Contato

Para contribuir com traduções, edições-correções e/ou materiais originais para publicação tais como atualizações a partir das ruas, reportagens de ações, comunicados de reivindicação, textos dxs companheirxs presxs ou perseguidxs, chamadas, brochuras, artigos de opinião, etc.: contrainfo(at)espiv.net

Paris, França: O jornal mural anarquista “Blasphegme” encontra-se a hibernar

‘Blasphegme’ é um boletim de rua anarquista que aparece nas paredes de Paris, em França. Foram produzidas quatro edições. O objetivo do boletim é a agitação, difundindo ideias anarquistas, propagando sementes de subversão numa vida quotidiana tão encapsulada como o papel gráfico.

Como alguns/mas poderão ter reparado, o jornal Blasphegme fez uma pausa. A razão é que sou eu sózinha a fazê-lo e decidi voar para longe da gaiola cinzenta em que me encontrava. partindo a vagabundear, procurando por um pouco de beleza, de alegria, de cumplicidade, calma, aventura e reconforto.

Talvez um dia eu escreva um texto sobre as violências que me empurraram para o espaço aberto de Paris, sobre o desgosto e o desapontamento que sinto em relação a um meio anarquista que protege e dá razão aos agressores, sobre o quão duro é existir num ambiente que reconhece apenas os grandes discursos, o carisma, e que destila as hipocrisias, as manipulações autoritárias; sobre o quão difícil é existir enquanto anarquista no feminino, num ambiente que tem dificuldade em aceitar que uma companheira é capaz de pensar e agir por conta própria, sem que de nenhum homem dependa.

Fazer este jornal era uma blasfémia contra estes autoritários que acreditam ter uma qualquer influência sobre o meio, era para lhes mostrar que há indivíduxs que funcionam sem a sua benção (e sem se ajoelhar perante eles), sem pertencer a um clã ou outro,
sem defender as suas capelinhas e ideologias esclerosadas. Também estava a tentar fazer
algo apesar de tudo, em pequena escala, contribuindo para espalhar ideias que me são caras enquanto ser individual. Porque não somos todos iguais na “afinidade”, que depende principalmente da capacidade de socialização uns dos outros mas também de sermos gregários e do amiguismo. Aqueles que não se sentem em seu lugar nesta sociedade, por várias razões, também são encontrados nas margens desses pequenos ambientes que afirmam funcionar de forma diferente da sociedade, considerando que este não é o caso. E este artigo deveria mostrar que mesmo em situações de isolamento (desejado ou não), sempre se pode fazer algo … um jornal, mas muitas outras coisas mais interessantes de acordo com os meios de cada um, desejos, energia, etc.

Agradeço aos raros companheiros que me ajudaram a colocar Blasphegme na rua, que me encorajaram, que fizeram revisão. Vocês deram-me energia quando eu não a tinha e permitiram que não desistisse nos momentos difíceis em que eram os únicos ao meu lado.

Pode ser que Blasphegme reapareça nas paredes, talvez mude de língua, de formato, etc. Quem sabe… neste momento Blasphegme está a hibernar.

via insurrection news l francês

Hamburgo: Julgamento de Riccardo, anarquista preso durante o G20, marcado para 5/10

O julgamento de Riccardo terá lugar a 5 de Outubro às 9:00, no tribunal de Altona – Hamburgo (Max Bauer Allee 91).

Será a portas abertas – apesar de não sabermos ainda se a sentença será ditada no mesmo dia ou se passará para outra data. Depende da audiência (em muitos casos foram julgadxs e sentenciadxs no mesmo dia, porque xs indiciadxs confessaram). Será julgado por um tribunal de segundo grau que prevê penas até 2 anos (na Alemanha os tribunais dividem-se em 3 níveis de acordo com as penas solicitadas, não é um tribunal especial).

As acusações formais são: violação da paz, ataque por assalto e resistência.

A respeito da censura do correio – nunca existiu qualquer bloqueio sistemático- embora algumas cartas estejam bloqueadas (até agora são 3, repartidas no tempo, uma carta e outra nota sobre o que contêm periódicos de Hamburgo). De imediato, as sobras que continham material contra-informativo e folhetos.

Direção para escrever ao companheiro:

Riccardo Lupano
Jva Billwerder
Dweerlandweg 100
22113 Hamburgo
Alemanha

Portugal: Programa da Feira Anarquista do Livro de Lisboa [1 a 8 Outubro 2017]

Depois de dez anos a instigar a subversão, a conspiração e a difusão das ideias acratas, a FAL é hoje mais indispensável do que nunca e traz a debate temas diversos: Colapso capitalista, Violência policial e Racismo, Transfeminismo, Okupação, Saúde anti-autoritária, Anti-especismo, Repressão de Estado, Memória histórica anarco-feminista, Guerrilha anti-franquista, Hortas urbanas, Artes e Resistência.

Este ano a feira decorrerá em vários espaços com apresentações de livros, conversas, workshops, documentários, música, exposições, mostra de editoras e distribuidoras. Tal como nas edições anteriores, a FAL convida-nos a conhecer a(s) história(s) de um passado de revolta e a pensar formas de luta para um presente que se organiza a partir da hierarquia, do autoritarismo, da competição, da chantagem e do medo. Contra tudo isto urge fazer alianças para um futuro rebelde, combativo e solidário.

Há um elemento comum nas lutas que na última década agitaram a “paz social” podre em diferentes geografias. A luta contra a precariedade na Grécia, na Itália, em Espanha e em Portugal, as ZAD’s e a resistência ao estado de emergência em França, a revolta dxs estudantes e do movimento indígena no Brasil, México e Chile, as Primaveras Árabes e todos os outros focos de insurreição revelam e convergem na vontade de auto-organização, de autonomia e de liberdade. Unem-se num grito conjunto: somos ingovernáveis!

Sabemos as consequências de permanecer sempre ao lado daquelxs que se recusam a obedecer; sentimos como anarquistas a repressão violenta do Estado, mas não nos vergamos perante aquelxs que engendram e perpetuam os sistemas globais de dominação: o Estado, as corporações, os bancos, os exércitos, os média corporativos, os burocratas, os tecnocratas, os democratas, etc. Partimos das experiências de um passado de rebelião, aprendemos com todxs que sempre tiveram a coragem de cuspir naquelas pessoas que desde as suas torres de marfim assinam decretos, sentenças e contratos para precarizar vidas, expropriar recursos naturais, fortalecer políticas imperialistas, controlar corpos e desejos, reprimir a dissidência, gentrificar os nossos bairros, aprisionar a liberdade, minar os movimentos sociais, etc. Organizamos-nos hoje num contexto em que o capitalismo se reforça e concentra poder através de um feudalismo neoliberal que nos rouba a autonomia em todos os âmbitos, a extrema-direita se renova e alastra, o cishetero-patriarcado continua a ramificar a violência, o racismo prevalece institucionalizado, os discursos xenófobos adquirem legitimidade pública, a “guerra contra o terrorismo” justifica a suspensão das poucas liberdades que a democracia ainda permite, e um quotidiano que se torna cada vez mais refém de tecnologias.

E depois lembramos-nos que em todo o lado existem resistências que não capitulam: a experiência autónoma de Rojava e a luta do povo curdo; os movimentos indígenas da Amazónia e do Dakota; a eterna luta pela sobrevivência que xs palestinianxs travam contra a ocupação israelita; as greves selvagens por todo o lado e principalmente nos países onde o capitalismo trata cada ser humano como despojos da economia (Bangladesh, China, etc.); as lutas de apoio aos/às refugiadxs e migrantes contra as políticas racistas e assassinas de todos os Estados e das suas fronteiras; as lutas contra a especulação e pelo direito à habitação; as lutas contra o neocolonialismo; as lutas queer e transfeministas contra a assimilação neoliberal e estatal; o activismo pela libertação animal; as lutas contra o ecocídio capitalista, etc. A resistência quotidiana urge!

Tenaz e desobediente, a Feira Anarquista do Livro propõe um espaço de difusão de ideias, teorias e projectos, de co-aprendizagens críticas, de aquisição de ferramentas políticas para a transformação social e de fortalecimento de redes de afinidade. Surge da raiva, da contestação, do sentido de comunidade. É em si mesma um exercício de autonomia, de auto-gestão, de apoio mútuo, de acção directa, de praxis anarquistas, enfim, de liberdade.

