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Treviso, Itália: Instalações da Liga do Norte atacadas pela célula Haris Hatzimihelakis

Cansadxs de ficar em silêncio, fartxs de ver violência sistemática e diária a ocorrer na sociedade – seja através do racismo, sexismo ou trabalho assalariado – cujos valores essenciais são autoridade e lucro. Enfastiadxs da exploração, a vermos todos os partidos políticos como o principal responsável disso – como elxs reprimem a liberdade com o aparelho estatal, reformista e repressivo (TV, media, associações, exército, proteção civil, etc.). O estado e o capital são os maiores criminosos, até violam as suas próprias leis – roubando através dos impostos, matando através das guerras e do trabalho assalariado, rejeição de botes de migrantes no mar, campos de concentração para imigrantes na Europa e África, contaminando irreversivelmente seres humanos, animais e todo o planeta – tudo pelo lucro e poder.

Não esqueçamos a cumplicidade hipócrita da sociedade composta por cidadãos/ãs que fingem não ver os horrores do racismo e nacionalismo, presentes e passados. Essa aceitação é o pilar do totalitarismo e da democracia: ao longo do tempo a autoridade baseada na indiferença, medo, apatia foi não só sócapaz de criar gulags e campos de concentração nazis e, presentemente, os campos de concentração na Líbia e fora das nossas casas. É uma história que se repete a si mesma.

12.08.2018

Na madrugada desse dia as instalações da Liga do Norte foram atacadas em Treviso, com um dispositivo explosivo. Reivindicamos a colocação do dispositivo contra políticos, polícias e seus lacaios. Não queremos ser cúmplices de tudo isso, nos oporemos à violência indiscriminada do Estado com violência indiscriminada contra os responsáveis, por tudo isso. A quase total pacificação da Itália, onde as massas estão ocupadas a fazer guerra entre os pobres, um dos nossos objetivos é o da oposição à renúncia, impotência e quietude. O Estado e o capital usam todas as formas de tecnologia e violência para desviar a atenção dos problemas reais dos explorados, sendo o principal deles o ódio entre xs mais vulneráveis e despossuídos, por meio de fronteiras, géneros, cores da pele.

Escusado será dizer que nenhuma facção insignificante de políticos autoritários será capaz de satisfazer os nossos desejos. Está-se a falar sobre o governo “verde-amarelo”, esquerda e direita, queremos que o estado seja destruído. Está a prometer-se aumentos salariais, redução de impostos, empregos, queremos a eliminação de dinheiro, bens e trabalho. Está a lutar por melhores condições do governo, mas só queremos nos divertir com as ruínas em chamas das suas cidades. Você faz política, nós fazemos guerra social.

As coisas estão difíceis, trata-se de um abismo existencial entre nós e elxs e não há espaço para diálogo.. como consequência disso sabemos onde atacar. Atacar o racismo e a exploração em particular. Atacar o Estado, o capital e todxs xs responsáveis. A ação direta torna claro o porque e o como, para nós.

Pela Anarquia!
Pela solidariedade internacional anarquista e rebelde!
Por um mundo sem fronteiras nem autoridade.

Com esta ação, saudamos a chamada lançada pelxs companheirxs da “célula Santiago Maldonado”, na qual se propunha aumentar os ataques à paz dos representantes da dominação e cúmplices.

Benvinda seja qualquer individualidade anarquista ou célula que continue a espalhar a chama, através da ação, no aqui e agora!

“Hoje tomamos a tocha da anarquia nas mãos, amanhã será outra pessoa. Para que não se apague!” [1]

Solidariedade com todxs xs prisioneirxs, Tamara Sol, Juan Aliste, Juan Flores, Freddy, Marcelo, J.Gan, Marius Mason, Meyer-falk, Dinos Yatzoglou, Lisa Dorfer, membrxs da CCF e da Luta Revolucionária.

Aos/ás anarquistas em Florença, Turim, Nápoles, Cagliari, Chile, Rússia, Alemanha, Polónia, da Operação Scripta Manent.

E para todxs xs rebeldes presxs nas cadeias de toda a parte do mundo!

Célula Haris Hatzimihelakis /International Negra (1881-2018)

[1] Célula Santiago Maldonado /FAI-FRI reivindica um ataque explosivo contra quartéis de carabineiros (07/12/2017)

original em italiano via a tradução em inglês

[Itália] Furor Manet

FUROR MANET
Setembro 2016, a Operação Scripta Manent, dirigida pelo procurador do Ministério Público de Turin Sparagna, leva à detenção de 8, entre companheiros e companheiras.

A principal acusação é a constituição de uma associação subversiva com fins terroristas. Junto com isso, a imputação inclui vários outros ataques, todos assinados pela FAI (Federação Anarquista Informal) e FAI / FRI (Federação Anarquista Informal / Frente Revolucionária Internacional). Até hoje, cinco companheiros e uma companheira permanecem na prisão, outra em prisão domiciliária, enquanto no bunker de Turim o julgamento segue a bom ritmo. Dezenas de polícias de múltiplas cidades vão alternando no cenário do tribunal, na presunção de reconstruir a história do movimento anarquista contemporâneo. O começo está sinalizado, como já vimos inúmeras vezes, na época do julgamento de Marini, durante os anos 90. Desde então, o aprofundamento obsessivo e incessante das nossas vidas leva os espiões profissionais a enumerar e distorcer até os detalhes mais ínfimos, até os mais insignificantes ou íntimos do dia a dia, das nossas vidas e relacionamentos. Uma representação patética, mecânica e determinista que nos deixa indiferentes.

É nas diferenças individuais e nos confrontos ásperos e por vezes carregados de tensões contrastantes que reside a história do movimento anarquista – a história de cada um ou uma de nós, com limites e contradições. A esta história pertencem as práticas revolucionárias, algumas das quais estão no banco dos réus em Turim.

Em tempos como este, mais do que nunca, apoiar métodos revolucionários significa lutar contra a repressão do Estado, cujo objetivo é sepultar os/as nossos/as companheiros/as debaixo de anos de prisão e aniquilar a história do movimento anarquista.

Nem um passo atrás, pela Anarquia.
Cassa antirep. Alpi Occidentali

[Itália] “Assim é…se lhe parece. Reflexões e atualizações em relação ao processo Scripta Manent”

Ilustração do artista gráfico holandês M. C. Escher.

As audiências em relação ao processo Scripta Manent encontram-se a decorrer ( Março a Julho).  As reflexões que se seguem – da autoria da companheira anarquista Anna Beniamino  – publicadas em Março, são datadas de Janeiro de 2018.

Assim é…se lhe parece
Reflexões e atualizações em relação ao processo

Não há grandes reflexões a fazer a propósito dum episódio repressivo (basicamente é sobre o jogo simples e cíclico da ação e reação), nem sobre as manigâncias da repressão, outra coisa bem conhecida; no máximo algumas observações sobre o desenvolvimento das suas técnicas e estratégias.

É o que vou tentar fazer aqui – mais de um ano depois das detenções – após a abertura do julgamento, o qual abriu uma brecha na bolha de censura e permitiu descobrir os arquivos da Procuradoria na complexidade da sua miséria. Isto depois do breve relatório aparecido na última edição da Croce Nera [Croce Nera Anarchica, nº 3 de Fevereiro de 2017] e os desenvolvimentos que ocorreram entre o fecho do processo e a audiência preliminar [de Julho de 2016].

No entanto, antes de qualquer comentário, quero reafirmar, simplesmente, o meu orgulho na anarquia e anarquistas – o que me permitiu alimentar com a solidariedade, feita de ações, escritos, de raiva que se recuperou para além dos portões e de prisão em prisão, mostrando novamente quanto a tensão anarquista está viva, atual e capaz de zombar das categorias e ir além dos limites que a repressão nos quer impor, ao desistir do peso dos medos e do mito do consenso.

Sempre pensei que a anarquia é uma coisa séria, se praticada por mulheres e homens fornecidxs da razão e, instintivamente, de algo que – quando o poder os bloqueia nas suas gaiolas – recai sobre ele e transforma em força as fraquezas que ele gostaria de nos insuflar. Estamos aqui por causa disso, num jogo de dados sem fim, entre a autoridade e a sua negação.

Além disso, era bem claro para mim que a anarquia tinha o privilégio indiscutível de poder se apoiar numa base filosófica poderosa, histórica e cultural, além dum instinto atávico para a negação – elementos que ainda hoje se misturam num conjunto eficaz de receitas destrutivas.

«A anarquia é poderosa, quando quer», enfatiza o companheiro anarquista Panagiotis Argirou na sua declaração, no verão passado, em solidariedade às pessoas presas no G20 em Hamburgo.

A ideia anarquista continua a ser um problema para a autoridade, mostrando aos espíritos livres o aspecto concreto que está na negação desta última.

Mas não quero criar mal-entendidos: não há processos simples contra ideias. Quando a repressão ataca é sempre como resultado de factos, ações específicas que minam a pacificação social – que é difusa e acostumada a controlar, tão típica desses tempos.

Ação e reação: mete-se em andamento processos contra anarquistas, pelo que estxs anarquistas são: inimigos do Estado.

