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Bolívia: Atualização sobre o caso do compa Henry Zegarrundo [Março 2015]

A atualização foi originalmente publicada em espanhol no dia 29 de Março:

Já foi há cerca de três anos que se deu a onda de repressão de 29 de Maio de 2012, todavia o companheiro Henry Zegarrundo ainda se encontra com certas restrições – numa modalidade de prisão domiciliária na qual lhe permitem sair para algumas atividades pessoais, ver a família e trabalhar para ganhar algum sustento. Desde que o encarceraram até à atualidade foi sujeito a mais de quarenta audiências, das quais mais de trinta – já se perdeu a conta – foram suspensas.

Entretanto, o Poder pode modificar e manipular tudo à vontade, já se passaram quase dois anos desde que o juiz instou o ministério público a apresentar a acusação – caso isso não fosse feito num período de cinco dias o caso era declarado extinto (esta ordem de injunção ocorreu em Maio de 2013, quando o compa saiu para detenção domiciliária total, após estar um ano preso), mas seguidamente o juiz alterou a sua decisão e, como era de esperar, mostrou parcialidade com os seus colegas do ministério público.

Há cerca de quatro meses, uma audiência foi marcada para resolver o incidente mencionado no parágrafo anterior, a defesa conseguiu que o ministério público ficasse fora do caso, no entanto, até agora, o tribunal não notificou as partes para que corram os cinco dias e, se o ministério público não apelar ou acusar, o caso se extinga (essa notificação deveria estar pronta alguns dias depois da audiência), isto em relação à acusação de terrorismo; em relação à outra, a acusação de tentativa de homicídio, na qual a denunciante é a ex-vice-ministra do meio ambiente, só foi apresentada uma denúncia desde Outubro de 2011 e um relatório ambíguo da unidade de explosivos, no qual nem sequer podem explicar o que é que sucedeu. No entanto, não existe uma montagem no sentido dos atentados terem sido inventados, algumas células atacaram estruturas físicas do Estado/Capital, de 2011 a 2012, mas em todo este delírio do Poder para mostrar a sua “omnipotência”, inventaram-se provas e conseguiram-se induzir pessoas que supostamente lutam contra o sistema dominador e patriarcal a fazer declarações delatoras. Todo esse vaivém de “provas”, essas declarações, as alegações e ainda a informação dos infiltradxs no movimento libertário armaram o caso, determinando que existe uma organização anarquista com vínculos internacionais e financiamento internacional, e inclusive “criminalizaram” a solidariedade internacionalista, com companheirxs sequestradxs por outrxs estados e, a nível local, com povos e lutas indígenas.

Durante o processo, o poder manipulou muitas das ações, certamente ter-se-à falado de montagem – como ofensiva, não como posição de vítimização – no sentido de compartilhar com xs compas experiências que lhes possam servir para enfrentar o inimigo perante factos nefastos que o Poder utiliza; só para mencionar algumas, nos cadernos de investigação há coisas estranhas: Na primeira evasão de domicílio que fizeram ao companheiro, aparece o nome de um suposto vizinho que era testemunha quando revistaram o domicílio de seu pai e mãe, o dito vizinho nem sequer existe, inventaram-no. Na segunda evasão, desta vez no seu domicílio enquanto se encontrava sequestrado nas celas da polícia, puseram lá uma agenda, que não é sua – no momento de requisitar os seus pertences “encontram-na” como se estivessem a descobrir “mais uma prova” para o acusar.

A situação atual do companheiro não se alterou, excepto a existência de “medidas alternativas”, com uma suposta maior “flexibilidade”, já que para estxs servxs do poder nunca deixou de representar um perigo para a sua sociedade acomodada.

Solidárixs

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