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[Brasil]”Condenados: Incorrigíveis!!” comunicado da Biblioteca Anárquica Kaos

recebido a 20.07.18

Condenados: Incorrigíveis!!

Já que estamos contra tudo que atente contra a liberdade, hoje estamos contra a condenação dos 23 detidos pelos protestos de 2013 e 2014 no Rio de Janeiro.

A liberdade do outro estende a minha ao infinito – M. Bakunin

23 pessoas, no Rio de Janeiro, foram condenadas na “Operação Firewall” por atos violentos, formação de quadrilha, dano qualificado, resistência, lesões corporais e posse de artefatos explosivos a penas que vão de 5 a 13 anos de prisão em regime fechado pelo Juiz Flavio Itabaiana da 27ª vara criminal de Rio de Janeiro. Todos eles foram perseguidos pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática que foi a polícia política da Copa e dos Jogos Olímpicos, a mesma que monitorou os protestos em Porto Alegre e São Paulo.

Não é à toa que a operação repressiva recebe esse nome: Firewall (parede de fogo) que é o nome dum dispositivo dentro de uma rede de computadores que tem como objetivo aplicar um protocolo de segurança num ponto dessa rede, esse Firewall evitaria os elementos nocivos dentro da rede de computadores. Os meios e tecnologias de comunicação são usados como ferramentas de controle e repressão (disso sabemos já há tempo) mas, esta vez, foi o claro exemplo da potencialidade destes recursos para fins repressivos.

Segundo o Juiz (num ato de benevolência) não foi decretada a prisão preventiva para os condenados poderem recorrer, sob medidas cautelares, à condenação. Mas esta condenação, ainda com essa possibilidade de recorrer em “liberdade”, para nós, é o precedente para saber onde nos querem (encerrados). E essa condenação, agora, precisa virar o precedente para a agitação contra a sociedade carcerária, para a agitação pela solidariedade.

Sendo reprimidxs também há pouco pela Operação Erebo, o mínimo gesto que podemos fazer diante dessa condenação é manifestar a contundente solidariedade a través do chamado a agitação combativa e solidária contra a condenação.

Mas não sob a bandeira de estar contra a criminalização do protesto. O protesto não pode ser contido nas regras do legal ou ilegal, do criminal ou do inocente, do permitido ou do proibido. O protesto desborda essas lógicas precisamente porque caminha no sentido contrário a elas. Estamos contra a repressão porque o sistema de dominação inteiro é uma repressão constante e qualquer um que percebe isso e age contra, protesta, sai nas ruas, quebra material e individualmente com essa dominação. Quem se rebela contra a ordem existente sempre será considerado “criminoso”, porque o “crime” dos protestos é o sintoma de não termos nos submetido totalmente à dominação. Se lutarmos sob a bandeira de “protesto não é crime”, aceitaríamos e legitimaríamos a existência das prisões e sendo anarquistas, como somos, amamos a liberdade e somos inimigos irreconciliáveis das gaiolas.

Como não sair nas ruas contra os espetáculos que justificaram limpezas sociais? Como ficar indiferente diante da remoção, militarização e o enfeite das cidades para o passeio e turismo dos burgueses que foram a Copa e os Jogos Olímpicos? Tristeza grande saber que ao grito do gol ou no entusiasmo duma medalha de ouro há quem se esqueça dos atropelos, das mortes e políticas genocidas que são produzidas por este espetáculo. E alegria infinita saber que os incorrigíveis saíram e quebraram tudo, até o pretendido controle das “autoridades” que investiram milhões em segurança.

O protesto violento é o mínimo gesto de sensibilidade que temos diante da opressão dominadora que pretende se expandir como a vida “normal”. É o sinal de que ainda sentimos a crueldade da devastação, da guerra não declarada e como os animais diante do domador… reagimos contra a chibata.

Contra as condenações, nossa agitação permanente.
Solidariedade para xs que lutam!

Biblioteca Anárquica Kaos

Os 23 condenados pelos protestos do 2013 no Rio de Janeiro são:

•   Elisa Quadros Pinto Sanzi, condenada a 7 anos de prisão
•   Luiz Carlos Rendeiro Júnior, condenado a 7 anos de prisão
•   Gabriel das Silva Marinho, condenado a 5 anos e 10 meses de prisão
•   Karlayne Moraes da Silva Pinheiro, condenada a 7 anos de prisão
•   Eloisa Samy Santiago, condenada a 7 anos de prisão
•   Igor Mendes da Silva, condenado a 7 anos de prisão
•   Camila Aparecida Rodrigues Jordan, condenada a 7 anos de prisão
•   Igor Pereira D’Icarahy, condenado a 7 anos de prisão
•   Drean Moraes de Moura, condenada a 5 anos e 10 meses de prisão
•   Shirlene Feitoza da Fonseca, condenada a 5 anos e 10 meses de prisão
•   Leonardo Fortini Baroni, condenada a 7 anos de prisão
•   Emerson Raphael Oliveira da Fonseca, condenado a 7 anos de prisão
•   Rafael Rêgo Barros Caruso, condenado a 7 anos de prisão
•   Filipe Proença de Carvalho Moraes, condenado a 7 anos de prisão
•   Pedro Guilherme Mascarenhas Freire, condenado a 7 anos de prisão
•   Felipe Frieb de Carvalho, condenado a 7 anos de prisão
•   Pedro Brandão Maia, condenado a 7 anos de prisão
•   Bruno de Sousa Vieira Machado, condenado a 7 anos de prisão
•   André de Castro Sanchez Basseres, condenado a 7 anos de prisão
•   Joseane Maria Araújo de Freitas, condenada a 7 anos de prisão
•   Rebeca Martins de Souza, condenada a 7 anos de prisão
•   Fábio Raposo Barbosa, condenado a 7 anos de prisão
•   Caio Silva de Souza, condenado a 7 a anos de prisão

em pdf para descarregar aqui

Brasil: Faixa em solidariedade com xs perseguidxs pela Operação Erebo

recebido a 21.02.18

Algumas palavras em solidariedade com xs anarquistas perseguidxs pela Operação Erebo em Porto Alegre (RS), desde algum lugar, no território controlado pelo estado brasileiro e o capitalismo global.

Há quase 4 meses, uma operação policial liderada pelo delegado Jardim invadiu casas particulares e espaços coletivos na cidade de Porto Alegre. Várias pessoas e espaços acabaram sendo alvo dessa operação e alguns livros editados pela biblioteca anárquica Kaos foram usados como elementos comprobatórios para perseguir xs anarquistas.

Não pretendemos, nesse texto, voltar sobre a maneira como a imprensa brasileira levou o caso, mesmo se vale a pena ressaltar a pertinência com a qual a imprensa manipula as massas com o objetivo de manter uma paz social titubeante. Mesmo com todos os esforços do aparato policial-midiático por despolitizar algumas propostas anarquistas- buscando encontrar alguma “legitimidade” política em perseguir xs anarquistas “do mal” aproveitando diferenças e buscando criar divisões entre tendências diversas do anarquismo- a solidariedade combativa anarquista se manteve em pé, e os punhos ficaram fechados aos inimigos!

Como acreditamos que a solidariedade é uma arma contra as tentativas repressivas e contra o esquecimento e que também sabemos que ela deve ser mais do que palavra para vibrar nos corações dos rebeldes, mandamos essa mensagem simples mas, acreditamos, importante. Penduramos uma faixa em solidariedade com xs anarquistas perseguidxs de Porto Alegre.
Para todxs aqueles que estão brigando contra as tormentas da solidão e as intempéries da incerteza. Para todxs aqueles cuja vida foi/está sendo perturbada por essa onda repressiva e que não baixaram nem os braços, nem a cabeça. Para todxs aqueles que, fazem frente as dificuldades despertando-se cada manhã com a convicção de ter cruzado o ponto de não retorno. Nunca nos poderão parar!

O contexto político-econômico no Brasil e da América Latina está cada vez mais repressivo com os movimentos sociais. O clima político tem sabor um sabor amargo para todxs xs que se opõem, de maneira geral, aos avances do capitalismo devastador. Há uns dias, 12 famílias indígenas do sul do Brasil foram torturadas, atingidas por balas de borracha e balas de verdade pelo simples fato de reivindicar suas terras, que por certo, lhes foram prometidas há quase 30 anos*!

Também tem esse sabor para as grandes “minorias” dessa sociedade doente, que se vêm alvos de uma cada vez maior “limpeza social” em prol de grandes empreendimentos, frutos do “progresso” e do “desenvolvimento”. O governo mata “legalmente” mandando as forças armadas do exército “limpar” as favelas e o faz também organizando “feiras agrícolas” cujo dinheiro é investido na “segurança” dos fazendeiros podres e na matança dos índios e camponeses que se atrevem a retomar, com suas próprias mãos, suas terras invadidas.

