, propiciamos essa transformação. A expansão disso tudo seguirá como a expansão das gotas que caem no charco da água, insondável, imponderável.

Saímos provocando…

Quando apareceu o oficial de justiça para nos informar que tínhamos uma ordem de saída com intimação (o que quer dizer que ainda antes do processo de reintegração de posse nossa saída ia a ser forçadas pela brigada militar), o contexto estava dado e uma data marcada. Decidimos nos riscar alguns dias, ficando além da data, procurando sempre manter o mais valioso para nós. A informalidade.

Nos individualizar em sujeitxs diante do poder nunca foi nossa intenção e certamente também não foi nossa proposta entrar em processo jurídico nenhum. Não nos interessa a propriedade. Nesse contexto, decidimos dar um passo antes. Se não comunicamos nada sobre isto foi para manter o entusiasmo nos últimos encontros. Para ficar fortes e deixar acesa a brasa da vontade por ter um lugar de encontro. Para viver ao máximo o espaço.

Assim, fizemos de nossa saída uma festa. O ultimo evento foi uma vivencia convocada para a solidariedade que fez presentes compas de outras terras que foram despejadxs, compas que foram seqüestradxs. Foi um encontro de diversidade de pessoas que vivem diferentes formas de insubmissão e conflito contra a dominação e que sentiram a raiva de dizer vamos fazer alguma coisa, vamos sair, vamos tomar as ruas. A “perda” do espaço, era algo iminente desde que descobrimos o histórico de poder dos donos mas, não queriamos que as forças e os ânimos declinassem. Aliás, não perdemos nada, Um espaço de anarquia é o encontro de afinidades. Nossas vontades estão intatas e nos acompanharão nas seguintes ousadias.

Saímos furtivamente nessa mesma noite, logo depois do evento, mas sobretudo, saímos provocando a insubmissão e o conflito em palavra e ação.

Então esta saída não é uma derrota: é a conseqüência lógica de ter atingido o poder, é a clara demonstração de que incomodamos tanto que varias influências foram movimentadas para conseguir essa ordem judicial contra nós em tão pouco tempo.

A força do efêmero nos posicionou numa conflitividade e confronto que se espalhou rapidamente para varias individualidades e espaços. Sentimos assim cada encontro que tivemos e cada ideia, vontade e grito de raiva que saíram da Biblioteca. O tempo da anarquia não pode ser medido por um relógio, a intensidade rebelde do que aconteceu nesta aparição da Biblioteca Kaos é inenarrável.

Nossa proposta de okupa em conflito foi uma determinação que culminou em provocações que sabemos tiveram ações como resposta.

Atiramos uma flecha no coração do sistema… e gritamos vitória na guerra!

Nosso salve para cada pessoa que participou e fez atividades, nos possibilitou acesso a elementos necessários para sobreviver e construir o espaço, que compartilhou com nós leituras e trocas de ideias incríveis, para aqueles que nos doaram livros e levaram outros em empréstimo, para aqueles que desde a distancia nos mandaram material ou palavras de força (desde vários pontos do mundo e em vários idiomas): foram lenha forte que aqueceu o ambiente e que iluminou as noites. E nosso abraço cúmplice aos espaços okupados no mundo: são um ataque insubmisso ao sistema!!!

Biblioteca Anárquica Kaos.
15 de maio 2017

Portugal: Concentração Solidariedade com a C.O.S.A.!!! Stop despejo da C.O.S.A.!

O tic tac da especulação paira sobre as nossas cabeças, mas o nosso coração bate com outros ritmos.

Convidamos todas as que conheceram, viveram e sentem a COSA, assim como todos os que ainda não a conhecem a participar nestas semanas de contagem decrescente para a audiência.

*O calendário é o seguinte:*

25 de Maio– 15:00- Abrimos o “Covil”, com comida e info,  e faremos uma conversa /apresentação das acções até ao dia 2 de Junho
26 de Maio– 18:00- Músicas que nos enchem o coração de revolução, no centro social, e preparações para o jantar de dia 27
27 de Maio– 16:00 – Concentração, Protesto e Informação ás 16:00 no Largo da Misericórdia. Na COSA não se toca!!
– 20:00 – Música, Pitéu, Informação e o que mais vier! Na C.O.S.A.!
02 de Junho– 09:00 – Pequeno Almoço no tribunal! Tomamos um cafezinho e vamos-nos fazer ouvir: A C.O.S.A. é Nossa!

*TODAS A SETÚBAL!*
Contactem-nos se quiserem aportar mais ideias e contribuições.
Temos dormida para cerca de 200 pessoas: se quiserem alojamento para estes dias contactem-nos para organizar.

*Divulguem, protestem e façam-se sentir.*
*Juntos e Solidários vamos parar o despejo da C.O.S.A*!

Mais info c.o.s.a

 em alemão

Setúbal, Portugal: Stop despejo da C.O.S.A.


Um desejo antigo mas que se mantém bem vivo é  continuar a decidir  e a viver por nós próprios podendo assim desenhar um magnífico futuro.

Assim lançamos o apelo para uma concentração solidária com a C.O.S.A., esperando amobilização de todxs xs que estão dispostos a contrariar a ordem dominante. Em breve teremos mais informação.

C.O.S.A. Resiste!

Comunicado da C.O.S.A. em luta!

Pedimos desculpa àquelxs que já se questionaram sobre isso devido à nossa falta de comunicação.

Continuando do ponto que fizemos com o último comunicado, o processo judicial que visa o despejo da C.O.S.A. [Casa Ocupada de Setúbal Autogestionada], e ao qual nós decidimos apresentar defesa, teve no dia 28 de Abril uma audiência prévia.

Para surpresa de todxs xs presentes na sala, a juíza entrou já com uma decisão tomada e considerou que depois de ter avaliado o caso justificava-se proferir ordem de despejo nesse momento. Devido a erros processuais da parte da juíza, o nosso advogado conseguiu cortar-lhe esse impulso, e marcar nova audiência para 02 de Junho, tendo também em conta que, pela primeira vez, proprietários e ocupas declararam possibilidade de um acordo. Acordo este para o qual esperamos uma primeira proposta da parte deles e que gera entre nós bastantes questões e discussões de pontos de vista. Entre todas as possibilidades discutidas, mantidas em colectivo, e que continuam em aberto, a única que recusamos é a de aceitarmos uma compensação para sairmos rapidamente e sem problemas.

