Arquivo da Categoria: Repressão

Brasil: Das ruas de Porto Alegre


Um dia após as eleições, no novo regime, apareceram em Porto Alegre duas faixas que diziam:”Bolsonaro é fascista. Fascismo é morte. Insurreição já!” e “Há algo maior que a liberdade. É o ódio de quem a rouba de nós“.
Na nossa posição de rechaço à dominação, nada muda! a luta contra o autoritarismo só se acentua!
Pela expansão da revolta contra o novo tirano!!!

[Portugal] “Ninguém que não deseje a tua libertação total pode ser considerado teu aliado”

NINGUÉM QUE NÃO DESEJE A TUA LIBERTAÇÃO TOTAL PODE SER CONSIDERADO TEU ALIADO

Se não se estender a crítica do fascismo à democracia, capitalismo, às prisões, às pátrias, ao patriarcado, à propriedade, ao especismo e a qualquer regime que envolva sermos governadxs: estamos a nos condenar a um emaranhado histórico único que só acabará para dar lugar a um planeta inabitável. Os social-democratas eleitoralistas estão confortáveis demais ao condenar as atrocidades da direita e ao esconder as suas próprias, querem é estar nas ruas e no governo ao mesmo tempo.

Os regimes autoritários ganham terreno, rápida e eficientemente, porque os objetivos que perseguem são medíocres: não há nenhuma complexidade em submeter os outros através das armas, impostos, mentiras e propaganda – 90% dos projetos políticos estão comprometidos é com isso (toda a infraestrutura necessária já está construída e a funcionar).

Na realidade, ninguém que te trate como massa doutrinável, ninguém que entenda a luta como um passatempo a fazer de vítima e alheio à tua capacidade criativa e ofensiva, ninguém que não deseje a tua libertação total pode ser considerado teu aliado.

Anarquistas

em pdf aqui

em inglês l espanhol

[Vigo, Galiza] XORNADAS ANTIRREPRESIVAS: A HISTORIA DA “COPEL”


recebido a 16/10/18
Como cada outono, a CNT-Vigo organiza unhas xornadas antirrepresivas co obxeto de concienciar e visibilizar o aumento da criminalización das loitas sindicais e sociais, a represión do estado e o continuo empeoramento do trato e situación das persoas presas nos cárceres.

Esta situación non é un problema excepcional ou puntual, senon que se trata dunha circunstancia que ven para quedarse grazas a creación por parte do sistema da sensación de medo como instrumento para a dominación, “chivos espiatorios” como o suposto aumento e a desprotección da xente fronte a criminalidade ou o medo a inmigración, entre outras razóns. Todo esta situación vese reflectida polo avance desmesurado da extrema dereita e o fascismo en Europa, o incremento das sancións e o troco destas a tipos penais, que antes como moito so chegaban a meras sancións económicas.

Este ano centramos estas xornadas na Coordinadora de Presos En Lucha (COPEL), un histórico movemento de presas e presos que loitaron pola liberdade e uns dereitos básicos nas cadeas na transición a democracia. Este evento desenvolverase nas seguintes datas:

VENRES día 19 de Outubro ás 19:00 h., proxección e debate do documental “COPEL: Unha historia de rebeldía e dignidade”, no local da CNT de Vigo, na R/Príncipe nº 22, 1º andar, local 34.

VENRES día 26 de Outubro ás 19:00h., palestra-debate a cargo de José Manuel Botana, membro da COPEL, no local da CNT de Vigo, na R/ Príncipe nº 22, 1º andar, local 34.

A CNT-Vigo está na obriga de analizar a realidade e explicar as causas deste sistema. Por esta razón, facemos un chamamento co obxeto de que difundades a organización deste evento que consideramos de gran interese e vixencia.

CNT-Vigo

em castelhano

Chile: Faixa e barricadas de fogo, 20 anos depois do assassinato de Claudia López

20 anos depois da morte de Claudia López: Memória e Combate.

11-09-2018. A duas décadas exatas da morte em combate da companheira anarquista Claudia López, na povoação La Pincoya em Santiago, durante os distúrbios comemorativos do início da ditadura militar no Chile  –  e ainda no âmbito de uma nova comemoração desta data, saímos à rua na nossa povoação a recordá-la; colocamos uma faixa, levantamos barricadas de fogo e desafiamos a polícía junto aos nossos/as companheiros/as e vizinhos/as.

Algures no território chileno,
Biblioteca Antiautoritária Libertad
Inverno, 2018

em espanhol

Ucrânia: Anarquistas de Kiew atearam fogo a um centro de treino policial. 19.09.2018

vídeo

Repressões e prisões tornaram-se parte das nossas vidas, assim como das vidas de todxs aquelxs companheirxs recalcitrantes que preferem conduzir uma luta ofensiva contra o Estado e o capital, atacando todas as manifestações de poder e destruindo a ordem opressora. Cada vez mais no decorrer dessa luta ouvimos chamadas de todos os cantos do mundo para solidariedade com pessoas afins reprimidas e presas, ouvimos histórias de como mais um/a de nós foi colocado/a atrás das grades, espancado/a, torturado/a ou mesmo morto/a, e também ouvimos como esta ou aquela infra-estrutura de anarquistas foi destruída, saqueada, como esta ou aquela iniciativa sofreu ataques de grupos punitivos do Ministério do Interior (MVD).

As autoridades, tal como há cem anos, estão a tentar travar-nos. Hoje, como ontem, opomos-nos aos guardiões das estruturas estatais que foram treinados e dotados com o “direito legal” ou, em palavras simples – cães de estado leais aos seus mestres e interessados em manter o status quo, reprimindo anarquistas e outras pessoas rebeldes.

Todos esses momentos desagradáveis vão acontecer e acompanhar-nos-ão pelo caminho bem direção à libertação. Tudo isso é esperado e não é surpreendente. O desafio a partir do inimigo tem sido aceito por nós, logo que nos tornamos anarquistas, e os apelos de nossos companheiros ficaram muito claros. Para nós isso significa apenas que a luta contra manifestações de pode tem que ser permanente! Portanto, só a solidariedade por tempo indeterminado, a luta até à plena vitória e satisfação de todos os nossos desejos rebeldes! Não há negociações com funcionários do Estado: em conflito constante com as autoridades!

Antes de contarmos aos nossos irmãos e irmãs acerca do nosso próximo ato, vale a pena discorrer e especular no objetivo escolhido e no método que usamos. O método que os nossos corações rebeldes preferiram foi coordenado com as convicções e ideias de outros anarquistas insurgentes – as de que ataques, incêndios, explosões e ações armadas contra os nossos inimigos devem ser parte integrante da guerra contra eles.

Agora acerca da escolha do alvo. Como alvo de ataques de retaliação, consideramos como estruturas inimigas, todas as  facções e individualidades bem como qualquer infraestrutura conectada que sirvam para cometer terrorismo de estado contra anarquistas e pessoas que pensem. O estado continua a torturar, a quebrar, destruir, organizar processos e meter os combatentes da liberdade na cadeia. Portanto, atacamos aqueles que controlam, prendem e nos matam numa base diária.

Os nossos inimigos: começando pela polícia, juízes, acusadores do ministério público e guardas prisionais, terminando nos cidadãos que em consciência formam e apoiam essa sociedade podre. Em suma, toda a figura chave no sistema, todo o seu servo, são um alvo para nós, guerrilheirxs anarquistas.

Ao contrário deles, somos anarquistas e, portanto, não queremos pertencer a nenhum estado e seguir as suas leis. Não somos obrigados e não queremos obedecer às leis, porque qualquer lei é apoiada pela inevitabilidade da punição pela violação do direito de vingança apropriado pelo Estado. Nos nossos relacionamentos com outras pessoas não somos guiados por leis escritas por funcionários. A nossa lei é nossa ética!

Cada segmento-alvo requer considerações e explicações separadas pela sua má conduta. Dado que à noite o fogo foi iniciado no centro de treino do Ministério da Administração Interna, devemos prestar atenção a essa gangue organizada.

Na Ucrânia, após o Maidan em 2014, o novo governo começou a chamada reforma do Ministério da Administração Interna. A sua principal tarefa era transformar a polícia na “polícia nacional”, reabilitando a imagem das estruturas de poder e restaurando a confiança das pessoas nelas. Eles estão a tentar convencer as pessoas de que a nova polícia não é aquela polícia odiosa que apareceu na era soviética. Este truque é tão antigo quanto o próprio mundo. Apesar de todas as reformas, eles continuam a ser a bófia de sempre!b Há mais de cem anos que o território da moderna Ucrânia pertencia ao Império Russo, mesmo assim a polícia estava a proteger o Estado e as pessoas ricas, tal como faz hoje. Então todos os revolucionários travaram guerra contra isso até à revolução de Fevereiro de 1917, após o que o departamento de polícia foi abolido.

Agora, a ideia do Ministério da Administração Interna – criado pelas autoridades e responsável perante eles, está totalmente estruturado e visa a realização de funções repressivas e punitivas, proteger os cidadãos poderosos e rico da nossa presença nas ruas. Portanto, nenhum governo antigo ou novo e nenhum estado – ucraniano, russo, bielorrusso, grego, etc, com a sua polícia e ministérios – nunca poderão ganhar a nossa confiança. Sabemos perfeitamente todas as suas intenções e, portanto, enquanto o aparato repressivo permanecer, vamos continuar a nossa luta!

Uma patrulha policial comum, operativos ou um grupo de propósito especial estão em estado de prontidão e, ao sinal das autoridades superiores, vão deter qualquer um, e, em seguida, aplicar medidas de contenção e punição para ele. Tudo de acordo com as instruções e leis que protegem o estado e o capital. Antes de entrarmos na cadeia e sermos entregues aos guardas da prisão, o nosso irmão ou irmã terá que lidar com representantes do Ministério da Administração Interna. Então, o Ministério do Interior – e o que estiver conectado com isso – é visto por nós como um instrumento para quebrar o espírito e a vontade de qualquer anarquista insurgente que se mova energicamente em frente.

Do ponto de vista da perspectiva revolucionária, pode-se até dizer com segurança que a existência de uma instituição profissional como o Ministério do Interior prejudica não só nós xs anarquistas mas também o resto da sociedade, desestabilizando e enfraquecendo as suas oportunidades de autodefesa – deixando assim as pessoas sem direito à autodefesa, fazendo com que se sintam desamparadas. A população, sendo incapaz de resolver problemas de forma independente, transfere esses poderes para o sistema e o Ministério da Administração Interna, por sua vez, como qualquer outra instituição do estado, confia e conta com o medo, com a incapacidade das pessoas para realizar o seu potencial interno, sem restrições externas.

Assim, de noite, a 19 de Setembro de 2018, o centro de treino dos funcionários do Ministério do Interior tornou-se o objeto do nosso ataque. É aqui, no centro de treino, que eles são treinados para nos deter com sucesso, atirar sonre nós, praticar confiscações e assaltos aos nossos apartamentos de armas na mão, armas que as pessoas comuns não podem possuir.

O centro de treino está localizado a 500 m da Rua Boryspilskaya, na floresta, no distrito Darnytskyi da cidade de Kiev. No centro existem pistolas e galerias de tiro automáticas, uma pista de obstáculos, um  campo de ténis, um campo de vólei, um campo para mini-futebol, salas de treino bem como uma estrutura onde grupos de captura são praticados. Foi em tal estrutura que lançámos um “galo vermelho”!
Estivemos mais de quatro meses a cuidando desse objeto. Há pouco tempo, no edifício acima mencionado, reparos de caros foram realizados e equipamentos elétricos foram adquiridos.

Para o incêndio a provocar, precisávamos de 17 litros de mistura incendiária, 10 pneus de carros e coisas antigas encontradas na rua. Fizemos 2 áreas de fogo em lugares diferentes. Também na parede deixamos uma mensagem: Destrua o Ministério da Administração Interna. O guarda e dois cães não suspeitaram de nada…

Embora o nosso ataque seja simbólico, ainda assim aponta para o inimigo e a direção na qual a resistência deve se desenvolver.

Nossas calorosas saudações e solidariedade vão para xs anarquistas na Rússia e nas prisões bielorrussas e campos de prisioneiros: Ilya Romanov, Oleksandr Kolchenko, Sergey Romanov, Yevgeny Karakashev, Ilya Shakursky, Vasily Kuksov, Dmitry Pchelintsev, Victor Filinkov, Andrei Chernov, Arman Sagynbaev, Mikhail Kulkov, Maxim Ivankin , July Boyarshinov e outrxs.

Este fogo é para si. Não nos importa se é culpado ou não, se está ou não envolvido/a no que é acusado/a. O fato é que na luta contra o Estado somos todxs culpadxs. Portanto, saibam que se xs “inocentes” uma vez mereceram a nossa solidariedade, então xs “culpadxs” merecerão mil vezes…

Também queremos enviar palavras de solidariedade aos/ás anarquistas que operam no Chile, Grécia, Itália e a todxs xs outrxs companheirxs que lutam tanto fora quanto dentro das prisões! Saiba que as suas ações e lutas são importantes para nós!

Viva a Anarquia!
Destrua o Ministério da Administração Interna! Destrua o estado!

Célula anarquista Ilya Romanov / FAI –FRI

em inglês

Alemanha: Dois anarquistas, expulsos da Floresta de Hambach, encontram-se presos

fonte Cruz Negra Anarquista de Rhineland

Durante duas semanas a RWE – com a ajuda de um grande destacamento policial de todo o país, tem expulsado a ocupação da Floresta de Hambach, perto da cidade de Colónia. Desde domingo 16/09, mais duas pessoas encontram-se presas. Isso significa que todxs xs cinco ativistas detidxs se encontram agora presxs em prisão preventiva.

A polícia prendeu os dois anarquistas no sábado. Eles não são oficialmente conhecidos pela polícia. Foram supostamente trancados juntos numa casa na árvore, na ocupação “The North”. O delegado do ministério público e o juiz acusam ambos de “um forte caso de resistência aos agentes de execução (Vollstreckungsbeamte)”, §113 Abs. 2 StGB.

O ativista preso Winter tornou-se uma sensação da internet – através de um discurso em movimento logo após a sua prisão, compartilhado nas mídias sociais. “Eles provavelmente estão a pensar que ganharam, mas não nos podem vencer porque precisam da floresta tanto quanto nós. Eles também não podem vencer a luta, porque são muitas as pessoas que estão por trás de nós. E simplesmente não entendem, que nós não lutamos apenas por nós mas por todos nós ”, disse Winter durante a detenção.

Aterrar na cadeia sob custódia no contexto dessas alegações, só se tornou possível através da mudança de lei do “Código Penal (StGB)” a partir do final de maio de 2017, onde a sentença mínima para “Resistência contra agentes de execução” foi aumentada para 6 meses. Além disso, há a decisão do Tribunal Superior Regional de Estugarda, no contexto dos “Protestos dos 21 de Estugarda”, em que o bloqueio “em antecipação ao destacamento policial” foi avaliado como equivalente a “resistência violenta”. Ambos são “afiamentos” da lei, particularmente dirigidoa a ativistas de esquerda.

Durante três dias xs acusadxs ​​não tiveram a possibilidade de entrar em contato com o seu advogado – tal como se encontrarem frente ao juiz e magistrado. Jazzy disse que, ao longo desses dias, exigiu claramente ver o seu advogado e manteve seu direito à defesa legal. No seu discurso, Winter falou sobre não se identificar: “Eles nunca entenderão como é viver entre pessoas para as quais não importa qual é o seu nome“.

A Cruz Negra Anarquista, no seu papel de apoio a prisioneirxs, dá o conselho: “Nenhuma pessoa deve ajudar no seu próprio processo legal. Nesta questão, apontamos para o §136 StPO, que dá o direito elementar de não dar a identidade, mesmo que isso seja frequentemente usado de maneira errada ou esquecido em julgamentos. Estamos a pedir a todas as pessoas próximas das pessoas presas, que aceitem e apoiem ​​o desejo de Winter ”.

Mais informações sobre xs prisioneirxs de Hambacher Forst em: abcrhineland.blackblogs.org

em alemão l inglês

[Floresta de Hambach] Um amigo caíu de uma árvore e morreu durante uma tentativa da polícia de desalojo da “aldeia de cabanas em árvores”

19.09.2018

Hoje , um amigo – que nos acompanhou como jornalista durante muito tempo na floresta – caíu em Beechtown de uma ponte suspensa a mais de 20 metros de altura e morreu. Nesse momento a polícia e a RWE tentaram desalojar a aldeia de cabanas nas árvores. O SEK estava no processo de deter um ativista,  perto da ponte suspensa. O nosso amigo aparentemente encontrava-se ali no caminho quando caíu.

