Contato

Para contribuir com traduções, edições-correções e/ou materiais originais para publicação tais como atualizações a partir das ruas, reportagens de ações, comunicados de reivindicação, textos dxs companheirxs presxs ou perseguidxs, chamadas, brochuras, artigos de opinião, etc.: contrainfo(at)espiv.net

Chile: Companheiro Juan Flores condenado a 23 anos de prisão

A 15 de março de 2018 o sexto tribunal oral no penal voltou a decidir sobre a vida das pessoas. Imbuídos de uma suposta superioridade moral e com o código penal na mão realizaram os cálculos matemáticos para decidir o tempo em que xs indivíduxs deverão permanecer sequestradxs nas prisões.

Cerca do meio dia o tribunal entregou a condenação contra o companheiro Juan Flores pelos seguintes delitos:

Atentado contra o metro Los Dominicos (Ação realizada a 13 de Julho de 2014): Sob a lei de controlo de armas+6 delitos de lesões menos graves + dano – 8 anos de prisão.

Atentado contra o Subcentro (Ação realizada a 8 de setembro de 2014, onde se tinha alertado a polícia minutos antes da detonação): Sob a lei antiterrorista – 15 anos de prisão.

Em paralelo, o tribunal aceitou uma solicitação civil – executada por 3 lesionados durante o atentado – condenando-o a pagar 2.000.000 a cada um dos lesionados. Os juízes não decidiram cobrar-lhe as custas do extenso processo a nenhuma das duas partes.

Recordemos que no mesmo macro processo xs companheirxs Nataly e Enrique saíram absolvidxs.

Esta é a primeira condenação sob a lei antiterrorista por atentados explosivos, depois do início da reforma processual penal durante mais de duas décadas. A acusação após várias tentativas de conseguir uma condenação sob a lei antiterrorista – mediante ações judiciais durante os últimos 10 anos – pela primeira vez este dito delito é ratificado por um tribunal, legitimando aquele arsenal jurídico de emergência.

Abaixo a lei anti-terrorista e a lei de controlo de armas!

Abaixo o Estado policial!

fonte: publicacion refractario

Itália: Atualização sobre a situação dxs compas presxs na operação “Scripta Manent” (meados de Março)

Todxs xs companheirxs acusadxs que podem assistir às audiências expressaram o desejo de ter uma possível presença solidária no tribunal.
Marco assistiu a algumas das últimas audiências, mas ainda não sabe se assistirá às próximas, já que ultimamente tem assistido sózinho.
Anna obteve a permissão para assistir às audiências 7ª e 8ª, portanto, SOLICITAMOS  PRESENÇA SOLIDÁRIA NO TRIBUNAL para lhes darem um sinal de proximidade e apoio.

Tanto quanto sabemos, Danilo, Alfredo e Anna recebem e-mails regularmente. Eles encontram-se bem e com grande espírito. Valentina está em prisão domiciliária, com todas as restrições, pode ver apenas alguns parentes.

O companheiro Marco Bisesti disse-nos que estará presente em todas as audiências do julgamento.

As audiências são levadas a cabo da seguinte maneira:

MARÇO: dias 1-7-8-15-22-28
ABRIL: dias 12-18-19
MAIO: dias 2-3-9-10-17-23-24-30-31
JUNHO: dias 6-7-14-15-20-21
JULHO: dias 4-5-11-12-18-19-25-26

Em breve estará disponível a direção do correio electrónico – para solicitar informação adicional sobre o caso.

fonte publicacion refractario

Ferrara, Itália: Reivindicação de sabotagem de duas lojas Benetton

Somos inimigxs do poder e da dominação. Queremos o fim de todas as formas de exploração. Aspiramos à destruição absoluta da autoridade e do sistema capitalista. Os símbolos e as conseqüências do capitalismo e da exploração estão por todo o lado. Portanto, não precisamos mais do que tomar uma posição clara, escolhendo permanecer ao lado dxs oprimidos e atacando o sistema e seus cúmplices: ação direta pela autodeterminação e pela libertação total! Não importa quão pequena a ação seja quando comparada com os gigantes monstros que estamos a combater: são fatos e não promessas em época de eleições, são a prova do fato da luta não ter acabado ainda.

Na segunda-feira, 29 de janeiro, numa posição anarquista, antiespecista, anti-autoritária e anti-capitalista, sabotámos duas lojas da Benetton localizadas em Ferrara, bloqueando as fechaduras com cola.

Em solidariedade com o povo mapuche que, na Patagônia, há décadas que resiste à opressão da multinacional unida de cores que, desde 1991, retirou (criando vários problemas ambientais e sociais) quase um milhão de hectares de terra ao povo mapuche que viveu séculos naqueles lugares em harmonia com a Pachamama (Mãe Terra).

Pelos animais escravizados e explorados para produzir lã (para criar roupas) e carne (o negócio do Grupo Benetton não se limita apenas ao setor de vestuário).

Pelxs trabalhadorxs, crianças e adultxs, exploradxs nas fábricas e chantageadxs através do sistema de abastecimento.

Em memória das vítimas do colapso do Rana Plaza, em Bangladesh; e de Santiago Maldonado, Rafael Nahuel e todxs xs ativistas que perderam a vida por causa da brutal repressão implementada pelos Estados da Argentina e do Chile.

E também para não esquecer a participação da Benetton no transporte de material bélico britânico no Iraque  e a hipocrisia das campanhas publicitárias escondidas por trás do falso compromisso social feito por Oliviero Toscani, na tentativa de mostrar uma imagem limpa da multinacional.

“O poder é constantemente camuflado e o grande desafio é reconhecer as suas cores”

PELA LIBERTAÇÃO DE HUMANXS, ANIMAIS E TERRA

Célula anarquista – Sebastián Oversluij Seguel

fonte:croce nera anarchica

Setúbal, Portugal: Programa do 2º aniversário d` À Da Maxada

em inglês

Belgrado: Ações de solidariedade em suporte da luta pela liberdade e autonomia em Afrin

Recentemente realizaram-se várias ações de solidariedade em Belgrado, em apoio da luta pela liberdade e autonomia em Afrin, parte da Federação Democrática do Norte da Síria (Rojava).

Cartazes e escritos nas paredes apareceram em vários pontos focais da cidade, como o centro cultural turco, para denunciar o lucro não falado que a indústria de armas balcânica está a ter com o recente conflito em Rojava e a submissão política do governo de Vučić. e outros políticos na região dos Balcãs ao AKP ( partido no poder, na Turquia). Além disso, na segunda-feira passada uma faixa foi colocada num edifício na Trg Republike (a praça principal de Belgrado) onde se podia ler: “Parem a invasão em Afrin! Vamos defender a auto-organização contra os estados e o capital!!”

Essas ações destinam-se a apoiar a resistência do povo de Rojava, a defender a sua revolução social que representa uma ameaça ao fascismo expansionista do AKP.
A cumplicidade silenciosa da UE e da ONU na invasão também é mencionada, pois é bem conhecido como várias potências se beneficiam, não apenas financeiramente mas também politicamente, do ataque a Afrin.

Em Belgrado,  como de resto por todo o mundo, a solidariedade revela o lado sujo de uma guerra imperialista perpetuada por esta coligação de forças contra o povo de Afrin e toda a região. Esses atos de dissidência antecipam o dia oficial de ação internacional por Afrin, convocado pelos compas de Rojava para o dia 24 de março.

em inglês l servo-croata-bosniano

Berlim, Alemanha: Intersquat Block em dias de caos e discussão, 10.5-13.5.2018

Convidamos-vos a participar num Bloco InterOkupa nos dias de Caos e Discussão, em Maio, em Berlim. Queremos-vos oferecer o espaço para partilharmos as tácticas e técnicas, conversas e informação em dias de Caos e Discussão na Rigaerstrasse.

Não esperamos que este seja um substituto das reuniões Intersquat do passado, a não ser que queiram que seja. Consideramos que esta é uma boa oportunidade para relacionar as discussões gerais sobre o sentido e o futuro das lutas urbanas com questões que surgem ao considerar a ocupação como mais do que uma ferramenta para satisfazer necessidades básicas de habitação.
Desejamos uma discussão sobre a importância da ocupação para outras lutas libertadoras, as casas como ferramentas políticas, questões sobre o trabalho nos (e com) os bairros, entre outros aspectos.

Despejos, Repressão, Vigilância, Prisões, os vermes que usam e sustentam as estruturas opressivas estão por todo o lado. Juntemos-nos para nos apoiarmos mutuamente e disparar a bola não só para o campo deles, mas atravessando o seu coração.

