Santiago, Chile: «Perpétuo mais antigo», conto breve de Hans Niemeyer

prision

— Olha — disse-me, aproximando-se com a sua cara obesa, entre rindo-se e indignado — vê o que deixaram de marmelada os vampiros…a marmelada que a bófia dá. 

E mostra-me uma embalagem cor de alumínio de marmelada de amora, que a direção da prisão proporciona como pequeno-almoço, completamente desfeita. E o barriga de pote agora rindo abertamente, irónico, enquanto move a cabeça de um lado para o outro, como se não pudesse crer: 

— Os vampiros filhos da mãe, olha como eles são: a um perpétuo mais antigo, a uma pessoa que está presa para toda a vida, que aqui vai morrer, como se eu não pertencesse a esta merda — disse, dando murros na parede amarela da cela.

Caminha lentamente a deitar fora a exangue embalagem de mermelada fiscal, deixando a descoberto na parede um rabisco que dizia: «Deus meu, guarde e bendiga este solitário delinquente G.M.»

Hans Niemeyer Salinas
Prisão de Alta Segurança

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