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Itália: Atualização sobre as detenções de anarquistas em Florença, Roma e Lecce

No mesmo dia (quinta-feira, 3 de Agosto) do assalto e desalojo da La Riottosa, às 6h30, as Digos de Lecce e um esquadrão especial antiterrorismo (UOPI) invadiram a Okupa La Caura  (Roca-Lecce). A polícia forçou xs presentes a deitarem-se no chão, de cabeça para baixo, tendo detido Paska, enviado depois para a prisão de Lecce. A Okupa, com apenas 10 dias de ocupação foi desalojada.

O episódio ocorreu ao mesmo tempo que no La Riottosa em Florença, onde mais 7 companheirxs foram presxs, enquanto mais um foi preso em Roma.

No dia 5 de Agosto houve uma audiência judicial sobre a detenção preventiva dxs oito companheirxs anarquistas, em Florença. Seis das oito pessoas presas na manhã de 3 de Agosto foram libertadas ontem. O companheiro Salvatore Vespertino ainda está na prisão de Solliciano em Florença. O companheiro Pierloreto Fallanca também permanece preso em Lecce tal como o companheiro Roberto Cropo, em Roma.

Os endereços atuais para lhes escrever são:

Salvatore Vespertino
C.c. Sollicciano
Via Minervini 2r – 50142 Firenze, Itália

Pierloreto Fallanca (Paska)
Via Paolo Perrone 4 – 73100 Lecce, Itália

Roberto Cropo
C.C. Regina Coeli via della Lungara 29, 00165 Roma

 

[Itália] Sobre a detenção de 8 anarquistas e o dasalojo da La Riottosa (3/08)

Compas na La Riottosa, barricadxs, resistiram mais de 10 horas.

3-08-2017. Durante a manhã, oito companheirxs anarquistas foram presxs em Florença, Roma e Lecce. Estão acusadxs do ataque com molotov contra o quartel de Carabineiros (polícia militarizada italiana) de Rovezzano, em Florença (21-04-2016) e do ataque explosivo contra a livraria “Il Bargello” – um espaço do ambiente da Casa Pound (organização fascista) – em Florença (01-01-2017). Naquela manhã a bomba explodiu na mão de um polícia que a tentava desativar, perdendo este a mão e um olho.

Xs companheirxs anarquistas encarceradxs, acusadxs pelo ataque contra a livraria fascista são Nicola Almerigogna, Roberto Cropo, Pierloreto Fallanca “Paska”, Giovanni Ghezzi e Salvatore Vespertino, enquanto que xs encarceradxs pelo ataque contra o quartel são Micol Marino, Marina Porcu e Sandro Carovac.

Durante o dia foi desalojada a okupa auto-gestionada La Riottosa, uma okupação anarquista em Florença. Alguns e algumas companheirxs resistiram na okupa, durante cerca de 10 horas e 2 dxs 8 compas encarceradxs foram detidxs lá. Os companheiros acusados pelo ataque explosivo estão acusados de tentativa de homicídio, danos agravados e fabricação e transporte de dispositivos explosivos. Seguir-se-ão atualizações e direções das prisões onde xs companheirxs estão reféns do estado.

em espanhol

[Prisões italianas] Carta do compa Graziano Mazzarelli, detido a 11 de Julho por ações NO TAV

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Desenho de um dxs compas que foram encarceradxs no Chile, na sequência da montagem policial conhecida por “caso Bombas”, há alguns anos.

Prisão de Lecce, 17 de Julho de 2014

Olá a todxs,

Estou muito bem e, certamente, não são suficientes quatro carcereiros juntos para me deitarem abaixo! Estou na secção C2 da prisão e os outros presos são todos ex 41bis (bando armado) ou andaram à luta muitas vezes entre presos comuns, não há delatores, do mal o menos. No entanto, já conheci todos e não tenho nenhum tipo de problema, e até já me deram alcunha, sou “Graziano o terrorista” para toda a penitenciária.

As celas são pequenas e estão em más condições mas têm casa de banho com lavatório, bidé e são individuais. Estão localizadas juntas umas às outras, sem nada em frente, para que não seja possível comunicar demasiado com os outros. A comida não é muito má, ainda que existam maneiras de comer bem e já as conheço. Há muita solidariedade entre os presos, quanto a isto podem estar tranquilxs. Os medicamentos passam com regularidade, mas ninguém os toma, com excepção de um preso. Tropecei no monge e no padre da prisão, mas suponho que não os vou voltar a ver, porque ficaram algo incomodados com o nosso encontro. A procuradoria de Turim impôs-me a medida de proibição de me reunir com os outros presos. Só fui ao pátio no primeiro dia, levaram-me a uma espécie de armário grande, 7-8 metros de comprimento e 2,5 de largura, sujo, onde além disso estava sózinho, isto durou um quarto de hora e pedi logo ao carcereiro para voltar à minha cela. Desde então, recuso-me a ir ao passeio. Além disso, não tenho maneira de socializar, visto que não há presos nas mesmas condições de detenção que eu.

As visitas são às terças, mas ainda não vi ninguém, porque, repito, não deixaram entrar o meu pai.

Por outro lado, na sexta-feira passada, logo que se aperceberam das detenções, xs compas de Lecce que realizaram uma concentração frente a Borgo San Nicola, das 18 às 20, aproximadamente, e ouvi-os bem, gritei logo, mas não sei se elxs me ouviram. Aqui, em cada noite há algum parente que vem lançar fogo-de-artifício e petardos grandes. Aproveito a oportunidade para dizer a todxs que na próxima quarta-feira, dia 23 é o meu aniversário e que me espera uma grande festa lá fora.

Sei que hoje começa a acampada itinerante em Val di Susa, espero que xs compas sejam muitxs e muito aguerridxs! Aconselho que não façamos disparates, que xs compas servem para mais lá fora que aqui dentro (de qualquer maneira, dito por mim, faz rir). Tratem de manter-me informado sobre tudo que se passa lá fora. Escrevam-me e enviem-me sobrescritos vazios e selos.

Um beijo a todxs
Monsieur Graziano

Para escrever a Graziano:
Graziano Mazzarelli
Casa Circondariale via Paolo Perrone 4
Borgo S.Nicola 73100 Lecce Italia- Itália
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Nota dxs tradutorxs:
A 3 de Agosto o compa foi mudado para outra cela, coisa que piorou ainda mais as suas condições de encarceramento, visto a nova cela ser mais pequena, mais suja e a televisão não funcionar, para além de que as celas ao lado encontram-se vazias.