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Sydney: Solidariedade com anarquistas em Yogyakarta

Liberdade para xs prisioneirxs da guerra de classes em Yogyakarta

No contexto da semana anual de solidariedade com os prisioneiros anarquistas, alguns anarquistas em Sydney visitaram o consulado indonésio em Maroubra na quinta-feira, 23 de Agosto.

Uma faixa foi amarrada à cerca em torno do consulado, onde se podia ler: “Bebaskan tahanan perang kelas di Yogya” (Liberdade para xs prisioneirxs da guerra de classes em Yogyakarta). Dezenas de folhetos também foram distribuídos e espalhados junto à embaixada.

Anarquistas em Yogyakarta enfrentaram uma onda de repressão após a manifestação do 1º de Maio de 2018, onde se viram barricadas em chamas nas ruas, um posto policial incendiado e um apelo para que o sultão local fosse morto.

Dezenas de anarquistas e compas da guerra de classes foram presxs após a manifestação e alguns deles ainda estão presos enfrentando um processo.

Desejamos solidariedade e força a todxs xs prisioneirxs anarquistas e revolucionárixs na Indonésia e no mundo.

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[convite] Feira Anarquista do Livro de Lisboa, nos dias 26, 27 e 28 de outubro

Dado que as mudanças climáticas nos trouxeram o verão mais frio dos últimos trinta anos, dada a nossa constante e orgânica exigência de nos incendiarmos de paixão e de nos aquecermos com a rebeldia das nossas lutas diárias, vamos acender a nossa chama neste outono! E assim regressa a Feira Anarquista do Livro de Lisboa, nos dias 26, 27 e 28 de outubro, e novamente nos belos bosques da Penha de França. Se quiseres participar com a tua editora/distribuidora/espaço de informação ou simplesmente vir espalhar umas palavras de subversão impressas em papel, escreve-nos para feiranarquistadolivro@riseup.net
Até já!

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Montevideu, Uruguai: Convite para a 7ª Feira do Livro Anarquista

7ª Feira do Livro Anarquista em Montevideu. Proximamente, em Setembro. Centro Social “Cordon Norte”, J. Requena 1758 FERIAANARQUISTAMVD.WORDPRESS.COM

A partir de Montevideu-Uruguai, convidamos todxs xs interessadxs a participarem na Sétima Feira do Livro Anarquista.

A máquina do capitalismo continua a sua colonização em cada esfera das nossas vidas, mercantilizando as relações e arrasando o eco-sistema. A civilização mantém-se enquadrada na sua rotina de produção e consumo – enquanto o desenvolvimento vai tornando os dispositivos de vigilância e repressão cada vez mais sofisticados – mantendo-se a mira sobre todxs xs que quebrem os códigos impostos e alterem a normalidade.

Vive-se tempos de sobre-informação, onde os meios de comunicação são cada vez mais eficientes na tarefa de formar verdades absolutas, construídas mediante relatos que propiciam o medo e a submissão dos que fazem o jogo ao domínio estatal. Aumenta a cegueira montada pelo show mediático do espectáculo, gerando um foco de atenção manipulado e aparado ao gosto dos poderosos. Isto assegura ainda mais dependência e adoração a instituições punitivas e repressivas, bem como se favorecem os antigos mecanismos do tipo militar e a “mão dura”, que são outro sintoma de decomposição social.

O planeta encontra-se na etapa do colapso ambiental, fruto dos métodos produtivos capitalistas que avassalam o meio envolvente, provocando nele uma sistemática decadência cuja consequência é o assassinato e empobrecimento da vida.

Enquanto a democracia oferece uma política tranquilizadora baseada no diálogo e na mediação, os governos da direita ou da esquerda oferecem diferentes formas de administrar a mesma miséria, deixando à rédea solta as macro-empresas exploradoras e as multinacionais. As soluções reformistas emanam de todo o lado e por toda a parte como comprimidos adormecedores, dando lugar ao rearranjo dum sistema que perpetua a sua hegemonia e trata de conseguir uma cobertura mais benevolente e aceitável.

Enquanto anarquistas e anti-autoritárixs, a nossa posição deve manter-se firme e sustentada. Se se deseja que sejamos protagonistas – gestantes da mudança debemos combsocial, encaminhando-nos para um mundo de solidariedade recíproca – onde cada individualidade conviva com o resto em total liberdade, deve-se então combater o monstro capitalista em todas as suas facetas e variantes. O confronto é inevitável  – sempre que mantenhamos intacta a convicção de transformação – mas devemos pensar estrategicamente. Traçar um imaginário prático revolucionário no presente é um desafio necessário e vital – visto que assumir a responsabilidade perante um mundo que se desarma aos bocados requer um compromisso incorruptível, onde não funcionam as meias tintas. Por isso convocamos à sétima feira do livro anarquista, para levar a cabo instâncias de reflexão e diálogo que alimentem a nossa capacidade de incidência no presente – já que agora é quando temos mais de nos exercitar para desenvolver uma força criadora que abra caminho a outra forma de vida.

Temos que repensar as formas dinâmicas de nos defendermos dos poderosos e dos seus fantoches, dos responsáveis da devastação. Já é hora de se ampliar e propagar a prática transformadora como potência de uma vida em liberdade – contraposta aos interesses dos políticos e empresários que procuram a nossa aprovação conformista.  A passividade instalada tem de ser substituída por uma atitude vivaz e rebelde, que contagie ao desejo de mudança, que infunda ânimo à reafirmação sobre as bases da auto-organização horizontal, enquanto modelo generalizado. Ainda temos muito que pensar e projetar nesta direção, porque baixar a guarda e a resignação não é nenhuma opção para xs amantes da liberdade.

em espanhol

Chamado a 20 anos do assassinato de Cláudia Lopez: Nenhum Minuto de Silêncio, Toda uma Vida de Combate!

recebido a 06.07.18

A partir dos cantos mais inquietos da memória nos auto convocamos – tanto enquanto companheirxs que conheciam a Cláudia numa base de fraternidade rebelde como também aquelxs de nós que, sem a terem conhecido, se reconhecem na sua experiência de vida e de luta – para continuar o combate ao esquecimento, colaborando para não deixar que a história se escreva por si só, somando-nos àquela torrente de recordações que decantou em práxis e resistência, multiplicando-se e expandido-se através de bibliotecas, centros sociais, atividades, combates na rua, ações, faixas, murais e panfletos.

Desta vez – a partir do nosso olhar, da nossa recordação, com raiva e dor, com as nossas derrotas parciais mas também com as custosas vitórias – pretendemos erguer, longe das verdades inquestionáveis, um exercício/práxis de memória e voltar a percorrer os passos que levaram nesse 11 de setembro a companheira Cláudia López, a “chica” Cláudia, com os seus 25 anos, a caminhar até à povoação La Pincoya, onde deixou a sua vida na rua, assassinada pelas balas policiais, tiros garantidos por um Estado sempre ao serviço do capital e dos poderosos. Destes fatos e desta realidade não há dúvida alguma, apesar da infâmia jornalística ou manobras jurídico-policiais.

O facto da “chica” ter estado nessa noite em La Pincoya não obedece à casualidade ou a algum impulso rebelde momentâneo – antes sim a uma decisão e a um caminho traçado desde há anos em lutas e confrontos na rua, tanto nas universidades como em diversas povoações, tal como na sua participação ativa em coordenações combativas, somando forças entre distintas experiências autónomas e lutas anti-estatais.

Ao longo destes anos, muito se comentou com respeito à militância política da companheira – sem lugar a dúvidas não pode ser compreendida a partir de categorias únicas e determinantes pois eram tempos em que a partir de um acertado questionamento a um marxismo dogmático por parte de quem apostava por revitalizar uma prática ofensiva contra o poder e o capital, se gera uma aproximação entre tendências de um marxismo revolucionário e a autonomia com o anarquismo. É nesse espaço que a Cláudia se movia, sem negociar com tonalidades médias.

Eram tempos também de sequelas palpáveis de uma transição nauseabunda, tempos de consolidação de um capitalismo selvagem, concebido sob o resguardo dos fuzis e botas militares e de modo servil administrado pelos governos “concertacionistas” da época; tempos em que muitxs baixaram a guarda – sob a falácia de que deslocada que foi a besta ditatorial a luta carecia de sentido – negando-se a aceitar que continuavam mandando os mesmos numa democracia, uma forma mais sofisticada de um regime autoritário. Neste contexto, também existiram muitxs que, com base numa lucidez insurreta, optaram por manter viva uma chama rebelde e combativa para assim fazer frente a uma realidade asfixiante, Cláudia estava entre elxs.

É por isso que, sem medo a nos equivocar, mantemos a claridade do caminho da “chica” Cláudia – das lutas secundárias durante os últimos anos da ditadura aos combates durante a transição democrática – compartilhando trincheira com ela,  resgatando a relação de companheirismo que forjamos, organizando-nos por afinidade, com objetivos comuns, pisando as mesmas ruas, defendendo as mesmas barricadas que não pararam de levantar-se até hoje.

Passaram 20 anos desde que aquelas balas policiais crivaram o corpo da “Chica”; hoje, longe dos suportes judiciais e dos cantos vitimistas, procuramos armar a nossa memória com ofensiva e combate, unindo distintas gerações para dar continuidade à luta contra a ordem imperante. Resgatar a história da Cláudia não é só resgatar um passado relativamente recente, mas também tirar do esquecimento experiências e vivências para projetar a luta a partir do presente. Procuramos sabotar a maquinaria da amnésia fazendo propagar a dança rebelde da companheira em todos os cantos onde surjam caminhos de negação ao mundo dos poderosos. As balas que assassinaram Cláudia continuaram a assassinar diversxs companheirxs e ainda permanecem impacientes para serem descarregadas em qualquer que questione o Estado.

Aproximando-se a data da nova comemoração do assassinato policial, fazemos um chamado a cada companheirx, individualidade, coletivo, grupo, organização e iniciativa para que ergam a sua própria atividade ou propaganda na variedade multiforme que possa ter a memória, tomando em suas mãos o trabalho coletivo para que esta data não passe despercebida.

A partir desta coordenadora convocaremos algumas atividades que serão difundidas atempadamente, mas sobretudo buscamos propagar e estimular a reprodução de outras iniciativas que se juntem a essas. Das ruas de “La Pincoya”, Santiago Centro ou Temuco até qualquer rua nas urbes de outros países, que a memória saiba viajar e ser traduzida no único idioma possível, o do conflito com o existente e a lembrança dxs nossxs mortxs.

A 20 anos dos assassinato da companheira Cláudia López, retomamos a frase que a companheira criou em seu momento: Juventude Combatente, Inssurreição Permanente!

Coordenadora a 20 anos do assassinato da companheira Cláudia López
Território austral dominado pelo capital e estado chileno.
https://todaunavidadecombate.wordpress.com

Indonésia: O companheiro anarquista Brian Valentino precisa do nosso apoio!

recebido em inglês a 17.05.18

O nosso companheiro, Brian Valentino, está detido na prisão de Polda em Yogyakarta, a principal sede de polícia de Yogyakarta (região feudal especial no território de Java Central).

Desde o dia da sua prisão – do 1º de Maio a 16 de Maio de 2018 – que ao nosso companheiro, entretanto espancado e torturado, foi negado os seus direitos de apoio jurídico legal ou jurista. A polícia ou a assistência judiciária não nos deram uma razão clara sobre isso, portanto não temos certeza se é a polícia ou o advogado legal que se recusa a ajudá-lo.

Para ser claro, recebemos informações do pai de Brian Valentino, que acabou de o visitar, após uma semana de intervalo, tendo-se certificado de que Brian era o único dos presos que não recebeu nenhuma ajuda legal ainda, 15 dias depois de ter sido detido.

Portanto, pedimos aos/às companheirxs, na Indonésia ou internacionais, para se fortalecer a solidariedade com Brian Valentino, nosso querido amigo anarquista, a quem foram recusados os seus direitos de assistência judiciária. Não estamos a limitar a solidariedade, pode ser legal ou qualquer outra coisa. Mas para doação à família e réus:

Doação: BRI 5175-01-001-257-503 (Ilona)
Email: palanghitam@riseup.net

Ou comunique isso à embaixada local da Indonésia. Por qualquer meio necessário.

– Cruz Negra Anarquista / Solidariedade Anti-Autoritária de Yogyakarta, Indonésia

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Yogyakarta, Indonésia: Repressão anti-anarquista após Marcha contra o Feudalismo (1º de Maio)

– Ontem, 44 dxs nossxs companheirxs foram presxs, acusadxs de destruição de propriedade, provocação e confrontos com a polícia. A equipa jurídica noturna tentou vê-los, mas ainda não o poude fazer pois foram isoladxs (02.05.18)
– Um dxs assessorxs jurídicos foi preso e espancado.
– Até agora xs nossxs 12 companheirxs ainda estão presxs e a polícia continua a caça às bruxas (03.05.18)

Solidariedade internacional – por todos os meios necessários – com xs companheirxs detidxs!

Mais informações

https://agitasi.noblogs.org/

Atualização (recebida a 03.05.18)

COMUNICADO

Embora este seja um comunicado exclusivo em relação a Yogyakarta ou à Indonésia em geral, apelamos à pressão internacional e solidariedade contra este sistema feudal podre que ainda existe neste século!

