Contato

Para contribuir com traduções, edições-correções e/ou materiais originais para publicação tais como atualizações a partir das ruas, reportagens de ações, comunicados de reivindicação, textos dxs companheirxs presxs ou perseguidxs, chamadas, brochuras, artigos de opinião, etc.: contrainfo(at)espiv.net

Contra Info: Rede tradutora de contra-informação

Contra Info é uma rede internacional de contra-informação e tradução, uma infraestrutura mantida por anarquistas, anti-autoritárixs e libertárixs ativxs em diferentes partes do mundo. Ler mais »

Panaji, Índia: Colagem de cartazes solidários com Santiago Maldonado

Recebido a 17 de Agosto, traduzido para português por Contra Info Em Panaji, capital de Goa, foram colocados 25 cartazes em solidariedade com Santiago Maldonado, junto de lojas da Benneton.

As reivindicações de propriedade desta empresa italiana são o motivo que levou ao ataque da polícia militarizada [gendarmeria da Argentina] à comunidade mapuche em resistência – ataque esse onde usavam balas de borracha e também chumbos de caça. As pessoas foram brutalmente espancadas e os seus pertences queimados. Alguns e algumas foram forçados a fugir através um rio para salvar as suas vidas. Muitxs se tornaram testemunhas oculares de algumas pessoas estarem a ser levadas em camiões – entre estes Santiago Maldonado, ferido.

Desde aquele dia, ninguém mais soube dele; entretanto as autoridades estatais [que afirmam oficialmente não existirem registos de ingresso em qualquer prisão].

O texto que se pode ler nos cartazes, com base em informação disponibilizada em Contra Info, está disponível em pdf aqui.

em alemão

Porto Alegre, Brasil: Solidariedade para presxs em Hamburgo

Recebido a 18 de Agosto de 2017

nas últimas madrugadas, procuramos responder simbolicamente ao chamado de solidariedade com anarquistas que se encontram em cativeiro após a insurreição contra a cúpula do G20.

colamos cerca de trinta adesivos distribuídos nas viaturas e delegacias da policia civil no território brasileiro a polícia civil é grande responsável pelo abastecimento dos depósitos humanos que chamam de prisões.

mesmo que estes adesivos não fiquem colados por muito tempo, sabemos que nosso recado ficará grudado nas mentes desses vermes. principalmente, com isso queremos marcar nossa presença mostrando que estamos por perto a planejar nossa próxima ofensiva

LIBERDADE IMEDIATA PARA RICCARDO LUPANO, EMILIANO PULEO, ORAZIO SCIUTO, ALESSANDRO RAPISARDA, FABIO VETTOREL

FOGO NAS CADEIAS

anarquistas


Paz entre nós, guerra ao sistema.

Foz do Iguaçu, Paraná, Brasil: Faixa por Santiago Maldonado

Ao amanhecer desta sexta-feira (18 de agosto), encontramos esta faixa pendurada no centro da cidade de Foz de Iguaçu, Paraná, Brasil. A faixa diz “Cadê o Santiago? Liberdade a Facundo Huala, Newen povo Mapuche.”

Há mais de duas semanas que Santiago Maldonado desapareceu em mãos da polícia. Ele se encontrava na comunidade Mapuche Pu Lof em Cushamen quando os porcos invadiram os territórios mapuche sob ordem no juiz Guido Otranto que mandou desalojar  a comunidade. Seguindo a tradição colonial militar, os porcos entraram atirando nas pessoas e queimando as suas pertenças. Nove pessoas foram feridas e vários detidos, ainda no dia de hoje Santiago segue desaparecido…

Vale ressaltar que essa caçaria aconteceu um dia depois de um protesto que teve lugar frente ao tribunal federal de Bariloche pela libertação do Lonko Facundo Huala detido em 28 junho de 2017. O estado chileno tinha pedido a captura internacional de Facundo, acusado de ter participado em 2013 de um ataque incendiário contra a casa dos cuidadores de um campo próximo à cidade de Valdivia, onde foi detido e logo libertado. Em setembro do ano passado, o mesmo juiz que mandou desalojar a comunidade Pu Lof, Guido Otranto, tinha declarado a nulidade do processo de Facundo por irregularidades, porém, diante desse absurdo jurídico, Facundo Huala ainda segue preso em Esquel enquanto o estado chileno pede sua extradição.

Desde o território guarani invadido pelos estados nacionais e o capitalismo global, mandamos uma força para Facundo Huala e todo o povo Mapuche em luta!

Exarchia: OkupaThemistokleous 58 atacada (4 feridos graves no hospital)

16 de Agosto de 2017

A Okupa Themistokleous 58, também conhecida como TH58, em Exarchia, foi atacada por pessoas que usavam capacetes. Foi um ataque de estilo mafioso que resultou em 4 companheiros feridos – em estado grave – e que se encontram hospitalizados.

Informações acerca do ataque e das suas causas serão anunciadas pela Assembleia da TH58.

Atualização

As informações mais recentes sobre o incidente de quase assassinato são as seguintes:

1. Os 4 feridos graves (no hospital) são 1 imigrante e três solidários.

2. Os atacantes, de forma literalmente fascista, com barras de metal e de madeira, bem como com facas, correram a direito para as cabeças dos alojados na TH58;  Entre esses fascistas foram reconhecidos membros de okupas e imigrantes, bem como um vendedor de cigarros que revende tabaco e outras substâncias perto da TH58.

Espera-se um texto político da Okupa Themistokleous 58 (TH58).

em grego l inglês l alemão l italiano l espanhol

Uma resposta do membro da CCF Panagiotis Argyrou à chamada para solidariedade com xs detidxs do G20 em Hamburgo

Recebido a 13 de Agosto de 2017

Compartilhamos uma tradução que apareceu na Crônica Subversiva 1, aproveitando para mandar o abraço terno, a solidariedade raivosa e firme, para o companheiro Panagiotis Argyrou: Tuas palavras são bem recebidas compa!

[Resposta do membro da CCF Panagiotis Argyrou à chamada para a solidariedade com xs detidxs do G20 em Hamburgo]

Durante o exílio ou a detenção, poucas são as coisas que conseguem nos fazer sorrir ou nos oferecer uma sensação agradável. Posso, no entanto, dizer com certa certeza que devido a estes dias de julho nos quais Hamburgo se rendeu ao caos dos protestos contra o encontro do G20, aos choques com a policia, às barricadas ardentes, saqueios, vandalismo e incêndio de alvos da dominação, meus pensamentos foram impulsionados. Fiquei recheado de vários “valeu” assim como de emoções muito vivas e um sorriso apareceu no meu rosto.

Apesar disso, tenho de ser honesto. Embora num estágio inicial uma grande parte do anarquismo insurrecionário aspirasse a que fosse atingido um nível elevado, algo que já tinha ficado claro desde a chamada para uma campanha militante de organização informal – meses antes do encontro. E, embora existissem uma grande quantidade de textos públicos e reivindicações de responsabilidade que responderam a esse chamado (alguns/mas companheirxs tiveram a gentileza de mencionar a herança do dezembro negro), não estava tão certo que os dias em questão envolvessem realmente um momento tão grandioso. Isso devido ao fato de não serem desconhecidas para mim as dificuldades que isso implicava, tais como as adversidades e os desafios que tinham que ser confrontados pelas pessoas que queriam organizar e levar a cabo um plano de protestos tão ambicioso.

O estado de emergência declarado, em muitos países, pela ameaça assimétrica jihadista, o reforço dos controlos nas fronteiras devido aos grandes fluxos migratórios, o anúncio da militarização de Hamburgo e a construção de prisões especiais para os manifestantes; a mídia terrorista apelando à tolerância zero com os problemáticos, o domínio e o pessimismo de várias correntes anarquistas anti-insurgentes (isso pode ser devido, um pouco ironicamente, pela tentativa de se repetir os eventos de Génova) e até mesmo um preconceito contra anti- encontros – como armadilhas com policiais – por parte de cada grupo de anarquismo insurreccional (um ponto de vista que também tinha mantido no passado, tenho que admitir), tudo isso junto constituiu, portanto, factores de dificuldade crescente, sem nenhuma dúvida.

E ainda assim, contra todas as probabilidades, a chama brilhou e a campanha de “trazer o caos para Hamburgo” triunfou e, como resultado, todo o mecanismo repressivo tão bem armado – que supostamente ia esmagar os protestos – ficou eventualmente sob ridículo.

A intensidade dos eventos e, sobretudo, o êxito dos vários planos que, afinal, combinaram tácticas de ataque descentralizado do tipo bate-e-corre com aquelas das revoltas, justo no coração dos protestos, provou da maneira mais tangível que a competição entre as duas diferentes racionalidades é inútil já que cada uma contribui e enriquece, na sua própria forma, a insurreição anarquista. Além do mais, quando as revoltas se atrevem a se confrontar de frente com a supostamente todo-poderosa repressão do terrorismo de Estado, então tudo é possível. Assim como o ridículo da ativação urgente de tal mecanismo extravagante de repressão durante os dias do encontro em Hamburgo. É também um fato que alguns dos momentos mais potentes da historia das insurreições, do mundo inteiro, aconteceram precisamente contra todas as probabilidades e isso, em muitos casos, constitui a beleza de tudo.