Quem tiver interesse, individual ou colectivamente, em organizar oficinas, coisas para discutir, informação sobre eventos, ou qualquer outra ideia para o Intersquat Block ou para o fim-de-semana inteiro, escreva-nos para: rigaerstrasse [at] riseup [dot] net (PGP-Key-ID0x3971B260E4B15B69).

Podem encontrar mais informação sobre o fim-de-semana em:
gegenstadt.blackblogs.org.
Algumas informações são actualizadas primeiro em alemão e a seguir  traduzidas.

Para tratar de sítio para dormir, podes escrever para:
sleepingchaos [at] riseup [dot] net (PGP-Key-ID 0xA9DE538A73306A20)

Assembleia da Rigaerstraße

Sintam-se à vontade para enviar esta mensagem para grupos, pessoas e okupas que conheçam! E enviem-nos a vossa PGP-Key, se tiverem uma.

em inglês, francês, espanhol,

Porto, Portugal: Convite para o Encontro Anarquista do Livro – 4 a 6 de Maio

Colónia Anarquista L´Experience – Bélgica (1906)

Compas,

Nos dias 4, 5 e 6 de Maio decorrerá no Porto o Encontro Anarquista do Livro, um momento de intercâmbio de material, experiências e comunicação.

Para além da importância de estreitecermos laços e criarmos redes de cumplicidade entre nós, este encontro pretende ser um espaço de difusão da nossa presença e das nossas ideias.

Para tudo isto, lançamos o convite para que partilhem connosco esses dias com as vossas editoras e distribuidoras e também com as vossas ideias para outras coisas que achem por bem organizar.

A confirmação de presenças de bancas, as propostas de actividades e as necessidades de alojamento devem ser enviadas até ao dia 25 de março para o email: encontroanarquistadolivro@riseup.net

Saúde e Anarquia!

em alemão l inglês l espanhol l italiano

[Video] Liberdade para xs presxs anarquistas na Rússia!

Vídeo relativo à atividade anarquista recente na Rússia contra o espetáculo eleitoral de 18 de março e em solidariedade com anarquistas e antifascistas que se encontram presxs.

Sydney, Austrália: Solidariedade com anarquistas presxs

Liberdade para xs anarquistas russxs

Antifascista

Em resposta ao apelo de solidariedade vindo dxs companheirxs na Rússia, no dia 18 de Março, dia das eleições russas,  um grupo de anarquistas em Sydney concentrou-se junto ao consulado da Rússia. Distribuímos panfletos sobre a situação dos anarquistas e antifascistas presxs na Rússia  e entoaram-se palavras de ordem contra a polícia, prisões e regime de Putin.

em inglês

 

Portugal: Salvé Javier Recabarren, anarquista!

[memória negra e insurreta] Salvé Javier Recabarren, anarquista!

Percorria as ruas de Santiago do Chile com a convicção plena do que sentia, contra a polícia terrorista, contra uma sociedade que maltrata e tortura os animais e os seres humanos. A sua profunda revolta contra as grades das gaiolas e das prisões vinha directamente do seu coração. Selvagem e livre, percorreu como um cometa brilhante de amor e rebeldia a sua tão curta vida de anarquista. O companheiro Javier Recabarren morre atropelado por uma máquina assassina na mesma rua onde tantas vezes lutou (18 de Março de 2015). Indomável, corria-lhe nas veias essa sabedoria acrata, num jovem corpo de 11 anos de idade!

Salvé Javier! Honra à tua memória.
Vives em nós, vivemos contigo ao nosso lado. Com a memória negra e insurreta de todxs que se perfilam e nos animam, como tu Javier Recabarren!

Venceremos!!! (A)

em espanhol l francês l inglês

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Lisboa, Portugal: Crónica da concentração realizada junto à embaixada de Espanha a 13 de Março de 2018


recebido a 15.03.18

[Concentração contra a Repressão no Estado Espanhol realizada a 13 de Março de 2018, Lisboa]

No dia 13 de Março concentraram-se junto à Embaixada de Espanha, em Lisboa, cerca de 3 dezenas de pessoas em protesto contra a repressão que se tem feito sentir no Estado Espanhol e em solidariedade com todas as pessoas presas e perseguidas por exercerem o seu direito à liberdade de expressão. A faixa afixada de frente para a Embaixada ostentava a frase “Contra a vossa repressão, contra a vossa democracia, somos ingovernáveis”. Um megafone fez soar música combativa e palavras de ordem anti-autoritárias, e distribuíram-se flyers informativos com o texto que se segue:

Contra a repressão, solidariedade e insurreição!

Nas últimas semanas o Estado Espanhol voltou a evidenciar o seu carácter fundamentalmente repressor e fascista, tendo diversos músicos sido condenados a penas de prisão e multas, por insultos à monarquia e exaltação do terrorismo, outras pessoas acusadas e sentenciadas porfrases escritas em algumas redes sociais e a censura de uma exposição sobre presxs políticxs na maior feira de arte de Madrid.

Desde a aprovação da Ley Mordaza em 2013, o Estado Espanhol tem vivido um estado de excepção não-declarado, onde a mera expressão de opinião crítica ao regime tem como consequência graves penas, tendo assim o intuito de estender um clima de medo numa sociedade onde os movimentos sociais e a organização de base têm experimentado uma forte adesão nos últimos anos. Foi até criada uma rede por parte da Polícia Nacional Espanhola chamada “Stop Radicalismos”, renovada recentemente, que incentiva a denúncia aleatória de qualquer pessoa por motivos ideológicos ao melhor estilo de um regime totalitário.

Desde a instauração da  democracia este estado de excepção era já uma situação quotidiana em regiões como o País Basco onde, devido ao contexto de conflito histórico, a transição democrática nunca escondeu a continuação de um projeto de Estado centralizado, imperialista e fortemente repressivo.

Esta tendência de aumento e normalização da repressão não é exclusiva ao Estado Espanhol, sendo que em França o estado de emergência justificado pelos atentados de 2015 tornou-se permanente com a nova lei antiterrorista do governo de Macron.

A perseguição que habitualmente era aplicada a grupos minoritários de dissidência política, tais como anarquistas, independentistas, ou qualquer outro tipo de militante ou ativista social, generaliza-se como algo quotidiano que afeta todos e todas e aqueles e aquelas que se atrevem a tornar público um pensamento que põe em causa as bases do sistema capitalista, denuncia as suas estruturas opressivas e se arrisca a propôr novas formas de organização social.

Estas situações demonstram que esta democracia (que enche a boca a tantos defensores da liberdade de expressão) e ditadura são as duas face de uma mesma moeda, que se alternam de maneira a perpetuar um sistema de domínio, o capitalismo, cujo único objectivo é a reprodução de si mesmo.

Contra toda a vossa polícia, os vossos juízes, os vossos media, seremos sempre ingovernáveis!

Chile: Semana de Agitação pela memória de Javier Recabarren (11-18 Março)

A rotina apela à conservação de hábitos nefastos – cujo papel é a manutenção de uma vida fugaz – onde o fluxo constante de tarefas implica o esquecimento que enraíza  a vida actual.

A conservação da memória de todxs aquelxs que viveram resistindo ao esquecimento – lutando ao seu modo, de mão dada com as suas convicções e a atitude de incendiar a perspicácia que abre as portas do questionamento e à energia de ir a contra-corrente – é e será sempre parte do caminho de quem valoriza os passos dxs companheirxs que não estando já ao nosso lado continuam a acompanhar as nossas ideias e ações.

Desta forma e com base nas ideias anteriores, voltamos a convidar todxs a juntarem-se com  gestos concretos a uma nova semana de agitação em recordação do anarquista Javier Recabarren, passados que são 3 anos da sua morte.

Nota: Para saber mais sobre o companheiro, incentivamos a leitura de duas publicações (compilações) que realizamos no âmbito de duas chamadas antigas em sua memória: I e II.

em espanhol  l alemão

Porto, Portugal: Erva Rebelde número Dois

Erva Rebelde número Dois
Passados cem anos, grande parte dos mitos do comunismo da Rússia soviética foram derrubados e as suas atrocidades desvendadas. Mas reduzir o que aconteceu na Rússia, no início do século vinte, a uma data em particular, a alguns nomes conhecidos e algumas decisões políticas descarta o importante legado da experiência de um movimento popular, da natureza da sua organização e práticas, do impacto que teve nos meios anarquistas e do consecutivo debate que se iniciou entre plataformistas e sintetistas, entre método insurreccionalista e método sindicalista. Talvez possa parecer anacrónico ou nostálgico, quiçá até será! Mas pouco importa ao desafio que se fez o colectivo Gera, porque lhe permitiu remexer na História para falar do pequeno povo, das suas lutas e mortes, revisitar um importante movimento popular e fazer uma recolha histórica dando relevo às anarquistas e aos anarquistas da Rússia desde 1880.

