Arquivo da Categoria: Prisão-Reclusão

Porto Alegre, Brasil: Faixas de memória e contra as prisões

Recibido a 19/11/2018:
Na segunda-feira, dia 12 de novembro de 2018, amanheceu no viaduto Tiradentes, na avenida Protásio Alves, uma faixa em memória dxs compannheirxs Kévin Garrido e Mikhail Zhlobitsky.

Na mesma manhã, na passarela que dá acesso à Rodoviária, uma faixa que mostra todo nosso repudio às grades surgiu também, mesmo tendo um objetivo mais simbólico. Sei que muitxs ficaram incomodadxs, chocadxs e quem sabe até alguns surpresxs e outrxs curiosxs.

Preparemos uma recepção à altura de um governo fascista, assim como faríamos com qualquer governo pois busquemos o fim das correntes e não uma corrente maior.

Enquanto não esquecermos de nossos compxs mortos e sequestradxs, nossa busca pela liberdade continuará.

Que viva a Anarquia!

[Indonésia] Julgamento dos prisioneiros anarquistas em Yogyakarta (atualização)

Informações recebidas a 9/11/2018, acerca dos prisioneiros anarquistas em Yogyakarta dizem-nos que se encontram bem, na medida do possível – o companheiro BV tem sentido falta de ar, começa agora a melhorar.

O processo dp julgamento vai ser muito longo, especialmente para o companheiro BV, AM e W.
Em relação aqueles cujas audiências foram realizadas a 8.11.2018, procedeu-se já à apresentação da sua defesa, tendo recebido antes as demandas do Ministério Público – uma pena no máximo de 10 meses – na audiência de 1.11.2018 no Tribunal Distrital de Sleman.

Atualmente encontram-se confinados na Prisão Cebongan em Sleman, aguardando a seguinte sessão de julgamento, com o veredicto marcado para 22.11.18.

Continuaremos a atualizar a informação assim que surjam novos desenvolvimentos.

ATÉ QUE TODOS SE ENCONTREM EM LIBERDADE!

Mais informação em Palanghitam.noblogs.org

Email: civilrebellion@riseup.net

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[Santiago do Chile] Assassinam na prisão o companheiro Kevin Garrido – semana de agitação em sua memória de 5 a 12/11

SEMANA DE AGITAÇÃO E PROPAGANDA EM MEMÓRIA DE KEVIN GARRIDO

Na manhã de 2 de novembro de 2018 foi assassinado, no interior da prisão concessionada Santiago 1, o companheiro Kevin Garrido. A primeira informação fala de uma possível luta, no entanto qualquer morte no interior das prisões constitui um assassinato cúmplice com as engrenagens carcerárias e as estatais.

DE 5 A 12 DE NOVEMBRO

PELA DESTRUIÇÃO DE TODAS AS PRISÕES

KEVIN GARRIDO PRESENTE!!!

N.T. O companheiro Kevin Garrido Fernández tinha sido acusado do ataque `à bomba frustrado contra as 12° comissariado da polícia (29/10/2015) e do atentado explosivo contra a Escola da Gendarmeria (19/11/2015) em Santiago. Além de posse de pólvora negra e arma branca.  Após 3 anos em prisão preventiva, a 5 de setembro (2018) foi condenado a um total de 17 anos de prisão. Encontra-se na Prisão Santiago 1 em Santiago, no momento do seu assassinato, no dia 1 de novembro.

FOGO E EXPLOSÕES EM TODAS AS PRISÕES!

[prisões gregas] Pola Roupa, companheira da Luta Revolucionária, sentenciada a prisão perpétua mais 25 anos

[A sentença refere-se a um ataque explosivo ocorrido 10 de Abril de 2014 contra a sede do Banco da Grécia, em Atenas]

O Tribunal impôs uma sentença de prisão perpétua mais 25 anos à companheira Pola Roupa, adotando a proposta de sentença do acusador do ministério público Drako. A sentença de prisão perpétua a que o companheiro Nikos Maziotis foi condenado, em 2016, pelo mesmo ataque não é apenas uma vingança radical contra os dois rebeldes não arrependidos e coerentes que não foram entregues à prisão em 2013 no final do primeiro julgamento da Luta Revolucionária – entraram na clandestinidade a fim de continuar as ações da Organização. Isso prova, de acordo com os argumentos do acusador Drako, a periculosidade das ações da Luta Revolucionária como um meio de minar e derrubar a economia e o Estado.

Recordemos que o acusador Drako afirmou no seu discurso que o ataque ao Banco da Grécia poderia causar o colapso do prédio e que, se o prédio tivesse entrado em colapso, o sistema financeiro e a economia do país entrariam em colapso.

A sentença de prisão perpétua para Roupa, tal como para Maziotis, confirma do lado do inimigo, isto é, do Estado, a correção da estratégia da Luta Revolucionária, que considerava que os principais golpes em estruturas-chave de um sistema já enfraquecido em crise poderiam causar o seu colapso.

Solidariedade à Luta Revolucionária

em inglês via 325nostate l italiano

Treviso, Itália: Instalações da Liga do Norte atacadas pela célula Haris Hatzimihelakis

Cansadxs de ficar em silêncio, fartxs de ver violência sistemática e diária a ocorrer na sociedade – seja através do racismo, sexismo ou trabalho assalariado – cujos valores essenciais são autoridade e lucro. Enfastiadxs da exploração, a vermos todos os partidos políticos como o principal responsável disso – como elxs reprimem a liberdade com o aparelho estatal, reformista e repressivo (TV, media, associações, exército, proteção civil, etc.). O estado e o capital são os maiores criminosos, até violam as suas próprias leis – roubando através dos impostos, matando através das guerras e do trabalho assalariado, rejeição de botes de migrantes no mar, campos de concentração para imigrantes na Europa e África, contaminando irreversivelmente seres humanos, animais e todo o planeta – tudo pelo lucro e poder.

Não esqueçamos a cumplicidade hipócrita da sociedade composta por cidadãos/ãs que fingem não ver os horrores do racismo e nacionalismo, presentes e passados. Essa aceitação é o pilar do totalitarismo e da democracia: ao longo do tempo a autoridade baseada na indiferença, medo, apatia foi não só sócapaz de criar gulags e campos de concentração nazis e, presentemente, os campos de concentração na Líbia e fora das nossas casas. É uma história que se repete a si mesma.

12.08.2018

Na madrugada desse dia as instalações da Liga do Norte foram atacadas em Treviso, com um dispositivo explosivo. Reivindicamos a colocação do dispositivo contra políticos, polícias e seus lacaios. Não queremos ser cúmplices de tudo isso, nos oporemos à violência indiscriminada do Estado com violência indiscriminada contra os responsáveis, por tudo isso. A quase total pacificação da Itália, onde as massas estão ocupadas a fazer guerra entre os pobres, um dos nossos objetivos é o da oposição à renúncia, impotência e quietude. O Estado e o capital usam todas as formas de tecnologia e violência para desviar a atenção dos problemas reais dos explorados, sendo o principal deles o ódio entre xs mais vulneráveis e despossuídos, por meio de fronteiras, géneros, cores da pele.

Escusado será dizer que nenhuma facção insignificante de políticos autoritários será capaz de satisfazer os nossos desejos. Está-se a falar sobre o governo “verde-amarelo”, esquerda e direita, queremos que o estado seja destruído. Está a prometer-se aumentos salariais, redução de impostos, empregos, queremos a eliminação de dinheiro, bens e trabalho. Está a lutar por melhores condições do governo, mas só queremos nos divertir com as ruínas em chamas das suas cidades. Você faz política, nós fazemos guerra social.

As coisas estão difíceis, trata-se de um abismo existencial entre nós e elxs e não há espaço para diálogo.. como consequência disso sabemos onde atacar. Atacar o racismo e a exploração em particular. Atacar o Estado, o capital e todxs xs responsáveis. A ação direta torna claro o porque e o como, para nós.

Pela Anarquia!
Pela solidariedade internacional anarquista e rebelde!
Por um mundo sem fronteiras nem autoridade.

Com esta ação, saudamos a chamada lançada pelxs companheirxs da “célula Santiago Maldonado”, na qual se propunha aumentar os ataques à paz dos representantes da dominação e cúmplices.

Benvinda seja qualquer individualidade anarquista ou célula que continue a espalhar a chama, através da ação, no aqui e agora!

“Hoje tomamos a tocha da anarquia nas mãos, amanhã será outra pessoa. Para que não se apague!” [1]

Solidariedade com todxs xs prisioneirxs, Tamara Sol, Juan Aliste, Juan Flores, Freddy, Marcelo, J.Gan, Marius Mason, Meyer-falk, Dinos Yatzoglou, Lisa Dorfer, membrxs da CCF e da Luta Revolucionária.

Aos/ás anarquistas em Florença, Turim, Nápoles, Cagliari, Chile, Rússia, Alemanha, Polónia, da Operação Scripta Manent.

E para todxs xs rebeldes presxs nas cadeias de toda a parte do mundo!

Célula Haris Hatzimihelakis /International Negra (1881-2018)

[1] Célula Santiago Maldonado /FAI-FRI reivindica um ataque explosivo contra quartéis de carabineiros (07/12/2017)

original em italiano via a tradução em inglês

[Bosque de Hambach] Jazzy e Winter libertadxs da prisão com restrições

fonte: CNA Rhineland

Na terça-feira, 2 de outubro de 2018, Jazzy e Winter foram libertadxs, após audiência em tribunal.

