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Em solidariedade com Peike, preso do G20 [flyer]

. Assiste às audiências do processo de recurso!

dia 13 – 09/05 – 13:00 – 16:00
dia 14 – 11/05 – 09:00 – 16: 00
dia 15 – 14/05 – 09:00 – 11:30
dia 16 – 17/05 – 13:00 – 17:00

Tribunal Distrital Central
Sievekingplatz 3
Hamburgo

Novas datas e atualizações: freepeike.noblogs.org

Uma hora antes do início de cada sessão haverá café e música junto ao exterior do tribunal – organização pelos companheirxs alemães (United We Stand).
Se precisares de um lugar para ficar em Hamburgo envie um email para o grupo de apoio (Free Peike): freepeike@riseup.net

EM SOLIDARIEDADE COM PEIKE, PRESO DO G20: VENHA ÀS AUDIÊNCIAS DO PROCESSO DE RECURSO!

No Verão de 2017 teve lugar em Hamburgo a Cimeira do G20. Enquanto os “nossos” líderes mundiais, as pessoas mais poderosas e ricas do planeta, se reuniam nós também nos reunimos em Hamburgo – para lhes mostrar que a sua dominação é inaceitável e que continuamos a lutar por um mundo melhor. Durante estes dias de fortes protestos, de caos e repressão policial, o nosso amigo e companheiro Peike foi preso, juntamente com muitxs outrxs.

Após dois meses de prisão, em 27 de Agosto 2017, Peike teve este processo judicial, o primeiro dxs ativistas anti-G20 presxs. O infame juiz Kriten – conhecido pelas suas tendências de direita – sentenciou Peike em dois anos e 7 meses de prisão por, supostamente,  ter dois cartuchos, ter resistido às prisões e perturbado a paz pública, sem que houvesse alguma evidência de coerência.

Após 5 meses de cativeiro e repressão, o apelo para o tribunal de última instância começou a 9 de Fevereiro de 2018. No decorrer deste processo (12 sessões de julgamento já tiveram lugar) torna-se desde já evidente que este juíz não se encontra com objetividade  e “justiça”. Para além disso, este processo parece ter cada vez menos a ver com o que fazer com Peike e com o seu incidente particular.
Apesar de todos os processos que mostraram claramente esta conduta humilde, o estado está ansioso para condenar, não importa o quê, para mostrar a todxs que ainda são o poder e que não irão tolerar a rebelião.

Apesar desta loucura, Peike continua a lutar. Ele sabe que não está apenas a lutar pela sua própria liberdade, mas também por todxs xs outrxs que resistiram à Cimeira do G20. Até que possamos lutar juntxs com o Peike em liberdade – enquanto estiver preso – precisamos mostrar-lhe solidariedade. Venha para as próximas sessões de tribunais.

Vem para as próximas sessões de conversa para que possamos mostrar a Peike que não está sózinho!

Liberdade para Peike e para todxs xs outrxs ativistas.
Resiste à repressão, destrói todo os estados.

TODAS AS INFORMAÇÕES DO CASO em: freepeike.noblogs.org

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Hamburgo: Vidros estilhaçados e ácido butírico no Eurocommand

18 de Fevereiro de 2018

Vocês roubam-nos o ar para agir, nós roubamos-lhes o ar para respirar!

Na noite de 17 para 18 de Fevereiro de 2018, quebramos as janelas e atiramos o ácido butírico nas instalações do Eurocommand s.r.l., Gärtnerstraße 92b em 25469 Halstenbek.

A ser utilizada plenamente e ao máximo a partir das Cimeiras da OSCE e do G20, um novo software de vigilância operacional em tempo real é a aposta da polícia de Hamburgo. O acordo foi concedido à empresa Eurocommand com o seu software CommandX. Assim, 696 polícias tiveram 368 horas de treino operacional para o uso do sistema de gerenciamento de força e a ilustração da situação real. Os bombeiros e o centro de comando de resgate também foram equipados com o CommandX. A conexão com os bancos de dados nos carros e com os sistemas de controle operacional garante uma troca de dados de amplitude preocupante.

Durante o G20, todos os dados geográficos convergiram para Alsterdorf, num grande painel de vídeo, onde foram apresentados como um mapa do estado atual. Em tempo real, imagens aéreas de helicópteros e vídeos do Bodycam ou vigilância de rua também estavam disponíveis.
Nesta base, durante a cimeira poderiam coordenar imediatamente as unidades operacionais. Que na maioria dos casos chegou tarde demais. Segundo as informações do Senado, o software CommandX teria fornecido bons resultados: “Sem défice comprovado”.

É de salientar que até mesmo representantes da proteção do estado, da polícia federal e do exército teriam estado diante das telas do centro operacional.
Não está provado que os tão utilizados drones também foram usados ​​e equipados com câmaras de vídeo Eurocommand, durante o G20. Pelo menos, o CommandX é certamente capaz de incorporar essas informações.

O Eurocommand não se declarou como objetivo de alvo de ataque apenas para comercialização de seu sistema de vigilância CommandX: Sascha Pomp é o diretor do Eurocommand. Sua maneira de pensar é muito clara após as suas bem conhecidas considerações sobre aquelxs que protestaram contra o G20, que ele chamou de “doente e asocial” e “um cavalheiro que não merece qualquer respeito ou piedade”. Outras vezes fica irritado com o seu próprio delírio violento: “Mas é simples: fechar a ala direita e deixar terroristas num clube para uma troca íntima de opinião e esperar …” Como AfD, no twitter, comentou sobre as ações da polícia e conseguiu e solicitou a notícia da bófia durante os dias da cimeira.

O nosso ataque é um ataque contra aqueles que querem monitorizar e controlar, tal como o é contra aqueles que fornecem as habilidades para isso.

Foda-se o Eurocommand!

Comando-X

Fonte: Indymedia

em italiano

Hamburgo, Alemanha: Peike em liberdade já!

Sessão de apelação 8

Terça-feira, 3 de Abril de 2018 9:00-17:00 (café às 8:00)

Amtsgericht Mitte (Sievekingplatz 3, Hamburgo)

Oitavo dia de julgamento de recurso – Peike gostaria que tantos companheiros quanto possível estivessem presentes no tribunal para o apoiar.

Próximas:

Sessão 9: quinta-feira, 5 de Abril de 2018 9:00-17:00

Sessão 10: quinta-feira, 19 de Abril de 2018 9:00-12:00

Sessão 11: quarta-feira, 25 de Abril, a partir das 6h00

Sessão 12: quinta-feira 26 de Abril, 9:00-16:00

Lute contra o estado policial alemão!

Mais informações em: freepeike.noblogs.org/

em inglês  l alemão

[Alemanha] Acerca da onda de repressão em conexão com a resistência contra a Cimeira do G20 em Hamburgo

Protestos espontâneos contra a repressão nas ruas de muitas cidades alemãs, após os assaltos policiais no princípio de Dezembro de 2017 ( em kiel, cerca de 70 pessoas participaram nos protestos)

G20-Repressão
Prisioneirxs * Condições na prisão * Julgamentos * Publicações de vídeos e fotos * Assaltos policiais a residências

A Cimeira do G20 e os dias eufóricos nas ruas do Schanzenviertel foram moldados pela enorme raiva e motivação para atacar, das quais não estávamos à espera desde Heiligendamm e Frankfurt.

A onda de repressão que se seguiu à Cimeira – na realidade já tinha começado antes com a implementação do novo §114ff e do policiamento preventivo – alcançou o seu clímax com a publicação de dezenas de fotos, pela comissão especial “Soko Schwarzer Block” em 18 de Dezembro de 2017.

Onda de repressão esta que permaneceu bastante despercebida de companheirxs noutros países, xs que lutaram connosco nas ruas e xs que euforicamente seguiram os tumultos nos media. Disseram-nos que não receberam nenhuma informação sobre xs prisioneirxs, xs condenadxs e sobre a mania de perseguição pelo Estado.

Parte I: Prisioneirxs

A situação em Dezembro de 2017
A bófia implementou um Soko (1) forte de 40 homens que pesquisaram na Internet fotos e vídeos a fim de criminalizar os ativistas. Cerca de 200 polícias estão atualmente sentados na frente dos seus computadores – com a assistência de softwares de detecção de rosto especiais – a fazer a maior parte do trabalho de investigação. Mesmo quando você se tenta lembrar não existe nada de que se esconder ou tem a certeza de que sempre se mudou num beco escuro: A solidariedade não se inicia apenas quando a repressão xs atinge a si e amigos.
O estado, incluindo os media, a bófia e cidadãos ativos, está claramente a tentar redefinir os tumultos. Conseguimos gerir e dominar o discurso destes dias durante a cimeira, mas devemos reconhecer isso perante frases brutais, denúncias e agitação pública, estando a ser cilindrados a uma posição de simplesmente reagir: Manifestações do dia X, comícios na prisão e algumas janelas quebradas aqui e ali.
Prisioneiros e julgamentos
Após os três dias de distúrbios em Hamburgo, 51 pessoas tinham sido levadas sob custódia. Em última análise, 28 permaneceram no JVA (prisões) de Billwerder, Hanhöfersand e Holstenglacis até aos julgamentos. Sendo principalmente não alemães, xs prisioneirxs vieram da Holanda, França, Suíça, Áustria, Espanha, Itália, Polónia, Hungria e Rússia. Além disso, várias centenas de pessoas tiveram que ficar na GeSa (custódia) por um curto período de tempo e tiveram que fornecer as  impressões digitais e fotografias.
Xs restantes prisioneirxs do G20 são acusadxs de vários crimes, o que em muitos casos não justificaria a custódia de longo prazo. As acusações vão de violar a lei de reunião em espaços públicos e violar a paz, a resistência e assalto contra graduados. A última situação pode, depois que as leis foram apertadas no ano passado, ser punida até três meses de prisão, em casos graves até seis meses.

Atualmente, inícios de Janeiro de 2018, 7 pessoas ainda estão presas em Hamburgo. Além disso, muitxs companheirxs estão a apelar das suas sentenças. Por exemplo, Peike, que foi condenado a 2 anos e 7 meses de prisão, no primeiro julgamento do G20.