Que não se enganem, terrorista é o Estado e violento o sistema que quer nos impor uma vida que nunca escolhemos. Os debates sobre a legitimidade da violência são um falso debate. Nunca estaremos do lado de quem gosta de viver como escravo…Os mesmos que celebram insurreições passadas, hoje condenam qualquer impulso de violência libertadora, isso, sob pretextos diversos como o fato de nos vivermos em uma “democracia”. Democracia, tecnocracia, Ditadura, todos os regimes político-econômicos merecem de ser atacados, nunca são e nunca poderão ser outra coisa que a expressão do poder coercitivo e da dominação de uns poucos sobre o resto.

A articulação entre poder centralizado e capitalismo é inerente a qualquer sociedade moderna globalizada e achar que se pode destruir o capitalismo sem, junto, destruir as estruturas do poder estatal é uma ilusão que nutrem alguns partidos de esquerda para seduzir almas revolucionárias e assim ganharem alguns votos a mais nas próximas eleições. Sejam de esquerda ou de direita quem governa, para eles, as vidas dos Guarani Kaiowá, sempre valerão menos que a os benefícios da exportação de toneladas de soja. Se, no governo “Dilma” a limpeza social, a lei antiterrorismo, a correria rumo a cada vez mais progresso e a perseguição política contra os anarquistas estavam à ordem do dia, hoje, militantes do PT e do MST e de   toda a esquerda “radical” partidária tornam-se também alvos de perseguição política.

Se ultimamente nos encontramos nas ruas para lutar, não esqueçamos porém das profundas diferenças ideológicas e políticas que nos separam. Mesmo se acreditamos que devemos repensar estratégias e tácticas de luta no contexto atual, é interessante que nos questionemos sobre o papel/lugar que jogamos no tabuleiro de xadrez da política regional, nacional (e internacional), isso, justamente para não acabar sendo um dos peões usados para ganhar a partida. A história tem muito a nos ensinar sobre isso…Mais que repostas, apontamos a provocações para refletir o panorama atual e imaginar estratégias e ações que sigam espalhando a guerra-social.

As ondas repressivas contra xs que lutam buscam amedrontar e paralisar qualquer tentativa de oposição ao sistema. É justamente o que não podemos deixar que aconteça. Buscaremos os jeitos para, de qualquer maneira, seguir lutando contra um sistema e um modo de vida que além de não nos satisfazer enquanto indivíduos, baseia seus valores na dominação e na exploração de uns poucos contra o resto. A opressão, a dominação e a exploração devem ser atacadas desde suas raízes e de forma radical. Não existem métodos prontos para isso, só se tem a combinação da memória histórica com a imaginação criativa para inventar, pensar, experimentar estratégias de luta em esse contexto cada vez mais adversos.

Que essa pequena mensagem, como uma chama de revolta, ilumine o coração dxs companheirxs perseguidxs….Força e solidariedade combativa com xs anarquistas perseguidxs pela Operação Erebo! Com, na memória insurreta, Guilherme Irish e Samuel Eggers presentes!

Viva a Anarquia
Viva a Insurreição!
t

Obs:
No dia 17 de fevereiro de 2018, 12 famílias Kaingang em Passo Fundo foram espancadas pelo BOE. Estavam ocupando uma aera do DNIT reivindicando a demarcação das suas terras.
Sobre esse tema ver o filme Martírio, ele traz informações interessantes sobre os vínculos entre seguranças privados nas fazenda, políticos e fazendeiros.

Porto Alegre, Brasil: Quando a anarquia incomoda

[Comunicado da Biblioteca Kaos frente à perseguição a anarquistas na região do Rio Grande do Sul]

QUANDO A ANARQUIA INCOMODA

Há muitas coisas para falar, mas iremos pelo mais urgente. No 25 de outubro começou uma perseguição anti-anarquista contra a FAG, o Parhesia, a ocupação Pandorga e algumas individualidades e que tiveram espaços e moradias invadidas pela polícia. Se não toda, provavelmente uma boa parte da diversidade anarquista foi atingida e várixs delxs se pronunciaram, a partir do seu ponto de vista, com firmeza, diante da repressão. E isso é vento fresco que fortalece a todx aquelx que se sinta em sedição.

Fica evidente que a mira dos agentes da repressão também aponta contra nós, contra as publicações que fizemos ou nas quais participamos. E é sobre isso que vamos a nos pronunciar. A cronologia da Confrontação Anárquica – tanto aquela que recolhe informação desde 2000 até 2015 como a que recolhe a ação anárquica de 2016 – são os livros que estão exibindo como “provas” de vandalismo, ataques e atos criminosos. A partir das múltiplas formas de procurar a liberdade que se encontram no anarquismo, esses livros falam da informalidade anárquica como um opção de acordo com o rosto da dominação atual. Ainda mais, esclarecemos que estes livros falam de ações que não são só anarquistas. O foco dos livros é a difusão de ações anárquicas. Para sermos mais precisxs, difundem-se ações nas quais nós sentimos o aroma da anarquia. E entre o anarquismo e a anarquia há diferenças que podem ser delicadas mas que são importantes.

O instinto anárquico é aquele impulso anti-dominação que pode estar presente em qualquer individualidade ou coletividade, para além das pertenças ideológicas e militâncias políticas. É por isso que nas cronologias incluímos conflitos das populações não ocidentais, a conflitualidade nas ruas dentro de protestos mais abrangentes e motivações diversas, ações contra o estado e o capital e muito mais.Longe de ir pela teoria, esclarecemos isto já que a perseguição contra xs anarquistas não toma em conta estas diferenças, procurando achar um bode expiatório para múltiplos eventos que incomodaram aos polícias e aos poderosos de sempre.

Surpreende que a polícia, o Delegado Jardim, e a mídia mostrem, como a grande novidade,  fatos que já foram manchete no seu momento e já foram pesquisados pela polícia também, só pelo fato de estarem condensadas em nossas publicações. Nenhum dos livros é uma reivindicação. São livros de uma memória anárquica, com ações e conflitos muito anteriores à existência da biblioteca kaos e que com certeza irão continuar para além de nós.

A publicação mostra, com alegria e de cabeça erguida sim, a existência de um confronto anárquico que dá resposta à dominação, à devastação da terra e ao ataque contra toda forma de liberdade, mas não reivindica a autoria desses fatos que podem ser colhidos, tal como nós fizemos, de várias páginas de internet e jornais locais. E se fizemos essas publicações sabendo do risco que elas apresentavam é porque a insubmissão merece ser defendida, uivada, festejada e gritada por todos os meios possíveis. Jamais acreditaremos nem respeitaremos a obediência que pretendem impor, a submissão e o medo que querem inocular nas pessoas desde que nascem.

Para além disso tudo. As ações que estão nas cronologias são ações de ataque contra a materialidade da dominação. Ou seja contra prédios, carros, máquinas, estradas, vidraças. Coisas. Objetos. Símbolos. A polícia do território controlado pelo estado brasileiro é internacionalmente famosa por ser uma polícia assassina. As operações de pacificação, são chacinas, autênticos massacres, como a da Candelária e a do Carandiru, assim como o assassinato pelas costas de Eltom Brum (que até teve uma torcida policial recebendo o assassino). E são eles que vêm falar de terror, de quadrilhas do mal, de tentativa de homicídio? Mostram um estilete e tijolos ecológicos como armas, enquanto eles estão de pistola na mão. Falam de terrorismo e quadrilhas do mal enquanto preparam a seguinte invasão contra uma vila ou favela, onde os mortos nem serão mencionados pela mídia. Assim, insignificantes são para eles.

Gostaríamos de acreditar que todos se sentem insultados com as provas do delegado Jardim. Num contexto onde as armas são corriqueiras, tijolos ecológicos apresentados como explosivos é um insulto para qualquer um. Porém, não esquecemos do uso policial do pinho sol como arma (prova) contra Rafael Braga a quem sequestraram até ele pegar tuberculoses, ou seja até sentir que fizeram de tudo para matá-lo.

As repressões contra os anarquistas mostram duas coisas. A primeira que apresentar “terroristas” na tela serve como show para tirar os holofotes dos problemas como a corrupção, o descrédito político-policial e o genocídio devagar mediante reformas econômicas. Que agora tentem resolver fatos do 2013 e persigam um livro e literatura, mostra claramente um uso mediático e espectacular que pretende esconder o crescente ataque contra a população, despolitizar mediante ameaças e espalhar o medo até de ler (práticas evidentemente democráticas).

A segunda coisa que apresenta uma perseguição anti-anarquista é que a anarquia incomoda:  Quando falamos da anarquia que incomoda, claramente, não estamos falando de meninos e meninas bem comportados agindo dentro das margens impostas pelo poder, não falamos de pessoas que têm as leis lhes desenhando seus limites de ação,nos seus corpos e corações. Quando falamos da anarquia que incomoda falamos de uma insubmissão tão forte – de pessoas e grupos que tem sido capazes de interromper a normalidade da praça dos poderes, de paralisar a cidade, de quebrar os símbolos da
militarização no Haiti, de queimar os veículos que sequestram e matam arrastando como cavalos da inquisição (Cláudia, não esquecemos da sua morte).