Continuamos a sentir que a C.O.S.A. é nossa. E a consequência deste sentimento têm sido os últimos meses que se têm revivido na C.O.S.A. Entre os dias 13 e 17 de Fevereiro organizamos jornadas de trabalho no centro social. Durante 5 dias, amigas e amigos trabalharam e comeram incansavelmente e conseguiram alcançar mais do que o que tinham projectado, ficando ainda com um sentimento de felicidade visto terem sido também 5 dias de muito bom convívio e diversão. No dia 30 de Março inauguramos “O Covil”, uma infospot onde se encontra o Suporte Okupa e desde aí temos o centro social aberto todas as quintas-feiras, o que tem permitido novas afinidades e relembrar o porquê de algumas antigas.

Continuamos abertxs a propostas e cheixs de ideias para o futuro, que pode ser incerto, mas que tem de ser magnífico!

Saúde & Anarquia!

mais info em c.o.s.a

em alemão

Buenos Aires, Argentina: Todo o confinamento é tortura, toda a prisão é opressão, toda a luta é um desejo de liberdade!

Solidariedade e ação direta com xs presxs em greve da fome – Abaixo as suas leis!

Contra todas as leis, contra a reforma da lei 24660!

No dia 5 de Maio, realizou-se um corte de estrada nas proximidades das instalações do serviço penitenciário federal (no cruzamento das Lavalle e Corrientes, Once). Além disso foi feita uma concentração com faixas junto à penal de Devoto (a 12 de Maio) apoiando xs presxs que fizeram uma greve de fome contra a reforma da lei 24660, um projecto que pretende endurecer as penas, limitando as saídas transitórias e a liberdade condicional, exigindo todo o cumprimento da pena sem nenhum tipo de benefício. Para agravar isto ainda se junta a construção de novas penais à volta da Argentina e a transferência das prisões para fora das cidades.

Em dezenas de unidades prisionais de diferentes âmbitos (provinciais, federais e de Buenos Aires) iniciou-se uma greve de fome, paragem de actividades e batucadas dentro das prisões do país contra a realidade prisional, pondo em risco a única coisa que possuem, o seu próprio corpo.

O Estado e os seus verdugos, aliando-se a um bombardeio mediático sobre a insegurança e à mesma sociedade que o alimenta, permitem aos juízes continuar a sentenciar ANOS E ANOS DE CONFINAMENTO, acrescentando a isso tudo o que de igual modo lá sucede: conglomeração, sobrepopulação, isolamento, verdugos, solicitações, castigos, violação e morte. Coisa quotidiana dentro das prisões da democracia.

Solidarizamos-nos con xs presxs em luta, para lá das diferenças, apoiamos sempre aquelxs que não se vendem e que decidem tomar a vida nas mãos.

Todo o confinamento é tortura, toda a prisão é opressão, toda a luta é um desejo de liberdade.

Venezuela: Chamada aos/às anarquistas de todo o mundo, em particular da América Latina

Capa do El Libertário nº 52

Da Venezuela, um apelo aos/ás anarquistas da América Latina e de todo o mundo: A solidariedade é muito mais do que uma palavra escrita

Dirigimos-nos a todas as expressões do movimento libertário, em particular às do continente em que nos encontramos, não só para chamar a atenção face à conjuntura que estamos a viver na Venezuela desde Abril de 2017, mas porque entendemos ser urgente que os meios anarquistas  se expressem mais enfaticamente sobre estas circunstâncias dramáticas, com posições e acções coerentes com o que tem sido o discurso e a prática do ideal ácrata, ao longo do seu percurso histórico.

É deplorável que muitas vozes anarquistas fora da Venezuela tenham mantido um mutismo que, de algum modo, tenha tido como resultado uma tácita aceitação daquilo que o governo chavista, hoje encabeçado por Maduro, em conjunto com as suas caixas de ressonância do exterior e também os opositores da direita e da social democracia, desejosos do poder do Estado, querem impor como “verdade” – quando estão em campanhas desaforadas para venderem à opinião mundial as suas visões enviesadas e carregadas de interesses pelo poder. Sabemos que as vozes afins não dispõem dos mesmos meios às ordens dos estatistas de várias emplumagens e que xs companheirxs enfrentam realidades complexas – em que há temas e problemas que, pela sua proximidade, requerem a sua preocupação mais imediata – mas julgamos que essa dificuldade não pode ser obstáculo para que se dê atenção, interesse e solidariedade quer ao que acontece na Venezuela, quer ao apelo que a esse respeito é divulgado pelos anarquistas desta região.

Num resumo sucinto do que hoje em dia se diz nos meios anarquistas da região, a actual conjuntura denuncia a natureza fascista do regime de Chávez – e a sua continuidade com Maduro – governos militaristas reaccionários que desde sempre temos denunciado a partir do “El Libertario”. Tem sido um regime ligado ao crime, ao narcotráfico, ao roubo, à corrupção, à prisão de opositores, às torturas, desaparecimentos, para além da desastrosa gestão económica, social, cultural e ética. Chávez conseguiu ter projecção com a sua liderança messiânica e carismática, financiado pela subida do preço do petróleo mas, desde a sua morte e com o fim da bonança, esvaziou-se o chamado processo bolivariano – uma vez que estava sustentado em bases muito débeis. Esta “revolução” seguiu a tradição histórica rentista – iniciada em começos do século XX com o ditador Juan Vicente Gómez e continuada pelo militar Marcos Pérez Jiménez – que não cessou com o esquema democrático representativo posterior.

Há quem no plano internacional (Noam Chomsky é o melhor exemplo) tenha rectificado o seu apoio inicial ao autoritarismo venezuelano e que hoje o denunciam de maneira efectiva. No entanto, observamos com grande preocupação o silêncio de muitxs anarquistas deste e de outros continentes sobre os acontecimentos na Venezuela. Há um adágio que diz: “quem cala consente”, o que se verifica na perfeição quando se faz passar fome e se reprime criminosamente uma população e os que deviam protestar pouco ou nada dizem. Apelamos a que quem segure as bandeiras libertárias se pronunciem, se ainda o não fizeram, sobre a nossa tragédia. Não há nenhuma justificação para a indiferença, se se tem uma visão ácrata do mundo. O contrário significa encobrir a farsa governamental, esquecendo o que foi dito pelxs anarquistas de todos os tempos acerca da degradação do socialismo autoritário no poder. Talvez que no passado a imagem “progressista” do chavismo possa ter enganado alguns/algumas libertárixs, mas se formos consequentes com o nosso ideal é impossível continuar hoje a sustentar essa crença.

