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[Itália] 30/11 – Julgamento NO TAV: Chamada internacional para ações de solidariedade

arrive A luta contra a linha de alta velocidade TAV em Valle de Susa colocou a quem governa um problema muito maior que a mera construção da obra – pois o que estava em jogo era de uma envergadura bem diversa.

Quem quer que tenha decidido lutar – com a obstinação e capacidade necessárias para tal – acabou com os planos daqueles que desejavam construir aquela linha ferroviária. Está em cima da mesa a capacidade do Estado controlar um pedaço do território e uma população hostil a uma decisão imposta desde cima, que ameaça vales, montanhas e a vida de quem os habita.

Para fazer com que a ordem se restabelecesse – as pessoas encerradas em casa e o trabalho sem interrupções na obra – quem administra e gere dotou-se, com o passar do tempo, de vários dispositivos para o castigo, controlo e melhor prevenção. Assim militarizaram o vale, os tribunais acumularam expedientes contra “os malfeitores NO TAV” e no ministério público estudaram-se novas estratégias para desgastar quem lutava – desde as multas enormes até às condenações a penas de prisão exemplares.

A mais audaz das jogadas foi, sem sombra de dúvida, a acusação de terrorismo contra Chiara, Claudio, Mattia e Niccolò e, posteriormente, contra Francesco, Graziano e Lucio pela sabotagem às obras de Chiomonte, na noite de 13 de Maio de 2013.

Este paradigma acusatório, já derrotado no tribunal de cassação e no julgamento em primeira instância, provavelmente será novamente apresentado a julgamento em tribunal de apelação contra os quatro primeiros – Chiara, Claudio, Mattia e Niccolò –a 30 de Novembro. Para sustentar a validade das acusações, a seguir aos acusadores Rinaudo e Paladino, descerá à plateia o acusador geral Marcello Maddalena, quase a reformar-se.

A acusação baseia-se principalmente no artigo do código penal 270 bis que proclama, entre outras coisas, que é terrorista a ação que tente forçar, com factos, “os poderes públicos ou uma organização internacional a cumprir ou a abster-se de cumprir qualquer ato”.

Não é necessário sermos juristas para entender as implicações de um artigo de lei deste tipo: qualquer luta que decida superar os recintos da dissidência permitida e entorpecer na prática um projecto do Estado e os interesses particulares dos quais se compõe, agora fica sujeito não só a blindagens, cassetetes, escavadoras e denúncias ordinárias como também à ameaça destas normas antiterroristas.

Por este motivo a lógica acusatória da base dos julgamentos por “terrorismo” não ameaça unicamente a liberdade dos 7 processadxs e da luta NO TAV na sua totalidade, mas também a de todos aqueles que não têm intenção de renunciar à luta, tanto no Valle de Susa como em qualquer outra parte.

Como reagir? Seguramente não será regressando todxs a casa em boa ordem. Assim como as vedações se podem cortar, as blindagens podem-se quebrar, as máquinas podem-se ser sabotadas, também o dispositivo do “terrorismo” se pode atacar.

A solidariedade enorme que se desenvolveu no dia seguinte às detenções recorda-nos isto. Não foi uma simples reação em defesa dxs sete companheirxs antes sim um forte impulso, às vezes pró-ativo, capaz de não fazer perder a vontade de colocar varas entre as rodas aos responsáveis pela obra, cada um/a  com os seus próprios meios

Os trabalhos continuaram a ser perturbados na obra, a maquinaria das empresas continuou a ser sabotada com frequência, os principais financiadores e partidários da linha Turim-Lyon, como o Partido Democrático e as agências bancárias de Intesa-San Paolo, foram atacadas de diversas formas tal como a linha de alta velocidade em muitas das suas artérias foi alvo de bloqueios e contratempos, mostrando-nos, uma vez mais, a omnipresença das infra-estruturas e da sua vulnerabilidade.

O processo de apelação começa a 30 de Novembro e não durará mais de uma semana.

Durante este período, voltamos a apresentar a questão e a organizar a solidariedade com Chiara, Mattia, Claudio, Niccolò, assim como com Graziano, Francesco, Lucio, tanto no vale como na cidade. Demos vida a iniciativas, atividades benéficas, ações de informação e de agitação, cada um/a segundo as próprias possibilidades, cada um/a onde viva e lute.

Companheirxs e solidárixs com xs acusadxs

fonte: informa-azione

espanhol

[Itália] A sabotagem é companheira dxs que lutam

A sabotagem é companheira dxs que lutam
A sabotagem é companheira dxs que lutam

Segue-se a tradução de um texto distribuído durante a manifestação de 21 de Novembro de 2014 contra o Terzo Valico:

Turim/Lion – Terzo Valico: Os mesmos interesses, a mesma polícia, uma única luta

O Movimento NO TAV fez uma chamada para uma semana de mobilizações de 14 a 22 de Novembro, em solidariedade com Chiara, Claúdio, Mattia e Niccolò, acusadxs de terrorismo devido à sabotagem de uma máquina, numa obra de alta velocidade em Chiomonte, na noite de 13 de Maio de 2013. Os fiscais Andrea Padalino e Antonio Rinaudom, de Turim, pediram recentemente para eles 9 anos e 6 meses de prisão.

Conscientes de que Terzo Valico [terceiro passo] ligurio/piamontés (Turim-Génova) e a alta velocidade em Valle de Susa são peças de um mesmo projecto de devastação e exploração do território, ambas consequência do actual modelo de desenvolvimento – instrumentos para que os interesses de poucos esmaguem os de muitxs – pensamos que a melhor maneira de expressar solidariedade com estxs companheirxs e com as suas práticas é seguir adiante com a luta.

A corrida contínua em direcção ao tão cacarejado progresso – tendo como único efeito a implacável destruição do planeta – é nos apresentada como o único cenário imaginável, sem a possibilidade de opção. Na verdade não é assim: a nossa opção é a luta por todos os meios que cada um/a considere necessários.

Mas as formas de protesto não têm nenhuma eficácia desde que se mantenham dentro dos limites definidos pelo Estado. As últimas inundações demonstraram-no: as manifestações de repulsa e indignação dos anos anteriores, e dos actuais, só serviram para se vender mais papel impresso sem beliscar minimamente quem manda. Acabada a emergência, tudo volta a ser como antes, com alguns votos a mais para aqueles que foram capazes de mostrar uma maior indignação e empatia na desgraça. À espera de algum outro desastre.

