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Nicósia, Chipre: ISTO É O EXÉRCITO, UM CEMITÉRIO

Skapoula: Pancarta contra o exercito

12/07/2011 – O texto seguinte é da concentração de hoje. Impresso em 1.000 cópias e distribuído nas ruas da zona central de Nicósia e no protesto que teve lugar na Praça Eleftherias.

Na manhã de segunda-feira, 11 de Julho, uma forte explosão na base naval “Evangelos Florakis” resultou na morte de seis bombeiros, incluindo dois soldados (marinheiros), e ferindo vários outros. A explosão é o resultado da negligência criminosa das “competentes” autoridades que estavam cientes do problema. Eles preferiram nada fazer, ao que parece para evitar alguns dos custos.  É claro que, tendo desencadeado uma incrível caça às bruxas contra os rebeldes, estavam demasiado ocupados para lidar com a questão menor da possibilidade de um acidente mortal a qualquer momento. Esse desprezo pela vida humana não é nada de novo neste mundo. Deparamos com ele todos os dias na escola, no exército [há ainda dois anos de serviço militar obrigatório para todos os jovens em Chipre], no trabalho – em todos o lado.

A explosão na base naval foi o resultado líquido desses conceitos, em tempos assassinos. A degradação da vida humana e da dignidade está profundamente ligada a uma concepção militarista da vida e da máquina militar.

O exército é uma instituição construída para matar, seja na guerra, nas fronteiras ou nas “missões cirúrgicas de paz” (ver Iraque, Bósnia, etc.). Não só matar pessoas, mas a imposição do, nacionalismo, da hierarquia e da disciplina rígida, que manipula e mata consciências. Como estudantes só podemos vê-la como uma continuação da lavagem cerebral levada a cabo nas escolas. Uma tentativa de nos moldar de acordo com os seus padrões, a fim de nos tornarem escravos obedientes do sistema e de qualquer poder.

Uma referência ao passado criminal do exército cipriota merece ser feita, (no mínimo, é hipócrita e contraditório pensar que só agora é negativo) pois em Chipre existe uma longa lista de suicídios de soldados (além dos problemas psicológicos causados aos soldados) e de “acidentes”, resultantes da interdependência e da cooperação com a junta militar (Grécia ’67-’73) e da participação no golpe de 74 com as suas trágicas consequências.

É semelhante o que se passa com a Guarda Nacional. Mas em Chipre existe um teatro do absurdo, já que não temos nem um nem dois, mas seis exércitos! E/K (cipriota grego), ELDYK (forças do exército grego) TOURDYK (forças do xército turco) da ONU e da NATO (bases britânicas).

Seis forças armadas numa pequena ilha! Por quê? Porque os militares são uma parte integrante de um sistema hierárquico, de imposição e de opressão, de exploração e de controle social. Em Chipre, os exércitos têm um papel muito importante na promoção e perpetuação do ódio e das divisões étnicas no interesse do poder, que lucra às custas da sociedade, sob o pretexto da questão de Chipre.

E a todos aqueles que estão a pedir demissões e a congeminarr exigências apenas podemos dizer-lhes que tal lógica é simplesmente uma maneira de manipular as reacções das pessoas e impedir as suas reivindicações ao governo. É necessário dissipar a ilusão de que uma administração diferente teria outro resultado. Não culpe apenas alguns ministros e outros “responsáveis” mas de todo o sistema do Estado e de todos os conceitos que lhe estão subjacentes. È preciso ter a percepção do que é colocar dinheiro acima da vida humana, preservar as divisões nacionais, a loucura militar e o apoio ao canibalismo incrível imposto pelas forças armadas uniformizadas em todo o mundo. A nossa única esperança reside na resistência contra qualquer máquina militar em qualquer tipo de poder,  para um mundo livre, sem fronteiras, sem exércitos, sem esta  repugnante desconsideração da vida humana.

NÃO SERVIR QUALQUER MÁQUINA ASSASSINA
ABAIXO TODOS OS EXÉRCITOS 

P.S. Enviamos a nossa solidariedade para com os recrutas e todos aqueles que são forçados a sofrer a brutalidade e a imposição autoritária do exército.  Nenhum refém nas mãos do Estado armado! 

Grupo estudantil SKAPOULA (FUGA)
skapoula.espivblogs.netskapoula@espiv.net

Texto original e em ingles

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