Oprimidxs? Assim nos querem. Dominadxs? Jamais. Rebeldes? Sempre! >> PROGRAMA COMPLETO <<

DIA 1, DOMINGO | À da Maxada
TIRO DE PARTIDA: OKUPAÇÃO

A partir das 17h | Forno a lenha com pizzas e outros petiscos

17h | Tarde infantil – Oficina de brinquedos
Um bom brinquedo é aquele que sem ser nada concreto pode ser tudo, um mesmo objecto tem o poder de transformar-se de acordo com o jogo. Nesta oficina de brinquedos, queremos promover a criação/fabricação própria como uma forma de luta anti-consumo, usando múltiplos objectos quotidianos e convertendo-os em brinquedos. O que procuramos é criar um espaço onde só é necessário tempo, criatividade e vontade de brincar, enquanto promovemos o uso de brinquedos que potenciem as habilidades artísticas, estimulem o pensamento e a imaginação.

20h | Apresentação da feira e projecção do documentário “De stad was van ons – Era a nossa cidade”
Documentário sobre a ascensão e queda do movimento de okupação em Amsterdão entre 1975 e 1988. A história da okupação em Amsterdão está marcada pelos diversos movimentos de contra-cultura (como os Provos) que marcaram a década de 1960. A facilidade com a qual se podia entrar em prédios abandonados e o sangue que fervilhava nas veias de muitxs jovens holandesxs naqueles anos levou ao rápido crescimento de um movimento de okupação pioneiro na Europa. Com o passar dos anos, a crítica anti-capitalista e a militância política dos primeiros okupas foram sendo substituídas por uma outra forma de entender a prática de ocupar casas, transformando-se num estilo de vida onde proliferavam as festas. O choque geracional e os conflitos permanentes levaram à decadência de um movimento que foi uma referência para a crítica anti-capitalista do fim do século.

21h45 | Conversa “O momento em que nos encontramos e as perspectivas dos movimentos de Okupações”

À da Maxada (Estrada das Machadas, Setúbal)

DIA 2, 2ª FEIRA | Gaia
DAS HORTAS OKUPADAS ÀS CAMARÁRIAS

18h30 | Debate “Hortas Urbanas ou Camarárias, impulso rebelde ou cedência aos mandos camarários”

20h | Jantar vegano

21h30 | Apresentação do livro “Decrescimento – Vocabulário para um novo mundo” (Tomo, 2016. Ed. Brasileira)

Gaia (Rua da Regueira nº 40, Alfama)

DIA 3, 3ª FEIRA | Centro de Cultura Libertária
BIBLIOTECAS AUTÓNOMAS E PENSAMENTO CRÍTICO

Exposição de cartazes anarquistas de ontem e de hoje.

20h | Jantar vegano

20h30 | Conversa/debate sobre a relevância e o papel que desempenham as bibliotecas autónomas e de difusão do pensamento crítico num tempo em que acelera a desmaterialização do Livro.
Com a participação da Biblioteca do CCL, BOESG (Biblioteca e Observatório dos Estragos da Sociedade Globalizada) e RDA49, três bibliotecas sociais e não institucionais que desde Almada e Lisboa mantêm o compromisso de disponibilizar uma extensa colecção de títulos, para analisar e transformar o quotidiano de miséria ao qual todos os sistemas de domínio nos pretendem manter acorrentadxs.

Centro de Cultura Libertária (Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto – Cacilhas – Almada)

DIA 4, 4ª FEIRA | Disgraça
SUBVERSÃO, ARTE E GRITOS

18h00 | Oficina “Artes, Subversão e Propaganda à Moda Antiga”
Vamos lá pintar faixas e fazer stencils para espalhar as palavras da heresia anarquista!

20h00 | Jantar vegano

21h00 | Concertos
Hyle – Anarchafeminist Powersludge/Witchcore desde Bolonha
NOFU – DIY Old School Punk Hardcore desde Roma (www.nofuhc.bandcamp.com)

Disgraça (Rua Penha de França 217A/B, Penha de França, Lisboa)

DIA 5, 5ª FEIRA | C.O.S.A.
CONTANDO A NOSSA HISTÓRIA: OKUPAÇÕES

19h | Apresentação do Arquivo Digital Público – Okupações em Portugal pós anos 90

20h | Pestiscada brava

22h | Som e convívio

COSA (Rua Latino Coelho 2, Setúbal)

DIA 6, 6ª FEIRA | Praceta António Sardinha /Disgraça
RUMO À PRAÇA

Praceta António Sardinha:

A partir das 16h! Bancas de editoras e distribuidoras

19h | Apresentação da editora Ké Animal Es Esse Gato pelo colectivo de editores
Ké Animal es ese Gato é uma editora auto-gerida e independente nascida em 2017 na cidade de Lisboa. A sua existência baseia-se na necessidade de comunicar ideias, textos, imagens e música que tentam abrir mais uma fenda na construção do caminho para um mundo novo, fazendo das suas edições uma extensão das lutas em que este colectivo de editores participa e acredita.

Disgraça:

20h | Jantar vegano

21h30 | Apresentações a cargo da rede Contra Info

Hamburgo contra G20: Informação sobre a luta contra a cimeira do G20, realizada em Hamburgo no mês de Julho, e a consequente repressão e censura do Indymedia alemão, com a apreensão de diversos computadores em Friburgo e a perseguição daquelxs que acusam de administrar o site.

Repressão na Argentina: Desaparecimento de Santiago Maldonado, anarquista
Desaparecido desde 1 de Agosto quando foi sequestrado pela polícia argentina na sequência da repressão a uma acção de solidariedade com o povo Mapuche.

Breve actualização dos últimos episódios repressivos em Itália, Grécia, Chile e México.
Solidariedade com xs presxs anarquistas.

21h30 | Projecção do documentário “Mutantes: Punk Porn Feminism”
Filme documental, dirigido por Virginie Despentes (2009), que mostra a luta do feminismo pró-sexo que teve início na década de 1980. Reúne mais de vinte entrevistas realizadas nos EUA, em Paris e em Barcelona, bem como inclui documentos de arquivo sobre acções políticas de trabalhadoras do sexo, activistas queer e performances pós-porno.

DIA 7, SÁBADO | Praceta António Sardinha / Disgraça
QUANDO TUDO ESTALA

Praceta António Sardinha:

A partir das 11h! Bancas de editoras e distribuidoras

12h | Workshop sobre saúde anti-autoritária e como fazer uma utilíssima caixa de primeiros socorros (pelo Grupo de Saúde Anti-autoritária)

13h30 | Piquenique na praceta – traz a tua merenda!

14h30 | Conversa sobre a luta contra a maxi-prisão em Bruxelas e consequente repressão (com a presença de um companheiro belga)

16h30 | Apresentação do livro “Colapso: Capitalismo Terminal, Transición Ecosocial, Ecofascismo” (pelo autor Carlos Taibo)

18h30 | Apresentação da editora Eleuthera
Com mais de 30 anos a editar literatura anarquista, este colectivo de editorxs italianxs vem a Lisboa falar sobre a sua história e destacar algumas das edições recentes, como “Voltairine de Cleyre – Un’anarchica Americana” e “Pirati e sodomia”. Apresentarão também o Centro de Estudos Libertários/Arquivo G. Pinelli, do qual fazem parte.

Disgraça:

18h30 | Projecção do filme “Maciste Contre le Capital”
“Maciste Contre le Capital” é um détournement (desvio) político de um filme da série “Maciste”, ao melhor estilo de René Vienet, autor situacionista que em 1973 realizou aquele que é considerado o primeiro filme do género “La dialectique peut-elle casser des briques?”.

20h| Jantar vegano

21h | Concertos
dUAS sEMIcOLCHEIAS iNVERTIDAS – colectivo de terapeutas do ruído
Desflorestação – post industrial grindcore / cybergrind grand raout

23h | Dj set >Rata Dentata<
///Variedades anti-Sistema. Putação musical. Descanonização. Armação. Beat’n’Clit. Hard-Whore. Soft-Pot. Junk. Desclássica. Letal. Pazz. Transgressive. Saphoric. Transditional. Fock. Laundry. ///

DIA 8, DOMINGO | Praceta António Sardinha / Disgraça
RECOLHENDO AS CINZAS

Praceta António Sardinha:

A partir das 11h! Bancas de editoras e distribuidoras

12h | Conversa-workshop sobre resistência(s) no quotidiano

13h30 | Piquenique na praceta – traz a tua merenda!