Ambxs estiveram duas semanas em prisão preventiva. Agora, o tribunal distrital de Düren decidiu não continuar a aplicar a ordem de restrição de liberdade.

Ambxs estão agora em liberdade e as suas identidades continuam desconhecidas das autoridades!

Mas ainda há três “Hambi” na Prisão: UPIII, Andrea (UP 20) e Eule. Todxs xs prisioneirxs precisam do nosso apoio! Pode-se escrever um e-mail para abc-rhineland@riseup.net o qual será imprimido e enviado para aquelxs.

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Ucrânia: Anarquistas de Kiew atearam fogo a um centro de treino policial. 19.09.2018

vídeo

Repressões e prisões tornaram-se parte das nossas vidas, assim como das vidas de todxs aquelxs companheirxs recalcitrantes que preferem conduzir uma luta ofensiva contra o Estado e o capital, atacando todas as manifestações de poder e destruindo a ordem opressora. Cada vez mais no decorrer dessa luta ouvimos chamadas de todos os cantos do mundo para solidariedade com pessoas afins reprimidas e presas, ouvimos histórias de como mais um/a de nós foi colocado/a atrás das grades, espancado/a, torturado/a ou mesmo morto/a, e também ouvimos como esta ou aquela infra-estrutura de anarquistas foi destruída, saqueada, como esta ou aquela iniciativa sofreu ataques de grupos punitivos do Ministério do Interior (MVD).

As autoridades, tal como há cem anos, estão a tentar travar-nos. Hoje, como ontem, opomos-nos aos guardiões das estruturas estatais que foram treinados e dotados com o “direito legal” ou, em palavras simples – cães de estado leais aos seus mestres e interessados em manter o status quo, reprimindo anarquistas e outras pessoas rebeldes.

Todos esses momentos desagradáveis vão acontecer e acompanhar-nos-ão pelo caminho bem direção à libertação. Tudo isso é esperado e não é surpreendente. O desafio a partir do inimigo tem sido aceito por nós, logo que nos tornamos anarquistas, e os apelos de nossos companheiros ficaram muito claros. Para nós isso significa apenas que a luta contra manifestações de pode tem que ser permanente! Portanto, só a solidariedade por tempo indeterminado, a luta até à plena vitória e satisfação de todos os nossos desejos rebeldes! Não há negociações com funcionários do Estado: em conflito constante com as autoridades!

Antes de contarmos aos nossos irmãos e irmãs acerca do nosso próximo ato, vale a pena discorrer e especular no objetivo escolhido e no método que usamos. O método que os nossos corações rebeldes preferiram foi coordenado com as convicções e ideias de outros anarquistas insurgentes – as de que ataques, incêndios, explosões e ações armadas contra os nossos inimigos devem ser parte integrante da guerra contra eles.

Agora acerca da escolha do alvo. Como alvo de ataques de retaliação, consideramos como estruturas inimigas, todas as  facções e individualidades bem como qualquer infraestrutura conectada que sirvam para cometer terrorismo de estado contra anarquistas e pessoas que pensem. O estado continua a torturar, a quebrar, destruir, organizar processos e meter os combatentes da liberdade na cadeia. Portanto, atacamos aqueles que controlam, prendem e nos matam numa base diária.

Os nossos inimigos: começando pela polícia, juízes, acusadores do ministério público e guardas prisionais, terminando nos cidadãos que em consciência formam e apoiam essa sociedade podre. Em suma, toda a figura chave no sistema, todo o seu servo, são um alvo para nós, guerrilheirxs anarquistas.

Ao contrário deles, somos anarquistas e, portanto, não queremos pertencer a nenhum estado e seguir as suas leis. Não somos obrigados e não queremos obedecer às leis, porque qualquer lei é apoiada pela inevitabilidade da punição pela violação do direito de vingança apropriado pelo Estado. Nos nossos relacionamentos com outras pessoas não somos guiados por leis escritas por funcionários. A nossa lei é nossa ética!

Cada segmento-alvo requer considerações e explicações separadas pela sua má conduta. Dado que à noite o fogo foi iniciado no centro de treino do Ministério da Administração Interna, devemos prestar atenção a essa gangue organizada.

Na Ucrânia, após o Maidan em 2014, o novo governo começou a chamada reforma do Ministério da Administração Interna. A sua principal tarefa era transformar a polícia na “polícia nacional”, reabilitando a imagem das estruturas de poder e restaurando a confiança das pessoas nelas. Eles estão a tentar convencer as pessoas de que a nova polícia não é aquela polícia odiosa que apareceu na era soviética. Este truque é tão antigo quanto o próprio mundo. Apesar de todas as reformas, eles continuam a ser a bófia de sempre!b Há mais de cem anos que o território da moderna Ucrânia pertencia ao Império Russo, mesmo assim a polícia estava a proteger o Estado e as pessoas ricas, tal como faz hoje. Então todos os revolucionários travaram guerra contra isso até à revolução de Fevereiro de 1917, após o que o departamento de polícia foi abolido.

Agora, a ideia do Ministério da Administração Interna – criado pelas autoridades e responsável perante eles, está totalmente estruturado e visa a realização de funções repressivas e punitivas, proteger os cidadãos poderosos e rico da nossa presença nas ruas. Portanto, nenhum governo antigo ou novo e nenhum estado – ucraniano, russo, bielorrusso, grego, etc, com a sua polícia e ministérios – nunca poderão ganhar a nossa confiança. Sabemos perfeitamente todas as suas intenções e, portanto, enquanto o aparato repressivo permanecer, vamos continuar a nossa luta!

Uma patrulha policial comum, operativos ou um grupo de propósito especial estão em estado de prontidão e, ao sinal das autoridades superiores, vão deter qualquer um, e, em seguida, aplicar medidas de contenção e punição para ele. Tudo de acordo com as instruções e leis que protegem o estado e o capital. Antes de entrarmos na cadeia e sermos entregues aos guardas da prisão, o nosso irmão ou irmã terá que lidar com representantes do Ministério da Administração Interna. Então, o Ministério do Interior – e o que estiver conectado com isso – é visto por nós como um instrumento para quebrar o espírito e a vontade de qualquer anarquista insurgente que se mova energicamente em frente.

Do ponto de vista da perspectiva revolucionária, pode-se até dizer com segurança que a existência de uma instituição profissional como o Ministério do Interior prejudica não só nós xs anarquistas mas também o resto da sociedade, desestabilizando e enfraquecendo as suas oportunidades de autodefesa – deixando assim as pessoas sem direito à autodefesa, fazendo com que se sintam desamparadas. A população, sendo incapaz de resolver problemas de forma independente, transfere esses poderes para o sistema e o Ministério da Administração Interna, por sua vez, como qualquer outra instituição do estado, confia e conta com o medo, com a incapacidade das pessoas para realizar o seu potencial interno, sem restrições externas.

Assim, de noite, a 19 de Setembro de 2018, o centro de treino dos funcionários do Ministério do Interior tornou-se o objeto do nosso ataque. É aqui, no centro de treino, que eles são treinados para nos deter com sucesso, atirar sonre nós, praticar confiscações e assaltos aos nossos apartamentos de armas na mão, armas que as pessoas comuns não podem possuir.

O centro de treino está localizado a 500 m da Rua Boryspilskaya, na floresta, no distrito Darnytskyi da cidade de Kiev. No centro existem pistolas e galerias de tiro automáticas, uma pista de obstáculos, um  campo de ténis, um campo de vólei, um campo para mini-futebol, salas de treino bem como uma estrutura onde grupos de captura são praticados. Foi em tal estrutura que lançámos um “galo vermelho”!
Estivemos mais de quatro meses a cuidando desse objeto. Há pouco tempo, no edifício acima mencionado, reparos de caros foram realizados e equipamentos elétricos foram adquiridos.

Para o incêndio a provocar, precisávamos de 17 litros de mistura incendiária, 10 pneus de carros e coisas antigas encontradas na rua. Fizemos 2 áreas de fogo em lugares diferentes. Também na parede deixamos uma mensagem: Destrua o Ministério da Administração Interna. O guarda e dois cães não suspeitaram de nada…

Embora o nosso ataque seja simbólico, ainda assim aponta para o inimigo e a direção na qual a resistência deve se desenvolver.

Nossas calorosas saudações e solidariedade vão para xs anarquistas na Rússia e nas prisões bielorrussas e campos de prisioneiros: Ilya Romanov, Oleksandr Kolchenko, Sergey Romanov, Yevgeny Karakashev, Ilya Shakursky, Vasily Kuksov, Dmitry Pchelintsev, Victor Filinkov, Andrei Chernov, Arman Sagynbaev, Mikhail Kulkov, Maxim Ivankin , July Boyarshinov e outrxs.

Este fogo é para si. Não nos importa se é culpado ou não, se está ou não envolvido/a no que é acusado/a. O fato é que na luta contra o Estado somos todxs culpadxs. Portanto, saibam que se xs “inocentes” uma vez mereceram a nossa solidariedade, então xs “culpadxs” merecerão mil vezes…

Também queremos enviar palavras de solidariedade aos/ás anarquistas que operam no Chile, Grécia, Itália e a todxs xs outrxs companheirxs que lutam tanto fora quanto dentro das prisões! Saiba que as suas ações e lutas são importantes para nós!