Entendemos a revolução russa como uma mudança profunda que se construiu no seio da sociedade e que se desenvolveu a partir do final do século dezanove. Foi um movimento popular de descontentamento e sofrimento com aspirações à liberdade e dignidade que levou ao movimento insurreccional contra o poder do Czar em 1905 e à sublevação popular que antecipava alterações profundas nas estruturas sociais, políticas e económicas em Fevereiro de 1917.

Assim, este número da Erva Rebelde dedica-­se exclusivamente ao tema da revolução russa, não para trazer novamente os grandes nomes da História, mas para visitar os outros nomes destas histórias da História. Aquelas pessoas que se envolveram nas actividades anarquistas de 1903 a 1917, aquelas que morreram em 1905, as que foram fuziladas, assassinadas, deportadas, exiladas, as que voltaram com a miragem de uma possibilidade em 1917, as que morreram na Grande Guerra 1914-­1918 ou na guerra civil de 1917-­1921, todas as que pereceram ou sofreram por acreditar num ideal anarquista. Este número da Erva Rebelde apresenta textos de reflexão, traduções, notas de leituras, mas também uma separata composta apenas por mulheres que empreenderam um trabalho de investigação e escrita criativa sobre anarquistas russas, intitulada “O Manuscrito encontrado na Utopia”. Contém, além disso, um DVD com documentos (uma cronologia, uma bibliografia, um índice biográfico e outros textos), várias pastas de imagens (fotografias, gravuras, mapas, pinturas, retratos), vídeos e ficheiros de som.

Erva Rebelde número Dois em pdf  aqui

ervarebelde.noblogs.org

Colômbia: Saudações solidárias a Erin Coskun, presa anarquista (trans) na Turquia

Mensagem da CNA- a partir de dentro da prisão, recebida em espanhol a 02.03.18

Via Cruz Negra Anarquista de Bogotá

Saudação solidária a Erin Coskun, presa anarquista (trans) na Turquia

Olá querida, Diren:

Espero que estejas bem, pese as circunstâncias tão difíceis em que nos encontramos. Sou a Queen Violeta, Queer de Colômbia, e digo “nos encontramos”, porque eu também estou na prisão.

Enteirei-me do que se está a passar através de um amigo. A nossa luta talvez não seja para que nós triunfemos, mas para que vá abrir uma via para que as que venham depois tenham a possibilidade de disfrutá-la.

As mulheres trans têm a responsabilidade de fazer visível a nossa luta para se conseguir uma vida em condições mais justas e dignas. A nossa bandeira é a liberdade, de quem ninguém nos pode privar e ainda menos quando se trata de procurar a nossa felicidade.

Diren, acompanho-te à distância e envio-te toda a minha boa energia para que te sustentes na defesa e consecução dos teus objetivos, que se tornarão nos objetivos de outras que desejem continuar a nossa luta.

És admirável e um exemplo a seguir.

Mil abraços e beijos.

Tua companheira de luta:

Queen Violeta Queer, CNA- a partir de dentro da prisão

Nota de Contra Info: A prisioneira anarquista Diren Coskun, encontra-se em luta na Prisão Nº 2 de Tekirdağ, tipo F, na Turquia. Diren Coskun (mulher trans) começou uma greve de fome  a 25 de Janeiro. A Identidade de género é uma parte integral da existência humana. As reivindicações de Diren Coskun à administração prisional pelo direito à sua saúde também estão relacionadas com a proteção de sua integridade pessoal e respeito ao direito a personalidade própria.

em alemão

Setúbal, Portugal: Vamos todes para as ruas (8 de Março), para a semana há mais no Covil

Hoje, dia 8 de Março, o Covil não abre as portas de maneira a podermos estar presentes na rua para acabar com a dominação do patriarcado. Vamos todes para as ruas!

Na próxima Quinta-Feira voltamos a abrir as portas para mais um dia de subversão!

Balanço da repressão contra anarquistas na Rússia – 2017 e primeiros meses de 2018

A Cruz Negra Anarquista de Moscovo publicou um balanço da repressão contra anarquistas – exercida pelo estado russo durante 2017 e inícios de 2018. Nesse período, as autoridades continuaram a incriminar e a perseguir companheirxs na Federação Russa. Xs anarquistas são também alvo de repressão nas prisões. Segue-se um extracto da recentemente publicada lista da repressão na Rússia.

S. Petersburgo e Penza

Em Outubro de 2017, os Serviços Especiais Russos (FSB) fabricaram um caso criminal, de larga escala, contra anarquistas e antifascistas – os quais a FSB declara serem membxos de uma organização terrorista com o nome The Network. As autoridades russas alegam que xs acusadxs planearam e prepararam actos terroristas a conduzir durante as próximas eleições
presidenciais em Março de 2018 e durante a Taça do Mundo que terá lugar no Verão do mesmo ano.

Em Penza, Yegor Zorin, Ilya Shakursky, Vasily Kuksov, Dmitry Pchelintsev, Arman Sagynbaev e Andrei Chernov foram detidos. Em S.Petersburgo, a polícia prendeu Victor Filinkov e IgorShishkin. Ilya Kapustin é neste momento testemunha. As famílias dos detidos relatam que
estes foram torturados para deles obterem confissões. Todos os detidos neste caso estão numa situação difícil, sob a ameaça de repetição de tortura, e têm grande necessidade do teu apoio e da tua solidariedade.

Podes fazer um donativo para apoiar os custos legais aqui. Os detidos ficarão também felizes por receberem cartas de apoio. Aqui estão os seus endereços:

S. Petersburgo:
191123, St. Petersburg, Shpalernaya St., 25 PKU SIZO-3 of the Federal
Penitentiary Service of Russia
Shishkin Igor Dmitrievich
Filinkov Victor Sergeevich

Penza:
PKU SIZO-1, st. Karakozova, 30, Penza, Penza region, Russia, 440039
Shakursky Ilya Alexandrovich
Pchelintsev Dmitry Dmitrievich
Chernov Andrey Sergeevich
Sagynbaev Arman Dauletovich

Moscovo
Dois activistxs, Elena Gorban e Alexei Kobaidze, são acusadxs de dano criminal da sede do Partido Russia Unida de Putin. Elxs foram acusadxs, no fim de Janeiro de 2018, depois de activistas desconhecidxs terem partido a janela de uma das filiais do Partido Russia Unida em Moscovo e de terem ateado um fogo em protesto contra a próximas eleições presidenciais.

“Não importa quem seja presidente, a sua política é sempre a opressão e a exploração das pessoas simples que trabalham. Nós, enquanto anarquistas, oferecemos auto-governo e democracia directa em troca de presidentes e outras instituições estatais. Junta-te à nossa luta!” – – disseram as pessoas responsáveis pela acção na sua declaração.
A polícia invadiu os apartamentos em que Gorban e Kobaidze viviam, a 13 de Fevereiro. Depois dos interrogatórios, xs activistas foram libertadxs sob fiança, e estão agora fugitivxs.

Chelyabinsk: caso criminal por faixa anti- FSB
Em Chelyabinsk, cinco activists foram detidxs a 19 de Fevereiro de 2018 depois de uma acção perto da filial local do FSB. Pessoas desconhecidas penduraram uma faixa com a inscrição “FSB – o maior terrorista” e atiraram uma bomba de fumo por cima da cerca das instalações do FSB. A acção foi realizada em apoio dxs anarquistas presxs em Penza.

Activistas, que preferem que os seus nomes não sejam publicados, relatam que os agentes do FSB xs torturaram com uma arma de choques eléctricos, exigindo que admitissem que tinham pendurado a faixa. Elxs foram entretanto libertadxs sob fiança, mas na condição de não saírem do país nem mudarem de residência. Podes ajudá-lxs com os custos legais transferindo dinheiro para a conta da Cruz Negra Anarquista.

