Arquivo de etiquetas: poesia armada

Aguascalientes, México: Motim poético pelxs presxs anarquistas

Evento anticarcerário

No cartaz pode ser lido:

Motim poético pelxs presxs anarquistas
– Oficina anticarcerária
– Cartas prófugas
– Deformance
– Slam Poético
– Situação dxs presxs
– Rifa Solidária
-EVENTO LIVRE DE DROGAS E ÁLCOOL
SÁBADO 9 de SETEMBRO 17:00, LA ALAMEDA
AGUASCALIENTES, MÉXICO

[Poesia armada] Não existe

Não existe o sol
não existe a lua
não existe a primavera
verão, outono ou inverno,
não existe o céu
não existe a terra
não existe o vento
o pasto, as flores
as árvores.
Existe a humanidade… todos os dias morre ao nascer,
da sua curta mas larga existência, o animal preso.

(Da contracapa da quinta edição da Semilla de Liberación, [Semente de Libertação, 02/2017]

em grego

[Poesia armada] O Poder do Chulé

De Profundis Profanum

Que ardam nas profundezas.
Que se façam banir na revolta:

Os Salvadores das Pátrias,
Os Sebastiões do Nevoeiro,
Os Sacripamtas da Treta,
As Fátimas da Miséria dos Pequeninos,
Os Futebóis do Chulé,
As Touradas da Inquisição,
Os Vampiros da Banca,
Os Pântanos do Poder.

O Salvador da Pátria,
nos pântanos do Poder,
D. Sebastião enevoado
Sacripantas do Chulé.

O Sebastião Conquistador,
Do Império Colonial,
De Nevoeiro e Vampiros,
à Miséria da Inquisição.

Sacripamtas da Treta,
Futebóis e Touradas,
Pela miséria da Banca,
Vampiros dos Pântanos.

Das Fátimas do Poder,
à Banca da Treta,
Inquisição de Vampiros,
Pântanos do Nevoeiro.

O Chulé do D.Sebastião
A Treta do Futebol,
A Inquisição dos Pântanos,
A Banca das Touradas.

O Poder do Nevoeiro,
A Treta das Pátrias,
A Pequenez da Miséria,
A Banca dos Vampiros.

A Banca dos Impérios,
O Pântano dos Salvadores,
A Pátria dos Pequeninos,
O Poder do Chulé!

Tijuana, México: Poema por um Dezembro Negro

relampagos_raiosDezembro negro de individualidades ao grito de solidariedade,
Da nova solidariedade anárquica, negra e direta,
Solidariedade a fogo de barricadas, molotovs, balas, punhais
Expropriações, explosões, incêndios, sabotagens
Panfletos, faixas, versos, textos,
Ações reivindicadas ou não,
Múltiplos gestos anti-hierárquicos e infinidade de ataques,

Companheiro Sebastián Angry Oversluij
Essas balas que entraram no teu corpo serão vingadas,
Bancos, delegacias, transnacionais, igrejas
Tribunais, laboratórios, institutos, sedes partidárias sejam quais forem,
As chamas do Dezembro insurreto incendiarão,

Dezembro do perigo permanente da nova anarquia,
Dezembro negro pela liberdade de todxs xs anarquistas presxs
Dezembro pela solidariedade com xs fugitivxs dignxs
Dezembro pela memória pelxs companheirxs caídxs em combate,
Dezembro pela complicidade de indivíduos e células indómitas,
Dezembro de todxs os meios contra a dominação,

Xs companheirxs sequestradxs, fugitivxs e caídxs sentirão a nossa companhia a cada golpe contra a passividade.

Liberdade imediata dxs Presxs Anarquistas!

Queremos-los livres e selvagens!

Algumx Individualidade Solidária.

Em espanhol grego inglês

Chile: Em resposta à chamada internacional pelxs presxs anarquistas de todo o mundo

corte2

corte1

corte3
Semana Internacional de Solidariedade com xs companheirxs presxs. Saímos sem medo e decididxs a nos divertirmos, quebrando o dogma da tranquilidade e legalidade. Na mente a rebeldia do jovem José Huenante*, assassinado em democracia. Bófia, carcereiros, guardas e toda a autoridade, arderão com a nossa calorosa alegria. Propaga a revolta.

Na noite definida
ao crepúsculo da rotina
infinitas partículas conspiram na sombra dissocial.
Nos espectros do nada
os desejos são gemidos
a raiva é uivada
os esquecidxs são gritadxs
os ecos perdidos estão rugindo.