A repressão – tal como a codificação e a aplicação do código penal que vêm a seguir – muda de forma e adapta-se segundo os riscos e o grau de perigosidade do confronto em curso: pode avançar com uma ferocidade vingadora, fazendo tábua rasa de tudo o que ela encontra no seu caminho, ou com um certo paternalismo até, ou com todo um painel de nuances intermédias. Por vezes são xs refratárixs, eles próprios, que dão o ritmo da ação, às vezes são elxs que sofrem golpes repressivos – e respondem. Muitas vezes são elxs que se queixam de não se mexerem – a não ser quando são encurraladxs pela repressão, em vez de atacarem os primeiros.
No entanto, deve-se ter presente que receber golpes não significa ser as «vítimas».

É provável que a «vítima da repressão» seja um papel já muito antigo, confortável para alguns no teatro da democracia – um rótulo falso e desagradável que produziu o pietismo e não uma consciência combativa.

É lá que se situa a importância destes tempos: na nova (ou renovada) consciência de ser um objeto contundente, portador de germes subversivos se se quiser – não apenas no interior de um “meio” estreito, mas também para se apresentar de forma social ou anti-social, de acordo com cada um/a – como orgulhosxs portadorxs de intensa crítica da era da dominação tecnológica, controlo e homologação geral.

Despir o imperador e montar as suas partes escondidas foi – e continua a ser hoje tal como no passado – alguma coisa que provoca a repressão, seja com os velhos ou com novos instrumentos. As categorias ridículas do Código Penal – desculpas, provocações, associações – visam impressionar o tecido que conecta pensamento e ação: a solidariedade.

Não podemos nos permitir ser surpreendidos com isso; há mais de um século, existiram associações de malfeitores e a autoridade real mandou fechar os jornais e perseguiu xs subversivxs e as suas reuniões, vigiava os lugares mal afamados onde estavam a reunir-se. Hoje monitorizam também a tela e as telecomunicações.

Ao contrário do passado, o controlo tornou-se invasivo devido ao advento de novos dispositivos tecnológicos – algo que é frequentemente acompanhado por uma consciência e uma confiança menos fortes no seu próprio potencial e possibilidades de se lhe opor [ao controlo].

Modelos e técnicas repressivas são reintroduzidos e modernizados (às vezes nem mesmo isso), usados se necessário; actualmente, são usados para conter ou tentar conter uma efervescência inegável nos meios anarquistas, entre outras coisas.
Constatar isso não significa parar como animais aterrorizados, porque surpreendidos com os faróis de um camião que chega em alta velocidade, ou se jogar – mãos e pés amarrados – na boca do monstro, persuadidxs de sua inevitável voracidade.  Mas sim uma mudança de perspectiva: aspirar, hoje e sempre, ser um bocado indigesto, sem tombar na paranóia de ver uma omnisciência e um todo-poderoso poder, onde muitas vezes não há estratégia geral, mas um emaranhado informe de interesses de carreira que surge em contraste e orientação alheias às de funcionários mais ou menos zelosos.

Não devemos esquecer o factor humano, mesmo na sua forma mais débil, como uma papelada de comissariado, a qual – ao voar e distorcer pedaços das nossas vidas – nos mostra um amplo panorama da miséria da sua existência.

Começando pelo fim: da associação ao incitamento e vice-versa.

Com a notificação do encerramento do dossier, em Abril de 2017 – para pessoas presas e outrxs acusadxs de Setembro de 2017 – além das ofensas de que já são acusadxs, foi adicionado, para 12 dos primeiros 17 acusadxs, este 414 C.p. (incitamento a crimes e delitos) com o objetivo de terrorismo, como redactores e / ou difusores da Croce Nera, o boletim em papel e o blog – referindo explicitamente para publicações e artigos do n °s 0 a 3. Sinal dos tempos, a ofensa de incitamento é agravada «por ter cometido os fatos através de instrumentos de informática e telecomunicações».

Além disso, em 2 de Junho de 2017, com um timing bastante oportuno em comparação com a audiência preliminar de 5 de Junho, o efeito bola de neve da repressão levou mais outros 7 companheirxs – estxs embora acusadxs ​​permanecem  livres até ao julgamento-  por 270 bis [Associação para fins de terrorismo] e 414 C.p, enquanto redatores (ou não) de Croce Nera, do blog RadioAzione e de Anarhija.info.

Isto além de se acusar 2 destes de 280 C.p [ato de terrorismo com engrenagens que podem causar a morte] por causa da descoberta – durante as perseguições de Setembro de 2016 – junto com outros textos publicados em Croce Nera, de uma cópia da reivindicação de ataque contra o tribunal de Civitavecchia, em Janeiro de 2016, pelo Comité de Pirotecnia por um ano extraordinário – FAI / FRI.

A seguir à audiência preliminar, as duas partes da investigação foram fundidas e todos os acompanhantes foram enviados para julgamento, permanecendo inalteradas as diferentes acusações. Após quase um ano de controlo obsessivo (com bloqueios e sequestro sistemático do correio dxs prisioneirxs, passou diretamente aos arquivos do Gabinete do Procurador sendo adicionado ao processo na audiência preliminar), pois o ministério público e a polícia – através de vigilância electrónica à solidariedade – conseguiram fazer sair uma medida punitiva contra xs companheirxs que mantiveram contacto com xs prisioneirxs e prosseguiram a atividade editorial.

O fato de usarem os artigos 270bis e 414 C.p. juntos está a tornar-se uma rotina, nas suas estratégias, se olharmos para o que foi feito com o julgamento do processo Shadow, em Perugia, e o uso que se faz dele neste processo.

Sem esquecer a intensificação, nos últimos anos, do “único” uso dos 414 C.p. – sem o usarem mais do que como complemento às acusações de associação  para atacar qualquer escrito que “defenda” a ação anarquista – como ferramenta maleável destinada a sufocar as chamas das palavras e ações solidárias.

Também se deve acrescentar que os pequenos truques dos polícias não impressionaram ninguém.

Alvará reciclável….a estrutura do inquérito

Talvez os escritos permaneçam, mas em relação ao Scripta Manent a base e os DIGOS de Turim realmente não queriam jogar nada fora. Saíram do antigo cemitério de velharias os processos passados e classificados, mastigados e cuspidos de 20 anos de vigilância e repressão:

O processo ORAI (também chamado de processo do Marini, investigação do ROS, Roma) de 1995 ;

A investigação do ataque ao Palazzo Marino [a sede da Câmara Municipal] em Milão, 1997, por Azione Rivoluzionaria Anarchica;

A investigação de Solidarietà Internazionale (pelo procurador Dambruoso, investigação conduzida pelo DIGOS, Milão), arquivado em 2000;

A operação Croce Nera (processo do Piazzi, liderada pelo ROS, Bolonha), que meteu na prisão, em 2005, os redatores da Croce Nera da época, arquivado num curto espaço de tempo;

A investigação sobre um pacote incendiário enviado ao comissário-chefe do Lecce em 2005, assinado por Narodnaja Volja / FAI;

A investigação sobre o ataque ao quartel dos Carabinieri de Fossano e os pacotes incendiários assinados pela FAI / RAT [Rivolta Anonima e Tremenda], 2006 (processo do Tatangelo, ROS, Turim), arquivado em 2008;

A investigação de pacotes incendiários e o ataque na área de Crocetta, em Turim, em 2007, assinados pela FAI / RAT (processo do Tatangelo, DIGOS, Turim), arquivado em 2009;

A operação Shadow (Processo do Comodi, Digos, Turim) começada em 2009 para 270bis [associação para fins de terrorismo], 280 [ato de terrorismo com  mecanismos que podem causar a morte], concluída em 2016 com condenações por 414 C.p. para o boletim KNO3 e 2 condenações por roubo de carro e tentativa de sabotagem de caminho de ferro;

A operação Ardire (processo do Comodi, ROS, Perugia), começada em 2010, com 8 pessoas em prisão preventiva em 2012, o dossier foi inteiramente transferido para o da Scripta Manent, por passagem e jurisdição territorial, primeiro em Milão, depois em Turim;

As investigações Kontro, Replay, Sisters, Tortuga (proc.do Manotti, ROS, Génova) sobre os ataques às casernas dos Carabinieri em Génova, o R.I.S. [Reparto Investigazioni Scientifiche, a “polícia científica” dos Carabinieri] de Parma, em 2005, e outros ataques;

As investigações Evoluzione e Evoluzione II (Procuradores Musto e Milita, ROS, Nápoles), começadas em 2012 com o ataque a Adinolfi, até que “evoluem” para vigilância dos blogs RadioAzione e RadioAzione Croazia;

A investigação Moto (processo de Franz e Piacente, ROS, Génova), que levou, em 2012, à prisão de Nicola Gai e Alfredo Cospito;

A investigação do pacote-bomba contra a Equitalia (processo Cennicola e Polino, DiIGOS, Roma) de 2011, reaberta em 2014;

A investigação sobre o ataque ao tribunal de Civitavecchia e os cocktails Molotov contra o Quartel dos Carabinieri em Civitavecchia em 2016 (processo do Cennicola, ROS, Roma).

Esta longa lista foi feita pela leitura na diagonal do índice [do processo Scripta Manent]; esquecendo seguramente certas coisas – sem listar outras vigilâncias e arquivos passados de uma investigação para outra, de um município para outro,  quantas vezes fonte de batalhas para obter jurisdição territorial, através de combinações possibilitadas pela formulação de delito associativo.

