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Nenhumas ilusões [Alfredo M. Bonanno]

kimera

“Quem tem um fino senso do seu tempo percebe em si mesmo a acção delicada da sua natureza interna, e move a sua língua e mãos de acordo com ela… as pessoas ir-se-ão rir delxs, à semelhança dos Troianos com Cassandra”
Novalis

Não tenho quaisquer ilusões. As palavras são ou não compreensíveis de acordo com a sua situação real. Só lhes damos espaço e credibilidade se encaixarem nos nossos padrões e certezas. Os mecanismos de defesa tornam-se automáticos e impedem a própria recepção da mensagem. Se assim não fosse os iluministas teriam definitivamente mudado o mundo, há 200 anos.

Isso acontece, por exemplo, quando alguém diz que se uma organização específica requer meios deve-se ir no seu encalço para os obter: xs surdxs que não querem ouvir, imediatamente traduzem isto para a sua linguagem: financiamento oculto, presença de serviços secretos estrangeiros, gangs de ladrões e assaltantes de rua, farra e champagne. Se se diz que há necessidade de um mínimo de auto-disciplina e que não se pode certamente deixar tudo à improvisação, a mesma pessoa surda imediatamente traduz para: ascetismo jacobino, rigidez autoritária, desvalorização da vida humana, falta de fundamentação ética, instrumentalização dos outrxs, desumanização. Se se disser que a eliminação física do inimigo de classe também é correcta do ponto de vista revolucionário, essx surdx imediatamente traduz para: loucura sanguinária, endossando o comportamento de um tribunal militar, praticamente aplicando a pena de morte, ausência de princípios éticos, incompreensão de funcionário.

Sem ilusões, por conseguinte, de que estas palavras possam alterar a surdez daquelxs que não querem ouvir.

Alfredo M. Bonanno  in ‘As coisas bem feitas e as coisas feitas pela metade ‘; “Luta Revolucionária e Insurreição”

via 325 #11 –Contra a Sociedade Consumista Pós-Industrial e a Singularidade Tecnológica

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