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Santiago, Chile: Ações a anteceder o 11 de Setembro na comuna de Lo Prado

[No âmbito da chamada anarquista contra as drogas e seus facilitadores que circulou em páginas anti-autoritárias desde o mês de Agosto até a data e antes de uma nova comemoração do 11 de Setembro; Como grupo, queríamos contar uma história antiga – para a reflexão que está enquadrada nesses dois temas – compartilhamos algumas análises e memórias e, claro, reivindicamos algumas ações de propaganda anarquista nas ruas da comuna de Lo Prado, Santiago do Chile].

Somos anarquistas e ao longo do tempo desenvolvemos diversas ações em busca das ideias que orgulhosamente forjamos e agudizamos. Assim, em todos os 11 de Setembro, saímos às ruas com a ideia de propagar memória e resistência ao poder com ação anti-autoritária na comuna de Lo Prado, com altos e baixos, com sucessos e erros, mas sempre com a convicção como referência.

Já passou muito tempo desde a nossa primeira incursão na zona, foi a 10 de Setembro de 2011 – a comemoração contra um novo “11” – com a intenção de levantar barricadas incendiárias. O nosso pequeno grupo tinha já a sua própria experiência, apesar da juventude, todos nós éramos conhecedores do bairro, uns/umas nas ruas, outros com furtos eeporádicos, outros anarquistas, loucxs pelos transbordamentos que foram vividos nesses anos. O lema era: “Se fizermos o que queremos no centro da cidade que nos mete nojo, no bairro, muito melhor”. Essas foram as apostas e lançamos-nos com tudo para as ruas. Muitos materiais que mantivemos, todos foram entregues ao fogo.

O problema era que não conversamos anteriormente, não tínhamos planos. Não tínhamos nenhuma defesa, nenhuma casa para chegar depois, só tínhamos uma vontade gigantesca que nos fez lançar e pronto, um erro fenomenal claro.

A barricada já estava totalmente acesa quando chegaram …, na nossa imaginação, dizíamos: “Ninguém nos fará a folha, pois aqui ninguém quer a bófia”. Que grande erro! Chegaram traficantes e começou o palavreio. Que mal! era um grupo que nos superava amplamente em número e ainda mais estavam bêbados – com o coração maior do que a chucha. Queriam que fossemos embora porque haveria bófia e isso afetaria as suas vendas imundas de drogas. Uns quantos palavrões mais, xs chavalxs libertando todo o seu “blabla” e no final de nada ter servido, um par de murros repartidos e tivemos que sair daqui. Que vergonha que isso nos deu. Era a nossa primeira incursão no bairro e tivemos que sair por culpa dessxs bastardxs.

Para o nosso pequeno grupo ser conhecedor do lugar não foi o suficiente para sairmos limpxs desta pequena ação, não deveríamos ter ficado lá depois de levantar a barricada. Deveríamos ter entrado e saído do lugar e se tivéssemos tido força para lutar, deveríamos fazê-lo com ferramentas, não ao acaso. E algo importante a ter em mente, é que devemos ter em conta que pode haver sempre quem queira frustrar as nossas ações por qualquer motivo, desde qualquer vizinho a um traficante armado.

Esta nossa experiência antiga é algo que pode acontecer e ainda que não nos afetem com maior gravidade, hoje em dia qualquer cidadão se faz de herói, querendo frustrar tudo. Nas manifestações de encapuçadxs estxs foram espancadxs, noutros casos de luta foram ameaçadxs com armas de fogo e xs companheirxs tiveram que sair do lugar. Sem dúvida que estes fatos podem atrair múltiplos sentimentos nocivos, o importante é apoiar-se entre cúmplices, rever os erros e estar preparado, então optamos pela continuidade da luta com mais fortes apetites, seriedade e coragem.

Desta forma, a chamada deve estar atenta aos traficantes, chibxs, heróis cidadãos
sapxs, heróis dos cidadãos, para lhes dar com tudo, se necessário, aqueles que se comportam como bófia serão tratados como tal, como inimigos. A chamada também é para preparar as ações deixando de lado a espontaneidade, há que desenvolver planos, individual e coletivamente, entre os afins. Sair com força às ruas, para propagar as nossas ideias revolucionárias, onde quer que nos encontremos, nos nossos bairros e cidades, neste 11 de Setembro próximo a noite será a nossa aliada e as nossas armas artesanais inundarão as ruas contra os inimigos da liberdade.

Para concluir queremos ressaltar 3 pontos:

1. O nosso relato está enquadrado no apelo anárquico contra as drogas e seus facilitadores como forma de rejeição para com xs bastardxs microtraficantes e traficantes de drogas ansiosos por dinheiro e poder, às vezes colaboradores e cúmplices da polícia. Dizer também que as drogas foram, são e serão ferramentas de poder para o controlo social e um negócio fácil para encher os bolsos. Um negócio que torna as pessoas torpes, dependentes e passivo, sem questionamentos sobre a realidade atual. Não ignoramos tampouco como as drogas e a difamação, serviram para desmantelar e semear desconfianças em organizações revolucionárias. Resulta claro o mal que fizeram, desta forma as rejeitamos e as tiramos das nossas vidas.

