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[Brasil] Sai a Crónica Subversiva 2

Número 2 da Crônica Subversiva
(com separata sobre Santiago Maldonado e o número 5 da revista da CNA Kataklisma)

Depois de uma operação anti anarquista em Porto Alegre, a condenação dos 23 no Rio de Janeiro e antes da festa eleitoral daqueles que tentam governar e devastar tudo, aparece o segundo número da Crônica Subversiva.

Como cada publicação antiautoritária que surge em diferentes tempos e lugares, a Crônica Subversiva procura ser um canal de expansão de idéias que não estão, nem estarão nunca, contidas nos meios de comunicação.

Também é uma publicação com uma visão particular da vida, da autonomia, e da procura da anarquia e da revolta, que parte daquele instinto, inquebrantável e sincero, de sermos indômitos. Essa a sensação que faz as pessoas sair nas ruas, se arriscar, agir, e fazer algo na anarquia, a que procuramos espalhar com estas letras.

Primavera 2018

Clica aqui para baixar e imprimir (no link vem um arquivo com o corpo da Revista  e outro ainda com a separata)

[Brasil] Para além das eleições e das intervenções. Nosso total rechaço à democracia.

Para além das eleições e das intervenções. Nosso total rechaço à democracia.

Qual o motivo que faz as pessoas se submeterem a outras pessoas?
O que faz uma pessoa pensar que o patronato ou o governo são
indispensáveis?
O que faz pensar que as pessoas livres não podem se apoiar, se
autogerir?
(Carlos Coletivação/Brasília, O Inimigo do Rei, n° 20, Jul. 1987)


Trinta anos depois…
.

Tem passado três décadas desde o ovacionado “retorno” à democracia. Aos poucos, foram apresentando a democracia como o remédio a todos os males, como a única via de governo, de política, o fim da história, um direito humano! Apresentaram o “governo representativo” com um brilho incomum que permitiria às pessoas terem liberdade… de eleger qual seria “melhor capacitado” para mandar nelas.

No entanto, eleger quem governe parece não deixar todos contentes. Existe um  inconformismo cada vez mais crescente e não só desde as margens (onde nunca fomos parte do “sistema”) ou desde o antagonismo (onde nunca aceitamos ser governados). O inconformismo parece crescer gradualmente entre a mesma população que seria contemplada pelo regime democrático: A percentagem dos que não votaram nas eleições municipais de 2012 foi de 19,1%, e a dos votos brancos e nulos de 9,1%. Em 2016, nas eleições presidenciais, a abstenção foi de 21,5%, os votos brancos e nulos somaram 14,3% (segundo dados do Estadão dados), totalizando mais de 35% dos eleitores. Nenhum dos candidatos somou tantos votos. O que nos dizem essas estatísticas? É suficiente com não votar? Não votar desestabiliza de alguma forma à autoridade parlamentar?

Pareceria que a eleição está perdendo popularidade, mas enquanto uma parte do mecanismo eleitoral do governo perde adeptos, a democracia se impõe, e junto com ela se impõe a permanência de uns governando aos outros.

O Estado, suas engrenagens e suas articulações, estão sustentados pela exaltação da democracia como a forma mais hospitaleira da política. A propaganda pela democracia tem provocado a idéia de que ela é o ponto final do trabalho por uma política e organização social “perfeita”. Com essa jogada, a democracia possibilitou que o Estado mantenha o poder, e que as pessoas acreditem nele como o poder legítimo. Mas, até os cérebros da organização estatal: Hobbes e Maquiavel, defensores do “pacto social” (no qual as pessoas, supostamente, elegeriam o Estado voluntariamente), sabem que a máquina estatal senta-se na poltrona da submissão: Segundo eles, não pode existir unidade entre o povo e seu governo se não há submissão – voluntária ou involuntária, legítima ou ilegítima – e não há submissão sem terror, em algumas doses. (Christian Ferrer, em: El Lenguaje Libertário). Essa submissão, temos claro, se consolidou, e se consolida, mediante as forças armadas, que são a mão do terror, da tortura e da prisão estatal. A democracia se impôs graças a elas, que a usaram como amnistia geral para lavar, na política do está tudo bem, anos de tortura e desaparecimento.

A máquina estatal não existe sem os repressores.

