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[Prisões chilenas] Mensagem dxs companheirxs Juan e Nataly (5/12); Veredicto caso bombas 2 (21/12)

5/12/17 – Uma nova abordagem da situação para xs indivíduxs em permanente conflito com o poder e compas solidários de qualquer lugar do mundo. Passados que são já mais de 3 anos do nosso encarceramento e mais de 8 meses em julgamento oral pelo denominado “caso bombas 2”.

O tempo decorrido na prisão faz ressaltar a toda a hora o significado da vida que escolhemos conscientemente – desde que sentimos a necessidade de enfrentar essa realidade de extermínio e devastação com as suas relações de poder e submissão, para assim realmente viver- e agora aproximamos-nos inevitavelmente de algum final…

Estamos presxs há mais de 3 anos por assumirmos posição contra o sistema de dominação, sem remorso por isso. Já que não podíamos negar-nos a nós próprios, menos ainda o que significa esta luta contra o poder, na qual muitxs compas nos foram arrebatadxs, sendo para nós uma necessidade mantê-lxs presentes, dos pensamentos aos atos, para continuarmos assim a sermos cúmplices, destruindo as fronteiras do tempo e do espaço.

Há mais de oito meses que se está a realizar um julgamento contra nós mas do qual claramente não nos sentimos parte, pois desde muito tempo que sabemos ser os únicos proprietários das nossas existências,
não importando onde estivéssemos.  Convocadxs diariamente a este lugar significa sentir ainda mais o confinamento físico, ao estarmos algemadxs, em jaulas pequenas e com intrusões forçadas diárias. Apesar disso, conseguimos estar todo este tempo próximxs, como nunca pudemos estar nos mais de dois anos de prisão.

Contamos-lhes que nos encontramos próximo do fim deste julgamento, a 1 ou 2 semanas, aproximadamente Esperamos que termine de uma vez, já que a extensão do processo se deve ao apetite da acusação para apresentar a sua “prova” até ao cansaço… (7 meses de exposição), sabemos que este caso é bastante fantasioso em relação ao Real.

Do visto e ouvido aqui, acusam-nos finalmente, de:

1- Ataque explosivo a 08/09/2014 no subcentro escola militar (acusado: Juan). Ataque do qual se deu aviso à polícia (número 133), segundo eles com somente 3 minutos de  antecedência à detonação. Informação da qual não duvidamos que exista manipulação – pois devido ao que atrás foi exposto, após o aviso não se adoptou nenhum procedimento policial, nem sequer se informou deste aviso. Facto com consequências já conhecidas de existência de feridos.

2- Ataque explosivo a 13/07/2014, na estação terminal de metro los dominicos, deflagrando o dispositivo mais de 10 minutos depois de ter sido encontrado sobre um assento do trem subterrâneo, por um empregado de metro. (acusadxs: Natal y Juan)

Estas duas ações foram reivindicadas pelxs compas da conspiração das células de fogo.

3- Atentado explosivo a 11/08/2014, dispositivo posto por baixo do carro particular de um polícia, isto num estacionamento contíguo à 1ª esquadra de stgo central (acusadxs: Nataly e Enrique, por “facilitar” o dispositivo a Juan, a quem se acusa de colocador). Ao princípio também se acusou Juan pela colocação de um dispositivo explosivo, na 39ª esquadra do Bosque. No mesmo dia, a 11/08/2014, num horário que só diferia em 10 minutos, aproximadamente, da explosão na 1ªesquadra, em lugares separados por uma distância exageradamente maior no tempo… situação que insultava a lógica e só se tornava possível na imaginação da acusação, pelo foi retirada esta acusação – sendo no entanto utilizada como um tipo de prova em todo o julgamento.

Ambas as ações foram reivindicadas pela conspiração internacional pela vingança.

4- Nataly e Juan são acusadxs de colocação de pólvora negra.

A acusação (e não só eles), pretendem não só condenar-nos mas também condenar estes factos sob a lei antiterrorista e, como consequência, ao sepulcro que são os seus cárceres,  solicitando prisão perpétua a Juan, 20 anos e 1 dia a Nataly e 10 anos e 1 dia a Enrique.

