Prisões espanholas: A tormenta desencadeada pela Pandora

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À nossa gente, a todxs xs companheirxs conhecidxs ou desconhecidxs que abraçam as ideias anarquistas e a todxs xs solidárixs e interessadxs.

Na madrugada de 16 de Dezembro de 2014 um grande contingente policial irrompeu nos bairros de Sant Andreu, Poble Sec e Gracia de Barcelona, em Manresa, em Sabadell e no bairro madrileno de Carabanchel, invadindo as nossas casas ao grito acelerado de «polícia!» e, após uma busca meticulosa, detiveram-nos, 11 anarquistas. Na mesma altura invadiram e efectuaram buscas, também, no ateneu libertário de Sant Andreu, no ateneu anarquista del Poble Sec, na Kasa de la Muntanya e na casa de companheirxs, embora não se efectuassem nesses espaços mais detenções.

Quando a bófia se cansou de manusear, gravar e recolher supostos indícios nós, xs detidxs na Catalunha, fomos conduzidxs separadamente a diferentes esquadras dos arredores da cidade de Barcelona, com o objectivo de dificultarem qualquer gesto solidário, e 48 horas mais tarde transportaram-nos durante 600 km até há Audiência Nacional, em Madrid. Após longas horas de espera – onde a hostilidade mútua se cortava à faca –  4 companheirxs ficaram em liberdade com medidas cautelares e aos outrxs sete decretaram-nos prisão preventiva sem fiança, sob a acusação de constituição, promoção, direção e pertença a organização terrorista e por danos e posse de engenhos explosivos e incendiários.

Num primeiro momento fomos transferidxs todxs para a presídio de Soto Del Real (Madrid) e aplicaram-nos o regime FIES 3, reservado aos delitos de bando armado. Todas as nossas comunicações estão intervidas e, ainda que não exista limite para o número de cartas que possamos receber, só podemos enviar 2, por semana.

A nossa detenção e encarceramento produz-se no âmbito da «Operação Pandora», orquestrada entre a Audiência Nacional e os Mossos d’Esquadra, contra uma organização terrorista fictícia à qual acusam de ações que ainda desconhecemos. Este último golpe repressivo o interpretamos como um ataque ao conjunto das ideias e práticas anarquistas, num momento em que o Estado necessita de inimigos internos para justificar uma série de medidas – cada vez mais opressivas e coercivas – que reforcem as formas de totalitarismo actuais. Com a crise como temática e a insegurança como pano de fundo, assistimos ao recrudescer do controlo nas fronteiras e das incursões racistas, dos despejos, das violências hetero-patriarcais e da exploração laboral- entre um largo etcétera- que se traduz em condições de vida cada vez más miseráveis  para a imensa maioria.

Estes frios muros – onde hoje nos encontramos encerradxs – escondem os nossos sorrisos ao conhecermos que familiares, amigos e  companheirxs, permaceram horas e horas às portas das esquadras e da Audiencia Nacional, cuidando de nós apesar do frio e da distância. Do mesmo modo, enche-nos de alegria saber que houve uma grande manifestação solidária e combativa em Barcelona e, em algum outro lugar, gestos que nos enchem de força e inteireza para afrontar a situação da maneira mais digna..

Enviamos uma saudação sempre combativa, sempre fraterna, a Francisco Solar, Mónica Caballero, Gabriel Pombo Da Silva e a todxs aquelxs indomáveis que- para lá das fronteiras impostas e apesar da perseguição ou das dificuldades – não baixam a cabeça e continuam a apostar na luta. O nosso coração está convosco.

Agora e sempre, morte ao Estado e viva a Anarquia.

Alguns e algumas anarquistas represaliadxs pela Operação Pandora

Madrid, finais de 2014.