Estamos em presença dum governo agonizante, deslegitimado e repressivo que procura perpetuar-se no poder – ainda que repudiado pela imensa maioria da população – que assassina através das suas forças repressivas e colectivos paramilitares e que, para mais, promove o saque. Um governo corrupto, que faz chantagem com caixas de alimentos, vendidas ao preço do dólar no mercado negro, que participa em toda a espécie de negociatas, um governo de boliburgueses e militares enriquecidos com a renda petrolífera e a actividade mineira destruidora do ambiente. Um governo que mata de fome e assassina, enquanto aplica um ajustamento económico brutal acordado com o capitalismo transnacional, ao qual paga pontualmente uma dívida externa criminosa.

É tempo de desmontar as manobras pseudo-informativas de que se pretendem valer no exterior, tanto quem controla como quem aspira a controlar o Estado venezuelano, e nisso esperamos contar com o apoio activo de indivíduos e agrupamentos libertários, tanto da América Latina como do resto do planeta. Qualquer demonstração de solidariedade anarquista será bem recebida pelo movimento ácrata venezuelano, que é pequeno e que se move entre muitas dificuldades, mas que na actual conjuntura agradecerá enormemente saber que, de algum modo, se pode contar com xs companheirxs do resto do mundo – seja reproduzindo e divulgando a informação que xs anarquistas da Venezuela difundem, gerando opiniões e reflexões que desmontam as visões que sobre este tema os autoritários de direita e esquerda tentam impor ou promovendo ou apoiando iniciativas de acção nos seus respectivos países em que sejam denunciadas as situações de fome e de repressão que se vivem hoje na Venezuela, o que seria melhor ainda. Agora, mais do que nunca, é necessária a vossa presença e voz em todos os cenários possíveis para que seja denunciada a tragédia em que está submerso o povo venezuelano.

Colectivo Editor do jornal “El Libertario”

Nota final do El Libertario: Análises e informações mais amplas e detalhadas sobre o que se está a passar na Venezuela, em base diária, no blog do El Libertario.

Portugal: Revista anarquista “Erva Rebelde”, nº 1

Acaba de sair o número 1 da revista de índole anarquista “Erva Rebelde”, tendo o número 0 saído há cerca de um ano. Pode ser consultada aqui  (disponível em pdf, também).

EDITORIAL

(…) não se pode matar a liberdade de pensar. É certo que pode ser silenciada, mas ela oferece seguramente a sua oposição perpétua e indomável aos ditames da autoridade tal como uma erva cresce sem ruído.” (Voltairine de Cleyre)

… para que o dinheiro entre, ele tem que sair.
(uma mulher na mercearia)

“… passo a vida a mijar e dói-me
a piça.
” (sentados no chão ao sol durante uma pausa, um operário para o outro)

Um dia, o mundo adormece com a morte de Fidel, no outro, acorda com a eleição de Trump e de uma ponta à outra das notícias e dos artigos de opinião, que percorrem o planeta, estamos sempre em conflito ideológico, ou resolutamente perplexas, com o mundo que nos rodeia. Este conflito cresce-nos nas entranhas e ramifica-se quer pela percepção que temos da importância dada a certos assuntos e o silenciamento de outros, quer pelas palavras assépticas que nos querem inculcar, mas também pela profusão intencionalmente caótica e dispersa. Se há coisas que nem apetece referir, porque soam a heresia política, como falar do mundo em que vivemos e que queremos construir sem referir o massacre da linguagem e do humano? Enquanto continuamos a nos organizar a um ritmo que será sempre demasiado lento, mas necessariamente lento, um desconforto, uma amargura e um desassossego se instalam. Entre companheiros que partem, como Júlio Carrapato, e outras que chegam, criam espaços como a livraria anti-autoritária em Lisboa, ou a livraria Amarcord em Berlim abrem portas e organizam momentos de partilha e discussão, nesta finisterra, os espaços do pensar anarquista permanecem à imagem do contexto social, político e económico que vivemos com as características próprias das nossas circunstancias geográficas, históricas e do nosso ser. O ritmo de eleições e os seus dispositivos, que confirmam as suas contradições e declarações perigosas e bélicas, como o recente ruído nuclear de dirigentes no twitter que, en passant, já fora assunto de discussão estival no seio da NATO encaminham-nos para um espaço cada vez mais pequeno, onde muros, ora legais ora de betão armado e arame farpado, são erigidos pelas chamadas democracias. Em nome da segurança e liberdade submetem-nos à pequenez e mesquinhez dos governos e à prepotência violenta do braço armado dos estados, as forças policiais e militares, que matam, violam e encarceram de Ferguson à Palestina, de Paris ao México.

A queda do muro de Berlim em 1989 deu lugar a uma economia militar lucrativa e a técnicas aperfeiçoadas de controlo e separação, porque afinal as vedações não foram derrubadas, apenas se deslocaram para as fronteiras do mundo ocidental, um espaço economicamente protegido e favorecido, um espaço definitivamente branco e judaico-cristão. Os países da Europa, um a um, consolidam dispositivos de repressão que nos apresentam como benéficos para a nossa liberdade e cimentam políticas económicas definidas a longo prazo nos corredores calcorreados pelas elites dos estados.
São políticas acima de qualquer partidarismo político, daí a profusão de candidatos sem partido aos mais elevados postos dos estados (como Macron em França) confirmando a natureza ilusória das democracias representativas, e que desfrutam de uma panóplia de máscaras democráticas imiscuídas nas engrenagens dos estados. Isto confirma-nos que sem perder de vista a nossa posição contra os estados e seus mecanismos, há uma luta premente que passa por todo o tipo de educação contra-capitalista e boicote ao capitalismo, quer pela destruição, quer pela organização de circuitos desviantes do consumismo (troca, respigagem, hortas comunitárias, apropriação, ocupação, roubo organizado para redistribuição). Entretanto, como se a confusão não fosse suficiente, a acção humanitária é separada do activismo político e criminalizada pelos tribunais em França. Respiramos um ar povoado de drones que vigiam e matam, alimentando um desejo de controlo totalitário capitalista, mas curiosamente, democratizado, porque cada qual pode comprar o seu drone pessoal, o seu pequeno circuito de vigilância.
A malta segue assistindo e participando na gamificação da vida, as nossas vidas.

[França] «Sans Attendre Demain» um novo site anarquista

«Sans Attendre Demain» [Sem esperar por amanhã] é um site anarquista que surge não só para a retransmissão das lutas em França e por todo o mundo mas também como ferramenta de disseminação das lutas anarquistas, sem dogmatismo ou ideologia. Não se procura, de qualquer forma, substituir a agitação nas ruas. O objetivo deste site é reunir não apenas traços de revolta contra toda a autoridade – quer seja religiosa, estatal ou capitalista – mas também compartilhar a análise e crítica anti-autoritária – do meio revolucionário do Hexágono – que pareçam interessantes. Um espaço também dedicado à publicação de folhetos, brochuras e cartazes anarquistas.