Estamos profundamente emocionadxs. Todos xs nossxs pensamentos e desejos estão com ele.  A nossa compaixão vai para todxs xs familiares, amigxs e pessoas que se sentem consternadas. Instamos a polícia e a RWE a abandonar o bosque imediatamente e a deter-se esta operação perigosa.  Não poderão voltar a estar mais vidas em perigo.

O que se necessita agora é de um momento de descanso. Inclusivé isto é difícil para vós neste momento assim como é difícil para nós dar uma pista real: Recomendamos assim – para proteger todxs xs ativistas – que não seja dada nenhuma declaração, nem sequer dar nenhum testemunho na polícia.  O acidente deve ser e será superado e reavaliado, mas a polícia não é o local para o fazer.  O seu  interesse é culpar xs ativistas.”

Atualização: A pessoa que faleceu era fotógrafo e amigo de longa data dos ocupantes e encontrava-se a fazer uma reportagem sobre o desalojo das casas das árvores. Caíu de costas, de uma altura de cerca de 20 metros, não tendo resistido aos ferimentos. A invasão policial terminou por agora.

Mais informação: https://hambachforest.org

em inglês l espanhol

[Itália] Furor Manet

FUROR MANET
Setembro 2016, a Operação Scripta Manent, dirigida pelo procurador do Ministério Público de Turin Sparagna, leva à detenção de 8, entre companheiros e companheiras.

A principal acusação é a constituição de uma associação subversiva com fins terroristas. Junto com isso, a imputação inclui vários outros ataques, todos assinados pela FAI (Federação Anarquista Informal) e FAI / FRI (Federação Anarquista Informal / Frente Revolucionária Internacional). Até hoje, cinco companheiros e uma companheira permanecem na prisão, outra em prisão domiciliária, enquanto no bunker de Turim o julgamento segue a bom ritmo. Dezenas de polícias de múltiplas cidades vão alternando no cenário do tribunal, na presunção de reconstruir a história do movimento anarquista contemporâneo. O começo está sinalizado, como já vimos inúmeras vezes, na época do julgamento de Marini, durante os anos 90. Desde então, o aprofundamento obsessivo e incessante das nossas vidas leva os espiões profissionais a enumerar e distorcer até os detalhes mais ínfimos, até os mais insignificantes ou íntimos do dia a dia, das nossas vidas e relacionamentos. Uma representação patética, mecânica e determinista que nos deixa indiferentes.

É nas diferenças individuais e nos confrontos ásperos e por vezes carregados de tensões contrastantes que reside a história do movimento anarquista – a história de cada um ou uma de nós, com limites e contradições. A esta história pertencem as práticas revolucionárias, algumas das quais estão no banco dos réus em Turim.

Em tempos como este, mais do que nunca, apoiar métodos revolucionários significa lutar contra a repressão do Estado, cujo objetivo é sepultar os/as nossos/as companheiros/as debaixo de anos de prisão e aniquilar a história do movimento anarquista.

Nem um passo atrás, pela Anarquia.
Cassa antirep. Alpi Occidentali

Indonésia: O companheiro anarquista Brian Valentino precisa do nosso apoio!

recebido em inglês a 17.05.18

O nosso companheiro, Brian Valentino, está detido na prisão de Polda em Yogyakarta, a principal sede de polícia de Yogyakarta (região feudal especial no território de Java Central).

Desde o dia da sua prisão – do 1º de Maio a 16 de Maio de 2018 – que ao nosso companheiro, entretanto espancado e torturado, foi negado os seus direitos de apoio jurídico legal ou jurista. A polícia ou a assistência judiciária não nos deram uma razão clara sobre isso, portanto não temos certeza se é a polícia ou o advogado legal que se recusa a ajudá-lo.

Para ser claro, recebemos informações do pai de Brian Valentino, que acabou de o visitar, após uma semana de intervalo, tendo-se certificado de que Brian era o único dos presos que não recebeu nenhuma ajuda legal ainda, 15 dias depois de ter sido detido.

Portanto, pedimos aos/às companheirxs, na Indonésia ou internacionais, para se fortalecer a solidariedade com Brian Valentino, nosso querido amigo anarquista, a quem foram recusados os seus direitos de assistência judiciária. Não estamos a limitar a solidariedade, pode ser legal ou qualquer outra coisa. Mas para doação à família e réus:

Doação: BRI 5175-01-001-257-503 (Ilona)
Email: palanghitam@riseup.net

Ou comunique isso à embaixada local da Indonésia. Por qualquer meio necessário.

– Cruz Negra Anarquista / Solidariedade Anti-Autoritária de Yogyakarta, Indonésia

em inglês l alemão

[Itália] “Assim é…se lhe parece. Reflexões e atualizações em relação ao processo Scripta Manent”

Ilustração do artista gráfico holandês M. C. Escher.

As audiências em relação ao processo Scripta Manent encontram-se a decorrer ( Março a Julho).  As reflexões que se seguem – da autoria da companheira anarquista Anna Beniamino  – publicadas em Março, são datadas de Janeiro de 2018.

Assim é…se lhe parece
Reflexões e atualizações em relação ao processo

Não há grandes reflexões a fazer a propósito dum episódio repressivo (basicamente é sobre o jogo simples e cíclico da ação e reação), nem sobre as manigâncias da repressão, outra coisa bem conhecida; no máximo algumas observações sobre o desenvolvimento das suas técnicas e estratégias.

É o que vou tentar fazer aqui – mais de um ano depois das detenções – após a abertura do julgamento, o qual abriu uma brecha na bolha de censura e permitiu descobrir os arquivos da Procuradoria na complexidade da sua miséria. Isto depois do breve relatório aparecido na última edição da Croce Nera [Croce Nera Anarchica, nº 3 de Fevereiro de 2017] e os desenvolvimentos que ocorreram entre o fecho do processo e a audiência preliminar [de Julho de 2016].

No entanto, antes de qualquer comentário, quero reafirmar, simplesmente, o meu orgulho na anarquia e anarquistas – o que me permitiu alimentar com a solidariedade, feita de ações, escritos, de raiva que se recuperou para além dos portões e de prisão em prisão, mostrando novamente quanto a tensão anarquista está viva, atual e capaz de zombar das categorias e ir além dos limites que a repressão nos quer impor, ao desistir do peso dos medos e do mito do consenso.

Sempre pensei que a anarquia é uma coisa séria, se praticada por mulheres e homens fornecidxs da razão e, instintivamente, de algo que – quando o poder os bloqueia nas suas gaiolas – recai sobre ele e transforma em força as fraquezas que ele gostaria de nos insuflar. Estamos aqui por causa disso, num jogo de dados sem fim, entre a autoridade e a sua negação.

Além disso, era bem claro para mim que a anarquia tinha o privilégio indiscutível de poder se apoiar numa base filosófica poderosa, histórica e cultural, além dum instinto atávico para a negação – elementos que ainda hoje se misturam num conjunto eficaz de receitas destrutivas.

«A anarquia é poderosa, quando quer», enfatiza o companheiro anarquista Panagiotis Argirou na sua declaração, no verão passado, em solidariedade às pessoas presas no G20 em Hamburgo.

A ideia anarquista continua a ser um problema para a autoridade, mostrando aos espíritos livres o aspecto concreto que está na negação desta última.

Mas não quero criar mal-entendidos: não há processos simples contra ideias. Quando a repressão ataca é sempre como resultado de factos, ações específicas que minam a pacificação social – que é difusa e acostumada a controlar, tão típica desses tempos.

Ação e reação: mete-se em andamento processos contra anarquistas, pelo que estxs anarquistas são: inimigos do Estado.

A repressão – tal como a codificação e a aplicação do código penal que vêm a seguir – muda de forma e adapta-se segundo os riscos e o grau de perigosidade do confronto em curso: pode avançar com uma ferocidade vingadora, fazendo tábua rasa de tudo o que ela encontra no seu caminho, ou com um certo paternalismo até, ou com todo um painel de nuances intermédias. Por vezes são xs refratárixs, eles próprios, que dão o ritmo da ação, às vezes são elxs que sofrem golpes repressivos – e respondem. Muitas vezes são elxs que se queixam de não se mexerem – a não ser quando são encurraladxs pela repressão, em vez de atacarem os primeiros.
No entanto, deve-se ter presente que receber golpes não significa ser as «vítimas».

É provável que a «vítima da repressão» seja um papel já muito antigo, confortável para alguns no teatro da democracia – um rótulo falso e desagradável que produziu o pietismo e não uma consciência combativa.

É lá que se situa a importância destes tempos: na nova (ou renovada) consciência de ser um objeto contundente, portador de germes subversivos se se quiser – não apenas no interior de um “meio” estreito, mas também para se apresentar de forma social ou anti-social, de acordo com cada um/a – como orgulhosxs portadorxs de intensa crítica da era da dominação tecnológica, controlo e homologação geral.

Despir o imperador e montar as suas partes escondidas foi – e continua a ser hoje tal como no passado – alguma coisa que provoca a repressão, seja com os velhos ou com novos instrumentos. As categorias ridículas do Código Penal – desculpas, provocações, associações – visam impressionar o tecido que conecta pensamento e ação: a solidariedade.

Não podemos nos permitir ser surpreendidos com isso; há mais de um século, existiram associações de malfeitores e a autoridade real mandou fechar os jornais e perseguiu xs subversivxs e as suas reuniões, vigiava os lugares mal afamados onde estavam a reunir-se. Hoje monitorizam também a tela e as telecomunicações.

Ao contrário do passado, o controlo tornou-se invasivo devido ao advento de novos dispositivos tecnológicos – algo que é frequentemente acompanhado por uma consciência e uma confiança menos fortes no seu próprio potencial e possibilidades de se lhe opor [ao controlo].

Modelos e técnicas repressivas são reintroduzidos e modernizados (às vezes nem mesmo isso), usados se necessário; actualmente, são usados para conter ou tentar conter uma efervescência inegável nos meios anarquistas, entre outras coisas.
Constatar isso não significa parar como animais aterrorizados, porque surpreendidos com os faróis de um camião que chega em alta velocidade, ou se jogar – mãos e pés amarrados – na boca do monstro, persuadidxs de sua inevitável voracidade.  Mas sim uma mudança de perspectiva: aspirar, hoje e sempre, ser um bocado indigesto, sem tombar na paranóia de ver uma omnisciência e um todo-poderoso poder, onde muitas vezes não há estratégia geral, mas um emaranhado informe de interesses de carreira que surge em contraste e orientação alheias às de funcionários mais ou menos zelosos.

Não devemos esquecer o factor humano, mesmo na sua forma mais débil, como uma papelada de comissariado, a qual – ao voar e distorcer pedaços das nossas vidas – nos mostra um amplo panorama da miséria da sua existência.

Começando pelo fim: da associação ao incitamento e vice-versa.

Com a notificação do encerramento do dossier, em Abril de 2017 – para pessoas presas e outrxs acusadxs de Setembro de 2017 – além das ofensas de que já são acusadxs, foi adicionado, para 12 dos primeiros 17 acusadxs, este 414 C.p. (incitamento a crimes e delitos) com o objetivo de terrorismo, como redactores e / ou difusores da Croce Nera, o boletim em papel e o blog – referindo explicitamente para publicações e artigos do n °s 0 a 3. Sinal dos tempos, a ofensa de incitamento é agravada «por ter cometido os fatos através de instrumentos de informática e telecomunicações».

Além disso, em 2 de Junho de 2017, com um timing bastante oportuno em comparação com a audiência preliminar de 5 de Junho, o efeito bola de neve da repressão levou mais outros 7 companheirxs – estxs embora acusadxs ​​permanecem  livres até ao julgamento-  por 270 bis [Associação para fins de terrorismo] e 414 C.p, enquanto redatores (ou não) de Croce Nera, do blog RadioAzione e de Anarhija.info.

Isto além de se acusar 2 destes de 280 C.p [ato de terrorismo com engrenagens que podem causar a morte] por causa da descoberta – durante as perseguições de Setembro de 2016 – junto com outros textos publicados em Croce Nera, de uma cópia da reivindicação de ataque contra o tribunal de Civitavecchia, em Janeiro de 2016, pelo Comité de Pirotecnia por um ano extraordinário – FAI / FRI.

A seguir à audiência preliminar, as duas partes da investigação foram fundidas e todos os acompanhantes foram enviados para julgamento, permanecendo inalteradas as diferentes acusações. Após quase um ano de controlo obsessivo (com bloqueios e sequestro sistemático do correio dxs prisioneirxs, passou diretamente aos arquivos do Gabinete do Procurador sendo adicionado ao processo na audiência preliminar), pois o ministério público e a polícia – através de vigilância electrónica à solidariedade – conseguiram fazer sair uma medida punitiva contra xs companheirxs que mantiveram contacto com xs prisioneirxs e prosseguiram a atividade editorial.

O fato de usarem os artigos 270bis e 414 C.p. juntos está a tornar-se uma rotina, nas suas estratégias, se olharmos para o que foi feito com o julgamento do processo Shadow, em Perugia, e o uso que se faz dele neste processo.

Sem esquecer a intensificação, nos últimos anos, do “único” uso dos 414 C.p. – sem o usarem mais do que como complemento às acusações de associação  para atacar qualquer escrito que “defenda” a ação anarquista – como ferramenta maleável destinada a sufocar as chamas das palavras e ações solidárias.

Também se deve acrescentar que os pequenos truques dos polícias não impressionaram ninguém.

Alvará reciclável….a estrutura do inquérito

Talvez os escritos permaneçam, mas em relação ao Scripta Manent a base e os DIGOS de Turim realmente não queriam jogar nada fora. Saíram do antigo cemitério de velharias os processos passados e classificados, mastigados e cuspidos de 20 anos de vigilância e repressão:

O processo ORAI (também chamado de processo do Marini, investigação do ROS, Roma) de 1995 ;

A investigação do ataque ao Palazzo Marino [a sede da Câmara Municipal] em Milão, 1997, por Azione Rivoluzionaria Anarchica;

A investigação de Solidarietà Internazionale (pelo procurador Dambruoso, investigação conduzida pelo DIGOS, Milão), arquivado em 2000;

A operação Croce Nera (processo do Piazzi, liderada pelo ROS, Bolonha), que meteu na prisão, em 2005, os redatores da Croce Nera da época, arquivado num curto espaço de tempo;

A investigação sobre um pacote incendiário enviado ao comissário-chefe do Lecce em 2005, assinado por Narodnaja Volja / FAI;

A investigação sobre o ataque ao quartel dos Carabinieri de Fossano e os pacotes incendiários assinados pela FAI / RAT [Rivolta Anonima e Tremenda], 2006 (processo do Tatangelo, ROS, Turim), arquivado em 2008;

A investigação de pacotes incendiários e o ataque na área de Crocetta, em Turim, em 2007, assinados pela FAI / RAT (processo do Tatangelo, DIGOS, Turim), arquivado em 2009;

A operação Shadow (Processo do Comodi, Digos, Turim) começada em 2009 para 270bis [associação para fins de terrorismo], 280 [ato de terrorismo com  mecanismos que podem causar a morte], concluída em 2016 com condenações por 414 C.p. para o boletim KNO3 e 2 condenações por roubo de carro e tentativa de sabotagem de caminho de ferro;

A operação Ardire (processo do Comodi, ROS, Perugia), começada em 2010, com 8 pessoas em prisão preventiva em 2012, o dossier foi inteiramente transferido para o da Scripta Manent, por passagem e jurisdição territorial, primeiro em Milão, depois em Turim;

As investigações Kontro, Replay, Sisters, Tortuga (proc.do Manotti, ROS, Génova) sobre os ataques às casernas dos Carabinieri em Génova, o R.I.S. [Reparto Investigazioni Scientifiche, a “polícia científica” dos Carabinieri] de Parma, em 2005, e outros ataques;

As investigações Evoluzione e Evoluzione II (Procuradores Musto e Milita, ROS, Nápoles), começadas em 2012 com o ataque a Adinolfi, até que “evoluem” para vigilância dos blogs RadioAzione e RadioAzione Croazia;

A investigação Moto (processo de Franz e Piacente, ROS, Génova), que levou, em 2012, à prisão de Nicola Gai e Alfredo Cospito;

A investigação do pacote-bomba contra a Equitalia (processo Cennicola e Polino, DiIGOS, Roma) de 2011, reaberta em 2014;

A investigação sobre o ataque ao tribunal de Civitavecchia e os cocktails Molotov contra o Quartel dos Carabinieri em Civitavecchia em 2016 (processo do Cennicola, ROS, Roma).