No desdém de uma cidadela do poder
máquinas frenéticas, enxame de escravxs,
pós de maquilhagem e dispositivos de controle.
Xs esquizofrénicxs rebeldes, bárbaro!
Negaremos a existência quotidiana: Prisões,
escolas, famílias, manicómios, asilos, psiquiatras
e toda a anulação individual.

Abrimos as asas para sair de fendas e cavernas
bifurcar o fogo em cada beco,
perímetros de segurança e local de domínio.

E que saibam que nos transbordamos em todas as direções,
a todos os pontos.
Somos infinitas partículas buscando a explosão.

Uma pequena contribuição da terra chamada Chile, região do maule Talca.

Grupo Afím cães, gatxs e rãs

A ação decorreu no dia 27, um corte numa das artérias da cidade, às oito da noite.

* Um Mapuche de 16 anos de idade que “desapareceu” enquanto estava sob custódia policial em Puerto Montt, sul do Chile.

Santiago, Chile: «Perpétuo mais antigo», conto breve de Hans Niemeyer

prision

— Olha — disse-me, aproximando-se com a sua cara obesa, entre rindo-se e indignado — vê o que deixaram de marmelada os vampiros…a marmelada que a bófia dá. 

E mostra-me uma embalagem cor de alumínio de marmelada de amora, que a direção da prisão proporciona como pequeno-almoço, completamente desfeita. E o barriga de pote agora rindo abertamente, irónico, enquanto move a cabeça de um lado para o outro, como se não pudesse crer: 

— Os vampiros filhos da mãe, olha como eles são: a um perpétuo mais antigo, a uma pessoa que está presa para toda a vida, que aqui vai morrer, como se eu não pertencesse a esta merda — disse, dando murros na parede amarela da cela.

Caminha lentamente a deitar fora a exangue embalagem de mermelada fiscal, deixando a descoberto na parede um rabisco que dizia: «Deus meu, guarde e bendiga este solitário delinquente G.M.»

Hans Niemeyer Salinas
Prisão de Alta Segurança

espanhol

Restos

type-1024x363Dez pãezinhos
quatro maçãs vermelhas
uma maçã verde
uma banana
dezenas de sanduíches
enroladas em papel de alumínio

Tentamos salvar
o que pode ser salvo
deste mundo torcido
vasculhando os seus caixotes do lixo
Limpando a sua vida de turista

Você precisa de toalhas?
você precisa de papel higiénico?
Vamos perguntando durante o mergulho a fundo
nos restos dos consumidores

Meus pés estão-me a matar
mas eu não posso parar de questionar
Quando será, foda-se, que nos levantaremos?
contra você-sabe-quem
contra você-sabe-o-quê

Juntos

Juntos, juntos, juntos
você verá
sózinho, sózinho, sózinho
você nunca será livre.
Juntemo-nos para lutar juntos
comecemos a fazer melhor as coisas
Juntos somos mais fortes
Governantes nunca mais.

Contra a liderança e escravidão
devem ressoar as batidas agonísticas
voando de Berlim até Atenas
nas praças e nas ruas.
Corvos de preto coaxando brilhantemente
dos telhados em todo o mundo
possa essa melodia se espalhar amplamente
até que as nossas lutas sejam ouvidas.

Juntos, juntos, juntos
você verá
sózinho, sózinho, sózinho
você nunca será livre.
Juntemo-nos para lutar juntos
comecemos a fazer melhor as coisas
Juntos somos mais fortes
Governantes nunca mais.

E algumas gralhas perdida a direção
extraviaram-se em feroz tempestade
mas continuaram a sua melodia
até que os ventos as devolveram a casa.
Viram xs seus/as companheirxs presxs em gaiolas
casas senhoriais num monte de escombros
esse mundo podre em pedaços
para que tal inferno possa desaparecer.

Juntos, juntos, juntos
você verá
sózinho, sózinho, sózinho
você nunca será livre.
Juntemo-nos para lutar juntos
comecemos a fazer melhor as coisas
Juntos somos mais fortes
Governantes nunca mais.