14h30 | Apresentação da editora Barricada de Livros com duas edições “Preferi Roubar a ser Roubado” e “Os Cangaceiros” (pelo colectivo editorial)

16h30 | Apresentação dos livros “Quico Sabaté y la Guerrilla Anarquista” e “Oriol Solé Sugranyes – 40 años después” (pelo autor Ricard Vargas)

18h30| Debate “Transfeminismo anti-cistema” (pelo colectivo Rata Dentata)
Este debate propõe uma reflexão crítica sobre o transfeminismo – numa conciliação apimentada entre a teoria e a praxis – tendo por base uma perspectiva anti-autoritária. Abordaremos o movimento queer e as influências deste para a emergência do transfeminismo enquanto movimento político. Através de uma breve análise cronológica, percorreremos os seus lugares teóricos e os seus campos de acção política. A partir da experiência directa de uma companheira, faremos uma incursão pelo movimento transfeminista autónomo de Barcelona.

Disgraça:

16h30 | Debate “Especismo e lutas anti-autoritárias” (pelo colectivo Rata Dentata)
Este debate propõe uma reflexão sobre o especismo a partir de uma perspectiva anti-autoritária. Abordaremos o anti-especismo – como teoria e praxis – e as suas articulações com as lutas anti-capitalistas, indo além da análise das micro-políticas (e.g., veganismo). Faremos uma incursão pelas críticas (trans)feministas ao especismo, focalizando naquela que corresponde à sua principal dimensão: a exploração dos corpos dxs animais não-humanxs para consumo. Através da apresentação de um conjunto de exemplos, discutiremos os principais pontos de intersecção entre a libertação animal e os movimentos anti-autoritários.

18h30 | Projecção do documentário “Maquis a Catalunya 1939-1963”
“Maquis a Catalunya 1939-1963” aborda a história do movimento de guerrilha anti-franquista na Catalunha desde o fim da guerra civil até à morte das suas figuras mais relevantes e desaparecimento do movimento nos anos 60.

20h | Jantar vegano

21h00 | Debate sobre violência policial e racismo

Durante o fim-de-semana, na Praceta António Sardinha:

“Resistências Des/enterradas: Exposição sobre a(s) História(s) das Mulheres nas Lutas Anti-autoritárias”
Esta exposição pretende visibilizar as histórias das mulheres que, em diferentes geografias e a partir de múltiplos lugares de enunciação, se afirmaram como precursoras dos movimentos anarquista e autónomo entre os finais do séc.XIX e os meados do séc.XX. Partindo da necessidade de recuperação da memória histórica (anarco-feminista), inclui notas biográficas, ilustrações, referências a acontecimentos políticos, a menção de publicações, entre outros. Trata-se de um projecto itinerante, baseado nos valores do DIY, de elaboração inacabada.

Mercadinho de troca de roupa
Mercadinho é uma acção informal de troca directa de bens de vestuário. Um mercado de trocas surge como um espaço de pluralidade de participantes e bens promovendo a troca de roupa e fortalecendo relações comunitárias em torno de um diálogo aberto sobre as roupas e as suas histórias, lançando um novo olhar para o seu ciclo de vida.
Traz artigos de roupa, acessórios ou calçado que normalmente se poderia trocar com amigxs, vender ou doar, e troca-os por outros disponíveis.
O número de trocas aconselhado corresponde ao número de peças depositadas.

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Bancas participantes:

Bakakai (Granada)
Batalha
Barricada de Livros
Biblioteca BOESG
Centro de Cultura Libertária
Chili com Carne
Contra-Info
Elèuthera editrice (Itália)
Indesiderabili Edizioni (Itália)
Grupo Surrealista de Madrid
Livraria Letra Livre
Jornal Mapa
Pandorca Distro
Covil/Suporte Okupa
Tortuga

Espaços e condições de acessibilidade:
http://feiraanarquistadolivro.net/espacos.php

Contactos:
http://feiraanarquistadolivro.net/
feiranarquistadolivro@riseup.net

[Argentina] PODEMOS AINDA SER PIORES – Considerações e reflexões um mês após o desaparecimento de Santiago Maldonado

PODEMOS AINDA SER PIORES
Considerações e reflexões um mês após o desaparecimento de Santiago Maldonado

A 1 de Agosto, na Estrada Nacional nº 40, integrantes da Pu Lof em resistência de Cushamen e solidárixs fazem uma barricada, cortando o trânsito em repúdio com o processo que enfrenta Lonko Facundo Jones Huala, em solidariedade com este (pela segunda vez). Minutos depois chegariam camiões e camionetas com cerca de trinta gendarmes armados com espingardas de caça. Os peñis (Mapuches) começam a lançar pedras em resposta à presença das bastardas forças da ordem. A Gendarmeria avança aos tiros, queimando os precários casebres e pertences dxs habitantes da Lof, fazendo-os retroceder, atravessando um rio. Entre elxs encontra-se Santiago Maldonado (“El lechuga” ou “el brujo”) que fica para trás. Aqui, alguns habitantes da Lof observam que a Gendarmeria apanha Santiago e ainda outrxs afirmam que se ouvem os gendarmes  a dizer que “tinham um”.

Após isto começam a circular imagens e testemunhos sobre o facto de Santiago não aparecer e de como o tinha levado numa camioneta “unimog”. As autoridades mantêm silêncio acerca disto.

Na sexta-feira, 4 de Agosto, várias individualidades anarquistas, assim como solidárixs entram na casa da província de Chubut reivindicando a aparição de Santiago. O lugar foi propício à destruição. Computadores, quadros, janelas, decorações tudo foi destruído com raiva. No lugar deixam-se pintadas e panfletos alusivos à repressão em Cushamen.

Na segunda-feira 7 de Agosto convoca-se – através de várias organizações, grupos e família – uma manifestação na Plaza de Congreso, a qual acabou por ser muito numerosa, entre elxs encontrando-se muitxs companheirxs. Com raiva, não só por causa do que aconteceu, mas também por causa dos aparelhos dos politicos que, no período anterior às eleições, distribuíram a sua cédula da Frente de Esquerda. Naquele mesmo dia, após o final do ato.  a Rua Entre Ríos foi cortada, atirando-se pedras, à paulada e com petardos contra a infantaria, dois polícias da cidade e um guarda do congresso nacional que se encontrava no bairro. Duas motos da bófia seriam incendiadas ainda. A seguir dispersou-se, sem nenhum detido ou ferido da nossa parte.

Na sexta-feira, 11 de Agosto, são coordenados em diferentes partes do país (Bolsón, Bariloche, Rosario, Buenos Aires) diversas marchas e eventos. Na capital, as marchas são organizados por grupos DH (incluindo uma fração das mães da Plaza de Mayo), familiares e amigos do lechuga, além de organizações de esquerda que pedem uma concentração “pacífica” na Plaza de Mayo, em frente à Casa Rosada. Sendo uma concentração multitudinária, um dos irmãos do lechu lê uma carta dele, deixando clara a sua posição anti-bófia e anarquista.

Uma das coisas que nos causa muita raiva foi a utilização, por parte de partidos políticos, da imagem e da história do meio do nosso parceiro – PO, MST, MA Convergencia Socialista, partidos kirchneristas, ONGs, sindicatos (A CGT tem histórias bastante obscenas nos tempos peronistas, envolvendo grupos AAA e parapolícia) – para juntar (no meio da campanha eleitoral) mais alguns pontitos; O sequestro do lechuga NÃO É CAMPANHA POLÍTICA. Oportunistas que nunca deixaram de defender a propriedade privada, a gendarmeria e até mesmo os governos que diariamente os reprimem e mergulham na miséria; porque eles próprios querem alcançar esse poder e exercer essa mesma autoridade. Com eles e com as suas respostas conciliadoras não temos absolutamente nada a ver.