Esta longa lista foi feita pela leitura na diagonal do índice [do processo Scripta Manent]; esquecendo seguramente certas coisas – sem listar outras vigilâncias e arquivos passados de uma investigação para outra, de um município para outro,  quantas vezes fonte de batalhas para obter jurisdição territorial, através de combinações possibilitadas pela formulação de delito associativo.

A estratégia por trás de tudo isto é bastante visível e a pilha de papel, ainda que contraditória, torna-se sugestiva. Isto considerando que são injetadas nos registros do Scripta Manent, quase inteiramente, as actas dos processos acima enumerados, para além das basófias do par Sparagna / DIGOS de Turim, que só à sua conta fez 206, e alguns arquivos de actos judiciais.

Registo e seleção: centenas de nomes e CVs, episódios de subversão no dia a dia indexados, seccionados e recompostos ad hoc. Trajectórias existenciais, fragmentos de discussão e periódicos publicados sobrepostos à interpretação (discordantes segundo o controlador de serviço), acrobacias espaço – temporais, estudos comportamentais dignos de Lombroso.  Esta não é seguramente a primeira vez que isso acontece – tal como a tentativa bem experimentada já de dividir entre “bons e maus” e a definição da imprensa anarquista como “clandestina” e preparatória à «associação».

Acontece frequentemente – eu mesma faço isso – fazemos ironia dos consideráveis fios de embrulho e das contradições evidentes nos arquivos judiciais; esquecemos, no entanto, que há nisso uma consciente arrogância de poder.

Além dos resultados, grandes ou pequenos, o aparelho repressivo está bem ciente da latitude que as suas operações anti-terrorismo lhe dão. Vigiar e punir…acompanhamento aprofundado de contactos, reações, tentativas de pressão sobre o “frágil” e amplitude da solidariedade, longas detenções preventivas…

No entanto, acredito que as análises que tendem a ver a repressão contra certos sectores do movimento – como laboratório onde testar técnicas repressivas a expandir aos mais amplos sectores sociais – são míopes e erróneas. Há lá uma presunção paternalista, ainda que ingénua – além da tentativa de encontrar consensos, através do cimento da luta contra a repressão – na morna dissensão destes anos.

O uso da cenoura e do pau, pelo contrário, é muito mais articulado e sorrateiro.

O poder não precisa de testar in vitro a repressão sobre os anarquistas;  simplesmente usa contra os anarquistas um pouco da violência desdobrada muito mais violentamente algures: o Estado não se preocupa por treinar bandos de mercenários armados para defender as suas fronteiras e interesses, de afogar todos os dias milhares de seres humanos, de usar o seu território para ofensas simples de opinião (basta clicar na página do primeiro idiota dos fundamentalistas religiosos do século XXI para acabar amordaçado no primeiro voo).

Por enquanto, a repressão espalha-se a punições muito diversas e está bem ciente por onde pode expandir-se cegamente, com a ampla cobertura escravizada dos media. Sem esquecer que, mesmo nos sectores do movimento, as frases “exemplares” não faltam.

Acontece que, muitas vezes, são xs companheirxs xs mais atentxs e conscientes da repressão. Não é por acaso que é no movimento que mais se presta atenção à evolução das técnicas de registo, controle, vigilância e de manipulação do consenso.

Psico-antropologia do comissariado

Num cenário onde tudo é baseado em inferências/especulações, manuseiam-se doses maciças de estudo comportamental para dar sentido a tudo isto. A consciência da omnipresente vigilância policial invasiva  – e o que fazer para se subtrair a ela – torna-se significativa em si mesma.

Existem práticas correntes nos círculos do movimento – práticas essas que são mesmo difundidas socialmente – pelas mais diferentes razões: falar de forma evasiva ao telefone ou usá-lo de forma limitada, não da maneira compulsiva como faria o guia do perfeito cidadão-consumidor; prestar atenção para ver se se é seguido a pé; procurar microfones e câmaras em casa, no carro e no seu local de trabalho; prestar atenção à vigilância de telecomunicações, apenas para dar alguns exemplos.

Após alguns anos, também ficamos a conhecer as interpretações oportunistas da bófia em relação aos encontros com amigos e companheirxs e a participação, por vezes, nos momentos de ajuntamento do movimento: de acordo com o acórdão sem recurso do serviço de voyeur, estamos muito ou muito pouco presentes.

Também conhecemos a paixão dos “apêndices” para realizar qualquer atividade, viagem ou pequena excursão como «encontro entre cúmplices» (o excesso de zelo do esbirro piemontês a tomar forma em longas reportagens em vídeo na praia na Ligúria, em meados de Agosto, com percursos de natação até a bóia que vão tornar-se «reuniões reservadas»).

Agora, na intersecção perfeita entre psicopolicial e comédia italiana, é a ausência que se torna evocativa: ausência física, falta de telefonemas e contactos. Isso não está relacionado, na tese acusadora, a um evento ou ação em particular, mas [que é sugestivo para a polícia] é o próprio fato de fugir do controlo, mais especificamente não sendo vigiado passo a passo, e não está claro se isso depende da vontade das pessoas que estão a ser vigiadas ou da incapacidade óbvia daqueles.

Demasiada irónico? Talvez, uma vez que a realidade é feita de uma vigilância obsessiva e perturbadora: buscas improvisadas para esconder a intervenção de microfones escondidos em casa que não funcionam bem, vigilância e radiografia dos correios, com a recolha de encomendas directamente de caixas de correio ou correios, cópias de chaves para entrar em locais de trabalho sem o conhecimento de pessoas sob investigação, câmaras escondidas em locais públicos considerados como “objectivos potenciais”.

Aqui estão alguns exemplos de um aplicação bastante densa de vigilância, além de métodos mais tradicionais: telefones sob escuta há vários anos, microfones em casa e nos locais de trabalho, GPS em carros, câmaras a apontar para a entrada da casa, adega, local de trabalho, controlos cruzados de chamadas telefónicas e posicionamento geográfico de computadores portáveis, perseguições a pé com fotos e vídeos, intercepção de correios e escutas através dos microfones dos computadores.

Em seguida e para se ficar ainda mais embrulhado na ilusão tecnológica e (pseudo)científica do novo milénio, um florescimento de estatísticas, diagramas, percentagens, cruzamento de dados mais curiosos: quantas vezes as pessoas sob investigação foram vistas ao longo dos anos (… até em casa, entre membros da mesma família ou pessoas que moram juntas, e mesmo durante os processos em que estiveram envolvidos, e quantas vezes se reencontraram…os seus telefones; em que dias da semana chegam as bombas empacotadas; quais as cidades mais afectadas por ataques; que palavras usam, preferencialmente, os anarquistas…mas aqui vamos além do estudo estatístico – sociológico -comportamental e para outro pilar do tribunal…

A sugestão de uma peritagem

Neste caso [montagem policial] o que chama a atenção é a evidência de uma técnica de remendos com o objetivo de colar delitos precisos a certos acusadxs. Para dar substância aos pressupostos da acusação há um uso maciço de peritagens gráficas – linguístico – estilísticas, a fim de atribuir a alguns acusados a escrita de certos textos de reivindicação.

Explicado que é desta maneira pode parecer até uma coisa séria (e é este o caso, quando serve como desculpa para detenção preventiva), mas quando descobrimos o conhecimento moderno – que usa a tecnologia e o espírito humano – podemos ver a que ponto os métodos utilizados são manobráveis ao seu desejo, questionáveis e com resultados aleatórios.

Deste ponto de vista, é bem clara a escolha de se continuar nisto, ignorando com conhecimento de causa os resultados que contradizem a tese escolhida: de um só golpe as comparações que levem a resultados negativos são ignoradas e em seu lugar retalham-se os textos  de modo a adaptá-los ao que se estava à procura. Palavras de uso comum ou próprias da linguagem político-poética-anarquista tornam-se caracterizantes a um ponto que – já no paradoxo de correspondências – estão cheias de atribuições… ou seja que dali saem tantos disparates que estes vão mesmo para além das acusações.

A máquina da repressão está bem consciente da inconsistência de certas comparações e peritagens – admitindo-o, até – mas também se encontra consciente de que o uso do ADN e outros conhecimentos técnico-científico foi “refogado” para a opinião pública como tecnologia segura e indiscutível, tal como se o tenta usar no tribunal.

Na realidade, os exemplos de manipulação de erros e/ou de aproximações (e até a jurisprudência agora é obrigada a admitir isso, depois dos primeiros anos de uso “acrítico” e de qualquer traço biológico). Podemos ver alguns exemplos recentes disso, um pouco por todo o mundo, em ações judiciais contra companheirxs.

Desta colheita compulsiva de material e confrontações cruzadas podem-se, no entanto, encontrar algumas informações sobre a sua colheita e utilizações sistemáticas.

O DAP [Dipartimento Amministrazione Penitenziaria, corresponde à Administração Prisional] oferece-se como fonte – além de identificar fotos e impressões digitais a que se pode juntar vestígios de prisões passadas, fornecendo ficheiros pessoais e traços gráficos de todos os anarquistas que passaram pelas masmorras italianas – surgindo mesmo dos seus arquivos o correio, as instâncias judiciais, os pedidos à administração, etc. Se o caso não foi por detenção ou perseguição, chegam mesmo a esgravatar nos arquivos municipais.

Há mais de dez anos que utilizam múltiplas bases de dados de ADN – alimentadas não só com assuntos embarcados – vindos das buscas por ordem judicial  – mas também conservando amostras e fazendo comparações cruzadas de partes delas por convicção, em posse de diferentes arquivos [policiais e/ou judiciais].

* * *
Aquilo que acabei de descrever não aborda mais do que alguns dos aspectos – a desenvolver e a serem alvo de reflexão, portanto. O que resta é o facto da sua ausência [do controlo], num contexto onde os procedimentos repressivos são vasos de comunicação, se tornar um motivo para se ser acusadx. A solidariedade é uma prova agravante e, se a operação Scripta Manent visava atingir alguns anarquistas, pode-se dizer que, até como desforra disso, aumentou a solidariedade e a consciência. E que aquilo tudo, ao fim e ao cabo – apesar do tão pequeno pedaço de céu que eu agora posso ver – nada mais faz do que me devolver o sorriso.

Anna
Roma, Janeiro de 2018

*****

Para escrever à Anna e outrxs companheirxs, actualmente na prisão no seguimento da Operação Scripta Manent:

BENIAMINO ANNA
Casa circondariale Rebibbia Femminile
Via Bartolo Longo, 92
00156 – Roma

BISESTI MARCO
Casa circondariale
Strada Statale per Casale, 50/A
15121 – Alessandria

NICOLA GAI
ALFREDO COSPITO
DANILO CREMONESE
ALESSANDRO MERCOGLIANO
Casa circondariale
Via Arginone, 327
44122 – Ferrara

Fonte: Croce Nera Anarchica
via Attaque (francês)

[Federação Russa] Apoio ao prisioneiro político anarquista Evgeny Karakashev

recebido a 05.04.18

Apelamos à solidariedade e apoio ao anarquista Evgeny Karakashev, da Crimeia. Teve início a recolha de fundos para cobrir as despesas com a defesa.

Evgeny nasceu a 21 de Agosto de 1978. Vive em Yevpatoria, na Crimeia. Trata-se de um activista com convicções anarquistas. No dia 1 de Fevereiro de 2018 Karakashev foi detido, no dia 2 foi preso por suspeição de ter cometido crimes contemplados na Parte 1 do Art. 282 (incitamento ao ódio e inimizade) e na Parte 2 do Art. 205.2 (apelo público ao terrorismo) do Código Criminal da Federação Russa. Encontra-se em prisão preventiva desde 2 de Fevereiro de 2018.

Descrição do caso

No dia 1 de Fevereiro de 2018, Evgeny Karakashev foi detido por agentes da polícia em Yevpatoriya. A jornalista Alyona Savchuk escreveu nas redes sociais que procuraram Karakashev no dia da detenção. “Levaram-no violentamente: alguns homens à paisana forçaram a entrada, não se identificaram, atiraram-no imediatamente para o chão, agarraram-no, algemaram-no com as mãos atrás das costas. Evgeny afirma que foi algemado até às instalações de detenção temporária. Tem uma grande escoriação no lado direito da testa. Só à noite é que Karakashev conseguiu telefonar a um amigo e pedir-lhe para encontrar um advogado” – diz Savchuk – “O investigador Abushayev disse que não se recorda durante quanto tempo Karakashev esteve algemado, 5 minutos ou 3 horas, e que Karakashev «se ofereceu» para ir a esquadra voluntariamente”.

No dia 2 de Fevereiro de 2018, o Tribunal da cidade de Evpatoria prendeu Evgeny por 2 meses por suspeição de «incitamento ao ódio e à inimizade» e «apelos públicos ao terrorismo».

Resulta do despacho relativo à instauração do processo penal que, de acordo com a investigação, Karakashev publicou um vídeo numa das suas páginas na rede social «VKontakte», no final de 2014, que alegadamente apela ao terrorismo. Além disso, de acordo com o relatório, em Janeiro de 2017 Karakashev postou de uma outra conta, num chat com 35 pessoas, um texto que contém sinais de “propaganda de ideologia violenta” e “apelos a actividades terroristas”. Não se especifica exactamente o que terá Karakashev publicado, no entanto o documento afirma que os peritos investigaram um «teletexto, que começa com as palavras “usar granada contra” e termina com as palavras “nas janelas das autoridades, boa sorte”».

É óbvio que a razão para iniciar um caso criminal foi o vídeo “Chamada Vídeo dos Guerrilheiros de Primorsky”, publicado na rede social “VKontakte”, no qual os guerrilheiros explicam os motivos das suas acções. Este vídeo é entendido na Rússia como sendo extremista, por “incitar ao ódio contra um grupo social específico” [a polícia].

De acordo como o advogado Alexei Ladin, o próprio Evgeny Karakashev acredita que o início do caso criminal contra si e sua subsequente prisão se relacionam com o seu activismo: ele opôs-se a uma construção numa zona de lazer em Yevpatoriya, perto de um lago. Evgeny é um anarquista e antifascista. Karakashev tomou sempre uma posição civil activa, participou, por exemplo, num protesto junto ao edifício do FSB em Simferopol, e em Novembro de 2016 tencionou organizar uma acção “contra a brutalidade policial na Crimeia”, junto ao edifício do Ministério do Interior de Evpatoria. Esta acção foi interdita pelas autoridades locais. Depois deste incidente, Evgeny foi chamado pelo staff dos ditos órgãos policiais e convidado a dar explicações, Evgeny recusou dar qualquer testemunho.

Sinais de motivação política para a sua perseguição

É muito provável que o caso criminal contra Evgeny Karakashev tenha sido despoletado no contexto das suas actividades públicas de oposição política como participante das acções de protesto na Crimeia. No contexto da perseguição de activistas de extrema esquerda e antifascistas desde Janeiro de 2018, o caso de Karakashev parece ter uma motivação claramente política.
Deste modo, as circunstâncias da acusação levam-nos a acreditar que a detenção de Evgeny Karakashev foi um meio para acabar com as suas actividades públicas.

Ao mesmo tempo, a detenção foi aplicada em violação do direito a um julgamento justo, e a outros direitos e liberdades garantidos pela Constituição da Federação Russa, pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos e pela Convenção Europeia para a Protecção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais, baseando-se-se na adulteração de provas do alegado crime na ausência de elementos de delito de ofensa.

Como se pode ajudar: Pode-se transferir dinheiro pelo sistema Paypal: o nosso endereço é abc-msk@ riseup.net  Por favor mencionar “para Evgeny Karakashev”

Endereço prisional de Evgeni:
Karakashev Evgeni Vitalevich, bul. Lenina 4, 295006 Simferopol,
Respublika Krym, Russia.

Nota que na prisão apenas se aceitam cartas em Russo.