2. Somos um pequeno grupo anarquista que quer propagar as ideias insurretas na comuna de Lo Prado. Activxs há vários anos. Hoje, relemos um texto antigo [1] onde fizemos um reconto de ações e vemos alguns erros, coisas de que não gostamos e que deveriam ter sido relatadas de forma diferente. Mas ainda assim, é o que nós acreditamos, é o nosso início de uma jornada de luta que continuamos apesar de tudo [2]. É importante deixar claro que não somos xs primeirxs nem xs últimxs a entrar em ação por essas ruas, outrxs irmãos/ãs afins também deixaram os seus registros [3]. E assim tudo avança, nós pelo nosso lado continuamos a crescer, a estar na rua, com prática, sintonizando ideias graças à experiência que se adquiriu (que podem ser apreciadas no nosso último texto [4]), onde começamos particularmente a traçar caminho junto com xs mais revoltosxs do bairro,xs  vandálicxs e delinquentes – uma questão que não apreciávamos antes mas que há algum tempo rompemos com ela porque acreditamos que é necessária a exploraração e a aprendizagem junto a novos círculos, onde o confronto e a ilegalidade também são pão de cada dia.

3. Como forma de aquecer os motores para o que será um novo 11 de Setembro, reivindicamos uma ação de propaganda realizada no 10 de Setembro, que consistiu em deixar mais de meia dúzia de bombas de ruído na rua Las Torres – esquina clássica dos distúrbios – lançámos centenas de panfletos e colamos três faixas com mensagens incentivando à saída às ruas contra a polícia e o tráfico de drogas, também antes fizemos grafitis e colámos cartazes nos locais com as mesmas ideias [5].

11 de Setembro, às barricadas!
Juventude combatente, insurreição permanente!

NOTAS:

[1] “História e combate nas ruas passados 40 anos do Golpe Militar na comuna de Lo Prado”. Contra Info, Setembro 2013.

[2] “Breve relato do acontecido a 11 de Setembro na comuna de Lo Prado”. Contra Info, Setembro 2014.

[3] “Incendiado um autocarro do transantiago no âmbito de um novo 11 de Setembro na comuna de Lo Prado”. Contra Info, Setembro 2015.

[4] “Ações numa noite de distúrbios a 11 de Setembro na comuna de Lo Prado”. Contra Info, Setembro 2016.

[5] Cartazes e panfletos baseados nas seguintes palavras de ordem: “11 de Setembro | Perante um novo aniversário do Golpe de Estado, do início da ditadura e da resistência armada | Com a memória Intacta! Pelxs caídxs, desaparecidxs, torturadxs e presos! Todas e todos às ruas, às barricadas! | Contra o Informador, o Traficante e a Polícia! Fora com todxs xs bastardxs da cidade! | A recuperar as  vidas que nos querem arrebatar; o Capitalismo, os media de Controlo (televisão), o consumismo e o Estado Policial”.

Setembro 2017.

em espanhol

Istambul, Turquia: Faixas e autocolantes contra o referendo na Turquia

Alguns grupos anarquistas de Istambul organizaram ações coordenadas contra a democracia e a ditadura no contexto do referendo constitucional turco e saudaram a “Coordenação dos Grupos Anarquistas”, que foi declarada por alguns grupos anarquistas na semana passada. Grupos anarquistas nas vizinhanças de Kadıkoy, Kucukcekmece, Umraniye, Sefakoy, Kasımpasa afixaram faixas e autocolantes,  simultaneamente. Abaixo indica-se a propaganda antieleitoral referida.

“Nem Ditadura nem Democracia Revolta, Revolução, Anarquia”
“Procurem-se, organizem-se, lutem! SIM à Revolta, NÃO ao Estado”
“A revolta não vai ser como a sua urna de voto”
“O Estado produz revolução de guerra,
não eleição. Comuna, não guerra”
“Não faça servidão aos servos. Não há representante nenhum para além de ti próprio”
“Nem Ditadura nem Revolta Democrática, Revolução, Anarquia”
“Nem a República nem o Califado,
Para a liberdade, a revolta
(em cima) “Não permitiremos que ninguém seja presidente; (abaixo à direita) As pessoas não vão pensar mais, as pessoas vão viver em cavernas”
1) Agora todas as suas transações bancárias são na banca internet! 2) Um mundo a ser destruído 3) Não vamos acabar com o desemprego, vamos acabar com o emprego. Votos pela Anarquia

em inglês

Istambul, Turquia: Ações coordenadas por anarquistas contra a ditadura e a democracia, no contexto do Referendo

Alguns grupos anarquistas de Istambul organizaram ações coordenadas contra a democracia e a ditadura no contexto do referendo constitucional turco e saudaram a “Coordenação dos Grupos Anarquistas”, que foi declarada por alguns grupos anarquistas na semana passada. Grupos anarquistas nas vizinhanças de Kadıkoy, Kucukcekmece, Umraniye, Sefakoy, Kasımpasa afixaram faixas, autocolantes e cartazes simultaneamente. Abaixo apresenta-se o comunicado divulgado.

Declaração dos grupos anarquistas em cumplicidade

“A regra do AKP não tem chance de escapar ao seu colapso, embora o referendo de 16 de Abril provavelmente prepare o caminho para uma ampla supressão da oposição na Turquia. Por outro lado, uma vitória para os votos do NÃO significaria apenas a manutenção do status quo. O maior ganho seria um impulso moral para a oposição maioritária que redesenhou o conflito opressor-oprimido na forma anti-AKP, anti-Erdogan(ismo). A nossa responsabilidade não é a de esperar pelo colapso dos poderes, mas organizar e fortalecer lutas que possam levar o sistema abaixo.

