Contato

Para contribuir com traduções, edições-correções e/ou materiais originais para publicação tais como atualizações a partir das ruas, reportagens de ações, comunicados de reivindicação, textos dxs companheirxs presxs ou perseguidxs, chamadas, brochuras, artigos de opinião, etc.: contrainfo(at)espiv.net

[Bosque de Hambach] Jazzy e Winter libertadxs da prisão com restrições

fonte: CNA Rhineland

Na terça-feira, 2 de outubro de 2018, Jazzy e Winter foram libertadxs, após audiência em tribunal.

Ambxs estiveram duas semanas em prisão preventiva. Agora, o tribunal distrital de Düren decidiu não continuar a aplicar a ordem de restrição de liberdade.

Ambxs estão agora em liberdade e as suas identidades continuam desconhecidas das autoridades!

Mas ainda há três “Hambi” na Prisão: UPIII, Andrea (UP 20) e Eule. Todxs xs prisioneirxs precisam do nosso apoio! Pode-se escrever um e-mail para abc-rhineland@riseup.net o qual será imprimido e enviado para aquelxs.

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Porto Alegre, Brasil: Balanço dos Encontros “SEM DEUSES SEM MESTRES”

Aconteceu em Porto Alegre!

SEM DEUSES SEM MESTRES.
História, Memória e Atualidade do Anarquismo

Alguns anarquistas convidaram a quatro encontros, entre 1 e 22 de setembro, para trocar idéias sobre história e atualidade do anarquismo, na okupação Pandorga.

No primeiro encontro, no meio da persistente chuva, 25 pessoas chegaram para a atividade,  juntos gritamos e aplaudimos o forte trovão que ressonou no inicio da projeção do capitulo 1 do documentário Sem deuses Sem mestres: 1840-1906: A Paixão pela Destruição.

As formas em que nos posicionamos em relação ao entorno, enquanto anarquistas, abriu o debate para lembrar que o anarquismo surge, e se repensa, a partir das inquietudes por responder à opressão social, econômica, política, moral, etc.. Desde a interação social, com preocupações sobre como abordar alguns temas no nosso cotidiano, até a necessidade de expandir nossas idéias na procura de afins, ressaltou nossa  impossibilidade de permanecer apáticos frente à dominação. Seja uma pessoa tirana, seja o conflito pela terra dos povos não civilizados, seja a luta contra a exploração daqueles que estão obrigados a trabalhar, seja a tirania democrática ou monárquica, ou algum evento que evidencia à dominação, ficou claro que a procura pela liberdade é ainda a grande propulsora dos anarquistas.

Conversamos e percebemos que a pesar de não procurar nenhuma uniformidade,  é importante falar de alguns “princípios” anarquistas, elementos que nos permitissem nos identificar e posicionar como tais. Para uns trata-se da procura pela vida livre e o rechaço à todo aquilo que atente contra ela, para outros trata-se da destruição do estado e do capitalismo, alguns manifestaram a necessidade de “militar” para se sentir anarquistas, entanto que outros questionaram o anarquismo como estilo de vida e de liberação só individual.  Longe de dar uma resposta, o debate evidenciou a diversidade das motivações e os porquês das proximidades com o anarquismo, mas sobretudo, insistimos em que ser anarquista vai muito além de simplesmente adotar esse nome, se tratando duma posição não autoritária, duma intolerância com o governo, o Estado, a autoridade, duma vontade por disseminar sementes de liberdade e da possibilidade, concreta, de não nos sentir oprimidos por ninguém, nem oprimir ser nenhum.

Outro dos pontos que debatemos, nesse primeiro encontro, foi o poder, a partir da referencia ao empoderamento e outras “formas” de poder. Alguns manifestaram uma aproximação ao termo poder a partir das noções de poder popular e empoderamento, alguns outros rechaçaram a idéia de poder, resgatando a herança anarquista que nunca propus o poder como fim nem como meio, esclarecendo que este tipo de propostas provêm da aproximação das propostas esquerdistas, sobretudo a partir dos anos 60.

No segundo encontro, assistimos o capitulo 2 do documentário Sem deuses Sem mestres, 1907 – 1921: Terra e Liberdade. Ainda que com menos gente, e tendo acalmado, em parte, a sede do primeiro encontro, debatemos sobre dois pontos amplos: a educação libertária, e o tema da terra. Este último, infelizmente, não teve um retorno muito acalorado no debate, porém, cabe salientar que se remarcou a importância da terra para qualquer projeção de vida livre. Já o tema da educação libertaria, foi mais abordado, e a partir dessas reflexões também se apontou para a necessidade de espalhar as idéias, e de ter caminhos para transmitir práticas e princípios.

No terceiro encontro, assistimos o terceiro episódio do documentário, 1922 – 1945, Em memória do derrotado, que aborda dois episódios importantes: o assassinato de Sacco e Vanzetti nos Estados Unidos e a Revolução Espanhola, ambos como experiências frustrantes tomando em conta seus resultados finais. No debate insistiu-se em que depois dessa experiência, os anarquistas ainda vibram e agem, nos inconformado com o título do capítulo. Alguns dos assistentes ficaram impressionados com a real possibilidade de uma vida autogestionada, como foram os primórdios das cidades liberadas pelas colunas anarquistas na Catalunha. Falou-se bastante dos impasses e dos ataques dos comunistas dentro da Revolução Espanhola, e consequentemente, lembramos que e União Soviética não só não ajudou os combatentes, sob uma mínima proposta em comum da luta contra o fascismo, mas que até sabotou essa luta.

No último encontro, proposto para estabelecer uma ponte entre o ultimo episódio do documentário e os espaços e tempos mais imediatos, nos sentamos numa roda, numa tarde agradavelmente quente, para conversar sobre nossa memória em relação ao anarquismo. Um companheiro anarquista, recuperando a importância da voz e a escuta,  compartilhou conmosco episódios, caminhadas, anedotas e experiências da ampla e insistente história dos antiautoritários na região. Desde a lembrança da Colônia Cecília, fomos ouvindo sobre como os anarquistas espalharam-se por vários estados e, junto com mais outros expulsos de terras distantes, e companheiros que brotaram nestas matas, se juntaram em espaços, colônias rurais, sindicatos e o afã de criar publicações, sabedores de que assim, conseguiam chegar até outros corações rebeldes e que para muitos compas esse era o mais apreciado contato com outros anarquistas da região e do mundo. Assim, fomos mergulhando na história dos compas e da imprensa anarquistas na região.

Ouvimos também  sobre os embates contra os rebeldes: as leis de expulsão dos indesejáveis, o confinamento de presos em Clevelândia, os embates que chegaram do populismo da Era Vargas, durante a qual os sindicatos foram incorporados ao Estado, perdendo sua autonomia. Neste período, também se vivenciou uma forte repressão contra anarquistas e dissidentes de todo tipo, o qual provocou uma considerável descida na agitação ácrata.

Mas os anarquistas são teimosos, aqui e agora, e fomos teimosos também nos contextos mais duros. Assim, ouvimos sobre a permanência de centros de cultura, sobre jornais que resistiram, ainda que trocando de nome, sobre editoriais e até estudos fotográficos que se mantiveram pelo menos durante uma parte do período ditatorial, sobre os estudantes do MEL, nesta difícil etapa, marcada, aliás, por uma clara distancia dos grupos da esquerda.

Transitamos também pelo retorno à democracia, momento em que aparece o jornal anarquista, o Inimigo do Rei, assim como os anarkopunks e as tendências mais organizacionais do anarquismo que, esta vez, e sob a influencia de organizações de terras vizinhas, começam a tender pontes com o esquerdismo. Esta proximidade, muda a linguagem ácrata na região até a atualidade com suas respectivas consequências.

Finalmente, e ainda que muito sucintamente, abordamos o tema dos confrontos nas ruas que foram se criando e cultivando há mais tempo do que o 2013 como uma das faces atuais que nos movem para as ruas e para um desrespeito à materialidade da dominação, fator que cultiva uma proposta de conflito e não passividade diante das múltiplas formas de opressão.

Em todos os encontros, a riqueza da historia do anarquismo, nos levou da mão por reflexões, inquietações e sensações muito abrangentes, dentre as quais sobressaiu uma inquietude sobre as várias formas de procurar a anarquia, não como uma preocupação ou problema a ser resolvido, mas como um cenário que  paradoxalmente nos afirma nas procuras particulares e nas formas de vivenciar anarquia.

A inquietação diante da dominação, ascendeu a chispa para debater, em cada encontro, sobre o fato de que todas as ações dos anarquistas, seja em ação individual, coletiva, de reivindicação, de manifestação coletiva, ou de arremetida violenta, são fruto dum contexto; resposta e proposta diante de alguma situação frente à qual poucos podemos ficar indiferentes.  E ainda que  nos posicionando num combate permanente e histórico contra as máquinas do predomínio, na procura pela liberação total sentimos também a necessidade da vida livre a cada passo, assim, debatemos também sobre as possibilidades de vida em autonomia, sempre como uma facada ao encurralamento da vida imposta pela “sociedade normalizada”. Consequentemente, entendemos as ações anarquistas como aquelas repelem o que agride, e neste simples gesto, elas combatem há séculos, o sistema de dominação, não respeitando jamais as agressões legitimas da violência dos que mandam.

Foram encontros muito especiais, num momento em que valorizamos com maior afinco as decisões assumidas na hora de nos posicionar anarquistas. Estes encontros propiciaram, além do mais, nos juntar a falar do que acontece nosso entorno, de nos conhecer e até nos criticar para nos fortalecer, observando nossas palavras, nossas respostas diante de situações com as quais não concordamos, nossos interagires com os desconhecidos. Somado a isso tudo, nos encontros também trocamos idéias, sobre o quotidiano, desde a estranha posição de quem não está pensando em quem votar, mas qual vai ser a cor da chibata contra qual vamos combater, ou seja, desde o estranho olhar de quem se desapega das correntes e gaiolas e não as deseja pra ser nenhum, e isso, esse tipo de encontro, fez que alguns dos assistentes saíssem com pelo menos uma preocupação no rosto e outros, saíssemos sempre com um sorriso, sabendo que não somos tão poucos, e que temos tanta vontade como para seguir na vigência da procura pela anarquia.

Porto Alegre, primavera de 2018.

Cartaz A em pdf  l Cartaz B em pdf

Nota de Contra Info

Recentemente foi disponibilizado o documentário “Sem Deuses, Sem Mestres: História do Anarquismo”, dirigido por Tancrède Ramonet, legendado em português. O documentário realizado em três partes – de 52 minutos cada – busca retomar os principais acontecimentos dos últimos 150 anos de História Social, resgatando as origens e ações realizadas em nome do ideal político que tem lutado contra deuses e mestres. A partir de materiais de arquivo, além de vasta documentação, a série reconta a história do movimento anarquista internacional, de Paris a Nova Iorque, e de Tóquio a Buenos Aires.