Portanto, não posso deixar de me sentir emocionado por este vento de entusiasmo e autoconfiança que viajou milhares de quilômetros, de Hamburgo para este lugar de cativeiro. Isso porque através desses eventos todxs podem ver que as dinâmicas que acontecem em situações tão explosivas não começam nem terminam em um momento, antes viajam e se expandem, enviando uma mensagem para todos os lugares, dizendo que a chave para tudo é a determinação e a morte do derrotismo. Isso é suficiente para induzir um, dois, ou mais, momentos que podem funcionar como pedras angulares, marcas históricas, algo para onde podemos deslizar nosso olhar quando as coisas estão ruins, quando a frustração e a inutilidade são prevalecentes.

E quando olharmos para atrás, as lembranças nos darão a força exacta que precisamos para continuar até ao próximo Hamburgo, até a próxima revolta, até a completa destruição da dominação. Por outro lado, no entanto, as autoridades sabem muito bem como aproveitar estes momentos, para avaliá-los, entender seus efeitos a
longo prazo e, respectivamente, retaliar de forma clara e definitiva, afirmando que toda ocasião de insurreição será esmagada. Assim, depois das centenas de prisões de manifestantes, viu-se a investida dos comandos, totalmente armados, das forças policiais especiais contra xs rebeldes, nas ruas de Hamburgo, após o assalto brutal a um grupo de manifestantes; a repressão mostrou seus dentes ainda mais, mantendo em custódia muitas dezenas de pessoas, acusadas de participar dos tumultos, segundo as actualizações (36 ainda estão sob custódia).

Neste momento, uma nova chamada foi já feita, precisamente pela solidariedade com xs detidxs dos eventos anti-encontro. Foram já realizadas as primeiras manifestações, bem como ataques com vandalismos e incêndios em várias metrópoles europeias. Em resposta a esta chamada, gostaria também de expressar a minha solidariedade aos/às que foram detidxs pelos acontecimentos em Hamburgo, como também gostaria de enviar esse amplo sorriso que eu recebi de todxs aquelxs que lembraram da maneira mais linda que, quando a Anarquia quer, ela é poderosa.

Panagiotis Argyrou,
membro da Conspiração das Células de Fogo – FAI/FRI

[Brasil] Biblioteca Kaos entrevista Rodolfo Montes de Oca acerca da situação que se está a viver na Venezuela

Mandando nosso salve e solidariedade com xs compas na Venezuela, publicamos uma entrevista realizada com Rodolfo Montes de Oca, publicada na Crônica Subversiva 1. Transmitimos aqui a disposição do Rodolfo para nos narrar os acontecimentos na Venezuela, e sobretudo a fortaleza de sua posição na luta pela liberdade.

Biblioteca Anárquica Kaos

[Entrevista da Biblioteca Anárquica Kaos com Rodolfo Montes de Oca]

Desde Venezuela, temos recebido a chamada dxs compas anarquistas para se falar e se posicionar sobre o regime ditatorial que confrontam lá. Além de convidar à leitura deste chamado e suas reflexões (que pode se ver na página de El Libertario) acreditamos que a melhor resposta é abrir as possibilidades para que xs compas possam compartilhar como está a situação no território controlado pelo estado venezuelano. De ai que surge a idéia de nos comunicar diretamente com o companheiro Rodolfo.
O contexto que mostra a entrevista, provoca pensar nos laços em tempos de luta generalizada, na diversidade de instintos de luta, nas diferentes estratégias e até posições que entrelaçam-se só ocasionalmente, e sobretudo na repulsa ao autoritarismo e ao monopólio do poder. Este tipo de eventos são momentos de aprendizagem e encontros com quem luta contra a autoridade. Historicamente xs anarquistas tem se envolvido neste tipo de situações procurando o caos, a revolta e a possibilidade do encontro com outrxs insubmisxs.
Desde a Biblioteca Anárquica Kaos esperamos colaborar difundindo a situação na Venezuela desde o olhar de um compa que tem dado grandes contribuições à memória e atualidade dos anarquistas e a anarquia.

B.Kaos: Inicialmente, para ter uma paisagem desde a qual vamos a falar, gostaríamos de saber um pouco do contexto atual na Venezuela e das posições anarquistas, libertarias, subversivas neste contexto.

Rudolfo: É preciso entender que, na Venezuela, os anarquistas enfrentam uma ditadura com fantasia de paisana mas, conformada por militares. É um cenário similar ao que tiveram que enfrentar os peruanos no governo de Alberto Fujimori, os guatemaltecos contra Jorge Serrano, ou os uruguaios contra Juan Maria Bordaberry. São governos que subiram ao poder mediante o voto, mas se desenvolveram em totalitarismos falhados. O governo de Nicolás Maduro não é muito diferente daqueles: eliminou as competências da Assembléia Nacional,  suspendeu o referendum revocatório contra seu mandato, as eleições regionais e municipais, as eleições dos centros de estudantes, sindicatos e conselhos municipais. Maduro militariza a sociedade, aplica detenções arbitrarias e julgamentos militares, obriga os funcionários a participarem dos atos governamentais, e aplica o sistema judicial de forma inquisitória contra os opositores. Se isso é uma ditadura, os anarquistas tem que se desvincular e se posicionar adversamente, ficar calado ou pensar que “isso não é com eles” é simples comodidade ou cumplicidade.

A presença das anarquistas nas mobilizações é  bastante modesta, sem a presença de bandeiras ou blocos delimitados com claridade, como o black bloc em outras latitudes. Aqui os anarquistas tem optado por se dissolver dentro da multidão, agindo como parte das dinâmicas de solidariedade que estão acontecendo, deixando de lado predicar o credo. No entanto, nas ruas se vêm pixos com frases libertarias acompanhadas do célebre (A), a na bola, e também alguns escudeiros punks que usam toda a simbologia vinculada à estética tradicional ácrata.

Existem outras agrupações como o Jornal El Libertario que tem difundido comunicados e tem tratado de dar cobertura informativa sobre a rebelião. Um desses comunicados faz um chamado para superar as direções da oposição para continuar avançando na luta e é isso mesmo que está acontecendo. A maioria dos protestos são espontâneas, sem direção, nem lideranças, as pessoas se convocam autonomamente  e fazem o que podem e como podem. Sem partidos, siglas, dirigentes nem programas.

Temos definido isso tudo como proto anarquismo da rebelião, que são essas dinâmicas horizontais  de ação direta que estão acontecendo de forma espontânea nas mobilizações. Esta situação não acontece não porque anarquistas tenham sido eficientes na promoção da idéia mas, por que a população intui que estas práticas são mais eficientes para confrontar o poder. Ver como as pessoas estão se organizando para hidratar e dar comida aos manifestantes, como se organizam em grupos de afinidade e gerem suas próprias equipes de proteção, entre mais outras coisas, evidencia que há um ninho de construção que os libertários deveriam aproveitar.

Uma das dinâmicas que tem se observado nos protestos, é a participação, cada vez mais decidida, de pessoas em situação de rua, elas estão participando porque não somente são bem recebidas mas também são alimentadas, vestidas, e se dá com elas um sentido de pertença que o Estado não dava para elas. Em poucas palavras, as políticas de nivelação, das que tanto se jacta o chavismo e seus seguidores, hoje é praticada e  desenvolvida pela multidão que é adversa a ele.

Em relação às acusações que fazem contra nós, nos chamando de “ultra conservadores” ou “de direita”, pelo geral não provêm do governo mas de grupos e individualidades relacionadas com o conceito de “poder popular” que estão dentro do ambiente libertário, isso que, nos livros de história, foi catalogado como plataformismo. No caso da Venezuela, este tipo de tendência auto denominou-se “anarcochavismo”, e desapareceu junto com seu principal referencial. O ultimo comunicado deles, da FARV, foi logo após da morte de Hugo Chávez. Desde então não se soube mais nada deles, há 4 anos.

B.Kaos: Muitos países atravessaram uma virada esquerdista que claramente foi assumida pouco acriticamente. Provavelmente só quem estava pela anarquia enxergava este cenário desde a posição de sempre: na total rejeição da dominação e autoritarismo. No caso da Venezuela o cenário está se exacerbando. Porém, vemos criticas com argumentos como corrupção  e demagogia, apelando ao carácter ruim do Governo e não questionando o próprio Estado. Na Venezuela, o  contexto evita ou dificulta manifestar posições anti-estatais? Ou, pelo contrário, o fim do Estado poderia ser uma critica fecunda nestes momentos?

Rudolfo: Tens razão ao afirmar que parte das críticas desde os jornais e publicações anarquistas apontam nos erros do Estado como se fossem um problema do governo, sendo que o erro radica no sistema de gestão capitalista extrativo e no Estado como ente articulador do saqueio.

No entanto, a consolidação do projeto bolivariano afiançou o estadismo na região, nesse sentido, ao existir um evidente fracasso do chavismo, essas críticas apontam ao Estado e isso, a mediano prazo, pode beneficiar à anarquia. Esse “sintoma” é comum nos países que passaram pelas experiências do socialismo real. Nestes países, as tendências anarquistas emergiram com certa beligerância logo após do fracasso dos modelos “marxista-leninistas”.

B.Kaos: Recentemente temos visto como vários protestos tem se desenvolvido em resposta às intenções de Maduro por ficar na presidência da Venezuela, pode nos contar sobre a galera nas ruas? como se articulam e convocam?
Que tipo de tendências e diversidades estão nas ruas? quais as posições anárquicas nesses protestos?