Os livros da Biblioteca Kaos difundem essa anarquia. A que incomoda. Aquela que responde ao embate do agronegócio, da civilização colonizante, da militarização, do ecocídio, da sociedade carcerária…Em palavras mais simples, enquanto a dominação tenta destruir o planeta e todos que eles acham indesejáveis, nós difundimos o que ataca a dominação.

E quando a anarquia incomoda, a reação dos poderosos ameaça e quer farejar o medo. A resposta anarquista e anárquica contra essa perseguição ficará nos nossos corações e ações.  O modo como enfrentarmos esta encruzilhada marcará o momento de nosso passo pela trilha da vida em rebeldia.

Força e solidariedade com xs perseguidxs pela operação Erebo.

Biblioteca Anárquica Kaos
Outubro 2017

em espanhol

[Brasil] Biblioteca Kaos entrevista Rodolfo Montes de Oca acerca da situação que se está a viver na Venezuela

Mandando nosso salve e solidariedade com xs compas na Venezuela, publicamos uma entrevista realizada com Rodolfo Montes de Oca, publicada na Crônica Subversiva 1. Transmitimos aqui a disposição do Rodolfo para nos narrar os acontecimentos na Venezuela, e sobretudo a fortaleza de sua posição na luta pela liberdade.

Biblioteca Anárquica Kaos

[Entrevista da Biblioteca Anárquica Kaos com Rodolfo Montes de Oca]

Desde Venezuela, temos recebido a chamada dxs compas anarquistas para se falar e se posicionar sobre o regime ditatorial que confrontam lá. Além de convidar à leitura deste chamado e suas reflexões (que pode se ver na página de El Libertario) acreditamos que a melhor resposta é abrir as possibilidades para que xs compas possam compartilhar como está a situação no território controlado pelo estado venezuelano. De ai que surge a idéia de nos comunicar diretamente com o companheiro Rodolfo.
O contexto que mostra a entrevista, provoca pensar nos laços em tempos de luta generalizada, na diversidade de instintos de luta, nas diferentes estratégias e até posições que entrelaçam-se só ocasionalmente, e sobretudo na repulsa ao autoritarismo e ao monopólio do poder. Este tipo de eventos são momentos de aprendizagem e encontros com quem luta contra a autoridade. Historicamente xs anarquistas tem se envolvido neste tipo de situações procurando o caos, a revolta e a possibilidade do encontro com outrxs insubmisxs.
Desde a Biblioteca Anárquica Kaos esperamos colaborar difundindo a situação na Venezuela desde o olhar de um compa que tem dado grandes contribuições à memória e atualidade dos anarquistas e a anarquia.

B.Kaos: Inicialmente, para ter uma paisagem desde a qual vamos a falar, gostaríamos de saber um pouco do contexto atual na Venezuela e das posições anarquistas, libertarias, subversivas neste contexto.

Rudolfo: É preciso entender que, na Venezuela, os anarquistas enfrentam uma ditadura com fantasia de paisana mas, conformada por militares. É um cenário similar ao que tiveram que enfrentar os peruanos no governo de Alberto Fujimori, os guatemaltecos contra Jorge Serrano, ou os uruguaios contra Juan Maria Bordaberry. São governos que subiram ao poder mediante o voto, mas se desenvolveram em totalitarismos falhados. O governo de Nicolás Maduro não é muito diferente daqueles: eliminou as competências da Assembléia Nacional,  suspendeu o referendum revocatório contra seu mandato, as eleições regionais e municipais, as eleições dos centros de estudantes, sindicatos e conselhos municipais. Maduro militariza a sociedade, aplica detenções arbitrarias e julgamentos militares, obriga os funcionários a participarem dos atos governamentais, e aplica o sistema judicial de forma inquisitória contra os opositores. Se isso é uma ditadura, os anarquistas tem que se desvincular e se posicionar adversamente, ficar calado ou pensar que “isso não é com eles” é simples comodidade ou cumplicidade.

A presença das anarquistas nas mobilizações é  bastante modesta, sem a presença de bandeiras ou blocos delimitados com claridade, como o black bloc em outras latitudes. Aqui os anarquistas tem optado por se dissolver dentro da multidão, agindo como parte das dinâmicas de solidariedade que estão acontecendo, deixando de lado predicar o credo. No entanto, nas ruas se vêm pixos com frases libertarias acompanhadas do célebre (A), a na bola, e também alguns escudeiros punks que usam toda a simbologia vinculada à estética tradicional ácrata.

Existem outras agrupações como o Jornal El Libertario que tem difundido comunicados e tem tratado de dar cobertura informativa sobre a rebelião. Um desses comunicados faz um chamado para superar as direções da oposição para continuar avançando na luta e é isso mesmo que está acontecendo. A maioria dos protestos são espontâneas, sem direção, nem lideranças, as pessoas se convocam autonomamente  e fazem o que podem e como podem. Sem partidos, siglas, dirigentes nem programas.

Temos definido isso tudo como proto anarquismo da rebelião, que são essas dinâmicas horizontais  de ação direta que estão acontecendo de forma espontânea nas mobilizações. Esta situação não acontece não porque anarquistas tenham sido eficientes na promoção da idéia mas, por que a população intui que estas práticas são mais eficientes para confrontar o poder. Ver como as pessoas estão se organizando para hidratar e dar comida aos manifestantes, como se organizam em grupos de afinidade e gerem suas próprias equipes de proteção, entre mais outras coisas, evidencia que há um ninho de construção que os libertários deveriam aproveitar.

Uma das dinâmicas que tem se observado nos protestos, é a participação, cada vez mais decidida, de pessoas em situação de rua, elas estão participando porque não somente são bem recebidas mas também são alimentadas, vestidas, e se dá com elas um sentido de pertença que o Estado não dava para elas. Em poucas palavras, as políticas de nivelação, das que tanto se jacta o chavismo e seus seguidores, hoje é praticada e  desenvolvida pela multidão que é adversa a ele.

Em relação às acusações que fazem contra nós, nos chamando de “ultra conservadores” ou “de direita”, pelo geral não provêm do governo mas de grupos e individualidades relacionadas com o conceito de “poder popular” que estão dentro do ambiente libertário, isso que, nos livros de história, foi catalogado como plataformismo. No caso da Venezuela, este tipo de tendência auto denominou-se “anarcochavismo”, e desapareceu junto com seu principal referencial. O ultimo comunicado deles, da FARV, foi logo após da morte de Hugo Chávez. Desde então não se soube mais nada deles, há 4 anos.

B.Kaos: Muitos países atravessaram uma virada esquerdista que claramente foi assumida pouco acriticamente. Provavelmente só quem estava pela anarquia enxergava este cenário desde a posição de sempre: na total rejeição da dominação e autoritarismo. No caso da Venezuela o cenário está se exacerbando. Porém, vemos criticas com argumentos como corrupção  e demagogia, apelando ao carácter ruim do Governo e não questionando o próprio Estado. Na Venezuela, o  contexto evita ou dificulta manifestar posições anti-estatais? Ou, pelo contrário, o fim do Estado poderia ser uma critica fecunda nestes momentos?

Rudolfo: Tens razão ao afirmar que parte das críticas desde os jornais e publicações anarquistas apontam nos erros do Estado como se fossem um problema do governo, sendo que o erro radica no sistema de gestão capitalista extrativo e no Estado como ente articulador do saqueio.

No entanto, a consolidação do projeto bolivariano afiançou o estadismo na região, nesse sentido, ao existir um evidente fracasso do chavismo, essas críticas apontam ao Estado e isso, a mediano prazo, pode beneficiar à anarquia. Esse “sintoma” é comum nos países que passaram pelas experiências do socialismo real. Nestes países, as tendências anarquistas emergiram com certa beligerância logo após do fracasso dos modelos “marxista-leninistas”.

B.Kaos: Recentemente temos visto como vários protestos tem se desenvolvido em resposta às intenções de Maduro por ficar na presidência da Venezuela, pode nos contar sobre a galera nas ruas? como se articulam e convocam?
Que tipo de tendências e diversidades estão nas ruas? quais as posições anárquicas nesses protestos?

Rudolfo: As pessoas estão se mobilizando contra a instauração duma ditadura no século XXI, essa situação e o crescente autoritarismo tem gerado um despertar e as pessoas estão se  mobilizando contra isso. É por isso que temos definido essa etapa Rebelião Popular contra o governo de Nicolás Maduro, porque trata-se de uma multidão que está se manifestando, com diferentes táticas e estratégias, contra o devir autoritário.