Os episódios estão disponíveis online :

1840-1906 – A paixão por destruição:

1907-1921 – Terra e Liberdade:

1922-1945 – Em memória do derrotado:

E para download (via torrent) em melhor qualidade no link: https://goo.gl/d3B576

Para download via torrent sugerimos a utilização do software qbittorrent, disponível para download em https://www.qbittorrent.org/

[Brasil] Para além das eleições e das intervenções. Nosso total rechaço à democracia.

Para além das eleições e das intervenções. Nosso total rechaço à democracia.

Qual o motivo que faz as pessoas se submeterem a outras pessoas?
O que faz uma pessoa pensar que o patronato ou o governo são
indispensáveis?
O que faz pensar que as pessoas livres não podem se apoiar, se
autogerir?
(Carlos Coletivação/Brasília, O Inimigo do Rei, n° 20, Jul. 1987)


Trinta anos depois…
.

Tem passado três décadas desde o ovacionado “retorno” à democracia. Aos poucos, foram apresentando a democracia como o remédio a todos os males, como a única via de governo, de política, o fim da história, um direito humano! Apresentaram o “governo representativo” com um brilho incomum que permitiria às pessoas terem liberdade… de eleger qual seria “melhor capacitado” para mandar nelas.

No entanto, eleger quem governe parece não deixar todos contentes. Existe um  inconformismo cada vez mais crescente e não só desde as margens (onde nunca fomos parte do “sistema”) ou desde o antagonismo (onde nunca aceitamos ser governados). O inconformismo parece crescer gradualmente entre a mesma população que seria contemplada pelo regime democrático: A percentagem dos que não votaram nas eleições municipais de 2012 foi de 19,1%, e a dos votos brancos e nulos de 9,1%. Em 2016, nas eleições presidenciais, a abstenção foi de 21,5%, os votos brancos e nulos somaram 14,3% (segundo dados do Estadão dados), totalizando mais de 35% dos eleitores. Nenhum dos candidatos somou tantos votos. O que nos dizem essas estatísticas? É suficiente com não votar? Não votar desestabiliza de alguma forma à autoridade parlamentar?

Pareceria que a eleição está perdendo popularidade, mas enquanto uma parte do mecanismo eleitoral do governo perde adeptos, a democracia se impõe, e junto com ela se impõe a permanência de uns governando aos outros.

O Estado, suas engrenagens e suas articulações, estão sustentados pela exaltação da democracia como a forma mais hospitaleira da política. A propaganda pela democracia tem provocado a idéia de que ela é o ponto final do trabalho por uma política e organização social “perfeita”. Com essa jogada, a democracia possibilitou que o Estado mantenha o poder, e que as pessoas acreditem nele como o poder legítimo. Mas, até os cérebros da organização estatal: Hobbes e Maquiavel, defensores do “pacto social” (no qual as pessoas, supostamente, elegeriam o Estado voluntariamente), sabem que a máquina estatal senta-se na poltrona da submissão: Segundo eles, não pode existir unidade entre o povo e seu governo se não há submissão – voluntária ou involuntária, legítima ou ilegítima – e não há submissão sem terror, em algumas doses. (Christian Ferrer, em: El Lenguaje Libertário). Essa submissão, temos claro, se consolidou, e se consolida, mediante as forças armadas, que são a mão do terror, da tortura e da prisão estatal. A democracia se impôs graças a elas, que a usaram como amnistia geral para lavar, na política do está tudo bem, anos de tortura e desaparecimento.

A máquina estatal não existe sem os repressores.

Mas, a participação política dos militares e policiais tem profunda pisada na estruturação do estado e da civilização que o sustenta e não somente como a força armada que  impõe à força os ideais da política estatal e da democracia. Lembremos que foram militares o primeiro governo republicano de 1889 e os governos ditatoriais do período 1964-1985. Militares e policiais são elo central da maquina estatal, e estão, permanentemente, tentando controlar o Estado.

Os militares já governaram mediante o voto (Marechal Enrico Gaspar Dutra, 1946) e quando precisaram, eles governaram mediante imposição ou tomada violenta do mandato (nos períodos ditatoriais). Mas é agora, nestas eleições que o Estado e as forças armadas expõem sua estreita vinculação, com candidatos cada vez menos à paisana, e  é, mediante a amabilidade da pergunta e o acordo democrático que, eles tentam governar de novo. A manobra da imposição da democracia como uma tirania é perversa na sua consolidação, esta vez é a “sociedade” – historicamente surrada, torturada, punida pelas forças repressivas que existem para controlar e apagar toda dissidência e crítica – a que pode pôr no poder a face repressiva do sistema estatal.

Jair Bolsonaro (candidato à presidência pelo PSL), o General Mourão (candidato à vice-presidência pelo PRTB), o Cabo Daciolo (candidato à presidência pelo Patriota), o Delegado Ranolfo Vieira (candidato do PTB para vice-governador do estado de Rio Grande do Sul), são parte das forças armadas, e defendem como parte das suas campanhas, os valores dessas instituições. A possibilidade deles serem eleitos, de pessoas torcerem e desejarem que eles sejam os seus governantes, são um sinal apavorante do protagonismo das forças repressivas nas expectativas de eleição do governante.

Os pedidos de intervenção militar, a candidatura de militares e policiais, estão mostrando algo; o voto ciente, a eleição de serem governadas por pessoas e instituições que tem nos seus currículos inúmeras chacinas. Se pode se passar por alto que os militares e policiais quando mandaram o fizeram no fiel apego ao exercício da tirania, não se pode passar por alto que esses pedidos, que cada voto por estes personagens, significam um “amor” a ser mandado e um “amor” à obediência, pontos nevrálgicos do agir das forças armadas.

Esse “amor” submisso à obediência é muito parecido com aquilo que move milhares de pessoas a frequentarem igrejas entregando o futuro e o presente das suas vidas nas mãos de outros. Mas, esse “amor” não é mais que a negação da força individual, da capacidade de transformar as coisas, e de governar a própria vida. O Estado domina com as mesmas táticas que uma igreja: roubando às pessoas a confiança nelas mesmas, fazendo-as acreditar que sem essas instituições, não são nada. Tornam-las dependentes de algo que se construiu encima delas com o único objetivo de dominá-las.

A democracia pretende impor a fé em que a eleição de um novo tirano, é a única via possível, se espera-se uma vida melhor. Enquanto que suas forças armadas predicam os valores da obediência e submissão. O resultado é que terminamos assistindo  eleitores ansiosos por serem mandados por policiais e militares! o extremo do amor submisso.

Mas, vamos para o outro extremo, a possível “alternativa”: A esquerda, a qual amparada no medo à irmã malvada da democracia, a ditadura, tenta “abrir espaço” dentro do Estado para a inclusão de representantes da «diversidade»: povos não civilizados, negros, feministas, etc., quem talvez, sinceramente, acreditavam que se podia mudar as coisas desde dentro do sistema. Mas, o jogo do poder é sujo e perverso: ou se impõe o silêncio e se entrega a vida à quem tem mais poder, ou se, ainda sobra algo de dignidade, uma facção da máfia dos donos do poder, dão uma rajada e assassinam…O caso recente da vereadora do PSOL Marielle Franco é um claro exemplo disso…ela não foi assassinada só por ser mulher, negra, lésbica e sair da Maré, mas por não calar sua indignação frente às chacinas nas favelas do Rio de Janeiro. Se ela tivesse sido negra, lésbica, mulher e saído da Maré para ser vereadora que aplaudisse o sistema, o estado e as oportunidades sociais, as quais a ajudaram a ser bem-sucedida, outra seria sua história.

Entre essas “boas intenções”, e a opressão mais tradicional, não existe muita diferença, nenhuma pensa na máquina estatal como um problema. Ambas duas tem como objetivo, o controle das finanças, os “recursos” e a população,  e tem a repressão como estratégia.

E ainda mais, o rechaço de uns, e a eleição dos outros, pouco ou nada muda. A honestidade do discurso conservador, moralista, fascista e racista do Bolsonaro, pode provocar que outras opções como as do “centrão” aparentem ser melhores, quando no fundo são a mesma coisa com palavras mais concordantes com o politicamente correto do momento. De uma ou outra forma, a máquina estatal, articulada com os interesses financeiros de quem domina o mundo, acaba sempre tornando as pessoas cada vez mais dependentes da sua assistência, ou, eliminando-as se incomodam. A diferença entre as opções radica só no estilo da chibata e da chibatada.

Uma vez que a idéia de que a democracia é o ponto final, ela se consolida e começa a se acreditar que ela precisa só ser melhorada com mais leis ou emendas, e junto com ela, a dominação também se consolida. A máquina estatal, pensada e construída permanentemente com a finalidade de dominar e controlar a população e o território, tem como pilar a contenção da liberdade. A democracia e o voto são as ferramentas que o povo tem para manter-se sob o julgo do opressor. Um Estado  jamais poderá outorgar liberdade e autonomia. Como já foi dito milhares de vezes, se votar mudasse algo, seria proibido!

Diante disso, como vão as lutas radicais?

Em 2016 tivemos que presenciar “anarquistas” assumindo um cargo de governantes públicos, o posto de vereador, em Alto Paraíso (Goiás). Eles defenderam, seriamente, que terem se candidatado e assumido o posto de vereador, era uma prática anarquista por se tratar dum mandato coletivo e por estar baseada na proposta federalista de Proudhon.  Podemos aceitar que até os “anarquistas” tentem ser incluídos no Estado?

Pouco ajuda pretender que, mediante a indiferença, estes acontecimentos ficam fora do âmbito anti-autoritário, ou que pensando muito fortemente que esses não são anarquistas se evita o problema de fundo: uma perda de foco total sobre o que é a luta anarquista. Ainda mais, é necessário dizer que quem tolera este tipo de eventos vira, em parte, cúmplice das severas contradições que essa aberração traz. E como não queremos ser parte disso, achamos igualmente necessário retomar alguns pontos básicos: Os anarquistas propuseram como principio a autonomia e ausência de autoridade e desde essa afronta, não governar nem sermos governados. Sermos ingovernáveis não tem nada a ver com mandatos coletivos.

Justamente com estes exemplos, pareceria que já nada é uma força totalmente  alheia e irrecuperável pela instituição estatal, que tudo é constantemente incluído no Estado e que até a rebeldia é normatizada por ele. Pareceria estar tudo resolvido ao mesmo tempo em que  tudo está mais opressivo. Difunde-se a regra do vale tudo, do tudo é tolerado sempre que seja contido nos direitos.

