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Argentina: Chernobyl para todxs

nuclear 2Entre 17 e 21 de Novembro realizou-se, em Bariloche, a 16ª Conferência Internacional do Grupo Internacional de Reatores Experimentais. Esta organização, que se reúne anualmente, constitui a vanguarda científica internacional em torno do potencial do uso da fissão nuclear para geração de energia.

O interesse do Estado Argentino na utilização da energia nuclear para uso comercial não constitui nenhuma surpresa. Durante a visita de Putin, em Julho, Cristina Kirchner declarava «o nosso país é líder na geração de energia nuclear com fins pacíficos, somos líderes não só científicos mas também em matéria de não proliferação». É tranquilizador saber que vivemos sob o controle de umas Forças Armadas que agora só aspiram a comprar aviões caça e bombardeiros israelitas e não a se armar de forma nuclear.

Nos últimos dias juntou-se a isto uma declaração dos países do Movimento dos Não Alinhados: «O MNA sublinha o direito básico e inalienável de todos os países a   desenvolver, pesquisar, produzir e utilizar energia nuclear para fins pacíficos, sem discriminação alguma e em conformidade com os seus compromissos legais». Parece que nenhuma burguesia nacional quer ficar sem a possibilidade de ter o seu próprio Chernobyl. Nesta cruzada estão a incorporar prémios Nobel e ambientalistas que afirmam que a energia nuclear constitui um contributo  substancial para a luta contra o aquecimento global. Será por esta razão que há décadas que andamos a ser bombardeadxs com estas bugigangas ideológicas, com estes objetivos reformistas falsos?

Há pouco mais de um mês foi anunciado que a Central de Cisão Nuclear Nestor Kirchner–Atucha II chegou a 75% da sua potência máxima esperada  (525MW). Esta central – cuja construção esteve parada mais de 20 anos – recomeçou as suas obras em 2006 e, no princípio deste ano, a sua conclusão foi motivo de celebração nas figuras do governo e da burguesia industrial da região.

Nestes tempos sombrios – onde a ciência toma o lugar que já teve o catolicismo, com a razão na mão tal como a fé de seus antecessores – é saudável que façamos memória das nossas lutas de classe contra a alienação, a destruição do meio ambiente e a proliferação de tecnologias que claramente estão fora do controle humano e que contra nós se voltam.

Recordamos como, em 1984, xs proletárixs do País Basco conseguiram conter a construção da central nuclear de Lemoniz, a que se seguiram anos de lutas sociais generalizadas. Tampouco nos esquecemos do assassino Felipe González  e do seu Partido Socialista Obreiro Espanhol que, num truque político desprezível, assinou a moratória nuclear, tentando cavalgar os louros de uma luta social corajosa.

Para além disso na Alemanha, em 1986, centenas de manifestantes atacaram a bófia que vigiava o local de construção da central de Wackersdorf. Dois anos depois a construção foi abandonada.

Em Itália, anos de estratégia descentralizada de sabotagem sistemática ao programa nuclear do Estado viram os seus frutos quando, em 1990 – após a controvérsia que se seguiu a Chernobil (1986) – se encerrou a última das 4 centrais desse país. Cabe ressaltar que, hoje em dia, uma perspectiva de luta similar é levada a cabo por dezenas de grupos anarquistas e autónomos contra os TAV (Trem de Alta Velocidade).

Há cerca de três anos ocorria o desastre da estação Fukushima I, na região central do Japão, após um terramoto e subsequente tsunami. Até hoje a burguesia não conseguiu dar versões precisas da verdadeira magnitude do desastre. Nunca saberemos ao certo o número de mortos e feridos e a quantidade de matéria filtrada aos lençóis freáticos subterrâneos e ao Oceano Pacífico.

A única chance de acabarmos com este grande desastre é desarmar a burguesia, não as centrais e armas nucleares. Terminar com este reino horrível da ciência, tecnologia e da razão burguesa para construir uma relação íntegra da humanidade comunista com o seu meio ambiente, voltando a vincular-nos à vida e decidindo colectivamente, sem ingerência de mercados e moedas e como queremos que seja a nossa comida, o nosso habitat e a energia que precisamos.

fonte: la oveja negra

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