As condições na „Gesa“ (prisão de curta duração / provisória) e „U-Haft“(detenção enquanto aguardam julgamento)
Mais de 100 advogados trabalharam em turnos de 24 horas na GeSa em Hamburgo – Harburgo. Foram atendidas 250 pessoas durante a cimeira. Várixs prisioneirxs disseram que lhes foram negadxs artigos básicos de higiene, mesmo que pedissem repetidamente. Num caso, o pedido de uma jovem mulher foi recebido com a declaração: “Os manifestantes não recebem períodos”. Noutro caso, uma jovem disse que precisava inserir um tampão na frente da bófia. Estava a arder nas celas, havia até oito prisioneirxs em cada cela, em vez de cinco, apesar de nem todas estarem ocupadas. Tiveram direito a duas fatias de pão em 24 horas, o acesso à  casa de banho foi muito restrito. Há alguns colchões, sem cobertores. Com chutos contra as portas das celas, xs prisioneirxs foram mantidxs acordadxs. Algumas celas tinham luz constante, enquanto outras não tinham nenhuma. Uma mulher ferida, levada para o GeSana sexta-feira (7 de Julho) com suspeita de fratura de nariz, não recebeu comida durante 15 horas. A sua lesão não foi sujeita a raios X. Só foi vista por um juiz 40 horas depois da prisão e que a libertou às 11 horas do mesmo dia. Aos/às prisioneirxs sob custódia só é permitido visitantes sob permissão do juiz. Estas visitas foram rigorosamente vigiadas (carta da mãe de Fabio a seu filho, a partir de 7 de Agosto de 2017). Além disso, era impossível enviar pacotes com roupa limpa aos/às prisioneirxs durante várias semanas. A continuação da custódia foi justificada com “defender a lei”.

Fugir ou ocultar provas, que geralmente é o motivo para a imposição da custódia, não desempenhou nenhum papel. Portanto, a própria custódia apresenta-se como medida preventiva. Um passaporte não-alemão, fortalece a acusação – de ser um inimigo potencial da sociedade – levando a uma custódia maior e frases mais duras. Além disso, muitxs prisioneirxs libertadxs receberam cartas, pedindo-lhes uma análise voluntária de DNA.

Parte II: Julgamentos e sentenças

Em geral, pode-se dizer que se tornou bastante óbvio através de todos os julgamentos que não importava qual pessoa estava na frente do juiz e não importava quais eram as acusações – cada um/a delxs foi consideradx culpadx pelos tumultos, especialmente aquelxs da sexta-feira à noite e finalmente condenado por elxs. Este tipo de participação em massa durante as lutas de rua e ataques contra a bófia deve ser prevenida no futuro. O medo dos defensores da fome de poder tornou-se claro nos argumentos politicamente motivados, nos quais tentaram pintar os ativistas como criminosxs isoladxs, sem qualquer identidade política. Uma técnica utilizada em todo o mundo. Para entender a indignação sobre as frases e suas justificativas, é importante explicar como a polícia alemã está regularmente a tentar obter frases com o uso de “Tatbeobachter” (Tabos), traduzido vagamente como testemunhas de crime, bem como cenas de vídeo isoladas. As detenções, especialmente durante as manifestações, são muitas vezes baseadas em alegadas observações de “Tabos”. No passado, as suas declarações geralmente não aguardavam o interrogatório no tribunal, de modo que poucas pessoas (excluindo especialmente xs ativistas curdxs), foram colocadas em liberdade condicional, mas raramente receberam tempo de prisão.

Outra questão pode ser colocada a partir da chamada esquerda alemã: Na década de 80, uma campanha desperta vinda da cena alemã da esquerda: “Anna e Arthur calam-se”. Uma campanha, baseada no direito de recusar quaisquer  declarações. De acordo com este direito, qualquer pessoa pres ou em julgamento pode recusar qualquer declaração em frente da políci ou do juiz, excepto para afirmar os detalhes no passaporte. Compreendendo este direito como uma arma – como forma de proteger estruturas ou outras pessoas – mas também como um ato de resistência – no sentido de retirar a si próprio a possibilidade de qualquer diálogo com o estado, triste isso não ser um dado adquirido nunca mais. Uma decisão de fazer uma afirmação em tribunal, ou não, é muitas vezes  individual ou posta na mesa como estratégia dos advogados.

As estratégias do advogado muitas vezes se concentraram em chegar a negociações, que podem ser descritas como um entendimento entre o juiz e procurador e o advogado da defesa – o que geralmente força a defesa a aceitar certos pontos trazidos pelo juiz em troca de uma sentença mais suave e confissões, o que sob certas circunstâncias pode ser justificado. Embora existissem negociações e confissões entre os prisioneiros, que poderiam ser justificadas dadas as circunstâncias como uma escolha válida, esta situação foi até prisioneirxs a pedir desculpas aos juízes e polícias, bem como ao banco HASPA e Budnikowsky (loja). Um exemplo: Um rapaz de Hamburgo de 28 anos leu a sua confissão em voz alta. Ele disse que não sabia o que o possuía naquela noite. Fora simplesmente a sua curiosidade o que o levou ao Schanze, depois de ver fotos dos tumultos na TV. À chegada, a multidão varreu-o ao comprido. “Se eu pudesse voltar no tempo simplesmente ficaria em casa naquela noite e assistia a tudo na TV.” disse na terça-feira. Estava realmente a caminho de Barmbeck naquela noite, onde ele conhece gente, quando aconteceu coincidir com os tumultos em Pferdemarkt, onde ele foi atacado com spray de pimenta, o que o deixou com raiva. Além disso, tomou cocaína naquela noite também. O veredicto: 3 anos de prisão.

Fabio trata-se de uma clara excepção – escreveu uma declaração política, que leu no tribunal. Isso não é apenas sinal de bravura e conhecimento político, também é um passo importante para todos lutarmos contra a repressão, não sermos torpes perante o perigo e lutarmos contra a criminalização das nossas lutas.

Existem vários exemplos de julgamentos do G20, no final do artigo. Até hoje, os julgamentos de Konstantin, Christian e Fabio ainda estão em andamento e as suas documentações podem ser encontrados na página “United we stand”. Alguns também estão em inglês. Manter as invasões e a publicação recente de fotos em mente, mais provas provavelmente estarão em breve a surgir.

Parte III: Primeiros assaltos antes da Cimeira

Durante a tarde de 1 de Julho, os apartamentos de dois camaradas foram procurados pela polícia. Até onde sabemos,  as incursões foram realizadas devido à “prevenção de perigo”. Durante as invasões, chaves USB, computadores, 3 telefones celulares privados e as roupas foram confiscadas. Uma das pessoas afetadas foi acusada de planear crimes no contexto da Cimeira do G20. Vigilâncias foram notaaos nos dias que antecederam os assaltos policiais. A segunda pessoa foi  libertada na mesma noite.

Invasões policiais do dia 8 de Julho
Após a Cimeira do G20 a polícia de Hamburgo invadiu o centro internacional B5 em St. Paul, às 10:45 da manhã – a polícia de choque invadiu o centro e atacou as pessoas que estavam presentes na altura. Sem esclarecer o motivo as pessoas foram algemadas e os quartos no centro além de dois apartamentos privados adjacentes foram pesquisados. Também a adega, o B-movie adjacente e a FoodCoop foram saqueados. Alegadamente, a polícia suspeitava da existência de cocktails Molotov no centro, uma completa difamação.

Incursões relativas à pilhagem
A polícia de Hamburgo invadiu 14 residências, logo após a Cimeira, em Hamburgo e Schleswig-Holstein. A razão alegada foi a pilhagem da Apple Store durante os tumultos da noite de sexta-feira. Vários telefones celulares foram localizados e os proprietários foram acusados de ocultação de bens roubados. Também foi pesquisada uma loja de telemóveis, onde alegadamente vários dos telefones celulares “possuídos ilegalmente” eram vendidos.
Linksunten.indymedia.org banido
No dia 25 de Agosto, Bundesinnenminister (Ministro do Interior) Thomas de Maiziere, proibiu a plataforma online “linksunten.indymedia.org” com base nas leis da sociedade. Para a esquerda alemã e a cena radical de esquerda, Linksunten foi a plataforma onde todas as chamadas para ação, notícias políticas diárias e   informações para ataques foram publicadas. Era tão importante para a extrema-esquerda como era aparentemente para as bófia, serviço de informações e media já que obviamente foi visto como uma fonte confiável e sistema de alerta precoce para distúrbios pendentes. A Linksunten, desde 2009 a funcionar – como rede aberta de media para ativistas de esquerda – foi declarada um crime por Maziere. Isso levou a várias incursões em Baden- Würtemberg, que felizmente não deixou ninguém preso. Atualmente, o BKA está à procura da localização dos servidores que estavam a ser usados pela plataforma. São esperados mais ataques. O tempo que vai demorar é pura especulação. É possível que o Ministério do Interior queira polir a sua imagem, depois dos comunicados de imprensa semanais sobre a violência policial maciça contra os manifestantes anti-Cimeira.

Parte IV: Invasões a nível nacional em 5 de Dezembro de 2017, investigação „Rondenbarg“

Ao início da manhã de 5 de Dezembro de 2017, mais de 600 polícias invadiram 23 casas particulares e 2 centros sociais na Renânia do Norte-Vestefália, na Baixa Saxónia, no Baden-Wurttemberg, em Hamburgo, em Berlim, no Hesse, na Saxónia – Anhalt e na Renânia-Pfalz. De acordo com as declarações policiais, principalmente laptops, telemóveis e USB (varas) mas também várias armas legais foram confirmados. Nenhum/a dxs ativistas afetadxs foi presx. Todos os assaltos policiais estavam relacionados com os eventos ocorridos no primeiro dia da Cimeira. Cerca de 200 companheirxs estavam a caminho do centro da cidade, no início do dia 7 de Julho, quando encontraram polícia de choque em Rondenbard, após o que a manifestação foi destruída, deixando muitxs feridxs. Várias dezenas de pessoas foram presas no local, os seus dados registados e Fabio tomou assento na prisão desde então. Quase todas as pessoas cujas residências foram invadidas estavam no grupo que foi preso a partir desse dia.

Estão a ser acusadxs de violações severas da ordem pública, tentativa de agressão física e resistência. Desde então, esse grupo particular de pessoas presas representava a maioria dxs presos em geral e a polícia não foi capaz de prender muitos militantes organizadxs pelo que com a ajuda dos meios de comunicação, tentaram pintar um quadro do “grupo Rondenbarg” como extremamente violento e provavelmente responsável por toda a destruição e ações diretas durante a Cimeira. Também os assaltos podem ser conetados com essa tentativa, o “sucesso” dessas invasões, foi apresentado pela polícia durante uma conferência de imprensa em 5 de Dezembro.