São muitas as tendências e posições que participam nos protestos, desde partidos políticos social-demócratas, trotskistas, marxistas-leninistas, democratas, liberais, conservadores, religiosos, entre vários outros.

Mas, esses são irrelevantes, os que contam são as populações, os grêmios, os estudantes, as  rabalhadoras, jovens, desempregadas e rebeldes que estão participando, seguindo seus próprios instintos, e por fora de coordenações políticas como a MUD (Mesa da Unidade Democrática).
Isso ficou marcado, por exemplo, na extensão cronológica e geográfica da rebelião. Tem se registrado ao redor de 26 protestos diários, muitos deles sem chamadas de grupos políticos. Trata-se da gente, cansada e enjoada, participando mediante a ação direta.

É com essas ações espontâneas e descentralizadas com as que estão agindo os anarquistas da Venezuela. Elxs estão colaborando e radicalizando um desconforto não para que o governo caia mas para mudar tudo. Cada vez há mais jovens que enxergam com gosto o referencial
anarquista.

B.Kaos: Num momento onde há dezenas de mortos nos conflitos, nos perguntamos quem são estes mortos e foram mortos por quem? Temos assistido denúncias sobre pessoas atirando a queima roupa, este tipo de violência é recorrente?

Rudolfo: Hoje 9 de julho de 2017, são 100 dias de conflitos, até hoje, são mais de 92 mortos só no contexto dos protestos. Isso é quase um morto ao dia. Isso demonstra o uso desproporcionado da força contra os manifestantes.

As histórias das pessoas assassinadas são muito variadas mas todos eles são jovens, moradores das zonas populares, não afiliados com partido político nenhum, e todos eles participantes firmes dos grupos de defesa das mobilizações.

B.Kaos: Assim como nos interessa falar da repressão também acreditamos que é muito importante falar da resposta combativa nas ruas. Que tipo de ofensiva, ataque e resposta violenta tem os que estão nos protestos?

Rudolfo: O que tem se podido detectar nos protestos é que existe uma multiplicidade de tendências e táticas que os manifestantes estão usando. Trancar as ruas, reter os caminhões para deter o tráfico, atacar às instituições militares e ao sistema judicial, também há confrontos nas ruas, e defesa das pessoas que participam nos protestos, das agressões da Guarda Nacional (GBN) ou da Policia Nacional Bolivariana (PNB). Os jovens se organizam de forma descentralizada e usam estratégias e táticas que podem ser vistas em outras regiões do mundo.

B.Kaos: Quais são ás práticas de auto-gestão (informais) na procura de autonomia estatal que dão resposta ao Estado, neste contexto de restrições em vários elementos necessários para viver?

Rudolfo: São muito variadas, as pessoas estão se mobilizando e participando delas devido à conjuntura. Desde um retorno às pequenas hortas para a subsistência até as cooperativas de produção. No momento não existem experiências de toma de fábricas, mas elas tem sido experiências desfavoráveis. Está se convocando à uma greve geral indefinida para o 16 de julho, logo após o plebiscito. Vamos ver que acontece e se somos capazes de avançar na auto-gestão de meios e serviços.

B.Kaos: Também estamos curiosos por saber sobre as populações não ocidentais na Venezuela, quais suas formas de resistência e confrontação contra o Estado que sempre procura civilizá-las?

Rudolfo: Como afirmam, existe uma resistência dos povo indígenas originários desde o momento da colonização, essa capacidade de resiliência e persistência adquiriu várias formas ao longo do tempo e ainda está
presente. Nestes tempos, os povos indígenas estão mobilizados contra a indústria extractiva que tem sua expressão em projectos como a extracção de carvão mineral  na Serra de Perijá, ou o Arco Mineiro do Orinoco.

Uma linha de pesquisa interessante é a presença de valores e estratégias anarquistas nos povos de contato tardio, como os Yanomami e os Hoti, mesma situação que dos povos que tiveram um desenvolvimento antropológico com um devir  bastante libertário, como é o caso dos Piaroa e os Wotjuja.

Esse desenvolvimento nas margens das instituições ocidentais, não é produto da teorização dos povos mas duma prática coletiva e de adaptação ao meio ambiente que levou eles a se desenvolver duma forma bastante
anarquista.

B.Kaos: Tendo em conta que não respeitamos fronteiras porém elas nos são impostas pelos Estados, gostaríamos de saber como é a articulação com compas afins na região, com o norte do Brasil, as Guianas e Colômbia que imaginamos pelo idioma em comum deve ser maior.

Rudolfo: Embora vocês não acreditem, existem poucos pontes de afinidade com os companheiros/as na Colômbia ainda que compartilhamos uma historia e idioma comum, isso é produto do nocivo desenvolvimento de tendências afins ao “poder popular”, que ao final do dia, não é nem poder, nem é popular. Em relação à Guiana, não se tem noticias de contacto nenhum, os registros que se tem nesse país foram durante a existência da prisão da Ilha do Diabo. Existe um folheto que escrevi titulado “A conjura dos indomáveis” que podem revisar.

Nossos contatos e laços de amizade com o Brasil são mais sólidos, isto permitiu que pudéssemos participar no Forum Geral Anarquista e na Reunião da CRIFA que aconteceram em junho de 2017. Precisamos continuar construindo pontes de afinidade entre ambas as regiões. Aprender dos yanomami que são trans-fronteiriços, que vivem e celebram a liberdade em ambos os lados destas fronteiras fictícias.

B.Kaos: Finalmente, saber um pouco da situação dxs sequestradxs pelo estado e a posição anticarcerária.

Rudolfo: Na Venezuela há mais de 3000 pessoas detidas por terem participado nos protestos, destas, 1700 estão sendo processadas, destas últimas, 313 são civis detidos e passados à jurisdição militar sob a desculpa de uma “rebelião militar”. Além do mais das detenções, está se usando a tortura, o isolamento e a dispersão. Há presos por protestar que tem ordem de saída da prisão mas que não são liberados, estão sequestrados pelos organismos de segurança. Como vocês podem ver, a “revolução bolivariana” comporta-se como um governo militarista e como qualquer outra ditadura.

Em relação a minha posição anticarcerária, esta segue sendo a mesma que desenhei na minha juventude e que mantenho ao longo deste trajecto que chamamos vida: Abaixo os muros de todas as prisões!

Brasil: [Biblioteca Anárquica Kaos] “Entramos incomodando e saímos provocando”

SOLIDARIEDADE COM A BIBLIOTECA ANÁRQUICA K(A)OS – QUEIMA A BÓFIA

Comunicado recebido a 17 de Maio de 2017

Entramos incomodando e saímos provocando
A Biblioteca Anárquica Kaos comunica que esta sem espaço.

Como acontece com cada okupação, e ainda mais se está pela anarquia, o tempo é uma incerteza. Mas, isso não pode frear esforços e vontades que quebrem a normalidade urbana e cidadã. Já contrárixs ao sistema, dificilmente mediremos nosso passos com relógios ou acumulo de tempo. Já em contra da dominação, cada ataque ao sistema para nós é uma vitoria ganha, mas não aquela vitoria do ponto final na guerra. Cada ação feita, cada passo dado fora das celas ordeiras do comportamento normativo que impõe a vida moderna, cada fogo aceso, pedra atirada, regra quebrada, são pequenos triunfos. Cada vez que procuramos a anarquia e fazemos as coisas acontecer ganhamos um pouco da preciosa liberdade. Essas são nossas vitórias.

Entramos incomodando

Ao longo de pouco mais de dois meses okupamos uma casa pertencente à alta burguesia local e os incomodamos certamente. Suas constantes aparições, os esforços que tiveram que fazer para “limpar sua imagem” diante de uma vizinhança que sentia-se afetada pelo abandono do lugar, até o fato deles ter que sair de suas cômodas casas para ir constantemente a nos enxergar, desacreditando que tínhamos tomado “sua” casa foram gratificantes formas de saber que estávamos incomodando aos poderosos de sempre, os donos da cidade faz séculos. E foi atrevido sim.

Rodeados pela Praça Matriz, uma delegacia, o palácio de governo, em pleno coração da materialidade do sistema estatal, okupamos uma propriedade histórica com a aberta confrontação anárquica de espalhar nossas idéias sem amaciá-las, as vezes rodeadxs e constantemente fotografadxs pelos puxa sacos dos donos, conspiramos no meio do monstro. E foi uma ousadia sim.

Sem esperar as melhores condições, sem buscar seguranças absolutas, procuramos o impossível e o fizemos acontecer.

Para quem duvide da força dxs individuos, há certamente um antes e um depois da Biblioteca Kaos na rua, no bairro e no entorno. Poucxs e loucxs, mudamos a paisagem do lugar em poucos dias, possibilitamos encontros, debates, conflitos e conspirações sem precisar cabeças nem estruturas verticais para espalhar revolta. E como um espaço anárquico não é o local mas as individualidades que fazem ele acontecer, cada umx dxs que agimos nesse espaço, assim como todxs xs que nos fortaleceram chegando até lá, propiciamos essa transformação. A expansão disso tudo seguirá como a expansão das gotas que caem no charco da água, insondável, imponderável.

