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Lausanne: Breve entrevista ao coletivo Loc(A)motive

Abaixo, uma entrevista com os participantes da ocupa Loc(A)motive, só possível por ocasião dos encontros em Lausanne. Desde 8 de abril, Loc(A)motive está em risco de despejo e os ocupantes estão a organizar a sua defesa. Assim, esta será uma boa ocasião para os apoiar, da maneira que entender.

Contra Info: O que é a Loc(A)motive?
Loc(A)motive: É um colectivo formado por pessoas que vivem na casa ocupada na rua Chasseron 1, em Lausanne, bem como pessoas envolvidas em actividades no espaço. No momento, 15 pessoas estão a viver na casa e mais ou menos 10 também estão a participar de diferentes maneiras. O edifício é um antigo colégio espanhol, propriedade do Estado espanhol.

C: Quando é que o projecto de ocupação começou?
L: No dia 21 de Setembro de 2012.

C: Podes-nos contar mais alguma coisa sobre os primeiros dias deste projecto?
L: Na noite em que entrámos no prédio éramos cerca de trinta pessoas, a primeira coisa que fizemos foi barricar completamente a casa para o caso da bófia nos querer expulsar. Na mesma noite, a bófia apareceu com 2-3 carros de patrulha, após a chamada de um vizinho. Na verdade os polícias só deram uma vista de olhos e foram-se embora passado pouco tempo.

C: O local permaneceu barricado durante muito tempo?
D: As barricadas permaneceram durante quase dois meses. Grupos de pessoas vigiaram constantemente a área para o caso da bófia aparecer e tentar identificar os ocupas. Fizemos isso porque normalmente quando o proprietário de uma Ocupa faz queixa à polícia, geralmente vêm e registando as suas identificações a fim de os enviar perante um juiz e dar início a um processo judicial. Algo que definitivamente queríamos evitar, a fim de ganhar mais algum tempo, também. Um mês depois, a polícia apareceu novamente, mas todos nos recusámos a dar-lhes os dados pessoais. Anunciaram-nos que éramos obrigados a comparecer a uma audiência mas nós não fizemos nada disso. Duas semanas depois, recebemos uma nova convocatória para uma audiência, que ignorámos também. A terceira notificação que recebemos explicava que. por ignorarmos o processo, o juiz viria à Ocupa com o resto dos membros do tribunal e os representantes do chamado proprietário legal. Após uma longa reunião que tivemos na casa, decidimos aceitar um julgamento dentro da Loc(A)motive.

C: Por que se aceitou ter-se um julgamento?
L: O debate foi longo, com muitas e diferentes posições. O colectivo decidiu aceitar um julgamento dentro de casa, principalmente por causa do medo generalizado de que se negássemos o julgamento isso faria com que o perdêssemos.

C: O que é que aconteceu durante esse processo?
L: Primeiro que tudo, temos que esclarecer que estabelecemos certos limites em relação à aceitação de um julgamento na casa.O juiz só teria acesso aos espaços públicos da Ocupa, ou seja, os dois primeiros pisos e cave.Entrámos em contacto com um advogado que considerámos confiável e ele disse que o seu pagamento seria em doação livre. Preparámos uma pasta muito detalhada, provando que o edifício era adequado para habitação e contra-atacámos os falsos argumentos do advogado da embaixada espanhola. No entanto, o nosso advogado não era tão confiável quanto se pensava inicialmente. Um dia antes do julgamento, anunciou-nos que iria abandonar o nosso caso. Para começar, o advogado nunca foi nosso oficialmente, porque nunca contactou as autoridades.A fim de preparar o dia do julgamento, dirigimos um convite aberto às pessoas que conhecíamos para participarem do processo, em solidariedade.

Tanto as pessoas do Loc(A)motive como os que vieram em solidariedade estavam vestidos com trajes engraçados e provocantes, escondendo de várias maneiras as suas características físicas especiais.Os sentimentos que tivemos durante o julgamento foram contraditórios. Por um lado, havia pessoas comendo como em qualquer jantar colectivo normal, enquanto outros estava muito stressados porque já não podiam contar com a ajuda de um advogado.
Não havia realmente nenhuma linha comum na estratégia definida por todas as pessoas que participam no colectivo.

Tínhamos gasto toda a nossa energia em organizar as coisas com o advogado que no final não apareceu. Mais tarde, entendi que pondo o foco no advogado era uma péssima ideia. No momento do julgamento, não conseguimos ter uma linha comum clara como colectivo. Apesar de termos decidido permitir a entrada apenas nos espaços públicos, quando o juiz nos ameaçou de continuar o procedimento, sem nós, se não lhe mostrássemos o resto da casa, muitas pessoas mudaram de ideia e aceitaram. Apenas uma parte do último andar não foi violada, graças à iniciativa de algumas pessoas para a manterem fechada.

Por fim, depois de uma breve conversa entre o juiz, os representantes do Estado espanhol e alguns dos membros do Loc(A)motive, o magistrado anunciou que poderíamos manter a casa até dia 8 de Abril de 2013, data em que o Estado espanhol estava a pensar vender o edifício. Se por acaso a venda não ocorresse nessa data, disseram que poderíamos ficar mais tempo. Na verdade, desde 8 de Abril estamos perante de uma ameaça de despejo. Claro, não há nenhuma assinatura do acordo da nossa parte e nenhum dos nossos nomes foram entregues às autoridades. Assim, legalmente falando, acreditamos que é um procedimento inválido.

C: O que é que aconteceu depois deste julgamento?
L: Temos estado focados nos nossos vários projectos e na melhoria das infraestruturas no interior do edifício. Hoje, temos vários projectos em execução. Todas as sexta-feiras, temos uma refeição pública vegan, muitas vezes preenchida com discussões, apresentações ou a exibição de um filme. Todos os domingos, uma cafetaria aberta ocorre na mesma sala. Há uma loja livre com um monte de roupas e algumas outras coisas abertas a todos, a qualquer momento. Uma biblioteca com centenas de livros de diferentes temáticas encontrou um lugar no primeiro andar, ao lado de um info-quiosque com várias cartilhas e folhetos. No mesmo piso, organizámos uma sala para crianças com um monte de brinquedos. Todas as segunda-feiras, refugiados ou outros sem-papéis –ou pessoas que se classificam para protecção de civis em conflitos armados(PoC)– reúnem-se para falar sobre migração e para escrever as suas experiências de vida, neste sistema racista, e se ser clandestino. Todas as terça-feira há uma escola autónoma de idiomas. O espaço de dormir é no segundo andar. Agora, temos acomodação para mais ou menos 10 pessoas, mas ainda estamos a trabalhar na criação de um espaço maior para dormir. Além disso, temos reservado um quarto para o trabalho criativo com uma mesa de desenho profissional, material de costura e um monte de cores para as pinturas.

A maioria de nós precisa de algum tempo sem pensar acerca de uma evacuação, mas alguns dias atrás, começámos a organizar-nos para formar uma resistência concreta contra uma ordem de despejo. Neste contexto, várias pessoas estão motivadas a ir a outros lugares e fazer uma apresentação sobre a nossa situação e a nossa estratégia. Todos os que estiverem interessados em saber mais podem entrar em contacto connosco para obter informações.
Também podemos organizar uma info-reunião noutra cidade, se for necessário.

Solidariedade com todas as zonas libertadas, em toda a parte!
Nem um único dia sem centros autônomos!

Contacto:
Squat la Loc(A)motive — locomotive@riseup.net
Chemin du chasseron 1, 1004 Lausanne, Suisse/Suíça

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