Arquivo de etiquetas: perseguições políticas

[Federação Russa] Apoio ao prisioneiro político anarquista Evgeny Karakashev

recebido a 05.04.18

Apelamos à solidariedade e apoio ao anarquista Evgeny Karakashev, da Crimeia. Teve início a recolha de fundos para cobrir as despesas com a defesa.

Evgeny nasceu a 21 de Agosto de 1978. Vive em Yevpatoria, na Crimeia. Trata-se de um activista com convicções anarquistas. No dia 1 de Fevereiro de 2018 Karakashev foi detido, no dia 2 foi preso por suspeição de ter cometido crimes contemplados na Parte 1 do Art. 282 (incitamento ao ódio e inimizade) e na Parte 2 do Art. 205.2 (apelo público ao terrorismo) do Código Criminal da Federação Russa. Encontra-se em prisão preventiva desde 2 de Fevereiro de 2018.

Descrição do caso

No dia 1 de Fevereiro de 2018, Evgeny Karakashev foi detido por agentes da polícia em Yevpatoriya. A jornalista Alyona Savchuk escreveu nas redes sociais que procuraram Karakashev no dia da detenção. “Levaram-no violentamente: alguns homens à paisana forçaram a entrada, não se identificaram, atiraram-no imediatamente para o chão, agarraram-no, algemaram-no com as mãos atrás das costas. Evgeny afirma que foi algemado até às instalações de detenção temporária. Tem uma grande escoriação no lado direito da testa. Só à noite é que Karakashev conseguiu telefonar a um amigo e pedir-lhe para encontrar um advogado” – diz Savchuk – “O investigador Abushayev disse que não se recorda durante quanto tempo Karakashev esteve algemado, 5 minutos ou 3 horas, e que Karakashev «se ofereceu» para ir a esquadra voluntariamente”.

No dia 2 de Fevereiro de 2018, o Tribunal da cidade de Evpatoria prendeu Evgeny por 2 meses por suspeição de «incitamento ao ódio e à inimizade» e «apelos públicos ao terrorismo».

Resulta do despacho relativo à instauração do processo penal que, de acordo com a investigação, Karakashev publicou um vídeo numa das suas páginas na rede social «VKontakte», no final de 2014, que alegadamente apela ao terrorismo. Além disso, de acordo com o relatório, em Janeiro de 2017 Karakashev postou de uma outra conta, num chat com 35 pessoas, um texto que contém sinais de “propaganda de ideologia violenta” e “apelos a actividades terroristas”. Não se especifica exactamente o que terá Karakashev publicado, no entanto o documento afirma que os peritos investigaram um «teletexto, que começa com as palavras “usar granada contra” e termina com as palavras “nas janelas das autoridades, boa sorte”».

É óbvio que a razão para iniciar um caso criminal foi o vídeo “Chamada Vídeo dos Guerrilheiros de Primorsky”, publicado na rede social “VKontakte”, no qual os guerrilheiros explicam os motivos das suas acções. Este vídeo é entendido na Rússia como sendo extremista, por “incitar ao ódio contra um grupo social específico” [a polícia].

De acordo como o advogado Alexei Ladin, o próprio Evgeny Karakashev acredita que o início do caso criminal contra si e sua subsequente prisão se relacionam com o seu activismo: ele opôs-se a uma construção numa zona de lazer em Yevpatoriya, perto de um lago. Evgeny é um anarquista e antifascista. Karakashev tomou sempre uma posição civil activa, participou, por exemplo, num protesto junto ao edifício do FSB em Simferopol, e em Novembro de 2016 tencionou organizar uma acção “contra a brutalidade policial na Crimeia”, junto ao edifício do Ministério do Interior de Evpatoria. Esta acção foi interdita pelas autoridades locais. Depois deste incidente, Evgeny foi chamado pelo staff dos ditos órgãos policiais e convidado a dar explicações, Evgeny recusou dar qualquer testemunho.

Sinais de motivação política para a sua perseguição

É muito provável que o caso criminal contra Evgeny Karakashev tenha sido despoletado no contexto das suas actividades públicas de oposição política como participante das acções de protesto na Crimeia. No contexto da perseguição de activistas de extrema esquerda e antifascistas desde Janeiro de 2018, o caso de Karakashev parece ter uma motivação claramente política.
Deste modo, as circunstâncias da acusação levam-nos a acreditar que a detenção de Evgeny Karakashev foi um meio para acabar com as suas actividades públicas.

Ao mesmo tempo, a detenção foi aplicada em violação do direito a um julgamento justo, e a outros direitos e liberdades garantidos pela Constituição da Federação Russa, pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos e pela Convenção Europeia para a Protecção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais, baseando-se-se na adulteração de provas do alegado crime na ausência de elementos de delito de ofensa.

Como se pode ajudar: Pode-se transferir dinheiro pelo sistema Paypal: o nosso endereço é abc-msk@ riseup.net  Por favor mencionar “para Evgeny Karakashev”

Endereço prisional de Evgeni:
Karakashev Evgeni Vitalevich, bul. Lenina 4, 295006 Simferopol,
Respublika Krym, Russia.

Nota que na prisão apenas se aceitam cartas em Russo.

Cruz Negra Anarquista de Moscovo

fonte: avtonom.org

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Sydney, Austrália: Solidariedade com anarquistas presxs

Liberdade para xs anarquistas russxs
Antifascista

Em resposta ao apelo de solidariedade vindo dxs companheirxs na Rússia, no dia 18 de Março, dia das eleições russas,  um grupo de anarquistas em Sydney concentrou-se junto ao consulado da Rússia. Distribuímos panfletos sobre a situação dos anarquistas e antifascistas presxs na Rússia  e entoaram-se palavras de ordem contra a polícia, prisões e regime de Putin.

em inglês

 

Balanço da repressão contra anarquistas na Rússia – 2017 e primeiros meses de 2018

A Cruz Negra Anarquista de Moscovo publicou um balanço da repressão contra anarquistas – exercida pelo estado russo durante 2017 e inícios de 2018. Nesse período, as autoridades continuaram a incriminar e a perseguir companheirxs na Federação Russa. Xs anarquistas são também alvo de repressão nas prisões. Segue-se um extracto da recentemente publicada lista da repressão na Rússia.

S. Petersburgo e Penza

Em Outubro de 2017, os Serviços Especiais Russos (FSB) fabricaram um caso criminal, de larga escala, contra anarquistas e antifascistas – os quais a FSB declara serem membxos de uma organização terrorista com o nome The Network. As autoridades russas alegam que xs acusadxs planearam e prepararam actos terroristas a conduzir durante as próximas eleições
presidenciais em Março de 2018 e durante a Taça do Mundo que terá lugar no Verão do mesmo ano.

Em Penza, Yegor Zorin, Ilya Shakursky, Vasily Kuksov, Dmitry Pchelintsev, Arman Sagynbaev e Andrei Chernov foram detidos. Em S.Petersburgo, a polícia prendeu Victor Filinkov e IgorShishkin. Ilya Kapustin é neste momento testemunha. As famílias dos detidos relatam que
estes foram torturados para deles obterem confissões. Todos os detidos neste caso estão numa situação difícil, sob a ameaça de repetição de tortura, e têm grande necessidade do teu apoio e da tua solidariedade.

Podes fazer um donativo para apoiar os custos legais aqui. Os detidos ficarão também felizes por receberem cartas de apoio. Aqui estão os seus endereços:

S. Petersburgo:
191123, St. Petersburg, Shpalernaya St., 25 PKU SIZO-3 of the Federal
Penitentiary Service of Russia
Shishkin Igor Dmitrievich
Filinkov Victor Sergeevich

Penza:
PKU SIZO-1, st. Karakozova, 30, Penza, Penza region, Russia, 440039
Shakursky Ilya Alexandrovich
Pchelintsev Dmitry Dmitrievich
Chernov Andrey Sergeevich
Sagynbaev Arman Dauletovich

Moscovo
Dois activistxs, Elena Gorban e Alexei Kobaidze, são acusadxs de dano criminal da sede do Partido Russia Unida de Putin. Elxs foram acusadxs, no fim de Janeiro de 2018, depois de activistas desconhecidxs terem partido a janela de uma das filiais do Partido Russia Unida em Moscovo e de terem ateado um fogo em protesto contra a próximas eleições presidenciais.

“Não importa quem seja presidente, a sua política é sempre a opressão e a exploração das pessoas simples que trabalham. Nós, enquanto anarquistas, oferecemos auto-governo e democracia directa em troca de presidentes e outras instituições estatais. Junta-te à nossa luta!” – – disseram as pessoas responsáveis pela acção na sua declaração.
A polícia invadiu os apartamentos em que Gorban e Kobaidze viviam, a 13 de Fevereiro. Depois dos interrogatórios, xs activistas foram libertadxs sob fiança, e estão agora fugitivxs.

Chelyabinsk: caso criminal por faixa anti- FSB
Em Chelyabinsk, cinco activists foram detidxs a 19 de Fevereiro de 2018 depois de uma acção perto da filial local do FSB. Pessoas desconhecidas penduraram uma faixa com a inscrição “FSB – o maior terrorista” e atiraram uma bomba de fumo por cima da cerca das instalações do FSB. A acção foi realizada em apoio dxs anarquistas presxs em Penza.

Activistas, que preferem que os seus nomes não sejam publicados, relatam que os agentes do FSB xs torturaram com uma arma de choques eléctricos, exigindo que admitissem que tinham pendurado a faixa. Elxs foram entretanto libertadxs sob fiança, mas na condição de não saírem do país nem mudarem de residência. Podes ajudá-lxs com os custos legais transferindo dinheiro para a conta da Cruz Negra Anarquista.

Crimeia:

Yevgeny Karakashev preso por “justificar o terrorismo”. Em Fevereiro de 2018, o FSB da Crimeia prendeu o anarquista Yevgeny Karakashev. Acusado de “incitamento ao ódio” e “justificação de
terrorismo” ou, por outras palavras, por postar um vídeo na página do meio de comunicação social Russo VKontakte. Karakashev está actualmente detido.
Eugene é activista há já algum tempo. Antes da sua detenção, participou num piquete perto do edifíco do FSB em Simferopol, na Crimeia, e em Novembro de 2016, acompanhado por pessoas
com afinidades políticas, planeou um piquete “contra a arbitrariedade da polícia na Crimeia” junto ao edifício do Ministério do Interior. Este piquete foi banido pelas autoridades locais.

Perseguição Administrativa de Anarquistas

Em Janeiro de 2017, no aniversário do assassinato político do advogado Stanislav Markelov e da jornalista Anastasia Baburova, organizaram-se eventos em memória delxs por todo o país e que a polícia tentou interromper. Anarquistas foram detidxs em Moscovo, S. Petersburgo, Murmansk e Sevastopol. A polícia realizou outras detenções este ano, durante as acções em homenagem de Markelov e Baburova.

A 23 de Fevereiro de 2017, dúzias de pessoas foram detidas no festival antimilitarismo esquerdista “Desertir Fest”, no sudoeste de Moscovo. O festival foi organizado em protesto contra o recrutamento militar. A polícia considerou esta causa radical e portanto indevida. Em 2018 o festival não aconteceu porque a polícia o impediu antecipadamente.

Em Irkutsk, em Abril de 2017, foram realizadas buscas com a participação de uma unidade do SOBR (Forças Especiais Russas) e do Centro de Combate Contra o Extremismo. Nove pessoas foram detidas. Foi aberto um caso criminal sob o Artigo 148 do Código Criminal (insulto à religião) contra um dos activistas – Dmitry Litvin –. Xs restantes foram interrogadxs como testemunhas neste caso – xs próprixs detidxs estavam certxs de que a principal razão é outra: xs anarquistas locais são xs mais activos participantes da vida política da cidade e intensificaram os protestos repetidamente.

Em Novembro de 2017, quando xs antifascistas russos tradicionalmente homenageiam Timur Kacharava, um músico e antifascista assassinado por neo-nazis, a polícia interrompeu as homenagens. Como resultado, uma pessoa foi presa.

Perseguição de activistas russxs no estrangeiro

Em Abril de 2017, o anarquista Alexei Polykhovich foi deportado da Bielorússia, após 12 dias de prisão por participar numa manifestação em Minsk, onde as pessoas protestaram contra novos impostos. Durante o Verão, na cidade bielorussa de Baranovichi, a polícia de intervenção interrompeu uma palestra de Alexei Sutugi. O tema da palestra era a resistência às autoridades a partir da prisão. Quase todxs xs presentes foram detidxs até à noite. A 12 de Outubro, um tribunal local decretou que os materiais confiscados na palestra eram extremistas.