Crimeia:

Yevgeny Karakashev preso por “justificar o terrorismo”. Em Fevereiro de 2018, o FSB da Crimeia prendeu o anarquista Yevgeny Karakashev. Acusado de “incitamento ao ódio” e “justificação de
terrorismo” ou, por outras palavras, por postar um vídeo na página do meio de comunicação social Russo VKontakte. Karakashev está actualmente detido.
Eugene é activista há já algum tempo. Antes da sua detenção, participou num piquete perto do edifíco do FSB em Simferopol, na Crimeia, e em Novembro de 2016, acompanhado por pessoas
com afinidades políticas, planeou um piquete “contra a arbitrariedade da polícia na Crimeia” junto ao edifício do Ministério do Interior. Este piquete foi banido pelas autoridades locais.

Perseguição Administrativa de Anarquistas

Em Janeiro de 2017, no aniversário do assassinato político do advogado Stanislav Markelov e da jornalista Anastasia Baburova, organizaram-se eventos em memória delxs por todo o país e que a polícia tentou interromper. Anarquistas foram detidxs em Moscovo, S. Petersburgo, Murmansk e Sevastopol. A polícia realizou outras detenções este ano, durante as acções em homenagem de Markelov e Baburova.

A 23 de Fevereiro de 2017, dúzias de pessoas foram detidas no festival antimilitarismo esquerdista “Desertir Fest”, no sudoeste de Moscovo. O festival foi organizado em protesto contra o recrutamento militar. A polícia considerou esta causa radical e portanto indevida. Em 2018 o festival não aconteceu porque a polícia o impediu antecipadamente.

Em Irkutsk, em Abril de 2017, foram realizadas buscas com a participação de uma unidade do SOBR (Forças Especiais Russas) e do Centro de Combate Contra o Extremismo. Nove pessoas foram detidas. Foi aberto um caso criminal sob o Artigo 148 do Código Criminal (insulto à religião) contra um dos activistas – Dmitry Litvin –. Xs restantes foram interrogadxs como testemunhas neste caso – xs próprixs detidxs estavam certxs de que a principal razão é outra: xs anarquistas locais são xs mais activos participantes da vida política da cidade e intensificaram os protestos repetidamente.

Em Novembro de 2017, quando xs antifascistas russos tradicionalmente homenageiam Timur Kacharava, um músico e antifascista assassinado por neo-nazis, a polícia interrompeu as homenagens. Como resultado, uma pessoa foi presa.

Perseguição de activistas russxs no estrangeiro

Em Abril de 2017, o anarquista Alexei Polykhovich foi deportado da Bielorússia, após 12 dias de prisão por participar numa manifestação em Minsk, onde as pessoas protestaram contra novos impostos. Durante o Verão, na cidade bielorussa de Baranovichi, a polícia de intervenção interrompeu uma palestra de Alexei Sutugi. O tema da palestra era a resistência às autoridades a partir da prisão. Quase todxs xs presentes foram detidxs até à noite. A 12 de Outubro, um tribunal local decretou que os materiais confiscados na palestra eram extremistas.

Em Outubro de 2017, na cidade bielorussa de Grodno, a polícia de intervenção interrompeu uma palestra do filósofo Pyotr Ryabov. Pyotr Ryabov é um simpatizante da causa anarquista e professor de filosofia na Universidade de Pedagogia do Estado de Moscovo. É especialista na história do pensamento anarquista. Depois de uma palestra intitulada “Movimentos Informais na Bielorússia 1991-2010”, em Baranovichi, Ryabov foi sentenciado a 6 dias de prisão por “disseminação de materiais extremistas”.
Depois disso, o Departamento de Cidadania e Migração local decidiu deportar Ryabov e decidiu impedi-lo de entrar no país durante 10 anos.
Em Moscovo, organizaram-se uma série de piquetes contra a prisão de Pyotr Ryabov, em frente da embaixada da Bielorússia.
“O estado sobrestimou a minha contribuição para a propaganda revolucionária: muitas das minhas palestras geraram menos revolta do que a sua proibição. Creio que o problema é o termo «anarquismo». As autoridades lembram-se do facto dos anarquistas terem sido condenados pelo incêndio da embaixada russa em 2010, e do facto dos anarquistas, em muitos casos, organizarem protestos massivos contra a lei do parasitismo”, disse Ryabov numa entrevista depois da sua libertação.

Em 2017, anarquistas da Bielorússia foram a mais activa força de protesto contra o imposto do parasitismo que as autoridades bielorussas queriam introduzir para os desempregados.

Notícias das prisões

O anarquista da Crimeia Alexander Kolchenko celebrou o seu 28º aniversário na prisão onde está ainda detido – apesar da recente troca de prisioneiros entre a Ucrânia e a Rússia. No seu aniversário, anarquistas da Ucrânia, da República Checa e da Polónia organizaram acções de solidariedade em aeroportos.
Kolchenko foi sentenciado a 10 anos de prisão pelo caso dos chamados “terroristas da Crimeia” – participou em acções contra a entrada das tropas russas na península, em particular no incêndio da filial local do partido Rússia Unida e do gabinete da comunidade nacionalista Russa da Crimeia. Em Novembro, foi-lhe diagnosticado um “defice de peso”. Ao mesmo tempo, o FSIN negou-lhe a oportunidade de estudar in absentia numa universidade ucraniana.

Podes escrever uma carta a Alexander Kolchenko para o seguinte endereço:
456612, Chelyabinsk Region, Kopeysk, ul. Kemerovskaya, 20, IK-6,
detachment 4, Kolchenko Alexander Aleksandrovich.

Na Mondovia, o anarquista Ilya Romanov continua a cumprir a sua pena por terrorismo: uma condenação que lhe coube depois de se ter ferido com fogos de artifício em Outubro de 2013. Devido ao acidente, Romanov perdeu uma mão mas, ainda assim, foi condenado por terrorismo e sentenciado a 10 anos de prisão.

Em Abril, o ECHR considerou uma das queixas de Romanov e atribuíu-lhe uma compensação de 3,400 Euros pela detenção irracionalmente longa durante a investigação. Apesar disso, não é claro como Ilya Romanov poderá receber este dinheiro – todas as suas contas estão bloqueadas
pelo estado. Os familiares de Romanov, que tentaram transferir o dinheiro para Ilya através dos correios, foram detidos pela polícia. Em Maio, Romanov foi posto em isolamento durante quarto meses, e em Julho foi aberto um novo caso de terrorismo contra ele.

Ilya Romanov está detido em IK-22 Mordovia, no seguinte endereço:
431130, Mordovia, Zubovo-Poliansky district, st. Potma, n. Lepley.
Escreve-lhe uma carta, ele irá apreciá-la.

Finalmente livre
Em Maio de 2017, o anarquista Alexei Sutuga foi libertado da prisão. Em Setembro de 2014, Sutuga, conhecido pela alcunha Sócrates, foi condenado a três anos e um mês de prisão depois de alegadamente ter tomado parte numa rixa de café. O antifascista não admitiu culpa: ele afirma que tentou interromper a luta mas não agrediu ninguém. As vítimas neste caso eram neo-nazis russos.

Em Outubro de 2017, o antifascista de Tomsk, Yegor Alekseev, desapareceu antes de ser sentenciado por “apelos públicos a actividade extremista”, ou por ter postado um vídeo do YouTube no seu perfil de uma rede social.
Neste momento está seguro numa localização desconhecida. De acordo com Yegor, ele está decidido a esconder-se do sistema judicial russo, temendo ser condenado a prisão.

No início de Novembro de 2017, o historiador anarquista Dmitry Buchenkov evadiu-se da prisão domiciliária e está neste momento num país europeu incógnito. A sua fuga foi possível porque não tinha pulseira electrónica devido a escassez de recursos. De acordo com os investigadores, a 6 de Maio de 2012 Buchenkov terá alegadamente atacado um polícia. Ele foi acusado apesar de as provas claramente indicarem que no dia do alegado ataque ele não estava sequer presente: encontrava-se de visita à sua família, noutra cidade. Uma queixa sobre a sua prisão e perseguição politicamente motivada foi dirigida ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Esta lista foi preparada pelo coletivo da Cruz Negra Anarquista de Moscovo. Não é uma lista completa das perseguições a anarquistas pelo estado russo – a pedido de alguns/mas companheirxs, esta lista não menciona todas as desventuras dxs anarquistas da pós-União Soviética. Se quiseres ajudar, podes encontrar informação sobre como transferir dinheiro para as necessidades da Cruz Negra Anarquista Russa nesta página.

Fonte: avtonom.org/en/news

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Tessalónica, Grécia: Vídeo de mobilização para a manifestação antifascista pan-balcânica a 10 de Março de 2018

Rebuild Libertatia! [Reconstruir Libertatia!]
O video compila um graffiti solidário e faixas pela okupa Libertatia que foi queimada pelos fascistas no dia 21 de janeiro de 2018 – um projeto do Coletivo para o comunismo libertário em Tessalónica (membro da Organização Política Anarquista / Federação de Coletivos).

