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Chile: Solidariedade insurreta com os compas Joaquín e Kevin perante a preparação do seu julgamento – adiado para o início de Abril

Se bem que a solidariedade resulte sempre importante – em todos os aspectos – não podemos ficar amarradxs a muitas das ações que se levantam em apoio aos/às nossxs afins, ainda que sejam sempre necessárias. Acreditamos que uma parte importante para nos reconhecermos como revolucionárix, é estar disposto – como o estão elxs – a atacar o aparelho estatal e o capital. Assim, a solidariedade deve trascender as palavras, forjar-se no ataque e assim se transformar em ação constante contra a da ordem. Porque o reconhecimento da afinidade vai acompanhado de cumplicidades e vivências, criando um laço inquebrantável entre anónimxs.
-Conspiração Internacional pela vingança/Célula deflagrante Gerasimos Tsakalos-

A 6 de Março de 2018 [a audiência foi adiada para os primeiros dias de abril por petição da defesa] o companheiro Joaquín García Chanks e Kevin Garrido enfrentarão a preparação do julgamento num processo teatral que se iniciou em Novembro de 2015 quando ambos foram detidos.

Nesta instância judicial se definirão as provas que o ministério público utilizará no futuro julgamento onde se desatará o seu frenesim de repressão e castigo, desta vez utilizando a lei  de controlo de armas.

O companheiro Joaquín, por sua vez, enfrenta um pedido de:

*15 anos de prisão pela colocação do dispositivo explosivo contra a 12ª esquadra de polícia (Ação reivindicada pela Conspiração Internacional pela vingança/Célula deflagrante Gerasimos Tsakalos).

*4 anos e 6 meses por porte ilegal de armas (após quebrar a detenção domiciliária a que o companheiro pode aceder, em Junho de 2016, Joaquín é detido por pessoal da BIPE em setembro do mesmo ano, transportando um revólver).

*800 dias por porte de munições (munições encontradas ao ser capturado).

Kevin, por sua vez, é acusado pelo atentado à Escola de gendarmes de San Bernardo (onde foi detido), para além de posse de material explosivo, porte ilegal de arma branca, atentado à empresa Chilectra (reivindicado pela Célula Karr-Kai) e na mesma situação de Joaquín pelo atentado frustrado contra a 12ª esquadra de polícia. A acusação solicita contra ele mais de trinta anos de prisão.

O orgulho e convicção de nos posicionarnos como entidades revolucionárias forja em nós uma dignidade inquebrantável e que não fraqueja, não são elementos que se desenvolvam para serem utilizados como armas, formam parte de uma práxis constante no nosso modo de atuar”-Joaquin Garcia

Pela demolição das engrenagens da inquisição democrática!
Solidariedade Insurreta e anti-autoriária!

Santiago, Chile: Sabotagem à linha férrea do metro 4A

Na madrugada do dia 20 de Novembro procedeu-se à sabotagem – com material de betão contundente – das zonas férreas da linha 4A do metro de Santiago, à altura da estação metro La Granja[1]. Não podíamos permitir que – no dia seguinte à festividade democrática da eleição – as coisas seguissem o seu curso normal. É que a nós não nos basta chamar a não votar, decidimos posicionarmos-nos contra o Estado e as suas lógicas de controlo e dominação sobre as nossas vidas. Estamos contra o estado, uma das máximas expressões do exercício de autoridade, que tortura e reprime; estamos contra a sua democracia com ilusões de mudança social – oferecidas pelos poderosos e assumidas pela cidadania.

A nossa opção, neste e em todos os processos eleitorais, é a subversão permanente que assinala que uma vida livre se cria na destruição da ordem autoritária e na necessária violência contra os opressores e as suas estruturas de poder.

Com esta ação de sabotagem ampliamos e fazemos chegar a saudação e a cumplicidade solidária a todxs aquelxs que desta vereda confrontam o poder e os seus defensores.

Aos/às nossxs companheirxs sequestradxs nas prisões da democracia: Nataly, Juan e Enrique – que nesta semana será onde o estado e as suas autoridades farão sentir todo o seu castigo. A Marcelo Villarroel, Juan Aliste, Freddy Fuentevilla, Joaquín García, Natalia Collao, Sol Vergara.

Solidariedade com xs companheirxs encarceradxs no âmbito da Operação Scripta Manent, aos/às nossxs irmãos/irmã  da Conspiração das Células de Fogo e ao companheiro anárquico Konstantinos Yagtzoglou, axs/às companheirxs perseguidxs pelo estado brasileiro na Operação Erebo.

