Contato

Para contribuir com traduções, edições-correções e/ou materiais originais para publicação tais como atualizações a partir das ruas, reportagens de ações, comunicados de reivindicação, textos dxs companheirxs presxs ou perseguidxs, chamadas, brochuras, artigos de opinião, etc.: contrainfo(at)espiv.net

Trento, Itália: “Guerra – Entre fuligem e mentira” – sobre o ataque ao laboratório Cryptolab

ENTRE FULIGEM E MENTIRA
sobre o ataque na Faculdade de Ciências de Povo

Lemos, nestes últimos dias, a notícia do lançamento de mais de cinquenta mísseis sobre a Síria, enquanto os porta-aviões americanos estão em rota para a Coreia do Norte. Nas tensões diplomáticas entre Estados, respira-se um clima de guerra iminente. Mas mais do que iminente, a guerra é um negócio diário: nenhuma declaração de ataque de um Estado contra outro nem assinatura oficial. Só bombas. Mas quando se está distante das populações martirizadas e dos país martirizados, em contrapartida, a guerra torna-se “invisível”.

Durante todos estes anos, a indústria militar – entretanto indistinguível da que é policial-repressiva – tem vindo a ocupar terreno incessantemente; parece que a guerra não aflora sequer as consciências de um número cada vez maior de pessoas. No entanto, não fazer a ligação entre os mísseis que destroem cidades sírias e a violência dos ataques indiscriminados em Paris, Bruxelas, de Nice, Berlim, Londres, Estocolmo, é uma cegueira cada vez mais perigosa.

Na noite de 7 para 8 de de Abril, desconhecidos atacaram pelo fogo no laboratório CryptoLab, localizado na Faculdade de Ciências de Povo (Trento). O incêndio   destruiu o laboratório e a fuligem tornou impraticável toda a estrutura. Parece que os danos ascendem a meio milhão de euros. O Presidente da Faculdade, Collini, e o Diretor da CryptoLab, Massimiliano Sala, continuam a dizer que este laboratório nunca colaborou com empresas militares ou de armas: esta é uma mentira suja. Basta percorrer o CV de Sala para descobrir o contrário: em 1996 foi “Aspirante de marinha com tarefas de investigação”, para colaborar em seguida com o centro de pesquisa da Defesa ORMEDIFE; de 2003 a 2007 com a STMicroelettronics – uma empresa que trabalha nos sectores da defesa e do aeroespacial – de 2010 até hoje com a TESLY no sector da criptografia, com o Ministério da Defesa no que se refere à criptoanálise, sempre com a presidência do Conselho de Ministros no campo da criptografia. Ou pode-se consultar os sites da faculdade para entender imediatamente o tipo de pesquisa que é feita naquele laboratório. Entre Setembro de 2013 e Agosto de 2016, a FBK e o CryptoLab colaboraram com a Thales Alenia Space, do grupo Finmeccanica, um dos maiores produtores de armamento do mundo. A Thales, entre outras, construíu os drones utilizados nos bombardeamentos no Afeganistão.

Aquelas que se referem à Cryptolab são somente algumas das pesquisas e colaborações entre a Universidade de Trento e a indústria da guerra.

A guerra do Ocidente rebobina da maneira mais brutal, mas as bombas, os gases químicos, as armas atómicas são muito mais assassinas e cobardes dos camiões lançados sobre a multidão.

Milhões de mortos não são uma opinião. As tecnologias ao serviço dos porta-aviões, satélites, bombardeiros, carros armados, são criadas nos laboratórios ao nosso lado.

A violência do fogo anónimo de sexta-feira à noite foi precisa e visada: um ataque contra a violência indiscriminada da guerra. Apenas um ser abjeto como um conselheiro provincial do Partido Democrático poderia pôr ao mesmo nível a ação de Povo e o incêndio (ser possível um massacre) do centro de acolhimento de refugiados de Roncone. Existe um abismo ético entre as duas ações. O abismo que separa quem aspira ao arame farpado e quem aspira à liberdade.

Na guerra contra os cérebros o “confusionismo” é a arma mais sorrateira. Felizmente alguém, de quando em vez, oferece-nos um pouco de flamejante clareza.

anarquistas antimilitaristas

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Viena, Áustria: Ataque a um banco em solidariedade com as acusadas no caso Aachen

No fim de semana passado (15 e 16 Abril) em Viena, a agência do banco Bawag-PSK, no n°37 da rua Kuefsteingasse, foi atacada com um líquido negro malcheiroso e pegajoso.

Os bancos são uma parte importante do todo constituído pelo sistema capitalista de exploração. Por trás de cada história contam-nos por que deveríamos armazenar o dinheiro lá, descobriríamos que o único objetivo é o lucro. Eles também estão profundamente ligados ao bem-estar do Estado. Ambos dependem um do outro tal como as flores do sol. Se os bancos vão à falência, o Estado deve salvá-los e vice-versa. Não há espaço aqui, infelizmente, para uma análise profunda de todo este execrável sistema. Se os bancos se vêm atacados é porque isso constutui também um ataque indirecto contra o Estado!

Solidariedade com as anarquistas acusadas de assalto à mão armada em Aachen, na Alemanha!

Solidariedade com a Okupa no n°15 da rua Kienmayergasse que foi desalojada ontem (19 Abril de 2017)!

O que é assaltar um banco comparado com a sua fundação?

via linksunten em inglês l alemão l francês

Porto Alegre, Brasil: “Tatoo Combativa”, evento solidário na Biblioteca Anárquica Kaos – 13 e 14 de Maio


A partir da onda de perseguições e possíveis punições no Uruguai pelo despejo da La Solidaria, várias questões nos agitaram. A necessidade de apoiar os compas e também a visão de estarmos sempre preparadxs para este tipo de acontecimentos.

Por isso xs convidamos ao evento. Tattoo Combativo. Solidariedade Entre Okupas. Neste evento, além de trocar ideias sobre anarquia e posições anticarcerárias, poderemos nos tatuar e colaborar assim com a geração de uma caixa solidária anti-repressiva. Acreditamos que é importante e bastante urgente mandar um apoio solidário aos compas que estão precisando de isso e que a nossa resposta deva ser imediata. Ao mesmo tempo, é importante estarmos sempre preparadxs para este tipo de necessidades com antecipação.

Xs convidamos a ser parte de este evento e confirmar sua presença, também a marcar um horário a tatuador e se quiser agendar previamente, para os dias sábado 13 e domingo 14 de maio em que realizaremos o evento.

Estaremos com mais informação, contatos e as páginas dxs tatuadores em breve.
Para fazer da solidariedade palavra e ação.

Biblioteca Anárquica Kaos
contatos: biblioteca-kaos@riseup.net

No cartaz  pode ler-se:

SOLIDARIEDADE ENTRE OKUPAS

O dinheiro arrecadado será para caixa anti-carcerária
Tatuagens – Perfurações – Música e vídeo – Rango Vegan –  Bedidas quentes

Porto Alegre – 13 e 14 de Maio

TATOO COMBATIVA

Biblioteca Anárquica Kaos

em alemão

Montevideu, Uruguai: Contra o desalojo de La Solidaria – Ação Direta (vídeo)

21/3 – Contra o desalojo de La Solidaria: Ação Direta.

Atenas: Lista das necessidades da Okupa Themistokleous 58

Na faixa pode ler-se “Morte aos patriotas (A)” em Albanês

Após mais de um ano de existência, a Okupa anarquista Themistokleous 58 e projeto de habitação para pessoas com e sem papéis, situada em Exarchia, no centro de Atenas, ainda precisa de alguma solidariedade muito prática para permanecer funcional. Aqui vai a nossa lista atual de necessidades:

Suprimentos de comida: Óleo (azeite / óleo de milho), arroz, massa, molho de tomate, feijão, lentilhas, grão de bico, ovos, batatas, leite enlatado, comida para cães.