Inclui também propaganda antifascista recente, sendo espalhado para contrariar a histeria do nacionalismo em curso à volta da “questão macedónia”.

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Solidariedade com anarquistas na Rússia – Semana de Acção a partir de 11 de Março de 2018

Eleição Presidencial Russa, 2018

Chamada para semana de acção a  partir de 11 de Março de 2018

A próxima eleição de Putin acontecerá a 18 de Março. O rito de inauguração da re-eleição terá lugar em condições de terrorismo doméstico e ameaça de guerra nuclear. Os serviços de segurança russos deram início a uma vaga de repressão massiva contra todxs xs dissidentes do regime, exercendo uma pressão sem precedentes para cada dissidente, da oposição liberal a anarquistas.

Os serviços de segurança federal conduziram uma série de detenções e buscas às casas de anarquistas e antifascistas sob o seu escrutínio, no Outono de 2017. Seis anarquistas de Penza foram presxs e acusadxs de preparação de um golpe de estado. A única prova de tal “preparação” é o facto de todxs xs detidxs terem jogado airsoft. Durante vários meses, xs detidxs foram expostxs a tortura até se declararem culpadxs.

Dois/duas anarquistas foram detidxs em S. Petersburgo, em Janeiro de 2018. Foram sujeitxs a tortura, tal como xs companheirxs de Penza. A polícia forçou-xs a assumir uma confissão e a repeti-la perante os investigadores. Um dos anarquistas raptados, Victor Filinkov, foi levado para a floresta, onde foi sujeito a tortura. Ilya Kapustin foi também detido e torturado mas como não fez nenhuma confissão foi considerado “testemunha”.
Houve muitos assaltos policiais contra anarquistas e socialistas na Crimeia em Fevereiro e Março. O primeiro detido foi Eugenie Karkashev. A razão apresentada para a sua detenção foi uma conversa na rede social “Vkontakte”. Passado um mês, houve invasões policiais em massa contra outrxs anarquistas e comunistas desta península. A lista dxs detidxs na Crimeia inclui o anarquista Shestakovich e o comunista Markov, que foram presos durante 10 dias.

Depois disso, xs anarquistas Kobaidze e Gorban foram presxs e acusadxs de tumultos junto das instalações do partido no poder, “Russia Unida”. A polícia recusou admitir a presença do advogado da detida até ela se declarar como culpada, violando todas as regras da lei.

Três anarquistas, juntamente com familiares e amigos, foram raptadxs pelo FSS em Chelyabinsk. Foram também sujeitxs a tortura com choques eléctricos, com o objectivo de lhes extrair os testemunhos necessários e de os fazer admitir a sua participação numa acção que consistiu no hastear de uma faixa contra a repressão.

O presidente Putin deu pessoalmente a ordem para “lidar” com os discursos de protesto e com xs “organizadores de acções de rua não autorizados” num discurso oficial no Ministério da Administração Interna (MIA). As autoridades estão tão inseguras de si mesmas que recorrem ao
terror, a raptos e a tortura, vendo ameaças em qualquer protesto de rua. Ao mesmo tempo, os protestos e a maior publicidade possível destes acontecimentos podem realmente ajudar xs anarquistas presxs. Não houve muita informação sobre xs anarquistas de Penza e isso permitiu que o FSS xs tenha torturado por muito tempo. Imediatamente depois da campanha internacional de Fevereiro de 2018, o gabinete do procurador de S. Petersburgo foi forçado a confirmar o depoimento acerca da tortura de Victor Filinkov. Recorde-se que o silêncio e a inactividade de hoje nos condenam à prisão e a raptos amanhã.

Assim, na semana anterior à eleição de Putin, a 11 de Março, apelamos à atenção de todxs para as condições de terror em que estas eleições decorrem. Hoje, carrascos e terroristas querem ser novamente “eleitos”. E todxs nós conseguimos ver o que estas eleições são. Agora podemos chamar a atenção pública (russa e internacional), limitar o alcance do terror hoje e adiar o seu início amanhã. Só a pressão pública pode travar o terrorismo de estado. Apelamos à acção. “Noites solidárias”, agitação nas ruas, difusão de informação, performances ou manifs, tudo
o que esteja ao alcance do vosso poder e imaginação, tudo o que possa chamar a atenção para esta ilegalidade, nada será em vão.

O novo termo de Putin é um termo de prisão para cada russx.

Requisitos para ajuda dxs anarquistas reprimidxs e endereços para envio de cartas:naroborona.info

Chamada urgente para se continuar a campanha de solidariedade com xs anarquistas reprimidxs na Rússia- Ações realizadas de 5 a 12 de fevereiro

Mais detenções e prisões: Na Crimeia, os serviços especiais detiveram o anarquista e activista social Yevgeny Karakashev (02/02). Em Moscovo, a anarquista Elena Gorban foi presa (13/02). No mesmo dia, o anarquista Alexei Kobaidze foi detido e preso. Apelamos a toda a gente para continuar a campanha de solidariedade!

Liberdade para xs anarquistas na Rússia (EUA).

Rússia.

Toronto (Canadá). FSB é o terrorista real.

De 5-12 de fevereiro, teve lugar uma semana internacional de solidariedade com xs anarquistas da Rússia. A 21 acções contra a repressão juntaram-se 21 cidades russas e um grande número de companheirxs estrangeirxs, da Bielorússia aos Estados Unidos e ao Canadá.

Foram distribuídos materiais informativos, panfletos, grafittis e stencils foram distribuídos, e foram afixadas faixas com informação sobre a repressão contra anarquistas. Organizaram-se acções em Kaliningrad, Altai, Kursk, Novosibirsk, Samara, Kemerovo, Astrakhan, Volgograd, Rostov-on-Don, Izhevsk, Penza, S. Petersburgo, Moscovo, Nakhodka, Chelyabinsk e Vorkuta.

Em Yekaterinburg, Kandalaksha, Tomsk, Sochi, Moscow, S. Petersburgo e Saratov organizaram-se piquetes informativos sobre o terrorismo do FSB (Serviços Federais de Segurança) contra anarquistas.

Em Samara organizou-se uma noite de solidariedade. Xs visitantes foram informadxs acerca da repressão contra xs anarquistas e acerca das regras básicas da conspiração. Depois mostrou-se o filme “Sacco and Vanzetti”, cuja história demonstra bem a desumanidade e a inutilidade dos sistemas estatais e dos métodos usados, até hoje, para suprimir quaisquer protestos.

Em Moscovo houve uma marcha não autorizada de anarquistas contra a ilegalidade do FSB. Várias dúzias de pessoas bloquearam Myasnitskaya – uma das ruas centrais, adjacente a Lubyanka, onde o departamento principal do FSB está localizado. A marcha passou com a faixa “FSB é o principal terrorista”.

Houve também acções de solidariedade noutros países. Na Bielorússia, anarquistas distribuíram informação acerca da repressão exercida sobre anarquistas na Rússia.
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Em Lutsk, na Ucrânia, fez-se também grafittis em solidariedade com xs anarquistas russxs.

Acções de solidariedade aconteceram em Varsóvia, Gdansk (Polónia) e Praga (República Checa).

Em Praga fez-se um concerto em apoio dxs anarquistas russxs reprimidxs. No concerto distribuiu-se informação acerca da repressão na Rússia e angariou-se fundos para a Cruz Negra Anarquista, que oferece apoio a prisioneirxs políticxs. Outras acções de recolha de fundos aconteceram na Estónia, em concertos com as bandas Ognemöt, Adrestia e Prophets V, em Tallinn e Tartu.

Organizou-se, também, um evento para ser dada informação sobre a repressão na Rússia e recolha de fundos em Budapeste, na Hungria.

Em França fez-se um jantar de solidariedade, tendo os fundos recolhidos sido enviados directamente para apoiar xs anarquistas russxs.

Houve também muitos outros eventos solidários nos Estados Unidos. Em Minneapolis fez-se uma noite de solidariedade e. em Brooklin, uma projecção de filmes. Um sítio on-line antifascista de Portland espalhou informação e recolheu dinheiro para apoiar xs anarquistas reprimidxs. No Kansas, uma manifestação de rua em apoio dxs anarquistas teve lugar. Em Nova Iorque, organizou-se um piquete junto ao consulado russo. Também representantes do Movimento Revolucionário Abolicionista de Nova Iorque expressaram solidariedade.