Não podemos esquecer que muitos dos direitos atuais foram vitórias efetivas, provenientes de protestos, lutas sangrentas e urgentes. Mas, também não podemos esquecer que essas vitórias foram transformadas em formas úteis para a própria máquina estatal. Faz várias décadas, o racismo, o sexismo, a homofobia não faziam parte da agenda política estatal nem das ongs, eram lutas estabelecidas diante dos contextos normativos e genocidas, mas com o passar do tempo e sucessivas derrotas, a máquina estatal incluiu essas lutas, assim como muitas das lutas laborais vitoriosas, transformando-as em benefícios e direitos garantidos pelo Estado. Com essa inclusão elas foram engolidas pela dominação. Ao serem parte dos parâmetros estatais, cada vez que existisse um descontentamento ou um contexto opressivo a mais, essas causas, que já viraram demandas por reformas dos novos direitos, fazem com que os atos antes rebeldes virem parte da agenda estatal: o truque mais engenhoso do sistema segundo Teodore Kaczinsky. Também Alexandre Samis, historiador e anarcosindicalista desta região aponta estes mecanismos: “Os anarquistas antes lutavam por direitos, e hoje lutam para que estes direitos não continuem sendo retirados”, o que quer dizer que se antes se lutava por aquilo que não existia nas leis, por aquilo que era o impossível, pela liberdade e dignidade sempre alheios ao Estado, hoje se luta por maiores ou menores “privilégios”, outorgados pelo próprio Estado, o que termina referenciando até a rebeldia nos termos dele.

Sabemos que incluir a rebeldia na agenda de algum ministério ou ONG só a mata mediante golpes graduais, transformando-a em grito vazio. A revolta jamais pode ser contida nas regras da repressão.

Consequentemente, a procura duma vida livre e pronta para responder com braveza a toda a opressão, precisa ser mais vigente do que nunca.

Precisamos ter a sagacidade de perceber as engrenagens da dominação. E para isso, pode ser saudável desbancar algumas propostas como a luta pelos direitos, pelo empoderamento, ou pela democracia direta, que referenciam seus parâmetros de luta a partir de parâmetros instituídos pelo próprio Estado.

Entendemos que quando se defende estar lutando pelos direitos, se defende também o poder judiciário (cuja função é cuidar dos direitos mediante o controle, julgamento e punição), o poder legislativo (encarregado de fazer as leis e delimitar o que é crime), o poder executivo (que faz que isso tudo aconteça),  e a figura do cidadão (proprietário, ou em caminho de ser-lo, trabalhador, com vários juros a pagar, espiado com todos, sonhando com o novo aparelho para comprar), ou seja, se defende e validam os pilares da construção estatal.

Com o empoderamento acontece uma coisa similar aos direitos: Em 1977, o psicólogo norte-americano Julian Rappaport cunhou o termo “empowerment”n a partir da palavra “power” (“poder”) para defender que era preciso dar ferramentas a certos grupos oprimidos para que eles tivessem condições e autonomia de se desenvolver. O educador brasileiro Paulo Freire criou sua versão do termo para debater a proposta de Rappaport: para ele, eram os próprios grupos desfavorecidos que deveriam empoderar-se a si próprios, uma noção que se tornou popular entre educadores e sociólogos e em alguns movimentos. Atualmente a idéia do empoderamento é usada pela ONU (Organização das Nações Unidas), pelo Banco Mundial e o PNUD (Plano de Desenvolvimento das Nações Unidas) sobretudo para se referir aos avanços nos direitos e na inclusão das mulheres, assim como para orientar seus planos de ação. Não necessitamos sermos muito sagazes para ver que lutar pelo empoderamento virou ser uma parte da agenda governamental e das ongs internacionais.

A crítica à democracia, por sua vez, as vezes aponta na valorização da democracia direta como resposta contra formas distorcidas da democracia, ou contra a democracia burguesa. Cabe salientar, inicialmente, que a democracia direta refere só a uma forma de tomada de decisões, e não à escolha de líder. O antagonismo anárquico refere a uma expressão mais ampla da liberdade: formas de vida autônomas, expressões de luta contra a dominação, solidariedade, e mais. Já a riqueza das formas coletivas de tomada de decisões, para os inimigos da dominação, tem pelo menos duas fontes: por um lado os acordos livres, a tomada de decisões coletivas, às vezes simplesmente um acordo para determinada tarefa, e outras vezes com uma projeção maior como as sociedades e coletividades. Por outro lado, as formas de tomar decisões das múltiplas formas de vida não ocidentais, valorizam a confiança duns nos outros para realizarem planos coletivos e individuais, são grandes acordos para fazer algo baseados principalmente nas decisões coletivas, que não recorrem à votação para chegar num acordo.

O uso dos referentes legais e reconhecidos pela instituição estatal, para alguns, pode ser uma estratégia para se aproximar de outros movimentos de luta, com a intenção de serem mais fortes quantitativamente, mas esta estratégia provoca uma contradição profunda no coração das propostas anti autoritárias: tentar unir o poder e o direito, com a anarquia, e a difusão de uma idéia de anarquismo que, através desses parâmetros de luta, toleraria parte dos pilares essenciais do Estado: os direitos, a cidadania e a democracia.

É suficiente com não votar?

Não dizemos que exista uma via certa ou única de luta contra a dominação, o que questionamos é o caminho democrático como estratégia… uma estratégia condenada ao fracasso se o que se quer é viver sem mandar nem sermos mandados, pessoal e coletivamente. Temos a permanente necessidade de dar confronto à dominação, e não vai ser nos aproximando dela que consigamos erradicá-la. Precisamos perder o medo do novo, do estranho, do ilegal, e entender que para além da democracia e as eleições, está, não a ditadura e a escolha de militares, está a vida sem donos nem chibatas, e claro, está também o perigo, formoso, de sermos os únicos responsáveis do que nos aconteça.

Cabe nos perguntar, de novo então, se para essa vida é suficiente com nos afastar do sistema democrático parlamentar, é suficiente com não votar? Pode se deixar que mais um seja o «elegido»?

Historicamente, a resposta anarquista diante da política estatal, partidária, e em consequência democrática, foi a vivência de uma política baseada na camaradagem comunitária, e não no medo, nem na imposição duma maioria. Ao mesmo tempo, sabemos de povos inteiros que delegam nada, da sua vida, para ninguém. Estes exemplos de povos e pessoas que não responsabilizam o estado, o governo, nem a igreja de todo o que acontece na sua vida, pelo contrário, que lutam para não serem dependentes, são antecedentes da vida que  existe nas margens da máquina estatal. E isso, abre caminhos para nós.

Em consequência, a resposta anarquista para o sistema estatal, que controla e se baseia na submissão, complementou-se com a aniquilação das instituições, auto reprodutoras da hierarquia, para que elas jamais consigam se apropriar da luta pela  autonomia.

Por isso, não basta com não votar, é preciso sabotar e esculachar a democracia, e suas engrenagens.

Somos seres que ansiamos a liberdade e a enxergamos para além dos falsos abraços inclusivos do poder, não temos donos nem obedecemos aq poderoso nenhum. Ainda mais, não queremos mandar sobre ser nenhum. Nos encontrando, nesse afã, com o intuito de ser uma força capaz de desestabilizar à dominação, nos parece importante não serenar nosso total rechaço à autoridade. Não delegar nossa vida, com suas altas e baixas, a ninguém. Não poder culpar ninguém de nossas angustias e que ninguém  possa se apropriar de nossas vitórias. Caminhar de cabeça erguida, seguros das nossas decisões e ações pois elas vem de nosso mais profundo sentir, não de programas impostos pelos que querem dominar. E isso, nos situa não como defensoras dos direitos, mas como os inimigos dos governantes, do sistema eleitoral e de cada um dos partidos e cargos institucionais.

Essa procura pela liberdade, esse anseio de autonomia, de sermos ingovernáveis, com certeza traz problemas, problemas para os governantes e para os poderosos, que se esforçam por esmagar estas procuras há séculos e não tem sucesso. Os problemas que a procura pela absoluta liberdade traz aos governantes, não se iniciaram com a ditadura nem pararam com a democracia.

Primavera 2018. Porto Alegre.
Texto retirado da Crônica Subversiva n° 2.
em pdf aqui

Salsburgo, Áustria: Ataques à BIG, Hypo e ao Departamento de Finanças


Na noite de domingo para segunda-feira a BIG (Empresa imobiliária federal) foi atacada com fogo e tinta. São responsáveis pela construção da prisão em Puch.

Atacamos o Hypobank com tinta. É um símbolo da política de corrupção e especulação do ÖVP e FPÖ.
Quebrámos os vidros das janelas do Departamento de Estado das Finanças e atacámos com bombas  de mau cheiro, porque estamos a atacar o estado.

Em Salzburgo, em 16 de setembro – porque o governo austríaco está a preparar uma reunião de Cimeira da UE, alguns dias depois. para implementar práticas mais restritivas de vigilância e controle, especialmente contra migrantes.

Não nos importamos com a manifestação contra a Cimeira, onde xs participantes serão filmadxs, vigiadxs e criminalizadxs. Não jogamos pelas regras dos governantes.

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Ucrânia: Anarquistas de Kiew atearam fogo a um centro de treino policial. 19.09.2018

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Repressões e prisões tornaram-se parte das nossas vidas, assim como das vidas de todxs aquelxs companheirxs recalcitrantes que preferem conduzir uma luta ofensiva contra o Estado e o capital, atacando todas as manifestações de poder e destruindo a ordem opressora. Cada vez mais no decorrer dessa luta ouvimos chamadas de todos os cantos do mundo para solidariedade com pessoas afins reprimidas e presas, ouvimos histórias de como mais um/a de nós foi colocado/a atrás das grades, espancado/a, torturado/a ou mesmo morto/a, e também ouvimos como esta ou aquela infra-estrutura de anarquistas foi destruída, saqueada, como esta ou aquela iniciativa sofreu ataques de grupos punitivos do Ministério do Interior (MVD).

As autoridades, tal como há cem anos, estão a tentar travar-nos. Hoje, como ontem, opomos-nos aos guardiões das estruturas estatais que foram treinados e dotados com o “direito legal” ou, em palavras simples – cães de estado leais aos seus mestres e interessados em manter o status quo, reprimindo anarquistas e outras pessoas rebeldes.

Todos esses momentos desagradáveis vão acontecer e acompanhar-nos-ão pelo caminho bem direção à libertação. Tudo isso é esperado e não é surpreendente. O desafio a partir do inimigo tem sido aceito por nós, logo que nos tornamos anarquistas, e os apelos de nossos companheiros ficaram muito claros. Para nós isso significa apenas que a luta contra manifestações de pode tem que ser permanente! Portanto, só a solidariedade por tempo indeterminado, a luta até à plena vitória e satisfação de todos os nossos desejos rebeldes! Não há negociações com funcionários do Estado: em conflito constante com as autoridades!