Em Outubro de 2017, na cidade bielorussa de Grodno, a polícia de intervenção interrompeu uma palestra do filósofo Pyotr Ryabov. Pyotr Ryabov é um simpatizante da causa anarquista e professor de filosofia na Universidade de Pedagogia do Estado de Moscovo. É especialista na história do pensamento anarquista. Depois de uma palestra intitulada “Movimentos Informais na Bielorússia 1991-2010”, em Baranovichi, Ryabov foi sentenciado a 6 dias de prisão por “disseminação de materiais extremistas”.
Depois disso, o Departamento de Cidadania e Migração local decidiu deportar Ryabov e decidiu impedi-lo de entrar no país durante 10 anos.
Em Moscovo, organizaram-se uma série de piquetes contra a prisão de Pyotr Ryabov, em frente da embaixada da Bielorússia.
“O estado sobrestimou a minha contribuição para a propaganda revolucionária: muitas das minhas palestras geraram menos revolta do que a sua proibição. Creio que o problema é o termo «anarquismo». As autoridades lembram-se do facto dos anarquistas terem sido condenados pelo incêndio da embaixada russa em 2010, e do facto dos anarquistas, em muitos casos, organizarem protestos massivos contra a lei do parasitismo”, disse Ryabov numa entrevista depois da sua libertação.

Em 2017, anarquistas da Bielorússia foram a mais activa força de protesto contra o imposto do parasitismo que as autoridades bielorussas queriam introduzir para os desempregados.

Notícias das prisões

O anarquista da Crimeia Alexander Kolchenko celebrou o seu 28º aniversário na prisão onde está ainda detido – apesar da recente troca de prisioneiros entre a Ucrânia e a Rússia. No seu aniversário, anarquistas da Ucrânia, da República Checa e da Polónia organizaram acções de solidariedade em aeroportos.
Kolchenko foi sentenciado a 10 anos de prisão pelo caso dos chamados “terroristas da Crimeia” – participou em acções contra a entrada das tropas russas na península, em particular no incêndio da filial local do partido Rússia Unida e do gabinete da comunidade nacionalista Russa da Crimeia. Em Novembro, foi-lhe diagnosticado um “defice de peso”. Ao mesmo tempo, o FSIN negou-lhe a oportunidade de estudar in absentia numa universidade ucraniana.

Podes escrever uma carta a Alexander Kolchenko para o seguinte endereço:
456612, Chelyabinsk Region, Kopeysk, ul. Kemerovskaya, 20, IK-6,
detachment 4, Kolchenko Alexander Aleksandrovich.

Na Mondovia, o anarquista Ilya Romanov continua a cumprir a sua pena por terrorismo: uma condenação que lhe coube depois de se ter ferido com fogos de artifício em Outubro de 2013. Devido ao acidente, Romanov perdeu uma mão mas, ainda assim, foi condenado por terrorismo e sentenciado a 10 anos de prisão.

Em Abril, o ECHR considerou uma das queixas de Romanov e atribuíu-lhe uma compensação de 3,400 Euros pela detenção irracionalmente longa durante a investigação. Apesar disso, não é claro como Ilya Romanov poderá receber este dinheiro – todas as suas contas estão bloqueadas
pelo estado. Os familiares de Romanov, que tentaram transferir o dinheiro para Ilya através dos correios, foram detidos pela polícia. Em Maio, Romanov foi posto em isolamento durante quarto meses, e em Julho foi aberto um novo caso de terrorismo contra ele.

Ilya Romanov está detido em IK-22 Mordovia, no seguinte endereço:
431130, Mordovia, Zubovo-Poliansky district, st. Potma, n. Lepley.
Escreve-lhe uma carta, ele irá apreciá-la.

Finalmente livre
Em Maio de 2017, o anarquista Alexei Sutuga foi libertado da prisão. Em Setembro de 2014, Sutuga, conhecido pela alcunha Sócrates, foi condenado a três anos e um mês de prisão depois de alegadamente ter tomado parte numa rixa de café. O antifascista não admitiu culpa: ele afirma que tentou interromper a luta mas não agrediu ninguém. As vítimas neste caso eram neo-nazis russos.

Em Outubro de 2017, o antifascista de Tomsk, Yegor Alekseev, desapareceu antes de ser sentenciado por “apelos públicos a actividade extremista”, ou por ter postado um vídeo do YouTube no seu perfil de uma rede social.
Neste momento está seguro numa localização desconhecida. De acordo com Yegor, ele está decidido a esconder-se do sistema judicial russo, temendo ser condenado a prisão.

No início de Novembro de 2017, o historiador anarquista Dmitry Buchenkov evadiu-se da prisão domiciliária e está neste momento num país europeu incógnito. A sua fuga foi possível porque não tinha pulseira electrónica devido a escassez de recursos. De acordo com os investigadores, a 6 de Maio de 2012 Buchenkov terá alegadamente atacado um polícia. Ele foi acusado apesar de as provas claramente indicarem que no dia do alegado ataque ele não estava sequer presente: encontrava-se de visita à sua família, noutra cidade. Uma queixa sobre a sua prisão e perseguição politicamente motivada foi dirigida ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Esta lista foi preparada pelo coletivo da Cruz Negra Anarquista de Moscovo. Não é uma lista completa das perseguições a anarquistas pelo estado russo – a pedido de alguns/mas companheirxs, esta lista não menciona todas as desventuras dxs anarquistas da pós-União Soviética. Se quiseres ajudar, podes encontrar informação sobre como transferir dinheiro para as necessidades da Cruz Negra Anarquista Russa nesta página.

Fonte: avtonom.org/en/news

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Chamada urgente para se continuar a campanha de solidariedade com xs anarquistas reprimidxs na Rússia- Ações realizadas de 5 a 12 de fevereiro

Mais detenções e prisões: Na Crimeia, os serviços especiais detiveram o anarquista e activista social Yevgeny Karakashev (02/02). Em Moscovo, a anarquista Elena Gorban foi presa (13/02). No mesmo dia, o anarquista Alexei Kobaidze foi detido e preso. Apelamos a toda a gente para continuar a campanha de solidariedade!

Liberdade para xs anarquistas na Rússia (EUA).
Rússia.
Toronto (Canadá). FSB é o terrorista real.

De 5-12 de fevereiro, teve lugar uma semana internacional de solidariedade com xs anarquistas da Rússia. A 21 acções contra a repressão juntaram-se 21 cidades russas e um grande número de companheirxs estrangeirxs, da Bielorússia aos Estados Unidos e ao Canadá.

Foram distribuídos materiais informativos, panfletos, grafittis e stencils foram distribuídos, e foram afixadas faixas com informação sobre a repressão contra anarquistas. Organizaram-se acções em Kaliningrad, Altai, Kursk, Novosibirsk, Samara, Kemerovo, Astrakhan, Volgograd, Rostov-on-Don, Izhevsk, Penza, S. Petersburgo, Moscovo, Nakhodka, Chelyabinsk e Vorkuta.

Em Yekaterinburg, Kandalaksha, Tomsk, Sochi, Moscow, S. Petersburgo e Saratov organizaram-se piquetes informativos sobre o terrorismo do FSB (Serviços Federais de Segurança) contra anarquistas.

Em Samara organizou-se uma noite de solidariedade. Xs visitantes foram informadxs acerca da repressão contra xs anarquistas e acerca das regras básicas da conspiração. Depois mostrou-se o filme “Sacco and Vanzetti”, cuja história demonstra bem a desumanidade e a inutilidade dos sistemas estatais e dos métodos usados, até hoje, para suprimir quaisquer protestos.

Em Moscovo houve uma marcha não autorizada de anarquistas contra a ilegalidade do FSB. Várias dúzias de pessoas bloquearam Myasnitskaya – uma das ruas centrais, adjacente a Lubyanka, onde o departamento principal do FSB está localizado. A marcha passou com a faixa “FSB é o principal terrorista”.

Houve também acções de solidariedade noutros países. Na Bielorússia, anarquistas distribuíram informação acerca da repressão exercida sobre anarquistas na Rússia.
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Em Lutsk, na Ucrânia, fez-se também grafittis em solidariedade com xs anarquistas russxs.

Acções de solidariedade aconteceram em Varsóvia, Gdansk (Polónia) e Praga (República Checa).

Em Praga fez-se um concerto em apoio dxs anarquistas russxs reprimidxs. No concerto distribuiu-se informação acerca da repressão na Rússia e angariou-se fundos para a Cruz Negra Anarquista, que oferece apoio a prisioneirxs políticxs. Outras acções de recolha de fundos aconteceram na Estónia, em concertos com as bandas Ognemöt, Adrestia e Prophets V, em Tallinn e Tartu.

Organizou-se, também, um evento para ser dada informação sobre a repressão na Rússia e recolha de fundos em Budapeste, na Hungria.

Em França fez-se um jantar de solidariedade, tendo os fundos recolhidos sido enviados directamente para apoiar xs anarquistas russxs.

Houve também muitos outros eventos solidários nos Estados Unidos. Em Minneapolis fez-se uma noite de solidariedade e. em Brooklin, uma projecção de filmes. Um sítio on-line antifascista de Portland espalhou informação e recolheu dinheiro para apoiar xs anarquistas reprimidxs. No Kansas, uma manifestação de rua em apoio dxs anarquistas teve lugar. Em Nova Iorque, organizou-se um piquete junto ao consulado russo. Também representantes do Movimento Revolucionário Abolicionista de Nova Iorque expressaram solidariedade.

Acções de solidariedade aconteceram em Toronto, no Canadá. Anarquistas organizaram um piquete na mais movimentada praça da cidade, informando quem passava acerca da repressão na Rússia.

Durante meses, xs detidxs foram torturadxs e espancadxs até que concordassem em se caluniar. Foram penduradxs de cabeça para baixo, espancadxs, torturadxs com choques eléctricos. Em janeiro de 2018, várixs anarquistas foram raptadxs em S. Petersburgo. Dois suspeitxs e uma testemunha foram presxs, todxs foram torturadxs. Com esse propósito, um dxs detidxs foi levadx para a floresta, perto da cidade. Outrx foi torturadx durante mais de um dia. Mas, oficialmente, o interrogatório durou um dia – das três da manhã às três da manhã do dia seguinte. Apesar de um dxs acusadxs e uma testemunha terem feito uma declaração acerca da tortura, esta não tida em consideração pelas autoridades estatais.

O FSB está a anunciar planos de mais prisões no caso fabricado de um grupo terrorista de duas dúzias de anarquistas em Moscovo, S. Petersburgo,Penza e Bielorússia.

Também na Crimeia, os serviços especiais detiveram o anarquista e activista social Yevgeny Karakashev. A razão para a sua detenção é a participação activa de Eugene na luta social dxs habitantes desta península. No dia da detenção, o autarca de Evpatoria encontrou-se com xs manifestantes contra a construção da ponte e fez uma insinuação acerca de possíveis prisões. A razão para a prisão foi a correspondência de Yevgeny num chat de grupo numa rede social.

Imediatamente após o fim da semana de acções de apoio aos/às anarquistas russxs, a repressão teve continuidade em Moscovo. A 13 de fevereiro, de manhã cedo, a anarquista Elena Gorban foi presa. Em violação de todas as normas, Elena não teve contacto com o advogado durante várias horas, até que concordasse em admitir-se como culpada no pogrom do gabinete do partido no governo russo, “Rússia Unida”. No mesmo dia, o anarquista Alexei Kobaidze foi detido e preso, sob a mesma acusação. A razão evocada para as prisões seria uma manifestação não autorizada em Moscovo contra o terrorismo do FSB. De manhã cedo – antes do surgimento de informação nos media e na internet acerca das detenções dos anarquistas – os canais pró-governo publicaram um vídeo de uma detenção e a mensagem de que xs anarquistas que participaram na manifestação tinham sido presxs em Moscovo. Os investigadores que questionaram Elena também lhe perguntaram sobre a manifestação apesar dxs detidxs terem sido acusadxs do pogrom da “Rússia Unida”, e não de participar na manifestação.

Depois da prisão, as acções de solidariedade continuaram na Rússia. Em Chelyabinsk, anarquistas hastearam uma faixa perto do edifício do FSB e atiraram uma bomba de fumo para o seu território. Nos subúrbios de Moscovo, organizou-se uma invasão de mobilização em solidariedade com xs anarquistas reprimidxs.

Apelamos a todxs para se continuar a campanha de solidariedade!

Mais fotos e vídeos: naroborona.info (em russo e inglês)

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Rússia: Apoie prisioneirxs anarquistas e antifascistas em S. Petersburgo e Penza!

Começou a angariação de fundos para os advogados a trabalhar nos casos dos assaltos policiais e das prisões de anarquistas e antifascistas em S. Petersburgo e Penza, na Rússia. Neste momento ( 31/01) estão presas duas pessoas em S. Petersburgo e cinco em Penza, e outras estão ligadas ao caso como testemunhas. É provável que os assaltos policiais e prisões continuem. Xs presxs são acusadxs com a parte 2 do artigo 205.4 do código criminal russo (participação em organização terrorista), por ordem do tribunal de Penza.

A 23 de Janeiro, a caminho do aeroporto de Pulkovo, os Serviços de Segurança Federal (FSB) detiveram Victor Filinkov. Para se conseguir o seu testemunho, foi espancado e torturado com choques eléctricos na floresta. Os sinais de tortura foram confirmados pelo advogado de Filinkov e pelos membros da Comissão Pública de Monitorização (ONK) que o visitaram no centro de detenção, antes do julgamento. Filinkov está preso há dois meses.

