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[Indonésia] Julgamento dos prisioneiros anarquistas em Yogyakarta (atualização)

Informações recebidas a 9/11/2018, acerca dos prisioneiros anarquistas em Yogyakarta dizem-nos que se encontram bem, na medida do possível – o companheiro BV tem sentido falta de ar, começa agora a melhorar.

O processo dp julgamento vai ser muito longo, especialmente para o companheiro BV, AM e W.
Em relação aqueles cujas audiências foram realizadas a 8.11.2018, procedeu-se já à apresentação da sua defesa, tendo recebido antes as demandas do Ministério Público – uma pena no máximo de 10 meses – na audiência de 1.11.2018 no Tribunal Distrital de Sleman.

Atualmente encontram-se confinados na Prisão Cebongan em Sleman, aguardando a seguinte sessão de julgamento, com o veredicto marcado para 22.11.18.

Continuaremos a atualizar a informação assim que surjam novos desenvolvimentos.

ATÉ QUE TODOS SE ENCONTREM EM LIBERDADE!

Mais informação em Palanghitam.noblogs.org

Email: civilrebellion@riseup.net

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[Itália] Furor Manet

FUROR MANET
Setembro 2016, a Operação Scripta Manent, dirigida pelo procurador do Ministério Público de Turin Sparagna, leva à detenção de 8, entre companheiros e companheiras.

A principal acusação é a constituição de uma associação subversiva com fins terroristas. Junto com isso, a imputação inclui vários outros ataques, todos assinados pela FAI (Federação Anarquista Informal) e FAI / FRI (Federação Anarquista Informal / Frente Revolucionária Internacional). Até hoje, cinco companheiros e uma companheira permanecem na prisão, outra em prisão domiciliária, enquanto no bunker de Turim o julgamento segue a bom ritmo. Dezenas de polícias de múltiplas cidades vão alternando no cenário do tribunal, na presunção de reconstruir a história do movimento anarquista contemporâneo. O começo está sinalizado, como já vimos inúmeras vezes, na época do julgamento de Marini, durante os anos 90. Desde então, o aprofundamento obsessivo e incessante das nossas vidas leva os espiões profissionais a enumerar e distorcer até os detalhes mais ínfimos, até os mais insignificantes ou íntimos do dia a dia, das nossas vidas e relacionamentos. Uma representação patética, mecânica e determinista que nos deixa indiferentes.

É nas diferenças individuais e nos confrontos ásperos e por vezes carregados de tensões contrastantes que reside a história do movimento anarquista – a história de cada um ou uma de nós, com limites e contradições. A esta história pertencem as práticas revolucionárias, algumas das quais estão no banco dos réus em Turim.

Em tempos como este, mais do que nunca, apoiar métodos revolucionários significa lutar contra a repressão do Estado, cujo objetivo é sepultar os/as nossos/as companheiros/as debaixo de anos de prisão e aniquilar a história do movimento anarquista.

Nem um passo atrás, pela Anarquia.
Cassa antirep. Alpi Occidentali

Indonésia: Atualização solidária em relação ao julgamento de 4 prisioneiros anarquistas em Yogyakarta

Inicia-se o julgamento de 4 companheiros anarquistas em Yogyakarta, relativo ao caso do 1º de Maio

26.07.18: O julgamento começou para os 4 prisioneiros de guerra anarquistas que foram transferidos para a Prisão Cebongan pelo caso Yogyakarta M1 (1º de Maio).

Os quatro companheiros presos são:

– Azhar M. Hasan (Azhar)
– Zikra Wahyudi (Zikra)
– Muhammad Ibrahim (Boim)
– Muhammad Edo Asrianur (Edo)

A repressão do estado contra as ações anarquistas (no 1º de Maio) está a entrar numa nova fase – tal como o julgamento preliminar a audição começa. Os 4 presos de guerra anarquistas que participaram nas manifestações junto à Uin Yogyakarta (Universidade Islâmica do Estado de Sunan Kalijaga), enfrentam uma audiência preliminar de julgamento no Tribunal Distrital de Sleman a 26 de Julho.

A primeira audiência preliminar de julgamento consistiu na leitura da acusação contra os companheiros. O acusador declarou que este julgamento deve ocorrer separadamente do caso criminal e pediu uma divisão na audição.

O julgamento está a ocorrer por ordem sequencial. Azhar e Zikra têm o número de processo 306 / Pd.B / 2018 / PNSmn, enquanto o de Edo e Boim são o número de processo 305 / Pid.B / 2018 / PNSmn. Portanto, é um arquivo de caso dividido, no entanto, o julgamento ainda terá lugar na mesma sala do tribunal.

Foi convocada uma audiência dividida já que os acusados estão a enfrentar acusações diferentes de julgamentos em andamento.

Na acusação que foi lida há evidências apresentadas que são relativas à violência e destruição contra instalações públicas. Isso está de acordo com as evidências já reunidas pela polícia e pela acusação do Ministério Público.

Com base nas acusações criminais, os 4 prisioneiros de guerra anarquistas estão a ser ameaçados com o Artigo 170, parágrafo 1, que prevê pena máxima de 5 anos de prisão, ou com o artigo 406 do Código Penal, que prevê pena máxima de 2 anos de prisão. Também houve evidências anexas que alegam que os 4 companheiros cometeram ações criminosas durante  o 1º de Maio.  Os quatro prisioneiros de guerra não constituem excepção.

Mais Informações:

Website: palanghitam.noblogs.org
Email: civilrebellion@riseup.net

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Hamburgo, Alemanha: Peike em liberdade já!

Sessão de apelação 8

Terça-feira, 3 de Abril de 2018 9:00-17:00 (café às 8:00)

Amtsgericht Mitte (Sievekingplatz 3, Hamburgo)

Oitavo dia de julgamento de recurso – Peike gostaria que tantos companheiros quanto possível estivessem presentes no tribunal para o apoiar.

Próximas:

Sessão 9: quinta-feira, 5 de Abril de 2018 9:00-17:00

Sessão 10: quinta-feira, 19 de Abril de 2018 9:00-12:00

Sessão 11: quarta-feira, 25 de Abril, a partir das 6h00

Sessão 12: quinta-feira 26 de Abril, 9:00-16:00

Lute contra o estado policial alemão!

Mais informações em: freepeike.noblogs.org/

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Itália: Atualização sobre a situação dxs compas presxs na operação “Scripta Manent” (meados de Março)

Todxs xs companheirxs acusadxs que podem assistir às audiências expressaram o desejo de ter uma possível presença solidária no tribunal.
Marco assistiu a algumas das últimas audiências, mas ainda não sabe se assistirá às próximas, já que ultimamente tem assistido sózinho.
Anna obteve a permissão para assistir às audiências 7ª e 8ª, portanto, SOLICITAMOS  PRESENÇA SOLIDÁRIA NO TRIBUNAL para lhes darem um sinal de proximidade e apoio.

Tanto quanto sabemos, Danilo, Alfredo e Anna recebem e-mails regularmente. Eles encontram-se bem e com grande espírito. Valentina está em prisão domiciliária, com todas as restrições, pode ver apenas alguns parentes.

O companheiro Marco Bisesti disse-nos que estará presente em todas as audiências do julgamento.

As audiências são levadas a cabo da seguinte maneira:

MARÇO: dias 1-7-8-15-22-28
ABRIL: dias 12-18-19
MAIO: dias 2-3-9-10-17-23-24-30-31
JUNHO: dias 6-7-14-15-20-21
JULHO: dias 4-5-11-12-18-19-25-26

Em breve estará disponível a direção do correio electrónico – para solicitar informação adicional sobre o caso.

fonte publicacion refractario

Balanço da repressão contra anarquistas na Rússia – 2017 e primeiros meses de 2018

A Cruz Negra Anarquista de Moscovo publicou um balanço da repressão contra anarquistas – exercida pelo estado russo durante 2017 e inícios de 2018. Nesse período, as autoridades continuaram a incriminar e a perseguir companheirxs na Federação Russa. Xs anarquistas são também alvo de repressão nas prisões. Segue-se um extracto da recentemente publicada lista da repressão na Rússia.

S. Petersburgo e Penza

Em Outubro de 2017, os Serviços Especiais Russos (FSB) fabricaram um caso criminal, de larga escala, contra anarquistas e antifascistas – os quais a FSB declara serem membxos de uma organização terrorista com o nome The Network. As autoridades russas alegam que xs acusadxs planearam e prepararam actos terroristas a conduzir durante as próximas eleições
presidenciais em Março de 2018 e durante a Taça do Mundo que terá lugar no Verão do mesmo ano.

Em Penza, Yegor Zorin, Ilya Shakursky, Vasily Kuksov, Dmitry Pchelintsev, Arman Sagynbaev e Andrei Chernov foram detidos. Em S.Petersburgo, a polícia prendeu Victor Filinkov e IgorShishkin. Ilya Kapustin é neste momento testemunha. As famílias dos detidos relatam que
estes foram torturados para deles obterem confissões. Todos os detidos neste caso estão numa situação difícil, sob a ameaça de repetição de tortura, e têm grande necessidade do teu apoio e da tua solidariedade.

Podes fazer um donativo para apoiar os custos legais aqui. Os detidos ficarão também felizes por receberem cartas de apoio. Aqui estão os seus endereços:

S. Petersburgo:
191123, St. Petersburg, Shpalernaya St., 25 PKU SIZO-3 of the Federal
Penitentiary Service of Russia
Shishkin Igor Dmitrievich
Filinkov Victor Sergeevich

Penza:
PKU SIZO-1, st. Karakozova, 30, Penza, Penza region, Russia, 440039
Shakursky Ilya Alexandrovich
Pchelintsev Dmitry Dmitrievich
Chernov Andrey Sergeevich
Sagynbaev Arman Dauletovich

Moscovo
Dois activistxs, Elena Gorban e Alexei Kobaidze, são acusadxs de dano criminal da sede do Partido Russia Unida de Putin. Elxs foram acusadxs, no fim de Janeiro de 2018, depois de activistas desconhecidxs terem partido a janela de uma das filiais do Partido Russia Unida em Moscovo e de terem ateado um fogo em protesto contra a próximas eleições presidenciais.

“Não importa quem seja presidente, a sua política é sempre a opressão e a exploração das pessoas simples que trabalham. Nós, enquanto anarquistas, oferecemos auto-governo e democracia directa em troca de presidentes e outras instituições estatais. Junta-te à nossa luta!” – – disseram as pessoas responsáveis pela acção na sua declaração.
A polícia invadiu os apartamentos em que Gorban e Kobaidze viviam, a 13 de Fevereiro. Depois dos interrogatórios, xs activistas foram libertadxs sob fiança, e estão agora fugitivxs.

Chelyabinsk: caso criminal por faixa anti- FSB
Em Chelyabinsk, cinco activists foram detidxs a 19 de Fevereiro de 2018 depois de uma acção perto da filial local do FSB. Pessoas desconhecidas penduraram uma faixa com a inscrição “FSB – o maior terrorista” e atiraram uma bomba de fumo por cima da cerca das instalações do FSB. A acção foi realizada em apoio dxs anarquistas presxs em Penza.

Activistas, que preferem que os seus nomes não sejam publicados, relatam que os agentes do FSB xs torturaram com uma arma de choques eléctricos, exigindo que admitissem que tinham pendurado a faixa. Elxs foram entretanto libertadxs sob fiança, mas na condição de não saírem do país nem mudarem de residência. Podes ajudá-lxs com os custos legais transferindo dinheiro para a conta da Cruz Negra Anarquista.

Crimeia:

Yevgeny Karakashev preso por “justificar o terrorismo”. Em Fevereiro de 2018, o FSB da Crimeia prendeu o anarquista Yevgeny Karakashev. Acusado de “incitamento ao ódio” e “justificação de
terrorismo” ou, por outras palavras, por postar um vídeo na página do meio de comunicação social Russo VKontakte. Karakashev está actualmente detido.
Eugene é activista há já algum tempo. Antes da sua detenção, participou num piquete perto do edifíco do FSB em Simferopol, na Crimeia, e em Novembro de 2016, acompanhado por pessoas
com afinidades políticas, planeou um piquete “contra a arbitrariedade da polícia na Crimeia” junto ao edifício do Ministério do Interior. Este piquete foi banido pelas autoridades locais.