Suprimentos de limpeza: Lexívia, saboneteira, cabeça de esfregona, detergente para roupa, esponjas, sacos de lixo, esfregões.

Suprimentos de higiene pessoal: Shampoo, creme de barbear e lâminas de barbear, pastas de dentes e escovas de dentes.

Material geral: Lâmpadas (tipo atarrachar e tipo baioneta), tinta, cadeiras.

Também seria bem-vindo algum apoio financeiro (não através de ONGs e instituições de Estado / Capital) para cobrir as necessidades estruturais da Okupa e das despesas médicas ocasionais. Para contribuir, do exterior, o endereço da nossa carteira bitcoin é 1aXVM16soZt4ZisC8ZttuqvzztVKFBCMz

Aproveitamos a oportunidade para agradecer a todxs aquelxs que ajudaram até agora de todas as formas possíveis.

Amor, raiva e solidariedade!
OKupa Themistokleous 58

em inglês

Montevideu, Uruguai: Contra a repressão, solidariedade e ação (20/4)

Concentração de apoio a 7 compas indagadxs pelo desalojo de La Solidaria
5ª feira  20/4  14:00 em ponto
Tribunal  (ruas Juan Carlos Gómez e Reconquista)

8 detidxs  – 2 invasões policiais – 1 processo judicial – 7 indagadxs

TIREM AS MÃOS DOS NOSSOS CENTROS SOCIAIS!

La Solidaria

Mão estendida ao/à companheirx, punho cerrado ao inimigo!

em espanhol

[Lembrete] Chamada internacional de ações descentralizadas em solidariedade com as anarquistas acusadas no caso Aachen (17-23 Abril)

Uma semana de ações descentralizadas em solidariedade com as companheiras anarquistas acusadas de roubo num banco em Aachen (Alemanha), uma chamada para fortalecer os laços entre todxs xs rebeldes e oprimidxs, em qualquer lugar do mundo, em qualquer recanto. Usemos as nossas ferramentas para sabotar, atacar e destruir as suas estruturas de poder, usemos a nossa imaginação para continuar a demonstrar-lhes o nosso ódio, usemos a nossa paixão para continuar a caminhar, para continuar a lutar! Fazemos uma chamada de 17 a 23 de Abril de 2017!

Tudo continua, nada se acaba!

Livres elas, livres todxs!

Pela revolta, pela anarquia…

Atenas: Tirem as mãos da Okupa Themistokleous 58!

TIREM AS MÃOS DA 58!

O propósito deste texto é esclarecer a posição da nossa Okupa em relação a alguns incidentes ocorridos nos últimos meses em Exarchia e defender a nossa integridade física e política por todos os meios necessários.

Referimos-nos às práticas de bisbilhotice, comportamento calunioso e violador contra a estrutura e ações da 58, práticas que consideramos equiparadas às de denúncia, independentemente de, para cada situação, as pessoas que as usam estarem à espera ou não de algo em troca das autoridades pressecutórias. O resultado é o mesmo, no sentido de que estão a selecionar indivíduos específicos como alvo, tentando despojar o nosso projeto das suas características políticas e preparar o terreno para a repressão directa ou indireta que espreita a cada canto.

Também nos referimos às agressões físicas que tiveram lugar nos últimos 2 meses, tal como tentativas de intimidação na nossa porta da frente, uma emboscada de grupo contra ocupantes da 58 na rua Dervenion (Exarchia) e até ameaças e ataques contra nós com o uso de objetos afiados / letais (uma navalha e um furador) apenas a poucos metros da 58.

Por fim, referimos-nos a difamações vulgares e encontros miseráveis (tablóides) que alguns organizam nas nossas costas para comprometer a autonomia política da 58, tentando em vão interferir nos nossos procedimentos internos, falar em nome do nosso projeto e vender proteção para aqueles de nós que não têm papéis.

Por exemplo, um texto difamatório e completamente distorcedor com seis páginas, que se assemelha a uma acusação, é assinado por uma iniciativa de individualidades da okupa Zaimi 11, o grupo Ditto e o resto da tripulação que ajusta e ajuda emboscadas na rua Dervenion. Este texto – que está a ser distribuído, nas nossas costas, desde o dia 20 de Fevereiro do corrente ano e foi enviado por desconhecidos para nós, via e-mail – lista individualmente os participantes em projetos anarquistas, com um objectivo declarado, segundo o seguinte: “[…] O nosso objetivo é privar aquelxs indivídxos de qualquer espaço para exercer as suas práticas dominantes e sectárias, bem como para deitá-los abaixo. A nossa escolha tática é chamar companheirxs que coexistam também com elxs, atualizá-lxs sobre as nossas intenções e promover a exclusão destes três, tanto da Okupa Themistokleous como dos processos em geral. […] ”

Também citamos um trecho de um texto de outro grupúsculo da Okupa Zaimi 11 que se refere a nós, sem nos mencionar diretamente, espalhando mentiras – desta vez publicamente – e confirmando a sua sinergia em procedimentos secretos para minar a 58: “[…] Consumimos um monte de tempo e energia para resolver as coisas em circuito fechado / procedimentos internos que, como se viu, não tinham perspectivas […] “. O suposto “procedimento aberto” – naturalmente, sem qualquer acordo prévio connosco – onde eles agora se reclamam de auto-proclamados árbitros, prometendo revelar detalhes excitantes, indica do que eles são feitos e prova mais uma vez quanto covardes eles são.

Aparentemente, a Okupa Themistokleous 58, assim como tudo o que representamos através do nosso discurso e atividades, não só causam mossa ao Estado / Capital e aos fascistas mas também a elementos parasitas que, na sua tentativa de construir uma identidade, não hesitam em minar todos nós e tentar infiltrar o projeto.

Diante de todas essas ameaças, escolhemos contra-atacar e defender tudo o que construímos com esforço quotidiano: a solidariedade recíproca entre pessoas de todos os cantos do mundo, independentemente do sexo, orientação sexual, origem, idioma, cor e antecedentes religiosos ou antireligiosos, a participação igualitária de todxs em todas as atividades da okupa e da nossa própria coexistência através de práticas anarquistas e de uma maneira auto-organizada.

Aqueles que decidiram desdobrar as táticas acima mencionadas contra a 58 devem ser considerados nada mais do que inimigos, independentemente da máscara que, de acordo com suas aspirações,  ponham. Nós informamos-los publicamente que não vamos tolerar expedições territoriais contra a 58, nem o manifesto e dissimulado racismo que representam, nem qualquer tentativa de isolar xs membros da Okupa  e espalhar o medo na nossa comunidade multirracial. Também já dissemos a outras pessoas que se apressaram em sua defesa, adotando criticamente as suas reivindicações de vítimas, para ficarem fora disso.

A 58 não só abriga as nossas necessidades comuns de sono e alimentação como também abriga as nossas necessidades comuns para de facto superar as divisões impostas pelo mundo das fronteiras visíveis e invisíveis e para entrar em confronto com o sistema existente, seus defensores e seus falsos críticos.

Quando toca a um de nós, tocam a todos nós. Nenhum repressor oficial ou informal romperá a unidade entre nós e a nossa diversidade, e aqueles que tentarem nos vender proteção vão falhar o grande momento. Se alguns se perguntam como tudo isso vai acabar, a resposta é simples: quando as fofocas, calúnias e focalização acabarem, e quando se entender plenamente que ninguém pode desfrutar de asilo político desde que pratiquem violações contra estruturas e ações anarquistas.