Para a insurreição! Para a anarquia!

Pode-se sempre contribuir, enviando textos ou comunicados para o e-mail sansattendre[at]riseup.net.

sansattendre.noblogs.org

México: Jornadas Anti-autoritárias em Tijuana

No cartaz pode ler-se:

Jornadas Anti-autoritárias em Tijuana

Temas das conversas:

Segurança Informática
Colaboração da Oaks Roots Collective e outrxs convidadxs

Autonomia como uma das estratégias
Cop watch L.A

Anti-autoritarismo e espontaniedade
Oaks Roots Collective, CSO Mauricio Morales e outrxs

Intervenção de companheirxs presxs no Chile
* Caso Security e de outrxs companheirxs dessa zona

Esta actividade surgiu pela necessidade de se continuar a propaganda, reformulando e analisando a luta  Anti-Autoritária –  assim como para se conhecer as diversas perspectivas de luta contra a autoridade – montando estas atividades em conjunto com outrxs companheirxs e afinidades de qualquer parte do mundo, pois para nós a expressão “Sem Fronteiras Nem Bandeiras” não é uma palavra de ordem vazia, pelo contrário, é uma forma de accionar a luta contra o poder.

Da mesma forma, deixamos em aberto a opção de alguns/mas companheirxs enviarem contribuições para estas próximas Jornadas Anti-autoritárias, seja por escrito ou outro meio, se assim o entenderem – o correio de mail onde poderão serão recebidos é: memoria.combativa@riseup.net  –  da mesma maneira poderão ser enviadas informações sobre a localização da actividade pelo e-mail.

Por um Maio Negro!
Procura que viva a Anarquia!
Contra Toda a Autoridade!

em alemão

[A comunicação é uma arma] Disponível para impressão a Publicação da Chamada Internacional de 11 de Junho

Podes descarregar desde já a publicação em português (de leitura e para impressão) da Chamada Internacional [11 de Junho, Dia Internacional de solidariedade com Marius Mason & Presxs anarquistas com penas de longa duração]

O/a prisioneiro/a anarquista não é uma bandeira, nem devemos construir um monumento à sua volta, às vezes são um pedaço do nosso coração, por vezes não…no entanto continuam a lutar, a viver…não para ser lembrado/a, mas por desejar vingança, liberdade, embora em última analise é possível que estejam sózinhos/as porque por natureza não pertencem a nenhum rebanho…
Alfredo Cospito
 
O meu corpo está preso aqui, mas o meu coração está contigo ainda, combatendo
lá fora …
Marius Mason

Este ano, desafiamos-nos a armar as nossas palavras e gestos uns nos outros, para lhes dar dentes. Vamos encontrar maneiras de lutar contra a censura dxs que enviam mensagens de dentro, e daquelxs que enviam força e apoio do exterior. Não nos contentemos em simplesmente expressar os nossos desejos e ideias a quem estiver a escutar, mas vivamos-los realmente, desenvolvamos-los juntxs. O Estado quer esmagar xs nossxs companheirxs, separando-lxs das comunidades de luta. Não deixaremos que isso aconteça!

Português  [PDF para leitura]  [PDF para impressão]

Mais informação: june11.noblogs.org

[Chile] Publicação pela memória insurreta e rebelde de Javier Recabarren

Brevemente será publicada, na sua tradução para português, em Contra Info
Múltiplas podem ser as formas como se recorda um/a companheiro/a, amigo/a,  irmão/irmã, cada qual de forma especial, através das recordações deles/as, das suas palavras ou afinidades com eles/as. São dos pequenos detalhes que surgem os contributos à luta e se constrói a memória daqueles/as que não deixaremos escapar do nosso caminho, resgatando a força posta por eles/as na construção da autonomia, a mesma que nos move, experiência compartilhada que em algum momento nos tornou cúmplices e que continuamos a propagar…

Agora é momento para se propagar um gesto carinhoso em recordação de um compa cujo recordação nos faz estremecer de emoção, tal como já foi feito através de um panfleto ou do reconfortante som de um vidro estilhaçado por uma pedra, devolvendo ao capital uma partícula da nossa raiva pelo compa que nos arrebatou no decorrer da sua rotina, da sua envolvente sociedade do esquecimento e escravatura. Uma contribuição mínima, um sensível gesto, mas também o reconhecimento da afinidade que sentimos, ao recordar os seus passos.

Javier Recabarren está cravado na nossa memória e acompanha-nos na nossa rota, as emaranhadas sendas da libertação total. Nelas não reconhecemos vícios, sejam pela pouca idade ou por falta de “maturidade”, já que a afinidade que nos une, o arrojo que nos incentiva e as convicções são as que dia a dia contribuem para a nossa construção.
Anónimo/a

Ps: Agradecendo profundamente aos/às compas que na semana de agitação responderam à chamada por Javier, aqui deixamos à sua disposição esta publicação – recopilando palavras e ações de um ponto de vista anárquico – no contexto da iniciativa que foi publicamente lançada em Março de 2017.

Clica aqui para ler/descarregar a publicação (espanhol)

[Itália] Para que Junho se torne perigoso

Chamada internacional de mobilização solidária com anarquistas presxs naquela região (em pdf também)

Escrito a partir das reflexões do encontro “De cabeça erguida”

PARA QUE JUNHO SE TORNE PERIGOSO

A repressão do Estado é parte fundamental deste sistema de domínio, sendo simultaneamente a mais abjeta das suas expressões; não surpreende, portanto, que todxs xs que não fossem passíveis de recuperação pelo sistema de poder – as individualidades anárquicas, revolucionárias e rebeldes – tenham sido os seus alvos, em particular e historicamente.

A ação direta foi a resposta encontrada por essas individualidades à repressão sobre elas exercida – seja ela física, psicológica, moral, social ou económica, desencadeada por todos os componentes do poder democrático a que se junta a brutal e indiscriminada violência das suas mãos armadas e da judiciária.

Essa ação direta – sempre dirigida aos responsáveis ​​pela repressão – é realizada tanto pela destruição criativa e libertadora dos locais de domínio como pela sabotagem das suas infraestruturas, para pôr fim, ou pelo menos dificultar, as causas da exploração e opressão de humanos sobre outros – animais humanos ou não humanos – e sobre a terra. Na ótica da libertação total, assistir passivamente à reprodução do domínio é ser cúmplice – é precisamente por isso que continuam de cabeça erguida em rebeldia.