Saudações ao amado povo de Yogyakarta, aqueles que vilipendiam a nossa manifestação (intencionalmente destinada a censurar a instituição de Kraton, em Yogyakarta).

Acreditem-nos quando dizemos que já sabíamos – mesmo antes de termos realizado a manifestação – que haveria uma antipatia do público em relação à nossa demonstração. É muito compreensível.  O Feudalismo cria essa crença de que os reis e a realeza são seres meio divinos; a sua autoridade é sagrada e auto-justificada. Somene tornou-se um governante num sistema feudal por ter nascido na família certa: a família real. Todo o território feudal é propriedade do rei e da família real, as pessoas são apenas ocupantes que podem ser despejados a qualquer momento por vontade do rei. O sistema é perpetuado por essa crença irracional relativa ao domínio feudal, entre outras coisas. Em Yogyakarta, o feudalismo é o que faz Yogyakarta “especial”. Politicamente, esse status especial significa que Yogyakarta não é governada por um governador eleito tal como outras províncias na Indonésia.
Em vez disso, a região é governada por um governador que também é um Sultão. Socioculturalmente, esse status especial tem outro significado; isto dá uma falsa sensação de orgulho ao povo de Yogyakarta. Yogyakarta é especial porque é governado por um sultão, as pessoas orgulham-se disto.
Como é que ser governado através de um poder não verificado pode ser alguma coisa de que se possa orgulhar? O que há de tão orgulhoso assim em ser-se subordinado de outro ser humano, unicamente porque aquele nasceu na família real?
A nossa manifestação não foi feita para atrair simpatia. Se atrair simpatia fosse o nosso objetivo, não teríamos feito uma demonstração que perturbasse a reprodução de valores sociais como a que fizemos. Não, a nossa demonstração não se destinava a isso. Não somos um partido político, uma organização “esquerdista”, uma ONG, ou os proponentes do incumbente governante ou das suas oposições que precisassem do apoio das pessoas e da sua simpatia.

NÓS TAMBÉM NÃO FAZEMOS PARTE DO PMII; FAIZI ZAIN E SEUS COMPARSAS QUE ESPERARAM POR UM MOTIM PARA ELEVAR A SUA AGENDA DE DEITAR ABAIXO JOKOWI PARA BENEFÍCIO DOS SEUS MESTRES POLÍTICOS!
ELES SÃO CORRETORES DE PODER! NÓS NÃO SOMOS!

A nossa manifestação foi feita para perturbar a circulação do capital em Yogyakarta. Intencionalmente queremos criar uma situação não propícia ao investimento de capital, seja nacional ou estrangeiro – que intensificará o desenvolvimento e a gentrificação, retirando estes ao ambiente e às pessoas da classe baixa em Yogyakarta qualquer direito.

Nós tínhamos já conjecturado que o público ficaria enfurecido pelo nosso vandalismo e apelos provocativos.

A destruição de um posto policial e a chamada para “assassinar o sultão!” irritaram enormemente o povo de Yogyakarta. A raiva está ausente quando a polícia repetidamente, com violência, se encontra na linha de frente dos conflitos entre os interesses das pessoas e dos governantes, do lado do governantes, é claro, como o de Temon, Kulonprogo, onde há um processo em curso de apropriação de terras pelo Sultão – através da legitimação do Sultan Ground / Pakualaman Ground, um sistema de propriedade fundiária feudal, em nome da expansão do capital da indústria do turismo. A raiva também está ausente quando os habitantes dos kampungs urbanos (assentamentos informais, favelas) têm que lidar com a escassez de água, causada pelo uso da água subterrânea por hotéis e apartamentos, cuja construção está a ser intensificada sob a bênção do sultão, é claro.

Esse apelo para “assassinar o sultão!” que irritou algumas pessoas em Yogyakarta – tendo nós escrito ou não esse apelo ou sendo o apelo literal ou simbólico – teve a sua própria importância na ruidosa contestação à autoridade do Sultão em Yogyakarta, aparentemente sagrada e inquestionável; um poder sem mecanismo de controle porque é protegido pela “fé” em relação à autoridade auto-justificada do sultão. Esta “Fé” é responsável pela privação dos direitos das pessoas. Mais cedo ou mais tarde, xs que estão a ler isto, provavelmente serão excluídxs pelo “desenvolvimento” em Yogyakarta também. Um “desenvolvimento” para os interesses do sultão e dos seus comparsas; corporações locais e nacionais; investidores nacionais ou estrangeiros.

Sim, o sultão é um dos principais orquestradores de muitos problemas em Yogyakarta; despejo, apropriação de terras, gentrificação e desenvolvimento que excluem e retiram direitos às pessoas de classe média e baixa. O Sultão e a sua família real, e também os seus comparsas, são os que dominam todos os aspectos económicos em Yogyakarta.

Yogyakarta é uma das províncias mais desiguais, em termos económicos, na Indonésia. O desenvolvimento em Yogyakarta não é realizado para os interesses do povo, mas para os interesses da classe dominante: os capitalistas e feudais. Em Yogyakarta, os dois sistemas preversos estão a ter um caso, esmagando as pessoas; aqueles que não são membros da realeza e são da classe média e baixa.

Mães, vocês não estão cansadas de ter de visitar xs vossxs filhxs nas prisões,duas vezes por semana, aquelxs  que provavelmente tiveram que roubar ou roubar pessoas apenas para sobreviver?

E a razão pela qual elxs estão nessas prisões superpovoadas em Yogyarta é a pobreza profundamente enraizada que prevalece em Yogyakarta. Acha que o Sultão se preocupa com isso?

E então, vamos continuar a nos enganar, pensando nas novidades, e que tudo está bem? Ou ainda, que é “especial”? Não temos interesse em ser admiradxs. Nós não somos um partido político que precise dos votos das pessoas nas eleições.

Somos apenas pessoas que estão doentes. Cansadas de tudo o que está a acontecer à nossa volta e de como as pessoas são embaladas por essa falsa consciência, dizendo-lhes que está tudo bem.

Estamos a apelar às pessoas da classe média e baixa, intelectuais, artistas, académicxs, aquelxs que afirmam ser liberais e moderadxs, e outrxs que escolhem ser “neutrxs”. Lembra-se do evento histórico que deu origem ao conceito de estado-nação moderno? O período que dá pelo nome de período das luzes, onde os reis, rainhas e a realeza foram guilhotinadxs na Praça de la Révolution. Não criou ele o que se chama de democracia? Não queremos repetir ou glorificar a história. A democracia que vocês defendem, mantêm e vendem não está a levar a outro lugar senão à pobreza, degradação ecológica e retirada de direitos.

Nós somos xs libertárixs.
Nós somos o que vocês chamam de anarquistas. Sonhamos um mundo onde as pessoas cooperam umas com as outras, trabalham juntas, governem a si mesmxs, de forma horizontal, sem governantes, sem realeza, sem contrato político, social ou dos capitalistas. Queremos uma vida na sua forma mais verdadeira, onde os desejos naturais do ser humano estão em sintonia com a natureza; uma vida sem classes, racial, étnica, religiosa e outras falsas divisões.

Somos o que vocês chamam de utopistas.

Queremos uma sociedade livre sem opressores. Queremos uma sociedade onde as pessoas possam ter crenças, orientações sexuais ou qualquer coisa sem temer a perseguição.
Total liberdade!

Anarquistas

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11 de Junho, 2018: Um dia contra o olvido

11 de Junho é um dia internacional de solidariedade com Marius Mason e todxs xs prisioneirxs anarquistas a longo prazo. Uma centelha na eterna noite da repressão estatal. Um dia dedicado a honrar todxs aquelxs que nos foram roubadxs. Neste dia, compartilhamos canções, eventos e acções para celebrar xs nossxs companheirxs capturadxs. Em anos anteriores, as celebrações do 11 de Junho têm sido internacionais e abrangentes – de festas com amigos até diversos ataques inspiradores; de recolhas de fundos e noites de escrita de cartas a presxs até todas as formas incalculáveis e desconhecidas para manter a chama viva.

Fruto do esforço acumulado para este dia, todos os anos alguns de nós se juntam para discutir e reflectir acerca das lições dos anos anteriores e para renovar esta chamada à solidariedade contínua. Este ano, convidamos-vos a explorar e ponderar connosco o modo como a manutenção do apoio a prisioneirxs a longo prazo depende directamente da manutenção de movimentos e lutas de que todxs continuamos a fazer parte. Como poderemos esperar continuar décadas de apoio  enquanto os movimentos, grupos e pessoas vêm e vão, e são reduzidos a cinzas ou apanhadas nos esgotantes fluxos e refluxos da luta? Indo mais fundo, o que podemos aprender com xs prisioneirxs a longo prazo e os seus legados de solidariedade? Como podemos sustentar e melhorar a saúde dos nossos movimentos, e por sua vez fortalecer esse apoio?

Em vários dos últimos anos floresceram as críticas ao encarceramento, o que frequentemente resultou numa miríade de projectos e esforços de apoio a prisioneirxs. Encorporando estabilidade, compromisso e longevidade, são prisioneirxs da Libertação Negra, da Nova Esquerda, dos movimentos indígenas, e aquelxs que incessantemente os apoiaram durante décadas. Além destes esforços, houve um ressurgimento da organização contra o próprio encarceramento massivo. Apesar de terem sido grupos mais pequenos a dar voz a estes sentimentos há muitos anos atrás, é encorajador ver mais pessoas a tomar este trabalho em mãos. Houve também um aumento de esforços para apoiar presxs rebeldes que se têm envolvido em tudo desde greves ao trabalho até incendiar e destruir unidades inteiras na prisão. Ao mesmo tempo, há cada vez mais projectos a criticar o estado em si mesmo – constatando que este é sustentado pelos pilares das prisões e pela polícia. Finalmente, há muitos esforços dirigidos para as necessidades de prisioneirxs queer e trans, sobreviventes criminalizadxs de abuso doméstico e sexual, e pessoas com problemas de saúde mental, para dar apenas alguns exemplos.

O espírito do dia 11 de Junho, que convida toda a gente a participar de acordo com os seus desejos, afinidades pessoais e preferências tácticas, encoraja-nos a ver difundida uma tal actividade. Em particular, uma coisa que nos anima ver é quão difundida se tornou a escrita de cartas, blogs, livros e zines por prisioneirxs. Após anos de discussão sobre o amplificar das vozes dxs prisioneirxs, estamos a ver os resultados e valorizamos as incontáveis horas dedicadas por prisioneirxs e apoiantes para lançar e sustentar estas publicações. A complementar estes esforços estão aquelxs que expandiram a solidariedade internacional ao traduzir e passar a palavra dxs nossxs companheirxs, tal como xs que empreenderam belos gestos e mensagens de solidariedade com acção corajosa e de ataque.

Entre estes muitos projectos de apoio a presxs, vemos uma variedade de orientações, de tácticas, de estratégias e práticas. Com a expansão das iniciativas, surgiram intermináveis emergências e chamadas urgentes à acção para apoiar prisioneirxs, além de todas as outras crises constantes neste mundo de pesadelo. Com tanta coisa para fazer, somos forçadxs a fazer escolhas. O activismo tradicional, que exige que tanta da nossa energia seja dirigida para acções imediatas e frequentemente simbólicas – à custa de intenções e estratégias de longo prazo – não vai funcionar, simplesmente. Precisamos de agir com a preocupação de sustentar os nossos movimentos e projectos, de forma a que possamos continuar capazes de apoiar companheirxs a cumprir décadas na prisão. Isto exige uma abordagem holística à luta e à vida solidária.

Gestos isolados são importantes, e por vezes o melhor que conseguimos fazer. Mas o que significa fazê-lo a longo prazo?

Ainda que 11 de Junho seja apenas um dia, é uma manifestação da força e da fortaleza diárias de companheirxs presxs, e do trabalho incansável e de bastidores daquelxs que xs apoiam. Muitas vezes visitando; escrevendo; levantando dinheiro; divulgando informação; partilhando arte, poemas e escritos. Sentimo-nxs inspiradxs pelos grupos de apoio a Jeremy Hammond e Marius Mason, que trabalham consistentemente para os manter ligados ao resto do mundo. Vemos o exemplo de Sacramento Prisoner Support [Apoio a Prisioneirxs de Sacramento], lutando há anos para libertar Eric McDavid. Sentimo-nos impressionadxs por todxs xs que ajudaram prisioneirxs a longo prazo como Zolo Azania, Russell Maroon Shoatz, David Gilbert, Sean Swain, Mumia Abu-Jamal, Jalil Muntaqim, Leonard Peltier, e tantxs outrxs, para publicarem livros escritos nas suas celas.

Visões & Possibilidades

Face à perspectiva de longo prazo de ajudar companheirxs ao longo de décadas nas prisões, e o trabalho de curto prazo que esta solidariedade implica, arriscamos-nos a perdermos-nos nas correntes alternadas do desespero e mania que não deixam espaço para a reflexão. É difícil saber por onde ir quando nos confrontamos com a esmagadora tarefa de melhorar a privação e a miséria que xs nossxs companheirxs enfrentam, e ao mesmo tempo permanecer críticxs do reformismo. Queremos xs nossxs companheirxs livres agora e a demolição imediata de todas as prisões, mas não temos ideia de como o fazer. Apesar das décadas de acção combinada em solidariedade com prisioneirxs anarquistas, não temos um diagrama, apenas visões.