Perseguição Administrativa de Anarquistas

Em Janeiro de 2017, no aniversário do assassinato político do advogado Stanislav Markelov e da jornalista Anastasia Baburova, organizaram-se eventos em memória delxs por todo o país e que a polícia tentou interromper. Anarquistas foram detidxs em Moscovo, S. Petersburgo, Murmansk e Sevastopol. A polícia realizou outras detenções este ano, durante as acções em homenagem de Markelov e Baburova.

A 23 de Fevereiro de 2017, dúzias de pessoas foram detidas no festival antimilitarismo esquerdista “Desertir Fest”, no sudoeste de Moscovo. O festival foi organizado em protesto contra o recrutamento militar. A polícia considerou esta causa radical e portanto indevida. Em 2018 o festival não aconteceu porque a polícia o impediu antecipadamente.

Em Irkutsk, em Abril de 2017, foram realizadas buscas com a participação de uma unidade do SOBR (Forças Especiais Russas) e do Centro de Combate Contra o Extremismo. Nove pessoas foram detidas. Foi aberto um caso criminal sob o Artigo 148 do Código Criminal (insulto à religião) contra um dos activistas – Dmitry Litvin –. Xs restantes foram interrogadxs como testemunhas neste caso – xs próprixs detidxs estavam certxs de que a principal razão é outra: xs anarquistas locais são xs mais activos participantes da vida política da cidade e intensificaram os protestos repetidamente.

Em Novembro de 2017, quando xs antifascistas russos tradicionalmente homenageiam Timur Kacharava, um músico e antifascista assassinado por neo-nazis, a polícia interrompeu as homenagens. Como resultado, uma pessoa foi presa.

Perseguição de activistas russxs no estrangeiro

Em Abril de 2017, o anarquista Alexei Polykhovich foi deportado da Bielorússia, após 12 dias de prisão por participar numa manifestação em Minsk, onde as pessoas protestaram contra novos impostos. Durante o Verão, na cidade bielorussa de Baranovichi, a polícia de intervenção interrompeu uma palestra de Alexei Sutugi. O tema da palestra era a resistência às autoridades a partir da prisão. Quase todxs xs presentes foram detidxs até à noite. A 12 de Outubro, um tribunal local decretou que os materiais confiscados na palestra eram extremistas.

Em Outubro de 2017, na cidade bielorussa de Grodno, a polícia de intervenção interrompeu uma palestra do filósofo Pyotr Ryabov. Pyotr Ryabov é um simpatizante da causa anarquista e professor de filosofia na Universidade de Pedagogia do Estado de Moscovo. É especialista na história do pensamento anarquista. Depois de uma palestra intitulada “Movimentos Informais na Bielorússia 1991-2010”, em Baranovichi, Ryabov foi sentenciado a 6 dias de prisão por “disseminação de materiais extremistas”.
Depois disso, o Departamento de Cidadania e Migração local decidiu deportar Ryabov e decidiu impedi-lo de entrar no país durante 10 anos.
Em Moscovo, organizaram-se uma série de piquetes contra a prisão de Pyotr Ryabov, em frente da embaixada da Bielorússia.
“O estado sobrestimou a minha contribuição para a propaganda revolucionária: muitas das minhas palestras geraram menos revolta do que a sua proibição. Creio que o problema é o termo «anarquismo». As autoridades lembram-se do facto dos anarquistas terem sido condenados pelo incêndio da embaixada russa em 2010, e do facto dos anarquistas, em muitos casos, organizarem protestos massivos contra a lei do parasitismo”, disse Ryabov numa entrevista depois da sua libertação.

Em 2017, anarquistas da Bielorússia foram a mais activa força de protesto contra o imposto do parasitismo que as autoridades bielorussas queriam introduzir para os desempregados.

Notícias das prisões

O anarquista da Crimeia Alexander Kolchenko celebrou o seu 28º aniversário na prisão onde está ainda detido – apesar da recente troca de prisioneiros entre a Ucrânia e a Rússia. No seu aniversário, anarquistas da Ucrânia, da República Checa e da Polónia organizaram acções de solidariedade em aeroportos.
Kolchenko foi sentenciado a 10 anos de prisão pelo caso dos chamados “terroristas da Crimeia” – participou em acções contra a entrada das tropas russas na península, em particular no incêndio da filial local do partido Rússia Unida e do gabinete da comunidade nacionalista Russa da Crimeia. Em Novembro, foi-lhe diagnosticado um “defice de peso”. Ao mesmo tempo, o FSIN negou-lhe a oportunidade de estudar in absentia numa universidade ucraniana.

Podes escrever uma carta a Alexander Kolchenko para o seguinte endereço:
456612, Chelyabinsk Region, Kopeysk, ul. Kemerovskaya, 20, IK-6,
detachment 4, Kolchenko Alexander Aleksandrovich.

Na Mondovia, o anarquista Ilya Romanov continua a cumprir a sua pena por terrorismo: uma condenação que lhe coube depois de se ter ferido com fogos de artifício em Outubro de 2013. Devido ao acidente, Romanov perdeu uma mão mas, ainda assim, foi condenado por terrorismo e sentenciado a 10 anos de prisão.

Em Abril, o ECHR considerou uma das queixas de Romanov e atribuíu-lhe uma compensação de 3,400 Euros pela detenção irracionalmente longa durante a investigação. Apesar disso, não é claro como Ilya Romanov poderá receber este dinheiro – todas as suas contas estão bloqueadas
pelo estado. Os familiares de Romanov, que tentaram transferir o dinheiro para Ilya através dos correios, foram detidos pela polícia. Em Maio, Romanov foi posto em isolamento durante quarto meses, e em Julho foi aberto um novo caso de terrorismo contra ele.

Ilya Romanov está detido em IK-22 Mordovia, no seguinte endereço:
431130, Mordovia, Zubovo-Poliansky district, st. Potma, n. Lepley.
Escreve-lhe uma carta, ele irá apreciá-la.

Finalmente livre
Em Maio de 2017, o anarquista Alexei Sutuga foi libertado da prisão. Em Setembro de 2014, Sutuga, conhecido pela alcunha Sócrates, foi condenado a três anos e um mês de prisão depois de alegadamente ter tomado parte numa rixa de café. O antifascista não admitiu culpa: ele afirma que tentou interromper a luta mas não agrediu ninguém. As vítimas neste caso eram neo-nazis russos.

Em Outubro de 2017, o antifascista de Tomsk, Yegor Alekseev, desapareceu antes de ser sentenciado por “apelos públicos a actividade extremista”, ou por ter postado um vídeo do YouTube no seu perfil de uma rede social.
Neste momento está seguro numa localização desconhecida. De acordo com Yegor, ele está decidido a esconder-se do sistema judicial russo, temendo ser condenado a prisão.

No início de Novembro de 2017, o historiador anarquista Dmitry Buchenkov evadiu-se da prisão domiciliária e está neste momento num país europeu incógnito. A sua fuga foi possível porque não tinha pulseira electrónica devido a escassez de recursos. De acordo com os investigadores, a 6 de Maio de 2012 Buchenkov terá alegadamente atacado um polícia. Ele foi acusado apesar de as provas claramente indicarem que no dia do alegado ataque ele não estava sequer presente: encontrava-se de visita à sua família, noutra cidade. Uma queixa sobre a sua prisão e perseguição politicamente motivada foi dirigida ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Esta lista foi preparada pelo coletivo da Cruz Negra Anarquista de Moscovo. Não é uma lista completa das perseguições a anarquistas pelo estado russo – a pedido de alguns/mas companheirxs, esta lista não menciona todas as desventuras dxs anarquistas da pós-União Soviética. Se quiseres ajudar, podes encontrar informação sobre como transferir dinheiro para as necessidades da Cruz Negra Anarquista Russa nesta página.

Fonte: avtonom.org/en/news

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[França] A propósito do 2º processo do caso “Máquina de expulsar”


[7 companheirxs de afinidade começarão a ser julgadxs a 31 de Janeiro, no Tribunal Distrital de Paris, na 16ª câmara do tribunal correccional]

Solidariedade com xs acusadxs da luta contra a máquina de expulsar.

Em 2010, duas vagas de buscas e múltiplos procedimentos relacionados com diversos ataques (incendiários ou não), umas vezes relacionados e outras não, no contexto de uma instrução tentacular, vêm reprimir a fase ofensiva de luta contra a máquina de confinar e expulsar os sem-papéis que aumentou de intensidade após o incêndio do centro de retenção de Vincennes pelxs próprixs detidxs a 22 de Junho de 2008. Após o abandono por parte do ministério público das acusações mais pesadas e de anos de procedimentos plenos de inconsistências manifestamente feitas para justificar os meios de vigilância, controlo judicial e encarceramento preventivo, dez companheirxs de afinidade encontram-se no entanto convocadxs perante a justiça. Um primeiro processo que envolveu quatro pessoas, três das quais foram presas em 2011, teve lugar em Junho de 2017. Uma delas foi considerada não culpada, três outras sofrem 4 meses de pena suspensa e 500 euros de multa por desfiguração colectiva de edifício (tags) e recusa em fornecer ADN. Uma das pessoas apelou desta decisão e deve ser re-julgada brevemente.

A 31 de Janeiro serão sete as pessoas que estarão presentes a tribunal (uma delas já tinha sido ouvida no julgamento de Junho). A lógica é a mesma: depois de um deboche de meios policiais e judiciais, quatro pessoas serão responsabilizadas apenas pela sua recusa de fornecer ADN e pela sinalética, enquanto xs outrxs três são acusadxs, além destes factos, da degradação em ocupações selvagens das instalações das empresas que participam na detenção e expulsão de imigrantes indocumentadxs (neste caso Air France, SNCF e Bouygues Telecom).

Através desta repressão – na qual os processos em curso constituem o epílogo fraudulento – foram as dinâmicas de lutas autónomas e auto-organizadas que foram visadas, procurando-se quebrar as ligações que foram então construídas entre as lutas no exterior e no interior dos Centros de Retenção Administrativa. Mais amplamente, tratava-se de acabar com as formas de luta auto-organizadas e ofensivas que a partir de 1996, no seio do movimento dito dxs “imigrantes indocumentadxs”, se opuseram aos partidos, aos sindicatos, às lógicas de gestão humanitárias, para defender a liberdade para todxs, com ou sem papéis. Embora a recusa da política de triagem de imigrantes e a luta contra os meios repressivos que a acompanha tenha tomado várias formas – colectivas e de “afinidade”, privilegiando, de acordo com diferentes momentos ou em simultâneo, a agitação pública e o ataque difuso – é a perspectiva de oposição concreta à máquina de prender e expulsar que fará a ligação entre as diferentes fases deste período de luta.  Atacar aquelxs que participam e lucram do confinamento e da expulsão de imigrantes sem documentos, através de mobilizações descentralizadas (contra a Air France, Accor, Bouygues, Carlson Wagonlit, Cruz Vermelha …) ou, de forma mais pontual e difusa, contestar as expulsões, organizar-se contra ataques, e evitar a construção de novos lugares nos centros de detenção – seja por ataques, ocupações, manifestações ou visitas hostis de dia e de noite – é ainda lutar pela liberdade de todos e todas.

Hoje esta questão é mais actual do que nunca. Agora que um novo projeto de lei planeia aumentar ainda mais o período de retenção para mais de três meses, para classificar xs imigrantes às portas da União Europeia – quando estxs são cada vez mais numerosxs – colocando em crise a gestão desses dispositivos, ainda mais urgente é criar os meios para impedir a implementação concreta dos dispositivos de confinamento, repressão e expulsão.

No entanto – neste período extremo de agitação e de crise internacional da gestão migratória – nenhuma intervenção subversiva esteve à altura dos desafios nestes últimos anos de modo a ser pressionada realmente a gestão das migrações e a sua co-gestão humanitária.  As práticas e a elaboração ofensiva destas lutas – de formas variadas e vivas – assim como as análises que fizeram da criatividade destas lutas estão esclerosadas, a sua vitalidade perdeu-se. Na falta de perspectivas revolucionárias, o desencorajamento faz o seu caminho e as lógicas “pragmáticas” e “realistas”, quer dizer humanitárias, triunfam. Ouve-se falar de “apoio aos/às refugiadxs”, quando as lutas tinham imposto a recusa destas denominações de Estado (ou de co-gestores) que validem a triagem de imigrantes – a regularização pela normalidade, pelo trabalho, família ou o amor à pátria  assim como desta posição de “apoio” que condena à impotência e ao paternalismo, e na qual se instalam doravante aquelas e aqueles que queriam ao invés acabar com as fronteiras e com o encarceramento sob todas as suas formas. Uma época de pacificação e de confusão cuja página deve ser rapidamente virada, com a memória do que estas lutas poderiam ser, do que elas poderiam ter de verdadeiramente ofensivo, e a vontade de voltar a percorrer os caminhos da subversão do existente, dos seus defensores e dos seus falsos críticos.