Acções de solidariedade aconteceram em Toronto, no Canadá. Anarquistas organizaram um piquete na mais movimentada praça da cidade, informando quem passava acerca da repressão na Rússia.

Durante meses, xs detidxs foram torturadxs e espancadxs até que concordassem em se caluniar. Foram penduradxs de cabeça para baixo, espancadxs, torturadxs com choques eléctricos. Em janeiro de 2018, várixs anarquistas foram raptadxs em S. Petersburgo. Dois suspeitxs e uma testemunha foram presxs, todxs foram torturadxs. Com esse propósito, um dxs detidxs foi levadx para a floresta, perto da cidade. Outrx foi torturadx durante mais de um dia. Mas, oficialmente, o interrogatório durou um dia – das três da manhã às três da manhã do dia seguinte. Apesar de um dxs acusadxs e uma testemunha terem feito uma declaração acerca da tortura, esta não tida em consideração pelas autoridades estatais.

O FSB está a anunciar planos de mais prisões no caso fabricado de um grupo terrorista de duas dúzias de anarquistas em Moscovo, S. Petersburgo,Penza e Bielorússia.

Também na Crimeia, os serviços especiais detiveram o anarquista e activista social Yevgeny Karakashev. A razão para a sua detenção é a participação activa de Eugene na luta social dxs habitantes desta península. No dia da detenção, o autarca de Evpatoria encontrou-se com xs manifestantes contra a construção da ponte e fez uma insinuação acerca de possíveis prisões. A razão para a prisão foi a correspondência de Yevgeny num chat de grupo numa rede social.

Imediatamente após o fim da semana de acções de apoio aos/às anarquistas russxs, a repressão teve continuidade em Moscovo. A 13 de fevereiro, de manhã cedo, a anarquista Elena Gorban foi presa. Em violação de todas as normas, Elena não teve contacto com o advogado durante várias horas, até que concordasse em admitir-se como culpada no pogrom do gabinete do partido no governo russo, “Rússia Unida”. No mesmo dia, o anarquista Alexei Kobaidze foi detido e preso, sob a mesma acusação. A razão evocada para as prisões seria uma manifestação não autorizada em Moscovo contra o terrorismo do FSB. De manhã cedo – antes do surgimento de informação nos media e na internet acerca das detenções dos anarquistas – os canais pró-governo publicaram um vídeo de uma detenção e a mensagem de que xs anarquistas que participaram na manifestação tinham sido presxs em Moscovo. Os investigadores que questionaram Elena também lhe perguntaram sobre a manifestação apesar dxs detidxs terem sido acusadxs do pogrom da “Rússia Unida”, e não de participar na manifestação.

Depois da prisão, as acções de solidariedade continuaram na Rússia. Em Chelyabinsk, anarquistas hastearam uma faixa perto do edifício do FSB e atiraram uma bomba de fumo para o seu território. Nos subúrbios de Moscovo, organizou-se uma invasão de mobilização em solidariedade com xs anarquistas reprimidxs.

Apelamos a todxs para se continuar a campanha de solidariedade!

Mais fotos e vídeos: naroborona.info (em russo e inglês)

em alemão l inglês

Rússia: Apoie prisioneirxs anarquistas e antifascistas em S. Petersburgo e Penza!

Começou a angariação de fundos para os advogados a trabalhar nos casos dos assaltos policiais e das prisões de anarquistas e antifascistas em S. Petersburgo e Penza, na Rússia. Neste momento ( 31/01) estão presas duas pessoas em S. Petersburgo e cinco em Penza, e outras estão ligadas ao caso como testemunhas. É provável que os assaltos policiais e prisões continuem. Xs presxs são acusadxs com a parte 2 do artigo 205.4 do código criminal russo (participação em organização terrorista), por ordem do tribunal de Penza.

A 23 de Janeiro, a caminho do aeroporto de Pulkovo, os Serviços de Segurança Federal (FSB) detiveram Victor Filinkov. Para se conseguir o seu testemunho, foi espancado e torturado com choques eléctricos na floresta. Os sinais de tortura foram confirmados pelo advogado de Filinkov e pelos membros da Comissão Pública de Monitorização (ONK) que o visitaram no centro de detenção, antes do julgamento. Filinkov está preso há dois meses.

A 25 de Janeiro o FSB fez um assalto inesperado ao apartamento de Igor Shishkin. Depois do assalto, nem o seu advogado nem os membros da Comissão Pública de Monitorização conseguiram localizar Igor, durante mais de um dia. A 27 de Janeiro Igor foi presente a tribunal com sinais de tortura, e foi preso no Centro de Detenção Pré-julgamento por dois meses. Xs jornalistas foram impedidxs de assistir ao julgamento, tendo ainda dois/duas sido presxs.

Também as testemunhas foram torturadas. Ilya Kapustin foi espancado e torturado com choques eléctricos enquanto a polícia lhe exigia que testemunhasse que alguns/mas dxs seus/suas conhecidxs estariam a planear “algo perigoso”. Numerosas marcas das armas de choques eléctricos foram registadas pelos serviços de saúde.

Em Penza, as prisões começaram em Outubro de 2017. O FSB local prendeu seis jovens, cinco dxs quais estão neste momento em detenção pré-julgamento. Todxs xs presxs foram brutalmente torturadxs. Pode ler-se em detalhe acerca dos eventos de Penza neste artigo. A ajuda legal é necessária para xs prisioneirxs (cujo número pode aumentar) e testemunhas. Ainda é cedo para mencionar valores exactos, mas serão necessários pelo menos 200 mil rublos para o trabalho de advogadxs nos próximos meses.
Cruz Negra Anarquista S. Petersburgo

DETALHES PARA TRANSAÇÕES EM APOIO DXS PRESXS
PayPal: abc-msk@riseup.net ABC Moscow

Caso queiras apoiar um/a presx específicx, adiciona uma nota mencionando isso. Caso queiras contribuir para o caso de S. Petersburgo e Penza, escreve uma nota para “St. Petersburg and Penza”. Recomendamos o envio em euros ou dólares, já que as outras moedas são automaticamente convertidas de acordo com as taxas PayPal.

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Caso prefiras outra opção para a transferência de dinheiro, por favor contacta a Cruz Negra Anarquista de Moscovo:
abc-msk@riseup.net

Todo o material sobre o caso pode ser encontrado nesta secção:
Caso dos anti-fascistas de S. Petersburgo e Penza.

em inglês

Avis de Tempêtes [Aviso de Tempestades] – boletim anarquista para a guerra social nº2 acaba de sair

Para ler, imprimir e difundir este pequeno boletim (em formato A5, com 16 páginas), é possível encontrar cada novo número todos os dias 15 de cada mês, bem como os precedentes, no blog: avisdetempetes

“Aos olhos do poder, parece que sermos espiadxs o tempo todo pelas suas altas esferas ou que ser flashadxs por cidadãos-delatores não é suficiente: além das 10 000 câmaras de vigilância anunciadas até 2019 (operação «Vá, enche a câmara!»), os 110 000 tablets e smartphones NEO da polícia e da guarda implantados até 2020 arriscam acabar por obstruir completamente o nosso campo de visão.

A menos que possamos fazer algo para o remediar, já que quando o controlo neo-policial se torna tão simples como clicar no botão de uma máquina fotográfica ou das aplicações de um smartphone, com ligação directa a bancos de dados, é na interacção entre o real e o virtual que reside a principal fragilidade da sua arquitectura.”

original em pdf aqui

 

em francês

Bure, França: Ponto de situação a 27/02 – programa do fim-de-semana de 3/4 de março

NÃO AO DESERTO NUCLEAR

ESTADO NUCLEAR ESTADO POLICIAL

 *Ponto da situação a 27/02*

Desde 22 de fevereiro, após a expulsão largamente mediatizada do bosque Lejuc, várias pessoas continuaram a ocupar as árvores altas, a sulcar e a percorrer a floresta para vigiar oa polícia móvel, a observar se os trabalhos começavam, a abastecer-se e a apoiar as corujas empoleiradas nas alturas. Outrxs concentraram-se no monitoramento antirep de todxs xs que passaram pela verificação de identidade, sob custódia policial, e pelas duas pessoas actualmente em prisão preventiva. Outrxs asseguram o acolhimento das pessoas que chegam à Casa da Resistência ou nos diferentes locais em que habitamos, à volta. E, sobretudo, cuidam uns/mas dxs outrxs depois desta prova.