Rudolfo: As pessoas estão se mobilizando contra a instauração duma ditadura no século XXI, essa situação e o crescente autoritarismo tem gerado um despertar e as pessoas estão se  mobilizando contra isso. É por isso que temos definido essa etapa Rebelião Popular contra o governo de Nicolás Maduro, porque trata-se de uma multidão que está se manifestando, com diferentes táticas e estratégias, contra o devir autoritário.

São muitas as tendências e posições que participam nos protestos, desde partidos políticos social-demócratas, trotskistas, marxistas-leninistas, democratas, liberais, conservadores, religiosos, entre vários outros.

Mas, esses são irrelevantes, os que contam são as populações, os grêmios, os estudantes, as  rabalhadoras, jovens, desempregadas e rebeldes que estão participando, seguindo seus próprios instintos, e por fora de coordenações políticas como a MUD (Mesa da Unidade Democrática).
Isso ficou marcado, por exemplo, na extensão cronológica e geográfica da rebelião. Tem se registrado ao redor de 26 protestos diários, muitos deles sem chamadas de grupos políticos. Trata-se da gente, cansada e enjoada, participando mediante a ação direta.

É com essas ações espontâneas e descentralizadas com as que estão agindo os anarquistas da Venezuela. Elxs estão colaborando e radicalizando um desconforto não para que o governo caia mas para mudar tudo. Cada vez há mais jovens que enxergam com gosto o referencial
anarquista.

B.Kaos: Num momento onde há dezenas de mortos nos conflitos, nos perguntamos quem são estes mortos e foram mortos por quem? Temos assistido denúncias sobre pessoas atirando a queima roupa, este tipo de violência é recorrente?

Rudolfo: Hoje 9 de julho de 2017, são 100 dias de conflitos, até hoje, são mais de 92 mortos só no contexto dos protestos. Isso é quase um morto ao dia. Isso demonstra o uso desproporcionado da força contra os manifestantes.

As histórias das pessoas assassinadas são muito variadas mas todos eles são jovens, moradores das zonas populares, não afiliados com partido político nenhum, e todos eles participantes firmes dos grupos de defesa das mobilizações.

B.Kaos: Assim como nos interessa falar da repressão também acreditamos que é muito importante falar da resposta combativa nas ruas. Que tipo de ofensiva, ataque e resposta violenta tem os que estão nos protestos?

Rudolfo: O que tem se podido detectar nos protestos é que existe uma multiplicidade de tendências e táticas que os manifestantes estão usando. Trancar as ruas, reter os caminhões para deter o tráfico, atacar às instituições militares e ao sistema judicial, também há confrontos nas ruas, e defesa das pessoas que participam nos protestos, das agressões da Guarda Nacional (GBN) ou da Policia Nacional Bolivariana (PNB). Os jovens se organizam de forma descentralizada e usam estratégias e táticas que podem ser vistas em outras regiões do mundo.

B.Kaos: Quais são ás práticas de auto-gestão (informais) na procura de autonomia estatal que dão resposta ao Estado, neste contexto de restrições em vários elementos necessários para viver?

Rudolfo: São muito variadas, as pessoas estão se mobilizando e participando delas devido à conjuntura. Desde um retorno às pequenas hortas para a subsistência até as cooperativas de produção. No momento não existem experiências de toma de fábricas, mas elas tem sido experiências desfavoráveis. Está se convocando à uma greve geral indefinida para o 16 de julho, logo após o plebiscito. Vamos ver que acontece e se somos capazes de avançar na auto-gestão de meios e serviços.

B.Kaos: Também estamos curiosos por saber sobre as populações não ocidentais na Venezuela, quais suas formas de resistência e confrontação contra o Estado que sempre procura civilizá-las?

Rudolfo: Como afirmam, existe uma resistência dos povo indígenas originários desde o momento da colonização, essa capacidade de resiliência e persistência adquiriu várias formas ao longo do tempo e ainda está
presente. Nestes tempos, os povos indígenas estão mobilizados contra a indústria extractiva que tem sua expressão em projectos como a extracção de carvão mineral  na Serra de Perijá, ou o Arco Mineiro do Orinoco.

Uma linha de pesquisa interessante é a presença de valores e estratégias anarquistas nos povos de contato tardio, como os Yanomami e os Hoti, mesma situação que dos povos que tiveram um desenvolvimento antropológico com um devir  bastante libertário, como é o caso dos Piaroa e os Wotjuja.

Esse desenvolvimento nas margens das instituições ocidentais, não é produto da teorização dos povos mas duma prática coletiva e de adaptação ao meio ambiente que levou eles a se desenvolver duma forma bastante
anarquista.

B.Kaos: Tendo em conta que não respeitamos fronteiras porém elas nos são impostas pelos Estados, gostaríamos de saber como é a articulação com compas afins na região, com o norte do Brasil, as Guianas e Colômbia que imaginamos pelo idioma em comum deve ser maior.

Rudolfo: Embora vocês não acreditem, existem poucos pontes de afinidade com os companheiros/as na Colômbia ainda que compartilhamos uma historia e idioma comum, isso é produto do nocivo desenvolvimento de tendências afins ao “poder popular”, que ao final do dia, não é nem poder, nem é popular. Em relação à Guiana, não se tem noticias de contacto nenhum, os registros que se tem nesse país foram durante a existência da prisão da Ilha do Diabo. Existe um folheto que escrevi titulado “A conjura dos indomáveis” que podem revisar.

Nossos contatos e laços de amizade com o Brasil são mais sólidos, isto permitiu que pudéssemos participar no Forum Geral Anarquista e na Reunião da CRIFA que aconteceram em junho de 2017. Precisamos continuar construindo pontes de afinidade entre ambas as regiões. Aprender dos yanomami que são trans-fronteiriços, que vivem e celebram a liberdade em ambos os lados destas fronteiras fictícias.

B.Kaos: Finalmente, saber um pouco da situação dxs sequestradxs pelo estado e a posição anticarcerária.

Rudolfo: Na Venezuela há mais de 3000 pessoas detidas por terem participado nos protestos, destas, 1700 estão sendo processadas, destas últimas, 313 são civis detidos e passados à jurisdição militar sob a desculpa de uma “rebelião militar”. Além do mais das detenções, está se usando a tortura, o isolamento e a dispersão. Há presos por protestar que tem ordem de saída da prisão mas que não são liberados, estão sequestrados pelos organismos de segurança. Como vocês podem ver, a “revolução bolivariana” comporta-se como um governo militarista e como qualquer outra ditadura.

Em relação a minha posição anticarcerária, esta segue sendo a mesma que desenhei na minha juventude e que mantenho ao longo deste trajecto que chamamos vida: Abaixo os muros de todas as prisões!

[Nova publicação anarquista] A partir de Porto Alegre surge “Crônica Subversiva”

Com a intenção de difundir os impulsos de rejeição contra a dominação, surge uma nova publicação que procura disseminar aquelas ações que conseguem atingir a materialidade do estado capital civilizador.  Ao mesmo tempo, esta nova publicação espalha a solidariedade anarquista que não reconhece fronteiras nem distancias, publicando também o numero 4 da revista Kataklisma da CNA Porto Alegre.

Buscamos divulgar ações que, com e sem reivindicação, inconfundivelmente dão um golpe contra todo que busca nos oprimir e devastar a terra. Por isso reproduzimos algumas notas da mídia, por que nos permitem tatear a efetividade destas ações, já que para a sociedade, para o poder, trata-se de vandalismo, acidente, dos outros partidos. Suas interpretações apontam ao crime ou a uma competição pelo poder. Mas, o ataque contra a dominação não procura ganhos ou outro poder alternativo. O ataque ácrata é a vontade de destruir todo o que arremete contra a vida livre. . 

Esperamos que provoque e inspire.

na saída do inverno….

Conteúdo da publicação

– OKUPAÇÕES E ESPAÇOS EM CONFLITO
– UM POUCO DE FLAMEJANTE CLAREZA.
– O DEDO QUE APONTA À LUA.
– TEXTOS
-O Acampamento Terra Livre 2017. Do confronto com os porcos à “festa” na esplanada.
– Entrevista da Biblioteca Kaos com Rodolfo Montes de Oca sobre a situação na Venezuela
– PROVOCAÇÕES
– KATAKLISMX
– Solidariedade Combativa pela condenação do Rafael Braga Vieira
– Atualização das compas sequestrados
– Uma resposta ao chamado para a solidariedade com os detidos em Hamburgo no G20 de Panagiotis Argyrou, membro da CCF

Para descarregar em pdf: capa e publicação

[Brasil] Chamada e convite para a 8ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre (28 e 29/10)

Convidamos a todas e todos que compartilham, vivenciam ou gostariam de conhecer mais das ideias e práticas anarquistas para construir a 8ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre, que acontecerá nos dias 28 e 29 de outubro de 2017.

Você ama a liberdade e quer se ver livre das amarras desse sistema?
Participe! Traga sua banca, suas publicações e ideias, organize uma rodade conversa, uma exibição de vídeo uma oficina ou outra atividade!