Viva a Anarquia!
Destrua o Ministério da Administração Interna! Destrua o estado!

Célula anarquista Ilya Romanov / FAI –FRI

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Sydney: Solidariedade com anarquistas em Yogyakarta

Liberdade para xs prisioneirxs da guerra de classes em Yogyakarta

No contexto da semana anual de solidariedade com os prisioneiros anarquistas, alguns anarquistas em Sydney visitaram o consulado indonésio em Maroubra na quinta-feira, 23 de Agosto.

Uma faixa foi amarrada à cerca em torno do consulado, onde se podia ler: “Bebaskan tahanan perang kelas di Yogya” (Liberdade para xs prisioneirxs da guerra de classes em Yogyakarta). Dezenas de folhetos também foram distribuídos e espalhados junto à embaixada.

Anarquistas em Yogyakarta enfrentaram uma onda de repressão após a manifestação do 1º de Maio de 2018, onde se viram barricadas em chamas nas ruas, um posto policial incendiado e um apelo para que o sultão local fosse morto.

Dezenas de anarquistas e compas da guerra de classes foram presxs após a manifestação e alguns deles ainda estão presos enfrentando um processo.

Desejamos solidariedade e força a todxs xs prisioneirxs anarquistas e revolucionárixs na Indonésia e no mundo.

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Alemanha: Dois anarquistas, expulsos da Floresta de Hambach, encontram-se presos

fonte Cruz Negra Anarquista de Rhineland

Durante duas semanas a RWE – com a ajuda de um grande destacamento policial de todo o país, tem expulsado a ocupação da Floresta de Hambach, perto da cidade de Colónia. Desde domingo 16/09, mais duas pessoas encontram-se presas. Isso significa que todxs xs cinco ativistas detidxs se encontram agora presxs em prisão preventiva.

A polícia prendeu os dois anarquistas no sábado. Eles não são oficialmente conhecidos pela polícia. Foram supostamente trancados juntos numa casa na árvore, na ocupação “The North”. O delegado do ministério público e o juiz acusam ambos de “um forte caso de resistência aos agentes de execução (Vollstreckungsbeamte)”, §113 Abs. 2 StGB.

O ativista preso Winter tornou-se uma sensação da internet – através de um discurso em movimento logo após a sua prisão, compartilhado nas mídias sociais. “Eles provavelmente estão a pensar que ganharam, mas não nos podem vencer porque precisam da floresta tanto quanto nós. Eles também não podem vencer a luta, porque são muitas as pessoas que estão por trás de nós. E simplesmente não entendem, que nós não lutamos apenas por nós mas por todos nós ”, disse Winter durante a detenção.

Aterrar na cadeia sob custódia no contexto dessas alegações, só se tornou possível através da mudança de lei do “Código Penal (StGB)” a partir do final de maio de 2017, onde a sentença mínima para “Resistência contra agentes de execução” foi aumentada para 6 meses. Além disso, há a decisão do Tribunal Superior Regional de Estugarda, no contexto dos “Protestos dos 21 de Estugarda”, em que o bloqueio “em antecipação ao destacamento policial” foi avaliado como equivalente a “resistência violenta”. Ambos são “afiamentos” da lei, particularmente dirigidoa a ativistas de esquerda.

Durante três dias xs acusadxs ​​não tiveram a possibilidade de entrar em contato com o seu advogado – tal como se encontrarem frente ao juiz e magistrado. Jazzy disse que, ao longo desses dias, exigiu claramente ver o seu advogado e manteve seu direito à defesa legal. No seu discurso, Winter falou sobre não se identificar: “Eles nunca entenderão como é viver entre pessoas para as quais não importa qual é o seu nome“.

A Cruz Negra Anarquista, no seu papel de apoio a prisioneirxs, dá o conselho: “Nenhuma pessoa deve ajudar no seu próprio processo legal. Nesta questão, apontamos para o §136 StPO, que dá o direito elementar de não dar a identidade, mesmo que isso seja frequentemente usado de maneira errada ou esquecido em julgamentos. Estamos a pedir a todas as pessoas próximas das pessoas presas, que aceitem e apoiem ​​o desejo de Winter ”.

Mais informações sobre xs prisioneirxs de Hambacher Forst em: abcrhineland.blackblogs.org

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[USA] Fire Ant: Solidariedade Prisioneiro/a Anarquista #1

Fire Ant é uma nova publicação focada em espalhar as palavras de prisioneirxs anarquistas e gerar solidariedade material para xs nossxs amigxs presxs. Iniciada como colaboração entre prisioneirxs anarquistas e anarquistas no Maine, a Fire Ant procura estruturar ajuda material para prisioneirxs anarquistas enquanto promove a comunicação entre anarquistas de ambos os lados dos muros.

A Edição # 1 contém escritos de Michael Kimble, Jennifer Gann, Eric King e Sean Swain, bem como um texto em solidariedade com Marius Mason.

Se quiser apoiar a Fire Ant e os esforços mais amplos em solidariedade com xs prisioneirxs anarquistas, era favor imprimir e distribuir esta publicação ou doar para o Fundo de Guerra dxs Prisioneirxs Anarquistas da Cruz Negra de Bloomington.

O coletivo da Fire Ant pode ser contatado por carta para:
Fire Ant
PO Box 164
Harmony, ME 04942
EUA

Edição #1 (inglês)

PDF para imprimir l PDF para leitura

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[Madrid] Ataques a ATM no âmbito da Semana Internacional em Solidariedade com xs Presxs Anarquistas

Durante a Semana Internacional em Solidariedade com xs Prexs Anarquistas foram sabotados mais de uma dezena de ATM em diversos bairros de Madrid. As ferramentas para este tipo de sabotagem são simples e fáceis de encontrar: martelos e sprays.

Entendemos a solidariedade como a continuidade da luta que conduziu xs nossxs companheirxs às prisões do Estado. A solidariedade anarquista é muito mais do que uma mera palavra escrita ou de que uma atividade de assistência a presxs. Esta solidariedade materializa-se no ataque às estruturas do capitalismo e do Estado e procura aprofundar-se no conflito, através da ação direta.
Abaixo os muros das prisões. Viva a anarquia.

Pelxs companheirxs atingidxs pela Operação Scripta Manent!

Pelxs companheirxs represaliadxs após a Cimeira do G20 em Hamburgo!

Pelos anarquistas indonésios processadxs após o 1º de Maio!

Pela Lisa e todxs xs anarquistas presxs!

Anarquistas

[Brasil] 4ª edição do Solidariedade a Flor de Pele (Pelotas/RS) de 12 a 14 outubro de 2018

Chamado para a 4ª edição do Solidariedade a Flor de Pele – Santiago Maldonado Presente!

RECORDATÓRIO

Nos somamos à iniciativa – em coordenação com a convenção anárquica de tatuagens e piercings “Arte y Sabotaje” na Argentina, e “Tinta Negra” no Uruguai – de homenagear a vida em combate do companheiro e tatuador Santiago Maldonado “Lechuga”, que foi assassinado pelo estado argentino em 1 de agosto de 2017, enquanto lutava junto aos Mapuches na comunidade Pu Lof, no sul do território controlado pelo estado argentino.

Escolhemos o dia 12 de outubro para o início das atividades. Há 526 anos, os primeiros barcos coloniais chegavam no continente e, com eles, uma nova ordem social, que veio a se impor sobre as pessoas que viviam nesses territórios. Foi o começo dos genocídios, da devastação da terra e da expansão do capitalismo, mas também, de muitas lutas, batalhas, de resistências e ofensivas contra a colonização, que seguem vivas até hoje em cada canto da América Latina. Um exemplo, é a luta anti-capitalista e anti-estatal que os Mapuches seguem encarando.

Em julho do ano passado, a comunidade Mapuche Pu Lof estava recuperando terras que são reconhecidas pelo estado Argentino como propriedades do empresário Benetton. Para desalojar os Mapuches, no 1 de agosto, o estado argentino mandou suas tropas repressivas e foi neste contexto que Santiago Maldonado “desapareceu”. Durante mais de 6 meses, o estado argentino escondeu seu assassinato até que seu corpo fosse supostamente “encontrado” no rio Chubut em 17 de outubro. Santiago morreu como viveu, como um anarquista, solidário, lutando pela terra, contra a propriedade e contra o capital!

As três primeiras edições do Solidariedade a Flor de Pele proporcionaram momentos de encontros, trokas de materiais e debates fokados na luta anti carcerária. Então, foram espaços importantes tanto para a difusão da situação de companheirxs anarquistas presxs e/ou perseguidxs, quanto para a difusão da kontra-kultura anarko-punk, vendo as tatuagens e piercings como ferramentas que nos possibilitam juntar fundos para apoiar axs compas encarceradxs. Seguimos agora com este mesmo impulso.

Os ventos repressivos contra a Anarquia chegaram também por aqui. Em outubro de 2017, através da operação “Erebo”, que teve na mira a biblioteca anárquica Kaos, várixs companheirxs foram perseguidxs e okupações e kasas particulares foram invadidas. No Rio de Janeiro, a partir da operação Firewall, 21 pessoas acabam de ser condenados a penas de prisão que vão de 5 a 13 anos em regime fechado, pelos protestos de rua de 2013 e 2014.

