Arquivo da Categoria: Comunicados

Chile: Novembro de Vingaça

Na manhã de 19 de novembro de 2015, Kevin, 18 anos, em cumplicidade com a noite, foi de bicicleta ao perímetro da Escola de Gendarmerie de San Bernardo, armado com uma bomba e uma faca. Após a detonação, a policia bastarda que seguiu seus passos após uma longa investigação, capturou-o a poucos metros do local e, simultaneamente, o companheiro Joaquin Garcia foi sequestrado em sua casa, ambos mantidos em cativeiro na repugnante prisão de alta segurança (CAS), especificamente na seção de segurança máxima (MAS).

Ambos são acusados do ataque explosivo à 12ª delegacia de San Miguel, em 29 de outubro, uma bomba composto por um extintor de 6 quilos cheio com mais de 3 quilos de pólvora preta, cerca de 100 pregos de 12 cm e 50 pregos de 2.5 cm dentro para funcionar como metralha, uma garrafa de 1 litro de ácido sulfúrico e duas garrafas de 1 litro com gasolina, todas ativadas por um controle remoto distância, consistindo de um telefone celular conectado a uma lâmpada de 2,5 volts modificada como detonador, reivindicada pela ”Célula em chamas Gerasimos Tsakalos – Conspiração Internacional de Vingança”,também Kevin é acusado do ataque explosivo contra a Escola Gendarmerie e de um ataque explosivo à empresa de eletricidade Chilectra, em 16 de outubro, reivindicada pela ”cellula karrkarri”, esses dois últimos ataques foram vinculados só a Kevin.

Após 7 meses em cativeiro, Kevin pede para ser transferido para a prisão/matadouro Santiago 1. Em 15 de junho de 2018, o inquisidor julgamento começa contra os companheiros, declarando-os culpados em 15 de agosto, a Joaquin por carregar uma arma de fogo e munição, que ele carregava quando foi capturado sendo fugitivo por quebrar uma medida de prisão domiciliar total, também o ataque ao 12º delegacia de San Miguel, junto com Kevin, que também foi considerado culpado pelo ataque explosivo à Escola Gendarmeria de El Bosque-San Bernardo. Em 5 de setembro de 2018, eles são condenados a um total de 13 anos de prisão por Joaquin e 17 anos por Kevin

Em 2 de novembro, quando desceu ao pátio da prisão, Kevin está envolvido em uma briga com outro prisioneiro, que parecia ser um dos muitos conflitos diários que ocorrem naquele local, sendo fatalmente ferido, sem receber assistência médica. Estando morto, eles o transferem da prisão Santiago 1 uma hora e quinze minutos depois para o hospital externo Barros Luco.

“Eu sei o que estava enfrentando, desde o momento em que decidi conscientemente viver minha vida em ação constante e não palavras vagas, e não me arrependo de nada”.

Um ano após seu assassinato, uma chamada internacional à ação é feita em vingança pelo assassinato de Kevin enquanto ele estava mantido em cativeiro dentro da prisão/matadouro Santiago 1. A chamada se estende para realizar ações de vingança multiformes, apostando na praxis violência caótica ao longo de novembro. Deixando de lado as distorções utilitárias que surgiram em torno de Kevin, que contradizem suas palavras e ações.

‘‘Que a solidariedade não seja uma palavra manuseada, que a solidariedade seja uma iracunda ação que de injeções de força e energia ao coração de cada irmã em cativeiro ”

Vingança por Kevin, cumplicidade com Joaquin
PELA LIBERDADE DE TODOS OS PRISIONEIROS DO MUNDO!

em espanhol | inglês | francês | italiano

$ão Paulo, Brasil: Ação direta contra o Porto Seco em Paranapiacaba

Comunicado recibido a 19/10/2018:

Na madrugada do dia 5 de Outubro, um explosivo foi abandonado na porta do prédio da Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo. Às vésperas das eleições, aparentemente nenhum veículo da mídia corporativa ou órgão do governo noticiou este caso. Isto porque o medo imposto pela democracia ao longo de seu regime autoritário é seletivo, mas não o suficiente para atingir os núcleos da guerrilha urbana. Portanto, este comunicado procura esclarecer a finalidade deste ataque.

O processo civilizatório avança nos territórios dominados pelo estado brasileiro. Dessa vez, em Paranapiacaba, a empresa Fazenda Campo Grande pretende construir o Porto Seco, devastando a natureza selvagem e a vida animal naquele território originário. O responsável pelo projeto que irá desmatar 910 mil m2 de Mata Atlântica Nativa, o bastardo Jael Rawet, conta com o aparato do Estado para “integrar” os modais viário e ferroviário e assim aumentar seus lucros estimulando o transporte de cargas.

O território denominado como Vila de Paranapiacaba começou a ser devastado desde muito cedo. Ali se assentou violentamente toda uma importante infraestrutura econômica que ainda na metade do século XIX era fundamental para a indústria do café. A construção da antiga ferrovia ainda ativa foi banhada de sangue indígena e mais tarde apagada com histórias heróicas de europeus que pretensamente ocuparam essas regiões. A modernidade é assassina!

Hoje, para este tipo de edificação, os mesmos exploradores ocidentais de ontem, que invadiram as terras indígenas seguem destruindo-nas. Para certificá-los, o Estado favorece mecanismos que viabilizam seus negócios. A “Secretaria do Verde” é uma dessas estruturas responsáveis por concessões do tipo. Através delas, vermes como Rawet conseguem, através do sistema de licenciamentos ambientas, expandir suas indústrias em terras que não os pertence para finalmente continuar a colapsar o meio ambiente de forma ética e gestionada.

Se o colapso é iminente, então a ofensiva é permanente. Enquanto nós vivermos, seremos os caóticos desastres naturais em carne e osso. A única reivindicação deste comunicado para além do atentado é pela hostilidade contra a dominação; eis o antagonismo que o Estado pretende esconder.

Este foi apenas o primeiro ato entre outros a seguir. Não haverá paz para os inimigos da natureza selvagem sejam lá quais forem. Serão sempre responsáveis pela manutenção da ordem predatória juntamente à horda de obedientes que compõem a sociedade. Chega de passividade! O genocídio de populações indígenas e ribeirinhas não mais se esconderá confortavelmente na sombra do “progresso” e “desenvolvimento”, ideais defendidos em prol do funcionamento das máquinas por todos os políticos e secretários municipais sejam de esquerda, sejam de direita!

CONTRA O PORTO SECO EM PARANAPIACABA!
VIVA A GUERRILHA URBANA!

Anarquistas.

Brasil: Faixa em um viaduto de Porto Alegre

Foto recibida junto com o texto e as notas em português e espanhol a 16/11/2018:

Na guerra social nenhum guerreirx está só. Faixa em um viaduto de Porto Alegre em cumplicidade com:
Anahí * Hugo * Nicolas * Kevin * Misha. Ke viva a anarkia.

– Segue em curso a guerra …
– Mas que guerra? Rapaz!
– Ora essa guerra latente e cotidiana, velada e explícita dos estados, suas leis, empresas, seus tribunais e forças repressivas, telejornais, mineradoras, agronegócios, proprietários, seu modo de vida imposto, toda sua rede de dominação.

Sempre houveram, sempre haverão aqueles que não baixam a cabeça e respondem frente a guerra que é imposta com toda energia, amor pela liberdade e inflamado ódio contra quem a toma de nós.

Mikhail Vasilievich Zhlobitsky, Misha, respondeu aos ataques das forças repressivas russas, a FSB (Serviço Federal de Segurança), inimiga por natureza dos anarquistas. Que ataques? Com a celebração da copa do mundo o estado russo botou em marcha uma tormenta repressiva contra anarquistas e antifascistas, prendendo, torturando inúmeros anarquistas de distintas regiões da Rússia. A FSB forjou a existência de uma organização terrorista anarquista fantasma obrigando anarquistas a assumir participação através de espancamentos e simulações de execução. Diante de uma tormenta que não passou com a copa do mundo e sua farra, Misha, foi visitar a sede da FSB em Arkhangelsk, norte da Rússia, no dia 31 de outubro, acompanhado de um artefato explosivo com acionamento imediato. No saguão de entrada se despediu da vida ferindo junto três agentes da FSB.

Kevin Garrido foi assassinado dentro da penitenciária Santiago 1, no dia 2 de novembro. Segundo a Gendarmeria (policia militar chilena) foi esfaqueado por outros presos. Kevin foi um sujeito indômito, hostil a dominação, foi perseguido pela polícia, acusado de responder a guerra imposta com guerra, foi preso, fugiu, foi recapturado, julgado, condenado, e em cativeiro, novamente, é assassinado sob custódia do estado chileno, ainda no seu funeral a policia apareceu para tentar agredir quem lhe dava uma última despedida.