Já como consequência disso, o poder coloca todas as suas estratégias em ação, continuando com os julgamentos e processos contra companheirxs seja pelas suas ações, conflitualidade ou escritos. No próximo mês haverá o julgamento de cassação relativo à chamada operação “Shadow” [Sombra], na qual um certo número de companheirxs são acusadxs, entre outras coisas, de instigação para se cometer um crime, no decorrer da publicação da revista KNO3[1].

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Buenos Aires, Argentina: Solidariedade com xs companheirxs Juan Flores, Nataly Casanova e Enrique Guzmán

 

Juan, Nataly e Enrique
SOLIDARIEDADE E AÇÃO DIRETA –
TERRORISTA É O ESTADO

PRESXS ANARQUISTAS NO CHILE! (A)

FOGO À PRISÃO (A)

Corte de estrada junto ao consulado do Chile [1 de Maio de 2017], em solidariedade com xs compas Juan Flores, Nataly Casanova e Enrique Guzmán, acusadxs de colocação de dispositivos explosivos em diferentes pontos de Santiago. Juan, Nataly e Enrique enfrentam, firmes, um julgamento em que se procura condenar a prisão perpétua o primeiro [Juan Flores], a 20 anos de prisão a segunda [Nataly Casanova] e o último [Enrique Guzmán] a 10 anos de prisão.

O estado é que é terrorista!

A SOLIDARIEDADE TORNA-NOS FORTES, A LUTA FAZ-NOS LIVRES.

[Poesia armada] O Poder do Chulé

De Profundis Profanum

Que ardam nas profundezas.
Que se façam banir na revolta:

Os Salvadores das Pátrias,
Os Sebastiões do Nevoeiro,
Os Sacripamtas da Treta,
As Fátimas da Miséria dos Pequeninos,
Os Futebóis do Chulé,
As Touradas da Inquisição,
Os Vampiros da Banca,
Os Pântanos do Poder.

O Salvador da Pátria,
nos pântanos do Poder,
D. Sebastião enevoado
Sacripantas do Chulé.

O Sebastião Conquistador,
Do Império Colonial,
De Nevoeiro e Vampiros,
à Miséria da Inquisição.

Sacripamtas da Treta,
Futebóis e Touradas,
Pela miséria da Banca,
Vampiros dos Pântanos.

Das Fátimas do Poder,
à Banca da Treta,
Inquisição de Vampiros,
Pântanos do Nevoeiro.

O Chulé do D.Sebastião
A Treta do Futebol,
A Inquisição dos Pântanos,
A Banca das Touradas.

O Poder do Nevoeiro,
A Treta das Pátrias,
A Pequenez da Miséria,
A Banca dos Vampiros.

A Banca dos Impérios,
O Pântano dos Salvadores,
A Pátria dos Pequeninos,
O Poder do Chulé!

Costa Rica: Barricada por todxs xs caídxs e presxs anarquistas

Barricada insurrecional por todxs xs caídxs e presxs anarquistas. Nunca matarão a ideia, estamos em toda a parte. (A)

No passado 1 de Maio de 2017 esquematizamos uma ação insurrecional que agitasse nas geografias da Costa Rica. Convocamos à agitação e à luta, não à passividade.  Detestamos todas as plataformas políticas. Não procuramos legitimidade em nada mais do que assumimos através das nossas ações. É a declaração da revolta até ao assalto à normalidade. Não tornarão invisíveis as nossas ações. Existimos e resistimos. Que esta sociedade colapse!

Procura que viva a anarquia.

em espanhol

Leipzig, Alemanha: O custo incendiário não é o fim do mundo e as pedras são mesmo grátis!

5 e 16 Março de 2017

Na noite de 4/5 de Março tínhamos incendiado duas escavadoras que deveriam ter construído um parque de estacionamento num antigo parque, na via Karl-Heine. Na noite de 16/17 de Março causamos um fogo de maiores dimensões num edifício para escritórios em construção, no porto de Lindau.

Temos ouvido muitas vezes que a gentrificação é um processo complicado praticamente fora do nosso alcance. Não entendemos isso como razão que ficar de fora – se houver – não importa o que fazemos de qualquer maneira – então fazemos o que nos trará maior diversão: a destruição de propriedade das pessoas que querem fazer uma fortuna com a valorização do bairro.

O capital tem sido verdadeiramente selvagem a gerir o mercado imobiliário em Leipzig e a festa está longe de terminar. Aproveite a oportunidade de participar, mesmo com o estrangulamento da sua bolsa: o custo incendiário não é o fim do mundo e as pedras são mesmo grátis!

O cerco da polícia à cidade neste fim de semana é péssimo, o estado policial não resulta saudável. Mesmo o aumento da vigilância não conseguiu evitar este e outros ataques a nazis, à bófia e à cidade impecável.

Saudações solidárias às pessoas afectadas pela repressão!

Abaixo o Estado – Atacar o G20!

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Leipzig, Alemanha: Sabotados dois poços de cabos da ferroviária alemã, em solidariedade com a Okupa Black Triangle

20 de Março de 2017

Há cerca de nove meses surgiu um espaço autónomo libertado – num edifício vazio há mais de vinte anos, da linha de caminho de ferro velha, na Arno Nitschze, em Leipzig – o Black Triangle [Triângulo Negro]. O antigo proprietário, a Deutsche Bahn-SA, quer encarregar-se de o fazer desocupar.

Recentemente circulou um apelo: “Se a ferroviária o desalojar, vamos a desactivar!” que achamos muito bom e digno de apoiar.

Mas não queríamos esperar tanto tempo e por isso, na noite de 19 para 20 de Março, sabotamos duas secções de cabos danificando pelo fogo as condutas de cabos. No norte (Podelwitz) e no distrito ocidental de Leipzig (Miltitz), usando acelerador de chamas, sabotamos também os canais de cabos e caixas de controlo.

Com o fogo o sistema de sinalização foi abaixo e tiveram de temporariamente bloquear por completo os percursos dos comboios (…)

Isto é um mimo para a Deutsche Bahn-SA, assim já saberá o que a espera em caso de desalojo.

Solidariedade com o Black Triangle!
Se a ferroviária o desalojar, vamos a desactivar!