A 25 de Janeiro o FSB fez um assalto inesperado ao apartamento de Igor Shishkin. Depois do assalto, nem o seu advogado nem os membros da Comissão Pública de Monitorização conseguiram localizar Igor, durante mais de um dia. A 27 de Janeiro Igor foi presente a tribunal com sinais de tortura, e foi preso no Centro de Detenção Pré-julgamento por dois meses. Xs jornalistas foram impedidxs de assistir ao julgamento, tendo ainda dois/duas sido presxs.

Também as testemunhas foram torturadas. Ilya Kapustin foi espancado e torturado com choques eléctricos enquanto a polícia lhe exigia que testemunhasse que alguns/mas dxs seus/suas conhecidxs estariam a planear “algo perigoso”. Numerosas marcas das armas de choques eléctricos foram registadas pelos serviços de saúde.

Em Penza, as prisões começaram em Outubro de 2017. O FSB local prendeu seis jovens, cinco dxs quais estão neste momento em detenção pré-julgamento. Todxs xs presxs foram brutalmente torturadxs. Pode ler-se em detalhe acerca dos eventos de Penza neste artigo. A ajuda legal é necessária para xs prisioneirxs (cujo número pode aumentar) e testemunhas. Ainda é cedo para mencionar valores exactos, mas serão necessários pelo menos 200 mil rublos para o trabalho de advogadxs nos próximos meses.
Cruz Negra Anarquista S. Petersburgo

DETALHES PARA TRANSAÇÕES EM APOIO DXS PRESXS
PayPal: abc-msk@riseup.net ABC Moscow

Caso queiras apoiar um/a presx específicx, adiciona uma nota mencionando isso. Caso queiras contribuir para o caso de S. Petersburgo e Penza, escreve uma nota para “St. Petersburg and Penza”. Recomendamos o envio em euros ou dólares, já que as outras moedas são automaticamente convertidas de acordo com as taxas PayPal.

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Caso prefiras outra opção para a transferência de dinheiro, por favor contacta a Cruz Negra Anarquista de Moscovo:
abc-msk@riseup.net

Todo o material sobre o caso pode ser encontrado nesta secção:
Caso dos anti-fascistas de S. Petersburgo e Penza.

em inglês

Brasil: Faixa em solidariedade com xs perseguidxs pela Operação Erebo

recebido a 21.02.18

Algumas palavras em solidariedade com xs anarquistas perseguidxs pela Operação Erebo em Porto Alegre (RS), desde algum lugar, no território controlado pelo estado brasileiro e o capitalismo global.

Há quase 4 meses, uma operação policial liderada pelo delegado Jardim invadiu casas particulares e espaços coletivos na cidade de Porto Alegre. Várias pessoas e espaços acabaram sendo alvo dessa operação e alguns livros editados pela biblioteca anárquica Kaos foram usados como elementos comprobatórios para perseguir xs anarquistas.

Não pretendemos, nesse texto, voltar sobre a maneira como a imprensa brasileira levou o caso, mesmo se vale a pena ressaltar a pertinência com a qual a imprensa manipula as massas com o objetivo de manter uma paz social titubeante. Mesmo com todos os esforços do aparato policial-midiático por despolitizar algumas propostas anarquistas- buscando encontrar alguma “legitimidade” política em perseguir xs anarquistas “do mal” aproveitando diferenças e buscando criar divisões entre tendências diversas do anarquismo- a solidariedade combativa anarquista se manteve em pé, e os punhos ficaram fechados aos inimigos!

Como acreditamos que a solidariedade é uma arma contra as tentativas repressivas e contra o esquecimento e que também sabemos que ela deve ser mais do que palavra para vibrar nos corações dos rebeldes, mandamos essa mensagem simples mas, acreditamos, importante. Penduramos uma faixa em solidariedade com xs anarquistas perseguidxs de Porto Alegre.
Para todxs aqueles que estão brigando contra as tormentas da solidão e as intempéries da incerteza. Para todxs aqueles cuja vida foi/está sendo perturbada por essa onda repressiva e que não baixaram nem os braços, nem a cabeça. Para todxs aqueles que, fazem frente as dificuldades despertando-se cada manhã com a convicção de ter cruzado o ponto de não retorno. Nunca nos poderão parar!

O contexto político-econômico no Brasil e da América Latina está cada vez mais repressivo com os movimentos sociais. O clima político tem sabor um sabor amargo para todxs xs que se opõem, de maneira geral, aos avances do capitalismo devastador. Há uns dias, 12 famílias indígenas do sul do Brasil foram torturadas, atingidas por balas de borracha e balas de verdade pelo simples fato de reivindicar suas terras, que por certo, lhes foram prometidas há quase 30 anos*!

Também tem esse sabor para as grandes “minorias” dessa sociedade doente, que se vêm alvos de uma cada vez maior “limpeza social” em prol de grandes empreendimentos, frutos do “progresso” e do “desenvolvimento”. O governo mata “legalmente” mandando as forças armadas do exército “limpar” as favelas e o faz também organizando “feiras agrícolas” cujo dinheiro é investido na “segurança” dos fazendeiros podres e na matança dos índios e camponeses que se atrevem a retomar, com suas próprias mãos, suas terras invadidas.

Que não se enganem, terrorista é o Estado e violento o sistema que quer nos impor uma vida que nunca escolhemos. Os debates sobre a legitimidade da violência são um falso debate. Nunca estaremos do lado de quem gosta de viver como escravo…Os mesmos que celebram insurreições passadas, hoje condenam qualquer impulso de violência libertadora, isso, sob pretextos diversos como o fato de nos vivermos em uma “democracia”. Democracia, tecnocracia, Ditadura, todos os regimes político-econômicos merecem de ser atacados, nunca são e nunca poderão ser outra coisa que a expressão do poder coercitivo e da dominação de uns poucos sobre o resto.

A articulação entre poder centralizado e capitalismo é inerente a qualquer sociedade moderna globalizada e achar que se pode destruir o capitalismo sem, junto, destruir as estruturas do poder estatal é uma ilusão que nutrem alguns partidos de esquerda para seduzir almas revolucionárias e assim ganharem alguns votos a mais nas próximas eleições. Sejam de esquerda ou de direita quem governa, para eles, as vidas dos Guarani Kaiowá, sempre valerão menos que a os benefícios da exportação de toneladas de soja. Se, no governo “Dilma” a limpeza social, a lei antiterrorismo, a correria rumo a cada vez mais progresso e a perseguição política contra os anarquistas estavam à ordem do dia, hoje, militantes do PT e do MST e de   toda a esquerda “radical” partidária tornam-se também alvos de perseguição política.

Se ultimamente nos encontramos nas ruas para lutar, não esqueçamos porém das profundas diferenças ideológicas e políticas que nos separam. Mesmo se acreditamos que devemos repensar estratégias e tácticas de luta no contexto atual, é interessante que nos questionemos sobre o papel/lugar que jogamos no tabuleiro de xadrez da política regional, nacional (e internacional), isso, justamente para não acabar sendo um dos peões usados para ganhar a partida. A história tem muito a nos ensinar sobre isso…Mais que repostas, apontamos a provocações para refletir o panorama atual e imaginar estratégias e ações que sigam espalhando a guerra-social.

As ondas repressivas contra xs que lutam buscam amedrontar e paralisar qualquer tentativa de oposição ao sistema. É justamente o que não podemos deixar que aconteça. Buscaremos os jeitos para, de qualquer maneira, seguir lutando contra um sistema e um modo de vida que além de não nos satisfazer enquanto indivíduos, baseia seus valores na dominação e na exploração de uns poucos contra o resto. A opressão, a dominação e a exploração devem ser atacadas desde suas raízes e de forma radical. Não existem métodos prontos para isso, só se tem a combinação da memória histórica com a imaginação criativa para inventar, pensar, experimentar estratégias de luta em esse contexto cada vez mais adversos.

Que essa pequena mensagem, como uma chama de revolta, ilumine o coração dxs companheirxs perseguidxs….Força e solidariedade combativa com xs anarquistas perseguidxs pela Operação Erebo! Com, na memória insurreta, Guilherme Irish e Samuel Eggers presentes!

Viva a Anarquia
Viva a Insurreição!
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Obs:
No dia 17 de fevereiro de 2018, 12 famílias Kaingang em Passo Fundo foram espancadas pelo BOE. Estavam ocupando uma aera do DNIT reivindicando a demarcação das suas terras.
Sobre esse tema ver o filme Martírio, ele traz informações interessantes sobre os vínculos entre seguranças privados nas fazenda, políticos e fazendeiros.

[Alemanha] Acerca da onda de repressão em conexão com a resistência contra a Cimeira do G20 em Hamburgo

Protestos espontâneos contra a repressão nas ruas de muitas cidades alemãs, após os assaltos policiais no princípio de Dezembro de 2017 ( em kiel, cerca de 70 pessoas participaram nos protestos)

G20-Repressão
Prisioneirxs * Condições na prisão * Julgamentos * Publicações de vídeos e fotos * Assaltos policiais a residências

A Cimeira do G20 e os dias eufóricos nas ruas do Schanzenviertel foram moldados pela enorme raiva e motivação para atacar, das quais não estávamos à espera desde Heiligendamm e Frankfurt.

A onda de repressão que se seguiu à Cimeira – na realidade já tinha começado antes com a implementação do novo §114ff e do policiamento preventivo – alcançou o seu clímax com a publicação de dezenas de fotos, pela comissão especial “Soko Schwarzer Block” em 18 de Dezembro de 2017.

Onda de repressão esta que permaneceu bastante despercebida de companheirxs noutros países, xs que lutaram connosco nas ruas e xs que euforicamente seguiram os tumultos nos media. Disseram-nos que não receberam nenhuma informação sobre xs prisioneirxs, xs condenadxs e sobre a mania de perseguição pelo Estado.

Parte I: Prisioneirxs

A situação em Dezembro de 2017
A bófia implementou um Soko (1) forte de 40 homens que pesquisaram na Internet fotos e vídeos a fim de criminalizar os ativistas. Cerca de 200 polícias estão atualmente sentados na frente dos seus computadores – com a assistência de softwares de detecção de rosto especiais – a fazer a maior parte do trabalho de investigação. Mesmo quando você se tenta lembrar não existe nada de que se esconder ou tem a certeza de que sempre se mudou num beco escuro: A solidariedade não se inicia apenas quando a repressão xs atinge a si e amigos.
O estado, incluindo os media, a bófia e cidadãos ativos, está claramente a tentar redefinir os tumultos. Conseguimos gerir e dominar o discurso destes dias durante a cimeira, mas devemos reconhecer isso perante frases brutais, denúncias e agitação pública, estando a ser cilindrados a uma posição de simplesmente reagir: Manifestações do dia X, comícios na prisão e algumas janelas quebradas aqui e ali.
Prisioneiros e julgamentos
Após os três dias de distúrbios em Hamburgo, 51 pessoas tinham sido levadas sob custódia. Em última análise, 28 permaneceram no JVA (prisões) de Billwerder, Hanhöfersand e Holstenglacis até aos julgamentos. Sendo principalmente não alemães, xs prisioneirxs vieram da Holanda, França, Suíça, Áustria, Espanha, Itália, Polónia, Hungria e Rússia. Além disso, várias centenas de pessoas tiveram que ficar na GeSa (custódia) por um curto período de tempo e tiveram que fornecer as  impressões digitais e fotografias.
Xs restantes prisioneirxs do G20 são acusadxs de vários crimes, o que em muitos casos não justificaria a custódia de longo prazo. As acusações vão de violar a lei de reunião em espaços públicos e violar a paz, a resistência e assalto contra graduados. A última situação pode, depois que as leis foram apertadas no ano passado, ser punida até três meses de prisão, em casos graves até seis meses.

Atualmente, inícios de Janeiro de 2018, 7 pessoas ainda estão presas em Hamburgo. Além disso, muitxs companheirxs estão a apelar das suas sentenças. Por exemplo, Peike, que foi condenado a 2 anos e 7 meses de prisão, no primeiro julgamento do G20.

As condições na „Gesa“ (prisão de curta duração / provisória) e „U-Haft“(detenção enquanto aguardam julgamento)
Mais de 100 advogados trabalharam em turnos de 24 horas na GeSa em Hamburgo – Harburgo. Foram atendidas 250 pessoas durante a cimeira. Várixs prisioneirxs disseram que lhes foram negadxs artigos básicos de higiene, mesmo que pedissem repetidamente. Num caso, o pedido de uma jovem mulher foi recebido com a declaração: “Os manifestantes não recebem períodos”. Noutro caso, uma jovem disse que precisava inserir um tampão na frente da bófia. Estava a arder nas celas, havia até oito prisioneirxs em cada cela, em vez de cinco, apesar de nem todas estarem ocupadas. Tiveram direito a duas fatias de pão em 24 horas, o acesso à  casa de banho foi muito restrito. Há alguns colchões, sem cobertores. Com chutos contra as portas das celas, xs prisioneirxs foram mantidxs acordadxs. Algumas celas tinham luz constante, enquanto outras não tinham nenhuma. Uma mulher ferida, levada para o GeSana sexta-feira (7 de Julho) com suspeita de fratura de nariz, não recebeu comida durante 15 horas. A sua lesão não foi sujeita a raios X. Só foi vista por um juiz 40 horas depois da prisão e que a libertou às 11 horas do mesmo dia. Aos/às prisioneirxs sob custódia só é permitido visitantes sob permissão do juiz. Estas visitas foram rigorosamente vigiadas (carta da mãe de Fabio a seu filho, a partir de 7 de Agosto de 2017). Além disso, era impossível enviar pacotes com roupa limpa aos/às prisioneirxs durante várias semanas. A continuação da custódia foi justificada com “defender a lei”.

