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Setúbal, Portugal: A C.O.S.A. resiste! (programação do Covil)

Quinta-feira dia 7 Dezembro na C.O.S.A.

O Covil apresenta o filme “Beasts of no Nation”

Sinapse:

Separado da família durante a guerra civil, um garoto é obrigado a lutar ao lado de mercenários e se tornar um menino-soldado de guerrilha.

Abrimos o Covil (infospot) às 15:00 com kafeta

Jantar às 20:00 e o filme às 21:30

Casa Okupada de Setúbal Autogestionada
Rua Latino Coelho nº 2 -Setúbal

Portugal: Programa da Feira Anarquista do Livro de Lisboa [1 a 8 Outubro 2017]

Depois de dez anos a instigar a subversão, a conspiração e a difusão das ideias acratas, a FAL é hoje mais indispensável do que nunca e traz a debate temas diversos: Colapso capitalista, Violência policial e Racismo, Transfeminismo, Okupação, Saúde anti-autoritária, Anti-especismo, Repressão de Estado, Memória histórica anarco-feminista, Guerrilha anti-franquista, Hortas urbanas, Artes e Resistência.

Este ano a feira decorrerá em vários espaços com apresentações de livros, conversas, workshops, documentários, música, exposições, mostra de editoras e distribuidoras. Tal como nas edições anteriores, a FAL convida-nos a conhecer a(s) história(s) de um passado de revolta e a pensar formas de luta para um presente que se organiza a partir da hierarquia, do autoritarismo, da competição, da chantagem e do medo. Contra tudo isto urge fazer alianças para um futuro rebelde, combativo e solidário.

Há um elemento comum nas lutas que na última década agitaram a “paz social” podre em diferentes geografias. A luta contra a precariedade na Grécia, na Itália, em Espanha e em Portugal, as ZAD’s e a resistência ao estado de emergência em França, a revolta dxs estudantes e do movimento indígena no Brasil, México e Chile, as Primaveras Árabes e todos os outros focos de insurreição revelam e convergem na vontade de auto-organização, de autonomia e de liberdade. Unem-se num grito conjunto: somos ingovernáveis!

Sabemos as consequências de permanecer sempre ao lado daquelxs que se recusam a obedecer; sentimos como anarquistas a repressão violenta do Estado, mas não nos vergamos perante aquelxs que engendram e perpetuam os sistemas globais de dominação: o Estado, as corporações, os bancos, os exércitos, os média corporativos, os burocratas, os tecnocratas, os democratas, etc. Partimos das experiências de um passado de rebelião, aprendemos com todxs que sempre tiveram a coragem de cuspir naquelas pessoas que desde as suas torres de marfim assinam decretos, sentenças e contratos para precarizar vidas, expropriar recursos naturais, fortalecer políticas imperialistas, controlar corpos e desejos, reprimir a dissidência, gentrificar os nossos bairros, aprisionar a liberdade, minar os movimentos sociais, etc. Organizamos-nos hoje num contexto em que o capitalismo se reforça e concentra poder através de um feudalismo neoliberal que nos rouba a autonomia em todos os âmbitos, a extrema-direita se renova e alastra, o cishetero-patriarcado continua a ramificar a violência, o racismo prevalece institucionalizado, os discursos xenófobos adquirem legitimidade pública, a “guerra contra o terrorismo” justifica a suspensão das poucas liberdades que a democracia ainda permite, e um quotidiano que se torna cada vez mais refém de tecnologias.

E depois lembramos-nos que em todo o lado existem resistências que não capitulam: a experiência autónoma de Rojava e a luta do povo curdo; os movimentos indígenas da Amazónia e do Dakota; a eterna luta pela sobrevivência que xs palestinianxs travam contra a ocupação israelita; as greves selvagens por todo o lado e principalmente nos países onde o capitalismo trata cada ser humano como despojos da economia (Bangladesh, China, etc.); as lutas de apoio aos/às refugiadxs e migrantes contra as políticas racistas e assassinas de todos os Estados e das suas fronteiras; as lutas contra a especulação e pelo direito à habitação; as lutas contra o neocolonialismo; as lutas queer e transfeministas contra a assimilação neoliberal e estatal; o activismo pela libertação animal; as lutas contra o ecocídio capitalista, etc. A resistência quotidiana urge!