Carta ao meu filho

drunkAndorinho
e pequeno hooligan
escrevo para ti estas linhas
do país do trabalho negro
a anos-luz
e o higrómetro
está no limite
tu és o futuro
e a juventude deste mundo
arregaça as mangas
põe as mãos na terra
abre um buraco
e enterra lá dentro
os resíduos humanos
herança
para o arqueólogo
do novo milénio
e lembra-te sempre
só os cobardes têm pátria
e nunca te esqueças
há que ser um cão negro
e um vagabundo.

Saudações nechayevistas neste natal também
O teu velho

Mundo de Plástico

A Liberdade foi tomada como adquirida
anunciada em telas gigantes
embalada em coloridas embalagens de plástico
vendida como coisa básica e barata
no meio do espetáculo dos
palácios de cristal iluminados
onde pessoas com chips RFID nos pescoços
se entretinham a capturá-la.

Mundo plástico, habitado por pessoas de plástico com sonhos de plástico
a sua essência acaba por ser ilhas flutuantes em oceanos
até que formem um oitavo continente
–o novo mundo– Plástika
dar-nos-à as benvindas com uma Estátua da Liberdade de lixo de plástico.

Ó Todo-Poderoso Deus do plástico, abençoa a nossa civilização!

 

neoloxismo da rivuelta

fála portunhóli
fála niolatínu
cása las paróls
kébra les frontiérs

pra ken nam ha lléngue mátre
pra ken nam respécta i nórmi
tot versió da fála humána
est de fácto emigré

cóntra lho státo ti párlo
cóntra tots i banderóls
cóntra la natsió, la rátsa
per la piéna libertát

fóko, pétra, et martéli
golpirándo i castéli
de kualkéna dominánte
e di tot otoritát

anonims

Atenas: Ataque incendiário contra a casa de Giannos Papantoniou, ex-ministro da Economia e Defesa Nacional

papa

Assumimos a responsabilidade pelo ataque incendiário contra a casa de Giannos Papantoniou, ex-ministro da Economía e Defesa Nacional. Chegados à porta da sua mansão, na rua Olympias, bairro de Kifisia, incendiámos os dois carros que utilizam, ele e a sua “mulher” Roula Kourakou, para as suas inúteis deslocações. Os guarda-costas deste porco não foram capazes de garantir-lhe a segurança que anseia. Apesar do nosso pensamento namorar a imagem da sua mansão em chamas com ele próprio e sua “mulher” atemorizados procurando as saídas de emergência, excluímos desde o início tal perspectiva, dado que no interior da mansão se encontrava o seu pequeno, o qual não queríamos pôr em perigo.

Longe de uma retórica populista, reconhecemos na rosto de Giannos Papantoniou um executivo do Poder. Não nos interessa enumerar os seus golpes, ainda que tenham sido muitos. De qualquer forma, sejam corruptos ou incorruptíveis, os executivos do Estado são um objectivo permanente para as dignidades rebeldes, sem importar se mantêm ainda ou não o seu posto no aparato estatal. Realizámos o ataque na tarde do mesmo dia em que, há 4 anos, os porcos assassinaram o nosso companheiro Alexandros Grigoropoulos. Faz quatro anos que alguém se foi de repente, um brado mortal que detonou a revolta e os acontecimentos que todos conhecemos e quatro anos após esse dia um grande incêndio e várias explosões à porta da casa de um dos nossos inimigos declarados reacendem o nosso ódio e espalham o terror na direcção desejada.

Através de ataques personalizados queremos irromper nos perímetros seguros das suas vidas. Nas suas casas, nos seus carros, na sua vida de luxo.

Reflexões a partir do abismo, dedicadas do coração aqueles/as que se afundam no seu abismo de raiva…

Rostos velados, cujas características se ocultam atrás de um capuz, cujas entranhas ardem. Ardem de paixão por uma liberdade que se possa vivenciar, por uma morte que talvez se aproxime, por um acontecimento inesperado que mudou as suas vidas.

Durante um instante, todos/as se iluminam acima das fogueiras acesas nas barricadas e bens queimados na metrópole,com olhos brilhantes de esperança pelo impossível que se deve alcançar custe o que custar, pela contradição que se acaba de armar e ocupou o seu posto no carregador. E a arma aponta tanto ao inimigo como às nossas cabeças. Uma roleta russa que leva à loucura. E esta loucura, bela e perigosa, invade todos os músculos do nosso corpo, todas os neurónios do nosso cérebro, converte-se em pedra na cabeça da bófia, em bombas nas sedes centrais da ordem estabelecida, em balas nos corpos dos nossos torturadores. E voltando à base, a contradição armada dispara, converte-se em eterna questão, sussurrando e clamando dentro de nós, lágrima que emana pela mudança cada vez mais distante, grito que estilhaça em mil pedaços a noite de pedra dos escravos modernos para os informar da nossa chegada.