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Neuquén, Argentina: Não ao trabalho

Nota prévia: Aqui vão algumas palavras à volta dos despedimentos ocorridos acerca de um mês na cidade de Neuquén, Rio Negro, Argentina. Palavras que canalizam a crítica, a reflexão e a ação em relação à situação dxs trabalhadorxs têxteis demitidxs em Neuquén. E em solidariedade com as pessoas que lutam por querer viver em liberdade (18 de Fevereiro)

Eu NÃO apoio as trabalhadoras têxteis de Neuquén

É através da escravidão assalariada que se obtém um maior dominação nos nossos tempos. Todo o trabalho é escravidão; pelo facto de ser o eixo da produção constitui também uma das ferramentas mais alienantes da dominação. Eu não apoio nem incentivo o trabalho. E que se saiba o trabalho é qualquer labor forçado. Não há vida na vontade de trabalhar, mas sim servidão e alienação. E a minha decisão não é a de ter uma vida de escravidão, mas sim de liberdade.

O patriarcado não é coisa da actualidade, paremos para analisar as nossas relações e veja-se a dominação de uma pessoa “segundo o género”, trata-se de uma tensão da liberdade até se atingir um equilíbrio nas relações humanas. Embora eu discorde e seja dissidente da divisão domesticada em que fazemos de ‘homem’ ou ‘mulher’ (ou dos géneros em si) – não sendo esta mais do que outra forma de dominação e controlo normalizado – perpetuando os valores hostis  da civilização, não é minha intenção apoiar um trabalho que é atribuído ao género feminino, em geral e historicamente.

A poluição gerada pelas fábricas, neste caso a têxtil, é potencialmente prejudicial. Nas fábricas de têxteis os produtos químicos utilizados, tanto nos tecidos de tingimento, ou nas estampagens, lavados ou postos nos cabides – e as águas residuais que geram – são uma nocividade, tanto a nível pessoal como ambiental. Directa ou indirectamente a utilização de corantes, compostos e solventes, causa contaminação nas fábricas têxteis ou em qualquer tipo de fábrica, não sendo minha a vontade de alimentar tal poluição.

Como apoiar a reinserção laboral? Porque é que deveria apoiar um trabalho que alimenta a dominação? Onde reside a liberdade se apoiamos as fábricas que matam a Terra?

Podem-me responder que o trabalho é tudo o que já sabemos e insistir que sem trabalho não há dinheiro e que,  ainda que saibamos que o dinheiro é a razão da miséria,  é isso que nos possibilita não morrer de fome ou não morrer de frio. Sim, é verdade!  Mas assim acabo por ser cúmplice da exploração e das suas misérias ao pedir a reincorporação no trabalho, não ?

A solidariedade não se destina a fazer política, muito menos a fazer proselitismo. A solidariedade é acima de tudo um desejo da vontade de cada um/a. A minha intenção é transformar esse desejo numa qualidade da liberdade. A minha solidariedade nasce da minha vontade; vontade de criar um mundo novo, um mundo livre. A minha solidariedade baseia-se num apoio incondicional à vida e não à exploração.

Em todo o caso algumas ideias vagas podem ser o compartilhar alimentos, oferecer a cada uma das pessoas despedidas ferramentas para se auto-abastecer, como seja o caso de alguma horta comunitária ou não. Alimentos há em todo o lado, basta ir aos mercados de verduras e apanhar aquilo que se deita fora ou se pensa que não será possível comerciar. Falar-lhes de que há outras formas de viver para além do trabalho assalariado numa fábrica, falar e vislumbrar essas formas de viver. Impulsionar a raiva que gera esta forma despojada de entender a vida e que seja potenciada e se amplifique na ação solidária. Que a solidariedade desperte. Que se inquiete em cada um/a  para a despertar e que não fique limitada, porque não é coisa fácil, não é “assim mais não”. Que a cerquemos, que se arrisque, que se force, como se costuma dizer: se a jogue.

A liberdade é assassinada dia a dia e de alguma maneira sou cúmplice;  não quero alimentar essa cumplicidade ao apoiar o trabalho, o patriarcado ou a contaminação.

Quero ser solidário.

Eu NÃO apoio as trabalhadoras texteis de Neuquén.

Eu apoio as pessoas despedidas da fábrica ‘Neuquén Textil SRL’.

em espanhol

[Prisões italianas] Uma carta da anarquista Anna Beniamino sobre a Operação Scripta Manent e não só…

[ Pouco depois desta carta ter sido enviada, soube-se que as investigações sobre a operação Scripta Manent foram fechadas, por isso agora aguarda-se a audiência preliminar, na qual o juiz vai decidir se coloca ou não em julgamento xs companheirxs visadxs.]

SCRIPTA MANENT

A acusação de Turim decidiu colocar uma tendência anarquista inteira em julgamento: o anarquismo anti-organização. Não se trata de uma enormidade sensacionalista ou defensiva, é o que a juíza investigadora de Turim, Anna Ricci, promulgou com os mandados de prisão emitidos em Julho de 2016, e aplicados em Setembro, provavelmente para evitar interromper as férias de verão de algum funcionário púbico.

A escolha dos inquisidores é clara a partir do enquadramento ridículo surgido nos papéis de autorização de detenção, um produto do encontro deletério entre a mente de algum bófia e a leitura apressada de um resumo da wikipedia.

O quadro dá forma a uma visão repressiva-maniqueísta de uma “anarquia social“, a boa e inofensiva e de uma (anti-social e anti-classes) “anarquia individual“- violenta e apetecível à repressão – cujo método é o “modelo anti-organizacional”.

Ao fazer as necessárias distinções, este quadro visa definir um campo específico, para se criar uma gaiola, de modo que a partir de um “insurrecionalismo” genérico, (um subproduto do modelo anti-organizacional), sempre violento e passível de castigo em diferentes graus, subespécies possa ser puxada para fora para formar diferentes vertentes da investigação 1 para a polícia italiana: ‘insurreccionalismo clássico‘, ‘insurreccionalismo social‘, ‘eco-insurreccionalismo‘ e a ‘federação anarquista informal‘.

Que diferentes tensões e tendências existem dentro do anarquismo é um fato, mas também é verdade que este tipo de categorização rígida é uma característica inerente à mentalidade e requisitos dos inquisidores, que se dedicam a delimitar uma área específica para fazer as suas manobras como melhor puderem: é dentro desse espaço que a seguinte operação se encontra.

Historicamente, a solidariedade com xs prisioneirxs revolucionárixs tem sido um ponto focal de interesse para xs anarquistas e uma maneira de nos unirmos e construir uma sensibilidade rebelde: solidariedade revolucionária e não a solidariedade com xs revolucionárixs.

