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[Santiago, Chile] Crónica da VII Convenção de Tatuagens e Arte Corporal SOLIDARIEDADE À FLOR DA PELE

Foi sob um belo céu nublado que nos reunimos para dar vida à VII Convenção de Tatuagens e arte corporal Solidariedade à Flor da Pele, com o objectivo não só de contribuir economicamente para apoio aos/às nossxs companheirxs na prisão, mas também abrir um ponto de encontro anti-prisões.

Bem cedo recebemos rondas policiais, assediando tatuadorxs, companheirxs e até vizinhxs, mas sem conseguir impedir o desenvolvimento da atividade. Desde o início ficou claro que o engenho e a vontade das mãos solidárias conseguem tornear os diferentes obstáculos que se vão gerando – demonstrando, assim, que quando a convicção anárquica é o que nos guia, sempre se conseguem ultrapassar as dificuldades.

Agradecemos a presença e o compromisso de todxs xs tatuadorxs, das companheiras responsáveis pelas suspensões e/ou piercing e daquelxs que nos acompanharam com danças, pinturas e oficinas  e que, com a melhor das disposições, contribuíram para o desenvolvimento e difusão da atividade. A todxs xs que não puderam comparecer, esperamos contar com vocês para a próxima conve…

Leram-se as mensagens  de alguns/mas companheirxs na prisão – deixando escapar ideias/sentires para longe dos corredores prisionais, ajudando a diluir o dentro/fora. Durante o dia foi sempre sendo atualizada a informação sobre os diferentes processos de repressão e combate no Wallmapu, procurando nutrir as diversas correntes envolvidas no conflito.

À Flor da Pele tem a marca da presença de todxs aquelxs que – apesar de já não estarem mais connosco de modo físico – vivem na memória dos corações negros, assim Barry Horne, Sebastián Oversluij e Mauricio Morales, acompanharam-nos sempre. Os caminhos da luta sempre acabam por se cruzar, mas há circunstâncias em que não se conseguem encontrar … esta jornada é dedicada à memória de Santiago Maldonado.

Porque uma jaula é sempre uma jaula…
Até destruir o último bastião da sociedade carcerária.
Solidariedade à Flor da Pele.
Solidárixs afins pela Anarquia/Coletivo Sacco e Vanzetti.

* * *

MENSAGENS DE COMPANHEIRXS PRESXS

*JOAQUÍN GARCÍA*

Acabo de me inteirar desta iniciativa de solidariedade. Agradeço enormemente todas as mostras de carinho que me acompanham nestes momentos. Cada gesto, cada palavra adquire um significado muito maior no encerro prisional; quebrar a rotina, aqui, passa a ser o mais importante de tudo. Espero que tudo se realize da forma mais agradável e serena que seja possível e que a solidariedade seja vivida à flor da pele.
Envio-lhes muitos abraços, saudações e carinhos.
Joaquín García
Secção de Máxima Segurança/Prisão de Alta Segurança.
4 de Novembro de 2017.

*Companheiro detido a 19 de Novembro de 2015 e acusado pelo atentado explosivo contra a 12ª Delegacia de San Miguel, passando a seguir à clandestinidade, numa mudança de medida cautelar, e voltando a ser detido, em Setembro de 2016, quando transportava um revólver e munições. Encontra-se em prisão preventiva.

*ENRIQUE GUZMÁN, NATALY CASANOVA E JUAN FLORES*

Estas palavras nascem e voam das celas da prisão de San Miguel, da unidade especial de alta segurança e da ex-penitenciária, para saudar aquela instância cúmplice que nos é dedicada pelxs compas que organizam e dão vida à Convenção de Tatuagens e Arte Corporal Solidariedade à Flor da Pele…

Através destas palavras – nascidas nestes centros de tortura – desejamos, de forma fraterna e cúmplice, saudar aquelxs que, à base da criatividade rebelde e subordinada, organizam e participam nesta iniciativa anti-prisões.. Iniciativa solidária com aquelxs que sentem no sabor amargo da prisão, dia a dia, a ira, a impotência e a indignação de não poderem materializar a guerra por se encontrarem rodeadxs de barras, câmaras e guardas…

Neste sentido, compartilhamos a mesma ira, impotência e indignação contra os bastardos que compõem e perpetuam esta sociedade –  a que cativa as nossas vidas e a dxs nossxs irmãos/ãs… é por isso que enviamos o nosso respeito e carinho fraternais a todas essas mentes conscientes que não dão espaço ao imobilismo e à indiferença…

Há aproximadamente 7 meses e meio que nos encontramos à mercê da polícia da prisão e de exames e transferências quotidianas até aos  tribunais do estado chileno, os que julgam a nossa necessidade de enfrentar o Domínio – o julgamento que discute o nosso suposto rol participativo nas bombas detonadas contra a estação de metro “Los Dominicos”, contra a 39, a 1ª delegacia de polícia em Santiago e  o subcentro da escola militar (fatos reivindicados pelxs compas da conspiração das células de fogo e da conspiração internacional de vingança) está em fase final, após o arsenal legal / fiscal e a entrada de mais de 150 testemunhas, 80 peritos, 230 documentos e 640 evidências periciais, nesta segunda-feira será discutido os dias livres (que não podem ser mais do que 4) para preparar as alegações de fecho.