Tenaz e desobediente, a Feira Anarquista do Livro propõe um espaço de difusão de ideias, teorias e projectos, de co-aprendizagens críticas, de aquisição de ferramentas políticas para a transformação social e de fortalecimento de redes de afinidade. Surge da raiva, da contestação, do sentido de comunidade. É em si mesma um exercício de autonomia, de auto-gestão, de apoio mútuo, de acção directa, de praxis anarquistas, enfim, de liberdade.

Oprimidxs? Assim nos querem. Dominadxs? Jamais. Rebeldes? Sempre! >> PROGRAMA COMPLETO <<

DIA 1, DOMINGO | À da Maxada
TIRO DE PARTIDA: OKUPAÇÃO

A partir das 17h | Forno a lenha com pizzas e outros petiscos

17h | Tarde infantil – Oficina de brinquedos
Um bom brinquedo é aquele que sem ser nada concreto pode ser tudo, um mesmo objecto tem o poder de transformar-se de acordo com o jogo. Nesta oficina de brinquedos, queremos promover a criação/fabricação própria como uma forma de luta anti-consumo, usando múltiplos objectos quotidianos e convertendo-os em brinquedos. O que procuramos é criar um espaço onde só é necessário tempo, criatividade e vontade de brincar, enquanto promovemos o uso de brinquedos que potenciem as habilidades artísticas, estimulem o pensamento e a imaginação.

20h | Apresentação da feira e projecção do documentário “De stad was van ons – Era a nossa cidade”
Documentário sobre a ascensão e queda do movimento de okupação em Amsterdão entre 1975 e 1988. A história da okupação em Amsterdão está marcada pelos diversos movimentos de contra-cultura (como os Provos) que marcaram a década de 1960. A facilidade com a qual se podia entrar em prédios abandonados e o sangue que fervilhava nas veias de muitxs jovens holandesxs naqueles anos levou ao rápido crescimento de um movimento de okupação pioneiro na Europa. Com o passar dos anos, a crítica anti-capitalista e a militância política dos primeiros okupas foram sendo substituídas por uma outra forma de entender a prática de ocupar casas, transformando-se num estilo de vida onde proliferavam as festas. O choque geracional e os conflitos permanentes levaram à decadência de um movimento que foi uma referência para a crítica anti-capitalista do fim do século.

21h45 | Conversa “O momento em que nos encontramos e as perspectivas dos movimentos de Okupações”

À da Maxada (Estrada das Machadas, Setúbal)

DIA 2, 2ª FEIRA | Gaia
DAS HORTAS OKUPADAS ÀS CAMARÁRIAS

18h30 | Debate “Hortas Urbanas ou Camarárias, impulso rebelde ou cedência aos mandos camarários”

20h | Jantar vegano

21h30 | Apresentação do livro “Decrescimento – Vocabulário para um novo mundo” (Tomo, 2016. Ed. Brasileira)

Gaia (Rua da Regueira nº 40, Alfama)

DIA 3, 3ª FEIRA | Centro de Cultura Libertária
BIBLIOTECAS AUTÓNOMAS E PENSAMENTO CRÍTICO

Exposição de cartazes anarquistas de ontem e de hoje.

20h | Jantar vegano

20h30 | Conversa/debate sobre a relevância e o papel que desempenham as bibliotecas autónomas e de difusão do pensamento crítico num tempo em que acelera a desmaterialização do Livro.
Com a participação da Biblioteca do CCL, BOESG (Biblioteca e Observatório dos Estragos da Sociedade Globalizada) e RDA49, três bibliotecas sociais e não institucionais que desde Almada e Lisboa mantêm o compromisso de disponibilizar uma extensa colecção de títulos, para analisar e transformar o quotidiano de miséria ao qual todos os sistemas de domínio nos pretendem manter acorrentadxs.

Centro de Cultura Libertária (Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto – Cacilhas – Almada)

DIA 4, 4ª FEIRA | Disgraça
SUBVERSÃO, ARTE E GRITOS

18h00 | Oficina “Artes, Subversão e Propaganda à Moda Antiga”
Vamos lá pintar faixas e fazer stencils para espalhar as palavras da heresia anarquista!