No meio deste contexto, no qual nos querem amedrontadxs, a solidariedade se torna urgente e imprescindível! Não podemos deixar que o medo nos paralise! Convidamos a todxs xs anarquistas em luta e a todxs xs interessadxs a participarem da quarta edição do Solidariedade a Flor da Pele que acontecerá em Pelotas (RS) nos dias 12, 13 e 14 de outubro!

Em breve, publicaremos a programação no nosso blog: aflordepele.noblogs.org. Qualquer contribuição, aporte ou sugestão é benvinda e podem ser enviada no email novo: aflordepele4 [arroba]riseup.net

Fogo a todas as prisões!
Que viva a Anarquia!

Às pessoas que precisariam de alojamento, lhes pedimos que nos avisem quanto antes pelo email para organizar o espaço!
aflordapele.noblogs.org/

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[Haia, Holanda] Faixas em solidariedade com prisioneirxs anarquistas

Liberdade para todxs xs anarquistas presxs.
Por uma sociedade sem prisões nem Estado (A)

Fogo a todas as prisões (A)

Hoje [30 de Agosto] no último dia da 6ª Semana Anual de solidariedade com xs prisioneirxs anarquistas, foram penduradas três faixas alusivas em Haia, na Holanda.

Esta última semana internacional em solidariedade com xs prisioneirxs anarquistas, acontece pela sexta vez. Com a crescente repressão contra anarquistas na Europa e mais além, é importante continuar a mostrar solidariedade com prisioneirxs anarquistas. Não só durante esta semana, mas sempre.

Solidariedade com todxs xs prisioneirxs. Demolição das prisões.
Pela Anarquia!

em inglês l alemão

[Itália] Furor Manet

FUROR MANET
Setembro 2016, a Operação Scripta Manent, dirigida pelo procurador do Ministério Público de Turin Sparagna, leva à detenção de 8, entre companheiros e companheiras.

A principal acusação é a constituição de uma associação subversiva com fins terroristas. Junto com isso, a imputação inclui vários outros ataques, todos assinados pela FAI (Federação Anarquista Informal) e FAI / FRI (Federação Anarquista Informal / Frente Revolucionária Internacional). Até hoje, cinco companheiros e uma companheira permanecem na prisão, outra em prisão domiciliária, enquanto no bunker de Turim o julgamento segue a bom ritmo. Dezenas de polícias de múltiplas cidades vão alternando no cenário do tribunal, na presunção de reconstruir a história do movimento anarquista contemporâneo. O começo está sinalizado, como já vimos inúmeras vezes, na época do julgamento de Marini, durante os anos 90. Desde então, o aprofundamento obsessivo e incessante das nossas vidas leva os espiões profissionais a enumerar e distorcer até os detalhes mais ínfimos, até os mais insignificantes ou íntimos do dia a dia, das nossas vidas e relacionamentos. Uma representação patética, mecânica e determinista que nos deixa indiferentes.

É nas diferenças individuais e nos confrontos ásperos e por vezes carregados de tensões contrastantes que reside a história do movimento anarquista – a história de cada um ou uma de nós, com limites e contradições. A esta história pertencem as práticas revolucionárias, algumas das quais estão no banco dos réus em Turim.

Em tempos como este, mais do que nunca, apoiar métodos revolucionários significa lutar contra a repressão do Estado, cujo objetivo é sepultar os/as nossos/as companheiros/as debaixo de anos de prisão e aniquilar a história do movimento anarquista.

Nem um passo atrás, pela Anarquia.
Cassa antirep. Alpi Occidentali

[Prisões chilenas] Comunicado do compa Juan Aliste Vega a partir do Hospital Prisional

Através dos trâmites desenvolvidos e da insistência com que têm vindo a ser feitos há já 4 meses, dentro e fora dos limites físicos da prisão, conseguiu-se por fim a minha transferência do Prisão de Alta Segurança para o Hospital Prisional, a 19 de Julho, de modo a que me pudessem fazer um electrocardiograma e vários exames com rigor.

No dia seguinte, 20 de Julho, de manhã, fui novamente transferido até ao INCA, Instituto de Neurocirurgia, no meio de um considerável operativo prisional/policial, para que por fim me fosse feita uma angiografia – exame esse com que se pretende obter uma imagem mais detalhada da área cerebral onde mantenho a malformação cerebral produzida pelas agressões sofridas anteriormente. Vale a pena assinalar que este exame é uma peça chave e imprescindível para a extração cirúrgica iminente a que devo submeter-me. No final o exame realizou-se sem problema algum, através de um correcto e digno trato por parte da equipa médica em questão.

Uma vez concluído aquele procedimento, fui transferido de ambulância até ao hospital prisional, donde me terão de dar alta para voltar ao CAS nas próximas horas. Os procedimentos médicos só pretendem aclarar e dar conta da minha situação atual. São vários os passos que lhes deveriam dar continuidade, tanto ou mais complexos que estes, até que se realize a operação cerebral qualificada como urgente desde Março – apesar de todos os entraves e obstáculos que envolvem ser um refém do Estado, estar sob a custódia da mais férrea polícia do território – possuidores de uma lógica de vingança e  crueldade, além de submergidos no repulsivo tecido burocrático.

Estas palavras, longe de qualquer sentimento de vítima ou de lástima, encontram-se caregadas de vitalidade revolucionária, insurreta e subversiva. É no contexto do constante exercício da solidariedade revolucionária, levada a cabo há já alguns anos pelxs prisioneirxs subversivxs, que se torna imprescindível comunicar os recentes passos dados nesta nova batalha. Não foi a primeira e sem dúvida não será a última vez que como reféns do Estado a devamos enfrentar.

Pretendia aproveitar esta comunicação para abraçar as diversas iniciativas que foram erguidas em Santiago, Concepción, Valdivia, Temuco e noutros territórios tal como aqueles gestos internacionalistas que sabem cruzar fronteiras na Argentina, Uruguai, Brasil e Espanha…Gestos e atividades – a partir das quais se pratica uma solidariedade que constrói e reforça as nossas redes subversivas – o mais vital dos oxigénios, para percorrer caminhos até à libertação total a partir do confinamento.

Aqui continuamos firmes, sem vacilar, orgulhosos de poder contar com esta formosa cumplicidade rebelde que percorre territórios, expande-se, multiplica-se e permite enfrentar tudo o que apareça.

Enquanto existir miséria…Haverá rebelião!

Juan Aliste Vega
Prisioneiro Subversivo
Hospital Prisional

Julho 2018.

espanhol

Santiago, Chile: 1º Comunicado público da “Rede Anti-Prisional Solidária com Juan e Marcelo”

A “R.A.S” foi apresentada no decorrer da atividade “Rap Solidário” a 14/07/2018.

O que é a prisão?

Prisão é uma estrutura material através da qual se pretendem inibir os atos de qualquer pessoa que transgrida as condutas impostas pelo Estado. Assim, o castigo, a imposição e disciplina socialmente aceite constituem o regime em que xs cativxs têm que viver, procurando-se dessa forma anular as suas ações, ideias e convições. Estes atos podem constituir delitos e, tal como os que desafiam a ordem, serem de ordem política revolucionária é com estes que de novo tomamos posição – seja apoiando ou solidarizando-nos com aquelxs companheirxs que hoje se encontram presxs por terem levado para a frente ações subversivas em prole de uma ideia política de libertação. A entrega destxs companheirxs faz com que queiramos apoiá-lxs de forma real, concretamente porque são nossxs afins.

Nós, companheirxs autónomxs e anarquistas temos vindo a realizar iniciativas e projetos libertários, há já há algum tempo – partindo de diferentes espaços e contextos – procurando com isso gerar um corte com a ordem, as normas e tudo o que pretenda impor o Capital e o Estado. É sob este prisma que diversas pessoas convergiram, presentemente, para de forma coletiva levantarem a “Rede Anti-prisional Solidária com Juan e Marcelo”.

Quem são Juan e Marcelo?

Juan Aliste Vega e Marcelo Villarroel Sepúlveda são prisioneiros subversivos, bautónomos e libertários que atualmente se encontram na prisão de alta segurança de Santiago, Chile, a partir de Julho de 2010 (Juan) e desde Dezembro de 2009 (Marcelo).

É desde muito jovens que estes companheiros têm participado em casos de luta revolucionária – primeiro em plena ditadura militar e posteriormente a ela também – desenvolvendo práticas ofensivas contra o Capital e o Estado. Ataques que foram tanto a estruturas materiais como a sujeitos que formavam parte do aparelho estatal. A época exigia posicionamentos e determinação, assim o entenderam eles, procurando alcançar isso através do ingresso no Mapu-Lautaro, um dos diversos grupos político-militares que existiram nesse período.

O seu desafio à ordem estabelecida levou-os a serem presos em 1991 e 1992, respectivamente. A prisão foi uma circunstância – nem desejada nem procurada pela opção de vida que escolheram – tal como disse um deles numa antiga entrevista; durante mais de uma década tiveram de viver a enfrentar o confinamento, a repressão do carcereiro e as lógicas próprias daquela instituição lúgubre.

De novo em liberdade e, em anos seguintes, uma nova situação causa impacto na opinião pública, polícia, política estatal e Estado. 18 de Outubro de 2007. Um assalto bancário, em pleno centro da capital de Santiago, a entidade é um Banco Security. Os assaltantes conseguem o dinheiro, fogem em diferentes direções, dois deles dão de caras com dois motoristas da polícia, há troca de disparos e um é abatido, é o policía Luís Moyano. O ter defendido os interesses do Capital lhe custou um grande preço, a morte.