Antes de contarmos aos nossos irmãos e irmãs acerca do nosso próximo ato, vale a pena discorrer e especular no objetivo escolhido e no método que usamos. O método que os nossos corações rebeldes preferiram foi coordenado com as convicções e ideias de outros anarquistas insurgentes – as de que ataques, incêndios, explosões e ações armadas contra os nossos inimigos devem ser parte integrante da guerra contra eles.

Agora acerca da escolha do alvo. Como alvo de ataques de retaliação, consideramos como estruturas inimigas, todas as  facções e individualidades bem como qualquer infraestrutura conectada que sirvam para cometer terrorismo de estado contra anarquistas e pessoas que pensem. O estado continua a torturar, a quebrar, destruir, organizar processos e meter os combatentes da liberdade na cadeia. Portanto, atacamos aqueles que controlam, prendem e nos matam numa base diária.

Os nossos inimigos: começando pela polícia, juízes, acusadores do ministério público e guardas prisionais, terminando nos cidadãos que em consciência formam e apoiam essa sociedade podre. Em suma, toda a figura chave no sistema, todo o seu servo, são um alvo para nós, guerrilheirxs anarquistas.

Ao contrário deles, somos anarquistas e, portanto, não queremos pertencer a nenhum estado e seguir as suas leis. Não somos obrigados e não queremos obedecer às leis, porque qualquer lei é apoiada pela inevitabilidade da punição pela violação do direito de vingança apropriado pelo Estado. Nos nossos relacionamentos com outras pessoas não somos guiados por leis escritas por funcionários. A nossa lei é nossa ética!

Cada segmento-alvo requer considerações e explicações separadas pela sua má conduta. Dado que à noite o fogo foi iniciado no centro de treino do Ministério da Administração Interna, devemos prestar atenção a essa gangue organizada.

Na Ucrânia, após o Maidan em 2014, o novo governo começou a chamada reforma do Ministério da Administração Interna. A sua principal tarefa era transformar a polícia na “polícia nacional”, reabilitando a imagem das estruturas de poder e restaurando a confiança das pessoas nelas. Eles estão a tentar convencer as pessoas de que a nova polícia não é aquela polícia odiosa que apareceu na era soviética. Este truque é tão antigo quanto o próprio mundo. Apesar de todas as reformas, eles continuam a ser a bófia de sempre!b Há mais de cem anos que o território da moderna Ucrânia pertencia ao Império Russo, mesmo assim a polícia estava a proteger o Estado e as pessoas ricas, tal como faz hoje. Então todos os revolucionários travaram guerra contra isso até à revolução de Fevereiro de 1917, após o que o departamento de polícia foi abolido.

Agora, a ideia do Ministério da Administração Interna – criado pelas autoridades e responsável perante eles, está totalmente estruturado e visa a realização de funções repressivas e punitivas, proteger os cidadãos poderosos e rico da nossa presença nas ruas. Portanto, nenhum governo antigo ou novo e nenhum estado – ucraniano, russo, bielorrusso, grego, etc, com a sua polícia e ministérios – nunca poderão ganhar a nossa confiança. Sabemos perfeitamente todas as suas intenções e, portanto, enquanto o aparato repressivo permanecer, vamos continuar a nossa luta!

Uma patrulha policial comum, operativos ou um grupo de propósito especial estão em estado de prontidão e, ao sinal das autoridades superiores, vão deter qualquer um, e, em seguida, aplicar medidas de contenção e punição para ele. Tudo de acordo com as instruções e leis que protegem o estado e o capital. Antes de entrarmos na cadeia e sermos entregues aos guardas da prisão, o nosso irmão ou irmã terá que lidar com representantes do Ministério da Administração Interna. Então, o Ministério do Interior – e o que estiver conectado com isso – é visto por nós como um instrumento para quebrar o espírito e a vontade de qualquer anarquista insurgente que se mova energicamente em frente.

Do ponto de vista da perspectiva revolucionária, pode-se até dizer com segurança que a existência de uma instituição profissional como o Ministério do Interior prejudica não só nós xs anarquistas mas também o resto da sociedade, desestabilizando e enfraquecendo as suas oportunidades de autodefesa – deixando assim as pessoas sem direito à autodefesa, fazendo com que se sintam desamparadas. A população, sendo incapaz de resolver problemas de forma independente, transfere esses poderes para o sistema e o Ministério da Administração Interna, por sua vez, como qualquer outra instituição do estado, confia e conta com o medo, com a incapacidade das pessoas para realizar o seu potencial interno, sem restrições externas.

Assim, de noite, a 19 de Setembro de 2018, o centro de treino dos funcionários do Ministério do Interior tornou-se o objeto do nosso ataque. É aqui, no centro de treino, que eles são treinados para nos deter com sucesso, atirar sonre nós, praticar confiscações e assaltos aos nossos apartamentos de armas na mão, armas que as pessoas comuns não podem possuir.

O centro de treino está localizado a 500 m da Rua Boryspilskaya, na floresta, no distrito Darnytskyi da cidade de Kiev. No centro existem pistolas e galerias de tiro automáticas, uma pista de obstáculos, um  campo de ténis, um campo de vólei, um campo para mini-futebol, salas de treino bem como uma estrutura onde grupos de captura são praticados. Foi em tal estrutura que lançámos um “galo vermelho”!
Estivemos mais de quatro meses a cuidando desse objeto. Há pouco tempo, no edifício acima mencionado, reparos de caros foram realizados e equipamentos elétricos foram adquiridos.

Para o incêndio a provocar, precisávamos de 17 litros de mistura incendiária, 10 pneus de carros e coisas antigas encontradas na rua. Fizemos 2 áreas de fogo em lugares diferentes. Também na parede deixamos uma mensagem: Destrua o Ministério da Administração Interna. O guarda e dois cães não suspeitaram de nada…

Embora o nosso ataque seja simbólico, ainda assim aponta para o inimigo e a direção na qual a resistência deve se desenvolver.

Nossas calorosas saudações e solidariedade vão para xs anarquistas na Rússia e nas prisões bielorrussas e campos de prisioneiros: Ilya Romanov, Oleksandr Kolchenko, Sergey Romanov, Yevgeny Karakashev, Ilya Shakursky, Vasily Kuksov, Dmitry Pchelintsev, Victor Filinkov, Andrei Chernov, Arman Sagynbaev, Mikhail Kulkov, Maxim Ivankin , July Boyarshinov e outrxs.

Este fogo é para si. Não nos importa se é culpado ou não, se está ou não envolvido/a no que é acusado/a. O fato é que na luta contra o Estado somos todxs culpadxs. Portanto, saibam que se xs “inocentes” uma vez mereceram a nossa solidariedade, então xs “culpadxs” merecerão mil vezes…

Também queremos enviar palavras de solidariedade aos/ás anarquistas que operam no Chile, Grécia, Itália e a todxs xs outrxs companheirxs que lutam tanto fora quanto dentro das prisões! Saiba que as suas ações e lutas são importantes para nós!

Viva a Anarquia!
Destrua o Ministério da Administração Interna! Destrua o estado!

Célula anarquista Ilya Romanov / FAI –FRI

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Sydney: Solidariedade com anarquistas em Yogyakarta

Liberdade para xs prisioneirxs da guerra de classes em Yogyakarta

No contexto da semana anual de solidariedade com os prisioneiros anarquistas, alguns anarquistas em Sydney visitaram o consulado indonésio em Maroubra na quinta-feira, 23 de Agosto.

Uma faixa foi amarrada à cerca em torno do consulado, onde se podia ler: “Bebaskan tahanan perang kelas di Yogya” (Liberdade para xs prisioneirxs da guerra de classes em Yogyakarta). Dezenas de folhetos também foram distribuídos e espalhados junto à embaixada.

Anarquistas em Yogyakarta enfrentaram uma onda de repressão após a manifestação do 1º de Maio de 2018, onde se viram barricadas em chamas nas ruas, um posto policial incendiado e um apelo para que o sultão local fosse morto.

Dezenas de anarquistas e compas da guerra de classes foram presxs após a manifestação e alguns deles ainda estão presos enfrentando um processo.

Desejamos solidariedade e força a todxs xs prisioneirxs anarquistas e revolucionárixs na Indonésia e no mundo.

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Alemanha: Dois anarquistas, expulsos da Floresta de Hambach, encontram-se presos

fonte Cruz Negra Anarquista de Rhineland

Durante duas semanas a RWE – com a ajuda de um grande destacamento policial de todo o país, tem expulsado a ocupação da Floresta de Hambach, perto da cidade de Colónia. Desde domingo 16/09, mais duas pessoas encontram-se presas. Isso significa que todxs xs cinco ativistas detidxs se encontram agora presxs em prisão preventiva.

A polícia prendeu os dois anarquistas no sábado. Eles não são oficialmente conhecidos pela polícia. Foram supostamente trancados juntos numa casa na árvore, na ocupação “The North”. O delegado do ministério público e o juiz acusam ambos de “um forte caso de resistência aos agentes de execução (Vollstreckungsbeamte)”, §113 Abs. 2 StGB.

O ativista preso Winter tornou-se uma sensação da internet – através de um discurso em movimento logo após a sua prisão, compartilhado nas mídias sociais. “Eles provavelmente estão a pensar que ganharam, mas não nos podem vencer porque precisam da floresta tanto quanto nós. Eles também não podem vencer a luta, porque são muitas as pessoas que estão por trás de nós. E simplesmente não entendem, que nós não lutamos apenas por nós mas por todos nós ”, disse Winter durante a detenção.

Aterrar na cadeia sob custódia no contexto dessas alegações, só se tornou possível através da mudança de lei do “Código Penal (StGB)” a partir do final de maio de 2017, onde a sentença mínima para “Resistência contra agentes de execução” foi aumentada para 6 meses. Além disso, há a decisão do Tribunal Superior Regional de Estugarda, no contexto dos “Protestos dos 21 de Estugarda”, em que o bloqueio “em antecipação ao destacamento policial” foi avaliado como equivalente a “resistência violenta”. Ambos são “afiamentos” da lei, particularmente dirigidoa a ativistas de esquerda.

Durante três dias xs acusadxs ​​não tiveram a possibilidade de entrar em contato com o seu advogado – tal como se encontrarem frente ao juiz e magistrado. Jazzy disse que, ao longo desses dias, exigiu claramente ver o seu advogado e manteve seu direito à defesa legal. No seu discurso, Winter falou sobre não se identificar: “Eles nunca entenderão como é viver entre pessoas para as quais não importa qual é o seu nome“.

A Cruz Negra Anarquista, no seu papel de apoio a prisioneirxs, dá o conselho: “Nenhuma pessoa deve ajudar no seu próprio processo legal. Nesta questão, apontamos para o §136 StPO, que dá o direito elementar de não dar a identidade, mesmo que isso seja frequentemente usado de maneira errada ou esquecido em julgamentos. Estamos a pedir a todas as pessoas próximas das pessoas presas, que aceitem e apoiem ​​o desejo de Winter ”.