Vemos claramente os assaltos policiais como um espetáculo público bem como uma tentativa de descoberta das supostas estruturas organizacionais por trás das ações, em vez de reunir provas sobre alegados participantes individuais. Não confirmado pelos lados oficiais, mas publicado em vários comunicados de imprensa, a polícia estava principalmente à procura de evidências sobre estruturas que preparassem ações militantes e as tornassem possível em Hamburgo. Especialmente à volta da área de Elbchaussee, a polícia alegadamente descobriu recipientes com material de máscara, fogos de artifício e roupas que a polícia interpretou como evidência para a teoria de que os grupos locais organizaram a logística para a ação dessxs companheirxs internacionais. Embora a polícia suspeite principalmente dxs companheirxs internacionais para colocarem mais de 20 carros em chamas no Elbchaussee, durante 7 de Julho.

Parte V:  Os “cliques” da polícia de Hamburgo”

Durante a noite de 8 de Julho, a polícia de Hamburgo estabeleceu um portal on-line para dicas e pistas. Eles apelaram à multidão curiosa, para fazer upload de qualquer imagem ou material de vídeo dos próprios smartphones e câmaras. Apenas 12 horas depois, comemoravam o fato de já terem recebido mais de 1000 arquivos. Com este apelo à denúncia e traição, a polícia provocou um percurso on-line. O Soko “Black Block”, está a trabalhar em 12 terabytes de arquivos de imagem. No total, 163 polícias estão a trabalhar em 3340 casos. Na segunda-feira, 8 de Dezembro, a polícia de Hamburgo publicou 104 fotos de 104 supostos criminosxs e 5 vídeos sobre “Elbchaussee”, “Manif G20 Not Welcome” , “pilhagem”, “ataques com garrafas e pedras” e “Rondenbarg”(aqui  pode encontrar um link anónimo para as fotos ) . Além disso, várias imagens chegaram aos media da Alemanha. A polícia de Hamburgo anunciou: “Haverá mais cliques [fotos tiradas nas esquadras da polícia, após detenção], porque temos muitos materiais, que ainda não foram avaliados”.

Cinco Julgamentos do G20

O primeiro julgamento foi realizado contra Peike, da Holanda. Está a ser acusado de ter atirado duas garrafas à polícia de Berlim no Schanze, no dia 6 de Julho. As únicas duas testemunhas, polícias de Berlim, sofreram grandes perdas de memória e ambos descreveram uma pessoa que atirava garrafas, que não se parecia com o réu. O ministério público justificou a sua perseguição através tempo de prisão, atribuíndo a Peike a responsabilidade pela “guerra civil como circunstância” na noite de sexta-feira (onde Peike já estava sob custódia!). O juiz Johann Krieten, conotado com a linha dura da direita, proclamou no seu julgamento como se segue: “A polícia não é um jogo justo para a sociedade divertida, eles não são um jogo justo para criminosxs orientadxs para a ação”. Ele convocou os tumultos na noite de sexta-feira, o turismo de motim com o objetivo de caçar polícias e esmagar as janelas do banco HASPA. A severa punição era necessária, devido a razões de “prevenção da violência”. O porco proclamou a sentença de dois anos e sete meses. Peike está a apelar contra este julgamento.

No 2º julgamento: o réu foi detido e procurado no sábado, 8 de Julho, perto da estação de comboios de Dammtor. Ele insinuou estar no caminho para a manifestação  “G20 Not Welcome”. Na sua mochila, encontraram spray de pimenta, óculos de mergulho e pequenos bolas de ativação de fogo. Está a ser acusado de violar a “lei do ajuntamento social” e as leis contra o transporte de armas e explosivos. Mais uma vez, o julgamento terminou com um castigo severo  obsceno de 6 nos quais estão 2 são anos de liberdade condicional. O procurador Elsner aproveitou o momento para proclamar a sua propaganda pessoal: “Os ataques à policiais com garrafas e pedras aumentaram dramaticamente durante a manifestação. O réu deveria estar a escrever uma carta de agradecimento aos polícias que o prenderam, se ele tivesse atirado qualquer coisa durante a manifestação, iria para a cadeia por um longo tempo”.

3º exemplo. O ministério público acusou o réu, de 21 anos, de ter atirado seis garrafas na direção da polícia durante a manifestação no Fishmarket, além de resistir à sua detenção. Depois do juiz explicou o direito de recusar uma declaração, o advogado explicou extensivamente o argumento do arguido. Nos últimos dois meses, passados na cadeia, ele aprendeu muito sobre a solidão. Ele nunca quis pôr a si mesmo ou a sua família numa situação como esta. Estava agora ciente de sua estupidez. Os polícias também são humanos. O juiz condenou o réu a 1 ano e 5 meses em dois anos de liberdade condicional, bem como a uma multa de 500 euros, que deve ser doada para as viúvas e órfãos da polícia.

4º exemplo: As acusações: agressão criminal com uma arma perigosa (garrafa de vidro), bem como resistência contra a polícia. O arguido confessou as acusações e lamentou as suas ações. Concordou com uma amostragem de DNA, que ocorreu numa pausa durante a audiência. O TABO Hachmann supostamente seguiu o réu depois dele supostamente ter atirado a garrafa e viu-o, tirando a máscara num pequeno quiosque e a mudar as roupas na próxima esquina da rua. Veredito: 1 ano em 3 anos de liberdade condicional. O réu, questionou o monopólio do estado e não viu o humano em uniforme durante as suas ações. A polícia merecia respeito e honra pelo seu compromisso e não deveria ser alvo.

5º exemplo: Fabio foi libertado da prisão juvenil em troca de uma fiança de 10000 euros. O julgamento ainda está em andamento. As acusações: Violação grave da paz no caso de “Rondenbarg”. Segue-se um trecho da declaração de Fabio durante o julgamento: “Antes de mais quero dizer que as senhoras e senhores da política, inspectores da polícia e ministério público provavelmente acreditam que podem dificultar a dissidência nas ruas se prenderem e trancarem um grupo de jovens. Provavelmente acreditam que a prisão é suficiente para conter as vozes rebeldes que surgem em todos os lugares. Provavelmente acreditam que a repressão irá parar a nossa sede de liberdade. A nossa vontade de criar um mundo melhor. Eu tomei a minha decisão e não estou com medo se ela, injustamente, terá um preço que eu tenho que pagar. No entanto, há algo que quero dizer-vos, acreditem em mim ou não: Não gosto de violência. Mas tenho ideais e decidi lutar por eles.

Esclarecimentos

“Tatbeobachter * innen / TABOS” (Observador/a do crime)

Os TABOS estão vestidos de manifestantes, às vezes ficariam vestidos, às vezes com um copo de cerveja na mão, às vezes ficariam mascarados. Correm lado a lado connosco nas manifestações e podem ser difíceis de detectar. Assinalam crimes alegados, sem intervir. Mais tarde são chamados como testemunha perante o tribunal. TABOS são polícias de uma determinada unidade. Pelo contrário, há polícias vestidos de civis, os chamados PMS. Esses polícias civis costumam mover-se em grupos maiores, obviamente, ao lado das fileiras de polícia, transportam fones de ouvido e armas e transmitem informações sobre ativistas bem conhecidos ao BFE (unidade, responsável por prisões e evidências.

Aperto das leis:
Desde 30 de Maio de 2017, o parágrafo 113 está agora dividido em §113, que inclui atos de resistência e §114, que escalam assalto. O recém-estruturado §114 inclui o assalto contra oficiais (policiais, paramédicos) como elemento próprio de um crime. Um assalto pode ser qualquer tipo de ato contra o corpo de um oficial, por exemplo, quando você tenta se libertar do controle de um policial durante uma prisão. A sentença mínima aqui seria uma pena de prisão de três meses. Além disso, simplesmente carregar uma arma ou uma ferramenta perigosa, pode ser definido como um ato severo de resistência ou agressão, independente de suas intenções com essa ferramenta. Também pode ser condenado se xs companheirxs transportarem tal ferramenta (como uma garrafa de vidro ou outro instrumento afiado).

(1) SOKO é uma abreviatura do termo “Sonderkommission” (Comissão Especial de Polícia – que significa equipa de investigação especial) em alemão.

A sociedade falhou, quando aprisiona aqueles que a questionam!

Fogo e chamas para a repressão!

Com este slogan, a campanha: “United we stand” deu o mote para os dias de ação – de 28.1. até 4.2.2018.

em alemão l inglês

Hamburgo, Alemanha: Ataque à frota da Sicherheit Nord e chamada à luta anarquista

Sabotagem é isso: meios adequados, fachada da autoridade arrebatada. Quando e onde as agências da Segurança se guardam a si próprias – movimentando-se nesse sentido e, em seguida, se encontram perante os escombros das ferramentas que a mantêm de pé – o seu poder torna-se visivelmente questionado e mais e mais infracções da lei serão encorajadas.

Como no caso da Suíça, a empresa de construção Implenia tem visto a sua participação  em projetos penitenciários ser paga com máquinas de construção em chamas. Como no caso da Vinci, SPIE ou Eiffage, em França, devido a conexões semelhantes com a repressão.

No dia 13 de Novembro em Hamburgo, Barmbeck, a frota da Sicherheit Nord foi destroçada, incendiámos vários veículos. A Sicherheit Nord tem acordos de cooperação com a bófia em dez estados federais, protegendo a base da NATO em Lüneburg e as embaixadas, estabelecendo o aprovisionamento de refugiados e lojas em bairros que pareçam inseguros para os que dominam.

Esta acção e este texto são para nós. Para xs milhares que tornaram o levante de Hamburgo possível. Para xs prisioneirxs. Para as pessoas afectadas pela Operação “Scripta Manent”em Itália. Um fogo em solidariedade com Nikos Maziotis e Pola Roupa, em greve de fome, e uma saudação para Konstantinos G., em prisão preventiva, acusado de envio de carta-bomba e de pertença às CCF. Liberdade para Lisa, acusada no processo de assalto a bancos de Aachen!

Estamos comprometidos com uma luta contra o Estado, a todos os níveis. A repressão não nos poderá deter.

Para a anarquia – Grupos Autónomos

P.S. O mais difícil de ser captado…
É provável que o prejuízo resultante para a Sicherheit Nord seja manejável. Atualmente, pode até nem ser possível medir o sucesso das lutas através dos danos materiais ao Estado e aos seus servos.

Conforme se demonstrou – através dos grandes tumultos ocorridos em Julho e também nos ataques militantes, no período anterior ao G20 – o propósito de uma estratégia ofensiva de atacar e de lidar com a polícia, como a forma mais visível e não interpretável, é fortalecer as posições antagónicas. Observou-se com que facilidade o estado forneceu 40 milhões de euros para mitigar os danos perceptíveis à burguesia de Hamburgo; pouco antes os enlutados pela série de 9 assassinatos nas estruturas nazis com o conspiratório nome soando NSU confortaram-se com os 900 mil euros que foram jogados fora.