Entretanto, a autarquia não desmilitariza a zona e dá ordens alucinantes para interditar toda a circulação em redor do bosque Lejuc…
Segunda-feira, 26 de Fevereiro, vimos camiões e retro-escavadoras a trabalhar na floresta. Isso continuará provavelmente durante a semana. Tentaremos manter-vos ao corrente de todas as novidades através de actualizações regulares em vmc.camp. A situação é extremamente instável, por isso mantenham-se actualizadxs!

*Manutenção do intercomité do fim-de-semana*

No meio de tudo isto, as datas 3-4 de março mantêm-se como uma rocha no meio da torrente! Todos os dias nos organizamos para preparar o acolhimento das centenas de pessoas que chegarão no fim-de-semana. A logística das dormidas está em curso, tal como as cantinas colectivas. Há em tudo isto uma boa dose de imprevisto e de improvisação, e todas as energias da auto-gestão são e serão bem-vindas para nos permitir organizar este fim-de-semana e os dias seguintes, e fazer face à violência do Estado e das suas milícias, na sequência da expulsão e do assédio policial permanente…

No dia 22 de Fevereiro não houve apenas uma expulsão: houve também uma corrente de solidariedade incrível com mais de 70 concentrações em França e na Europa. 300 pessoas em Paris, 200 pessoas em manifestação selvagem em Nantes e Rennes, 20 pessoas a bloquear eléctricos durante meia hora em Estrasburgo, vitrinas do EDF estilhaçadas em Toulouse, panfletos nas praças em Lons-le-Saunier, fotografias de solidariedade em Gorleben e Leipzig na Alemanha, e em Skouries na Grécia, e tantos outros momentos… Novos comités de apoio criados em Viena, na Finisterra, em Metz, etc. O governo comunicou a expulsão de uma «quinzena» de ocupantes do bosque Lejuc mas são milhares as pessoas que saíram às ruas por todo o lado…
Isso eles não poderão nunca expulsar.

No fim-de-semana de 3 § 4 de Março gostaríamos que estes comités, existentes ou em vias de criação, e que todas as pessoas que queiram lutar com Bure, onde quer que estejam, possam, da maneira que quiserem e se o desejarem, manifestar-se e mostrar que lutam com Bure a partir de numerosos lugares, tornando tangível esta corrente de solidariedade…

Sugere-se aqui pistas que são para entender apenas como convites: por exemplo, preparar faixas criativas simbolizando as cidades dos comités e das lutas que organizam (ou as faixas utilizadas nas concentrações de 22 de Fevereiro), ou quaisquer outros objectos e símbolos para o efeito, etc. Ou ainda trazer combinações brancas, pinturas, belas máscaras personalizadas de corujas, etc. Apelamos também às pessoas que vierem para, tanto quanto possível, trazerem tendas, roupa quente, botas, lanternas de cabeça, alimentos, etc, para serem o mais autónomxs possível…
Tentaremos ter alojamento para todxs mas é melhor que toda a gente assegure o máximo para o caso de sermos demasiados…
Há também uma primeira lista logística das necessidades materiais urgentes que será finalizada em breve.

*Nota sobre a gravação de imagens e som nos dias 3-4 de Março*

Ao vir para aqui, é preciso ter em conta que acabámos de viver um episódio repressivo muito forte, em que a polícia procura identificar as corujas para melhor as engaiolar. Pedimos por isso a vossa compreensão quando exigimos que não se grave imagens nem mesmo som. Caso essa seja mesmo a vossa actividade, contactar a equipa auto-media quando chegarem para a ela se juntarem. A nossa tolerância será nula, por necessidade, a qualquer imagem ou a qualquer registo realizado fora do contexto da auto-media. Caso tenham bons aparelhos que queiram deixar à disposição, isso poderá interessar-nos.

*Programa geral do fim-de-semana*

O desenrolar do fim-de-semana ainda está em vias de ser discutido.Tínhamos dito antes da expulsão que queríamos ocupar tempo suficiente dos encontros e das discussões para reforçar a luta em França e na Europa, e contamos ter esse tempo entre todas as outras coisas.

Neste momento, os primeiros elementos do programa:

Sexta-feira 2, à noite: acolhimento permanente na cozinha da Casa da resistência em Bure (BZL) para ajudar na repartição das dormidas, na inclusão das tarefas de auto-gestão, etc. Às 18h30, um primeiro momento de recepção e de informação será proposto antes de jantar!
Sábado 3, de manhã (em Mandres-en-Barrois): encontros e discussões entre os diferentes comités de luta e as diferentes pessoas desejosas de apoiar a luta em Bure. O programa detalhado chegará muito brevemente.
Sábado 3, à tarde: construção de uma vigia nos arredores da floresta.
Domingo 4: continuação das actividades de sábado!
Paralelamente ao programa haverá certamente várias coisas não anunciadas, algum caos feliz, muita improvisação. De qualquer forma, teremos (e encorajamos-vos a ter) uma grande atenção para que toda a gente possa, o mais possível, encontrar um lugar e sentir-se bem.

Esperamos-vos em grande número no fim-de-semana de 3-4 de Março (ou antes, ou depois)!

Nunca nos atomizarão!
Algumas corujas de Bure.

informações em alemão, italiano, francês

[Expulsão do bosque Lejuc, França] Comunicado “Bure por todo o lado, nuclear em lado algum”

O bosque Lejuc de novo ameaçado pela Andra e seus cães de fila? Habitemo-lo. Defendamo-lo. SE ELES OCUPAM, EXPULSAM-SE!    Apelo à mobilização imediata, em caso de ataque policial.

Está em curso a expulsão do bosque Lejuc, em Bure, desde as 6h30 desta manhã [22 de fevereiro]! Este bosque foi ocupado em 2016 – para atrasar a construção estaleiro CIGEO de l’ANDRA – por pessoas que lutam contra o lixo nuclear. Este é o ponto nevrálgico do projecto que deve acolher os poços de ventilação dos 265 km de galerias e onde serão acumulados 85000 metros cúbicos de resíduos radioactivos. Os militares auto-transportados chegaram e as pessoas estão a bordo. A escalada de repressão sofrida pelas pessoas que lutam em Bure chega ao seu ponto máximo.
A página vmc.camp foi bloqueada! Siga as infos em manif-est.info.

O Estado escolheu claramente enviar um sinal pela força… Num momento em que a treva invernal ainda não terminou. Num momento em que a Andra não poderá começar nenhum trabalho no bosque por causa do período de nidificação que começa a 15 de março. Num momento em que um saco de nós de recursos jurídicos e administrativos prende ainda o homem do lixo ao átomo: recurso administrativo contra a propriedade da Andra que se seguiu à troca municipal do bosque a 18 de maio de 2017; necessidade de uma avaliação ambiental prescrita pela Autoridade Ambiental em outubro de 2017, etc, a Agência não pode começar os seus trabalhos preparatórios.
O Estado responde através de uma operação de expulsão surpresa, com um grande dispositivo (500 polícias) e uma propaganda mediática sábia e bem oleada desde cedo, em todas as frentes.

Como em 2012 em Notre-Dame-des-Landes, os bulldozers seguem-se imediatamente às tropas, arrasa-se rapidamente os locais de residência sem deixar tempo para recuperar haveres pessoais. Seguindo-se a uma primeira expulsão do bosque em julho de 2016, as máquinas da Andra destruiram ilegalmente uma parte da árvores antes que a oposição pudesse reinvestir e reocupar a floresta em meados de agosto de 2016.

A 20 de setembro último, aquando de um mandato de busca sobre os diferentes locais de residência em Bure, dezenas de concentrações floriram por toda a França, e criaram-se  rapidamente comités de luta. Devemos agora continuar a organizar-nos em cada lugar e por toda a França. Mais do que nunca, Bure deve estar por todo o lado, fazer parte de nós; devemos ser milhares a levantarmos-nos agora contra o horror nuclear e a atomização que se prepara, e reagir.

Além destas considerações, resta a questão da fundamentação deste projecto levado a cabo por este governo, sem nenhum diálogo, na mais completa opacidade! Trata-se de não perder de vista que esta decisão de enterrar resíduos altamente radioactivos é uma solução para
nucleocrátas, essencial para a continuação do nuclear!

A SITUAÇÃO DE BURE NÃO É UM PROBLEMA  DOS NATIVOS, A OCUPAÇÃO DO BOSQUE LEJUC É UMA BARRICADA NO CORAÇÃO DA CADEIA DE PRODUÇÃO NUCLEAR E SEU MUNDO EM GERAL.

1) Chamada para apoio no Bosque Lejuc: precisamos de gente aqui!