Anahí Esperanza Salcedo não esqueceu que há 119 anos Ramón Falcón, chefe da policia argentina, organizou uma chacina contra um protesto do 1° de maio em 1909 em Buenos Aires, fato pelo qual foi morto por Simón Radowitzky, com 17 anos, jogou uma bomba na carruagem onde o tirano estava. Antes de ontem, 14 de novembro de 2018, perto das 17 horas, Anahí levou um explosivo até a monumental tumba desse tirano, para que a memória do assassino não fique na paz do sistema. Mas, o artefato detonou antes do tempo, e ela está ferida, hospitalizada e detida.

Hugo Alberto Rodriguez estava junto com Anahí na tumba de Falcón, naquela tarde. Com a coragem e o afeto daqueles que arriscam a vida e a liberdade agredindo o que agride, permaneceu com ela depois da detonação, ainda com as previsíveis conseqüências de ser detido.

Marcos Nicolás Viola foi detido, também no 14 de novembro de 2018, já pela noite, após ter jogado uma mochila com um artefato explosivo na casa do Juiz Claudio Bonadio. Esta “autoridade” é a encarregada do processo contra os 33 detidos pelos protestos no Congresso contra as reformas da previdência, em dezembro de 2017. Entre os detidos, estavam Pablo Giusto [1] e Diego Parodi [2], os quais receberam companhia e comida de Marcos Nicolás, quando estiveram seqüestrados. Marcos Nicolás, indignou-se contra aquele que, assinando um papel, engaiola a vida das pessoas que não se calam diante das agressões democráticas e reformistas.

– Segue em curso a guerra …
E existem aqueles que respondem à guerra com guerra!

No território controlado pelo estado argentino, os presidentes e líderes econômicos vão se reunir para tomar decisões sobre o mundo. Há quem diga que os dois ataques explosivos tem relação com o G20, reunião macabra que orientará as linhas da dominação, que ostenta segurança e consumismo, mas que saberá, também,  que pelo menos existem uns loucos que não permaneceram indiferentes à dominação e atacaram.

Que a fera não consiga quebrar a gaiola, que não consiga deter o carro, que morra no combate, ou que não ataque conforme às idéias dos “especialistas”, não pode desvalorizar o instinto fundamental de rosnar – não! e bater contra tudo o que oprime. A apatia frente esta guerra em curso é um caminho quase seguro à submissão. Quando a morte, a tortura, os abusos, não provoquem nada nos corações, saberemos que esses corações estão mortos. Quando os ataques contra a grande máquina da dominação não provoquem pelo menos um sorriso em nossos próximos, saberemos que estão perdendo a cumplicidade da rebeldia. Não manter-se conformado é um sinal saudável de disposição de defender a vida contra a dominação, seus tentáculos, valores, conceitos e imposições… E estamos tão vivos!!!!

É certo que “Na guerra social nenhum guerreirx está só”, nós inimigos de toda autoridade, amantes da liberdade, brotamos de toda terra, não obedecemos as fronteiras criadas pelas guerras dos estados, suas leis, empresas …  estamos tão vivos que não podemos fazer outra coisa que nos dispor a mandar um aceno para todos os que mostram uma genuína hostilidade contra a dominação.

[1] No protesto contra as reformas da previdência, que teve como característica principal a chuva de pedras contra os agentes da ordem, ele foi identificado, detido e acusado de ter jogado pedras contra os policiais, e de ter jogado uma bicicleta e mostrado uma faca quando o identificaram para detê-lo. Foi solto no 28 de março do 2018.

[2] No mesmo protestos, ele foi identificado, detido e acusado de ter jogado uma bomba molotov contra um policial e obstaculizado a sessão do Congresso, ficou seqüestrado até  setembro de 2018.

Cacilhas, Portugal: O CCL precisa do teu apoio!

Recebido a 8.11.2018:

O Centro de Cultura Libertária, associação anarquista com 44 anos de actividade em Cacilhas-Almada, encontra-se novamente ameaçado.  A contínua pressão do negócio imobiliário, a alteração da lei das rendas e a gentrificação que impõem a saída de moradores dos lugares centrais das cidades, a destruição de espaços sem fins lucrativos ou o encerramento das lojas de bairro, atingem agora também o CCL.

O QUE É QUE SE PASSA?

Não é a primeira vez que a permanência do CCL na sua sede histórica é posta em causa. Entre 2009 e 2011 o Centro de Cultura Libertária resistiu contra um processo de despejo movido pelo senhorio. Apenas a solidariedade de muitos colectivos e indivíduos aqui e além fronteiras nos permitiu fazer frente aos custos do processo judicial, que acarretou dois julgamentos e um recurso. No final, chegámos a um acordo de aumento de renda que nos permitiu continuar no espaço sem alterações na duração do contrato. No entanto, em 2014, fruto das mudanças na lei das rendas a favor dos interesses dos proprietários, a duração do contrato do CCL passou para um prazo de cinco anos. Chegamos agora, no final de 2018, à altura em que, tal como vem acontecendo a milhares de inquilinos, a
continuação do arrendamento do nosso espaço ficará à mercê da vontade do proprietário e das condições que este nos quiser impor.

PORQUÊ APOIAR O CCL?

O CCL é um ateneu cultural anarquista fundado em 1974 por velhos militantes libertários que resistiram à ditadura, ocupando desde então o espaço arrendado no número 121 da Rua Cândido dos Reis, em Cacilhas. O Centro possui uma biblioteca e um arquivo únicos em Portugal, com documentos produzidos ao longo dos últimos cem anos, assim como uma distribuidora de cultura libertária. Tem sido um espaço fundamental para o anarquismo em Portugal acolhendo sucessivas gerações de libertários. Durante a sua existência, o Centro acolheu inúmeras actividades, tais como debates, encontros, círculos de leitura, sessões de vídeo, oficinas, jantares ou diversas oficinas de aprendizagem, e serviu de casa a muitos grupos e colectivos libertários. Diferentes publicações aqui se editaram, como a Voz Anarquista nos anos 70, a Antítese nos anos 80, o Boletim de Informações Anarquista nos anos 90 e a revista Húmus na primeira década deste século.

Enquanto associação anarquista, o funcionamento do CCL é horizontal e tem por base a assembleia de sócios, onde são tomadas as decisões e distribuídas as tarefas inerentes à vida da associação. A participação no CCL é sempre feita de forma voluntária, não-remunerada e sem fins lucrativos. As únicas fontes de financiamento são as quotas dos associados, as receitas da livraria e dos jantares e os donativos solidários.

QUE FUTURO PARA O CCL?

Não queremos que o Centro de Cultura Libertária acabe! Queremos que continue a existir enquanto associação libertária activa por muitos anos!

Mas neste momento o futuro do CCL está em aberto: pode passar pela permanência no mesmo local, pagando uma renda bem mais elevada, ou pela mudança para um novo espaço, onde procuraríamos ter melhores condições para as nossas actividades, mas onde as despesas serão também mais elevadas.

Em ambos os casos, e face às condições impostas pela actual bolha do mercado imobiliário, sabemos que vamos precisar de meios financeiros de que não dispomos. Por este motivo, vamos iniciar uma campanha de angariação de fundos, que incluirá um crowfunding, concertos, jantares e outras iniciativas.

Contamos com o teu apoio solidário para que juntos possamos garantir um futuro para o CCL.

Participa no crowdfunding: https://ppl.com.pt/causas/ccl

Dados da conta bancária do C.C.L. para donativos

Titular: CENTRO DE CULTURA LIBERTÁRIA
IBAN: PT50003501790000215493029
Banco: Caixa Geral de Depósitos

E-mail: ateneu2000@gmail.com
Correio postal: Apartado 40 / 2800-801 Almada – Portugal
Blog: http://culturalibertaria.blogspot.com

CENTRO DE CULTURA LIBERTÁRIA

em alemão

Brasil: Das ruas de Porto Alegre


Um dia após as eleições, no novo regime, apareceram em Porto Alegre duas faixas que diziam:”Bolsonaro é fascista. Fascismo é morte. Insurreição já!” e “Há algo maior que a liberdade. É o ódio de quem a rouba de nós“.
Na nossa posição de rechaço à dominação, nada muda! a luta contra o autoritarismo só se acentua!
Pela expansão da revolta contra o novo tirano!!!

[Brasil] 9ª edição da Feira Anarquista de São Paulo com nova data (18/11)

Os organizadores da 9ª edição da Feira Anarquista de São Paulo anunciaram nova data do evento, que agora ocorrerá em 18 de novembro, domingo.

Os coletivos Ativismo ABC, Biblioteca Terra Livre, CCS e Nelca organizam a IX Feira Anarquista de São Paulo, dando continuidade ao já tradicional encontro anual de anarquistas e simpatizantes do mundo inteiro.

Na edição deste ano, assim como nas anteriores, acontecerá mostra editorial e venda de livros, jornais, revistas, fanzines e outros materiais libertários. A Feira de São Paulo pretende reunir editoras libertárias do país e do exterior.