As campanhas com o objetivo duma quantidade predeterminada de danos à propriedade têm, na melhor das hipóteses, um aspecto desportivo. O carácter de uma cena que não é política, perseguindo objectivos mas esperando-os do evento, também. Evento para saltar e que a miúdo, no seu consumismo, expira. A campanha do ano passado pela Rigaer 94 não deveria fazer isso, mais comentários é nocivo. Mas destacam-se a série de ataques contra a Cimeiro do G20, sem problemas, nesta fase muito ativa de grupos pequenos, embora a continuidade do conteúdo tivesse ficado atrás da prática contínua.

Depois dos tumultos ficou à vista que existem poucas estruturas anti-estatais que sejam pela violência. O compromisso com a abordagem ofensiva (foi escolhido a das estruturas militantes) – e tal como em relação a grupos  que tinham pretenciosamente prometido o inferno – sofreu ameaças governamentais e a perseguição dos media. Porque estes factos não são compreensíveis: suporta-nos a história de um movimento radical de esquerda com experiência na estratégia governamental contra a revolta e esmagamento das estruturas de oposição. Nela podemos apreender, se lhe quisermos dchamadaatenção, a traição que esse distanciamento público constitui. Uma ausência de ação, depois desta Cimeira de resistência é, no máximo, impróprio. Incompreensível é também a preocupação com as consequências graves que virão se se trabalhar visivelmente com as estruturas.  A proibição do Linksunten.indymedia.org é o único caso que o estado assim como assim poderia dar-se ao luxo de ter uma ação populista para bloquear uma estrutura que, de todos os modos, no nosso entendimento, no seu papel central era defeituosa. Vale a pena assinalar que o Linksunten já não tinha sido antes porque  a ligação desligada foi tomada – e este meio pode voltar a ser usado a qualquer momento, se necessário, para voltar a estar operacional. E se olharmos para o caso da França, vemos um exemplo de como se pode ultrapassar a censura dos sítios da internet: O Indymedia anunciou que continuará a ser acessível no endereço Onion.

Não existe nada significativo neste momento. As consequências são de esperar, ser militante é um termo mais amplo que se envolver em atividades de impacto e pequenas escaramuças. Necessitamos de mais pessoas que se sintam vinculadas a posições antagónicas nas suas batalhas locais para as dar a conhecer e propagar. Necessitamos de estruturas alternativas outra vez, a luta anti-estatal a sentir-se conetada, auto-organizada e com grupos de ajuda-mútua, grupos de vizinhos, individuais e coletivos, lidando com o nosso bloco negro e os nossos pequenos grupos “noturnos”, a comunicarem-se olhos nos olhos. Sobre os objetivos, as estratégias e os meios.

Na Cimeira do G20 mostramos que somos capazes de atuar, en interação com algumas estruturas de ação aberta, a organização do acampamento, a rede de apoio sanitário, o comité de investigação, algo semelhante precisamos ter. Tal interação deve desenvolver continuidade. Neste momento, onde todxs temos um considerável êxito na nossa tufarada podemos escrever a nossa memória coletiva ainda fresca e que já não está aleatória. A vida quotidiana da cena entre Soliparty e os plenários, perdidos estão.

de.indymedia (alemão)

Espanha: Ataques simultâneos em solidariedade com xs represaliadxs após o G20


Estive em Hamburgo e recordei-me de ti.

Quando arderam as tuas sucursais.

Quando estalaram as suas montras.

Quando se formaram as barricadas.

Quando tomámos a cidade.

Todavia, ainda me recordei de ti quando regressamos aos restos das nossas cidades inertes e cinzentas, onde reinas, porque estás por todo o lado. Recordamos-nos de tudo o que te poderíamos fazer a qualquer momento e em qualquer lugar, enquanto Hamburgo ardia.

Do mesmo modo, recordamos-nos de todo o sofrimento e raiva que geras. Do modo como atinges a quem te afronta. Nunca mais nos vamos esquecer das pessoas que são espancadas pela vossa bófia, que vivem encerradas numa cela ou que morrem por escolher o caminho do confronto. E é em seu nome que tomou forma esta ação.

Na noite de 4 para 5 de Outubro, foram atacadas com martelos as caixas ATM de dezenas de sucursais bancárias em diversos locais de Madrid: Lavapiés, Bilbao-Alonso Martínez, Tetuán-Castellana, Carabanchel, Vallekas, Coslada, Barrio del Pilar e La Elipa. Deixaram-se lá autocolantes a dizer: “Em Madrid como em Hamburgo. Que se espalhe a revolta”, “Solidariedade ativa com as 388 pessoas detidas e as 32 presas após a Cimeira do G20 em Hamburgo”, “Morte ao Capitalismo e morte à polícia. Depois do G20, a luta continua”.

Porque centenas de pessoas foram brutalmente feridas e detidas nos dias da Cimeira, porque 32 delas ainda continuam na prisão, porque ainda há menos de um mês sofreram um assalto policial em Hamburgo. Porque queremos acabar com o Capitalismo, com as suas empresas e bancos, com as suas cimeiras financeiras, carros oficiais, banquetes, escoltas. Com tudo o que nos escraviza e destrói. Em Hamburgo, em Madrid e em toda a parte.

Viva a Anarquia.

em espanhol

Amsterdão: Manifestação espontânea em solidariedade com xs presxs do G20

Contra prisões, bancos, o Estado e o mundo que precisa deles

Ontem (30-9-2017) ocorreu uma manifestação espontânea em Amsterdão, em solidariedade com xs companheirxs que estão momentaneamente na prisão, após os protestos do G20 em Hamburgo (Alemanha) em Julho. Após a concentração, uma manifestação espontânea foi realizada, do centro da cidade de Amsterdão para Spuiplein

Cerca de 100 pessoas tomaram parte num ato em solidariedade com xs prisioneirxs do G20. Houve discursos e música. Após a concentração, cerca de 50 pessoas realizaram uma manifestação sem aviso prévio, do centro de Amsterdão para Spuiplein.

Liberdade para todxs xs prisioneirxs do G20! Liberdade para Peike!

em inglês

Hamburgo: Julgamento de Riccardo, anarquista preso durante o G20, marcado para 5/10

O julgamento de Riccardo terá lugar a 5 de Outubro às 9:00, no tribunal de Altona – Hamburgo (Max Bauer Allee 91).

Será a portas abertas – apesar de não sabermos ainda se a sentença será ditada no mesmo dia ou se passará para outra data. Depende da audiência (em muitos casos foram julgadxs e sentenciadxs no mesmo dia, porque xs indiciadxs confessaram). Será julgado por um tribunal de segundo grau que prevê penas até 2 anos (na Alemanha os tribunais dividem-se em 3 níveis de acordo com as penas solicitadas, não é um tribunal especial).

As acusações formais são: violação da paz, ataque por assalto e resistência.

A respeito da censura do correio – nunca existiu qualquer bloqueio sistemático- embora algumas cartas estejam bloqueadas (até agora são 3, repartidas no tempo, uma carta e outra nota sobre o que contêm periódicos de Hamburgo). De imediato, as sobras que continham material contra-informativo e folhetos.

Direção para escrever ao companheiro:

Riccardo Lupano
Jva Billwerder
Dweerlandweg 100
22113 Hamburgo
Alemanha

[Bem-vindo ao Inferno] Textos sobre a insurreição contra a Cúpula do G20, Hamburgo 2017

Esta publicação reúne algumas ofensivas anárquicas dentro e fora das cadeias, contra a desprezível reunião dos vinte chefes de estado mais poderosos do mundo.

Algumas palavras de provocação… Não tão somente…

A energia caótica mantém a chama da anarquia queimando. As ações transcritas nessas linhas são recebidas por nós calorosamente. Todavia estas práticas não se encerram apenas na nossa memória, mas encontram solo fértil em nossas mentes e corações. Portanto não se trata de contemplar o passado, mas vivê-lo intensamente durante o presente.

Uma cronologia para continuar…

A visão transmitida é bastante nítida: nós não esperaremos pela próxima cúpula. Essa publicação celebra a rebelião, procurando manter pulsante a paixão demolidora pela total liberdade.

Da leitura… Até a cumplicidade…

tormentas de fogo

tormentasdefogo[.]espivblogs[.]net/

em pdf aqui

Prisão de Billwerder, Hamburgo: Carta de um prisioneiro do G20


Recebido e revisado a 25/08/17

Hamburgo Verão 2017: Estou lá, retido lá!.

Há quase um mês e meio que fui preso durante a décima segunda cúpula do G20 em Hamburgo, em uma cidade sitiada e feita refém pelas forças de segurança mas que também presenciou importantes protestos locais e populares.

Dezenas de milhares de pessoas, se não mais, convergindo de toda a Europa, talvez mesmo para além deste continente, encontraram-se, organizaram-se, debateram e desfilaram juntas durante vários dias numa grande onda de solidariedade – sempre conscientes da possibilidade de sofrer a violência e repressão policiais. Um grande tribunal de polícia foi fabricado especialmente para a ocasião, em construções modulares pré-fabricadas, de modo a punir qualquer protesto contra a Cimeiro do G20 o mais rápido possível.

A minha detenção, tal como a de muitxs compas, é baseada apenas na palavra sagrada da polícia, de uma brigada enviada para infiltrar, observar e seguir a sua “presa” (durante quarenta e cinco minutos no meu caso, por supostamente ter arremessado um projétil…). Uma vez isolado, policiais infiltrados enviavam alguns colegas de profissão para nos deter, o mais rápido e violentamente possível, sem qualquer possibilidade de escapar.

Então, cá estou, trancafiado em um desses lugares primordiais ao bom funcionamento da ordem social global, lugares que servem como uma ferramenta para o controle e gestão da pobreza, essencial para a manutenção da sua “paz social”. A prisão atua como uma espada de Damocles suspensa sobre cada individuo para que fique petrificado só de pensar em desviar-se dos códigos e regras da ordem estabelecida: “metro, trabalho, consumir, dormir”, às quais nenhuma individualidade dominada deve escapar – alienam-se através do trabalho e da vida rotineira – estar sempre a horas, nunca vacilar e isto não apenas durante o segunda volta das eleições presidenciais, onde fomos obrigados a estar “Em Marcha” [“En Marche”, slogan de Macron e do partido que tomou posse em França] ou a fenecer, de preferência devagar e em silêncio.