Ao descartar as dicotomias fracturantes e os seus fetiches tácticos (luta de massas vs acção directa), podemos chegar a uma nova métrica para avaliar o nosso trabalho: pode esta acção sustentar-me e às/aos minhas/meus companheirxs ao longo dos próximos anos? Parece improvável que um movimento vibrante de solidariedade com prisioneirxs possa florescer se as nossas preocupações forem apenas ideológicas, tácticas ou estratégicas. A alegria e a dificuldade das relações humanas, a tristeza gerada pelo cimento e pelo arame farpado, a luta contra ideias e comportamentos opressivos e a correspondente necessidade de formas transformadoras para lidar com o conflito, o entusiasmo e o medo que vêm com a libertação de um/a companheirx, e a frustração e exaustão associadas a este trabalho, tudo isto devia integrar o modo como entendemos a solidariedade.

Parece-nos que ao abordar directamente estas considerações, podemos começar a pensar para além das crises imediatas: leituras controladas, cartas desaparecidas, limitações na solidariedade, lutando por fundos do comissariado. Ao nos ancorarmos nas relações com os indivíduos na prisão – vendo-os não como celebridades, líderes ou “pessoas oprimidas” abstratas – abrimos espaço para sonhar com o que uma vida em comum, compartilhada em comum com xs nossxs companheirxs presxs poderia significar. Com isso, saímos do reino do puramente político e entramos no reino do humano. Não se pode sobreviver de dever e ideologia, mas as relações humanas podem nos nutrir e sustentar. E devemos lutar continuamente para manter os caminhos claros – para alcançar xs nossxs companheiros dessa maneira, à medida que o estado continua a desumanizá-lxs e isolá-lxs, restringindo cada vez mais as visitas àquelxs por trás do vidro ou, pior ainda, aquelxs numa tela, se estamos a poucos metros ou centenas de quilómetros de distância. Visitas presenciais e de contato, de valor inestimável para a construção de conexões humanas reais, são muitas vezes altas na lista de demandas de prisioneirxs e daquelxs que as apoiam no exterior. Recentemente, nos inspiramos na campanha da Fight Toxic Prisons para manter as visitas de contato no Departamento de Correções da Flórida.

Temos que nos esforçar por entrelaçar as nossas vidas com as vidas dxs nossxs amigxs e companheirxs na prisão. E na realidade, de muitas formas, as nossas vidas entrelaçam-se. A repressão a grupos de apoio a prisioneirxs pela Operação Scripta Manent (a tentativa do estado italiano para reprimir actividades anarquistas ao acusar indivíduxs de ataques incendiários e com explosivos) recorda-os de que há frequentemente uma linha fina a separar aquelxs que estão presxs daquelxs que estão cá fora a apoiá-lxs de todas as formas que possam.

Atualizações de prisioneirxs

Ao longo do último ano, xs nossxs companheirxs presxs enfrentaram os olhos frios e a mão violenta do estado com a sua integridade intacta. No Chile, Tamara Sol tentou escapar da prisão, foi seriamente ferida no processo, e foi desde então transferida: primeiro para uma prisão de máxima segurança em Santiago, e depois para a prisão especialmente brutal  de Llancahue, em Valdivia. A embrulhada “Bombs Case 2”, com Juan Flores acusado de múltiplos bombardeamentos em Sa ntiago e sentenciado a 23 anos na prisão. Na Alemanha, Lisa foi condenada a mais de 7 anos de prisão depois de ter sido considerada culpada de assaltar um banco em Aachen. Ela foi transferida para JVA Willich II em Fevereiro. Nos Estados Unidos, Walter Bond entrou em greve de fome por seis dias, exigindo refeições veganas, o fim da manipulação do correio e uma transferência para Nova Yorque, onde ele tenciona viver quando for libertado. Como retaliação, foi transferido para a Communications Management Unit em Terre Haute, no Indiana. Na Grécia, Pola Roupa e Nikos Maziotis entraram em greve de fome por quase 40 dias exigindo melhores condições e mais tempo de visitas, bem como a abolição daultra-repressiva prisão tipo-C em que Nikos tem estado detido. Dinos Yagtzoglou foi preso e enfrenta acusações relacionadas com uma carta armadilhada que feriu o anterior primeiro ministro Grego. A sua resistência atrás das grades despoletou a insurreição em três prisões gregas, garantindo a sua exigência de ser transferido para a prisão de Korydallos.

Nos Estados Unidos, o prisioneiro anarquista trans e de eco/libertação animalMarius Mason precisa de mais correio! Ele  gosta de receber artigos sobre os direitos dos animais, activismo ambiental, Resistence to alt-right, Black Lives Matter, e outras lutas penitenciárias. O Carswell Federal Medical Center, onde Marius tem estado detido nos últimos anos, é uma prisão notoriamente restritiva e cruel. Neste momento estão a negar-lhe os prometidos cuidados médicos relacionados com a sua transição, tal como opções veganas adequadas.

11 de Junho é uma ideia, e não apenas um dia. 11 de Junho é a cada dia. E as ideias são à prova de bala. Vamos dar vida ao resto do ano e renovar a celebração das vidas dxs prisineirxs anarquistas ao continuar as suas lutas ao seu lado.

Em suma: é uma chamada, por isso estamos a chamar-te! Dia 11 de Junho é o que fizeres dele. Segue o teu coração e enche o mundo de gestos belos. Não há acção que seja demasiado pequena ou demasiado grande.

June 11

Santiago, Chile: Sabotagem a produtos de carne em memória de Javier Recabarren

Porque ninguém está esquecido: Javier Recabarren presente

O Bando Anónimo da sabotagem aqui se encontra a responder à convocatória em memória do jovem combativo Javier Recabarren. Entramos em ação, começando por nos introduzir em três supermercados na Estação Central a 12.03. Destruímos embalagens de carnes de animais mortos com a ajuda de pregos de estofadores.

Para xs membrxs em ação, pela libertação total, é muito importante continuar a alimentar com fogo o fogo da memória, tal como o companheiro fazia nas ruas confrontando a bófia. Nesta ocasião, como foi mencionado no primeiro parágrafo, queríamos contribuir para esta convocatória usando a sabotagem em pequena escala contra produtos de carne distribuídos em diferentes cadeias de supermercados. Em breve as formas de ação contra esses negócios serão outras e variadas.

Sabemos que esses produtos ao serem rasgados, perfurados e abertos se decompõem com o passar das horas; também temos conhecimento de que se um cliente descobre o produto de carne danificado isso não será comprado e será descartado pela empresa, o que provocará uma perda económica.

Sem dúvida que é difícil ver como é o termo dos nossos irmãos animais, é difícil ver como essas grandes empresas continuam a beneficiar com a sua morte. Mas isso é a realidade. Sózinhxs, continuaremos, por menor que seja o dano contra a exploração e os negócios que realizamos, continuaremos.

Que se multipliquem as sabotagens pela libertação total!
Irmão e companheiro Javier Recabarren presente!
Nem um passo atrás perante os matadouros e as empresas de carne!

Bando Anónimo pela Sabotagem
Frente de Libertação Animal / Frente de Libertação da Terra

em espanhol

[Chile] Urgente: Sobre a situação de saúde do companheiro Juan Aliste Vega

SOBRE A SITUAÇÂO URGENTE EM RELAÇÃO À SAÚDE DO NOSSO KOMPANHEIRO, O PRESO SUBVERSIVO AUTÓNOMO JUAN ALISTE VEGA.

FAZENDO UM FERVENTE APELO À SOLIDARIEDADE.

Queremos compartilhar o relato a seguir, o qual contém, no essencial, os detalhes do seu atual estado de saúde:

“No dia 16 de dezembro de 2017, de forma fortuita tive uma convulsão, colapsando-me no chão com perda de consciência e como resultado fui encaminhado ao Hospital Penitenciário, onde exames de sangue, urina e coração foram realizados. Nesse mesmo dia, a ordem médica é dada para ser tratado por um neurologista especialista num hospital ou clínica externos.

Após quase 80 dias, fui atendido no Hospital San Borja Arriarán, a 6 de março 2018, por um neurologista o qual. em vez de ordenar os exames de electro-encéfalograma, electrocardiograma  e scanner cerebral, concluiu com o diagnóstico de Epilepsia Secundária, gerada por malformação artério venosa, produto de golpes recebidos, sin poder precisar a antiguidade destes. Indicou um tratamento primário de um anti-convulsivo chamado Levetirasetam e, em conjunto, a um neuroradiólogo e neurocirurgião definiram a forma de realizar uma intervenção intra-vascular como primeiro passo para evitar o crescimento desta malformação para a seguir intervir, com micro-neurocirurgia, na zona do lado direito do cérebro onde está localizada a malformação artériovenosa.

Os prazos para estas intervenções são estimados entre 1 e 2 meses, isto porque são indicados como urgentes pelo alto risco à minha vida e saúde, ainda mais nas condições de refém do estado em que estou há 8 anos.

No momento, tenho absoluta proibição de praticar desportos e qualquer movimento súbito que gere risco de bater na cabeça. Tenho que manter o descanso, embora seja evidente que, nas circunstâncias do confinamento, isso é impossível.

É uma luta contra o tempo”.

* * *

Hoje confrontamos-nos com um combate pela vida e saúde do  nosso compa. As sequelas de uma vida em guerra são evidentes.Os diversos períodos em que esteve na prisão – de 1991-2001, 2002-2003, 2010 – até ao presente, vão deixando marcas indeléveis no corpo  de Juan que hoje as tem num momento crucial para o qual, inevitavelmente, necessitamos da solidaridad concreta de todxs aquelxs que, de qualquer parte do mundo, podem contribuir nesta “URGENTE CAMPANHA PELA VIDA E SAÚDE DE JUAN ALISTE”.

São momentos que exigem a disposição e entrega sincera de todxs aquelxs que transitam pelo mesmo caminho de luta pela Libertação Total que o nosso irmão.

Fazemos um fervente apelo a fazer-se presente. Resolver os altíssimos custos das operações que se devem realizar é a nossa urgência imediata,  pois os prazos são apertados e não há tempo a perder. No mesmo sentido fazemos um apelo a se multiplicar as instâncias multiformes e nsurretas de apoio e solidariedade, de forma autónoma com o companheiro, a permanecer atentos à sua situação e aos possíveis obstáculos que se avizinhem. Cada um/a pode contribuir com o que seja necessário mas sem dúvida alguma de estar, sem desculpas nem ambiguidades: Pela vida do nosso irmão.

PELA VIDA E SAÚDE DE JUAN: FRATERNIDADE, CUMPLICIDADE, SOLIDARIEDADE!!!!

*Familares, amigxs e companheirxs de Freddy, Marcelo e Juan.

Deixamos aqui as indicações para fazer contribuições em dinheiro:
Depósito bancário em dólares:
Conta corrente 013-01-00747-3
Banco BICE, Marianela Leontina Salinas Aravena, RUT 8.719.216-4. Com o Código swift: BICE CL RM.
Código SBIF: 028
(Cada transferência tem uma cobrança de 30 U$, resguardar os baucher de envío e mandar imagem ao correio: c.verdugo.sa@gmail.com )
Para facer envio de dinheiro por Western Union escrever ao correio c.verdugo.sa@gmail.com, para receber os dados de ccmo e a quem transferir. Este tipo de transação tem um custo que é proporcional à quantia enviada.
Qualquer outra dúvida consultar o correio em questão.

em espanhol

Belgrado: Ações de solidariedade em suporte da luta pela liberdade e autonomia em Afrin

https://vimeo.com/260965926

Recentemente realizaram-se várias ações de solidariedade em Belgrado, em apoio da luta pela liberdade e autonomia em Afrin, parte da Federação Democrática do Norte da Síria (Rojava).

Cartazes e escritos nas paredes apareceram em vários pontos focais da cidade, como o centro cultural turco, para denunciar o lucro não falado que a indústria de armas balcânica está a ter com o recente conflito em Rojava e a submissão política do governo de Vučić. e outros políticos na região dos Balcãs ao AKP ( partido no poder, na Turquia). Além disso, na segunda-feira passada uma faixa foi colocada num edifício na Trg Republike (a praça principal de Belgrado) onde se podia ler: “Parem a invasão em Afrin! Vamos defender a auto-organização contra os estados e o capital!!”

Essas ações destinam-se a apoiar a resistência do povo de Rojava, a defender a sua revolução social que representa uma ameaça ao fascismo expansionista do AKP.
A cumplicidade silenciosa da UE e da ONU na invasão também é mencionada, pois é bem conhecido como várias potências se beneficiam, não apenas financeiramente mas também politicamente, do ataque a Afrin.

Em Belgrado,  como de resto por todo o mundo, a solidariedade revela o lado sujo de uma guerra imperialista perpetuada por esta coligação de forças contra o povo de Afrin e toda a região. Esses atos de dissidência antecipam o dia oficial de ação internacional por Afrin, convocado pelos compas de Rojava para o dia 24 de março.

em inglês l servo-croata-bosniano

Sydney, Austrália: Solidariedade com anarquistas presxs

Liberdade para xs anarquistas russxs
Antifascista

Em resposta ao apelo de solidariedade vindo dxs companheirxs na Rússia, no dia 18 de Março, dia das eleições russas,  um grupo de anarquistas em Sydney concentrou-se junto ao consulado da Rússia. Distribuímos panfletos sobre a situação dos anarquistas e antifascistas presxs na Rússia  e entoaram-se palavras de ordem contra a polícia, prisões e regime de Putin.

em inglês

 

Chile: Semana de Agitação pela memória de Javier Recabarren (11-18 Março)

A rotina apela à conservação de hábitos nefastos – cujo papel é a manutenção de uma vida fugaz – onde o fluxo constante de tarefas implica o esquecimento que enraíza  a vida actual.