Paralelamente à mostra editorial haverá palestras e debates, assim como diversas atividades culturais, como exposições, poesias, apresentações teatrais, musicais e outras atividades.

Todas e todos estão convidados!

Organização: Ativismo ABC | Biblioteca Terra Livre | Centro de Cultura Social | Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri

Data: Domingo – 18 de novembro de 2018

Horário: das 10h às 20h

Local: Espaço Cultural Tendal da Lapa | Rua Constança, 72 – Lapa, São Paulo (SP) | Próximo à estação de trem e terminal de ônibus Lapa

Entrada Gratuita

Blog: feiranarquistasp.wordpress.com

CCL na Feira Anarquista do Livro 2018: 26, 27 e 28 de Outubro em Lisboa

recebido a 25/10/18

Nos dias 26, 27 e 28 de Outubro, o CCL vai estar presente na Feira Anarquista do Livro em Lisboa. Vão ser três dias dedicados às edições, ideias e movimentos libertários com bancas, debates, concertos e oficinas.

Logo no primeiro dia, pelas 21.30, terá lugar uma apresentação sobre o Centro de Cultura Libertária e a sua situação actual.

Consulta aqui o programa completo: https://feiraanarquistadolivro.net/programa.php

[Portugal] “Ninguém que não deseje a tua libertação total pode ser considerado teu aliado”

NINGUÉM QUE NÃO DESEJE A TUA LIBERTAÇÃO TOTAL PODE SER CONSIDERADO TEU ALIADO

Se não se estender a crítica do fascismo à democracia, capitalismo, às prisões, às pátrias, ao patriarcado, à propriedade, ao especismo e a qualquer regime que envolva sermos governadxs: estamos a nos condenar a um emaranhado histórico único que só acabará para dar lugar a um planeta inabitável. Os social-democratas eleitoralistas estão confortáveis demais ao condenar as atrocidades da direita e ao esconder as suas próprias, querem é estar nas ruas e no governo ao mesmo tempo.

Os regimes autoritários ganham terreno, rápida e eficientemente, porque os objetivos que perseguem são medíocres: não há nenhuma complexidade em submeter os outros através das armas, impostos, mentiras e propaganda – 90% dos projetos políticos estão comprometidos é com isso (toda a infraestrutura necessária já está construída e a funcionar).

Na realidade, ninguém que te trate como massa doutrinável, ninguém que entenda a luta como um passatempo a fazer de vítima e alheio à tua capacidade criativa e ofensiva, ninguém que não deseje a tua libertação total pode ser considerado teu aliado.

Anarquistas

em pdf aqui

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Chile: Faixa e barricadas de fogo, 20 anos depois do assassinato de Claudia López

20 anos depois da morte de Claudia López: Memória e Combate.

11-09-2018. A duas décadas exatas da morte em combate da companheira anarquista Claudia López, na povoação La Pincoya em Santiago, durante os distúrbios comemorativos do início da ditadura militar no Chile  –  e ainda no âmbito de uma nova comemoração desta data, saímos à rua na nossa povoação a recordá-la; colocamos uma faixa, levantamos barricadas de fogo e desafiamos a polícía junto aos nossos/as companheiros/as e vizinhos/as.

Algures no território chileno,
Biblioteca Antiautoritária Libertad
Inverno, 2018

em espanhol

[Carolina do Norte, EUA] Reportagem de uma Ação

Acção direta contra Mountain Valley Pipeline em Brush Mountain (29.06.2018)

No meio da névoa do amanhecer no dia 22 de Junho, imobilizamos e sprayamos várias peças de equipamentos pesados de construção ao longo da US 220 na Carolina do Norte. Uma escavadoura, um trator e alguns de carregadores frontais todos provaram um excelente veneno, por meio de xarope de bordo e alvejante. Extintores de incêndio existentes no local também foram inutilizados.

Este pequeno ato de ataque foi realizado contra a proposta de construção da Mountain Valley Pipeline Southgate e a destruição de vários hectares de floresta, na clareira do novo corredor I-840.

Para a defesa da Natureza

Pelo ataque aos instrumentos de aniquilação ecológica

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Treviso, Itália: Instalações da Liga do Norte atacadas pela célula Haris Hatzimihelakis

Cansadxs de ficar em silêncio, fartxs de ver violência sistemática e diária a ocorrer na sociedade – seja através do racismo, sexismo ou trabalho assalariado – cujos valores essenciais são autoridade e lucro. Enfastiadxs da exploração, a vermos todos os partidos políticos como o principal responsável disso – como elxs reprimem a liberdade com o aparelho estatal, reformista e repressivo (TV, media, associações, exército, proteção civil, etc.). O estado e o capital são os maiores criminosos, até violam as suas próprias leis – roubando através dos impostos, matando através das guerras e do trabalho assalariado, rejeição de botes de migrantes no mar, campos de concentração para imigrantes na Europa e África, contaminando irreversivelmente seres humanos, animais e todo o planeta – tudo pelo lucro e poder.

Não esqueçamos a cumplicidade hipócrita da sociedade composta por cidadãos/ãs que fingem não ver os horrores do racismo e nacionalismo, presentes e passados. Essa aceitação é o pilar do totalitarismo e da democracia: ao longo do tempo a autoridade baseada na indiferença, medo, apatia foi não só sócapaz de criar gulags e campos de concentração nazis e, presentemente, os campos de concentração na Líbia e fora das nossas casas. É uma história que se repete a si mesma.

12.08.2018

Na madrugada desse dia as instalações da Liga do Norte foram atacadas em Treviso, com um dispositivo explosivo. Reivindicamos a colocação do dispositivo contra políticos, polícias e seus lacaios. Não queremos ser cúmplices de tudo isso, nos oporemos à violência indiscriminada do Estado com violência indiscriminada contra os responsáveis, por tudo isso. A quase total pacificação da Itália, onde as massas estão ocupadas a fazer guerra entre os pobres, um dos nossos objetivos é o da oposição à renúncia, impotência e quietude. O Estado e o capital usam todas as formas de tecnologia e violência para desviar a atenção dos problemas reais dos explorados, sendo o principal deles o ódio entre xs mais vulneráveis e despossuídos, por meio de fronteiras, géneros, cores da pele.

Escusado será dizer que nenhuma facção insignificante de políticos autoritários será capaz de satisfazer os nossos desejos. Está-se a falar sobre o governo “verde-amarelo”, esquerda e direita, queremos que o estado seja destruído. Está a prometer-se aumentos salariais, redução de impostos, empregos, queremos a eliminação de dinheiro, bens e trabalho. Está a lutar por melhores condições do governo, mas só queremos nos divertir com as ruínas em chamas das suas cidades. Você faz política, nós fazemos guerra social.

As coisas estão difíceis, trata-se de um abismo existencial entre nós e elxs e não há espaço para diálogo.. como consequência disso sabemos onde atacar. Atacar o racismo e a exploração em particular. Atacar o Estado, o capital e todxs xs responsáveis. A ação direta torna claro o porque e o como, para nós.

Pela Anarquia!
Pela solidariedade internacional anarquista e rebelde!
Por um mundo sem fronteiras nem autoridade.

Com esta ação, saudamos a chamada lançada pelxs companheirxs da “célula Santiago Maldonado”, na qual se propunha aumentar os ataques à paz dos representantes da dominação e cúmplices.

Benvinda seja qualquer individualidade anarquista ou célula que continue a espalhar a chama, através da ação, no aqui e agora!

“Hoje tomamos a tocha da anarquia nas mãos, amanhã será outra pessoa. Para que não se apague!” [1]

Solidariedade com todxs xs prisioneirxs, Tamara Sol, Juan Aliste, Juan Flores, Freddy, Marcelo, J.Gan, Marius Mason, Meyer-falk, Dinos Yatzoglou, Lisa Dorfer, membrxs da CCF e da Luta Revolucionária.

Aos/ás anarquistas em Florença, Turim, Nápoles, Cagliari, Chile, Rússia, Alemanha, Polónia, da Operação Scripta Manent.

E para todxs xs rebeldes presxs nas cadeias de toda a parte do mundo!

Célula Haris Hatzimihelakis /International Negra (1881-2018)

[1] Célula Santiago Maldonado /FAI-FRI reivindica um ataque explosivo contra quartéis de carabineiros (07/12/2017)

original em italiano via a tradução em inglês

Salsburgo, Áustria: Ataques à BIG, Hypo e ao Departamento de Finanças


Na noite de domingo para segunda-feira a BIG (Empresa imobiliária federal) foi atacada com fogo e tinta. São responsáveis pela construção da prisão em Puch.

Atacamos o Hypobank com tinta. É um símbolo da política de corrupção e especulação do ÖVP e FPÖ.
Quebrámos os vidros das janelas do Departamento de Estado das Finanças e atacámos com bombas  de mau cheiro, porque estamos a atacar o estado.