Este processo só procura – pela sua natureza repressiva, policial, mediática, judicial e de prisão – ser um golpe e uma demonstração mais de força contra xs indivíduos que negam o seu poder. Este é um “processo” que – desde o nosso encarceramento a 18/09/2014-  contou já com mais de 2000 polícias para nos deter, no meio de um festim mediático. Polícías de diversas instituições tais como GOPE, LABOCAR, DIPOLCAR, PDI, entre outrxs, muitas das quais participaram neste julgamento na qualidade de testemunhas ou peritos, con informações de sitios do sucesso (por GOPE), levantamento de evidências (por LABOCAR e  DIPOLCAR) e a inteligência de Carabineros, a cargo deste caso. Com perícias tais como o ADN pretendem vincular-nos a estes factos, ADN de misturas complexas, ao limite de detenção e outras complicações técnicas que não entregam nem têm nenhuma certeza científica, é só uma interpretação tendenciosa, parcial até à manipulação da prova por parte dos polícias de LABOCAR, como podemos apreciar neste julgamento. Para além da forma subjetiva, procuram ainda justificar uma relação com os factos através do nosso posicionamento. Factos dos quais temos sustentado não ser autorxs, mas que é um elemento extraordinariamente para o Ministério Público, devido à sua vaga acusação.

Hoje temos a necessidade de não ceder frente aos golpes dos nossos inimigos e responder a cada compa  solidário e de ação que tenha estado connosco neste confinamento – compas dos mais diversos lugares do globo: Argentina, Brasil, Grécia, só para mencionar alguns. As suas diversas formas de desenrascar e propagar o conflito são fundamentais para aquelxs de nós que vivem a realidade prisional, e hoje queremos abraçá-lxs uma vez mais. Temos ainda bem claro que nada do que eles pretendam determinar, será suficiente para acabar com os nossos desejos de liberdade. A liberdade dxs compas presxs, e a mesma necessidade da destruição das prisões são parte das nossas abordagens e objetivos, pelo que o sentir nas mãos e chocar com estes muros só podem reforçar esta necessidade…

Hoje queremos saudar fraternalmente o Byron Robledo, compa atropelado por um miserável condutor dum transantiago em defesa da propriedade dos ricos. Quebrar a passividade e solidarizarem-se com Byron!!! Um abraço à distância ao companheiro Konstantinos Yajtzoglou, sequestrado em Atenas, acusado de atentar contra o primeiro ministro e empregado do FMI Loucas Papadimos. Solidariedade insurrecta com xs companheirxs da CCF e um abraço cúmplice a Freddy Fuentevilla, Marcelo Villarroel e Juan Aliste, sempre atentos e dispostos a se solidarizarem.

Recebemos com alegria a notícia da libertação de Hans Niemeyer e de Javier Pino, tal como a saída da prisão dos 8 comuneiros mapuches – presos na denominada operação Huracán – assim como a dos comuneiros absolvidos pelo caso Luchsinger Mckay.

Dos muros da prisão de San Miguel,  Nataly Casanova;
Do CDP stgoSur (Ex-Penitenciária)  Juan Flores.

21/12/17 – VEREDICTO DO CASO BOMBAS 2

Juan Flores, primeiro companheiro condenado pela lei antiterrorista; Nataly e Enrique absolvidxs.

*Metro los dominicos*

Delito principal qualificado como danos + lei de controlo de armas: Juan condenado, absolvidxs Nataly e Enrique.

*1ª Esquadra*

Delito principal  qualificado como danos + lei de controlo de armas: Juan, Enrique e Nataly absolvidxs.

*Sub Centro*

Delito principal qualificado como atentado terrorista: Juan condenado

*Pertença de pólvora*

Delito de controlo de armas: Juan e Nataly absolvidxs.

Assim:

Nataly e  Enrique: Absolvidxs de todas as acusações.

Juan Flores: Culpado de porte e detonação de dispositivo explosivo + Danos + 6 lesões menos graves (Metro los Dominicos) e de colocación de dispositivo terrorista + dano moral (Subcentro).