Em vez dos betumes políticos e identitários, das crispações egotistas e dos modos de afirmação política que não podem senão aprofundar-se na separação e no isolamento – envernizando a vaidade de radicalidade e as derivas nas quais se atola o monótono filme que vivemos – precisamos de encontrar novos espaços de luta desinteressados e comuns, sem deuses e sem chefes, nos quais não esteja em causa situar-se, ou ser situado, seja num plano político, de afinidade ou de identidade.

Mais do que reconstruir o passado para estabelecer uma mito-poiesis por despeito de um presente decomposto, e de delimitar lugares predefinidos – em despeito de um passado no qual as divergências se pudessem exprimir, dialogar, confrontar-se na construção comum de perspectivas revolucionárias – é urgente desenhar na memória lutas multiformes, vivas e abundantes que alimentem a nossa recusa deste mundo, do Estado e das suas fronteiras.

Estes dois processos – tal como todos os outros impostos àquelas e àqueles que lutam – são golpes – entre tantos outros – levados a cabo pelo Estado na guerra social desde sempre em curso. Cabe-nos assim retomar a iniciativa e a ofensiva, mais do que continuar a sofrer.

Não nos deixemos julgar em silêncio.
Liberdade para todos e todas, com ou sem papéis.
Fogo a todas as prisões!

pafledab@canaglie.net

original em pdf aqui

em francês

Nijmegen, Holanda: Info-sessão sobre Peike, um dos presos do G20 em Hamburgo


Sábado / 17 de Fevereiro / 15:30

Troca de impressões sobre o caso de Peike, de Amsterdão, actualmente em julgamento em Hamburgo por suposta participação nos tumultos do G20, no verão passado.

Foi condenado a 2 anos e 7 meses de prisão, mas no dia 9 de Fevereiro corre o seu apelo no tribunal de última instância. No dia 16 de Fevereiro será a segunda sessão do julgamento, depois disso uma quantidade desconhecida de dias ainda está agendada até ao veredicto. Para mais informações sobre o caso: freepeike.noblogs.org

O café Zwarte Uilestá aberto como de costume a partir das 12:00, com lanches e livraria anarquista. Encontramos-nos lá, então!
De Klinker, Van broeckhuysenstraat 46, Nijmegen

em inglês

[Alemanha] Acerca da onda de repressão em conexão com a resistência contra a Cimeira do G20 em Hamburgo

Protestos espontâneos contra a repressão nas ruas de muitas cidades alemãs, após os assaltos policiais no princípio de Dezembro de 2017 ( em kiel, cerca de 70 pessoas participaram nos protestos)

G20-Repressão
Prisioneirxs * Condições na prisão * Julgamentos * Publicações de vídeos e fotos * Assaltos policiais a residências

A Cimeira do G20 e os dias eufóricos nas ruas do Schanzenviertel foram moldados pela enorme raiva e motivação para atacar, das quais não estávamos à espera desde Heiligendamm e Frankfurt.

A onda de repressão que se seguiu à Cimeira – na realidade já tinha começado antes com a implementação do novo §114ff e do policiamento preventivo – alcançou o seu clímax com a publicação de dezenas de fotos, pela comissão especial “Soko Schwarzer Block” em 18 de Dezembro de 2017.

Onda de repressão esta que permaneceu bastante despercebida de companheirxs noutros países, xs que lutaram connosco nas ruas e xs que euforicamente seguiram os tumultos nos media. Disseram-nos que não receberam nenhuma informação sobre xs prisioneirxs, xs condenadxs e sobre a mania de perseguição pelo Estado.

Parte I: Prisioneirxs

A situação em Dezembro de 2017
A bófia implementou um Soko (1) forte de 40 homens que pesquisaram na Internet fotos e vídeos a fim de criminalizar os ativistas. Cerca de 200 polícias estão atualmente sentados na frente dos seus computadores – com a assistência de softwares de detecção de rosto especiais – a fazer a maior parte do trabalho de investigação. Mesmo quando você se tenta lembrar não existe nada de que se esconder ou tem a certeza de que sempre se mudou num beco escuro: A solidariedade não se inicia apenas quando a repressão xs atinge a si e amigos.
O estado, incluindo os media, a bófia e cidadãos ativos, está claramente a tentar redefinir os tumultos. Conseguimos gerir e dominar o discurso destes dias durante a cimeira, mas devemos reconhecer isso perante frases brutais, denúncias e agitação pública, estando a ser cilindrados a uma posição de simplesmente reagir: Manifestações do dia X, comícios na prisão e algumas janelas quebradas aqui e ali.
Prisioneiros e julgamentos
Após os três dias de distúrbios em Hamburgo, 51 pessoas tinham sido levadas sob custódia. Em última análise, 28 permaneceram no JVA (prisões) de Billwerder, Hanhöfersand e Holstenglacis até aos julgamentos. Sendo principalmente não alemães, xs prisioneirxs vieram da Holanda, França, Suíça, Áustria, Espanha, Itália, Polónia, Hungria e Rússia. Além disso, várias centenas de pessoas tiveram que ficar na GeSa (custódia) por um curto período de tempo e tiveram que fornecer as  impressões digitais e fotografias.
Xs restantes prisioneirxs do G20 são acusadxs de vários crimes, o que em muitos casos não justificaria a custódia de longo prazo. As acusações vão de violar a lei de reunião em espaços públicos e violar a paz, a resistência e assalto contra graduados. A última situação pode, depois que as leis foram apertadas no ano passado, ser punida até três meses de prisão, em casos graves até seis meses.

Atualmente, inícios de Janeiro de 2018, 7 pessoas ainda estão presas em Hamburgo. Além disso, muitxs companheirxs estão a apelar das suas sentenças. Por exemplo, Peike, que foi condenado a 2 anos e 7 meses de prisão, no primeiro julgamento do G20.

As condições na „Gesa“ (prisão de curta duração / provisória) e „U-Haft“(detenção enquanto aguardam julgamento)
Mais de 100 advogados trabalharam em turnos de 24 horas na GeSa em Hamburgo – Harburgo. Foram atendidas 250 pessoas durante a cimeira. Várixs prisioneirxs disseram que lhes foram negadxs artigos básicos de higiene, mesmo que pedissem repetidamente. Num caso, o pedido de uma jovem mulher foi recebido com a declaração: “Os manifestantes não recebem períodos”. Noutro caso, uma jovem disse que precisava inserir um tampão na frente da bófia. Estava a arder nas celas, havia até oito prisioneirxs em cada cela, em vez de cinco, apesar de nem todas estarem ocupadas. Tiveram direito a duas fatias de pão em 24 horas, o acesso à  casa de banho foi muito restrito. Há alguns colchões, sem cobertores. Com chutos contra as portas das celas, xs prisioneirxs foram mantidxs acordadxs. Algumas celas tinham luz constante, enquanto outras não tinham nenhuma. Uma mulher ferida, levada para o GeSana sexta-feira (7 de Julho) com suspeita de fratura de nariz, não recebeu comida durante 15 horas. A sua lesão não foi sujeita a raios X. Só foi vista por um juiz 40 horas depois da prisão e que a libertou às 11 horas do mesmo dia. Aos/às prisioneirxs sob custódia só é permitido visitantes sob permissão do juiz. Estas visitas foram rigorosamente vigiadas (carta da mãe de Fabio a seu filho, a partir de 7 de Agosto de 2017). Além disso, era impossível enviar pacotes com roupa limpa aos/às prisioneirxs durante várias semanas. A continuação da custódia foi justificada com “defender a lei”.

Fugir ou ocultar provas, que geralmente é o motivo para a imposição da custódia, não desempenhou nenhum papel. Portanto, a própria custódia apresenta-se como medida preventiva. Um passaporte não-alemão, fortalece a acusação – de ser um inimigo potencial da sociedade – levando a uma custódia maior e frases mais duras. Além disso, muitxs prisioneirxs libertadxs receberam cartas, pedindo-lhes uma análise voluntária de DNA.

Parte II: Julgamentos e sentenças

Em geral, pode-se dizer que se tornou bastante óbvio através de todos os julgamentos que não importava qual pessoa estava na frente do juiz e não importava quais eram as acusações – cada um/a delxs foi consideradx culpadx pelos tumultos, especialmente aquelxs da sexta-feira à noite e finalmente condenado por elxs. Este tipo de participação em massa durante as lutas de rua e ataques contra a bófia deve ser prevenida no futuro. O medo dos defensores da fome de poder tornou-se claro nos argumentos politicamente motivados, nos quais tentaram pintar os ativistas como criminosxs isoladxs, sem qualquer identidade política. Uma técnica utilizada em todo o mundo. Para entender a indignação sobre as frases e suas justificativas, é importante explicar como a polícia alemã está regularmente a tentar obter frases com o uso de “Tatbeobachter” (Tabos), traduzido vagamente como testemunhas de crime, bem como cenas de vídeo isoladas. As detenções, especialmente durante as manifestações, são muitas vezes baseadas em alegadas observações de “Tabos”. No passado, as suas declarações geralmente não aguardavam o interrogatório no tribunal, de modo que poucas pessoas (excluindo especialmente xs ativistas curdxs), foram colocadas em liberdade condicional, mas raramente receberam tempo de prisão.

Outra questão pode ser colocada a partir da chamada esquerda alemã: Na década de 80, uma campanha desperta vinda da cena alemã da esquerda: “Anna e Arthur calam-se”. Uma campanha, baseada no direito de recusar quaisquer  declarações. De acordo com este direito, qualquer pessoa pres ou em julgamento pode recusar qualquer declaração em frente da políci ou do juiz, excepto para afirmar os detalhes no passaporte. Compreendendo este direito como uma arma – como forma de proteger estruturas ou outras pessoas – mas também como um ato de resistência – no sentido de retirar a si próprio a possibilidade de qualquer diálogo com o estado, triste isso não ser um dado adquirido nunca mais. Uma decisão de fazer uma afirmação em tribunal, ou não, é muitas vezes  individual ou posta na mesa como estratégia dos advogados.

As estratégias do advogado muitas vezes se concentraram em chegar a negociações, que podem ser descritas como um entendimento entre o juiz e procurador e o advogado da defesa – o que geralmente força a defesa a aceitar certos pontos trazidos pelo juiz em troca de uma sentença mais suave e confissões, o que sob certas circunstâncias pode ser justificado. Embora existissem negociações e confissões entre os prisioneiros, que poderiam ser justificadas dadas as circunstâncias como uma escolha válida, esta situação foi até prisioneirxs a pedir desculpas aos juízes e polícias, bem como ao banco HASPA e Budnikowsky (loja). Um exemplo: Um rapaz de Hamburgo de 28 anos leu a sua confissão em voz alta. Ele disse que não sabia o que o possuía naquela noite. Fora simplesmente a sua curiosidade o que o levou ao Schanze, depois de ver fotos dos tumultos na TV. À chegada, a multidão varreu-o ao comprido. “Se eu pudesse voltar no tempo simplesmente ficaria em casa naquela noite e assistia a tudo na TV.” disse na terça-feira. Estava realmente a caminho de Barmbeck naquela noite, onde ele conhece gente, quando aconteceu coincidir com os tumultos em Pferdemarkt, onde ele foi atacado com spray de pimenta, o que o deixou com raiva. Além disso, tomou cocaína naquela noite também. O veredicto: 3 anos de prisão.

Fabio trata-se de uma clara excepção – escreveu uma declaração política, que leu no tribunal. Isso não é apenas sinal de bravura e conhecimento político, também é um passo importante para todos lutarmos contra a repressão, não sermos torpes perante o perigo e lutarmos contra a criminalização das nossas lutas.