Assim se desenrolaram os factos e a caçada iria ser desencadeada: Juan, Marcelo, Carlos Gutiérrez Quiduleo* e Freddy Fuentevilla Saa** são expostos na televisão e sinalizados como os assaltantes e assassinos do polícia. Os companheiros decidem passar à clandestinidade, quebrando um deles um benefício intra-penitenciário ao qual tinha acedido em 2003***.

A 15 de Março de 2008, Marcelo e Freddy são detidos em San Martin de los Andes, território argentino. Acusados de posse ilegal de armas de guerra, foram condenados depois a 3 anos e 6 meses. Ao atingirem metade da sentença, em 16 de Dezembro de 2009, são expulsos para o Chile e levados para a prisão de alta segurança. Juan, por seu lado, é detido a 10 de Julho de 2010 no terminal de autocarros de Retiro, Buenos Aires, território argentino. E ele é imediatamente expulso para o nosso país e levado também para a prisão de alta segurança.

Em Santiago do Chile – após 4 anos de longa prisão preventiva em Julho de 2014 – realizou-se o julgamento que os condenou, respetivamente, a 42 anos (Juan), 14 anos (Marcelo), 15 anos (Freddy) de prisão. No decorrer do processo chamado “Caso Security” e /ou “Caso Moyano”.

Entretanto mais de uma década se passou desde aqueles acontecimentos no centro da capital de Santiago – tal como o que tudo o que tiveram eles de afrontar depois, assim como o assédio às suas famílias e círculos próximos. A clandestinidade, os espancamentos, as detenções, as difamações, a exposição à opinião pública, a prisão, as transferências para diversas unidades, as condenações. Todo um processo acompanhado também pela mão solidária de companheirxs anónimxs, grupos, coletivos, organizações políticas, através de apoio material e simbólico – onde se desenrolaram diversas atividades, apontamentos de imprensa, fóruns, palestras, espetáculos musicais, concentrações, agitação nas ruas por meio de propaganda, cartazes, publicações, difusão on-line  e, de maneira ilegal, uma ampla multiformidade de ações subversivas no Chile e diversos outros lugares do mundo.

O que é que iremos desenvolver, enquanto “Rede Solidária”?

Apoio e solidariedade (numa de suas múltiplas formas) é o que desejamos desenvolver e projectar – entendido de forma prática, que serão públicos e sistemáticos – o essencial para nós será agitar e difundir a situação dos companheiros mencionados, através de cartazes, propaganda e atividades, gestos concretos que visam “construir uma ponte” a partir da prisão, entre eles e aqueles que se encontram “fora dos muros”.

Este tipo de instâncias abertas – ocupando as ruas, espaços diversos, meios electrónicos, associando -nos com outros grupos e individualidades, etc – são importantes, pois permitem dar a conhecer a situação dos companheiros, as suas ideias e práticas políticas, que existem e resistem apesar de muitas adversidades. Outro fator importante é que permite que mais pessoas indaguem e se interessem por estas perspetivas anti-prisionais – uma luta mais entre tantas outras contra o Capital e o Estado. Pretendemos agitar e difundir para criar e juntar, para potenciar a teoria e a prática, porque quando existe na consciência uma ideia radical claramente algo tem de ser feito.

PERANTE A INDIFERENÇA MASSIVA: RESISTÊNCIA ANTI-PRISIONAL ATIVA!
LIBERDADE PARA JUAN, MARCELO E TODXS XS PRESXS DA GUERRA SOCIAL!
ENQUANTO EXISTA MISÉRIA HAVERÁ REBELIÃO!

Rede Anti-Prisional Solidária com Juan e Marcelo.
rsanticarcelaria@riseup.net
Julho de 2018
Santiago de Chile

Notas:
* Carlos Gutiérrez Quiduleo, Weychafe [Lutador em idioma Mapuche] Libertário. A história subversiva do companheiro remonta aos anos 80, quando fazia parte da guerrilha urbana do Movimento Juvenil Lautaro (MJL). Foi detido em Janeiro de 1995, acusado de Associação Terrorista Ilícita, sendo libertado sob fiança em Outubro de 1998.  A seguir foi preso em meados de 2003, acusado de assaltar um Banco Santander em Ñuñoa, Santiago. Foi libertado sob fiança em meados de 2005 sendo sentenciado à prisão em 2006, para essa causa, em 5 anos e 1 dia. Mais tarde é acusado de participar no assalto ao Banco Security em Santiago Centro. Foi preso em 28 de Novembro de 2013 em Angol, na região de La Araucanía pela equipa do PDI, após 6 anos de clandestinidade, sendo rapidamente transferido para a seção de segurança máxima dentro da prisão de alta segurança em Santiago. Conseguiu sair da prisão em 10/09/2015.

** Freddy Fuentevilla Saa (Subversivo Autónomo). A história subversiva do companheiro remonta aos anos 90, quando fazia parte da guerrilha urbana do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR).
Depois de ser sinalizado como participante no assalto ao Banco Security no centro de Santiago, passa à clandestinidade, é preso em território argentino, depois expulso para o Chile e condenado (fatos descritos no texto).  Conseguiu sair da prisão em 18/06/2018.

*** Marcelo Villarroel Sepúlveda (Libertário Subversivo). É o companheiro que quebra o benefício intra-penitenciário  ao qual acedeu em 28 de Dezembro de 2003. A sentença que caiu sobre ele é até 26 de Fevereiro de 2056.
Fazendo um breve resumo das sentenças podemos discriminá-las da seguinte forma: Associação Terrorista Ilícita, 10 anos e 1 dia pela sua participação na guerrilha urbana Mapu-Lautaro. Danos a veículos fiscais com ferimentos graves aos carabineiros, 3 anos e 541 dias, por ataques armados a viaturas policiais nas comunas de Cerro Navia e Conchalí. Co-autor de homicídio qualificado terrorista, 15 anos e 1 dia, para o confronto armado com a escolta do intendente Luis Pareto, onde morreram 3 detetives na comuna de Las Condes. Roubo com intimidação (lei 18.314), 10 anos e 1 dia, para expropriação de um banco do Estado e a um camião de frangos, que foram distribuídos numa cidade na comuna de Renca. Por último, um ataque explosivo contra a casa do embaixador espanhol, 8 anos e 1 dia, durante a comemoração dos 500 anos do massacre dos povos ancestrais neste território. Todas estas ações foram concretizadas em Santiago do Chile.

em espanhol

Indonésia: Atualização solidária em relação ao julgamento de 4 prisioneiros anarquistas em Yogyakarta

Inicia-se o julgamento de 4 companheiros anarquistas em Yogyakarta, relativo ao caso do 1º de Maio

26.07.18: O julgamento começou para os 4 prisioneiros de guerra anarquistas que foram transferidos para a Prisão Cebongan pelo caso Yogyakarta M1 (1º de Maio).

Os quatro companheiros presos são:

– Azhar M. Hasan (Azhar)
– Zikra Wahyudi (Zikra)
– Muhammad Ibrahim (Boim)
– Muhammad Edo Asrianur (Edo)

A repressão do estado contra as ações anarquistas (no 1º de Maio) está a entrar numa nova fase – tal como o julgamento preliminar a audição começa. Os 4 presos de guerra anarquistas que participaram nas manifestações junto à Uin Yogyakarta (Universidade Islâmica do Estado de Sunan Kalijaga), enfrentam uma audiência preliminar de julgamento no Tribunal Distrital de Sleman a 26 de Julho.

A primeira audiência preliminar de julgamento consistiu na leitura da acusação contra os companheiros. O acusador declarou que este julgamento deve ocorrer separadamente do caso criminal e pediu uma divisão na audição.

O julgamento está a ocorrer por ordem sequencial. Azhar e Zikra têm o número de processo 306 / Pd.B / 2018 / PNSmn, enquanto o de Edo e Boim são o número de processo 305 / Pid.B / 2018 / PNSmn. Portanto, é um arquivo de caso dividido, no entanto, o julgamento ainda terá lugar na mesma sala do tribunal.

Foi convocada uma audiência dividida já que os acusados estão a enfrentar acusações diferentes de julgamentos em andamento.

Na acusação que foi lida há evidências apresentadas que são relativas à violência e destruição contra instalações públicas. Isso está de acordo com as evidências já reunidas pela polícia e pela acusação do Ministério Público.

Com base nas acusações criminais, os 4 prisioneiros de guerra anarquistas estão a ser ameaçados com o Artigo 170, parágrafo 1, que prevê pena máxima de 5 anos de prisão, ou com o artigo 406 do Código Penal, que prevê pena máxima de 2 anos de prisão. Também houve evidências anexas que alegam que os 4 companheiros cometeram ações criminosas durante  o 1º de Maio.  Os quatro prisioneiros de guerra não constituem excepção.

Mais Informações:

Website: palanghitam.noblogs.org
Email: civilrebellion@riseup.net

em inglês

[Brasil]”Condenados: Incorrigíveis!!” comunicado da Biblioteca Anárquica Kaos

recebido a 20.07.18

Condenados: Incorrigíveis!!

Já que estamos contra tudo que atente contra a liberdade, hoje estamos contra a condenação dos 23 detidos pelos protestos de 2013 e 2014 no Rio de Janeiro.