Contra o estado e a sua democracia.
A nossa única eleição é a violência organizada pela libertação total.

Banda de sabotagem Santiago “Brujo” Maldonado

[1] “Alta afluência de passageiros na Linha 4A do Metro provoca problemas de frequência”. Bio Bio Chile, 20 de Novembro de 2017.

en espanhol

[Santiago, Chile] Crónica da VII Convenção de Tatuagens e Arte Corporal SOLIDARIEDADE À FLOR DA PELE

Foi sob um belo céu nublado que nos reunimos para dar vida à VII Convenção de Tatuagens e arte corporal Solidariedade à Flor da Pele, com o objectivo não só de contribuir economicamente para apoio aos/às nossxs companheirxs na prisão, mas também abrir um ponto de encontro anti-prisões.

Bem cedo recebemos rondas policiais, assediando tatuadorxs, companheirxs e até vizinhxs, mas sem conseguir impedir o desenvolvimento da atividade. Desde o início ficou claro que o engenho e a vontade das mãos solidárias conseguem tornear os diferentes obstáculos que se vão gerando – demonstrando, assim, que quando a convicção anárquica é o que nos guia, sempre se conseguem ultrapassar as dificuldades.

Agradecemos a presença e o compromisso de todxs xs tatuadorxs, das companheiras responsáveis pelas suspensões e/ou piercing e daquelxs que nos acompanharam com danças, pinturas e oficinas  e que, com a melhor das disposições, contribuíram para o desenvolvimento e difusão da atividade. A todxs xs que não puderam comparecer, esperamos contar com vocês para a próxima conve…

Leram-se as mensagens  de alguns/mas companheirxs na prisão – deixando escapar ideias/sentires para longe dos corredores prisionais, ajudando a diluir o dentro/fora. Durante o dia foi sempre sendo atualizada a informação sobre os diferentes processos de repressão e combate no Wallmapu, procurando nutrir as diversas correntes envolvidas no conflito.

À Flor da Pele tem a marca da presença de todxs aquelxs que – apesar de já não estarem mais connosco de modo físico – vivem na memória dos corações negros, assim Barry Horne, Sebastián Oversluij e Mauricio Morales, acompanharam-nos sempre. Os caminhos da luta sempre acabam por se cruzar, mas há circunstâncias em que não se conseguem encontrar … esta jornada é dedicada à memória de Santiago Maldonado.

Porque uma jaula é sempre uma jaula…
Até destruir o último bastião da sociedade carcerária.
Solidariedade à Flor da Pele.
Solidárixs afins pela Anarquia/Coletivo Sacco e Vanzetti.

* * *

MENSAGENS DE COMPANHEIRXS PRESXS

*JOAQUÍN GARCÍA*

Acabo de me inteirar desta iniciativa de solidariedade. Agradeço enormemente todas as mostras de carinho que me acompanham nestes momentos. Cada gesto, cada palavra adquire um significado muito maior no encerro prisional; quebrar a rotina, aqui, passa a ser o mais importante de tudo. Espero que tudo se realize da forma mais agradável e serena que seja possível e que a solidariedade seja vivida à flor da pele.
Envio-lhes muitos abraços, saudações e carinhos.
Joaquín García
Secção de Máxima Segurança/Prisão de Alta Segurança.
4 de Novembro de 2017.

*Companheiro detido a 19 de Novembro de 2015 e acusado pelo atentado explosivo contra a 12ª Delegacia de San Miguel, passando a seguir à clandestinidade, numa mudança de medida cautelar, e voltando a ser detido, em Setembro de 2016, quando transportava um revólver e munições. Encontra-se em prisão preventiva.

*ENRIQUE GUZMÁN, NATALY CASANOVA E JUAN FLORES*

Estas palavras nascem e voam das celas da prisão de San Miguel, da unidade especial de alta segurança e da ex-penitenciária, para saudar aquela instância cúmplice que nos é dedicada pelxs compas que organizam e dão vida à Convenção de Tatuagens e Arte Corporal Solidariedade à Flor da Pele…

Através destas palavras – nascidas nestes centros de tortura – desejamos, de forma fraterna e cúmplice, saudar aquelxs que, à base da criatividade rebelde e subordinada, organizam e participam nesta iniciativa anti-prisões.. Iniciativa solidária com aquelxs que sentem no sabor amargo da prisão, dia a dia, a ira, a impotência e a indignação de não poderem materializar a guerra por se encontrarem rodeadxs de barras, câmaras e guardas…