Mas, a participação política dos militares e policiais tem profunda pisada na estruturação do estado e da civilização que o sustenta e não somente como a força armada que  impõe à força os ideais da política estatal e da democracia. Lembremos que foram militares o primeiro governo republicano de 1889 e os governos ditatoriais do período 1964-1985. Militares e policiais são elo central da maquina estatal, e estão, permanentemente, tentando controlar o Estado.

Os militares já governaram mediante o voto (Marechal Enrico Gaspar Dutra, 1946) e quando precisaram, eles governaram mediante imposição ou tomada violenta do mandato (nos períodos ditatoriais). Mas é agora, nestas eleições que o Estado e as forças armadas expõem sua estreita vinculação, com candidatos cada vez menos à paisana, e  é, mediante a amabilidade da pergunta e o acordo democrático que, eles tentam governar de novo. A manobra da imposição da democracia como uma tirania é perversa na sua consolidação, esta vez é a “sociedade” – historicamente surrada, torturada, punida pelas forças repressivas que existem para controlar e apagar toda dissidência e crítica – a que pode pôr no poder a face repressiva do sistema estatal.

Jair Bolsonaro (candidato à presidência pelo PSL), o General Mourão (candidato à vice-presidência pelo PRTB), o Cabo Daciolo (candidato à presidência pelo Patriota), o Delegado Ranolfo Vieira (candidato do PTB para vice-governador do estado de Rio Grande do Sul), são parte das forças armadas, e defendem como parte das suas campanhas, os valores dessas instituições. A possibilidade deles serem eleitos, de pessoas torcerem e desejarem que eles sejam os seus governantes, são um sinal apavorante do protagonismo das forças repressivas nas expectativas de eleição do governante.

Os pedidos de intervenção militar, a candidatura de militares e policiais, estão mostrando algo; o voto ciente, a eleição de serem governadas por pessoas e instituições que tem nos seus currículos inúmeras chacinas. Se pode se passar por alto que os militares e policiais quando mandaram o fizeram no fiel apego ao exercício da tirania, não se pode passar por alto que esses pedidos, que cada voto por estes personagens, significam um “amor” a ser mandado e um “amor” à obediência, pontos nevrálgicos do agir das forças armadas.

Esse “amor” submisso à obediência é muito parecido com aquilo que move milhares de pessoas a frequentarem igrejas entregando o futuro e o presente das suas vidas nas mãos de outros. Mas, esse “amor” não é mais que a negação da força individual, da capacidade de transformar as coisas, e de governar a própria vida. O Estado domina com as mesmas táticas que uma igreja: roubando às pessoas a confiança nelas mesmas, fazendo-as acreditar que sem essas instituições, não são nada. Tornam-las dependentes de algo que se construiu encima delas com o único objetivo de dominá-las.

A democracia pretende impor a fé em que a eleição de um novo tirano, é a única via possível, se espera-se uma vida melhor. Enquanto que suas forças armadas predicam os valores da obediência e submissão. O resultado é que terminamos assistindo  eleitores ansiosos por serem mandados por policiais e militares! o extremo do amor submisso.

Mas, vamos para o outro extremo, a possível “alternativa”: A esquerda, a qual amparada no medo à irmã malvada da democracia, a ditadura, tenta “abrir espaço” dentro do Estado para a inclusão de representantes da «diversidade»: povos não civilizados, negros, feministas, etc., quem talvez, sinceramente, acreditavam que se podia mudar as coisas desde dentro do sistema. Mas, o jogo do poder é sujo e perverso: ou se impõe o silêncio e se entrega a vida à quem tem mais poder, ou se, ainda sobra algo de dignidade, uma facção da máfia dos donos do poder, dão uma rajada e assassinam…O caso recente da vereadora do PSOL Marielle Franco é um claro exemplo disso…ela não foi assassinada só por ser mulher, negra, lésbica e sair da Maré, mas por não calar sua indignação frente às chacinas nas favelas do Rio de Janeiro. Se ela tivesse sido negra, lésbica, mulher e saído da Maré para ser vereadora que aplaudisse o sistema, o estado e as oportunidades sociais, as quais a ajudaram a ser bem-sucedida, outra seria sua história.