Cruz Negra Anarquista de Moscovo

fonte: avtonom.org

em inglês

Finlândia: Acções de solidariedade com anarquistas e antifascistas da Rússia em Fevereiro e Março

recebido a 04.04.18

Concerto de apoio em Helsínquia a 4.03.2018.  Faixa onde se pode ler em finlandês “Liberdade para antifascistas na Rússia”.

A seguir um resumo das recentes acções de apoio a compas reprimidxs na Rússia:

No dia 4 de Fevereiro, a Cruz Negra Anarquista de Helsínquia organizou o “Amazing Vegan Sunday Soli Lunch” [Incrível, Domingo Comida Vegan Solidária] em Lymy. O evento foi um sucesso. Em Tampere, um concerto solidário foi organizado no dia 2 de Março.
Participaram quatro bandas e vendeu-se comida vegan. Varis Tampere, que organizou o evento e ainda a TAL (União Anarquista de Tampere) vendendo t-shirts e livros sobre anti-fascismo. Também em Helsínquia, Varis organizou um concerto solidário no dia 4 de Março com duas bandas de hardcore, um sorteio, hambúrgers de tofú e informação sobre a situação na Rússia. Os fundos recolhidos foram enviados para a Rússia para serem usados nas despesas de defesa e noutras formas de apoio aos/às anti-fascistas e anarquistas reprimidxs em S.Petersburgo, Penza,Tšeljabinsk e noutros locais da Rússia.

Turku 18.3.2018
Turku 18.3.2018

No dia das eleições presidenciais na Rússia, houve manifestações em Turku e Helsínquia contra a tortura praticada pelo FSB e, mais genericamente, contra o regime de Putin. Em Turku, um grupo de anarquistas e antifascistas reuniu-se em frente do consulado russo ostentando uma faixa com o texto “Libertem xs anarquistas na Rússia! Fim à tortura pelo FSB!”. A faixa foi depois estendida sobre a auto-estrada. Em Helsínquia, cerca de 50 pessoas concentraram-se à porta da embaixada russa gritando palavras de ordem e mostrando faixas contra o FSB e Putin, e pela libertação dxs prisioneirxs anti-fascistas. As pessoas, ao ir votar, não puderam evitar reparar na manifestação organizada pelo grupo anarquista local A-ryhmä, pela CNA de Helsínquia e a Varis.

Manifestação na embaixada russa em Helsínquia a 18.3.2018.
FSB é o principal terrorista

Como balanço geral, chamou-se a atenção para a situação na Rússia nos últimos meses e as pessoas foram motivadas a agir em conjunto contra a repressão e pelos nossos objectivos comuns. Continuaremos a apoiar xs companheirxs na Rússia.

fonte:  varisverkosto.com

em inglês l alemão

Lisboa, Portugal: Crónica da concentração realizada junto à embaixada de Espanha a 13 de Março de 2018


recebido a 15.03.18

[Concentração contra a Repressão no Estado Espanhol realizada a 13 de Março de 2018, Lisboa]

No dia 13 de Março concentraram-se junto à Embaixada de Espanha, em Lisboa, cerca de 3 dezenas de pessoas em protesto contra a repressão que se tem feito sentir no Estado Espanhol e em solidariedade com todas as pessoas presas e perseguidas por exercerem o seu direito à liberdade de expressão. A faixa afixada de frente para a Embaixada ostentava a frase “Contra a vossa repressão, contra a vossa democracia, somos ingovernáveis”. Um megafone fez soar música combativa e palavras de ordem anti-autoritárias, e distribuíram-se flyers informativos com o texto que se segue:

Contra a repressão, solidariedade e insurreição!

Nas últimas semanas o Estado Espanhol voltou a evidenciar o seu carácter fundamentalmente repressor e fascista, tendo diversos músicos sido condenados a penas de prisão e multas, por insultos à monarquia e exaltação do terrorismo, outras pessoas acusadas e sentenciadas porfrases escritas em algumas redes sociais e a censura de uma exposição sobre presxs políticxs na maior feira de arte de Madrid.

Desde a aprovação da Ley Mordaza em 2013, o Estado Espanhol tem vivido um estado de excepção não-declarado, onde a mera expressão de opinião crítica ao regime tem como consequência graves penas, tendo assim o intuito de estender um clima de medo numa sociedade onde os movimentos sociais e a organização de base têm experimentado uma forte adesão nos últimos anos. Foi até criada uma rede por parte da Polícia Nacional Espanhola chamada “Stop Radicalismos”, renovada recentemente, que incentiva a denúncia aleatória de qualquer pessoa por motivos ideológicos ao melhor estilo de um regime totalitário.

Desde a instauração da  democracia este estado de excepção era já uma situação quotidiana em regiões como o País Basco onde, devido ao contexto de conflito histórico, a transição democrática nunca escondeu a continuação de um projeto de Estado centralizado, imperialista e fortemente repressivo.

Esta tendência de aumento e normalização da repressão não é exclusiva ao Estado Espanhol, sendo que em França o estado de emergência justificado pelos atentados de 2015 tornou-se permanente com a nova lei antiterrorista do governo de Macron.

A perseguição que habitualmente era aplicada a grupos minoritários de dissidência política, tais como anarquistas, independentistas, ou qualquer outro tipo de militante ou ativista social, generaliza-se como algo quotidiano que afeta todos e todas e aqueles e aquelas que se atrevem a tornar público um pensamento que põe em causa as bases do sistema capitalista, denuncia as suas estruturas opressivas e se arrisca a propôr novas formas de organização social.

Estas situações demonstram que esta democracia (que enche a boca a tantos defensores da liberdade de expressão) e ditadura são as duas face de uma mesma moeda, que se alternam de maneira a perpetuar um sistema de domínio, o capitalismo, cujo único objectivo é a reprodução de si mesmo.

Contra toda a vossa polícia, os vossos juízes, os vossos media, seremos sempre ingovernáveis!

Balanço da repressão contra anarquistas na Rússia – 2017 e primeiros meses de 2018

A Cruz Negra Anarquista de Moscovo publicou um balanço da repressão contra anarquistas – exercida pelo estado russo durante 2017 e inícios de 2018. Nesse período, as autoridades continuaram a incriminar e a perseguir companheirxs na Federação Russa. Xs anarquistas são também alvo de repressão nas prisões. Segue-se um extracto da recentemente publicada lista da repressão na Rússia.

S. Petersburgo e Penza

Em Outubro de 2017, os Serviços Especiais Russos (FSB) fabricaram um caso criminal, de larga escala, contra anarquistas e antifascistas – os quais a FSB declara serem membxos de uma organização terrorista com o nome The Network. As autoridades russas alegam que xs acusadxs planearam e prepararam actos terroristas a conduzir durante as próximas eleições
presidenciais em Março de 2018 e durante a Taça do Mundo que terá lugar no Verão do mesmo ano.

Em Penza, Yegor Zorin, Ilya Shakursky, Vasily Kuksov, Dmitry Pchelintsev, Arman Sagynbaev e Andrei Chernov foram detidos. Em S.Petersburgo, a polícia prendeu Victor Filinkov e IgorShishkin. Ilya Kapustin é neste momento testemunha. As famílias dos detidos relatam que
estes foram torturados para deles obterem confissões. Todos os detidos neste caso estão numa situação difícil, sob a ameaça de repetição de tortura, e têm grande necessidade do teu apoio e da tua solidariedade.

Podes fazer um donativo para apoiar os custos legais aqui. Os detidos ficarão também felizes por receberem cartas de apoio. Aqui estão os seus endereços:

S. Petersburgo:
191123, St. Petersburg, Shpalernaya St., 25 PKU SIZO-3 of the Federal
Penitentiary Service of Russia
Shishkin Igor Dmitrievich
Filinkov Victor Sergeevich

Penza:
PKU SIZO-1, st. Karakozova, 30, Penza, Penza region, Russia, 440039
Shakursky Ilya Alexandrovich
Pchelintsev Dmitry Dmitrievich
Chernov Andrey Sergeevich
Sagynbaev Arman Dauletovich

Moscovo
Dois activistxs, Elena Gorban e Alexei Kobaidze, são acusadxs de dano criminal da sede do Partido Russia Unida de Putin. Elxs foram acusadxs, no fim de Janeiro de 2018, depois de activistas desconhecidxs terem partido a janela de uma das filiais do Partido Russia Unida em Moscovo e de terem ateado um fogo em protesto contra a próximas eleições presidenciais.

“Não importa quem seja presidente, a sua política é sempre a opressão e a exploração das pessoas simples que trabalham. Nós, enquanto anarquistas, oferecemos auto-governo e democracia directa em troca de presidentes e outras instituições estatais. Junta-te à nossa luta!” – – disseram as pessoas responsáveis pela acção na sua declaração.
A polícia invadiu os apartamentos em que Gorban e Kobaidze viviam, a 13 de Fevereiro. Depois dos interrogatórios, xs activistas foram libertadxs sob fiança, e estão agora fugitivxs.

Chelyabinsk: caso criminal por faixa anti- FSB
Em Chelyabinsk, cinco activists foram detidxs a 19 de Fevereiro de 2018 depois de uma acção perto da filial local do FSB. Pessoas desconhecidas penduraram uma faixa com a inscrição “FSB – o maior terrorista” e atiraram uma bomba de fumo por cima da cerca das instalações do FSB. A acção foi realizada em apoio dxs anarquistas presxs em Penza.

Activistas, que preferem que os seus nomes não sejam publicados, relatam que os agentes do FSB xs torturaram com uma arma de choques eléctricos, exigindo que admitissem que tinham pendurado a faixa. Elxs foram entretanto libertadxs sob fiança, mas na condição de não saírem do país nem mudarem de residência. Podes ajudá-lxs com os custos legais transferindo dinheiro para a conta da Cruz Negra Anarquista.

Crimeia:

Yevgeny Karakashev preso por “justificar o terrorismo”. Em Fevereiro de 2018, o FSB da Crimeia prendeu o anarquista Yevgeny Karakashev. Acusado de “incitamento ao ódio” e “justificação de
terrorismo” ou, por outras palavras, por postar um vídeo na página do meio de comunicação social Russo VKontakte. Karakashev está actualmente detido.
Eugene é activista há já algum tempo. Antes da sua detenção, participou num piquete perto do edifíco do FSB em Simferopol, na Crimeia, e em Novembro de 2016, acompanhado por pessoas
com afinidades políticas, planeou um piquete “contra a arbitrariedade da polícia na Crimeia” junto ao edifício do Ministério do Interior. Este piquete foi banido pelas autoridades locais.

Perseguição Administrativa de Anarquistas

Em Janeiro de 2017, no aniversário do assassinato político do advogado Stanislav Markelov e da jornalista Anastasia Baburova, organizaram-se eventos em memória delxs por todo o país e que a polícia tentou interromper. Anarquistas foram detidxs em Moscovo, S. Petersburgo, Murmansk e Sevastopol. A polícia realizou outras detenções este ano, durante as acções em homenagem de Markelov e Baburova.

A 23 de Fevereiro de 2017, dúzias de pessoas foram detidas no festival antimilitarismo esquerdista “Desertir Fest”, no sudoeste de Moscovo. O festival foi organizado em protesto contra o recrutamento militar. A polícia considerou esta causa radical e portanto indevida. Em 2018 o festival não aconteceu porque a polícia o impediu antecipadamente.

Em Irkutsk, em Abril de 2017, foram realizadas buscas com a participação de uma unidade do SOBR (Forças Especiais Russas) e do Centro de Combate Contra o Extremismo. Nove pessoas foram detidas. Foi aberto um caso criminal sob o Artigo 148 do Código Criminal (insulto à religião) contra um dos activistas – Dmitry Litvin –. Xs restantes foram interrogadxs como testemunhas neste caso – xs próprixs detidxs estavam certxs de que a principal razão é outra: xs anarquistas locais são xs mais activos participantes da vida política da cidade e intensificaram os protestos repetidamente.

Em Novembro de 2017, quando xs antifascistas russos tradicionalmente homenageiam Timur Kacharava, um músico e antifascista assassinado por neo-nazis, a polícia interrompeu as homenagens. Como resultado, uma pessoa foi presa.

Perseguição de activistas russxs no estrangeiro

Em Abril de 2017, o anarquista Alexei Polykhovich foi deportado da Bielorússia, após 12 dias de prisão por participar numa manifestação em Minsk, onde as pessoas protestaram contra novos impostos. Durante o Verão, na cidade bielorussa de Baranovichi, a polícia de intervenção interrompeu uma palestra de Alexei Sutugi. O tema da palestra era a resistência às autoridades a partir da prisão. Quase todxs xs presentes foram detidxs até à noite. A 12 de Outubro, um tribunal local decretou que os materiais confiscados na palestra eram extremistas.

Em Outubro de 2017, na cidade bielorussa de Grodno, a polícia de intervenção interrompeu uma palestra do filósofo Pyotr Ryabov. Pyotr Ryabov é um simpatizante da causa anarquista e professor de filosofia na Universidade de Pedagogia do Estado de Moscovo. É especialista na história do pensamento anarquista. Depois de uma palestra intitulada “Movimentos Informais na Bielorússia 1991-2010”, em Baranovichi, Ryabov foi sentenciado a 6 dias de prisão por “disseminação de materiais extremistas”.
Depois disso, o Departamento de Cidadania e Migração local decidiu deportar Ryabov e decidiu impedi-lo de entrar no país durante 10 anos.
Em Moscovo, organizaram-se uma série de piquetes contra a prisão de Pyotr Ryabov, em frente da embaixada da Bielorússia.
“O estado sobrestimou a minha contribuição para a propaganda revolucionária: muitas das minhas palestras geraram menos revolta do que a sua proibição. Creio que o problema é o termo «anarquismo». As autoridades lembram-se do facto dos anarquistas terem sido condenados pelo incêndio da embaixada russa em 2010, e do facto dos anarquistas, em muitos casos, organizarem protestos massivos contra a lei do parasitismo”, disse Ryabov numa entrevista depois da sua libertação.

Em 2017, anarquistas da Bielorússia foram a mais activa força de protesto contra o imposto do parasitismo que as autoridades bielorussas queriam introduzir para os desempregados.

Notícias das prisões

O anarquista da Crimeia Alexander Kolchenko celebrou o seu 28º aniversário na prisão onde está ainda detido – apesar da recente troca de prisioneiros entre a Ucrânia e a Rússia. No seu aniversário, anarquistas da Ucrânia, da República Checa e da Polónia organizaram acções de solidariedade em aeroportos.
Kolchenko foi sentenciado a 10 anos de prisão pelo caso dos chamados “terroristas da Crimeia” – participou em acções contra a entrada das tropas russas na península, em particular no incêndio da filial local do partido Rússia Unida e do gabinete da comunidade nacionalista Russa da Crimeia. Em Novembro, foi-lhe diagnosticado um “defice de peso”. Ao mesmo tempo, o FSIN negou-lhe a oportunidade de estudar in absentia numa universidade ucraniana.

Podes escrever uma carta a Alexander Kolchenko para o seguinte endereço:
456612, Chelyabinsk Region, Kopeysk, ul. Kemerovskaya, 20, IK-6,
detachment 4, Kolchenko Alexander Aleksandrovich.

Na Mondovia, o anarquista Ilya Romanov continua a cumprir a sua pena por terrorismo: uma condenação que lhe coube depois de se ter ferido com fogos de artifício em Outubro de 2013. Devido ao acidente, Romanov perdeu uma mão mas, ainda assim, foi condenado por terrorismo e sentenciado a 10 anos de prisão.

Em Abril, o ECHR considerou uma das queixas de Romanov e atribuíu-lhe uma compensação de 3,400 Euros pela detenção irracionalmente longa durante a investigação. Apesar disso, não é claro como Ilya Romanov poderá receber este dinheiro – todas as suas contas estão bloqueadas
pelo estado. Os familiares de Romanov, que tentaram transferir o dinheiro para Ilya através dos correios, foram detidos pela polícia. Em Maio, Romanov foi posto em isolamento durante quarto meses, e em Julho foi aberto um novo caso de terrorismo contra ele.

Ilya Romanov está detido em IK-22 Mordovia, no seguinte endereço:
431130, Mordovia, Zubovo-Poliansky district, st. Potma, n. Lepley.
Escreve-lhe uma carta, ele irá apreciá-la.