Existem vários exemplos de julgamentos do G20, no final do artigo. Até hoje, os julgamentos de Konstantin, Christian e Fabio ainda estão em andamento e as suas documentações podem ser encontrados na página “United we stand”. Alguns também estão em inglês. Manter as invasões e a publicação recente de fotos em mente, mais provas provavelmente estarão em breve a surgir.

Parte III: Primeiros assaltos antes da Cimeira

Durante a tarde de 1 de Julho, os apartamentos de dois camaradas foram procurados pela polícia. Até onde sabemos,  as incursões foram realizadas devido à “prevenção de perigo”. Durante as invasões, chaves USB, computadores, 3 telefones celulares privados e as roupas foram confiscadas. Uma das pessoas afetadas foi acusada de planear crimes no contexto da Cimeira do G20. Vigilâncias foram notaaos nos dias que antecederam os assaltos policiais. A segunda pessoa foi  libertada na mesma noite.

Invasões policiais do dia 8 de Julho
Após a Cimeira do G20 a polícia de Hamburgo invadiu o centro internacional B5 em St. Paul, às 10:45 da manhã – a polícia de choque invadiu o centro e atacou as pessoas que estavam presentes na altura. Sem esclarecer o motivo as pessoas foram algemadas e os quartos no centro além de dois apartamentos privados adjacentes foram pesquisados. Também a adega, o B-movie adjacente e a FoodCoop foram saqueados. Alegadamente, a polícia suspeitava da existência de cocktails Molotov no centro, uma completa difamação.

Incursões relativas à pilhagem
A polícia de Hamburgo invadiu 14 residências, logo após a Cimeira, em Hamburgo e Schleswig-Holstein. A razão alegada foi a pilhagem da Apple Store durante os tumultos da noite de sexta-feira. Vários telefones celulares foram localizados e os proprietários foram acusados de ocultação de bens roubados. Também foi pesquisada uma loja de telemóveis, onde alegadamente vários dos telefones celulares “possuídos ilegalmente” eram vendidos.
Linksunten.indymedia.org banido
No dia 25 de Agosto, Bundesinnenminister (Ministro do Interior) Thomas de Maiziere, proibiu a plataforma online “linksunten.indymedia.org” com base nas leis da sociedade. Para a esquerda alemã e a cena radical de esquerda, Linksunten foi a plataforma onde todas as chamadas para ação, notícias políticas diárias e   informações para ataques foram publicadas. Era tão importante para a extrema-esquerda como era aparentemente para as bófia, serviço de informações e media já que obviamente foi visto como uma fonte confiável e sistema de alerta precoce para distúrbios pendentes. A Linksunten, desde 2009 a funcionar – como rede aberta de media para ativistas de esquerda – foi declarada um crime por Maziere. Isso levou a várias incursões em Baden- Würtemberg, que felizmente não deixou ninguém preso. Atualmente, o BKA está à procura da localização dos servidores que estavam a ser usados pela plataforma. São esperados mais ataques. O tempo que vai demorar é pura especulação. É possível que o Ministério do Interior queira polir a sua imagem, depois dos comunicados de imprensa semanais sobre a violência policial maciça contra os manifestantes anti-Cimeira.

Parte IV: Invasões a nível nacional em 5 de Dezembro de 2017, investigação „Rondenbarg“

Ao início da manhã de 5 de Dezembro de 2017, mais de 600 polícias invadiram 23 casas particulares e 2 centros sociais na Renânia do Norte-Vestefália, na Baixa Saxónia, no Baden-Wurttemberg, em Hamburgo, em Berlim, no Hesse, na Saxónia – Anhalt e na Renânia-Pfalz. De acordo com as declarações policiais, principalmente laptops, telemóveis e USB (varas) mas também várias armas legais foram confirmados. Nenhum/a dxs ativistas afetadxs foi presx. Todos os assaltos policiais estavam relacionados com os eventos ocorridos no primeiro dia da Cimeira. Cerca de 200 companheirxs estavam a caminho do centro da cidade, no início do dia 7 de Julho, quando encontraram polícia de choque em Rondenbard, após o que a manifestação foi destruída, deixando muitxs feridxs. Várias dezenas de pessoas foram presas no local, os seus dados registados e Fabio tomou assento na prisão desde então. Quase todas as pessoas cujas residências foram invadidas estavam no grupo que foi preso a partir desse dia.

Estão a ser acusadxs de violações severas da ordem pública, tentativa de agressão física e resistência. Desde então, esse grupo particular de pessoas presas representava a maioria dxs presos em geral e a polícia não foi capaz de prender muitos militantes organizadxs pelo que com a ajuda dos meios de comunicação, tentaram pintar um quadro do “grupo Rondenbarg” como extremamente violento e provavelmente responsável por toda a destruição e ações diretas durante a Cimeira. Também os assaltos podem ser conetados com essa tentativa, o “sucesso” dessas invasões, foi apresentado pela polícia durante uma conferência de imprensa em 5 de Dezembro.

Vemos claramente os assaltos policiais como um espetáculo público bem como uma tentativa de descoberta das supostas estruturas organizacionais por trás das ações, em vez de reunir provas sobre alegados participantes individuais. Não confirmado pelos lados oficiais, mas publicado em vários comunicados de imprensa, a polícia estava principalmente à procura de evidências sobre estruturas que preparassem ações militantes e as tornassem possível em Hamburgo. Especialmente à volta da área de Elbchaussee, a polícia alegadamente descobriu recipientes com material de máscara, fogos de artifício e roupas que a polícia interpretou como evidência para a teoria de que os grupos locais organizaram a logística para a ação dessxs companheirxs internacionais. Embora a polícia suspeite principalmente dxs companheirxs internacionais para colocarem mais de 20 carros em chamas no Elbchaussee, durante 7 de Julho.

Parte V:  Os “cliques” da polícia de Hamburgo”

Durante a noite de 8 de Julho, a polícia de Hamburgo estabeleceu um portal on-line para dicas e pistas. Eles apelaram à multidão curiosa, para fazer upload de qualquer imagem ou material de vídeo dos próprios smartphones e câmaras. Apenas 12 horas depois, comemoravam o fato de já terem recebido mais de 1000 arquivos. Com este apelo à denúncia e traição, a polícia provocou um percurso on-line. O Soko “Black Block”, está a trabalhar em 12 terabytes de arquivos de imagem. No total, 163 polícias estão a trabalhar em 3340 casos. Na segunda-feira, 8 de Dezembro, a polícia de Hamburgo publicou 104 fotos de 104 supostos criminosxs e 5 vídeos sobre “Elbchaussee”, “Manif G20 Not Welcome” , “pilhagem”, “ataques com garrafas e pedras” e “Rondenbarg”(aqui  pode encontrar um link anónimo para as fotos ) . Além disso, várias imagens chegaram aos media da Alemanha. A polícia de Hamburgo anunciou: “Haverá mais cliques [fotos tiradas nas esquadras da polícia, após detenção], porque temos muitos materiais, que ainda não foram avaliados”.

Cinco Julgamentos do G20

O primeiro julgamento foi realizado contra Peike, da Holanda. Está a ser acusado de ter atirado duas garrafas à polícia de Berlim no Schanze, no dia 6 de Julho. As únicas duas testemunhas, polícias de Berlim, sofreram grandes perdas de memória e ambos descreveram uma pessoa que atirava garrafas, que não se parecia com o réu. O ministério público justificou a sua perseguição através tempo de prisão, atribuíndo a Peike a responsabilidade pela “guerra civil como circunstância” na noite de sexta-feira (onde Peike já estava sob custódia!). O juiz Johann Krieten, conotado com a linha dura da direita, proclamou no seu julgamento como se segue: “A polícia não é um jogo justo para a sociedade divertida, eles não são um jogo justo para criminosxs orientadxs para a ação”. Ele convocou os tumultos na noite de sexta-feira, o turismo de motim com o objetivo de caçar polícias e esmagar as janelas do banco HASPA. A severa punição era necessária, devido a razões de “prevenção da violência”. O porco proclamou a sentença de dois anos e sete meses. Peike está a apelar contra este julgamento.

No 2º julgamento: o réu foi detido e procurado no sábado, 8 de Julho, perto da estação de comboios de Dammtor. Ele insinuou estar no caminho para a manifestação  “G20 Not Welcome”. Na sua mochila, encontraram spray de pimenta, óculos de mergulho e pequenos bolas de ativação de fogo. Está a ser acusado de violar a “lei do ajuntamento social” e as leis contra o transporte de armas e explosivos. Mais uma vez, o julgamento terminou com um castigo severo  obsceno de 6 nos quais estão 2 são anos de liberdade condicional. O procurador Elsner aproveitou o momento para proclamar a sua propaganda pessoal: “Os ataques à policiais com garrafas e pedras aumentaram dramaticamente durante a manifestação. O réu deveria estar a escrever uma carta de agradecimento aos polícias que o prenderam, se ele tivesse atirado qualquer coisa durante a manifestação, iria para a cadeia por um longo tempo”.

3º exemplo. O ministério público acusou o réu, de 21 anos, de ter atirado seis garrafas na direção da polícia durante a manifestação no Fishmarket, além de resistir à sua detenção. Depois do juiz explicou o direito de recusar uma declaração, o advogado explicou extensivamente o argumento do arguido. Nos últimos dois meses, passados na cadeia, ele aprendeu muito sobre a solidão. Ele nunca quis pôr a si mesmo ou a sua família numa situação como esta. Estava agora ciente de sua estupidez. Os polícias também são humanos. O juiz condenou o réu a 1 ano e 5 meses em dois anos de liberdade condicional, bem como a uma multa de 500 euros, que deve ser doada para as viúvas e órfãos da polícia.

4º exemplo: As acusações: agressão criminal com uma arma perigosa (garrafa de vidro), bem como resistência contra a polícia. O arguido confessou as acusações e lamentou as suas ações. Concordou com uma amostragem de DNA, que ocorreu numa pausa durante a audiência. O TABO Hachmann supostamente seguiu o réu depois dele supostamente ter atirado a garrafa e viu-o, tirando a máscara num pequeno quiosque e a mudar as roupas na próxima esquina da rua. Veredito: 1 ano em 3 anos de liberdade condicional. O réu, questionou o monopólio do estado e não viu o humano em uniforme durante as suas ações. A polícia merecia respeito e honra pelo seu compromisso e não deveria ser alvo.

5º exemplo: Fabio foi libertado da prisão juvenil em troca de uma fiança de 10000 euros. O julgamento ainda está em andamento. As acusações: Violação grave da paz no caso de “Rondenbarg”. Segue-se um trecho da declaração de Fabio durante o julgamento: “Antes de mais quero dizer que as senhoras e senhores da política, inspectores da polícia e ministério público provavelmente acreditam que podem dificultar a dissidência nas ruas se prenderem e trancarem um grupo de jovens. Provavelmente acreditam que a prisão é suficiente para conter as vozes rebeldes que surgem em todos os lugares. Provavelmente acreditam que a repressão irá parar a nossa sede de liberdade. A nossa vontade de criar um mundo melhor. Eu tomei a minha decisão e não estou com medo se ela, injustamente, terá um preço que eu tenho que pagar. No entanto, há algo que quero dizer-vos, acreditem em mim ou não: Não gosto de violência. Mas tenho ideais e decidi lutar por eles.

Esclarecimentos

“Tatbeobachter * innen / TABOS” (Observador/a do crime)

Os TABOS estão vestidos de manifestantes, às vezes ficariam vestidos, às vezes com um copo de cerveja na mão, às vezes ficariam mascarados. Correm lado a lado connosco nas manifestações e podem ser difíceis de detectar. Assinalam crimes alegados, sem intervir. Mais tarde são chamados como testemunha perante o tribunal. TABOS são polícias de uma determinada unidade. Pelo contrário, há polícias vestidos de civis, os chamados PMS. Esses polícias civis costumam mover-se em grupos maiores, obviamente, ao lado das fileiras de polícia, transportam fones de ouvido e armas e transmitem informações sobre ativistas bem conhecidos ao BFE (unidade, responsável por prisões e evidências.