Neste sentido, compartilhamos a mesma ira, impotência e indignação contra os bastardos que compõem e perpetuam esta sociedade –  a que cativa as nossas vidas e a dxs nossxs irmãos/ãs… é por isso que enviamos o nosso respeito e carinho fraternais a todas essas mentes conscientes que não dão espaço ao imobilismo e à indiferença…

Há aproximadamente 7 meses e meio que nos encontramos à mercê da polícia da prisão e de exames e transferências quotidianas até aos  tribunais do estado chileno, os que julgam a nossa necessidade de enfrentar o Domínio – o julgamento que discute o nosso suposto rol participativo nas bombas detonadas contra a estação de metro “Los Dominicos”, contra a 39, a 1ª delegacia de polícia em Santiago e  o subcentro da escola militar (fatos reivindicados pelxs compas da conspiração das células de fogo e da conspiração internacional de vingança) está em fase final, após o arsenal legal / fiscal e a entrada de mais de 150 testemunhas, 80 peritos, 230 documentos e 640 evidências periciais, nesta segunda-feira será discutido os dias livres (que não podem ser mais do que 4) para preparar as alegações de fecho.

Despedimos-nos, com um sinal cúmplice, dxs compas que se encontram nas prisões de Korydallos (Grécia), dos de Ferrara (Itália) e, para a imensidade de irmãos/ãs presxs e caídxs nesta guerra, despedimos-nos com o gostoso sabor do carinho solidário que nos manifestam uma vez mais!!!

Nataly Casanova (Prisão de San Miguel)
Enrique Guzmán (Segurança Máxima/Prisão de Segurança Máxima)
Juan Flores (Ex Penitenciária)

*MARCELO VILLARROEL*

Abraçando todxs e cada um dos gestos e atos de solidariedade com xs prisioneirxs da Guerra Social.

Da prisão da Alta Segurança de Santiago, uma vez mais, escapam estas letras carregadas de fraternidade insurrecta – para saudar e abraçar cada um/a dxs companheirxs que tornam possível que esta iniciativa se realize na sua 7ª versão, mantendo-a com vida há vários anos já , com a finalidade concreta de se solidarizar com aquelxs que vivem a prisão como resultado irrenunciável de uma opção de luta subversiva contra o Estado, o Capital e toda a Autoridade.

Resgato a vontade e a insistência de ir gerando redes de cumplicidade que permitam quebrar, no quotidiano, os muros e jaulas que nos encerram.

Em tempos em que os valores – que nos têm motivado para a nossa ação de combate direto – são relativizados por quem nunca arriscou nada, é altamente resgatável promover a sensação de comunidade que nos irmana, independentemente do lugar onde nos encontremos – porque está enraizado no desejo e na necessidade incontível de sermos livres, para além das dificuldades próprias de um caminho onde muitxs irmãos/ãs perderam a vida, enquanto outrxs resistem atrás das grades.

Portanto, cada grão de areia que aponta ao fortalecimento da ruptura do separatismo e da  indiferença – expandindo as práticas solidárias –  é um ataque direto à imobilidade e passividade com que o poder e os seus múltiplos dispositivos de controle vão semeando fragmentação, amnésia e medo,  com os quais devemos conviver quotidianamente pois são as práticas normalizadas no mundo cidadão e que tanto odiamos.

Os tempos são e continuarão a ser de luta direta contra o Estado, através da revolta permanente, e há que ter claro que continuará a haver feridxs, perseguidxs, prisioneirxs e mortxs de pensamento e ação anti-autoritárias – e não podemos imaginar transformações radicais sem a dor da perda, porque não há guerra asséptica – já que o Poder da dominação capitalista não perdoa nem esquece aquelxs que se rebelam.

Por estes dias se cumprem 10 anos desde que assumimos a clandestinidade como negação da legalidade juridica-policial do Estado. Há 10 anos, começou uma caça a 4 companheiros em que nos acusavam de participar numa série de expropriações bancárias e da morte de um polícia uniformizado, após o assalto ao Banco Security, fato ocorrido no centro de Santiago, em Outubro de 2007.

O Estado, através dos seus sequazes guardiões, desencadeou uma caça sem precedentes,assim como uma ofensiva sistemática em relação a diversos meios e espaços autónomos anticapitalistas da época, meios esses que expressavam uma posição de confrontação insurreta.