Entre essas “boas intenções”, e a opressão mais tradicional, não existe muita diferença, nenhuma pensa na máquina estatal como um problema. Ambas duas tem como objetivo, o controle das finanças, os “recursos” e a população,  e tem a repressão como estratégia.

E ainda mais, o rechaço de uns, e a eleição dos outros, pouco ou nada muda. A honestidade do discurso conservador, moralista, fascista e racista do Bolsonaro, pode provocar que outras opções como as do “centrão” aparentem ser melhores, quando no fundo são a mesma coisa com palavras mais concordantes com o politicamente correto do momento. De uma ou outra forma, a máquina estatal, articulada com os interesses financeiros de quem domina o mundo, acaba sempre tornando as pessoas cada vez mais dependentes da sua assistência, ou, eliminando-as se incomodam. A diferença entre as opções radica só no estilo da chibata e da chibatada.

Uma vez que a idéia de que a democracia é o ponto final, ela se consolida e começa a se acreditar que ela precisa só ser melhorada com mais leis ou emendas, e junto com ela, a dominação também se consolida. A máquina estatal, pensada e construída permanentemente com a finalidade de dominar e controlar a população e o território, tem como pilar a contenção da liberdade. A democracia e o voto são as ferramentas que o povo tem para manter-se sob o julgo do opressor. Um Estado  jamais poderá outorgar liberdade e autonomia. Como já foi dito milhares de vezes, se votar mudasse algo, seria proibido!

Diante disso, como vão as lutas radicais?

Em 2016 tivemos que presenciar “anarquistas” assumindo um cargo de governantes públicos, o posto de vereador, em Alto Paraíso (Goiás). Eles defenderam, seriamente, que terem se candidatado e assumido o posto de vereador, era uma prática anarquista por se tratar dum mandato coletivo e por estar baseada na proposta federalista de Proudhon.  Podemos aceitar que até os “anarquistas” tentem ser incluídos no Estado?

Pouco ajuda pretender que, mediante a indiferença, estes acontecimentos ficam fora do âmbito anti-autoritário, ou que pensando muito fortemente que esses não são anarquistas se evita o problema de fundo: uma perda de foco total sobre o que é a luta anarquista. Ainda mais, é necessário dizer que quem tolera este tipo de eventos vira, em parte, cúmplice das severas contradições que essa aberração traz. E como não queremos ser parte disso, achamos igualmente necessário retomar alguns pontos básicos: Os anarquistas propuseram como principio a autonomia e ausência de autoridade e desde essa afronta, não governar nem sermos governados. Sermos ingovernáveis não tem nada a ver com mandatos coletivos.

Justamente com estes exemplos, pareceria que já nada é uma força totalmente  alheia e irrecuperável pela instituição estatal, que tudo é constantemente incluído no Estado e que até a rebeldia é normatizada por ele. Pareceria estar tudo resolvido ao mesmo tempo em que  tudo está mais opressivo. Difunde-se a regra do vale tudo, do tudo é tolerado sempre que seja contido nos direitos.

Não podemos esquecer que muitos dos direitos atuais foram vitórias efetivas, provenientes de protestos, lutas sangrentas e urgentes. Mas, também não podemos esquecer que essas vitórias foram transformadas em formas úteis para a própria máquina estatal. Faz várias décadas, o racismo, o sexismo, a homofobia não faziam parte da agenda política estatal nem das ongs, eram lutas estabelecidas diante dos contextos normativos e genocidas, mas com o passar do tempo e sucessivas derrotas, a máquina estatal incluiu essas lutas, assim como muitas das lutas laborais vitoriosas, transformando-as em benefícios e direitos garantidos pelo Estado. Com essa inclusão elas foram engolidas pela dominação. Ao serem parte dos parâmetros estatais, cada vez que existisse um descontentamento ou um contexto opressivo a mais, essas causas, que já viraram demandas por reformas dos novos direitos, fazem com que os atos antes rebeldes virem parte da agenda estatal: o truque mais engenhoso do sistema segundo Teodore Kaczinsky. Também Alexandre Samis, historiador e anarcosindicalista desta região aponta estes mecanismos: “Os anarquistas antes lutavam por direitos, e hoje lutam para que estes direitos não continuem sendo retirados”, o que quer dizer que se antes se lutava por aquilo que não existia nas leis, por aquilo que era o impossível, pela liberdade e dignidade sempre alheios ao Estado, hoje se luta por maiores ou menores “privilégios”, outorgados pelo próprio Estado, o que termina referenciando até a rebeldia nos termos dele.