A nossa luta não é a de minar okupas, projetos ou pessoas que lutam pela liberdade e isso é algo que provamos ao recusar-nos a entrar num círculo vicioso de pequenas rivalidades, mesmo quando algumas de nossas escolhas recebiam críticas severas. Mas, quando alguns desencadeiam ameaças tangíveis contra nós, não vamos jogar aos bons rapazes.

Quem não for polícia, jornalista e afins (e não está implicado de forma alguma com este fiasco) pode e deve dirigir as suas perguntas, sobre este ou qualquer outro assunto relativo à 58, a nossa assembleia semanal que funciona todos os domingos às 20:00 na própria okupa, ou envie um e-mail para: th58@riseup.net

Vemos-nos nas ruas.

Okupa Themistokleous 58, Exarchia

Viena, Áustria: Evento da “CNA – Célula Solidariedade” (Atenas) no Festival CNA Viena [20-23 Abril, 2017]

Evento solidário com xs companheiros presxs em Koridallos – “Cruz Negra Anarquista – Célula Solidariedade” (Atenas) @ FESTIVAL CNA VIENA – 20 a 23 Abril de 2017

“Como anarquistas, percebemos a necessidade de uma luta anarquista multiforme – posicionando o ataque contra o estado e a vassalagem que é imposta – por todos os meios possíveis, aqui e agora” (do texto de auto-apresentação do grupo CNA)

Neste evento, xs companheirxs da “CNA- Célula Solidariedade” irão falar da importância da solidariedade com xs prisioneirxs anarquistas, dos esforços de solidariedade e da conexão de lutas dentro e fora dos muros. Além disso será feita uma desconstrução do significado do movimento anarquista e do mito do bairro de Exarchia (Atenas).

“(…) não consideramos que a ação dxs nossxs companheirxs anarquistas esteja terminada após prisão, ou repressão.“(do texto de auto-apresentação do Grupo CNA)

Durante o evento haverá uma intervenção de três prisioneirxs anarquistas – via conexão ao vivo – prisão de Koridallos:

– Nikos Romanos
– Panagiotis Argirou CCF – Célula de Violência Metropolitana / FAI-IRF
– Olga Ekonomidou CCF – Célula Guerrilha Urbana / FAI-IRF

Elxs irão abordar os seguintes tópicos:

– As condições nas prisões e a situação dxs prisioneirxs anarquistas na Grécia
– A importância das assembleias de solidariedade para xs prisioneirxs anarquistas  e a conexão das lutas dentro e fora dos muros
– A escolha e a importância da luta armada; a reivindicação de responsabilidade no período de ação e em particular na participação na organização armada; a importância e consignação dessas escolhas
– A escolha fuga de presxs
– A posição da mulher na luta armada

Também será possível fazer perguntas aos/à companheirxs na prisão, de modo que a comunicação será em ambos os sentidos.

Algumas palavras do prisioneiro anarquista Panagiotis Argirou, dedicadas ao Festival CNA:

Há momentos em que tu sentes um certo tipo de força dentro de ti. Isso pode acontecer por razões diferentes a cada vez, mas sem dúvida que é sempre um sentimento muito positivo. Tal tipo de força pode ser sentida pelx prisioneirx quando elx descobre que há outrxs indivíduxs que querem um toque, um contato, uma comunicação, uma conversa com elx. É um sentimento muito forte, único, um sentimento de uma grande força, enchendo-x todx e isso é algo inestimável. Esse sentimento de que não se está sozinhx – que há outrxs companheirxs que querem compartilhar momentos, experiências ou qualquer outra coisa contigo – é algo tão valioso que só a liberdade em si se lhe pode comparar. Então, deixe-me agradecer muito pela oportunidade que me oferece de ter algum contacto, mesmo que seja por tão pouco. Desejo que o futuro nos traga mais oportunidades, para que um dia possamos ter a chance de ter uma conversa ao vivo fora dos muros. Um grande e caloroso abraço,
Panagiotis Argirou, membro do CCF-FAI

Contactos:

Sítio da Célula Solidariedade CNA (Atenas): https://abcsolidaritycell.espivblogs.net
E-mail: abcsolidaritycell@riseup.net

Nikos Romanos Prisão Estatal de Koridallos – prisão de homens – Ala A’, P.C. 18110, Koridallos, Atenas

Panagiotis Argirou Prisão Estatal de Koridallos – prisão de homens – Ala A’, P.C. 18110, Koridallos, Atenas

Olga Ekonomidou Prisão Estatal de Koridallos – prisão de mulheres, P.C. 18110, Koridallos, Atenas

Outros eventos @ Festival CNA Viena, podes procurar aqui: [https://abcfestvienna.noblogs.org/]

Localização:

CASA ERNST KIRCHWEGER
Rua Wielandgasse 2-4
1100 – Wien (Viena de Áustria)

em inglês l alemão

Grécia: Solidariedade com o nosso companheiro Panagiotis Aspiotis

O anarquista Panagiotis Aspiotis  (Panos) – atualmente encarcerado na prisão de Korydallos – encontra-se em greve de fome desde quarta-feira, 22 de Março, protestando contra a rejeição do pedido para estudar no Instituto público de Formação Vocacional (IVT) da prisão de Korydallos, apesar de ser plenamente elegível. Quatro outros prisioneiros tinham já começado uma greve de fome, a 18 de Março, invocando a mesma razão.

Na sua anterior solicitação para transferência de prisão, P. Aspiotis tinha invocado fins educacionais – a partir do momento em que tinha sido pré-selecionado para o IVT da prisão de Korydallos – bem como razões pessoais, relativas ao seu acesso à comunicação com criança recém-nascida e acompanhante dela. A rejeição das suas candidaturas não nos surpreende, na verdade, porque o Ministério da Justiça, em leal colaboração com o Ministério Público do Conselho Penitenciário, Stamatina Perimeni, há muito deixou cair as máscaras que velavam a sua mentalidade fascista. Desta vez, as razões – legalmente infundadas, evocadas afim de privar P.Aspiotis e todos os outros grevistas da fome do seu direito de estudar na IVT – prendem-se com o facto destes prisioneiros não estarem registados em korydallos, mas sim noutras prisões. Esta é uma ação que mina em si própria o funcionamento do IVT – veja-se que dos 21 candidatos escolhidos a apenas 9 foi concedida permissão para participar. Não é uma coincidência, tampouco, que o mesmo procurador – que aparece como nostálgico defensor dos campos de exílio de Makronisos – seja aquele que repetidamente rejeitou os pedidos de licença de K. Gournas e D. Koufontinas, exigindo votos de arrependimento.

A rejeição dessas solicitações, por parte desses representantes leais do governo da coligação SYRIZA-ANEL, constitui uma flagrante violação dos direitos dos prisioneiros e uma tentativa de intensificar a sua marginalização social. O seu bem-anunciado mas ostensivo anúncio de alterações que incluíam a melhoria geral das condições de vida dos prisioneiros, bem como disposições mais específicas para a criação de “escolas de segunda chance” e IVTs – transmitido pelo Secretário Sénior do Ministério da Justiça Pública (E. Fytrakis), há 2 meses – logo se revelaram promessas vazias e apenas mais uma campanha dos media para apaziguar xs prisioneirxs e silenciar qualquer afirmação de direitos humanos nesse sentido.