Desde esse momento, a permanente repressão do Poder sobre sectores subversivos autónomos e libertários tem-se mantido de forma ininterrupta, fortalecendo o seu aparelho político-jurídico-policial-penitenciário em função desta resistência-ofensiva – que cultiva práticas de ataque descentralizado e multiforme como expressão inequívoca da continuidade de luta de todxs aquelxs que crêm na destruição do mundo do Poder e dos miseráveis que o sustentam.

A 10 anos já do começo dessa caça, com orgulho pode-se dizer que não há arrependimento, nem esquecimento, nem abrando, nem renúncia do caminhar subversivo. A partir de uma posição em contínua tensão, nada está acabado.

Tudo continua!!!

Encorajando o encontro daquelxs que se encontram a trilhar o caminho da guerra social, daquelxs que alimentam a memória de combate de todxs xs que não perdem a bússola do conflito…

Abraçando todos xs presxs dignxs e xs irmãos/ãs que se expressam no ataque direto aos símbolos do Poder.

ABAIXO AS JAULAS!!!
ATÉ SE DESTRUIR O ÚLTIMO BASTIÃO DA SOCIEDADE CARCERÁRIA!!!
CAMINHANDO ORGULHOSXS PELA SENDA DA GUERRA SOCIAL, AVANÇAMOS FIRMES ATÉ À LIBERTAÇÃO!!!
ENQUANTO EXISTA MISÉRIA HAVERÁ REBELIÃO!!!

Marcelo Villarroel Sepúlveda
Prisioneiro Libertário
K.A.S / Stgo, Chile.
Sábado 4 Nov. 2017.

em espanhol

Chile: Semana de solidariedade subversiva com Kevin Garrido e Joaquín García [13 a 20 de Novembro]

Semana de solidariedade subversiva, 2 anos depois de aprisionarem Kevin e Joaquín

Sabemos que ali, dentro das prisões, nunca se faz noite. Ali, as recordações cristalizam e esquece-se de como se vê o céu sem grades e arame farpado. Se a morte tiver a sua cor própria, deve ser a pintada nas prisões, porque é lá que se encontra o reino da morte lenta, isso sente-se todos os dias.

… de 13 de Novembro a 20 de Novembro…

FAZ 2 ANOS A 19 DE NOVEMBRO QUE KEVIN E JOAQUÍN FORAM SEQUESTRADXS PELAS GARRAS SUJAS DO CAPITAL E  SUA ABSURDA ORDEM, CORTANDO DE UM SEGUNDO PARA O OUTRO, OS SEUS SELVAGENS E MUITAS VEZES CERTEIROS PASSOS…

AGORA, O SEU PRESENTE ASQUEROSO É OUTRO: DIA APÓS DIA TÊM DE COMBATER O SISTEMA NUM DOS AMBIENTES MAIS RUINS E ANGUSTIANTES. APESAR DISSO, É BASTANTE CLARO QUE NÃO GANHARAM ESTA GUERRA A ELES E A NÓS TAMPOUCO, JÀ QUE OS NOSSOS NEGROS CORAÇÕES CONTINUAM A BATER COM FORÇA, POR MAIS FARTOS E ESGOTADOS QUE ESTEJAM, CONTINUAREMOS A LUTAR, CONSPIRANDO E TENTANDO FAZER COLAPSAR TODA ESTA MALDITA SOCIEDADE DEVASTADORA DO QUE A RODEIA…

CHAMAMOS A TODXS XS MALDITXS DE CORAÇÃO NEGRO PARA SE SOLIDARIZAREM COM A SITUAÇÃO DXS COMPAS JOAQUÍN E KEVIN  TAL COMO COM TODXS XS OUTRXS PRESXS!! DE 13 DE NOVEMBRO A 20 DE NOVEMBRO, DEMOS AS MÃOS PARA SE CONSPIRARE AMPLIAR O CAOS, FORA DOS LICEUS, UNIVERSIDADES, NA CIDADE E ATÉ MESMO NAS CASAS DXS BASTARDXS QUE ALIMENTAM E DEFENDEM A AUTORIDADE.

AO CONSPIRAR, SOMENTE NOS DETÉM AS NOSSAS PRÓPRIAS CAUTELAS, É ASSIM QUE VAMOS, COM TODA A RAIVA E S0LIDARIEDADE, QUEIMAR, SAQUEAR E SABOTAR!!