Aperto das leis:
Desde 30 de Maio de 2017, o parágrafo 113 está agora dividido em §113, que inclui atos de resistência e §114, que escalam assalto. O recém-estruturado §114 inclui o assalto contra oficiais (policiais, paramédicos) como elemento próprio de um crime. Um assalto pode ser qualquer tipo de ato contra o corpo de um oficial, por exemplo, quando você tenta se libertar do controle de um policial durante uma prisão. A sentença mínima aqui seria uma pena de prisão de três meses. Além disso, simplesmente carregar uma arma ou uma ferramenta perigosa, pode ser definido como um ato severo de resistência ou agressão, independente de suas intenções com essa ferramenta. Também pode ser condenado se xs companheirxs transportarem tal ferramenta (como uma garrafa de vidro ou outro instrumento afiado).

(1) SOKO é uma abreviatura do termo “Sonderkommission” (Comissão Especial de Polícia – que significa equipa de investigação especial) em alemão.

A sociedade falhou, quando aprisiona aqueles que a questionam!

Fogo e chamas para a repressão!

Com este slogan, a campanha: “United we stand” deu o mote para os dias de ação – de 28.1. até 4.2.2018.

em alemão l inglês

Alemanha: Atualização sobre Lisa, anarquista que se encontra presa em Colónia

Liberdade para Lisa, liberdade para todos que estão atrás das grades!
Nada está esquecido, nada está perdoado!
Viena, CNA

Recusada a revisão da sentença

Em Dezembro de 2017 a BGH (Tribunal Federal de Justiça) recusou a revisão da sentença dada à nossa companheira Lisa. Assim, a sentença de 7 anos e meio torna-se definitiva. A determinação da compa é de ser extraditada a Espanha, o mais breve possível, para estar mais próxima do seu meio suporte. Por agora continua encarcerada na mesma prisão de Köln (Alemanha). E pode receber cartas.

Lisa, nº 2893/16/7
Justizvollzuganstanlt (JVA) Köln
Rochusstrasse 350
50827 Köln (Germany) – Alemanha

Por outro lado, soubemos que, no mesmo mês, o ministério público de Aachen retirou o recurso contra a absolvição da nossa companheira da Holanda, após quase um ano. Alegramos-nos muito por ela! (mais info em solidariteit.noblogs.org)

A solidariedade é a nossa melhor arma!

em espanhol, inglês, alemão

 

[Prisões chilenas] Mensagem dxs companheirxs Juan e Nataly (5/12); Veredicto caso bombas 2 (21/12)

5/12/17 – Uma nova abordagem da situação para xs indivíduxs em permanente conflito com o poder e compas solidários de qualquer lugar do mundo. Passados que são já mais de 3 anos do nosso encarceramento e mais de 8 meses em julgamento oral pelo denominado “caso bombas 2”.

O tempo decorrido na prisão faz ressaltar a toda a hora o significado da vida que escolhemos conscientemente – desde que sentimos a necessidade de enfrentar essa realidade de extermínio e devastação com as suas relações de poder e submissão, para assim realmente viver- e agora aproximamos-nos inevitavelmente de algum final…

Estamos presxs há mais de 3 anos por assumirmos posição contra o sistema de dominação, sem remorso por isso. Já que não podíamos negar-nos a nós próprios, menos ainda o que significa esta luta contra o poder, na qual muitxs compas nos foram arrebatadxs, sendo para nós uma necessidade mantê-lxs presentes, dos pensamentos aos atos, para continuarmos assim a sermos cúmplices, destruindo as fronteiras do tempo e do espaço.

Há mais de oito meses que se está a realizar um julgamento contra nós mas do qual claramente não nos sentimos parte, pois desde muito tempo que sabemos ser os únicos proprietários das nossas existências,
não importando onde estivéssemos.  Convocadxs diariamente a este lugar significa sentir ainda mais o confinamento físico, ao estarmos algemadxs, em jaulas pequenas e com intrusões forçadas diárias. Apesar disso, conseguimos estar todo este tempo próximxs, como nunca pudemos estar nos mais de dois anos de prisão.

Contamos-lhes que nos encontramos próximo do fim deste julgamento, a 1 ou 2 semanas, aproximadamente Esperamos que termine de uma vez, já que a extensão do processo se deve ao apetite da acusação para apresentar a sua “prova” até ao cansaço… (7 meses de exposição), sabemos que este caso é bastante fantasioso em relação ao Real.

Do visto e ouvido aqui, acusam-nos finalmente, de:

1- Ataque explosivo a 08/09/2014 no subcentro escola militar (acusado: Juan). Ataque do qual se deu aviso à polícia (número 133), segundo eles com somente 3 minutos de  antecedência à detonação. Informação da qual não duvidamos que exista manipulação – pois devido ao que atrás foi exposto, após o aviso não se adoptou nenhum procedimento policial, nem sequer se informou deste aviso. Facto com consequências já conhecidas de existência de feridos.

2- Ataque explosivo a 13/07/2014, na estação terminal de metro los dominicos, deflagrando o dispositivo mais de 10 minutos depois de ter sido encontrado sobre um assento do trem subterrâneo, por um empregado de metro. (acusadxs: Natal y Juan)

Estas duas ações foram reivindicadas pelxs compas da conspiração das células de fogo.

3- Atentado explosivo a 11/08/2014, dispositivo posto por baixo do carro particular de um polícia, isto num estacionamento contíguo à 1ª esquadra de stgo central (acusadxs: Nataly e Enrique, por “facilitar” o dispositivo a Juan, a quem se acusa de colocador). Ao princípio também se acusou Juan pela colocação de um dispositivo explosivo, na 39ª esquadra do Bosque. No mesmo dia, a 11/08/2014, num horário que só diferia em 10 minutos, aproximadamente, da explosão na 1ªesquadra, em lugares separados por uma distância exageradamente maior no tempo… situação que insultava a lógica e só se tornava possível na imaginação da acusação, pelo foi retirada esta acusação – sendo no entanto utilizada como um tipo de prova em todo o julgamento.

Ambas as ações foram reivindicadas pela conspiração internacional pela vingança.

4- Nataly e Juan são acusadxs de colocação de pólvora negra.

A acusação (e não só eles), pretendem não só condenar-nos mas também condenar estes factos sob a lei antiterrorista e, como consequência, ao sepulcro que são os seus cárceres,  solicitando prisão perpétua a Juan, 20 anos e 1 dia a Nataly e 10 anos e 1 dia a Enrique.

Este processo só procura – pela sua natureza repressiva, policial, mediática, judicial e de prisão – ser um golpe e uma demonstração mais de força contra xs indivíduos que negam o seu poder. Este é um “processo” que – desde o nosso encarceramento a 18/09/2014-  contou já com mais de 2000 polícias para nos deter, no meio de um festim mediático. Polícías de diversas instituições tais como GOPE, LABOCAR, DIPOLCAR, PDI, entre outrxs, muitas das quais participaram neste julgamento na qualidade de testemunhas ou peritos, con informações de sitios do sucesso (por GOPE), levantamento de evidências (por LABOCAR e  DIPOLCAR) e a inteligência de Carabineros, a cargo deste caso. Com perícias tais como o ADN pretendem vincular-nos a estes factos, ADN de misturas complexas, ao limite de detenção e outras complicações técnicas que não entregam nem têm nenhuma certeza científica, é só uma interpretação tendenciosa, parcial até à manipulação da prova por parte dos polícias de LABOCAR, como podemos apreciar neste julgamento. Para além da forma subjetiva, procuram ainda justificar uma relação com os factos através do nosso posicionamento. Factos dos quais temos sustentado não ser autorxs, mas que é um elemento extraordinariamente para o Ministério Público, devido à sua vaga acusação.

Hoje temos a necessidade de não ceder frente aos golpes dos nossos inimigos e responder a cada compa  solidário e de ação que tenha estado connosco neste confinamento – compas dos mais diversos lugares do globo: Argentina, Brasil, Grécia, só para mencionar alguns. As suas diversas formas de desenrascar e propagar o conflito são fundamentais para aquelxs de nós que vivem a realidade prisional, e hoje queremos abraçá-lxs uma vez mais. Temos ainda bem claro que nada do que eles pretendam determinar, será suficiente para acabar com os nossos desejos de liberdade. A liberdade dxs compas presxs, e a mesma necessidade da destruição das prisões são parte das nossas abordagens e objetivos, pelo que o sentir nas mãos e chocar com estes muros só podem reforçar esta necessidade…

Hoje queremos saudar fraternalmente o Byron Robledo, compa atropelado por um miserável condutor dum transantiago em defesa da propriedade dos ricos. Quebrar a passividade e solidarizarem-se com Byron!!! Um abraço à distância ao companheiro Konstantinos Yajtzoglou, sequestrado em Atenas, acusado de atentar contra o primeiro ministro e empregado do FMI Loucas Papadimos. Solidariedade insurrecta com xs companheirxs da CCF e um abraço cúmplice a Freddy Fuentevilla, Marcelo Villarroel e Juan Aliste, sempre atentos e dispostos a se solidarizarem.

Recebemos com alegria a notícia da libertação de Hans Niemeyer e de Javier Pino, tal como a saída da prisão dos 8 comuneiros mapuches – presos na denominada operação Huracán – assim como a dos comuneiros absolvidos pelo caso Luchsinger Mckay.

Dos muros da prisão de San Miguel,  Nataly Casanova;
Do CDP stgoSur (Ex-Penitenciária)  Juan Flores.

21/12/17 – VEREDICTO DO CASO BOMBAS 2

Juan Flores, primeiro companheiro condenado pela lei antiterrorista; Nataly e Enrique absolvidxs.

*Metro los dominicos*

Delito principal qualificado como danos + lei de controlo de armas: Juan condenado, absolvidxs Nataly e Enrique.

*1ª Esquadra*

Delito principal  qualificado como danos + lei de controlo de armas: Juan, Enrique e Nataly absolvidxs.

*Sub Centro*

Delito principal qualificado como atentado terrorista: Juan condenado

*Pertença de pólvora*

Delito de controlo de armas: Juan e Nataly absolvidxs.

Assim:

Nataly e  Enrique: Absolvidxs de todas as acusações.

Juan Flores: Culpado de porte e detonação de dispositivo explosivo + Danos + 6 lesões menos graves (Metro los Dominicos) e de colocación de dispositivo terrorista + dano moral (Subcentro).

Pela primeira vez o tribunal utiliza a lei antiterrorista para condenar (nesta última década), após uma série de rejeições em anteriores processos (Caso Bombas, causa contra Victor Montoya, contra o companheiro Luciano Pitronello, contra o companheiro Hans Niemeyer, entre outrxs) às pretensões da acusação – este veredito é clave e histórico nesse aspecto, validando o uso da lei antiterrorista.

A leitura final será a 15 de Março de 2018, onde se entregarão os detalhes do veredicto, além da quantidade de anos de prisão a que vão condenar o companheiro Juan Flores. Xs companheirxs  Enrique Guzman e Nataly Casanova já abandonaram a seção de máxima segurança e a prisão de san miguel, respetivamente.

Tanto a acusação como a defesa poderão ainda procurar a anulação do processo.

Toda a solidariedade insurrecta com o companheiro Juan Flores!

Abaixo a lei antiterrorista; Abaixo o Estado policial!

via publicacionrefractario em espanhol

Prisões chilenas: Acerca da situação jurídica do nosso companheiro Marcelo Villaroel – Solidariedade revolucionária como resposta à vingança do Estado!

Acerca da situação jurídica do nosso companheiro Marcelo Villarroel… ou de como a vingança do estado se perpetua em silêncio

Em Setembro passado, foi notificada na 4ª Procuradoria Militar de Santiago a resposta negativa à petição feita para prescrição das sentenças, solicitação essa realizada pelo nosso companheiro Marcelo, há vários meses.

Imediatamente, Marcelo apelou dessa recusa, ficando a resolução do recurso nas mãos do Tribunal Marcial, reafirmando este a recusa, nos primeiros dias de Outubro.

Estas condenações correspondem a causas originadas por ações enquadradas na antiga militância no Mapu-lautaro, organização na qual o nosso compa foi ativo desde muito jovem e da qual foi expulso por “desvios anarquistas”, quando já se encontrava na prisão, em 1995.

Marcelo purgou ininterruptamente 11 anos, dois meses e quinze dias – de 13 de Outubro de 1992 até 28 de Dezembro de 2003 – ficando depois, em prisão noturna, até Março de 2005, altura em que lhe é concedida a chamada “liberdade condicional”, que o obriga a assinar semanalmente até cumprir 20 anos de controle penitenciário.