Este governo é ainda outro governo que engana, promove e protege os interesses das elites económicas, empobrece as pessoas, reduzindo salários e pensões, ndoa propriedades e instalações habitacionais para bancos e grandes empresas e coloca ativos públicos à venda para satisfazer o apetite voraz de corporações internacionais. Eles executam os planos dos seus predecessores com zelo excessivo, de forma a desmantelar qualquer sensibilidade social que eles pudessem ter pregado e intensificando os seus esquemas de opressão.

O caso de P. Aspiotis é uma manifestação flagrante da vingança, hipocrisia e autoritarismo dos mecanismos de aplicação da lei do estado. Em Fevereiro de 2016, o companheiro foi gravemente ferido pelos homens da força da Unidade de Contra-terrorismo após a sua recusa em fornecer amostra de DNA e, como uma conseqüência “natural”, a Unidade de Contra-terrorismo levou-o a julgamento em 6/4 ,no tribunal da rua Evelpidon [em Atenas]. É interessante notar que as disposições do Ministério Público sobre a recolha forçada de amostras de DNA foram oficialmente – ainda que somente na teoria – encerradas após a dura e ardente luta dos prisioneiros políticos que entraram em greve de fome, em Março de 2015.

O nosso companheiro, P. Aspiotis – e todos os outros prisioneiros que estão a participar nesta greve de fome prolongada – estão a defender o direito humano fundamental de acesso à educação e sua única arma são os seus corpos e a própria vida. O Ministério da Justiça, juntamente com o procurador, deliberadamente jogam com o tempo para que a greve de fome acabe e as exigências dos prisioneiros não sejam cumpridas. S. Perimeni, E. Fytrakis e o Ministro da Justiça Pública, S. Kontonis, utilizam a saúde e a vida dos prisioneiros nas suas manipulações e  submetem-los a uma tortura sistemática. Eles devem ser responsabilizados pelas suas vidas. O nosso companheiro, P. Aspiotis, não está sozinho! É melhor se prepararem para uma reação proporcional ao resultado das vossas ações!

Em solidariedade com o nosso companheiro P. Aspiotis e os outros grevistas da fome.

Exigimos o cumprimento imediato da sua solicitação para estudar no IVT da prisão de Korydallos.

(Chamamos a todos para se concentrarem em solidariedade com o grevista de fome P. Aspiotis: 6/4 no tribunal da rua Evelpidon, 9:00)

Iniciativa de solidariedade com P. Aspiotis e todos os outros grevistas da fome

em grego, inglês, alemão

Santiago, Chile: Reivindicação de sabotagem à linha férrea em Talagante

Sabotagem às máquinas. A defender a Terra.

Reivindicamos mais uma ação de sabotagem à linha ferroviária, na comuna de Talagante – no domingo, 19 de Março do presente ano – entorpecendo o normal funcionamento da maquinaria estatal; utilizamos pneus a arder no momento exacto em que o trem de carga se aproximava, sendo os nossos sentidos testemunha das luzes e buzinas que alertavam para a eminente passagem pelo fogo insurreto que levantámos.

Não é a primeira vez que realizamos esta ação, temos obstruído estas máquinas com rochas, pneus a arder, gás butano, troncos, escombros e mais pneus a arder… Nada nos deterá! Continuaremos  com este tipo de ações em mais comunas da nojenta cidade; Porquê? Porque somos anarquistas! Inimigxs do Capital e do Estado, dos seus miseráveis guardiões, de toda a asquerosa máquina dxs poderosxs.

Através destas chamas enviamos as nossas saudações aos/às companheirxs da Okupa Themistokleous 58, estamos junto a vós em cada passo que dêem, do Chile à Grécia, toda a nossa cumplicidade.

Também fazemos nossa a chamada à memória insurreta de Javier Recabarren – 2 anos depois da sua morte, atropelado por um mini-autocarro – o jovem ácrata e antiespecista vive em cada expressão de luta nas ruas.

Finalizamos deixando claro que esta ação é, também ela, uma mostra de solidariedade com os companheirxs subversivos, autónomos e libertários Marcelo Villarroel, Juan Aliste e Freddy Fuentevilla. E são forças para xs companheirxs Nataly Casanova, Juan Flores e Enrique Guzmán – antes da fase de inquirição no julgamento em que são acusadxs de várias detonações a símbolos do poder.

TUDO CONTINUA
SABOTAGEM ÀS MÁQUINAS
NA DEFESA DA TERRA

Frente de Libertação da Terra

em espanhol

Montevideu, Uruguai: Sobre as detenções e invasões policiais vinculadas à La Solidaria

Terça-feira, 4 de Abril, membros da Inteligência e da Polícia efectuaram dois assaltos conjuntos vinculados ao Centro Social La Solidaria. Os assaltos culminaram com cinco pessoas detidas, tendo uma ficado processada, sem prisão preventiva, por danos. A acusação, que podia passar a furto, surge das indagações que os corpos repressivos estatais estão a levar a cabo, a partir do desalojo e dos factos posteriores envolvendo o centro social.

O Estado prometeu já mais detenções, por estes dias. É de supor, então, que existirão mais detenções. A propriedade privada foi posta em causa, a auto-organização foi a culpada. A tensão – entre as normas estatais que defendem a ordem existente, baseada no lucro e na exploração e a capacidade auto-constituinte da sociedade, na luta pela transformação radical- é inevitável.

A capacidade para ocupar lugares e dar-lhes uma verdadeira vida, pormos-los ao serviço da luta social auto-organizada, a capacidade de faltarmos ao respeito ao mundo do domínio, não será perdoada pelos defensores do capital..

Nestes momentos, a claridade nas ideias é muito importante e a capacidade de sermos firmes é crucial.

Defendamos os nossos centros sociais, defendamos a luta pela liberdade.

Auto-organização e ação direta.

Anarquistas.

Ps: No momento em que este texto era escrito um compa mais era detido e transferido ao juiz para declarações, sendo libertado horas depois, na qualidade de  citado. Só numa semana foram um total de seis, xs detidxs, para além dxs 2 detidxs no mesmo dia do desalojo, continuando todxs elxs na qualidade de citadxs.

Montevideu, Uruguai: Comunicado da assembleia aberta de ocupantes da La Solidaria

MÃO ESTENDIDA AOS/ÀS COMPAS – PUNHO CERRADO AOS/ÀS INIMIGXS

Perante patacoadas só desprezo… (o que os media nunca dirão)

A partir destas linhas queremos reivindicar certos factos ocorridos na manifestação em repúdio ao desalojo do local La Solidaria, manifestação por nós convocada e, no que se refere à concentração, organizada colectivamente, a partir da nossa assembleia.

Além da concentração acordamos também o posterior corte de estrada de 21 de Março, corte que seria feito no mesmo momento em que se impôs à população o decreto do governo de esquerda – permitindo desse modo a polícia reprimir os piquetes, sem ter sequer a ordem dum juiz.

Nestes últimos dias os media lançaram uma série de ataques de desinformação que inundaram tudo – das mentiras mais descaradas ao incitamento dos exércitos de “bons cidadãos”, para proteger a ordem estabelecida. A normalidade do poder, dizem eles, deve ser obedecida a todo o custo. Normal é ver como é repetida uma e outra vez a miséria diária da exploração e da obediência aos seus ditames. O paradigma da dominação justa e da servidão voluntária tem a sua expressão máxima na indignação de vários dos mercenários da imprensa.

Mas as ruas têm também as suas vozes, já que há vida (e em abundância) para além da propaganda do Capital. Um monte de mentiras estúpidas – como por exemplo a da horda que marcha, atacando indiscriminadamente as pessoas – não irão ser sustentadas por nenhum dxs nossxs vizinhxs, xs quais, por sua vez, têm mostrado inúmeras vezes a sua solidariedade com o projeto e suas lutas. A propaganda imbecil dos proxenetas bem pensantes da Ordem não é mais forte do que as relações que estabelecemos com xs ocupantes ou com xs desalojadxs do bairro e com xs quais se praticou o apoio mútuo, uma e outra vez.