Na quinta-feira a 17, é convocada uma marcha em Cordova Capital, onde se podia ver uma grande multidão a pedir o aparecimento de Santiago com vida. A polícia implantou um grande aparelho para evitar distúrbios. Nessa mesma noite, de madrugada, anónimxs deixam um dispositivo rudimentar que  incendeia as portas de entrada do Corpo de Suboficiais da Gendarmeria Nacional de Córdoba. Não houve reivindicação. Dias depois, em uma marcha nacional contra os casos de gatilho fácil por parte da polícia, há confrontos e destruições em todo o centro de Cordova Capital. Posteriormente seriam invadidos diversos locais anarquistas, plataformistas e políticos (incluindo um refeitório), além de casas para mães que tiveram xs filhxs assassinadxs pela polícia. De lá só foram levados cartazes, faixas e folhetos que falariam sobre o caso de Santiago (mais o leite do refeitório). Algumas pessoas foram detidas, mas seriam libertadas algumas horas depois.

Na quinta-feira 24, a agrupamento grupo H.I.J.O.S e outros esquerdistas convocam uma manifestação e marcham na Plaza San Martín, na cidade de La Plata. Há muita gente e até mesmo um bloco negro de anarquistas. Durante a marcha ocorrem alguns danos nas ruas centrais da cidade. A marcha terminará o seu percurso na mesma praça de onde saíu. Em frente, através de uma rua, o Senado de Buenos Aires. Perante o olhar atónito de alguns cidadãos indignados, a rua é cortada, destrói-se um caminhão bem quotizado no mercado e o Senado é atacado com pedras e um par de molotovs, conseguindo algum dano e queimando um pouco a fachada do próprio Senado … Algumas horas depois duas pessoas deixam dois bidões repletos de nafta que fazem arder dois carros no estacionamento do Senado. Ninguém reivindicou o ataque. Dias depois, despedem o chefe da polícia secreta de Buenos Aires.

Em algumas dessas concentrações e marchas, bem como nas ruas ou universidades e especialmente nas redes sociais, observamos que uma grande parte da opinião pública se tornou empática e  ficou “sensibilizada” com o que se passou com Santiago (e uma pequena parte apoia alguns fatos de violência). É verdade que na Argentina, quando se fala de pessoas desaparecidas, se evocam as ditaduras militares e as várias recordações que foram registadas nas memórias da sensibilidade social. O que a grande maioria dos políticos tentam enterrar é que é a continuação dos aparelhos repressivos e as semelhanças que possuem tanto os governos ditatoriais quanto os governos democráticos. Repressão, tortura e desaparecimentos forçados nunca se foram de vez…

Acreditamos que é necessária a expansão do conflito. Desde um primeiro momento, companheirxs e pessoas solidárias manifestaram-se de forma criativa em diferentes partes do mundo. Em primeiro lugar, Uruguai, Chile, Bolívia e Peru, depois Estados Unidos, Espanha, Índia, França, Síria, Colômbia, México e muitíssimos outros cantos deste planeta gasto. Tudo isso difundiu não só o que aconteceu com o lechuga, mas também que a solidariedade é internacionalista e não tem mais nenhumas fronteiras do que os limites que a nós mesmxs nos colocamos.

A imprensa aponta, o estado dispara Ler mais »

A Guarda, Galiza: IV Festa Pirata de Abordaxe! a 23 de Setembro

Após uma paragem relevante para o nosso projecto, voltamos com novos ventos e a pólvora de santabárbara para continuar a abordar os navios dos poderosos. Entretanto faremos uma paragem estratégica para aprovisionamento das nossas adegas e toparmos com outros espíritos aventureiros para compartilhar as experiências das nossas travessias contra toda a autoridade. Desta forma queremos vos convidar a todxs para a nossa IV Festa Pirata, uma jornada cheia de actividades na qual também aproveitaremos para apresentar a reformulação de Abordaxe! como colectivo editorial. Assim posto que piratas e raqueiras, aguardamos-vos no próximo dia 23 de Setembro na Guarda, concretamente no CS O Fuscalho, frente à Atalaia. A seguir deixamos-vos a programação do evento:

12:00h Gincana Pirata – Busca do tesouro e colectivização
14:00h Jantar vegano e sessão vermut con Sapoconcho Sem  Poncho
17:00h Conversa: História da pirataria na Galiza
20:00h Sopram novos ventos: Apresentação da Editorial Anarquista Abordaxe
22:00h Concertos com Euforia – Furnier – Tenue – Mondo Podr

Santiago do Chile: Boletim “La Bomba” nº 21

Editorial do Boletim “La Bomba” nº 21

Diversas e distintas são as expressões do conflito anárquico que se têm vindo a desenvolver no Chile desde Maio. Com toda a pujança fizeram-se sentir iniciativas de ação em memória do companheiro Mauricio Morales, Punky Maury, 8 anos após a sua morte em ação. Confrontos com as forças policiais a partir dos liceus e universidades, ataques incendiários e as ruas transbordantes nos desfiles pelo centro da cidade em sua memória, factos que tiveram grande repercussão nos meios de imprensa, na polícia, na torpe cidadania e nos palhaços do governo.

Expressões de luta e solidariedade anárquica tiveram também reflexos nas ruas, dos liceus às universidades, após a morte de dois lutadores mapuche numa ação expropriadora na região de La Araucanía, a 10 de Junho, tendo sido o ex-bófia e latifundiário Ignacio Gallegos Pereira quem repeliu a ação, matando Luis Marileo e Patricio González. No mesmo mês foram realizadas as eleições primárias sob o signo de não participação no circo eleitoral do Estado: jovens tomaram as ruas e outrxs armadxs com fogo iluminaram as noites, convertendo em sucata umas máquinas do transantiago.

E desta forma avança o tempo e xs guerreirxs não descansam. As sabotagens e o vandalismo com claras posturas anti-autoritárias são o eixo central de tudo o resto, nesta publicação. A violência revolucionária, a ilegalidade, a solidariedade, a defesa da terra e dxs animais, a memória negra e muito mais. Esta é a luta libertária que não reconhece líderes nem dirigentes, que se organiza de forma horizontal, com autonomia, livre associação e que apesar de tudo persiste e não retrocede perante nada nem ninguém.

“La Bomba”, Pela expansão do Caos e da Anarquia.
Individualidades Anárquicas.
Agosto 2017, Chile.

Clica aqui para ler/descarregar a publicação.

em espanhol

Paris, França: Julgamento pelo incêndio do carro da polícia da rua Valmy

De 19 a 22 de Setembro, 9 pessoas serão julgadas, acusadas do ataque a um carro da polícia ocorrido na rua Valmy, em Paris, no dia 18 de Maio de 2016. Duas dessas pessoas estão em prisão preventiva à espera de julgamento – uma delas há mais de um ano – enquanto que outras seis encontram-se sujeitas a medidas cautelares e uma última está a ser procurada.

Naquele dia, em pleno movimento contra a “lei do trabalho”, alguns polícias foram-se concentrando na praça de la République para se queixar do “ódio anti-bófia”. Uma verdadeira provocação, após dois meses de manifestações reprimidas à base de lacrimogéneos, granadas, matracas, detenções. Uma contra-manifestação foi convocada e proíbida, no entanto lançam-se pelas ruas de Paris e dada altura cruzam-se com uma patrulha com dois bófias a bordo, o carro é atacado e a seguir incendiado.
Para muitxs esse gesto deu alento. Como deu alento quando tudo rebentou em Beaumont após o assassinato de Adama Traoré, em Aulnay, ou após a violação a Théo, ou ainda quando um carro policial é incendiado por sua vez em frente da delegacia do distrito 19, na noite do assassinato de Shaoyo Liu, ou por fim quando as ruas de Hamburgo se incendiaram durante o G20. Da mesma forma, acontece isso quando se devolve à bófia um pouco da humilhação e das brutalidades que eles infligem quotidianamente.

A justiça atinge com força sempre que os seus sequazes de azul são atacados. É que a justiça e polícia encontram-se ambas ao serviço do Estado e dos poderosos deste mundo, para perpetuar a ordem das coisas, baseados na exploração, racismo, sexismo, homofobia e que não deveria dar a impressão de poder mudar as coisas. Então faz falta pôr sob controlo, com a ameaça de prisão a todxs aquelxs  que,  por escolha ou por necessidade, saem dos caminhos pautados do trabalho, consumo, da submissão ao poder. Os meios à sua disposição são cada vez mais numerosos. Seja através do anúncio da construção de dezenas de novas prisões – para encerrar cada vez mais pessoas – da legalização a partir do estado de emergência permanente, ou inclusivamente a partir da nova lei sobre a legítima defesa da bófia. Tudo isto à base de “é para a sua segurança”, no meio da aceitação geral ou quase geral.