Finalmente livre
Em Maio de 2017, o anarquista Alexei Sutuga foi libertado da prisão. Em Setembro de 2014, Sutuga, conhecido pela alcunha Sócrates, foi condenado a três anos e um mês de prisão depois de alegadamente ter tomado parte numa rixa de café. O antifascista não admitiu culpa: ele afirma que tentou interromper a luta mas não agrediu ninguém. As vítimas neste caso eram neo-nazis russos.

Em Outubro de 2017, o antifascista de Tomsk, Yegor Alekseev, desapareceu antes de ser sentenciado por “apelos públicos a actividade extremista”, ou por ter postado um vídeo do YouTube no seu perfil de uma rede social.
Neste momento está seguro numa localização desconhecida. De acordo com Yegor, ele está decidido a esconder-se do sistema judicial russo, temendo ser condenado a prisão.

No início de Novembro de 2017, o historiador anarquista Dmitry Buchenkov evadiu-se da prisão domiciliária e está neste momento num país europeu incógnito. A sua fuga foi possível porque não tinha pulseira electrónica devido a escassez de recursos. De acordo com os investigadores, a 6 de Maio de 2012 Buchenkov terá alegadamente atacado um polícia. Ele foi acusado apesar de as provas claramente indicarem que no dia do alegado ataque ele não estava sequer presente: encontrava-se de visita à sua família, noutra cidade. Uma queixa sobre a sua prisão e perseguição politicamente motivada foi dirigida ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Esta lista foi preparada pelo coletivo da Cruz Negra Anarquista de Moscovo. Não é uma lista completa das perseguições a anarquistas pelo estado russo – a pedido de alguns/mas companheirxs, esta lista não menciona todas as desventuras dxs anarquistas da pós-União Soviética. Se quiseres ajudar, podes encontrar informação sobre como transferir dinheiro para as necessidades da Cruz Negra Anarquista Russa nesta página.

Fonte: avtonom.org/en/news

em inglês l alemão

Rússia: Apoie prisioneirxs anarquistas e antifascistas em S. Petersburgo e Penza!

Começou a angariação de fundos para os advogados a trabalhar nos casos dos assaltos policiais e das prisões de anarquistas e antifascistas em S. Petersburgo e Penza, na Rússia. Neste momento ( 31/01) estão presas duas pessoas em S. Petersburgo e cinco em Penza, e outras estão ligadas ao caso como testemunhas. É provável que os assaltos policiais e prisões continuem. Xs presxs são acusadxs com a parte 2 do artigo 205.4 do código criminal russo (participação em organização terrorista), por ordem do tribunal de Penza.

A 23 de Janeiro, a caminho do aeroporto de Pulkovo, os Serviços de Segurança Federal (FSB) detiveram Victor Filinkov. Para se conseguir o seu testemunho, foi espancado e torturado com choques eléctricos na floresta. Os sinais de tortura foram confirmados pelo advogado de Filinkov e pelos membros da Comissão Pública de Monitorização (ONK) que o visitaram no centro de detenção, antes do julgamento. Filinkov está preso há dois meses.

A 25 de Janeiro o FSB fez um assalto inesperado ao apartamento de Igor Shishkin. Depois do assalto, nem o seu advogado nem os membros da Comissão Pública de Monitorização conseguiram localizar Igor, durante mais de um dia. A 27 de Janeiro Igor foi presente a tribunal com sinais de tortura, e foi preso no Centro de Detenção Pré-julgamento por dois meses. Xs jornalistas foram impedidxs de assistir ao julgamento, tendo ainda dois/duas sido presxs.

Também as testemunhas foram torturadas. Ilya Kapustin foi espancado e torturado com choques eléctricos enquanto a polícia lhe exigia que testemunhasse que alguns/mas dxs seus/suas conhecidxs estariam a planear “algo perigoso”. Numerosas marcas das armas de choques eléctricos foram registadas pelos serviços de saúde.

Em Penza, as prisões começaram em Outubro de 2017. O FSB local prendeu seis jovens, cinco dxs quais estão neste momento em detenção pré-julgamento. Todxs xs presxs foram brutalmente torturadxs. Pode ler-se em detalhe acerca dos eventos de Penza neste artigo. A ajuda legal é necessária para xs prisioneirxs (cujo número pode aumentar) e testemunhas. Ainda é cedo para mencionar valores exactos, mas serão necessários pelo menos 200 mil rublos para o trabalho de advogadxs nos próximos meses.
Cruz Negra Anarquista S. Petersburgo

DETALHES PARA TRANSAÇÕES EM APOIO DXS PRESXS
PayPal: abc-msk@riseup.net ABC Moscow

Caso queiras apoiar um/a presx específicx, adiciona uma nota mencionando isso. Caso queiras contribuir para o caso de S. Petersburgo e Penza, escreve uma nota para “St. Petersburg and Penza”. Recomendamos o envio em euros ou dólares, já que as outras moedas são automaticamente convertidas de acordo com as taxas PayPal.

Yandex-wallet da Cruz Negra Anarquista S. Petersburgo 41001160378989
Bitcoin
1EKGZT2iMjNKHz8oVt7svXpUdcPAXkRBAH
Litecoin
LNZK1uyER7Kz9nmiL6mbm9AzDM5Z6CNxVu
Etherium
0x1deb54058a69fcc443db2bf9562df61f974b16f7
Monero
4BrL51JCc9NGQ71kWhnYoDRffsDZy7m1HUU7MRU4nUMXAHNFBEJhkTZV9HdaL4gfuNBxLPc3BeMkLGaPbF5vWtANQn4wNWChXhQ8vao8MA
Zcash
t1dX9Rpupi77erqEbdef3T353pvfTp9SAt1

Caso prefiras outra opção para a transferência de dinheiro, por favor contacta a Cruz Negra Anarquista de Moscovo:
abc-msk@riseup.net

Todo o material sobre o caso pode ser encontrado nesta secção:
Caso dos anti-fascistas de S. Petersburgo e Penza.

em inglês

Bure, França: Ponto de situação a 27/02 – programa do fim-de-semana de 3/4 de março

NÃO AO DESERTO NUCLEAR
ESTADO NUCLEAR ESTADO POLICIAL

 *Ponto da situação a 27/02*

Desde 22 de fevereiro, após a expulsão largamente mediatizada do bosque Lejuc, várias pessoas continuaram a ocupar as árvores altas, a sulcar e a percorrer a floresta para vigiar oa polícia móvel, a observar se os trabalhos começavam, a abastecer-se e a apoiar as corujas empoleiradas nas alturas. Outrxs concentraram-se no monitoramento antirep de todxs xs que passaram pela verificação de identidade, sob custódia policial, e pelas duas pessoas actualmente em prisão preventiva. Outrxs asseguram o acolhimento das pessoas que chegam à Casa da Resistência ou nos diferentes locais em que habitamos, à volta. E, sobretudo, cuidam uns/mas dxs outrxs depois desta prova.

Entretanto, a autarquia não desmilitariza a zona e dá ordens alucinantes para interditar toda a circulação em redor do bosque Lejuc…
Segunda-feira, 26 de Fevereiro, vimos camiões e retro-escavadoras a trabalhar na floresta. Isso continuará provavelmente durante a semana. Tentaremos manter-vos ao corrente de todas as novidades através de actualizações regulares em vmc.camp. A situação é extremamente instável, por isso mantenham-se actualizadxs!

*Manutenção do intercomité do fim-de-semana*

No meio de tudo isto, as datas 3-4 de março mantêm-se como uma rocha no meio da torrente! Todos os dias nos organizamos para preparar o acolhimento das centenas de pessoas que chegarão no fim-de-semana. A logística das dormidas está em curso, tal como as cantinas colectivas. Há em tudo isto uma boa dose de imprevisto e de improvisação, e todas as energias da auto-gestão são e serão bem-vindas para nos permitir organizar este fim-de-semana e os dias seguintes, e fazer face à violência do Estado e das suas milícias, na sequência da expulsão e do assédio policial permanente…

No dia 22 de Fevereiro não houve apenas uma expulsão: houve também uma corrente de solidariedade incrível com mais de 70 concentrações em França e na Europa. 300 pessoas em Paris, 200 pessoas em manifestação selvagem em Nantes e Rennes, 20 pessoas a bloquear eléctricos durante meia hora em Estrasburgo, vitrinas do EDF estilhaçadas em Toulouse, panfletos nas praças em Lons-le-Saunier, fotografias de solidariedade em Gorleben e Leipzig na Alemanha, e em Skouries na Grécia, e tantos outros momentos… Novos comités de apoio criados em Viena, na Finisterra, em Metz, etc. O governo comunicou a expulsão de uma «quinzena» de ocupantes do bosque Lejuc mas são milhares as pessoas que saíram às ruas por todo o lado…
Isso eles não poderão nunca expulsar.

No fim-de-semana de 3 § 4 de Março gostaríamos que estes comités, existentes ou em vias de criação, e que todas as pessoas que queiram lutar com Bure, onde quer que estejam, possam, da maneira que quiserem e se o desejarem, manifestar-se e mostrar que lutam com Bure a partir de numerosos lugares, tornando tangível esta corrente de solidariedade…

Sugere-se aqui pistas que são para entender apenas como convites: por exemplo, preparar faixas criativas simbolizando as cidades dos comités e das lutas que organizam (ou as faixas utilizadas nas concentrações de 22 de Fevereiro), ou quaisquer outros objectos e símbolos para o efeito, etc. Ou ainda trazer combinações brancas, pinturas, belas máscaras personalizadas de corujas, etc. Apelamos também às pessoas que vierem para, tanto quanto possível, trazerem tendas, roupa quente, botas, lanternas de cabeça, alimentos, etc, para serem o mais autónomxs possível…
Tentaremos ter alojamento para todxs mas é melhor que toda a gente assegure o máximo para o caso de sermos demasiados…
Há também uma primeira lista logística das necessidades materiais urgentes que será finalizada em breve.

*Nota sobre a gravação de imagens e som nos dias 3-4 de Março*

Ao vir para aqui, é preciso ter em conta que acabámos de viver um episódio repressivo muito forte, em que a polícia procura identificar as corujas para melhor as engaiolar. Pedimos por isso a vossa compreensão quando exigimos que não se grave imagens nem mesmo som. Caso essa seja mesmo a vossa actividade, contactar a equipa auto-media quando chegarem para a ela se juntarem. A nossa tolerância será nula, por necessidade, a qualquer imagem ou a qualquer registo realizado fora do contexto da auto-media. Caso tenham bons aparelhos que queiram deixar à disposição, isso poderá interessar-nos.

*Programa geral do fim-de-semana*

O desenrolar do fim-de-semana ainda está em vias de ser discutido.Tínhamos dito antes da expulsão que queríamos ocupar tempo suficiente dos encontros e das discussões para reforçar a luta em França e na Europa, e contamos ter esse tempo entre todas as outras coisas.

Neste momento, os primeiros elementos do programa:

Sexta-feira 2, à noite: acolhimento permanente na cozinha da Casa da resistência em Bure (BZL) para ajudar na repartição das dormidas, na inclusão das tarefas de auto-gestão, etc. Às 18h30, um primeiro momento de recepção e de informação será proposto antes de jantar!
Sábado 3, de manhã (em Mandres-en-Barrois): encontros e discussões entre os diferentes comités de luta e as diferentes pessoas desejosas de apoiar a luta em Bure. O programa detalhado chegará muito brevemente.
Sábado 3, à tarde: construção de uma vigia nos arredores da floresta.
Domingo 4: continuação das actividades de sábado!
Paralelamente ao programa haverá certamente várias coisas não anunciadas, algum caos feliz, muita improvisação. De qualquer forma, teremos (e encorajamos-vos a ter) uma grande atenção para que toda a gente possa, o mais possível, encontrar um lugar e sentir-se bem.

Esperamos-vos em grande número no fim-de-semana de 3-4 de Março (ou antes, ou depois)!

Nunca nos atomizarão!
Algumas corujas de Bure.

informações em alemão, italiano, francês

[Expulsão do bosque Lejuc, França] Comunicado “Bure por todo o lado, nuclear em lado algum”

O bosque Lejuc de novo ameaçado pela Andra e seus cães de fila? Habitemo-lo. Defendamo-lo. SE ELES OCUPAM, EXPULSAM-SE!    Apelo à mobilização imediata, em caso de ataque policial.

Está em curso a expulsão do bosque Lejuc, em Bure, desde as 6h30 desta manhã [22 de fevereiro]! Este bosque foi ocupado em 2016 – para atrasar a construção estaleiro CIGEO de l’ANDRA – por pessoas que lutam contra o lixo nuclear. Este é o ponto nevrálgico do projecto que deve acolher os poços de ventilação dos 265 km de galerias e onde serão acumulados 85000 metros cúbicos de resíduos radioactivos. Os militares auto-transportados chegaram e as pessoas estão a bordo. A escalada de repressão sofrida pelas pessoas que lutam em Bure chega ao seu ponto máximo.
A página vmc.camp foi bloqueada! Siga as infos em manif-est.info.

O Estado escolheu claramente enviar um sinal pela força… Num momento em que a treva invernal ainda não terminou. Num momento em que a Andra não poderá começar nenhum trabalho no bosque por causa do período de nidificação que começa a 15 de março. Num momento em que um saco de nós de recursos jurídicos e administrativos prende ainda o homem do lixo ao átomo: recurso administrativo contra a propriedade da Andra que se seguiu à troca municipal do bosque a 18 de maio de 2017; necessidade de uma avaliação ambiental prescrita pela Autoridade Ambiental em outubro de 2017, etc, a Agência não pode começar os seus trabalhos preparatórios.
O Estado responde através de uma operação de expulsão surpresa, com um grande dispositivo (500 polícias) e uma propaganda mediática sábia e bem oleada desde cedo, em todas as frentes.

Como em 2012 em Notre-Dame-des-Landes, os bulldozers seguem-se imediatamente às tropas, arrasa-se rapidamente os locais de residência sem deixar tempo para recuperar haveres pessoais. Seguindo-se a uma primeira expulsão do bosque em julho de 2016, as máquinas da Andra destruiram ilegalmente uma parte da árvores antes que a oposição pudesse reinvestir e reocupar a floresta em meados de agosto de 2016.

A 20 de setembro último, aquando de um mandato de busca sobre os diferentes locais de residência em Bure, dezenas de concentrações floriram por toda a França, e criaram-se  rapidamente comités de luta. Devemos agora continuar a organizar-nos em cada lugar e por toda a França. Mais do que nunca, Bure deve estar por todo o lado, fazer parte de nós; devemos ser milhares a levantarmos-nos agora contra o horror nuclear e a atomização que se prepara, e reagir.

Além destas considerações, resta a questão da fundamentação deste projecto levado a cabo por este governo, sem nenhum diálogo, na mais completa opacidade! Trata-se de não perder de vista que esta decisão de enterrar resíduos altamente radioactivos é uma solução para
nucleocrátas, essencial para a continuação do nuclear!

A SITUAÇÃO DE BURE NÃO É UM PROBLEMA  DOS NATIVOS, A OCUPAÇÃO DO BOSQUE LEJUC É UMA BARRICADA NO CORAÇÃO DA CADEIA DE PRODUÇÃO NUCLEAR E SEU MUNDO EM GERAL.

1) Chamada para apoio no Bosque Lejuc: precisamos de gente aqui!

2) Concentrar-se frente à câmara, hoje, é denunciar estas formas expeditas de acção contra um movimento que se opõe a uma lixeira nuclear e o seu funesto mundo (de merda)!

Siga-nos em vmc.camp (de momento em baixo) / burestop.eu / e sobretudo aqui

Nunca nos atomizarão! Que Bure viva por todo o lado!
Para nos contactar: burepartoutnnp@riseup.net

em francês

 

[Brasil] Publicação informativa sobre a Operação (Anti-anárquica)Erebo em Porto Alegre – Um convite para o debate

recebido a 01.03.18

Vimos uma iniciativa, que chama à ofensiva e aviva nossos impulsos e instintos.
Assim, respondemos ao chamado de Agitação contra a Operação (Anti-anárquica)Erebo em Porto Alegre – Um convite para o debate, desde a tocaia, na propagação de reflexões.