NÃO OS ESQUECEMOS, TODXS XS PRESXS EM LIBERDADE JÁ!!!
ABAIXO A SOCIEDADE CARCERÁRIA DE CONTROLO!!!
LIBERDADE A TODXS XS QUE LUTAM CONTRA A AUTORIDADE!!!

em espanhol

[Prisões Chilenas] Comunicado do companheiro Joaquín García Chanks

Derrubar até ao último muro e matar o último carcereiro

Passados 5 meses de voltar a habitar as celas da Secção de Segurança Máxima do C.A.S. torna-se necessário referir-me tanto ao pessoal como ao cenário carcerário. As razões para não ter escrito antes são obviamente pessoais, mas antes de mais são devido à crença de que a plataforma virtual com o seu conjunto de comunicados se afasta muito do real, aproximando-se mais de uma ideia abstracta do dia a dia carcerário e individual– apesar de estar convicto de que partilhar experiências gera laços impagáveis. Irredutível? Sim, exista ou não um vaivém emocional nem a convicção nem a mente se vai abaixo, mas essa asquerosa ideia do mártir de aço atrás das barras tem de cair. Pelo suicídio da imagem e fetiche, pela real cumplicidade destruidora.

“O pessimismo é o ópio dos intelectuais, o optimismo pertence aos imbecis. Um realismo fanático e sonhador, a consciência de que não cabemos neste mundo, os valores que defenderemos a cada momento adicionados ao calor cúmplice daquelxs de quem gostamos e estimamos.”

Há 5 meses atrás, um pouco sobre a detenção:

A 7 de Setembro, aproximadamente às 5 da tarde – passados pouco mais de dois meses do levantamento da prisão domiciliária total, ditada pelo aparelho jurídico – detiveram-me quando estava a subir para um autocarro rural, em direcção a algum lado. Subo, cumprimento o condutor, avanço um metro e uma mão no meu peito: “desce”, “mãos atrás da cabeça “, para baixo, cara contra o chão, olho para a esquerda, o mar, a sua brisa, o cheiro a terra e vegetação, um momento fugaz mas com absoluta consciência do que o ia perder, agora substituído pelo cheiro a desodorizante de ambiente (poett) e cloro, as vestes amarelas e o subtil mas enjoativo cheiro a saliva do calabouço. Apesar do significado pessoal, a detenção não teve nada de espectacular e não escreveria sobre ela se não quisesse esclarecer um ponto: a ideia jornalística propagandista sobre um suposto “controlo preventivo”, como se de azar se trata-se! A obsessão doentia pela vigilância e o controlo têm que ser reafirmadas constantemente no cidadão paranóico, que melhor momento que a captura do “terrorista potencialmente em fuga”.

Valeu a pena? Impossível responder com um simples “sim”, às vezes tão seco, vazio e auto-complacente, há muitas mais coisas para pôr na balança. Mas é inegável que cada experiência em busca da liberdade vale a pena, tomar o controlo da sua existência com todas as suas vitórias, as suas derrotas, alegrias e tristezas, são aquelas experiências impagáveis que o submetido nunca poderá conhecer. Não se trata de se interrogar se valeu a pena tentar, pensar assim condenar-me-ia a ser um eterno perdedor; o primeiro passo de cada acção é que lhe dá valor – talvez mais espiritual que materialmente – será sempre um lucro.

“A pena e a pistola são feitos do mesmo metal, a nova guerrilha urbana depende muito menos dos meios operativos e muito mais da nossa decisão de atacar o poder.”.

Eco-extremismo e Anarquia

Partilho as palavras que, em dado momento, expressaram xs companheirxs da Célula Revolucionária Paulino Scarfó / FAI-FRI, o ataque tem moral e esta corresponde, obviamente, ao código de valores e objectivo a que se proponha cada célula revolucionária, os seus motivos e a contribuição no sentido do avanço das teorias e práticas antagonistas. Deste ponto de vista, acredito que a crítica a outras correntes não deva ser feita de forma comparativa – e refiro-me especificamente ao eco-extremismo – porque existe hoje uma tendência, talvez um pouco ciumenta, em relação a estes últimos. Como com quem traiu os seus princípios e superou o umbral do que “nós não faríamos”. A verdade é que pouco ou nada importa qual a raiz desta corrente e quem são xs indivíduxs que a compõem. É da maior importância preocupar-se pelo agora e assumir que existe uma diferença irreconciliável entre os distintos pensamentos (objectivo – motivos – valores). Quero deixar claro que não me estou a referir ao que cada indivíduo possa fazer com a sua vida ou o quanto possa este pupular entre ideias e objectivos práticos, não poderia falar sobre os inexistentes “deveres” de uma ideia inamovível. Se escrevo isto é sem tapumes, na generalidade. Enquanto exista uma crítica paternalista, existirá uma acusação, pelo purismo. Assumir disto que as críticas têm de ser eliminadas das nossas expressões é um erro, a crítica, como axioma essencial de todo o pensamento e acção revolucionários, deve ser severa e constante. Analiso, critico, posiciono-me e avanço, através da evolução da consciência individual e colectiva.