As Feiras do Livro Anarquistas acontecem ao redor do mundo e são tradicionais pontos de encontro, confraternização, reflexão, debates e organização. Elas reúnem pessoas de diversas tendências que buscam a anarquia e novas formas de viver e se relacionar, livres de opressão e hierarquias. A Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre, junto com a de São Paulo, é das mais antigas nos territórios ocupados pelo Estado Brasileiro e ocorre desde 2010. Esse é um movimento que tem se expandido por todo o continente, de Santiago a Salvador, na Bahia, de Montevidéo a Curitiba, de Medellín a Belo Horizonte.

Esta sociedade que valoriza a incessante busca por dinheiro e poder está nos matando. Matando literal e diretamente a população marginalizada, com os genocídios do povo negro e dos indígenas pela polícia e pelas milícias. Matando nossos corações e sonhos com o isolamento e depressão causados por um modo de vida que não nos traz nenhuma realização como seres humanos.

Ela não só está nos matando, mas tudo o que é vivo e o planeta em si. Temos que parar os motores de dominação e destruição da Terra, coordenados por governos e corporações sedentos de poder. Querem nos fazer acreditar que esse é o único e melhor modo de vida possível, acabando com qualquer sonho ou perspectiva de uma vida melhor.

A Feira do Livro Anarquista é uma brecha que se abre no coração do sistema, gritando anarquia – dando fôlego aos valores de apoio mútuo, autonomia e solidariedade. É um espaço para expandir essas idéias e ideais, através de encontros ou publicações, para encontrar novas estratégias e táticas de confronto, construindo possibilidades reais de transformação do mundo em que vivemos. Pois a anarquia só existe na prática. Essa prática nos une às companheiras e companheiros que o Estado sequestrou e mantém em seus cativeiros ou que tombaram por ousar desafiar o poder.

Acreditar na anarquia é acreditar na capacidade que temos de transformar a realidade.

Participe da Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre!
Traga suas ideias, livros, sementes pra trocar, artes, materiais que você produz. Cadastre sua banca ou atividade em nosso site ou pelo e-mail flapoa@libertar.se

Se você não puder comparecer à 8ª FLAPOA mas gostaria de mandar algum material que você produziu (livros, artes, cartazes) entre em contato com flapoa@libertar.se e envie o material para o endereço:

Juçara da Mata
Caixa Postal 22237
CEP 90050-972
Porto Alegre – Rio Grande do Sul

Hospedagem solidária
Se você não é de Porto Alegre, ao invés de dar dinheiro para a indústria hoteleira, você se pode se hospedar em nossa rede de hospedagemnsolidária. Preencha o formulário em nosso site ou mande-nos um e-mail senapresentando e dizendo quais são as suas necessidades.

Se você é de Porto Alegre, pratique o apoio mútuo e ofereça hospedagem para as pessoas de fora que vierem para a 8ª FLAPOA. Preencha o formulário em nosso site ou mande-nos um e-mail contando o que você tem para oferecer e quantas pessoas pode hospedar.

http://flapoa.libertar.se/

S. Paulo: Solidariedade apátrida – Pela aparição com vida de Santiago Maldonado


recebido a 13 de agosto de 2017

Solidariedade apátrida desde o território dominado pelo estado brasileiro. Respondemos ao chamado de solidariedade com o anarquista Santiago Maldonado, desaparecido há mais de dez dias.

Na noite de 12/08 penduramos uma faixa num movimentado viaduto, localizado no centro da cidade de São Paulo.Lechuga, como é chamado, foi raptado pelas gendarmeria no começo do mês de agosto. Lechuga é companheiro do meio anárquico e apoiava a vivência no território em toma por mapuches.Ele está desaparecido desde a invasão e repressão ao território mapuche na província de Chubut, em Cushamen, dia 1/08/2017. A última vez que ele foi visto, estava nas garras da gendarmeria após sofrer brutal violência. Mais uma vez, a repressão contra a luta mapuche faz suas vítimas. Enquanto isso a greve de fome de Facundo Jones Huala continua…

O estado argentino é culpado. Os esquadrões 34, 35 e 36 da polícia militarizada [gendarmeria] são responsáveis pela chuva de balas na comunidade mapuche e sequestro do nosso companheiro.

O estado brasileiro é conivente pois aqui fazem o mesmo. Todo apoio à toma da sede da FEPAGRO, terra retomada pelos guaraní myaba em Maquiné.

“AMULEPETAYINWEICAN”!
A LUTA CONTINUA!

SOMOS APÁTRIDAS E INGOVERNÁVEIS E ESTAMOS EM QUALQUER LUGAR!!!

EXIGIMOS APARIÇÃO COM VIDA DE LECHUGA JÁ!!!

SEGUIREMOS CONSPIRANDO!!!

 em alemão

Atenas, Grécia: Ataque incendiário da Célula de Ação/Metropolis Fallen – FAI/FRI a carro de jornalista da SKAI

“Enquanto a necessidade for socialmente sonhada, o sonho continuará a ser uma necessidade social. O espetáculo é o pesadelo de uma sociedade moderna acorrentada e, em última análise, não expressa nada além do desejo de dormir. O espetáculo é o guardião desse sono.”
Guy Debord

Estamos a assumir a responsabilidade pela colocação de um dispositivo incendiário no carro de G. Papahristos, à porta de sua casa, em Agios Dimitrios, ao amanhecer de 18/4.

G.Papahristos é um pedaço de lixo humano dos círculos jornalísticos. A sua carreira é semelhante a tantas outras dos da sua laia. Um político “todo o terreno” que, a intervalos regulares, é chamado a oferecer os seus serviços aos interesses autoritários relevantes, sejam eles políticos ou económicos, como o demonstram bem os seus empreendimentos profissionais que vão desde a “verde” DOL à neoliberal SKAI.

Mas qual é o papel institucional do jornalista?

Para nós, o jornalista constitui uma parte crucial do mecanismo ideológico de ludibriação massiva dos media, chamado a servir os interesses do Estado e do capital.  Os serviços principais daqueles – com vista aos interesses acima mencionados – são fornecidos através do cultivo do medo e do embelezamento de certas situações, utilizando-se a desinformação enganosa, a fim de criar o seu próprio conceito de realidade. Na “democracia” grega – onde hipoteticamente predomina a liberdade de expressão – como que por magia o “pluralismo de opiniões” parece convergir para a opinião da élite política e económica. Como resultado, a ‘opinião pública’ está a ser ditada pelas notícias e informação que os gritos dos círculos mediáticos difundiram, sempre visando a segurança e a letargia do poder do Estado, ajudando a expandir o seu sistema de segurança e muito mais.

Mas como é que a mentira é traduzida para ser experimentada, formulando a “opinião pública”?

Através do poder da imagem, os meios para se ludibriar massivamente criam e reproduzem uma bolha de realidade virtual – onde máquinas de bilhetes danificadas são combinadas com actividades criminosas comuns, a luta revolucionária armada com ataques da jihad, estilo de vida com subcultura, solidariedade imigrante com ONG de caridade e a luta antifascista está conectada a ataques racistas. O resultado da pré-mencionada prática é o estabelecimento de uma distorcida verdade fabricada no subconsciente das massas – fornecendo-lhes o backup [cópia de segurança] dos condutores de escravos e os aplausos do estado e capital.

Mas o que é que se estabelece através da bolha virtual, experimentada em massa?

Reconhecemos dois procedimentos paralelos, um visível, invisível o outro. O lado visível – baseado na demanda orientada das massas para um maior controle e segurança – cria prisões de alta segurança, condições especiais, alas subterrâneas prisionais para xs guerrilheirxs urbanos anarquistas, câmaras por todos os lugares da cidade, barras de controlo de multidões, campos de concentração de imigrantes, exageradas penas de prisão para quem luta contra o podre existente, bófia em cada vizinhança e enormes centros comerciais para a facilitação dos fluxos de mercadorias. Reconhecemos como parte invisível a produzida pelas relações sociais sob o efeito daquela realidade virtual. Exemplos característicos disso são as relações sociais burguesas modernas, baseadas no medo – subtraindo informações ou sendo informante – no hiper-consumismo, na alienação, no comportamento auto-indulgente e apatia, no apetite lúbrico por patriotismo e religião. Toda essa maquilhagem da sociedade de controle total e de um estado de sufocante silêncio de necrotério que tende a sufocar a resistência dos “invisíveis” e “ilegais” desta sociedade. Sob essas circunstâncias um círculo vicioso é criado entre o estado / capital, os meios de comunicação para ludibriar em massa e a ‘opinião pública’ que tende para ser autónoma e que dela se auto-alimenta. Ler mais »

[G20 Hamburgo] Alguns endereços de presxs que, após a Cimeira, ainda se encontram em prisão preventiva

Alguns endereços de presxs que, após a Cimeira, ainda se encontram em prisão preventiva

RICCARDO LUPANO (09/06/1985)
JVA Billwerder
Dweerlandweg 100
22113 Hamburg [Germany]

EMILIANO PULEO (02/02/1987)
JVA Billwerder
Dweerlandweg 100
22113 Hamburg [Germany]

ORAZIO SCIUTO
JVA Billwerder
Dweerlandweg 100
22113 Hamburg [Germany]

ALESSANDRO RAPISARDA
JVA Billwerder
Dweerlandweg 100
22113 Hamburg [Germany]

FABIO VETTOREL (02/12/1998)
JVA Hahnöfersand
Hinterbrack 25
21635 Jork [Germany]
Soube-se hoje que Maria Rocco, que se encontrava  em prisão preventiva há mais de 4 semanas – presa juntamente com Fábio – foi finalmente libertada.