A lei não tem qualquer vocação para garantir o interesse geral, nem para ser neutra, sendo apenas a expressão de uma crescente dominação institucional por parte dos mais poderosos para garantir a sua propriedade e segurança e, dessa forma, paralisar, punir e marginalizar qualquer pessoa que não concorde ou que não se submeta a isso.

Além dos casos de activistas conhecidos e apoiados que estão presos, há também, e sobretudo, homens e mulheres que estão expostos à brutalidade e crueldade do encarceramento. Aqui, o trabalho é pago a 1 euro por hora, do qual somente metade será concedido à saída da prisão. Na minha ala, as pessoas detidas por prisão preventiva [detenção pré-julgamento] ou por penas reduzidas (de seis meses a um ano de prisão) são encarceradas principalmente por um motivo: a sua condição social e origem. Além do pessoal da prisão agentes, muito poucos são “naturais da Alemanha”, todas as pessoas presas são estrangeiras, refugiadas e/ou precarizadas, pobres, gragilizadas pela vida. O seu crime: não se terem submetido às regras do jogo, estando a maioria envolvida no tráfico de drogas ou em roubos, golpes, sózinhas ou em gangues organizadas a várias escalas.

O encarceramento é o pilar fundamental desse sistema mas ninguém pode criticá-lo sem atacar a sociedade que o produz. A prisão, que não opera só por si, é o elo perfeito para uma sociedade baseada na exploração, dominação e várias formas de segregação.

“Trabalho e prisão são dois pilares essenciais para o controle social, sendo o trabalho a melhor forma de exercer o poder e a reabilitação uma permanente chantagem”

Os meus pensamentos voam até aos/às companheirxs italianxs, que estão a enfrentar mais uma onda de repressão, especialmente companheirxs acusadxs na investigação relativa ao “dispositivo explosivo” deixado em frente de uma livraria associada à Casapound [nicho de fascistas]. A extrema direita deve ser enfrentada através de um contra ataque ofensivo, popular e organizado. A extrema direita é extremamente útil e complementar aos estados que alimentam através dela as suas aspirações de segurança delirantes e a estigmatização incessante do “estrangeiro”.

Pensamentos que voam também até aos/às companheirxs que enfrentarão julgamento em Setembro, relativo ao processo do incêndio de uma viatura, no dia 18 de Maio do ano passado, em Paris, durante o movimento “Loi Travail” [lei do trabalho]. Muitas pessoas foram detidas e duas delas ainda estão presas. Força a elas!

Agradecimentos aos ativistas locais, organizando às vezes concentrações em frente à nossa prisão, uma iniciativa apreciada por aqui, pois quebra a rotina e o estado de letargia a que nos tentam formatar. Agradecimentos a todxs aquelxs que nos apoiam aqui e em todos os lugares.

Aos compas da ação antifascista, MFC, OVBT, jovens selvagens, BLF, e outrxs amigxs… Compas, força!

Liberdade para xs prisioneirxs do G20 e para todxs xs outrxs!

Um detido entre outrxs.

Prisão de Billwerder,
Hamburgo,
14 de agosto de 2017

em francês via nantes.indymedia  l alemão

São Paulo, Brasil: Solidariedade para presxs em Hamburgo

Recebido a 18 de Agosto de 2017

nas últimas madrugadas, procuramos responder simbolicamente ao chamado de solidariedade com anarquistas que se encontram em cativeiro após a insurreição contra a cúpula do G20.

colamos cerca de trinta adesivos distribuídos nas viaturas e delegacias da policia civil no território brasileiro a polícia civil é grande responsável pelo abastecimento dos depósitos humanos que chamam de prisões.

mesmo que estes adesivos não fiquem colados por muito tempo, sabemos que nosso recado ficará grudado nas mentes desses vermes. principalmente, com isso queremos marcar nossa presença mostrando que estamos por perto a planejar nossa próxima ofensiva

LIBERDADE IMEDIATA PARA RICCARDO LUPANO, EMILIANO PULEO, ORAZIO SCIUTO, ALESSANDRO RAPISARDA, FABIO VETTOREL

FOGO NAS CADEIAS

anarquistas


Paz entre nós, guerra ao sistema.

[G20 Hamburgo] Alguns endereços de presxs que, após a Cimeira, ainda se encontram em prisão preventiva

Alguns endereços de presxs que, após a Cimeira, ainda se encontram em prisão preventiva

RICCARDO LUPANO (09/06/1985)
JVA Billwerder
Dweerlandweg 100
22113 Hamburg [Germany]
EMILIANO PULEO (02/02/1987)
JVA Billwerder
Dweerlandweg 100
22113 Hamburg [Germany]
ORAZIO SCIUTO
JVA Billwerder
Dweerlandweg 100
22113 Hamburg [Germany]
ALESSANDRO RAPISARDA
JVA Billwerder
Dweerlandweg 100
22113 Hamburg [Germany]
FABIO VETTOREL (02/12/1998)
JVA Hahnöfersand
Hinterbrack 25
21635 Jork [Germany]
Soube-se hoje que Maria Rocco, que se encontrava  em prisão preventiva há mais de 4 semanas – presa juntamente com Fábio – foi finalmente libertada.

Romper o isolamento da prisão!
Liberdade imediata para todxs!
Fogo a todas as prisões!

G20 em Hamburgo: Estes foram dias de revolta

Durante estes dias da conferência do G20, milhares de pessoas inundaram as ruas de Hamburgo com a sua raiva contra a polícia, a sua violência e o mundo que protegem. Já durante as semanas anteriores era bem visível a vontade da bófia confrontar cada sinal de protesto ou resistência com tolerância zero. Durante a manifestação de quinta ao fim da tarde, deixaram bem clara a sua posição mais uma vez, atacando a frente da manifestação desde o primeiro minuto. A bófia obviamente, aceitou selvaticamente a possibilidade de ferimentos potencialmente letais ao empurrar e cercar o bloco frontal da manifestação para uma abertura muito estreita da Hafenstraße, onde se estaria rodeado lateralmente por paredes de tijolo. Causaram pânico, batendo, pontapeando, lançando gás de pimenta e lacrimogéneo e disparando os canhões de água de frente e pelos lados. Muitas pessoas tentaram fugir subindo as paredes laterais, muitas pessoas magoaram-se – mas era possível ver também momentos impressionantes de solidariedade, pessoas ajudando-se umas às outras para saltar por cima dos muros enquanto outrxs atacavam a polícia de cima e linhas frontais corajosamente e calmamente defendiam a manifestação dos ataques da polícia, sustendo um espancamento sério.

O bastão na cara, o joelho no pescoço, a pimenta nos olhos estavam lá para te lembrar quem estava no comando do mundo. Durante estes dias, os representantes e líderes dos 20 mais ricos países do mundo encontraram-se para discutir a manutenção desta ordem de miséria. Dezenas de milhares de polícias deviam proteger esse espectáculo daquelxs que procurariam mostrar abertamente a sua raiva, ódio e resistência aquelas autoridades arrogantes.

Na noite de sexta-feira muitas pessoas optaram por recuperar alguma da dignidade que nos é roubada diariamente, atacando a bófia em diferentes e múltiplas partes da cidade. Barricadas foram construídas e com martelos, pedras e fogo abriram inúmeras brechas nas fachadas da sociedade na qual apenas aquelxs que funcionam de acordo com ela, consumem e lhe obedecem encontram o seu lugar. As barricadas da noite ainda não tinham sido completamente extinguidas quando os primeiros carros começaram a ser consumidos pelas chamas na manhã de sexta-feira. Em diversos pontos de toda a cidade, grupos começaram a juntar-se, deixando claro que estes dias ultrapassam em muito aquilo que se poderia considerar um simples ataque a uma reunião de líderes de estado. Entre outros alvos, as agências imobiliárias, carros luxuosos, o tribunal de menores, bancos e as fachadas brilhantes dos átrios das galerias comerciais foram atacados e também os primeiros polícias tiveram de fugir debaixo da chuva de pedras e garrafas. Numa miríade de locais da cidade grupos bloquearam com assentamentos e manifestações, sem que as pessoas que escolhiam meios diferentes se atrapalhassem.

Na sexta-feira, a raiva irrompeu com uma força muito rara neste contexto (infelizmente) – claramente para conquistar a tranquilidade mortal da vida civil, quebrar a normalidade e perturbar o funcionamento da cidade dos ricos e do consumismo – mostrando que o estado policial não nos pode impedir de viver, constituindo uma experiência fortalecedora, sem dúvida alguma.

Ainda na sexta-feira, uma parte do espaço que as autoridades tomaram pela força bruta, para fazer actuar este espectáculo de poder, foi retomada por algumas horas.
Com barricadas em chamas e ataques firmes contra a polícia, as pessoas criaram um espaço onde podiam finalmente decidir o que queriam fazer durante algumas horas, sem que as forças do Estado tivessem qualquer controlo ou influência. Algumas lojas e supermercados foram saqueados e individualidades levaram o que quiseram ou necessitavam, outrxs decidiram destruir símbolos deste mundo mortal de consumo, que mortifica cada sensação de vida selvagem e livre, queimando-os nas ruas. A diversidade de individualidades que compartilharam as ruas neste dia – atacando a polícia, saqueando e construindo barricadas – foi impressionante e envolveu um grande número de pessoas que provavelmente não fazem parte de qualquer meio de protesto.

Quando qualquer auto-proclamado porta-voz, de quem quer que seja, diz que os confrontos foram fora de tom, irresponsáveis e apolíticos, apesar do profundo desgosto que nos causa o seu oportunismo adulatório é necessário dizer que está certo: tomar um espaço que não é controlado por polícias é um acto inevitavelmente violento e uma disrupção clara do que nos é imposto diariamente. Na verdade não tem nada a ver com qualquer agenda política ou programa de qualquer movimento ou organização- mas com o individual, com uma re-apropriação total das nossas vidas.

Se esses momentos de disrupção criam um certo desconforto ou mesmo medo de uma situação, na qual a ordem imposta estava verdadeiramente fora de tom, não é de espantar – estes sentimentos são parte inevitável e inerente do rompimento com esta realidade.Além do reconhecimento disto temos de nos perguntar de quem é o medo ou de quem estamos a falar. Se é sobre uma sociedade saciada e rica como a presente nesta cidade de consumo e comércio, assustada com a sua propriedade e que encontra no saque de bens e na destruição de zonas comercias os momentos mais assustadores destes dias, essa sociedade precisa de ser destruída. O seu medo é um sinal claro de que estamos a atingir o ponto certo.

A nossa domesticação neste mundo de autoridade é muito extensa.
O polícia na nossa cabeça é muito persistente.