A estranheza – daquelxs para xs quais só vale a violência quando vinda do Estado – não é mais forte que os laços de solidariedade, respeito e reciprocidade forjados ao longo dos anos – com xs vizinhos, pequenxs comerciantes de bairro e centenas de amigxs da casa. Aquelxs que viram xs seus ou suas filhxs ou amigxs fazerem desporto sem competição, nas classes de boxe, ou desenvolver a sua sensibilidade estética nas oficinas de expressão plástica, aprender língua de sinais e crescer sob relações de reciprocidade e de liberdade, não podem engolir a versão do Estado. Xs “vândalxs estúpidxs” são xs que defendem a devastação da terra e da água, xs “desmioladxs irresponsáveis” são xs defensorxs do clientelismo – como forma possível de relações sociais – não xs que lutam contra ela ser a única.

Aquelxs que, ao longo do tempo, aprenderam na La Solidaria a desenvolver a sua capacidade auto-instituinte da sociedade, a forjar acordos de forma responsável,  a consensuar – sem chefes ou poder político – só podem rir-se da história dxs defensorxs dessa normalidade. As centenas de vizinhxs e participantes que passaram nestes anos pela La Solidaria e pelas suas oficinas – ou a participar nas actividades ou coordenações – sabem que nela se potenciava a auto-organização da luta social, afastada e contrária a toda a forma de opressão ou poder.

Por isso mesmo, sabemos que todxs elxs não se sentiram ou sentem atacadxs pelxs compas de La Solidaria. Sabem suficientemente bem que a nossa ética nos impede de atacar indiscriminadamente, danificar as suas casas ou querer atentar contra a sua segurança. Usar a violência – não como auto-defesa mas indiscriminadamente – encerrar em vez de ajudar, dar exemplo através do castigo, criar pautas de convivência baseadas no consumo e na dominação, são e serão os eixos do Capital e do Estado, não xs nossxs.

O repúdio ao desalojo – o nosso e o dxs vizinhxs e companheirxs – dignificou-nos e é parte essencial da nossa responsabilidade na vida. Somos conscientes quando, em todos os locais onde pararmos, fizermos algo para transformar a realidade. O repúdio ao desalojo não foi, nem é, uma luta contra o Estado por um grupo determinado – tal como ao governo ou a uma empresa qualquer. Foi, e é, parte de uma luta que não foi iniciada por nós – e da qual todos fazemos parte, gostemos ou não.

Enquanto a propaganda do poder é a da defesa das relações de benefício económico, competição permanente e respeito às leis de políticxs e outrxs empresárixs, nós promovemos a auto-organização não-hierárquica, o respeito pelas pessoas e não pelos dispositivos de dominação e exploração, a reciprocidade como motor social e a dignidade de confrontar-se com a ordem, sem oprimir ninguém, por sua vez. Confundir ou misturar isso com violência gratuita é maniqueísmo e arrogância. Querer obrigar-nos a obedecer – e a respeitar a dominação do capitalismo financeiro e a dxs seus e suas encobridorxs – é pura estupidez de fanfarrõesa costumadxs a mandar.

Solidarizamos-nos com as pessoas detidas, logo a seguir aos factos, assim como com todxs aquelxs que diariamente sofrem a mesma sorte, a mesma prisão, o mesmo despedimento, a mesma incerteza ou o mesmo deslocamento forçoso de local – e que sabemos albergarem as mesmas raivas e os mesmos sonhos de liberdade. Saudamos com o punho no ar a todxs xs que se solidarizaram connosco nos dias anteriores ao desalojo e nas últimas horas, compas do estrangeiro, do interior, vizinhxs e amigxs…
As casas passam…e a nossa luta é imparável!
Assembleia aberta de ocupantes da la Solidaria

em espanhol

Montevideu, Uruguai: Manifestação contra desalojo da La Solidaria termina com 2 pessoas detidas

Após a manifestação contra o desalojo da La Solidaria, as forças da ordem detiveram duas pessoas, que prestaram declarações no dia seguinte, no tribunal de Bartolomé Mitre.

N.T. As fotos são da manifestação referida, realizada a 21 de Março de 2017.
Em atualização

em espanhol l italiano

Barcelona: Programa “Rádio Rebelião Animal” – 21 de Março de 2017


Conteúdo de “Rebelión Animal Radio”:

Entrevista a Aida (ativista, escritora, de Mallorca); Recordando Javier Recabarren; Nahuel sai da prisão, sobre a La Solidaria (Uruguai) e o seu desalojo; acerca da criação da plataforma especista; concentração em Camprodon, 26 de Março (caso Santuário Gaia); “carne” de frango de laboratório.

Música: Accidente, Bad Religion.

Para se escutar o áudio clica aqui, para visitar o blogue aqui.

Espanha: Ações diretas em Madrid

Na passada noite de 16 de Março estávamos novamente cheios de raiva. Estamos cansadxs de palavras, de comodidade, de ler e falar, de ver como a repressão golpeia os nossos corpos e mentes.

Assim, nessa noite, decidimos agruparmos-nos entre afins e que essa raiva se unisse com a alegria de nos podermos encontrar e deixar fluir de forma espontânea esse momento. Para, de alguma forma, atacarmos e sabotarmos os símbolos que se encontravam a jeito.

Atacámos uma dezena de caixas automáticas de diferentes entidades bancárias, bloqueamos as fechaduras de estabelecimentos de beleza, companhias de telefone, talhos, lojas de animais e lugares de apostas desportivas – onde se utilizam alguns animais para entretimento humano, imobiliárias e a sede de um partido político. Também um Mercadona, supermercado que colabora com os nazis do Hogar Social, deixando que ponham os seus postos de recolhida de alimentos. Tudo isto acompanhado de pintadas que explicaram os porquês.

Parece-nos importante escrever estas palavras porque sabemos que o sistema tenta tapar aquilo que na noite se assinala e se suja. Também nos apetecia compartilhar essa divertida noite para que forneça um pouco de força e de motivação. Para que não seja só uma noite mas muitas, as noites que sintamos como nossas. Enquanto fazíamos isso, nas nossas cabeças e pensamentos estavam as companheiras de Aachen – aproveitando estas linhas, mandamos-lhes calor e força.

Contra o Estado, não esquecemos o hetero-patriarcado e todas as formas de autoridade.

As ruas e a noite também são nossas.
Viva a anarquia!

espanhol, grego

Alemanha: Chamada anarquista face à Cimeira do G-20 em Hamburgo (Julho 2017)

A 7 e 8 de Julho de 2017 em Hamburgo – quando se reunirem os criminosos de guerra mais bem sucedidos deste planeta, os maiores dos exploradores sem escrúpulos do ser humano e da natureza e líderes auto-declarados deste planeta – não será com algumas exigências que se verão confrontados e, portanto, reavaliados para um melhor governo ou escravidão social.

Vão é sentir a fúria das ruas quando estiverem a passar com os seus comboios através de áreas desertas ou a falar sobre os ataques noturnos das últimas semanas.

Esta chamada – tal como tantas outras feitas durante encontros semelhantes – não pretende perder-se na análise da importância da política da Cimeira do G-20 ou dos seus participantes. A injustiça do mundo já foi declarada mais de mil vezes, agora qualquer pessoa que sinta vontade de agir já não necessitará de ler qualquer outro texto.