Sabemos que incluir a rebeldia na agenda de algum ministério ou ONG só a mata mediante golpes graduais, transformando-a em grito vazio. A revolta jamais pode ser contida nas regras da repressão.

Consequentemente, a procura duma vida livre e pronta para responder com braveza a toda a opressão, precisa ser mais vigente do que nunca.

Precisamos ter a sagacidade de perceber as engrenagens da dominação. E para isso, pode ser saudável desbancar algumas propostas como a luta pelos direitos, pelo empoderamento, ou pela democracia direta, que referenciam seus parâmetros de luta a partir de parâmetros instituídos pelo próprio Estado.

Entendemos que quando se defende estar lutando pelos direitos, se defende também o poder judiciário (cuja função é cuidar dos direitos mediante o controle, julgamento e punição), o poder legislativo (encarregado de fazer as leis e delimitar o que é crime), o poder executivo (que faz que isso tudo aconteça),  e a figura do cidadão (proprietário, ou em caminho de ser-lo, trabalhador, com vários juros a pagar, espiado com todos, sonhando com o novo aparelho para comprar), ou seja, se defende e validam os pilares da construção estatal.

Com o empoderamento acontece uma coisa similar aos direitos: Em 1977, o psicólogo norte-americano Julian Rappaport cunhou o termo “empowerment”n a partir da palavra “power” (“poder”) para defender que era preciso dar ferramentas a certos grupos oprimidos para que eles tivessem condições e autonomia de se desenvolver. O educador brasileiro Paulo Freire criou sua versão do termo para debater a proposta de Rappaport: para ele, eram os próprios grupos desfavorecidos que deveriam empoderar-se a si próprios, uma noção que se tornou popular entre educadores e sociólogos e em alguns movimentos. Atualmente a idéia do empoderamento é usada pela ONU (Organização das Nações Unidas), pelo Banco Mundial e o PNUD (Plano de Desenvolvimento das Nações Unidas) sobretudo para se referir aos avanços nos direitos e na inclusão das mulheres, assim como para orientar seus planos de ação. Não necessitamos sermos muito sagazes para ver que lutar pelo empoderamento virou ser uma parte da agenda governamental e das ongs internacionais.

A crítica à democracia, por sua vez, as vezes aponta na valorização da democracia direta como resposta contra formas distorcidas da democracia, ou contra a democracia burguesa. Cabe salientar, inicialmente, que a democracia direta refere só a uma forma de tomada de decisões, e não à escolha de líder. O antagonismo anárquico refere a uma expressão mais ampla da liberdade: formas de vida autônomas, expressões de luta contra a dominação, solidariedade, e mais. Já a riqueza das formas coletivas de tomada de decisões, para os inimigos da dominação, tem pelo menos duas fontes: por um lado os acordos livres, a tomada de decisões coletivas, às vezes simplesmente um acordo para determinada tarefa, e outras vezes com uma projeção maior como as sociedades e coletividades. Por outro lado, as formas de tomar decisões das múltiplas formas de vida não ocidentais, valorizam a confiança duns nos outros para realizarem planos coletivos e individuais, são grandes acordos para fazer algo baseados principalmente nas decisões coletivas, que não recorrem à votação para chegar num acordo.

O uso dos referentes legais e reconhecidos pela instituição estatal, para alguns, pode ser uma estratégia para se aproximar de outros movimentos de luta, com a intenção de serem mais fortes quantitativamente, mas esta estratégia provoca uma contradição profunda no coração das propostas anti autoritárias: tentar unir o poder e o direito, com a anarquia, e a difusão de uma idéia de anarquismo que, através desses parâmetros de luta, toleraria parte dos pilares essenciais do Estado: os direitos, a cidadania e a democracia.

É suficiente com não votar?