20h00 | Jantar vegano

21h00 | Concertos
Hyle – Anarchafeminist Powersludge/Witchcore desde Bolonha
NOFU – DIY Old School Punk Hardcore desde Roma (www.nofuhc.bandcamp.com)

Disgraça (Rua Penha de França 217A/B, Penha de França, Lisboa)

DIA 5, 5ª FEIRA | C.O.S.A.
CONTANDO A NOSSA HISTÓRIA: OKUPAÇÕES

19h | Apresentação do Arquivo Digital Público – Okupações em Portugal pós anos 90

20h | Pestiscada brava

22h | Som e convívio

COSA (Rua Latino Coelho 2, Setúbal)

DIA 6, 6ª FEIRA | Praceta António Sardinha /Disgraça
RUMO À PRAÇA

Praceta António Sardinha:

A partir das 16h! Bancas de editoras e distribuidoras

19h | Apresentação da editora Ké Animal Es Esse Gato pelo colectivo de editores
Ké Animal es ese Gato é uma editora auto-gerida e independente nascida em 2017 na cidade de Lisboa. A sua existência baseia-se na necessidade de comunicar ideias, textos, imagens e música que tentam abrir mais uma fenda na construção do caminho para um mundo novo, fazendo das suas edições uma extensão das lutas em que este colectivo de editores participa e acredita.

Disgraça:

20h | Jantar vegano

21h30 | Apresentações a cargo da rede Contra Info

Hamburgo contra G20: Informação sobre a luta contra a cimeira do G20, realizada em Hamburgo no mês de Julho, e a consequente repressão e censura do Indymedia alemão, com a apreensão de diversos computadores em Friburgo e a perseguição daquelxs que acusam de administrar o site.

Repressão na Argentina: Desaparecimento de Santiago Maldonado, anarquista
Desaparecido desde 1 de Agosto quando foi sequestrado pela polícia argentina na sequência da repressão a uma acção de solidariedade com o povo Mapuche.

Breve actualização dos últimos episódios repressivos em Itália, Grécia, Chile e México.
Solidariedade com xs presxs anarquistas.

21h30 | Projecção do documentário “Mutantes: Punk Porn Feminism”
Filme documental, dirigido por Virginie Despentes (2009), que mostra a luta do feminismo pró-sexo que teve início na década de 1980. Reúne mais de vinte entrevistas realizadas nos EUA, em Paris e em Barcelona, bem como inclui documentos de arquivo sobre acções políticas de trabalhadoras do sexo, activistas queer e performances pós-porno.

DIA 7, SÁBADO | Praceta António Sardinha / Disgraça
QUANDO TUDO ESTALA

Praceta António Sardinha:

A partir das 11h! Bancas de editoras e distribuidoras

12h | Workshop sobre saúde anti-autoritária e como fazer uma utilíssima caixa de primeiros socorros (pelo Grupo de Saúde Anti-autoritária)

13h30 | Piquenique na praceta – traz a tua merenda!

14h30 | Conversa sobre a luta contra a maxi-prisão em Bruxelas e consequente repressão (com a presença de um companheiro belga)

16h30 | Apresentação do livro “Colapso: Capitalismo Terminal, Transición Ecosocial, Ecofascismo” (pelo autor Carlos Taibo)

18h30 | Apresentação da editora Eleuthera
Com mais de 30 anos a editar literatura anarquista, este colectivo de editorxs italianxs vem a Lisboa falar sobre a sua história e destacar algumas das edições recentes, como “Voltairine de Cleyre – Un’anarchica Americana” e “Pirati e sodomia”. Apresentarão também o Centro de Estudos Libertários/Arquivo G. Pinelli, do qual fazem parte.

Disgraça:

18h30 | Projecção do filme “Maciste Contre le Capital”
“Maciste Contre le Capital” é um détournement (desvio) político de um filme da série “Maciste”, ao melhor estilo de René Vienet, autor situacionista que em 1973 realizou aquele que é considerado o primeiro filme do género “La dialectique peut-elle casser des briques?”.

20h| Jantar vegano

21h | Concertos
dUAS sEMIcOLCHEIAS iNVERTIDAS – colectivo de terapeutas do ruído
Desflorestação – post industrial grindcore / cybergrind grand raout

23h | Dj set >Rata Dentata<
///Variedades anti-Sistema. Putação musical. Descanonização. Armação. Beat’n’Clit. Hard-Whore. Soft-Pot. Junk. Desclássica. Letal. Pazz. Transgressive. Saphoric. Transditional. Fock. Laundry. ///

DIA 8, DOMINGO | Praceta António Sardinha / Disgraça
RECOLHENDO AS CINZAS

Praceta António Sardinha:

A partir das 11h! Bancas de editoras e distribuidoras

12h | Conversa-workshop sobre resistência(s) no quotidiano

13h30 | Piquenique na praceta – traz a tua merenda!