A conservação da memória de todxs aquelxs que viveram resistindo ao esquecimento – lutando ao seu modo, de mão dada com as suas convicções e a atitude de incendiar a perspicácia que abre as portas do questionamento e à energia de ir a contra-corrente – é e será sempre parte do caminho de quem valoriza os passos dxs companheirxs que não estando já ao nosso lado continuam a acompanhar as nossas ideias e ações.

Desta forma e com base nas ideias anteriores, voltamos a convidar todxs a juntarem-se com  gestos concretos a uma nova semana de agitação em recordação do anarquista Javier Recabarren, passados que são 3 anos da sua morte.

Nota: Para saber mais sobre o companheiro, incentivamos a leitura de duas publicações (compilações) que realizamos no âmbito de duas chamadas antigas em sua memória: I e II.

em espanhol  l alemão

Balanço da repressão contra anarquistas na Rússia – 2017 e primeiros meses de 2018

A Cruz Negra Anarquista de Moscovo publicou um balanço da repressão contra anarquistas – exercida pelo estado russo durante 2017 e inícios de 2018. Nesse período, as autoridades continuaram a incriminar e a perseguir companheirxs na Federação Russa. Xs anarquistas são também alvo de repressão nas prisões. Segue-se um extracto da recentemente publicada lista da repressão na Rússia.

S. Petersburgo e Penza

Em Outubro de 2017, os Serviços Especiais Russos (FSB) fabricaram um caso criminal, de larga escala, contra anarquistas e antifascistas – os quais a FSB declara serem membxos de uma organização terrorista com o nome The Network. As autoridades russas alegam que xs acusadxs planearam e prepararam actos terroristas a conduzir durante as próximas eleições
presidenciais em Março de 2018 e durante a Taça do Mundo que terá lugar no Verão do mesmo ano.

Em Penza, Yegor Zorin, Ilya Shakursky, Vasily Kuksov, Dmitry Pchelintsev, Arman Sagynbaev e Andrei Chernov foram detidos. Em S.Petersburgo, a polícia prendeu Victor Filinkov e IgorShishkin. Ilya Kapustin é neste momento testemunha. As famílias dos detidos relatam que
estes foram torturados para deles obterem confissões. Todos os detidos neste caso estão numa situação difícil, sob a ameaça de repetição de tortura, e têm grande necessidade do teu apoio e da tua solidariedade.

Podes fazer um donativo para apoiar os custos legais aqui. Os detidos ficarão também felizes por receberem cartas de apoio. Aqui estão os seus endereços:

S. Petersburgo:
191123, St. Petersburg, Shpalernaya St., 25 PKU SIZO-3 of the Federal
Penitentiary Service of Russia
Shishkin Igor Dmitrievich
Filinkov Victor Sergeevich

Penza:
PKU SIZO-1, st. Karakozova, 30, Penza, Penza region, Russia, 440039
Shakursky Ilya Alexandrovich
Pchelintsev Dmitry Dmitrievich
Chernov Andrey Sergeevich
Sagynbaev Arman Dauletovich

Moscovo
Dois activistxs, Elena Gorban e Alexei Kobaidze, são acusadxs de dano criminal da sede do Partido Russia Unida de Putin. Elxs foram acusadxs, no fim de Janeiro de 2018, depois de activistas desconhecidxs terem partido a janela de uma das filiais do Partido Russia Unida em Moscovo e de terem ateado um fogo em protesto contra a próximas eleições presidenciais.

“Não importa quem seja presidente, a sua política é sempre a opressão e a exploração das pessoas simples que trabalham. Nós, enquanto anarquistas, oferecemos auto-governo e democracia directa em troca de presidentes e outras instituições estatais. Junta-te à nossa luta!” – – disseram as pessoas responsáveis pela acção na sua declaração.
A polícia invadiu os apartamentos em que Gorban e Kobaidze viviam, a 13 de Fevereiro. Depois dos interrogatórios, xs activistas foram libertadxs sob fiança, e estão agora fugitivxs.

Chelyabinsk: caso criminal por faixa anti- FSB
Em Chelyabinsk, cinco activists foram detidxs a 19 de Fevereiro de 2018 depois de uma acção perto da filial local do FSB. Pessoas desconhecidas penduraram uma faixa com a inscrição “FSB – o maior terrorista” e atiraram uma bomba de fumo por cima da cerca das instalações do FSB. A acção foi realizada em apoio dxs anarquistas presxs em Penza.

Activistas, que preferem que os seus nomes não sejam publicados, relatam que os agentes do FSB xs torturaram com uma arma de choques eléctricos, exigindo que admitissem que tinham pendurado a faixa. Elxs foram entretanto libertadxs sob fiança, mas na condição de não saírem do país nem mudarem de residência. Podes ajudá-lxs com os custos legais transferindo dinheiro para a conta da Cruz Negra Anarquista.

Crimeia:

Yevgeny Karakashev preso por “justificar o terrorismo”. Em Fevereiro de 2018, o FSB da Crimeia prendeu o anarquista Yevgeny Karakashev. Acusado de “incitamento ao ódio” e “justificação de
terrorismo” ou, por outras palavras, por postar um vídeo na página do meio de comunicação social Russo VKontakte. Karakashev está actualmente detido.
Eugene é activista há já algum tempo. Antes da sua detenção, participou num piquete perto do edifíco do FSB em Simferopol, na Crimeia, e em Novembro de 2016, acompanhado por pessoas
com afinidades políticas, planeou um piquete “contra a arbitrariedade da polícia na Crimeia” junto ao edifício do Ministério do Interior. Este piquete foi banido pelas autoridades locais.

Perseguição Administrativa de Anarquistas

Em Janeiro de 2017, no aniversário do assassinato político do advogado Stanislav Markelov e da jornalista Anastasia Baburova, organizaram-se eventos em memória delxs por todo o país e que a polícia tentou interromper. Anarquistas foram detidxs em Moscovo, S. Petersburgo, Murmansk e Sevastopol. A polícia realizou outras detenções este ano, durante as acções em homenagem de Markelov e Baburova.

A 23 de Fevereiro de 2017, dúzias de pessoas foram detidas no festival antimilitarismo esquerdista “Desertir Fest”, no sudoeste de Moscovo. O festival foi organizado em protesto contra o recrutamento militar. A polícia considerou esta causa radical e portanto indevida. Em 2018 o festival não aconteceu porque a polícia o impediu antecipadamente.

Em Irkutsk, em Abril de 2017, foram realizadas buscas com a participação de uma unidade do SOBR (Forças Especiais Russas) e do Centro de Combate Contra o Extremismo. Nove pessoas foram detidas. Foi aberto um caso criminal sob o Artigo 148 do Código Criminal (insulto à religião) contra um dos activistas – Dmitry Litvin –. Xs restantes foram interrogadxs como testemunhas neste caso – xs próprixs detidxs estavam certxs de que a principal razão é outra: xs anarquistas locais são xs mais activos participantes da vida política da cidade e intensificaram os protestos repetidamente.

Em Novembro de 2017, quando xs antifascistas russos tradicionalmente homenageiam Timur Kacharava, um músico e antifascista assassinado por neo-nazis, a polícia interrompeu as homenagens. Como resultado, uma pessoa foi presa.

Perseguição de activistas russxs no estrangeiro

Em Abril de 2017, o anarquista Alexei Polykhovich foi deportado da Bielorússia, após 12 dias de prisão por participar numa manifestação em Minsk, onde as pessoas protestaram contra novos impostos. Durante o Verão, na cidade bielorussa de Baranovichi, a polícia de intervenção interrompeu uma palestra de Alexei Sutugi. O tema da palestra era a resistência às autoridades a partir da prisão. Quase todxs xs presentes foram detidxs até à noite. A 12 de Outubro, um tribunal local decretou que os materiais confiscados na palestra eram extremistas.

Em Outubro de 2017, na cidade bielorussa de Grodno, a polícia de intervenção interrompeu uma palestra do filósofo Pyotr Ryabov. Pyotr Ryabov é um simpatizante da causa anarquista e professor de filosofia na Universidade de Pedagogia do Estado de Moscovo. É especialista na história do pensamento anarquista. Depois de uma palestra intitulada “Movimentos Informais na Bielorússia 1991-2010”, em Baranovichi, Ryabov foi sentenciado a 6 dias de prisão por “disseminação de materiais extremistas”.
Depois disso, o Departamento de Cidadania e Migração local decidiu deportar Ryabov e decidiu impedi-lo de entrar no país durante 10 anos.
Em Moscovo, organizaram-se uma série de piquetes contra a prisão de Pyotr Ryabov, em frente da embaixada da Bielorússia.
“O estado sobrestimou a minha contribuição para a propaganda revolucionária: muitas das minhas palestras geraram menos revolta do que a sua proibição. Creio que o problema é o termo «anarquismo». As autoridades lembram-se do facto dos anarquistas terem sido condenados pelo incêndio da embaixada russa em 2010, e do facto dos anarquistas, em muitos casos, organizarem protestos massivos contra a lei do parasitismo”, disse Ryabov numa entrevista depois da sua libertação.

Em 2017, anarquistas da Bielorússia foram a mais activa força de protesto contra o imposto do parasitismo que as autoridades bielorussas queriam introduzir para os desempregados.

Notícias das prisões

O anarquista da Crimeia Alexander Kolchenko celebrou o seu 28º aniversário na prisão onde está ainda detido – apesar da recente troca de prisioneiros entre a Ucrânia e a Rússia. No seu aniversário, anarquistas da Ucrânia, da República Checa e da Polónia organizaram acções de solidariedade em aeroportos.
Kolchenko foi sentenciado a 10 anos de prisão pelo caso dos chamados “terroristas da Crimeia” – participou em acções contra a entrada das tropas russas na península, em particular no incêndio da filial local do partido Rússia Unida e do gabinete da comunidade nacionalista Russa da Crimeia. Em Novembro, foi-lhe diagnosticado um “defice de peso”. Ao mesmo tempo, o FSIN negou-lhe a oportunidade de estudar in absentia numa universidade ucraniana.

Podes escrever uma carta a Alexander Kolchenko para o seguinte endereço:
456612, Chelyabinsk Region, Kopeysk, ul. Kemerovskaya, 20, IK-6,
detachment 4, Kolchenko Alexander Aleksandrovich.

Na Mondovia, o anarquista Ilya Romanov continua a cumprir a sua pena por terrorismo: uma condenação que lhe coube depois de se ter ferido com fogos de artifício em Outubro de 2013. Devido ao acidente, Romanov perdeu uma mão mas, ainda assim, foi condenado por terrorismo e sentenciado a 10 anos de prisão.

Em Abril, o ECHR considerou uma das queixas de Romanov e atribuíu-lhe uma compensação de 3,400 Euros pela detenção irracionalmente longa durante a investigação. Apesar disso, não é claro como Ilya Romanov poderá receber este dinheiro – todas as suas contas estão bloqueadas
pelo estado. Os familiares de Romanov, que tentaram transferir o dinheiro para Ilya através dos correios, foram detidos pela polícia. Em Maio, Romanov foi posto em isolamento durante quarto meses, e em Julho foi aberto um novo caso de terrorismo contra ele.

Ilya Romanov está detido em IK-22 Mordovia, no seguinte endereço:
431130, Mordovia, Zubovo-Poliansky district, st. Potma, n. Lepley.
Escreve-lhe uma carta, ele irá apreciá-la.

Finalmente livre
Em Maio de 2017, o anarquista Alexei Sutuga foi libertado da prisão. Em Setembro de 2014, Sutuga, conhecido pela alcunha Sócrates, foi condenado a três anos e um mês de prisão depois de alegadamente ter tomado parte numa rixa de café. O antifascista não admitiu culpa: ele afirma que tentou interromper a luta mas não agrediu ninguém. As vítimas neste caso eram neo-nazis russos.

Em Outubro de 2017, o antifascista de Tomsk, Yegor Alekseev, desapareceu antes de ser sentenciado por “apelos públicos a actividade extremista”, ou por ter postado um vídeo do YouTube no seu perfil de uma rede social.
Neste momento está seguro numa localização desconhecida. De acordo com Yegor, ele está decidido a esconder-se do sistema judicial russo, temendo ser condenado a prisão.

No início de Novembro de 2017, o historiador anarquista Dmitry Buchenkov evadiu-se da prisão domiciliária e está neste momento num país europeu incógnito. A sua fuga foi possível porque não tinha pulseira electrónica devido a escassez de recursos. De acordo com os investigadores, a 6 de Maio de 2012 Buchenkov terá alegadamente atacado um polícia. Ele foi acusado apesar de as provas claramente indicarem que no dia do alegado ataque ele não estava sequer presente: encontrava-se de visita à sua família, noutra cidade. Uma queixa sobre a sua prisão e perseguição politicamente motivada foi dirigida ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Esta lista foi preparada pelo coletivo da Cruz Negra Anarquista de Moscovo. Não é uma lista completa das perseguições a anarquistas pelo estado russo – a pedido de alguns/mas companheirxs, esta lista não menciona todas as desventuras dxs anarquistas da pós-União Soviética. Se quiseres ajudar, podes encontrar informação sobre como transferir dinheiro para as necessidades da Cruz Negra Anarquista Russa nesta página.