Fugir ou ocultar provas, que geralmente é o motivo para a imposição da custódia, não desempenhou nenhum papel. Portanto, a própria custódia apresenta-se como medida preventiva. Um passaporte não-alemão, fortalece a acusação – de ser um inimigo potencial da sociedade – levando a uma custódia maior e frases mais duras. Além disso, muitxs prisioneirxs libertadxs receberam cartas, pedindo-lhes uma análise voluntária de DNA.

Parte II: Julgamentos e sentenças

Em geral, pode-se dizer que se tornou bastante óbvio através de todos os julgamentos que não importava qual pessoa estava na frente do juiz e não importava quais eram as acusações – cada um/a delxs foi consideradx culpadx pelos tumultos, especialmente aquelxs da sexta-feira à noite e finalmente condenado por elxs. Este tipo de participação em massa durante as lutas de rua e ataques contra a bófia deve ser prevenida no futuro. O medo dos defensores da fome de poder tornou-se claro nos argumentos politicamente motivados, nos quais tentaram pintar os ativistas como criminosxs isoladxs, sem qualquer identidade política. Uma técnica utilizada em todo o mundo. Para entender a indignação sobre as frases e suas justificativas, é importante explicar como a polícia alemã está regularmente a tentar obter frases com o uso de “Tatbeobachter” (Tabos), traduzido vagamente como testemunhas de crime, bem como cenas de vídeo isoladas. As detenções, especialmente durante as manifestações, são muitas vezes baseadas em alegadas observações de “Tabos”. No passado, as suas declarações geralmente não aguardavam o interrogatório no tribunal, de modo que poucas pessoas (excluindo especialmente xs ativistas curdxs), foram colocadas em liberdade condicional, mas raramente receberam tempo de prisão.

Outra questão pode ser colocada a partir da chamada esquerda alemã: Na década de 80, uma campanha desperta vinda da cena alemã da esquerda: “Anna e Arthur calam-se”. Uma campanha, baseada no direito de recusar quaisquer  declarações. De acordo com este direito, qualquer pessoa pres ou em julgamento pode recusar qualquer declaração em frente da políci ou do juiz, excepto para afirmar os detalhes no passaporte. Compreendendo este direito como uma arma – como forma de proteger estruturas ou outras pessoas – mas também como um ato de resistência – no sentido de retirar a si próprio a possibilidade de qualquer diálogo com o estado, triste isso não ser um dado adquirido nunca mais. Uma decisão de fazer uma afirmação em tribunal, ou não, é muitas vezes  individual ou posta na mesa como estratégia dos advogados.

As estratégias do advogado muitas vezes se concentraram em chegar a negociações, que podem ser descritas como um entendimento entre o juiz e procurador e o advogado da defesa – o que geralmente força a defesa a aceitar certos pontos trazidos pelo juiz em troca de uma sentença mais suave e confissões, o que sob certas circunstâncias pode ser justificado. Embora existissem negociações e confissões entre os prisioneiros, que poderiam ser justificadas dadas as circunstâncias como uma escolha válida, esta situação foi até prisioneirxs a pedir desculpas aos juízes e polícias, bem como ao banco HASPA e Budnikowsky (loja). Um exemplo: Um rapaz de Hamburgo de 28 anos leu a sua confissão em voz alta. Ele disse que não sabia o que o possuía naquela noite. Fora simplesmente a sua curiosidade o que o levou ao Schanze, depois de ver fotos dos tumultos na TV. À chegada, a multidão varreu-o ao comprido. “Se eu pudesse voltar no tempo simplesmente ficaria em casa naquela noite e assistia a tudo na TV.” disse na terça-feira. Estava realmente a caminho de Barmbeck naquela noite, onde ele conhece gente, quando aconteceu coincidir com os tumultos em Pferdemarkt, onde ele foi atacado com spray de pimenta, o que o deixou com raiva. Além disso, tomou cocaína naquela noite também. O veredicto: 3 anos de prisão.

Fabio trata-se de uma clara excepção – escreveu uma declaração política, que leu no tribunal. Isso não é apenas sinal de bravura e conhecimento político, também é um passo importante para todos lutarmos contra a repressão, não sermos torpes perante o perigo e lutarmos contra a criminalização das nossas lutas.

Existem vários exemplos de julgamentos do G20, no final do artigo. Até hoje, os julgamentos de Konstantin, Christian e Fabio ainda estão em andamento e as suas documentações podem ser encontrados na página “United we stand”. Alguns também estão em inglês. Manter as invasões e a publicação recente de fotos em mente, mais provas provavelmente estarão em breve a surgir.

Parte III: Primeiros assaltos antes da Cimeira

Durante a tarde de 1 de Julho, os apartamentos de dois camaradas foram procurados pela polícia. Até onde sabemos,  as incursões foram realizadas devido à “prevenção de perigo”. Durante as invasões, chaves USB, computadores, 3 telefones celulares privados e as roupas foram confiscadas. Uma das pessoas afetadas foi acusada de planear crimes no contexto da Cimeira do G20. Vigilâncias foram notaaos nos dias que antecederam os assaltos policiais. A segunda pessoa foi  libertada na mesma noite.

Invasões policiais do dia 8 de Julho
Após a Cimeira do G20 a polícia de Hamburgo invadiu o centro internacional B5 em St. Paul, às 10:45 da manhã – a polícia de choque invadiu o centro e atacou as pessoas que estavam presentes na altura. Sem esclarecer o motivo as pessoas foram algemadas e os quartos no centro além de dois apartamentos privados adjacentes foram pesquisados. Também a adega, o B-movie adjacente e a FoodCoop foram saqueados. Alegadamente, a polícia suspeitava da existência de cocktails Molotov no centro, uma completa difamação.

Incursões relativas à pilhagem
A polícia de Hamburgo invadiu 14 residências, logo após a Cimeira, em Hamburgo e Schleswig-Holstein. A razão alegada foi a pilhagem da Apple Store durante os tumultos da noite de sexta-feira. Vários telefones celulares foram localizados e os proprietários foram acusados de ocultação de bens roubados. Também foi pesquisada uma loja de telemóveis, onde alegadamente vários dos telefones celulares “possuídos ilegalmente” eram vendidos.
Linksunten.indymedia.org banido
No dia 25 de Agosto, Bundesinnenminister (Ministro do Interior) Thomas de Maiziere, proibiu a plataforma online “linksunten.indymedia.org” com base nas leis da sociedade. Para a esquerda alemã e a cena radical de esquerda, Linksunten foi a plataforma onde todas as chamadas para ação, notícias políticas diárias e   informações para ataques foram publicadas. Era tão importante para a extrema-esquerda como era aparentemente para as bófia, serviço de informações e media já que obviamente foi visto como uma fonte confiável e sistema de alerta precoce para distúrbios pendentes. A Linksunten, desde 2009 a funcionar – como rede aberta de media para ativistas de esquerda – foi declarada um crime por Maziere. Isso levou a várias incursões em Baden- Würtemberg, que felizmente não deixou ninguém preso. Atualmente, o BKA está à procura da localização dos servidores que estavam a ser usados pela plataforma. São esperados mais ataques. O tempo que vai demorar é pura especulação. É possível que o Ministério do Interior queira polir a sua imagem, depois dos comunicados de imprensa semanais sobre a violência policial maciça contra os manifestantes anti-Cimeira.

Parte IV: Invasões a nível nacional em 5 de Dezembro de 2017, investigação „Rondenbarg“

Ao início da manhã de 5 de Dezembro de 2017, mais de 600 polícias invadiram 23 casas particulares e 2 centros sociais na Renânia do Norte-Vestefália, na Baixa Saxónia, no Baden-Wurttemberg, em Hamburgo, em Berlim, no Hesse, na Saxónia – Anhalt e na Renânia-Pfalz. De acordo com as declarações policiais, principalmente laptops, telemóveis e USB (varas) mas também várias armas legais foram confirmados. Nenhum/a dxs ativistas afetadxs foi presx. Todos os assaltos policiais estavam relacionados com os eventos ocorridos no primeiro dia da Cimeira. Cerca de 200 companheirxs estavam a caminho do centro da cidade, no início do dia 7 de Julho, quando encontraram polícia de choque em Rondenbard, após o que a manifestação foi destruída, deixando muitxs feridxs. Várias dezenas de pessoas foram presas no local, os seus dados registados e Fabio tomou assento na prisão desde então. Quase todas as pessoas cujas residências foram invadidas estavam no grupo que foi preso a partir desse dia.

Estão a ser acusadxs de violações severas da ordem pública, tentativa de agressão física e resistência. Desde então, esse grupo particular de pessoas presas representava a maioria dxs presos em geral e a polícia não foi capaz de prender muitos militantes organizadxs pelo que com a ajuda dos meios de comunicação, tentaram pintar um quadro do “grupo Rondenbarg” como extremamente violento e provavelmente responsável por toda a destruição e ações diretas durante a Cimeira. Também os assaltos podem ser conetados com essa tentativa, o “sucesso” dessas invasões, foi apresentado pela polícia durante uma conferência de imprensa em 5 de Dezembro.

Vemos claramente os assaltos policiais como um espetáculo público bem como uma tentativa de descoberta das supostas estruturas organizacionais por trás das ações, em vez de reunir provas sobre alegados participantes individuais. Não confirmado pelos lados oficiais, mas publicado em vários comunicados de imprensa, a polícia estava principalmente à procura de evidências sobre estruturas que preparassem ações militantes e as tornassem possível em Hamburgo. Especialmente à volta da área de Elbchaussee, a polícia alegadamente descobriu recipientes com material de máscara, fogos de artifício e roupas que a polícia interpretou como evidência para a teoria de que os grupos locais organizaram a logística para a ação dessxs companheirxs internacionais. Embora a polícia suspeite principalmente dxs companheirxs internacionais para colocarem mais de 20 carros em chamas no Elbchaussee, durante 7 de Julho.

Parte V:  Os “cliques” da polícia de Hamburgo”

Durante a noite de 8 de Julho, a polícia de Hamburgo estabeleceu um portal on-line para dicas e pistas. Eles apelaram à multidão curiosa, para fazer upload de qualquer imagem ou material de vídeo dos próprios smartphones e câmaras. Apenas 12 horas depois, comemoravam o fato de já terem recebido mais de 1000 arquivos. Com este apelo à denúncia e traição, a polícia provocou um percurso on-line. O Soko “Black Block”, está a trabalhar em 12 terabytes de arquivos de imagem. No total, 163 polícias estão a trabalhar em 3340 casos. Na segunda-feira, 8 de Dezembro, a polícia de Hamburgo publicou 104 fotos de 104 supostos criminosxs e 5 vídeos sobre “Elbchaussee”, “Manif G20 Not Welcome” , “pilhagem”, “ataques com garrafas e pedras” e “Rondenbarg”(aqui  pode encontrar um link anónimo para as fotos ) . Além disso, várias imagens chegaram aos media da Alemanha. A polícia de Hamburgo anunciou: “Haverá mais cliques [fotos tiradas nas esquadras da polícia, após detenção], porque temos muitos materiais, que ainda não foram avaliados”.

Cinco Julgamentos do G20

O primeiro julgamento foi realizado contra Peike, da Holanda. Está a ser acusado de ter atirado duas garrafas à polícia de Berlim no Schanze, no dia 6 de Julho. As únicas duas testemunhas, polícias de Berlim, sofreram grandes perdas de memória e ambos descreveram uma pessoa que atirava garrafas, que não se parecia com o réu. O ministério público justificou a sua perseguição através tempo de prisão, atribuíndo a Peike a responsabilidade pela “guerra civil como circunstância” na noite de sexta-feira (onde Peike já estava sob custódia!). O juiz Johann Krieten, conotado com a linha dura da direita, proclamou no seu julgamento como se segue: “A polícia não é um jogo justo para a sociedade divertida, eles não são um jogo justo para criminosxs orientadxs para a ação”. Ele convocou os tumultos na noite de sexta-feira, o turismo de motim com o objetivo de caçar polícias e esmagar as janelas do banco HASPA. A severa punição era necessária, devido a razões de “prevenção da violência”. O porco proclamou a sentença de dois anos e sete meses. Peike está a apelar contra este julgamento.

No 2º julgamento: o réu foi detido e procurado no sábado, 8 de Julho, perto da estação de comboios de Dammtor. Ele insinuou estar no caminho para a manifestação  “G20 Not Welcome”. Na sua mochila, encontraram spray de pimenta, óculos de mergulho e pequenos bolas de ativação de fogo. Está a ser acusado de violar a “lei do ajuntamento social” e as leis contra o transporte de armas e explosivos. Mais uma vez, o julgamento terminou com um castigo severo  obsceno de 6 nos quais estão 2 são anos de liberdade condicional. O procurador Elsner aproveitou o momento para proclamar a sua propaganda pessoal: “Os ataques à policiais com garrafas e pedras aumentaram dramaticamente durante a manifestação. O réu deveria estar a escrever uma carta de agradecimento aos polícias que o prenderam, se ele tivesse atirado qualquer coisa durante a manifestação, iria para a cadeia por um longo tempo”.