“Sentimos a necessidade de trazer o tema da Operação Erebo para a troca de ideias- anárquica e Anarquista – pois o tema parece observado através de um vidro embaciado. Não fica claro quais os alvos da Operação, suas repercussões, a situação dos anárquicxs atingidxs e nem se fala do que poderíamos apreender dessa experiência. Assim, achamos que há vários pontos que valem a pena serem reflectidos. E esta publicação é a ferramenta que nos parece que pode ajudar a desembaciar alguns aspectos. Com essa intenção reproduzimos alguns textos e compartilhamos nossas reflexões. Trazemos estas reflexões, dentre várias perspectivas, a partir da visão com a qual nos sentimos mais próximos. Mas, não se trata somente de afinidade ou cumplicidade, trata-se também da necessidade de afincar na reflexão sobre a informalidade anárquica no território controlado pelo estado brasileiro.

Dentro das diferentes formas de viver o anarquismo e procurar a anarquia, o ataque informal anárquico está sendo omitido das reflexões e debates. Não podemos imaginar se isso acontece porque “não se sabe” dos ataques, porque “não se quer falar disso” ou porque algumas tendências anarquistas têm criado uma linha quase única de pensamento ácrata. O que está claro é que pouco ou nada se debate sobre o tema. Isto nos estranha já que, sendo anarquistas como somos, as práticas subversivas de confrontação contra a dominação teriam que estar entre os temas favoritos de nossas conversas.”

publicação em pdf  aqui

Brasil: Faixa em solidariedade com xs perseguidxs pela Operação Erebo

recebido a 21.02.18

Algumas palavras em solidariedade com xs anarquistas perseguidxs pela Operação Erebo em Porto Alegre (RS), desde algum lugar, no território controlado pelo estado brasileiro e o capitalismo global.

Há quase 4 meses, uma operação policial liderada pelo delegado Jardim invadiu casas particulares e espaços coletivos na cidade de Porto Alegre. Várias pessoas e espaços acabaram sendo alvo dessa operação e alguns livros editados pela biblioteca anárquica Kaos foram usados como elementos comprobatórios para perseguir xs anarquistas.

Não pretendemos, nesse texto, voltar sobre a maneira como a imprensa brasileira levou o caso, mesmo se vale a pena ressaltar a pertinência com a qual a imprensa manipula as massas com o objetivo de manter uma paz social titubeante. Mesmo com todos os esforços do aparato policial-midiático por despolitizar algumas propostas anarquistas- buscando encontrar alguma “legitimidade” política em perseguir xs anarquistas “do mal” aproveitando diferenças e buscando criar divisões entre tendências diversas do anarquismo- a solidariedade combativa anarquista se manteve em pé, e os punhos ficaram fechados aos inimigos!

Como acreditamos que a solidariedade é uma arma contra as tentativas repressivas e contra o esquecimento e que também sabemos que ela deve ser mais do que palavra para vibrar nos corações dos rebeldes, mandamos essa mensagem simples mas, acreditamos, importante. Penduramos uma faixa em solidariedade com xs anarquistas perseguidxs de Porto Alegre.
Para todxs aqueles que estão brigando contra as tormentas da solidão e as intempéries da incerteza. Para todxs aqueles cuja vida foi/está sendo perturbada por essa onda repressiva e que não baixaram nem os braços, nem a cabeça. Para todxs aqueles que, fazem frente as dificuldades despertando-se cada manhã com a convicção de ter cruzado o ponto de não retorno. Nunca nos poderão parar!

O contexto político-econômico no Brasil e da América Latina está cada vez mais repressivo com os movimentos sociais. O clima político tem sabor um sabor amargo para todxs xs que se opõem, de maneira geral, aos avances do capitalismo devastador. Há uns dias, 12 famílias indígenas do sul do Brasil foram torturadas, atingidas por balas de borracha e balas de verdade pelo simples fato de reivindicar suas terras, que por certo, lhes foram prometidas há quase 30 anos*!

Também tem esse sabor para as grandes “minorias” dessa sociedade doente, que se vêm alvos de uma cada vez maior “limpeza social” em prol de grandes empreendimentos, frutos do “progresso” e do “desenvolvimento”. O governo mata “legalmente” mandando as forças armadas do exército “limpar” as favelas e o faz também organizando “feiras agrícolas” cujo dinheiro é investido na “segurança” dos fazendeiros podres e na matança dos índios e camponeses que se atrevem a retomar, com suas próprias mãos, suas terras invadidas.

Que não se enganem, terrorista é o Estado e violento o sistema que quer nos impor uma vida que nunca escolhemos. Os debates sobre a legitimidade da violência são um falso debate. Nunca estaremos do lado de quem gosta de viver como escravo…Os mesmos que celebram insurreições passadas, hoje condenam qualquer impulso de violência libertadora, isso, sob pretextos diversos como o fato de nos vivermos em uma “democracia”. Democracia, tecnocracia, Ditadura, todos os regimes político-econômicos merecem de ser atacados, nunca são e nunca poderão ser outra coisa que a expressão do poder coercitivo e da dominação de uns poucos sobre o resto.

A articulação entre poder centralizado e capitalismo é inerente a qualquer sociedade moderna globalizada e achar que se pode destruir o capitalismo sem, junto, destruir as estruturas do poder estatal é uma ilusão que nutrem alguns partidos de esquerda para seduzir almas revolucionárias e assim ganharem alguns votos a mais nas próximas eleições. Sejam de esquerda ou de direita quem governa, para eles, as vidas dos Guarani Kaiowá, sempre valerão menos que a os benefícios da exportação de toneladas de soja. Se, no governo “Dilma” a limpeza social, a lei antiterrorismo, a correria rumo a cada vez mais progresso e a perseguição política contra os anarquistas estavam à ordem do dia, hoje, militantes do PT e do MST e de   toda a esquerda “radical” partidária tornam-se também alvos de perseguição política.

Se ultimamente nos encontramos nas ruas para lutar, não esqueçamos porém das profundas diferenças ideológicas e políticas que nos separam. Mesmo se acreditamos que devemos repensar estratégias e tácticas de luta no contexto atual, é interessante que nos questionemos sobre o papel/lugar que jogamos no tabuleiro de xadrez da política regional, nacional (e internacional), isso, justamente para não acabar sendo um dos peões usados para ganhar a partida. A história tem muito a nos ensinar sobre isso…Mais que repostas, apontamos a provocações para refletir o panorama atual e imaginar estratégias e ações que sigam espalhando a guerra-social.

As ondas repressivas contra xs que lutam buscam amedrontar e paralisar qualquer tentativa de oposição ao sistema. É justamente o que não podemos deixar que aconteça. Buscaremos os jeitos para, de qualquer maneira, seguir lutando contra um sistema e um modo de vida que além de não nos satisfazer enquanto indivíduos, baseia seus valores na dominação e na exploração de uns poucos contra o resto. A opressão, a dominação e a exploração devem ser atacadas desde suas raízes e de forma radical. Não existem métodos prontos para isso, só se tem a combinação da memória histórica com a imaginação criativa para inventar, pensar, experimentar estratégias de luta em esse contexto cada vez mais adversos.

Que essa pequena mensagem, como uma chama de revolta, ilumine o coração dxs companheirxs perseguidxs….Força e solidariedade combativa com xs anarquistas perseguidxs pela Operação Erebo! Com, na memória insurreta, Guilherme Irish e Samuel Eggers presentes!

Viva a Anarquia
Viva a Insurreição!
t

Obs:
No dia 17 de fevereiro de 2018, 12 famílias Kaingang em Passo Fundo foram espancadas pelo BOE. Estavam ocupando uma aera do DNIT reivindicando a demarcação das suas terras.
Sobre esse tema ver o filme Martírio, ele traz informações interessantes sobre os vínculos entre seguranças privados nas fazenda, políticos e fazendeiros.

[Alemanha] Acerca da onda de repressão em conexão com a resistência contra a Cimeira do G20 em Hamburgo

Protestos espontâneos contra a repressão nas ruas de muitas cidades alemãs, após os assaltos policiais no princípio de Dezembro de 2017 ( em kiel, cerca de 70 pessoas participaram nos protestos)

G20-Repressão
Prisioneirxs * Condições na prisão * Julgamentos * Publicações de vídeos e fotos * Assaltos policiais a residências

A Cimeira do G20 e os dias eufóricos nas ruas do Schanzenviertel foram moldados pela enorme raiva e motivação para atacar, das quais não estávamos à espera desde Heiligendamm e Frankfurt.

A onda de repressão que se seguiu à Cimeira – na realidade já tinha começado antes com a implementação do novo §114ff e do policiamento preventivo – alcançou o seu clímax com a publicação de dezenas de fotos, pela comissão especial “Soko Schwarzer Block” em 18 de Dezembro de 2017.

Onda de repressão esta que permaneceu bastante despercebida de companheirxs noutros países, xs que lutaram connosco nas ruas e xs que euforicamente seguiram os tumultos nos media. Disseram-nos que não receberam nenhuma informação sobre xs prisioneirxs, xs condenadxs e sobre a mania de perseguição pelo Estado.

Parte I: Prisioneirxs

A situação em Dezembro de 2017
A bófia implementou um Soko (1) forte de 40 homens que pesquisaram na Internet fotos e vídeos a fim de criminalizar os ativistas. Cerca de 200 polícias estão atualmente sentados na frente dos seus computadores – com a assistência de softwares de detecção de rosto especiais – a fazer a maior parte do trabalho de investigação. Mesmo quando você se tenta lembrar não existe nada de que se esconder ou tem a certeza de que sempre se mudou num beco escuro: A solidariedade não se inicia apenas quando a repressão xs atinge a si e amigos.
O estado, incluindo os media, a bófia e cidadãos ativos, está claramente a tentar redefinir os tumultos. Conseguimos gerir e dominar o discurso destes dias durante a cimeira, mas devemos reconhecer isso perante frases brutais, denúncias e agitação pública, estando a ser cilindrados a uma posição de simplesmente reagir: Manifestações do dia X, comícios na prisão e algumas janelas quebradas aqui e ali.
Prisioneiros e julgamentos
Após os três dias de distúrbios em Hamburgo, 51 pessoas tinham sido levadas sob custódia. Em última análise, 28 permaneceram no JVA (prisões) de Billwerder, Hanhöfersand e Holstenglacis até aos julgamentos. Sendo principalmente não alemães, xs prisioneirxs vieram da Holanda, França, Suíça, Áustria, Espanha, Itália, Polónia, Hungria e Rússia. Além disso, várias centenas de pessoas tiveram que ficar na GeSa (custódia) por um curto período de tempo e tiveram que fornecer as  impressões digitais e fotografias.
Xs restantes prisioneirxs do G20 são acusadxs de vários crimes, o que em muitos casos não justificaria a custódia de longo prazo. As acusações vão de violar a lei de reunião em espaços públicos e violar a paz, a resistência e assalto contra graduados. A última situação pode, depois que as leis foram apertadas no ano passado, ser punida até três meses de prisão, em casos graves até seis meses.

Atualmente, inícios de Janeiro de 2018, 7 pessoas ainda estão presas em Hamburgo. Além disso, muitxs companheirxs estão a apelar das suas sentenças. Por exemplo, Peike, que foi condenado a 2 anos e 7 meses de prisão, no primeiro julgamento do G20.

As condições na „Gesa“ (prisão de curta duração / provisória) e „U-Haft“(detenção enquanto aguardam julgamento)
Mais de 100 advogados trabalharam em turnos de 24 horas na GeSa em Hamburgo – Harburgo. Foram atendidas 250 pessoas durante a cimeira. Várixs prisioneirxs disseram que lhes foram negadxs artigos básicos de higiene, mesmo que pedissem repetidamente. Num caso, o pedido de uma jovem mulher foi recebido com a declaração: “Os manifestantes não recebem períodos”. Noutro caso, uma jovem disse que precisava inserir um tampão na frente da bófia. Estava a arder nas celas, havia até oito prisioneirxs em cada cela, em vez de cinco, apesar de nem todas estarem ocupadas. Tiveram direito a duas fatias de pão em 24 horas, o acesso à  casa de banho foi muito restrito. Há alguns colchões, sem cobertores. Com chutos contra as portas das celas, xs prisioneirxs foram mantidxs acordadxs. Algumas celas tinham luz constante, enquanto outras não tinham nenhuma. Uma mulher ferida, levada para o GeSana sexta-feira (7 de Julho) com suspeita de fratura de nariz, não recebeu comida durante 15 horas. A sua lesão não foi sujeita a raios X. Só foi vista por um juiz 40 horas depois da prisão e que a libertou às 11 horas do mesmo dia. Aos/às prisioneirxs sob custódia só é permitido visitantes sob permissão do juiz. Estas visitas foram rigorosamente vigiadas (carta da mãe de Fabio a seu filho, a partir de 7 de Agosto de 2017). Além disso, era impossível enviar pacotes com roupa limpa aos/às prisioneirxs durante várias semanas. A continuação da custódia foi justificada com “defender a lei”.

Fugir ou ocultar provas, que geralmente é o motivo para a imposição da custódia, não desempenhou nenhum papel. Portanto, a própria custódia apresenta-se como medida preventiva. Um passaporte não-alemão, fortalece a acusação – de ser um inimigo potencial da sociedade – levando a uma custódia maior e frases mais duras. Além disso, muitxs prisioneirxs libertadxs receberam cartas, pedindo-lhes uma análise voluntária de DNA.

Parte II: Julgamentos e sentenças

Em geral, pode-se dizer que se tornou bastante óbvio através de todos os julgamentos que não importava qual pessoa estava na frente do juiz e não importava quais eram as acusações – cada um/a delxs foi consideradx culpadx pelos tumultos, especialmente aquelxs da sexta-feira à noite e finalmente condenado por elxs. Este tipo de participação em massa durante as lutas de rua e ataques contra a bófia deve ser prevenida no futuro. O medo dos defensores da fome de poder tornou-se claro nos argumentos politicamente motivados, nos quais tentaram pintar os ativistas como criminosxs isoladxs, sem qualquer identidade política. Uma técnica utilizada em todo o mundo. Para entender a indignação sobre as frases e suas justificativas, é importante explicar como a polícia alemã está regularmente a tentar obter frases com o uso de “Tatbeobachter” (Tabos), traduzido vagamente como testemunhas de crime, bem como cenas de vídeo isoladas. As detenções, especialmente durante as manifestações, são muitas vezes baseadas em alegadas observações de “Tabos”. No passado, as suas declarações geralmente não aguardavam o interrogatório no tribunal, de modo que poucas pessoas (excluindo especialmente xs ativistas curdxs), foram colocadas em liberdade condicional, mas raramente receberam tempo de prisão.

Outra questão pode ser colocada a partir da chamada esquerda alemã: Na década de 80, uma campanha desperta vinda da cena alemã da esquerda: “Anna e Arthur calam-se”. Uma campanha, baseada no direito de recusar quaisquer  declarações. De acordo com este direito, qualquer pessoa pres ou em julgamento pode recusar qualquer declaração em frente da políci ou do juiz, excepto para afirmar os detalhes no passaporte. Compreendendo este direito como uma arma – como forma de proteger estruturas ou outras pessoas – mas também como um ato de resistência – no sentido de retirar a si próprio a possibilidade de qualquer diálogo com o estado, triste isso não ser um dado adquirido nunca mais. Uma decisão de fazer uma afirmação em tribunal, ou não, é muitas vezes  individual ou posta na mesa como estratégia dos advogados.

As estratégias do advogado muitas vezes se concentraram em chegar a negociações, que podem ser descritas como um entendimento entre o juiz e procurador e o advogado da defesa – o que geralmente força a defesa a aceitar certos pontos trazidos pelo juiz em troca de uma sentença mais suave e confissões, o que sob certas circunstâncias pode ser justificado. Embora existissem negociações e confissões entre os prisioneiros, que poderiam ser justificadas dadas as circunstâncias como uma escolha válida, esta situação foi até prisioneirxs a pedir desculpas aos juízes e polícias, bem como ao banco HASPA e Budnikowsky (loja). Um exemplo: Um rapaz de Hamburgo de 28 anos leu a sua confissão em voz alta. Ele disse que não sabia o que o possuía naquela noite. Fora simplesmente a sua curiosidade o que o levou ao Schanze, depois de ver fotos dos tumultos na TV. À chegada, a multidão varreu-o ao comprido. “Se eu pudesse voltar no tempo simplesmente ficaria em casa naquela noite e assistia a tudo na TV.” disse na terça-feira. Estava realmente a caminho de Barmbeck naquela noite, onde ele conhece gente, quando aconteceu coincidir com os tumultos em Pferdemarkt, onde ele foi atacado com spray de pimenta, o que o deixou com raiva. Além disso, tomou cocaína naquela noite também. O veredicto: 3 anos de prisão.