Saímos provocando…

Quando apareceu o oficial de justiça para nos informar que tínhamos uma ordem de saída com intimação (o que quer dizer que ainda antes do processo de reintegração de posse nossa saída ia a ser forçadas pela brigada militar), o contexto estava dado e uma data marcada. Decidimos nos riscar alguns dias, ficando além da data, procurando sempre manter o mais valioso para nós. A informalidade.

Nos individualizar em sujeitxs diante do poder nunca foi nossa intenção e certamente também não foi nossa proposta entrar em processo jurídico nenhum. Não nos interessa a propriedade. Nesse contexto, decidimos dar um passo antes. Se não comunicamos nada sobre isto foi para manter o entusiasmo nos últimos encontros. Para ficar fortes e deixar acesa a brasa da vontade por ter um lugar de encontro. Para viver ao máximo o espaço.

Assim, fizemos de nossa saída uma festa. O ultimo evento foi uma vivencia convocada para a solidariedade que fez presentes compas de outras terras que foram despejadxs, compas que foram seqüestradxs. Foi um encontro de diversidade de pessoas que vivem diferentes formas de insubmissão e conflito contra a dominação e que sentiram a raiva de dizer vamos fazer alguma coisa, vamos sair, vamos tomar as ruas. A “perda” do espaço, era algo iminente desde que descobrimos o histórico de poder dos donos mas, não queriamos que as forças e os ânimos declinassem. Aliás, não perdemos nada, Um espaço de anarquia é o encontro de afinidades. Nossas vontades estão intatas e nos acompanharão nas seguintes ousadias.

Saímos furtivamente nessa mesma noite, logo depois do evento, mas sobretudo, saímos provocando a insubmissão e o conflito em palavra e ação.

Então esta saída não é uma derrota: é a conseqüência lógica de ter atingido o poder, é a clara demonstração de que incomodamos tanto que varias influências foram movimentadas para conseguir essa ordem judicial contra nós em tão pouco tempo.

A força do efêmero nos posicionou numa conflitividade e confronto que se espalhou rapidamente para varias individualidades e espaços. Sentimos assim cada encontro que tivemos e cada ideia, vontade e grito de raiva que saíram da Biblioteca. O tempo da anarquia não pode ser medido por um relógio, a intensidade rebelde do que aconteceu nesta aparição da Biblioteca Kaos é inenarrável.

Nossa proposta de okupa em conflito foi uma determinação que culminou em provocações que sabemos tiveram ações como resposta.

Atiramos uma flecha no coração do sistema… e gritamos vitória na guerra!

Nosso salve para cada pessoa que participou e fez atividades, nos possibilitou acesso a elementos necessários para sobreviver e construir o espaço, que compartilhou com nós leituras e trocas de ideias incríveis, para aqueles que nos doaram livros e levaram outros em empréstimo, para aqueles que desde a distancia nos mandaram material ou palavras de força (desde vários pontos do mundo e em vários idiomas): foram lenha forte que aqueceu o ambiente e que iluminou as noites. E nosso abraço cúmplice aos espaços okupados no mundo: são um ataque insubmisso ao sistema!!!

Biblioteca Anárquica Kaos.
15 de maio 2017

Porto Alegre, Brasil: Atividades do mês de Maio na Biblioteca Anárquica Kaos

Sábado, 29 de Abril

Vídeo debate: Introdução ao Black Block. 17:Hrs.

Segunda, 1° de Maio

Os enfrentamentos de Haymarket e xs anarquistas insurreccionais do 1° de Maio de 1886.

Quinta, 4 de Maio

Transpassares disidentes: Atravessamentos Anarquistas/Queer

Sábado, 6 de Maio:

Video e debate:  Propaganda pelo fato.

Sábado 13 e domingo 14 de Maio

Tattoo combativa.  Atividade de tatuagem solidária.

Horários da biblioteca

Segundas e quintas das 2 da tarde ás 7 da noite

Sábados da 1 da tarde às 9 da noite.

biblioteca Anárquica Kaos

Porto Alegre, Brasil: “Tatoo Combativa”, evento solidário na Biblioteca Anárquica Kaos – 13 e 14 de Maio


A partir da onda de perseguições e possíveis punições no Uruguai pelo despejo da La Solidaria, várias questões nos agitaram. A necessidade de apoiar os compas e também a visão de estarmos sempre preparadxs para este tipo de acontecimentos.

Por isso xs convidamos ao evento. Tattoo Combativo. Solidariedade Entre Okupas. Neste evento, além de trocar ideias sobre anarquia e posições anticarcerárias, poderemos nos tatuar e colaborar assim com a geração de uma caixa solidária anti-repressiva. Acreditamos que é importante e bastante urgente mandar um apoio solidário aos compas que estão precisando de isso e que a nossa resposta deva ser imediata. Ao mesmo tempo, é importante estarmos sempre preparadxs para este tipo de necessidades com antecipação.

Xs convidamos a ser parte de este evento e confirmar sua presença, também a marcar um horário a tatuador e se quiser agendar previamente, para os dias sábado 13 e domingo 14 de maio em que realizaremos o evento.

Estaremos com mais informação, contatos e as páginas dxs tatuadores em breve.
Para fazer da solidariedade palavra e ação.

Biblioteca Anárquica Kaos
contatos: biblioteca-kaos@riseup.net

No cartaz  pode ler-se:

SOLIDARIEDADE ENTRE OKUPAS

O dinheiro arrecadado será para caixa anti-carcerária
Tatuagens – Perfurações – Música e vídeo – Rango Vegan –  Bedidas quentes

Porto Alegre – 13 e 14 de Maio

TATOO COMBATIVA

Biblioteca Anárquica Kaos

em alemão

Porto Alegre, Brasil: 2 de Abril – Abertura do novo espaço da Biblioteca Kaos

Domingo, 2 de abril. Meio dia. Abertura do novo espaço da Biblioteca Kaos.

Salve compas!

Com a intensa sensação de ânimo que nos dá a nova ocupação, abrimos já as portas do nosso novo espaço, xs convidando à abertura, no domingo de 2 de abril, ao meio dia. Sintam-se à vontade para trazer suas feiras e materiais. Aproveitamos este convite para mandar um salve aos/às compas de Tessalônica, Komotini, às okupas da Grécia, aos/às compas do Chile e de Porto Alegre que nos fizeram chegar uma piscada solidária no desalojo do espaço anterior.

Biblioteca Kaos

No cartaz pode ler-se:

ABERTURA DO NOVO ESPAÇO DA BIBLIOTECA KAOS

Domingo, 2 de Abril, meio dia
Escadaria Joa Manuel entre Fernando Machado e Duque de Caxias

Almoço (trazer colher e prato)
Música
Apresentação do acervo da biblioteca
Troca de ideias sobre okupação
Gentrificação

Porto Alegre, Brasil: Novo espaço da Biblioteca Kaos

Ocupamos de novo!

A Biblioteca Kaos tem novo espaço

No domingo, 12 de março, entrámos na casa da Rua Coronel João Manoel 641, antes o morro da formiga. Casa que estava abandonada faz três anos, no meio do centro histórico de Porto Alegre, e que é parte das heranças de duas das famílias mais burguesas, donos da cidade faz séculos: Chaves Barcellos e Wallig.

Temos a absoluta certeza de que estamos incomodando os poderosos que já apareceram para nos ameaçar e muito risivelmente para nos convidar a ser parte dos seus projetos de capitalismo alternativo. Nossa resposta é uma só: somos ocupas, anarquistas, e com a burguesia não temos conversa nenhuma.

Para nossa surpresa e alegria, a vizinhança apoia totalmente a ocupação porque viram que poucas pessoas arrumaram um espaço que faz anos estava sem uso. A interação com eles foi uma clara atitude de solidariedade e iniciativa, não só nas palavras mas sobretudo na ação, participando pouco a pouco na limpeza do lugar e apoiando com sua presença em algumas das visitas dos donos.

Depois das ameaças dos burgueses de nos jogar para fora com seus capangas e pitbulls, as galera das outras okupas da cidade chegaram para nos fazer sentir sua solidariedade e ajuda.

Neste momento ainda estamos na briga pelo espaço, mas nossa decisão desde o início é permanecer sem negociação, nem jurídica nem verbal, com os proprietários. A ocupação é uma prática subversiva que não pode ser engolida pelas normas de propriedade imobiliária, é a resposta efetiva à acumulação absurda da terra em mão de uns poucos privilegiados. Nossa determinação diante disto é clara: casa abandonada, casa ocupada.