Romper o isolamento da prisão!
Liberdade imediata para todxs!
Fogo a todas as prisões!

Chile: Faixa solidária com os e as anarquistas da Venezuela

NEM DITADURA NEM DEMOCRACIA – FORÇA AOS/ÀS REBELDES NA VENEZUELA

A princípios do mês de Agosto, com os olhos postos na revolta contra a ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela, colocámos uma faixa solidária com os e as companheiras anarquistas do dito território. Enviamos força aquelxs que, a partir da sua autonomia, erguem posições libertárias contra todo o poder e que enfrentam nas ruas, com dignidade, a repressão estatal.

De algum lugar do território chileno
Biblioteca Anti-autoritária Libertad
Inverno, 2017

em alemão

Chile: Faixa pela aparição com vida do companheiro Santiago Maldonado

Aparição com vida de Santiago Maldonado – feito desaparecer pela polícia, na Argentina a 1 de Agosto.

09-08-2017. O companheiro anarquista Santiago Maldonado desapareceu a 1 de Agosto após uma invasão da polícia da Argentina a uma comunidade mapuche em resistência – onde se encontrava em solidariedade. Do outro lado da cordilheira, enviamos um pequeno gesto de apoio aquelxs que lutam pela aparição de Santiago, as mossas consciências estão aí junto a todxs vós.

De algum lugar do território chileno
Biblioteca Anti-autoritária Libertad
Inverno, 2017

em inglês l alemão

Montevideu, Uruguai: Concentração por Santiago Maldonado (feito desaparecer pela polícia na Argentina)

No cartaz pode ser lido:

Concentração e mobilização, 5ª feira, 10 de Agosto, às 18:00, Praça Liberdade, Montevideu, Uruguai

Pela aparição com vida de Santiago Maldonado. Feito desaparecer pela Gendarmeri no dia 1 de Agosto, na comunidade Lof en Resistência, na localidade de Cushamen, Argentina, e em solidariedade com a resistência  do povo mapuche.

A TERRA NÃO É UM NEGÓCIO
SE TOCAM UM/A TOCAM A TODXS!

Concentração pela aparição com vida de Santiago Maldonado. Quinta feira, 10 de Agosto, às 18:00, praça Liberdade, em Montevideu, Uruguai.

em alemão

Génova, Itália: Sabotagem em solidariedade com xs companheirxs presxs

Recebido a 7 de Agosto:

GÉNOVA: SABOTADOS COM FOGO DOIS REPETIDORES EM SOLIDARIEDADE COM XS COMPANHEIRXS APRISIONADXS DE FLORENÇA, HAMBURGO, FERRARA E POR TODO O MUNDO!

em italiano

G20 em Hamburgo: Estes foram dias de revolta

Durante estes dias da conferência do G20, milhares de pessoas inundaram as ruas de Hamburgo com a sua raiva contra a polícia, a sua violência e o mundo que protegem. Já durante as semanas anteriores era bem visível a vontade da bófia confrontar cada sinal de protesto ou resistência com tolerância zero. Durante a manifestação de quinta ao fim da tarde, deixaram bem clara a sua posição mais uma vez, atacando a frente da manifestação desde o primeiro minuto. A bófia obviamente, aceitou selvaticamente a possibilidade de ferimentos potencialmente letais ao empurrar e cercar o bloco frontal da manifestação para uma abertura muito estreita da Hafenstraße, onde se estaria rodeado lateralmente por paredes de tijolo. Causaram pânico, batendo, pontapeando, lançando gás de pimenta e lacrimogéneo e disparando os canhões de água de frente e pelos lados. Muitas pessoas tentaram fugir subindo as paredes laterais, muitas pessoas magoaram-se – mas era possível ver também momentos impressionantes de solidariedade, pessoas ajudando-se umas às outras para saltar por cima dos muros enquanto outrxs atacavam a polícia de cima e linhas frontais corajosamente e calmamente defendiam a manifestação dos ataques da polícia, sustendo um espancamento sério.

O bastão na cara, o joelho no pescoço, a pimenta nos olhos estavam lá para te lembrar quem estava no comando do mundo. Durante estes dias, os representantes e líderes dos 20 mais ricos países do mundo encontraram-se para discutir a manutenção desta ordem de miséria. Dezenas de milhares de polícias deviam proteger esse espectáculo daquelxs que procurariam mostrar abertamente a sua raiva, ódio e resistência aquelas autoridades arrogantes.

Na noite de sexta-feira muitas pessoas optaram por recuperar alguma da dignidade que nos é roubada diariamente, atacando a bófia em diferentes e múltiplas partes da cidade. Barricadas foram construídas e com martelos, pedras e fogo abriram inúmeras brechas nas fachadas da sociedade na qual apenas aquelxs que funcionam de acordo com ela, consumem e lhe obedecem encontram o seu lugar. As barricadas da noite ainda não tinham sido completamente extinguidas quando os primeiros carros começaram a ser consumidos pelas chamas na manhã de sexta-feira. Em diversos pontos de toda a cidade, grupos começaram a juntar-se, deixando claro que estes dias ultrapassam em muito aquilo que se poderia considerar um simples ataque a uma reunião de líderes de estado. Entre outros alvos, as agências imobiliárias, carros luxuosos, o tribunal de menores, bancos e as fachadas brilhantes dos átrios das galerias comerciais foram atacados e também os primeiros polícias tiveram de fugir debaixo da chuva de pedras e garrafas. Numa miríade de locais da cidade grupos bloquearam com assentamentos e manifestações, sem que as pessoas que escolhiam meios diferentes se atrapalhassem.

Na sexta-feira, a raiva irrompeu com uma força muito rara neste contexto (infelizmente) – claramente para conquistar a tranquilidade mortal da vida civil, quebrar a normalidade e perturbar o funcionamento da cidade dos ricos e do consumismo – mostrando que o estado policial não nos pode impedir de viver, constituindo uma experiência fortalecedora, sem dúvida alguma.

Ainda na sexta-feira, uma parte do espaço que as autoridades tomaram pela força bruta, para fazer actuar este espectáculo de poder, foi retomada por algumas horas.
Com barricadas em chamas e ataques firmes contra a polícia, as pessoas criaram um espaço onde podiam finalmente decidir o que queriam fazer durante algumas horas, sem que as forças do Estado tivessem qualquer controlo ou influência. Algumas lojas e supermercados foram saqueados e individualidades levaram o que quiseram ou necessitavam, outrxs decidiram destruir símbolos deste mundo mortal de consumo, que mortifica cada sensação de vida selvagem e livre, queimando-os nas ruas. A diversidade de individualidades que compartilharam as ruas neste dia – atacando a polícia, saqueando e construindo barricadas – foi impressionante e envolveu um grande número de pessoas que provavelmente não fazem parte de qualquer meio de protesto.

Quando qualquer auto-proclamado porta-voz, de quem quer que seja, diz que os confrontos foram fora de tom, irresponsáveis e apolíticos, apesar do profundo desgosto que nos causa o seu oportunismo adulatório é necessário dizer que está certo: tomar um espaço que não é controlado por polícias é um acto inevitavelmente violento e uma disrupção clara do que nos é imposto diariamente. Na verdade não tem nada a ver com qualquer agenda política ou programa de qualquer movimento ou organização- mas com o individual, com uma re-apropriação total das nossas vidas.

Se esses momentos de disrupção criam um certo desconforto ou mesmo medo de uma situação, na qual a ordem imposta estava verdadeiramente fora de tom, não é de espantar – estes sentimentos são parte inevitável e inerente do rompimento com esta realidade.Além do reconhecimento disto temos de nos perguntar de quem é o medo ou de quem estamos a falar. Se é sobre uma sociedade saciada e rica como a presente nesta cidade de consumo e comércio, assustada com a sua propriedade e que encontra no saque de bens e na destruição de zonas comercias os momentos mais assustadores destes dias, essa sociedade precisa de ser destruída. O seu medo é um sinal claro de que estamos a atingir o ponto certo.

A nossa domesticação neste mundo de autoridade é muito extensa.
O polícia na nossa cabeça é muito persistente.

Apenas alguns/mas podem imaginar o que significa realmente a ausência de autoridade
– é por isso que temos de criar momentos onde possamos fazer a experiência dessa ausência. Que xs indíviduxs tomem decisões que no rescaldo possam não parecer corretas ou responsáveis não é surpreendente. Nem nestas situações nem em nenhuma outra situação na vida. Temos de falar sobre estas coisas, obviamente, se nos queremos aproximar de uma ideia de liberdade. Tem de ser claro, então, que não há objectividade – especialmente na revolta. Responsabilidade individual e iniciativa daquelxs que a querem manter, são partes inerentes da revolta.

É fácil cair no discurso imposto pelas autoridades e preservadores desta ordem. Aquelxs que arriscaram a vida de pessoas de forma viciosa, nestes dias, eram polícias – não há dúvida alguma sobre isso. Cair naquela propaganda inflamatória e deixá-la controlar o momento libertador e fortalecedor destes dias seria um erro grave.