É neste contexto que o julgamento vai ter lugar, sem dúvida alguma sob uma forte pressão mediática para que seja feito um julgamento exemplar, contra a lei geral do trabalho e de forma mais geral contra a hostilidade difusa à polícia, particularmente palpável nos últimos tempos. Perante isto compete-nos não nos deixarmos amoradaçar. Expressemos a nossa nuestra solidariedade com aquelxs que sofrem a repressão devido a actos de revolta nos quais nos reconhecemos. Não deixemos a sala de tribunal aos jornalistas e à parte civil, entre os quais a Alliance, sindicato de polícia que apelou à manifestação do 18 de Maio de 2016, sempre prontos para se mostrar nos media, em campanhas racistas e apelando à segurança. Façamos viver a nossa solidariedade da mesma forma nas ruas. Aqui ou em outros locais, não deixemos que a justiça vá condenar na indiferença, sabotemos a cadeia do controlo e do confinamento, recusemos o “policiamento” das nossas vidas e as diversas medidas que têm como objectivo torná-la total e permanente.

Liberdade para xs acusadxs do incêndio do carro policial, queimado a 18 de Maio de 2016!
Liberdade para todxs!

Julgamento todos os dias às 13.30h de 19 a 22 de Setembro, sala 14 do TGI de Paris, metro Cité.

Atentxs às próximas convocatórias para discussõess e outras iniciativas solidárias!

em pdf (francês) aqui
cartaz  aqui

Para escrever à companheira (inglês e francês):

Kara (David Brault) 428682
MAH de Fleury Mérogis
7 avenue des peupliers
91705
Fleury, France – França

em francês via cettesemaine.info , espanhol

Madrid, Espanha: Debate no Local Anarquista Motín acerca do referendo da Catalunha

UMA PERSPETIVA ANARQUISTA SOBRE O REFERENDO DA CATALUNHA /DEBATE

Quinta-feira, 28 de Setembro, às 19:00

Os nacionalismos catalão e espanhol encontram-se em pé de guerra. Mais uma vez. Entre ambos as tensões estão a atingir um pico: o referendo para o próximo 1-0 que foi convocado pelas forças independentistas provocou já uma onda de repressão institucional e, pouco a pouco, nas ruas da Catalunha o policiamento do espaço público atinge-se o limite.

Perante isto… Que pontos e nexos em comum terão todos os nacionalismos? Porque é que nas cartilhas de ambosbencaramos com duas burguesias com modelos de Estados diferentes? A língua, a cultura, a tradição são construções sociais e justificativas de uma série de interesses ou pelo contrário motivos autênticos pelos quais lutar? Que propomos nós enquanto anarquistas na defesa da liberdade individual e coletiva contra o imperialismo e todos os tipos de imposição cultural? O estado, a nação e o país são conceitos intrinsecamente vinculados? Será o referendo um novo passo na busca da legitimação da democracia? Por que a luta deve partir do direito de voto, contornando o facto do voto implicar que se delegue e se desactive a iniciativa revolucionária? Em que é que se diferenciam os independências de esquerdas e de direitas? Como poderemos intervir como anarquistas entre duas posturas se não nos convencem nenhuma delas? Que vai suceder se tomarmos posição nas ruas da Catalunha? Ficamos em casa? Procuramos gerar a ruptura total com políticos, defensores do Estado e democracia, enquanto apostamos pela total liberdade do indivíduo a desenvolver a cultura que mais estime? Que possibilidades e potencialidades a conjuntura actual  oferecerá a um processo revolucionário ou insurrecional?

Tudo isto e muito mais é o que pretendemos debater com todxs aquelxs que estejam interessadxs em tentar abordar o próximo referendo do 1-0 na Catalunha numa perspectiva anti-autoritária: Com vista a isso propomos como ponto de partida a leitura dos seguintes textos:

-“Toda a negação é determinação. Algumas ideias soltas sobre a independência na Catalunha”. Publicação Aversión nº6
-”A Cultura como forma de opressão: Contra o “anarco-independentismo”. Germinal Libertario. Suplemento nº4 sobre nacionalismo
-“Nação e nacionalismo: o atractivo do manjar envenenado”,
Contragolpes nº2.
-Extratos do livro “O persistente atrativo do nacionalismo”,
Fredy Perlman

Textos disponíveis em: //contramadriz.espivblogs.net/

Quinta-feira, 28 de Setembro, às 7:00 da tarde, no Local Anarquista Motín, Rua Matilde Hernández 47 (Metro Oporto/Vista Alegre) Madrid

Contacto: localanarquistamotin@riseup.net

Para mais informações: localanarquistamotin

cartaz em pdf aqui

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[Portugal] Meios e fins distintos e sem inimigos em comum

recebido a 18/09/17

A propósito das guerrilhas no Curdistão e da sua propaganda assim como em relação aos apelos de uma luta antifascista em comum entre esquerdistas e anarquistas, é necessário ter clara a distinção entre xs anarquistas e as esquerdas:

Nós somos libertárixs, eles autoritários;
Nós somos anti-estatais, eles a favor do Estado (evidentemente, o deles);
Nós lutamos pela liberdade, eles pela ditadura (do proletariado, dizem para disfarçar isso, mas ditadura, no fundo).

Na América Latina em particular mas também noutras partes do mundo, por vezes há companheirxs que olham para eles como se estivessem no mesmo caminho que nós, o que parece aberrante, dado que tanto os nossos meios como os nossos fins são completamente distintos.

A história revela que em todas as situações, em todos os diferentes locais em que anarquistas e marxistas se uniram, os segundos acabaram por assassinar pelas costas ou trair xs primeirxs.

Alguns/mas pensam que é melhor deixar tudo isso de lado, esquecer os fatos e lutar “contra o inimigo comum”, mas isto é um grave equívoco: não temos inimigos em comum. Nós somos inimigxs acérrimos de todo o tipo de Estado, eles só são inimigos deste Estado, não da instituição do Estado como tal.

Portanto, na revolução vemo-nos a nós do lado do povo e a eles do outro lado da barricada, defendendo a reconstituição do Estado, mas desta vez nas suas mãos.

Anarquistas

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[11 de Setembro, Chile] Ninguém está esquecido, nada se encontra saldado, memória aos/às caíd@s

Véspera do 11 de Setembro. Lançámos panfletos e colocámos uma faixa – a passos do local onde funciona o nosso projecto de biblioteca – onde se podia ler: “NINGUÉM ESTÁ ESQUECIDO – NADA ESTÁ SALDADO – MEMÓRIA A@S/ÀS CAÍD@S”.

Dalgum lugar do território chileno
Biblioteca Anti-Autoritária Libertad
Inverno, 2017

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Viena, Áustria: O EKH em solidariedade com Santiago Maldonado

Santiago Maldonado – Aparição com vida (A)

Recebido a 13 de Setembro

No EKH (Centro Autónomo e projeto habitacional) em Viena foi suspensa uma faixa em solidariedade com Santiago Maldonado.

A solidariedade é uma arma!

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Chania, Grécia: Faixa em solidariedade com o Linksunten Indymedia, silenciado pelo Estado na Alemanha

Nestes tempos em que a Internet é um elemento essencial do nosso quotidiano, a defesa da sua capacidade receptiva é e deverá ser o ponto crítico da sua gestão, sendo essa uma das razões pelas quais apoiamos qualquer expressão de contra-informação.

A contra-informação é, foi e continuará a ser um pilar principal para se gerir e promover a palavra e atos de movimentos políticos que na primeira linha se opõem ao estado e capital. É essencial defender em todos os sentidos – fisicamente e online – qualquer fonte de contra-informação saudável de que o indymedia.org & linksunten.indymedia.org é exemplo.

Portanto, e como ato mínimo de solidariedade, deixamos uma faixa de solidariedade com o silenciado linkunten.indymedia.org num ponto central da velha cidade de Chania.

Portanto, e como ato mínimo de solidariedade, deixamos uma faixa de solidariedade com o silenciado linkunten.indymedia.org num ponto central da velha cidade de Chania.

Solidariedade não negociável com linksunten.indymedia.org

Fonte Apatris (grego) via insurrectionnews (inglês)

[Argentina] Destruamos a Sargentina!

Sede central da GEOF (grupo especial de operações anti-terroristas) da Argentina.

Destruamos a Sargentina!!!