O mesmo raciocínio é válido para Terzo Valico – as diversas manifestações contra as suas obras não conseguiram minimamente tornar-se um obstáculo à sua abertura, como ainda se rodearam da indiferença da maioria das pessoas, que parecem aceitar de bom grado qualquer coisa, à excepção de se surpreender se o terreno sobre o qual estão a trabalhar as empresas, para a grande obra, se derruba.

Hoje, mais do que nunca, é fundamental desempoeirar essas práticas que realmente atinjam os interesses do capital e de quantos são cúmplices conscientes, práticas que sempre foram património comum dxs exploradxs.

Precisamente por isso, alegra-nos saber que a prática ilustre da sabotagem saíu  do território de Valle de Susa, fazendo a sua aparição em Génova, na luta contra o Terzo Valico, através da sabotagem de vinte veículos, durante as construções em Trasta, Erzelli e na zona de Castagnol –  e mais recentemente durante a greve geral de 14 de Novembro, quando trabalhadorxs desconhecidxs cortaram os cabos, dentro do centro de operações da AMT, impedindo a comunicação entre os meios de transporte público e a central: desde Chiomonte a Génova a sabotagem é companheira dxs que lutam.

Estivemos todxs – naquela maravilhosa noite de Maio – e todxs tínhamos bem presente que a sabotagem das engrenagens do TAV é possível.

Solidariedade com todxs xs encarceradxs e processadxs

Solidariedade com xs que se opõem e lutam contra a devastação e a exploração do território

em espanhol

Itália, No TAV: Condenações e lacrimogéneos na auto-estrada

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27 junho de 2011; expulsão da Livre República da Maddalena

A primeira sessão do dito «mega-processo No TAV» acaba de chegar ao seu termo, no decorrer da qual a resistência contra a expulsão da Livre República da  Maddalena a 27 de Junho de 2011, por 53 companheirxs, foi posta em causa, assim como a assalto ao canteiro de Chiomonte no 3 de Julho seguinte. As acusações de lesões e de violências agravadas, de resistência à pessoa depositária da autoridade pública, de degradações e de dissimulação do rosto foram transformadas em condenações, variando entre alguns meses e quatro anos e meio de prisão, para 47 pessoas [num total de 145 anos NdT]. Condenações pesadas, mas ainda assim inferiores às requeridas pelos procuradores Pedrotta e Quaglino – os quais a 7 de Outubro passado, tinham requerido 200 anos de prisão no total – excepto para alguns companheiros contra os quais os juízes decidiram aumentar o tempo da pena requerida pela acusação. Por outro lado foram pronunciadas seis absolvições.

À saída da sala, os No TAV presentes no julgamento invadiram a estrada e bloquearam o curso da Regina Margherita, durante cerca de vinte minutos, nas duas direções, à altura da sala bunker*, para protestar contra a sentença emitida pelos juízes.

Uma outra concentração realizou-se na mesma tarde na gare de Bussoleno, às 18 horas. Transformada depois em cortejo, com cerca de 250 pessoas, que primeiro bloquearam a estrada nacional, seguido de tentativa de invasão da auto-estrada. A polícia conseguiu pôr-se de través no caminho para impedir esta primeira tentativa, mas viu-se contornada por um grande grupo de manifestantes que, espalhados pelos lados, foram emparedados num dos dois lados da auto-estrada. A ocupação da rodovia durou cerca de meia hora até que chegassem novas forças policiais que atacaram com gás lacrimogéneo e algumas cargas. 5 pessoas foram detidas no curso destes acontecimentos, 2 delas foram soltas pouco depois. A rodovia foi reaberta, bem protegida por uniformes, enquanto a nacional ainda se encontrava bloqueada. Por volta das 23h30, os 3 No TAV detidos durante as cargas policiais na auto-estrada foram por fim libertados com uma convocação para o tribunal.

Adaptado de Macerie

Nota dxs tradutorxs:

* A “sala bunker” é o tribunal especial de Torino, construído dentro da cadeia de la Vallette, perto do início da auto-estrada.

Uma grande manifestação está convocada para 21 de Fevereiro em Turim para demonstrar que tudo continua e que os 145 anos de prisão  que foram distribuídos não diminuem em nada a determinação da luta.
Agora e sempre No TAV!

francês

Itália: Atualizações sobre o processo contra xs compas acusadxs pelo ataque às obras do TAV, em Chiomonte

NO-TAVA 17 de Dezembro de 2014, de pois de uma audiência à porta fechada de 2 horas, o Tribunal Especial de Assize, de Turim, impôs a cada um/a dxs compas Chiara Zenobi, Claudio Alberto, Mattia Zanotti e Niccolò Blasi a pena de 3 anos e 6 meses. O Tribunal decidiu que xs quatro compas – encarceradxs desde 9 de Dezembro de 2013 – eram culpadxs da sabotagem às obras do TAV em Chiomonte, mas absolveu-xs de todas as acusações de terrorismo (em relação aos quais o ministério público tinha pedido uma pena de 9 anos e meio).

A 23 de Dezembro de 2014, soube-se que Chiara, Claudio, Niccolò e Mattia foram postos em prisão domiciliária com todas as restrições, ou seja, ainda que tenham saído da prisão não podem encontrar-se com quem não resida habitualmente na mesma casa que elxs.

Entretanto, xs anarquistas Francesco Sala, Graziano Mazzarelli e Lucio Alberti, detidxs pelos mesmos factos em Julho de 2014, foram transferidos para a secção de alta segurança (AS2) da prisão de Ferrara. A transferência deve-se às acusações de “ataque com finalidade de terrorismo” que o ministério público imputou a Lucio, Francesco e Graziano, há duas semanas.

Para escrever aos 3 compas:

Francesco Sala
Graziano Mazzarelli
Lucio Alberti
c/o C.C. via dell’Arginone, 327, 44100 Ferrara (Itália)

Turim: Atualização do julgamento contra xs presxs anarquistas Chiara, Claudio, Mattia e Niccolò

no-tav-4-1024x1024No dia 14 de Novembro de 2014, Macerie transmitiu que se realizou na sala Bunker da prisão de Vallette, em Turim, mais uma sessão do julgamento contra xs presxs anarquistas Chiara Zenobi, Claudio Alberto, Mattia Zanotti e Niccolò Blasi. Ao fim de quatro horas, os bastardos acusadores do ministério público, Rinaudo e Padalino, requereram pesadas penas: 9 anos e 6 meses para cada um dos/da companheirxs, sob a acusação de ataque com fins de terrorismo, cometimento de ataque terrorista com armas mortais e explosivos, posse e transporte de armas de guerra, e causando danos a funcionário público pelo fogo e violência. Quanto às partes civis, por sua vez, o Lyon Turim Ferroviaire (LTF) requer, como compensação pelo ato de sabotagem a quantia “simbólica” de 50.000 €.