“Cabrões, vou-vos foder, a todos, hoje joguei o final como vocês jogam a vossa mulher ou homem, que processo tão padronizado para vós, é como tirar a comida do forno, que novidade para nós é cada sensação e experiência novas, um sentimento que ao nascer já está condenado a morrer ao nosso lado, nalgum lugar obscuro de reflexão, filhos da puta, cago no vosso deus, se pudesse traçar só uma linha e disparar para o ar como a pessoa que dá o sinal de partida, se soubesse correr como um louco através de rios, bosques e montanhas,na meta teria um letreiro de vencedor ou perdedor, cago-me no vosso deus.”

E uma vez posto o sol, levando consigo o seu desconhecido poso, significados e objectivos, desafios e declarações, estes rostos desconhecidos emergirão do mesmo ponto desconhecido de quem os buscava, de modo que estes se perderão num vagabundear transcendental, agora estão felizes, sorridentes, com um pouco da alegria vivenciada pela criação catastrófica que se preparam para propagar, convencidos de que desta vez tocarão o céu esticando as mãos até que lhes doam a ponta dos dedos.

Queremos mais um tempozinho, só para conseguir colocar os nossos caóticos pensamentos numa suposta ordem, afim de definir a variável das nossas asfixiadas vidas nos sujos sótãos da vida sem sentido do mundo moderno e sair à superfície a apanhar um bocado de ar. Só uma golfada que dure o suficiente para que corramos, nos enamoremos, choremos, que abracemos os/as nossos/as amigos/as e pais, nos ríamos com todas as nossas forças, amemos os nossos e odiemos os inimigos, para que olhemos o horizonte, o universo de possibilidades infinitas. E, no instante em que a asfixia nos domine, voltaremos a colocar o capuz e uma última vez, desta última vez a palavra vingança tomará as dimensões terroríficas que sempre sonhamos, queimaremos os portadores do desprezo humano e da opressão acumulada, bófia e juízes, funcionários do Estado e políticos,a tormenta autoritária que nos golpeia se converterá em cinzas. E nesse momento exacto no qual montaríamos um maravilhoso baile sobre os cadáveres de todos eles, damos-nos conta de que a alegria da vitória não tem nenhum sentido porque não temos tempo, tentas tomar outra golfada de ar, viver o mundo ao qual deste forma na cabeça durante tantos anos de luta com a plasticina da imaginação anarquista, começas a enjoar, uma golfada de ar, foda-se, só uma golfada, mas já tinhas fechado os teus acordos quando apertaste a mão com o ar que te havia sussurrado com uma triste queixa: só tens uma golfada, mano/a. Que lha forneçam, isso foi tudo, se o tempo fosse uma pessoa a sério, de certeza que a teria assassinado com gosto, com olhos bem abertos sorves as tuas últimas imagens e odores, pensas a ritmo desenfreado, sabes que segues a infinidade do nada por isso tens que pensar muito. Pouco a pouco, começas a perder a comunicação, após um pouco tudo se tinha apagado…

Procuramos o instante fatal…

Ou seja, o espaço temporal em que teremos abolido qualquer adiamento da reivindicação de posições absolutas, pensamentos, práticas, qualquer enfoque ético que te dissuada de movimentos destruidores, com o único objectivo de completar a experiência momentânea, os impulsos,os instintos mais violentos.

O instante em que o pensamento e a acção se enamorem loucamente, empreendendo um baile mágico e ilegal de paixão e risco debaixo da luz das estrelas.

O instante em que qualquer medo seja outra ocasião para romper as barreiras e viver fora delas.

Fora de qualquer lei que nos ordene, de qualquer sociedade que nos subordine, de qualquer compromisso que nos pisque o olho descaradamente.

Vivamos fora da sua realidade, construindo focos generalizados de caos e ilegalidade para qualquer pensamento ou acção criminal. Convidando todos/as os/as inadaptados/as deste mundo a profanar toda a ética,a todos/as os/as extremistas a sangrar toda a mediocridade, a todos/as os/as loucos/as a matar toda a lógica.

Impondo o demónio irracional que temos alimentado durante anos nas entranhas.