A liberdade do outro estende a minha ao infinito – M. Bakunin

23 pessoas, no Rio de Janeiro, foram condenadas na “Operação Firewall” por atos violentos, formação de quadrilha, dano qualificado, resistência, lesões corporais e posse de artefatos explosivos a penas que vão de 5 a 13 anos de prisão em regime fechado pelo Juiz Flavio Itabaiana da 27ª vara criminal de Rio de Janeiro. Todos eles foram perseguidos pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática que foi a polícia política da Copa e dos Jogos Olímpicos, a mesma que monitorou os protestos em Porto Alegre e São Paulo.

Não é à toa que a operação repressiva recebe esse nome: Firewall (parede de fogo) que é o nome dum dispositivo dentro de uma rede de computadores que tem como objetivo aplicar um protocolo de segurança num ponto dessa rede, esse Firewall evitaria os elementos nocivos dentro da rede de computadores. Os meios e tecnologias de comunicação são usados como ferramentas de controle e repressão (disso sabemos já há tempo) mas, esta vez, foi o claro exemplo da potencialidade destes recursos para fins repressivos.

Segundo o Juiz (num ato de benevolência) não foi decretada a prisão preventiva para os condenados poderem recorrer, sob medidas cautelares, à condenação. Mas esta condenação, ainda com essa possibilidade de recorrer em “liberdade”, para nós, é o precedente para saber onde nos querem (encerrados). E essa condenação, agora, precisa virar o precedente para a agitação contra a sociedade carcerária, para a agitação pela solidariedade.

Sendo reprimidxs também há pouco pela Operação Erebo, o mínimo gesto que podemos fazer diante dessa condenação é manifestar a contundente solidariedade a través do chamado a agitação combativa e solidária contra a condenação.

Mas não sob a bandeira de estar contra a criminalização do protesto. O protesto não pode ser contido nas regras do legal ou ilegal, do criminal ou do inocente, do permitido ou do proibido. O protesto desborda essas lógicas precisamente porque caminha no sentido contrário a elas. Estamos contra a repressão porque o sistema de dominação inteiro é uma repressão constante e qualquer um que percebe isso e age contra, protesta, sai nas ruas, quebra material e individualmente com essa dominação. Quem se rebela contra a ordem existente sempre será considerado “criminoso”, porque o “crime” dos protestos é o sintoma de não termos nos submetido totalmente à dominação. Se lutarmos sob a bandeira de “protesto não é crime”, aceitaríamos e legitimaríamos a existência das prisões e sendo anarquistas, como somos, amamos a liberdade e somos inimigos irreconciliáveis das gaiolas.

Como não sair nas ruas contra os espetáculos que justificaram limpezas sociais? Como ficar indiferente diante da remoção, militarização e o enfeite das cidades para o passeio e turismo dos burgueses que foram a Copa e os Jogos Olímpicos? Tristeza grande saber que ao grito do gol ou no entusiasmo duma medalha de ouro há quem se esqueça dos atropelos, das mortes e políticas genocidas que são produzidas por este espetáculo. E alegria infinita saber que os incorrigíveis saíram e quebraram tudo, até o pretendido controle das “autoridades” que investiram milhões em segurança.

O protesto violento é o mínimo gesto de sensibilidade que temos diante da opressão dominadora que pretende se expandir como a vida “normal”. É o sinal de que ainda sentimos a crueldade da devastação, da guerra não declarada e como os animais diante do domador… reagimos contra a chibata.

Contra as condenações, nossa agitação permanente.
Solidariedade para xs que lutam!

Biblioteca Anárquica Kaos

Os 23 condenados pelos protestos do 2013 no Rio de Janeiro são:

•   Elisa Quadros Pinto Sanzi, condenada a 7 anos de prisão
•   Luiz Carlos Rendeiro Júnior, condenado a 7 anos de prisão
•   Gabriel das Silva Marinho, condenado a 5 anos e 10 meses de prisão
•   Karlayne Moraes da Silva Pinheiro, condenada a 7 anos de prisão
•   Eloisa Samy Santiago, condenada a 7 anos de prisão
•   Igor Mendes da Silva, condenado a 7 anos de prisão
•   Camila Aparecida Rodrigues Jordan, condenada a 7 anos de prisão
•   Igor Pereira D’Icarahy, condenado a 7 anos de prisão
•   Drean Moraes de Moura, condenada a 5 anos e 10 meses de prisão
•   Shirlene Feitoza da Fonseca, condenada a 5 anos e 10 meses de prisão
•   Leonardo Fortini Baroni, condenada a 7 anos de prisão
•   Emerson Raphael Oliveira da Fonseca, condenado a 7 anos de prisão
•   Rafael Rêgo Barros Caruso, condenado a 7 anos de prisão
•   Filipe Proença de Carvalho Moraes, condenado a 7 anos de prisão
•   Pedro Guilherme Mascarenhas Freire, condenado a 7 anos de prisão
•   Felipe Frieb de Carvalho, condenado a 7 anos de prisão
•   Pedro Brandão Maia, condenado a 7 anos de prisão
•   Bruno de Sousa Vieira Machado, condenado a 7 anos de prisão
•   André de Castro Sanchez Basseres, condenado a 7 anos de prisão
•   Joseane Maria Araújo de Freitas, condenada a 7 anos de prisão
•   Rebeca Martins de Souza, condenada a 7 anos de prisão
•   Fábio Raposo Barbosa, condenado a 7 anos de prisão
•   Caio Silva de Souza, condenado a 7 a anos de prisão

em pdf para descarregar aqui

[São Paulo, Bra$il] Roda de conversa em solidariedade com Marcelo Villarroel Sepúlveda

recebido a 18.07.18

Na próxima segunda-feira, 23 de julho, acontecerá um encontro em solidariedade ao preso libertário Marcelo Villarroel Sepúlveda, que se encontra encarcerado no presídio de segurança máxima de Santiago, território controlado pelo estado chileno, juntamente a Juan Aliste Vega.

Durante o encontro haverá leitura e escrita de cartas, atualizações sobre o “caso security” que se prolonga desde 2007 e uma conversa informal.

O encontro acontecerá no “espaço tia Estela”, situado na okupa do viaduto no Brás, em São Paulo.

Para enviar qualquer mensagem, sugestões ou contribuições escreva para: atentadoautonomo@espiv.net

“Enquanto houver miséria haverá rebelião”

S.Paulo, Brasil: Chamado para uma Feira de Materiais Independentes – 25/08

recebido a 18.07.18

CHAMADO PARA UMA FEIRA DE MATERIAIS INDEPENDENTES – ATIVIDADE DA
SEXTA SEMANA INTERNACIONAL PELXS ANARQUISTAS PRESXS

Em resposta ao chamado da “sexta semana internacional em solidariedade pelxs anarquistas presxs”, que acontecerá de 23 a 30 de agosto, haverá uma primeira feira de inverno de materiais independentes no dia 25 desse mês.

Este é um chamado aberto para quem quiser nos enviar propostas com o foco anti autoritário para somar na atividade. Além disso, é principalmente um convite para participar dessa iniciativa no “espaço Tia Estela”, situado de baixo do “viaduto alcântara machado” em São Paulo.
Toda contribuição para autogestão do espaço é bem-vinda.

A luta pela liberdade não acontece sem a luta contra as prisões. Estes espaços repugnantes estão cercados por muralhas, formas violentas de controle, dispositivos de segurança e vigilância constante. Sem uma estrutura como estas seria impossível algum Estado ou qualquer governo manter-se no poder. É necessário enxergar as cadeias não só como a principal ferramenta da dominação contra as pessoas subversivas que preferem a guerra à passividade das massas, mas também como laboratório do sistema e um dos principais meios para perpetuar a escravidão e o trabalho.

Uma batalha foi perdida porém, mesmo atrás das grades, a luta continua.
Dentro das cadeias estão, de maneira contida e continuada, os conflitos contra os aparatos jurídicos dos estados nação e toda a sociedade moralista que lhe dá suporte. Essa realidade prolonga a caminhada pela destruição da civilização, das máquinas predatórias do mundo cibernético e industrial, de todas as grades, muros e fronteiras que massacram a vida na terra.

Por essas e muito mais coisas, é necessário apoiar xs anarquistas presxs, não deixa-los sós e, com isso, voltar nosso olhar para as pedras pilares que dão corpo ao inimigo.

“Viver a anarquia comporta o risco de acabar no cárcere” – Marco, cárcere de Alexandria.

O cronograma completo estará disponível no dia 23 de Agosto.
Envie uma mensagem, envie uma contribuição!

Inverno Anárquico
invernoanarquico@riseup.net

em inglês

México: Fernando Bárcenas por fim livre!

Fernando Bárcenas saíu da prisão a 11 de Junho de 2018, pelas 21h. Uma vez cá fora queimou o uniforme prisional que foi obrigado a usar durante 4 anos e meio.

Preso a 13 de Dezembro de 2013, durante os protestos contra o aumento das tarifas do metro, o companheiro foi acusado de ter incendiado a árvore de Natal da Coca-Cola; desde então encontrava-se na prisão norte conhecida como ReNo, na cidade do México.

Em dezembro de 2014 foi condenado a 5 anos e 9 meses de prisão por ofensas de ataques à paz pública e à associação criminosa. Pouco depois de sua detenção, Fernando trabalhou em numerosos projetos: oficinas de redação, difusão e informação – fanzines e o jornal independente de combate à prisão “El Canero”, que significa “Aquele que está na cadeia”- um media livre, produzido por prisioneirxs, por trás das grades de várias cadeias, na capital mexicana e noutros lugares.

