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Hamburgo: Bem vindo ao infernal inferno dum estado policial

Até 7 de Julho de 2017
A polícia atacou como se tornava previsível já – nos dias anteriores à manif do Welcome to Hell da noite de quinta-feira – de forma brutal e quase sem aviso. Pessoas subiram os muros laterais, em pânico, canhões de água extremamente perto e virados até para as pessoas que se encontravam nos telhados circundantes a observar a paisagem. O ataque foi executado simultaneamente em vários locais, um ataque frontal, lateral e pela retaguarda de extrema violência. A assembleia com mais de 10 000 manifestantes, no mercado de peixe de Hamburgo, foi dissolvida cerca das 20 horas. A raiva reprimida irrompeu; após a derrota da manif, cerca de 4000 pessoas participaram noutra manif espontânea e foram feitas várias ações diretas nas ruas de Hamburgo durante o resto da noite e que se prolongaram até ao dia seguinte.

7 de Julho de 2017 e madrugada de 8 de Julho
Num bloqueio, na sexta-feira de manhã, na Schnackenburgallee  cruzamento com a Rondenbarg, foram relatadas dezenas de pessoas presas, muitxs delxs feridxs. Para escapar da violência da polícia, os manifestantes tentaram ultrapassar uma cerca de quatro metros de altura, o qual entrou em colapso sob o peso de pessoas. A polícia provocou nesse momento uma situação de pânico sem ter em conta as consequências. O resultado: 14 feridxs foram hospitalizadxs, dos quais 11 gravemente feridxs.

Após o dia da abertura da cimeira do G20, na noite de 6ª feira para sábado, a polícia perdeu completamente o controlo de zonas de Hamburgo. Nem os 15.000 polícias – além dos solicitados a outros estados e que já foram aprovados – nem os mais de 20 canhões de água ainda a ser utilizados, nem a massa pulverizada de gás lacrimogéneo nem a cassete nem os punhos conseguiram colocar a situação sob controlo. Por último, na cidade hanseática, assistiu-se à utilização de unidades especiais fortemente armadas anti-motim a serem utilizadas contra a sua própria população.
Depois da meia-noite, uma força especial armada com metralhadoras invadiu uma casa dos Demónios Verdes, onde xs paramédicxs da manif tratavam xs feridxs. Uma pessoa ficou ferida e tão mal que xs Demónixs queriam levá-la a um hospital. Demónixs foram interpeladxs e chamadxs com uma metralhadora em riste: “Mãos ao alto!” E isso significa claramente que de outra forma isso seria feito pelos tiroteios. Em seguida, xs paramédicxs da manif foram levadxs individualmente para dentro de casa, entretanto estão todxs livres, novamente. A pessoa ferida foi colocada nos serviços de emergência, após negociações com a polícia.

Mas não é só nas ruas, a polícia vai usar a força contra todxs xs que se opõem a eles. No centro de detenção na Schlachthofstrasse, em Hamburg-Harburg, um advogado foi maltratado por três policias durante a madrugada de 8 de Julho. O advogado insistiu que o seu cliente não iria partir, o que levou a bófia a agarrar-lo e a agredi-lo no rosto, torcerem-lhe o braço e a arrastarem-no depois para fora do centro de detenção.

Dias 8 e 9 de Julho
Após o dia da ação contra a cimeira do G20 a 7 de Julho e da evacuação da polícia do bairro Schanzenviertel, a LKA (autoridade policial do estado federal) invadiu o centro internacional B5 na Brigittenstrasse em St.Pauli. Às 10:45 da manhã, uma unidade de captura de provas invadiu a casa do clube e agrediu as pessoas presentes, assim como dois apartamentos particulares no mesmo edifício foram pesquisados. Durante as incursões, duas pessoas ficaram feridas e foi lhes negado atendimento médico.

Em 8 de Julho, ocorreu uma manifestação massiva com o lema “Solidariedade sem fronteiras em vez de G20. Durante a manif houve várias operações policiais contra os manifestantes. Os manifestantes de Hamburgo foram particularmente alvo de uma unidade de captura de provas.

Em toda a cidade, a polícia de Hamburgo procurava ativistas internacionais em albergues e em estações de trem. Alegadamente, as autoridades estavam especialmente à procura de manifestantes italianos e franceses enquanto procuravam bandeiras curdas. Já durante a grande manifestação, cerca de 15 italianos foram presos. Ordens de prisão foram emitidas contra 15 pessoas, 28 permanecem em prisão preventiva. Alguns dos detidos foram transferidos para prisões em Billwerder e Hanöversand. As celas do centro de detenção em Harburg foram lotadas sem necessidade. Certas células foram ocupadas por oito em vez de cinco reclusos. A temperatura nas celas chegou aos 35 °C, não lhes tendo sido fornecidas celas com climatização. Alguns dos presos relataram que só receberam duas fatias de pão, no decorrer de 24 horas.

Para domingo, foi anunciada uma manifestação no centro de detenção de Harburg para exigir a libertação de todxs xs presxs. Segundo o comunicado emitido “Vamos continuar a demonstrar a nossa solidariedade com xs detidxs e a raiva contra os órgãos de repressão nas ruas, exigindo a sua libertação e contra a repressão e prisões“.
A manif começa na Praça Harburg Town Hall (S-Bahn-Harburg Rathaus), passando pelo centro de detenção e terminando no centro de Harburg.

Por uma vida sem prisões e repressão 

Mais informação: g20ea.blackblogs.org/

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