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Para contribuir com traduções, edições-correções e/ou materiais originais para publicação tais como atualizações a partir das ruas, reportagens de ações, comunicados de reivindicação, textos dxs companheirxs presxs ou perseguidxs, chamadas, brochuras, artigos de opinião, etc.: contrainfo(at)espiv.net

Prisões chilenas: Chamada internacional de luta contra a sociedade carcerária – 10 a 20 de Abril

Convocatória: “Face à sociedade carcerária, nem esquecimento nem silêncio, só luta!”

A todxs xs nossxs irmãos/ãs, companheirxs, afetos e amores. Às cumplicidades multiformes no mundo inteiro que atacam o presente de exploração e miséria, de domínio, capital e morte.

A todxs xs prisioneirxs subversivxs, autónomxs, libertárixs, revolucionárixs, antiautoritárixs que não negam nem os vínculos nem as convixões, resistindo diária e dignamente tanto nas palavras como nas ações concretas.

“Quem teme a liberdade sente orgulho de ser escravo”
M. Bakunin.

A luta contra o poder da dominação e da totalidade dos dispositivos simbólicos – subjectivos, tangíveis e de valores – que o sustentam e apoiam, requer, acima de tudo,  uma decisão individual, radical e irredutível, aquela que traz a tensão a todas as áreas da vida, fazendo desta um caminho contínuo de libertação. É claro que  chegar a esta convicção, decisão, opção, implica um processo que cada qual vive de maneira única e que não se pode repetir, de acordo com o contexto e as circunstâncias em que tivermos aberto os olhos para lutar. Caminhar em direcção à emancipação como princípio orientador para a destruição da sociedade de classes não é um processo instantâneo nem solitário, ainda que seja individual – no encontro das ideias vai-se construindo vínculos que nos irmanam, na prática, gerando pontos de afinidade, inclusivé, com mentes conscientes que directamente não conhecemos mas com quem vamos articulando um caminho comum.

Mas, quando o espectáculo social da não vida a que chamam democracia te oferece a indignada opção de participação cidadã através de todos os dispositivos de controle, o que se procura é anular, no mais íntimo de cada consciência, a real possibilidade de rebelião. Assim, opor a resistência ofensiva das nossas convicções aos múltiplos formatos da ideologia do Estado – prisões – capital é trespassar qualquer margem, muralha ou fronteira nas quais pretendam que vivamos a aceitação cega das suas relações de poder apodrecidas, da sua moral nauseante, da sua política e visão do mundo.

Resistir ofensivamente ao actual estado das coisas envolve claramente passar da palavra à ação, do mote ao combate rebelde da ordem existente, da simples crítica vazia de conteúdo à proliferação do antagonismo em pós-revolta. Assim, entre nós, aquelxs que têm dado passos de recuperação das suas vidas – quebrando as cadeias que nos oprimem – têm ficado expostxs ao embate estatal de repressão e morte. Sempre pronta para defender o domínio, a lei do poder mantêm-se oleada para condenar e castigar xs que se lhe opõem. Aprofundar a consequente coerência entre teoria e prática fez-nos transitar pelos recantos mais sombrios da arquitectura policial-penitenciária do Estado-Capitalista. Não fomos nem xs primeirxs, nem xs únicxs nem seremos xs últimxs… No entanto, na presente particularidade do actual universo de prisionerxs em guerra, expressam-se diferentes experiências de resistência ao confinamento – no final dos anos oitenta nas dementes prisões de alta e máxima segurança no Chile, Perú, Brasil e Argentina, entre os anos 90 e no presente. Com processos jurídico-políticos sempre moldados e falsificados em função dos interesses contra-insurgentes… A tortura e repressão directa como facto e a criminalização dos afectos e amores dos diferentes ambientes como constante, mais que amedrontar-nos, potenciou essa força vital que nos fez insistir e sobreviver como indivíduxs – para lá das caricaturadas etiquetas oriundas da constante difamação jornalística-policial e inclusive do sectarismo esquerdista e acrata, que nada mais faz que atomizar, dividir e fraccionar as contínuas tentativas de alargar a banda rebelde na qual se fundem várias experiências que promovem a autonomia, a ação direta, o apoio mútuo, a afinidade e e horizontalidade, na luta pela libertação total.

A realidade dxs prisioneirxs de guerra nas prisões chilenas não pode ser falsificada. No dia a dia há luta, não há silêncio e esquecimento ainda menos. Diferentes gerações de subversivxs que agora se encontram com olhares semelhantes neste presente de luta. Desejamos provocar a abordagem de medidas concretas em torno de pontos mínimos comuns – contribuindo para a ruptura da fragmentação dos espaços afins e próximos de cada prisioneirx – ainda que num cenário altamente desfavorável, mas que nunca será impedimento para, a partir da individualidade, contribuir à luta colectiva em todos os níveis da realidade. Neste quadro fazemos um convite aberto para alargar todas as iniciativas possíveis de luta contra todas as expressões da sociedade-prisão. Convocamos para se mobilizar a imaginação, vontade e desejo entre 10 e 20 de Abril.

Saudamos as lutas dignas que no presente se têm vindo a multiplicar nas prisões gregas, capítulos que na distância próxima acompanhamos com sincero afecto.

Saudamos também o México negro que se levanta a cresce na luta anti-autoritária, aos/às compas nas prisões que através dos escritos e lutas estão sempre nos nossos corações.

Saudamos xs prisioneirxs anarquistas nas prisões italianas, xs nossxs irmão e irmã Francisco e Mónica em Espanha e xs compas detidxs na denominada operação Pandora.

Saudamos a digna resistência de Mauricio Hernández no demencial regime de castigo em que se encontra há 13 anos nas prisões brasileiras.

Saudamos xs presxs autónomos mapuche e o seu ancestral combate por livre determinação. Saudamos Juan Flores e Nataly Casanova processadxs pela macabra lei antiterrorista, da democracia que tudo permite… A Diego Ríos recentemente capturado.

Abraçamos todxs xs presxs dignxs em todas as Jaulas do Planeta, xs fujitivxs, xs nossxs mortxs…

Com carinho especial eterno a Eduardo e Rafael Vergara, Paulina Aguirre, Norma Vergara, Johny Cariqueo, Zoé Aveilla, Lambros Foundas, Mauricio Morales, Sebastian Overluij, e Sergio Terenzi …

JUVENTUDE COMBATENTE: INSURREIÇÃO PERMANENTE

ENQUANTO EXISTIR MISÉRIA HAVERÁ REBELIÃO

CONTRA TODA A  AUTORIDADE GUERRA SOCIAL

SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL E REVOLUCIONÁRIA PELA DEMOLIÇÃO DAS PRISÕES

-Tamara Farías Vergara
-Alejandro Astorga Valdés
-Carlos Gutierrez Quiduleo
-Juan Aliste Vega
-Freddy Fuentevilla Saa
-Hans Niemeyer Salinas
-Marcelo Villarroel Sepúlveda
-Alfredo Canales Moreno

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