Concebida pela Digos de Turim e após o regresso dos promotores, em 2012 – na sequência de 20 anos de tentativas repressivas recorrentes e fracassadas – a operação Scripta Manent levou à detenção de 5 anarquistas: A.M., V.S., D.C., M.B., A.B., todxs já sob investigação e/ou presxs, a seguir a várias publicações anarquistas sobre ação e repressão, especificamente, Pagine in Rivolta 2, o boletim Croce Nera Anarchica 3, e KNO3 4. Além disso, havia os mandados de prisão para A.C. e N.G, dois companheiros na prisão desde 2012, após um ataque ao director-geral da Ansaldo Nucleare, Adinolfi, que foi reclamado em julgamento em Outubro de 2013 como o Núcleo Olga (FAI/FRI). Durante anos, eles haviam sido conhecidos como editores de Pagine in Rivolta e Alfredo já havia sido processado pela KNO3.

Quatro outrxs anarquistas foram submetidxs a investigação – todxs tinham sido já presxs, durante a operação Ardire 5, parte da qual converge no presente processo judicial – junto com mais 4 pessoas, cujas detenções o juiz se recusou a validar no mandado de Julho e conduziu à tentativa infrutífera de apelação do promotor, em Outubro de 2016. Além disso, 32 assaltos policiais foram realizados  em toda a Itália, durante os quais um companheiro e editor da CNA foi preso, encontrando-se ainda preso sob o regime AS26 6.

A INVESTIGAÇÃO AINDA ESTÁ A CAMINHO

A operação está a ser conduzida pelo promotor Roberto Sparagna, novo nos chamados procedimentos anti-terrorismo – mas bem conhecido por ter corrido os julgamentos do chamado crime organizado. Não se sabe se esta operação estava em baixo para ele ou pela a entrada de polícias de Turim: a última hipótese parece muito mais provável, visto a maior parte do inquérito ter sido realizado e arquivado pela Digos ao longo dos anos e por causa das fotos pequenas com acontecimentos de fundo como os “cumprimentos do Dr. Petronzi” (ex-chefe de Digos de Turim), que Sparagna se certificou de estender aos presos, durante uma das suas tentativas de interrogatório.

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[Prisões italianas] Romper o isolamento! O companheiro anarquista Alfredo Cospito inicia dez dias de greve de fome

Uma breve atualização sobre o prisioneiro anarquista Alfredo Cospito – que iniciou ontem uma greve de fome de dez dias – e a Operação Scripta Manent

Há 15 dias atrás, as investigações sobre a operação Scripta Manent foram fechadas, por isso agora aguarda-se a audiência preliminar, na qual o juiz vai decidir se coloca ou não em julgamento xs companheiros visadxs.

Na terça-feira, 3 de Maio, o companheiro Alfredo Cospito, iniciou uma greve de fome de dez dias contra a censura que lhe foi imposta pelo promotor Sparagna [encarregado da op. “Scripta Manent”], que bloqueia quase toda a sua correspondência (de entrada e de saída).

Em particular, escreve que as cartas enviadas no mês passado por um de nós, da redação da C.N.A, foram todas bloqueadas, 7 de 7.

Nesta carta, já depois da censura ter sido imposta por 3 meses,  há mais de um mês, afirma que a situação ainda se tornou mais pesada que o habitual na altura do encerramento da investigação.

E como sempre nos tem dito, na Rebibbia [prisão de Roma] estão a passar pior.

Conclui a carta com um grito: “Romper o isolamento!

[Alfredo pede a todxs xs companheirxs no exterior para enviarem livros, revistas, cartas e materiais impressos em geral, em protesto e em apoio à sua greve]

Alfredo Cospito:
Via Arginone, 327 – 44122 Ferrara, Itália

italiano via Croce Nera Anarchica l inglês via  325.nostate

Lisboa, Portugal: Contra os técnicos e o seu mundo – Apoio mútuo anti-fracking, na BOESG a 6 de Maio

A Biblioteca e Observatório dos Estragos da Sociedade Globalizada volta ao ataque!

A Secção dos estragos da Técnica & sua Ultrapassagem apresentam no dia 6 na BOESG – às 18h “Apoio Mútuo Anti Fracking” com a presença de dois companheiros da Assembleia contra a Fractura Hidráulica em Burgos, seguido de jantarada vegan (Rua da Penha de França nº 217 B – Lisboa)

Contra os Técnicos e o seu Mundo!

Assistimos com amargura e impotência à transformação de um mundo em que a Técnica se tornou religião e ideologia, e onde os seus missionários (técnicos) se propagam e ocupam um espaço cada vez mais inquestionável no quotidiano de todos os seres vivos. E é a partir da necessidade de questionar este presente (e inevitavelmente um futuro) de morte a que nos tentam conduzir estes timoneiros da verdade científica, que na BOESG se organizarão três conversas centradas em três dos principais “estragos” que tornam as nossas vidas e o meio que nos envolve numa história sem qualquer final feliz possível: Combustíveis Fósseis, Mineração e Energia Nuclear.

Balanço da situação

Em 2011 nos territórios autónomos vizinhos, tal como em Portugal em 2012, descobriu-se que a Península Ibérica estava assinalada para procura e exploração de gás natural não convencional (Shale Gas) através da técnica de Fracturação Hidráulica (Fracking) e de petróleo não convencional, no caso de Portugal (heavy oil, Lith Oil). Portugal e Espanha, tal como a Irlanda e a Noruega, além de serem primeiros países a receber fontes de combustível não convencional na Europa, foram investindo bastante em estudos e construção de infraestruturas de apoio como gasodutos, locais de armazenamento de gás, centrais de tratamento de petróleo pesados como as Tar Sands, e portos.

O Fracking e as energias não convencionais são o novo monstro da indústria petrolífera, o novo combustível da economia mundial, como também o novo messias do conforto Ocidental. Um produto que veio levantar mais uma vez a questão do papel dos humanos no ecossistema, e que fez crescer a preocupação com os gases efeito de estufa e o seu impacto na camada de ozono, para além do risco de contaminação dos lençóis freáticos.

Em Burgos, a resistência tornou-se uma referência para os colectivos anti fracking  de toda a Europa e no final do ano passado, diversos meios davam a notícia de que uma das principais empresas – a que tinha em sua posse autorizações para perfurações através da técnica do fracking, a BNK Petroleum – abandonava finalmente a península e desistia dos seus projectos em Espanha. No entanto, a Assembleia contra o Fracking alerta que as sombras negras de outras multinacionais (Gas Natural e Repsol) continuam presentes na Cantábria e no norte de Burgos.