3º exemplo. O ministério público acusou o réu, de 21 anos, de ter atirado seis garrafas na direção da polícia durante a manifestação no Fishmarket, além de resistir à sua detenção. Depois do juiz explicou o direito de recusar uma declaração, o advogado explicou extensivamente o argumento do arguido. Nos últimos dois meses, passados na cadeia, ele aprendeu muito sobre a solidão. Ele nunca quis pôr a si mesmo ou a sua família numa situação como esta. Estava agora ciente de sua estupidez. Os polícias também são humanos. O juiz condenou o réu a 1 ano e 5 meses em dois anos de liberdade condicional, bem como a uma multa de 500 euros, que deve ser doada para as viúvas e órfãos da polícia.

4º exemplo: As acusações: agressão criminal com uma arma perigosa (garrafa de vidro), bem como resistência contra a polícia. O arguido confessou as acusações e lamentou as suas ações. Concordou com uma amostragem de DNA, que ocorreu numa pausa durante a audiência. O TABO Hachmann supostamente seguiu o réu depois dele supostamente ter atirado a garrafa e viu-o, tirando a máscara num pequeno quiosque e a mudar as roupas na próxima esquina da rua. Veredito: 1 ano em 3 anos de liberdade condicional. O réu, questionou o monopólio do estado e não viu o humano em uniforme durante as suas ações. A polícia merecia respeito e honra pelo seu compromisso e não deveria ser alvo.

5º exemplo: Fabio foi libertado da prisão juvenil em troca de uma fiança de 10000 euros. O julgamento ainda está em andamento. As acusações: Violação grave da paz no caso de “Rondenbarg”. Segue-se um trecho da declaração de Fabio durante o julgamento: “Antes de mais quero dizer que as senhoras e senhores da política, inspectores da polícia e ministério público provavelmente acreditam que podem dificultar a dissidência nas ruas se prenderem e trancarem um grupo de jovens. Provavelmente acreditam que a prisão é suficiente para conter as vozes rebeldes que surgem em todos os lugares. Provavelmente acreditam que a repressão irá parar a nossa sede de liberdade. A nossa vontade de criar um mundo melhor. Eu tomei a minha decisão e não estou com medo se ela, injustamente, terá um preço que eu tenho que pagar. No entanto, há algo que quero dizer-vos, acreditem em mim ou não: Não gosto de violência. Mas tenho ideais e decidi lutar por eles.

Esclarecimentos

“Tatbeobachter * innen / TABOS” (Observador/a do crime)

Os TABOS estão vestidos de manifestantes, às vezes ficariam vestidos, às vezes com um copo de cerveja na mão, às vezes ficariam mascarados. Correm lado a lado connosco nas manifestações e podem ser difíceis de detectar. Assinalam crimes alegados, sem intervir. Mais tarde são chamados como testemunha perante o tribunal. TABOS são polícias de uma determinada unidade. Pelo contrário, há polícias vestidos de civis, os chamados PMS. Esses polícias civis costumam mover-se em grupos maiores, obviamente, ao lado das fileiras de polícia, transportam fones de ouvido e armas e transmitem informações sobre ativistas bem conhecidos ao BFE (unidade, responsável por prisões e evidências.

Aperto das leis:
Desde 30 de Maio de 2017, o parágrafo 113 está agora dividido em §113, que inclui atos de resistência e §114, que escalam assalto. O recém-estruturado §114 inclui o assalto contra oficiais (policiais, paramédicos) como elemento próprio de um crime. Um assalto pode ser qualquer tipo de ato contra o corpo de um oficial, por exemplo, quando você tenta se libertar do controle de um policial durante uma prisão. A sentença mínima aqui seria uma pena de prisão de três meses. Além disso, simplesmente carregar uma arma ou uma ferramenta perigosa, pode ser definido como um ato severo de resistência ou agressão, independente de suas intenções com essa ferramenta. Também pode ser condenado se xs companheirxs transportarem tal ferramenta (como uma garrafa de vidro ou outro instrumento afiado).

(1) SOKO é uma abreviatura do termo “Sonderkommission” (Comissão Especial de Polícia – que significa equipa de investigação especial) em alemão.

A sociedade falhou, quando aprisiona aqueles que a questionam!

Fogo e chamas para a repressão!

Com este slogan, a campanha: “United we stand” deu o mote para os dias de ação – de 28.1. até 4.2.2018.

em alemão l inglês

[Brasil] Mês de ofensiva anárquica contra a Operação Erebo

AGITAÇÃO ANTI AUTORITÁRIA PELA OFENSIVA ANÁRQUICA CONTRA A OPERAÇÃO EREBO

Solidariedade insubmissa a todxs xs anarquistas perseguidxs na região sul do território dominado pelo estado brasileiro.

Fazemos um chamado para ação extensiva aos meses de fevereiro e março em resposta à “operação erebo”.

No ano de 2017, a polícia civil de Porto Alegre iniciou a chamada “operação erebo” para perseguir anarquistas e espaços libertários. Está claro que o estado quer derrubar cada um que faça das suas ideias uma autêntica ameaça.

Nenhuma agressão ficará sem resposta. Perante isso, apelamos para respostas imediatas que venham de todos os cantos visando o inimigo. Não ficaremos na defensiva covarde, aguardando o próximo movimento jurídico policial nos atingir.

Que a ideia se difunda e se espalhe como o fogo da revolta incontida por todos os territórios dominados. Que as palavras de rebelião soprem junto ao vento pelo mundo.

Sejamos criativxs.

COMUNICAÇÃO É ARMA!
PELA SOLIDARIEDADE APÁTRIDA!
PREVALECERÁ A LIBERDADE !

Somos o que somos e nisso não vamos retroceder: somos anarquistas, amamos a liberdade e sim, desprezamos a todos os valores e instituições que compõem essa máquina de guerra chamada capitalismo, civilização”.

em espanhol l inglês l alemão

Sydney, Austrália: Solidariedade com anarquistas de Porto Alegre (Brasil)

Solidariedade a partir de Sydney – no território conhecido por Austrália – com anarquistas em Porto Alegre, perante a repressão exercida sobre elxs pelo estado brasileiro. As fotos foram tiradas em frente da biblioteca e livraria anarquista Jura Books, em Petersham (Sydney).

em inglês

Porto Alegre, Brasil: Quando a anarquia incomoda

[Comunicado da Biblioteca Kaos frente à perseguição a anarquistas na região do Rio Grande do Sul]

QUANDO A ANARQUIA INCOMODA

Há muitas coisas para falar, mas iremos pelo mais urgente. No 25 de outubro começou uma perseguição anti-anarquista contra a FAG, o Parhesia, a ocupação Pandorga e algumas individualidades e que tiveram espaços e moradias invadidas pela polícia. Se não toda, provavelmente uma boa parte da diversidade anarquista foi atingida e várixs delxs se pronunciaram, a partir do seu ponto de vista, com firmeza, diante da repressão. E isso é vento fresco que fortalece a todx aquelx que se sinta em sedição.

Fica evidente que a mira dos agentes da repressão também aponta contra nós, contra as publicações que fizemos ou nas quais participamos. E é sobre isso que vamos a nos pronunciar. A cronologia da Confrontação Anárquica – tanto aquela que recolhe informação desde 2000 até 2015 como a que recolhe a ação anárquica de 2016 – são os livros que estão exibindo como “provas” de vandalismo, ataques e atos criminosos. A partir das múltiplas formas de procurar a liberdade que se encontram no anarquismo, esses livros falam da informalidade anárquica como um opção de acordo com o rosto da dominação atual. Ainda mais, esclarecemos que estes livros falam de ações que não são só anarquistas. O foco dos livros é a difusão de ações anárquicas. Para sermos mais precisxs, difundem-se ações nas quais nós sentimos o aroma da anarquia. E entre o anarquismo e a anarquia há diferenças que podem ser delicadas mas que são importantes.

O instinto anárquico é aquele impulso anti-dominação que pode estar presente em qualquer individualidade ou coletividade, para além das pertenças ideológicas e militâncias políticas. É por isso que nas cronologias incluímos conflitos das populações não ocidentais, a conflitualidade nas ruas dentro de protestos mais abrangentes e motivações diversas, ações contra o estado e o capital e muito mais.Longe de ir pela teoria, esclarecemos isto já que a perseguição contra xs anarquistas não toma em conta estas diferenças, procurando achar um bode expiatório para múltiplos eventos que incomodaram aos polícias e aos poderosos de sempre.

Surpreende que a polícia, o Delegado Jardim, e a mídia mostrem, como a grande novidade,  fatos que já foram manchete no seu momento e já foram pesquisados pela polícia também, só pelo fato de estarem condensadas em nossas publicações. Nenhum dos livros é uma reivindicação. São livros de uma memória anárquica, com ações e conflitos muito anteriores à existência da biblioteca kaos e que com certeza irão continuar para além de nós.

A publicação mostra, com alegria e de cabeça erguida sim, a existência de um confronto anárquico que dá resposta à dominação, à devastação da terra e ao ataque contra toda forma de liberdade, mas não reivindica a autoria desses fatos que podem ser colhidos, tal como nós fizemos, de várias páginas de internet e jornais locais. E se fizemos essas publicações sabendo do risco que elas apresentavam é porque a insubmissão merece ser defendida, uivada, festejada e gritada por todos os meios possíveis. Jamais acreditaremos nem respeitaremos a obediência que pretendem impor, a submissão e o medo que querem inocular nas pessoas desde que nascem.

Para além disso tudo. As ações que estão nas cronologias são ações de ataque contra a materialidade da dominação. Ou seja contra prédios, carros, máquinas, estradas, vidraças. Coisas. Objetos. Símbolos. A polícia do território controlado pelo estado brasileiro é internacionalmente famosa por ser uma polícia assassina. As operações de pacificação, são chacinas, autênticos massacres, como a da Candelária e a do Carandiru, assim como o assassinato pelas costas de Eltom Brum (que até teve uma torcida policial recebendo o assassino). E são eles que vêm falar de terror, de quadrilhas do mal, de tentativa de homicídio? Mostram um estilete e tijolos ecológicos como armas, enquanto eles estão de pistola na mão. Falam de terrorismo e quadrilhas do mal enquanto preparam a seguinte invasão contra uma vila ou favela, onde os mortos nem serão mencionados pela mídia. Assim, insignificantes são para eles.

Gostaríamos de acreditar que todos se sentem insultados com as provas do delegado Jardim. Num contexto onde as armas são corriqueiras, tijolos ecológicos apresentados como explosivos é um insulto para qualquer um. Porém, não esquecemos do uso policial do pinho sol como arma (prova) contra Rafael Braga a quem sequestraram até ele pegar tuberculoses, ou seja até sentir que fizeram de tudo para matá-lo.

As repressões contra os anarquistas mostram duas coisas. A primeira que apresentar “terroristas” na tela serve como show para tirar os holofotes dos problemas como a corrupção, o descrédito político-policial e o genocídio devagar mediante reformas econômicas. Que agora tentem resolver fatos do 2013 e persigam um livro e literatura, mostra claramente um uso mediático e espectacular que pretende esconder o crescente ataque contra a população, despolitizar mediante ameaças e espalhar o medo até de ler (práticas evidentemente democráticas).

A segunda coisa que apresenta uma perseguição anti-anarquista é que a anarquia incomoda:  Quando falamos da anarquia que incomoda, claramente, não estamos falando de meninos e meninas bem comportados agindo dentro das margens impostas pelo poder, não falamos de pessoas que têm as leis lhes desenhando seus limites de ação,nos seus corpos e corações. Quando falamos da anarquia que incomoda falamos de uma insubmissão tão forte – de pessoas e grupos que tem sido capazes de interromper a normalidade da praça dos poderes, de paralisar a cidade, de quebrar os símbolos da
militarização no Haiti, de queimar os veículos que sequestram e matam arrastando como cavalos da inquisição (Cláudia, não esquecemos da sua morte).

Os livros da Biblioteca Kaos difundem essa anarquia. A que incomoda. Aquela que responde ao embate do agronegócio, da civilização colonizante, da militarização, do ecocídio, da sociedade carcerária…Em palavras mais simples, enquanto a dominação tenta destruir o planeta e todos que eles acham indesejáveis, nós difundimos o que ataca a dominação.

E quando a anarquia incomoda, a reação dos poderosos ameaça e quer farejar o medo. A resposta anarquista e anárquica contra essa perseguição ficará nos nossos corações e ações.  O modo como enfrentarmos esta encruzilhada marcará o momento de nosso passo pela trilha da vida em rebeldia.

Força e solidariedade com xs perseguidxs pela operação Erebo.