Executemos o poder da maioria!
Viva o nada criador! Viva a Anarquia!

Honra eterna a todos/as os/as caídos/as
da luta libertadora anarquista.

Minoria Combatente / Comando Alexandros Grigoropoulos

em grego / espanhol

Chile: Cláudia López, estudante de dança e anarquista, foi assassinada com uma bala nas costas há 14 anos pela polícia


Cláudia López Benaiges, jovem anarquista, estudante do curso de dança na Universidade, há 14 anos, durante um protesto pelo 25º aniversário do golpe fascista de Pinochet, foi assassinada com uma bala nas costas, disparada pelos Carabineros (Policia) na povoação de La Pincoya em Santiago (Chile).

Cláudia López tornou-se, entretanto, num símbolo para todo o movimento estudantil chileno, para os jovens das organizações sociais, e ainda para o emergente movimento anarquista chileno. A sua morte demonstra que o actual regime chileno continua a ser dominado na sombra pelas sinistras figuras militares que foram responsáveis pelo golpe de estado de 1973 e todo o cortejo de horrores, perseguições e mortes da história recente do Chile.

Hoje, 14 anos passados do seu assassinato, não há responsáveis nem culpados, o que só mostra que no Chile ainda subsiste a insidiosa impunidade dos repressores de sempre.

A tua dança rebelde perdurará nos nossos corações

NÂO ESQUECIDO! NÂO PERDOADO!

Poemas da compa Claudia López.

Documental Cláudia no coração

Video de um espectáculo de dança de Claudia López

Outro video dedicado à compa:

Tudo e Nada (do caos e do amor)

O encontro inesperado.
Ventos violentos soprando.
Surpresa por assalto de sensações, incendiando por dentro.
Os músculos, os ossos, as nossas cabeças derramando ânsias.
Ensaiando momentos, um concreto instante.
Os olhares fugitivos.
Não digas nada.
Que já sei tudo.
De súbito um caos.
Que deixa ver cristalino o instante.
Dois cúmplices no meio desse caos.
Que explodiu numa só verdade.
Eles não são nada, mas o são tudo.
Destruíram as convenções.
Pois só se amam sob bombas de silêncio.

Farfalla Selvaggia

extraído da revista Revuelta Violenta, do Chile

Grécia: Um poema dos reclusos da ala 2 das prisões para homens de Larissa dedicado a Lambros-Viktoras Maziotis Roupas, o filhinho dos dois membros da Luta Revolucionária

Terça-feira 24 de Julho de 2012
Para o aniversário de Lambros-Viktoras Maziotis Roupas

Nascido atrás das grades visíveis, daquelas que escondem os céus

Os guardas do humano, a bófia e os corvos, patronos do sono tranquilo, foram a tua parteira

Celebraste o teu primeiro aniversário com as sombras projetadas pelas barras de aço…

A democracia burguesa é tão misericordiosa…

Agora é o teu segundo aniversário, a luz das estrelas que nunca tinhas visto até hoje

Com o horizonte estendendo-se à tua frente até ao infinito

Com cães ladrando ao longe

Desejamos-te anos ardentes, mares ressoando nos teus ouvidos, trovões cantando canções de embalar para ti

A maré entrando e apagando as tuas pegadas, na areia…

Com respeito e amor para aqueles que não se arrependeram do que se atreveu a fazer

Honra e lembrança de Lambros Foundas para sempre

Dirigido a Nikos, Pola e ao pequeno Lambros-Viktoras

Os reclusos da ala 2 de Larissa

Um poema dedicado a todos os gatos selvagens

A conspiração dos gatos

Ontem de manhã, quando saí à rua
eles estavam mortificados; mesmo os pássaros não se atreviam a cantar
submergidos no azul e verde, nenhum oxigénio restava para respirar

Ontem à tarde, quando saí à rua
pairava um cheiro forte e insuportável
submergido no azul e verde, não restava oxigénio algum para respirar

Mas esta noite sairei à rua
e ela estará incendiada plena de vida
cheia de gatos selvagens que explodirão o ar de liberdade

—All Cats Are Beautiful -A-CAB
Todos os gatos são bonitos

Proximamente nas melhores manifs

Από την Αθήνα μέχρι το Λονδίνο
και από το Σαντιάγο μέχρι το Τορίνο
Φωτιά στους νόμους
σφαίρες στους αστυνόμους
και για κάθε ναζί
βενζίνα και στουπί