Marcelo é indiciado como participante no assalto ao Bank Segurity, aos primeiros dias de Novembro de 2007, assim como outros compas –  expropriação essa na qual morreu um polícia e que causou uma resposta do Estado sem precedentes. Marcelo decide passar à clandestinidade e, em Fevereiro de 2008, na sua ausência a “liberdade condicional” é-lhe revogada.

É detido na Argentina em Março de 2008 e, em Setembro de 2014, é condenado a 14 anos efetivos por 2 assaltos bancários.

Foram, entretanto, reactualizadas as penas relativas às causas antigas (emanadas da sempre sinistra “Justiça Militar” ), ficando da seguinte maneira:

– Associação ilícita terrorista: 10 anos e 1 dia.

– Danos a um veículo fiscal, com lesões graves a carabineiros (bófia): 3 anos + 541 dias.

– Co-autoria de homicídio qualificado como terrorista: 15 anos e 1 dia.

– Roubo com intimidação, lei 18.314: 10 anos e 1 dia.

– Atentado explosivo contra embaixada da Espanha: 8 anos.

No total, essas condenações antigas totalizam 46 anos, estabelecendo como data de término o mês de Fevereiro de 2056.

Há uma série de irregularidades nos cálculos e, embora a questão legal nunca tenha sido nem virá a ser o nosso ponto de concentração único, acreditamos que se torna urgente e necessário enfrentar essa situação que, à luz de qualquer ponto de vista, representa uma clara vingança contra um companheiro que mantém em alta as suas convicções subversivas – de corte autónomo e libertário – nunca tendo abandonado o confronto direto pela libertação total, nem nunca renunciado à sua história de combate, deixando-a como mercadoria para livros ou galardões para traficantes de histórias – prestadas onde se refugiam centenas de renegadxs que perambulam por diferentes espaços de índole pseudo-radical.

A nossa chamada é para se deixar tanto a verborreia como os falsos gestos de solidariedade – para que se enfrente esta e cada uma das vinganças que provêm do Estado, como política constante contra todxs aquelxs que não renegam os seus vínculos e convicções.

É hora de agir, de tornar realidade aquilo de nenhum compa estar sózinho na orisão.

PELA DESTRUIÇÃO DE TODAS AS PRISÕES!!!
ENQUANTO EXISTIR MISÉRIA, HAVERÁ REBELIÃO!!!

Pessoas próximas a Marcelo
Santiago-Valparaíso
Outubro de 2017

[República Checa] Texto do companheiro anarquista perseguido da Anti-Fénix, Lukáš Borl

Todo o poder para a imaginação?

Quando extensas greves e motins de trabalhadores e estudantes ocorreram em França, em 1968, um dos slogans daquela época era: “Todo o poder para a imaginação”.
A polícia checa e os tribunais têm agora a sua própria interpetação deste slogan: afirmam a sua autoridade através da promoção da sua própria imaginação.

Quando a polícia pretendeu um mandado de prisão – contra mim – os motivos alegados para isso eram apenas declarações especulativas e um monte de aleatórios disparates. Isso, obviamente, foi o suficiente para obter o mandado. Torna-se mesmo assustador o quão poderosa a sua imaginação pode ser.

Encontra-se escrito em alguns documentos: “Lukáš B. não tem residência permanente na República Checa. Com base na actual investigação, aclarou-se que, de Outubro de 2015 até Dezembro de 2015, se encontrava a movimentar-se, no território da república eslovaca,nos arredores da cidade de Žilina. Depois, em Abril / Maio, estava a mudar-se para a Eslovénia, nos arredores da cidade de Ljubljana.

Dali saíu – o mais provável para a Holanda – acompanhado de (nome da pessoa).
Depois foi descoberto que, no início do verão (junho de 2016) Lukáš Borl tinha participado numa reunião secreta dos defensores dos direitos dos animais, Frente de libertação animal (ALF), que aconteceu em França, nos arredores de Marselha, sob o nome RAT ATTACK [ATAQUE DE RATOS]. A partir da comunicação descoberta tornou-se claro que Lukáš B. planeia viajar ao longo da costa de Itália e França até a fronteira da Bélgica e Holanda, onde é suposto ter um emprego – fotografando para uma revista sobre migração. Especial da pesquisa pessoal: cabelo castanho, barba, 8-10 rastas na cabeça, 15-20 cm de largura.”

Que tipo de investigação pode levar a escrever tal absurdo? Em toda essa construção há apenas uma afirmação verdadeira – naquele momento não tinha realmente residência permanente na República Checa. Que espécie de polícia  pode ter na comunicação “descoberto” se deduzir declarações absolutamente falsas? Aparentemente, toda a investigação e comunicação “descoberta” ocorreu apenas nas cabeças das chefias da polícia. Apenas uma excogitação casual, tal como lhe poderemos chamar. Claro, a polícia vai pensar num nome melhor para o que fazem, simplesmente porque não é tático em absoluto admitir que a autoridade deles se baseia em excogitação e incapacidade de investigação.
Lukáš Borl
antifenix.noblogs.org

Notas de Contra Info:

No dia 28 de Abril de 2015, Lukáš foi um dos muitos anarquistas presos na operação policial Fénix. Foi libertado, após dois dias de prisão, mas outros três anarquistas permaneceram em prisão preventiva desde então (após um ano ainda havia um companheiro em custódia, à espera de julgamento).

Nos meses seguintes, Lukáš encontrava-se sob vigilância da polícia secreta. Sob a pressão das preocupações também poderia acabar na prisão, pela sua atitude e atividades anarquistas, decidindo, assim, passar à clandestinidade.Depois disso o lugar onde se encontra é desconhecido. Mas ainda publica textos em que sublinha a sua vontade de permanecer parte do movimento anarquista e das suas atividades.

A 4 de Setembro de 2016, Lukáš Borl foi preso pela polícia em Most e depois levado a prisão preventiva, em Litoměřice. Acusam Lukáš pela fundação, apoio e promoção de um movimento destinado a reprimir os direitos humanos e as liberdades.

O companheiro foi libertado sob fiança a 13. 4. 2017. Significa isso que vai aguardar o julgamento fora dos muros da prisão.

em inglês

[Itália] Atualização do Julgamento “Scripta Manent” – Solidariedade Internacional a 16 de Novembro de 2017

O julgamento dxs anarquistas, acusadxs ao longo da operação “Scripta Manent”, começará a 16 de Novembro, no tribunal de segurança máxima da prisão de Turim.

À companheira Anna Beniamino assim como aos companheiros Alfredo Cospito, Danilo Cremonese e Nicola Gai não será permitido que compareçam na sala do tribunal, estando sujeitxs a uma vídeo-conferência a partir da secção de vigilância máxima 2, onde se encontram confinadxs.

Aos companheiros Marco Bisesti, Alessandro Mercogliano e à companheira Valentina Speziale será permitido comparecer na sala de tribunal, recusando estxs participar no julgamento em solidariedade com xs companheirxs sujeitxs à video-conferência.

via Croce Nera Anarchica

[Praga, República Checa] Veredito do caso Fénix: Acusadxs absolvidxs

REPRESSÕES NA CHAMADA REPÚBLICA CHECA, OUTONO DE 2017  – O JULGAMENTO FÉNIX – ACUSAÇÕES REFUTADAS – MINISTÉRIO PÚBLICO APELOU – 3 ANOS DE FALTA DE EVIDÊNCIAS – 3 ANOS QUE LIXARAM COMPLETAMENTE AS NOSSAS VIDAS

PANFLETO ANTI-FÉNIX

3 anos de falta de evidências – 3 anos que lixaram completamente as nossas vidas

O clamor do caso Fénix consiste num conjunto de acusações de muitos crimes, variando da auto-intitulada “promoção do terrorismo” à preparação de ataques terroristas. Foram estes foram os mais discutidos até ao final do julgamento no Tribunal Municipal em Praga. No veredicto, o juiz declarou a absolvição de todxs xs cinco réus do caso Fénix ​​1. É uma vitória? Porque é que essa decisão não é definitiva? O artigo que se segue é a tradução de uma visão geral – já com mais de um mês – sobre as audiências do tribunal e algumas análises sobre da nossa situação e experiência, originalmente escritas em língua checa.

Esta longa audiência foi acerca de cinco anarquistas. Três delxs eram acusadxs ​​de planificar um ataque terrorista a um comboio que transportava apetrechos militares. 2 delxs foram acusadxs ​​de saber sobre tais planos e de não ter impedido xs presumíveis autorxs. Duas dessas cinco pessoas também foram acusadas de preparar um ataque com cocktails molotov contra carros da polícia durante o desalojo da okupa Cibulka. Basicamente, de acordo com os polícias implantados, existem no total cinco pessoas e três diferentes crimes nos quais estão envolvidas. (E tudo isso é apenas no caso do Fénix ​​1, porque algumas dessas pessoas estão a ser confrontadas com novas acusações, no contexto do Fénix ​​2).

No grupo onde xs cinco acusadxs ​​estavam envolvidxs, havia dois polícias infiltrados. Esses indivíduos prepararam de forma ativa os dois ataques e também os iniciaram, em parte. No entanto, o juiz não avaliou as suas ações enquanto provocação – visto os materiais que detectariam isso não estarem disponíveis.

A juíza, Hana Hrncirova, enfatizou que absolveu todxs xs acusadxs precisamente por falta de suficiência de provas. Destacou a falta de transparência do trabalho da polícia: “A razão que levou o tribunal a tomar tal decisão baseia-se no fato do juíz, durante a avaliação das evidências, ter expressado fortes dúvidas sobre a transparência dos métodos da polícia – tanto antes do início da ação penal como quando foi legalmente permitido envolver os agentes implantados no caso “ afirmou ela.

Sublinhou ainda, a juíza, que a polícia atuou sem ter mandato durante meses e quando o advogado da defesa pediu os registos de sua atividade, não os tinham: “O tribunal não possui vestígios de registos, nem de um ao menos”, disse a juíza. Por fim afirmou que: “O advogado de defesa tentou obter esses materiais porque se pode supor que, com base nessas permissões individuais, deveria haver algum registo nalgum lugar. Esses registos, no entanto, nunca viriam a ser incluídos no arquivo.”

De acordo com o que a polícia afirmou, os materiais dos primeiros meses de infiltração “não existem ou não podem ser usados”. Então, temos outra pilha de arquivos que existem, arquivos com uma transcrição das comunicações de telefone celular gravadas e que, de fato, podem ser usados. Especialmente para provar que os agentes secretos, a infiltração e a construção do caso não são uma questão do passado, como ouvimos com muita frequência. Cómico não deixou de ser o momento, quando o juiz levantou esta pilha sobre a cabeça (é um volume de cerca de 400 páginas A4) e disse que, a partir de todas essas transcrições, nenhuma coisa tem algum valor como evidência.

A decisão não é definitiva porque o promotor público Pazourek achou que ainda não tinha destruído a vida das pessoas o suficiente e apelou. Enquanto ex-polícia, acredita que a polícia atuou corretamente e espera que a Supremo Tribunal de Recurso confirme a sua opinião. Certamente que fará o possível para encontrar algo que “deve estar lá e pode ser usado”. Podemos, simplesmente, esperar que este caçador de anarquistas – propondo um mínimo de 12 anos de prisão para xs acusadxs no caso Fénix e desempenhando também um papel no Fénix 2 – tenha elementos sem valor de evidência no próximo julgamento, também.

Ao contrário de Pazourek, o ministro do interior – amante de armas, social-democrata – Josef Chovanec, não tem tempo para esperar pelo Tribunal de Apelação. As eleições parlamentares estão a aproximar-se e ele tem que dar prioridade ao polimento da imagem – apresentando-se como um justo e bom pai. E, portanto, após três anos, percebeu de repente, que no caso Fénix, “algo não está certo”. No seu perfil do “Twitter”, deixou alguns comentários fazendo referência a fatos pertencentes à história checa: “Se se prova que se trata, apenas, de uma provocação policial, pedirei um caso de investigação minuciosa e  a punição dos culpados. A polícia de um estado tão democrático […] não pode destruir arbitrariamente a vida das pessoas, e isso independentemente do seu pensamento político. Espero que o “julgamento de Omladina”* pertença à nossa história e não ao nosso presente“. Pena que não estivesse lá a dizer essas palavras quando, no momento da prisão de Martin Ignacak, o detetive principal Palfiova, olhando para o arquivo, declarou: “nós podemos fazer tudo!”