Em Setembro de 2014, Chiara, Claudio, Mattia and Niccolò tinham assumido responsabilidade pela sua participação na sabotagem do canteiro de obras TAV de Chiomonte, ocorrida em Maio de 2013.

A leitura da sentença terá lugar a 17 de Dezembro de 2014.

Itália: Atacados caixas eletrónicos e carros de luxo em Milão

solidaridad-NO-TAVNa quarta-feira à noite, 12 de Novembro de 2014, atacámos 5 caixas eletrónicos automáticos à martelada e vandalizámos alguns carros de luxo (pneus furados e vidros das janelas partidos), como gesto mínimo de revolta individual contra um sistema capitalista que explora e devasta.

Dedicamos esta ação a todxs xs compas acusadxs pelo ataque – em Maio de 2013 em Chiomonte* – às obras do TAV e também a todxs xs presxs anarquistas. Não podemos ficar de braços cruzados ou nos limitarmos a actos simbólicos que não causam mossa enquanto que xs nossxs companheirxs são enterradxs debaixo de anos de prisão.

A única solidariedade é o ataque!

*A 24 de Setembro, nos tribunais de Turim, xs compas Chiara Zenobi, Claudio Alberto, Mattia Zanotti e Niccolò Blasi assumiram orgulhosamente a responsabilidade pela sua participação no ataque às obras do TAV.

[Prisões italianas] Últimas sobre os compas Lucio e Graziano

Desde 11 de Julho, Graziano encontra-se completamente isolado na prisão de Borgo San Nicola em Lecce: o postigo da porta está fechado todo o dia e o pátio, a que se nega a ir só, é um buraco pequeno e sujo. A responsabilidade desta situação é da administração da prisão, que afirma que são os outros internos da seção que não podem estar com ninguém.

A 3 de Agosto, foi transferido de cela, o que veio piorar a sua situação: a cela é mais pequena, está menos limpa, a televisão não funciona e as celas ao lado estão vazias, portanto é-lhe impossível, inclusive, trocar algumas palavras, poucas que fossem.

A correspondência e os livros chegam-lhe com bastante regularidade, pelo que se convida a que continuem a escrever-lhe. Graziano tem conseguido ouvir bem as concentrações feitas em solidariedade com ele.

Lucio encontra-se na prisão de Busto Arsizio desde sábado 26 de Julho. A entrada na prisão tem sido vedada, após a entrevista com o vice-comandante dos guardas, que lhe disse claramente que – a troco de que se porte bem e de que cumpra com o regulamento – a sua pessoa não será de interesse para a prisão. Lucio está numa cela com dois jovens mais o menos da mesma idade, com eles encontra-se bem. O postigo da porta está sempre fechado, excepto durante as 2 horas de pátio de manhã e as três horas de pátio à tarde, que podem ser alteradas para sociabilizar (num quarto minúsculo) ou pelas actividades. As quatro secções da prisão podem utilizar os espaços do pátio, um por secção (6m x 10m), as salas para socializar (quartos minúsculos) e, rotativamente, os dois campos de futebol (normalmente aos sábados, semana sim, semana não). Também há um ginásio, ao qual só se pode aceder mediante uma petição escrita que, como qualquer outra petição relativa às actividades e bens como relógios, cintos e sapatos de substituição, têm tempos de resposta superiores a um mês.

Lucio fez-nos saber que, em geral, os guardas são muito formais, muito respeitosos do regulamento e mais destacados na relação com os presos que na prisão de S. Vittore (Milão), coisa que não o incomoda em absoluto, pelo contrário: esta distância correspondida simplifica-lhe em grande medida a vida, na secção, tornando mais fácil a intenção de reduzir ao mínimo as relações com os guardas.

Recordamos agora novamente as direções para escrever aos/às sete compas presxs por ações NO TAV

Francesco Sala C.C. via Palosca, 2 – 26100 Cremona. Itália;

Lucio Alberti C.C. Via Cassano Magnago, 102 – 21052 Busto Arsizio (Varese), Itá

Graziano Mazzarelli C.C. via Paolo Perrone, 4, Borgo San Nicola – 73100 Lecce, Itália;

Niccolò Blasi e Mattia Zanotti C.C. San Michele strada Casale, 50/A – 15121 Alessandria, Itália;

Claudio Alberto C.C. via dell’Arginone, 327 – 44100 Ferrara, Itália;

Chiara Zenobi C.C. “Rebibbia” via Bartolo Longo, 92 – 00156 Roma, Itália.

fonte macerie via neroveleno

[Prisões italianas] Carta do compa Graziano Mazzarelli, detido a 11 de Julho por ações NO TAV

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Desenho de um dxs compas que foram encarceradxs no Chile, na sequência da montagem policial conhecida por “caso Bombas”, há alguns anos.

Prisão de Lecce, 17 de Julho de 2014

Olá a todxs,

Estou muito bem e, certamente, não são suficientes quatro carcereiros juntos para me deitarem abaixo! Estou na secção C2 da prisão e os outros presos são todos ex 41bis (bando armado) ou andaram à luta muitas vezes entre presos comuns, não há delatores, do mal o menos. No entanto, já conheci todos e não tenho nenhum tipo de problema, e até já me deram alcunha, sou “Graziano o terrorista” para toda a penitenciária.