Fonte: avtonom.org/en/news

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Solidariedade com anarquistas na Rússia – Semana de Acção a partir de 11 de Março de 2018

Eleição Presidencial Russa, 2018

Chamada para semana de acção a  partir de 11 de Março de 2018

A próxima eleição de Putin acontecerá a 18 de Março. O rito de inauguração da re-eleição terá lugar em condições de terrorismo doméstico e ameaça de guerra nuclear. Os serviços de segurança russos deram início a uma vaga de repressão massiva contra todxs xs dissidentes do regime, exercendo uma pressão sem precedentes para cada dissidente, da oposição liberal a anarquistas.

Os serviços de segurança federal conduziram uma série de detenções e buscas às casas de anarquistas e antifascistas sob o seu escrutínio, no Outono de 2017. Seis anarquistas de Penza foram presxs e acusadxs de preparação de um golpe de estado. A única prova de tal “preparação” é o facto de todxs xs detidxs terem jogado airsoft. Durante vários meses, xs detidxs foram expostxs a tortura até se declararem culpadxs.

Dois/duas anarquistas foram detidxs em S. Petersburgo, em Janeiro de 2018. Foram sujeitxs a tortura, tal como xs companheirxs de Penza. A polícia forçou-xs a assumir uma confissão e a repeti-la perante os investigadores. Um dos anarquistas raptados, Victor Filinkov, foi levado para a floresta, onde foi sujeito a tortura. Ilya Kapustin foi também detido e torturado mas como não fez nenhuma confissão foi considerado “testemunha”.
Houve muitos assaltos policiais contra anarquistas e socialistas na Crimeia em Fevereiro e Março. O primeiro detido foi Eugenie Karkashev. A razão apresentada para a sua detenção foi uma conversa na rede social “Vkontakte”. Passado um mês, houve invasões policiais em massa contra outrxs anarquistas e comunistas desta península. A lista dxs detidxs na Crimeia inclui o anarquista Shestakovich e o comunista Markov, que foram presos durante 10 dias.

Depois disso, xs anarquistas Kobaidze e Gorban foram presxs e acusadxs de tumultos junto das instalações do partido no poder, “Russia Unida”. A polícia recusou admitir a presença do advogado da detida até ela se declarar como culpada, violando todas as regras da lei.

Três anarquistas, juntamente com familiares e amigos, foram raptadxs pelo FSS em Chelyabinsk. Foram também sujeitxs a tortura com choques eléctricos, com o objectivo de lhes extrair os testemunhos necessários e de os fazer admitir a sua participação numa acção que consistiu no hastear de uma faixa contra a repressão.

O presidente Putin deu pessoalmente a ordem para “lidar” com os discursos de protesto e com xs “organizadores de acções de rua não autorizados” num discurso oficial no Ministério da Administração Interna (MIA). As autoridades estão tão inseguras de si mesmas que recorrem ao
terror, a raptos e a tortura, vendo ameaças em qualquer protesto de rua. Ao mesmo tempo, os protestos e a maior publicidade possível destes acontecimentos podem realmente ajudar xs anarquistas presxs. Não houve muita informação sobre xs anarquistas de Penza e isso permitiu que o FSS xs tenha torturado por muito tempo. Imediatamente depois da campanha internacional de Fevereiro de 2018, o gabinete do procurador de S. Petersburgo foi forçado a confirmar o depoimento acerca da tortura de Victor Filinkov. Recorde-se que o silêncio e a inactividade de hoje nos condenam à prisão e a raptos amanhã.

Assim, na semana anterior à eleição de Putin, a 11 de Março, apelamos à atenção de todxs para as condições de terror em que estas eleições decorrem. Hoje, carrascos e terroristas querem ser novamente “eleitos”. E todxs nós conseguimos ver o que estas eleições são. Agora podemos chamar a atenção pública (russa e internacional), limitar o alcance do terror hoje e adiar o seu início amanhã. Só a pressão pública pode travar o terrorismo de estado. Apelamos à acção. “Noites solidárias”, agitação nas ruas, difusão de informação, performances ou manifs, tudo
o que esteja ao alcance do vosso poder e imaginação, tudo o que possa chamar a atenção para esta ilegalidade, nada será em vão.

O novo termo de Putin é um termo de prisão para cada russx.

Requisitos para ajuda dxs anarquistas reprimidxs e endereços para envio de cartas:naroborona.info

Chamada urgente para se continuar a campanha de solidariedade com xs anarquistas reprimidxs na Rússia- Ações realizadas de 5 a 12 de fevereiro

Mais detenções e prisões: Na Crimeia, os serviços especiais detiveram o anarquista e activista social Yevgeny Karakashev (02/02). Em Moscovo, a anarquista Elena Gorban foi presa (13/02). No mesmo dia, o anarquista Alexei Kobaidze foi detido e preso. Apelamos a toda a gente para continuar a campanha de solidariedade!

Liberdade para xs anarquistas na Rússia (EUA).
Rússia.
Toronto (Canadá). FSB é o terrorista real.

De 5-12 de fevereiro, teve lugar uma semana internacional de solidariedade com xs anarquistas da Rússia. A 21 acções contra a repressão juntaram-se 21 cidades russas e um grande número de companheirxs estrangeirxs, da Bielorússia aos Estados Unidos e ao Canadá.

Foram distribuídos materiais informativos, panfletos, grafittis e stencils foram distribuídos, e foram afixadas faixas com informação sobre a repressão contra anarquistas. Organizaram-se acções em Kaliningrad, Altai, Kursk, Novosibirsk, Samara, Kemerovo, Astrakhan, Volgograd, Rostov-on-Don, Izhevsk, Penza, S. Petersburgo, Moscovo, Nakhodka, Chelyabinsk e Vorkuta.

Em Yekaterinburg, Kandalaksha, Tomsk, Sochi, Moscow, S. Petersburgo e Saratov organizaram-se piquetes informativos sobre o terrorismo do FSB (Serviços Federais de Segurança) contra anarquistas.

Em Samara organizou-se uma noite de solidariedade. Xs visitantes foram informadxs acerca da repressão contra xs anarquistas e acerca das regras básicas da conspiração. Depois mostrou-se o filme “Sacco and Vanzetti”, cuja história demonstra bem a desumanidade e a inutilidade dos sistemas estatais e dos métodos usados, até hoje, para suprimir quaisquer protestos.

Em Moscovo houve uma marcha não autorizada de anarquistas contra a ilegalidade do FSB. Várias dúzias de pessoas bloquearam Myasnitskaya – uma das ruas centrais, adjacente a Lubyanka, onde o departamento principal do FSB está localizado. A marcha passou com a faixa “FSB é o principal terrorista”.

Houve também acções de solidariedade noutros países. Na Bielorússia, anarquistas distribuíram informação acerca da repressão exercida sobre anarquistas na Rússia.
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Em Lutsk, na Ucrânia, fez-se também grafittis em solidariedade com xs anarquistas russxs.

Acções de solidariedade aconteceram em Varsóvia, Gdansk (Polónia) e Praga (República Checa).

Em Praga fez-se um concerto em apoio dxs anarquistas russxs reprimidxs. No concerto distribuiu-se informação acerca da repressão na Rússia e angariou-se fundos para a Cruz Negra Anarquista, que oferece apoio a prisioneirxs políticxs. Outras acções de recolha de fundos aconteceram na Estónia, em concertos com as bandas Ognemöt, Adrestia e Prophets V, em Tallinn e Tartu.

Organizou-se, também, um evento para ser dada informação sobre a repressão na Rússia e recolha de fundos em Budapeste, na Hungria.

Em França fez-se um jantar de solidariedade, tendo os fundos recolhidos sido enviados directamente para apoiar xs anarquistas russxs.

Houve também muitos outros eventos solidários nos Estados Unidos. Em Minneapolis fez-se uma noite de solidariedade e. em Brooklin, uma projecção de filmes. Um sítio on-line antifascista de Portland espalhou informação e recolheu dinheiro para apoiar xs anarquistas reprimidxs. No Kansas, uma manifestação de rua em apoio dxs anarquistas teve lugar. Em Nova Iorque, organizou-se um piquete junto ao consulado russo. Também representantes do Movimento Revolucionário Abolicionista de Nova Iorque expressaram solidariedade.

Acções de solidariedade aconteceram em Toronto, no Canadá. Anarquistas organizaram um piquete na mais movimentada praça da cidade, informando quem passava acerca da repressão na Rússia.

Durante meses, xs detidxs foram torturadxs e espancadxs até que concordassem em se caluniar. Foram penduradxs de cabeça para baixo, espancadxs, torturadxs com choques eléctricos. Em janeiro de 2018, várixs anarquistas foram raptadxs em S. Petersburgo. Dois suspeitxs e uma testemunha foram presxs, todxs foram torturadxs. Com esse propósito, um dxs detidxs foi levadx para a floresta, perto da cidade. Outrx foi torturadx durante mais de um dia. Mas, oficialmente, o interrogatório durou um dia – das três da manhã às três da manhã do dia seguinte. Apesar de um dxs acusadxs e uma testemunha terem feito uma declaração acerca da tortura, esta não tida em consideração pelas autoridades estatais.

O FSB está a anunciar planos de mais prisões no caso fabricado de um grupo terrorista de duas dúzias de anarquistas em Moscovo, S. Petersburgo,Penza e Bielorússia.

Também na Crimeia, os serviços especiais detiveram o anarquista e activista social Yevgeny Karakashev. A razão para a sua detenção é a participação activa de Eugene na luta social dxs habitantes desta península. No dia da detenção, o autarca de Evpatoria encontrou-se com xs manifestantes contra a construção da ponte e fez uma insinuação acerca de possíveis prisões. A razão para a prisão foi a correspondência de Yevgeny num chat de grupo numa rede social.

Imediatamente após o fim da semana de acções de apoio aos/às anarquistas russxs, a repressão teve continuidade em Moscovo. A 13 de fevereiro, de manhã cedo, a anarquista Elena Gorban foi presa. Em violação de todas as normas, Elena não teve contacto com o advogado durante várias horas, até que concordasse em admitir-se como culpada no pogrom do gabinete do partido no governo russo, “Rússia Unida”. No mesmo dia, o anarquista Alexei Kobaidze foi detido e preso, sob a mesma acusação. A razão evocada para as prisões seria uma manifestação não autorizada em Moscovo contra o terrorismo do FSB. De manhã cedo – antes do surgimento de informação nos media e na internet acerca das detenções dos anarquistas – os canais pró-governo publicaram um vídeo de uma detenção e a mensagem de que xs anarquistas que participaram na manifestação tinham sido presxs em Moscovo. Os investigadores que questionaram Elena também lhe perguntaram sobre a manifestação apesar dxs detidxs terem sido acusadxs do pogrom da “Rússia Unida”, e não de participar na manifestação.

Depois da prisão, as acções de solidariedade continuaram na Rússia. Em Chelyabinsk, anarquistas hastearam uma faixa perto do edifício do FSB e atiraram uma bomba de fumo para o seu território. Nos subúrbios de Moscovo, organizou-se uma invasão de mobilização em solidariedade com xs anarquistas reprimidxs.

Apelamos a todxs para se continuar a campanha de solidariedade!

Mais fotos e vídeos: naroborona.info (em russo e inglês)

em alemão l inglês

Rússia: Apoie prisioneirxs anarquistas e antifascistas em S. Petersburgo e Penza!

Começou a angariação de fundos para os advogados a trabalhar nos casos dos assaltos policiais e das prisões de anarquistas e antifascistas em S. Petersburgo e Penza, na Rússia. Neste momento ( 31/01) estão presas duas pessoas em S. Petersburgo e cinco em Penza, e outras estão ligadas ao caso como testemunhas. É provável que os assaltos policiais e prisões continuem. Xs presxs são acusadxs com a parte 2 do artigo 205.4 do código criminal russo (participação em organização terrorista), por ordem do tribunal de Penza.

A 23 de Janeiro, a caminho do aeroporto de Pulkovo, os Serviços de Segurança Federal (FSB) detiveram Victor Filinkov. Para se conseguir o seu testemunho, foi espancado e torturado com choques eléctricos na floresta. Os sinais de tortura foram confirmados pelo advogado de Filinkov e pelos membros da Comissão Pública de Monitorização (ONK) que o visitaram no centro de detenção, antes do julgamento. Filinkov está preso há dois meses.

A 25 de Janeiro o FSB fez um assalto inesperado ao apartamento de Igor Shishkin. Depois do assalto, nem o seu advogado nem os membros da Comissão Pública de Monitorização conseguiram localizar Igor, durante mais de um dia. A 27 de Janeiro Igor foi presente a tribunal com sinais de tortura, e foi preso no Centro de Detenção Pré-julgamento por dois meses. Xs jornalistas foram impedidxs de assistir ao julgamento, tendo ainda dois/duas sido presxs.

Também as testemunhas foram torturadas. Ilya Kapustin foi espancado e torturado com choques eléctricos enquanto a polícia lhe exigia que testemunhasse que alguns/mas dxs seus/suas conhecidxs estariam a planear “algo perigoso”. Numerosas marcas das armas de choques eléctricos foram registadas pelos serviços de saúde.