Para Fernando, “El Canero” é um projeto que quer explicar a realidade vivida nas prisões e relacioná-la a um contexto social mais amplo, no qual somos todxs prisioneirxs em diferentes níveis. Este jornal ajuda a espalhar a luta anti-prisão, tecendo uma ligação de comunicação entre xs prisioneirxs e o mundo exterior”. Para ele é “demonstrar que a luta é conduzida independentemente do local e com os meios disponíveis, sem esperar que todas as condições sejam cumpridas”.

Assim, o primeiro Canero foi lançado em junho de 2014 e até ao momento foram já escritos cinco números, o conteúdo tem evoluído. Este jornal é o produto de inúmeras reuniões de prisioneirxs, intercâmbios e reflexões, ações conjuntas, greves de fome … No seu caminho, Canero vê o nascimento de organizações informais de prisioneirxs em  resistência, ações coordenadas – ele liberta denunciando a besta da prisão, a autoridade e confinamento dentro e fora dos muros.

Em novembro de 2017, Fernando lança uma nova ideia: criar uma biblioteca independente gerida pelxs próprixs prisioneirxs, e após vários meses de trabalho e construção, a biblioteca foi inaugurada a 28 de abril de 2018 com o nome de Xosé Tarrio González *; a biblioteca continua a crescer até hoje contando já com muitos documentos, entre livros, revistas e folhetos … a biblioteca continua a sua rota, hoje.

Durante todos esses anos, Fernando também incentivou e iniciou a organização de prisioneirxs na resistência; primeiro, incentiva a formação do CCPR (Coordenação de Combate dxs Prisioneirxs em Resistência), mais tarde participou na coordenação de greves de fome com outrxs prisioneirxs anarquistas (da Cidade do México). Depois disso, o compa lança e encoraja a formação do C.I.P.RE (coordenação informal de prisioneiros em resistência) como uma forma de organização e espaço para todxs aquelxs que foram apanhadxs e torturadxs pela maquinaria de prisão. O CIPRE, sendo uma organização informal, dissolveu-se e hoje está a desaparecer sem deixar nenhuma experiência organizacional, por trás dele. O compa lança por fim uma nova proposta – dando origem ao coletivo de prisioneiros CIMARRON, que se refere ao significado de “fugir, fugir” da propriedade de um mestre.

Um abraço apertado Fernando, companheiro!
Finalmente nas ruas.

Até à liberdade total!

N.T: *Xosé Tarrío González nasceu em 1968 em La Coruña. Aos onze anos, foi trancado num colégio interno e, em seguida, foi posto num reformatório para acabar em 17 anos de prisão, onde contraiu SIDA. Na prisão propagou o anarquismo e a rebelião, liderando inúmeras tentativas de fuga, praticando a verdadeira solidariedade entre xs prisioneirxs, combatendo resolutamente os guardas da prisão e a prisão; todas essas atitudes levam à sua humilhação, isolamento, sendo torturado inúmeras vezes. Em 2004 a sua saúde volta a deteriorar-se de novo, devido à sua doença e. a 2 de janeiro de 2005, morre vítima da prisão e da sociedade que a apoia. Xosé foi prisioneiro em regime FIES especial e autor do livro “Huye, hombre, huye” [Foge, homem, foge].

em francês l italiano

Em solidariedade com Peike, preso do G20 [flyer]

. Assiste às audiências do processo de recurso!

dia 13 – 09/05 – 13:00 – 16:00
dia 14 – 11/05 – 09:00 – 16: 00
dia 15 – 14/05 – 09:00 – 11:30
dia 16 – 17/05 – 13:00 – 17:00

Tribunal Distrital Central
Sievekingplatz 3
Hamburgo

Novas datas e atualizações: freepeike.noblogs.org

Uma hora antes do início de cada sessão haverá café e música junto ao exterior do tribunal – organização pelos companheirxs alemães (United We Stand).
Se precisares de um lugar para ficar em Hamburgo envie um email para o grupo de apoio (Free Peike): freepeike@riseup.net

EM SOLIDARIEDADE COM PEIKE, PRESO DO G20: VENHA ÀS AUDIÊNCIAS DO PROCESSO DE RECURSO!

No Verão de 2017 teve lugar em Hamburgo a Cimeira do G20. Enquanto os “nossos” líderes mundiais, as pessoas mais poderosas e ricas do planeta, se reuniam nós também nos reunimos em Hamburgo – para lhes mostrar que a sua dominação é inaceitável e que continuamos a lutar por um mundo melhor. Durante estes dias de fortes protestos, de caos e repressão policial, o nosso amigo e companheiro Peike foi preso, juntamente com muitxs outrxs.

Após dois meses de prisão, em 27 de Agosto 2017, Peike teve este processo judicial, o primeiro dxs ativistas anti-G20 presxs. O infame juiz Kriten – conhecido pelas suas tendências de direita – sentenciou Peike em dois anos e 7 meses de prisão por, supostamente,  ter dois cartuchos, ter resistido às prisões e perturbado a paz pública, sem que houvesse alguma evidência de coerência.

Após 5 meses de cativeiro e repressão, o apelo para o tribunal de última instância começou a 9 de Fevereiro de 2018. No decorrer deste processo (12 sessões de julgamento já tiveram lugar) torna-se desde já evidente que este juíz não se encontra com objetividade  e “justiça”. Para além disso, este processo parece ter cada vez menos a ver com o que fazer com Peike e com o seu incidente particular.
Apesar de todos os processos que mostraram claramente esta conduta humilde, o estado está ansioso para condenar, não importa o quê, para mostrar a todxs que ainda são o poder e que não irão tolerar a rebelião.

Apesar desta loucura, Peike continua a lutar. Ele sabe que não está apenas a lutar pela sua própria liberdade, mas também por todxs xs outrxs que resistiram à Cimeira do G20. Até que possamos lutar juntxs com o Peike em liberdade – enquanto estiver preso – precisamos mostrar-lhe solidariedade. Venha para as próximas sessões de tribunais.

Vem para as próximas sessões de conversa para que possamos mostrar a Peike que não está sózinho!

Liberdade para Peike e para todxs xs outrxs ativistas.
Resiste à repressão, destrói todo os estados.

TODAS AS INFORMAÇÕES DO CASO em: freepeike.noblogs.org

em inglês l alemão

11 de Junho, 2018: Um dia contra o olvido

11 de Junho é um dia internacional de solidariedade com Marius Mason e todxs xs prisioneirxs anarquistas a longo prazo. Uma centelha na eterna noite da repressão estatal. Um dia dedicado a honrar todxs aquelxs que nos foram roubadxs. Neste dia, compartilhamos canções, eventos e acções para celebrar xs nossxs companheirxs capturadxs. Em anos anteriores, as celebrações do 11 de Junho têm sido internacionais e abrangentes – de festas com amigos até diversos ataques inspiradores; de recolhas de fundos e noites de escrita de cartas a presxs até todas as formas incalculáveis e desconhecidas para manter a chama viva.

Fruto do esforço acumulado para este dia, todos os anos alguns de nós se juntam para discutir e reflectir acerca das lições dos anos anteriores e para renovar esta chamada à solidariedade contínua. Este ano, convidamos-vos a explorar e ponderar connosco o modo como a manutenção do apoio a prisioneirxs a longo prazo depende directamente da manutenção de movimentos e lutas de que todxs continuamos a fazer parte. Como poderemos esperar continuar décadas de apoio  enquanto os movimentos, grupos e pessoas vêm e vão, e são reduzidos a cinzas ou apanhadas nos esgotantes fluxos e refluxos da luta? Indo mais fundo, o que podemos aprender com xs prisioneirxs a longo prazo e os seus legados de solidariedade? Como podemos sustentar e melhorar a saúde dos nossos movimentos, e por sua vez fortalecer esse apoio?

Em vários dos últimos anos floresceram as críticas ao encarceramento, o que frequentemente resultou numa miríade de projectos e esforços de apoio a prisioneirxs. Encorporando estabilidade, compromisso e longevidade, são prisioneirxs da Libertação Negra, da Nova Esquerda, dos movimentos indígenas, e aquelxs que incessantemente os apoiaram durante décadas. Além destes esforços, houve um ressurgimento da organização contra o próprio encarceramento massivo. Apesar de terem sido grupos mais pequenos a dar voz a estes sentimentos há muitos anos atrás, é encorajador ver mais pessoas a tomar este trabalho em mãos. Houve também um aumento de esforços para apoiar presxs rebeldes que se têm envolvido em tudo desde greves ao trabalho até incendiar e destruir unidades inteiras na prisão. Ao mesmo tempo, há cada vez mais projectos a criticar o estado em si mesmo – constatando que este é sustentado pelos pilares das prisões e pela polícia. Finalmente, há muitos esforços dirigidos para as necessidades de prisioneirxs queer e trans, sobreviventes criminalizadxs de abuso doméstico e sexual, e pessoas com problemas de saúde mental, para dar apenas alguns exemplos.