Pela primeira vez o tribunal utiliza a lei antiterrorista para condenar (nesta última década), após uma série de rejeições em anteriores processos (Caso Bombas, causa contra Victor Montoya, contra o companheiro Luciano Pitronello, contra o companheiro Hans Niemeyer, entre outrxs) às pretensões da acusação – este veredito é clave e histórico nesse aspecto, validando o uso da lei antiterrorista.

A leitura final será a 15 de Março de 2018, onde se entregarão os detalhes do veredicto, além da quantidade de anos de prisão a que vão condenar o companheiro Juan Flores. Xs companheirxs  Enrique Guzman e Nataly Casanova já abandonaram a seção de máxima segurança e a prisão de san miguel, respetivamente.

Tanto a acusação como a defesa poderão ainda procurar a anulação do processo.

Toda a solidariedade insurrecta com o companheiro Juan Flores!

Abaixo a lei antiterrorista; Abaixo o Estado policial!

via publicacionrefractario em espanhol

[Prisões chilenas] “Trote matinal”, conto de Hans Niemeyer

Trote Matinal

Ingresso no hall com as câmaras de vigilância que se encontram no primeiro piso contiguo ao pátio em forma de losango, correspondente ao terceiro piso do módulo H norte. Faz frio em Santiago nesta característica manhã de primavera. Deixo a cadeira de plástico e o lado das janelas gradeadas, suavemente, sem fazer ruído apenas, enquanto o funcionário tranca com cadeado a grade e a seguir a porta de ferro.

As paredes são amarelas e as grades e portas azuis. Começo a mudar de roupa: bermudas, camisa de manga comprida, meias e umas sapatilhas  “Power” de quinze luke, tão longe das marcas de sapatilhas desejadas pela população penal. As duas câmaras de vigilância mantêm-se lá, imutáveis, perpétuas. Tento imaginar o seu controlador. Pode-se pensar que do outro lado do cabo exista algum obscuro funcionário lendo La Cuarta, tomando um café e comendo um pão com queijo e presunto, mas não é bem assim. Aqui as coisas funcionam.

Talvez não seja um sofisticado mecanismo de controlo social de alta previsão; talvez na Prisão de Alta Segurança se passem coisas que não imaginam as pessoas comuns, ou pelo menos as pessoas medianamente informadas. Mas também não se pode dizer que a polícia esteja a dormir. Não senhor. Atrás dessas câmaras há um funcionário que observa, estuda, calibra as situações, sabe quem é quem, conhece as suas rotinas, talvez até os seus estados de ânimo, por alguma coisa assiste aos Conselhos Técnicos. Se alguém pensar bem até estranha, que triste e se formos a ver interessante trabalho dessa obscura peça deste laboratório social.

Começo a trotar lentamente no pequeno hall que é utilizado para praticar desporto por alguns presos. Ao chegar ao final viro à esquerda, fazendo uma pequena rotação e logo outra para trotar paralelo à parede de doze metros. Quase ao chegar ao charco de sangue salto-o em diagonal e continuo a trotar. Chego ao fundo, dou a volta, antes de enfrentar a segunda mancha sanguinolenta que foi removida inutilmente por um preso, vertendo-lhe água quente, isso só a avivou e a fez sair do seu estado de coagulação, para voltar a escorrer, a fluir, a recuperar a sua cor vermelho vivo e fazer-me recordar os sucessos da tarde anterior. Jovens pobres lutando contra jovens pobres.  Procurando tirarem a vida, se é que isto pode chamar-se assim. Longe, muito longe, os beneficiados do sistema nem sequer tomam consciência que triunfam dia a dia. Passo pelo lado do segundo charco de sangue, testemunha muda com as câmaras de vigilância desta tragédia quotidiana do capitalismo.

O funcionário das câmaras de vigilância recosta-se na cadeira e acende um cigarro. Dobro de novo à esquerda para enfrentar o charco de sangue que há que saltar. Na realidade o que se passou na tarde anterior não me impressionou tanto quanto supunha. O funcionário dá volta a outra folha de La Cuarta. Longe, muito longe, continuam a ganhar os de sempre.

Ou na realidade estão próximo e a ganhar em nós mesmos? Salto de novo e continuo a correr.