A ordem democrática “direta” ou “representativa” não representa igualdade, liberdade e transformação revolucionária. Reduz o ideal revolucionário da sociedade a números não obstante o sistema eleitoral. A sua percepção e consciência são engendradas pela classe mais alta no meio da hierarquia e isso resulta no encantamento da sociedade pela “vontade de maioria”.

Infelizmente, verificamos que muitos ativistas (incluindo anti-autoritários que procuram a “democracia direta”) lutam para alcançar um status na ordem democrática imposto pelo soberano, não para iniciar um movimento de base. Observando-se as suas atitudes nas eleições recentes, vemos que um grande número de pessoas anti-autoritárias – cuja palavra favorita é a “democracia direta”- projectou o seu discurso e práxis em torno do parlamento burguês, trabalhando para o sucesso eleitoral dos principais partidos de oposição, voltando as costas aos esforços revolucionários. Esses esforços comprometedores vezes sem conta comprovam que estão a assinar um mandado de morte das transformações revolucionárias potenciais na história.

Chamamos todxs xs nossxs companheirxs e amigxs anti-autoritárixs e emancipadorxs, uma vez mais:

A anarquia não é nem sonho volátil nem uma visão dogmática do mundo. Em contraste, a anarquia realiza-se enquanto individualmente se traz isso à existência. Exigindo liberdade; destruindo todos os elos da opressão; derrubando aqueles que nos exploram, nos mantêm com fome, nos deixam desabrigados, nos banem, nos aprisionam, nos assassinam, nos entorpecem, nos dividem, nos fazem guerrear; e criar um mundo baseado na igualdade, na liberdade e na comunhão só pode ser conseguido mantendo o foco de nosso discurso e ativismo aqui. A “democracia” não é um atalho, mas um sumidouro de ilusões, permitindo que a história dos soberanos se reproduza.

Abraçar a luta anarquista. Organizar-se, formar alianças entre grupos anarquistas / antiautoritárixs / emancipadorxs, actualizar projectos, difundir princípios anarquistas / antiautoritários entre os movimentos sociais, mas não ser assimilado dentro desses movimentos. Não deixe o seu desejo revolucionário ser absorvido pelas urnas ou círculos esquerdistas autoritários / reformistas; pelo contrário, esmagar todos os mecanismos de compromisso e reconciliação. Em vez de desperdiçar a sua energia em atalhos que se transformam em labirinto, canalize-a para a anarquia ou causas de libertação total. Seja organizado, organize, seja coordenado, actue…

Com esse tipo de ações, saudamos a recém anunciada “Coordenação dos Grupos Anarquistas”, que foi constituída por grupos anarquistas e anti-autoritários com experiências comuns na luta. Ter uma organização e experiência de luta é vital para esses grupos. Da mesma forma, enviamos o nosso apoio e desejos de solidariedade aos/às companheirxs anarquistas cativxs em todo o mundo.

Anarquistas contra Ditadura e Democracia

Uruguai: Gravação sonora em solidariedade com xs detidxs durante a “Operação Pandora”

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Clica na imagem para escutares a gravação sonora..

Daqui de Raíces fm, rádio comunitária de Maldonado, Uruguai, decidimos realizar esta gravação sonora informativa-solidária com os companheirxs detidxs [já em liberdade restritiva] durante a chamada “Operação Pandora”

Perante factos de repressão e de perseguição não podemos permanecer impávidos, seja na região que forem! A solidariedade é uma das nossas melhores armas e deve estar sempre carregada!

Sabemos que xs companheirxs sequestradxs dentro dos muros da prisão estão com ânimo e força, seguramente os seus sorrisos não se verão de todo pertubados atrás das grades porque sabem que não estão sós. E em nós, essa atitude não faz mais do que potenciar as nossas ideias, as nossas ganas de alterar esta realidade mediante factos concretos e não só através do palavriado.

Enviamos um abraço apertado de cumplicidade aos/às compas detidxs e a todas as individualidades que lutam contra a ordem estabelecida por todo o mundo!

Parte do coletivo de Raíces fm.

[Prisões italianas] Tudo o resto é aborrecido. Notas soltas sobre ação direta

1Pensei em escrever estas notas, porque me parece que ultimamente, até mesmo entre nós anarquistas, se está a falar muito pouco da ação direta (e, infelizmente, a ser praticada pouco…), privilegiando-se as tentativas de encontro com as “massas” mais ou menos indignadas. Decidi fazê-lo na Cruz Negra, porque espero que esta possa converter-se num espaço de debate entre aquelxs que consideram a ação como o centro do seu caminho de luta. Espero, sinceramente, que a Cruz Negra se converta não na reunião das más sortes carcerárias mas sim no lugar onde se pode retirar informação e aprofundar sem meias palavras – a partir de diferentes pontos de vista e sobre questões que são consideradas úteis – para dar mais contundência à luta contra a autoridade. De fato, a ação direta é algo para agir e não para pontificar mas estou convencido de que esclarecer o que cada um de nós  realmente entende quando usa essa palavra pode ajudar a aguçar armas para isso atacar.

Para abordar a questão, sem me perder em torções inúteis de palavras, quero  esclarecer primeiro o que, para mim, não é a ação direta.

Concentrações, distribuição de folhetos, manifestações “determinadas e de comunicação”, tartes (pinturas, cuspidelas, etc) na face do infame de turno, ovos com cores e todo esse tipo de coisas não podem ser consideradas ação direta. Estou ciente de que uma lista deste estilo atrairá até mim as setas dxs que sustêm que todos os meios têm a mesma dignidade na luta, o meu discurso poderá parecer superficial, “militarista”, impregnado de uma óptica de eficácia e blá blá blá … Mas ninguém, honestamente, pode negar que neste momento ao fazer essas coisas se está a mimar a luta, renunciando-se a vivê-la realmente.