Mais informações sobre xs prisioneirxs de Hambacher Forst em: abcrhineland.blackblogs.org

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[Floresta de Hambach] Repousa em paz Steffen

Na quarta-feira à tarde, por volta das 15h45, o jornalista ecologista, blogueiro e ativista Steffen Horst Meyn, morreu na aldeia das casas nas árvores Beechtown, na Floresta de Hambach. Caíu enquanto tentava documentar uma ação de despejo em andamento pelas Forças Especiais da Polícia (SEK), numa ponte suspensa de cerca de 20 m de altura. Equipas de resgate no local tentaram ressuscitá-lo. No entanto, morreu um pouco mais tarde ainda na floresta, num helicóptero de resgate.
Fotos tiradas por Steffen pouco antes do acidente

De acordo com as nossas informações, não há conexão direta com o auge da ação policial local, no momento do acidente. Mas sabemos em primeira mão que o único motivo que levou o falecido a subir às árvores foi ter sido constantemente impedido de fazer o seu trabalho no chão pela polícia.

Na Floresta de Hambach, estou agora a 25 m de Beechtown para documentar o trabalho de evacuação. Não há fita de barreira aqui.” Steffen Horst Meyn

Repousa em paz, Steffen!

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[Floresta de Hambach] Um amigo caíu de uma árvore e morreu durante uma tentativa da polícia de desalojo da “aldeia de cabanas em árvores”

19.09.2018

Hoje , um amigo – que nos acompanhou como jornalista durante muito tempo na floresta – caíu em Beechtown de uma ponte suspensa a mais de 20 metros de altura e morreu. Nesse momento a polícia e a RWE tentaram desalojar a aldeia de cabanas nas árvores. O SEK estava no processo de deter um ativista,  perto da ponte suspensa. O nosso amigo aparentemente encontrava-se ali no caminho quando caíu.

Estamos profundamente emocionadxs. Todos xs nossxs pensamentos e desejos estão com ele.  A nossa compaixão vai para todxs xs familiares, amigxs e pessoas que se sentem consternadas. Instamos a polícia e a RWE a abandonar o bosque imediatamente e a deter-se esta operação perigosa.  Não poderão voltar a estar mais vidas em perigo.

O que se necessita agora é de um momento de descanso. Inclusivé isto é difícil para vós neste momento assim como é difícil para nós dar uma pista real: Recomendamos assim – para proteger todxs xs ativistas – que não seja dada nenhuma declaração, nem sequer dar nenhum testemunho na polícia.  O acidente deve ser e será superado e reavaliado, mas a polícia não é o local para o fazer.  O seu  interesse é culpar xs ativistas.”

Atualização: A pessoa que faleceu era fotógrafo e amigo de longa data dos ocupantes e encontrava-se a fazer uma reportagem sobre o desalojo das casas das árvores. Caíu de costas, de uma altura de cerca de 20 metros, não tendo resistido aos ferimentos. A invasão policial terminou por agora.

Mais informação: https://hambachforest.org

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[Londres] Chamada para uma manifestação unitária contra a extrema-direita (13 Out)


Grande mobilização de militantes antifascistas em Londres. 13 de Outubro.

Uma coligação de grupos, incluindo os Antifascistas de Londres, convocou uma manifestação contra a extrema-direita da Aliança Rapazes Futebol Democrático (DFLA). A extrema direita já provou a si própria ser uma ameaça ressurgente, mobilizando 20.000 numa forte manifestação no centro de Londres, em Junho deste ano, atacando sindicalistas, negros e outras minorias étnicas e também livrarias de esquerda. Deixados sem controle certamente que repetirão esses ataques ultrajantes.

Os antifascistas começaram a unir-se de modo a combaterem essa nova ameaça. Em Julho, um bloco militante de cerca de 500 antifascistas concentrou-se para se opor a uma manifestação #FreeTommy. Procure maneiras de se envolver na construção de um movimento antifascista em massa nas próximas semanas.

Se estiver em Londres, fixe a data e participe na manifestação. Se estiver fora de Londres, considere organizar transporte para xs amigxs e companheirxs. Conheça o ponto de encontro a ser anunciado.

Contato: LDNANTIFASCISTS@RISEUP.NET
Defende Londres da violência fascista!

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[USA] Fire Ant: Solidariedade Prisioneiro/a Anarquista #1

Fire Ant é uma nova publicação focada em espalhar as palavras de prisioneirxs anarquistas e gerar solidariedade material para xs nossxs amigxs presxs. Iniciada como colaboração entre prisioneirxs anarquistas e anarquistas no Maine, a Fire Ant procura estruturar ajuda material para prisioneirxs anarquistas enquanto promove a comunicação entre anarquistas de ambos os lados dos muros.

A Edição # 1 contém escritos de Michael Kimble, Jennifer Gann, Eric King e Sean Swain, bem como um texto em solidariedade com Marius Mason.

Se quiser apoiar a Fire Ant e os esforços mais amplos em solidariedade com xs prisioneirxs anarquistas, era favor imprimir e distribuir esta publicação ou doar para o Fundo de Guerra dxs Prisioneirxs Anarquistas da Cruz Negra de Bloomington.

O coletivo da Fire Ant pode ser contatado por carta para:
Fire Ant
PO Box 164
Harmony, ME 04942
EUA

Edição #1 (inglês)

PDF para imprimir l PDF para leitura

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[Madrid] Ataques a ATM no âmbito da Semana Internacional em Solidariedade com xs Presxs Anarquistas

Durante a Semana Internacional em Solidariedade com xs Prexs Anarquistas foram sabotados mais de uma dezena de ATM em diversos bairros de Madrid. As ferramentas para este tipo de sabotagem são simples e fáceis de encontrar: martelos e sprays.

Entendemos a solidariedade como a continuidade da luta que conduziu xs nossxs companheirxs às prisões do Estado. A solidariedade anarquista é muito mais do que uma mera palavra escrita ou de que uma atividade de assistência a presxs. Esta solidariedade materializa-se no ataque às estruturas do capitalismo e do Estado e procura aprofundar-se no conflito, através da ação direta.
Abaixo os muros das prisões. Viva a anarquia.

Pelxs companheirxs atingidxs pela Operação Scripta Manent!

Pelxs companheirxs represaliadxs após a Cimeira do G20 em Hamburgo!

Pelos anarquistas indonésios processadxs após o 1º de Maio!

Pela Lisa e todxs xs anarquistas presxs!

Anarquistas

[Brasil] 4ª edição do Solidariedade a Flor de Pele (Pelotas/RS) de 12 a 14 outubro de 2018

Chamado para a 4ª edição do Solidariedade a Flor de Pele – Santiago Maldonado Presente!

RECORDATÓRIO

Nos somamos à iniciativa – em coordenação com a convenção anárquica de tatuagens e piercings “Arte y Sabotaje” na Argentina, e “Tinta Negra” no Uruguai – de homenagear a vida em combate do companheiro e tatuador Santiago Maldonado “Lechuga”, que foi assassinado pelo estado argentino em 1 de agosto de 2017, enquanto lutava junto aos Mapuches na comunidade Pu Lof, no sul do território controlado pelo estado argentino.

Escolhemos o dia 12 de outubro para o início das atividades. Há 526 anos, os primeiros barcos coloniais chegavam no continente e, com eles, uma nova ordem social, que veio a se impor sobre as pessoas que viviam nesses territórios. Foi o começo dos genocídios, da devastação da terra e da expansão do capitalismo, mas também, de muitas lutas, batalhas, de resistências e ofensivas contra a colonização, que seguem vivas até hoje em cada canto da América Latina. Um exemplo, é a luta anti-capitalista e anti-estatal que os Mapuches seguem encarando.

Em julho do ano passado, a comunidade Mapuche Pu Lof estava recuperando terras que são reconhecidas pelo estado Argentino como propriedades do empresário Benetton. Para desalojar os Mapuches, no 1 de agosto, o estado argentino mandou suas tropas repressivas e foi neste contexto que Santiago Maldonado “desapareceu”. Durante mais de 6 meses, o estado argentino escondeu seu assassinato até que seu corpo fosse supostamente “encontrado” no rio Chubut em 17 de outubro. Santiago morreu como viveu, como um anarquista, solidário, lutando pela terra, contra a propriedade e contra o capital!

As três primeiras edições do Solidariedade a Flor de Pele proporcionaram momentos de encontros, trokas de materiais e debates fokados na luta anti carcerária. Então, foram espaços importantes tanto para a difusão da situação de companheirxs anarquistas presxs e/ou perseguidxs, quanto para a difusão da kontra-kultura anarko-punk, vendo as tatuagens e piercings como ferramentas que nos possibilitam juntar fundos para apoiar axs compas encarceradxs. Seguimos agora com este mesmo impulso.

Os ventos repressivos contra a Anarquia chegaram também por aqui. Em outubro de 2017, através da operação “Erebo”, que teve na mira a biblioteca anárquica Kaos, várixs companheirxs foram perseguidxs e okupações e kasas particulares foram invadidas. No Rio de Janeiro, a partir da operação Firewall, 21 pessoas acabam de ser condenados a penas de prisão que vão de 5 a 13 anos em regime fechado, pelos protestos de rua de 2013 e 2014.

No meio deste contexto, no qual nos querem amedrontadxs, a solidariedade se torna urgente e imprescindível! Não podemos deixar que o medo nos paralise! Convidamos a todxs xs anarquistas em luta e a todxs xs interessadxs a participarem da quarta edição do Solidariedade a Flor da Pele que acontecerá em Pelotas (RS) nos dias 12, 13 e 14 de outubro!

Em breve, publicaremos a programação no nosso blog: aflordepele.noblogs.org. Qualquer contribuição, aporte ou sugestão é benvinda e podem ser enviada no email novo: aflordepele4 [arroba]riseup.net

Fogo a todas as prisões!
Que viva a Anarquia!

Às pessoas que precisariam de alojamento, lhes pedimos que nos avisem quanto antes pelo email para organizar o espaço!
aflordapele.noblogs.org/

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[Haia, Holanda] Faixas em solidariedade com prisioneirxs anarquistas

Liberdade para todxs xs anarquistas presxs.
Por uma sociedade sem prisões nem Estado (A)

Fogo a todas as prisões (A)

Hoje [30 de Agosto] no último dia da 6ª Semana Anual de solidariedade com xs prisioneirxs anarquistas, foram penduradas três faixas alusivas em Haia, na Holanda.

Esta última semana internacional em solidariedade com xs prisioneirxs anarquistas, acontece pela sexta vez. Com a crescente repressão contra anarquistas na Europa e mais além, é importante continuar a mostrar solidariedade com prisioneirxs anarquistas. Não só durante esta semana, mas sempre.

Solidariedade com todxs xs prisioneirxs. Demolição das prisões.
Pela Anarquia!