BOESG

[Prisões Chilenas] Comunicado do prisioneiro subversivo Marcelo Villarroel na comemoração dos 10 anos de existência da Sello Autónomo

SAÚDANDO OS 10 ANOS DA SELLO AUTONÓMO E A SUA PERMANENTE E INKONDICIONAL SOLIDARIEDADE KOM XS PRESXS DA GUERRA SOCIAL

Parece que foi ontem que uma nova iniciativa irmã de difusão de ideias libertárias abraçada aos sons da músika komeçou a kaminhar kom a insistência e vontade de expressar muitíssimo mais ke um espetákulo merkantil para a vanglória pessoal de alguns e algumas.

Desde esse momento que as diversas iniciativas solidárias, a distribuição kontínua de kriações autónomas, as atividades de ruído antikapital e antikarcerárias komo kontribuição para a konstrução de kultura para a guerra social, se mantiveram sem parar, há já quase uma dékada.

Numa realidade onde xs mercenárixs da músika se multiplikam e “xs artistas” também, krendo-se lendas, a kontribuição konstante da Sello Autónomo, através da prátika simples do esforço desinteressado, torna-se kúmplice e indiskutivelmente kompanheira.

São muitas as iniciativas que rekordo, nítidas na memória, no entanto o passeio realizado à Argentina em solidariedade kom a nossa situação, enquanto estávamos prisioneirxs em Newken em 2009, representa para mim o momento onde se kristaliza o kompromisso real da músika komo grito de guerra que alimenta a Resistência Subversiva aos dias hostis na prisão.

Saúdo kom todo o karinho fraterno estes 10 anos de existência e certamente kada gesto kúmplice, kada projecto que permitirá manter no ar o laço fraterno de kontinuar a apoiar a luta kontra tudo o que nos oprime e reprime.

Kontinuando a usar a música komo instrumento de difusão das ideias anti-autoritárias, saúde e longa vida â Sello Autonómo e a todxs xs que tornam possível a sua existência.

Até destruir o último bastião da sociedade karcerária!!!!
Enquanto existir miséria haverá rebelião!!!

Marcelo Villarroel Sepúlveda

Prisioneiro Libertário
Prisão de Alta Segurança
1 de Abril, 2017
Santiago, Chile

em espanhol l alemão

Argentina: Pintadas anárquicas nalguma parte de Buenos Aires

NÃO À IIRSA (A)

NÃO À EXPLORAÇÃO

REBELIÃO CONTRA A IIRSA

Debaixo de cimento…
(Pela semana de agitação e propaganda anárquica contra a I.I.R.S.A)

A luta não é só no campo, florestas, rios, montanhas, montes, selva ou mares. Apesar de não o reconhecermos a luta directa pela terra, mais efectiva, está aí. Mas a nossa luta não é limitada.

A expansão da exploração e o extrativismo – a devastação da Terra – tem uma origem e uma base que o impulsiona. Uma base de cimento cinzento e monótono. E uma origem conquistadora e dominadora.

As cidades-contentores sepultam a vida, qual cemitério que o espera. Uma vez que debaixo do cimento se encontra a terra. Terra que será fertilizada com os defensores e promotores da devastação quando eles estiverem enterrados para depois se colher a rebeldia.

O que o inimigo chama de natureza trata-se de nós, segundo o nosso ponto de vista. Porque não nos afastamos nem queremos separar-nos daquilo que somos. Defendemos-lo, defendemos-nos e atacamos como e com o que quer que seja, mesmo que pouco ou não muito.

Com carinho e rebeldia para aquelxs que lutam diretamente, cara a cara – pela Terra e pela Vida contra o Capitalismo e a Civilização alienante – onde quer que seja. Hoje, nesta selva de betão, as paredes, que um dia ruirão, hoje, pelo menos, dizem:

NÃO À I.I.R.S.A
NÃO À EXPLORAÇÃO

em espanhol

Montevideu, Uruguai: Ataque incendiário ao quartel-general do adido militar argentino

A 2 de Fevereiro, um edifício do Estado argentino (Adido Militar), localizado na área de Pocitos, foi alvo do nosso ódio pela repressão realizada em Dezembro de 2016 sobre os manifestantes que se opõem à devastação ecológica causada pela empresa de mineração Barrick Gold, responsável por vários derrames de cianeto na região da província de San Juan assim como pela repressão de 10 de Janeiro contra a população Mapuche, na província de Chubut, em conluio com paramilitares da empresa privada Benetton.

Seja qual for o estado, a nossa solidariedade é com as populações, não com os governos.

Que a anarquia e a solidariedade não sejam apenas palavra escrita!!
Pela Morte de todos os Estados e do Capital!!!

Como nota final, aderimos à campanha regional contra o Plano do Projeto IIRSA.

Cadelas Incendiárias Fania Kaplan

Atenas: Presença na marcha antifascista de 18 de Fevereiro em Aspropyrgos

Morte aos racistas (A)

Alerta Antipatriota /A)

Acabar com os patriotas

Em 18 de Fevereiro de 2017, um grupo internacional de compas organizado pela Okupa Themistokleous 58, participou na manifestação antifascista de Aspropyrgos, realizada por iniciativa do grupo anarquista Non Serviam para marcar mais um ataque assassino contra um imigrante do Paquistão, no início de Fevereiro. Nas faixas em urdu e grego podia ser lido: “Morte aos racistas (A)“, e durante o percurso escreveram-se nas paredes as palavras de ordem,”Alerta Antipatriota” e “Acabar com os patriotas“, voaram folhetos e gritou-se nas ruas conservadoras desta cidade que nenhum ataque por motivos racistas / fascistas irá ficar sem resposta .

Nem nativxs nem estrangeirxs
Apátridas insurgentes!

Okupa Themistokleous 58

Nem nativxs nem estrangeirxs
Apátridas insurgentes!

Nem nativxs nem estrangeirxs
Apátridas insurgentes!

em grego

Buenos Aires, Argentina: Incendiado carro de um fantoche do poder

A todos xs companheirxs que dão batalha nesta guerra contra a autoridade do estado, do capital e à sociedade, em todo o lado.

Sigamos o nosso caminho, que é único e o melhor que podemos fazer perante a imundice de vida que nos apresenta as pessoas que nos marginalizam e se marginalizam também, quer dizer, que formam a margem que separam as pessoas que têm algo que perder das que não o têm.

Na terça- feira, 14/02/2017, à 1 da madrugada, incendiámos o luxuoso carro de um fantoche do poder do poder, na via Echeverria 5400, Villa Urquiza, Buenos Aires.

Liberdade ou Morte

em espanhol l grego