Estou convencido de que se está a afrontar de ânimo leve a luta, com um sorriso nos lábios: não se trata só de um jogo, mas nada mais sério há do que um jogo onde as apostas são representadas pela qualidade de nossas vidas e da nossa liberdade. Ninguém pode negar que a correspondência entre o pensamento e a ação deveria ser a característica fundamental de ser anarquista. Se pensarmos que a destruição deste mundo é necessária, então temos de agir em consequência, não podemos recorrer a truques baratos, simpáticos e inofensivos, para silenciar a luta, enganando as nossas consciências famintas de liberdade. Devemos ter a coragem de afirmar que a ação direta ou é destrutiva ou não é ação direta. Os muros que nos aprisionam não cairão por si, mas sim só se investidos forem pela onda de choque da nossa raiva. É inútil que a lista de turno nos recorde que a insurreição não é o resultado da soma aritmética dos ataques realizados por anarquistas, estou a falar de outra coisa. A nossa vida é demasiado curta para nos permitirmos desgastá-la com centenas de acontecimentos para despertar as massas adormecidas, para que estas se apresentem pontuais à citação no dia mágico: só quando atacamos concretamente o existente conseguimos arrancar pedaços de liberdade – mesmo que apenas por alguns momentos – libertando-nos das amarras impostas pela vida quotidiana e pela lei.

A nossa luta deve ser violenta, sem compromissos, sem possibilidade de mediações ou vacilações: a ação direta destrutiva, o único meio que deveríamos usar para nos relacionarmos com quem nos oprime. Mas as coisas, como sempre acontece na realidade, são um pouco mais complicadas, infelizmente a ação só por si não constituirá a panacéia para todos os males do nosso movimento. Ainda que esteja absolutamente convencido de que nenhum ato de revolta é inútil ou prejudicial, entendo ser fundamental questionarmos-nos sobre a projetualidade que as geram e, acima de tudo, sobre o significado que lhe dão aquelxs que as fazem. O próprio ato pode assumir significados muito diferentes, se concebido numa óptica de ataque ou de defesa. Vou tentar explicar com um exemplo prático: no ano passado, em Vale de Susa, assistimos a um aumento positivo das práticas de sabotagem na luta contra o TAV; perfeito, se entre as intenções daquelxs que fizeram tais ações estivesse presente a intenção de afirmar claramente que não está em jogo só impedir a construção de uma linha ferroviária, mas antes a necessidade de atacar e destruir todo o projecto do sistema tecno-industrial que a desenha. Outra coisa é o sentido do que se pode ler em alguns comunicados do movimento NO TAV – ou, o que é ainda mais desconcertante, no n º 5 de Lavanda, hoje desenhada por alguns/algumas companheirxs envolvidxs nesta luta. Tais ações poder-se-iam  interpretar como o último recurso de uma população que já utilizou todos os meios de pressão possíveis (e pacíficos …) sem obter a atenção dxs que xs governam. Estou convencido de que tal interpretação banaliza qualquer aspecto positivo e revolucionário de tais atos; de fato, sugere que, se o poder fosse mais “razoável” se fosse mais aberto ao diálogo, existiria a possibilidade de o “convencer” para mitigar os seus aspectos mais nefastos.

A ação direta só expressa todo o seu potencial de libertação quando é concebida numa óptica de ataque. Nós não golpeamos o inimigo pelo desgosto com o seu último delito, que se tornou insuportável, mas porque queremos ser livres, aqui e agora. Não necessitamos justificações para golpear, não podemos aceitar viver uma vida carente de sentido, como meras engrenagens desse sistema mortal, é simples. Devemos ser nós quem dita os momentos de luta, há todo um mundo para demolir e as chances de derrotar o monstro tecnológico estão a tornar-se cada vez mais pequenas, se em proporção ao seu desenvolvimento.

Quando falamos de ação direta estamos a falar da nossa vida, visto a rejeição que temos ao existente não ser uma moda, mas algo muito mais profundo em que colocamos em jogo toda a nossa existência. Por este motivo, acho realmente irritante quando nos referimos a qualquer ação, dizendo que “era o mínimo que se podia fazer.” Estou convencido de que não há nada que possa ser feito ao mínimo, pelo menos contra o que nos oprime, não podemos nos auto-impor limites de acção, esta deve ser sem restrições tal como a nossa sede de liberdade. Se nos encontramos perante um explorador assassino de uniforme, etc, e se decidimos manchar-lhe o vestuário com pintura, isso não é o mínimo que se podia fazer mas sim o que decidimos fazer. Trata-se de algo ditado por uma série de análises – que não dando mais força à ação ainda a minimizam: “as pessoas não nos entenderiam, não devemos dar um passo a mais que os restantes, é necessário começar por ações pequenas, as que são facilmente reprodutíveis”, etc.