Durante este fim-de-semana, a resistência deixou o campo do protesto orquestrado politicamente – e de novo se torna claro que sob o chapéu da revolta há que escolher lados.
Ou estás do lado que procura ver esta sociedade, esta ordem, este sistema em ruínas- com a ideia de uma vida em liberdade e dignidade, abraçando todos os erros e triunfos que são inerentes à revolta; ou estás com aquelxs que reconhecem que se sentem mais confortáveis num domesticado e calculável ambiente de protesto, que ocorre no quadro seguro do sistema totalitário – com medo de tomar passos que nos possam levar na direção dos frios e vastos campos da liberdade.

anarquistas pela revolta social
Hamburgo, Verão 2017

em inglês l alemão

Hamburgo após o G20: Colecção de fotos (a preto e branco) a partir de St.Paul

Às pessoas que acreditam que na sexta-feira, 8 de Julho, durante os protestos contra a Conferência, o “nosso” (distrito gentrificado) foi destroçado, podemos responder, sem juízo de valor, que se encontra novamente (com algumas excepções, como o supermercado Rewe ou alguns multibancos) a funcionar em condições perfeitamente normais.

Todxs xs que acreditam que os media podem ser instrumentalizados e deixam os porta-vozes da imprensa falarem como representantes vão falhar miseravelmente. Qualquer pessoa que olhe para as análises da media de “esquerda” e propõe um fórum não tem nada a acrescentar ao debate sobre os protestos.

O facto de existirem críticas ao Rote Flora, que deixam os seus porta-vozes para a imprensa falar com os media, deve ser conhecido.

O “Druckerei und Copyshop” oferece um texto muito especial – na montra da sua loja – do Schanzenblitz, dos meios de alternativa de esquerda. A cópia do texto do esquerdista Junge Welt “Provozierte Eskalation” [Escalada Provocada], escrito pelxs jornalistas André Scheer, Georg Hoppe e Lina Leistenschneider, apresenta-se aí, copiado e aumentado significativamente. Xs “revoltosxs” são difamadxs de forma arrasadora, tratadxs por “idiotas úteis do poder de Estado”. Também se diz, por Junge Welt. “Entre os vários milhares de pessoas que estavam nas ruas, dificilmente se veriam os activistas de esquerda. Pelo contrário, pessoas que foram descritas como hooligans do futebol. Referem-se ao porta-voz de imprensa da Red Flora, também. A sua entrevista é citada, quando diz “a violência sem sentido termina em si mesma e é errada”, apoiando os autores no seu juízo errado.

Nada disto é inesperado e é importante oferecer contra-informação. Em primeiro lugar, uma discussão interna honesta, sem preconceitos, deve ter lugar sobre o evento, que permita diferentes opiniões e avaliações (para lá do que é publicado no absurdo do mundo da media).

Hotel Empire Riverside Hamburg **** em St. Pauli

Hotel Empire Riverside Hamburg **** em St. Pauli

Contra a cidade dos ricos

Restaurante Copper House em St. Pauli

Hafenstraße, na faixa lê-se: “Solidariedade com todos xs presxs *dentro”

McDonalds (desde 2009 em Schanzenviertel)

O vidro é estilhaçado e choras, pessoas morrem e não dizes nada…

Hotel Pajama Schanzenhof (“substitui projectos mais “alternativos” e é muito mal visto no distrito)

Rote Flora: “Toda a gente odeia a polícia” – “Todxs em liberdade”

Esmaga o G20 (A)

Sexta foi uma reação por quinta – RFA estado da bófia

Haspa em Schanzenviertel

Contra a cidade dos ricos! (A)

Tudo para todxs, depois do dia de regresso dos residentes (ligeiramente apagado)

em alemão

Itália: Atualização sobre as detenções de anarquistas em Florença, Roma e Lecce

No mesmo dia (quinta-feira, 3 de Agosto) do assalto e desalojo da La Riottosa, às 6h30, as Digos de Lecce e um esquadrão especial antiterrorismo (UOPI) invadiram a Okupa La Caura  (Roca-Lecce). A polícia forçou xs presentes a deitarem-se no chão, de cabeça para baixo, tendo detido Paska, enviado depois para a prisão de Lecce. A Okupa, com apenas 10 dias de ocupação foi desalojada.

O episódio ocorreu ao mesmo tempo que no La Riottosa em Florença, onde mais 7 companheirxs foram presxs, enquanto mais um foi preso em Roma.

No dia 5 de Agosto houve uma audiência judicial sobre a detenção preventiva dxs oito companheirxs anarquistas, em Florença. Seis das oito pessoas presas na manhã de 3 de Agosto foram libertadas ontem. O companheiro Salvatore Vespertino ainda está na prisão de Solliciano em Florença. O companheiro Pierloreto Fallanca também permanece preso em Lecce tal como o companheiro Roberto Cropo, em Roma.

Os endereços atuais para lhes escrever são:

Salvatore Vespertino
C.c. Sollicciano
Via Minervini 2r – 50142 Firenze, Itália

Pierloreto Fallanca (Paska)
Via Paolo Perrone 4 – 73100 Lecce, Itália

Roberto Cropo
C.C. Regina Coeli via della Lungara 29, 00165 Roma

 

Buenos Aires, Argentina: Ação direta contra a desaparição de Santiago Andrés – Atualização da situação

Aproximadamente às 10h da manhã de hoje (sexta-feira, 4/08/2017), a quase quatro dias do desaparecimento do companheiro Santiago Maldonado “lechuga”, destruímos a casa da província de Chubut, na putrefata capital do Estado chamado Argentina.

Embora abundem as razões, a raiva começa a transbordar e a transbordar-nos, já lá vão mais de 72 horas e um companheiro não aparece, enquanto Facundo Jones Huala continua em greve de fome.

Estendemos a nossa solidariedade ao povo mapuche e expandimos a nossa raiva contra todos os estados, o capital, a autoridade e todos os seus cúmplices.

Até que apareça o lechuga e até que o caos os sucumba!

Anárquicas individualidades expansivas do caos
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[Panfleto] APARIÇÃO DE SANTIAGO MALDONADO COM VIDA, JÁ!

Há já várias horas que não temos a certeza do paradeiro de uma pessoa. Mas não de uma pessoa qualquer, trata-se de uma pessoa solidária, companheira, anti-autoritária. O que sabemos, sim, é que uma vez mais as miseráveis forças da Gendarmeria [Força de Segurança de natureza militar] actuaram em conformidade com a rdem normativa democrática que em nada fica atrás das “temidas” ditaduras.

Uma vez mais o Lof em Resistência [famílias mapuche agrupadas num território libertado] em Cushamen, Chubut, foi invadido. E cada vez mais se acrescenta a perseguição e a domesticação do povo mapuche (que continua em luta para se recuperar como povo). Diversos assaltos, acosso policial e perseguição a várias comunidades mapuches – como o caso da prisão e pedido de extradição de Facundo Jones Huala, em cumplicidade mútua dos estados argentino e chileno – fazem ressurgir a raiva naquelxs que não querem ser mandadxs nem obedecidxs.

Nesta última repressão (a 1 de Agosto) entre uma chuva de balas, corridas e detenções- xs que tinham sido detidxs já foram libertadxs) – desaparece o “lechuga”. Conhecido companheiro do meio anárquico e anti-autoritário que se encontrava de forma solidária a apoiar e a resistir no Lof.

Há já várias horas que não sabemos ao certo do “lechuga” e a paciência começa a estalar, qual cristal que sofre o impacto das pedras da rebelião. Há já várias horas que não sabemos do paradeiro de um companheiro, mas o que sabemos, sim, é que não se respeita a yuta [bófia], que as suas leis  não nos atemorizam e que a combustão de alguns elementos acende e aviva o fogo.

Fogo que realça as nossas paixões contra a sua domesticada podridão.

¡Amulepetayinweican!
[A luta continua!]

Compilação informativa da desaparição de Santiago Andrés Maldonado (recebida a 5 de Agosto):

– Santiago desapareceu a 1/8, durante a brutal repressão levada a cabo pela gendarmeria na lof em resistência do departamento cushamen. Onde participaram os esquadrões 34, 35, 36, Ramos Mejía e Rawson, os quais abriram uma caçada humana, disparando sem parar.

– Sabe-se que Santiago Andrés Maldonado foi detido por efetivos da gendarmeria, durante essa brutal situação.

– Foi realizada uma busca exaustiva pelas delegacias circundantes à área, yendo todas negado a ingressão dele.

– Familiares, organizações de direitos humanos e companheirxs compañeros apresentaram habeas corpus, nos tribunais de Bariloche, Bolsón, Esquel. Como também em todo o país. Foi realizada uma ampla difusão por parte de um organismo de direitos humanos.

– Acosso por parte da gendarmeria ao irmão de Santiago, Sergio Maldonado, na altura em que este se acercou da lof à procura de mais informações sobre a situação em que foi detido e desaparecido o seu irmão;  novo acosso quando Sergio chegava à cidade de Esquel, por parte de efetivos da gendarmeria.

– Manifestações em toda a comarca andina, Neuquen, Cordoba, Buenos Aires e Uruguai, exigindo-se a imediata aparição do companheiro Santiago Andres Maldonado.

– Está-se a realizar uma conferência de imprensa por parte de membros da CPM (comissão pela memória). Na sede da Federação Judicial Argentina, rua Rincón 74 na cidade de Buenos Aires. Estará presente o presidente da CPM, Víctor Mendibil e outros integrantes do organismo, junto ao irmão do jovem desaparecido, amigos, familiares e companheiros. Acompanharão, também, o CELS e outros organismos de direitos humanos e organizações sociais que nas últimas horas se juntaram à exigência de aparição com vida.