Não dizemos que exista uma via certa ou única de luta contra a dominação, o que questionamos é o caminho democrático como estratégia… uma estratégia condenada ao fracasso se o que se quer é viver sem mandar nem sermos mandados, pessoal e coletivamente. Temos a permanente necessidade de dar confronto à dominação, e não vai ser nos aproximando dela que consigamos erradicá-la. Precisamos perder o medo do novo, do estranho, do ilegal, e entender que para além da democracia e as eleições, está, não a ditadura e a escolha de militares, está a vida sem donos nem chibatas, e claro, está também o perigo, formoso, de sermos os únicos responsáveis do que nos aconteça.

Cabe nos perguntar, de novo então, se para essa vida é suficiente com nos afastar do sistema democrático parlamentar, é suficiente com não votar? Pode se deixar que mais um seja o «elegido»?

Historicamente, a resposta anarquista diante da política estatal, partidária, e em consequência democrática, foi a vivência de uma política baseada na camaradagem comunitária, e não no medo, nem na imposição duma maioria. Ao mesmo tempo, sabemos de povos inteiros que delegam nada, da sua vida, para ninguém. Estes exemplos de povos e pessoas que não responsabilizam o estado, o governo, nem a igreja de todo o que acontece na sua vida, pelo contrário, que lutam para não serem dependentes, são antecedentes da vida que  existe nas margens da máquina estatal. E isso, abre caminhos para nós.

Em consequência, a resposta anarquista para o sistema estatal, que controla e se baseia na submissão, complementou-se com a aniquilação das instituições, auto reprodutoras da hierarquia, para que elas jamais consigam se apropriar da luta pela  autonomia.

Por isso, não basta com não votar, é preciso sabotar e esculachar a democracia, e suas engrenagens.

Somos seres que ansiamos a liberdade e a enxergamos para além dos falsos abraços inclusivos do poder, não temos donos nem obedecemos aq poderoso nenhum. Ainda mais, não queremos mandar sobre ser nenhum. Nos encontrando, nesse afã, com o intuito de ser uma força capaz de desestabilizar à dominação, nos parece importante não serenar nosso total rechaço à autoridade. Não delegar nossa vida, com suas altas e baixas, a ninguém. Não poder culpar ninguém de nossas angustias e que ninguém  possa se apropriar de nossas vitórias. Caminhar de cabeça erguida, seguros das nossas decisões e ações pois elas vem de nosso mais profundo sentir, não de programas impostos pelos que querem dominar. E isso, nos situa não como defensoras dos direitos, mas como os inimigos dos governantes, do sistema eleitoral e de cada um dos partidos e cargos institucionais.

Essa procura pela liberdade, esse anseio de autonomia, de sermos ingovernáveis, com certeza traz problemas, problemas para os governantes e para os poderosos, que se esforçam por esmagar estas procuras há séculos e não tem sucesso. Os problemas que a procura pela absoluta liberdade traz aos governantes, não se iniciaram com a ditadura nem pararam com a democracia.

Primavera 2018. Porto Alegre.
Texto retirado da Crônica Subversiva n° 2.
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[USA] Fire Ant: Solidariedade Prisioneiro/a Anarquista #1

Fire Ant é uma nova publicação focada em espalhar as palavras de prisioneirxs anarquistas e gerar solidariedade material para xs nossxs amigxs presxs. Iniciada como colaboração entre prisioneirxs anarquistas e anarquistas no Maine, a Fire Ant procura estruturar ajuda material para prisioneirxs anarquistas enquanto promove a comunicação entre anarquistas de ambos os lados dos muros.

A Edição # 1 contém escritos de Michael Kimble, Jennifer Gann, Eric King e Sean Swain, bem como um texto em solidariedade com Marius Mason.

Se quiser apoiar a Fire Ant e os esforços mais amplos em solidariedade com xs prisioneirxs anarquistas, era favor imprimir e distribuir esta publicação ou doar para o Fundo de Guerra dxs Prisioneirxs Anarquistas da Cruz Negra de Bloomington.

O coletivo da Fire Ant pode ser contatado por carta para:
Fire Ant
PO Box 164
Harmony, ME 04942
EUA

Edição #1 (inglês)

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em inglês

Santiago do Chile: Sai o nº 26 do boletim “La Bomba”

Distintos contextos agitam o começo do ano no território chileno, destacando-se os ataques no território central e sul no âmbito da visita papal – cuja ênfase se encontra na polémica dos bastardos do clero e as denúncias de abusos destes – bem como a tão ansiada visita à “zona vermelha do conflito mapuche” por parte do Papa.