Apenas alguns/mas podem imaginar o que significa realmente a ausência de autoridade
– é por isso que temos de criar momentos onde possamos fazer a experiência dessa ausência. Que xs indíviduxs tomem decisões que no rescaldo possam não parecer corretas ou responsáveis não é surpreendente. Nem nestas situações nem em nenhuma outra situação na vida. Temos de falar sobre estas coisas, obviamente, se nos queremos aproximar de uma ideia de liberdade. Tem de ser claro, então, que não há objectividade – especialmente na revolta. Responsabilidade individual e iniciativa daquelxs que a querem manter, são partes inerentes da revolta.

É fácil cair no discurso imposto pelas autoridades e preservadores desta ordem. Aquelxs que arriscaram a vida de pessoas de forma viciosa, nestes dias, eram polícias – não há dúvida alguma sobre isso. Cair naquela propaganda inflamatória e deixá-la controlar o momento libertador e fortalecedor destes dias seria um erro grave.

Durante este fim-de-semana, a resistência deixou o campo do protesto orquestrado politicamente – e de novo se torna claro que sob o chapéu da revolta há que escolher lados.
Ou estás do lado que procura ver esta sociedade, esta ordem, este sistema em ruínas- com a ideia de uma vida em liberdade e dignidade, abraçando todos os erros e triunfos que são inerentes à revolta; ou estás com aquelxs que reconhecem que se sentem mais confortáveis num domesticado e calculável ambiente de protesto, que ocorre no quadro seguro do sistema totalitário – com medo de tomar passos que nos possam levar na direção dos frios e vastos campos da liberdade.

anarquistas pela revolta social
Hamburgo, Verão 2017

em inglês l alemão

Hamburgo após o G20: Colecção de fotos (a preto e branco) a partir de St.Paul

Às pessoas que acreditam que na sexta-feira, 8 de Julho, durante os protestos contra a Conferência, o “nosso” (distrito gentrificado) foi destroçado, podemos responder, sem juízo de valor, que se encontra novamente (com algumas excepções, como o supermercado Rewe ou alguns multibancos) a funcionar em condições perfeitamente normais.

Todxs xs que acreditam que os media podem ser instrumentalizados e deixam os porta-vozes da imprensa falarem como representantes vão falhar miseravelmente. Qualquer pessoa que olhe para as análises da media de “esquerda” e propõe um fórum não tem nada a acrescentar ao debate sobre os protestos.

O facto de existirem críticas ao Rote Flora, que deixam os seus porta-vozes para a imprensa falar com os media, deve ser conhecido.

O “Druckerei und Copyshop” oferece um texto muito especial – na montra da sua loja – do Schanzenblitz, dos meios de alternativa de esquerda. A cópia do texto do esquerdista Junge Welt “Provozierte Eskalation” [Escalada Provocada], escrito pelxs jornalistas André Scheer, Georg Hoppe e Lina Leistenschneider, apresenta-se aí, copiado e aumentado significativamente. Xs “revoltosxs” são difamadxs de forma arrasadora, tratadxs por “idiotas úteis do poder de Estado”. Também se diz, por Junge Welt. “Entre os vários milhares de pessoas que estavam nas ruas, dificilmente se veriam os activistas de esquerda. Pelo contrário, pessoas que foram descritas como hooligans do futebol. Referem-se ao porta-voz de imprensa da Red Flora, também. A sua entrevista é citada, quando diz “a violência sem sentido termina em si mesma e é errada”, apoiando os autores no seu juízo errado.

Nada disto é inesperado e é importante oferecer contra-informação. Em primeiro lugar, uma discussão interna honesta, sem preconceitos, deve ter lugar sobre o evento, que permita diferentes opiniões e avaliações (para lá do que é publicado no absurdo do mundo da media).

Hotel Empire Riverside Hamburg **** em St. Pauli
Hotel Empire Riverside Hamburg **** em St. Pauli
Contra a cidade dos ricos
Restaurante Copper House em St. Pauli
Hafenstraße, na faixa lê-se: “Solidariedade com todos xs presxs *dentro”

McDonalds (desde 2009 em Schanzenviertel)

O vidro é estilhaçado e choras, pessoas morrem e não dizes nada…

Hotel Pajama Schanzenhof (“substitui projectos mais “alternativos” e é muito mal visto no distrito)
Rote Flora: “Toda a gente odeia a polícia” – “Todxs em liberdade”

Esmaga o G20 (A)

Sexta foi uma reação por quinta – RFA estado da bófia
Haspa em Schanzenviertel
Contra a cidade dos ricos! (A)

Tudo para todxs, depois do dia de regresso dos residentes (ligeiramente apagado)

em alemão

[G20 Hamburgo] As chamas de Hamburgo iluminam os sorrisos

No cartaz pode ser lido:

AS CHAMAS DE HAMBURGO ILUMINAM OS SORRISOS

“A polícia procura esmagar uma multidão de um milhar de pessoas com um grupo de apenas cem cossacos. É mais fácil abater uma centena de homens que um só, especialmente se este atacar de surpresa e desaparecer misteriosamente[…] As nossas fortificações serão os pátios internos para cada local donde é fácil de acertar e fácil de partir. Se tivessem de tomar esses locais não iriam encontrar ninguém e perderiam bastantes homens. É impossível que apanhassem todxs porque deveriam para isso encher cada casa de cossacos”

Aviso aos/às revoltosxs de Moscovo (1905)

O guião do espetáculo pré-estabelecido é ultrapassado.

Acontece em Hamburgo, coração económico do país hegemónico da Europa, durante uma das Cimeiras dos mais poderosos, neste caso um G20.

A foto e a declaração dos chefes de Estado, as experimentações da blinditadura de uma cidade, as previsíveis contestações mais ou menos radicais desceram para segundo plano e o que resta é uma revolta que se estende como mancha de leopardo por toda a cidade.

Sucede que a tentativa bem sucedida da polícia de carregar, seccionar e dissolver o fim da concentração daquele que para os jornais se iria tornar o “bloco negro maior do mundo” mais não fez do que espalhar revoltosxs por toda a cidade: por todo o lado colunas de fumo negro, barricadas, vidros partidos, lojas saqueadas.

Acontece que as colunas de blindados com os piscas seguiram fantasmas por toda a parte.

Nos bairros de Sternschanze e Sankt Pauli são recebidos por:
“Ganz Hamburg hasst die polizei” [Toda a Hamburgo odeia a polícia] entoado não só pelxs manifestantes mas também pelxs moradorxs.

Não raro garrafas, e até mesmo foguetes, chovem para baixo a partir dos estendais das janelas das casas, a polícia é recebida por aquilo que é, uma tropa de ocupação inimiga.

Sucede que cada desfile é cercado e dispersado com bocas de incêndio. A polícia sabe ser militarmente imbatível,  também xs amotinadxs o sabem – pelo que em vez de se concentrarem no cortejo concentram-se nas margens, nas ruas de Schanzenviertel, para o motim.

Xs revoltosxs preferem o morder e fugir à colisão frontal, desaparecer e reaparecer onde a polícia não está à espera.

Hamburgo arde e ensina: a mega-máquina das forças policiais mais eficientes da Europa, imbatível numa colisão frontal, nada pode fazer perante o alastramento da ação dispersa.

A insurreição é uma guerra assimétrica em que até mesmo o exército mais bem treinado não é capaz de lidar com ela – se for imprevisível e num território hostil. Na noite de 7 de Julho a polícia admite que perderam o controlo de algumas áreas da cidade. Ao alvorecer parte às represálias e algumas casas são invadidas e revistadas por forças especiais de armas em punho: exibição em muitas janelas de faixas contra o G20 e a polícia.

Durante três dias as chamas iluminaram Hamburgo, aqueceram-se os corações e quebrou-se a resignação, abrindo-se brechas no possível.

Para xs detidxs nessa jornada vai toda a nossa solidariedade, não deixamos sós xs que caíram nas mãos do inimigo.

Anarquistas

em italiano

Berlim, Alemanha: Caminhão STRABAG queimado em solidariedade com presxs No-G20

Antes do Cimeira e após a Cimeira, solidariedade com xs prisioneirxs – ataque sobre a STRABAG

Obrigado, recebemos os insultos em todos os canais e de todos os lados, eles nos fortalecem e nos lembram do fato de que em Hamburgo agimos da maneira apropriada. Sim, somos Caóticxs e não só queremos pôr as suas noites em chamas mas também a sua vida quotidiana. Os seus arrotos contentes, à mesa do café da manhã  enquanto lê os relatórios da barbárie capitalista diária, nos repugnam.

Obrigado por se distanciar de nós, desse modo alguns traidores ficaram novamente expostos, por exemplo Andreas Beuth [1].

Os nossos inimigos estão a repetir os mesmos rituais de auto – purificação que no 1º de Maio de 1987 em Kreuzberg, nas rebeliões dos Banlieues em 2005 e em Londres, em 2011. Descobrimos outras afinidades, incluindo as pessoas que seguiram as chamadas para Hamburgo. Alguns/mas delxs não chegaram a casa e agora estão à espera de serem julgadxs pelo judiciário de Hamburgo. Estxs prisioneirxs devem ficar a saber – não nos distanciamos de coisa alguma.

Na noite de quarta-feira, 26 de Julho, iluminámos um caminhão STRABAG em Lichtenberg, Berlim. STRABAG é uma empresa apoiada pelo Grupo CG  – não só em Friedrichshain – na conversão de cidades em bairros para a elite e futuros distritos de miséria.

Para nós, este é um pequeno sinal de solidariedade que enviamos a todxs xs lutadorxs que foram presxs e perseguidxs no decurso dos protestos do G20. Podemos atacar quando e onde quer que queiramos, sempre e em toda a parte.

Anarquistas

Nota dxs tradutorxs:

[1] Advogado do centro social “Rote Flora” que, poucas horas depois da Contra-Cimeira do G20 em Hamburgo, condenou a violência dxs rebeldes nas páginas do jornal “Hamburger Abendblatt”.

em inglês via Insurrection News

[Após o G20 em Hamburgo] Chamada de solidariedade

Na altura de caça aberta da bófia, media e “público” aos/às manifestantes anti-G20 (incluíndo-se as demandas de um linchamento que circula na internet), é essencial lembrar quem ficou feridx durante os protestos contra a Cimeira do G20 em Hamburgo e as dezenas que ainda estão sob investigação, enjauladxs pelo Estado alemão.

Nenhuma consideração, no entanto, para uma grande parte da sociedade que – juntamente com as autoridades públicas e os media – não só aceita o estado policial, que se testemunhou em Hamburgo, como ainda o deseja ver reforçado.