Despedimos-nos, com um sinal cúmplice, dxs compas que se encontram nas prisões de Korydallos (Grécia), dos de Ferrara (Itália) e, para a imensidade de irmãos/ãs presxs e caídxs nesta guerra, despedimos-nos com o gostoso sabor do carinho solidário que nos manifestam uma vez mais!!!

Nataly Casanova (Prisão de San Miguel)
Enrique Guzmán (Segurança Máxima/Prisão de Segurança Máxima)
Juan Flores (Ex Penitenciária)

*MARCELO VILLARROEL*

Abraçando todxs e cada um dos gestos e atos de solidariedade com xs prisioneirxs da Guerra Social.

Da prisão da Alta Segurança de Santiago, uma vez mais, escapam estas letras carregadas de fraternidade insurrecta – para saudar e abraçar cada um/a dxs companheirxs que tornam possível que esta iniciativa se realize na sua 7ª versão, mantendo-a com vida há vários anos já , com a finalidade concreta de se solidarizar com aquelxs que vivem a prisão como resultado irrenunciável de uma opção de luta subversiva contra o Estado, o Capital e toda a Autoridade.

Resgato a vontade e a insistência de ir gerando redes de cumplicidade que permitam quebrar, no quotidiano, os muros e jaulas que nos encerram.

Em tempos em que os valores – que nos têm motivado para a nossa ação de combate direto – são relativizados por quem nunca arriscou nada, é altamente resgatável promover a sensação de comunidade que nos irmana, independentemente do lugar onde nos encontremos – porque está enraizado no desejo e na necessidade incontível de sermos livres, para além das dificuldades próprias de um caminho onde muitxs irmãos/ãs perderam a vida, enquanto outrxs resistem atrás das grades.

Portanto, cada grão de areia que aponta ao fortalecimento da ruptura do separatismo e da  indiferença – expandindo as práticas solidárias –  é um ataque direto à imobilidade e passividade com que o poder e os seus múltiplos dispositivos de controle vão semeando fragmentação, amnésia e medo,  com os quais devemos conviver quotidianamente pois são as práticas normalizadas no mundo cidadão e que tanto odiamos.

Os tempos são e continuarão a ser de luta direta contra o Estado, através da revolta permanente, e há que ter claro que continuará a haver feridxs, perseguidxs, prisioneirxs e mortxs de pensamento e ação anti-autoritárias – e não podemos imaginar transformações radicais sem a dor da perda, porque não há guerra asséptica – já que o Poder da dominação capitalista não perdoa nem esquece aquelxs que se rebelam.

Por estes dias se cumprem 10 anos desde que assumimos a clandestinidade como negação da legalidade juridica-policial do Estado. Há 10 anos, começou uma caça a 4 companheiros em que nos acusavam de participar numa série de expropriações bancárias e da morte de um polícia uniformizado, após o assalto ao Banco Security, fato ocorrido no centro de Santiago, em Outubro de 2007.

O Estado, através dos seus sequazes guardiões, desencadeou uma caça sem precedentes,assim como uma ofensiva sistemática em relação a diversos meios e espaços autónomos anticapitalistas da época, meios esses que expressavam uma posição de confrontação insurreta.

Desde esse momento, a permanente repressão do Poder sobre sectores subversivos autónomos e libertários tem-se mantido de forma ininterrupta, fortalecendo o seu aparelho político-jurídico-policial-penitenciário em função desta resistência-ofensiva – que cultiva práticas de ataque descentralizado e multiforme como expressão inequívoca da continuidade de luta de todxs aquelxs que crêm na destruição do mundo do Poder e dos miseráveis que o sustentam.

A 10 anos já do começo dessa caça, com orgulho pode-se dizer que não há arrependimento, nem esquecimento, nem abrando, nem renúncia do caminhar subversivo. A partir de uma posição em contínua tensão, nada está acabado.

Tudo continua!!!

Encorajando o encontro daquelxs que se encontram a trilhar o caminho da guerra social, daquelxs que alimentam a memória de combate de todxs xs que não perdem a bússola do conflito…

Abraçando todos xs presxs dignxs e xs irmãos/ãs que se expressam no ataque direto aos símbolos do Poder.

ABAIXO AS JAULAS!!!
ATÉ SE DESTRUIR O ÚLTIMO BASTIÃO DA SOCIEDADE CARCERÁRIA!!!
CAMINHANDO ORGULHOSXS PELA SENDA DA GUERRA SOCIAL, AVANÇAMOS FIRMES ATÉ À LIBERTAÇÃO!!!
ENQUANTO EXISTA MISÉRIA HAVERÁ REBELIÃO!!!

Marcelo Villarroel Sepúlveda
Prisioneiro Libertário
K.A.S / Stgo, Chile.
Sábado 4 Nov. 2017.

em espanhol

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