14h30 | Apresentação da editora Barricada de Livros com duas edições “Preferi Roubar a ser Roubado” e “Os Cangaceiros” (pelo colectivo editorial)

16h30 | Apresentação dos livros “Quico Sabaté y la Guerrilla Anarquista” e “Oriol Solé Sugranyes – 40 años después” (pelo autor Ricard Vargas)

18h30| Debate “Transfeminismo anti-cistema” (pelo colectivo Rata Dentata)
Este debate propõe uma reflexão crítica sobre o transfeminismo – numa conciliação apimentada entre a teoria e a praxis – tendo por base uma perspectiva anti-autoritária. Abordaremos o movimento queer e as influências deste para a emergência do transfeminismo enquanto movimento político. Através de uma breve análise cronológica, percorreremos os seus lugares teóricos e os seus campos de acção política. A partir da experiência directa de uma companheira, faremos uma incursão pelo movimento transfeminista autónomo de Barcelona.

Disgraça:

16h30 | Debate “Especismo e lutas anti-autoritárias” (pelo colectivo Rata Dentata)
Este debate propõe uma reflexão sobre o especismo a partir de uma perspectiva anti-autoritária. Abordaremos o anti-especismo – como teoria e praxis – e as suas articulações com as lutas anti-capitalistas, indo além da análise das micro-políticas (e.g., veganismo). Faremos uma incursão pelas críticas (trans)feministas ao especismo, focalizando naquela que corresponde à sua principal dimensão: a exploração dos corpos dxs animais não-humanxs para consumo. Através da apresentação de um conjunto de exemplos, discutiremos os principais pontos de intersecção entre a libertação animal e os movimentos anti-autoritários.

18h30 | Projecção do documentário “Maquis a Catalunya 1939-1963”
“Maquis a Catalunya 1939-1963” aborda a história do movimento de guerrilha anti-franquista na Catalunha desde o fim da guerra civil até à morte das suas figuras mais relevantes e desaparecimento do movimento nos anos 60.

20h | Jantar vegano

21h00 | Debate sobre violência policial e racismo

Durante o fim-de-semana, na Praceta António Sardinha:

“Resistências Des/enterradas: Exposição sobre a(s) História(s) das Mulheres nas Lutas Anti-autoritárias”
Esta exposição pretende visibilizar as histórias das mulheres que, em diferentes geografias e a partir de múltiplos lugares de enunciação, se afirmaram como precursoras dos movimentos anarquista e autónomo entre os finais do séc.XIX e os meados do séc.XX. Partindo da necessidade de recuperação da memória histórica (anarco-feminista), inclui notas biográficas, ilustrações, referências a acontecimentos políticos, a menção de publicações, entre outros. Trata-se de um projecto itinerante, baseado nos valores do DIY, de elaboração inacabada.

Mercadinho de troca de roupa
Mercadinho é uma acção informal de troca directa de bens de vestuário. Um mercado de trocas surge como um espaço de pluralidade de participantes e bens promovendo a troca de roupa e fortalecendo relações comunitárias em torno de um diálogo aberto sobre as roupas e as suas histórias, lançando um novo olhar para o seu ciclo de vida.
Traz artigos de roupa, acessórios ou calçado que normalmente se poderia trocar com amigxs, vender ou doar, e troca-os por outros disponíveis.
O número de trocas aconselhado corresponde ao número de peças depositadas.

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Bancas participantes:

Bakakai (Granada)
Batalha
Barricada de Livros
Biblioteca BOESG
Centro de Cultura Libertária
Chili com Carne
Contra-Info
Elèuthera editrice (Itália)
Indesiderabili Edizioni (Itália)
Grupo Surrealista de Madrid
Livraria Letra Livre
Jornal Mapa
Pandorca Distro
Covil/Suporte Okupa
Tortuga

Espaços e condições de acessibilidade:
http://feiraanarquistadolivro.net/espacos.php

Contactos:
http://feiraanarquistadolivro.net/
feiranarquistadolivro@riseup.net

Porto Alegre, Brasil: Atividades do mês de Maio na Biblioteca Anárquica Kaos

Sábado, 29 de Abril

Vídeo debate: Introdução ao Black Block. 17:Hrs.

