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Chamado a 20 anos do assassinato de Cláudia Lopez: Nenhum Minuto de Silêncio, Toda uma Vida de Combate!

recebido a 06.07.18

A partir dos cantos mais inquietos da memória nos auto convocamos – tanto enquanto companheirxs que conheciam a Cláudia numa base de fraternidade rebelde como também aquelxs de nós que, sem a terem conhecido, se reconhecem na sua experiência de vida e de luta – para continuar o combate ao esquecimento, colaborando para não deixar que a história se escreva por si só, somando-nos àquela torrente de recordações que decantou em práxis e resistência, multiplicando-se e expandido-se através de bibliotecas, centros sociais, atividades, combates na rua, ações, faixas, murais e panfletos.

Desta vez – a partir do nosso olhar, da nossa recordação, com raiva e dor, com as nossas derrotas parciais mas também com as custosas vitórias – pretendemos erguer, longe das verdades inquestionáveis, um exercício/práxis de memória e voltar a percorrer os passos que levaram nesse 11 de setembro a companheira Cláudia López, a “chica” Cláudia, com os seus 25 anos, a caminhar até à povoação La Pincoya, onde deixou a sua vida na rua, assassinada pelas balas policiais, tiros garantidos por um Estado sempre ao serviço do capital e dos poderosos. Destes fatos e desta realidade não há dúvida alguma, apesar da infâmia jornalística ou manobras jurídico-policiais.

O facto da “chica” ter estado nessa noite em La Pincoya não obedece à casualidade ou a algum impulso rebelde momentâneo – antes sim a uma decisão e a um caminho traçado desde há anos em lutas e confrontos na rua, tanto nas universidades como em diversas povoações, tal como na sua participação ativa em coordenações combativas, somando forças entre distintas experiências autónomas e lutas anti-estatais.

Ao longo destes anos, muito se comentou com respeito à militância política da companheira – sem lugar a dúvidas não pode ser compreendida a partir de categorias únicas e determinantes pois eram tempos em que a partir de um acertado questionamento a um marxismo dogmático por parte de quem apostava por revitalizar uma prática ofensiva contra o poder e o capital, se gera uma aproximação entre tendências de um marxismo revolucionário e a autonomia com o anarquismo. É nesse espaço que a Cláudia se movia, sem negociar com tonalidades médias.

Eram tempos também de sequelas palpáveis de uma transição nauseabunda, tempos de consolidação de um capitalismo selvagem, concebido sob o resguardo dos fuzis e botas militares e de modo servil administrado pelos governos “concertacionistas” da época; tempos em que muitxs baixaram a guarda – sob a falácia de que deslocada que foi a besta ditatorial a luta carecia de sentido – negando-se a aceitar que continuavam mandando os mesmos numa democracia, uma forma mais sofisticada de um regime autoritário. Neste contexto, também existiram muitxs que, com base numa lucidez insurreta, optaram por manter viva uma chama rebelde e combativa para assim fazer frente a uma realidade asfixiante, Cláudia estava entre elxs.

É por isso que, sem medo a nos equivocar, mantemos a claridade do caminho da “chica” Cláudia – das lutas secundárias durante os últimos anos da ditadura aos combates durante a transição democrática – compartilhando trincheira com ela,  resgatando a relação de companheirismo que forjamos, organizando-nos por afinidade, com objetivos comuns, pisando as mesmas ruas, defendendo as mesmas barricadas que não pararam de levantar-se até hoje.

Passaram 20 anos desde que aquelas balas policiais crivaram o corpo da “Chica”; hoje, longe dos suportes judiciais e dos cantos vitimistas, procuramos armar a nossa memória com ofensiva e combate, unindo distintas gerações para dar continuidade à luta contra a ordem imperante. Resgatar a história da Cláudia não é só resgatar um passado relativamente recente, mas também tirar do esquecimento experiências e vivências para projetar a luta a partir do presente. Procuramos sabotar a maquinaria da amnésia fazendo propagar a dança rebelde da companheira em todos os cantos onde surjam caminhos de negação ao mundo dos poderosos. As balas que assassinaram Cláudia continuaram a assassinar diversxs companheirxs e ainda permanecem impacientes para serem descarregadas em qualquer que questione o Estado.

Aproximando-se a data da nova comemoração do assassinato policial, fazemos um chamado a cada companheirx, individualidade, coletivo, grupo, organização e iniciativa para que ergam a sua própria atividade ou propaganda na variedade multiforme que possa ter a memória, tomando em suas mãos o trabalho coletivo para que esta data não passe despercebida.

A partir desta coordenadora convocaremos algumas atividades que serão difundidas atempadamente, mas sobretudo buscamos propagar e estimular a reprodução de outras iniciativas que se juntem a essas. Das ruas de “La Pincoya”, Santiago Centro ou Temuco até qualquer rua nas urbes de outros países, que a memória saiba viajar e ser traduzida no único idioma possível, o do conflito com o existente e a lembrança dxs nossxs mortxs.

A 20 anos dos assassinato da companheira Cláudia López, retomamos a frase que a companheira criou em seu momento: Juventude Combatente, Inssurreição Permanente!

Coordenadora a 20 anos do assassinato da companheira Cláudia López
Território austral dominado pelo capital e estado chileno.
https://todaunavidadecombate.wordpress.com

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