Em Salzburgo, em 16 de setembro – porque o governo austríaco está a preparar uma reunião de Cimeira da UE, alguns dias depois. para implementar práticas mais restritivas de vigilância e controle, especialmente contra migrantes.

Não nos importamos com a manifestação contra a Cimeira, onde xs participantes serão filmadxs, vigiadxs e criminalizadxs. Não jogamos pelas regras dos governantes.

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Ucrânia: Anarquistas de Kiew atearam fogo a um centro de treino policial. 19.09.2018

vídeo

Repressões e prisões tornaram-se parte das nossas vidas, assim como das vidas de todxs aquelxs companheirxs recalcitrantes que preferem conduzir uma luta ofensiva contra o Estado e o capital, atacando todas as manifestações de poder e destruindo a ordem opressora. Cada vez mais no decorrer dessa luta ouvimos chamadas de todos os cantos do mundo para solidariedade com pessoas afins reprimidas e presas, ouvimos histórias de como mais um/a de nós foi colocado/a atrás das grades, espancado/a, torturado/a ou mesmo morto/a, e também ouvimos como esta ou aquela infra-estrutura de anarquistas foi destruída, saqueada, como esta ou aquela iniciativa sofreu ataques de grupos punitivos do Ministério do Interior (MVD).

As autoridades, tal como há cem anos, estão a tentar travar-nos. Hoje, como ontem, opomos-nos aos guardiões das estruturas estatais que foram treinados e dotados com o “direito legal” ou, em palavras simples – cães de estado leais aos seus mestres e interessados em manter o status quo, reprimindo anarquistas e outras pessoas rebeldes.

Todos esses momentos desagradáveis vão acontecer e acompanhar-nos-ão pelo caminho bem direção à libertação. Tudo isso é esperado e não é surpreendente. O desafio a partir do inimigo tem sido aceito por nós, logo que nos tornamos anarquistas, e os apelos de nossos companheiros ficaram muito claros. Para nós isso significa apenas que a luta contra manifestações de pode tem que ser permanente! Portanto, só a solidariedade por tempo indeterminado, a luta até à plena vitória e satisfação de todos os nossos desejos rebeldes! Não há negociações com funcionários do Estado: em conflito constante com as autoridades!

Antes de contarmos aos nossos irmãos e irmãs acerca do nosso próximo ato, vale a pena discorrer e especular no objetivo escolhido e no método que usamos. O método que os nossos corações rebeldes preferiram foi coordenado com as convicções e ideias de outros anarquistas insurgentes – as de que ataques, incêndios, explosões e ações armadas contra os nossos inimigos devem ser parte integrante da guerra contra eles.

Agora acerca da escolha do alvo. Como alvo de ataques de retaliação, consideramos como estruturas inimigas, todas as  facções e individualidades bem como qualquer infraestrutura conectada que sirvam para cometer terrorismo de estado contra anarquistas e pessoas que pensem. O estado continua a torturar, a quebrar, destruir, organizar processos e meter os combatentes da liberdade na cadeia. Portanto, atacamos aqueles que controlam, prendem e nos matam numa base diária.

Os nossos inimigos: começando pela polícia, juízes, acusadores do ministério público e guardas prisionais, terminando nos cidadãos que em consciência formam e apoiam essa sociedade podre. Em suma, toda a figura chave no sistema, todo o seu servo, são um alvo para nós, guerrilheirxs anarquistas.

Ao contrário deles, somos anarquistas e, portanto, não queremos pertencer a nenhum estado e seguir as suas leis. Não somos obrigados e não queremos obedecer às leis, porque qualquer lei é apoiada pela inevitabilidade da punição pela violação do direito de vingança apropriado pelo Estado. Nos nossos relacionamentos com outras pessoas não somos guiados por leis escritas por funcionários. A nossa lei é nossa ética!

Cada segmento-alvo requer considerações e explicações separadas pela sua má conduta. Dado que à noite o fogo foi iniciado no centro de treino do Ministério da Administração Interna, devemos prestar atenção a essa gangue organizada.

Na Ucrânia, após o Maidan em 2014, o novo governo começou a chamada reforma do Ministério da Administração Interna. A sua principal tarefa era transformar a polícia na “polícia nacional”, reabilitando a imagem das estruturas de poder e restaurando a confiança das pessoas nelas. Eles estão a tentar convencer as pessoas de que a nova polícia não é aquela polícia odiosa que apareceu na era soviética. Este truque é tão antigo quanto o próprio mundo. Apesar de todas as reformas, eles continuam a ser a bófia de sempre!b Há mais de cem anos que o território da moderna Ucrânia pertencia ao Império Russo, mesmo assim a polícia estava a proteger o Estado e as pessoas ricas, tal como faz hoje. Então todos os revolucionários travaram guerra contra isso até à revolução de Fevereiro de 1917, após o que o departamento de polícia foi abolido.

Agora, a ideia do Ministério da Administração Interna – criado pelas autoridades e responsável perante eles, está totalmente estruturado e visa a realização de funções repressivas e punitivas, proteger os cidadãos poderosos e rico da nossa presença nas ruas. Portanto, nenhum governo antigo ou novo e nenhum estado – ucraniano, russo, bielorrusso, grego, etc, com a sua polícia e ministérios – nunca poderão ganhar a nossa confiança. Sabemos perfeitamente todas as suas intenções e, portanto, enquanto o aparato repressivo permanecer, vamos continuar a nossa luta!

Uma patrulha policial comum, operativos ou um grupo de propósito especial estão em estado de prontidão e, ao sinal das autoridades superiores, vão deter qualquer um, e, em seguida, aplicar medidas de contenção e punição para ele. Tudo de acordo com as instruções e leis que protegem o estado e o capital. Antes de entrarmos na cadeia e sermos entregues aos guardas da prisão, o nosso irmão ou irmã terá que lidar com representantes do Ministério da Administração Interna. Então, o Ministério do Interior – e o que estiver conectado com isso – é visto por nós como um instrumento para quebrar o espírito e a vontade de qualquer anarquista insurgente que se mova energicamente em frente.

Do ponto de vista da perspectiva revolucionária, pode-se até dizer com segurança que a existência de uma instituição profissional como o Ministério do Interior prejudica não só nós xs anarquistas mas também o resto da sociedade, desestabilizando e enfraquecendo as suas oportunidades de autodefesa – deixando assim as pessoas sem direito à autodefesa, fazendo com que se sintam desamparadas. A população, sendo incapaz de resolver problemas de forma independente, transfere esses poderes para o sistema e o Ministério da Administração Interna, por sua vez, como qualquer outra instituição do estado, confia e conta com o medo, com a incapacidade das pessoas para realizar o seu potencial interno, sem restrições externas.

Assim, de noite, a 19 de Setembro de 2018, o centro de treino dos funcionários do Ministério do Interior tornou-se o objeto do nosso ataque. É aqui, no centro de treino, que eles são treinados para nos deter com sucesso, atirar sonre nós, praticar confiscações e assaltos aos nossos apartamentos de armas na mão, armas que as pessoas comuns não podem possuir.

O centro de treino está localizado a 500 m da Rua Boryspilskaya, na floresta, no distrito Darnytskyi da cidade de Kiev. No centro existem pistolas e galerias de tiro automáticas, uma pista de obstáculos, um  campo de ténis, um campo de vólei, um campo para mini-futebol, salas de treino bem como uma estrutura onde grupos de captura são praticados. Foi em tal estrutura que lançámos um “galo vermelho”!
Estivemos mais de quatro meses a cuidando desse objeto. Há pouco tempo, no edifício acima mencionado, reparos de caros foram realizados e equipamentos elétricos foram adquiridos.

Para o incêndio a provocar, precisávamos de 17 litros de mistura incendiária, 10 pneus de carros e coisas antigas encontradas na rua. Fizemos 2 áreas de fogo em lugares diferentes. Também na parede deixamos uma mensagem: Destrua o Ministério da Administração Interna. O guarda e dois cães não suspeitaram de nada…

Embora o nosso ataque seja simbólico, ainda assim aponta para o inimigo e a direção na qual a resistência deve se desenvolver.

Nossas calorosas saudações e solidariedade vão para xs anarquistas na Rússia e nas prisões bielorrussas e campos de prisioneiros: Ilya Romanov, Oleksandr Kolchenko, Sergey Romanov, Yevgeny Karakashev, Ilya Shakursky, Vasily Kuksov, Dmitry Pchelintsev, Victor Filinkov, Andrei Chernov, Arman Sagynbaev, Mikhail Kulkov, Maxim Ivankin , July Boyarshinov e outrxs.