Queremos falar daquelxs que já se encontram envolvidxs na luta – contra o capitalismo, seus Estados e sociedades – em particular de nós.

Desde Seattle, em 1999, que os protestos contra as Cimeiras constituem o catalisador da resistência radical; indivíduos e grupos reuniram-se, trocaram ideias, permaneceram juntos atrás das barricadas e levaram consigo a chama da resistência, na volta para as suas regiões. Nem sequer os disparos em Gotemburgo e Génova, ou os numerosos informadores infiltrados, conseguiram impedir o desenvolvimento de uma rede caótica de tendências autónomas/anarquistas/anti-autoritárias por toda a Europa.

Depois surgiu a crítica de que o evento deveria ser menos ativo – como se alguém tivesse implorado para que funcionasse como um “turismo manifestante” numa cidade qualquer.  As manifestações contra o G-20 em Cannes e Niza, em 2011, foram preparadas neste resplendor de champanhe de alguns gestores do movimento. Tudo deve vir a ser diferente, melhor, mais político. Em relação a esse tempo, nenhuma conclusão ou análise foi divulgada à posteriori – a resistência simplesmente falhou – só as patacuadas (alibis) habituais das ONG’s nos cantaram os seus programas.

Portanto, agora é em Hamburgo e estão já de cabelos em pé – os responsáveis nas suas sedes assassinas dos serviços secretos, as autoridades policiais e os comandos militares. Temem a nossa vinda. Mas nós não temos nenhum liderzão que possa ser eliminado, a nossa resistência não depende do comportamento esquemático de alguns indivíduos. Talvez nada ocorra se tu – que te encontras a ler este texto neste momento –  não tiveres agido. Não esperes que outrxs preparem algo para ti, de modo que tenhas só que embarcar nisso.

De certeza que haverá uma grande manifestação dos idiotas da esquerda, pois querem fazer o seu ritual democrático – como um certo Sr. Marx os ensinou, há já 150 anos. E talvez lá estejamos, também, ou à margem ou atrás das linhas da polícia. Ainda há muito tempo para pensar e preparar isso.

Entretanto, estamos a fazer a chamada para uma campanha antecedente da Cimeira, contra qualquer forma de poder. Em Julho de 2017 queremos destruir (mesmo que apenas simbolicamente …) o império do patriarcado sobre as mulheres, a regra dos estados sobre as suas fronteiras e centros urbanos, a regra do trabalho sobre o nosso tempo, a regra do dinheiro sobre o nosso comportamento social, a dominação dos bens sobre as nossas vidas, a regra dos polícias sobre o medo à repressão, nas nossas mentes.

Por Hamburgo e todos os seus bairros existe um número infinito de objectivos adequados à destruição – visto isso, temos de começar já com isso. Assim, em Julho de 2017, será possível que a alienação entre o mundo do G-20 e o resto seja já a suficiente para não ser preciso mais Cimeiras para conseguirmos nos reunir. A campanha militante contra o G-8 em Heiligendamm, em 2007, poderia servir de modelo: forneceu-nos tanto a compreensão da sua força como das possibilidades da organização horizontal – para além dos incontáveis processos preliminares, também uma nova geração de ativistas de ações clandestinas auto-determinadas e bófia a fugir da chuva de pedras, em Rostock.

Aparte disto, chamamos também a um aprofundamento teórico da nossa prática – na qual a presença ou ausência do anarquismo nos motins deva ser testada – como recentemente na França, como em Frankfurt em Março de 2015, em rituais como o 1º de Maio ou na política quotidiana, seja no entorno ou na luta contra os nazis.

Porque não podemos reclamar do domínio dos reformistas em lugares onde não estivermos presentes. Ou onde haja somente frases vazias com um A circulado,  se criem conversas superficiais de um “consenso das ações”,  conversas essas ouvidas com um posterior distanciamento em relação a elas. Tal discurso teria que ir para lá das referências ao G-20 surgidas até agora  nas reivindicações de responsabilidade (bem-vindas).

A nossa resistência contra a Cimeira do G-20 não pretende sair “vitoriosa” no sentido de impedir esse evento. Poderá ser o início de algo que também poderia começar noutro dia qualquer: a auto-capacitação do indivíduo sobre a existência e a (auto) organização em estruturas coletivas. Mas só uma chamada para isso dificilmente chamaria a atenção. Portanto…

Ataquemos a Cimeira do G-20!
Atiremos Hamburgo para o caos!
Destruamos a fortaleza europeia!

em alemão  | espanhol  | francês | inglês

Porto Alegre, Brasil: Vandalismo contra igreja Luterana

Comunicado recebido junto com as fotos a 22/03/2017:

Na madrugada do 21 de março, decoramos com tintas a fachada da Igreja Luterana na rua Senhor dos Passos no centro de Porto Alegre como gesto de força e solidariedade com os compas da La Solidaria, um espaço okupado que abriu as portas para muitos encontros e possibilidades, para a cumplicidade e a insubmissão.

Para que sintam o calor da afinidade e sigamos na turbulência da conflitualidade permanente!

em espanhol

[Grécia] Sejamos todxs insurgentes, assaltantes e sabotadorxs

Solidariedade com todxs xs que estão submetidxs a julgamento pelos assaltos de Velventos

Em 2013, seis anarquistas foram detidos por duplo assalto na cidade de kozani, Velventos. Um ano mais tarde viram-se condenados a penas de prisão que variavam de 11 a 16 anos. No princípio de Março deu-se início ao seu julgamento de recurso, na prisão de Korydallos – onde têm sido mantidos reféns do Estado desde a sua detenção. A razão para certas pessoas serem perseguidas, espancadas e presas não se prende com o dinheiro que o banco irá perder, no caso ter sido bem sucedido o processamento do roubo. A verdadeira razão é o perigo que representaria para a autoridade se essa prática se espalhasse na sociedade – a de escolher sair e fazer por aí o que for possível para combater a opressão diária, a de encontrar os meios necessários para criar projetos de luta, a de ir contra o mundo dos ricos e poderosos, por via direta e autónoma. Não estamos a falar de assalto a bancos enquanto tal – que poderia também ser uma maneira alternativa de obter riqueza na mesma lógica capitalista, que está sempre a hipnotizar-nos, em todo o lado. Estamos a falar da escolha de agir – para aprofundar a aventura da revolta sempre em evolução – armados com ideias de liberdade e coragem.

Ou seja, é uma questão de vida. Queremos viver com a cabeça curvada, vendo sempre os nossos pés no chão desta tão amputada sociedade, pensando que esse é o horizonte? Ou queremos olhar à nossa volta, juntarmos-nos com muitxs ou poucxs para organizar o ataque contra o existente e tudo o que lhe dá ar para respirar? Nesse caso, é a nossa criatividade e imaginação que irá determinar o horizonte.

Solidariedade é luta.

Sejamos todxs insurgentes, assaltantes e sabotadorxs…

Próximas datas de julgamento: 23/3, 30/3, 11/4 & 27/4

inglês l grego

Chile: Faixa alusiva ao Dia do Jovem Combatente pela Biblioteca Anti-Autoritária Libertad

Antes do Dia do Jovem Combatente. Lançamos panfletos a passos do sítio onde funciona o nosso projeto de biblioteca, onde colocamos também uma faixa que dizia: “29 DE MARÇO – DIA DO JOVEM COMBATENTE – MEMÓRIA RESISTÊNCIA SUBVERSÃO”.