As celas são pequenas e estão em más condições mas têm casa de banho com lavatório, bidé e são individuais. Estão localizadas juntas umas às outras, sem nada em frente, para que não seja possível comunicar demasiado com os outros. A comida não é muito má, ainda que existam maneiras de comer bem e já as conheço. Há muita solidariedade entre os presos, quanto a isto podem estar tranquilxs. Os medicamentos passam com regularidade, mas ninguém os toma, com excepção de um preso. Tropecei no monge e no padre da prisão, mas suponho que não os vou voltar a ver, porque ficaram algo incomodados com o nosso encontro. A procuradoria de Turim impôs-me a medida de proibição de me reunir com os outros presos. Só fui ao pátio no primeiro dia, levaram-me a uma espécie de armário grande, 7-8 metros de comprimento e 2,5 de largura, sujo, onde além disso estava sózinho, isto durou um quarto de hora e pedi logo ao carcereiro para voltar à minha cela. Desde então, recuso-me a ir ao passeio. Além disso, não tenho maneira de socializar, visto que não há presos nas mesmas condições de detenção que eu.

As visitas são às terças, mas ainda não vi ninguém, porque, repito, não deixaram entrar o meu pai.

Por outro lado, na sexta-feira passada, logo que se aperceberam das detenções, xs compas de Lecce que realizaram uma concentração frente a Borgo San Nicola, das 18 às 20, aproximadamente, e ouvi-os bem, gritei logo, mas não sei se elxs me ouviram. Aqui, em cada noite há algum parente que vem lançar fogo-de-artifício e petardos grandes. Aproveito a oportunidade para dizer a todxs que na próxima quarta-feira, dia 23 é o meu aniversário e que me espera uma grande festa lá fora.

Sei que hoje começa a acampada itinerante em Val di Susa, espero que xs compas sejam muitxs e muito aguerridxs! Aconselho que não façamos disparates, que xs compas servem para mais lá fora que aqui dentro (de qualquer maneira, dito por mim, faz rir). Tratem de manter-me informado sobre tudo que se passa lá fora. Escrevam-me e enviem-me sobrescritos vazios e selos.

Um beijo a todxs
Monsieur Graziano

Para escrever a Graziano:
Graziano Mazzarelli
Casa Circondariale via Paolo Perrone 4
Borgo S.Nicola 73100 Lecce Italia- Itália
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Nota dxs tradutorxs:
A 3 de Agosto o compa foi mudado para outra cela, coisa que piorou ainda mais as suas condições de encarceramento, visto a nova cela ser mais pequena, mais suja e a televisão não funcionar, para além de que as celas ao lado encontram-se vazias.

Roma: Ataque incendiário em solidariedade com xs compas detidxs em Turim a 3 de Junho

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2 de Julho de 2014

Enteiramo-nos de que em Roma um posto de vendas da empresa construtora PROGEDIL foi incendiado em solidariedade com xs companheirxs perseguidxs e detidxs em Turim a 3 de Junho de 2014. Agora não contribuirá mais para a construção do novo centro residencial. Antes de se apagar, o stand lançou uma última saudação de liberdade a Fabio, Michele, Andrea, Paolo, Toshi, Chiara, Claudio, Niccolò, Beppe, Francesco, Daniele, Marianna e Nicolò.

Itália: Novas detenções de compas por ações NO TAV

Segundo informa um breve comunicado de Milão, a 11 de julho, pela manhã, foram detidos os compas Lucio Alberti, Francesco Sala e Graziano Mazzarelli. Os três encontram-se acusados ​​de ter participado de várias formas no ataque às obras do TAV em Chiomonte, na noite de 13 para 14 de Maio. Trata-se do mesmo caso dxs compas Chiara Zenobi, Claudio Alberto, Mattia Zanotti e Niccolò Blasi. Para além disso, outro companheiro, Andrea, foi registrado no âmbito deste último golpe repressivo, como pessoa com conhecimento dos factos.

As acusações exactas ainda se desconhecem, no entanto, no dia seguinte, 12 de Julho, houve atualização sobre o estado dos três detidos. Lucio e Francesco estão na prisão de San Vittore, em Milão, tendo recebido a visita dos advogados que os encontraram bem e em boa forma. Graziano, por outro lado, está encarcerado em Lecce, e só escutou os advogados pelo telefone: também ele se encontra bem.

As direções dos compas são:

Graziano Mazzarelli
Casa Circondariale
Via Paolo Perrone 4
Borgo S.Nicola
73100 Lecce
Italia

Lucio Alberti
Francesco Sala
Casa Circondariale San Vittore
Piazza Filangeri 2
20123 Milano
Italia

Barcelona: Faixa em solidariedade com xs presxs No Tav em Itália

Faixa colocada em frente à estação de Barcelona Sants, em solidariedade com Niccolò, Claudio, Mattia e Chiara, companheirxs acusadxs de terrorismo pelo estado italiano por terem atacado as obras do Tav.

Nos últimos dias caíu a acusação de terrorismo. Mas xs compas continuam presxs e as obras do Tav continuam a avançar.

Liberdade para xs compas!

Que a ação e a sabotagem não parem, fogo ao Tav e as todas as prisões!

fonte: barcelona indymedia

[No TAV] Ações em solidariedade com xs presxs Chiara Zenobi, Niccolò Blasi, Claudio Alberto e Mattia Zanotti

29 de Janeiro 2014: Em Roma, uma corrente com dois tijolos terminou sobre os cabos de eletricidade da linha de alta velocidade que passa por uma zona urbana.

4 de Fevereiro: Protesto contra o ex-primeiro-ministro italiano, Romano Prodi (ex-presidente), durante um debate na universidade de Trento.

7 de Fevereiro: Transportes públicos de Milão empapelados com escritos No TAV.

8 de Fevereiro: Cartaz solidário colocado numa ponte do sudeste de Toulouse (França).

12 de Fevereiro: Bloqueado e pintado um comboio de alta velocidade em Roma.

13 de Fevereiro: Encontro, projeções e recolha de fundos em Roma.
Concerto para recolher fundos de Não à terceira Etapa na Casa Okupada de Pelliceria, Génova.

14 de Fevereiro: Assembleia pública No TAV em Tradate, Lombardia.

15 de Fevereiro: Debate, ceia e concerto para recolher fundos na cantina Okupada Marzolo em Pádova.

19 de Fevereiro: Assembleia pública No TAV em Génova para as mobilizações de 22 de Fevereiro.

20 de Fevereiro: Transportes públicos de Bérgamo empapelados com escritos No TAV.

22 de Fevereiro: Concentração solidária com No TAV/Não à terceira Etapa em Génova.
Sabotagem de 32 ATM do grupo bancário Intesa San Paolo em Turim em solidariedade com xs presxs No TAV.