Fabio trata-se de uma clara excepção – escreveu uma declaração política, que leu no tribunal. Isso não é apenas sinal de bravura e conhecimento político, também é um passo importante para todos lutarmos contra a repressão, não sermos torpes perante o perigo e lutarmos contra a criminalização das nossas lutas.

Existem vários exemplos de julgamentos do G20, no final do artigo. Até hoje, os julgamentos de Konstantin, Christian e Fabio ainda estão em andamento e as suas documentações podem ser encontrados na página “United we stand”. Alguns também estão em inglês. Manter as invasões e a publicação recente de fotos em mente, mais provas provavelmente estarão em breve a surgir.

Parte III: Primeiros assaltos antes da Cimeira

Durante a tarde de 1 de Julho, os apartamentos de dois camaradas foram procurados pela polícia. Até onde sabemos,  as incursões foram realizadas devido à “prevenção de perigo”. Durante as invasões, chaves USB, computadores, 3 telefones celulares privados e as roupas foram confiscadas. Uma das pessoas afetadas foi acusada de planear crimes no contexto da Cimeira do G20. Vigilâncias foram notaaos nos dias que antecederam os assaltos policiais. A segunda pessoa foi  libertada na mesma noite.

Invasões policiais do dia 8 de Julho
Após a Cimeira do G20 a polícia de Hamburgo invadiu o centro internacional B5 em St. Paul, às 10:45 da manhã – a polícia de choque invadiu o centro e atacou as pessoas que estavam presentes na altura. Sem esclarecer o motivo as pessoas foram algemadas e os quartos no centro além de dois apartamentos privados adjacentes foram pesquisados. Também a adega, o B-movie adjacente e a FoodCoop foram saqueados. Alegadamente, a polícia suspeitava da existência de cocktails Molotov no centro, uma completa difamação.

Incursões relativas à pilhagem
A polícia de Hamburgo invadiu 14 residências, logo após a Cimeira, em Hamburgo e Schleswig-Holstein. A razão alegada foi a pilhagem da Apple Store durante os tumultos da noite de sexta-feira. Vários telefones celulares foram localizados e os proprietários foram acusados de ocultação de bens roubados. Também foi pesquisada uma loja de telemóveis, onde alegadamente vários dos telefones celulares “possuídos ilegalmente” eram vendidos.
Linksunten.indymedia.org banido
No dia 25 de Agosto, Bundesinnenminister (Ministro do Interior) Thomas de Maiziere, proibiu a plataforma online “linksunten.indymedia.org” com base nas leis da sociedade. Para a esquerda alemã e a cena radical de esquerda, Linksunten foi a plataforma onde todas as chamadas para ação, notícias políticas diárias e   informações para ataques foram publicadas. Era tão importante para a extrema-esquerda como era aparentemente para as bófia, serviço de informações e media já que obviamente foi visto como uma fonte confiável e sistema de alerta precoce para distúrbios pendentes. A Linksunten, desde 2009 a funcionar – como rede aberta de media para ativistas de esquerda – foi declarada um crime por Maziere. Isso levou a várias incursões em Baden- Würtemberg, que felizmente não deixou ninguém preso. Atualmente, o BKA está à procura da localização dos servidores que estavam a ser usados pela plataforma. São esperados mais ataques. O tempo que vai demorar é pura especulação. É possível que o Ministério do Interior queira polir a sua imagem, depois dos comunicados de imprensa semanais sobre a violência policial maciça contra os manifestantes anti-Cimeira.

Parte IV: Invasões a nível nacional em 5 de Dezembro de 2017, investigação „Rondenbarg“

Ao início da manhã de 5 de Dezembro de 2017, mais de 600 polícias invadiram 23 casas particulares e 2 centros sociais na Renânia do Norte-Vestefália, na Baixa Saxónia, no Baden-Wurttemberg, em Hamburgo, em Berlim, no Hesse, na Saxónia – Anhalt e na Renânia-Pfalz. De acordo com as declarações policiais, principalmente laptops, telemóveis e USB (varas) mas também várias armas legais foram confirmados. Nenhum/a dxs ativistas afetadxs foi presx. Todos os assaltos policiais estavam relacionados com os eventos ocorridos no primeiro dia da Cimeira. Cerca de 200 companheirxs estavam a caminho do centro da cidade, no início do dia 7 de Julho, quando encontraram polícia de choque em Rondenbard, após o que a manifestação foi destruída, deixando muitxs feridxs. Várias dezenas de pessoas foram presas no local, os seus dados registados e Fabio tomou assento na prisão desde então. Quase todas as pessoas cujas residências foram invadidas estavam no grupo que foi preso a partir desse dia.

Estão a ser acusadxs de violações severas da ordem pública, tentativa de agressão física e resistência. Desde então, esse grupo particular de pessoas presas representava a maioria dxs presos em geral e a polícia não foi capaz de prender muitos militantes organizadxs pelo que com a ajuda dos meios de comunicação, tentaram pintar um quadro do “grupo Rondenbarg” como extremamente violento e provavelmente responsável por toda a destruição e ações diretas durante a Cimeira. Também os assaltos podem ser conetados com essa tentativa, o “sucesso” dessas invasões, foi apresentado pela polícia durante uma conferência de imprensa em 5 de Dezembro.

Vemos claramente os assaltos policiais como um espetáculo público bem como uma tentativa de descoberta das supostas estruturas organizacionais por trás das ações, em vez de reunir provas sobre alegados participantes individuais. Não confirmado pelos lados oficiais, mas publicado em vários comunicados de imprensa, a polícia estava principalmente à procura de evidências sobre estruturas que preparassem ações militantes e as tornassem possível em Hamburgo. Especialmente à volta da área de Elbchaussee, a polícia alegadamente descobriu recipientes com material de máscara, fogos de artifício e roupas que a polícia interpretou como evidência para a teoria de que os grupos locais organizaram a logística para a ação dessxs companheirxs internacionais. Embora a polícia suspeite principalmente dxs companheirxs internacionais para colocarem mais de 20 carros em chamas no Elbchaussee, durante 7 de Julho.

Parte V:  Os “cliques” da polícia de Hamburgo”

Durante a noite de 8 de Julho, a polícia de Hamburgo estabeleceu um portal on-line para dicas e pistas. Eles apelaram à multidão curiosa, para fazer upload de qualquer imagem ou material de vídeo dos próprios smartphones e câmaras. Apenas 12 horas depois, comemoravam o fato de já terem recebido mais de 1000 arquivos. Com este apelo à denúncia e traição, a polícia provocou um percurso on-line. O Soko “Black Block”, está a trabalhar em 12 terabytes de arquivos de imagem. No total, 163 polícias estão a trabalhar em 3340 casos. Na segunda-feira, 8 de Dezembro, a polícia de Hamburgo publicou 104 fotos de 104 supostos criminosxs e 5 vídeos sobre “Elbchaussee”, “Manif G20 Not Welcome” , “pilhagem”, “ataques com garrafas e pedras” e “Rondenbarg”(aqui  pode encontrar um link anónimo para as fotos ) . Além disso, várias imagens chegaram aos media da Alemanha. A polícia de Hamburgo anunciou: “Haverá mais cliques [fotos tiradas nas esquadras da polícia, após detenção], porque temos muitos materiais, que ainda não foram avaliados”.

Cinco Julgamentos do G20

O primeiro julgamento foi realizado contra Peike, da Holanda. Está a ser acusado de ter atirado duas garrafas à polícia de Berlim no Schanze, no dia 6 de Julho. As únicas duas testemunhas, polícias de Berlim, sofreram grandes perdas de memória e ambos descreveram uma pessoa que atirava garrafas, que não se parecia com o réu. O ministério público justificou a sua perseguição através tempo de prisão, atribuíndo a Peike a responsabilidade pela “guerra civil como circunstância” na noite de sexta-feira (onde Peike já estava sob custódia!). O juiz Johann Krieten, conotado com a linha dura da direita, proclamou no seu julgamento como se segue: “A polícia não é um jogo justo para a sociedade divertida, eles não são um jogo justo para criminosxs orientadxs para a ação”. Ele convocou os tumultos na noite de sexta-feira, o turismo de motim com o objetivo de caçar polícias e esmagar as janelas do banco HASPA. A severa punição era necessária, devido a razões de “prevenção da violência”. O porco proclamou a sentença de dois anos e sete meses. Peike está a apelar contra este julgamento.

No 2º julgamento: o réu foi detido e procurado no sábado, 8 de Julho, perto da estação de comboios de Dammtor. Ele insinuou estar no caminho para a manifestação  “G20 Not Welcome”. Na sua mochila, encontraram spray de pimenta, óculos de mergulho e pequenos bolas de ativação de fogo. Está a ser acusado de violar a “lei do ajuntamento social” e as leis contra o transporte de armas e explosivos. Mais uma vez, o julgamento terminou com um castigo severo  obsceno de 6 nos quais estão 2 são anos de liberdade condicional. O procurador Elsner aproveitou o momento para proclamar a sua propaganda pessoal: “Os ataques à policiais com garrafas e pedras aumentaram dramaticamente durante a manifestação. O réu deveria estar a escrever uma carta de agradecimento aos polícias que o prenderam, se ele tivesse atirado qualquer coisa durante a manifestação, iria para a cadeia por um longo tempo”.

3º exemplo. O ministério público acusou o réu, de 21 anos, de ter atirado seis garrafas na direção da polícia durante a manifestação no Fishmarket, além de resistir à sua detenção. Depois do juiz explicou o direito de recusar uma declaração, o advogado explicou extensivamente o argumento do arguido. Nos últimos dois meses, passados na cadeia, ele aprendeu muito sobre a solidão. Ele nunca quis pôr a si mesmo ou a sua família numa situação como esta. Estava agora ciente de sua estupidez. Os polícias também são humanos. O juiz condenou o réu a 1 ano e 5 meses em dois anos de liberdade condicional, bem como a uma multa de 500 euros, que deve ser doada para as viúvas e órfãos da polícia.

4º exemplo: As acusações: agressão criminal com uma arma perigosa (garrafa de vidro), bem como resistência contra a polícia. O arguido confessou as acusações e lamentou as suas ações. Concordou com uma amostragem de DNA, que ocorreu numa pausa durante a audiência. O TABO Hachmann supostamente seguiu o réu depois dele supostamente ter atirado a garrafa e viu-o, tirando a máscara num pequeno quiosque e a mudar as roupas na próxima esquina da rua. Veredito: 1 ano em 3 anos de liberdade condicional. O réu, questionou o monopólio do estado e não viu o humano em uniforme durante as suas ações. A polícia merecia respeito e honra pelo seu compromisso e não deveria ser alvo.

5º exemplo: Fabio foi libertado da prisão juvenil em troca de uma fiança de 10000 euros. O julgamento ainda está em andamento. As acusações: Violação grave da paz no caso de “Rondenbarg”. Segue-se um trecho da declaração de Fabio durante o julgamento: “Antes de mais quero dizer que as senhoras e senhores da política, inspectores da polícia e ministério público provavelmente acreditam que podem dificultar a dissidência nas ruas se prenderem e trancarem um grupo de jovens. Provavelmente acreditam que a prisão é suficiente para conter as vozes rebeldes que surgem em todos os lugares. Provavelmente acreditam que a repressão irá parar a nossa sede de liberdade. A nossa vontade de criar um mundo melhor. Eu tomei a minha decisão e não estou com medo se ela, injustamente, terá um preço que eu tenho que pagar. No entanto, há algo que quero dizer-vos, acreditem em mim ou não: Não gosto de violência. Mas tenho ideais e decidi lutar por eles.

Esclarecimentos

“Tatbeobachter * innen / TABOS” (Observador/a do crime)

Os TABOS estão vestidos de manifestantes, às vezes ficariam vestidos, às vezes com um copo de cerveja na mão, às vezes ficariam mascarados. Correm lado a lado connosco nas manifestações e podem ser difíceis de detectar. Assinalam crimes alegados, sem intervir. Mais tarde são chamados como testemunha perante o tribunal. TABOS são polícias de uma determinada unidade. Pelo contrário, há polícias vestidos de civis, os chamados PMS. Esses polícias civis costumam mover-se em grupos maiores, obviamente, ao lado das fileiras de polícia, transportam fones de ouvido e armas e transmitem informações sobre ativistas bem conhecidos ao BFE (unidade, responsável por prisões e evidências.

Aperto das leis:
Desde 30 de Maio de 2017, o parágrafo 113 está agora dividido em §113, que inclui atos de resistência e §114, que escalam assalto. O recém-estruturado §114 inclui o assalto contra oficiais (policiais, paramédicos) como elemento próprio de um crime. Um assalto pode ser qualquer tipo de ato contra o corpo de um oficial, por exemplo, quando você tenta se libertar do controle de um policial durante uma prisão. A sentença mínima aqui seria uma pena de prisão de três meses. Além disso, simplesmente carregar uma arma ou uma ferramenta perigosa, pode ser definido como um ato severo de resistência ou agressão, independente de suas intenções com essa ferramenta. Também pode ser condenado se xs companheirxs transportarem tal ferramenta (como uma garrafa de vidro ou outro instrumento afiado).

(1) SOKO é uma abreviatura do termo “Sonderkommission” (Comissão Especial de Polícia – que significa equipa de investigação especial) em alemão.

A sociedade falhou, quando aprisiona aqueles que a questionam!

Fogo e chamas para a repressão!

Com este slogan, a campanha: “United we stand” deu o mote para os dias de ação – de 28.1. até 4.2.2018.

em alemão l inglês

Floresta de Hambach, Alemanha: Despejo de barricada e do ‘Hambi 9’

9 ativistas encontram-se em prisão preventiva, após serem detidxs durante o despejo de uma barricada na Floresta ocupada de Hambach, na Alemanha.
Xs ativistas são acusadxs de “obstruir o trabalho da polícia”, durante a expulsão da barricada na segunda-feira, 22 de Janeiro.

Ao chegar de manhã, bem cedo, a bófia deu de caras com xs ativistas que ocupam a infraestrutura de bloqueio, incluindo 2 tripés, 3 monopods, um skypod e um túnel de 3 metros de profundidade.

O abate da floresta de Hambach foi oficialmente interrompido no início desta temporada, numa decisão judicial – adiando o corte até 1 de Outubro de 2018 – no entanto o risco de despejo da ocupação é tão grande como sempre.

A ‘Hambi 9’ adoraria receber correio! Informações exactas, incluindo endereços e idiomas, podem ser encontradas no blog da ABC Rhineland. [CNA]

Atualização
Chamada para um dia de ação pela resistência na floresta de Hambach, em toda a Alemanha, a 3 de Fevereiro de 2018.

em inglês l alemão

[EUA] Convocatória de solidariedade com xs acusadxs no caso 20J

Recebido a 27.12.17

APELO PARA UM DIA DE SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL COM XS ACUSADXS DO DIA DA TOMADA DE POSSE – 20 DE JANEIRO DE 2018

Em 20 de janeiro de 2017, dezenas de milhares de pessoas receberam a tomada de posse do presidente Donald Trump com grandes protestos, que iam de bloqueios criativos a ações militantes de rua. Entre as manifestações daquele dia havia um «bloco anticapitalista e antifascista» conduzido por faixas, onde se podia ler «Nenhuma transição pacífica» e «Que os racistas voltem a ter medo». Em resposta ao protesto, a polícia atacou-o violentamente e rodeou cerca de 230 pessoas, detendo-as por alegadamente terem cometido danos materiais ou por estarem próximas dessas ações.

Depois de uma série de acusações formais e de manobras legais, perto de 200 pessoas foram por fim acusadas de seis crimes (cinco casos de danos materiais e incitamento a motim) e duas contravenções (participação em motim e conspiração para motim). Isto significa que cada uma dessas pessoas enfrenta uma pena 61 anos de prisão.