Se o próprio Chovanec é, ou não, direta ou parcialmente responsável pelo processo contra o movimento anarquista, não sabemos e demorará muito tempo ainda até descobrirmos. Certamente que – se o tribunal enviasse as cinco pessoas para trás das grades – podemos apostar que iria tocar nos ombros dos seus amigos “pelo bom trabalho que fizeram”. Agora, quando o contrário aconteceu, pode sempre culpar  – pelos erros e abuso de poder – apenas alguns indivíduos de um aparelho policial e punitivo que, de outra forma. é “impecável” e “útil para toda a comunidade”.

A falta de provas ganha

Para muitos de nós, o veredito do Tribunal é um alívio. Por um momento, podemos respirar, nos encontrar para jantar e ver xs nossxs amigxs – num estado de espírito mais relaxado, fora dos muros da prisão. Estes momentos são importantes na vida e é bom que possamos aproveitá-los. A prisão é uma instituição inútil, divide relacionamentos, isola pessoas e destrói vidas. É por isso que o veredito, por mais agradável que seja do que “culpado”, não é uma vitória total para nós. Não esquecemos o que três anos de infiltração e posterior investigação significaram. Ales, Martin e Peter ficaram presos durante 27 meses no total, Lukas durante 7 meses e, antes disso, tinha estado um ano na clandestinidade. Todxs elxs ainda aguardam julgamentos (recurso do Fénix ​​1 e para alguns delxs e outrxs 2 companheirxs da Fénix ​​2). Alguns/mas delxs com possíveis sentenças de prisão perpétua, ainda no ar. Não vamos deixar esquecer que Igor – hoje considerado inocente – esteve com a mais difícil custódia, durante três meses, e ainda está a enfrentar restrições difíceis, declarando aos serviços de liberdade condicional há quase ano e meio. Além disso, ainda está sob risco de deportação da República Checa devido à sua permanência sob custódia.

As famílias, amigxs e pessoas mais próximas dxs réus e preso – bem como todxs aquelxs que são diretamente afetadxs pelo caso Fénix – estão a enfrentar uma grande pressão emocional e segregação. A polícia entrou em vários espaços e tem levado mais e mais pessoas para interrogatórios. A polícia está a utilizar práticas de abuso de poder, tais como levar as pessoas para a floresta, ameaçando xs parceirxs e pais e mães dxs suspeitxs. Uma lista do que foi feito durante as várias ações repressivas – e estamos apenas a falar dos últimos três anos – na cena anti-autoritária na chamada República Checa-  provavelmente seria longa e assustadora.

Em suma, é claro que não há nada para comemorar. A necessidade de esmagar o sistema opressivo ainda está em jogo, basta pensar numa estratégia melhor e encontrar novas formas de lutar. Em casos como o Fénix, é necessário entender do que realmente se trata. As unidades repressivas não têm medo de nós sózinhos, nem temem Martin, Peter, Sasha, Ales, Katarína, Radka, Igor, Lukas, Ales e xs outrxs acusadxs. O que os assusta é que mais e mais pessoas se identificam com as nossas ideias, especialmente se começarem a usar uma maior variedade de táticas. Os protetores do status quo investem muitas forças, energia e recursos para manter as pessoas na crença de que esta é a liberdade com a qual sonharam.

As pessoas anti-autoritárias e anarquistas que acreditam que podemos viver as nossas vidas de uma forma mais genuína do que a oferecida pelo neoliberalismo – e de que não precisamos de Estado e Política – podem oferecer uma alternativa que possa interferir com esse estilo de vida consumista.

A repressão é, então, vista como a ferramenta ideal para suprimir ideias. E por elas, o aparelho estatal quer nos desacreditar – através de meios sensacionalistas e rotulando-nos de terroristas – intimidando-nos, usando o encarceramento e dividindo o movimento entre “radicais” e xs “não-violentxs” e colocando-nos uns contra xs outrxs. Paralisando-nos com a paranóia.

A questão é, então, onde essa tentativa de repressão é bem sucedida e em que pontos podemos trabalhar sobre nós mesmxs. Como não cair em armadilhas que são invisíveis à primeira vista e como derrubar muros nas nossas cabeças. Dentro de nós mesmxs e entre nós e outras pessoas.

Como quebrar esses muros e construir pontes fora deles. Como superar o medo, obter aquilo pelo qual se está a lutar e respeitar cada qual. E por último, mas não menos importante, como não cair no desejo de ganhar num jogo que não é nosso e que só nos afasta de coisas e atividades importantes.

O caso Fénix ​​tornou-se um ponto crucial nas vidas de muitxs de nós. Podemos aprender muito com isso. Tomá-lo como um ponto de referência, para entender melhor como funcionam as estruturas de poder e para que nos entendamos mutuamente, bem como para analisar criticamente os nossos próprios erros. Não queremos fingir que temos as respostas para todas as perguntas. Mas aprendemos uma coisa. Se queremos que as nossas ações e a nossa organização sejam, realmente, efetivas e perigosas para as estruturas de opressão que nos mantêm sob controle, essas devem ser decorrentes de discussões coletivas e negociações que vão além dos esquemas fornecidos pelo estado. Aprendemos que não há motivo para nos escondermos da repressão, é melhor estar pronto para a enfrentar e criar condições que tornem essas operações inativas. No tempo em que as pessoas estiverem presas – primeiro discute-se se esta é a medida certa para implementar ou não, apenas após a prisão – há uma razão para continuar a lutar. Isso não quer dizer que, se o processo judicial acontecer na ordem oposta, a questão seja resolvida- em vez disso, precisamos imaginar um mundo completamente diferente. Um mundo sem prisões, fronteiras e polícia, onde devemos realmente resolver os problemas, em vez de nos espalhar por trás dos muros.

Fénix não é uma operação visando alguns/mas anarquistas ingénuxs, mas um ataque ao futuro da subversão como um todo. É também uma demonstração do poder policial e do trabalho dos agentes secretos do estado na democracia que ouvimos tão frequentemente como sinónimo de liberdade.

Não te deixes apanhar!

Em Solidariedade, Cruz Negra Anarquista, Praga, Equinócio de Outono de 2017.

“Os meus pilares de valores são: Vida, Justiça, Liberdade e Igualdade. As pessoas que constroem casos e querem aprisionar pessoas dificilmente entendem tais valores. Estou pronto para qualquer veredito, e levá-lo-ei de cabeça erguida. Um veredito que afetará a minha vida e a vida dos outros. “
Final do discurso de Martin Ignacak.

Nota:

*Em 1894, o julgamento Omladina, convocado na capital regional austro-húngara de Praga, colocou ostensivamente o anarquismo e o anarco-sindicalismo checo no tribunal, bem como condenando, especificamente, 68 nacionalistas checos por atividades radicais.

em inglês (pdf) aqui

 

[Itália] Publicação “Solidarietà e complicità”

Luta contra a biotecnologia
não pára, solidariedade e cumplicidade

[Notas sobre a situação de Silvia, Billy e Costa]

Com o seu anulamento, termina o processo legal contra Silvia, Billy e Costa (exercido pelo estado italiano).

Após cinco anos de audiências terminou esta semana, em Roma, o processo em cassação de Silvia, Billy e Costa – acusados pelo Ministério Público de Turim de transporte e receptação de explosivos entre Itália e Suíça com finalidade de terrorismo.

A partir do momento em que Silvia, Billy e Costa tinham acabado de cumprir a pena imposta no julgamento na Suíça, o promotor de Turim, no papel do Procurador Arnaldi Di Balme, tentou abrir um processo, primeiro por associação subversiva (incluindo outras pessoas, por parte da Coligação Contra Nocividades) e, posteriormente, com mais recursos, tentando provar que uma parte da tentativa de sabotagem na Suíça tinha sido preparada em Itália, pelo menos na recuperação e transporte do material necessário.

A cassação confirmou a decisão anterior de improvisabilidade, de acordo com o princípio “Ne bis in idem”, ou seja, não se pode julgar uma pessoa várias vezes pela mesma situação, apelando-se para um princípio de falta de jurisdição.

Para aquelxs que queiram aprofundar o assunto, recomendamos a leitura da publicação “Solidarietà e complicità”, uma coleção de textos em torno da tentativa de sabotagem do centro IBM sobre nanotecnologias na Suíça e da solidariedade entretanto expressa pela realidade do movimento, também a nível internacional [que pode ser pedida para envio postal].

[Itália] Convocatória de Solidariedade Internacional a 16 de Novembro de 2017 – Julgamento “Scripta Manent”

A 16 de Novembro, às 10 horas, perante o tribunal de alta segurança de Turim, celebrar-se-á a primeira audiência do julgamento “Scripta Manent”. Será um julgamento de longa duração, no qual 22 companheirxs anarquistas estão acusadxs, sete dxs quais continuam na prisão.

O aparelho repressivo do Estado acusa uma parte do movimento anarquista de o atacar, através das práticas de ação directa destrutiva contra as suas estruturas e os seus homens, a realização e distribuição de publicações anarquistas e apoio aos/às prisioneirxs revolucionárixs.

A teoria do acusador do ministério público Sparagna é que as posições dxs compañerxs acusadxs são isoladas e distantes do contexto anarquista. É uma tentativa flagrante de fraccionar e confinar o anarquismo a certos recintos fechados, legais e interpretativos.

Demoliremos a intenção de se isolar estxs companheirxs – afirmamos que a prática e as acusações de que são acusadxs constituem um património de todxs xs anarquistas e revolucionárixs – e reafirmamos a nossa proximidade com xs acusadxs.

Fazemos uma chamada para se participar na concentração de 5ª feira, 16 de Novembro, às 10 da manhã, em frente ao tribunal de alta segurança da prisão “le Vallette” em Turim, e reafirmamos a chamada à solidariedade internacional com todxs xs prisioneirxs anarquistas, rebeldes e revolucionárixs, em qualquer lugar e de acordo com as modalidades que cada pessoa considere mais apropriadas.

em espanhol, inglês, italiano, alemão

Itália: Terminou o processo judicial dxs companheirxs Billy, Costa e Silvia

A luta contra a biotecnologia não pára, solidariedade e cumplicidade

Há alguns dias atrás, o tribunal de Turim realizou uma audiência do julgamento, no estado italiano, contra os companheirxs eco-anarquistas Billy, Costa e Silvia. O Supremo Tribunal confirmou o “incumprimento não processual da jurisdição”, como já foi decidido em primeira instância e em recurso, pelo princípio de não se poder processar duas vezes o réu pelo mesmo ato. Fecha-se, de uma vez por todas, com essa decisão definitiva, o seu caso nos tribunais estatais.

Solidariedade para com xs companheirxs – Fogo para a IBM e o mundo tecno-prisional.

em italiano via CNA Italia, inglês

Hamburgo: Julgamento de Riccardo, anarquista preso durante o G20, marcado para 5/10

O julgamento de Riccardo terá lugar a 5 de Outubro às 9:00, no tribunal de Altona – Hamburgo (Max Bauer Allee 91).

Será a portas abertas – apesar de não sabermos ainda se a sentença será ditada no mesmo dia ou se passará para outra data. Depende da audiência (em muitos casos foram julgadxs e sentenciadxs no mesmo dia, porque xs indiciadxs confessaram). Será julgado por um tribunal de segundo grau que prevê penas até 2 anos (na Alemanha os tribunais dividem-se em 3 níveis de acordo com as penas solicitadas, não é um tribunal especial).

As acusações formais são: violação da paz, ataque por assalto e resistência.

A respeito da censura do correio – nunca existiu qualquer bloqueio sistemático- embora algumas cartas estejam bloqueadas (até agora são 3, repartidas no tempo, uma carta e outra nota sobre o que contêm periódicos de Hamburgo). De imediato, as sobras que continham material contra-informativo e folhetos.