Hans Felipe Niemeyer Salinas
Novembro de 2013

Inserido no boletim com a recompilação dos seus textos, publicado pelas edições La Idea

Nota dxs tradutorxs:

A 12 de Novembro de 2014, cerca de um ano depois de se ter publicado este conto, no decorrer de uma violenta invasão da prisão de Alta Segurança de Santiago do Chile, por um grupo especial anti-motins (GEAM), Hans Niemeyer, por se ter recusado a adoptar as atitudes de submissão (olhos baixos, mãos atrás das costas e trotar) foi algemado, golpeado na cabeça, no ouvido ferido e também numa perna com uma chave inglesa o que o deixou coxo e com contusões múltiplas.

Para escrever ao compa:

Hans Felipe Niemeyer Salinas
3° H Norte Sección de Alta Seguridad
Cárcel de Alta Seguridad, Santiago de Chile

Solidariedade Ativa e Combativa com Hans Niemeyer!

Santiago, Chile: Chamada a um Dezembro Negro em memória de Sebastián Oversluij

13215416Nesta 6ª feira, 28 de Novembro de 2014 decidimos atacar um autocarro do transporte público com a finalidade de chamar a um Dezembro Negro de ações e gestos solidários em memória do companheiro anarquista Sebastián Oversluij, assassinado durante uma expropriação bancária frustrada no dia 11 de Dezembro de 2013. Logo que o autocarro começou a arder, atirámos pirotecnia de forma a que a nossa raiva e rebeldia destilasse com mais força. Com esta ação também pretendemos solidarizar-nos com a companheira Tamara Sol Vergara que actualmente se encontra sequestrada nas mãos do poder. Esta é a forma que encontramos para dizer que nenhum dos nossos mortos e presos está esquecido, que a cada golpe do inimigo se multiplica a raiva expressando-se através de ações certeiras contra o poder.

Nos meios de comunicação burgueses esta ação vinculou-se ao início da Teletón. Na realidade a motivação claramente não foi essa, mas de qualquer modo mostramos o nosso repúdio aqueles que comercializam com a desgraça de outros. Este é o nosso contributo à conta oficial deste festa de hipocrisia. Além disso, sublinhamos que vivemos momentos de grande tensão, com três pessoas a serem presas pela sua suposta participação na colocação de um engenho explosivo no subcentro da Escola Militar. Embora seja nossa opinião que a ação foi pouco estratégica, é mais um retrocesso que uma contribuição, não deixamos de nos solidarizar com aqueles que provavelmente vivem os processos carcerários mais duros dos últimos tempos.

Como anti-autoritários acreditamos na destruição da sociedade carcerária e, devido a isso, recordamos Nataly, Juan e Guillermo, assim como Hans Niemeyer, Mónica Caballero, Francisco Solar, Juan Aliste Vega, Carlos Guitérrez Quiduleo, Marcelo Villarroel e Freddy Fuentevilla. Não esquecemos os dois weichafe que foram assassinados nos últimos tempos nos territórios do sul em conflito, José Quintriqueo e Victor Mendoza Collío. Memória e combate em seu nome. Também recordamos que  esta semana foram detidxs quatro jovens por porte de dispositivo incendiário e desordens na via pública; enviamos-lhes um afectuoso abraço de solidariedade e fogo fazendo por sua vez uma chamada a que tomem sempre todas as precauções e medidas de segurança no momento da ação, para evitar os golpes do inimigo.

Não é demais insistir no esclarecimento de que, para nós, o transporte público representa uma das formas que o Estado e o Capital emprega para que xs exploradxs e consumidxs deste sistema cheguem aos seus postos de alienante trabalho, de forma a cumprirem com as obrigações impostas por um sistema que procura abarcar as nossas vidas até ao último segundo. Queimar um autocarro é questionar de golpe a lógica da estrutura, é sabotar a circulação de mercadoria humana, interromper o objetivo totalizante da urbe. A nossa luta é pela vida, a liberdade e a terra, contra o conjunto de fantasias que o capital e o  espectáculo nos impuseram como forma de vida, contra o avanço do progresso que destroça tudo o que é belo e tudo o que é livre.