Biblioteca Anárquica Kaos
Outubro 2017

em espanhol

Montevideu: A respeito da campanha contra o movimento anarquista

A imprensa aponta, a polícia dispara. Se tocam a um/a tocam a todxs
A imprensa aponta, a polícia dispara.
Se tocam a um/a tocam a todxs

Mais uma vez um companheiro é seguido e obrigado a apresentar-se nos serviços de investigação do Estado [Inteligencia] sendo a seguir enviado a prestar declarações, perante um juíz. Nada de novo, trata-se de outro ataque ao movimento e, por isso, respondemos coletivamente. Estamos conscientes da luta onde estamos metidxs.

Já há muito tempo que as forças repressivas atacam continuamente xs nossxs companheirxs e continuarão na sua função –  o ataque será cada vez mais duro à medida que nos formos fortalecendo, enquanto a resistência continue, enquanto a luta avançar nas ruas… Porque é xs nossxs companheirxs têm sempre de passar pela Inteligencia antes de xs levarem ao juíz? Por que ostentam diante delxs onde vivem e que lugares frequentam? A resposta é simples, porque nos temem, porque tentam  amedrontar-nos, fazer-nos sentir temor perante algo ao qual nos esquivamos: pela nossa responsabilidade. Desta vez foram procurar-nos pelos factos ocorridos na marcha de 8 de Março, onde um jornalista disse ter sido agredido por um grupo de manifestantes.

Enquanto a imprensa cria teses absurdas sobre militantes pagos, reuniões com a extrema direita, marcam as pessoas perante os corpos repressivos, fazendo de juízes – sem pudor algum de mandar para a fogueira as suas vítimas: enquanto a polícia se infiltra nas marchas ou ataca xs manifestantes nas ruas, também a Inteligencia se ocupa de fazer os registros dxs lutadorxs e de lhes tentar gerar terror. Já é bem claro para nós como funciona a imprensa, qual é a sua tarefa e já o referimos muitas vezes. Enquanto a imprensa aponta é a polícia que dispara, os serviços da secreta, neste caso.

O mundo vive momentos de reestruturação que também afetam este território: as cidades são militarizadas, os populismos de esquerda dão lugar a novas aberturas de mercado – usando as estruturas repressivas que aqueles lhes deixaram. A sorte para xs refratárixs da ordem está lançada é só a luta contra todo o poder pode alterar o rumo dos mais terríveis modos de dominação.

Quanto a nós, não vamos para qualquer outro lado, temos estado e continuaremos cá, somos parte da rebelião contínua nos bairros, não fazemos política, não temos nenhuma solução mágica a vender a incautos, procurando votos ou comprando a sua fé.  Potenciamos a resistência social, fora de toda a estrutura hierárquica e a ela contrária, contrária e fora de todo o espírito de derrota ou fracasso. também.
Nenhum/a companheirx está só, se tocam a um/a tocam a todxs.

Anarquistas

Atenas: Julgamento do caso intenção de fuga das CCF marcado para 15 de fevereiro de 2016

3quivers15 de fevereiro: Data do julgamento para o plano de fuga da Conspiração das Células de Fogo – Perseguições contra parentes de presxs políticxs

O julgamento dxs companheirxs da Conspiração de Células de Fogo, referente ao plano de fuga das prisões de Korydallos, foi marcado para dia 15 de fevereiro. Um total de 28 pessoas são acusadas neste julgamento. Xs companheirxs da Conspiração de Células de Fogo assumiram a responsabilidade do plano de fuga desde o início defendendo que a sua opção era um meio para continuar a luta anarquista.

Entretanto, a máfia judicial tem vindo a experimentar contra elxs uma chantagem insidiosa e vingativa – na sequência destes factos – além de usarem acusações as mais pesadas possíveis contra várixs dxs acusadxs (cuja relação com xs membrxs da Conspiração de Células de Fogo se limita unicamente a contatos amistosos) e contra quem prepararam já novas guilhotinas.

O inquisidor Eftichis Nikopoulos (juíz especial de apelação contra o terrorismo) e os conselhos judiciais que o seguiram também apresentaram acusações para levar a julgamento xs familiares dxs presxs políticxs: Athena Tsakalou (a mãe de Gerasimos Tsakalos e Christos Tsakalos, membros da CCF), Evi Statiri (companheira sentimental de Gerasimos), e Christos Polidoros (o irmão de Giorgos Polidoros, membro da CCF), sob a acusação de “pertença à organização terrorista Conspiração de Células de Fogo”!!!

Athena Tsakalou e Evi Statiri foram originalmente detidas em Março de 2015 e conseguiram sair logo em seguida do cativeiro.

Athena foi posta em liberdade um mês depois da sua detenção, na sequência da greve de fome dxs membrxs da Conspiração de Células de Fogo e da companheira anarquista Angeliki Spyropoulou. Seis meses mais tarde Evi saía também da prisão, após a greve de fome empreendida por ela e pelo seu companheiro sentimental Gerasimos Tsakalos.

Durante as duas greves de fome foi desenvolvido um movimento multifacetado contra o golpe judicial o qual expressou a sua solidariedade através de concentrações, faixas, ocupações de edifícios, actos de sabotagem e ataques incendiários…

No entanto, após a libertação de Athena e Evi, o movimento de solidariedade obteve somente meia vitória.

Os juízes-carrascos “concederam-lhes” uma liberdade aleijada. Athena foi exilada na ilha de Salamina e Evi só pode se mover num raio de um kilómetro de casa, através de uma “liberdade distância – metro”.

Simultaneamente, foi-lhes proíbida qualquer comunicação com xs seus/suas parentes, isolando-as deste modo atrás de grades invisíveis…

Observa-se também que a estratégia do poder para isolar xs presxs políticxs tem vindo a ser ampliada – como no caso da recente proibição de visitas ao companheiro Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária [um compa seu amigo foi recentemente proíbido de o visitar na prisão].

De forma similar, a máfia judicial continua a sua alquimia contra familiares de presxs políticxs, tendo detido María Theofilou* [companheira sentimental de Giorgos Petrakakos, assim como a irmã do preso anarquista Tasos Theofilou].

A 15 de fevereiro o poder voltará a erigir as suas guilhotinas contra xs familiares de presxs políticxs.

Agora as suas intenções ficaram muitíssimo claras. De acordo com o dossier de acusação, com mais de 10.000 páginas, decidiram chamar somente 20 testemunhas para suporte (metade das quais são agentes da polícia antiterrorista), com o propósito de aceleramento do processo; parece que as condenações já foram emitidas…

15 de Fevereiro marca o início de uma nova aposta para as pessoas em luta, xs que renegam o Poder, gente em solidariedade…A nossa aposta é anular os planos vingativos do Poder, ficar lado a lado com xs companheirxs, e continuar o que começámos…de modo a se subverter o golpe judicial e enfrentar a perseguição dxs familiares dxs presxs políticxs.

Desde logo porque este julgamento prefigura perseguições futuras. O que está a ser testado hoje, contra parentes de presxs políticxs, amanhã será testado contra amigxs, pessoas em solidariedade, gente em luta …

Por esta razão e todas as razões deste mundo, estamos a preparar-nos uma vez mais para nos aventurarmos em novas batalhas contra as leis da bófia, juízes e sacerdotes do Poder.

A nossa aljava contém muitas flechas, tais como a memória recente dos gestos contra as perseguições fascistas de parentes dxs presxs políticxs e também as marcas frescas das ações para um Dezembro Negro – as que se desviaram dos caminhos silenciosos da paz social.

Perante os desafios colocados pelo Estado e máfia judicial desafiamos à ação insurrecional. Com o julgamento a 15 de Fevereiro como ponto de encontro – para a oposição à perseguição dxs familiares – vamos tornar este Ano Novo (a começar pelo nosso próprio reinício) com chamadas internacionais, assembleias, contra-informação, manifestações, ocupações, actos de sabotagem, ataques, para a derrubada completa do existente. Sem um só momento desperdiçado.

“A pedra, o ferro, a madeira quebram…contudo é impossível quebrar um ser humano determinado pela sua consciência”.

Solidariedade com xs companheirxs da Conspiração de Células de Fogo e a anarquista Angeliki Spyropoulou

Contra a perseguição dxs familiares dxs presxs políticxs
(Christos Polidoros, Athena Tsakalou, Evi Statiri)

em grego | inglês

* Em 21 de janeiro de 2016 María Theofilou saiu da prisão Koridallos sob condições restritivas (5000 euros de fiança, a obrigação de se apresentar duas vezes por mês na esquadra de polícia mais próxima).

Alemanha: Gesto solidário com xs compas represaliadxs em Espanha

Mateo Morral, Pandora, Pinãta, Ice... / A MESMA REPRESSÃO, A MESMA SOLIDARIEDADE
Mateo Morral, Pandora, Pinãta, Ice… / A MESMA REPRESSÃO, A MESMA SOLIDARIEDADE

Foto01461-1024x768Aqui, na okupação do bosque de Hambach, não nos esquecemos dos compas represaliadxs no Estado espanhol.

Realizamos esta pequena mostra de solidariedade a partir das profundezas do bosque. E difundiremos o mais possível qualquer nova informação que nos possa chegar.

Outono de 2015, alguns/algumas anarquistas.

Espanha: Concentração solidária em Saragoça

mitin1Cerca de 50 pessoas reuniram-se no dia 6 de Outubro na Praça de Magdalena, em Saragoça, para mostrar a sua solidariedade com xs detidxs de 4/11 após a última operação repressiva contra o colectivo Straight Edge Madrid, que se saldou com 6 detidxs, 2 dxs quais entraram em prisão preventiva e 4 ficaram em liberdade sob fiança. Após a concentração, na qual foi distribuído um comunicado, foram deixadas faixas no gradeamento de um colégio.

espanhol

Espanha: Detenções de membrxs do Straight Edge Madrid

mitinRecebido a 4 de Novembro:

5 membrxs do Straight Edge Madrid detidxs esta manhã.

5 companheirxs mais, uma mesma luta!

Durante a madrugada de 4 de Novembro de 2015 a brigada de informação irrompeu nas casas de cinco companheirxs pertencentes ao colectivo STRAIGHT EDGE MADRID, registando lugares e apreendendo material do colectivo. Os registos terminaram com a detenção de cinco companheirxs xs quais se encontram detidxs na esquadra de Moratalaz, não podendo falar com um advogado até amanhã. Espera-se que passem à disposição judicial na sexta-feira.

Esta é uma nova operação contra o movimento anarquista após a segunda edição da Operação Pandora – onde companheirxs de Barcelona (bairros de Gracia, Sant Andreu e Sants) e em Manresa foram detidxs por suposta pertença aos GAC (Grupos Anarquistas Coordenados), um delxs encontra-se em prisão preventiva.

Neste mesmo ano, há uns meses, viveu-se em Madrid, Barcelona, Palencia e Granada a chamada Operação Piñata onde ocorreu o mesmo: registos de lugares e de centros sociais- acabando com a detenção de 15 pessoas acusadas de “pertença a organização terrorista”.

Em Dezembro de 2014 observámos a chamada Operação Pandora, onde tinha também ocorrido o mesmo padrão: a polícia irrompeu em 14 casas e centros sociais e foram detidxs 11 anarquistas em Barcelona, Sabadell, Manresa e Madrid. Não podemos esquecer xs nossxs companheirxs confinadxs desde 2013, Monica e Francisco, xs quais desde o primeiro momento foram enviadxs para a prisão em regime F.I.E.S (Ilegalizado pelo Tribunal Supremo) acusadxs de colocar um aparelho explosivo na Basílica del Pilar em Saragoça, sem ter ferido ninguém.

Tudo isto tem um só nome: Repressão. Repressão ao movimento anarquista – pelo qual estamos a lutar, para serem criados pontos de vista e espaços livres de toda a autoridade. Não somos nem culpadxs nem inocentxs, somos anarquistas.

Perante a sua repressão a nossa solidariedade como arma.
Se ser anarquista é um delito, então somos delinquentes!

Solidariedade com xs anarquistas detidxs!

espanhol

Espanha: Cartazes de solidariedade com xs represaliadxs de 28/10

cartel11  Solidariedade anarquistas represaliadxs em Espanha

Liberdade Quique, Mónica e Francisco

Na madrugada de 28 de Outubro um novo golpe repressivo sacudiu o meio anarquista. Uma extensão da operação Pandora, levada a cabo em Barcelona e Manresa, terminou com um companheiro sequestrado pelo Estado e várixs em liberdade à espera de julgamento. Este novo ataque pretende debilitar-nos mas não entendem que a nossa solidariedade não conhece limites e que entendemos a repressão como algo inerente à confrontação que tenhamos contra toda a autoridade. Que xs nossxs compas sintam o calor da solidariedade.

NEM INOCENTES NEM CULPADXS, ANARQUISTAS SIMPLESMENTE
Se nos procuram porta a porta, resistiremos ombro a ombro!!!

cartel2Se nos procuram porta a porta, resistiremos ombro a ombro!!!
Solidariedade com os anarquistas represaliadxs!!!
Liberdade Quique, Mónica e Francisco!!!

em espanhol, grego

Espanha: Comunicado dxs detidxs da última fase da Operação Pandora e que se encontram no momento em liberdade

breite-sol-editRecebido a 3 de Novembro:

Na passada quarta-feira, 28 de Outubro, fomos detidxs, no total nove pessoas no âmbito de uma nova operação anti-terrorista orquestrada pelo aparelho de informação do Cuerpo de Mossos d’Esquadra [Polícia da Catalunha], em conluio com o Tribunal número 3 da Audiência Nacional espanhola. Após o registo – saqueio dos nossos  domicílios e do Ateneu Libertário de Sants, fomos levadxs a diferentes esquadras da polícia dos arredores de Barcelona, sendo no dia seguinte entregues à Guarda Civil para a nossa transferência a Madrid. Na sexta-feira seguinte, ao meio-dia, estivemos presentes ao juiz Juan Pablo Gonzalez Gonzalez, que decretou a libertação com encargos para dois de nós, a entrada na prisão evitável sob fiança para seis, e a prisão incondicional para o companheiro que está actualmente preso em Soto del real.