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Buenos Aires, Argentina: “Arte e Sabotagem” Jornada de apoio a presxs – 25/08

Arte e Sabotagem – 1ª edição – Jornada de apoio a presxs

Edição especial – pelo nosso irmão Santiago Maldonado, companheiro Lechuga presente!

25/08 – sábado – a partir das 14h

“Kaasa La Gomera” – Barracas,
(cruzamento das ruas Quinquela Martin e Hornos)
Buenos Aires

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[Itália] Furor Manet

FUROR MANET
Setembro 2016, a Operação Scripta Manent, dirigida pelo procurador do Ministério Público de Turin Sparagna, leva à detenção de 8, entre companheiros e companheiras.

A principal acusação é a constituição de uma associação subversiva com fins terroristas. Junto com isso, a imputação inclui vários outros ataques, todos assinados pela FAI (Federação Anarquista Informal) e FAI / FRI (Federação Anarquista Informal / Frente Revolucionária Internacional). Até hoje, cinco companheiros e uma companheira permanecem na prisão, outra em prisão domiciliária, enquanto no bunker de Turim o julgamento segue a bom ritmo. Dezenas de polícias de múltiplas cidades vão alternando no cenário do tribunal, na presunção de reconstruir a história do movimento anarquista contemporâneo. O começo está sinalizado, como já vimos inúmeras vezes, na época do julgamento de Marini, durante os anos 90. Desde então, o aprofundamento obsessivo e incessante das nossas vidas leva os espiões profissionais a enumerar e distorcer até os detalhes mais ínfimos, até os mais insignificantes ou íntimos do dia a dia, das nossas vidas e relacionamentos. Uma representação patética, mecânica e determinista que nos deixa indiferentes.

É nas diferenças individuais e nos confrontos ásperos e por vezes carregados de tensões contrastantes que reside a história do movimento anarquista – a história de cada um ou uma de nós, com limites e contradições. A esta história pertencem as práticas revolucionárias, algumas das quais estão no banco dos réus em Turim.

Em tempos como este, mais do que nunca, apoiar métodos revolucionários significa lutar contra a repressão do Estado, cujo objetivo é sepultar os/as nossos/as companheiros/as debaixo de anos de prisão e aniquilar a história do movimento anarquista.

Nem um passo atrás, pela Anarquia.
Cassa antirep. Alpi Occidentali

[convite] Feira Anarquista do Livro de Lisboa, nos dias 26, 27 e 28 de outubro

Dado que as mudanças climáticas nos trouxeram o verão mais frio dos últimos trinta anos, dada a nossa constante e orgânica exigência de nos incendiarmos de paixão e de nos aquecermos com a rebeldia das nossas lutas diárias, vamos acender a nossa chama neste outono! E assim regressa a Feira Anarquista do Livro de Lisboa, nos dias 26, 27 e 28 de outubro, e novamente nos belos bosques da Penha de França. Se quiseres participar com a tua editora/distribuidora/espaço de informação ou simplesmente vir espalhar umas palavras de subversão impressas em papel, escreve-nos para feiranarquistadolivro@riseup.net
Até já!

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Montevideu, Uruguai: Convite para a 7ª Feira do Livro Anarquista

7ª Feira do Livro Anarquista em Montevideu. Proximamente, em Setembro. Centro Social “Cordon Norte”, J. Requena 1758 FERIAANARQUISTAMVD.WORDPRESS.COM

A partir de Montevideu-Uruguai, convidamos todxs xs interessadxs a participarem na Sétima Feira do Livro Anarquista.

A máquina do capitalismo continua a sua colonização em cada esfera das nossas vidas, mercantilizando as relações e arrasando o eco-sistema. A civilização mantém-se enquadrada na sua rotina de produção e consumo – enquanto o desenvolvimento vai tornando os dispositivos de vigilância e repressão cada vez mais sofisticados – mantendo-se a mira sobre todxs xs que quebrem os códigos impostos e alterem a normalidade.

Vive-se tempos de sobre-informação, onde os meios de comunicação são cada vez mais eficientes na tarefa de formar verdades absolutas, construídas mediante relatos que propiciam o medo e a submissão dos que fazem o jogo ao domínio estatal. Aumenta a cegueira montada pelo show mediático do espectáculo, gerando um foco de atenção manipulado e aparado ao gosto dos poderosos. Isto assegura ainda mais dependência e adoração a instituições punitivas e repressivas, bem como se favorecem os antigos mecanismos do tipo militar e a “mão dura”, que são outro sintoma de decomposição social.

O planeta encontra-se na etapa do colapso ambiental, fruto dos métodos produtivos capitalistas que avassalam o meio envolvente, provocando nele uma sistemática decadência cuja consequência é o assassinato e empobrecimento da vida.

Enquanto a democracia oferece uma política tranquilizadora baseada no diálogo e na mediação, os governos da direita ou da esquerda oferecem diferentes formas de administrar a mesma miséria, deixando à rédea solta as macro-empresas exploradoras e as multinacionais. As soluções reformistas emanam de todo o lado e por toda a parte como comprimidos adormecedores, dando lugar ao rearranjo dum sistema que perpetua a sua hegemonia e trata de conseguir uma cobertura mais benevolente e aceitável.

Enquanto anarquistas e anti-autoritárixs, a nossa posição deve manter-se firme e sustentada. Se se deseja que sejamos protagonistas – gestantes da mudança debemos combsocial, encaminhando-nos para um mundo de solidariedade recíproca – onde cada individualidade conviva com o resto em total liberdade, deve-se então combater o monstro capitalista em todas as suas facetas e variantes. O confronto é inevitável  – sempre que mantenhamos intacta a convicção de transformação – mas devemos pensar estrategicamente. Traçar um imaginário prático revolucionário no presente é um desafio necessário e vital – visto que assumir a responsabilidade perante um mundo que se desarma aos bocados requer um compromisso incorruptível, onde não funcionam as meias tintas. Por isso convocamos à sétima feira do livro anarquista, para levar a cabo instâncias de reflexão e diálogo que alimentem a nossa capacidade de incidência no presente – já que agora é quando temos mais de nos exercitar para desenvolver uma força criadora que abra caminho a outra forma de vida.

Temos que repensar as formas dinâmicas de nos defendermos dos poderosos e dos seus fantoches, dos responsáveis da devastação. Já é hora de se ampliar e propagar a prática transformadora como potência de uma vida em liberdade – contraposta aos interesses dos políticos e empresários que procuram a nossa aprovação conformista.  A passividade instalada tem de ser substituída por uma atitude vivaz e rebelde, que contagie ao desejo de mudança, que infunda ânimo à reafirmação sobre as bases da auto-organização horizontal, enquanto modelo generalizado. Ainda temos muito que pensar e projetar nesta direção, porque baixar a guarda e a resignação não é nenhuma opção para xs amantes da liberdade.

em espanhol

Porto Alegre, Brasil: Por Santiago Maldonado, nossas ações e corações!

recebido a 07.08.18

Por Santiago Maldonado, nossas ações e corações!
Quem morre lutando vive em cada companheirx!

Santiago Maldonado, companheiro anarquista, foi desaparecido em 1 de agosto de 2017. Se encontrava na comunidade Mapuche Pu Lof, em Chubut, no sul da Argentina quando tropas repressivas foram mandadas até a comunidade para desalojar os Mapuche que tinham retomado seu território ancestral, “propriedade” do empresário Luciano Benetton. O Estado argentino escondeu Santiago durante mais de 6 meses até que seu corpo foi “achado” no rio Chubut em outubro.

Seu assassinato não foi um “acidente” nem um “abuso policial”! Seu assassinato foi ordenado pelo Estado Argentino que defendia à empresa Benetton e isso é o claro exemplo do corporativismo estatal-empresarial no qual nossas vidas sempre valerão muito menos que seus benefícios. Mas, os poderosos erraram e xs anarquistas de todas as terras se revoltaram indignados e insurretos!

A um ano da sua morte em combate, não pedimos “justiça”, nem “reparação” pelo seu assassinato. Se assim fosse, estaríamos validando o trabalho dos seus carrascos. Somos anarquistas e não demandamos nada. Não há justiça possível que venha dos nossos inimigos, dos mesmos que nos matam. Estaremos satisfeitos quando a dominação e o poder se derrubem e suas ruinas afoguem os que os perpetuam… e isso, está nas nossas mãos, não nas de terceiros…

Por Santiago, pela terra e pela liberdade, façamos da sua memória um chamado eterno a lutar!

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[Prisões chilenas] Comunicado do compa Juan Aliste Vega a partir do Hospital Prisional

Através dos trâmites desenvolvidos e da insistência com que têm vindo a ser feitos há já 4 meses, dentro e fora dos limites físicos da prisão, conseguiu-se por fim a minha transferência do Prisão de Alta Segurança para o Hospital Prisional, a 19 de Julho, de modo a que me pudessem fazer um electrocardiograma e vários exames com rigor.

No dia seguinte, 20 de Julho, de manhã, fui novamente transferido até ao INCA, Instituto de Neurocirurgia, no meio de um considerável operativo prisional/policial, para que por fim me fosse feita uma angiografia – exame esse com que se pretende obter uma imagem mais detalhada da área cerebral onde mantenho a malformação cerebral produzida pelas agressões sofridas anteriormente. Vale a pena assinalar que este exame é uma peça chave e imprescindível para a extração cirúrgica iminente a que devo submeter-me. No final o exame realizou-se sem problema algum, através de um correcto e digno trato por parte da equipa médica em questão.

Uma vez concluído aquele procedimento, fui transferido de ambulância até ao hospital prisional, donde me terão de dar alta para voltar ao CAS nas próximas horas. Os procedimentos médicos só pretendem aclarar e dar conta da minha situação atual. São vários os passos que lhes deveriam dar continuidade, tanto ou mais complexos que estes, até que se realize a operação cerebral qualificada como urgente desde Março – apesar de todos os entraves e obstáculos que envolvem ser um refém do Estado, estar sob a custódia da mais férrea polícia do território – possuidores de uma lógica de vingança e  crueldade, além de submergidos no repulsivo tecido burocrático.

Estas palavras, longe de qualquer sentimento de vítima ou de lástima, encontram-se caregadas de vitalidade revolucionária, insurreta e subversiva. É no contexto do constante exercício da solidariedade revolucionária, levada a cabo há já alguns anos pelxs prisioneirxs subversivxs, que se torna imprescindível comunicar os recentes passos dados nesta nova batalha. Não foi a primeira e sem dúvida não será a última vez que como reféns do Estado a devamos enfrentar.

Pretendia aproveitar esta comunicação para abraçar as diversas iniciativas que foram erguidas em Santiago, Concepción, Valdivia, Temuco e noutros territórios tal como aqueles gestos internacionalistas que sabem cruzar fronteiras na Argentina, Uruguai, Brasil e Espanha…Gestos e atividades – a partir das quais se pratica uma solidariedade que constrói e reforça as nossas redes subversivas – o mais vital dos oxigénios, para percorrer caminhos até à libertação total a partir do confinamento.