Mais de 10 mil milhões de pesos são disponibilizados para tornar a visita possível, a imprensa gere o seu respectivo espetáculo e os lacaixs preparam a festa. Assim, a zona centro e sul também reage à visita, recebendo o bastardo com múltiplos ataques contra igrejas, enquanto a polícia se encontra em alerta e a imprensa mostra as ameaças deixadas nos diversos atentados.

Contudo, os ataques contra instituições eclesiásticas de laias diferentes são uma constante, tanto na história recente como na distante. A título de exemplo, até Outubro de 2017 foram 27 as igrejas incendiadas na Araucanía, entre elas algumas católicas e evangélicas, e os ataques registados na última década – oriundos de uma práxis anti-autoritária / anárquica – foram múltiplos, tal como na história anarquista desde os inícios do século XX.

Existiram razões de sobra para isso. A implantação violenta do catolicismo na América Latina deixou os seus resíduos até à atualidade – dito doutro modo, a opinião da igreja ainda continua a ser respeitada nos estados laicos, espargindo o seu poder, sem interrogações, assimilando e transformando todos os resíduos culturais e sociais que existissem até à sua chegada, para aumentar o seu império. No caso da igreja evangélica, e no seu pranto eterno por ser relegada, encontramos a sua missão mais ambiciosa na intervenção dos espaços “excluídos” da sociedade lá nas cidades, semeando o arrependimento e a culpa tal como a homofobia e o “entorpecimento mental”. Sendo esta uma opinião superficial e breve, seria possível esgrimir milhares de outras razões.

Ao exposto anteriormente, junta-se o espaço da violência política e das ruas, que pode ser amplo, diversificado e se manifestar em múltiplas oportunidades. Diversos grupos e individualidades confluem sob diferentes circunstâncias, tal como o que aconteceu em reacções espontâneas ou vontades enraizadas, transbordando a passividade, tendo como factor comum a subversão factor comum a subversão nas ruas.

Durante este período, uma semana de agitação foi realizada em memória de um pequeno subversivo que tombou. Um espaço é dedicado a Javier Recabarren – desta vez para comemorar os três anos passados sobre a morte desse companheiro anarquista – cuja vida transcorreu entre a amplitude da insurreição nas ruas,fazendo eco dos seus pensamentos e convicções.

No contexto desta nova chamada à sua memória, resgatamos as diversas ações desenvolvidas e que deixaram reflectidas nesses lugares as ideias que motivaram e acompanharam a vida e luta do companheiro. Luta que além disso continua presente, continuando a expandir-se aqui e agora e seguramente para sempre, apesar das lamentáveis perdas de valiosxs companheirxs.

As ações que se agruparam nesta ocasião, tal como o ocorrido em edições anteriores, mostram como se concentram motivações e convocatórias heterogéneas numa mesma escala temporal, dando luzes da presença subversiva/insurrecional/anti-autoritária no território dominado pelo Estado chileno. Esperamos, também, que as expressões dos distintos grupos sejam de utilidade para estimular a discussão e retro-alimentação, impulsionando novas iniciativas.

Editorxs do Boletim “La Bomba”.
Março 2018, Chile.

Clica aqui para ler/descarregar a publicação.

em espanhol

Santiago do Chile: Sai o nº 25 do boletim “La Bomba”- Projeto Nemesis

{Edição Especial} Projeto Nemesis.

Falar da CCF é falar de convicção revolucionária, é falar de novas formas de dar vida às ideias anarquistas. É práxis contra o mundo decadente, contra os poderosos, aqueles que dirigem as vidas de milhões de pessoas em todo o mundo, contra o capital e tudo o que cheire a poder. Trata-se de ataque – um ataque digno e ilegal desenvolvido de forma progressiva – sob uma nova visão de guerrilha.

A nova guerrilha urbana em território grego instalou na opinião pública a recusa ao modo de vida imposto, aos seus valores e lógica, o jogo da Imprensa por segurança apressou-se a minimizá-los e/ou silenciá-los (da mesma forma que aconteceu e ainda acontece no nosso território), mas o CCF atingiu de tal forma que não importa o que diga a élite grega, os seus media ou quem quer que seja. A prática da nova anarquia está aí, está viva e só resta posicionar-se: de um lado a subordinação e do outro a busca da liberdade.