A estratégia por trás de tudo isto é bastante visível e a pilha de papel, ainda que contraditória, torna-se sugestiva. Isto considerando que são injetadas nos registros do Scripta Manent, quase inteiramente, as actas dos processos acima enumerados, para além das basófias do par Sparagna / DIGOS de Turim, que só à sua conta fez 206, e alguns arquivos de actos judiciais.

Registo e seleção: centenas de nomes e CVs, episódios de subversão no dia a dia indexados, seccionados e recompostos ad hoc. Trajectórias existenciais, fragmentos de discussão e periódicos publicados sobrepostos à interpretação (discordantes segundo o controlador de serviço), acrobacias espaço – temporais, estudos comportamentais dignos de Lombroso.  Esta não é seguramente a primeira vez que isso acontece – tal como a tentativa bem experimentada já de dividir entre “bons e maus” e a definição da imprensa anarquista como “clandestina” e preparatória à «associação».

Acontece frequentemente – eu mesma faço isso – fazemos ironia dos consideráveis fios de embrulho e das contradições evidentes nos arquivos judiciais; esquecemos, no entanto, que há nisso uma consciente arrogância de poder.

Além dos resultados, grandes ou pequenos, o aparelho repressivo está bem ciente da latitude que as suas operações anti-terrorismo lhe dão. Vigiar e punir…acompanhamento aprofundado de contactos, reações, tentativas de pressão sobre o “frágil” e amplitude da solidariedade, longas detenções preventivas…

No entanto, acredito que as análises que tendem a ver a repressão contra certos sectores do movimento – como laboratório onde testar técnicas repressivas a expandir aos mais amplos sectores sociais – são míopes e erróneas. Há lá uma presunção paternalista, ainda que ingénua – além da tentativa de encontrar consensos, através do cimento da luta contra a repressão – na morna dissensão destes anos.

O uso da cenoura e do pau, pelo contrário, é muito mais articulado e sorrateiro.

O poder não precisa de testar in vitro a repressão sobre os anarquistas;  simplesmente usa contra os anarquistas um pouco da violência desdobrada muito mais violentamente algures: o Estado não se preocupa por treinar bandos de mercenários armados para defender as suas fronteiras e interesses, de afogar todos os dias milhares de seres humanos, de usar o seu território para ofensas simples de opinião (basta clicar na página do primeiro idiota dos fundamentalistas religiosos do século XXI para acabar amordaçado no primeiro voo).

Por enquanto, a repressão espalha-se a punições muito diversas e está bem ciente por onde pode expandir-se cegamente, com a ampla cobertura escravizada dos media. Sem esquecer que, mesmo nos sectores do movimento, as frases “exemplares” não faltam.

Acontece que, muitas vezes, são xs companheirxs xs mais atentxs e conscientes da repressão. Não é por acaso que é no movimento que mais se presta atenção à evolução das técnicas de registo, controle, vigilância e de manipulação do consenso.

Psico-antropologia do comissariado

Num cenário onde tudo é baseado em inferências/especulações, manuseiam-se doses maciças de estudo comportamental para dar sentido a tudo isto. A consciência da omnipresente vigilância policial invasiva  – e o que fazer para se subtrair a ela – torna-se significativa em si mesma.

Existem práticas correntes nos círculos do movimento – práticas essas que são mesmo difundidas socialmente – pelas mais diferentes razões: falar de forma evasiva ao telefone ou usá-lo de forma limitada, não da maneira compulsiva como faria o guia do perfeito cidadão-consumidor; prestar atenção para ver se se é seguido a pé; procurar microfones e câmaras em casa, no carro e no seu local de trabalho; prestar atenção à vigilância de telecomunicações, apenas para dar alguns exemplos.

Após alguns anos, também ficamos a conhecer as interpretações oportunistas da bófia em relação aos encontros com amigos e companheirxs e a participação, por vezes, nos momentos de ajuntamento do movimento: de acordo com o acórdão sem recurso do serviço de voyeur, estamos muito ou muito pouco presentes.

Também conhecemos a paixão dos “apêndices” para realizar qualquer atividade, viagem ou pequena excursão como «encontro entre cúmplices» (o excesso de zelo do esbirro piemontês a tomar forma em longas reportagens em vídeo na praia na Ligúria, em meados de Agosto, com percursos de natação até a bóia que vão tornar-se «reuniões reservadas»).

Agora, na intersecção perfeita entre psicopolicial e comédia italiana, é a ausência que se torna evocativa: ausência física, falta de telefonemas e contactos. Isso não está relacionado, na tese acusadora, a um evento ou ação em particular, mas [que é sugestivo para a polícia] é o próprio fato de fugir do controlo, mais especificamente não sendo vigiado passo a passo, e não está claro se isso depende da vontade das pessoas que estão a ser vigiadas ou da incapacidade óbvia daqueles.

Demasiada irónico? Talvez, uma vez que a realidade é feita de uma vigilância obsessiva e perturbadora: buscas improvisadas para esconder a intervenção de microfones escondidos em casa que não funcionam bem, vigilância e radiografia dos correios, com a recolha de encomendas directamente de caixas de correio ou correios, cópias de chaves para entrar em locais de trabalho sem o conhecimento de pessoas sob investigação, câmaras escondidas em locais públicos considerados como “objectivos potenciais”.

Aqui estão alguns exemplos de um aplicação bastante densa de vigilância, além de métodos mais tradicionais: telefones sob escuta há vários anos, microfones em casa e nos locais de trabalho, GPS em carros, câmaras a apontar para a entrada da casa, adega, local de trabalho, controlos cruzados de chamadas telefónicas e posicionamento geográfico de computadores portáveis, perseguições a pé com fotos e vídeos, intercepção de correios e escutas através dos microfones dos computadores.

Em seguida e para se ficar ainda mais embrulhado na ilusão tecnológica e (pseudo)científica do novo milénio, um florescimento de estatísticas, diagramas, percentagens, cruzamento de dados mais curiosos: quantas vezes as pessoas sob investigação foram vistas ao longo dos anos (… até em casa, entre membros da mesma família ou pessoas que moram juntas, e mesmo durante os processos em que estiveram envolvidos, e quantas vezes se reencontraram…os seus telefones; em que dias da semana chegam as bombas empacotadas; quais as cidades mais afectadas por ataques; que palavras usam, preferencialmente, os anarquistas…mas aqui vamos além do estudo estatístico – sociológico -comportamental e para outro pilar do tribunal…

A sugestão de uma peritagem

Neste caso [montagem policial] o que chama a atenção é a evidência de uma técnica de remendos com o objetivo de colar delitos precisos a certos acusadxs. Para dar substância aos pressupostos da acusação há um uso maciço de peritagens gráficas – linguístico – estilísticas, a fim de atribuir a alguns acusados a escrita de certos textos de reivindicação.

Explicado que é desta maneira pode parecer até uma coisa séria (e é este o caso, quando serve como desculpa para detenção preventiva), mas quando descobrimos o conhecimento moderno – que usa a tecnologia e o espírito humano – podemos ver a que ponto os métodos utilizados são manobráveis ao seu desejo, questionáveis e com resultados aleatórios.

Deste ponto de vista, é bem clara a escolha de se continuar nisto, ignorando com conhecimento de causa os resultados que contradizem a tese escolhida: de um só golpe as comparações que levem a resultados negativos são ignoradas e em seu lugar retalham-se os textos  de modo a adaptá-los ao que se estava à procura. Palavras de uso comum ou próprias da linguagem político-poética-anarquista tornam-se caracterizantes a um ponto que – já no paradoxo de correspondências – estão cheias de atribuições… ou seja que dali saem tantos disparates que estes vão mesmo para além das acusações.

A máquina da repressão está bem consciente da inconsistência de certas comparações e peritagens – admitindo-o, até – mas também se encontra consciente de que o uso do ADN e outros conhecimentos técnico-científico foi “refogado” para a opinião pública como tecnologia segura e indiscutível, tal como se o tenta usar no tribunal.

Na realidade, os exemplos de manipulação de erros e/ou de aproximações (e até a jurisprudência agora é obrigada a admitir isso, depois dos primeiros anos de uso “acrítico” e de qualquer traço biológico). Podemos ver alguns exemplos recentes disso, um pouco por todo o mundo, em ações judiciais contra companheirxs.

Desta colheita compulsiva de material e confrontações cruzadas podem-se, no entanto, encontrar algumas informações sobre a sua colheita e utilizações sistemáticas.

O DAP [Dipartimento Amministrazione Penitenziaria, corresponde à Administração Prisional] oferece-se como fonte – além de identificar fotos e impressões digitais a que se pode juntar vestígios de prisões passadas, fornecendo ficheiros pessoais e traços gráficos de todos os anarquistas que passaram pelas masmorras italianas – surgindo mesmo dos seus arquivos o correio, as instâncias judiciais, os pedidos à administração, etc. Se o caso não foi por detenção ou perseguição, chegam mesmo a esgravatar nos arquivos municipais.

Há mais de dez anos que utilizam múltiplas bases de dados de ADN – alimentadas não só com assuntos embarcados – vindos das buscas por ordem judicial  – mas também conservando amostras e fazendo comparações cruzadas de partes delas por convicção, em posse de diferentes arquivos [policiais e/ou judiciais].