Roma: Bloqueio do trânsito em solidariedade com xs 4 compas detidxs a 9 de Dezembro de 2013

Na segunda feira, dia 27 de Janeiro de 2014, à primeira hora da tarde, cerca de vinte anarquistas interrompemos o circuito do trânsito, próximo da nova estação Tiburtina – que brevemente será dedicada ao TAV – em solidariedade com xs compas detidxs a 9 de Dezembro de 2013 por algumas ações contra a linha de alta velocidade.

Após termos congestionado o trânsito, numa via rápida com bombas de fumo e tochas, colocamos no meio contentores atados com arame farpado, onde tinha sido colocada uma faixa solidária e contra a condição de isolamento na qual se encontram xs presxs revolucionárixs. No fiinal os contentores pegaram fogo!

Uma saudação a todxs xs presxs revolucionárixs!
Liberdade para todxs!
Terrorista é o Estado!

em italiano

Itália: Operação Ousadia – Notas sobre a audiência preliminar

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Na sexta-feira, 17 de Janeiro realizou-se a audiência preliminar da operação Ousadia [ardire]. Contra todas as expectativas, a procuradora Comodi solicitou o “não tem fundamento para prosseguir” para a acusação do 270bis :”Associação subversiva com fins terroristas”. O juiz aceitou o pedido e só ficou a acusação de envolvimento para o delito específico (danos) para três dxs acusadxs.

Para além do óbvio suspiro de alívio de todxs – perante a ideia de se ter tirado de cima muitos anos de julgamento com tudo o que tal implica – no dia seguinte, após os festejos da noite, continuava  a grande amargura, raiva e um sentimento profundo de frustração ao ver-se como as vidas das pessoas se podem distorcer, manipular, bloquear e jogar, como alimento da mesquinhez dxs que vivem à custa dxs demais sem ter de prestar contas, sem ter que se confrontar com a responsabilidade das suas ações.

A “senhora” procuradora disse nesta sexta-feira que não queria fazer gastar o dinheiro dos contribuintes para ser montado outro “circo” (palavras textuais) para depois outrxs juízes – apesar dos seus esforços- irem deitar abaixo.

Circo. Um circo que custou um ano de vida a alguns e algumas, inclusive mais a outrxs. Sim, exatamente um circo, um espetáculo, um teatro do grotesto, da miséria, da mesquinhez, da parte mais traiçoeira, malvada, suja, medíocre, baixa de uma mulher que se prestou a qualquer pedido, desejo, capricho dos seus “ROS” (Grupo Operativo Especial dos carabineiros), verdadeiras marionetes de toda a história,  sem ter a mais remota ideia, muitas vezes, do que estava a fazer.

É difícil sorrir hoje. Muito difícil de se livrar da horrível sensação de que em qualquer momento podem fazer da tua vida o que considerem mais oportuno para os seus programas políticos, para a sua gestão da ordem, para as suas carreiras, para dirigir a atenção das cabeças, pouco pensantes, da maioria.

Assim te chamam terrorista.

Encerram-te como o pior inimigo e perigo para a sociedade.

Imputam-te um papel e um modo de atuar que na realidade sempre tem sido o de quem tem nas mãos o poder das armas, da polícia, dos exércitos, do voto, do governo, da imprensa, do poder judicial.

De quem tem o Poder para dispôr da vida das pessoas, de decidir que numa terra já não se deva viver como sempre se fez, mas que se deva deixar passar um monstro de vias e alta velocidade.

De quem tem o poder para transformar o sentido das palavras e o sentido da justiça (a verdadeira, a que cria a distinção entre o que é justo e o que é injusto, não a escrita nos códigos) esse poder que, com as suas mil mãos, com uma destrói, com outra castiga e encerra e com outra, para além disso, difama e transforma o sentido da realidade. Esse poder que permite dar mais valor a uma janela quebrada que à vida de uma pessoa, que protege os que matam as  pessoas encerradas na prisão, que te espiam a vida até dentro da roupa íntima, que impunemente muda, distorce, golpeia a vida das pessoas, que na guerra constante que levam, contra quem está sob o seu controlo, não permite nenhuma réplica, nenhuma oposição.

Assim, hoje, os terroristas do último minuto são a companheira e os companheiros detidxs em Turim. Hoje a etiqueta é para elxs. Incómodxs, fastidiosxs, difíceis de manejar, teimosxs como todos aquelxs que se obstinam a não ceder ao TAV, e que o fazem com todos os medos que estimam necessários para a luta, para a defesa da sua terra e das suas vidas.

Hoje, alguns foram retiradxs fora, porque assim o decidiu a palavra terrorista. Outros têm-na às costas. A estxs, toda a solidariedade e proximidade.

Quanto aos acontecimentos de Perugia, com a esperança de que tenham terminado de uma vez por todas, assim como os delírios dos ROS e do ministério público, que um espesso véu cubra o fedor do podre que emana ainda e continuará a emanar por muito tempo.

Fonte

Lisboa, Portugal: Crónica do protesto anti-autoritário, solidário com as Ocupas de Grecia, NO TAV e ZAD

por1

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por3

por4No sábado, 26 de Janeiro, entre as 14h 30 e as 18h, foi levado a cabo em Lisboa, um protesto anti-autoritário contra o capitalismo, fascismo e repressão, de solidariedade com os compas na Grécia e em todo o mundo e pela defesa dos espaços libertados. Em particular, no seu comunicado, abordavam-se o ataque frontal do Estado grego contra o movimento anti-autoritário, a repressão política dos activistas contra o TAV (Itália) e da ZAD (Zona A Defender, contra o novo aeroporto dos arredores de Nantes), a repressão dos movimentos indígenas, as repressões violentas de manifestações massivas por toda a Europa (caso da greve geral 14N) e o ataque policial a estudantes do ensino básico com gás lacrimogéneo, dentro de uma escola em Braga (Portugal). Uma chamada à luta, sem fronteiras.

Cerca de 1000 comunicados foram distribuídos à população e na manifestação de cerca de 30 000 professores. O desfile, com bandeiras negras e faixas terminou no Largo Camões cerca das 17h, onde se mantiveram concentrados por mais de uma hora, com a presença de compas solidários de várias partes do país, com distribuição de comunicados e informação à população. Um bom prenúncio para um Fevereiro Negro.

Rebeldes e selvagens, nós damos-lhes a crise!
A solidariedade é a nossa maior arma!