O conjunto de detidxs que neste momento se encontra em liberdade quer tornar público uma série de reflexões e posicionamentos políticos:

A acusação genérica  para xs nove é de “Pertença a organização criminosa com fins terroristas”. Especificamente, imputam-nos de formar parte do urdido “GAC-FAI-FRI”, que como é sabido se trata de um conceito artificialmente construído pelos corpos policiais, um conjunto de siglas em que de forma deliberada e cuidadosamente calculada misturam espaços de coordenação entre colectivos (GAC) com a ‘assinatura’ que a nível internacional alguns grupos utilizam para reivindicar ações de sabotagem, (FAI-FRI).

A construção desta organização – marco traz à polícia todos os recursos repressivos que proporciona o dispositivo anti-terrorista: tribunais de excepção, maior insegurança jurídica, penas muito mais duras para companheirxs que possam ter realizado determinadas ações, detenções incomunicadas, regimes prisionais especiais, relações pessoais de amizade / companheirismo concebidas como delito, a amplificação dos media, o estigma social, etc. Basta dizer que durante todo o processo de detenção – desde o momento que vimos as nossas casas invadidas e saqueadas até que fomos presentes ao juiz – não fomos sequer informadxs do que nos acusavam.

Através da invenção da sigla GAC-FAI-FRI, as forças policiais projectaram uma rede com que potencialmente podem pescar tudo o que se mova no campo anarquista e anti-autoritário. No contexto deste nova organização – marco, assistir a jornadas  de debate, participar em assembleias, visitar companheirxs presxs ou simplesmente ter contato pessoal com uma pessoa considerada membro da organização são indícios suficientes para se ser incluído na sua lista negra. É este carácter difuso e extenso o que dá à estratégia anti-terrorista: após cada onda repressiva, xs que se solidarizem com xs detidxs serão também susceptíveis de ser consideradxs parte da organização e, portanto, presxs, e assim sucessivamente. O conceito da organização terrorista está pensado para ser ampliado indefinidamente, talvez com a perspectiva de se chegar a um momento em que o meio envolvente é considerado perigoso, fique isolado e asfixiado pela dinâmica repressiva ou que a capacidade deste entorno para continuar a agir politicamente seja tão diminuta que não valha a pena continuar a atingi-lo. O fato desta nova operação contradizer as próprias declarações dos Mossos (que alegavam que a seção de Barcelona dos GAC-FAI-FRI já estava desarticulada) não nos surpreende, uma vez que a organização terrorista é construída, modificada e ampliada pela própria ação policial, e não o contrário. A “luta contra o terrorismo” cria o terrorismo, da mesma forma que a lei cria o delito.

A tentativa de estabelecer a existência de uma organização terrorista anarquista, portanto, representa um salto qualitativo na estratégia repressiva contra as lutas, um salto que não deveria passar despercebido a ninguém e que exige uma profunda reflexão no seio dos movimentos.

Apontamos para a Conselleria d’Interior de la Generalitat e, especificamente, para a Comissaria General d’Informació do CME como diretamente responsáveis desta última agressão repressiva. As tentativas de atirar bolas para fora, alegando que os Mossos se limitam a seguir as ordens de Madrid, é apenas uma tentativa covarde e mesquinha para evitar a responsabilidade e encobrir o seu envolvimento nos factos, tendo impulsionado e concebido até ao último detalhe a operação aprovada pela Audiência Nacional.

A este respeito, ver como a Generalitat de Catalunya entrega jovens da Catalunha aos tribunais, prisões e corpos repressivos continuadores do franquismo espanhol – isto constitui uma imagem muito clara do “processo de soberania”, pondo a nu o perverso da retórica libertadora que nos rodeia. A verdade é que já não é de agora que o Governo tenha identificado o meio anarquista e anti-autoritário, na Catalunha, como inimigo a ser abatido, e o processo Pandora não tem outro propósito que este objectivo. Golpeia-se o anarquismo, não pelas suas ideias em abstracto mas por aquilo que tem sido e pode ser na prática: uma minoria de revolucionárixs que não hesita em desafiar o sistema e os seus fundamentos opressores e corruptos, que incentivam aquelxs que xs rodeiam a rebelar-se, e que resiste a deixar-se seduzir pelos canais de integração política que a democracia capitalista liberal oferece.

Durante o último ciclo de lutas, alimentadas pela crise financeira global e pela austeridade política – que têm carregado todo o peso do ajuste nas costas dxs exploradxs – foi aberto na Catalunha um terreno de contestação no qual o papel dxs revolucionárixs resultou especialmente funesto para o projeto neo-liberal da Generalitat. Com todas as nossas limitações, erros e contradições, nos últimos anos temos lutado para fazer parar os ataques às condições de vida (em termos de emprego, habitação, saúde, etc.) de todos; Difundimos uma análise estrutural da crise, mostrando que o problema não é um ou outro aspecto do sistema, mas o próprio sistema; criámos espaços e redes para resolver os nossos problemas e necessidades através da solidariedade e apoio mútuo e estruturas autónomas, apesar das instituições e dinâmica de caridade paternalistas; Nós, juntamente com milhares de outros, fortalecemos as greves que incendiaram a cidade em defesa de nossos interesses como trabalhadorxs; Erguemos barricadas contra a destruição dos centros comunitários dos bairros; Tomamos as ruas para repudiar o femicídio – para tornar visível a exploração das mulheres no campo da reprodução e o trabalho dos padres católicos nesse sentido – para se desobedecer às leis anti-aborto que procuram controlar os nossos corpos e as nossas vidas; Denunciámos e quebramos o silêncio em torno da violência e assassinatos de polícia, a perseguição racista, a engrenagem da deportação, os CIE, as prisões e, é claro, não deixamos de assinalar e atacar os responsáveis últimos pela nossa miséria: os Estados, entidades patronais e as elites financeiras locais e internacionais.

Tudo isto é o que somos, tudo isto é o que pretendem destruir. O objectivo político destas ondas repressivas não é outro senão a espalhar o medo e o desânimo para obter movimentos sociais domesticados, receosos de desobedecer e romper com as regras do jogo que o poder impõe para se auto-perpetuar. Daí a repressão contra os anarquistas, comunistas, separatistas, grevistas do 29m, indiciadxs de Can Vies, processadxs pela acção de Aturem e Parlamento… O sistema não pretende sentenciar a nossa culpa, mas mostrar a sua inocência: ele quer-se absolver pela via da des-legitimização, isolar e neutralizar qualquer pessoa que o acuse e o enfrente.

A resposta solidária às nossas detenções mostra que os nossos inimigos ainda estão longe de atingir os seus objectivos. Queremos agradecer e saudar todas e cada uma das demonstrações de solidariedade nestes dias. As manifestações, concentrações, acções, gestos de cumplicidade e carinho, as contribuições económicas … o enorme apoio recebido é inestimável para nós, um valor que supera de longe os maus momentos, que lhes retira importância até se tornarem ridículos. Não acreditamos nas suas leis, nem nas garantias que nos oferece: a nossa única defesa, a nossa única garantia é a resposta solidária nas ruas. A demonstração de massas de apoio com que nos brindaram, e com que anteriormente tínhamos brindado xs nossxs irmãos e irmãs detidxsm, em operações anteriores, evidencia o fracasso da estratégia anti-terrorista de nos isolarem, mediante a ampliação do medo.

Estamos nas ruas, mas apenas uma parte de nós. Quique, permanece encarcerado na prisão de Soto del Real. É por isso que a solidariedade não deve parar, antes sim deve ser multiplicada.  Apelamos à intensificação da luta na rua para a sua libertação, para que todxs e cada um e uma dxs companheirxs lhe vá escrever pelo menos uma carta e secundar com força todas as chamadas pela sua libertação – bem como estar muito atentxs a qualquer petição ou informação que saia dos colectivos de que formam parte: Acció Llibertària Sants e o Sindicato de Ofícios Vários da CNT-AIT Barcelona. Em caso algum o deixaremos sozinho, nem a ele nem à Monica, Francisco ou a qualquer dxs companheirxs presxs. Nem detenções, nem processos, nem prisões poderão quebrar os nossos laços de solidariedade ou o nosso compromisso político. Para nós as celas sujas, onde permanecemos nestes dias, serão sempre mais dignas do que os escritórios luxuosos de quem administra a miséria de todxs.

NEM UM PASSO ATRÁS!
A LUTA É O ÚNICO CAMINHO!

Detidxs da última fase da Operación Pandora, atualmente em liberdade.

espanhol

Tessalónica: Intervenção anarquista no Greenwave Festival

A sua civilização presta-se ao confinamento. Guerra contra o Estado e o capitalismo // Parem a perseguição aos anarquistas Andrea e Errol
A sua civilização presta-se ao confinamento. Guerra contra o Estado e o capitalismo // Parem a perseguição aos anarquistas Andrea e Errol
Luta pela terra e pela liberdade, contra o Estado e a indústria // Anulação imediata da ordem de deportação contra os anarquistas Andrea e Errol
Luta pela terra e pela liberdade, contra o Estado e a indústria // Anulação imediata da ordem de deportação contra os anarquistas Andrea e Errol
Parem a perseguição a ambos os anarquistas, Andrea y Errol. Contra o saque da natureza
Parem a perseguição a ambos os anarquistas, Andrea y Errol. Contra o saque da natureza
Libertação imediata de Evi Statiri, em greve de fome desde 14/9
Libertação imediata de Evi Statiri, em greve de fome desde 14/9
Abstenção às urnas, ataque contra todo o Poder
Abstenção às urnas, ataque contra todo o Poder

No sábado, 19 de Setembro, foi levada a cabo uma intervenção no Greenwave Festival de Tessalónica. Colocaram-se faixas, repartiram-se textos acerca do caso dos dois compas anarquistas Andrea e Errol (detidos numa manifestação contra as minas de ouro em Skouries, na península de Calcídica, no domingo de 23 de Agosto, ameaçando-se agora com a sua deportação por não serem cidadãos gregos), contra as eleições e acerca do caso de Evi Statiri que se encontra em greve de fome desde 14 de Setembro.

Parem a perseguição aos anarquistas Andrea e Errol.

Libertação imediata de Evi Statiri.

Abstenção às eleições, ataque contra todo o Poder.

espanhol

Bolívia: Atualização sobre o caso do compa Henry Zegarrundo [Março 2015]

A atualização foi originalmente publicada em espanhol no dia 29 de Março:

Já foi há cerca de três anos que se deu a onda de repressão de 29 de Maio de 2012, todavia o companheiro Henry Zegarrundo ainda se encontra com certas restrições – numa modalidade de prisão domiciliária na qual lhe permitem sair para algumas atividades pessoais, ver a família e trabalhar para ganhar algum sustento. Desde que o encarceraram até à atualidade foi sujeito a mais de quarenta audiências, das quais mais de trinta – já se perdeu a conta – foram suspensas.

Entretanto, o Poder pode modificar e manipular tudo à vontade, já se passaram quase dois anos desde que o juiz instou o ministério público a apresentar a acusação – caso isso não fosse feito num período de cinco dias o caso era declarado extinto (esta ordem de injunção ocorreu em Maio de 2013, quando o compa saiu para detenção domiciliária total, após estar um ano preso), mas seguidamente o juiz alterou a sua decisão e, como era de esperar, mostrou parcialidade com os seus colegas do ministério público.

Há cerca de quatro meses, uma audiência foi marcada para resolver o incidente mencionado no parágrafo anterior, a defesa conseguiu que o ministério público ficasse fora do caso, no entanto, até agora, o tribunal não notificou as partes para que corram os cinco dias e, se o ministério público não apelar ou acusar, o caso se extinga (essa notificação deveria estar pronta alguns dias depois da audiência), isto em relação à acusação de terrorismo; em relação à outra, a acusação de tentativa de homicídio, na qual a denunciante é a ex-vice-ministra do meio ambiente, só foi apresentada uma denúncia desde Outubro de 2011 e um relatório ambíguo da unidade de explosivos, no qual nem sequer podem explicar o que é que sucedeu. No entanto, não existe uma montagem no sentido dos atentados terem sido inventados, algumas células atacaram estruturas físicas do Estado/Capital, de 2011 a 2012, mas em todo este delírio do Poder para mostrar a sua “omnipotência”, inventaram-se provas e conseguiram-se induzir pessoas que supostamente lutam contra o sistema dominador e patriarcal a fazer declarações delatoras. Todo esse vaivém de “provas”, essas declarações, as alegações e ainda a informação dos infiltradxs no movimento libertário armaram o caso, determinando que existe uma organização anarquista com vínculos internacionais e financiamento internacional, e inclusive “criminalizaram” a solidariedade internacionalista, com companheirxs sequestradxs por outrxs estados e, a nível local, com povos e lutas indígenas.