* * *
Aquilo que acabei de descrever não aborda mais do que alguns dos aspectos – a desenvolver e a serem alvo de reflexão, portanto. O que resta é o facto da sua ausência [do controlo], num contexto onde os procedimentos repressivos são vasos de comunicação, se tornar um motivo para se ser acusadx. A solidariedade é uma prova agravante e, se a operação Scripta Manent visava atingir alguns anarquistas, pode-se dizer que, até como desforra disso, aumentou a solidariedade e a consciência. E que aquilo tudo, ao fim e ao cabo – apesar do tão pequeno pedaço de céu que eu agora posso ver – nada mais faz do que me devolver o sorriso.

Anna
Roma, Janeiro de 2018

*****

Para escrever à Anna e outrxs companheirxs, actualmente na prisão no seguimento da Operação Scripta Manent:

BENIAMINO ANNA
Casa circondariale Rebibbia Femminile
Via Bartolo Longo, 92
00156 – Roma

BISESTI MARCO
Casa circondariale
Strada Statale per Casale, 50/A
15121 – Alessandria

NICOLA GAI
ALFREDO COSPITO
DANILO CREMONESE
ALESSANDRO MERCOGLIANO
Casa circondariale
Via Arginone, 327
44122 – Ferrara

Fonte: Croce Nera Anarchica
via Attaque (francês)

Itália: Atualização sobre a situação dxs compas presxs na operação “Scripta Manent” (meados de Março)

Todxs xs companheirxs acusadxs que podem assistir às audiências expressaram o desejo de ter uma possível presença solidária no tribunal.
Marco assistiu a algumas das últimas audiências, mas ainda não sabe se assistirá às próximas, já que ultimamente tem assistido sózinho.
Anna obteve a permissão para assistir às audiências 7ª e 8ª, portanto, SOLICITAMOS  PRESENÇA SOLIDÁRIA NO TRIBUNAL para lhes darem um sinal de proximidade e apoio.

Tanto quanto sabemos, Danilo, Alfredo e Anna recebem e-mails regularmente. Eles encontram-se bem e com grande espírito. Valentina está em prisão domiciliária, com todas as restrições, pode ver apenas alguns parentes.

O companheiro Marco Bisesti disse-nos que estará presente em todas as audiências do julgamento.

As audiências são levadas a cabo da seguinte maneira:

MARÇO: dias 1-7-8-15-22-28
ABRIL: dias 12-18-19
MAIO: dias 2-3-9-10-17-23-24-30-31
JUNHO: dias 6-7-14-15-20-21
JULHO: dias 4-5-11-12-18-19-25-26

Em breve estará disponível a direção do correio electrónico – para solicitar informação adicional sobre o caso.

fonte publicacion refractario

Ferrara, Itália: Reivindicação de sabotagem de duas lojas Benetton

Somos inimigxs do poder e da dominação. Queremos o fim de todas as formas de exploração. Aspiramos à destruição absoluta da autoridade e do sistema capitalista. Os símbolos e as conseqüências do capitalismo e da exploração estão por todo o lado. Portanto, não precisamos mais do que tomar uma posição clara, escolhendo permanecer ao lado dxs oprimidos e atacando o sistema e seus cúmplices: ação direta pela autodeterminação e pela libertação total! Não importa quão pequena a ação seja quando comparada com os gigantes monstros que estamos a combater: são fatos e não promessas em época de eleições, são a prova do fato da luta não ter acabado ainda.

Na segunda-feira, 29 de janeiro, numa posição anarquista, antiespecista, anti-autoritária e anti-capitalista, sabotámos duas lojas da Benetton localizadas em Ferrara, bloqueando as fechaduras com cola.

Em solidariedade com o povo mapuche que, na Patagônia, há décadas que resiste à opressão da multinacional unida de cores que, desde 1991, retirou (criando vários problemas ambientais e sociais) quase um milhão de hectares de terra ao povo mapuche que viveu séculos naqueles lugares em harmonia com a Pachamama (Mãe Terra).

Pelos animais escravizados e explorados para produzir lã (para criar roupas) e carne (o negócio do Grupo Benetton não se limita apenas ao setor de vestuário).

Pelxs trabalhadorxs, crianças e adultxs, exploradxs nas fábricas e chantageadxs através do sistema de abastecimento.

Em memória das vítimas do colapso do Rana Plaza, em Bangladesh; e de Santiago Maldonado, Rafael Nahuel e todxs xs ativistas que perderam a vida por causa da brutal repressão implementada pelos Estados da Argentina e do Chile.

E também para não esquecer a participação da Benetton no transporte de material bélico britânico no Iraque  e a hipocrisia das campanhas publicitárias escondidas por trás do falso compromisso social feito por Oliviero Toscani, na tentativa de mostrar uma imagem limpa da multinacional.

“O poder é constantemente camuflado e o grande desafio é reconhecer as suas cores”

PELA LIBERTAÇÃO DE HUMANXS, ANIMAIS E TERRA

Célula anarquista – Sebastián Oversluij Seguel

fonte:croce nera anarchica

Tessalónica, Grécia: Ataque incendiário por um Dezembro Negro

Vivemos num mundo em que todos os aspectos da nossa vida estão rodeados pelo sistema tecnológico. As relações sociais que são criadas através de computadores e telefones celulares estão muito distantes da vida real. Cada um de nós é monitorizado diariamente em todos os cantos da cidade por câmaras, localizadas através do sinal enviado pelos nossos telefones celulares e arquivados por impressões digitais e amostras de ADN.

Esta concepção visa transformar cada pessoa num número armazenado num banco de dados para que seja uma peça previsível e segura deste sistema podre.

O nosso objectivo é ver o nascimento de um mundo de individualidade rebeldes que tomem as suas vidas nas suas próprias mãos, percebendo o seu desejo de rebelião e liberdade. Então voltámos a atacar a empresa de telecomunicações OTE, continuando a nossa campanha anti-tecnologia.

Na madrugada de 14 de Dezembro, colocámos um dispositivo incendiário no sistema de antena OTE da Seych Sou.

Pensamos na solidariedade como arma no conflito contra o Estado e a capital, e é por isso que respondemos aos ataques de estados repressivos contra anarquistas que atacam os objetivos do poder.

Solidariedade com o anarquista Salvatore Vespertino, que foi preso em 3 de Agosto em Florença e acusado de explodir uma livraria fascista, uma acusação baseada em evidências de ADN.

Solidariedade com o anarquista Dinos Yatzoglou, que foi preso na manhã de 28 de Outubro em Atenas e acusado de enviar cartas-bomba.

Morte ao Estado.

Por um Dezembro Negro, pela Anarquia.

Célula anarquista “Destruição do existente”.

via Indymedia Athens l em francês

Itália: Engenho explosivo em San Giovanni (FAI-FRI)

Em tempos de paz e hibernação não há melhor resposta do que a ação. Um estímulo, uma continuidade e uma sacudidela para acordar aquelxs que dormem. Agir, de iniciativa própria, quebra o imobilismo e inflama aquelxs a quem o sangue ferve.

A prática anarquista do ataque deve ser o estímulo base da anarquia, caso contrário é um morto vivo. Um agir necessário para nos tornar vivos, nas formas que julgamos apropriadas, fora de qualquer programa, estrutura hierárquica ou vertical. Uma das muitas práticas revolucionárias que fazem parte da anarquia, nas suas entranhas.

Decidimos tomar nas mãos a nossa própria vida, quebrando a paz opressiva que nos circunda.

Na noite de 6 para 7 de Dezembro foi colocada no quartel dos carabinieri do bairro de San Giovanni, em Roma, uma garrafa térmica de aço com 1,6 kg de explosivos.

A nossa atenção virou-se para os principais guardiões da ordem mortal do capitalismo: as forças da ordem. Sem elas os privilégios, a arrogância, a riqueza acumulada pelos proprietários não existiriam: sempre tiveram a função de reprimir, encarcerar, deportar, torturar, matar aquelxs que, por escolha ou necessidade, se encontram fora da sua lei.

A luta contra o Estado não é simples e não se reduz a fórmulas mágicas. Mas é lá que estão os objetivos e não se pode andar sempre a fazer teorias e a falar de conveniência. Todo o indivíduo livre por decisão própria tem necessidade de colocar em prática a ação, aqui e agora. Não há delegação na luta pela liberdade.

Não devemos permitir-nos ser tomadxs do desânimo que estes tempos instilam em doses maciças. O que teriam sido estes anos se uma minoria de refratárixs não tivesse apanhado a tocha da anarquia? Se essxs companheirxs tivessem esperado melhores tempos?

Nada que o presidente da Comissão Europeia, cujo Natal foi arruinado, não saiba. Nada que se refira ao vampiro da Equitalia, mutilado que foi numa das suas garras [1]. O feiticeiro de Ansaldo Nuclear também deve ter sentido forte o calor da tocha da anarquia.[2]

Hoje tomamos a tocha da anarquia nas mãos, amanhã será outra pessoa. Para que não se apague!

Quem quer aguardar, continuará a aguardar. Quem não quer agir, justificando-se politicamente, continuará a não fazê-lo. Não esperamos nenhum comboio da esperança, não aguardamos momentos melhores. As condições criam-se com o confronto. O movimento é quando se age, caso contrário permanece imóvel. A libertação do indivíduo da autoridade e exploração é realizada por aquelxs diretamente envolvidxs.

No entanto, aquelxs que atacam são contagiadxs por uma pulsão. Quer dizer, a propaganda pelo facto.