Naturalmente, trata-se de considerações que precisam de um tratamento mais profundo e espero que haja forma de voltar a isto e discuti-lo seriamente, o que hoje queria dizer é que devemos sempre aspirar a fazer o máximo que as nossas habilidades consintam. Quando agimos, devemos fazê-lo essencialmente por nós mesmxs e da maneira mais resoluta possível, não somos distintos daquelxs a que de forma autoritária chamamos ” gente comum”, o que quer que façamos qualquer pessoa o pode reproduzir, desde que alimente o nosso próprio desejo de destruir a autoridade. Não devemos tentar convencer as massas da bondade de nossa tese, mas procurar cúmplices que queiram participar na obra de demolição. Não temos
de ter medo do nosso ódio, mas devemos lançar-nos à ação, conscientes de que o inimigo não hesita nem um segundo na sua guerra contra a liberdade.

Estas notas foram ditadas não tanto pelo desejo de desenvolver qualquer análise teórica inovadora mas mais pelo desejo de tentar compartilhar a ideia da centralidade necessária da prática destrutiva de ação direta na vida de qualquer anarquista revolucionárix. Tudo o que acabou de ser dito seria certamente óbvio se não existissem tantxs companheirxs a consumirem tantxs forças, girando como peões em ativismos a que falta qualquer projetualidade verdadeiramente revolucionária, marcada pelas feridas do assistencialismo e do oportunismo. No entanto, já existem antídotos para tudo isso: organização informal, o nihlismo, o individualismo, a recusa de líderes carismáticos, a recusa do poder extra assembleário, a comunicação através da ação. É preciso voltar a olhar para o que está a acontecer àq volta do mundo, como historicamente sempre têm feito xs anarquistas, inimigxs de todas as fronteiras, e dar-nos-emos conta de como companheirxs de todas as latitudes estão a experimentar novos modos de ação, libertando-nos dos grilhões das lutas sociais para nos lançarmos sem freio ao ataque do existente. Temos de redescobrir a alegria de atuar, parar de nos limitarmos a uma busca ilusória do consentimento popular; sem tantxs … teóricxs, o nosso objetivo deve ser simplesmente destruir o que nos destrói. Libertemo-nos da política, mesmo no seu declínio antagonista; deve ficar claro que não lutamos por um futuro brilhante, mas por um viver, aqui e agora, a anarquia deveria ser em primeiro lugar um ato individual que afectasse a nossa própria vida: devemos conspirar, alimentar cada pequeno fogo que possa incendiar toda a pradaria, atentar com todos os meios contra a ordem, civilizada e tecnológica, que o sistema tenta impor. Nesta luta, devemos utilizar todas as armas que tenhamos à nossa disposição, em primeiro lugar as que não faltam no arsenal de todx x anarquista: a vontade e a ação direta destrutiva.

Fray Nicola Ferrara [Nicola Gai]
Cruz Negra Anarquista, Aperiódico anarquista, nº 0, Abril de 2014 Pág. 2-3

espanhol

Lisboa: Mostra de Edições Subversivas

Dias 26, 27 e 28 de Setembro na BOESG
Rua das Janelas Verdes nº 13 1º Esq. – Santos – Lisboa

Na realidade em que vivemos, poucos são os espaços não virtuais de confluência criados para o debate e exposição de ideias críticas dos vários processos de dominação e exploração em que nos vemos enredados. A criação desses espaços é de vital importância na construção de um discurso que ataque esses mesmos processos, gerando uma cumplicidade prática entre os diversos indivíduos que constituem a base dessa crítica.

É nesse sentido que criamos este espaço de debate e de mostra de edições subversivas, para que continuemos a fazer da palavra uma arma que ataque tudo aquilo que repudiamos nesta sociedade e para a construção de alternativas que nos libertem das relações de dominação nela prevalecentes. Durante três dias haverá espaço para a apresentação de livros, revistas, jornais, fanzines, música e vídeo, ponto de partida para o debate de ideias e práticas que contribuam para a subversão dessa mesma realidade em que vivemos.

contacto: mostradedicoesubversivas@riseup.net

Mais informação aqui.

[Itália] A nossa luta não é violência

cna0-p

Há violência quando se interrompe um estado de paz e se cria injustiça.

Lançar toneladas de bombas sobre países indefesos, causando numerosas vítimas e destruindo infraestruturas essenciais: isto é violência. Invadir e ocupar países estrangeiros com alegadas missões de paz: isto é violência. Encher o subsolo de material tóxico e causar um número incalculável de mortes: isto é violência. Garantir que uns poucos se tornem cada vez mais ricos, enquanto a maioria se torna cada vez mais pobre: isto é violência. Encerrar homens e mulheres em prisões, manicómios e CIES: isto é violência. Levar o nosso planeta ao precipício de uma destruição irreversível: isto é violência. A lista de crimes com os quais se mancha o poder todos os dias é interminável…

Quem está ciente disso e passivamente assiste a este teatro dos horrores, cúmplice se faz. Quem sabe, mas reage apenas com a palavra, quer seja a falar ou por escrito, expressando somente dissidências estéreis, também é cúmplice. Quem critica a luta anarquista marcando-a como “violência” não faz mais que engrossar as filas dxs muitxs que, por comodidade ou cobardia, se façam cúmplices dos crimes do poder.

Nós, anarquistas, amamos sinceramente a paz e a justiça, tanto que para alcançá-las não hesitamos em utilizar todas as formas de luta compatíveis com as nossas ideias.

Quem luta contra o poder não é violentx, está acima disso; é quem não combate quem o legitima com o seu próprio silêncio e a sua passividade. A luta revolucionária não interrompe nenhum estado de paz, somente intervém num estado de violência e tirania para restabelecer a paz e a justiça. Apenas uma luta clara, dura e incisiva contra o poder pode testemunhar a nossa vontade de não sermos cúmplices. Sem dúvida, a ação directa: o ataque destrutivo e sem mediações contra as propriedades do poder e dos seus representantes é a forma de luta mais eficaz e menos recuperável.