Aqui continuamos firmes, sem vacilar, orgulhosos de poder contar com esta formosa cumplicidade rebelde que percorre territórios, expande-se, multiplica-se e permite enfrentar tudo o que apareça.

Enquanto existir miséria…Haverá rebelião!

Juan Aliste Vega
Prisioneiro Subversivo
Hospital Prisional

Julho 2018.

espanhol

[Dalgum lugar] “A paz é a desmemória e esquecimento – À memória de Mauricio Morales Duarte” pelo compa Gustavo Rodríguez


A paz é a desmemória e esquecimento
– À memória de Mauricio Morales Duarte

“O culto dos mortos nada mais é do que desprezo à verdadeira dor. […] Esta última também deve desaparecer, as pessoas devem reagir com firmeza perante a fatalidade da morte. Devemos lutar contra o sofrimento em vez de o exibir, de o passear em procissões grotescas e falsas comemorações […] Há que deitar abaixo as pirâmides, as sepulturas, as tumbas; Há que passar o arado pelos muros do cemitério para livrar a humanidade do que chamamos respeito pelos mortos, do que é o culto aos cadáveres”.
Albert Libertad

Este é o terceiro texto que escrevo em sua memória, ao longo destes nove anos de ausência; no entanto, a dor não desaparece. Não foi capaz de desaparecer apesar do tempo decorrido, tal como eu não fui capaz de dissipar a dor pelo desaparecimento físico do meu querido Urubu, do meu estimado Rafa (Daniel Barret), do meu irmão Canek e de tantos outros que partiram mas que vivem na nossa memória negra. E não é que queira mostrar a dor nem a recriar em comemorações de luto: os anarquistas não rendemos culto aos cadáveres. Simplesmente encontro-me incapaz de o superar. E eu não pude – nem quero – superar esse sentimento porque sempre o transformei em fúria. Não pretendo fazer o menor esforço para os esquecer porque a memória, companheirxs, é a nossa mais potente arma.

Nem todos os que nomeei morreram em combate mas tampouco nada há a enaltecer no facto de se cair em combate. Nós não temos mártires. Não acreditamos no sacrifício e na imolação. Isso deixamos para os cristãos, muçulmanos, nacionalistas, bolcheviques. A nós, a única coisa que nos motiva é a liberdade sem restrições e a paixão pela vida, por isso lutamos pela Libertação Total. É por isso que a nossa guerra é contra a domesticação e a dominação. Contra todo o Poder, contra toda a Autoridade, contra todo o existente.

A partir do momento em que nos assumimos como anarquistas sem culpabilidade alguma, implicitamente assumimos a ilegalidade na nossa ação, aceitando as consequências da guerra anárquica. Sabemos, de antemão, o que se nos depara: a repressão sob todas as suas facetas, deportação, prisão, morte. Esses são os riscos consequentes com a nossa praxis, riscos que todxs os que elegeram a luta contra toda a Autoridade assumiram. Mas não por um mundo melhor nem por uma luminosa sociedade futura, nem em nome de uma classe ou causa, nem sequer esperançados na concretização da cada vez mais inacessível Revolução Social; também não é por um preço a pagar, antes sim por um peso a tirar. Faz-lo pelo prazer que produz dar rédea solta a todas as paixões, pelo gozo de viver intensamente, confrontando dia a dia a morte em vida que o sistema de dominação nos impõe, pela satisfação de se ser anarquista até às últimas consequências, pelo deleite de dar impulso aos empenhos de destruição do levante anárquico.

Na noite de 22 de Maio de 2009 o nosso querido Mauri não decidiu se imolar em nome de nenhuma causa, nem concluiu que tinha chegado a hora para se sacrificar por um amanhã melhor. Naquela noite fatídica, Mauri acomodou na sua mochila a bomba artesanal – com a qual daria um novo golpe no poder. Seria um novo ataque – não o primeiro nem o último – desta vez contra a Escola de Gendarmeria de Santiago e faria isso com alegria, com aquele espírito lúdico que o caracterizou, assumindo os perigos da guerra anárquica tal como todos nós fazemos a partir do conflito diário. Mas quem ama a vida aborrece o seu opressor, detesta com furor a quem causa a morte e confronta-o em todas as latitudes.

Naquele 22 de Maio, Mauri saiu para iluminar a noite de Santiago, procurando dar vida à Anarquia, com a paixão que guiava seus passos, propagando a energia negativa da fúria anárquica, senhor absoluto de sua vida em plena liberdade. Naquela noite, a morte de nós o arrebatou, deixando as Fúrias presas nos nossos corações. Levou-o sem pedir permissão, tal como havia roubado vinte e dois dias antes a companheira Zoé Aveilla, enquanto esta instalava uma bomba ao alvorecer do dia 1º de Maio, tal como nos poderia ter arrebatado a cada um de nós, sem por isso desistir de jogar o jogo uma vez mais.

Hoje, as Fúrias continuam a nos incitar para não parar de lutar até que a raiva seja libertada, criando uma potência no eu que é ao mesmo tempo o seu próprio significado. Como na mitologia grega, as Fúrias nos exortam a combater e a não esquecer os caídos. Heráclito nos lembra que “Mesmo que o próprio Sol tentasse abandonar o seu curso, as Fúrias encontrá-lo-iam “. É por isso que o arqué da anarquia – ontem, hoje, amanhã e sempre – é a guerra contra toda a Autoridade.

Nos nossos dias, a melhor homenagem ou comemoração a Mauri é recarregar centenas de milhares de extintores, realizar incontáveis expropriações, facilitar múltiplas fugas, confrontar com unhas e dentes esta morte em vida que nos impõem. A paz é a desmemória  e o esquecimento: demos ânimo à criatividade destruidora, ampliemos a guerra anárquica a todos os confins da Terra, procuremos dar vida â Anarquia.

Pela Internacional Negra!

Gustavo Rodríguez,
Planeta Terra, 20 de Maio 2018.

em espanhol

Santiago, Chile: 1º Comunicado público da “Rede Anti-Prisional Solidária com Juan e Marcelo”

A “R.A.S” foi apresentada no decorrer da atividade “Rap Solidário” a 14/07/2018.

O que é a prisão?

Prisão é uma estrutura material através da qual se pretendem inibir os atos de qualquer pessoa que transgrida as condutas impostas pelo Estado. Assim, o castigo, a imposição e disciplina socialmente aceite constituem o regime em que xs cativxs têm que viver, procurando-se dessa forma anular as suas ações, ideias e convições. Estes atos podem constituir delitos e, tal como os que desafiam a ordem, serem de ordem política revolucionária é com estes que de novo tomamos posição – seja apoiando ou solidarizando-nos com aquelxs companheirxs que hoje se encontram presxs por terem levado para a frente ações subversivas em prole de uma ideia política de libertação. A entrega destxs companheirxs faz com que queiramos apoiá-lxs de forma real, concretamente porque são nossxs afins.

Nós, companheirxs autónomxs e anarquistas temos vindo a realizar iniciativas e projetos libertários, há já há algum tempo – partindo de diferentes espaços e contextos – procurando com isso gerar um corte com a ordem, as normas e tudo o que pretenda impor o Capital e o Estado. É sob este prisma que diversas pessoas convergiram, presentemente, para de forma coletiva levantarem a “Rede Anti-prisional Solidária com Juan e Marcelo”.

Quem são Juan e Marcelo?

Juan Aliste Vega e Marcelo Villarroel Sepúlveda são prisioneiros subversivos, bautónomos e libertários que atualmente se encontram na prisão de alta segurança de Santiago, Chile, a partir de Julho de 2010 (Juan) e desde Dezembro de 2009 (Marcelo).

É desde muito jovens que estes companheiros têm participado em casos de luta revolucionária – primeiro em plena ditadura militar e posteriormente a ela também – desenvolvendo práticas ofensivas contra o Capital e o Estado. Ataques que foram tanto a estruturas materiais como a sujeitos que formavam parte do aparelho estatal. A época exigia posicionamentos e determinação, assim o entenderam eles, procurando alcançar isso através do ingresso no Mapu-Lautaro, um dos diversos grupos político-militares que existiram nesse período.

O seu desafio à ordem estabelecida levou-os a serem presos em 1991 e 1992, respectivamente. A prisão foi uma circunstância – nem desejada nem procurada pela opção de vida que escolheram – tal como disse um deles numa antiga entrevista; durante mais de uma década tiveram de viver a enfrentar o confinamento, a repressão do carcereiro e as lógicas próprias daquela instituição lúgubre.

De novo em liberdade e, em anos seguintes, uma nova situação causa impacto na opinião pública, polícia, política estatal e Estado. 18 de Outubro de 2007. Um assalto bancário, em pleno centro da capital de Santiago, a entidade é um Banco Security. Os assaltantes conseguem o dinheiro, fogem em diferentes direções, dois deles dão de caras com dois motoristas da polícia, há troca de disparos e um é abatido, é o policía Luís Moyano. O ter defendido os interesses do Capital lhe custou um grande preço, a morte.

Assim se desenrolaram os factos e a caçada iria ser desencadeada: Juan, Marcelo, Carlos Gutiérrez Quiduleo* e Freddy Fuentevilla Saa** são expostos na televisão e sinalizados como os assaltantes e assassinos do polícia. Os companheiros decidem passar à clandestinidade, quebrando um deles um benefício intra-penitenciário ao qual tinha acedido em 2003***.

A 15 de Março de 2008, Marcelo e Freddy são detidos em San Martin de los Andes, território argentino. Acusados de posse ilegal de armas de guerra, foram condenados depois a 3 anos e 6 meses. Ao atingirem metade da sentença, em 16 de Dezembro de 2009, são expulsos para o Chile e levados para a prisão de alta segurança. Juan, por seu lado, é detido a 10 de Julho de 2010 no terminal de autocarros de Retiro, Buenos Aires, território argentino. E ele é imediatamente expulso para o nosso país e levado também para a prisão de alta segurança.

Em Santiago do Chile – após 4 anos de longa prisão preventiva em Julho de 2014 – realizou-se o julgamento que os condenou, respetivamente, a 42 anos (Juan), 14 anos (Marcelo), 15 anos (Freddy) de prisão. No decorrer do processo chamado “Caso Security” e /ou “Caso Moyano”.

Entretanto mais de uma década se passou desde aqueles acontecimentos no centro da capital de Santiago – tal como o que tudo o que tiveram eles de afrontar depois, assim como o assédio às suas famílias e círculos próximos. A clandestinidade, os espancamentos, as detenções, as difamações, a exposição à opinião pública, a prisão, as transferências para diversas unidades, as condenações. Todo um processo acompanhado também pela mão solidária de companheirxs anónimxs, grupos, coletivos, organizações políticas, através de apoio material e simbólico – onde se desenrolaram diversas atividades, apontamentos de imprensa, fóruns, palestras, espetáculos musicais, concentrações, agitação nas ruas por meio de propaganda, cartazes, publicações, difusão on-line  e, de maneira ilegal, uma ampla multiformidade de ações subversivas no Chile e diversos outros lugares do mundo.

