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Itália: Billy, Costa e Sílvia enviadxs de novo a julgamento

watmelA 17 de Julho de 2015, desenrolou-se em Turim, Itália, a audiência prévia contra Silvia Guerini, Costantino ‘Costa’ Ragusa e Luca ‘Billy’ Bernasconi. Xs três compas foram detidxs pela polícia suíça a 15 de Abril de 2010 que ao revistar a sua viatura, encontrou materiais explosivos e panfletos que reivindicavam uma iminente sabotagem assinada por “Frente de Libertação da Terra” (Frente de Libertação Animal da Suíça) contra um centro de investigação sobre nanotecnologias, em fase de construção, da IBM. em Ruschlikon (cantão de Zurique). Na altura, foram processadxs por atos preparativos de incêndio, transporte ilegal e ocultação de material explosivo, sendo condenadxs a 22 de Julho de 2011 – Costa a 3 anos e 8 meses, Billy a 3 anos e 6 meses e Sílvia a 3 anos e 4 meses.

Agora, voltaram a enviá-los a julgamento – nos termos do artigo 110 do código penal italiano – com as seguintes acusações:

art.110, 280 c.p. … porque em nome do ELF – Earth Liberation Front, movimento inspirado no ecologismo radical, com a finalidade de terrorismo, realizavam atos dirigidos a  danificar bens móveis ou imóveis – em concorrência  entre eles – mediante o uso de dispositivos explosivos ou, em qualquer dos casos, letais.

art.110, 81, 61 c.p. … porque em concorrência entre eles, através de mais ações executivas de uma mesma planificação criminal… ilegalmente tinham e levavam num lugar público, transfirindo desde Valchiusella a Bergamo e daí à Suíça o seguinte material explosivo, preparado para seu uso…

art.110, 648 c.p. … porque em concorrência entre eles… conhecendo a procedência criminosa, recebiam de sujeitos ainda desconhecidos o material para os dispositivos explosivos… provento com origem no prejuízo de uma empresa, ainda não identificada, autorizada a uso de explosivos.”

Todas as acusações contêm a agravante da finalidade de terrorismo – utilizada historicamente em julgamentos políticos em Itália para imposição de longas prisões preventivas, além de penas de ainda maior duração para xs condenadxs.

Durante a audiência preliminar de 17/7/2015, a juíza Silvia Graziella Carosio aceitou as teses defendidas pelo procurador substituto Enrico Arnaldi di Balme, considerando irrelevante o facto de Billy, Costa e Silvia terem já sido processadxs e condenadxs na Confederação Helvética.

O processo terá início a 13 de Janeiro de 2016, em Turim. Façamos desta ocasião uma forma de relançar a luta contra as nocividades e a destruição ambiental.

Dada a proximidade do processo, xs três compas confrontam-se com grandes gastos legais no processo, pedindo a todxs apoio, tanto com iniciativas solidárias como com doações à conta: conto corrente postale intestato a Marta Cattaneo, IBAN: IT11A0760111100001022596116, BIC: BPPIITRRXXX. Por favor especificar a causa: solidarietà a Silvia Billy Costa.

Para contatar: info[arroba]resistenzealnanomondo.org

Mais informação e atualizações (em italiano):
resistenzealnanomondo  silviabillycostaliberi.noblogs.org

em italiano  inglês  espanhol

Suíça/Itália: Actualização sobre o processo contra Costa, Silvia e Billy

Solidariedade com Sílvia, Costa e Billy. Por cada animal enjaulado, por cada rio seco, por cada bosque desmatado…em solidariedade com xs nossxs companheirxs, vingança!

Olá a todxs:

Em Dezembro de 2013 saíram algumas “novidades” sobre o nosso caso e de forma resumida vamos actualizá-las.

Tínhamos feito um recurso, através dos nossos advogados, à sentença emitida no processo de Bellizona (Suiça).