Agora é hora de grupos e/ou indivíduos organizarem eventos de solidariedade, reforçarem as doações e expressarem todo o tipo de apoio com xs presxs, p. ex. escrita de cartas, assim que os endereços de contato sejam conhecidos.

Vamos agir em solidariedade com todxs os represaliadxs durante o G20 e atualizar sobre a sua situação, através de redes de informação. Certifique-se de que elxs não ficam sózinhxs.

Quanto mais ações, mais pressão sobre as autoridades, os media e o seu mundo. Pela anarquia!

alemão l inglês l italiano l espanhol

Atenas: Faixas de solidariedade internacionalista, em Exarchia

Na manhã desta terça-feira, 11 Julho de 2017, membros da Okupa Themistokleous 58, juntamente com compas afins, levantaram algumas faixas em solidariedade com três casos diferentes.

TEMOS AS CHAVES DE TODAS AS PORTAS, SOLIDARIEDADE COM A OKUPA KIKE MUR EM SARAGOÇA, ESPANHA..

A partir da varanda da 58 pendurou-se uma faixa em apoio à C.S.O Kike Mur, em Saragoça, Estado espanhol, que está ameaçada de despejo pelas autoridades locais. No edifício (uma antiga prisão), ocupado há 7 anos, há espaço para atividades e expressões de solidariedade anarquista, como foi o caso da faixa gigante no âmbito da campanha internacional do Fevereiro Negro, em Fevereiro de 2013.


SOLIDARIEDADE COM XS INSURRECTXS DO NO-G20.

Nas grades da antiga faculdade de Química foi colocada uma faixa para apoiar todxs aquelxs que enfrentaram as forças repressivas nas ruas de Hamburgo nos últimos dias, contra a Cimeira dos 20 Estados mais poderosos do planeta. Agora é o momento de difundir a necessidade de apoiar xs reféns da G20.

ASS(A)LTA OS BANCOS ! LIBERDADE PARA LISA, ANARQUISTA PRESA NA AL€MANHA.

Das janelas do edifício Gini, na Politécnica, pendurou-se uma faixa em solidariedade com Lisa, anarquista condenada a 7,5 anos de prisão por assalto a banco em 2014, em Aachen, na Alemanha.Que não se deixe nenhum/a presx nas mãos do Poder: ATAQUE AO ESTADO/CAPITAL E À DOMINAÇÃO!

Okupa Themistokleous 58
e compas afins

em grego l inglês l alemão l espanhol

Besançon, França: Ação de solidariedade com xs insurretxs em Hamburgo no âmbito da Cimeira do G20

Alguns/mas em Besançon, durante a Cimeira do G20, em Hamburgo, grafitaram vários slogans. Já outros slogans que foram graffitados a spray, tais como: “Welcome to Hell G20” [Bem-vindo ao Inferno, G20], “Contre le G20 et son monde” [Contra a Cimeira do G20 e o seu mundo] ou “Sauvez la nature, détruisez la civilisation” [Perseva a natureza, destrói a civilização] (A) infelizmente já não poderiam ser fotografados, porque rapidamente foram removidos pelos Serviços de limpeza municipais.

ESMAGA G20

HAMBURGO ESTÁ A QUEIMAR (A)
ABAIXO O CAPITAL! NO G20 (A)
SOLIDARIEDADE COM A REVOLTA EM HAMBURGO – NO G20
“Hamburgo incontrolável! Nog20” (graffiti deixado na fachada dos escritórios da SDF – a companhia de segurança que instala entre outros, o sistema de alarme e vigilância em supermercados).
NEM LEI NEM PATRÃO
NEM LEI NEM MACRON SOLIDARIEDADE COM XS IMIGRANTES
ABAIXO A DITADURA DO CAPITAL
HABITAÇÃO PARA TODXS, PROPRIEDADE DE NINGUÉM (A)

em alemão

Hamburgo: Bem vindo ao infernal inferno dum estado policial

Até 7 de Julho de 2017
A polícia atacou como se tornava previsível já – nos dias anteriores à manif do Welcome to Hell da noite de quinta-feira – de forma brutal e quase sem aviso. Pessoas subiram os muros laterais, em pânico, canhões de água extremamente perto e virados até para as pessoas que se encontravam nos telhados circundantes a observar a paisagem. O ataque foi executado simultaneamente em vários locais, um ataque frontal, lateral e pela retaguarda de extrema violência. A assembleia com mais de 10 000 manifestantes, no mercado de peixe de Hamburgo, foi dissolvida cerca das 20 horas. A raiva reprimida irrompeu; após a derrota da manif, cerca de 4000 pessoas participaram noutra manif espontânea e foram feitas várias ações diretas nas ruas de Hamburgo durante o resto da noite e que se prolongaram até ao dia seguinte.

https://www.youtube.com/watch?time_continue=11&v=Cd6fWPSEeRU

7 de Julho de 2017 e madrugada de 8 de Julho
Num bloqueio, na sexta-feira de manhã, na Schnackenburgallee  cruzamento com a Rondenbarg, foram relatadas dezenas de pessoas presas, muitxs delxs feridxs. Para escapar da violência da polícia, os manifestantes tentaram ultrapassar uma cerca de quatro metros de altura, o qual entrou em colapso sob o peso de pessoas. A polícia provocou nesse momento uma situação de pânico sem ter em conta as consequências. O resultado: 14 feridxs foram hospitalizadxs, dos quais 11 gravemente feridxs.

Após o dia da abertura da cimeira do G20, na noite de 6ª feira para sábado, a polícia perdeu completamente o controlo de zonas de Hamburgo. Nem os 15.000 polícias – além dos solicitados a outros estados e que já foram aprovados – nem os mais de 20 canhões de água ainda a ser utilizados, nem a massa pulverizada de gás lacrimogéneo nem a cassete nem os punhos conseguiram colocar a situação sob controlo. Por último, na cidade hanseática, assistiu-se à utilização de unidades especiais fortemente armadas anti-motim a serem utilizadas contra a sua própria população.
Depois da meia-noite, uma força especial armada com metralhadoras invadiu uma casa dos Demónios Verdes, onde xs paramédicxs da manif tratavam xs feridxs. Uma pessoa ficou ferida e tão mal que xs Demónixs queriam levá-la a um hospital. Demónixs foram interpeladxs e chamadxs com uma metralhadora em riste: “Mãos ao alto!” E isso significa claramente que de outra forma isso seria feito pelos tiroteios. Em seguida, xs paramédicxs da manif foram levadxs individualmente para dentro de casa, entretanto estão todxs livres, novamente. A pessoa ferida foi colocada nos serviços de emergência, após negociações com a polícia.

Mas não é só nas ruas, a polícia vai usar a força contra todxs xs que se opõem a eles. No centro de detenção na Schlachthofstrasse, em Hamburg-Harburg, um advogado foi maltratado por três policias durante a madrugada de 8 de Julho. O advogado insistiu que o seu cliente não iria partir, o que levou a bófia a agarrar-lo e a agredi-lo no rosto, torcerem-lhe o braço e a arrastarem-no depois para fora do centro de detenção.

Dias 8 e 9 de Julho
Após o dia da ação contra a cimeira do G20 a 7 de Julho e da evacuação da polícia do bairro Schanzenviertel, a LKA (autoridade policial do estado federal) invadiu o centro internacional B5 na Brigittenstrasse em St.Pauli. Às 10:45 da manhã, uma unidade de captura de provas invadiu a casa do clube e agrediu as pessoas presentes, assim como dois apartamentos particulares no mesmo edifício foram pesquisados. Durante as incursões, duas pessoas ficaram feridas e foi lhes negado atendimento médico.

Em 8 de Julho, ocorreu uma manifestação massiva com o lema “Solidariedade sem fronteiras em vez de G20. Durante a manif houve várias operações policiais contra os manifestantes. Os manifestantes de Hamburgo foram particularmente alvo de uma unidade de captura de provas.

Em toda a cidade, a polícia de Hamburgo procurava ativistas internacionais em albergues e em estações de trem. Alegadamente, as autoridades estavam especialmente à procura de manifestantes italianos e franceses enquanto procuravam bandeiras curdas. Já durante a grande manifestação, cerca de 15 italianos foram presos. Ordens de prisão foram emitidas contra 15 pessoas, 28 permanecem em prisão preventiva. Alguns dos detidos foram transferidos para prisões em Billwerder e Hanöversand. As celas do centro de detenção em Harburg foram lotadas sem necessidade. Certas células foram ocupadas por oito em vez de cinco reclusos. A temperatura nas celas chegou aos 35 °C, não lhes tendo sido fornecidas celas com climatização. Alguns dos presos relataram que só receberam duas fatias de pão, no decorrer de 24 horas.

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Para domingo, foi anunciada uma manifestação no centro de detenção de Harburg para exigir a libertação de todxs xs presxs. Segundo o comunicado emitido “Vamos continuar a demonstrar a nossa solidariedade com xs detidxs e a raiva contra os órgãos de repressão nas ruas, exigindo a sua libertação e contra a repressão e prisões“.
A manif começa na Praça Harburg Town Hall (S-Bahn-Harburg Rathaus), passando pelo centro de detenção e terminando no centro de Harburg.

Por uma vida sem prisões e repressão 

Mais informação: g20ea.blackblogs.org/

Hamburgo: Atentado incendiário à frota de veículos da “Deutsche See”

A respeito do atentado incendiário realizado – a 28 de Abril de 2017 – no parque de estacionamento da frota da “Deutsche See”, em Hamburgo.

– Atacar o G20 significa atacar também quem beneficia da destruição da fauna marítima a nível mundial

– Em Hamburgo diz-se “Tschüß zur Deutschen See” [Tchau ao Mar Alemão]

“O nosso peixe é incluído no welcome to Europe, mas nós…tchh, é preferível ficarmos ao largo”
(declaração de um pescador senegalês)

Já nos anos 80 a Europa apostava na pescaria dos fundos marítimos dos mares do Sul, as fábricas flutuantes de pescado pouco ou nada deixavam aos pescadores locais. Nas costas da África Oriental, por exemplo na Somália, muitos dos pescadores deixados sem peixe pelas frotas europeias mudaram de trabalho e tornaram-se piratas.

Em 2012, um quarto da pesca europeia foi capturada em águas internacionais mas nos territórios de países da África Ocidental – como a Guiné, Mauritânia e Senegal – após o governo senegalês retirar temporariamente as licenças aos arrastões da UE mudaram o seu pavilhão ou criaram joint ventures [empreendimentos conjuntos]. Um grande número de refugiadxs do Senegal trabalham agora nas plantações em Almería (Espanha), na colheita tomates – para supermercados nos quais está disponível, nos seus congeladores, peixe vindo do seu mar.

