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Tessalónica, Grécia: Ataque incendiário por um Dezembro Negro

Vivemos num mundo em que todos os aspectos da nossa vida estão rodeados pelo sistema tecnológico. As relações sociais que são criadas através de computadores e telefones celulares estão muito distantes da vida real. Cada um de nós é monitorizado diariamente em todos os cantos da cidade por câmaras, localizadas através do sinal enviado pelos nossos telefones celulares e arquivados por impressões digitais e amostras de ADN.

Esta concepção visa transformar cada pessoa num número armazenado num banco de dados para que seja uma peça previsível e segura deste sistema podre.

O nosso objectivo é ver o nascimento de um mundo de individualidade rebeldes que tomem as suas vidas nas suas próprias mãos, percebendo o seu desejo de rebelião e liberdade. Então voltámos a atacar a empresa de telecomunicações OTE, continuando a nossa campanha anti-tecnologia.

Na madrugada de 14 de Dezembro, colocámos um dispositivo incendiário no sistema de antena OTE da Seych Sou.

Pensamos na solidariedade como arma no conflito contra o Estado e a capital, e é por isso que respondemos aos ataques de estados repressivos contra anarquistas que atacam os objetivos do poder.

Solidariedade com o anarquista Salvatore Vespertino, que foi preso em 3 de Agosto em Florença e acusado de explodir uma livraria fascista, uma acusação baseada em evidências de ADN.

Solidariedade com o anarquista Dinos Yatzoglou, que foi preso na manhã de 28 de Outubro em Atenas e acusado de enviar cartas-bomba.

Morte ao Estado.

Por um Dezembro Negro, pela Anarquia.

Célula anarquista “Destruição do existente”.

via Indymedia Athens l em francês

Itália: Notícias de Florença

No dia 1 de Janeiro de 2017, após a explosão de uma bomba artesanal junto a uma livraria fascista – na qual um polícia do esquadrão anti-bomba perdeu uma mão e um olho – várias casas de companheirxs foram tomadas de assalto pela polícia e registradas. A polícia esperava encontrar armas de fogo e/ou explosivos. As investigações não levaram a nada, exceptuando a apreensão de panfletos, computadores, roupas e outros  materiais. Uma investigação contra pessoas desconhecidas foi lançada entretanto – com a intenção de xs acusar das infrações de “fabricação, posse e transporte de um dispositivo explosivo ou incendiário num lugar público” e “tentativa de assassinato”.

A polícia iniciou, entretanto, uma nova operação chamada “Operazione Panico” (Operação Pânico), a 31 de Janeiro. Às 12h30, a polícia bateu à porta das casas de várixs companheirxs, para notificá-los da execução de dez medidas cautelares. Estas consistiam em 3 pessoas confinadas à prisão domiciliar, 4 pessoas receberam uma ordenação, para impedir que saíssem da cidade, obrigando-os a voltar à noite para suas casas e a assinar diariamente na esquadra. E, finalmente, 3 pessoas receberam condições de fiança, mas tendo de assinar na esquadra da polícia, todos os dias.

Durante o curso da Operação Pânico foram 35 as pessoas directamente visadas. Isso também levou ao desalojo da okupa Villa Panico, uma das okupas históricas de Florença, ocupada nos últimos 10 anos. No total, foram 12 as pessoas acusadas de serem “membros de organização criminosa”.

Outros eventos entretanto aconteceram como uma luta com a polícia, em Abril, seguindo-se uma provocação policial, entre muitas das provocações habituais, que terminou com a prisão de 3 companheirxs (Michele, Francesca e Alessio), uma sentinela e demonstração solidária com xs detidxs. Os suspeitos dessa operação repressiva estão todos sob investigação por uma série de eventos contestados que aconteceram na cidade em 2016. Esses eventos incluem um ataque com pedras da calçada e tijolos a livraria fascista, uma explosão na mesma livraria e distribuição de folhetos anti-militaristas num mercado local – que resultaram num punhado de pessoas levadas para a esquadra da polícia e acusadas de “resistência e recusa em fornecer provas de identidade”. Outros eventos foram uma briga com a polícia em Abril, depois de muitas das provocações habituais que acabaram com a prisão de 3 companheirxs (Michele, Francesca e Alessio) e concentrações de solidariedade com xs presxs.