Chamamos a um Dezembro Negro

em memória do companheiro Sebastián Oversluij

Solidariedade com Tamara Sol Vergara

Hans Niemeyer, Mónica Caballero e Francisco Solar em liberdade!

Força ao companheiro Nikos Romanos

Um carinhoso abraço aos companheiros que atacaram a PDI

Mauricio Morales e Sebastián Oversluij presentes!!!

Santiago, Chile: «Perpétuo mais antigo», conto breve de Hans Niemeyer

prision

— Olha — disse-me, aproximando-se com a sua cara obesa, entre rindo-se e indignado — vê o que deixaram de marmelada os vampiros…a marmelada que a bófia dá. 

E mostra-me uma embalagem cor de alumínio de marmelada de amora, que a direção da prisão proporciona como pequeno-almoço, completamente desfeita. E o barriga de pote agora rindo abertamente, irónico, enquanto move a cabeça de um lado para o outro, como se não pudesse crer: 

— Os vampiros filhos da mãe, olha como eles são: a um perpétuo mais antigo, a uma pessoa que está presa para toda a vida, que aqui vai morrer, como se eu não pertencesse a esta merda — disse, dando murros na parede amarela da cela.

Caminha lentamente a deitar fora a exangue embalagem de mermelada fiscal, deixando a descoberto na parede um rabisco que dizia: «Deus meu, guarde e bendiga este solitário delinquente G.M.»

Hans Niemeyer Salinas
Prisão de Alta Segurança

espanhol

Estado espanhol: Faixa em solidariedade com Mónica e Francisco

Na semana de solidariedade con xs anarquistas Mónica Caballero e Francisco Solar, colocámos uma faixa em solidariedade com xs compas na estrada N.1 na altura de Altsasu (Nafarroa); com esta faixa queremos expressar a nossa solidariedade e proximidade com xs presxs anarquistas e a partir daqui aquí mandar-lhes um forte abraço. Ânimo e força compas.

Na faixa pode ler-se: Liberdade Mónica e Francisco, Anarkia Bidea Da [em basco: a anarquia é o caminho).

Na faixa não havia sítio para saudar outrxs prisioneirxs, pelo que a partir daqui mandamos un fuorte abraço aos companheiros:

Gabriel Pombo Da Silva; Marco Camenisch; Alfredo Cospito; Nicola Gai; Sergio Maria Stefani; José Miguel Sánchez; Marcelo Villarroel Sepúlveda; Freddy Fuentevilla Saa; Juan Aliste Vega; Hans Niemeyer Salinas; Carlos Gutiérrez Quiduleo; Mario González. Solidariedade axs prisioneirxs anarquistas da Grécia, Itália, México e de todo o mundo.

Agur eta ohore [em basco: adeus e honra], companheiro Sebastián Oversluij.

Anarquistas

Prisões chilenas: Cinco presos políticos em greve de fome, como mostra de solidariedade com Mónica Caballero e Francisco Solar

COMUNICADO PÚBLICO DE INÍCIO DE GREVE DA FOME:

A todas e todos os que lutam pela libertação total.
Às consciências anticarcerárias.
A todas e todos os rebeldes e insurretos do mundo enteiro.

No marco do chamamento feito desde Barcelona para uma jornada de solidariedade Internacional com xs nossxs companheirxs encarcerados hoje em Espanha, Francisco Solar Domínguez em Navalcarnero e Mónica Caballero Sepúlveda em Estremera, a realizar-se entre 16 e 22 de Dezembro, os prisioneiros subversivos, libertários, autónomos e mapuche, Marcelo Villarroel Sepúlveda, Freddy Fuentevilla Saa, Juan Aliste Vega e Hans Niemeyer Salinas situados nos diferentes módulos da Prisão de Alta Segurança e Carlos Gutiérrez Quiduleo na secção de Máxima Segurança, todos na Unidade Especial de Alta Segurança de Santiago de Chile, comunicamos:

1. Damos início a uma Greve da Fome líquida como expressão concreta de solidariedade direta com xs nossxs irmãxs, amigos e companheiros “Cariñoso” e “Mona”, acusados pelo fascista Estado Espanhol de pertencer ao Comando Insurrecioionalista Mateo Morral, quem se havia reivindicado da autoría da acção direta contra a Basílica del Pilar em Zaragoza, da falida detonação na Catedral da Almudena em Madrid, para além de serem acusados de conspirar para atentar contra a Basílika de Monserrat em Barcelona.