O espírito do dia 11 de Junho, que convida toda a gente a participar de acordo com os seus desejos, afinidades pessoais e preferências tácticas, encoraja-nos a ver difundida uma tal actividade. Em particular, uma coisa que nos anima ver é quão difundida se tornou a escrita de cartas, blogs, livros e zines por prisioneirxs. Após anos de discussão sobre o amplificar das vozes dxs prisioneirxs, estamos a ver os resultados e valorizamos as incontáveis horas dedicadas por prisioneirxs e apoiantes para lançar e sustentar estas publicações. A complementar estes esforços estão aquelxs que expandiram a solidariedade internacional ao traduzir e passar a palavra dxs nossxs companheirxs, tal como xs que empreenderam belos gestos e mensagens de solidariedade com acção corajosa e de ataque.

Entre estes muitos projectos de apoio a presxs, vemos uma variedade de orientações, de tácticas, de estratégias e práticas. Com a expansão das iniciativas, surgiram intermináveis emergências e chamadas urgentes à acção para apoiar prisioneirxs, além de todas as outras crises constantes neste mundo de pesadelo. Com tanta coisa para fazer, somos forçadxs a fazer escolhas. O activismo tradicional, que exige que tanta da nossa energia seja dirigida para acções imediatas e frequentemente simbólicas – à custa de intenções e estratégias de longo prazo – não vai funcionar, simplesmente. Precisamos de agir com a preocupação de sustentar os nossos movimentos e projectos, de forma a que possamos continuar capazes de apoiar companheirxs a cumprir décadas na prisão. Isto exige uma abordagem holística à luta e à vida solidária.

Gestos isolados são importantes, e por vezes o melhor que conseguimos fazer. Mas o que significa fazê-lo a longo prazo?

Ainda que 11 de Junho seja apenas um dia, é uma manifestação da força e da fortaleza diárias de companheirxs presxs, e do trabalho incansável e de bastidores daquelxs que xs apoiam. Muitas vezes visitando; escrevendo; levantando dinheiro; divulgando informação; partilhando arte, poemas e escritos. Sentimo-nxs inspiradxs pelos grupos de apoio a Jeremy Hammond e Marius Mason, que trabalham consistentemente para os manter ligados ao resto do mundo. Vemos o exemplo de Sacramento Prisoner Support [Apoio a Prisioneirxs de Sacramento], lutando há anos para libertar Eric McDavid. Sentimo-nos impressionadxs por todxs xs que ajudaram prisioneirxs a longo prazo como Zolo Azania, Russell Maroon Shoatz, David Gilbert, Sean Swain, Mumia Abu-Jamal, Jalil Muntaqim, Leonard Peltier, e tantxs outrxs, para publicarem livros escritos nas suas celas.

Visões & Possibilidades

Face à perspectiva de longo prazo de ajudar companheirxs ao longo de décadas nas prisões, e o trabalho de curto prazo que esta solidariedade implica, arriscamos-nos a perdermos-nos nas correntes alternadas do desespero e mania que não deixam espaço para a reflexão. É difícil saber por onde ir quando nos confrontamos com a esmagadora tarefa de melhorar a privação e a miséria que xs nossxs companheirxs enfrentam, e ao mesmo tempo permanecer críticxs do reformismo. Queremos xs nossxs companheirxs livres agora e a demolição imediata de todas as prisões, mas não temos ideia de como o fazer. Apesar das décadas de acção combinada em solidariedade com prisioneirxs anarquistas, não temos um diagrama, apenas visões.

Ao descartar as dicotomias fracturantes e os seus fetiches tácticos (luta de massas vs acção directa), podemos chegar a uma nova métrica para avaliar o nosso trabalho: pode esta acção sustentar-me e às/aos minhas/meus companheirxs ao longo dos próximos anos? Parece improvável que um movimento vibrante de solidariedade com prisioneirxs possa florescer se as nossas preocupações forem apenas ideológicas, tácticas ou estratégicas. A alegria e a dificuldade das relações humanas, a tristeza gerada pelo cimento e pelo arame farpado, a luta contra ideias e comportamentos opressivos e a correspondente necessidade de formas transformadoras para lidar com o conflito, o entusiasmo e o medo que vêm com a libertação de um/a companheirx, e a frustração e exaustão associadas a este trabalho, tudo isto devia integrar o modo como entendemos a solidariedade.

Parece-nos que ao abordar directamente estas considerações, podemos começar a pensar para além das crises imediatas: leituras controladas, cartas desaparecidas, limitações na solidariedade, lutando por fundos do comissariado. Ao nos ancorarmos nas relações com os indivíduos na prisão – vendo-os não como celebridades, líderes ou “pessoas oprimidas” abstratas – abrimos espaço para sonhar com o que uma vida em comum, compartilhada em comum com xs nossxs companheirxs presxs poderia significar. Com isso, saímos do reino do puramente político e entramos no reino do humano. Não se pode sobreviver de dever e ideologia, mas as relações humanas podem nos nutrir e sustentar. E devemos lutar continuamente para manter os caminhos claros – para alcançar xs nossxs companheiros dessa maneira, à medida que o estado continua a desumanizá-lxs e isolá-lxs, restringindo cada vez mais as visitas àquelxs por trás do vidro ou, pior ainda, aquelxs numa tela, se estamos a poucos metros ou centenas de quilómetros de distância. Visitas presenciais e de contato, de valor inestimável para a construção de conexões humanas reais, são muitas vezes altas na lista de demandas de prisioneirxs e daquelxs que as apoiam no exterior. Recentemente, nos inspiramos na campanha da Fight Toxic Prisons para manter as visitas de contato no Departamento de Correções da Flórida.

Temos que nos esforçar por entrelaçar as nossas vidas com as vidas dxs nossxs amigxs e companheirxs na prisão. E na realidade, de muitas formas, as nossas vidas entrelaçam-se. A repressão a grupos de apoio a prisioneirxs pela Operação Scripta Manent (a tentativa do estado italiano para reprimir actividades anarquistas ao acusar indivíduxs de ataques incendiários e com explosivos) recorda-os de que há frequentemente uma linha fina a separar aquelxs que estão presxs daquelxs que estão cá fora a apoiá-lxs de todas as formas que possam.

Atualizações de prisioneirxs

Ao longo do último ano, xs nossxs companheirxs presxs enfrentaram os olhos frios e a mão violenta do estado com a sua integridade intacta. No Chile, Tamara Sol tentou escapar da prisão, foi seriamente ferida no processo, e foi desde então transferida: primeiro para uma prisão de máxima segurança em Santiago, e depois para a prisão especialmente brutal  de Llancahue, em Valdivia. A embrulhada “Bombs Case 2”, com Juan Flores acusado de múltiplos bombardeamentos em Sa ntiago e sentenciado a 23 anos na prisão. Na Alemanha, Lisa foi condenada a mais de 7 anos de prisão depois de ter sido considerada culpada de assaltar um banco em Aachen. Ela foi transferida para JVA Willich II em Fevereiro. Nos Estados Unidos, Walter Bond entrou em greve de fome por seis dias, exigindo refeições veganas, o fim da manipulação do correio e uma transferência para Nova Yorque, onde ele tenciona viver quando for libertado. Como retaliação, foi transferido para a Communications Management Unit em Terre Haute, no Indiana. Na Grécia, Pola Roupa e Nikos Maziotis entraram em greve de fome por quase 40 dias exigindo melhores condições e mais tempo de visitas, bem como a abolição daultra-repressiva prisão tipo-C em que Nikos tem estado detido. Dinos Yagtzoglou foi preso e enfrenta acusações relacionadas com uma carta armadilhada que feriu o anterior primeiro ministro Grego. A sua resistência atrás das grades despoletou a insurreição em três prisões gregas, garantindo a sua exigência de ser transferido para a prisão de Korydallos.

Nos Estados Unidos, o prisioneiro anarquista trans e de eco/libertação animalMarius Mason precisa de mais correio! Ele  gosta de receber artigos sobre os direitos dos animais, activismo ambiental, Resistence to alt-right, Black Lives Matter, e outras lutas penitenciárias. O Carswell Federal Medical Center, onde Marius tem estado detido nos últimos anos, é uma prisão notoriamente restritiva e cruel. Neste momento estão a negar-lhe os prometidos cuidados médicos relacionados com a sua transição, tal como opções veganas adequadas.

11 de Junho é uma ideia, e não apenas um dia. 11 de Junho é a cada dia. E as ideias são à prova de bala. Vamos dar vida ao resto do ano e renovar a celebração das vidas dxs prisineirxs anarquistas ao continuar as suas lutas ao seu lado.

Em suma: é uma chamada, por isso estamos a chamar-te! Dia 11 de Junho é o que fizeres dele. Segue o teu coração e enche o mundo de gestos belos. Não há acção que seja demasiado pequena ou demasiado grande.

June 11

Hamburgo, Alemanha: Peike em liberdade já!

Sessão de apelação 8

Terça-feira, 3 de Abril de 2018 9:00-17:00 (café às 8:00)

Amtsgericht Mitte (Sievekingplatz 3, Hamburgo)

Oitavo dia de julgamento de recurso – Peike gostaria que tantos companheiros quanto possível estivessem presentes no tribunal para o apoiar.

Próximas:

Sessão 9: quinta-feira, 5 de Abril de 2018 9:00-17:00

Sessão 10: quinta-feira, 19 de Abril de 2018 9:00-12:00

Sessão 11: quarta-feira, 25 de Abril, a partir das 6h00

Sessão 12: quinta-feira 26 de Abril, 9:00-16:00

Lute contra o estado policial alemão!

Mais informações em: freepeike.noblogs.org/

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