Galiza: Crónica da XIV Marcha à prisão de Teixeiro e da concentração em Compostela

Outro ano mais [11 de Janeiro de 2014], já lá vão 14, e um cento de  solidárixs, vindos de todas as partes da Galiza percorremos, a pé,  a distância que separa a gasolineira do polígono industrial do azarado cemitério de seres vivos da prisão de Teixeiro. Un ano mais desafiamos a intimidação e o assédio com que o poder nos presenteia em cada nova ocasião desta já antiga marcha solidária (multas por participar ou por infrações de trânsito inventadas, ameaças, julgamentos penais, furos das rodas dos nossos carros …) para fazer chegar às pessoas presas um pouquinho de carinho e esperança através de nossos berros libertários.

Felizmente este ano não tivemos também que desafiar as inclemências meteorológicas, como temos por costume, já que o tempo se manteve aprazível durante toda a jornada. Pedir o mesmo à picoletada já teria sido demasiado, assim tivemos que suportar outro ano mais de intermináveis ​​controlos e registros dos carros de todxs que nos aproximamos. No entanto, a sua atitude foi muito mais tranquila do que em anos passados ​​e, salvo por alguma incidência concreta, nos deixaram-nos bastante à nossa bola.

IMG_20140111_141524As presas do pavilhão de mulheres, as únicas que ainda podem ver alguma coisa – desde que a direção da penitenciária decidiu plantar pinheiros com os quais ocultam as nossas marchas do olhar dxs internxs – responderam com berros, ondeando bandeiras às palavras de ordem entoadas a partir do exterior, iniciando um curioso, mas apaixonado, diálogo entre presxs e manifestantes.

Apesar do férreo registro efectuado pelos verdosos esbirros do estado, e apesar da taxativa proibição de lançamento de qualquer tipo de artefactos pirotécnicos, um sortido caudal de foguetes lançados a partir de um monte próximo amenizou com o seu alegre estampido o nosso protesto. Este foi o motivo de várias identificações (que, aparentemente, derivaram em propostas de sanção) para algumas pessoas que casualmente se encontravam pelo monte. Um grande balão de papel com “A” circulado pintado decolou também desde o protesto em direção ao céu, para que o possam ter visto do mais recôndito canto do presídio, introduzindo assim uma chispa de liberdade nos corações dxs internxs.

Finda a marcha, e depois de uma “opípara” comida na biblioteca anarquista “A Ghavilla” de Compostela, chegou o turno ao protesto previsto para essa tarde, na praça do Toural de Santiago. A ideia era – além de nos solidarizarmos com xs presxs – levarmos a nossa libertadora mensagem às ruas da cidade, para confrontar o comum cidadão com uma realidade deliberadamente escondida em locais isolados. Presentes umas setenta pessoas, dedicaram-se durante os primeiros minutos a distribuir panfletos tranquilamente e a entoar palavras de ordem anticarcerárias. Mas a coisa trancou-se logo ao começar, pois um tropel de antidistúrbios, apetrechados para começar uma guerra, avançaram sobre o protesto, rodeando todos os participantes e impedindo que saíssem do aro. Foram identificando cada um ou uma dxs participantes, separando-os uma vez identificadxs e revistadxs em dois grupos diferenciados. Algo parecido com o que aconteceu já no ano anterior, só que desta vez sem sair da manif.

Uma vez terminado o “concientezudo” glossário de dissidentes pelo desproporcionado bloco de repressores uniformizados, e sendo já todos os manifestantes apenas um só grupo – bem esquadrinhado nos seus bolsos, mochilas e em muitos mais recônditos lugares do corpo -escoltaram-nos para fora do centro histórico, onde finalmente nos deixaram em paz. Apesar do humilhante de todo esse assunto, a verdade é que dificilmente se poderia evidenciar melhor a repressão inerente a este nauseabundo estado policial, pois os transeuntes de Compostela tiveram de flipar por cores com tão desmedido dispositivo, que nada teria que invejar ao da mais despótica das repúblicas bananeiras.

Rematado o protesto, e com as gargantas secas de tanto berrar palavras de ordem de protesto, fomo-nos a “remolhar” em cerveja (ou água sem gás para aqueles ou aquelas que assim o preferiram) ao frenético ritmo das “Transxenéricas”, na okupa “A Casa do Vento” de Compostela.

E com isto e um “bizcocho”… até ao ano que ve

Por C.R. que andou por lá.

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