Este fogo é para si. Não nos importa se é culpado ou não, se está ou não envolvido/a no que é acusado/a. O fato é que na luta contra o Estado somos todxs culpadxs. Portanto, saibam que se xs “inocentes” uma vez mereceram a nossa solidariedade, então xs “culpadxs” merecerão mil vezes…

Também queremos enviar palavras de solidariedade aos/ás anarquistas que operam no Chile, Grécia, Itália e a todxs xs outrxs companheirxs que lutam tanto fora quanto dentro das prisões! Saiba que as suas ações e lutas são importantes para nós!

Viva a Anarquia!
Destrua o Ministério da Administração Interna! Destrua o estado!

Célula anarquista Ilya Romanov / FAI –FRI

em inglês

Sydney: Solidariedade com anarquistas em Yogyakarta

Liberdade para xs prisioneirxs da guerra de classes em Yogyakarta

No contexto da semana anual de solidariedade com os prisioneiros anarquistas, alguns anarquistas em Sydney visitaram o consulado indonésio em Maroubra na quinta-feira, 23 de Agosto.

Uma faixa foi amarrada à cerca em torno do consulado, onde se podia ler: “Bebaskan tahanan perang kelas di Yogya” (Liberdade para xs prisioneirxs da guerra de classes em Yogyakarta). Dezenas de folhetos também foram distribuídos e espalhados junto à embaixada.

Anarquistas em Yogyakarta enfrentaram uma onda de repressão após a manifestação do 1º de Maio de 2018, onde se viram barricadas em chamas nas ruas, um posto policial incendiado e um apelo para que o sultão local fosse morto.

Dezenas de anarquistas e compas da guerra de classes foram presxs após a manifestação e alguns deles ainda estão presos enfrentando um processo.

Desejamos solidariedade e força a todxs xs prisioneirxs anarquistas e revolucionárixs na Indonésia e no mundo.

em inglês l alemão

[Floresta de Hambach] Repousa em paz Steffen

Na quarta-feira à tarde, por volta das 15h45, o jornalista ecologista, blogueiro e ativista Steffen Horst Meyn, morreu na aldeia das casas nas árvores Beechtown, na Floresta de Hambach. Caíu enquanto tentava documentar uma ação de despejo em andamento pelas Forças Especiais da Polícia (SEK), numa ponte suspensa de cerca de 20 m de altura. Equipas de resgate no local tentaram ressuscitá-lo. No entanto, morreu um pouco mais tarde ainda na floresta, num helicóptero de resgate.
Fotos tiradas por Steffen pouco antes do acidente

De acordo com as nossas informações, não há conexão direta com o auge da ação policial local, no momento do acidente. Mas sabemos em primeira mão que o único motivo que levou o falecido a subir às árvores foi ter sido constantemente impedido de fazer o seu trabalho no chão pela polícia.

Na Floresta de Hambach, estou agora a 25 m de Beechtown para documentar o trabalho de evacuação. Não há fita de barreira aqui.” Steffen Horst Meyn

Repousa em paz, Steffen!

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[Madrid] Ataques a ATM no âmbito da Semana Internacional em Solidariedade com xs Presxs Anarquistas

Durante a Semana Internacional em Solidariedade com xs Prexs Anarquistas foram sabotados mais de uma dezena de ATM em diversos bairros de Madrid. As ferramentas para este tipo de sabotagem são simples e fáceis de encontrar: martelos e sprays.

Entendemos a solidariedade como a continuidade da luta que conduziu xs nossxs companheirxs às prisões do Estado. A solidariedade anarquista é muito mais do que uma mera palavra escrita ou de que uma atividade de assistência a presxs. Esta solidariedade materializa-se no ataque às estruturas do capitalismo e do Estado e procura aprofundar-se no conflito, através da ação direta.
Abaixo os muros das prisões. Viva a anarquia.

Pelxs companheirxs atingidxs pela Operação Scripta Manent!

Pelxs companheirxs represaliadxs após a Cimeira do G20 em Hamburgo!

Pelos anarquistas indonésios processadxs após o 1º de Maio!

Pela Lisa e todxs xs anarquistas presxs!

Anarquistas

[Brasil] 4ª edição do Solidariedade a Flor de Pele (Pelotas/RS) de 12 a 14 outubro de 2018

Chamado para a 4ª edição do Solidariedade a Flor de Pele – Santiago Maldonado Presente!

RECORDATÓRIO

Nos somamos à iniciativa – em coordenação com a convenção anárquica de tatuagens e piercings “Arte y Sabotaje” na Argentina, e “Tinta Negra” no Uruguai – de homenagear a vida em combate do companheiro e tatuador Santiago Maldonado “Lechuga”, que foi assassinado pelo estado argentino em 1 de agosto de 2017, enquanto lutava junto aos Mapuches na comunidade Pu Lof, no sul do território controlado pelo estado argentino.

Escolhemos o dia 12 de outubro para o início das atividades. Há 526 anos, os primeiros barcos coloniais chegavam no continente e, com eles, uma nova ordem social, que veio a se impor sobre as pessoas que viviam nesses territórios. Foi o começo dos genocídios, da devastação da terra e da expansão do capitalismo, mas também, de muitas lutas, batalhas, de resistências e ofensivas contra a colonização, que seguem vivas até hoje em cada canto da América Latina. Um exemplo, é a luta anti-capitalista e anti-estatal que os Mapuches seguem encarando.

Em julho do ano passado, a comunidade Mapuche Pu Lof estava recuperando terras que são reconhecidas pelo estado Argentino como propriedades do empresário Benetton. Para desalojar os Mapuches, no 1 de agosto, o estado argentino mandou suas tropas repressivas e foi neste contexto que Santiago Maldonado “desapareceu”. Durante mais de 6 meses, o estado argentino escondeu seu assassinato até que seu corpo fosse supostamente “encontrado” no rio Chubut em 17 de outubro. Santiago morreu como viveu, como um anarquista, solidário, lutando pela terra, contra a propriedade e contra o capital!

As três primeiras edições do Solidariedade a Flor de Pele proporcionaram momentos de encontros, trokas de materiais e debates fokados na luta anti carcerária. Então, foram espaços importantes tanto para a difusão da situação de companheirxs anarquistas presxs e/ou perseguidxs, quanto para a difusão da kontra-kultura anarko-punk, vendo as tatuagens e piercings como ferramentas que nos possibilitam juntar fundos para apoiar axs compas encarceradxs. Seguimos agora com este mesmo impulso.

Os ventos repressivos contra a Anarquia chegaram também por aqui. Em outubro de 2017, através da operação “Erebo”, que teve na mira a biblioteca anárquica Kaos, várixs companheirxs foram perseguidxs e okupações e kasas particulares foram invadidas. No Rio de Janeiro, a partir da operação Firewall, 21 pessoas acabam de ser condenados a penas de prisão que vão de 5 a 13 anos em regime fechado, pelos protestos de rua de 2013 e 2014.

No meio deste contexto, no qual nos querem amedrontadxs, a solidariedade se torna urgente e imprescindível! Não podemos deixar que o medo nos paralise! Convidamos a todxs xs anarquistas em luta e a todxs xs interessadxs a participarem da quarta edição do Solidariedade a Flor da Pele que acontecerá em Pelotas (RS) nos dias 12, 13 e 14 de outubro!

Em breve, publicaremos a programação no nosso blog: aflordepele.noblogs.org. Qualquer contribuição, aporte ou sugestão é benvinda e podem ser enviada no email novo: aflordepele4 [arroba]riseup.net

Fogo a todas as prisões!
Que viva a Anarquia!

Às pessoas que precisariam de alojamento, lhes pedimos que nos avisem quanto antes pelo email para organizar o espaço!
aflordapele.noblogs.org/

em espanhol

[Haia, Holanda] Faixas em solidariedade com prisioneirxs anarquistas

Liberdade para todxs xs anarquistas presxs.
Por uma sociedade sem prisões nem Estado (A)

Fogo a todas as prisões (A)

Hoje [30 de Agosto] no último dia da 6ª Semana Anual de solidariedade com xs prisioneirxs anarquistas, foram penduradas três faixas alusivas em Haia, na Holanda.

Esta última semana internacional em solidariedade com xs prisioneirxs anarquistas, acontece pela sexta vez. Com a crescente repressão contra anarquistas na Europa e mais além, é importante continuar a mostrar solidariedade com prisioneirxs anarquistas. Não só durante esta semana, mas sempre.

Solidariedade com todxs xs prisioneirxs. Demolição das prisões.
Pela Anarquia!

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Porto Alegre, Brasil: Por Santiago Maldonado, nossas ações e corações!

recebido a 07.08.18

Por Santiago Maldonado, nossas ações e corações!
Quem morre lutando vive em cada companheirx!

Santiago Maldonado, companheiro anarquista, foi desaparecido em 1 de agosto de 2017. Se encontrava na comunidade Mapuche Pu Lof, em Chubut, no sul da Argentina quando tropas repressivas foram mandadas até a comunidade para desalojar os Mapuche que tinham retomado seu território ancestral, “propriedade” do empresário Luciano Benetton. O Estado argentino escondeu Santiago durante mais de 6 meses até que seu corpo foi “achado” no rio Chubut em outubro.