Entre parêntesis: Considero claro que quando se fala de moral e valores, a muitos lhes dói a watta (purificadora da água), sobretudo aos filhos da réplica, os mesmo que eliminam palavras do seu vocabulário para cumprir quem sabe qual requisito Negador e desta forma não perder pontos de niilismo. (1). Então para aclarar, reconhecer a existência de valores e moral não significa que estes estejam talhados na pedra, estão sujeitos a questionamento pela mesma conjuntura. E sim, se existem pilares no meu pensamento e no meu sentir é porque assim o escolhi.

Falando em conjuntura, aplaudo o ataque a Óscar Landerretche como alvo simbólico e prático. Admiro e saúdo (2) a energia de todos os que se responsabilizam pelos seus pensamentos e aniquilam a letargia da paz social. Os que reclamam uma iminente ofensiva estatal têm de questionar-se. Estratégias existem, é óbvio, mas esperar alguma espécie de compaixão por parte do Poder é não assumir os custos da sua confrontação. Detesto até ao rancor (3) o seu discurso eco-extremista, distancio-me completamente das suas razões, do seu misticismo, das suas apologias a personificações absurdas. Recusar as massas e os seus valores é lógico e consequente, mas assumir como próprios todos os valores contra-hegemónicos, apenas por o serem, é uma estupidez.

Posso distanciar-me muito dos ITS – Chile, mas é inevitável sentir raiva ao ler a merda da imprensa oficial, “alternativa”, e de “esquerda”. Sem querer cair bem às massas nem esperando a aprovação de ninguém: perante o sensacionalismo e a difamação, fogo.

“Quem não quer ver o grandioso num homem fixa a sua vista de um modo mais penetrante naquilo que nele é baixo e superficial – e com isso se denuncia”.
– Friedrich Nietzsche.

Viva a estranha conjugação anarco-nihilista!
Se a práxis nihilista tropeçar com a anarquia, bem vinda seja esta.

(1) ismo, sufixo proibido
(2) Tranquilos, sei que não lhes interessa
(3) veja-se (2)

Joaquín García Chanks
C.A.S – S.M.S
Fins de Janeiro de 2017

Prisões chilenas: Palavras de solidariedade com Tamara Sol, Tato e Claudia – 30/01

11/08/2016 – Santiago do Chile, confrontos com barricadas incendiárias e cocktails molotov contra carabineiros, junto ao ex-pedagógico, em solidariedade com Tamara Sol Farías Vergara y todxs presxs políticxs.

A partir dos módulos da secção de segurança máxima, saudamos todxs xs irmãos ou irmãs sequestradxs pelo estado que dia a dia, com dignidade e orgulho, enfrentam a realidade prisional em todas e cada uma das suas expressões e formas.

Há alguns dias tomamos conhecimento, de forma mais ou menos parcial, do cobarde ataque dos esbirros contra as companheiras Tamara Sol, Tato e Claudia. Temos perfeita consciência do quão repetitivas se tornaram estas acções, seja como castigo, isolamento ou constante assédio, mas a recorrência impede a normalização – isto dá-nos mais forças, a nós e às nossas convicções, cada dia mais prementes e ansiosas de vingança contra a sociedade prisional e quem a defenda.

Conhecemos as motivações pessoais de muitos carcereirxs e a verdade é que não nos preocupam, visto que também as sentimos pelxs presxs subversivxs – sabemos bem que cada ataque cobarde é devido à sua frustração nas tentativas de nos reduzir e, por isso mesmo, são mais uma razão para sentirmos orgulho.

Saúdamos cada um/a dxs companheirxs e familiares que com a sua atitude firme e solidária realizaram uma concentração fora da prisão para apoiar as compas.

Lançámos estas palavras, mandando muito força e carinho às companheiras.

Estamos atentos às suas decisões e não hesitaremos em acompanhá-las no que seja necessário.

Fabián Durán
Enrique Guzmán
Nicolás Rojas
Joaquín García

espanhol