Pós-data: [SOBRE O PROJETO] A nossa biblioteca, auto-definida como anti-autoritária e insurrecional encontra-se em funcionamento numa povoação desde o verão de 2017. A biblioteca instala-se na rua e tem o propósito de incentivar e propagar a leitura a qualquer pessoa que se acerque do nosso local – desta forma difundimos gratuitamente, com contribuições voluntárias e/ou troca de livros, revistas, fanzines, etc. catalogados em três secções: infantil, novelas e política. Não escondemos as nossas ideias ou os nossos propósitos, por princípio, não fazemos negócio com o nosso projeto. São esses os pilares fundamentais desta iniciativa que procura ser uma contribuição mais na luta pela liberdade e anarquia.

A partir de algum lugar do território chileno
Biblioteca Anti-Autoritária Libertad
Outono, 2017

em espanhol

Bloomington, Indiana: Sabotagem em memória de Lambros Foundas (EUA)

Há algumas noites [10 de Março] sabotámos cerca de 50 parquímetros, colando as suas fechaduras, máquinas de moedas e leitores de cartões. Trata-se de um ato simples que não necessita nenhuma habilidade especial. Obter alguma super-cola, cobrir o rosto, manter os olhos abertos seja para a bófia ou cidadãos leais, agir no final.

Estes parquímetros foram os alvejados porque financiam o Departamento de Polícia de Bloomington, além de que forçam as pessoas a pagar para estar no centro da cidade. Odiamos a polícia, odiamos a gentrificação e a sociedade de classes; por isso os escolhemos para serem atacados.

A nossa ação constitui um gesto de memória combativa para com Lambros Foundas – anarquista da Luta Revolucionária, morto pelas forças do Estado grego em 10 de Março de 2010. A nossa memória não é de luto passivo ou de martírio, antes de luta ativa contra o Estado, o capital e a dominação em todas as suas formas. A chama da vida de Lambros manteve-nos aquecidos enquanto caminhávamos pela noite de inverno, essa chama continuará connosco, em todas as partes das nossas vidas, vidas vividas em guerra com essa sociedade de senhores e escravos.

Enviamos força a todxs xs combatentes anarquistas presxs nas masmorras do Estado grego.

Enviamos solidariedade a todxs xs que enfrentam os mais recentes ataques do Estado contra okupantes, anarquistas e refugiadxs:   somos inspiradxs pela sua recusa de ficarem paralisadxs.

Para Lambros
Viva a anarquia!

                                                                        inglês l grego l italiano

Porto Alegre, Brasil: 2 de Abril – Abertura do novo espaço da Biblioteca Kaos

Domingo, 2 de abril. Meio dia. Abertura do novo espaço da Biblioteca Kaos.

Salve compas!

Com a intensa sensação de ânimo que nos dá a nova ocupação, abrimos já as portas do nosso novo espaço, xs convidando à abertura, no domingo de 2 de abril, ao meio dia. Sintam-se à vontade para trazer suas feiras e materiais. Aproveitamos este convite para mandar um salve aos/às compas de Tessalônica, Komotini, às okupas da Grécia, aos/às compas do Chile e de Porto Alegre que nos fizeram chegar uma piscada solidária no desalojo do espaço anterior.

Biblioteca Kaos

No cartaz pode ler-se:

ABERTURA DO NOVO ESPAÇO DA BIBLIOTECA KAOS

Domingo, 2 de Abril, meio dia
Escadaria Joa Manuel entre Fernando Machado e Duque de Caxias

Almoço (trazer colher e prato)
Música
Apresentação do acervo da biblioteca
Troca de ideias sobre okupação
Gentrificação

Porto Alegre, Brasil: Novo espaço da Biblioteca Kaos

Ocupamos de novo!

A Biblioteca Kaos tem novo espaço

No domingo, 12 de março, entrámos na casa da Rua Coronel João Manoel 641, antes o morro da formiga. Casa que estava abandonada faz três anos, no meio do centro histórico de Porto Alegre, e que é parte das heranças de duas das famílias mais burguesas, donos da cidade faz séculos: Chaves Barcellos e Wallig.

Temos a absoluta certeza de que estamos incomodando os poderosos que já apareceram para nos ameaçar e muito risivelmente para nos convidar a ser parte dos seus projetos de capitalismo alternativo. Nossa resposta é uma só: somos ocupas, anarquistas, e com a burguesia não temos conversa nenhuma.

Para nossa surpresa e alegria, a vizinhança apoia totalmente a ocupação porque viram que poucas pessoas arrumaram um espaço que faz anos estava sem uso. A interação com eles foi uma clara atitude de solidariedade e iniciativa, não só nas palavras mas sobretudo na ação, participando pouco a pouco na limpeza do lugar e apoiando com sua presença em algumas das visitas dos donos.

Depois das ameaças dos burgueses de nos jogar para fora com seus capangas e pitbulls, as galera das outras okupas da cidade chegaram para nos fazer sentir sua solidariedade e ajuda.

Neste momento ainda estamos na briga pelo espaço, mas nossa decisão desde o início é permanecer sem negociação, nem jurídica nem verbal, com os proprietários. A ocupação é uma prática subversiva que não pode ser engolida pelas normas de propriedade imobiliária, é a resposta efetiva à acumulação absurda da terra em mão de uns poucos privilegiados. Nossa determinação diante disto é clara: casa abandonada, casa ocupada.

Mandamos nosso salve à La Solidaria que enfrenta um desalojo nestes próximos dias, compas um desalojo, outra ocupação!!! Aos/Às compas das Okupas, na Grécia, à okupa Nadir e CCF, compas seguimos! Às Bibliotecas Flecha Negra na Bolívia, Sacco e Vanzetti e Sebastian Oversluij no Chile, e a todos os espaços auto-gestionados na procura da anarquia.

Num novo espaço, aqui seguimos onde sempre estivemos: na procura da liberdade e contra toda a autoridade!

Biblioteca Anárquica Kaos.

Nos próximos dias difundiremos os horários e atividades da biblioteca.

[Prisões Chilenas] Comunicado do companheiro Joaquín García Chanks

Derrubar até ao último muro e matar o último carcereiro

Passados 5 meses de voltar a habitar as celas da Secção de Segurança Máxima do C.A.S. torna-se necessário referir-me tanto ao pessoal como ao cenário carcerário. As razões para não ter escrito antes são obviamente pessoais, mas antes de mais são devido à crença de que a plataforma virtual com o seu conjunto de comunicados se afasta muito do real, aproximando-se mais de uma ideia abstracta do dia a dia carcerário e individual– apesar de estar convicto de que partilhar experiências gera laços impagáveis. Irredutível? Sim, exista ou não um vaivém emocional nem a convicção nem a mente se vai abaixo, mas essa asquerosa ideia do mártir de aço atrás das barras tem de cair. Pelo suicídio da imagem e fetiche, pela real cumplicidade destruidora.

“O pessimismo é o ópio dos intelectuais, o optimismo pertence aos imbecis. Um realismo fanático e sonhador, a consciência de que não cabemos neste mundo, os valores que defenderemos a cada momento adicionados ao calor cúmplice daquelxs de quem gostamos e estimamos.”

Há 5 meses atrás, um pouco sobre a detenção:

A 7 de Setembro, aproximadamente às 5 da tarde – passados pouco mais de dois meses do levantamento da prisão domiciliária total, ditada pelo aparelho jurídico – detiveram-me quando estava a subir para um autocarro rural, em direcção a algum lado. Subo, cumprimento o condutor, avanço um metro e uma mão no meu peito: “desce”, “mãos atrás da cabeça “, para baixo, cara contra o chão, olho para a esquerda, o mar, a sua brisa, o cheiro a terra e vegetação, um momento fugaz mas com absoluta consciência do que o ia perder, agora substituído pelo cheiro a desodorizante de ambiente (poett) e cloro, as vestes amarelas e o subtil mas enjoativo cheiro a saliva do calabouço. Apesar do significado pessoal, a detenção não teve nada de espectacular e não escreveria sobre ela se não quisesse esclarecer um ponto: a ideia jornalística propagandista sobre um suposto “controlo preventivo”, como se de azar se trata-se! A obsessão doentia pela vigilância e o controlo têm que ser reafirmadas constantemente no cidadão paranóico, que melhor momento que a captura do “terrorista potencialmente em fuga”.