Mandamos nosso salve à La Solidaria que enfrenta um desalojo nestes próximos dias, compas um desalojo, outra ocupação!!! Aos/Às compas das Okupas, na Grécia, à okupa Nadir e CCF, compas seguimos! Às Bibliotecas Flecha Negra na Bolívia, Sacco e Vanzetti e Sebastian Oversluij no Chile, e a todos os espaços auto-gestionados na procura da anarquia.

Num novo espaço, aqui seguimos onde sempre estivemos: na procura da liberdade e contra toda a autoridade!

Biblioteca Anárquica Kaos.

Nos próximos dias difundiremos os horários e atividades da biblioteca.

[Leitura] Sacco e Vanzetti. A vigência da solidariedade anarquista

Material apresentado numa atividade organizada pela biblioteca Kaos, em Porto Alegre:

Das jornadas dos anos 20 à agitação permanente pelos/as anarquistas sequestrados/as hoje. Livro em pdf para baixar e imprimir.

“Enquanto os leões não tiverem seus próprios cronistas, as histórias de caça continuaram glorificando no caçador”.

Pomos a disposição, convidando a sua difusão, o livro “Sacco e Vanzetti. A vigência da solidariedade anarquista: das jornadas dos anos 20 à agitação permanente pelos/as anarquistas sequestrados/as hoje”, apresentado na atividade em memória de Sacco e Vanzetti e pela semana de agitação pelxs anarquistas presxs da Biblioteca Kaos.

Trata-se duma publicação feita por companheirxs, sobre companheirxs. Nela se apresentam textos traduzidos, recuperados e narrados, desde a vontade de reivindicar uma memória apagada pelos ânimos de pacificidade e de negação: a história da rebeldia e do ataque da qual foram parte Sacco e Vanzetti. Também estão incluídas as cartas enviadas pelos companheiros da CCF, Núcleo Guerrilha Urbana (Giorgos, Olga, Gerasimos e Christos) e CCF (Panagiotis, Michalis, Giorgos, Haris, Theofilos e Damiano) assim como a carta da companheira Tato do Chile, enviadas todas elas para o evento.

“Temos claro que esta publicação não se situa na prateleira dos livros de história simplesmente. É certo que destas agitações nos anos 20 de solidariedade e ação pela libertação de Sacco e Vanzetti um sem fim de lições podem ser tomadas como o claro papel da polícia, da justiça, leis, tribunais e juízes.

Ontem como hoje não são poucos/as companheiros/as que dedicam suas vidas a luta a ponta de faca, ao conflito aberto com o poder e suas lógicas, com a não conciliação com a autoridade e suas leis. Dentro da guerra social a prisão é uma realidade dura que hoje companheiros/as enfrentam com coerência, de cabeça em pé e em pé de guerra. Claudio Lavazza, Mônica Caballero, Francisco Solar, Marcos Camenish, Nicola Gai, Alfredo Cospito, Ilya Romanov, os irmãos Tsakalos e tantos/as outros/as indomáveis na Grécia, no Chile, no México …

Podemos dizer que esta publicação nasce deste chamado da vontade de manter viva uma memória de luta e coerência como a de Sacco e Vanzetti e com a viva vontade de acenar com um gesto solidário aos companheiros/as que enfrentam hoje o cativeiro.”.

Conteúdo:

– Olá
– Carta de Sacco e Vanzetti difundida nas agitações do 1º de Maio de 1923. Publicada em A Plebe
– Um olhar ao anarquismo autônomo e insurrecional na história dos Estados Unidos
– Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti Memória e vigência da solidariedade ácrata
– Irreverência do tempo
– Alguns apontamentos sobre as agitações pela libertação dos anarquistas Sacco e Vanzetti em Porto Alegre e noutras cidades
– Cartas acenos e sopros

Sacco e Vanzetti: Uma viagem através do tempo – Texto de membros da CCF para um evento organizado pela Biblioteca Anárquica Kaos

//pt-contrainfo.espiv.net/files/2016/09/carta-de-elementos-CCF-para-evento-Biblioteca-Kaos.pdfTexto em pdf

Apresenta-se abaixo um texto escrito em Atenas, na Grécia – por vários membros presos da Conspiração de Células de Fogo – para um evento da Okupa Biblioteca Anárquica Kaos, no Brasil.

A todxs xs companheirxs, a todxs xs nossxs irmãos e irmãs anarquistas presentes neste evento organizado pela biblioteca Anárquica Kaos. Deixem que os nossos pensamentos irrompam e viajem para o Brasil de forma a serem enviadas estas breves palavras, com a esperança de que possam sentir um pouco a nossa presença ao vosso lado.

Em resposta ao tema do evento a ter lugar durante a Semana Internacional de Solidariedade aos/às presxs anarquistas gostaríamos de lançar a nossa contribuição pessoal e histórica em relação ao caso de Nicola Sacco e Bartholemeo Vanzetti. A Conspiração de Células de Fogo foi desde o início um grupo anarquista de ação direta que aspirava a um recrudescimento da presença agressiva anarquista na Grécia. Assim, a CCF não hesitou em criticar muitas vezes aquilo que se acreditava estar a ser impeditivo da generalização dessa intensificação. Mas quando a opressão finalmente chegou à nossa porta, aí entendemos completamente que se não estivéssemos ao nível dos nossos padrões ter-nos-íamos recusado a defender a nossa identidade, os nossos pontos de vista políticos e a nossa própria substância. Além do mais, poderíamos ter acabado por estar em completo contraste com as nossas críticas contra outrxs no passado. Deste modo, sete anos após o dia em que a repressão se abateu sobre nós, continuamos na vanguarda da dignidade anarquista, pelo menos de modo que a percepcionamos. Recusamos-nos a nos desonrar de qualquer forma e defendemos o que acreditávamos que tínhamos de defender, pagando o preço da nossa atitude intransigente.

Voltando ao passado, numa época em que dois companheiros – os anarquistas da práxis forjados no fogo da revolta Nicola Sacco e Bartholomeo Vanzetti – foram presos com acusações de expropriação armada e assassinato, enfrentámos desafios que não são de modo algum inéditos. Um fato que beneficia de ampla evidência é que tanto Sacco como Vanzetti participaram em redes militantes informais de afinidade anarquista, todas elas foram afiliadas a publicações como o jornal anarquista Cronaca Sovversiva, em cuja publicação eles próprios ajudaram, publicação essa que apoiava a necessidade de propaganda pela práxis. Sabe-se também que estas redes militantes informais foram responsáveis por uma série de ataques que sacudiram os Estados Unidos de 1914 em diante, ataques esses que estavam a ser financiados por expropriações armadas. Finalmente, é um facto que alguns dos companheiros de Sacco e Vanzetti confidenciaram, após o assassinato dos dois companheiros, que eles eram dois dos cinco ladrões da fábrica de calçados em Braintree, Massachusetts. Um dos companheiros de Sacco e Vanzetti, Mario Buda, por exemplo, durante uma entrevista, quando lhe perguntaram sobre o financiamento do seu grupo, respondeu: “Nós geralmente íamos aos sítios onde poderíamos encontrá-lo (o dinheiro) e levávamo-lo“, ou seja, aos bancos e fábricas. Muitos anos depois, em 1955, ele recebeu a visita do anarquista Charles Poggi, que estava a investigar historicamente o caso de Sacco e Vanzetti. Na discussão entre eles, Buda admitiu, pelo menos, a participação de Sacco no roubo em Braintree com a frase “Sacco estava lá” (“Sacco c ‘era“). Poggi ficou também com a impressão de que Buda foi um dos assaltantes, mas devido à discrição daquele, não levantou a questão.

Os dois companheiros foram presos após uma perseguição e apesar de se encontrarem armados não havia elementos de prova de incriminação contra eles – sem a técnica de investigação de balística que não tinha sido aperfeiçoada ainda naquela época e uma vez as testemunhas não podiam testemunhar nada que fosse confiável. Assim, ambos os companheiros escolheram defender-se declarando que estavam inocentes do roubo, ainda que culpados como anarquistas – num tempo em que, por tão pouco que isto representasse, poderia ser prova suficiente para alguém ser processado, torturado, preso ou mesmo deportado – na medida em que a onda de ataques anarquistas que abalaram os EUA tinha levado o Estado a tomar medidas de emergência contra anarquistas e imigrantes anarquistas, através de uma série de leis.

No pico da histeria anti anarquista, a que puseram o nome de Red Scare [Medo Vermelho], os dois companheiros tentaram equilibrar-se sem rede de modo a evitarem a pena de morte e a manterem a dignidade – uma vez que teimosamente se recusavam a perder a sua identidade, embora isso pudesse revelar-se suficientemente condenatório também.

Infelizmente, o caso de Sacco e Vanzetti é lembrado hoje exclusivamente como um exemplo de montagem do governo. A narrativa histórica que tem prevalecido está a tentar lançar um véu no contexto histórico mais amplo da era em que se deu o julgamento de dois companheiros referidos, induzindo deliberadamente em erro – retratando-os como meros sindicalistas organizados quando na verdade Sacco e Vanzetti e quase todxs xs companheirxs em torno da Cronaca Sovversiva tinham sentimentos profundamente anti – formalistas, distanciando-se das organizações oficiais anarquistas.