Απ’ το Βερολίνο μέχρι τη Μαδρίτη
κι από τη Λισαβόνα μέχρι το Ελσίνκι
βία στη βία της κάθε εξουσίας
στο δρόμο της φωτιάς και της αναρχίας

Desde Atenas até Londres,
desde Santiago até Turím,
fogo nas leis,
balas à polícia,
e a todos os nazis,
gasolina e mecha

Desde Berlím até Madrid,
e desde Lisboa até Helsínquia,
violência contra a violência de toda a autoridade
no caminho do fogo e da anarquia

Carta mapuche para Luca Abbà e NO TAV

Luca, irmão, amigo. companheiro:

Apagaram-se os sóis de verão, desligaram-se os rios das nuvens, os ancestrais da nossa Mapu Nuke que habitam as montanhas e os espíritos libertários que dormem nos cumes do Vale de Susa cuidam do teu sonho.

Do mais profundo dos nossos corações,  elevamos  o nosso canto no sagrado rewe  para que recuperes e voltes novamente para junto dos teus, junto das mulheres e homens de pensamento livre que lutam por uma mãe terra viva e libertária.

Às companheiras e companheiros do NO TAV que tenho gravados nas recordações da minha memória – pela sua solidariedade, dignidade e luta – a nossa solidariedade, nascida do mais profundo das raízes dos pinheiros e dos canelos que protegem a nossa terra.

Luca, irmão, amigo, companheiro
estamos contigo, cruzando os Andes
e nadando nos oceânicos mares
da solidariedade dos povos.

Rayen Kvyeh
poetisa do Coletivo de Poetas e Artistas Mapuche Mapu Ñuke.

Notas
Mapu Ñuke: Terra Mãe.
Rewe: Tótem mapuche utilizado em diversas cerimónias e que serve para se conetarem com o cosmos.
Pinheiros e canelos: árvores sagradas mapuche.

fonte

País Mapuche: Uma nova melodia libertária

A montanha
abriga no seu ventre
guerrilheiras naturais
estratégias de guerra
da terra espezinhada.

Abre o seu ventre a montanha
rio de copihues vermelhos
em negros cabelos abraçados
Avalanche incontível
num parto milenário
de justiça e liberdade.
….
O medo não faz tombar
as pétalas vermelhas do copihue
O canelo não verga a sua copa
para que beba o invasor.
….
Nos meus sonhos
meus avós me falaram.
Da cordilheira ao mar
do norte ao sul,
Do mais profundo
da nossa mãe terra
suas vozes aconselham,
que expulsemos
os usurpadores
da nossa terra.
Os usurpadores
da nossa liberdade.
….
De infinitas melodias
um arco-íris de odores e cores
acaricia a terra.
Gvnecen sorri.
e os pássaros werkenes
cantam
uma nova melodia libertária.

Versos extraídos do livro “Luna de los primeros brotes” de Rayen Kvyeh, poetisa mapuche.


11 de setembro de 1973. CHILE. Um golpe militar, chefiado pelo general Pinochet, com a ajuda do governo norte-americano, derruba Salvador Allende, que não sobreviveu, sendo instaurada uma ditadura sangrenta no Chile. Milhares de chilenos foram levados para o Estádio de Santiago e foram assassinados, ali mesmo ou feitos desaparecer. Milhares e milhares escolheram o exílio…

Os mapuches são povos originários, concentrados principalmente nas regiões centro-sul do Chile e no Sudeste da Argentina. São historicamente perseguidos e reprimidos e hoje representam cerca de 900 mil habitantes. Em luta permanente pela sua sobrevivência, contra os latifundiários e as grandes empresas madeireiras, que lhes roubam as terras e envenenam os rios, reivindicam o fim da aplicação da “lei anti-terrorista”, em vigência no país desde 1984, promulgada na ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Além da lei possuir dispositivos que dobram automaticamente as penas, ela ajuda a criminalizar qualquer luta indígena. A lei também suprime o direito ao hábeas corpus e à consolidação do “inimigo interno”, mecanismo que possibilita ao aparato policial e militar torturar e prender à bel prazer sob pretexto da violação da propriedade privada, da terra e de “ameaça ao povo”.

Querem colocar o Indymedia Atenas de joelhos!

Por favor, espalhem!