Estas “palavras” não são (só) isso: passámos à “fase” da @ção DIRETA e mentem porque têm medo de nós… Nem tudo o que se passa se vê nos ‘diários’ do sistema! Nem nos nossos tampouco! E está a acontecer tudo muito rápido compitas. Vertigem revolucionária a sacudir o coração: era o que queríamos e o que temos por fim. Sim, teve o custo de um companheiro; mas é a lava que os irá sepultar. Que não se dê o corpo ao manifesto de forma tonta – bem o advertem xs lindxs cúmplices de Portugal – sejamos inteli.gentes: nem “anarquismo de biblio.tecas”, nem uma punkitude “insurrecional” auto-destrutiva, estamos de acordo? Não inventámos nada. Somos da mesma fibra que conhecemos no “Lechu”, escutem aí bem tod@s que, agora, o reivindicam como “próprio”. É tal e qual como disse um@ d@s noss@s: ANARQUISTA! Inimigo do estado, do capital e da fodida “paz social” destas pessoas que agora (..um raio “ayahuasqueiro” os parta) andam por aí a choramingar, fazendo politi.Kaka com os nossos ideais. Não somos “infiltrad@s…”, como @s cúmplices do Espectáculo cacarejam cada vez que na revolta anárquica arde a paixão. Assim:

– A 31 de Agosto, um dia antes de se cumprir um mês sem Lechu, ardeu o edifício do GEOF, eheh… O Grupo Especial da Operação Federal “anti-terrorista”, em pleno bairro burguês de Palermo… em pleno centro de Buenos Aires – os mass-merda ocultaram esse facto; tal como o fizeram com muitas das ofensivas que nunca lhes passou pela cabeça que poderiam atingir os seus centros de “poder”.

– Após a manifestação no El Bolson [1 de Setembro], a merda da gendarmeria quase que foi incendiada com molotovs (eram “infiltrad@s” também..?).

– Em La Plata, queimámos uma parte do senado, seguido de um atentado, no ‘Ministério’ da ‘Segurança…’, com um gendarme ferido e carros queimados, sem detid@s.

– Após a manifestação em Buenos Aires – com um saldo de 31 detid@s que nem sequer estavam nas barricadas da Av. de Mayo – os mass-merda voltaram a dizer que a “calma” estava a regressar mas… cerca de vinte encapuçad@s colaram-se à casa rosada (sede do governo) com molotovs, e… estiveram a ponto de deitar fogo à sua sede imunda.

– Foi destroçada a sede da gendarmeria, a pouca distância, numa ação coordenada, arriscada e muito valente.

Mas não podemos deixar de mencionar as invasões policiais de Cordoba! A bófia entrou em vários locais libertários (circula a info nas redes), na capital dessa província e levaram bombos e faixas…
O periódico fascista La Nacion acaba de ‘apontar’ contra a exFLA (a Federação Libertária Sargentina…) que foi convertida em Ateneu Anarquista; estejamos alerta… Se tocam num@ tocam a tod@s e nem o avanço da sua repressão impedirá que tornemos reais os seus piores pesadelos.

Agradecemos a Contra Info pelo seu trabalho assim como a tod@s que (por toda a parte), apoiam a nossa luta de morte contra toda a autoridade.

M@K (i) M.Anarquico.Kosmico.informal

SANTIAGO PRESENTE SEMPRE, GUERRA AO ESTADO ASSASSINO.
SEMPRE IRREDUTÍVEIS. DESTRUAMOS O SEU SISTEMA!!!
E QUE O MEDO SE DISSOLVA: ANARQUIA, ANARQUIA AGORA

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Prisões chilenas: Carta do companheiro Marcelo Villarroel Sepúlveda respeitante ao caso de Santiago Maldonado

LUTA CONSTANTE CONTRA TODAS AS JAULAS, A AMNÉSIA E A PASSIVIDADE COBARDE!!!

Estas palavras nascem e tornam-se necessárias quando é preciso abraçar todxs aquelxs que se entregam desmedidamente ao buscado encontro da Libertação Total.

Pela ampliação da Revolta, pela ineludível confrontação com o poder, pela disseminação das práticas autónomas de negação da dominação e tudo o que a torna possível.

Enquanto escrevo, o Ódio e a Raiva guiam-me… Enquanto cada um segue a sua vida há um queridx compa que nos falta…

SANTIAGO MALDONADO, o Lechu, o Brujo, desapareceu.
E não posso guardar silêncio nem evitar a sua física ausência.

Desde a altura em que experienciamos a prisão na região dominada pelo Estado da Argentina que os nossos passos se cruzaram. Nós encarceradxs na província de Newken e Santiago agitando na cidade de La Plata, junto a um universo de ativxs companheirxs, solidárixs e cúmplices.

Mais de nove anos depois do momento em que os nossos passos se cruzaram no contínuo caminho da irmandade, caminho esse que nos situa no mesmo lado da trincheira.

Porque tem de ser dito claramente: Estamos em Guerra contra a opressão e a miséria!!!
Contra todas as polícias, Estados, pátrias e xs cobardes que acomodam os seus discursos e vidas para torná-las inofensivas e integradas.

Não há que esquecer nunca que aquelxs de nós que decidiram passar à ofensiva também assumiram o risco permanente. Não somos vítimas passivas das circunstâncias nem merxs espectadorxs.

Tal como aconteceu com Santiago que em completa coerência com o seu sentir anárquico foi feito desaparecer a 1 de Agosto pela Gendarmeria (força intermédia entre a Polícia e o exército) enquanto se solidarizava ativamente com a luta Mapuche em Cushamen, província de Chubut, ao sul da Argentina e próxima da fronteira com o Chile.

Já passou um mês e o Lechuga não aparece. E ainda que Santiago esteja entre todxs xs de nós que não esquecemos nem abandonamos a luta diária a sua presença física faz-nos falta.

Trazê-lo-emos de volta devolvendo golpe por golpe, multiplicando os seus gestos e actos em todo o planeta, contra xs miseráveis responsáveis de que hoje não o possamos abraçar.

Aqui da prisão, hoje a minha chamada é para se aprofundar o ataque contra a amnésia e o medo. Porque quem diz crer na Anarquia deve entrar em ação em concordância com a dita convicção.

Centenas de prisioneirxs revolucionárixs em todo o mundo, unidxs por convicções similares, somos a expressão viva de uma luta sem pátrias nem fronteiras que busca a destruição total de todas as cadeias, jaulas e cárceres nas quais vivem grande parte da população do planeta.

São tempos de combate, não podemos ocultar o evidente.

O fogo rebelde e ancestral vai incinerando as máquinas do capital depredador, o sangue insurreto dxs nossxs caídxs acompanha os nossos rituais de guerra, as nossas silenciosas conspirações buscam a única justiça possível: A Vingança faz-se urgente e necessária.

POR SANTIAGO E TODXS XS NOSSXS CAÍDXS: NEM UM MINUTO DE SILÊNCIO E TODA UMA VIDA DE COMBATE!!!

SOLIDARIEDADE E FRATERNIDADE INTERNACIONAL PELA DEMOLIÇÂO DE TODAS AS PRISÔES!!!

ATÉ À DESTRUIÇÃO DO ÙLTIMO BASTIÃO DA SOCIEDADE CARCERÁRIA!!!

ENQUANTO EXISTIR MISÉRIA HAVERÁ REBELIÃO!!!

Marcelo Villarroel Sepúlveda
Prisioneiro Libertário
Prisão de Alta Segurança
Stgo. Chile
30 Agosto 2017.

em espanhol l inglês

Santander, Cantábria: Faixa em solidariedade com anarquistas presxs

ANARQUISTAS PRESXS PARA CASA

No contexto da semana internacional pelxs anarquistas presxs, realizamos [1 de Setembro] aqui em Santander, um pequeno gesto de solidariedade com todxs xs lutadorxs ácratas que se encontram presxs por todo o mundo. Com especial carinho para a compa Lisa, encarcerada en Köln (Alemanha), recentemente condenada a 7 anos e meio de prisão,por assalto en Acheen.

Via contramadriz

[Prisões alemãs] Carta da companheira Lisa – 06/17

Queridxs companheirxs,

Gostaria de agradecer novamente pela vossa solidariedade e pelo apoio que me têm expressado de diversas formas, desde o início e especialmente durante este julgamento, tanto no tribunal quanto à distância.

