Suíça: Comunicado de Marco Camenisch sobre a sua não libertação

YO661 (2)Princípios de Agosto de 2012
O director do matadouro de Lenzburg disse-me aos gritos, em Dezembro de 2012, que as autoridades executivas ZH lhe tinham pedido conselho/opinião sobre a liberdade condicional e que, por isso, tinha que saber se eu aceitaria “passos de diminuição do rigor” (de “ressocialização”), por exemplo autorizações de saída, trabalho externo, semi-liberdade, ou se a  minha posição era ”libertação oo nada”. Declarei que aceitaria bem tais passos.

19 de Novembro de 2012, 1. represálias/provocação ás visitas.
O director proíbe as visitas a uma companheira revolucionária comunista, de Zúrique, que me tem vindo a visitar há quase uma década na Suíça, apesar de “sempre” ter tido antecedentes de “delitos” políticos e, inclusive, ter vindo durante o seu período de detenção em liberdade vigiada, com a desculpa de ser uma condenação política a 17 meses de prisão a que teve, quando  lhe informaram que era definitiva em última instância (Tribunal Federal).

7 de Janeiro de 2012
Apressadamente, a representante das autoridades e o supervisor de Zurique evitam a “audiência legal” pelo que transgridem o TAR (Tribunal Administrativo de Revisão) que tinha decidido pela reapreciação da decisão anterior de não libertação condicional (veja-se a  minha informação da Sentença do Julgamento de  8.11.2012 do TAR de Zurique sobre a libertação condicional, de 25 de Novembro de 2012). Voltei a propõr a minha posição (impossibilidade subjectiva de uma recuperação da “luta armada”, necessidade/legitimidade da luta armada revolucionária).

Janeiro de 2013
Devido a esclarecimentos burocráticos sobre as visitas, uma “assistente social” do matadouro, de passagem, perguntou-me se eu estava informado da minha transferência. Após a minha negação acrescentou que era para suavizar o regime em vigor, para “medidas da sua diminuição, ressocialização” e que, mais adiante, informar-me-ia melhor.

28 de Janeiro de 2013, à tarde, 2. represálias/provocação ás visitas
As duas companheiras e os dois companheiros que esperavam para as visitas (uma companheira anarquista de Zurique, visitas desde há quase uma década, um companheiro anarquista de Turim, visitas desde há quase uma década, um companheiro e uma companheira mais jovens de Tesino, visitas desde há uns três anos) na entrada da prisão sofrem a emboscada de quatro polícias (três do cantão de Argovia e um, talvez, federal) com uma hora de revistas, também foram despidos. O companheiro de Turim, com a desculpa do FEM em Davos, teria a proibuição de entrar na Suíça durante dez dias, dos quais o 28.01.13 seria o último. Nunca chegou a receber uma notificação, não tinham podido enviar-lha, por falta de domicílio. Não se sabe, no entanto, que tipo de magia faz com que receba regularmente, a partir deste matadouro, a permissão de visitas que se deve mostrar obrigatoriamente à porta no momento da visita. Com a desculpa desta proibição, os polícias, cúmplices da prisão, não  permitem a entrada á hora das visitas que decorria entretanto (temos 2 horas de visita em cada semana). Às  outras três pessoas, se entendi bem,talvez eles possam informá-los melhor ou, se não, na primeira pessoa, a bófia extorquiu, chantageando com a cancelação total das visitas, já reduzidas a metade, os números e os conteúdos dos telemóveis. A visita seguinte de princípios de Fevereiro, confirmou-me um controlo “regular” â entrada, ainda mais “meticuloso” que o “normal”.

5 de Fevereiro de 2012
A partir das autoridades de Zurique, da primeira instância, recebo a segunda negação(de 1. Fevereiro de 2013) da liberdade condicional, “fotocópia” da primeira, mas como “motivação adicional” referem-se à “audiência” de 7 de Dezembro de 2012. No final, acrescentam que o matadouro de Lenzburg lhes pede conselho/opinião sobre a minha liberdade condicional a apresentar em Dezembro de 2013. Tradução: desnecessária. As fotocópias chegaram a vários/as compas na Suíça, para acesso público. Apresentaram-se os recursos e apelações do caso

Apesar deste objectivo imediato e parcial de todas as vossas estupendas iniciativas de solidariedade na luta não tenha sido  alcançado ¡ou que não o seja “nunca”!, o “ponto” central não é esse. Ainda que estas iniciativas sejam uma parte inseparável da luta social pela libertação total. Que nesta luta são eficazes para além dos seus objectivos e resultados específicos, imediatos e visíveis. Demonstram-no a repressão, as represálias e a fúria do inimigo, também e não por último quando te rebelas contra os seus reféns/presos/as de guerra pela libertação social. Que o inimigo nos combata, significa que na guerra pela libertação total estamos no bom caminho.

É guerra à guerra, à guerra perpétua, global e total pelo domínio, a exploração e a opressão! É uma guerra em que ainda mais do qualquer outro tipo de guerra se aplica: … nas coisas mais perigosas, como a guerra, os erros que provêem da bondade são justamente os piores
(Clausewitz)!

Não há contradição no facto de que a ternura, a bondade e o amor estejam entre as características e motivações centrais para cada guerreiro/a pela libertação total; mas não devem debilitar a lucidez, a resolução e a energia da luta mas sim fortalecê-las!

Com amor, determinação e solidariedade,
Marco Camenisch
matadouro de Lenzburg, Suiça, 10 de Fevereiro de 2013

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