Guerra à guerra dos poderosos

Carta mapuche para Luca Abbà e NO TAV

Luca, irmão, amigo. companheiro:

Apagaram-se os sóis de verão, desligaram-se os rios das nuvens, os ancestrais da nossa Mapu Nuke que habitam as montanhas e os espíritos libertários que dormem nos cumes do Vale de Susa cuidam do teu sonho.

Do mais profundo dos nossos corações,  elevamos  o nosso canto no sagrado rewe  para que recuperes e voltes novamente para junto dos teus, junto das mulheres e homens de pensamento livre que lutam por uma mãe terra viva e libertária.

Às companheiras e companheiros do NO TAV que tenho gravados nas recordações da minha memória – pela sua solidariedade, dignidade e luta – a nossa solidariedade, nascida do mais profundo das raízes dos pinheiros e dos canelos que protegem a nossa terra.

Luca, irmão, amigo, companheiro
estamos contigo, cruzando os Andes
e nadando nos oceânicos mares
da solidariedade dos povos.

Rayen Kvyeh
poetisa do Coletivo de Poetas e Artistas Mapuche Mapu Ñuke.

Notas
Mapu Ñuke: Terra Mãe.
Rewe: Tótem mapuche utilizado em diversas cerimónias e que serve para se conetarem com o cosmos.
Pinheiros e canelos: árvores sagradas mapuche.

fonte

Atenas: Pelo fortalecimento da solidariedade recíproca

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em português

No domingo, 11 de Março, na assembleia aberta de Contra Info, em Atenas, participaram vários/as compas de diferentes países; assim, no dia seguinte pudemos realizar uma ação simbólica de solidariedade internacional e contra-informação, pendurando faixas relacionadas com quatro casos importantes, em vários pontos do centro da cidade.

Na escola Politécnica, na rua Patision, penduramos uma faixa pelo compa Tortuga, com vista ao 20 de Março, dia internacional de ações solidárias co Luciano Pitronello, o qual está ameaçado, por parte das autoridades persecutórias do Estado chileno, com um encarceramento de 15 anos, devido à colocação de um engenho explosivo numa sucursal do Banco Santander, em 1 de Junho de 2011, em Santiago do Chile. Na faixa, escrita em espanhol e em grego pode-se ler: “Liberdade para o compa Tortuga! Solidariedade com os/as prisioneiros/as  de guerra no Chile”.

Na praça Exarchia colocámos uma faixa em memória de Oury Jalloh, que foi queimado no interior duma esquadra da polícia na cidade de Dessau, na Alemanha, a 7 de Janeiro de 2005. Desde essa altura, familiares, amigos/as e solidários/as têm levado levado o caso aos tribunais, exigindo o castigo dos autores do assassinato de Oury, refugiado da Serra Leona, de 36 anos de idade. Atualmente, embora sob um clima de terror policial,  está-se a examinar o caso no tribunal de Dessau. Na faixa, escrita em alemão e em grego, pode-se ler: “Oury Jalloh foi assassinado!, Oury Jalloh vive! Nenhuma tolerância com os Estados-assassinos. Solidariedade com os/as compas na Alemanha”.

Na entrada da faculdade de economia (ASOEE), na rua Patision, pendurou-se uma faixa para Luca Abbà, activista do movimento NO TAV, em Itália, que está internado no hospital, despois de ter sido ferido com gravidade, durante uma nova operação repressiva em Val di Susa. A luta contra a construção do Trem de Alta Velocidade entre Turín e Lyon começou no início da década de 1990 e tem-se mantido até aos dias de hoje. Na faixa pode-se ler: “Não ao TAV, Não ao Estado, Não ao Capital. Solidariedade com Luca Abbà. Sabotagem às linhas rápidas do sistema”.

Na entrada da faculdade de ciências sociais e políticas (Pantion), pendurámos uma faixa em solidariedade com seis compas anarquistas em França, Inês, Xavier, Damien, Ivan, Franck e Bruno, os quais perseguem desde há quatro anos, além de terem estado em prisão preventiva no passado e encontrarem-se sob aplicação da lei anti-terrorista. O começo do seu julgamento, levado a cabo em Paris, será a 14 de Maio. Na faixa escrita em francês e em grego podia-se ler: “Solidariedade com Inês, Xavier, Damien, Iván, Franck e Bruno. Tirem as patas de cima dos compas em França”.

Uma quinta, uma faixa pequena, escrita em inglês, foi pendurada na entrada da Politécnica, na rua Stournari, na qual se podia ler: “Solidariedade internacional entre todos/as  os/as oprimidos/as”.


en galego

O domingo 11 de Marzo, na asamblea aberta de Contra Info, en Atenas, participaron varixs compas de diferentes países; así que ao día seguinte puidemos realizar unha acción simbólica de solidaridade internacional e contra-información, pendurando faixas en relación con catro casos importantes en varios puntos do centro da cidade.

Na escola Politécnica, na rúa Patision, penduramos unha faixa polo compa Tortuga, en vistas ó 20 de Marzo, Día internacional de accións solidarias con Luciano Pitronello, quen está ameazado, por parte das autoridades persecutorias do Estado chileno, cun encarcelamento de 15 anos, debido á colocación dun artefacto explosivo nunha sucursal do Banco Santander, o 1 de Xuño de 2011, en Santiago de Chile. Na faixa, escrita en español e en grego, pódese ler: “Liberdade para o compa Tortuga!, Solidaridade cxs prisioneirxs de guerra en Chile”.

Na praza Exarchia colocamos unha faixa en memoria de Oury Jalloh, que foi queimado no interior dunha comisaría de policía na cidade de Dessau, en Alemaña, o 7 de Xaneiro do 2005. Dende entón, familiares, amigxs e solidarixs teñen levado o caso ós tribunais, esixindo o castigo dos autores do asasinato de Oury, refuxiado de Serra Leona, de 36 anos de idade. Estes días, baixo un clima de terror policial, examínase todavía o caso no tribunal de Dessau. Na faixa, escrita en alemán e en grego, pódese ler: “¡Oury Jalloh foi asasinado!, ¡Oury Jalloh vive!, ningunha tolerancia ós Estados-asasinos. Solidaridade cxs compas en Alemaña”.

