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Não é novidade que o estado grego acuse os “criminosos” das lutas sociais, baseado em evidências fabricadas

No dia 17 de Setembro de 2010, quatro pessoas armadas assaltaram uma filial do Banco Nacional da Grécia, na cidade de Psachna, na Ilha Evia (norte de Atenas). Meia hora depois, numa auto-estrada nos arredores de Panorama, próximo de Chalkida, capital da ilha, um homem de 27 anos, um homem de 28 anos e uma mulher de 35 anos de idade foram presos. Quando foram levados para a delegacia de polícia, os dois homens – Alexandros Kossyvas e Michalis Traikapis – foram acusados de assalto à mão armada ao banco, e Maria Economou foi acusada de “auxiliar e cúmplice dos fugitivos”. As acusações foram baseadas, principalmente, na conexão dos companheiros e da companheira com a cultura anarquista (M. Traikapis foi um dos “7 deThessaloniki” preso na manifestação contra a reunião da União Europeia de 2003, e finalmente libertado após uma longa greve de fome)

Não encontraram em poder dos três companheiros, no momento em que foram presos, nem armamento nem dinheiro, enquanto as invasivas investigações em suas casas, em Atenas, não revelaram mais do que “máscaras de ski, quatro balas 9 mm, e outros objetos que estão sendo investigados”. Deste modo, em função da inexistência de qualquer evidência incriminatória, as autoridades basearam as suas acusações em depoimentos infundados e contraditórios, fornecidos pelos moradores da região, e que se referem à similaridade de aparência dos acusados com os “criminosos” (um dos habitantes locais, um assistente de quiosque, supostamente recordou-se de um dos companheiros – num momento anterior ao roubo – por aquele ter perguntado: “com licença. Aonde é o banco?”)

Os três negam as acusações, e são conhecidos das autoridades devido à sua participação ativa nas lutas sociais há anos; isso foi motivo suficiente para que A. Kossyvas e M. Traikapis fossem retidos sob detenção pré-julgamento, enquanto M. Economou foi solto, à espera de julgamento.

Somente a dois meses do julgamento do caso do assalto ao Banco Nacional em Psachna, Evia, os dois companheiros M. Economou e A. Kossyvas foram informados que estão a ser acusados em mais um caso: o roubo de outro Banco Nacional, em Schimatari, Viotia. No dia 18 de Agosto de 2011, M. Economou e A. Kossyvas (ele ainda está preso em função da detenção pré-julgamento) compareceram perante o procurador de Tebas que impôs mais restrições às condições de liberdade provisória para ambos, resultado das novas acusações fabricadas.

Texto escrito pelo preso político A. Kossyvas acerca da prolongada ação judicial contra ele

12 de Agosto, 2011

Experienciando uma detenção preventiva por onze meses – o que é inconsistente, mesmo nas “racionais” armações da justiça burguesa – e com o julgamento marcado para o dia 18 de outubro de 2011, baseado em indícios duvidosos praticamente inexistentes, as autoridades policiais, no meio da indolência de verão, apresentaram um laudo de depoimento juramentado apresentado por uma falsa testemunha-neocolaboracionista que data do dia 24/9/2010 (exatamente no dia em que eu e o companheiro Michalis Traikapis atravessámos o limiar das prisões judiciais de Koridallos acusados de roubo do Banco Nacional da Grécia em Psachna, Evia, no dia 17/9/2010) indicando-me como suspeito pelo roubo do Banco Nacional em Schimatari, Viotia, na segunda-feira, 29 de Março de 2010 (antes da Páscoa).

Seguindo, é claro, a acusação ex-officio (que concede direitos de autoridade a quem representa determinado cargo, o procurador de Tebas mandou uma intimação que, aliás, não foi entregue nas prisões Koridallos onde estou temporariamente detido, mas foi descoberta acidentalmente por um vizinho do antigo bairro em que eu residia. Tive que aparecer diante dele no tribunal de instância de Tebas para receber “tempo limite”, e para descobrir, chocado, que Maria Economou é também ré neste caso: embora sua residência permamente seja conhecida, e embora ela apareça mensalmente na delegacia de polícia de sua região em função das condições de restrição impostas pela liberdade condicional, ela nunca recebeu, e nunca foi enviada, obviamente, uma intimação da polícia – que nos últimos tempos tem omitido intimações com a intenção de criar confusão, falsas impressões e emitir pedidos de prisão.

A escolha do momento não é coincidência; nem o fato de que os falsos depoimentos que nos conectam com o assalto estão guardados nas gavetas dos órgãos de Segurança do Estado há quase um ano, e também não é coincidência que estes documentos foram obtidos pelos mesmos polícias que montaram a história de Psachna em Setembro do ano passado, seguindo as fórmulas comprovadas de testemunha contraditória que declaram qualquer coisa que a polícia secreta ditar.

É irrelevante se as evidências que nos associam também com o roubo em Schimatari são fabricadas, e o segundo depoimento do colaborador local da polícia no dia 24/9/2010 é diametralmente oposto ao primeiro, no dia 30/3/2010, e gritantemente falso e hilariante. A ordem foi dada.

O nosso novo processo são as decisões políticas de um governo social-fascista, dos escalões superiores dos ministérios de Proteção ao Cidadão e Justiça, assim como dos quartéis- generais da polícia. É uma estratégia do aparelho do Estado que se apresenta evidentemente como ofensivo e repressivo.

Tal perseguição está entre outras dezenas que se direcionam contra insurgentes, anarquistas e lutadores aprisionados. Faz parte da submissão a julgamento perante a corte-marcial, que decorrem de sentenças que essa mesma corte impõe. Seu alvo é a aniquilação política e social. Vamos então contra-atacar.

Solidariedade com os presos políticos significa a intensificação da luta radical dos dissidentes.

LIBERDADE PARA TODOS NÓS
Amigável e companheiramente,
Alexandros Kossyvas
Prisões de Koridallos, Ala 1
(Original em grego)

Texto de M. Economou sobre a nova convocação do tribunal (em inglês)

13 de Agosto, 2011

Texto assinado por seis presos políticos acerca da ação judicial contra a companheira M. Economou e o companheiro A. Kossyvas (em inglês)

16 de Agosto, 2011

[. . .] Nós não iremos focar os polícias que “exageraram”, os promotores públicos que “foram arbitrários”, os jornalistas que “desinformaram”. O que pretendemos é, através de nossa própria história, descrever os termos modernos da submissão. Para expor, na perspectiva comum, essas pequenas histórias que compõem todo o mundo bárbaro que nos cerca. Cada um de nós deveria tomar uma posição. Nós tomámos a nossa. Reivindicamos o cancelamento das acusações e nossa imediata libertação, sem implorar por nada. Nós não somos vítimas; nós somos parte de nossas escolhas. Por tudo o que fizemos, por tudo o que não fizemos, por outras coisas que deixamos. Ninguém deveria procurar os “inocentes” entre nós. Estamos do lado dos que são chamados repetidamente de “culpados”. Estamos próximos dos pobres diabos, dos imigrantes, dos fora-da-lei, dos ladrões, dos “terroristas”. E assim permaneceremos: pelo que nos antecede, agora e sempre.

Alexandros Kossyvas, Michalis Traikapis, Maria Economou — 19 de Outubro, 2010

Apoiemos os companheiros Alekos Kossyvas, Michalis Traikapis, Maria Economou!
SOLIDARIEDADE COM TODOS OS LUTADORES APRISIONADOS E PERSEGUIDOS

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