Segunda, 1° de Maio

Os enfrentamentos de Haymarket e xs anarquistas insurreccionais do 1° de Maio de 1886.

Quinta, 4 de Maio

Transpassares disidentes: Atravessamentos Anarquistas/Queer

Sábado, 6 de Maio:

Video e debate:  Propaganda pelo fato.

Sábado 13 e domingo 14 de Maio

Tattoo combativa.  Atividade de tatuagem solidária.

Horários da biblioteca

Segundas e quintas das 2 da tarde ás 7 da noite

Sábados da 1 da tarde às 9 da noite.

biblioteca Anárquica Kaos

Lisboa, Portugal: Programa da Feira Anarquista do Livro 2016 – 23, 24 e 25 de Setembro

www.fal2016.tk
Clica aqui para teres acesso ao programa da FAL 2016 em Alemão, Castelhano, Catalão, Francês, Galego, Grego, Inglês e Italiano.

Feira Anarquista do Livro 2016

                                                                 Rua da Penha de França 217, Lisboa

Em todos os sítios onde os civilizados apareceram pela primeira vez, foram sempre considerados pelos indígenas como seres nocivos, fantasmas, espectros. Nunca como seres vivos!
Intuição insuperável, profética perspicácia, se ainda se pode dizer.

E. Cioran

A tragédia talvez tenha começado com o advento da humanidade, mas nunca como agora a vida esteve tão encurralada e acorrentada. As utopias sociais estão completamente mortas, os novos messias da democracia caem muito antes de poderem sequer indicar o caminho da salvação… e os dominados e dominadas? Esses resignam-se cada vez mais à sua condição de rebanho, o progresso tecnológico condiciona-os como nunca e nada nesta história nos faz esperar um final feliz. Sabemos que tudo isto vai acabar muito mal e, por isso, alguns e algumas já não temos nada a perder: decidimos agarrar a vida com os dentes e os punhos fechados, porque o sangue ainda nos queima as veias! E é assim que insistimos em mais uma Feira Anarquista do Livro, porque ainda nos interessa propagar a palavra dos/as rebeldes, dos criminosos e das criminosas, dos conspiradores e das conspiradoras, e porque insistimos em manter vivas memórias e saberes dos quais nos tentam, a todo o custo, tornar órfãos, porque sabemos que desistir já não é uma opção, encostaram-nos ao abismo e só nos resta resistir…

E depois de dois anos de Mostra de Edições Subversivas optámos por recuperar um nome já velho (com uma pequena mudança na ordem das palavras, sempre traiçoeiras), e não, não nos pusemos nostálgicos, mas nestes dias em que a anarquia volta a ser o crime que contém todos os crimes, com a repressão a golpear grupos e indivíduos em todo o globo (Espanha, República Checa, França, Grécia, Chile, etc.), decidimos que esta palavra não está vazia, carrega às suas costas séculos de uivos que gritam “Não!”
E como um fungo especialmente teimoso, aqui estamos e aqui continuaremos…

Para participar na Feira Anarquista do Livro de Lisboa, contacta-nos através do email: feiranarquistadolivro@riseup.net

Feira Anarquista do Livro 2016 | Lisboa

www.fal2016.tk

PROGRAMA:

SEXTA 23
20h
Jantar

21h
Mesa redonda em torno da história do fanzine anti-autoritário em diferentes latitudes: Venezuela, Espanha e Portugal.
Exposição de fanzines durante os três dias da feira.

23h
Projecção do documentário “Que Trabaje Federica”, de Carlos Plusvalías (28 min.)
Documentário baseado no livro de Michael Seidman, “Os Operários contra o trabalho”, editado pela Pepitas de Calabaza.Michael Seidman faz um estudo comparado da história social e política durante a revolução espanhola em Barcelona e o governo da Frente Popular em Paris, entre 1936-1939, centrando-se na atitude adoptada pelos trabalhadores de ambas as cidades face ao trabalho, quando as organizações que os representavam exerciam, em maior ou menor medida, responsabilidades de governo.
Editado pela primeira vez em 1991, nos Estados Unidos, “Os operários contra o trabalho” abunda em documentos e informações em primeira mão sobre as lutas operárias quotidianas, e demonstra que as análises produtivistas e culturalistas são incapazes de abarcar de forma adequada aspectos fundamentais do comportamento da classe trabalhadora. Este trabalho, que oferece um exame da actividade da classe operária tanto em contextos revolucionários como reformistas, põe em evidência a persistência de uma resistência directa e indirecta ao trabalho.