Na entrada da facultade de economía (ASOEE), na rúa Patision, pendurouse unha faixa para Luca Abbà, activista do movemento NO TAV, en Italia, quen está internado no hospital, despois de ter sido ferido de gravidade, durante unha nova operación represiva en Val di Susa. A loita contra a construcción do Tren de Alta Velocidade entre Turín e Lyon, estáse dando dende os comezos da década de 1990, e continúa ata o día de hoxe. Na faixa se podía ler: “NON TAV, NON ESTADO, NON CAPITAL. Solidaridade con Luca Abbà. Sabotaxe ás liñas rápidas do sistema”.

Na entrada da facultade de ciencias sociais e políticas (Pantion), penduramos unha faixa en solidaridade con seis compas anarquistas en Francia, Inés, Javier, Damien, Ivan, Franck y Bruno xs que se persigue dende fai catro anos, ademais de terem estado en prisión preventiva no pasado e sufrir todo o relativo que conleva a aplicación da ley antiterrorista. O comezo do seu xuízo, que se levará a cabo en París, será o 14 de Maio. Na faixa escrita en francés e en grego podíase ler: “Solidaridade con Inés, Javier, Damien, Iván, Franck e Bruno. Quitade as vosas mans dxs compas en Francia”.

Unha quinta faixa pequena, escrita en inglés, foi pendurada da entrada da Politécnica, na rúa Stournari, na que se podía ler: “Solidaridade internacional entre todxs xs oprimidxs”.

Turim, Itália: Horticultura de guerrilha contra o TAV

No dia 2 de Março do corrente ano,  2 de Março, plantou-se um novo símbolo contra o comboio de alta velocidade, na cidade de Turim. Cerca de 60 ativistas do “Reclaim the fields /Reclama os campos” ocuparam um bocado de terreno entre  Corso Marche e Corso Francia. Em poucas horas, foram esculpidas no solo as letras NO TAV e plantou-se uma grande variedade de sementes e pessegueiros.

A ação ocorreu num baldio (terra da comunidade) que será privatizado e arrasado se for construída a linha ferroviária de alta velocidade (TAV) que liga Lyon a Turim. Os ativistas de toda a Europa usaram a ocupação como  oportunidade para realizar os seus workshops e seminários sobre energias renováveis de código aberto e sobre as dificuldades existentes de acesso à terra. Muitas pessoas que passavam de carro mostraram, entusiasmadas, o seu apoio e algumas gritaram slogans contra o TAV. A ação terminou com um bloqueio espontâneo do trânsito e uma manifestação pelas ruas de Turim.

Essa ação de jardinagem e horticultura de guerrilha anuncia, também,  o início de uma nova luta em Turim para protestar contra a vontade do atual primeiro-ministro não eleito, Mário Monte, de vender as terras de “Demanio”. É um baldio, terra da comunidade,  e que se manteve disponível para uso comum desde o Império Romano e segue a lei, independentemente do uso público ou privado. A iniciativa começou por ação do Reclaim the Fields, mas a esperança é ver o bairro recuperar o pedaço de terra, compartilhando, produzindo e colhendo alimentos para todos.

Isto pode ser entendido como uma metáfora para um tipo de crescimento que  pode enfrentar o discurso político de crescimento económico usado em projetos como o TAV (em portuguêsTGV).

fontes: 1, 2

França: Manifestantes atacam consulado da Itália em Lyon em apoio à luta contra o trem de alta velocidade e solidariedade a Luca Abbà

Na manhã desta quarta-feira (29 de fevereiro), cerca de 30 pessoas picharam e atacaram com bombas de tinta o Consulado Geral da Itália em Lyon, em luta contra o trem de alta velocidade (TAV) e apoio e solidariedade a Luca Abbà, um ativista que caiu anteontem de uma torre de eletricidade durante um protesto no Vale de Susa (norte da Itália) contra a ampliação de um túnel para o TAV que liga Turim e Lyon.

Forza Luca! Liberi tutti!

fontes: notavliberi, ana

Vale de Susa, Itália: Terrorismo de estado não trava NO TAV

A França e a Itália firmaram, em 2001, um acordo para a construção de uma linha de trem de alta velocidade (TAV) entre Lyon, na França, e Turim, no norte da Itália- considerada estratégica para a rede européia- que vai diminuir a duração da viagem, de sete horas, como é hoje, para quatro. O custo do projeto está estimado em 15 bilhões de euros, sendo uma parte financiada pela União Européia.

Porém, os habitantes do Val de Susa (norte da Itália), que receiam a destruição do meio ambiente, contestam fortemente o projeto. Muitos manifestantes e opositores à linha de alta velocidade alegam razões ambientais e de saúde para se oporem à realização deste projeto.

Há vinte anos que a luta no Vale do Susa tem sido um exemplo e uma inspiração, ao impedir a construção da linha de comboioTGV, um projecto megalómano que promove a destruição do vale em beneficio de grandes empresas ligadas à máfia italiana.

A 27 de Fevereiro de 2012, em Val de Susa, iniciaram-se os trabalhos de despejo e demolição da Baita Clarea (uma das barricadas/acampamentos anti-TAV/TGV que se encontram no caminho das obras), juntamente com o transporte de material para o local. A expulsão acontece dois dias depois de uma manifestação que juntou setenta mil pessoas no Vale do Susa. Um dia que acabou com a polícia a espancar os manifestantes que, na estação de comboios de Turim, procuravam regressar a casa.

Um companheiro, Luca Abbà, resistente NO TAV, por volta das 8h30, subiu a um poste de electricidade para tentar atrasar a operação industrial-militar. Um bófia tentou fazê-lo descer, manobra absolutamente assassina, sem rede ou qualquer outro instrumento de protecção. Luca recusou-se a descer e subiu um pouco mais, pressionado pelo polícia, apanhando uma violenta descarga eléctrica que o projectou varios metros. A responsabilidade das forças da ordem é inquestionável.

Luca foi transportado de helicóptero para o hospital de Turim, após quase uma hora do “acidente” provocado pela polícia, e os trabalhos de despejo e demolição continuaram. Encontra-se neste momento em coma induzido, após ter sofrido varias fracturas e queimaduras em todo seu corpo. A pesar da grave situação, os médicos dizem que não está em perigo de vida.

Por detrás do polícia que subiu ao poste está toda uma instituição que defende a todo o custo o existente; a prevalência da morte sobre a vida, do lucro sobre a solidariedade, da lei sobre o indivíduo. O polícia que subiu foi o filho da puta do momento, nem mais nem menos do que os que ficaram em baixo a afastar os companheiros do Luca ou a expulsar os resistentes para naquele lugar colocarem as máquinas.