Com esta mobilização procuramos atingir o medo e a indiferença reinante, romper os muros de todo o tipo e num gesto de irmandade indestrutível assinalar claramente que o nosso sangue-coração e ossos hoje estão em Madrid junto a elxs, e nos dói o seu isolamento, embora entendamos que é  parte da vingança estatal permanente contra todos os que procuramos a destruição total da sociedade de classes Continuar a lerPrisões chilenas: Cinco presos políticos em greve de fome, como mostra de solidariedade com Mónica Caballero e Francisco Solar

Santiago, $hile: Declaração insurrecional reivindicando ataques a sucursais bancárias

7 de Novembro de 2013

Começarei por fazer uma pequena alusão às relações entre compas antiautoritárixs:

Nunca poderemos surgir como alternativa de vida contra o alienante buraco negro chamado sociedade, se não tomarmos a sério o nosso papel primordial para transformar as nossas própias vidas.

Se não abandonarmos, pela raíz, condutas baseadas no ego-civilizado que tantas vezes nos tem causado um tão grande retrocesso insurrecional.

Se não percebermos que entre xs companheirxs há um/a ou outrx “cabeça de pistola” que leva nos lábios certo discurso que nem elx nele acredita e que, no momento de o concretizar, o faz sob o peso que representa para si o que dirão delx.

Muitos são aos casos em que transformam a violência num fetiche, vazio de raiva à sociedade, vazio de ilusão por uma vida que rompa com a  estrutura patética dos Estados e dos sistemas hierárquicos, vazio de toda a projeção antagónica a um mundo grotesco que se alimenta das nossas mesmas contradições – uma violência que carece de beleza caótica e que cai repetitivamente num círculo vicioso de auto-satisfação, masturbação, e portanto com projeção nula…

Ao fogo o ego-alienado-civilizado, em especial ao ego que emana entre nós mesmxs, anarquistas, antiautoritárixs, nihilistas da ação, insurgentes, etc… Não continuemos a cair nos mesmos erros que caiu a velha escola rebelde, erros esses que permitiram que fossemos aniquiladxs e que a aniquiliram também.

Não falarei do sistema neoliberal, nem de Estados, nem do capitalismo, somente da raíz da nossa deprimente realidade: a autoridade, as hierarquias. Uma estrutura social baseada em papéis designados e inalienáveis. Uma vida parcial e baseada nos ensinamentos, determinados não pelos nossos pais – pateticamente eles a soportam – mas pelo monstro da autoridade, da civilização, o agente encarregado de que a estrutura se perpetue infinitamente, numa engrenagem interminável.

Desde a família, que injeta as primeiras noções de como se deve existir e como se deve levar uma vida longe do perigo, até ao maldito colégio, com os seus professores e inspetores, odiando-nos mutuamente e fazendo-nos a vida impossível, desde as oito da manhã – já que eles são a autoridade. Depois a universidade e as suas eruditas visões inalcançáveis, a sua visão relativista que tudo está bem ou mal dependendo de como o vejamos… depois o trabalho… enfim, morrer, morrer parado, morrer com os olhos abertos, morrer lentamente numa agonia de oito horas por dia, cinco dias por semana (se tiveres sorte), depois morrer para ser castigadx pelos seus pecados e julgadx quase da mesma maneira como vivemos, sendo julgadxs na terra… Irra! Que vida…

Opomo-nos a toda a forma de dominação, assumimo-nos como animais selvagens que a sociedade ainda não pode civilizar (muito), odiamos a estrutura que nos enrijece todos os dias, odiamos o cimento e as suas expansivas ruas cheias de contaminação de toda a espécie, odiamos todas as figuras de autoridade e neste momento não duvidamos mais em transformar a nossa raiva num incêndio de grandes proporções…