SÁBADO 24
15h
Apresentação de O Irresponsável de Pedro García Olivo, pelo seu editor e tradutor.
O Irresponsável, livro diabólico de Pedro García Olivo, inaugura a crítica feroz que o autor dispara contra a Escola, campo laboral que tinha justamente acabado de experimentar. Essa experiência, entranhada na sua consciência e na sua carne, só poderia ser expurgada através do ato da escrita catártica libertada no papel através de um ataque sem tréguas ao alvo da sua repulsa. O Irresponsável é o seu resultado. Nem sempre fácil de adentrar, este é um livro pessoal que nos abre uma janela para a luta do autor dentro e contra a Instituição Escolar e que deixa entrever a crítica antipedagógica por si elaborada em trabalhos posteriores como El educador mercenario, El enigma de la docilidad e La bala y la Escuela.

17h
Mesa redonda em torno de publicações de informação crítica: CQFD (França) / El Topo (Espanha) / Mapa (Portugal)
O El Topo Tabernário é de Sevilha, e o CQFD de Marselha. Dois jornais Libertários em papel que continuam a chegar às ruas independentemente de Estados de Excepção, de perseguições políticas ou das limitações à liberdade de informação, tão comuns nos nossos dias. Para os apresentar, estarão presentes membros dos dois colectivos redactoriais que, para além de partilharem os seus modos de funcionamento e os seus formatos, farão parte de um debate sobre a informação alternativa, a crise política e social na Europa, o papel dos jornais e da comunicação alternativa. Ao debate juntar-se-ão projectos de Portugal organizados na Rede de Informação alternativa, compondo assim uma mesa redonda aberta à discussão.

20h
Jantarzinho bom

22h
Concerto de tango com La Miséria Deluxe e mais alguma banda surpresa…

DOMINGO 25
11/12h
Manhã “Pipi das Meias-Altas” para os mini-humanos, actividades diversas:
Grande espectáculo de fantoches!
Encadernação de livros
Oficina de brinquedos
Tinta para pintar paredes
& etc…

15h30
Surrealistas & Anarquistas. Apresentação a partir do livro Manifestos do Surrealismo de André Breton (Letra Livre, 2016) por António Cândido Franco.
A partir de 1946, Andre Breton aproxima-se do movimento libertário francês, analisando em retrospectiva o nascimento do surrealismo e a respectiva ligação ao partido comunista francês em 1925. Agarramos na recente edição da Letra Livre de “Os Manifestos do Surrealismo” para propor uma viagem pela aproximação dos surrealistas ao movimento anarquista.

17h
Apresentação de A un Latido de Distancia pela autora, Adelaida Artigado.
Não há nada mais antigo, recorrente e rotineiro que o poder de intimidação e dominação do castigo. E poucos castigos minaram tanto a vontade popular, poucas instituições o condensaram de uma forma tão nítida, como a prisão.
As dores e as penas que povoam estes breves relatos, dão-nos conta da crueldade e do absurdo inerentes ao encerro humano. Mas, como um maravilhoso contrário que sempre forma parte dessa paisagem tenebrosa, Adelaide Atrigado faz-nos sentir, a um batimento de distância, o espírito de luta das e dos pobres, a sua cumplicidade e solidariedade, a sua lealdade, essa força para resistir, criar e, em definitivo, para rir-se do poder e da opressão que nos destrói sem piedade.
Para Dostoievsky, “o grau de civilização de uma sociedade mede-se pela forma como trata os seus presos”. Felizmente, a humanidade também se reflete em todos e em cada um dos gestos de rebeldia das pessoas que estão sequestradas por todos os Estados.

20h
Jantarada

21h
Projecção do documentário “Curdistão, guerra de raparigas” de Mylène Sauloy, 2016 (legendas em espanhol) e debate com o colectivo da editora Descontrol de Barcelona sobre o livro A revolução ignorada. Feminismo, democracia directa e pluralismo radical no Médio Oriente.
A partir destes dois meios (documentário e livro), lançamos a última conversa da feira sobre a revolução que se está a levar a cabo na zona ocidental do Curdistão, Rojava, assediada pela guerra fratricida da Síria. Uma revolução/guerra onde as mulheres têm um papel protagonista.

* FIM *