Contra a bófia, políticos e seus ladrões. Contra os engenheiros da ciência e da indústria. Contra todos os mestres, mas também contra todos os servos. Contra as fileiras de cidadãos honestos da sociedade prisional.

Não nos interessa perder tempo e energia na crítica dos reformistas. Mesmo que não nos consideremos uma minoria de élite, enquanto anarquistas, temos nossas ações e nossas demandas. Nossa propaganda. Cada indivíduo e grupo de afinidades desenvolve e aumenta suas experiências na ligação fraterna. Sem especialização e sem querer impor um método. Nós escolhemos isso. Que todxs encontrem o seu caminho em ação. A organização hierárquica estruturada, além de matar a liberdade dos indivíduos, também se torna mais exposta à reação da repressão.

A organização anarquista informal é o instrumento que consideramos mais apropriado neste momento, para essa ação específica, porque nos permite manter nossa irredutível individualidade, dialogar através da reivindicação com os outros rebeldes e, finalmente, a propaganda transmitida pela eco da explosão.

Não é e não quer ser um instrumento absoluto e definitivo.

Um grupo de ação nasce e desenvolve-se sobre o conhecimento, através da confiança. Mas outros grupos e indivíduos podem compartilhar, até temporariamente, um projeto, um debate, sem se conhecer pessoalmente. Comunicam-se diretamente através da ação. A ação destrutiva direta é a resposta elementar para enfrentar a repressão. Mas não é isso apenas. A práxis anarquista também é um relançamento, uma proposta que vai além da solidariedade, relançando a espiral da repressão-ação-repressão. As ações de solidariedade são impotentes, mas não podemos fazer fronteira com a crítica, por mais armada que seja, de alguma operação ou processo opressivo.

X/xs companheirxs / prisioneirxs são parte da luta, dão-nos flanco e dão-nos força. Mas é necessário agir e organizar. O avanço do desenvolvimento tecnológico, as políticas de controle e repressão não dão muita margem para avaliação sobre o que fazer. A vida e a repressão na metrópole estão a ser redesenhadas. Mover-se, agir, pode-se tornar cada vez mais complicado.

Ao contrário dos “choques” frequentemente anunciados por um certo antagonismo, a imprevisibilidade é a melhor arma contra a sociedade de controle. Atinge onde não te esperam. Hoje, atingimos o coração da capital militarizada para desafiar os delírios da segurança. Amanhã, quem sabe, talvez nos subúrbios onde você menos espera. Não fazemos tréguas, escolhemos os nossos próprios tempos. Este sempre foi o princípio da guerrilha urbana. Com a diferença de que a conspiração informal das células não conhece hierarquias ou direções estratégicas. E é por isso que é ainda menos previsível.

O estado italiano está na vanguarda das políticas repressivas e militares. Por localização geográfica, muitas vezes é-lhe proposto fazer o trabalho sujo para defender as fronteiras da fortaleza europa.

O recente acordo do Ministro Minniti [3] com os sangrentos coronéis líbios não passa de uma prova recente. Atingido o número de escravos necessários “vamos usá-los em casa”, além de ser popular, ainda é um bom negócio. Na noite passada, trouxemos a guerra para casa do ministro Minniti. Os responsáveis diretos em uniforme, aqueles que obedecem, mantendo silêncio e sendo silenciosos, receberam um gosto do que merecem. Com esta ação, lançamos uma campanha internacional de ataque contra homens, estruturas e meios de repressão. Cada um/a com a ferramenta que considera mais oportuna e, se quiser, contribuindo para o debate.

FEDERAÇÂO ANÁRQUICA INFORMAL – FRENTE REVOLUCIONÁRIA INTERNACIONAL
Célula Santiago Maldonado

Dedicamos essa ação ao anarquista argentino sequestrado e assassinado pelos sicários da Benetton. Que em breve surja o dia em que quem desaparecerá da face da terra serão os seus opressores.

[1] refere-se a uma carta-bomba enviada em 2003 por uma célula FAI para casa do presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi. Prodi abriu o pacote em sua casa, mas a explosão subsequente não resultou em ferimentos graves.

[2] refere-se ao ataque de 2012 contra o presidente-executivo da Ansaldo Nuclear, Roberto Adinolfi, pela célula Olga da FAI-FRI, no qual Andinolfi foi atingido num joelho.

[3] Marco Minniti, ministro italiano do interior.

em italiano

[Prisões italianas] O prisioneiro anarquista Davide Delogu ainda se mantém em greve de fome

Do telefonema semanal de Davide com os seus parentes, sabemos que:

Davide continuará a greve de fome a longo prazo, iniciada a 4 de Novembro, até que o seu total confinamento solitário, pelo artigo 14bis, seja revogado.

O nosso companheiro convida todxs para a solidariedade direta.

Davide fortalece a sua proximidade com os companheiros da AS2 [secções de prisão de alta segurança].

Repetidamente sublinhou a necessidade de uma solidariedade revolucionária.

Ele encontra-se de bom humor, mas já perdeu 13 quilos [28 libras].

CNA [Croce Nera Anarchica]

em italiano l inglês

Madrid: Ação em solidariedade e apoio aos compas da Operação Scripta Manent em Itália

No dia 15 de Novembro, um dia antes do começo dos julgamentos da Operação Scripta Manent, um grupo de companheirxs anarquistas concentraram-se à frente da embaixada italiana, em Madrid. em apoio aos/às companheirxs detidxs na sequência desta operação. Espalhou-se a informação, através da distribuição do texto que se segue:

Solidariedade e apoio face ao julgamento dxs companheirxs detidxs na Operação Scripta Manent em Itália.

Na quinta-feira, 16 de Novembro, pelas 10:00 da manhã, será realizada a primeira sessão de julgamento contra xs 22 companheirxs anarquistas acusadxs no âmbito da Operação Scripta Manent, em Itália, com 7 delxs detidxs preventivamente

Foi em Setembro de 2016 que ocorreram as detenções e registros desta operação , em Itália. Mais uma vez, tentam atribuir diversas ações a uma suposta estrutura organizativa hierárquica, como foi feito anteriormente em Itália, com a Operação Osadia. Do mesmo modo, esta estratégia repressiva pode ser observada em diversos países, como o estado espanhol, grego, francês, etc. na tentativa de encaixar a conflitualidade anarquista e as suas práticas em acusações de organizações terroristas ou similares. O anarquismo nunca poderá encaixar nessas estruturas, pois a sua base é a horizontalidade e combate contra as hierarquias e todo o tipo o tipo de autoridade.

Todo o nosso apoio e força às/aos companheirxs que serão julgadxs a partir desta quinta-feira. A quatro dxs arguidxs foi-lhes negado a possibilidade de estar presente no julgamento e, em vez disso, poderão ter uma video-conferência. Em solidariedade com elxs, algumas/uns dxs companheirxs acusadxs recusaram-se a participar.

Solidariedade internacional com todxs xs que lutam pela liberdade
Coragem e força aos/às nossxs companheirxs
Contra toda a autoridade, pela anarquia

em espanhol via contramadriz

Sardenha, Itália: Detido o companheiro Paolo durante expropriação – atualização do caso

Na terça-feira, 31 de Outubro,  o nosso companheiro Paolo foi detido juntamente com mais dois cúmplices, imediatamente após o roubo de uma estação de correios, num subúrbio de Cagliari, na Sardenha. Uma vez abandonada a estação de correios tentaram fugir, mas, a infâmia de um transeunte proporcionou informação muito precisa à bófia, tornando a estes possível  interceptá-los, após um cerco, quando já se afastavam num veículo.

Não ofereceram resistência. As roupas e as armas usadas foram encontradas no carro.

Toda a nossa proximidade e solidariedade com eles. Não sabemos porque fizeram esta escolha, embora isso não nos preocupe nem um pouco. Sabemos que quem quer que se organize para privar o Estado e os dirigentes, do que necessitam, faz o correto sempre.

Embora nos desgoste essa gente que se chiba – daquelxs que se organizam e atuam para ter o que necesitam,  roubando-o ao que, por natureza, é o pior explorador do mundo, o Estado  – movida por um “sentido de dever civil” (expressão usada pelo comandante da policía de Cagliari).

Sempre ao lado daquelxs que não dobram.

Atualização: Paolo está na Uta, ele está bem [na cela com um dos dois cúmplices com quem foi preso]. Pede que os selos sejam enviados. Não há nada sobre datas de audiência ou qualquer outra coisa, não parece ter problemas para obter a correspondência.

Para lhe escrever:
Casa circondariale Ettore Scalas,
2 ° strada ovest Z.I. Macchiareddu, 09010 Uta – Itália

em espanhol l inglês

Génova, Itália: Ação Incendiária em Solidariedade com Companheiros Anarquistas sob repressão

Génova, 18.11.17: Há muita raiva e, por vezes, é suficiente muito pouco para que se  transforme em fogo.

Raiva e fogo andam juntos e não esperam por dias de campo para se dar a conhecer, atingem pobres e ricos – de modo semelhante ao acontecido no G8 de Génova ou no G20 de Hamburgo – mostrando a sua melhor face nessas ocasiões.

O fogo e a raiva actuam, apenas, não preparam o terreno para a revolução, não procurando adeptos entre as massas, olhando tristemente para uma sociedade em que não têm nada a pedir à sua própria existência.