Em Penza, as prisões começaram em Outubro de 2017. O FSB local prendeu seis jovens, cinco dxs quais estão neste momento em detenção pré-julgamento. Todxs xs presxs foram brutalmente torturadxs. Pode ler-se em detalhe acerca dos eventos de Penza neste artigo. A ajuda legal é necessária para xs prisioneirxs (cujo número pode aumentar) e testemunhas. Ainda é cedo para mencionar valores exactos, mas serão necessários pelo menos 200 mil rublos para o trabalho de advogadxs nos próximos meses.
Cruz Negra Anarquista S. Petersburgo

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Todo o material sobre o caso pode ser encontrado nesta secção:
Caso dos anti-fascistas de S. Petersburgo e Penza.

em inglês

Brasil: Faixa em solidariedade com xs perseguidxs pela Operação Erebo

recebido a 21.02.18

Algumas palavras em solidariedade com xs anarquistas perseguidxs pela Operação Erebo em Porto Alegre (RS), desde algum lugar, no território controlado pelo estado brasileiro e o capitalismo global.

Há quase 4 meses, uma operação policial liderada pelo delegado Jardim invadiu casas particulares e espaços coletivos na cidade de Porto Alegre. Várias pessoas e espaços acabaram sendo alvo dessa operação e alguns livros editados pela biblioteca anárquica Kaos foram usados como elementos comprobatórios para perseguir xs anarquistas.

Não pretendemos, nesse texto, voltar sobre a maneira como a imprensa brasileira levou o caso, mesmo se vale a pena ressaltar a pertinência com a qual a imprensa manipula as massas com o objetivo de manter uma paz social titubeante. Mesmo com todos os esforços do aparato policial-midiático por despolitizar algumas propostas anarquistas- buscando encontrar alguma “legitimidade” política em perseguir xs anarquistas “do mal” aproveitando diferenças e buscando criar divisões entre tendências diversas do anarquismo- a solidariedade combativa anarquista se manteve em pé, e os punhos ficaram fechados aos inimigos!

Como acreditamos que a solidariedade é uma arma contra as tentativas repressivas e contra o esquecimento e que também sabemos que ela deve ser mais do que palavra para vibrar nos corações dos rebeldes, mandamos essa mensagem simples mas, acreditamos, importante. Penduramos uma faixa em solidariedade com xs anarquistas perseguidxs de Porto Alegre.
Para todxs aqueles que estão brigando contra as tormentas da solidão e as intempéries da incerteza. Para todxs aqueles cuja vida foi/está sendo perturbada por essa onda repressiva e que não baixaram nem os braços, nem a cabeça. Para todxs aqueles que, fazem frente as dificuldades despertando-se cada manhã com a convicção de ter cruzado o ponto de não retorno. Nunca nos poderão parar!

O contexto político-econômico no Brasil e da América Latina está cada vez mais repressivo com os movimentos sociais. O clima político tem sabor um sabor amargo para todxs xs que se opõem, de maneira geral, aos avances do capitalismo devastador. Há uns dias, 12 famílias indígenas do sul do Brasil foram torturadas, atingidas por balas de borracha e balas de verdade pelo simples fato de reivindicar suas terras, que por certo, lhes foram prometidas há quase 30 anos*!

Também tem esse sabor para as grandes “minorias” dessa sociedade doente, que se vêm alvos de uma cada vez maior “limpeza social” em prol de grandes empreendimentos, frutos do “progresso” e do “desenvolvimento”. O governo mata “legalmente” mandando as forças armadas do exército “limpar” as favelas e o faz também organizando “feiras agrícolas” cujo dinheiro é investido na “segurança” dos fazendeiros podres e na matança dos índios e camponeses que se atrevem a retomar, com suas próprias mãos, suas terras invadidas.

Que não se enganem, terrorista é o Estado e violento o sistema que quer nos impor uma vida que nunca escolhemos. Os debates sobre a legitimidade da violência são um falso debate. Nunca estaremos do lado de quem gosta de viver como escravo…Os mesmos que celebram insurreições passadas, hoje condenam qualquer impulso de violência libertadora, isso, sob pretextos diversos como o fato de nos vivermos em uma “democracia”. Democracia, tecnocracia, Ditadura, todos os regimes político-econômicos merecem de ser atacados, nunca são e nunca poderão ser outra coisa que a expressão do poder coercitivo e da dominação de uns poucos sobre o resto.

A articulação entre poder centralizado e capitalismo é inerente a qualquer sociedade moderna globalizada e achar que se pode destruir o capitalismo sem, junto, destruir as estruturas do poder estatal é uma ilusão que nutrem alguns partidos de esquerda para seduzir almas revolucionárias e assim ganharem alguns votos a mais nas próximas eleições. Sejam de esquerda ou de direita quem governa, para eles, as vidas dos Guarani Kaiowá, sempre valerão menos que a os benefícios da exportação de toneladas de soja. Se, no governo “Dilma” a limpeza social, a lei antiterrorismo, a correria rumo a cada vez mais progresso e a perseguição política contra os anarquistas estavam à ordem do dia, hoje, militantes do PT e do MST e de   toda a esquerda “radical” partidária tornam-se também alvos de perseguição política.

Se ultimamente nos encontramos nas ruas para lutar, não esqueçamos porém das profundas diferenças ideológicas e políticas que nos separam. Mesmo se acreditamos que devemos repensar estratégias e tácticas de luta no contexto atual, é interessante que nos questionemos sobre o papel/lugar que jogamos no tabuleiro de xadrez da política regional, nacional (e internacional), isso, justamente para não acabar sendo um dos peões usados para ganhar a partida. A história tem muito a nos ensinar sobre isso…Mais que repostas, apontamos a provocações para refletir o panorama atual e imaginar estratégias e ações que sigam espalhando a guerra-social.

As ondas repressivas contra xs que lutam buscam amedrontar e paralisar qualquer tentativa de oposição ao sistema. É justamente o que não podemos deixar que aconteça. Buscaremos os jeitos para, de qualquer maneira, seguir lutando contra um sistema e um modo de vida que além de não nos satisfazer enquanto indivíduos, baseia seus valores na dominação e na exploração de uns poucos contra o resto. A opressão, a dominação e a exploração devem ser atacadas desde suas raízes e de forma radical. Não existem métodos prontos para isso, só se tem a combinação da memória histórica com a imaginação criativa para inventar, pensar, experimentar estratégias de luta em esse contexto cada vez mais adversos.

Que essa pequena mensagem, como uma chama de revolta, ilumine o coração dxs companheirxs perseguidxs….Força e solidariedade combativa com xs anarquistas perseguidxs pela Operação Erebo! Com, na memória insurreta, Guilherme Irish e Samuel Eggers presentes!

Viva a Anarquia
Viva a Insurreição!
t

Obs:
No dia 17 de fevereiro de 2018, 12 famílias Kaingang em Passo Fundo foram espancadas pelo BOE. Estavam ocupando uma aera do DNIT reivindicando a demarcação das suas terras.
Sobre esse tema ver o filme Martírio, ele traz informações interessantes sobre os vínculos entre seguranças privados nas fazenda, políticos e fazendeiros.

Berlim: Solidariedade com presxs anarquistas na Rússia – “Somos todxs terroristas”

A partir da rua Rigaer enviamos sinais de solidariedade e raiva a anarquistas presxs na Rússia, respondendo à chamada pelos Dias de Solidariedade Internacional com Prisioneirxs Políticxs Anarquistas na Federação Russa, feita a partir daquele território.

Nos últimos tempos soubemos das prisões de antifascistas e anarquistas na Rússia. Já antes, nos meses de Outubro e Novembro de 2017, na cidade de Penza, seis pessoas tinham sido presas e brutalmente torturadas pelo serviço secreto federal FSB. Já em 2018, em Janeiro, na cidade de São Petersburgo, seguiu-se uma segunda onda de prisões, primeiro com duas pessoas que foram sequestradas pelo  FSB num dia e a serem somente registadas oficialmente em prisão preventiva no dia seguinte. A ofensiva dos serviços secretos, liderada pelo regime de Putin, foi acompanhada por invasões policiais em casas particulares, em diferentes cidades do país. Para ter motivo para a repressão, o FSB engendrou a existência de um grupo terrorista anarquista, chamado “Net”- supostamente a planear uma série de ataques nas eleições presidenciais de Março de 2018 bem como na Copa do Mundo, em Junho / Julho de 2018 na Rússia, levando à insurreição armada – supostamente também a existir em diversas cidades da Rússia e Bielorrússia. Não há provas da existência real do grupo. As únicas evidências utilizadas são as declarações dxs presxs, que o FSB extorquiu dxs prisioneirxs usando tortura e sob ameaça de novos atos de tortura. Em Penza, o grupo foi forjado a partir das declarações da primeira pessoa detida.  A ligação entre xs “membros” do grupo está a ser “constituída” a partir dos jogos Airsoft jogadxs em conjunto. Com excepção da primeira pessoa, que foi libertada no começo do ano e posta em prisão domiciliária, todxs xs outrxs encontram-se ainda em prisão preventiva.

As experiências de intimidação e de violência física, a que xs prisioneirxs em prisão preventiva foram submetidxs, revelam a crueldade do aparelho estatal. Enquanto a democracia na Alemanha ainda está a tentar velar a brutalidade do poder estatal, as novidades da Rússia revelam que os cães de guarda do sistema – o miserável lixo do executivo – só são capazes de manter a autoridade através da ameaça e implementação da violência física.

A repressão pretende desencorajar-nos, derrotar os movimentos e estender-nos ao comprido individualmente ou até o sistema nos destruir. É tudo menos fácil não se sentir impotente, incapaz de se opor à sua massividade. Mas, se ouvimos as mensagens de raiva e de luta anarquista vindas exatamente desses lugares, as suas linhas e imagens encorajam-nos. Mostram-nos que em todos os lugares, onde haja um coração humano a bater ao ritmo da rebelião, momentos de resistência ocorrerão provavelmente. Não importando quão feroz a repressão possa ser, haverá sempre gente que não se renderá, que lutará pelas suas ideias. A ressonância da solidariedade é a nossa arma.

Dxs prisioneirxs do G20 em Hamburgo aos/às prisioneirxs em Penza ou de São Petersburgo até Berlim – quanto mais forte for a sua repressão, mais furiosa e apaixonada a nossa resistência.

Info sobre a situação atual: avtonom.org  e  abc-belarus

em inglês via Rigaer 94 l alemão

[Federação Russa] Solidariedade Internacional com anarquistas russxs reprimidxs (5-12 Fev)

Ações de solidariedade com xs anarquistas presxs e compas antifa na Rússia – frente à Embaixada Russa, em Praga, República Checa, e no Consulado de Gdansk, Polónia (08/02)

Chamada para uma campanha de solidariedade internacional com os anarquistas russos reprimidos

Em Outubro de 2017, em Penza, seis anarquistas e antifascistas foram presos por agentes do Serviço Federal de Segurança com a acusação de terem criado um grupo terrorista. Começou também, nessa altura, o período de assaltos policiais a casas de anarquistas e antifascistas, em toda a Rússia. Os objetos de atenção do Serviço de Segurança eram pessoas diferentes de cidades absolutamente diferentes. Por fim, uma nova onda de detenções foi lançada em Janeiro de 2018. Um antifascista, Victor Filinkov, foi sequestrado pelo Serviço de Segurança em São Petersburgo. Os oficiais do Serviço de Segurança Federal torturaram-no na floresta, fora da cidade. Disseram a Victor para admitir a sua participação no mítico grupo anarco-terrorista. Incapaz de suportar a tortura que lhe infligiam, Filinkov foi obrigado a incriminar-se e agora permanece em isolamento temporário. O advogado de Filinkov afirma que nunca tinha visto nenhum dano tão grave em vestígios de tortura durante a sua prática de luta contra as agressões policiais.

Há outro antifascista que reivindicou a sua tortura (São Petersburgo). Ilya Kapustin também foi ameaçado por oficiais do FSS, mas recusou-se a incriminar-se e depois disso foi libertado sob fiança. Não houve provas de que o grupo anarco-terrorista existisse na vida real, apenas as confissões obtidas sob ameaças e tortura.
No entanto, a polícia está a fazer tudo para forçar as pessoas a confirmar a existência de uma organização terrorista mítica chamada “Net”, surgida das informações falsas do FSS. Os oficiais afirmam que esta organização tem muitas células em cada cidade. Isso significa que a situação que ocorreu em São Petersburgo será observada noutras cidades russas muito em breve.

Obviamente, tudo o que está a acontecer agora é uma tentativa para varrer o movimento anarquista, antes das eleições para presidente, em 2018. Nos últimos anos, tem-se verificado um crescendo da atividade do movimento anarquista, após as repressões de 2012. Essas repressões só podem ser para intimidar pessoas e esmagar o movimento anarquista.

Neste caso é necessário mostrar~lhes que não temos medo e que não podemos ser destruídos pela sua força. Caso contrário as repressões serão usadas sempre que o movimento anarquista chamar a atenção do FSS. Devemos mostrar-lhes que quanto mais fortes forem as suas repressões mais furiosa será a nossa resistência. Agora, o importante é apoiar xs prisioneirxs, impedir a continuação da “caça às bruxas” e dar uma publicidade internacional a estes acontecimentos.

