Santiago, $hile: 1ª Feira do livro e propaganda Anarquista, 12 e 13 de Maio

Desde sempre que o cúmulo heterogéneo dos grupos que compõem o anarquismo tem gerado e difundido milhões de panfletos por todo o mundo, tanto para dar a conhecer as suas ideias como para facilitar o desenvolvimento cultural dos homens e mulheres do seu tempo.  Estas foram as razões fundamentais da sua existência no passado e da sua urgente
necessidade no presente.

A América Latina não escapou a este processo. Muitos milhares de livros, folhetos, revistas e jornais, foram editados a partir do subcontinente, com especial ênfase entre as últimas décadas do século XIX e as quatro primeiras do século XX. E embora depois tenham existido várias tentativas destacáveis​​, sobretudo em Buenos Aires, apenas desde os anos noventa do século passado se tem podido contemplar e desfrutar de um ressurgimento de iniciativas de propaganda.

A região chilena também não se manteve à margem disto. Se fazemos um brevíssimo comentário ao passado da literatura impressa libertária, além de se mencionar o meio cento de jornais que existiram nestas terras, também teremos de destacar algumas valiosas editoras como “Lux” em Santiago,  “Adelante” em Rancagua, o “Mas Allá” em Valparaíso, entre outras tantas. Lux, ligada à IWW, entre 1920 e 1927 editou vários títulos com milhares de exemplares, promovendo a criação de alguns companheiros locais, como o poeta mártir José Domingo Gómez Rojas, o professor primário Manuel Márquez, o IWW Armando Triviño ou a companheira anarco-feminista Evangelina Arratia; também editou a outros agitadores latino-americanos como Juana Rouco Buela assim como aos clássicos Emma Goldman, Kropotkin, Fauré, Mella ou Malatesta. Em 1922, por exemplo, e após uma campanha  de despesas voluntárias, das oficinas de Lux saíram 4 mil cópias da Conquista do Pão.

Mas como referimos antes, a propaganda com origem anarquista é também uma questão de urgente atualidade. As nossas diversas ideias, com as nossas distintas tendências, estão a atingir certa notariedade, nos últimos anos.

Ao que parece estamos no meio de um novo amanhecer e contamos já com vários nós editoriais, jornais, revistas, fanzines ye até uma video-revista. Criações que se distribuem em livrarias, alguns quiosques e sobretudo durante as atividades, manifestações e nas feiras de propaganda que deambulam por toda a parte.

O que nunca tínhamos tido era um grande encontro dedicado especialmente ao livro e à propaganda anarquista. Esta iniciativa busca ser um punto de convergência para os diversos nós geradores de material, para que se conheçam e potenciem mutuamente se assim o pretenderem, mas sobretudo, para oferecer aos companheiros/as e a quem isso  interessar, em geral, uma panorâmica do que estamos a fazer. Para difundir, para estimular a produção, para conhecermos, para darmos a conhecer, para compartilhar, para escapar dos circuitos de cultura institucional, para auto-educarmos. Por tudo isto e por muito mais, encontrar-nos-emos nesta, a 1ª Feira do Livro e da propaganda anarquista em Santiago.

Para já podemos anunciar que para além dos expositores que cada iniciativa terá, haverá espaço para a arte, a música, a história e a reflexão teórica. Também contaremos com a presença de companheiros de outras regiões. Convidamos-te então, primeiro a dar uma volta por lá, mas com grande intensidade, a participar de forma ativa na feira, difundindo-a, indo às atividades de financiamiento, ou gerando iniciativas – fóruns, mostras, expressões- para a mesma.

Vemo-nos em breve nesta, a festa da cultura e da propaganda anarquista.

O grupo coordenador
Santiago, Março de 2012

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