2) Concentrar-se frente à câmara, hoje, é denunciar estas formas expeditas de acção contra um movimento que se opõe a uma lixeira nuclear e o seu funesto mundo (de merda)!

Siga-nos em vmc.camp (de momento em baixo) / burestop.eu / e sobretudo aqui

Nunca nos atomizarão! Que Bure viva por todo o lado!
Para nos contactar: burepartoutnnp@riseup.net

em francês

 

Grécia: O companheiro Konstantinos Giagtozglou finaliza greve de fome e sede após sucesso da sua exigência de transferência à prisão de Korydalos

recebida em espanhol (revisada por Contra Info)

Segundo informação do Indymedia Atenas, o companheiro Konstantinos Giagtozglou teria finalizado a sua greve de fome e sede no momento em que o conselho de autoridades – que discutiria hoje, 2 de março, o assunto – aceitara a sua pretensão de transferência à prisão de Korydalos, a qual se tornaria efectiva a 10 de abril.

O companheiro – acusado de pertencer à Conspiração de Células de Fogo e de enviar pacotes explosivos a instituições europeias e ao ex primeiro-ministro grego – encontrava-se em greve de fome desde o día 21 de fevereiro e em greve de sede desde 25 de fevereiro, exigindo a sua transferência permanente à prisão de Korydalos, de forma a poder estar mais próximo da sua família, amigxs e pessoas próximas.

Não há dúvida de que as ações solidárias e ofensivas levadas a cabo por companheirxs na Grécia – dentro e fora das prisões – constituíram um elemento importante de pressão em relação à decisão tomada em benefício de Dinos.

Compartilharemos mais informação logo que sejam difundidas novas actualizações sobre o caso.

Saudamos o companheiro, assim como a todxs aquelxs que se solidarizaram de diversas formas e que não se mantiveram indiferentes perante a greve de fome e sede do companheiro.

Fontes 1 e 2

Sin Banderas Ni Fronteras, núcleo de agitação anti-autoritária

em espanhol

[França] A propósito do 2º processo do caso “Máquina de expulsar”


[7 companheirxs de afinidade começarão a ser julgadxs a 31 de Janeiro, no Tribunal Distrital de Paris, na 16ª câmara do tribunal correccional]

Solidariedade com xs acusadxs da luta contra a máquina de expulsar.

Em 2010, duas vagas de buscas e múltiplos procedimentos relacionados com diversos ataques (incendiários ou não), umas vezes relacionados e outras não, no contexto de uma instrução tentacular, vêm reprimir a fase ofensiva de luta contra a máquina de confinar e expulsar os sem-papéis que aumentou de intensidade após o incêndio do centro de retenção de Vincennes pelxs próprixs detidxs a 22 de Junho de 2008. Após o abandono por parte do ministério público das acusações mais pesadas e de anos de procedimentos plenos de inconsistências manifestamente feitas para justificar os meios de vigilância, controlo judicial e encarceramento preventivo, dez companheirxs de afinidade encontram-se no entanto convocadxs perante a justiça. Um primeiro processo que envolveu quatro pessoas, três das quais foram presas em 2011, teve lugar em Junho de 2017. Uma delas foi considerada não culpada, três outras sofrem 4 meses de pena suspensa e 500 euros de multa por desfiguração colectiva de edifício (tags) e recusa em fornecer ADN. Uma das pessoas apelou desta decisão e deve ser re-julgada brevemente.

A 31 de Janeiro serão sete as pessoas que estarão presentes a tribunal (uma delas já tinha sido ouvida no julgamento de Junho). A lógica é a mesma: depois de um deboche de meios policiais e judiciais, quatro pessoas serão responsabilizadas apenas pela sua recusa de fornecer ADN e pela sinalética, enquanto xs outrxs três são acusadxs, além destes factos, da degradação em ocupações selvagens das instalações das empresas que participam na detenção e expulsão de imigrantes indocumentadxs (neste caso Air France, SNCF e Bouygues Telecom).

Através desta repressão – na qual os processos em curso constituem o epílogo fraudulento – foram as dinâmicas de lutas autónomas e auto-organizadas que foram visadas, procurando-se quebrar as ligações que foram então construídas entre as lutas no exterior e no interior dos Centros de Retenção Administrativa. Mais amplamente, tratava-se de acabar com as formas de luta auto-organizadas e ofensivas que a partir de 1996, no seio do movimento dito dxs “imigrantes indocumentadxs”, se opuseram aos partidos, aos sindicatos, às lógicas de gestão humanitárias, para defender a liberdade para todxs, com ou sem papéis. Embora a recusa da política de triagem de imigrantes e a luta contra os meios repressivos que a acompanha tenha tomado várias formas – colectivas e de “afinidade”, privilegiando, de acordo com diferentes momentos ou em simultâneo, a agitação pública e o ataque difuso – é a perspectiva de oposição concreta à máquina de prender e expulsar que fará a ligação entre as diferentes fases deste período de luta.  Atacar aquelxs que participam e lucram do confinamento e da expulsão de imigrantes sem documentos, através de mobilizações descentralizadas (contra a Air France, Accor, Bouygues, Carlson Wagonlit, Cruz Vermelha …) ou, de forma mais pontual e difusa, contestar as expulsões, organizar-se contra ataques, e evitar a construção de novos lugares nos centros de detenção – seja por ataques, ocupações, manifestações ou visitas hostis de dia e de noite – é ainda lutar pela liberdade de todos e todas.

Hoje esta questão é mais actual do que nunca. Agora que um novo projeto de lei planeia aumentar ainda mais o período de retenção para mais de três meses, para classificar xs imigrantes às portas da União Europeia – quando estxs são cada vez mais numerosxs – colocando em crise a gestão desses dispositivos, ainda mais urgente é criar os meios para impedir a implementação concreta dos dispositivos de confinamento, repressão e expulsão.

No entanto – neste período extremo de agitação e de crise internacional da gestão migratória – nenhuma intervenção subversiva esteve à altura dos desafios nestes últimos anos de modo a ser pressionada realmente a gestão das migrações e a sua co-gestão humanitária.  As práticas e a elaboração ofensiva destas lutas – de formas variadas e vivas – assim como as análises que fizeram da criatividade destas lutas estão esclerosadas, a sua vitalidade perdeu-se. Na falta de perspectivas revolucionárias, o desencorajamento faz o seu caminho e as lógicas “pragmáticas” e “realistas”, quer dizer humanitárias, triunfam. Ouve-se falar de “apoio aos/às refugiadxs”, quando as lutas tinham imposto a recusa destas denominações de Estado (ou de co-gestores) que validem a triagem de imigrantes – a regularização pela normalidade, pelo trabalho, família ou o amor à pátria  assim como desta posição de “apoio” que condena à impotência e ao paternalismo, e na qual se instalam doravante aquelas e aqueles que queriam ao invés acabar com as fronteiras e com o encarceramento sob todas as suas formas. Uma época de pacificação e de confusão cuja página deve ser rapidamente virada, com a memória do que estas lutas poderiam ser, do que elas poderiam ter de verdadeiramente ofensivo, e a vontade de voltar a percorrer os caminhos da subversão do existente, dos seus defensores e dos seus falsos críticos.

Em vez dos betumes políticos e identitários, das crispações egotistas e dos modos de afirmação política que não podem senão aprofundar-se na separação e no isolamento – envernizando a vaidade de radicalidade e as derivas nas quais se atola o monótono filme que vivemos – precisamos de encontrar novos espaços de luta desinteressados e comuns, sem deuses e sem chefes, nos quais não esteja em causa situar-se, ou ser situado, seja num plano político, de afinidade ou de identidade.

Mais do que reconstruir o passado para estabelecer uma mito-poiesis por despeito de um presente decomposto, e de delimitar lugares predefinidos – em despeito de um passado no qual as divergências se pudessem exprimir, dialogar, confrontar-se na construção comum de perspectivas revolucionárias – é urgente desenhar na memória lutas multiformes, vivas e abundantes que alimentem a nossa recusa deste mundo, do Estado e das suas fronteiras.

Estes dois processos – tal como todos os outros impostos àquelas e àqueles que lutam – são golpes – entre tantos outros – levados a cabo pelo Estado na guerra social desde sempre em curso. Cabe-nos assim retomar a iniciativa e a ofensiva, mais do que continuar a sofrer.

Não nos deixemos julgar em silêncio.
Liberdade para todos e todas, com ou sem papéis.
Fogo a todas as prisões!

pafledab@canaglie.net

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