Os dias de 5 a 12 de Fevereiro são dias de solidariedade com xs anarquistas russxs reprimidos.

Torna-se necessário organizar diferentes ações de rua, noites de solidariedade, distribuir informações nos meios de comunicação e na Internet. Faça tudo o que possa pôr em ação e implementar. A única arma com que podemos combater a face do terror do estado é a unidade e a solidariedade entre nós. Sem essas duas coisas seremos esmagadxs por este monstro, um/a por um/a.

Estamos prontos para fornecer o espaço para a publicação de ações de solidariedade, basta enviá-las para media_ns@riseup.net .

O endereço para as suas cartas de solidariedade é:
VIKTOR SERGEEVICH FILINKOV,
UL. SHPALERNAYA, D. 25,
G. SANKT-PETERBURG,
191123, FEDERAÇÃO RUSSA
(Somente cartas em papel)

Captação de fundos: Paypal
abc-msk@riseup.net (Atenção! Enviar com a etiqueta “205”)

em inglês l alemão

Bélgica: Chamada Internacional por solidariedade contra a proibição de okupação

recebido a 08.02.18

Fim de semana de ação
23-24-25 de fevereiro contra a nova proibição de okupação na Bélgica!

No Verão de 2017 foi votada uma nova lei na Bélgica, tornando a okupação ilegal. No Outono a lei entrou em ação. Gostaríamos de fazer uma chamada para um fim de semana internacional, em solidariedade contra a nova lei.

Porque os espaços autónomos estão em perigo em todo o mundo, porque nunca pararemos de reivindicar os nossos espaços.

Fevereiro – dias 23 – 24- 25  2018
Cria alguns problemas e diverte-te
Okupantes da Bélgica

em inglês l alemão

Victória, Austrália: Solidariedade com xs companheirxs presxs da ocupação da floresta de Hambach

Solidariedade de chamada Victória, na Austrália, com xs companheirxs presxs da okupação da floresta de Hambach, na Alemanha. A 22 de Janeiro, a bófia assaltou três casas e estruturas de barricadas na floresta e meteu 9 pessoas sob custódia. Tirámos esta foto como uma pequena contribuição para o dia internacional de solidariedade com os Hambi 9, a 3 de Fevereiro.

LIBERDADE PARA XS HAMBI 9

A ocupação de anos é um local incrível e inspirador de resistência contra a expansão contínua da maior mina de carvão da Europa. Faz parte de uma luta global contra a destruição ecológica provocada pelo capitalismo.

Liberdade para xs eco-defensorxs da terra em toda a parte!

em inglês via Hambachforest

[Alemanha] Acerca da onda de repressão em conexão com a resistência contra a Cimeira do G20 em Hamburgo

Protestos espontâneos contra a repressão nas ruas de muitas cidades alemãs, após os assaltos policiais no princípio de Dezembro de 2017 ( em kiel, cerca de 70 pessoas participaram nos protestos)

G20-Repressão
Prisioneirxs * Condições na prisão * Julgamentos * Publicações de vídeos e fotos * Assaltos policiais a residências

A Cimeira do G20 e os dias eufóricos nas ruas do Schanzenviertel foram moldados pela enorme raiva e motivação para atacar, das quais não estávamos à espera desde Heiligendamm e Frankfurt.

A onda de repressão que se seguiu à Cimeira – na realidade já tinha começado antes com a implementação do novo §114ff e do policiamento preventivo – alcançou o seu clímax com a publicação de dezenas de fotos, pela comissão especial “Soko Schwarzer Block” em 18 de Dezembro de 2017.

Onda de repressão esta que permaneceu bastante despercebida de companheirxs noutros países, xs que lutaram connosco nas ruas e xs que euforicamente seguiram os tumultos nos media. Disseram-nos que não receberam nenhuma informação sobre xs prisioneirxs, xs condenadxs e sobre a mania de perseguição pelo Estado.

Parte I: Prisioneirxs

A situação em Dezembro de 2017
A bófia implementou um Soko (1) forte de 40 homens que pesquisaram na Internet fotos e vídeos a fim de criminalizar os ativistas. Cerca de 200 polícias estão atualmente sentados na frente dos seus computadores – com a assistência de softwares de detecção de rosto especiais – a fazer a maior parte do trabalho de investigação. Mesmo quando você se tenta lembrar não existe nada de que se esconder ou tem a certeza de que sempre se mudou num beco escuro: A solidariedade não se inicia apenas quando a repressão xs atinge a si e amigos.
O estado, incluindo os media, a bófia e cidadãos ativos, está claramente a tentar redefinir os tumultos. Conseguimos gerir e dominar o discurso destes dias durante a cimeira, mas devemos reconhecer isso perante frases brutais, denúncias e agitação pública, estando a ser cilindrados a uma posição de simplesmente reagir: Manifestações do dia X, comícios na prisão e algumas janelas quebradas aqui e ali.
Prisioneiros e julgamentos
Após os três dias de distúrbios em Hamburgo, 51 pessoas tinham sido levadas sob custódia. Em última análise, 28 permaneceram no JVA (prisões) de Billwerder, Hanhöfersand e Holstenglacis até aos julgamentos. Sendo principalmente não alemães, xs prisioneirxs vieram da Holanda, França, Suíça, Áustria, Espanha, Itália, Polónia, Hungria e Rússia. Além disso, várias centenas de pessoas tiveram que ficar na GeSa (custódia) por um curto período de tempo e tiveram que fornecer as  impressões digitais e fotografias.
Xs restantes prisioneirxs do G20 são acusadxs de vários crimes, o que em muitos casos não justificaria a custódia de longo prazo. As acusações vão de violar a lei de reunião em espaços públicos e violar a paz, a resistência e assalto contra graduados. A última situação pode, depois que as leis foram apertadas no ano passado, ser punida até três meses de prisão, em casos graves até seis meses.

Atualmente, inícios de Janeiro de 2018, 7 pessoas ainda estão presas em Hamburgo. Além disso, muitxs companheirxs estão a apelar das suas sentenças. Por exemplo, Peike, que foi condenado a 2 anos e 7 meses de prisão, no primeiro julgamento do G20.

As condições na „Gesa“ (prisão de curta duração / provisória) e „U-Haft“(detenção enquanto aguardam julgamento)
Mais de 100 advogados trabalharam em turnos de 24 horas na GeSa em Hamburgo – Harburgo. Foram atendidas 250 pessoas durante a cimeira. Várixs prisioneirxs disseram que lhes foram negadxs artigos básicos de higiene, mesmo que pedissem repetidamente. Num caso, o pedido de uma jovem mulher foi recebido com a declaração: “Os manifestantes não recebem períodos”. Noutro caso, uma jovem disse que precisava inserir um tampão na frente da bófia. Estava a arder nas celas, havia até oito prisioneirxs em cada cela, em vez de cinco, apesar de nem todas estarem ocupadas. Tiveram direito a duas fatias de pão em 24 horas, o acesso à  casa de banho foi muito restrito. Há alguns colchões, sem cobertores. Com chutos contra as portas das celas, xs prisioneirxs foram mantidxs acordadxs. Algumas celas tinham luz constante, enquanto outras não tinham nenhuma. Uma mulher ferida, levada para o GeSana sexta-feira (7 de Julho) com suspeita de fratura de nariz, não recebeu comida durante 15 horas. A sua lesão não foi sujeita a raios X. Só foi vista por um juiz 40 horas depois da prisão e que a libertou às 11 horas do mesmo dia. Aos/às prisioneirxs sob custódia só é permitido visitantes sob permissão do juiz. Estas visitas foram rigorosamente vigiadas (carta da mãe de Fabio a seu filho, a partir de 7 de Agosto de 2017). Além disso, era impossível enviar pacotes com roupa limpa aos/às prisioneirxs durante várias semanas. A continuação da custódia foi justificada com “defender a lei”.

Fugir ou ocultar provas, que geralmente é o motivo para a imposição da custódia, não desempenhou nenhum papel. Portanto, a própria custódia apresenta-se como medida preventiva. Um passaporte não-alemão, fortalece a acusação – de ser um inimigo potencial da sociedade – levando a uma custódia maior e frases mais duras. Além disso, muitxs prisioneirxs libertadxs receberam cartas, pedindo-lhes uma análise voluntária de DNA.

Parte II: Julgamentos e sentenças

Em geral, pode-se dizer que se tornou bastante óbvio através de todos os julgamentos que não importava qual pessoa estava na frente do juiz e não importava quais eram as acusações – cada um/a delxs foi consideradx culpadx pelos tumultos, especialmente aquelxs da sexta-feira à noite e finalmente condenado por elxs. Este tipo de participação em massa durante as lutas de rua e ataques contra a bófia deve ser prevenida no futuro. O medo dos defensores da fome de poder tornou-se claro nos argumentos politicamente motivados, nos quais tentaram pintar os ativistas como criminosxs isoladxs, sem qualquer identidade política. Uma técnica utilizada em todo o mundo. Para entender a indignação sobre as frases e suas justificativas, é importante explicar como a polícia alemã está regularmente a tentar obter frases com o uso de “Tatbeobachter” (Tabos), traduzido vagamente como testemunhas de crime, bem como cenas de vídeo isoladas. As detenções, especialmente durante as manifestações, são muitas vezes baseadas em alegadas observações de “Tabos”. No passado, as suas declarações geralmente não aguardavam o interrogatório no tribunal, de modo que poucas pessoas (excluindo especialmente xs ativistas curdxs), foram colocadas em liberdade condicional, mas raramente receberam tempo de prisão.

Outra questão pode ser colocada a partir da chamada esquerda alemã: Na década de 80, uma campanha desperta vinda da cena alemã da esquerda: “Anna e Arthur calam-se”. Uma campanha, baseada no direito de recusar quaisquer  declarações. De acordo com este direito, qualquer pessoa pres ou em julgamento pode recusar qualquer declaração em frente da políci ou do juiz, excepto para afirmar os detalhes no passaporte. Compreendendo este direito como uma arma – como forma de proteger estruturas ou outras pessoas – mas também como um ato de resistência – no sentido de retirar a si próprio a possibilidade de qualquer diálogo com o estado, triste isso não ser um dado adquirido nunca mais. Uma decisão de fazer uma afirmação em tribunal, ou não, é muitas vezes  individual ou posta na mesa como estratégia dos advogados.

As estratégias do advogado muitas vezes se concentraram em chegar a negociações, que podem ser descritas como um entendimento entre o juiz e procurador e o advogado da defesa – o que geralmente força a defesa a aceitar certos pontos trazidos pelo juiz em troca de uma sentença mais suave e confissões, o que sob certas circunstâncias pode ser justificado. Embora existissem negociações e confissões entre os prisioneiros, que poderiam ser justificadas dadas as circunstâncias como uma escolha válida, esta situação foi até prisioneirxs a pedir desculpas aos juízes e polícias, bem como ao banco HASPA e Budnikowsky (loja). Um exemplo: Um rapaz de Hamburgo de 28 anos leu a sua confissão em voz alta. Ele disse que não sabia o que o possuía naquela noite. Fora simplesmente a sua curiosidade o que o levou ao Schanze, depois de ver fotos dos tumultos na TV. À chegada, a multidão varreu-o ao comprido. “Se eu pudesse voltar no tempo simplesmente ficaria em casa naquela noite e assistia a tudo na TV.” disse na terça-feira. Estava realmente a caminho de Barmbeck naquela noite, onde ele conhece gente, quando aconteceu coincidir com os tumultos em Pferdemarkt, onde ele foi atacado com spray de pimenta, o que o deixou com raiva. Além disso, tomou cocaína naquela noite também. O veredicto: 3 anos de prisão.

Fabio trata-se de uma clara excepção – escreveu uma declaração política, que leu no tribunal. Isso não é apenas sinal de bravura e conhecimento político, também é um passo importante para todos lutarmos contra a repressão, não sermos torpes perante o perigo e lutarmos contra a criminalização das nossas lutas.

Existem vários exemplos de julgamentos do G20, no final do artigo. Até hoje, os julgamentos de Konstantin, Christian e Fabio ainda estão em andamento e as suas documentações podem ser encontrados na página “United we stand”. Alguns também estão em inglês. Manter as invasões e a publicação recente de fotos em mente, mais provas provavelmente estarão em breve a surgir.

Parte III: Primeiros assaltos antes da Cimeira

Durante a tarde de 1 de Julho, os apartamentos de dois camaradas foram procurados pela polícia. Até onde sabemos,  as incursões foram realizadas devido à “prevenção de perigo”. Durante as invasões, chaves USB, computadores, 3 telefones celulares privados e as roupas foram confiscadas. Uma das pessoas afetadas foi acusada de planear crimes no contexto da Cimeira do G20. Vigilâncias foram notaaos nos dias que antecederam os assaltos policiais. A segunda pessoa foi  libertada na mesma noite.

Invasões policiais do dia 8 de Julho
Após a Cimeira do G20 a polícia de Hamburgo invadiu o centro internacional B5 em St. Paul, às 10:45 da manhã – a polícia de choque invadiu o centro e atacou as pessoas que estavam presentes na altura. Sem esclarecer o motivo as pessoas foram algemadas e os quartos no centro além de dois apartamentos privados adjacentes foram pesquisados. Também a adega, o B-movie adjacente e a FoodCoop foram saqueados. Alegadamente, a polícia suspeitava da existência de cocktails Molotov no centro, uma completa difamação.