Em última análise, o caso dos dois companheiros foi sendo degradado tornando-o numa história onde se eleva o valor da vítima, em vez de ser um exemplo atemporal de uma orgulhosa insurreição anarquista. Tal tema é quase desconhecido até hoje. Naturalmente que cada companheirx mantém sempre o direito de não dar sequer um pingo de si mesmx para o inimigo, especialmente quando têm evidências insuficientes – se as houver até – para o/a condenar.

No entanto, isso é uma coisa outra coisa é o fetichismo político da vítima que omite deliberadamente e totalmente aquelxs que optam pessoalmente por defender o seu compromisso militante à anarquia. E se alguém tem dúvidas, deixem-nos saber os motivos porque é que os nomes dxs companheirxs de Sacco e Vanzetti continuam a ser lançados no esquecimento. Quantos ainda se lembram ou sabem sequer alguma coisa da “dinamite-girl”, a velha companheira de 19 anos de idade Gabriella Antollini, que reivindicou a responsabilidade do transporte de armas e explosivos? Quantos se lembram de Nicola Recci que perdeu quase toda a mão durante a fabricação de dispositivos explosivos? Com que frequência é Carlo Valdinoci mencionado, ele que morreu pela explosão de uma bomba que estava a planear colocar na casa do ministro da Justiça Palmer; ou Andrea Salsedo, que foi atirado de uma janela pela polícia, durante um interrogatório acerca de uma reivindicação de responsabilidade que foi descoberta na sua loja de impressão? Todxs estxs e muitxs mais, estavam destinadxs a ser deixados de fora dos livros de história, porque como realmente é o caso não eram “inocentes”.

Neste ponto, apesar do stress e de se declararem inocentes das acusações, nunca Sacco e Vanzetti denunciaram o seu património insurrecionário. Um fato comprovado pelo número das ações ofensivas em todo o mundo feito em nome da solidariedade aos dois companheiros. Desde o bombardeio, usando um carro com fios, de Wall Street até ao pacote-bomba enviado para o embaixador dos EUA em Paris, bem como dezenas de atentados de embaixadas americanas em diversos países. Os companheiros muitas vezes exortaram eles mesmos o movimento a fazer retaliações contra o Estado e juízes. Em Junho de 1926, numa edição da Protesta Umana, Vanzetti escreveu entre outras coisas: ”Tentarei ver Thayer morto antes do anúncio da nossa sentença” e pediu aos/às companheirxs “Vingança, vingança em nosso nome e em nome do nosso modo de vida e mortxs “. O artigo conclui com  “Health Is In You” [A saúde está em você] que foi o título de um manual sobre dispositivos explosivos publicado pela Cronaca Sovversiva (alguns dizem que traduzido por Emma Goldman a si mesma).

A rica contribuição da anarquia insurrecional no movimento de solidariedade com Sacco e Vanzetti está a ser, em grande parte, negligenciada até hoje. Na ocasião da chamada para a Semana de Acção Internacional pelxs anarquistas encarceradxs, vale a pena ser definitivamente lembrado em toda a sua perspetiva o legado de tal solidariedade militante. Quem acredita que a dissociação com atos militantes de solidariedade é nova ou tem falta de raízes, está profundamente enganadx.

Um fato notável é que, enquanto certos círculos anarquistas na Argentina caluniavam Severino Di Giovanni, acusando-o mesmo de ser um fascista, a viúva de Sacco – numa correspondência, alguns dias após a execução de ambos os companheiros – expressava a sua gratidão pelo apoio daquele ao caso. Na mesma carta, indicava que o diretor de uma determinada empresa de cigarros com o nome “Combinador” se tinha oferecido para dar a um tipo particular de cigarros da marca o nome “Sacco e Vanzetti”, tentando obter descaradamente lucro da notoriedade do caso. Em 26 de Novembro de 1927, uma bomba colocada por Di Giovanni e companheirxs explodiu numa filial da referida empresa em Buenos Aires. Fazia parte desse mesmo grupo o companheiro de Sacco e Vanzetti Ferrecio Coacci, o qual tinha sido deportado dos EUA. Coacci também era suspeito no roubo pelo qual Sacco e Vanzetti foram condenados, tendo a sua casa sido a primeira a ser invadida na investigação do caso.

Esperamos que consigamos nestas poucas palavras incentivar o interesse dos/as participantes do evento, definindo as bases para um autêntica discussão de companheirismo sobre todas as questões acima mencionadas – uma vez que, infelizmente, estamos condenadxs a nada aprender da nossa história, condenando-nos assim ao mesmo erro, uma e outra vez.

Do coração, enviamos a todos vós as nossas mais calorosas saudações.

Por fim, devemos lembrar-nos da frase do anarquista Luigi Galleani, companheiro de Sacco e Vanzetti e um dos editores de Cronaca Sovversiva: “Nenhum ato de rebelião é inútil; nenhum ato de rebelião é prejudicial.

Os membros da Conspiração de Células de Fogo

Michalis Nikolopoulos
Giorgos Nikolopoulos
Haris Hatzimihelakis
Panagiotis Argirou
Theofilos Mavropoulos
Damiano Bolano

Biblioteca Kaos, Porto Alegre: Atividade integrada na Semana de Agitação pelxs anarquistas presxs – 27/08

SEMANA-Agitação-1
     Clica na imagem para teres acesso ao comunicado da Biblioteca Anárquica Kaos

Cartaz em  pdf

ATIVIDADE: SEMANA DE AGITAÇÃO
PELXS PRESXS ANARQUISTAS
89 anos do assassinato de Sacco e Vanzeti…a memória e a solidariedade…continuam!
BIBLIOTECA ANARQUICA KAOS
Apresentação do livro
Vigência da memória e solidariedade anarquista: das jornadas dos anos 20 à agitação permanente pelos/as anarquistas sequestrados/as hoje.
Troca de ideias
Reivindicação anarquista diante da prisão
 Escrita e tradução de cartas para xs compas da CCF (Grécia), Tato [Natalia Collado]/(Chile) e Fernando Bárcenas (México)
Feira de material anarquista
A atividade acontecerá na Ocupação Pandorga: Vila Cabo Rocha (Rua Professor Freitas e Castro, 191 – Bairro Azenha )
16 horas, Sábado 27 de agosto de 2016
COM ESPAÇO, SEM ESPAÇO…SEGUIMOS INCOMODANDO!

Porto Alegre, Brasil: Notícias da Biblioteca Kaos

Solidariedade com a Biblioteca Kaos Incendiar a bófia (Tessalónica)
Solidariedade com a Biblioteca Kaos
Incendiar a bófia (Tessalónica)

Galera. Companheirxs, amigxs…

Antes de tudo, estamos bem…

O dia do desalojo passou, e esperando que baixe a poeira, queremos dar um salve a todxs xs compas que estiveram com nós, que são parte da Kaos e com quem continuaremos caminhando juntxs.

Também queremos compartilhar os gestos de solidariedade que tem voado até nós nos fortalecendo nestes momentos. Nosso companheirismo anárquico vai se construindo com estes atos, com estas afinidades, e com este estar juntxs traspassando as distâncias, os idiomas e as fronteiras.

Em breve estaremos contando como foi nossa “despedida” do espaço e lhes convidando a nossa próxima atividade.

Com espaço, sem espaço, seguiremos incomodando!

Vejam as fotos dos atos de solidariedade com a biblioteca Kaos aqui

Biblioteca anárquica Kaos
5 de agosto de 2016

Chile: Solidariedade com a Biblioteka Kaos do Brasil

Imagen34 de Agosto 2016

A Biblioteka Kaos (Brasil) é uma okupação anárquica que através da difusão de ideias e de práticas anti-autoritárias propaga uma atitude de confrontação com toda a forma de poder.

Nas semanas antecedentes aos Jogos Olímpicos 2016, que terão lugar no Brasil, o espaço recebeu uma ameaça de despejo que se levaria a cabo nos primeiros dias de Agosto.

A DEFENDER E A MULTIPLICAR OS ESPAÇOS AUTÓNOMOS
E TODA A INICIATIVA QUE APONTE À DESTRUIÇÃO DO PODER!

Komotini, Grécia: Afixação de cartazes e faixa em solidariedade com a Biblioteca KAOS

solidar-kaozA Biblioteca KAOS está ameaçada de despejo a 4 de Agosto de 2016. A Okupa anarquista  Utopia A.D. colocou uma faixa e afixou cartazes na cidade de Komotini, como mostra de solidariedade com xs companheirxs de Porto Alegre.

Solidariedade com a Okupa anarquista Biblioteca Kaos no Brasil!
Conflito é a única resposta a dar!