Fogo e raiva: o primeiro um elemento, o segundo um sentimento, é preciso pouco para levá-los a se unir, somente um pouco de coragem, deixando depois sair um grito que perfura o manto da apatia na qual esta sociedade moribunda está agora envolvida e viciada.

Gritos de vingança pelas as dezenas de milhares de migrantes que morrem tentando atravessar as fronteiras espalhadas por todo o mundo.

Gritos à devastação e saqueis pelos Estados e multinacionais em nome do progresso.

Gritos que aquecem os corações das nossas irmãs e irmãos anarquistas em todo o mundo.

Catástrofes são os dias em que nada é feito contra a brutalidade dos governos!

Para xs companheirxs anarquistas, prisioneirxs da Op. Scripta Manent, para o prisioneiro anarquista em greve de fome Davide Delogu, para xs companheirxs de Florença, alguns carros foram destruídos pelo fogo, incluíndo um pertencente ao Serviço Consular italiano.

VIVA A ANARQUIA

Croce Nera Anarchica via insurrection news

[Itália] Atualização do Julgamento “Scripta Manent” – Solidariedade Internacional a 16 de Novembro de 2017

O julgamento dxs anarquistas, acusadxs ao longo da operação “Scripta Manent”, começará a 16 de Novembro, no tribunal de segurança máxima da prisão de Turim.

À companheira Anna Beniamino assim como aos companheiros Alfredo Cospito, Danilo Cremonese e Nicola Gai não será permitido que compareçam na sala do tribunal, estando sujeitxs a uma vídeo-conferência a partir da secção de vigilância máxima 2, onde se encontram confinadxs.

Aos companheiros Marco Bisesti, Alessandro Mercogliano e à companheira Valentina Speziale será permitido comparecer na sala de tribunal, recusando estxs participar no julgamento em solidariedade com xs companheirxs sujeitxs à video-conferência.

via Croce Nera Anarchica

[Itália] Publicação “Solidarietà e complicità”

Luta contra a biotecnologia
não pára, solidariedade e cumplicidade

[Notas sobre a situação de Silvia, Billy e Costa]

Com o seu anulamento, termina o processo legal contra Silvia, Billy e Costa (exercido pelo estado italiano).

Após cinco anos de audiências terminou esta semana, em Roma, o processo em cassação de Silvia, Billy e Costa – acusados pelo Ministério Público de Turim de transporte e receptação de explosivos entre Itália e Suíça com finalidade de terrorismo.

A partir do momento em que Silvia, Billy e Costa tinham acabado de cumprir a pena imposta no julgamento na Suíça, o promotor de Turim, no papel do Procurador Arnaldi Di Balme, tentou abrir um processo, primeiro por associação subversiva (incluindo outras pessoas, por parte da Coligação Contra Nocividades) e, posteriormente, com mais recursos, tentando provar que uma parte da tentativa de sabotagem na Suíça tinha sido preparada em Itália, pelo menos na recuperação e transporte do material necessário.

A cassação confirmou a decisão anterior de improvisabilidade, de acordo com o princípio “Ne bis in idem”, ou seja, não se pode julgar uma pessoa várias vezes pela mesma situação, apelando-se para um princípio de falta de jurisdição.

Para aquelxs que queiram aprofundar o assunto, recomendamos a leitura da publicação “Solidarietà e complicità”, uma coleção de textos em torno da tentativa de sabotagem do centro IBM sobre nanotecnologias na Suíça e da solidariedade entretanto expressa pela realidade do movimento, também a nível internacional [que pode ser pedida para envio postal].

Itália: Notícias de Florença

No dia 1 de Janeiro de 2017, após a explosão de uma bomba artesanal junto a uma livraria fascista – na qual um polícia do esquadrão anti-bomba perdeu uma mão e um olho – várias casas de companheirxs foram tomadas de assalto pela polícia e registradas. A polícia esperava encontrar armas de fogo e/ou explosivos. As investigações não levaram a nada, exceptuando a apreensão de panfletos, computadores, roupas e outros  materiais. Uma investigação contra pessoas desconhecidas foi lançada entretanto – com a intenção de xs acusar das infrações de “fabricação, posse e transporte de um dispositivo explosivo ou incendiário num lugar público” e “tentativa de assassinato”.

A polícia iniciou, entretanto, uma nova operação chamada “Operazione Panico” (Operação Pânico), a 31 de Janeiro. Às 12h30, a polícia bateu à porta das casas de várixs companheirxs, para notificá-los da execução de dez medidas cautelares. Estas consistiam em 3 pessoas confinadas à prisão domiciliar, 4 pessoas receberam uma ordenação, para impedir que saíssem da cidade, obrigando-os a voltar à noite para suas casas e a assinar diariamente na esquadra. E, finalmente, 3 pessoas receberam condições de fiança, mas tendo de assinar na esquadra da polícia, todos os dias.

Durante o curso da Operação Pânico foram 35 as pessoas directamente visadas. Isso também levou ao desalojo da okupa Villa Panico, uma das okupas históricas de Florença, ocupada nos últimos 10 anos. No total, foram 12 as pessoas acusadas de serem “membros de organização criminosa”.

Outros eventos entretanto aconteceram como uma luta com a polícia, em Abril, seguindo-se uma provocação policial, entre muitas das provocações habituais, que terminou com a prisão de 3 companheirxs (Michele, Francesca e Alessio), uma sentinela e demonstração solidária com xs detidxs. Os suspeitos dessa operação repressiva estão todos sob investigação por uma série de eventos contestados que aconteceram na cidade em 2016. Esses eventos incluem um ataque com pedras da calçada e tijolos a livraria fascista, uma explosão na mesma livraria e distribuição de folhetos anti-militaristas num mercado local – que resultaram num punhado de pessoas levadas para a esquadra da polícia e acusadas de “resistência e recusa em fornecer provas de identidade”. Outros eventos foram uma briga com a polícia em Abril, depois de muitas das provocações habituais que acabaram com a prisão de 3 companheirxs (Michele, Francesca e Alessio) e concentrações de solidariedade com xs presxs.

Dois meses após o fim da operação, uma série de medidas repressivas foram impostas contra 2 companheirxs – em constante escalada na sua gravidade – desde a presença diária na esquadra até prisão domiciliária. Um terceiro companheiro também foi obrigado a assinar diariamente na esquadra da polícia. Esta nova onda de repressão e detenções foi  ligadas ao aparecimento de grafitis políticos em toda a cidade.

A 3 de Agosto, uma operação conjunta a nível nacional, entre a DIGOS (unidade de operações especiais da polícia), a ROS (unidade de operações especiais de Carabiniri) e a polícia antiterrorista, levou a mais oito prisões: 6 em Florença, 1 em Roma e 1 em Lecce. Cinco companheirxs foram acusados de tentativa de homicídio no ataque à bomba no dia de passagem de ano. Xs outrxs com a infração de “fabricação, posse e transporte de um dispositivo explosivo ou incendiário para um lugar público”. A segunda acusação refere-se a um ataque de molotov contra um quartel de Carabinieri, o que aconteceu na noite da luta contra a polícia, mencionada anteriormente.

No dia 5 de Agosto, 6 detidxs foram libertadxs pelo GIP (juiz para investigação preliminar) devido à falta de provas contra elxs. Um companheiro, Salvatore Vespertino, ainda está preso porque as autoridades alegaram terem sido encontrados vestígios do seu DNA em componentes usados para construir a bomba. Paska, outro companheiro, que deveria ter sido libertado, por falta de provas pelos eventos na passagem de ano, ainda se encontra em prisão preventiva, por alegada “adesão a organização criminosa”, com base em evidências recolhidas durante a Operação Pânico.

Como o caso de Paska mostra, a investigação contra pessoas desconhecidas foi, portanto,  incorporada à Operação Panico. Isto significa que adoptaram a mesma linha de indagação – seja para os acusados de serem “membros de organização criminosa” ou por
várias infrações específicas.

Endereços:

Salvatore Vespertino
Casa Circondariale Sollicciano
Via Minervini 2/r
50142- Firenze
Italia

Pierloreto Fallanca
Casa Circondariale
Via Paolo Perrone, 4
73100 – Lecce
Italia

Para apoiar os companheiros e os custos legais:

Youssra Ramadan
Card Number: 5333 1710 3998 6134
IBAN: IT81R0760105138290113490114

[Itália] Convocatória de Solidariedade Internacional a 16 de Novembro de 2017 – Julgamento “Scripta Manent”

A 16 de Novembro, às 10 horas, perante o tribunal de alta segurança de Turim, celebrar-se-á a primeira audiência do julgamento “Scripta Manent”. Será um julgamento de longa duração, no qual 22 companheirxs anarquistas estão acusadxs, sete dxs quais continuam na prisão.

O aparelho repressivo do Estado acusa uma parte do movimento anarquista de o atacar, através das práticas de ação directa destrutiva contra as suas estruturas e os seus homens, a realização e distribuição de publicações anarquistas e apoio aos/às prisioneirxs revolucionárixs.

A teoria do acusador do ministério público Sparagna é que as posições dxs compañerxs acusadxs são isoladas e distantes do contexto anarquista. É uma tentativa flagrante de fraccionar e confinar o anarquismo a certos recintos fechados, legais e interpretativos.