Seu assassinato não foi um “acidente” nem um “abuso policial”! Seu assassinato foi ordenado pelo Estado Argentino que defendia à empresa Benetton e isso é o claro exemplo do corporativismo estatal-empresarial no qual nossas vidas sempre valerão muito menos que seus benefícios. Mas, os poderosos erraram e xs anarquistas de todas as terras se revoltaram indignados e insurretos!

A um ano da sua morte em combate, não pedimos “justiça”, nem “reparação” pelo seu assassinato. Se assim fosse, estaríamos validando o trabalho dos seus carrascos. Somos anarquistas e não demandamos nada. Não há justiça possível que venha dos nossos inimigos, dos mesmos que nos matam. Estaremos satisfeitos quando a dominação e o poder se derrubem e suas ruinas afoguem os que os perpetuam… e isso, está nas nossas mãos, não nas de terceiros…

Por Santiago, pela terra e pela liberdade, façamos da sua memória um chamado eterno a lutar!

Para imprimir, em pdf, clica aqui

[Prisões chilenas] Comunicado do compa Juan Aliste Vega a partir do Hospital Prisional

Através dos trâmites desenvolvidos e da insistência com que têm vindo a ser feitos há já 4 meses, dentro e fora dos limites físicos da prisão, conseguiu-se por fim a minha transferência do Prisão de Alta Segurança para o Hospital Prisional, a 19 de Julho, de modo a que me pudessem fazer um electrocardiograma e vários exames com rigor.

No dia seguinte, 20 de Julho, de manhã, fui novamente transferido até ao INCA, Instituto de Neurocirurgia, no meio de um considerável operativo prisional/policial, para que por fim me fosse feita uma angiografia – exame esse com que se pretende obter uma imagem mais detalhada da área cerebral onde mantenho a malformação cerebral produzida pelas agressões sofridas anteriormente. Vale a pena assinalar que este exame é uma peça chave e imprescindível para a extração cirúrgica iminente a que devo submeter-me. No final o exame realizou-se sem problema algum, através de um correcto e digno trato por parte da equipa médica em questão.

Uma vez concluído aquele procedimento, fui transferido de ambulância até ao hospital prisional, donde me terão de dar alta para voltar ao CAS nas próximas horas. Os procedimentos médicos só pretendem aclarar e dar conta da minha situação atual. São vários os passos que lhes deveriam dar continuidade, tanto ou mais complexos que estes, até que se realize a operação cerebral qualificada como urgente desde Março – apesar de todos os entraves e obstáculos que envolvem ser um refém do Estado, estar sob a custódia da mais férrea polícia do território – possuidores de uma lógica de vingança e  crueldade, além de submergidos no repulsivo tecido burocrático.

Estas palavras, longe de qualquer sentimento de vítima ou de lástima, encontram-se caregadas de vitalidade revolucionária, insurreta e subversiva. É no contexto do constante exercício da solidariedade revolucionária, levada a cabo há já alguns anos pelxs prisioneirxs subversivxs, que se torna imprescindível comunicar os recentes passos dados nesta nova batalha. Não foi a primeira e sem dúvida não será a última vez que como reféns do Estado a devamos enfrentar.

Pretendia aproveitar esta comunicação para abraçar as diversas iniciativas que foram erguidas em Santiago, Concepción, Valdivia, Temuco e noutros territórios tal como aqueles gestos internacionalistas que sabem cruzar fronteiras na Argentina, Uruguai, Brasil e Espanha…Gestos e atividades – a partir das quais se pratica uma solidariedade que constrói e reforça as nossas redes subversivas – o mais vital dos oxigénios, para percorrer caminhos até à libertação total a partir do confinamento.

Aqui continuamos firmes, sem vacilar, orgulhosos de poder contar com esta formosa cumplicidade rebelde que percorre territórios, expande-se, multiplica-se e permite enfrentar tudo o que apareça.

Enquanto existir miséria…Haverá rebelião!

Juan Aliste Vega
Prisioneiro Subversivo
Hospital Prisional

Julho 2018.

espanhol

[Dalgum lugar] “A paz é a desmemória e esquecimento – À memória de Mauricio Morales Duarte” pelo compa Gustavo Rodríguez


A paz é a desmemória e esquecimento
– À memória de Mauricio Morales Duarte

“O culto dos mortos nada mais é do que desprezo à verdadeira dor. […] Esta última também deve desaparecer, as pessoas devem reagir com firmeza perante a fatalidade da morte. Devemos lutar contra o sofrimento em vez de o exibir, de o passear em procissões grotescas e falsas comemorações […] Há que deitar abaixo as pirâmides, as sepulturas, as tumbas; Há que passar o arado pelos muros do cemitério para livrar a humanidade do que chamamos respeito pelos mortos, do que é o culto aos cadáveres”.
Albert Libertad

Este é o terceiro texto que escrevo em sua memória, ao longo destes nove anos de ausência; no entanto, a dor não desaparece. Não foi capaz de desaparecer apesar do tempo decorrido, tal como eu não fui capaz de dissipar a dor pelo desaparecimento físico do meu querido Urubu, do meu estimado Rafa (Daniel Barret), do meu irmão Canek e de tantos outros que partiram mas que vivem na nossa memória negra. E não é que queira mostrar a dor nem a recriar em comemorações de luto: os anarquistas não rendemos culto aos cadáveres. Simplesmente encontro-me incapaz de o superar. E eu não pude – nem quero – superar esse sentimento porque sempre o transformei em fúria. Não pretendo fazer o menor esforço para os esquecer porque a memória, companheirxs, é a nossa mais potente arma.

Nem todos os que nomeei morreram em combate mas tampouco nada há a enaltecer no facto de se cair em combate. Nós não temos mártires. Não acreditamos no sacrifício e na imolação. Isso deixamos para os cristãos, muçulmanos, nacionalistas, bolcheviques. A nós, a única coisa que nos motiva é a liberdade sem restrições e a paixão pela vida, por isso lutamos pela Libertação Total. É por isso que a nossa guerra é contra a domesticação e a dominação. Contra todo o Poder, contra toda a Autoridade, contra todo o existente.

A partir do momento em que nos assumimos como anarquistas sem culpabilidade alguma, implicitamente assumimos a ilegalidade na nossa ação, aceitando as consequências da guerra anárquica. Sabemos, de antemão, o que se nos depara: a repressão sob todas as suas facetas, deportação, prisão, morte. Esses são os riscos consequentes com a nossa praxis, riscos que todxs os que elegeram a luta contra toda a Autoridade assumiram. Mas não por um mundo melhor nem por uma luminosa sociedade futura, nem em nome de uma classe ou causa, nem sequer esperançados na concretização da cada vez mais inacessível Revolução Social; também não é por um preço a pagar, antes sim por um peso a tirar. Faz-lo pelo prazer que produz dar rédea solta a todas as paixões, pelo gozo de viver intensamente, confrontando dia a dia a morte em vida que o sistema de dominação nos impõe, pela satisfação de se ser anarquista até às últimas consequências, pelo deleite de dar impulso aos empenhos de destruição do levante anárquico.

Na noite de 22 de Maio de 2009 o nosso querido Mauri não decidiu se imolar em nome de nenhuma causa, nem concluiu que tinha chegado a hora para se sacrificar por um amanhã melhor. Naquela noite fatídica, Mauri acomodou na sua mochila a bomba artesanal – com a qual daria um novo golpe no poder. Seria um novo ataque – não o primeiro nem o último – desta vez contra a Escola de Gendarmeria de Santiago e faria isso com alegria, com aquele espírito lúdico que o caracterizou, assumindo os perigos da guerra anárquica tal como todos nós fazemos a partir do conflito diário. Mas quem ama a vida aborrece o seu opressor, detesta com furor a quem causa a morte e confronta-o em todas as latitudes.

Naquele 22 de Maio, Mauri saiu para iluminar a noite de Santiago, procurando dar vida à Anarquia, com a paixão que guiava seus passos, propagando a energia negativa da fúria anárquica, senhor absoluto de sua vida em plena liberdade. Naquela noite, a morte de nós o arrebatou, deixando as Fúrias presas nos nossos corações. Levou-o sem pedir permissão, tal como havia roubado vinte e dois dias antes a companheira Zoé Aveilla, enquanto esta instalava uma bomba ao alvorecer do dia 1º de Maio, tal como nos poderia ter arrebatado a cada um de nós, sem por isso desistir de jogar o jogo uma vez mais.