A resposta da população não se fez esperar: centenas de pessoas estão desde 27 de Fevereiro,de manhã, a bloquear a auto-estrada e estradas nacionais que atravessam o Vale do Susa, e grandes manifestações de solidariedade tiveram entretanto lugar por muitas cidades de Itália.

O objectivo é manter as ocupações, re-ocupar a “Baita Clarea” e pôr um fim aos trabalhos de construção.

Colaboração de compas
fontes: informa-azione.info / radioblackout.org

Itália: NO TAV – Detenções e notificações por todo o país

Nápoles: “Bloqueio à TAV Nápoles-Milão: Alessio livre, todos libertos já! Não à especulação!” (Clique no imagem.)

Em 26 de Janeiro, às 6h30 da manhã, uma vasta operação policial ordenada pelo procurador do ministério público de Turim atingiu em toda a Itália muitos amigos, companheiros e resistentes NO TAV –contra a construção do TGV– com detenções e outras medidas de coação. As práticas de resistência que despoletaram esta operação em massa dizem respeito a episódios de conflito relacionados com o despejo da Libera Repubblica della Maddalena –vários dos acampamentos/ocupações localizados entre barricadas no caminho ou local de construção da linha do TGV– culminando no cerco de 3 de Julho e por fim no longo verão do Vale de Susa.

Das mais de 40 medidas de coacção, 25 são prisões preventivas, 15 são termos de identidade e residência, 1 prisão domiciliária e 1 “foglio di via” (proibição de entrar ou permanecer em Turim).

Há detidos e notificados pelo menos em Biella, Milão, Rovereto, Turim, Vale de Susa, Asti, Génova, Pistola, Nápoles e Bolonha.

Vídeo (Vale de Susa)

A polícia entrou em casas de companheiros à procura de roupas, capacetes e outro material. Alguns dos mandatos foram sob o 41 TULPS (busca por armas e explosivos).

A solidariedade não se fez esperar e em Turim uma manifestação massiva ocorreu a 28 de Janeiro:

É por demais evidente que em tempos de cada vez mais pobreza, nos quais um “governo de técnicos” foi chamado para prevenir toda e qualquer situação de luta real, esta onda repressiva é um aviso. Quem nos governa pretende instigar o medo, incentivar o desespero e fomentar a divisão naqueles que lutam no Vale de Susa e noutros locais. É urgente sublinhar que estas buscas e detenções se inserem num período de acrescida repressão e mão pesada da polícia contra anarquistas e todas as pessoas em geral que tenham escolhido rejeitar qualquer forma de mediação ou reconhecimento por parte das instituições.

A todos os detidos, visados por medidas de coacção ou alvos de buscas, a nossa solidariedade!

No pasáran!

Atualizações constantes em informa-azione / em inglês
também em pt.indymedia.org

—Colaboração de compas

Roma: Quando a indignação se transforma em raiva

Respondendo à chamada internacional de 15 de outubro, cerca de 200 mil pessoas reuniram-se em Roma para uma jornada de luta que contaria com praticamente todos os movimentos antagonistas de Itália. Trabalhadores precários, ativistas de centros sociais, anti-autoritários, membros do movimento NO TAV, autónomos, sindicatos de base, cidadanistas, “desobedientes”, estudantes tomaram as ruas, embora com objetivos muito diferentes.

Desde o início da marcha cerca de 1.000 pessoas, incluindo um bloco que se deslocava  atrás da bandeira «Non chiediamo il futuro, ci prendiamo il presente» («Não estamos a pedir o futuro, tomamos o presente”), voltaram-se contra os responsáveis diretos ​​pela nossa miséria: um supermercado  de luxo foi devastado, os seus produtos distribuídos entre xs revoltosxs, queimaram-se carros de luxo, quebraram-se montras de bancos e apeou-se e rasgou-se uma bandeira nacional de um palácio.

Quando a manifestação se aproximou do Coliseu, houve tensões entre pacifistas e centenas de jovens usando capuzes e capacetes. Os escritórios da empresa de trabalho temporário Manpower (presente em Portugal e Brasil também), foram completamente destruídos, depois de terem sido arrombados e de se lhes terem deitado fogo. Uma equipa de televisão também foi atacada e expulsa do desfile.

Durante os distúrbios, perante um carro SUV a arder, um trabalhador da FIAT começou a gritar de cima de uma camioneta “vamos utilizar bem o resto da gasolina”. A seguir uma gasolineira foi incendiada. Os confrontos com a polícia começaram com o arremesso de engenhos pirotécnicos sobre aquela. A manifestação seguiu para a Praça San Giovanni onde estava previsto que teria o seu terminus,  enquanto uma esquadra de polícia era assaltada, câmaras e vidros de janelas são destruídos, bombas de fumo são atiradas para o interior de lojas comerciais. Uma vez mais realizaram-se ataques incendiários contra  carros e sucursais de vários bancos foram danificadas. Neste momento uma parte dos manifestantes já havia chegado à praça de San Giovanni, embora a maioria ainda estivesse a desfilar no percurso.
 A polícia decidiu atacar nessa altura e dividir a marcha em duas partes o que resultou em confrontos generalizados entre xs manifestantes e as forças da ordem que duraram muitas horas. Muitxs dxs manifestantes uniram-se aos revoltosxs e milhares de pessoas começaram a enfrentar a polícia que obviamente não podia controlar a situação. Em diversas ocasiões os esquadrões da polícia foram obrigados a retroceder (inclusivé com os seus carros lança água) perante os ataques dxs jovens encapuçadxs que resistiam fortemente atirando pedras e engenhos pirotécnicos. Um carro blindado da polícia foi incendiado, ação que foi aplaudida por toda a gente. Ergueram-se barricadas e depois xs insurretxs atacaram uma dependência do ministério da Defesa que  ficou envolta em chamas.

Só depois das 20h00 xs manifestantes começaram a dispersar, continuando a construir-se barricadas depois disso com contentores e outros objetos e deitando fogo a lixo. Ferimentos em cerca de setenta pessoas, entre manifestantes (incluindo um gravemente afectado nla mão por causa de um engenho pirotécnico) e polícias. O número de prisões não é quantificável neste momento.

Fonte:  www.lereveil.ch
Mais fotos/vídeos:
act for freedom now