O recurso foi aceite pelo Tribunal Federal de Lausana que ordenou a reformulação da sentença, dando possibilidade às partes envolvidas de argumentar novamente as suas posições, à luz de alguns documentos que, num primeiro momento, o ministério público federal tinha deixado fora das acusações depositadas e que, mais tarde, sempre por ordem do Tribunal Federal de Lausana, se viram obrigados a admitir nas actas. Estes documentos eram basicamente uma troca de informações entre o ministério público federal, a Ucidigos (departamento antiterrorista italiano) e o sistema informativo da Europol SIENA (“Aplicação de Intercâmbio Seguro de Informações“) sobre nós e alguns dos ex-companheiros de habitação, que continham informações de diverso tipo mas não secretas, como sítios de residência, participação em colectivos de redacção, antecedentes, tendências políticas atribuídas e inclusivamente…ex-namoradxs. Apesar de tudo isto, estes documentos estavam marcados com o código “H” e a própria web da Europol informa-nos que é o código usado para as informações “confidenciais”. Informações por outro lado muito imprecisas, senão erradas.

De qualquer forma, mais uma vez, fica claro a lacuna de registos, visto que no meio das informações havia referências a outras páginas que o ministério público federal não introduziu nas actas. Apesar disto trata-se, basicamente, de uma carta posterior que não muda nada o conjunto das coisas e, somada à decisão de encarregar a reformulação da sentença aos mesmos juízes, o resultado é uma fotocópia, ponto por ponto, da sentença anterior – não incluíndo os argumentos lidos pelos nossos advogados no recurso, onde se questionava a legalidade do processo, defendendo que era um trabalho coordenado entre as inteligências italiana e suíça o que fez com que se desse a nossa prisão, ou seja, ilegais pelas suas próprias leis. Na realidade, da parte italiana esta colaboração entre serviços foi confirmada, enquanto que, obviamente, a parte suíça continua a negar, argumentando a casualidade do controlo rodoviário em que caímos.

Sabendo isto sem grande surpresa, e como da nossa parte não há interesse em realizar outro recurso, por isso o mais provável é que a sentença emitida no dia do processo no Tribunal Federal de Bellinzona seja a definitiva, ou seja, as penas de prisão entre 3 anos e 3 anos e 8 meses (já cumpridas com a redução de 2/3), multas e custos das investigações que, somados, superam os 70 mil francos suíços (mais de 57 mil euros), e que supomos que fiquem pendentes por muito tempo.

Ainda assim, ficam por cobrir uma série de gastos e custos pendentes, para levar adiante o recurso. Agradecem-se as transferências solidárias para a conta da Caixa de Solidariedade contra a Repressão Aracnide, número de conta: 4023 6006 3446 0960 do titular Giuseppe Caprioli e com o assunto costabillysilvialiberi.

Da nossa parte não há muitas novidades, do outro lado da história ou a contra-parte “ausente-presente” a IBM e o Instituto Politécnico de Zurique, depois de ter sido inaugurado em 2011 o novo centro super-tecnológico “Binning and Rohrer Nanotechnology Center” com um grande dispositivo de segurança anti-“eco-terrorista”, que já trabalha em pleno rendimento dentro de uns dos únicos laboratórios “sem ruído” do mundo, onde em ambientes protegidos da mínima influência do ambiente (como vibrações ou campos electromagnéticos) e “ultra-silenciosos”, agora podem fabricar com precisão à escala de um nanómetro.

No super centro, o trabalho prossegue em todos os âmbitos das necrotecnologias: investigação de base, tecnologias informáticas, manipulação atómica, nano-magnetismo, micro e nano fabrico, engenharia da vida, inteligência artificial… e naturalmente, a “Tecnologia Verde”. E na rotina quotidiana de gente de bem que faz um trabalho de bem, na indiferença de uma sociedade “pacificada”, continuam a investigar sobre a lenta e progressiva aniquilação do ser vivo.

Contra as nocividades e o tecno-científico existente.

Silvia Costa e Billy 

Janeiro de 2014

Actualização: as últimas informações indicam que a promotoria de Turim está a fechar as investigações para começar um julgamento contra Billy, Costa e Sílvia em Itália com as mesmas acusações pelas quais cumpriram a condenação na Suíça; no entanto ainda não se sabe nada preciso, mas pelo que parece o processo será levado a cabo.

Mais informação sobre o caso: Contradiccíon