Várias centenas de milhões de pessoas dependem do peixe como alimento. O estudo do WWF “Sobrepesca e desnutrição” é o prognóstico de que num futuro próximo cerca de um milhão de pessoas – no Senegal e Indonésia – não poderão contar com o peixe como alimento de base.
De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas, apenas 13% do montante global de peixe é grande o suficiente para ser capaz de até mesmo se regenerar. A causa da estagnação dos lucros da pesca marítima não se devem às restrições mais severas dos anos 90 mas sim ao esvaziamento dos oceanos.

A aquicultura convencional difere pouco da reprodução de animais intensiva, como por exemplo o praticado na produção de fábrica de aves. As colónias intensivas de produção de camarão – veja-se o caso da costas da Tailândia ou do Vietnam – destruíram os habitats em áreas ribeirinhas de florestas de mangue.

A Deutsche See, com sede central na Bremerhafen, é a líder nacional da indústria do processamento de pescado. Apenas 20% do peixe consumido na Alemanha provém do Mar do Norte ou do Báltico. Quanto ao restante peixe esse é levado pela empresa doutros mares do mundo; a Bremerhafen gere a “indústria de pescado mais moderna” da Europa. 60.000 toneladas de peixes são “processadas” anualmente, com um volume de negócios de 400 milhões de euros. O peixe custa caro. Os índices – como o do Oslo Sefood Index – apresentam um novo record. De 20 locais, os caminhões frigorífico Bremerhafen são enviados até à Baviera, de modo a satisfazer o desejo ilimitado dos alemães por peixe fresco.

Em Hamburgo, a poucos metros do “Deutsche See”, situa-se o restaurante do porto de pesca onde os ministros das Relações Exteriores da Rússia e norte-americanos jantaram, durante a cimeira da OSCE – na cimeira do G20 servirão aqui os delegados.

– Escarrar na sopa de peixe do G20
– nenhum muro à volta da Europa, refugees welcome

Fonte: Linksunten

em italiano

Alemanha: Mensagem do companheiro preso Thomas Meyer- Falk aos/às manifestantes contra o G20 em Hamburgo

Por uma sociedade sem prisões!

Solidariedade e saudações afectuosas a partir da prisão! Quando os representantes das nações do G20 se encontrarem em Hamburgo, a élite das empresas carcerárias, representadas por Merkel, Trump, Putin e Erdogan, também se encontrarão.

Agora, neste momento, muitas dezenas de milhares de prisioneirxs na Alemanha, França, Reino Unido e Turquia estão atrás das grades, bem como milhões outrxs nos EUA, China, Rússia, Arábia Saudita, etc!

E também em Hamburgo é certo que agora são milhares as pessoas nas prisões do suposta “livre” cidade hanseática [o nome completo de Hamburgo é cidade livre e hanseática de Hamburgo]. Para abrir espaço para ainda mais, foi construído um centro de detenção extra (até 400 prisioneirxs). 100 juízes ofereceram-se para legalizar as prisões efetuadas pela polícia durante a cimeira.

Quem ataca o G20 também ataca o complexo prisional-industrial. Um sistema baseado na exploração e opressão. Um sistema no qual a polícia, o judiciário e a economia trabalham de mãos dadas. Um sistema que intimida e remove permanentemente as pessoas do processo político, mas ainda assim os “recicla” economicamente.

Para todxs vocês em Hamburgo, por horas e dias ativos e combativos!

Do coração, sentidas saudações oriundas da prisão de Freiburg.

Thomas Meyer-Falk
(prisioneiro com pena de longa duração desde 1996)

em alemão l italiano l inglês

[lembrete] Dias de ação internacional contra o G20, Hamburgo 2017

Dias de ação internacional contra o G20, Hamburgo 2017

Bem-vindxs ao inferno
Resistência ao vivo – Junte-se ao bloco negro
06 de Julho * manif anticapitalista
07 de Julho * bloqueios § ação de ancoragem –
08 de Julho * manif massiva
https: // g20tohell.blackblogs.org

Manifestação anti-capitalista internacional contra a Cimeira dos G20

G20: Bem vindos ao inferno

Quinta-feira, 6 de Julho de 2017, às 16:00,
Mercado do Peixe do bairro St. Pauli, Hamburgo

Quando os chefes de governo dos 20 países mais poderosos do mundo chegarem no dia 6 de Julho – com os meios de comunicação mundiais reunidos à espera de notícias da zona de crise, à volta dos salões de exposições de Hamburgo – já estaremos nas ruas.

Estamos a mobilizar-nos internacionalmente para que se transforme Hamburgo num local e ponto de exclamação da resistência contra as antigas e novas autoridades do capitalismo.

Uma manifestação na véspera da Cimeira do G20 expressará protesto e resistência, crítica radical e prática contra o patriarcal e capitalista estado das coisas. Estamos a resistir à prioridade discursiva das recepções e das conversas informais durante os dias a seguir.

O G20 está a criar um estado de emergência temporário e reverso político disso apoia cada uma das coisas contra as quais estamos a lutar. A polícia e os militares estão presentes nos telhados de Hamburgo durante a Cimeira e encontram-se a perpetuar regimes capitalistas, em todo o mundo. Tanto os modelos capitalistas neoliberais como os ditos proteccionistas fazem parte, similarmente, da exploração global, da compartimentação e empobrecimento.

Se essa violência cínica vai ser óbvia ou, pelo contrário, superada por grandes recepções e belas fotos também isso estará em jogo durante os dias quentes de Hamburgo.

Estamos a opor-nos à Cimeira, bem como a qualquer esforço para incluir a crítica política e resistência como uma parte da instrumentalização da Cimeira enquanto instituição democrática. Cimeiras como o G20 e instituições como o FMI, a OMC ou o Banco Mundial serem instrumentos de paz, direitos humanos ou de políticas climáticas é uma das grandes mentiras e ilusões dos poderes, sejam quais forem.

Quando as peças da política global estiverem selecionadas, após a Cimeira de 9 de Julho, o capitalismo e a exploração ainda existirão. No fim do dia serão as declarações finais e resumos voltados para o sucesso dos corpos políticos reunidos e público. Crises e guerras fazem parte do sistema capitalista, da mesma forma o protesto e escândalos são parte da orquestração da Cimeira. Cabe-nos abrir uma nova página e novas perspectivas de resistência.

O triunfo aparentemente incontestável do capitalismo deixou um rastro de devastação. A guerra é predominante não só como conflito militar mas também nas mentes de mais e mais pessoas. Uma multidão racista está a se mobilizar na Alemanha, em toda a Europa e em todo o mundo. Ideias raciais e nacionalistas estão a ser aceitáveis novamente. Entre outros, populistas de direita e os fascistas conseguiram uma viragem do discurso da sociedade para a direita.

Estão a ser feitos apelos a Estados fortes e fronteiras fechadas, com mais e mais força. Guerras por procuração para esferas de interesses – instrumentos de ordem mundial criados no século anterior e naquele antes disso – aparecem mais do que nunca com vista a serem meios legítimos para atingir fins políticos. Estamos num momento de crescente nacionalismo e ódio voltado para as minorias. Pogroms contra refugiados e outros grupos populacionais além da maioria. Ataques contra homossexuais e pessoas trans * ou inter * assim como a significância do fanatismo, tal como a da persuasão, estão a aumentar dramaticamente.

Migração e deslocações serão pontos focais da Cimeira e dos protestos também. Não se trata da liberdade de movimento para todos, nem mesmo corredores de deslocações seguros para evitar a morte em massa no Mediterrâneo a serem estabelecidos. Em vez disso, são as fronteiras e o fluxo de bens que estão a ser salvaguardados. Cinismo e promoções duvidosas prevalecem, enquanto a Cimeira está a tomar o seu curso.

A lógica do valor capitalista deverá expandir-se para os últimos recursos nas metrópoles, bem como na periferia das regiões rurais. No entanto, a penetração capitalista mundial também está a conectar o terreno da resistência. Por exemplo, a resistência contra projetos de mineração na Columbia está ligada a lutas político-urbanas contra a estação de moagem de carvão Moorburg, no porto de Hamburgo, que utiliza o carvão columbiano como recurso.

A devastação e a migração devido ao aquecimento global estão diretamente relacionadas à luta pelo direito de permanecer. As conexões de interesses de exploração capitalistas podem ser demonstradas, criticadas e confrontadas politicamente. A resistência ao G20 deve focar-se nessas interdependências à escala local e global e desenvolver relações mútuas e práticas de resistência.

Resistência em massa variável e imprevisível vai interromper os procedimentos tranquilos do desenrolar da Cimeira. Muitas pessoas vão se levantar contra esta encenação do poder – politicamente e na prática. Ao contrário da oposição civil, não vamos sugerir alternativas para manter o sistema capitalista vivo. Opor-nos-emos à opressão, exploração e exclusão de forma coletiva e com solidariedade.

Auto-organize-se, seja criativo e contribua vociferantemente, com raiva e poderosamente para a manifestação internacional anti-capitalista de 6 de Julho. Deixe essa manifestação ser uma primeira expressão de nossa resistência e do nosso antagonismo inconciliável às condições prevalecentes e ao espetáculo da Cimeira.

Em frente com a revolução social!

Começaremos no dia 6 de Julho, às 16:00, com uma ótima reunião de abertura. Contribuições culturais, musicais e políticas serão realizadas. A partir das 19:00 a manifestação aproximar-se-á da zona vermelha e a concentração final será levada a um lançamento de pedras da localização da Cimeira, nas salas de exposições.

Não deixe o capitalismo deitá-lo abaixo – Resistência ao vivo!

Aliança autónoma e anticapitalista “G20 – bem vindo ao inferno!”

Quinta-feira, 6 de Julho de 2017, 16:00,  Mercado do peixe do bairro de St. Pauli, Hamburgo

em inglês

Alemanha: Ação solidária da CNA Dresden com todxs aquelxs que estão a enfrentar a repressão policial em Hamburgo

Não deixes que o sistema te faça ir abaixo!

O G20 mais uma vez atingiu em pleno rosto todxs aquelxs para xs quais a justiça social e a liberdade não são uma utopia. Para compensar a nossa raiva realizamos uma ação de colagem de cartazes. Queremos não só mostrar a nossa solidariedade como também confrontar as pessoas do nosso bairro com os incidentes em Hamburgo e a repressão que lá está a ter lugar.

Por um mundo de solidariedade e justiça sem hierarquias e exploração. G20 bloqueado!

ABC Dresden via linksunten.indymedia

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