Demoliremos a intenção de se isolar estxs companheirxs – afirmamos que a prática e as acusações de que são acusadxs constituem um património de todxs xs anarquistas e revolucionárixs – e reafirmamos a nossa proximidade com xs acusadxs.

Fazemos uma chamada para se participar na concentração de 5ª feira, 16 de Novembro, às 10 da manhã, em frente ao tribunal de alta segurança da prisão “le Vallette” em Turim, e reafirmamos a chamada à solidariedade internacional com todxs xs prisioneirxs anarquistas, rebeldes e revolucionárixs, em qualquer lugar e de acordo com as modalidades que cada pessoa considere mais apropriadas.

em espanhol, inglês, italiano, alemão

Itália: Terminou o processo judicial dxs companheirxs Billy, Costa e Silvia

A luta contra a biotecnologia não pára, solidariedade e cumplicidade

Há alguns dias atrás, o tribunal de Turim realizou uma audiência do julgamento, no estado italiano, contra os companheirxs eco-anarquistas Billy, Costa e Silvia. O Supremo Tribunal confirmou o “incumprimento não processual da jurisdição”, como já foi decidido em primeira instância e em recurso, pelo princípio de não se poder processar duas vezes o réu pelo mesmo ato. Fecha-se, de uma vez por todas, com essa decisão definitiva, o seu caso nos tribunais estatais.

Solidariedade para com xs companheirxs – Fogo para a IBM e o mundo tecno-prisional.

em italiano via CNA Italia, inglês

Itália: Atualização sobre as detenções de anarquistas em Florença, Roma e Lecce

No mesmo dia (quinta-feira, 3 de Agosto) do assalto e desalojo da La Riottosa, às 6h30, as Digos de Lecce e um esquadrão especial antiterrorismo (UOPI) invadiram a Okupa La Caura  (Roca-Lecce). A polícia forçou xs presentes a deitarem-se no chão, de cabeça para baixo, tendo detido Paska, enviado depois para a prisão de Lecce. A Okupa, com apenas 10 dias de ocupação foi desalojada.

O episódio ocorreu ao mesmo tempo que no La Riottosa em Florença, onde mais 7 companheirxs foram presxs, enquanto mais um foi preso em Roma.

No dia 5 de Agosto houve uma audiência judicial sobre a detenção preventiva dxs oito companheirxs anarquistas, em Florença. Seis das oito pessoas presas na manhã de 3 de Agosto foram libertadas ontem. O companheiro Salvatore Vespertino ainda está na prisão de Solliciano em Florença. O companheiro Pierloreto Fallanca também permanece preso em Lecce tal como o companheiro Roberto Cropo, em Roma.

Os endereços atuais para lhes escrever são:

Salvatore Vespertino
C.c. Sollicciano
Via Minervini 2r – 50142 Firenze, Itália

Pierloreto Fallanca (Paska)
Via Paolo Perrone 4 – 73100 Lecce, Itália

Roberto Cropo
C.C. Regina Coeli via della Lungara 29, 00165 Roma

 

[Prisões de anarquistas em Florença] Mensagem ao movimento anarquista internacional

Florença, 21 de Abril, 2016: alguém atacou o quartel dos carabineiros em Rovezzano, subúrbios de  Florença, com um cocktail Molotov.

Florença, 1 de Janeiro de 2017: um dispositivo explosivo colocado no exterior da livraria “Il Bargello”, perto da Casa Pound, explode nas mãos de um polícia, o qual fica gravemente ferido.

Após estes dois ataques anónimos, na manhã de 3 de Agosto de 2017 oito companheirxs são presxs. Os anarquistas: Marina Porcu, Micol Marino, Pierloreto Fallanca (Pasca), Giovanni Ghezzi, Roberto Cropo, Salvatore Vespertino, Sandro Carovac, Nicola Almerigogna.

Estxs companheirxs foram notificados de acusações de tentativa de assassinato – por causa do ferimento do engenheiro de desativação de bombas, Mario Vece – fabricação, detenção e transporte de dispositivos explosivos, danos agravados para o lançamento de garrafas incendiárias contra o quartel de carabineiros.

Os nomes dos principais inquisidores que coordenam a investigação são:

– Eugenio Spina ( dirigente superior da Polícia de Estado, chefe dos serviços anti-terrorismo).
– Lucio Pifferi  ( chefe da D.I.G.O.S. em Florença).
– Giuseppe Creazzo (procurador – chefe de Florença)

Como anarquistas não estamos interessadxs ​​em saber quem fez essas ações, válidas, concretas, vivas. O Estado italiano – após a continuação da Op. Scripta Manent – novamente ataca xs companheirxs refractários, que acreditam que a ação direta não mediada e destrutiva é um meio fundamental da luta revolucionária anarquista.

Note-se que a ação anarquista direta contra o Estado / Capital é cada vez menos viva, portanto, é muito fácil para o aparelho repressivo fazer o seu trabalho contra aquelxs que apoiam posições incontestáveis ​​para o caminho revolucionário. É fundamental, senão um dever, não misturar xs companheirxs anarquistas com a mera conjuntura dos caminhos do antifascismo político e anti-repressivo, que como anarquistas não nos pertencem. Com este documento, nós expressamos a proximidade a todos aquelxs  individualidades que incondicionalmente agem, para além da reclamação ou não das ações.

É importante reivindicar colectivamente estas práticas, como parte integrante da luta revolucionária anarquista, para não isolar xs nossxs queridxs companheirxs. As razões pelas quais o nosso anarquismo é partidário do ilegalismo e propaganda pelos fatos, devem-se ao fato de reiterarmos a sua estrita necessidade, no passado como agora, de fazermos todos os esforços para propagar e espalhar, publicitar, com pólvora negra, a ideia revolucionária anarquista.

Assim, os atentados, o fogo posto, as expropriações, os ataques armados são parte da guerra levada a cabo, sem tabus e sem limites pré-concebidos contra o Estado. Que as armas da política sejam abandonadas e a política das armas reabraçada numa forma não determinista, consciente e constante.

Adiante, companheirxs anarquistas internacionais, quando as prisões já não silenciarem os trovões da dinamite estaremos apenas a meio caminho. Vamos atacar a autoridade de qualquer maneira que esta se apresente, sem perder tempo e com todos os meios à nossa disposição.

O resto?

O resto é apenas a conversa fiada de quem sempre quer algo novo, mas não se atreveu a obtê-lo, aqui e agora.

Anarquistas

via Croce Nera Anarchica l espanhol

[Itália] Sobre a detenção de 8 anarquistas e o dasalojo da La Riottosa (3/08)

Compas na La Riottosa, barricadxs, resistiram mais de 10 horas.

3-08-2017. Durante a manhã, oito companheirxs anarquistas foram presxs em Florença, Roma e Lecce. Estão acusadxs do ataque com molotov contra o quartel de Carabineiros (polícia militarizada italiana) de Rovezzano, em Florença (21-04-2016) e do ataque explosivo contra a livraria “Il Bargello” – um espaço do ambiente da Casa Pound (organização fascista) – em Florença (01-01-2017). Naquela manhã a bomba explodiu na mão de um polícia que a tentava desativar, perdendo este a mão e um olho.

Xs companheirxs anarquistas encarceradxs, acusadxs pelo ataque contra a livraria fascista são Nicola Almerigogna, Roberto Cropo, Pierloreto Fallanca “Paska”, Giovanni Ghezzi e Salvatore Vespertino, enquanto que xs encarceradxs pelo ataque contra o quartel são Micol Marino, Marina Porcu e Sandro Carovac.

Durante o dia foi desalojada a okupa auto-gestionada La Riottosa, uma okupação anarquista em Florença. Alguns e algumas companheirxs resistiram na okupa, durante cerca de 10 horas e 2 dxs 8 compas encarceradxs foram detidxs lá. Os companheiros acusados pelo ataque explosivo estão acusados de tentativa de homicídio, danos agravados e fabricação e transporte de dispositivos explosivos. Seguir-se-ão atualizações e direções das prisões onde xs companheirxs estão reféns do estado.

em espanhol

Itália: Novidades da operação Scripta Manent e algumas reflexões…

Pintura de Jean Léon Gerome “A Verdade saindo do poço”

Nos dias 11, 17, 18, 19 e 20 de Julho, haverão audiências preliminares referentes à investigação “Scripta Manent”. Relembro que, desde 3 de Julho, aos/às companheirxs já sob investigação foram adicionadxs outrxs – 5 companheirxs da Croce Nera Anarchica, eu por RadioAzione [site anarquista, em italiano, fechado pouco tempo depois] e a companheira que geria a RadioAzione Croácia, em relação à qual foi decidido, na audiência de 26 de Junho, que só estaria presente nas audiências seguintes.

Lançando um olhar ao dossier, tomamos conhecimento que uma investigação tinha sido aberta desde 2012, pelo ministério público de Nápoles, contra mim, um velho  companheiro, já indiciado na operação Marini [mega operação anti-anarquista conduzida em toda a Itália na segunda metade dos anos 90 pelos ROS, o serviço especial dos Carabinieri, sobre ordem do procurador de Roma] e outrxs companheirxs da região de Lazio, referente à  Federação Anarquista Informal.

Durante cinco anos sofremos um controlo total e isto levou a que outrxs companheirxs fossem colocados sob investigação, entre outrxs a companheira croata de RadioAzione.