Para além de que Santiago Andres Maldonado é um companheiro anarquista que decidiu se solidarizar de maneira ativa com a digna luta do povo mapuche e acudir indo à lof em resistência, quando soube da brutal repressão que estava a suceder a 1 de Agosto.

Santiago, aliás o bruxo, está desaparecido por se solidarizar e por lutar!!!!!!

O ESTADO E O CAPITAL, ATRAVÉS DO SEU APARELHO REPRESSIVO, SÃO OS CULPADOS DA DESAPARIÇÃO DO NOSSO COMPANHEIRO!!!!!!!!!!!!!!!!!!

em espanhol

[Prisões de anarquistas em Florença] Mensagem ao movimento anarquista internacional

Florença, 21 de Abril, 2016: alguém atacou o quartel dos carabineiros em Rovezzano, subúrbios de  Florença, com um cocktail Molotov.

Florença, 1 de Janeiro de 2017: um dispositivo explosivo colocado no exterior da livraria “Il Bargello”, perto da Casa Pound, explode nas mãos de um polícia, o qual fica gravemente ferido.

Após estes dois ataques anónimos, na manhã de 3 de Agosto de 2017 oito companheirxs são presxs. Os anarquistas: Marina Porcu, Micol Marino, Pierloreto Fallanca (Pasca), Giovanni Ghezzi, Roberto Cropo, Salvatore Vespertino, Sandro Carovac, Nicola Almerigogna.

Estxs companheirxs foram notificados de acusações de tentativa de assassinato – por causa do ferimento do engenheiro de desativação de bombas, Mario Vece – fabricação, detenção e transporte de dispositivos explosivos, danos agravados para o lançamento de garrafas incendiárias contra o quartel de carabineiros.

Os nomes dos principais inquisidores que coordenam a investigação são:

– Eugenio Spina ( dirigente superior da Polícia de Estado, chefe dos serviços anti-terrorismo).
– Lucio Pifferi  ( chefe da D.I.G.O.S. em Florença).
– Giuseppe Creazzo (procurador – chefe de Florença)

Como anarquistas não estamos interessadxs ​​em saber quem fez essas ações, válidas, concretas, vivas. O Estado italiano – após a continuação da Op. Scripta Manent – novamente ataca xs companheirxs refractários, que acreditam que a ação direta não mediada e destrutiva é um meio fundamental da luta revolucionária anarquista.

Note-se que a ação anarquista direta contra o Estado / Capital é cada vez menos viva, portanto, é muito fácil para o aparelho repressivo fazer o seu trabalho contra aquelxs que apoiam posições incontestáveis ​​para o caminho revolucionário. É fundamental, senão um dever, não misturar xs companheirxs anarquistas com a mera conjuntura dos caminhos do antifascismo político e anti-repressivo, que como anarquistas não nos pertencem. Com este documento, nós expressamos a proximidade a todos aquelxs  individualidades que incondicionalmente agem, para além da reclamação ou não das ações.

É importante reivindicar colectivamente estas práticas, como parte integrante da luta revolucionária anarquista, para não isolar xs nossxs queridxs companheirxs. As razões pelas quais o nosso anarquismo é partidário do ilegalismo e propaganda pelos fatos, devem-se ao fato de reiterarmos a sua estrita necessidade, no passado como agora, de fazermos todos os esforços para propagar e espalhar, publicitar, com pólvora negra, a ideia revolucionária anarquista.

Assim, os atentados, o fogo posto, as expropriações, os ataques armados são parte da guerra levada a cabo, sem tabus e sem limites pré-concebidos contra o Estado. Que as armas da política sejam abandonadas e a política das armas reabraçada numa forma não determinista, consciente e constante.

Adiante, companheirxs anarquistas internacionais, quando as prisões já não silenciarem os trovões da dinamite estaremos apenas a meio caminho. Vamos atacar a autoridade de qualquer maneira que esta se apresente, sem perder tempo e com todos os meios à nossa disposição.

O resto?

O resto é apenas a conversa fiada de quem sempre quer algo novo, mas não se atreveu a obtê-lo, aqui e agora.

Anarquistas

via Croce Nera Anarchica l espanhol

[Itália] Sobre a detenção de 8 anarquistas e o dasalojo da La Riottosa (3/08)

Compas na La Riottosa, barricadxs, resistiram mais de 10 horas.

3-08-2017. Durante a manhã, oito companheirxs anarquistas foram presxs em Florença, Roma e Lecce. Estão acusadxs do ataque com molotov contra o quartel de Carabineiros (polícia militarizada italiana) de Rovezzano, em Florença (21-04-2016) e do ataque explosivo contra a livraria “Il Bargello” – um espaço do ambiente da Casa Pound (organização fascista) – em Florença (01-01-2017). Naquela manhã a bomba explodiu na mão de um polícia que a tentava desativar, perdendo este a mão e um olho.

Xs companheirxs anarquistas encarceradxs, acusadxs pelo ataque contra a livraria fascista são Nicola Almerigogna, Roberto Cropo, Pierloreto Fallanca “Paska”, Giovanni Ghezzi e Salvatore Vespertino, enquanto que xs encarceradxs pelo ataque contra o quartel são Micol Marino, Marina Porcu e Sandro Carovac.

Durante o dia foi desalojada a okupa auto-gestionada La Riottosa, uma okupação anarquista em Florença. Alguns e algumas companheirxs resistiram na okupa, durante cerca de 10 horas e 2 dxs 8 compas encarceradxs foram detidxs lá. Os companheiros acusados pelo ataque explosivo estão acusados de tentativa de homicídio, danos agravados e fabricação e transporte de dispositivos explosivos. Seguir-se-ão atualizações e direções das prisões onde xs companheirxs estão reféns do estado.

em espanhol

[Chile] Repressão e revolta na Venezuela: Mão estendida ao/à companheirx, punho cerrado ao inimigo

Desde há mais de três meses que se estão a desenrolar protestos massivos contra o governo socialista de Nicolás Maduro, na Venezuela.

Mais de cem mortxs e centenas de manifestantes detidxs e torturadxs às mãos da polícia venezuelana é o saldo atual da agitação nas ruas que tem ocupado a agenda política na região latino-americana e para além dela, inclusive.

O conflito social que se agudizou na Venezuela tem uma série de arestas, interessantes de abordar para todxs aquelxs a quem interessa propagar as hostilidades contra toda as formas de governo e poder. Podemos encontrar, entre elas, pelo menos duas variáveis:

1 – A hipocrisia dos Estados democráticos que através da Organização dos Estados Americanos pressionam para se intervir na Venezuela perante “as graves violações às liberdades das pessoas” por parte do governo. Como se nos seus próprios territórios, Estados como EUA, México, Colômbia e Chile existisse liberdade e respeito aquilo a que na linguagem do poder chamam “direitos humanos”.

2 – A campanha da esquerda internacional que, em apoio ao governo de Nicolás Maduro, cataloga xs manifestantes como simples titeres ou agentes que fazem o jogo dos interesses da oposição, principalmente a da direita, agrupada na Mesa da Unidade Democrática (MUD).

Ambos os discursos interactuam no conflito – tentando modelar a opinião sobre o que estará a ocorrer na Venezuela – dentro e fora das fronteiras do país.

Para nós, o que nos parece importante é estender uma mão de solidariedade (ainda que seja à distância) aquelxs companheirxs anárquicxs/ anti-autoritárixs que nas ruas estão a tomar parte no combate contra o governo.

Lado a lado com milhares de jovens que se levantaram, decidindo não serem apenas espetadorxs do que sucede perante os seus olhos,  passando à ação ofensiva contra a polícia, os quartéis e tudo o que cheire a governo e repressão.

É um facto que a revolta em curso não tem uma notória projeção anti-estatal. Também é verdade que nas ruas se encontram uma diversidade de posicionamentos e discursos. Mas também é um facto concreto – como companheirxs anárquicos já assinalaram na Venezuela – que grande parte da juventude e das pessoas que saem à rua a atirar cocktails molotov à polícia e que queimam quartéis e edifícios do governo, não formam nem lhes interessa formar parte da Mesa de Unidade Democrática nem da oposição política oficial de direita.

Trata-se de uma rebelião que se prolongou por mais de três meses e cuja “condução” não pode ser atribuída à direita, tratando-se antes de vontades diversas, em muitos casos jovens sem partido algum.

Estamos em sintonia com aquelxs que a partir da autonomia e do calor das barricadas e cocktails molotov estão a propagar ideias anti-estatais/anti-autoritárias, na conjuntura específica de luta contra o governo atual.

No território devastado pelo Estado Chileno, companheirxs anárquicxs têm participado – ao longo das décadas mais recentes – em manifestações massivas, ao lado de movimentos sociais com os quais temos maiores afinidades, sempre com o objetivo de ir em busca e de gerar possibilidades para atacar a polícia e propagar a destruição da infra-estructura urbana do capital e do poder.

Pela nossa experiência, sabemos que na luta nas ruas nem sempre temos ao lado pessoas completamente afins – mas temos sempre presente, de forma clara, quem são xs nossxs irmãos/irmãs e cúmplices, com xs quais compartilhamos objetivos em comum, transbordando os limites dos protestos que procuram trocar uma lei por outra, um governo por outro, um tipo de Estado por outro, etc.