Uma busca de liberdade em que só cada um dos membros saberá quando começou a traçá-la, o que se sabe publicamente é que a CCF nasce em Janeiro de 2008 – e daí em diante foram mais de 300 os atentados da mais diversa envergadura contra estruturas financeiras, policiais, judiciais, casas de políticos e um longo etc. em território grego – o medo mudou de campo, os poderosos já não se podiam manter tranquilos, seguramente que nojentas polícias procuravam dia e noite xs executorxs daqueles atos, atos esses que punham em causa a segurança interna.

Por outro lado, as ideias e atos de guerrilha levados a cabo pela CCF começaram a cruzar fronteiras, e claro, chegaram rapidamente ao nosso país, tal como a muitos outros. Sempre que membros da organização foram detidxs novas propostas chegavam a diversos lugares, a luta não acabava na prisão, esta tornava-se um novo campo de batalha. Os poderosos e os media de certeza que festejaram o suposto fim da CCF – supunham que a prisão seria o suficiente para apaziguar a ação anarquista, no entanto com o tempo ficou claro que as ideias fluíram novamente, saíam da prisão e materializavam-se em comunicados, livros, revistas e supostamente em ações da mais diversa índoles em diversos países (o Chile, por exemplo) enquanto que na Grécia renascia novamente nas ruas, com uma conspiração que procurava dar continuidade ao projeto da nova guerrilha urbana.

De aí em diante – com prisioneirxs nas prisões de máxima segurança, com perseguições e extorsões a familiares, difamações, através de extensos julgamentos que procuravam condenações eternas, com prémios sobre as cabeças dxs clandestinxs, com outrxs companheirxs que continuam nas ruas – a CCF não terminou e isso ficou demonstrado através de uma nova proposta internacional na qual se  procura atentar contra o meio envolvente pessoal do inimigo: o Projeto Nemesis.

Assim, a CCF começou por fazer voar um explosivo na casa da procuradora do Ministério Público Georgia Tsatani e lançando a sua proclamação. As ideias chegaram ao nosso território e alguns grupos de ação anarquista responderam. Uma bomba falsa semeou o pânico numa Villa Militar, recinto onde vivem membros das Forças Armadas. Posteriormente uma bomba incendiária queimou o acesso da Associação de Funcionários do Poder Judicial. Por outro lado, da Grécia para a Alemanha, a CCF voltaria a causar estragos, através do envio de uma carta-bomba ao Ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble. A quinta e última ação de que temos conhecimento é a de uma bomba incendiária que danificou a Confederação de Donos de Camiões (Chile).

Nesse sentido, querendo promover a expansão das ideias e ações da CCF à volta desta proposta internacional e por conseguinte as ideias e ações dos diversos grupos que a ela responderam – e como não – dos 10 anos passados desde a aparição daquele grupo armado grego, demos corpo a este boletim especial.

O nosso trabalho é uma modesta contribuição da propaganda que temos vindo a realizar desde 2012, sob o nome “La Bomba”, um boletim cujo objectivo é que não se percam as contribuições em torno do ataque anarquista no Chile; é por este motivo que continuamos a criar um arquivo tanto on-line como material, de modo a que estas iniciativas continuem a ter difusão e possam ser lidas em qualquer parte do mundo.

Editorxs do Boletim “La Bomba”.
Janeiro 2018, Chile.

Clica aqui para ler/descarregar a publicação.

em espanhol

[Brasil] Fagulha nº5 – Chamado para colaboração

recebido a 12.06.18

Estamos de volta! E já começamos a arquitetar a 5ª edição de Fagulha. Gostaríamos de abordar temas atuais como a repressão a anarquistas na América Latina, efeitos e possibilidades abertas com a greve dos caminhoneiros, Revolução em Rojava, e também temas gerais como autonomia na tecnologia e cultura de segurança, permacultura, cuidado, história passadas de resistência, sugestões de livros e filmes, etc.
Quer ajudar a construir essa edição? Envie um texto sobre um desses temas ou sobre qualquer outro que você ache que possa se encaixar em Fagulha. Fecharemos essa edição no dia 20 de setembro.