Key logger instalado no computador, interseções telefónicas, vigilância ao longo de mais de 600km … do género: “Se eu me esqueci onde meti algo, posso perguntá-lo à Agente Elena (nome que deram ao software espião keylogger)”.

Após cinco anos de controle fictício, a 10 de Janeiro, o ministério público de Nápoles tinha solicitado a minha detenção, a da companheira de RadioAzione Croácia e a de dois companheiros gregos (um dos quais já aprisionado por C.C.F).

A partir desse momento passou tudo para as mãos do ministério públicio de Turim e  do  promotor Sparagna – visto o ministério público de Nápoles não ter competência para os tipos de delito de que nos haviam acusado.

De que é que somos acusadxs?

De ter feito contra-informação através de sites de internet e de jornais, de ter traduzido textos  de reivindicação de ações vindas do mundo inteiro, de ter apoiado, sustentado, de nos termos solidarizado e ter feito prova de cumplicidade com xs companheirxs anarquistas Alfredo e Nicola, de termos recolhido dinheiro para xs companheiros na prisão. De termos formado uma célula italiana, croata e grega da Federação Anarquista Informal.

Nalgumas passagens do processo o juiz de turno, tentando alimentar as distâncias existentes entre alguns/mas de nós e o resto do movimento anarquista, inventa do nada através de escutas (re)transcritas à sua maneira desacordos entre mim e certxs companheirxs da Croce Nera Anarchica – companheirxs com quem houve desde o princípio uma completa colaboração num jornal anarquista que reconhecemos ser o único que vale a pena ler e isto de tal forma que até sou acusado de organizar a apresentação deste projeto em Nápoles. Só falo nisto para refrear maledicências.

Se são estas as acusações, então:

Reivindico ter publicado no site RadioAzione tudo com o qual eu tinha afinidade.

Reivindico ter dado e continuar a oferecer solidariedade e cumplicidade para Alfredo, Nicola e todxs xs outrxs companheirxs-irmãos/ãs  que foram presxs em Setembro passado [na operação Scripta Manent].

Reivindico o facto de ter recolhido dinheiro para xs companheirxs detidxs.

Reivindico o facto de ter organizado o encontro da Croce Nera Anarchica em Nápoles. na esperança de organizar outros no futuro.

Reivindico o facto de ser anarquista, individualista e pela insurreição.

(agente Elena copiou tudo bem e fotografou? Agora relate aos seus chefes!)

Somma Gioacchino, Julho de 2017

fonte anarhija via attaque

Viena, Áustria: Atentado à Embaixada Italiana – Solidariedade aos/às anarquistas presxs em Turim

PANDEMÓNIO

Recebido a 25 de Maio:

Ontem à noite atacámos a Embaixada Italiana com bombas de tinta, expressando dessa forma a nossa solidariedade ativa com xs anarquistas presxs em Turim.

Pela libertação imediata de António, Antonio & Francisco, na prisão desde 3 de Maio.

Pela revogação da prisão domiciliária de Giada, Fabiola & Camille, acusadas de resistir a uma busca policial na sua vizinhança, em Fevereiro.

em alemão, inglês, italiano

[Itália] Para que Junho se torne perigoso

Chamada internacional de mobilização solidária com anarquistas presxs naquela região (em pdf também)

Escrito a partir das reflexões do encontro “De cabeça erguida”

PARA QUE JUNHO SE TORNE PERIGOSO

A repressão do Estado é parte fundamental deste sistema de domínio, sendo simultaneamente a mais abjeta das suas expressões; não surpreende, portanto, que todxs xs que não fossem passíveis de recuperação pelo sistema de poder – as individualidades anárquicas, revolucionárias e rebeldes – tenham sido os seus alvos, em particular e historicamente.

A ação direta foi a resposta encontrada por essas individualidades à repressão sobre elas exercida – seja ela física, psicológica, moral, social ou económica, desencadeada por todos os componentes do poder democrático a que se junta a brutal e indiscriminada violência das suas mãos armadas e da judiciária.

Essa ação direta – sempre dirigida aos responsáveis ​​pela repressão – é realizada tanto pela destruição criativa e libertadora dos locais de domínio como pela sabotagem das suas infraestruturas, para pôr fim, ou pelo menos dificultar, as causas da exploração e opressão de humanos sobre outros – animais humanos ou não humanos – e sobre a terra. Na ótica da libertação total, assistir passivamente à reprodução do domínio é ser cúmplice – é precisamente por isso que continuam de cabeça erguida em rebeldia.

Já como consequência disso, o poder coloca todas as suas estratégias em ação, continuando com os julgamentos e processos contra companheirxs seja pelas suas ações, conflitualidade ou escritos. No próximo mês haverá o julgamento de cassação relativo à chamada operação “Shadow” [Sombra], na qual um certo número de companheirxs são acusadxs, entre outras coisas, de instigação para se cometer um crime, no decorrer da publicação da revista KNO3[1].

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[Prisões italianas] Uma carta da anarquista Anna Beniamino sobre a Operação Scripta Manent e não só…

[ Pouco depois desta carta ter sido enviada, soube-se que as investigações sobre a operação Scripta Manent foram fechadas, por isso agora aguarda-se a audiência preliminar, na qual o juiz vai decidir se coloca ou não em julgamento xs companheirxs visadxs.]

SCRIPTA MANENT

A acusação de Turim decidiu colocar uma tendência anarquista inteira em julgamento: o anarquismo anti-organização. Não se trata de uma enormidade sensacionalista ou defensiva, é o que a juíza investigadora de Turim, Anna Ricci, promulgou com os mandados de prisão emitidos em Julho de 2016, e aplicados em Setembro, provavelmente para evitar interromper as férias de verão de algum funcionário púbico.

A escolha dos inquisidores é clara a partir do enquadramento ridículo surgido nos papéis de autorização de detenção, um produto do encontro deletério entre a mente de algum bófia e a leitura apressada de um resumo da wikipedia.

O quadro dá forma a uma visão repressiva-maniqueísta de uma “anarquia social“, a boa e inofensiva e de uma (anti-social e anti-classes) “anarquia individual“- violenta e apetecível à repressão – cujo método é o “modelo anti-organizacional”.

Ao fazer as necessárias distinções, este quadro visa definir um campo específico, para se criar uma gaiola, de modo que a partir de um “insurrecionalismo” genérico, (um subproduto do modelo anti-organizacional), sempre violento e passível de castigo em diferentes graus, subespécies possa ser puxada para fora para formar diferentes vertentes da investigação 1 para a polícia italiana: ‘insurreccionalismo clássico‘, ‘insurreccionalismo social‘, ‘eco-insurreccionalismo‘ e a ‘federação anarquista informal‘.

Que diferentes tensões e tendências existem dentro do anarquismo é um fato, mas também é verdade que este tipo de categorização rígida é uma característica inerente à mentalidade e requisitos dos inquisidores, que se dedicam a delimitar uma área específica para fazer as suas manobras como melhor puderem: é dentro desse espaço que a seguinte operação se encontra.

Historicamente, a solidariedade com xs prisioneirxs revolucionárixs tem sido um ponto focal de interesse para xs anarquistas e uma maneira de nos unirmos e construir uma sensibilidade rebelde: solidariedade revolucionária e não a solidariedade com xs revolucionárixs.

Concebida pela Digos de Turim e após o regresso dos promotores, em 2012 – na sequência de 20 anos de tentativas repressivas recorrentes e fracassadas – a operação Scripta Manent levou à detenção de 5 anarquistas: A.M., V.S., D.C., M.B., A.B., todxs já sob investigação e/ou presxs, a seguir a várias publicações anarquistas sobre ação e repressão, especificamente, Pagine in Rivolta 2, o boletim Croce Nera Anarchica 3, e KNO3 4. Além disso, havia os mandados de prisão para A.C. e N.G, dois companheiros na prisão desde 2012, após um ataque ao director-geral da Ansaldo Nucleare, Adinolfi, que foi reclamado em julgamento em Outubro de 2013 como o Núcleo Olga (FAI/FRI). Durante anos, eles haviam sido conhecidos como editores de Pagine in Rivolta e Alfredo já havia sido processado pela KNO3.

Quatro outrxs anarquistas foram submetidxs a investigação – todxs tinham sido já presxs, durante a operação Ardire 5, parte da qual converge no presente processo judicial – junto com mais 4 pessoas, cujas detenções o juiz se recusou a validar no mandado de Julho e conduziu à tentativa infrutífera de apelação do promotor, em Outubro de 2016. Além disso, 32 assaltos policiais foram realizados  em toda a Itália, durante os quais um companheiro e editor da CNA foi preso, encontrando-se ainda preso sob o regime AS26 6.

A INVESTIGAÇÃO AINDA ESTÁ A CAMINHO

A operação está a ser conduzida pelo promotor Roberto Sparagna, novo nos chamados procedimentos anti-terrorismo – mas bem conhecido por ter corrido os julgamentos do chamado crime organizado. Não se sabe se esta operação estava em baixo para ele ou pela a entrada de polícias de Turim: a última hipótese parece muito mais provável, visto a maior parte do inquérito ter sido realizado e arquivado pela Digos ao longo dos anos e por causa das fotos pequenas com acontecimentos de fundo como os “cumprimentos do Dr. Petronzi” (ex-chefe de Digos de Turim), que Sparagna se certificou de estender aos presos, durante uma das suas tentativas de interrogatório.

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