SOLIDARITY-KAOZColagem de cartazes pela Utopia A.D. em Komotini em solidariedade com a Biblioteca KAOS de Porto Alegre, ameaçada de desalojo; também a Fode Nações Okupa o Mundo afixou cartazes em solidariedade com xs okupantes fortemente reprimidxs em Tessalónica. solidarid-kaoz

 inglês, alemão

Heraklion, Ilha de Creta: Solidariedade incendiária com as Okupas

burnurlocalchurchÀs primeiras horas de 1 de Agosto de 2016, foi colocado um dispositivo incendiário na igreja de Aghios Dimitrios na cidade de Heraklion, em Creta. Esta ação foi levada a cabo como resposta mínima às recentes operações da Igreja S.A. – em cooperação com  as forças da polícia e tribunais – na cidade de Tessalónica, onde várias okupas foram desalojadas e uma delas demolida a seguir.  Considere-se esta práxis como uma contribuição para a chamada por um Julho Negro, realizada por companheirxs da Rigaer94 na Alemanha.

Em 22 de Maio de 2009, Mauricio Morales acaba por morrer durante o transporte de uma bomba destinado à Escola de Guardas prisionais, no Chile. Maurício participou na Okupa – Biblioteca Sacco y Vanzetti – pondo em prática o encontro das ações  pública e ilegal. Um okupa e um atacante à bomba que nunca discriminou qualquer meio de ação nem tampouco se armadilhou em ilhotas de pseudo-liberdade. (Conspiração de Células de Fogo / FAI-FRI, Célula de Guerrilha Urbana).

Solidariedade com as okupas                             

Solidariedade com xs companheirxs encarceradxs por toda a terra

Contra tudo e qualquer que amachuque a liberdade                             Este mundo não é para ser derrubado mas sim destruído

PS. A Biblioteca Kaos, em Porto Alegre no Brasil, está ameaçada de despejo na quinta-feira, 4 de Agosto. Xs companheirxs não vão abandonar a okupa, pelo contrário irão defendê-la. Apoiamos-lxs sinceramente e desejamos-lhes força, enviando-lhes um abraço de fraternal camaradagem e cumplicidade.

Porto Alegre, Brasil: Calêndario das atividades de maio na Biblioteca Kaos

Segundas 2, 16 e 30: Leituras e trocas sobre saude e oficinas de preparação de remedios naturais.

Quinta 12 e 26: Devir Contrasexual. Experiências dissidentes

Domingo 1: 1 de mayo Anarquista. Contra o trabalho e toda forma de exploração. 14hs.

Quinta 5: 18hs. Escolas ocupadas em São Paulo. Projeção do video: “Acabou a Paz, isso vai virar o Chile”.

Segunda 9: Tudo o dia a partir das 9hs. Atividade informativa e solidaria sobre o caso de Rafael Braga Vieira preso no Rio.

Sabado 14: 16hs. Leitura coletiva dos comunicados do M.I.A

Quinta 19: 18hs: Projeção do video legendado ao português: “O deus que criaram é um ditador eterno” em solidariedade com Mônica e Francisco presxs nas jaulas espanholas.

Sabado 21: 16hs.Projeção do video legendado ao português “Projeto Fenix. O retorno das Células de Conspiração de Fogo” e apresentação do livro “Nosso dia chegara”.

Sabado 28: 16hs. Projeção do video. “A evolução do eco-terrorismo no Mexico”.

Domingo 29: 13hs. Leitura coletiva. “Na guerra social, ninguém esta so” e Amorço solidario.

Biblioteca Kaos. Rua Alberto Torres, 185. Cidade Baixa, Porto Alegre.

Todas as atividades são livres de alcool e drogas…

Grécia / México [2012]: “Uma troca de ideias entre anarquistas”

Uma troca de ideias entre anarquistas: Uma discussão sobre tática e prática entre @s membr@s encarcerad@s da Conspiração das Células de Fogo e alguns anarquistas de práxis radicad@s no México.

Clique na capa para baixar, ler e/ou imprimir o texto. A tradução foi realizada por um grupo de tradução improvisado: inconstancia@riseup.net.

Cartaz da Biblioteca Kaos, em Porto Alegre, aqui.

Introdução do anarquista preso da CCF Christos Tsakalos (4 de Dezembro de 2015), em grego, aqui.

Porto Alegre, Brasil: Cine CONFLITØ na Biblioteka Kaos

Cine CONFLITØ é a proposta de nos reunirmos e discutir sobre temas em pontos de vista diversos, que nos fazem pensar, questionar y des(cons)truir nossas ações cotidianas de um ponto de vista anárquico. O primeiro ciclo de filmes traz a temática de (anti)gênero y sexualidade, mas esta aberto para novos temas y novas propostas de atividades.

O cine esta acontecendo entre os dias 25, 30 y 31 de dezembro, na Biblioteka Kaos, rua Alberto Torres, 185.

Cronologia da confrontação anárquica no território controlado pelo estado brasileiro (2000-2015)

A biblioteca Kaos [Porto Alegre] publica:

Cronologia Maldita
Golpeando o inimigo
Cronologia da confrontação anárquica no território controlado pelo estado brasileiro (2000-2015)

Esta cronologia é um esforço com a intenção de mostrar ações de ofensiva contra o estado, o capital e suas diversas expressões, as quais ocorreram na região brasileira nas últimas décadas. Apresenta os ataques, os vandalismos, a propaganda pelo ato, ou seja, as diversas formas de confrontação e ofensiva contra os inimigos. Estão fora dela as agressões e as repressões que ficaram sem resposta, já que nossa intenção através deste material é enxergar e difundir a capacidade de ofensiva dos golpes de tendência anárquica. Várias estratégias e tácticas podem se encontrar nestas páginas, assim também várias palavras, os “comunicados” que são reflexões importantes que acompanham as ações. Ao mesmo tempo, várias motivações podem ser vistas nas ações, a solidariedade combativa com xs companheirxs anarquistas presxs é a maior delas.

Por um dezembro Negro e em solidariedade com cada compa presx e perseguidx por lutar. Com a memoria de nossos compas mortos em combate.

Biblioteca Anárquica Kaos

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Porto Alegre: Semana de agitação pelxs presxs anarquistas na Biblioteca Kaos

O 23 de agosto de 1927 foram executados Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti, na cadeira elétrica sob a acusação de homicídio dum contador e um guarda. Pouco importa se foram inocentes ou culpáveis das acusações feitas pelo sistema judicial norteamericano. O que é inegável é que eles foram assassinados por serem anarquistas,  o que significava naquela época como agora, estar numa posição de confronto permanente com as ordenes hierárquicas e autoritárias.

A morte do Sacco e Vanzetti foi um fato determinante em nossa negra historia anárquica. Sua detenção durou 7 anos desde que foram pegos ate sua execução. Foi a partir destes eventos que a solidariedade anarquista mostrou suas duas características mais importantes: seu caráter combativo, seu internacionalismo e a afinidade que ia além das a diferencias pois ambos eram imigrantes italianos nos Estados Unidos. Os inumeráveis protestos, sabotagens, greves e publicações ao longo do mundo fortaleceram a longa historia da solidariedade com xs presxs e são ainda uma mostra importante da quebra de fronteiras pela ácrata. Inicia-se nesta memoria a semana de agitação pelos presxs anarquistas, encontro que transcende tempos e espaços através da agitação anárquica anticarcearia como arma de confrontação e abraço de companheirismo.

A crescente criminalização da solidariedade com os presxs anarquistas, a operação pinhata em Barcelona por solidarizar com Monica e Francisco, a persecução axs compas da CNA de Mexico, e o sequestro do compa Enrique vista dos presxs Nataly e Juan em Chile mostra como esta arma de combate incomoda aos estados que procuram apagá-la de formas ruins perseguindo aos compas solidarixs o ate sequestrando-os. Longe de deixar nos amedrontar por este tipo de golpes de volta, a solidariedade anárquica precisa se expandir ainda mais nesta semana, como mostra duma memoria presente, e todxs os dias como pratica combativa constante.
Atividades:

Atividades:

Domingo 23 de agosto: Feira, exposição, debate. Memoria Rebelde. Atualidade e projeção.

Quinta 27 de agosto: Apresentação  do Caso Bombas 2 no Chile e escrita de cartas aos compas Nataly, Juan, Enrique e Guillermo.

Sábado 22 de agosto: Apresentação dos casos de longa sentença e escrita de cartas aos compas Gabriel Pombo da Silva, Marco Camenish, Caso Security (Juan, Fredy y Marcelo) e Claudio Lavazza.

Do 23 ao 30 de agosto: banca de material anticarcerario

Na semana de agitação pelxs compas anarquistas presxs, a anos da morte de Sacco e Vanzetti.
Pela solidariedade anárquica
Biblioteca Kaos
Rua Alberto Torres
Porto Alegre