Este caso sem precedentes é importante porque é uma tentativa por parte do governo dos Estado Unidos de reprimir os protestos disruptivos que surgiram espontaneamente em resposta à eleição de Trump. As acusações estão destinadas a asfixiar a resistência ativa e a enviar uma mensagem de que a resistência não será tolerada, num momento em que é necessária mais do que nunca. Em muitos aspetos, este caso é uma experiência quanto à expansão dos poderes repressivos do Estado, com procuradores que tentam incriminar toda a gente enquanto grupo pela mesma mão cheia de vidros partidos, tendo simplesmente como fundamento a sua presença no local. Além disso, a polícia e outros agentes do Estado estão a tentar redefinir a mais básica organização política – a realização de reuniões, o planeamento de protestos e a participação nestes enquanto grupo – como um ato de conspiração. Isto faz parte de uma tendência contínua, tanto nacional como internacionalmente, de um aumento da repressão, que tem como alvo os movimentos sociais nos supostos Estados «democráticos». Se os Estados Unidos tiverem sucesso na condenação dos movimentos sociais desta forma, isso certamente encorajará outros governos a fazerem o mesmo.

À medida que o governo de Trump contribui diariamente para que o mundo esteja cada vez mais à beira de uma calamidade, é importante apoiar aqueles que nos Estados Unidos arriscaram a sua liberdade para se oporem a ele desde o seu primeiro dia no governo. Os protestos do dia da tomada de posse deram o tom para muita da resistência que se seguiria e garantiram que governo de Trump e os seus aliados de extrema-direita não ficariam sem oposição. Mais tarde, por todo o país, as pessoas usaram a ação direta para encerrar quase todos os aeroportos internacionais, num protesto histórico que travou temporariamente as políticas anti-imigração e islamofóbicas do novo governo. Continuando esta luta na sala de audiências, a maioria dos acusados estão a trabalhar em conjunto para responder politicamente a estas acusações e estão a usar este caso como forma de fortalecer os laços entre diferentes lugares e diferentes lutas.

Como resposta, este é um apelo para um dia de solidariedade internacional a 20 de janeiro de 2018. As ações solidárias provenientes de todo o mundo têm entusiasmado os corações dos acusados, numa altura em que enfrentam uma intensa repressão. Além disso, são parte de uma prática política que reconhece que estamos envolvidos numa luta comum que transcende as fronteiras. Pedimos solidariedade não enquanto ato de caridade, mas como gesto para uma cumplicidade comum no esforço de resistir ao governo Trump e ao futuro que procura impor.

alemão l catalão l inglês l espanhol

Berlim: Rigaer94. Apelo à resistência.

O estado policial faz uso de todas as armas ao seu alcance: segunda-feira, 18 de dezembro, foram publicados cerca de 100 rostos de pessoas que participaram nos eventos de Hamburgo. A campanha do estado finalmente abandonou a máscara dos procedimentos penais e lançou a engrenagem de degradação que deve dobrar toda a resistência. Façamos com que estes incidentes – este ataque generalizado sobre os últimos elementos sociais e resistentes que ainda persistem- não passem em silêncio. Queimar na fogueira esta sociedade de informantes e assassinos – e o fascismo – é um dever que continua por cumprir.

É evidente, para qualquer ser humano razoável, que o episódio de Hamburgo era absolutamente necessário. As mentiras e falsos debates – tanto das autoridades de repressão, do sistema pactuante como dos media de extrema-direita – não conseguiram reescrever a resistência bem sucedida contra o G20. Num dos regimes democráticos mais auto-confiantes do mundo inteiro – com um aparelho diferenciado de poder e a imagem de invencibilidade – dez mil pessoas atreveram a surpreendê-lo, assumindo grandes riscos e em particular sérias consequências para as suas próprias vidas. Uma miscelânia de ações ofensivas, de protesto e de resistência transformou a cimeira dos poderes dominantes num desastre. Um desastre para a marca de Hamburgo, Alemanha e para os mais poderosos dentre deles, cuja reunião mais importante agora tem um futuro imprevisível.

E a cimeira também foi desastrosa para a polícia. Esta instituição que tanto no Império Germânico como na Alemanha fascista e na democracia, nunca foi apenas o poder executivo mas acima de tudo o poder que legitima esta nação de assassinos e perdedores. Todos sabemos quão profundamente enraizada é a ideologia do estado policial na nossa sociedade. Uma sociedade que lançou uma Rosa Luxemburg já morta no canal de Landwehr, que perseguiu Anne Frank escondida na parte de trás de uma livraria e a enviou, juntamente com milhões de outrxs “subhumanxs” para os campos da morte; Esta sociedade que eventualmente declara as forças armadas germano-nacionais  (1) como “resistência” é fascista. O aparelho de segurança do BRD – formado pelos mesmos açougueiros que davam caça sem piedade a partisanxs e antifascistas para a nação alemã  – é fascista. Sociedade essa, no sentido mais amplo do termo, que se juntou aos poderes executivos na caçada aos comunistas, trazendo o mecanismo contra os grupos de guerrilha que, felizmente, dispararam contra o fascista alemão que encarnou Hans-Martin Schleyer a uma perfeição nunca antes vista, apenas alguns anos depois da “libertação”.

Os rostos da resistência eram estampados em cada esquina, nos folhetos de procurados – em cada cruzamento alguém poderia ser controlado por uma polícia fortemente armada – a reintrodução da pena de morte foi levada em consideração e é posta em prática graças ao trabalho da polícia. O discurso da sociedade – dirigido pelo pessoal da imprensa. políticos e polícia – estabeleceu as bases para inúmeros tiroteios fatais, tortura branca e leis especiais contra ampla parte da sociedade.  O estado policial – ainda a dar os primeiros passos no momento do assassinato de Benno Ohnesorg e sob a constante ameaça de uma revolta – desenvolveu-se ao longo dos anos até se tornar um estado dentro do estado. Com o fim da guerra urbana e dos novos movimentos sociais, estamos diante de uma sociedade incapaz de manter uma oposição real a este sistema. Nem mesmo quando as pessoas são cruelmente torturadas e assassinadas nos bunkers das estações de polícia – como Oury Jalloh em Dessau, queimado vivo por um esbirro fascista.

O único factor que parece ter atrasado o aperfeiçoamento do estado policial totalitário é a cautela com que os líderes estratégicos procederam – para não levantar muitas preocupações aos/às ativistas para os direitos civis. E agora temos cada vez menos meios e suporte – numa sociedade civil que decidiu que o estado não pode estar errado; aquela em que a imprensa diz o que está certo e em que a resistência é absurda.

O tempo dos protestos em ambiente seguro acabou, definitivamente. A este respeito pode até dizer-se que a sociedade alemã voltou a um ponto em que já não se encontrava há mais de 80 anos. Estas são as principais inovações e os desafios para a resistência:

– A simples participação numa manifestação pode significar uma condenação a longo prazo.
– A polícia pode definir a área em que vigora a sua lei.
– A polícia pode classificar qualquer pessoa como potencial ofensor (“Gefährder”) (2), para encarcerar as pessoas, sem decisões judiciais, vigiando-as completamente.

As medidas havia já sido tomadas – antes do G20 – contra a gente da resistência. A que foi classificada pela polícia como potencial criminoso/a, pelo que havia recebido a proibição de ir a Hamburgo. Foram enviadas obrigações signatárias à delegacia de polícia, impostas com ameaças de multas e prisões. Além disso, o reconhecimento visível foi realizado para fins de intimidação e foi posta em prática uma vigilância sob disfarce (secreta) de toda a zona. Não é preciso explicação pós-cimeira de que, durante a mesma, toda a cidade de Hamburgo foi posta sob controlo pela aplicação da lei, situação que levou tropas policiais fortemente armadas a um “ajustamento” dos direitos civis e à violência das massas.
As actividades policiais – antes e durante a cimeira – não mostraram uma nova qualidade. Todo o evento importante do passado foi acompanhado por ataques do aparelho de segurança em convenções societárias. Mas a massa de ataques e a implicação da forma com que foram exercidos contra o que se passou no passado, tornou evidente por si própria que as formas de protesto em Hamburgo foram notáveis.

O que começou após a cimeira é um salto quântico. Há aquelxs que afirmam que os tumultos foram iniciados pelo estado para esmagar as estruturas do sistema, numa campanha final. Essa linha de pensamento é uma estupidez, sabemos muito bem que, politicamente, todos queríamos o naufrágio do estado em Hamburgo. Para pôr fim às teorias da conspiração de uma vez por todas, assumimos a responsabilidade política por tudo o que aconteceu em Hamburgo: de protestos civis até a última pedra jogada para a polícia. Como parte das estruturas rebeldes organizamos uma manifestação em solidariedade com todxs aquelxs que tiveram que enfrentar a repressão imediatamente após a cimeira e da mesma forma no futuro não esqueceremos a responsabilidade para incentivar a revolta. Vê-se uma conspiração estatal, por trás de qualquer coisa, para neutralizar a resistência com todas as suas prerrogativas e que não tem legitimidade para falar em seu nome.

Agora, torna-se claro que o estado está a lutar para poder definir a seu belo prazer este evento, da mesma forma com que procura dominar em tudo. Nas nossas vidas e nas nossas estruturas sociais, natureza e técnica. Nesta batalha da ideia capitalista e nacionalista o estado sempre usará métodos fascistas. São sempre esses os seus métodos utilizados mais e mais vezes para denunciar a resistência como criminosa, não política e associal (3). Desta forma, o estado alemão pode contar com a sua polícia, a sua imprensa e seu povo como seus representantes. Difícil é dizer quem é que é mais repugnante entre essas criaturas. O chefe do grupo especial da pesquisa “Black Block” que daria caça x todx aquelx que lhe fosse apresentadx à frente das suas mandíbulas? O Brechmittel-Scholz (4),que representa a vulgar burguesia de Hamburgo com a sua limusine de luxo? Ou os jornalistas que se tornaram o poder executivo da propaganda policial. Ou quem colabora, entregando os seus filmes feitos com smartphones, milhares de pessoas nas mãos da repressão porque são dos covardes que temem assumir o controle da própria vida e gostariam de marchar atrás de cada Hitler.

Alguns/mas de nós ainda estavam a rir sobre a última onda de ataques, a que tinha sido lançada antes. Ou sobre o fato de Fabio, um rapaz simpático, se estar a tornar um problema para a estratégia da repressão. No entanto, a estratégia policial não deve ser subestimada. Uma parte importante da estratégia envolve uma propaganda de longo prazo para recuperar o poder da definição sobre os eventos de Hamburgo. Quem poderia acreditar que vários meses depois, o G20 ainda estaria na agenda diária graças a frequentes conferências de imprensa organizadas pela polícia? E quem poderia acreditar que a propaganda profissional com recursos quase infinitos falharia sem o nosso contributo?

É por isso que – neste ponto de uma grande caçada humana – renovamos a nossa confissão de luta contra o estado, organizações fascistas como a polícia, serviços secretos e organizações de direita, bem como contra colaboradores e informantes no seio da população e na imprensa. Fabio e todxs aquelxs que, mesmo em um tribunal, mantêm a cabeça alta são nossos modelos para desafiar o medo e enviar saudações de liberdade e solidariedade para aqueles que enfrentam a repressão e o mundo do G20.

Por ocasião desta caçada e por causa dos apelos para a denúncia de 100 pessoas, decidimos publicar fotos de 54 polícias que participaram no ano passado no despejo
da Rigaer94. Gostaríamos de receber algumas pistas dos seus endereços pessoais. Eles podem ser responsabilizados de despejo e violência das três semanas de ocupação.

E agora é importante pôr fim à nossa atitude de estar à espera e fortalecer a mobilização e a solidariedade das estruturas ativas. A manifestação após a onda de invasões policiais foi um ponto de partida (5). Mas para a perseguição seguinte, temos que ser mais numerosxs. Se não temos outro caminho, devemos pelo menos ir às ruas para assumir a responsabilidade pelxs nossxs amigxs perseguidxs pelo estado.

Todxs nas ruas! Determinadxs e furiosxs combatamos a ordem dominante e resistamos de face erguida contra a repressão!

(1) Stauffenberg era um general de alto escalão que tentou assassinar Hitler. Era parte da aristocracia, que basicamente criticava Hitler como mau estratega.

(2) “Gefährder” é um termo criado pela polícia alemã e amplamente utilizado nos debates públicos para estigmatizar e criminalizar a população muçulmana. É provável que o seu uso contra militantes da esquerda e anarquistas venha a ser adotado cada vez mais frequentemente.
(3) Originariamente “associal”, um meio termo entre anti-social e não civilizado.
(4) Brechmittel-Scholz: presidente da câmara de Hamburgo, famoso por ter autorizado o uso de um veneno (Brechmittel) pela polícia para provocar o vómito no preso para verificar se havia ingerido a droga.
(5)A 5 de dezembro, a polícia invadiu as casas de várias pessoas identificadas como participantes num bloqueio – que havia sido atacado pela polícia, em Rondenbargstrasse, enquanto tentavam bloquear a cimeira. Como reação, houve manifestações nas principais cidades alemãs.

em italiano

Atenas, Grécia: Hospitalização involuntária de Nikos Maziotis e Pola Roupa

Os membros da Luta Revolucionária Nikos Maziotis e Pola Roupa encontram-se em greve de fome desde 11 de Novembro de 2017.

Xs dois companheirxs presxs estão a lutar contra medidas de isolamento; contra disposições específicas do novo código correcional destinadas a reprimi-lxs como prisioneirxs de alta segurança; contra a proposta de detenção de prisioneirxs de alta segurança nas esquadras de polícia; contra a pretendida reintegração do regime prisional do tipo C. Elxs também exigem o fim imediato do isolamento imposto sobre Nikos Maziotis (desde Julho, o companheiro é mantido isolado de outrxs presxs por uma decisão do ministério da justiça); uma extensão das horas de visita com base na frequência das visitas que um prisioneiro tem; salas apropriadas de visita para xs pais presxs se encontrarem com seus filhos.

Deixaram claro desde o início que apenas receberiam água. Repetidamente pediram para receber uma comunicação telefónica sem obstáculos com o seu filho de seis anos, antes de serem transferidxs das prisões de Koridallos para qualquer hospital.

Em 2 de Dezembro, Nikos Maziotis e Pola Roupa foram transferidxs para um hospital fora das prisões, devido à deterioração de seu estado de saúde. No entanto, no próprio dia, ambos xs companheirxs pediram que fossem enviadxs de volta para as prisões, porque, eventualmente, não era permitida a comunicação telefónica sem obstáculos com o seu filho.

Em 4 de Dezembro, Nikos Maziotis queimou e destruiu a seção de isolamento B na cave da prisão feminina de Koridallos, onde foi mantido em prisão solitária durante 5 meses. Foi então transferido para a enfermaria da prisão, por causa dos fumos, e ameaçado com maior isolamento – desta vez numa unidade disciplinar das prisões de Koridallos.

Às primeiras horas do dia 5 de Dezembro os grevistas da fome Nikos Maziotis e Pola Roupa foram transferidxs à força para fora das prisões de Koridallos.

O procurador da prisão ordenou a sua hospitalização involuntária. Estão a ser mantidxs no Hospital Geral do Estado de Nikaia, ambxs ameaçadxs de alimentação forçada. Até ao momento, os médicos do hospital não cederam ao pedido do promotor.

Nikos Maziotis e Pola Roupa continuam a sua greve de fome. Declararam que não aceitarão soro e irão agir contra o tratamento involuntário e a alimentação forçada (tortura) de todas as formas possíveis.

(todas as postagens relacionadas em grego)

em inglês, alemão

Brasil: Sobre a Operação Erebo em Porto Alegre

recebido a 5 de Dezembro de 2017

Sobre a Operação Erebo em Porto Alegre.

Antes que nada, não existem compas detidxs. Esclarecemos isto já que a
informação de ontem alertou todxs nós porém agora confirmaram que não
existe nenhum compa detidx.

Aproveitamos esta comunicação para informar que as buscas e apreensões
continuam em Porto Alegre e na área metropolitana. O fato de que estas
buscas não sejam midiatizadas como foi a primeira deixa nos parcialmente
desinformados. Há compas que tem maior acesso a informação que facilitam
solidariamente as noticias o qual ajuda muito. Ainda com isso é
importante, e isto vai como autocritica, não seguir o ritmo imediatista
das redes sócias que as vezes provocam uma onda de alarma. Sobretudo em
momentos onde há compas que ainda tem que confrontar-se com invasões e
onde ainda não sabemos a magnitude do contragolpe estatal.

Também queremos insistir em que esta razia tem suas próprias
particularidades mas, enquanto anárquicxs que somos, não precisamos ter
(e esperamos não ter) compas detidxs para seguir manifestando nosso
abraço solidário.

Desde o Sul

Alguns anárquicxs.