Foram tantos os momentos em que esses gestos me ofereceram energia e calor tal como, evidentemente, deram alento à minha convicção de que a luta continuará sempre, sob quaisquer condições e independentemente dos obstáculos que se atravessem no caminho.

Precisamente porque sei exactamente como a justiça funciona e da mania persecutória do Estado, e como neste julgamento o tribunal, a acusação, a bófia e a imprensa precisavam ter culpados, tenho imensa raiva. Raiva desse mundo miserável e totalmente desigual em que o direito dos poderosos nos é imposto. Raiva deste sistema de punição, opressão e confinamento para todxs aquelxs que não se enquadram nele. Raiva de toda a manipulação, farsa e mentira com que alimentam a opinião pública … e, claro, ainda mais raiva por tantas outras coisas.

Desta vez tocou-me a mim, mas outras vezes tocará a outrxs e talvez até a todxs nós, especialmente aquelxs que seguem o seu caminho com dignidade e força. Mas não deixaremos que o estado e seus sequazes nos dobrem.

A prisão nunca é o fim; estas condições agravadas nos encorajam ainda mais a continuar a defender a vida e os valores que representamos.

A luta continua – tanto aqui dentro como aí fora – até que se derrubem todas as prisões e todas as formas de dominação e autoridade fiquem destroçadas.

Muitíssima força e solidariedade a todxs xs companheirxs presxs e perseguidxs por todo o mundo!

Liberdade para todxs.

Lisa

Junho de 2017

N.T.
Para lhe escrever

Lisa, nº 2893/16/7
Justizvollzuganstanlt (JVA) Köln
Rochusstrasse 350
50827 Köln (Germany) – Alemanha

Atualizações em solidaritatrebel

Corunha, Galiza: Contra-informação nas ruas, um mês depois do desaparecimento de Santiago Maldonado

Passado um mês do desaparecimento do companheiro Santiago Maldonado, difundimos a informação nas ruas, no noroeste da península Ibérica: na Corunha, cidade portuária, da qual partiram centenas de barcos com imigrantes para a América Latina. Cidade onde é praticamente nula a informação que a este lado do Atlântico chega, através dos meios de informação hegemónicos. Também não estávamos à espera de outra coisa.

A Europa colonizadora nunca deixou de o ser – embora pouco ou nada se fale aqui da devastação que as multinacionais europeias e os seus aliados, os Estados, estão a levar a cabo na América do Sul: oculta-se isso, atrás das máscara das ONGs e da mais hipócrita e paternalista das caridades.

Antes que os serviços de limpeza da cidade silenciem de novo as paredes, algo ficará dito sobre o que se passou a 1 de Agosto – nesse dia a Gendarmeria da Argentina sequestrou Santiago, “El Lechu”, na Lof de Resistência Cushamen – e também sobre a repressão e a expropriação constante que sofrem o povo e a Comunidade Mapuche.

Em apoio à situação que enfrentam xs companheirxs em toda a Argentina, e que se expande, rejeitando as fronteiras; em solidariedade com a luta do povo mapuche, para além de qualquer território delimitado pelo estado. Pelo companheiro “Lechuga” e todxs xs que lutam contra a dominação.

em espanhol l alemão

[Bem-vindo ao Inferno] Textos sobre a insurreição contra a Cúpula do G20, Hamburgo 2017

Esta publicação reúne algumas ofensivas anárquicas dentro e fora das cadeias, contra a desprezível reunião dos vinte chefes de estado mais poderosos do mundo.

Algumas palavras de provocação… Não tão somente…

A energia caótica mantém a chama da anarquia queimando. As ações transcritas nessas linhas são recebidas por nós calorosamente. Todavia estas práticas não se encerram apenas na nossa memória, mas encontram solo fértil em nossas mentes e corações. Portanto não se trata de contemplar o passado, mas vivê-lo intensamente durante o presente.

Uma cronologia para continuar…

A visão transmitida é bastante nítida: nós não esperaremos pela próxima cúpula. Essa publicação celebra a rebelião, procurando manter pulsante a paixão demolidora pela total liberdade.

Da leitura… Até a cumplicidade…

tormentas de fogo

tormentasdefogo[.]espivblogs[.]net/

em pdf aqui

Prisão de Billwerder, Hamburgo: Carta de um prisioneiro do G20


Recebido e revisado a 25/08/17

Hamburgo Verão 2017: Estou lá, retido lá!.

Há quase um mês e meio que fui preso durante a décima segunda cúpula do G20 em Hamburgo, em uma cidade sitiada e feita refém pelas forças de segurança mas que também presenciou importantes protestos locais e populares.

Dezenas de milhares de pessoas, se não mais, convergindo de toda a Europa, talvez mesmo para além deste continente, encontraram-se, organizaram-se, debateram e desfilaram juntas durante vários dias numa grande onda de solidariedade – sempre conscientes da possibilidade de sofrer a violência e repressão policiais. Um grande tribunal de polícia foi fabricado especialmente para a ocasião, em construções modulares pré-fabricadas, de modo a punir qualquer protesto contra a Cimeiro do G20 o mais rápido possível.

A minha detenção, tal como a de muitxs compas, é baseada apenas na palavra sagrada da polícia, de uma brigada enviada para infiltrar, observar e seguir a sua “presa” (durante quarenta e cinco minutos no meu caso, por supostamente ter arremessado um projétil…). Uma vez isolado, policiais infiltrados enviavam alguns colegas de profissão para nos deter, o mais rápido e violentamente possível, sem qualquer possibilidade de escapar.

Então, cá estou, trancafiado em um desses lugares primordiais ao bom funcionamento da ordem social global, lugares que servem como uma ferramenta para o controle e gestão da pobreza, essencial para a manutenção da sua “paz social”. A prisão atua como uma espada de Damocles suspensa sobre cada individuo para que fique petrificado só de pensar em desviar-se dos códigos e regras da ordem estabelecida: “metro, trabalho, consumir, dormir”, às quais nenhuma individualidade dominada deve escapar – alienam-se através do trabalho e da vida rotineira – estar sempre a horas, nunca vacilar e isto não apenas durante o segunda volta das eleições presidenciais, onde fomos obrigados a estar “Em Marcha” [“En Marche”, slogan de Macron e do partido que tomou posse em França] ou a fenecer, de preferência devagar e em silêncio.

A lei não tem qualquer vocação para garantir o interesse geral, nem para ser neutra, sendo apenas a expressão de uma crescente dominação institucional por parte dos mais poderosos para garantir a sua propriedade e segurança e, dessa forma, paralisar, punir e marginalizar qualquer pessoa que não concorde ou que não se submeta a isso.

Além dos casos de activistas conhecidos e apoiados que estão presos, há também, e sobretudo, homens e mulheres que estão expostos à brutalidade e crueldade do encarceramento. Aqui, o trabalho é pago a 1 euro por hora, do qual somente metade será concedido à saída da prisão. Na minha ala, as pessoas detidas por prisão preventiva [detenção pré-julgamento] ou por penas reduzidas (de seis meses a um ano de prisão) são encarceradas principalmente por um motivo: a sua condição social e origem. Além do pessoal da prisão agentes, muito poucos são “naturais da Alemanha”, todas as pessoas presas são estrangeiras, refugiadas e/ou precarizadas, pobres, gragilizadas pela vida. O seu crime: não se terem submetido às regras do jogo, estando a maioria envolvida no tráfico de drogas ou em roubos, golpes, sózinhas ou em gangues organizadas a várias escalas.

O encarceramento é o pilar fundamental desse sistema mas ninguém pode criticá-lo sem atacar a sociedade que o produz. A prisão, que não opera só por si, é o elo perfeito para uma sociedade baseada na exploração, dominação e várias formas de segregação.

“Trabalho e prisão são dois pilares essenciais para o controle social, sendo o trabalho a melhor forma de exercer o poder e a reabilitação uma permanente chantagem”

Os meus pensamentos voam até aos/às companheirxs italianxs, que estão a enfrentar mais uma onda de repressão, especialmente companheirxs acusadxs na investigação relativa ao “dispositivo explosivo” deixado em frente de uma livraria associada à Casapound [nicho de fascistas]. A extrema direita deve ser enfrentada através de um contra ataque ofensivo, popular e organizado. A extrema direita é extremamente útil e complementar aos estados que alimentam através dela as suas aspirações de segurança delirantes e a estigmatização incessante do “estrangeiro”.