A nossa forma de actuar não é violência, é só um raio de luz que rompe as trevas da opressão e ilumina cenários de libertação.

Pasquale “Lello” Valitutti
Cruz Negra AnarquistaAperiódico anarquista, nº 0, Abril de 2014 Pág. 10

[Grécia] A liberdade é o caminho…


Não há caminho para a liberdade. A liberdade é o caminho. E a liberdade dxs companheirxs anarquistas passará por cima dos escombros da miséria atual.

O mesmo se passará  com a liberdade de todxs…

SOLIDARIEDADE COM ΧS PRESΧS POLÍTICΧS
FORÇA AΧS PROCESSADΧS PELAS SUAS AÇÕES SUBVERSIVAS
UM PUNHO LEVANTADO PARA ΧS QUE CONTINUAM RESISTINDO

França: A vida é curta, sejamos selvagens!

la-vie-est-courte-a2-couleur-f6a58Tradução de um cartaz encontrado em Novembro de 2013 nas ruas de Paris

“Os tempos estão difíceis”, “São sempre os mesmos a pagar”, “Mas, do que estamos à espera para deitar fogo a tudo?”

E bla, bla e bla, bla, bla, bla. Ouve-se sempre a mesma cantilena no café e locais de trabalho. Toda a gente tem opinião sobre a catástrofe que nos atinge diariamennte, todo o mundo tem a sua própria ideia para melhorar a gestão do país, mas ninguém põe mãos à obra, verdadeiramente. E a seguir vota-se, resigna-se e volta-se a votar. Quer o bastão se chame Partido Socialista, União por um Movimento Popular [direita], Frente Nacional ou Frente de Esquerda, afinal qual é a diferença? A cenoura é sempre a mesma… Então, espera-se, diz-se que os dias maus hão-de acabar, que um milagre está para acontecer em algum lugar nas profundezas do universo, que um político providencial vai nos salvar desta merda, o messias, o apocalipse, que o dinheiro nos irá trazer a liberdade que nunca tivemos, que as alternativas nos permitirão viver fora deste mundo, que haverá outro lugar onde curaremos o daqui, um paraíso futuro para esquecer o inferno do quotidiano, dessas opressões rotineiras que são nomeadas de trabalho, controlo, reclusão e fronteiras.

Mas há demasiadas palavras, demasiadas gesticulações inúteis, a vida é demasiada curta para isso, agora é necessário rebentar o arame farpado que rodeia o nosso imaginário, é necessário passar ao ataque.

Aquelxs que são responsáveis ​​por esta sociedade carcerária são da mesma constituição que nós, são feitxs de carne e osso, têm nomes e endereços, as suas estruturas estão ao virar da esquina. Xs que constroem as prisões pensadas para nxs domar, xs que aí trabalham, xs que participam na nossa miséria extorquindo-nos com os alugueres, fazendo-nos trabalhar, tomando-nos por tolxs, tentando domesticar-nos. Todxs eles sabem bem que, para se alterar a ordem das coisas, bastaria reparar que a vida é demasiado curta para se passar o tempo a curvar a espinha. São só xs dominadxs xs que não se dão conta?

Então, sim, a vida é curta, demasiado curta para este aborrecimento abismal, para esta vida de miséria sob o sol negro da dominação, os pés atolados no chão frio do capitalismo. Que pelo menos seja intensa e de uma vivacidade selvagem. Que pelo menos nos libertemos da resignação e do medo que este mundo nos impõe.

Tomar a tua vida nas mãos é atacar todos os poderes!
Por um mundo sem Estado nem dinheiro!
Pela insurreição!
Pela anarquia!

do italiano
original em francês

Santiago, Chile: Propaganda a 22 anos de um sangrento Janeiro e em saudação à querida companheira Sol F. Vergara

A 22 de Janeiro de 1992 após uma expropriação bancária são assassinados os revolucionários Alexis Munõz e Fabian Lopez – Memória e Combate
Alexis Munõz e Fabian Lopez vivem na revolta contra a ordem dos ricos – 22 de Janeiro 1992 – 22 de Janeiro 2014
Companheira Sol Farias Vergara para a rua! Ação e solidariedade!

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22enero05-1024x244“Não nos vamos entregar. A decisão não é de agora, mas de há muito… vamos jogar por inteiro…”
-Alexis e Fabián, barricados, em contato telefónico com a polícia e a imprensa.

Há exatamente 22 anos as balas da democracia tiravam a vida aos revolucionários Alexis Muñoz Hoffman r Fabián López Luque, integrantes da guerrilha urbana F.P.M.R os quais em 22 de Janeiro de 1992 expropriavam um camião de valores no campus Oriente da Universidade Católica conseguindo escapar e abrir caminho à custa de balas.

Após sair do setor são cercados pela polícia numa casa do município de Ñuñoa, onde decidem barricar-se. As câmaras e os uniformes da democracia, recém estreadas, começam a desembainhar as armas e depois de horas de perseguição e negociação televisionadas são abatidos ao vivo e em direto.

Nós combatemos a amnésia e o esquecimento com propaganda, enquadrando-a como mais uma das contribuições possíveis no âmbito da praxis anárquica multiforme.