Aproximadamente às 20:00 do dia 7 de Novembro, perto do metrô “União Latino-americana” (ULA), um grupo de indivíduos amantes de ver arder aqueles que nos fazem colocar a cabeça no chão todos os dias, concentrámo-nos e dirigimo-nos à porta do Banco do Estado e, sem hesitações, derramámos para o interior aproximadamente 20 litros de “acelerante”, como gosta dizer a bófia; cortámos a rua, erguendo barricadas fora do banco e lançámos um coquetel molotov – para que se inflamasse tudo o que estivesse molhado no interior do banco. Em consequência disso – e para nossa alegria incendiária-insurrecional, o banco com as suas 4 caixas ATM dentro ficou completamente incinerado, destruído, e inutilizado e o trânsito ficou obstruído, durante um bom tempo, pelas barricadas que foram feitas. Não houve detidxs nem feridxs da nossa parte. A polícia ficou-se a cagar e os cidadãos ficaram com as suas caras típicas, estupefatas e estúpidas.

Reivindicámos tambem a colocação do engenho explosivo, num banco BCI, em panfletos e rascunhos, dedicando-a a Hans Niemeyer, companheiro encarcerado e, apesar de termos muitas diferenças políticas, dedicámo-la também aos companheiros Marcelo Vilarroel, Juan Aliste Vega e Freddy Fuentevilla, presos acusados de assaltar um banco Security e matar o porco Mollano em 2007, ação que aplaudimos naquele momento. Com esse comunicado mandámos um efusivo beijo e abraço aos 4 mencionados e gritámos de fora da prisão: Não estáo sós animais selvagens evnarcerados, o espírito vândalo dxs descontentes pelo mundo em que nos forçam a viver, cada dia se inflama mais. Com ações, escritos, reflexões, incêndios, bombas, balas, molotovs. Todos os dias ele está presente em nós, preparando-se para declarar a guerra definitiva e impiedosa contra os Estados e sociedades do mundo.

Compas presxs a guerrear no bairro de Villa Francia em 11 de Setembro de 2013. Nós, efusivxs vândalxs, atuamos em vingança pelos golpes que deven ter recibido nessa noite e pelas penas com que o Estado almeja sentenciá-lxs. Presxs da Villa Francia do 11 de Setembro em prisão domisiliária para as ruas!

Barry Horne, guerreiro, não te esqueceremos, nem o tempo, nem a tua morte, nem a nossa própia morte conseguirá que te esqueçamos.

Punki Mauri, se pudesses escutar-me, o que sei que não podes: a ofensiva recorda-te com nostalgia, e em vão nunca ficará a tua valente morte.

Que a guerra antisocial se torne perigosa com ações surpresa, atentando contra a instánvel e patética paz que acredita possuir a cidade. Saibam que nos estamos a preparar para iniciar um confronto sem piedade contra os seus vigilantes, e que cedo ou tarde romperemos os seus cercos e dispararemos nas suas mansões ou casas. Tenham isso claro: bófia, delegados, juízes, dirigentes, inspetores, empresários, fiscais, traidores, altos mandatários e todo aquele que fizer a guarda deste sistema doente o qual suportamos há milhares de anos.

Que a guerra antisocial não seja uma simples palavra de ordem. Que se reproduza em 100% do dia a dia dos indivíduos que se posicionam pela guerra. Não se esqueçam disso quando forem curtir e ter um pouco de diversão.

Nas vesperas das eleições presidenciais, de deputados e senadores… Votar é o mais patético que se pode escolher, votar é assumir que estamos mortxs em vida, votar é desertar da batalha que nos permita derrotar este império do qual somos vítimas… Morte a Marcel Claude, a Roxana Miranda, e a todos guardiãos dessa estrutura asquerosa.

Fogo a civilização, às drogas (que tanto nos civilizam e destroem) e a todas as malditas autoridades. Conspira, planeja, estuda o teu objetivo, desconfia, ataca, incendia, atenta, destroça.

Pela libertação total humana e animal não-humana!

Assinam: Uns/umas quantxs meninxs selvagens do bosque que desejamos viver num mundo menos grotesco e insensível