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Santiago: Palavras do Coletivo Anticarcerário Vuelo de Justicia

013 Acção e Solidariedade com xs companheirxs sequestradxs pelo Estado $hileno!

“Porque nenhuma cadeia será perpétua e nenhuma prisão de alta segurança”
– Claudia Lopez

Nesta metade de 2015 – desde as últimas detenções dos companheiros Enrique Guzmán, Javier Pino e da compa Natalia Collado – ainda não nos tínhamos pronunciado publicamente mas agora, visto os muros da prisão encerrarem mais alguns/algumas dxs nossxs compas, não podíamos deixar de comunicar algumas reflexões/ideias e informação sobre aquelxs que neste momento vêm e sentem o passar dos dias sob o controle e o olhar atento de bastardxs carcereirxs.

A 15 de Julho, num contexto de saída do campus universitário Juan Gomez Miles, Sergio Alvarez é detido sob a acusação de posse de dispositivo incendiário (molotov). O compa, que se arrisca a uma pena à volta de 3 anos e 1 dia, está actualmente no módulo 33 da prisão-empresa Santiago 1 – apesar da sua mudança para o módulo 35 ter sido ordenada já, há várias semanas, pelos tribunais. durante o tempo que durou a investigação (fixada em três meses, desde a sua prisão).

Duas semanas depois, na madrugada de 1 de Agosto, outra má notícia é lançada pelos media corporativos: o companheiro Ignacio Muñoz Delgado é detido, pela polícia à paisana no município de Lo Prado, juntamente com propaganda pela liberdade dxs que estão acusadxs do ataque da PDI, na rua Condell). Sem dúvida que os factos que rodearam a sua detenção falam por si próprios, mas foram também as palavras e posturas do companheiro as que mostraram claros sinais de como vive e enfrenta uma realidade cidadãneamente normalizada. S. Ignacio encontra-se no módulo 33, junto ao companheiro Sergio Alvarez, com visitas 2 vezes por semana.

Passado pouco mais de um mês destas últimas detenções, na combativa comemoração de outro 11 de Setembro – durante a romaria realizada todos os anos ao Cemitério Central – é detido o companheiro Claudio Valenzuela Pizarro juntamente com Fabián Durán, ambos transferidos à 33ª esquadra de polícia de Ñuñoa, tendo sido formalizados para 14 de Setembro, por porte de dispositivo incendiário (molotovs e bidão de combustível – no caso do compa Claudio), ficando presos em Santiago 1, no módulo de trânsito, durante pelo menos 45 dias. Claudio e Fabian, da mesma forma que Sergio e Ignacio, encontram-se formalizados pela lei de controlo de armas, modificada à medida do poder durante a letargia cidadã e revolucionária do verão, que hoje em dia contempla penas de cumprimento efectivo (na prisão) a partir de 3 anos e 1 dia.

Não há dúvida de que, nos últimos tempos, as detenções de diversos companheiros anti-autoritários têm ocupado a mente de companheirxs distintxs; detenções que nas suas semelhanças e diferenças nos transmitem um sinal único e claro: a repressão continua permanentemente a atingir qualquer intenção de rebeldia e confronto, desenvolvendo as suas redes de forma mais ou menos planeada – com pessoal da polícia secreta às vezes ou com simples lacaios a soldo, dispostos a trabalhar bem. Também são muitas as impressões que se tem deste ou daquele caso: alguma ideia mais ou menos próxima da forma como ocorreram as coisas, informação, comentários, críticas e juízos. No nosso ponto de vista, quem faz julgamentos é o poder e quem critica sem ajudar passeia-se despreocupadamente com a sua comodidade. Nós, primeiro que tudo, vamos apoiar e solidarizar, sem dúvidas nem hesitações; sentimos a prisão como se fosse a nossa, embora isso torne o conflito ainda mais amargo, frustrando mais se for de algum coração rebelde e, por isso mesmo, a nossa grande certeza como coletivo anti-carcerário é, hoje em dia, acompanhar a quem, mais do que uma vez, acompanhou outrxs companheirxs presxs – essxs que não são culpadxs nem inocentes, xs que só decidiram fazer prática das suas convicções. Não esquecemos que, ao criar cumplicidades, assumimos um compromisso permanente de não abandonar e de não deixar espaço à acomodação e imobilidade, conhecendo ou não pessoalmente xs que foram assinaladxs publicamente e encarceradxs. Se o poder avança damos outro passo: ainda que nos custe e o carreiro se torne mais íngreme, negar-nos-emos obstinadamente a caminhar sob o ritmo repressivo de quem nos quer ver desaparecer.

Enviamos toda a força a Claudio, Ignacio e Sergio… não estão sós!!

Enviamos, também, todo o nosso amor a Freddy, Marcelo e Juan Aliste, atualmente na Prisão de Alta Segurança. A Alejandro Astorga e Alfredo Canales que também resistem na prisão.

A Juan Flores e Nataly Casanova, passado um ano dos polícias bastardos lhes terem posto as mãos em cima, não esquecemos!!

A Enrique Guzmán, a solidariedade continua a ser uma arma!

A Javier e Tato, recentemente reformalizados mas inteirxs e dignxs na passagem pela prisão.

Toda a força à companheira Tamara Sol, no centro de exterminio de San Joaquín.

Solidariedade e ação com Mónica e Francisco, sequestradxs em território espanhol.

Saudamos também Hans Niemeyer, cada vez mais próximo da liberdade.

Aos e às companheirxs, acusadxs do ataque à PDI, a Fabián Durán e aquelxs que, a partir das suas reivindicações sociais e /ou estudantis, hoje conhecem a prisão após terem sido assinaladxs pelo poder.

Ao terminar, saudamos o peñi Carlos Gutierrez Quiduleo que há poucos dias assumiu a responsabilidade numa série de assaltos bancários do denominado Caso Security, podendo regressar às ruas, após um julgamento abreviado e de se considerar a prescrição de alguns delitos, devido ao tempo que esteve na clandestinidade. Valorizamos as tuas últimas palavras escritas, e pese embora as contradições geradas por certas estratégias judiciais, respeitamos aquele andar revolucionário que no seu avanço contínuo foi passado e presente de luta autónoma e subversiva.

“Chegou a hora de atuar, no dia a dia com xs nossxs afins, pela destruição da sociedade carcerária e de qualquer intenção social de reformar este asqueroso sistema de morte. A solidariedade não deve ser uma palavra vazia mas sim uma ação diária de confronto com o poder e um apoio constante aos/às irmãos e irmãs sequestradxs nesta guerra à morte.” – Mauricio Morales Duarte.

Coletivo Anticarcerário Vuelo de Justicia
Contato: vuelodejusticia[arroba]riseup.net

espanhol

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