Como um gesto mínimo e de resposta imediata perante a digna e formosamente rebelde atitude da companheira Sol Farias Vergara decidimos expandir a propaganda com a compa, aproveitando-se para lembrar a sua situação nas paredes de várias sucursais do BancoEstado. Saudamos a companheira na prisão assim como a permanentemente combativa posição da sua família.

Memória e Combate para @s companheir@s caid@s en combate  e para @s prisioner@s da Guerra Social!

Stgo. 22 Janeiro de 2014

Galiza: Programação da I Feira do Livro Anarquista da Guarda – 19, 20 e 21 de Julho

feira do livro anarquista modificadoSexta-feira 19 de Julho – Centro Social Fuscalho:
Apresentação da I Feira do Livro Anarquista da Guarda
Projecção/ Debate de um documentário

Sábado 20 de Julho – Praça de São Bento:
14:00 – Almoço vegano
17:00 – Apresentação do livro (a cargo de um companheiro lisboeta):
Flores Silvestres, uma antologia de Abele Rizieri Ferrari
Apresentação da revista “Cam de palheiro
20:00 – Representação da peça de teatro “Navy Bar” – Teatro do pracer, C.S.A.A Cova dos Ratos (Vigo)
21:30 – Jantar “Faz tu mesmo”
23:00 – Concerto dos cantautores: John tres dedos e Bitxobola

Domingo 21 de Julho – Praça de São Bento:
14:00 – Almoço vegano
17:00 – Apresentação das revistas “Abordaxe” e “Contrahistoria

Durante toda a feira haverá um “espaço para a exposição de material anti-autoritário”, assim como um “espaço de bebidas e comidas a preços populares” e um “espaço para acampamento.

Portugal: Dois eventos da Contra Info em solidariedade com os anarquistas presos na Grécia

No contexto de difusão da solidariedade de facto com os/as anarquistas presos/as nas masmorras gregas, no sábado, 27 de abril de 2013, encontrar-nos-emos no Centro de Cultura Libertária, ateneu anarquista em Cacilhas–Almada, a partir das 16 horas. Haverá conversa e jantar vegano benefit.

Na segunda-feira, 29 de Abril, pelas 21 horas, estaremos na Casa Okupada Setúbal Autogestionada (C.O.S.A), onde haverá conversa e benefit.

Pela destruição de todas as prisões e do sistema que as mantém!

Madrid: Encontro e discussão de Contra Info em solidariedade com os/as anarquistas presos/as na Grécia

A próxima parada da volta infosolidária de Contra Info é a cidade de Madrid, no território controlado pelo Estado espanhol.

A 19 de abril às 19:00, o espaço anarquista Magdalena albergará uma noitada em apooo aos/às nossos/as compas presos/as na Grécia.

Junta-te ao evento e traz ideias para ações solidárias con todos/as os/as anarquistas presos/as ou prófugos/as em todo o mundo.

Mais informação: local anarquista magdalena

Lausana: Eventos de Contra Info em solidariedade com os/as presos/as anarquistas e as ocupas atacadas na Grécia

No contexto da volta infosolidária de Contra Info na Europa, alguns/as miembros da rede realizarão atividades em duas Ocupas de Lausana, Suíça.

A 5 de Abril de 2013, ver-nos-emos na Ocupa Loc(a)motive, para realizar uma oficina de arte reciclada para crianças de todas as idades (entre as 15:00 e as  17:00), teremos cozinha coletiva vegana (às 19:00) e compartilharemos contra-informação acerca dos golpes repressivos contra o movimento ocupa na Grécia (às 21:00).

A 6 de Abril de 2013, encontrar-nos-emos na Ocupa PornoDiesel, às 18:00, com o objetivo de apresentar vários casos de combatentes anarquistas nas prisões  gregas e falaremos  da necessidade de ampliar as iniciativas contra-infomativas para além das fronteiras e contra elas. Depois, haverá cozinha coletiva vegana, benefit.

Estejam atentos/as aos próximos eventos noutras cidades europeias…

Amsterdão: Evento de Contra Info no Joe’s Garage, em solidariedade com os lutadores anarquistas nas prisões gregas

soli-event
Evento em solidariedade com os/as lutadores/as anarquistas nas prisões gregas. Encontro informativo com compas de contrainfo.espiv.net. Comida+donativos livres. Joe’s garage pretoriusstraat, 43, ámsterdam.
12 de abril às 19:00

No contexto da luta diária contra o existente e tendo como objectivo a difusão da solidariedade de facto com os/as anarquistas presos/as nas masmorras gregas, membros da rede contra-informativa Contra Info levarão a cabo uma série de eventos em várias cidades europeias, difundindo informação de casos de compas presos/as.

Queremos que estes encontros se convertam numa oportunidade para reforçar a infra-estrutura antagónica de contra- informação, para ampliar e multiplicar os gestos solidários com os/as nossos/as irmãos/irmãs que se encontram atrás das grades e promover a acção directa e a praxis subversiva.

Na sexta-feira, 12 de abril de 2013, encontrar-nos-emos no Joe’s Garage em Amsterdão. Haverá jantar vegano às 19:00 e, às 20:00, começar-se-à a conversa. Esperamos ver-vos ali e convidamos-los a compartilhar as vossas ideias para seencontrar uma perspectiva comum com vista à destruição de todas as prisões e do sistema que as mantém..

Estejam atentos a futuros eventos noutras cidades europeias.