Valeu a pena? Impossível responder com um simples “sim”, às vezes tão seco, vazio e auto-complacente, há muitas mais coisas para pôr na balança. Mas é inegável que cada experiência em busca da liberdade vale a pena, tomar o controlo da sua existência com todas as suas vitórias, as suas derrotas, alegrias e tristezas, são aquelas experiências impagáveis que o submetido nunca poderá conhecer. Não se trata de se interrogar se valeu a pena tentar, pensar assim condenar-me-ia a ser um eterno perdedor; o primeiro passo de cada acção é que lhe dá valor – talvez mais espiritual que materialmente – será sempre um lucro.

“A pena e a pistola são feitos do mesmo metal, a nova guerrilha urbana depende muito menos dos meios operativos e muito mais da nossa decisão de atacar o poder.”.

Eco-extremismo e Anarquia

Partilho as palavras que, em dado momento, expressaram xs companheirxs da Célula Revolucionária Paulino Scarfó / FAI-FRI, o ataque tem moral e esta corresponde, obviamente, ao código de valores e objectivo a que se proponha cada célula revolucionária, os seus motivos e a contribuição no sentido do avanço das teorias e práticas antagonistas. Deste ponto de vista, acredito que a crítica a outras correntes não deva ser feita de forma comparativa – e refiro-me especificamente ao eco-extremismo – porque existe hoje uma tendência, talvez um pouco ciumenta, em relação a estes últimos. Como com quem traiu os seus princípios e superou o umbral do que “nós não faríamos”. A verdade é que pouco ou nada importa qual a raiz desta corrente e quem são xs indivíduxs que a compõem. É da maior importância preocupar-se pelo agora e assumir que existe uma diferença irreconciliável entre os distintos pensamentos (objectivo – motivos – valores). Quero deixar claro que não me estou a referir ao que cada indivíduo possa fazer com a sua vida ou o quanto possa este pupular entre ideias e objectivos práticos, não poderia falar sobre os inexistentes “deveres” de uma ideia inamovível. Se escrevo isto é sem tapumes, na generalidade. Enquanto exista uma crítica paternalista, existirá uma acusação, pelo purismo. Assumir disto que as críticas têm de ser eliminadas das nossas expressões é um erro, a crítica, como axioma essencial de todo o pensamento e acção revolucionários, deve ser severa e constante. Analiso, critico, posiciono-me e avanço, através da evolução da consciência individual e colectiva.

Entre parêntesis: Considero claro que quando se fala de moral e valores, a muitos lhes dói a watta (purificadora da água), sobretudo aos filhos da réplica, os mesmo que eliminam palavras do seu vocabulário para cumprir quem sabe qual requisito Negador e desta forma não perder pontos de niilismo. (1). Então para aclarar, reconhecer a existência de valores e moral não significa que estes estejam talhados na pedra, estão sujeitos a questionamento pela mesma conjuntura. E sim, se existem pilares no meu pensamento e no meu sentir é porque assim o escolhi.

Falando em conjuntura, aplaudo o ataque a Óscar Landerretche como alvo simbólico e prático. Admiro e saúdo (2) a energia de todos os que se responsabilizam pelos seus pensamentos e aniquilam a letargia da paz social. Os que reclamam uma iminente ofensiva estatal têm de questionar-se. Estratégias existem, é óbvio, mas esperar alguma espécie de compaixão por parte do Poder é não assumir os custos da sua confrontação. Detesto até ao rancor (3) o seu discurso eco-extremista, distancio-me completamente das suas razões, do seu misticismo, das suas apologias a personificações absurdas. Recusar as massas e os seus valores é lógico e consequente, mas assumir como próprios todos os valores contra-hegemónicos, apenas por o serem, é uma estupidez.

Posso distanciar-me muito dos ITS – Chile, mas é inevitável sentir raiva ao ler a merda da imprensa oficial, “alternativa”, e de “esquerda”. Sem querer cair bem às massas nem esperando a aprovação de ninguém: perante o sensacionalismo e a difamação, fogo.

“Quem não quer ver o grandioso num homem fixa a sua vista de um modo mais penetrante naquilo que nele é baixo e superficial – e com isso se denuncia”.
– Friedrich Nietzsche.

Viva a estranha conjugação anarco-nihilista!
Se a práxis nihilista tropeçar com a anarquia, bem vinda seja esta.

(1) ismo, sufixo proibido
(2) Tranquilos, sei que não lhes interessa
(3) veja-se (2)

Joaquín García Chanks
C.A.S – S.M.S
Fins de Janeiro de 2017

Santiago, Chile: Crónica da homenagem ao companheiro Javier Recabarren, no 2º aniversário da sua morte

Fotografia de um panfleto distribuído na homenagem ao companheiro Javier Recabarren (18/3)

Na concretização de uma convocatória para uma homenagem ao companheiro Javier Recabarren, a mesma foi realizada a 18 de Março, no 2º aniversário da morte, no mesmo local onde uma máquina deste sistema acabou com a sua vida.

Pouco a pouco começaram-se a chegar ao local alguns/mas compas. A conversa dispersa-se até que, já ao entardecer, nos concentramos. Nascem algumas palavras, recordando o motivo pelo qual estávamos ali, levando à rua a memória daquele que muitxs chamavam “o chavalo menino” – esse pequeno revoltoso cujas ânsias de liberdade traçaram o seu percurso – assim como a nossa luta, que com ele compartilhamos e na qual nos encontramos, coincidimos e nos retro-alimentamos com ele.

Algumas palavras da sua mãe fazem-nos recordar a importância da memória, de cada palavra, da força e energia que se transmite em cada gesto em memória de Javier.

Alguém lê as palavras que Marcelo Villarroel Sepúlveda (compa preso pelo Caso Security) escreveu, um ano depois da morte de Javier, emocionando alguns e algumas, depois prolongam-se as palavras, entre as quais se compartilham alguns momentos, recordações e reflexões – a propósito de algumas circunstâncias através das quais cruzamos caminho com o compa – e onde foram compartilhadas ideias que no atual contexto tomam vida, ideias sobre a solidariedade e internacionalismo que não podemos ignorar.

No final foi lido um relato, uma breve história que algum compa quis compartilhar- em que Javier escapa à patrulha da bófia, recordação que provoca sorrisos, pois muitxs ainda terão presentes a sua recordação nas lutas nas ruas, na forma insolente que nos transmite um pouco mais de vida neste mundo de escravxs.

A jornada realizou-se entre risadas, palavras emocionadas, reflexões, gritos e propaganda anti-autoritária, fazendo com que a memória de Javier tome as ruas –   pois esse lugar não voltará a ser um trajeto mais da normalidade do trânsito, antes sendo uma necessidade perante o esquecimento da sociedade e a homogeinização que este companheirito sempre combateu.

“Porque quando a liberdade, o amor e a anarquia acompanham cada batimento dos corações, a anarquia não morre na boca, prevale nas mãos ativas”.
– Mauricio Morales, Punky Maury.

Javier Recabarren: Presente!
Juventude Combatente: Insurreição Permanente!