Hoje, as Fúrias continuam a nos incitar para não parar de lutar até que a raiva seja libertada, criando uma potência no eu que é ao mesmo tempo o seu próprio significado. Como na mitologia grega, as Fúrias nos exortam a combater e a não esquecer os caídos. Heráclito nos lembra que “Mesmo que o próprio Sol tentasse abandonar o seu curso, as Fúrias encontrá-lo-iam “. É por isso que o arqué da anarquia – ontem, hoje, amanhã e sempre – é a guerra contra toda a Autoridade.

Nos nossos dias, a melhor homenagem ou comemoração a Mauri é recarregar centenas de milhares de extintores, realizar incontáveis expropriações, facilitar múltiplas fugas, confrontar com unhas e dentes esta morte em vida que nos impõem. A paz é a desmemória  e o esquecimento: demos ânimo à criatividade destruidora, ampliemos a guerra anárquica a todos os confins da Terra, procuremos dar vida â Anarquia.

Pela Internacional Negra!

Gustavo Rodríguez,
Planeta Terra, 20 de Maio 2018.

em espanhol

México, Oaxaca: Atentado explosivo contra Banco Santander

QUE A MEMÓRIA HISTÓRICA SEPULTE AQUELXS QUE CONDENEM A PASSAGEM À OFENSIVA CONTRA A AUTORIDADE!

Após vários meses de preparação – com vista a se direcionar os objetivos – decidimos começar a atacar cada um desses miseráveis símbolos e figuras que representam o poder e a autoridade. E que melhor instante seria do que ao recordar o compa insurreto Mauricio Morales – nove anos passados da sua morte – ao fazer a guerra que desde sempre tem estado declarada por todos xs indivíduxs que num ato de violência e amor se negam a aceitar o condicionamento que qualquer tipo de dominação impõe. Todxs aquelxs que em conspiração informal dão rédea solta aos seus mais puros desejos de agitação e guerra, não pedindo direitos nem justiça, apenas objetivando a libertação total.

Assim, na madrugada de 25 de Maio, colocámos um dispositivo explosivo numa sucursal bancária Santander, na cidade de Oaxaca, causando danos aquela.

POR CADA COMPANHEIRO CAÍDO!
POR CADA COMPANHEIRO PRESO!
POR CADA COMPANHEIRO FUGITIVO E PERSEGUIDO POR CADA ATAQUE FRONTAL E SEM MEDIAÇÃO!
PELA LIBERTAÇÃO TOTAL!
GUERRA AO ESTADO!

Brigada de Ação Informal Bruno Filippi

em espanhol

[Brasil] Mês pela Terra e contra o Capital: Autonomia, Combate, Resistência

Mês pela Terra e contra o Capital: Autonomia, Combate, Resistência

Respondendo ao chamado pelo mês pela terra e contra o capital, aconteceu, em junho na Okupa Viúva Negra em Novo Hamburgo (RS) uma atividade onde compartilhamos alguns exemplos de luta pela terra e contra o capital na região.

Os exemplos foram focados sobretudo em relatos das lutas dos povos originários cuja relação com a terra se opõe diretamente aos projetos desenvolvimentistas que buscam aniquilar qualquer outra forma de vida ou relação com a terra que não seja a da propriedade e/ou da produção.

Mencionou-se às retomadas dos Guarani Mbya que há um par de semana atrás retomaram, de forma autônoma, uma das suas terras ancestrais, conhecida como “Fazenda do Arado Velho”, situada no bairro Belém Velho, na beira do lago Guaíba, onde chegaram de barco e montaram seu acampamento. Também a retomada Guarani Mbya de Makiné que existe há um ano. Como qualquer confrontação direta com os poderosos, donos do capital, do Estado e da terra é propensa à repressão, os Guarani sofreram ameaças por parte de seguranças privados do local que estava reservado à construção de condomínios de luxo, projeto que está sendo barrado pela retomada dos Guarani! Também mencionamos o caso das retomadas autônomas Kaingang pela região do Alto Uruguai, região, hoje, cercada pelo agronegócio. Em Vicente Dutra, em uma terra retomada que aconteceu em julho de 2016, os Kaingang plantaram 4000 pés de araucárias buscando fortalecer sua autonomia.

Lembramos também da legitimidade do uso da violência, seja para defender a Terra dos exploradores, seja para atacar os inimigos e vários lutadores encontram-se hoje nas cadeias por lutar contra o agronegócio. Três Kaingang seguem presos desde 2016 em Sananduva sendo acusados pela FARSUL de incêndio e formação de quadrilha. Seja ou não uma montagem por parte dos grandes proprietários rurais ligados com a polícia, reafirmamos nossa solidariedade com os presos e perseguidos.

Além dos exemplos locais, falamos também da situação do Machi Celestino Cordova, Mapuche preso na penitenciária de Temuco (Chile) há 5 anos, cumprindo uma pena de 18 anos. Além de evidenciar a perseguição dos Mapuche, exemplo claro da continuidade do estado etnocida chileno, ressaltamos sua luta radicalmente anti-estatal como exemplo feroz de luta pela terra e contra o capital. Conscientes das diferenças históricas entre as diversas regiões da América Latina, sabemos que a luta pela terra e contra o capital se compõe de diversas expressões e estratégias inscritas contextos diferentes, e a troca de experiências só poderá nutrir ainda mais nossas lutas.

Como anarquistas, nos fraternizamos com essas lutas sem procurar que elas cumpram com nossas expectativas antiespecistas ou antipatriarcais, para dar uns exemplos. Não procuramos neles, novos “militantes” anarquistas nem queremos nos apropriar de lutas que não nos pertencem, porém manifestamos, e sempre o faremos, nossa solidariedade mais que em palavras, a quem está disposto a entregar sua vida numa luta contra a hegemonia do capital e a onipresença do estado.

A luta pela terra e contra o capital não se limita aos exemplos que mencionamos acima. As portas do ataque contra os inimigos da terra, aqui e agora, estão sempre abertas para a imaginação dos rebeldes. São infinitas as formas de lutar, desde retomadas de terra, a ocupações de Zonas a Defender, à destruição material de símbolos e expressões da devastação da terra. Enquanto tenhamos claro que a luta que levamos a cabo se fortalece na expansão da nossa solidariedade com xs que lutam contra inimigxs comuns sabendo respeitar nossas próprias diferenças, seguiremos abrindo os caminhos da luta multiforme que potencializa a destruição das relações de poder, do capital e do Estado.

Para terminar, mandamos um salve a todxs xs que, enfrentando as adversidades e as consequências de uma vida em combate, seguem dando guerra ao estado e o capital, lutando por um mundo em que a terra não seja vista nem como propriedade, nem como simples meio de produção.

Celestino Cordova na rua já!
Liberdade a Leonir Franco preso em Sananduva por lutar pela terra!
em pdf para descarregar aqui

[Brasil]”Condenados: Incorrigíveis!!” comunicado da Biblioteca Anárquica Kaos

recebido a 20.07.18

Condenados: Incorrigíveis!!

Já que estamos contra tudo que atente contra a liberdade, hoje estamos contra a condenação dos 23 detidos pelos protestos de 2013 e 2014 no Rio de Janeiro.

A liberdade do outro estende a minha ao infinito – M. Bakunin

23 pessoas, no Rio de Janeiro, foram condenadas na “Operação Firewall” por atos violentos, formação de quadrilha, dano qualificado, resistência, lesões corporais e posse de artefatos explosivos a penas que vão de 5 a 13 anos de prisão em regime fechado pelo Juiz Flavio Itabaiana da 27ª vara criminal de Rio de Janeiro. Todos eles foram perseguidos pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática que foi a polícia política da Copa e dos Jogos Olímpicos, a mesma que monitorou os protestos em Porto Alegre e São Paulo.

Não é à toa que a operação repressiva recebe esse nome: Firewall (parede de fogo) que é o nome dum dispositivo dentro de uma rede de computadores que tem como objetivo aplicar um protocolo de segurança num ponto dessa rede, esse Firewall evitaria os elementos nocivos dentro da rede de computadores. Os meios e tecnologias de comunicação são usados como ferramentas de controle e repressão (disso sabemos já há tempo) mas, esta vez, foi o claro exemplo da potencialidade destes recursos para fins repressivos.

Segundo o Juiz (num ato de benevolência) não foi decretada a prisão preventiva para os condenados poderem recorrer, sob medidas cautelares, à condenação. Mas esta condenação, ainda com essa possibilidade de recorrer em “liberdade”, para nós, é o precedente para saber onde nos querem (encerrados). E essa condenação, agora, precisa virar o precedente para a agitação contra a sociedade carcerária, para a agitação pela solidariedade.

Sendo reprimidxs também há pouco pela Operação Erebo, o mínimo gesto que podemos fazer diante dessa condenação é manifestar a contundente solidariedade a través do chamado a agitação combativa e solidária contra a condenação.