SOLIDARIEDADE COM OS/AS PRESOS/AS ANARQUISTAS EM TODO O MUNDO!

mais info: 1, 2

Valência, Espanha: XII Mostra do livro anarquista

Já está aí, novamente a mostra do livro anarquista de Valência. A data será do dia 17 a 22 de Abril, no Barrio del Carme, a norte da cidade, concretamente na Praça del Carme. O horário é todo o dia.

Se tens uma distribuidora ou fazes parte de algum coletivo ou simplemente estás interessado/a, visita esta ligação, onde, para além disso, se fornece informações detalhadas sobre o que acontecerá no dia, assim como os livros em exposição.

Esperamo-vos, a todos e a todas, e também tirar proveito da jornada e  promover a livre circulação do livro anarquista pelos nossos espaços, áreas e outros.

Vemo-nos em Valênci(A)!

Santiago, $hile: 1ª Feira do livro e propaganda Anarquista, 12 e 13 de Maio

Desde sempre que o cúmulo heterogéneo dos grupos que compõem o anarquismo tem gerado e difundido milhões de panfletos por todo o mundo, tanto para dar a conhecer as suas ideias como para facilitar o desenvolvimento cultural dos homens e mulheres do seu tempo.  Estas foram as razões fundamentais da sua existência no passado e da sua urgente
necessidade no presente.

A América Latina não escapou a este processo. Muitos milhares de livros, folhetos, revistas e jornais, foram editados a partir do subcontinente, com especial ênfase entre as últimas décadas do século XIX e as quatro primeiras do século XX. E embora depois tenham existido várias tentativas destacáveis​​, sobretudo em Buenos Aires, apenas desde os anos noventa do século passado se tem podido contemplar e desfrutar de um ressurgimento de iniciativas de propaganda.

A região chilena também não se manteve à margem disto. Se fazemos um brevíssimo comentário ao passado da literatura impressa libertária, além de se mencionar o meio cento de jornais que existiram nestas terras, também teremos de destacar algumas valiosas editoras como “Lux” em Santiago,  “Adelante” em Rancagua, o “Mas Allá” em Valparaíso, entre outras tantas. Lux, ligada à IWW, entre 1920 e 1927 editou vários títulos com milhares de exemplares, promovendo a criação de alguns companheiros locais, como o poeta mártir José Domingo Gómez Rojas, o professor primário Manuel Márquez, o IWW Armando Triviño ou a companheira anarco-feminista Evangelina Arratia; também editou a outros agitadores latino-americanos como Juana Rouco Buela assim como aos clássicos Emma Goldman, Kropotkin, Fauré, Mella ou Malatesta. Em 1922, por exemplo, e após uma campanha  de despesas voluntárias, das oficinas de Lux saíram 4 mil cópias da Conquista do Pão.

Mas como referimos antes, a propaganda com origem anarquista é também uma questão de urgente atualidade. As nossas diversas ideias, com as nossas distintas tendências, estão a atingir certa notariedade, nos últimos anos.

Ao que parece estamos no meio de um novo amanhecer e contamos já com vários nós editoriais, jornais, revistas, fanzines ye até uma video-revista. Criações que se distribuem em livrarias, alguns quiosques e sobretudo durante as atividades, manifestações e nas feiras de propaganda que deambulam por toda a parte.

O que nunca tínhamos tido era um grande encontro dedicado especialmente ao livro e à propaganda anarquista. Esta iniciativa busca ser um punto de convergência para os diversos nós geradores de material, para que se conheçam e potenciem mutuamente se assim o pretenderem, mas sobretudo, para oferecer aos companheiros/as e a quem isso  interessar, em geral, uma panorâmica do que estamos a fazer. Para difundir, para estimular a produção, para conhecermos, para darmos a conhecer, para compartilhar, para escapar dos circuitos de cultura institucional, para auto-educarmos. Por tudo isto e por muito mais, encontrar-nos-emos nesta, a 1ª Feira do Livro e da propaganda anarquista em Santiago.

Para já podemos anunciar que para além dos expositores que cada iniciativa terá, haverá espaço para a arte, a música, a história e a reflexão teórica. Também contaremos com a presença de companheiros de outras regiões. Convidamos-te então, primeiro a dar uma volta por lá, mas com grande intensidade, a participar de forma ativa na feira, difundindo-a, indo às atividades de financiamiento, ou gerando iniciativas – fóruns, mostras, expressões- para a mesma.

Vemo-nos em breve nesta, a festa da cultura e da propaganda anarquista.

O grupo coordenador
Santiago, Março de 2012

pd1: Agradecemos aos companheiros de riseup por nos oferecer um correo dentro do seu servidor e aos companheiros da espiv por nos alojar a web no seu servidor.

E-mail: ferianarquistastgo[a]riseup.net
Web: ferianarquistastgo.espivblogs.net

Proximamente nas melhores manifs

Από την Αθήνα μέχρι το Λονδίνο
και από το Σαντιάγο μέχρι το Τορίνο
Φωτιά στους νόμους
σφαίρες στους αστυνόμους
και για κάθε ναζί
βενζίνα και στουπί

Απ’ το Βερολίνο μέχρι τη Μαδρίτη
κι από τη Λισαβόνα μέχρι το Ελσίνκι
βία στη βία της κάθε εξουσίας
στο δρόμο της φωτιάς και της αναρχίας

Desde Atenas até Londres,
desde Santiago até Turím,
fogo nas leis,
balas à polícia,
e a todos os nazis,
gasolina e mecha

Desde Berlím até Madrid,
e desde Lisboa até Helsínquia,
violência contra a violência de toda a autoridade
no caminho do fogo e da anarquia