Durante o processo, o poder manipulou muitas das ações, certamente ter-se-à falado de montagem – como ofensiva, não como posição de vítimização – no sentido de compartilhar com xs compas experiências que lhes possam servir para enfrentar o inimigo perante factos nefastos que o Poder utiliza; só para mencionar algumas, nos cadernos de investigação há coisas estranhas: Na primeira evasão de domicílio que fizeram ao companheiro, aparece o nome de um suposto vizinho que era testemunha quando revistaram o domicílio de seu pai e mãe, o dito vizinho nem sequer existe, inventaram-no. Na segunda evasão, desta vez no seu domicílio enquanto se encontrava sequestrado nas celas da polícia, puseram lá uma agenda, que não é sua – no momento de requisitar os seus pertences “encontram-na” como se estivessem a descobrir “mais uma prova” para o acusar.

A situação atual do companheiro não se alterou, excepto a existência de “medidas alternativas”, com uma suposta maior “flexibilidade”, já que para estxs servxs do poder nunca deixou de representar um perigo para a sua sociedade acomodada.

Solidárixs

Atenas: Faixa solidária com xs represaliadxs pela operação Piñata

SOLIDARIEDADE COM XS DETIDXS E PRESXS DA OPERAÇÃO PIÑATA NO ESTADO ESPANHOL

A faixa tinha sido colocada inicialmente no parque municipal do bairro de Aghia Varvara, durante a oitava jornada da liga antifa de futebol de Atenas. Na terça-feira, 7 de Abril, colocámo-lo nas grades da Politécnica (rua Patision), no centro de Atenas, para enviar a nossa mensagem a mais pessoas.

Este é um pequeno gesto de solidariedade para com as dezenas de pessoas represaliadas pela operação Piñata que eclodiu em 29 de Março de 2015 com rusgas policiais em casas, espaços e okupas de várias cidades do estado espanhol.

FIM DAS PERSEGUIÇÕES A TODXS XS COMPAS ATINGIDXS
LIBERTAÇÃO IMEDIATA DOS 5 COMPAS EM PRISÃO PREVENTIVA

em espanhol | grego

Marselha: Solidariedade com xs inculpadxs da Operação Pandora

5ª feira 12 Fevereiro 2015 (18:30)

Projeção do filme “Caso Bombas” sobre os anarquistas no Chile
(O filme está em espanhol mas os subtítulos são em inglês)

Buffet vegan a preço livre
Para saber o endereço: blancarde2015@riseup.net 

Solidariedade internacional com as pessoas implicadas na Operação Pandora

Para aquelxs que lutam, o objetivo da solidariedade é o de desmantelar a solidão do encarceramento, travando uma batalha contra o esquecimento dxs nossxs companheirxs sequestradxs pelos Estados, pondo em foco a lógica do poder que procura conduzi-los ao abandono“.
– anarquistas de Pandora

Um ano após a finalização da farsa que o «Caso bombas» constituíu, e através de uma outra operação, neste lado do oceano neste momento, os ministérios, os juízes e as polícias espanhola e chilena têm trabalhado juntos num novo caso. Mónica Caballero e Francisco Solar, ambos perseguidxs anteriormente no “Caso Bombas” foram detidxs em Barcelona, sob a acusação de terem colocado um engenho explosivo na Basílica do Pilar, em Saragoça, de montar uma conspiração para alcançar um ato semelhante e de pertencer a uma suposta organização terrorista.

A 16 de Dezembro de 2014, 15 casas, okupas e centros sociais em Barcelona, Sabadell, Manresa e Madrid, foram invadidas pela polícia e onze companheirxs anarquistas foram sequestradxs pelo Estado espanhol. Quatro delxs foram libertadxs pouco depois, enquanto xs outrxs tiveram que esperar até 30 de Janeiro para aceder a liberdade vigiada. Para isso, o juiz ordenou a todxs uma caução de 3000 euros. Há, portanto, uma necessidade urgente de doações para pagar as suas cauções, no valor total de 21.000 euros.

Este sequestro dxs sete companheirxs, a partir daquele dia, tem provocado uma infinidade de concentrações e manifestações em muitas cidades. Milhares de pessoas têm-se manifestado em solidariedade com xs companheirxs detidxs, mostrando a sua raiva e ódio em relação a esta nova operação repressiva do Estado.

pt.contrainfo.espiv.net / efectopandora.wordpress.com

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Solidariedade com o espaço anti-autoritário e antifascista Distomo em Atenas

Em Novembro de 2014, o local Distomo (um espaço antifascista e anti-autoritário) abriu as suas portas em Atenas, na zona de Aghios Panteleimonas – uma área que em anos recentes se tornou numa das fortalezas de fascistas e racistas em geral e dos Nazis do Amanhecer Dourado em particular, na qual a escumalha desencadeou frequentemente pogroms racistas contra a população imigrante do bairro.

Na quarta-feira, 7 de Janeiro de 2015, várixs antifascistas fizeram uma visita aos escritórios do Amanhecer Dourado, perto da estação de metro de Larissis em Atenas. Mais tarde, noutra parte da cidade, enquanto xs compas do espaço Distomo estavam a sair da estação de metro de Panepistimio em Propylaea (centro de Atenas), foram assediadxs e detidxs pela bófia, acusadxs de terem atacado antes, nessa mesma noite, os escritórios do partido Nazi.

Nos dias 9 e 10 de Janeiro xs detidxs (35 adultos e 1 menor) já se encontravam diante de investigadores e procuradores nos tribunais de Atenas. Todxs elxs foram libertadxs com medidas restritivas, aguardando julgamento.

distomoNa sexta-feira,  dia 16 de Janeiro, como gesto de solidariedade com o espaço anti-autoritário e antifascista Distomo, em Atenas, o grupo anarquista Baruti (“Pólvora”) pendurou uma faixa no centro da cidade de Veria (norte da Grécia): “Contra o estado e qualquer fascismo. Solidariedade com o espaço Distomo. Nem um passo atrás.

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Atenas: Julgamento sobre o fogo posto de 2010 no banco Marfin adiado

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O julgamento do anarquista Thodoris Sipsas, em Atenas, foi adiado para 21 de Setembro de 2015.

Até então, salvo quaisquer circunstâncias imprevisíveis, a assembleia de solidariedade para este caso continuará a atender todas as quartas-feiras às 19:00, na Escola Politécnica de Atenas (edifício Gini), em Exarchia.

Bolonha: Cartaz sobre o processo acerca dos acontecimentos da Praça Verdi em 2007

Prefiro a loucura à vossa normalidade

A 15 de Julho de 2014, foi concluída a investigação do processo contra quatro companheiros e uma companheira, relacionado com os fatos ocorridos em 2007, em Bolonha, na Praça Verdi*, e que não chegou ainda ao final do julgamento em primeira instância.

Na ocasião, o acusador do ministério público, Simone Purgato, pediu penas altas, variando de 6 anos e meio a 7 anos e meio de prisão, contra os cinco anos, na altura em que foram detidxs e encarceradxs por obstruir um TSO.

Estes pedidos de penas são, obviamente, uma tentativa de criar um precedente e intimidar xs companheirxs. Da mesma forma, foram inventadas acusações contra elxs numa típica montagem de estado, para os fazer parar e reprimir.

A 17 de Outubro de 2014, às 10h00, haverá outra audiência na qual poderá ser dada a sentença.

Conscientes de que os verdadeiros lunáticos estão cá fora, mantemo-nos firmes, nem um passo atrás!

Máxima solidariedade e complicidade com Madda, Sirio, Fede, Juan e Fako!

Anarquistas

* Nota dxs tradutorxs: A 13 de Outubro de 2007, por volta das 4:00, uma jovem mulher que estava a dormir na Praça Verdi é notada por polícias, que decidem que o comportamento da jovem deve ser “corrigido” por tratamento sanitário obrigatório (TSO). À força, mantêm a jovem sob sua custódia e chamam uma ambulância para a comprometer a ir para um hospital psiquiátrico, contra a sua vontade.  Juan Sorroche Fernandez, Cristian Facchinetti (Fako), Federico Razzoli, Sirio Manfrini e Maddalena Calore, cinco compas do espaço anarquista Fuoriluogo, presenciaram o incidente e tentaram bloquear o pessoal da ambulância, numa tentativa de libertar a jovem mulher. A reação da polícia foi imediata e brutal. Pouco tempo depois, xs anarquistas foram algemadxs, tendo sido largamente espancadxs pelos polícias. As acusações inventadas contra eles são muito pesadas​​, incluíndo acusações de assalto (segundo a acusação, os compas levaram um par de algemas e um walkie-talkie, e tentaram roubar a arma de um dos polícias durante a confusão).

[Prisões espanholas] Actualização da situação de Gabriel Pombo Da Silva

A 13 de Junho de 2012, após diversas operações contra outros companheiros, foi lançada pelo governo italiano uma nova onda de repressão contra dezenas de anarquistas, chamada Ardire (também conhecida em português pela sua tradução, Ousadia), a qual chegou a 40 registros, 24 acusadxs e 8 prisões. Desta vez, até tentaram dar-lhe uma dimensão mais ampla, culpando compas e encarceradxs em diversos países europeus, tais como Grécia, Suíça e Alemanha. Como é habitual, o Estado pretende rever a sua face autoritária no sorriso dos seus inimigos irredutíveis, fabricando, por exemplo, o papel de chefes, de executadorxs e de coordenadorxs no seio de mais uma enésima “organização terrorista” onde existem afinidades, correspondência com os presos, lutas e vontade de luta. É desta forma que Gabriel Pombo da Silva e Marco Camenisch, presos há longos anos, se vêm inseridos nesta investigação, após uma greve de fome internacional em Dezembro de 2009, tratados como “símbolos e marcos de um novo projeto subversivo” de que seriam “ideólogos e defensores.”

Gabriel é detido em 2004, após um controle e tiroteio com a polícia na alemanha, isto após a fuga das jaulas espanholas nas quais esteve 20 anos (das quais 14 em regime FIES). Cumprirá 9 anos suplementares neste país. Foi extraditado para Espanha a 25 de Fevereiro de 2013 ao abrigo do mandado de detenção europeia, lançado por este país dez anos antes; para que fosse aclarada a pena que o esperaria, Gabriel foi citado dois meses mais tarde no Supremo Tribunal, desta vez para ser notificado de uma ordem de detenção europeia, lançada contra ele por Itália em Março, no âmbito da operação Ardire! É claro que Gabriel recusou lá ser enviado voluntariamente. Visto ele não ter renunciado ao “princípio de especialidade”, como dizem nos seus códigos ferozes, a justiça antiterrorista espanhola foi obrigada a recorrer, perante os seus homólogos alemães, da autorização de saída para Itália, em Janeiro de 2014. Após um circo que custou um ano de vida para alguns, e inclusive mais para outros, este mesmo tribunal levantou a 18 de Abril a ordem europeia de detenção contra Gabriel.

Todas estas peripécias do terrorismo de Estado europeu e dos seus lacaios de toga não nos deveriam fazer esquecer que Gabriel continua aprisionado em regime FIES desde a sua transferência à prisão de A Lama (Galiza) em Agosto de 2013. A sua correspondência continua continuamente submetida a caprichos dos carcereiros (tanto de saída como de entrada), as atividades são também restringidas com total arbrítrio, isto tudo num local famoso pelo seu elevado número de “mortes súbitas”… tal, foi encontrado morto, na sua gíria obscena. Para acabar, no que diz respeito aos esforços para se conhecer a data limite da pena para Gabriel, a justiça e a administração penitenciária mantêm os seus jogos abjectos de tortura de baixa intensidade, mudando regularmente os seus cálculos de carrascos. No momento, está fixada em… 2023.

Na realidade, estas diversas medidas são um aviso emitido contra todxs xs que se revoltam. Trata-se, ao mesmo tempo, de um assédio particular a um dos nossos compas* (“cada vez mais perigoso”), como eles dizem, um anarquista que passou 29 anos atrás das grades sem se deixar dobrar), assim como castigo demasiado corrente contra aquelxs que não se submetem. Porque a cabeça tem que ser curvada, as bocas amordaçadas e os olhos cerrados, por dentro e por fora. A menos que…

Abaixo todos os Estados, o confinamento, a polícia e tribunais,

Liberdade para todxs!

Anarquistas solidárixs
18 de Maio de 2014

Para se lhe escrever, até porque ele não pode responder, é preferível ser por correio registrado, para evitar que as cartas acabem na secção de perdidas e de ganâncias (textos, opúsculos e livros não entram por correio):

Gabriel Pombo Da Silva
CP A-Lama (Pontevedra), Monte Racelo s/n
36830 A Lama (Pontevedra) España/Espanha

* Detidxs em Novembro passado, outrxs 2 compas, Mónica e Francisco, encontram-se também aprisionadxs em regime FIES. Gabriel, no entanto, transferido três veces em 6 meses, encontra-se em isolamento, todavia.

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