Dois meses após o fim da operação, uma série de medidas repressivas foram impostas contra 2 companheirxs – em constante escalada na sua gravidade – desde a presença diária na esquadra até prisão domiciliária. Um terceiro companheiro também foi obrigado a assinar diariamente na esquadra da polícia. Esta nova onda de repressão e detenções foi  ligadas ao aparecimento de grafitis políticos em toda a cidade.

A 3 de Agosto, uma operação conjunta a nível nacional, entre a DIGOS (unidade de operações especiais da polícia), a ROS (unidade de operações especiais de Carabiniri) e a polícia antiterrorista, levou a mais oito prisões: 6 em Florença, 1 em Roma e 1 em Lecce. Cinco companheirxs foram acusados de tentativa de homicídio no ataque à bomba no dia de passagem de ano. Xs outrxs com a infração de “fabricação, posse e transporte de um dispositivo explosivo ou incendiário para um lugar público”. A segunda acusação refere-se a um ataque de molotov contra um quartel de Carabinieri, o que aconteceu na noite da luta contra a polícia, mencionada anteriormente.

No dia 5 de Agosto, 6 detidxs foram libertadxs pelo GIP (juiz para investigação preliminar) devido à falta de provas contra elxs. Um companheiro, Salvatore Vespertino, ainda está preso porque as autoridades alegaram terem sido encontrados vestígios do seu DNA em componentes usados para construir a bomba. Paska, outro companheiro, que deveria ter sido libertado, por falta de provas pelos eventos na passagem de ano, ainda se encontra em prisão preventiva, por alegada “adesão a organização criminosa”, com base em evidências recolhidas durante a Operação Pânico.

Como o caso de Paska mostra, a investigação contra pessoas desconhecidas foi, portanto,  incorporada à Operação Panico. Isto significa que adoptaram a mesma linha de indagação – seja para os acusados de serem “membros de organização criminosa” ou por
várias infrações específicas.

Endereços:

Salvatore Vespertino
Casa Circondariale Sollicciano
Via Minervini 2/r
50142- Firenze
Italia

Pierloreto Fallanca
Casa Circondariale
Via Paolo Perrone, 4
73100 – Lecce
Italia

Para apoiar os companheiros e os custos legais:

Youssra Ramadan
Card Number: 5333 1710 3998 6134
IBAN: IT81R0760105138290113490114

Itália: Atualização sobre as detenções de anarquistas em Florença, Roma e Lecce

No mesmo dia (quinta-feira, 3 de Agosto) do assalto e desalojo da La Riottosa, às 6h30, as Digos de Lecce e um esquadrão especial antiterrorismo (UOPI) invadiram a Okupa La Caura  (Roca-Lecce). A polícia forçou xs presentes a deitarem-se no chão, de cabeça para baixo, tendo detido Paska, enviado depois para a prisão de Lecce. A Okupa, com apenas 10 dias de ocupação foi desalojada.

O episódio ocorreu ao mesmo tempo que no La Riottosa em Florença, onde mais 7 companheirxs foram presxs, enquanto mais um foi preso em Roma.

No dia 5 de Agosto houve uma audiência judicial sobre a detenção preventiva dxs oito companheirxs anarquistas, em Florença. Seis das oito pessoas presas na manhã de 3 de Agosto foram libertadas ontem. O companheiro Salvatore Vespertino ainda está na prisão de Solliciano em Florença. O companheiro Pierloreto Fallanca também permanece preso em Lecce tal como o companheiro Roberto Cropo, em Roma.