Desde que o ataque generalizado a uma sociedade inteira em termos de direitos sociais, trabalhistas e políticos foi respondido massivamente no último domingo, 12 de fevereiro, com a concentração de centenas de milhares de manifestantes em toda a Grécia, o Poder joga sua última carta, a da intensificação da repressão para conter a fúria social.

Na manhã de domingo, dezenas de ativistas foram sequestrados pelo Estado Terrorista, alguns mesmo dentro de suas casas. Quatro manifestantes em Atenas, defensores do direito à vida e não apenas de sobrevivência, foram presos preventivamente até o julgamento, fato que pode levar vários meses para acontecer. Outros foram processados três dias após as mobilizações e manifestações em outras cidades gregas. Ademais, dias antes, os canais burgueses de televisão e outros meios de comunicação comerciais, políticos vendidos, colaboradores dos executivos da Troika alçaram perguntas sobre a existência e a atividade do Centro de Mídia Independente (mais conhecido como Indymedia).

Na tarde de sexta-feira, 17 de fevereiro, o reitor da Escola Politécnica de Atenas informou ao público sobre a falta de energia nos prédios da universidade por motivos de “manutenção”. Assim, eles encontraram uma forma de amordaçar o servidor ateniense do Indymedia, cortando o fornecimento de energia. De qualquer forma, desde domingo passado, durante as grandes manifestações em todo o país, lançaram ataques cibernéticos contra o servidor.

Estas notícias cheiram a repressão do Estado a quilômetros de distância, especialmente se considerarmos a cronologia e as pressões da última semana, com o endurecimento da atitude do regime. Esta é uma notícia muito ruim em vista das próximas mobilizações de protestos que acontecerão neste domingo, 19 de fevereiro. Na verdade, Atenas Indymedia é um dos poucos lugares onde os eventos são relatados pelos próprios participantes, sem qualquer mediação ou manipulação dos meios de comunicação a serviço do Poder.

Mas seguirão nos encontrando na frente deles.

PS: Não esqueçamos, é claro, todas as passadas e fracassadas manipulações repressivas do Estado, em coordenação com os fascistas, mesmo na atualidade, quando oficialmente não cooperaram e guardaram certa distância formal…

Em https://chat.koumbit.net você pode conectar-se ao canal IRC do Indymedia Atenas para conseguir notícias, escolhendo um apelido [Nicknames:] e colando #athens no campo [Channels:]

agência de notícias anarquistas-ana

Brasil: Terrorismo de estado numa cidade sem portas

Cidade prevista
Irmãos, cantai esse mundo
que não verei, mas virá
um dia, dentro em mil anos,
talvez mais… não tenho pressa.
Um mundo enfim ordenado,
uma pátria sem fronteiras,
sem leis e regulamentos,
uma terra sem bandeiras,
sem igrejas nem quartéis,
sem dor, sem febre, sem ouro,
um jeito só de viver,
mas nesse jeito a variedade,
a multiplicidade toda
que há dentro de cada um.
Uma cidade sem portas,
de casas sem armadilha,
um país de riso e glória
como nunca houve nenhum.
Este país não é meu
nem vosso ainda, poetas.
Mas ele será um dia
o país de todo homem.
—Carlos Drummond de Andrade, A rosa do povo (1945)

Pinheirinho, São José dos Campos (São Paulo), Brasil: A ação do Governo do Estado de São Paulo, que desalojou cerca de 6 mil pessoas do terreno de Pinheirinho no dia 22 de Janeiro foi mais uma ação de terrorismo de estado numa cidade aberta.

http://www.youtube.com/watch?v=nEuGR0SBrjE

-Campo de batalha

Eu quero viver entre  pessoas que estão conscientes de que vivemos numa guerra. Uma guerra contra a vida, contra o espírito. Eu quero viver entre pessoas que não olham para o chão, ou que não deixam de te olhar nos olhos quando falas de luta ou de uma insurreição, porque no seu coração sabem que se renderam, e porque, talvez, apenas talvez – nunca realmente odiaram o sistema.

Eu quero viver entre  pessoas que não foram compradas, que não tomaram os comprimidos que lhes foram oferecidos, porque preferiram a luta com o sentimento de ansiedade patológica do que viver como natureza morta. Pessoas que não pretendem estar a lutar quando é óbvio que o que estão a fazer é transformar um campo de batalha  num jardim. Eu quero estar num lugar onde a guerra seja admissível.

guerrilla news