Incursões relativas à pilhagem
A polícia de Hamburgo invadiu 14 residências, logo após a Cimeira, em Hamburgo e Schleswig-Holstein. A razão alegada foi a pilhagem da Apple Store durante os tumultos da noite de sexta-feira. Vários telefones celulares foram localizados e os proprietários foram acusados de ocultação de bens roubados. Também foi pesquisada uma loja de telemóveis, onde alegadamente vários dos telefones celulares “possuídos ilegalmente” eram vendidos.
Linksunten.indymedia.org banido
No dia 25 de Agosto, Bundesinnenminister (Ministro do Interior) Thomas de Maiziere, proibiu a plataforma online “linksunten.indymedia.org” com base nas leis da sociedade. Para a esquerda alemã e a cena radical de esquerda, Linksunten foi a plataforma onde todas as chamadas para ação, notícias políticas diárias e   informações para ataques foram publicadas. Era tão importante para a extrema-esquerda como era aparentemente para as bófia, serviço de informações e media já que obviamente foi visto como uma fonte confiável e sistema de alerta precoce para distúrbios pendentes. A Linksunten, desde 2009 a funcionar – como rede aberta de media para ativistas de esquerda – foi declarada um crime por Maziere. Isso levou a várias incursões em Baden- Würtemberg, que felizmente não deixou ninguém preso. Atualmente, o BKA está à procura da localização dos servidores que estavam a ser usados pela plataforma. São esperados mais ataques. O tempo que vai demorar é pura especulação. É possível que o Ministério do Interior queira polir a sua imagem, depois dos comunicados de imprensa semanais sobre a violência policial maciça contra os manifestantes anti-Cimeira.

Parte IV: Invasões a nível nacional em 5 de Dezembro de 2017, investigação „Rondenbarg“

Ao início da manhã de 5 de Dezembro de 2017, mais de 600 polícias invadiram 23 casas particulares e 2 centros sociais na Renânia do Norte-Vestefália, na Baixa Saxónia, no Baden-Wurttemberg, em Hamburgo, em Berlim, no Hesse, na Saxónia – Anhalt e na Renânia-Pfalz. De acordo com as declarações policiais, principalmente laptops, telemóveis e USB (varas) mas também várias armas legais foram confirmados. Nenhum/a dxs ativistas afetadxs foi presx. Todos os assaltos policiais estavam relacionados com os eventos ocorridos no primeiro dia da Cimeira. Cerca de 200 companheirxs estavam a caminho do centro da cidade, no início do dia 7 de Julho, quando encontraram polícia de choque em Rondenbard, após o que a manifestação foi destruída, deixando muitxs feridxs. Várias dezenas de pessoas foram presas no local, os seus dados registados e Fabio tomou assento na prisão desde então. Quase todas as pessoas cujas residências foram invadidas estavam no grupo que foi preso a partir desse dia.

Estão a ser acusadxs de violações severas da ordem pública, tentativa de agressão física e resistência. Desde então, esse grupo particular de pessoas presas representava a maioria dxs presos em geral e a polícia não foi capaz de prender muitos militantes organizadxs pelo que com a ajuda dos meios de comunicação, tentaram pintar um quadro do “grupo Rondenbarg” como extremamente violento e provavelmente responsável por toda a destruição e ações diretas durante a Cimeira. Também os assaltos podem ser conetados com essa tentativa, o “sucesso” dessas invasões, foi apresentado pela polícia durante uma conferência de imprensa em 5 de Dezembro.

Vemos claramente os assaltos policiais como um espetáculo público bem como uma tentativa de descoberta das supostas estruturas organizacionais por trás das ações, em vez de reunir provas sobre alegados participantes individuais. Não confirmado pelos lados oficiais, mas publicado em vários comunicados de imprensa, a polícia estava principalmente à procura de evidências sobre estruturas que preparassem ações militantes e as tornassem possível em Hamburgo. Especialmente à volta da área de Elbchaussee, a polícia alegadamente descobriu recipientes com material de máscara, fogos de artifício e roupas que a polícia interpretou como evidência para a teoria de que os grupos locais organizaram a logística para a ação dessxs companheirxs internacionais. Embora a polícia suspeite principalmente dxs companheirxs internacionais para colocarem mais de 20 carros em chamas no Elbchaussee, durante 7 de Julho.

Parte V:  Os “cliques” da polícia de Hamburgo”

Durante a noite de 8 de Julho, a polícia de Hamburgo estabeleceu um portal on-line para dicas e pistas. Eles apelaram à multidão curiosa, para fazer upload de qualquer imagem ou material de vídeo dos próprios smartphones e câmaras. Apenas 12 horas depois, comemoravam o fato de já terem recebido mais de 1000 arquivos. Com este apelo à denúncia e traição, a polícia provocou um percurso on-line. O Soko “Black Block”, está a trabalhar em 12 terabytes de arquivos de imagem. No total, 163 polícias estão a trabalhar em 3340 casos. Na segunda-feira, 8 de Dezembro, a polícia de Hamburgo publicou 104 fotos de 104 supostos criminosxs e 5 vídeos sobre “Elbchaussee”, “Manif G20 Not Welcome” , “pilhagem”, “ataques com garrafas e pedras” e “Rondenbarg”(aqui  pode encontrar um link anónimo para as fotos ) . Além disso, várias imagens chegaram aos media da Alemanha. A polícia de Hamburgo anunciou: “Haverá mais cliques [fotos tiradas nas esquadras da polícia, após detenção], porque temos muitos materiais, que ainda não foram avaliados”.

Cinco Julgamentos do G20

O primeiro julgamento foi realizado contra Peike, da Holanda. Está a ser acusado de ter atirado duas garrafas à polícia de Berlim no Schanze, no dia 6 de Julho. As únicas duas testemunhas, polícias de Berlim, sofreram grandes perdas de memória e ambos descreveram uma pessoa que atirava garrafas, que não se parecia com o réu. O ministério público justificou a sua perseguição através tempo de prisão, atribuíndo a Peike a responsabilidade pela “guerra civil como circunstância” na noite de sexta-feira (onde Peike já estava sob custódia!). O juiz Johann Krieten, conotado com a linha dura da direita, proclamou no seu julgamento como se segue: “A polícia não é um jogo justo para a sociedade divertida, eles não são um jogo justo para criminosxs orientadxs para a ação”. Ele convocou os tumultos na noite de sexta-feira, o turismo de motim com o objetivo de caçar polícias e esmagar as janelas do banco HASPA. A severa punição era necessária, devido a razões de “prevenção da violência”. O porco proclamou a sentença de dois anos e sete meses. Peike está a apelar contra este julgamento.

No 2º julgamento: o réu foi detido e procurado no sábado, 8 de Julho, perto da estação de comboios de Dammtor. Ele insinuou estar no caminho para a manifestação  “G20 Not Welcome”. Na sua mochila, encontraram spray de pimenta, óculos de mergulho e pequenos bolas de ativação de fogo. Está a ser acusado de violar a “lei do ajuntamento social” e as leis contra o transporte de armas e explosivos. Mais uma vez, o julgamento terminou com um castigo severo  obsceno de 6 nos quais estão 2 são anos de liberdade condicional. O procurador Elsner aproveitou o momento para proclamar a sua propaganda pessoal: “Os ataques à policiais com garrafas e pedras aumentaram dramaticamente durante a manifestação. O réu deveria estar a escrever uma carta de agradecimento aos polícias que o prenderam, se ele tivesse atirado qualquer coisa durante a manifestação, iria para a cadeia por um longo tempo”.

3º exemplo. O ministério público acusou o réu, de 21 anos, de ter atirado seis garrafas na direção da polícia durante a manifestação no Fishmarket, além de resistir à sua detenção. Depois do juiz explicou o direito de recusar uma declaração, o advogado explicou extensivamente o argumento do arguido. Nos últimos dois meses, passados na cadeia, ele aprendeu muito sobre a solidão. Ele nunca quis pôr a si mesmo ou a sua família numa situação como esta. Estava agora ciente de sua estupidez. Os polícias também são humanos. O juiz condenou o réu a 1 ano e 5 meses em dois anos de liberdade condicional, bem como a uma multa de 500 euros, que deve ser doada para as viúvas e órfãos da polícia.

4º exemplo: As acusações: agressão criminal com uma arma perigosa (garrafa de vidro), bem como resistência contra a polícia. O arguido confessou as acusações e lamentou as suas ações. Concordou com uma amostragem de DNA, que ocorreu numa pausa durante a audiência. O TABO Hachmann supostamente seguiu o réu depois dele supostamente ter atirado a garrafa e viu-o, tirando a máscara num pequeno quiosque e a mudar as roupas na próxima esquina da rua. Veredito: 1 ano em 3 anos de liberdade condicional. O réu, questionou o monopólio do estado e não viu o humano em uniforme durante as suas ações. A polícia merecia respeito e honra pelo seu compromisso e não deveria ser alvo.

5º exemplo: Fabio foi libertado da prisão juvenil em troca de uma fiança de 10000 euros. O julgamento ainda está em andamento. As acusações: Violação grave da paz no caso de “Rondenbarg”. Segue-se um trecho da declaração de Fabio durante o julgamento: “Antes de mais quero dizer que as senhoras e senhores da política, inspectores da polícia e ministério público provavelmente acreditam que podem dificultar a dissidência nas ruas se prenderem e trancarem um grupo de jovens. Provavelmente acreditam que a prisão é suficiente para conter as vozes rebeldes que surgem em todos os lugares. Provavelmente acreditam que a repressão irá parar a nossa sede de liberdade. A nossa vontade de criar um mundo melhor. Eu tomei a minha decisão e não estou com medo se ela, injustamente, terá um preço que eu tenho que pagar. No entanto, há algo que quero dizer-vos, acreditem em mim ou não: Não gosto de violência. Mas tenho ideais e decidi lutar por eles.

Esclarecimentos

“Tatbeobachter * innen / TABOS” (Observador/a do crime)

Os TABOS estão vestidos de manifestantes, às vezes ficariam vestidos, às vezes com um copo de cerveja na mão, às vezes ficariam mascarados. Correm lado a lado connosco nas manifestações e podem ser difíceis de detectar. Assinalam crimes alegados, sem intervir. Mais tarde são chamados como testemunha perante o tribunal. TABOS são polícias de uma determinada unidade. Pelo contrário, há polícias vestidos de civis, os chamados PMS. Esses polícias civis costumam mover-se em grupos maiores, obviamente, ao lado das fileiras de polícia, transportam fones de ouvido e armas e transmitem informações sobre ativistas bem conhecidos ao BFE (unidade, responsável por prisões e evidências.

Aperto das leis:
Desde 30 de Maio de 2017, o parágrafo 113 está agora dividido em §113, que inclui atos de resistência e §114, que escalam assalto. O recém-estruturado §114 inclui o assalto contra oficiais (policiais, paramédicos) como elemento próprio de um crime. Um assalto pode ser qualquer tipo de ato contra o corpo de um oficial, por exemplo, quando você tenta se libertar do controle de um policial durante uma prisão. A sentença mínima aqui seria uma pena de prisão de três meses. Além disso, simplesmente carregar uma arma ou uma ferramenta perigosa, pode ser definido como um ato severo de resistência ou agressão, independente de suas intenções com essa ferramenta. Também pode ser condenado se xs companheirxs transportarem tal ferramenta (como uma garrafa de vidro ou outro instrumento afiado).

(1) SOKO é uma abreviatura do termo “Sonderkommission” (Comissão Especial de Polícia – que significa equipa de investigação especial) em alemão.

A sociedade falhou, quando aprisiona aqueles que a questionam!

Fogo e chamas para a repressão!

Com este slogan, a campanha: “United we stand” deu o mote para os dias de ação – de 28.1. até 4.2.2018.

em alemão l inglês

[Brasil] Mês de ofensiva anárquica contra a Operação Erebo

AGITAÇÃO ANTI AUTORITÁRIA PELA OFENSIVA ANÁRQUICA CONTRA A OPERAÇÃO EREBO

Solidariedade insubmissa a todxs xs anarquistas perseguidxs na região sul do território dominado pelo estado brasileiro.

Fazemos um chamado para ação extensiva aos meses de fevereiro e março em resposta à “operação erebo”.

No ano de 2017, a polícia civil de Porto Alegre iniciou a chamada “operação erebo” para perseguir anarquistas e espaços libertários. Está claro que o estado quer derrubar cada um que faça das suas ideias uma autêntica ameaça.

Nenhuma agressão ficará sem resposta. Perante isso, apelamos para respostas imediatas que venham de todos os cantos visando o inimigo. Não ficaremos na defensiva covarde, aguardando o próximo movimento jurídico policial nos atingir.

Que a ideia se difunda e se espalhe como o fogo da revolta incontida por todos os territórios dominados. Que as palavras de rebelião soprem junto ao vento pelo mundo.

Sejamos criativxs.

COMUNICAÇÃO É ARMA!
PELA SOLIDARIEDADE APÁTRIDA!
PREVALECERÁ A LIBERDADE !

Somos o que somos e nisso não vamos retroceder: somos anarquistas, amamos a liberdade e sim, desprezamos a todos os valores e instituições que compõem essa máquina de guerra chamada capitalismo, civilização”.

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