Mas não sob a bandeira de estar contra a criminalização do protesto. O protesto não pode ser contido nas regras do legal ou ilegal, do criminal ou do inocente, do permitido ou do proibido. O protesto desborda essas lógicas precisamente porque caminha no sentido contrário a elas. Estamos contra a repressão porque o sistema de dominação inteiro é uma repressão constante e qualquer um que percebe isso e age contra, protesta, sai nas ruas, quebra material e individualmente com essa dominação. Quem se rebela contra a ordem existente sempre será considerado “criminoso”, porque o “crime” dos protestos é o sintoma de não termos nos submetido totalmente à dominação. Se lutarmos sob a bandeira de “protesto não é crime”, aceitaríamos e legitimaríamos a existência das prisões e sendo anarquistas, como somos, amamos a liberdade e somos inimigos irreconciliáveis das gaiolas.

Como não sair nas ruas contra os espetáculos que justificaram limpezas sociais? Como ficar indiferente diante da remoção, militarização e o enfeite das cidades para o passeio e turismo dos burgueses que foram a Copa e os Jogos Olímpicos? Tristeza grande saber que ao grito do gol ou no entusiasmo duma medalha de ouro há quem se esqueça dos atropelos, das mortes e políticas genocidas que são produzidas por este espetáculo. E alegria infinita saber que os incorrigíveis saíram e quebraram tudo, até o pretendido controle das “autoridades” que investiram milhões em segurança.

O protesto violento é o mínimo gesto de sensibilidade que temos diante da opressão dominadora que pretende se expandir como a vida “normal”. É o sinal de que ainda sentimos a crueldade da devastação, da guerra não declarada e como os animais diante do domador… reagimos contra a chibata.

Contra as condenações, nossa agitação permanente.
Solidariedade para xs que lutam!

Biblioteca Anárquica Kaos

Os 23 condenados pelos protestos do 2013 no Rio de Janeiro são:

•   Elisa Quadros Pinto Sanzi, condenada a 7 anos de prisão
•   Luiz Carlos Rendeiro Júnior, condenado a 7 anos de prisão
•   Gabriel das Silva Marinho, condenado a 5 anos e 10 meses de prisão
•   Karlayne Moraes da Silva Pinheiro, condenada a 7 anos de prisão
•   Eloisa Samy Santiago, condenada a 7 anos de prisão
•   Igor Mendes da Silva, condenado a 7 anos de prisão
•   Camila Aparecida Rodrigues Jordan, condenada a 7 anos de prisão
•   Igor Pereira D’Icarahy, condenado a 7 anos de prisão
•   Drean Moraes de Moura, condenada a 5 anos e 10 meses de prisão
•   Shirlene Feitoza da Fonseca, condenada a 5 anos e 10 meses de prisão
•   Leonardo Fortini Baroni, condenada a 7 anos de prisão
•   Emerson Raphael Oliveira da Fonseca, condenado a 7 anos de prisão
•   Rafael Rêgo Barros Caruso, condenado a 7 anos de prisão
•   Filipe Proença de Carvalho Moraes, condenado a 7 anos de prisão
•   Pedro Guilherme Mascarenhas Freire, condenado a 7 anos de prisão
•   Felipe Frieb de Carvalho, condenado a 7 anos de prisão
•   Pedro Brandão Maia, condenado a 7 anos de prisão
•   Bruno de Sousa Vieira Machado, condenado a 7 anos de prisão
•   André de Castro Sanchez Basseres, condenado a 7 anos de prisão
•   Joseane Maria Araújo de Freitas, condenada a 7 anos de prisão
•   Rebeca Martins de Souza, condenada a 7 anos de prisão
•   Fábio Raposo Barbosa, condenado a 7 anos de prisão
•   Caio Silva de Souza, condenado a 7 a anos de prisão

em pdf para descarregar aqui

Chamado a 20 anos do assassinato de Cláudia Lopez: Nenhum Minuto de Silêncio, Toda uma Vida de Combate!

recebido a 06.07.18

A partir dos cantos mais inquietos da memória nos auto convocamos – tanto enquanto companheirxs que conheciam a Cláudia numa base de fraternidade rebelde como também aquelxs de nós que, sem a terem conhecido, se reconhecem na sua experiência de vida e de luta – para continuar o combate ao esquecimento, colaborando para não deixar que a história se escreva por si só, somando-nos àquela torrente de recordações que decantou em práxis e resistência, multiplicando-se e expandido-se através de bibliotecas, centros sociais, atividades, combates na rua, ações, faixas, murais e panfletos.

Desta vez – a partir do nosso olhar, da nossa recordação, com raiva e dor, com as nossas derrotas parciais mas também com as custosas vitórias – pretendemos erguer, longe das verdades inquestionáveis, um exercício/práxis de memória e voltar a percorrer os passos que levaram nesse 11 de setembro a companheira Cláudia López, a “chica” Cláudia, com os seus 25 anos, a caminhar até à povoação La Pincoya, onde deixou a sua vida na rua, assassinada pelas balas policiais, tiros garantidos por um Estado sempre ao serviço do capital e dos poderosos. Destes fatos e desta realidade não há dúvida alguma, apesar da infâmia jornalística ou manobras jurídico-policiais.

O facto da “chica” ter estado nessa noite em La Pincoya não obedece à casualidade ou a algum impulso rebelde momentâneo – antes sim a uma decisão e a um caminho traçado desde há anos em lutas e confrontos na rua, tanto nas universidades como em diversas povoações, tal como na sua participação ativa em coordenações combativas, somando forças entre distintas experiências autónomas e lutas anti-estatais.

Ao longo destes anos, muito se comentou com respeito à militância política da companheira – sem lugar a dúvidas não pode ser compreendida a partir de categorias únicas e determinantes pois eram tempos em que a partir de um acertado questionamento a um marxismo dogmático por parte de quem apostava por revitalizar uma prática ofensiva contra o poder e o capital, se gera uma aproximação entre tendências de um marxismo revolucionário e a autonomia com o anarquismo. É nesse espaço que a Cláudia se movia, sem negociar com tonalidades médias.

Eram tempos também de sequelas palpáveis de uma transição nauseabunda, tempos de consolidação de um capitalismo selvagem, concebido sob o resguardo dos fuzis e botas militares e de modo servil administrado pelos governos “concertacionistas” da época; tempos em que muitxs baixaram a guarda – sob a falácia de que deslocada que foi a besta ditatorial a luta carecia de sentido – negando-se a aceitar que continuavam mandando os mesmos numa democracia, uma forma mais sofisticada de um regime autoritário. Neste contexto, também existiram muitxs que, com base numa lucidez insurreta, optaram por manter viva uma chama rebelde e combativa para assim fazer frente a uma realidade asfixiante, Cláudia estava entre elxs.

É por isso que, sem medo a nos equivocar, mantemos a claridade do caminho da “chica” Cláudia – das lutas secundárias durante os últimos anos da ditadura aos combates durante a transição democrática – compartilhando trincheira com ela,  resgatando a relação de companheirismo que forjamos, organizando-nos por afinidade, com objetivos comuns, pisando as mesmas ruas, defendendo as mesmas barricadas que não pararam de levantar-se até hoje.

Passaram 20 anos desde que aquelas balas policiais crivaram o corpo da “Chica”; hoje, longe dos suportes judiciais e dos cantos vitimistas, procuramos armar a nossa memória com ofensiva e combate, unindo distintas gerações para dar continuidade à luta contra a ordem imperante. Resgatar a história da Cláudia não é só resgatar um passado relativamente recente, mas também tirar do esquecimento experiências e vivências para projetar a luta a partir do presente. Procuramos sabotar a maquinaria da amnésia fazendo propagar a dança rebelde da companheira em todos os cantos onde surjam caminhos de negação ao mundo dos poderosos. As balas que assassinaram Cláudia continuaram a assassinar diversxs companheirxs e ainda permanecem impacientes para serem descarregadas em qualquer que questione o Estado.

Aproximando-se a data da nova comemoração do assassinato policial, fazemos um chamado a cada companheirx, individualidade, coletivo, grupo, organização e iniciativa para que ergam a sua própria atividade ou propaganda na variedade multiforme que possa ter a memória, tomando em suas mãos o trabalho coletivo para que esta data não passe despercebida.

A partir desta coordenadora convocaremos algumas atividades que serão difundidas atempadamente, mas sobretudo buscamos propagar e estimular a reprodução de outras iniciativas que se juntem a essas. Das ruas de “La Pincoya”, Santiago Centro ou Temuco até qualquer rua nas urbes de outros países, que a memória saiba viajar e ser traduzida no único idioma possível, o do conflito com o existente e a lembrança dxs nossxs mortxs.

A 20 anos dos assassinato da companheira Cláudia López, retomamos a frase que a companheira criou em seu momento: Juventude Combatente, Inssurreição Permanente!

Coordenadora a 20 anos do assassinato da companheira Cláudia López
Território austral dominado pelo capital e estado chileno.
https://todaunavidadecombate.wordpress.com