Pensamentos que voam também até aos/às companheirxs que enfrentarão julgamento em Setembro, relativo ao processo do incêndio de uma viatura, no dia 18 de Maio do ano passado, em Paris, durante o movimento “Loi Travail” [lei do trabalho]. Muitas pessoas foram detidas e duas delas ainda estão presas. Força a elas!

Agradecimentos aos ativistas locais, organizando às vezes concentrações em frente à nossa prisão, uma iniciativa apreciada por aqui, pois quebra a rotina e o estado de letargia a que nos tentam formatar. Agradecimentos a todxs aquelxs que nos apoiam aqui e em todos os lugares.

Aos compas da ação antifascista, MFC, OVBT, jovens selvagens, BLF, e outrxs amigxs… Compas, força!

Liberdade para xs prisioneirxs do G20 e para todxs xs outrxs!

Um detido entre outrxs.

Prisão de Billwerder,
Hamburgo,
14 de agosto de 2017

em francês via nantes.indymedia  l alemão

Santiago, Chile: Ação incendiária nas vésperas de um novo 11 de Setembro

A 1 de Setembro, cerca de 50 encapuçados levantaram barricadas e confrontaram-se com a polícia, utilizando bombas molotov junto ao ex pedagógico (UMCE) no cruzamento da Macul com Grécia. Ação que foi realizada no âmbito de uma nova comemoração do 11 de Setembro de 1973, dia do início da ditadura militar no Chile.

Por sua vez, desconhecidxs também levantaram barricadas na Universidade do Chile, Faculdade de Filosofia e Humanidades, Campus Juan Gomez Millas.

A ação terminou sem detidxs.

em espanhol, alemão

Bolívia: O TIPNIS em emergência

O T.I.P.N.I.S. (Território indígena Parque Nacional Isiboro Secure) é um território no qual os devastadores da Pacha (Terra) vêem um espaço para saquear e enriquecer, sofrendo um assédio permanente tanto do Poder como de outros com menos poder, mas igualmente exploradores, como sejam plurinacionais (colonos, de acordo com o disfarce semântico do neocolonialismo), capitalistas e os furtivos. Madeireiros, caçadores de jacarés, lagartos, jaguares, etc. Bolivianos e estrangeiros, produtores de coca, empresas petrolíferas, etc, constituem o grupo das partes interessadas que apoiam o “processo de mudança”, um projecto que ainda não é nada capitalista e já traz consigo empresas multinacionais, para o enriquecimento destas através da destruição da natureza.

Não é apenas a flora que tentam destruir, são milhares de espécies animais e comunidades que têm até aqui sobrevivido ao avanço do capital e da civilização – levando-lhes quartéis, hospitais, doenças das cidades. O que o poder faz é subestimar a capacidade que têm para coexistir em harmonia constante com o seu meio ambiente – apenas um pretexto para entregar o seu território aos exploradores – e a única coisa que querem é que não se construa a estrada que irá levar “progresso e desenvolvimento” (miséria e etnocídio, em síntese) e verem-se livres do seu rápido desaparecimento, pois esse “desenvolvimento” envolve a prostituição, o tráfico e a exploração humana e animal, o narcotráfico e todas as doenças que temos de combater nas cidades.

O TIPNIS encontra-se localizado entre o norte de Cochabamba e o sul de Beni; entre 2000 e 2012 foram feitas nove marchas pelo território e dignidade – exigindo que o Poder respeite a sua autodeterminação e que não se intrometa na sua forma de se relacionar com o seu meio natural , já que o lugar tem muita diversidade no que diz respeito à natureza, bastante atraente para os exploradores, portanto.

Em Outubro de 2011, após a chegada de milhares de manifestantes, em marcha pelos TIPNIS, obteve-se a aprovação de uma lei que concedia a intangibilidade à área protegida; O poder aprovou no dia 8 de Agosto uma lei que elimina a intangibilidade de TIPNIS, com base numa consulta fraudulenta, na qual as comunidades indígenas resistiram a participar, votando colonos, outras pessoas e líderes compradxs, expulsos mais tarde pelas comunidades TIPNIS. A finalidade do Poder é terminar a parte que falta da estrada que dividirá o TIPNIS em dois, beneficiando sectores e empresas capitalistas interessadasno saque do parque.

Este projeto faz parte da IIRSA, como sabemos; a sua intenção é “integrar” os países da América do Sul por meio de estradas, vias fluviais, ferrovias, etc. Esta integração é acompanhada de negócios entre o Poder, transnacionais, cocaleiros e restantes  interessados em enriquecer à custa da pilhagem. Sabemos que o TIPNIS resistirá a essa imposição, o apoio solidário é importante em todas as cidades, para lá das leis e decretos, de ONGs, partidos de direita, ambientalistas reformistas e outras instituições. A solidariedade acrata marca presença nas lutas dos povos – porque lutam para se verem livres do Capital – alegramos-nos por ver ser gerada rebeldia e autonomia nestes setores, em que se luta por uma vida não condenada à exploração, como a que existe nas cidades. Temos muito contra que lutar: a central nuclear, as hidroeléctricas de Bala, Chepete, Rositas, contra todos os restantes projectos do Capital.

Noutros Estados – as lutas nos irmanam – lamentamos comunicar a desaparição de Santiago Maldonado, na Argentina, após a repressão em Cushamen, Chubut, onde viram como os gendarmes o detiveram, como parte da repressão a esta comunidade, para que a Benetton lhes possa arrebatar as terras. Força ao Povo Mapuche no Chile e Argentina, a sua luta é compartilhada por nós, todos os Estados são iguais, o inimigo é o mesmo.

Nem ditadura nem democracia, auto-organização e autonomia na luta
Jan jiwkampi TIPNIS (Não morras TIPNIS)

Portugal: Morreu um anarquista, o companheiro Manuel Vieira

Patagónia.

Recebido a 1 de Setembro

Companheiro dos livros, grande divulgador dos ideais acratas.
Amante da ação direta, espírito inquieto, investigador autodidata.
Andarilho do mundo, individualista apaixonado, cultivador de amizades. Grande, na sua modéstia.
Manuel Vieira faleceu no dia 14 de Agosto de 2017, na Cova da Piedade, Portugal.
Adeus, companheiro, continua andarilho na terra dos sonhos libertários!
Viva a Anarquia!
Venceremos!!!
(A)

Portugal: Feira Anarquista do Livro de Lisboa – 6, 7 e 8 de Outubro de 2017

Talvez seja por teimosia, ou talvez seja por ingenuidade, mas sabendo que algumas tradições valem a pena ser preservadas, este ano voltamos a organizar a Feira Anarquista do Livro de Lisboa. Contando com a instabilidade climática, mas também com o aquecimento global e os gases de efeito estufa, este ano a feira realizar-se-á nos dias 6, 7 e 8 de Outubro, novamente ao ar livre, na praceta António Sardinha e também na Disgraça.
E tal como nos anos anteriores, aqui vos lançamos o convite para que nos acompanhem nestes dias com as vossas editoras, distribuidoras ou com aquela sempre bela vontade de espalhar a voz da subversão, pois a cada ano, mês, dia, minuto e segundo que passa temos cada vez menos a perder, ou seja, qualquer foco de resistência contra a presença quotidiana do domínio é, já em si, uma grande vitória.

Grande abraço cheio de saúde, amor e anarquia!

feiranarquistadolivro@mail.riseup.net

Disgraça
Rua da Penha de França nº217A/B, 1170-183 Lisboa

em alemão

[vídeos] Ações em La Plata e capital federal da Argentina por Santiago Maldonado

Recebido a 1/09/17

Ações pela aparição com vida de Santiago Maldonado, sequestrado pelo estado argentino:

Em La Plata (24/08/17)

Em Buenos Aires (10/08/17)

em espanhol l inglês

A responder à chamada pela agitação por Santiago Maldonado!

A 1/9 já se terá passado um mês da data de desaparição forçada do nosso compa Santiago Maldonado. Claramente foi detido, sequestrado e feito desaparecer pela gendarmeria. O estado e a sua força repressiva são obviamente responsáveis. A partir de 1/9 responderemos à chamada extensiva de um mês de agitação e ação através da insurreição pela revolta e o caos.

Fogo revólver e bombazos até que nos devolvam Santiago

Célula nihilista pela revolta expansiva