Direção para escrever ao companheiro:

Riccardo Lupano
Jva Billwerder
Dweerlandweg 100
22113 Hamburgo
Alemanha

Paris, França: Julgamento pelo incêndio do carro da polícia da rua Valmy

De 19 a 22 de Setembro, 9 pessoas serão julgadas, acusadas do ataque a um carro da polícia ocorrido na rua Valmy, em Paris, no dia 18 de Maio de 2016. Duas dessas pessoas estão em prisão preventiva à espera de julgamento – uma delas há mais de um ano – enquanto que outras seis encontram-se sujeitas a medidas cautelares e uma última está a ser procurada.

Naquele dia, em pleno movimento contra a “lei do trabalho”, alguns polícias foram-se concentrando na praça de la République para se queixar do “ódio anti-bófia”. Uma verdadeira provocação, após dois meses de manifestações reprimidas à base de lacrimogéneos, granadas, matracas, detenções. Uma contra-manifestação foi convocada e proíbida, no entanto lançam-se pelas ruas de Paris e dada altura cruzam-se com uma patrulha com dois bófias a bordo, o carro é atacado e a seguir incendiado.
Para muitxs esse gesto deu alento. Como deu alento quando tudo rebentou em Beaumont após o assassinato de Adama Traoré, em Aulnay, ou após a violação a Théo, ou ainda quando um carro policial é incendiado por sua vez em frente da delegacia do distrito 19, na noite do assassinato de Shaoyo Liu, ou por fim quando as ruas de Hamburgo se incendiaram durante o G20. Da mesma forma, acontece isso quando se devolve à bófia um pouco da humilhação e das brutalidades que eles infligem quotidianamente.

A justiça atinge com força sempre que os seus sequazes de azul são atacados. É que a justiça e polícia encontram-se ambas ao serviço do Estado e dos poderosos deste mundo, para perpetuar a ordem das coisas, baseados na exploração, racismo, sexismo, homofobia e que não deveria dar a impressão de poder mudar as coisas. Então faz falta pôr sob controlo, com a ameaça de prisão a todxs aquelxs  que,  por escolha ou por necessidade, saem dos caminhos pautados do trabalho, consumo, da submissão ao poder. Os meios à sua disposição são cada vez mais numerosos. Seja através do anúncio da construção de dezenas de novas prisões – para encerrar cada vez mais pessoas – da legalização a partir do estado de emergência permanente, ou inclusivamente a partir da nova lei sobre a legítima defesa da bófia. Tudo isto à base de “é para a sua segurança”, no meio da aceitação geral ou quase geral.

É neste contexto que o julgamento vai ter lugar, sem dúvida alguma sob uma forte pressão mediática para que seja feito um julgamento exemplar, contra a lei geral do trabalho e de forma mais geral contra a hostilidade difusa à polícia, particularmente palpável nos últimos tempos. Perante isto compete-nos não nos deixarmos amoradaçar. Expressemos a nossa nuestra solidariedade com aquelxs que sofrem a repressão devido a actos de revolta nos quais nos reconhecemos. Não deixemos a sala de tribunal aos jornalistas e à parte civil, entre os quais a Alliance, sindicato de polícia que apelou à manifestação do 18 de Maio de 2016, sempre prontos para se mostrar nos media, em campanhas racistas e apelando à segurança. Façamos viver a nossa solidariedade da mesma forma nas ruas. Aqui ou em outros locais, não deixemos que a justiça vá condenar na indiferença, sabotemos a cadeia do controlo e do confinamento, recusemos o “policiamento” das nossas vidas e as diversas medidas que têm como objectivo torná-la total e permanente.

Liberdade para xs acusadxs do incêndio do carro policial, queimado a 18 de Maio de 2016!
Liberdade para todxs!

Julgamento todos os dias às 13.30h de 19 a 22 de Setembro, sala 14 do TGI de Paris, metro Cité.

Atentxs às próximas convocatórias para discussõess e outras iniciativas solidárias!

em pdf (francês) aqui
cartaz  aqui

Para escrever à companheira (inglês e francês):

Kara (David Brault) 428682
MAH de Fleury Mérogis
7 avenue des peupliers
91705
Fleury, France – França

em francês via cettesemaine.info , espanhol

Chile: Sobre a situação dxs companheirxs anárquicxs Nataly, Juan e Enrique, em julgamento desde 24 de Março

O julgamento contra xs companheirxs foi iniciado a 24 de Março. Esperava-se, tal como viria a acontecer, que o julgamento fosse longo e extenuante – já que o ministério público tinha anunciado a apresentação de 186 testemunhas, 87 peritos, 231 documentos e 648 evidências.

Como já se tinha informado no início de Julho, as propostas de penas a aplicar e as respetivas acusações são as seguintes:

*Enrique Guzmán: Acusado da confecção de dispositivo explosivo usado na 1ª Delegacia de Polícia de Santiago Centro. Formalizado pela lei antiterrorista, a acusação pede 10 anos de prisão.

*Nataly Casanova: Acusada da confecção de dispositivo explosivo usado na 1ª Delegacia de Polícia de Santiago Centro, da colocação de dispositivo explosivo no vagão de metro nos dominicos, posse de material para a confecção de material explosivo. Formalizada pela lei antiterrorista, a acusação pede 20 anos de prisão.

*Juan Flores: Acusado da colocação do dispositivo explosivo usado na 1ª Delegacia de Polícia de Santiago Centro, da colocação de dispositivo explosivo no vagão de metro nos dominicos, da colocação de dispositivo explosivo no Subcentro. Formalizado pela lei antiterrorista, a acusação pede pena perpétua.

Atualmente, xs compas estão convocadxs a participar no julgamento, tiram-nos muito cedo das celas nos dias de julgamento, as sessões começam cerca das 9 da manhã e regressam às celas às 14 h, aproximadamente.

Na sala de audiências estão juntxs, mas não podem ter contacto direto, já que entre cada dois puseram um guarda prisional, para xs manter separadxs. Uma fase longa e extenuante do julgamento foi, sem dúvida, a apresentação de provas por parte do ministério público (seguimentos, ADN, elementos apreendidos em assaltos policiais, etc), tal como a fase actual de declarações das testemunhas de acusação.

As testemunhas de defesa dxs compas ainda não declararam e incluem pessoas próximas e familiares, pelo que estas não podem ingressar nas audiências enquanto não declararem como testemunhas, o que limita as possibilidades de se obter informações sobre o que se passa no julgamento.

Xs compas, através de cartas, têm sido informadxs e continuam a ser inteiradxs das ações e iniciativas de solidariedade, tendo-se-lhes transmitido a importância de que possam escrever, de modo a compartilhar como têm estado a enfrentar o julgamento e pela retro-alimentação da solidariedade.

Do Chile, aquelxs de nós que temos tomado parte no apoio, de alguma forma, a Nataly, Juan e Enrique, saúdam as iniciativas de solidariedade impulsionadas por compas da Argentina, Grécia e de outras latitudes.

Contra todos os julgamentos e condenações do poder, a solidariedade anárquica fortalece os nossos laços, afilando a ação contra a autoridade!

Morte à autoridade!
Viva a Anarquia!

em espanhol

Bélgica: Ação&Cartaz de solidariedade com xs 12 compas acusadxs de terrorismo

Quatro veículos da empresa Fabricom foram queimados em Saint-Gilles, na segunda-feira de manhã, 26 de Junho, em solidariedade com xs anarquistas na mira do tribunal anti-terrorista na Bélgica.

Para enviar força e coragem a todxs aquelxs que levam no coração a raiva da rebelião.

É muito pouco, mas fazer barulho à volta deste caso, neutralizar o isolamento, não deixar que o medo nos amordaçasse, isso já é significativo.

Que estoire a Justiça!

A difundir largamente!

CARTAZ SOLIDÁRIO COM XS DOZE COMPAS PROCESSADXS POR PARTICIPAÇÃO EM DIVERSAS LUTAS CONTRA AS PRISÕES, AS FRONTEIRAS E O MUNDO DO PODER E DA EXPLORAÇÃO, LEVADAS A CABO DE 2008 a 2014.

No cartaz pode ser lido:

O ANTI-TERRORISMO BELGA ARREMETE CONTRA ANARQUISTAS E ANTI-AUTORITÁRIXS

Está a ser preparado um julgamento contra 12 insubmissxs – que a justiça belga se empenha em chamar “terroristas”.

O seu crime? Opor-se à ordem estabelecida de maneira autónoma e através da ação direta e cúmulo do cúmulo, assumir isso publicamente. O seu objetivo? A polícia, os bancos, as prisões, as fronteiras, os centros de detenção de imigrantes, os patrões, os cobradores, os eurocrátas, as câmaras de vigilância…em suma, tudo aquilo que nos explora e oprime neste mundo.

Vigilância, espionagem, rastreio, escutas telefónicas, instalação de câmaras nos domicílios, tentativas de infiltração, assaltos, detenções… E agora um julgamento por “terrorismo” e portanto a ameaça de passar largos anos atrás das grades, enfim pode-se dizer que o Estado está a utilizar todos os meios disponíveis!

Apesar de todas estas medidas, a documentação judicial é pouco sólida. E se as lutas são bem reais, a “associação terrorista” não existe senão na imaginação do Estado.

Durante estes últimos anos, xs que escrevemos estas linhas, também nós nos temos tentado opôr à realidade deprimente – que pretendem que se aceite como se fosse o melhor dos sistemas. Nós também – como tantas outras pessoas vindas de muitos horizontes, tomando múltiplas direções – temos feito parte dessas lutas. Nós não podemos tampouco ficar inativxs quando diminui, dia após dia, o pouco ar respirável já existente.

É inconcebível para nós que se deixe que o Estado arremeta contra uns tantos indivíduos, que os esteja a assinalar, manchar, a sujar tanto as suas formas de luta como as suas ideias.

Por isso pensámos que a mais bonita das solidariedades é fazer com que a revolta viva, aqui e agora.

Se lutar pela liberdade faz de nós terroristas, necessitarão então de mais do que uma dezena de lugares no banco dxs acusadxs!

Atualização sobre o caso aqui (francês)

em espanhol l francês

Aachen, Alemanha: Saíu a sentença do Caso Aachen

SE NÃO HÁ LIBERDADE PARA XS NOSSXS COMPANHEIRXS ENTÃO QUE NÃO HAJA TRANQUILIDADE PARA OS NOSSOS INIMIGOS

Hoje, 7 de Junho de 2017, foi proferida a sentença do caso contra xs companheirxs acusadxs ​​de atacar uma sucursal do PaxBank (Aachen) em 2014. Embora o companheiro (Barcelona) tenha saído em liberdade, a nossa irmã e companheira (Alemanha) foi condenada a sete anos e meio de prisão.

O que ficou claro após este julgamento e com esta sentença é que quiseram condenar não só os fatos, mas também as ideias; as nossas ideias anarquistas, a solidariedade e a atitude não colaboracionista com o Poder.

Apesar da intenção de atingirem e suprimirem as nossas ideias e práticas anarquistas, continuamos orgulhosxs de quem somos e convencidxs continuaremos do motivo pelo qual lutamos. Assim o demonstramos a ambxs com os nossos gritos de raiva e solidariedade na sala do tribunal – correspondendo à dignidade da nossa companheira – que nos saudou com a cabeça, levantando o braço de punho cerrado, enquanto a levavam.

Na sala do julgamento deixamos a nossa marca de desprezo por tudo o que isto significa: esperamos que esta tormenta de raiva, ira e amor pela nossa companheira sopre forte e se amplie por este maldito mundo.

Liberdade para xs nossxs companheirxs, guerra aos nossos inimigos!!

Alguns e algumas anarquistas solidárixs

N.T. Em Barcelona, estava marcada para este dia uma manifestação solidária, às 20h locais, fosse qual fosse a sentença proferida.

ATUALIZAÇÕES À MEDIDA QUE CHEGAREM

[Caso Aachen] 7 de Junho como data provável para a leitura da sentença

Atualização do Caso dxs anarquistas acusadxs de expropriar um banco em Aachen, Alemanha

Breve resumo da sessão de 22 de Maio.

A acusação pediu 9 anos para o companheiro e 8 anos e meio para a companheira em julgamento no denominado caso Aachen, na Alemanha.
Xs advogadxs da companheira pedem a sua liberdade tal como xs advogadxs do companheiro pedem a liberdade daquele. Provavelmente a sentença será lida no próximo dia 7 de Junho.

Atualizações constantes (espanhol) em solidaritatrebel