Com propaganda, com organização, com fogo e gasolina, a liberdade vai abrindo etapas nas nossas vidas. Não há outra forma.

Como anárquicxs anti-sociais não nos interessa saudar o “povo” ou “xs pobres” da Venezuela. A nossa fraternidade e solidariedade está com xs anárquicxs e xs rebeldes autónomxs levantadxs na rebelião da Venezuela, xs quais apesar dos assassinatos, dos encarceramentos e das torturas dos governos socialistas, continuam a lutar e a incendiar a realidade com a cabeça erguida e fogo nas ruas.

NEM ESQUERDA NEM DIREITA!
NEM DEMOCRACIA NEM DITADURA!
CONTRA TODOS OS GOVERNOS!
PROCURA QUE VIVA A ANARQUIA!

em espanhol

[G20 Hamburgo] As chamas de Hamburgo iluminam os sorrisos

No cartaz pode ser lido:

AS CHAMAS DE HAMBURGO ILUMINAM OS SORRISOS

“A polícia procura esmagar uma multidão de um milhar de pessoas com um grupo de apenas cem cossacos. É mais fácil abater uma centena de homens que um só, especialmente se este atacar de surpresa e desaparecer misteriosamente[…] As nossas fortificações serão os pátios internos para cada local donde é fácil de acertar e fácil de partir. Se tivessem de tomar esses locais não iriam encontrar ninguém e perderiam bastantes homens. É impossível que apanhassem todxs porque deveriam para isso encher cada casa de cossacos”

Aviso aos/às revoltosxs de Moscovo (1905)

O guião do espetáculo pré-estabelecido é ultrapassado.

Acontece em Hamburgo, coração económico do país hegemónico da Europa, durante uma das Cimeiras dos mais poderosos, neste caso um G20.

A foto e a declaração dos chefes de Estado, as experimentações da blinditadura de uma cidade, as previsíveis contestações mais ou menos radicais desceram para segundo plano e o que resta é uma revolta que se estende como mancha de leopardo por toda a cidade.

Sucede que a tentativa bem sucedida da polícia de carregar, seccionar e dissolver o fim da concentração daquele que para os jornais se iria tornar o “bloco negro maior do mundo” mais não fez do que espalhar revoltosxs por toda a cidade: por todo o lado colunas de fumo negro, barricadas, vidros partidos, lojas saqueadas.

Acontece que as colunas de blindados com os piscas seguiram fantasmas por toda a parte.

Nos bairros de Sternschanze e Sankt Pauli são recebidos por:
“Ganz Hamburg hasst die polizei” [Toda a Hamburgo odeia a polícia] entoado não só pelxs manifestantes mas também pelxs moradorxs.

Não raro garrafas, e até mesmo foguetes, chovem para baixo a partir dos estendais das janelas das casas, a polícia é recebida por aquilo que é, uma tropa de ocupação inimiga.

Sucede que cada desfile é cercado e dispersado com bocas de incêndio. A polícia sabe ser militarmente imbatível,  também xs amotinadxs o sabem – pelo que em vez de se concentrarem no cortejo concentram-se nas margens, nas ruas de Schanzenviertel, para o motim.

Xs revoltosxs preferem o morder e fugir à colisão frontal, desaparecer e reaparecer onde a polícia não está à espera.

Hamburgo arde e ensina: a mega-máquina das forças policiais mais eficientes da Europa, imbatível numa colisão frontal, nada pode fazer perante o alastramento da ação dispersa.

A insurreição é uma guerra assimétrica em que até mesmo o exército mais bem treinado não é capaz de lidar com ela – se for imprevisível e num território hostil. Na noite de 7 de Julho a polícia admite que perderam o controlo de algumas áreas da cidade. Ao alvorecer parte às represálias e algumas casas são invadidas e revistadas por forças especiais de armas em punho: exibição em muitas janelas de faixas contra o G20 e a polícia.

Durante três dias as chamas iluminaram Hamburgo, aqueceram-se os corações e quebrou-se a resignação, abrindo-se brechas no possível.

Para xs detidxs nessa jornada vai toda a nossa solidariedade, não deixamos sós xs que caíram nas mãos do inimigo.

Anarquistas

em italiano

Chile: Sobre a situação dxs companheirxs anárquicxs Nataly, Juan e Enrique, em julgamento desde 24 de Março

O julgamento contra xs companheirxs foi iniciado a 24 de Março. Esperava-se, tal como viria a acontecer, que o julgamento fosse longo e extenuante – já que o ministério público tinha anunciado a apresentação de 186 testemunhas, 87 peritos, 231 documentos e 648 evidências.

Como já se tinha informado no início de Julho, as propostas de penas a aplicar e as respetivas acusações são as seguintes:

*Enrique Guzmán: Acusado da confecção de dispositivo explosivo usado na 1ª Delegacia de Polícia de Santiago Centro. Formalizado pela lei antiterrorista, a acusação pede 10 anos de prisão.

*Nataly Casanova: Acusada da confecção de dispositivo explosivo usado na 1ª Delegacia de Polícia de Santiago Centro, da colocação de dispositivo explosivo no vagão de metro nos dominicos, posse de material para a confecção de material explosivo. Formalizada pela lei antiterrorista, a acusação pede 20 anos de prisão.

*Juan Flores: Acusado da colocação do dispositivo explosivo usado na 1ª Delegacia de Polícia de Santiago Centro, da colocação de dispositivo explosivo no vagão de metro nos dominicos, da colocação de dispositivo explosivo no Subcentro. Formalizado pela lei antiterrorista, a acusação pede pena perpétua.

Atualmente, xs compas estão convocadxs a participar no julgamento, tiram-nos muito cedo das celas nos dias de julgamento, as sessões começam cerca das 9 da manhã e regressam às celas às 14 h, aproximadamente.

Na sala de audiências estão juntxs, mas não podem ter contacto direto, já que entre cada dois puseram um guarda prisional, para xs manter separadxs. Uma fase longa e extenuante do julgamento foi, sem dúvida, a apresentação de provas por parte do ministério público (seguimentos, ADN, elementos apreendidos em assaltos policiais, etc), tal como a fase actual de declarações das testemunhas de acusação.

As testemunhas de defesa dxs compas ainda não declararam e incluem pessoas próximas e familiares, pelo que estas não podem ingressar nas audiências enquanto não declararem como testemunhas, o que limita as possibilidades de se obter informações sobre o que se passa no julgamento.

Xs compas, através de cartas, têm sido informadxs e continuam a ser inteiradxs das ações e iniciativas de solidariedade, tendo-se-lhes transmitido a importância de que possam escrever, de modo a compartilhar como têm estado a enfrentar o julgamento e pela retro-alimentação da solidariedade.

Do Chile, aquelxs de nós que temos tomado parte no apoio, de alguma forma, a Nataly, Juan e Enrique, saúdam as iniciativas de solidariedade impulsionadas por compas da Argentina, Grécia e de outras latitudes.

Contra todos os julgamentos e condenações do poder, a solidariedade anárquica fortalece os nossos laços, afilando a ação contra a autoridade!

Morte à autoridade!
Viva a Anarquia!

em espanhol

Berlim, Alemanha: Caminhão STRABAG queimado em solidariedade com presxs No-G20

Antes do Cimeira e após a Cimeira, solidariedade com xs prisioneirxs – ataque sobre a STRABAG

Obrigado, recebemos os insultos em todos os canais e de todos os lados, eles nos fortalecem e nos lembram do fato de que em Hamburgo agimos da maneira apropriada. Sim, somos Caóticxs e não só queremos pôr as suas noites em chamas mas também a sua vida quotidiana. Os seus arrotos contentes, à mesa do café da manhã  enquanto lê os relatórios da barbárie capitalista diária, nos repugnam.

Obrigado por se distanciar de nós, desse modo alguns traidores ficaram novamente expostos, por exemplo Andreas Beuth [1].

Os nossos inimigos estão a repetir os mesmos rituais de auto – purificação que no 1º de Maio de 1987 em Kreuzberg, nas rebeliões dos Banlieues em 2005 e em Londres, em 2011. Descobrimos outras afinidades, incluindo as pessoas que seguiram as chamadas para Hamburgo. Alguns/mas delxs não chegaram a casa e agora estão à espera de serem julgadxs pelo judiciário de Hamburgo. Estxs prisioneirxs devem ficar a saber – não nos distanciamos de coisa alguma.

Na noite de quarta-feira, 26 de Julho, iluminámos um caminhão STRABAG em Lichtenberg, Berlim. STRABAG é uma empresa apoiada pelo Grupo CG  – não só em Friedrichshain – na conversão de cidades em bairros para a elite e futuros distritos de miséria.

Para nós, este é um pequeno sinal de solidariedade que enviamos a todxs xs lutadorxs que foram presxs e perseguidxs no decurso dos protestos do G20. Podemos atacar quando e onde quer que queiramos, sempre e em toda a parte.

Anarquistas

Nota dxs tradutorxs:

[1] Advogado do centro social “Rote Flora” que, poucas horas depois da Contra-Cimeira do G20 em Hamburgo, condenou a violência dxs rebeldes nas páginas do jornal “Hamburger Abendblatt”.

em inglês via Insurrection News