Os endereços atuais para lhes escrever são:

Salvatore Vespertino
C.c. Sollicciano
Via Minervini 2r – 50142 Firenze, Itália

Pierloreto Fallanca (Paska)
Via Paolo Perrone 4 – 73100 Lecce, Itália

Roberto Cropo
C.C. Regina Coeli via della Lungara 29, 00165 Roma

 

[Prisões de anarquistas em Florença] Mensagem ao movimento anarquista internacional

Florença, 21 de Abril, 2016: alguém atacou o quartel dos carabineiros em Rovezzano, subúrbios de  Florença, com um cocktail Molotov.

Florença, 1 de Janeiro de 2017: um dispositivo explosivo colocado no exterior da livraria “Il Bargello”, perto da Casa Pound, explode nas mãos de um polícia, o qual fica gravemente ferido.

Após estes dois ataques anónimos, na manhã de 3 de Agosto de 2017 oito companheirxs são presxs. Os anarquistas: Marina Porcu, Micol Marino, Pierloreto Fallanca (Pasca), Giovanni Ghezzi, Roberto Cropo, Salvatore Vespertino, Sandro Carovac, Nicola Almerigogna.

Estxs companheirxs foram notificados de acusações de tentativa de assassinato – por causa do ferimento do engenheiro de desativação de bombas, Mario Vece – fabricação, detenção e transporte de dispositivos explosivos, danos agravados para o lançamento de garrafas incendiárias contra o quartel de carabineiros.

Os nomes dos principais inquisidores que coordenam a investigação são:

– Eugenio Spina ( dirigente superior da Polícia de Estado, chefe dos serviços anti-terrorismo).
– Lucio Pifferi  ( chefe da D.I.G.O.S. em Florença).
– Giuseppe Creazzo (procurador – chefe de Florença)

Como anarquistas não estamos interessadxs ​​em saber quem fez essas ações, válidas, concretas, vivas. O Estado italiano – após a continuação da Op. Scripta Manent – novamente ataca xs companheirxs refractários, que acreditam que a ação direta não mediada e destrutiva é um meio fundamental da luta revolucionária anarquista.

Note-se que a ação anarquista direta contra o Estado / Capital é cada vez menos viva, portanto, é muito fácil para o aparelho repressivo fazer o seu trabalho contra aquelxs que apoiam posições incontestáveis ​​para o caminho revolucionário. É fundamental, senão um dever, não misturar xs companheirxs anarquistas com a mera conjuntura dos caminhos do antifascismo político e anti-repressivo, que como anarquistas não nos pertencem. Com este documento, nós expressamos a proximidade a todos aquelxs  individualidades que incondicionalmente agem, para além da reclamação ou não das ações.

É importante reivindicar colectivamente estas práticas, como parte integrante da luta revolucionária anarquista, para não isolar xs nossxs queridxs companheirxs. As razões pelas quais o nosso anarquismo é partidário do ilegalismo e propaganda pelos fatos, devem-se ao fato de reiterarmos a sua estrita necessidade, no passado como agora, de fazermos todos os esforços para propagar e espalhar, publicitar, com pólvora negra, a ideia revolucionária anarquista.

Assim, os atentados, o fogo posto, as expropriações, os ataques armados são parte da guerra levada a cabo, sem tabus e sem limites pré-concebidos contra o Estado. Que as armas da política sejam abandonadas e a política das armas reabraçada numa forma não determinista, consciente e constante.

Adiante, companheirxs anarquistas internacionais, quando as prisões já não silenciarem os trovões da dinamite estaremos apenas a meio caminho. Vamos atacar a autoridade de qualquer maneira que esta se apresente, sem perder tempo e com todos os meios à nossa disposição.

O resto?

O resto é apenas a conversa fiada de quem sempre quer algo novo, mas não se atreveu a obtê-lo, aqui e agora.

Anarquistas

via Croce Nera Anarchica l espanhol