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Itália: Engenho explosivo em San Giovanni (FAI-FRI)

Em tempos de paz e hibernação não há melhor resposta do que a ação. Um estímulo, uma continuidade e uma sacudidela para acordar aquelxs que dormem. Agir, de iniciativa própria, quebra o imobilismo e inflama aquelxs a quem o sangue ferve.

A prática anarquista do ataque deve ser o estímulo base da anarquia, caso contrário é um morto vivo. Um agir necessário para nos tornar vivos, nas formas que julgamos apropriadas, fora de qualquer programa, estrutura hierárquica ou vertical. Uma das muitas práticas revolucionárias que fazem parte da anarquia, nas suas entranhas.

Decidimos tomar nas mãos a nossa própria vida, quebrando a paz opressiva que nos circunda.

Na noite de 6 para 7 de Dezembro foi colocada no quartel dos carabinieri do bairro de San Giovanni, em Roma, uma garrafa térmica de aço com 1,6 kg de explosivos.

A nossa atenção virou-se para os principais guardiões da ordem mortal do capitalismo: as forças da ordem. Sem elas os privilégios, a arrogância, a riqueza acumulada pelos proprietários não existiriam: sempre tiveram a função de reprimir, encarcerar, deportar, torturar, matar aquelxs que, por escolha ou necessidade, se encontram fora da sua lei.

A luta contra o Estado não é simples e não se reduz a fórmulas mágicas. Mas é lá que estão os objetivos e não se pode andar sempre a fazer teorias e a falar de conveniência. Todo o indivíduo livre por decisão própria tem necessidade de colocar em prática a ação, aqui e agora. Não há delegação na luta pela liberdade.

Não devemos permitir-nos ser tomadxs do desânimo que estes tempos instilam em doses maciças. O que teriam sido estes anos se uma minoria de refratárixs não tivesse apanhado a tocha da anarquia? Se essxs companheirxs tivessem esperado melhores tempos?

Nada que o presidente da Comissão Europeia, cujo Natal foi arruinado, não saiba. Nada que se refira ao vampiro da Equitalia, mutilado que foi numa das suas garras [1]. O feiticeiro de Ansaldo Nuclear também deve ter sentido forte o calor da tocha da anarquia.[2]

Hoje tomamos a tocha da anarquia nas mãos, amanhã será outra pessoa. Para que não se apague!

Quem quer aguardar, continuará a aguardar. Quem não quer agir, justificando-se politicamente, continuará a não fazê-lo. Não esperamos nenhum comboio da esperança, não aguardamos momentos melhores. As condições criam-se com o confronto. O movimento é quando se age, caso contrário permanece imóvel. A libertação do indivíduo da autoridade e exploração é realizada por aquelxs diretamente envolvidxs.

No entanto, aquelxs que atacam são contagiadxs por uma pulsão. Quer dizer, a propaganda pelo facto.

Contra a bófia, políticos e seus ladrões. Contra os engenheiros da ciência e da indústria. Contra todos os mestres, mas também contra todos os servos. Contra as fileiras de cidadãos honestos da sociedade prisional.

Não nos interessa perder tempo e energia na crítica dos reformistas. Mesmo que não nos consideremos uma minoria de élite, enquanto anarquistas, temos nossas ações e nossas demandas. Nossa propaganda. Cada indivíduo e grupo de afinidades desenvolve e aumenta suas experiências na ligação fraterna. Sem especialização e sem querer impor um método. Nós escolhemos isso. Que todxs encontrem o seu caminho em ação. A organização hierárquica estruturada, além de matar a liberdade dos indivíduos, também se torna mais exposta à reação da repressão.

A organização anarquista informal é o instrumento que consideramos mais apropriado neste momento, para essa ação específica, porque nos permite manter nossa irredutível individualidade, dialogar através da reivindicação com os outros rebeldes e, finalmente, a propaganda transmitida pela eco da explosão.

Não é e não quer ser um instrumento absoluto e definitivo.

Um grupo de ação nasce e desenvolve-se sobre o conhecimento, através da confiança. Mas outros grupos e indivíduos podem compartilhar, até temporariamente, um projeto, um debate, sem se conhecer pessoalmente. Comunicam-se diretamente através da ação. A ação destrutiva direta é a resposta elementar para enfrentar a repressão. Mas não é isso apenas. A práxis anarquista também é um relançamento, uma proposta que vai além da solidariedade, relançando a espiral da repressão-ação-repressão. As ações de solidariedade são impotentes, mas não podemos fazer fronteira com a crítica, por mais armada que seja, de alguma operação ou processo opressivo.

X/xs companheirxs / prisioneirxs são parte da luta, dão-nos flanco e dão-nos força. Mas é necessário agir e organizar. O avanço do desenvolvimento tecnológico, as políticas de controle e repressão não dão muita margem para avaliação sobre o que fazer. A vida e a repressão na metrópole estão a ser redesenhadas. Mover-se, agir, pode-se tornar cada vez mais complicado.

Ao contrário dos “choques” frequentemente anunciados por um certo antagonismo, a imprevisibilidade é a melhor arma contra a sociedade de controle. Atinge onde não te esperam. Hoje, atingimos o coração da capital militarizada para desafiar os delírios da segurança. Amanhã, quem sabe, talvez nos subúrbios onde você menos espera. Não fazemos tréguas, escolhemos os nossos próprios tempos. Este sempre foi o princípio da guerrilha urbana. Com a diferença de que a conspiração informal das células não conhece hierarquias ou direções estratégicas. E é por isso que é ainda menos previsível.

O estado italiano está na vanguarda das políticas repressivas e militares. Por localização geográfica, muitas vezes é-lhe proposto fazer o trabalho sujo para defender as fronteiras da fortaleza europa.

O recente acordo do Ministro Minniti [3] com os sangrentos coronéis líbios não passa de uma prova recente. Atingido o número de escravos necessários “vamos usá-los em casa”, além de ser popular, ainda é um bom negócio. Na noite passada, trouxemos a guerra para casa do ministro Minniti. Os responsáveis diretos em uniforme, aqueles que obedecem, mantendo silêncio e sendo silenciosos, receberam um gosto do que merecem. Com esta ação, lançamos uma campanha internacional de ataque contra homens, estruturas e meios de repressão. Cada um/a com a ferramenta que considera mais oportuna e, se quiser, contribuindo para o debate.

FEDERAÇÂO ANÁRQUICA INFORMAL – FRENTE REVOLUCIONÁRIA INTERNACIONAL
Célula Santiago Maldonado

Dedicamos essa ação ao anarquista argentino sequestrado e assassinado pelos sicários da Benetton. Que em breve surja o dia em que quem desaparecerá da face da terra serão os seus opressores.

[1] refere-se a uma carta-bomba enviada em 2003 por uma célula FAI para casa do presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi. Prodi abriu o pacote em sua casa, mas a explosão subsequente não resultou em ferimentos graves.

[2] refere-se ao ataque de 2012 contra o presidente-executivo da Ansaldo Nuclear, Roberto Adinolfi, pela célula Olga da FAI-FRI, no qual Andinolfi foi atingido num joelho.

[3] Marco Minniti, ministro italiano do interior.

em italiano

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