O que é que iremos desenvolver, enquanto “Rede Solidária”?

Apoio e solidariedade (numa de suas múltiplas formas) é o que desejamos desenvolver e projectar – entendido de forma prática, que serão públicos e sistemáticos – o essencial para nós será agitar e difundir a situação dos companheiros mencionados, através de cartazes, propaganda e atividades, gestos concretos que visam “construir uma ponte” a partir da prisão, entre eles e aqueles que se encontram “fora dos muros”.

Este tipo de instâncias abertas – ocupando as ruas, espaços diversos, meios electrónicos, associando -nos com outros grupos e individualidades, etc – são importantes, pois permitem dar a conhecer a situação dos companheiros, as suas ideias e práticas políticas, que existem e resistem apesar de muitas adversidades. Outro fator importante é que permite que mais pessoas indaguem e se interessem por estas perspetivas anti-prisionais – uma luta mais entre tantas outras contra o Capital e o Estado. Pretendemos agitar e difundir para criar e juntar, para potenciar a teoria e a prática, porque quando existe na consciência uma ideia radical claramente algo tem de ser feito.

PERANTE A INDIFERENÇA MASSIVA: RESISTÊNCIA ANTI-PRISIONAL ATIVA!
LIBERDADE PARA JUAN, MARCELO E TODXS XS PRESXS DA GUERRA SOCIAL!
ENQUANTO EXISTA MISÉRIA HAVERÁ REBELIÃO!

Rede Anti-Prisional Solidária com Juan e Marcelo.
rsanticarcelaria@riseup.net
Julho de 2018
Santiago de Chile

Notas:
* Carlos Gutiérrez Quiduleo, Weychafe [Lutador em idioma Mapuche] Libertário. A história subversiva do companheiro remonta aos anos 80, quando fazia parte da guerrilha urbana do Movimento Juvenil Lautaro (MJL). Foi detido em Janeiro de 1995, acusado de Associação Terrorista Ilícita, sendo libertado sob fiança em Outubro de 1998.  A seguir foi preso em meados de 2003, acusado de assaltar um Banco Santander em Ñuñoa, Santiago. Foi libertado sob fiança em meados de 2005 sendo sentenciado à prisão em 2006, para essa causa, em 5 anos e 1 dia. Mais tarde é acusado de participar no assalto ao Banco Security em Santiago Centro. Foi preso em 28 de Novembro de 2013 em Angol, na região de La Araucanía pela equipa do PDI, após 6 anos de clandestinidade, sendo rapidamente transferido para a seção de segurança máxima dentro da prisão de alta segurança em Santiago. Conseguiu sair da prisão em 10/09/2015.

** Freddy Fuentevilla Saa (Subversivo Autónomo). A história subversiva do companheiro remonta aos anos 90, quando fazia parte da guerrilha urbana do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR).
Depois de ser sinalizado como participante no assalto ao Banco Security no centro de Santiago, passa à clandestinidade, é preso em território argentino, depois expulso para o Chile e condenado (fatos descritos no texto).  Conseguiu sair da prisão em 18/06/2018.

*** Marcelo Villarroel Sepúlveda (Libertário Subversivo). É o companheiro que quebra o benefício intra-penitenciário  ao qual acedeu em 28 de Dezembro de 2003. A sentença que caiu sobre ele é até 26 de Fevereiro de 2056.
Fazendo um breve resumo das sentenças podemos discriminá-las da seguinte forma: Associação Terrorista Ilícita, 10 anos e 1 dia pela sua participação na guerrilha urbana Mapu-Lautaro. Danos a veículos fiscais com ferimentos graves aos carabineiros, 3 anos e 541 dias, por ataques armados a viaturas policiais nas comunas de Cerro Navia e Conchalí. Co-autor de homicídio qualificado terrorista, 15 anos e 1 dia, para o confronto armado com a escolta do intendente Luis Pareto, onde morreram 3 detetives na comuna de Las Condes. Roubo com intimidação (lei 18.314), 10 anos e 1 dia, para expropriação de um banco do Estado e a um camião de frangos, que foram distribuídos numa cidade na comuna de Renca. Por último, um ataque explosivo contra a casa do embaixador espanhol, 8 anos e 1 dia, durante a comemoração dos 500 anos do massacre dos povos ancestrais neste território. Todas estas ações foram concretizadas em Santiago do Chile.

em espanhol

Edição especial do boletim “La Bomba” 25 [em português]

recebido a 31.07.18

{Edição Especial} Projeto Nemesis

Clica aqui para ler/imprimir (pdf)

Indonésia: Atualização solidária em relação ao julgamento de 4 prisioneiros anarquistas em Yogyakarta

Inicia-se o julgamento de 4 companheiros anarquistas em Yogyakarta, relativo ao caso do 1º de Maio

26.07.18: O julgamento começou para os 4 prisioneiros de guerra anarquistas que foram transferidos para a Prisão Cebongan pelo caso Yogyakarta M1 (1º de Maio).

Os quatro companheiros presos são:

– Azhar M. Hasan (Azhar)
– Zikra Wahyudi (Zikra)
– Muhammad Ibrahim (Boim)
– Muhammad Edo Asrianur (Edo)

A repressão do estado contra as ações anarquistas (no 1º de Maio) está a entrar numa nova fase – tal como o julgamento preliminar a audição começa. Os 4 presos de guerra anarquistas que participaram nas manifestações junto à Uin Yogyakarta (Universidade Islâmica do Estado de Sunan Kalijaga), enfrentam uma audiência preliminar de julgamento no Tribunal Distrital de Sleman a 26 de Julho.

A primeira audiência preliminar de julgamento consistiu na leitura da acusação contra os companheiros. O acusador declarou que este julgamento deve ocorrer separadamente do caso criminal e pediu uma divisão na audição.

O julgamento está a ocorrer por ordem sequencial. Azhar e Zikra têm o número de processo 306 / Pd.B / 2018 / PNSmn, enquanto o de Edo e Boim são o número de processo 305 / Pid.B / 2018 / PNSmn. Portanto, é um arquivo de caso dividido, no entanto, o julgamento ainda terá lugar na mesma sala do tribunal.

Foi convocada uma audiência dividida já que os acusados estão a enfrentar acusações diferentes de julgamentos em andamento.

Na acusação que foi lida há evidências apresentadas que são relativas à violência e destruição contra instalações públicas. Isso está de acordo com as evidências já reunidas pela polícia e pela acusação do Ministério Público.

Com base nas acusações criminais, os 4 prisioneiros de guerra anarquistas estão a ser ameaçados com o Artigo 170, parágrafo 1, que prevê pena máxima de 5 anos de prisão, ou com o artigo 406 do Código Penal, que prevê pena máxima de 2 anos de prisão. Também houve evidências anexas que alegam que os 4 companheiros cometeram ações criminosas durante  o 1º de Maio.  Os quatro prisioneiros de guerra não constituem excepção.

Mais Informações:

Website: palanghitam.noblogs.org
Email: civilrebellion@riseup.net

em inglês

Santiago do Chile: Sai o nº 26 do boletim “La Bomba”

Distintos contextos agitam o começo do ano no território chileno, destacando-se os ataques no território central e sul no âmbito da visita papal – cuja ênfase se encontra na polémica dos bastardos do clero e as denúncias de abusos destes – bem como a tão ansiada visita à “zona vermelha do conflito mapuche” por parte do Papa.

Mais de 10 mil milhões de pesos são disponibilizados para tornar a visita possível, a imprensa gere o seu respectivo espetáculo e os lacaixs preparam a festa. Assim, a zona centro e sul também reage à visita, recebendo o bastardo com múltiplos ataques contra igrejas, enquanto a polícia se encontra em alerta e a imprensa mostra as ameaças deixadas nos diversos atentados.

Contudo, os ataques contra instituições eclesiásticas de laias diferentes são uma constante, tanto na história recente como na distante. A título de exemplo, até Outubro de 2017 foram 27 as igrejas incendiadas na Araucanía, entre elas algumas católicas e evangélicas, e os ataques registados na última década – oriundos de uma práxis anti-autoritária / anárquica – foram múltiplos, tal como na história anarquista desde os inícios do século XX.

Existiram razões de sobra para isso. A implantação violenta do catolicismo na América Latina deixou os seus resíduos até à atualidade – dito doutro modo, a opinião da igreja ainda continua a ser respeitada nos estados laicos, espargindo o seu poder, sem interrogações, assimilando e transformando todos os resíduos culturais e sociais que existissem até à sua chegada, para aumentar o seu império. No caso da igreja evangélica, e no seu pranto eterno por ser relegada, encontramos a sua missão mais ambiciosa na intervenção dos espaços “excluídos” da sociedade lá nas cidades, semeando o arrependimento e a culpa tal como a homofobia e o “entorpecimento mental”. Sendo esta uma opinião superficial e breve, seria possível esgrimir milhares de outras razões.

Ao exposto anteriormente, junta-se o espaço da violência política e das ruas, que pode ser amplo, diversificado e se manifestar em múltiplas oportunidades. Diversos grupos e individualidades confluem sob diferentes circunstâncias, tal como o que aconteceu em reacções espontâneas ou vontades enraizadas, transbordando a passividade, tendo como factor comum a subversão factor comum a subversão nas ruas.

Durante este período, uma semana de agitação foi realizada em memória de um pequeno subversivo que tombou. Um espaço é dedicado a Javier Recabarren – desta vez para comemorar os três anos passados sobre a morte desse companheiro anarquista – cuja vida transcorreu entre a amplitude da insurreição nas ruas,fazendo eco dos seus pensamentos e convicções.

No contexto desta nova chamada à sua memória, resgatamos as diversas ações desenvolvidas e que deixaram reflectidas nesses lugares as ideias que motivaram e acompanharam a vida e luta do companheiro. Luta que além disso continua presente, continuando a expandir-se aqui e agora e seguramente para sempre, apesar das lamentáveis perdas de valiosxs companheirxs.

As ações que se agruparam nesta ocasião, tal como o ocorrido em edições anteriores, mostram como se concentram motivações e convocatórias heterogéneas numa mesma escala temporal, dando luzes da presença subversiva/insurrecional/anti-autoritária no território dominado pelo Estado chileno. Esperamos, também, que as expressões dos distintos grupos sejam de utilidade para estimular a discussão e retro-alimentação, impulsionando novas iniciativas.

Editorxs do Boletim “La Bomba”.
Março 2018, Chile.

Clica aqui para ler/descarregar a publicação.

em espanhol