Envie suas colaborações para fagulha@riseup.net ou através da nossa página de contato em https://fagulha.org/contato/

Porto, Portugal: Programa do 1º Encontro Anarquista do Livro – 4 a 6 de Maio

O Encontro Anarquista do Livro realiza-se nos dias 4, 5 e 6 de Maio de 2018, no Porto, e constitui um espaço de afirmação da dissidência, de intercâmbio de ideias, experiências e materiais, e de fortalecimento de redes de afinidade.

Programa completo:

Continuar a lerPorto, Portugal: Programa do 1º Encontro Anarquista do Livro – 4 a 6 de Maio

Primeira parte da publicação contra-informativa RAJADA

Material recebido a 18/4/2018:

A primeira parte da publicação contra-informativa RAJADA está pronta.

A publicação RAJADA não está alinhada com a visão predominante da sociedade.

Esta publicação reúne algumas palavras dirigidas na contra-mão do sistema e sobretudo das pessoas que o mantém funcionando.

Na capa, André Soudy, da “gangue Bonnot”, guiliotinado por negar pedido de clemência ao estado francês.

PARTE UM:

“HOJE POR HOJE” por Sebastian Oversluij

“ANARQUISMO INDIVIDUALISTA” por S.E. Parker

“UMA NOTA SOBRE AUTORIDADE” por Enzo Martucci

“LIBERDADE E SOLIDÃO” por Marilisa Fiorina

“ICONOCLASTAS, AVANTE!” por Renzo Novatore

”ANTES DE DORMIR” por Mauricio Morales

Em memória de Paul Z. Simons

Para ler e descarregar a RAJADA clica aqui.

[Madrid] Antonio Morillo permanecerá sempre na nossa memória anarquista

Morillo, a Luta continua CNT-AIT

Antonio Morillo, um anarco-sindicalista ligado à seção de limpezas do Metro de Madrid, morreu em casa antes de completar 40 anos, deixando para trás uma filha de 4 anos e o amor da sua vida.

Gostaríamos de lembrar este companheiro que foi sempre firme e combativo na luta contra os patrões. “Não pode haver paz social até que a emancipação das trabalhadoras e dos trabalhadores seja alcançada”

Ele permanecerá sempre na nossa memória anarquista.

Saúde e Raiva

Fonte: A edição nº8 de “Amotinadxs”, de Abril, (folha de informação mensal do Local Anarquista Motín, de Madrid), recebida em 9.4.2018.

em alemão l inglês

[Santiago, Chile] Lançamento do livro: Louis Lingg. Já o devem saber pelos estrondos

Lançamento do livro: Louis Lingg. Já o devem saber pelos estrondos. Memória insurreta: Origens do 1º de Maio e a vida de um dos seus protagonistas

Em que dia? 5º feira, 5 de Abril 2018
A que horas? 19:00
Onde? Avenida Brasil 658, Santiago Centro*Vídeos
*Lançamento-conversa
*Venda de rifas e comida em solidariedade com Juan Aliste Vega e a sua situação médica.

Louis foi um anarquista alemão que, após imigrar para os Estados Unidos, participa em diversas lutas, greves e círculos de ação anarquista. É detido após os acontecimentos do 4 de Maio de 1886, na Praça Haymarket, sendo processado por conspiração e morte de vários polícias. Por fim é condenado à forca, juntamente  com mais quatro anarquistas.A 10 de Novembro, um dia antes da data da sua execução, Louis decide suicidar-se mediante explosivos, no interior da sua cela. Em homenagem aos quatro anarquistas mortos pelo Estado e em memória da grande repressão que se seguiu às mobilizações por uma jornada laboral de oito horas é que se comemora até aos nossos dias o primeiro de Maio como o “Dia internacional dxs trabalhadorxs”.

Neste livro resgatamos a história de Louis Lingg, um dos anarquistas (protagonista deste processo) que tem sido mais esquecido.

“Repito que sou inimigo da “ordem” atual e repito também que, com todas as minhas forças e enquanto me restar um alento, a vou combater (…) digo-lhes: Desprezo-os!; desprezo a sua ordem, as suas leis, a sua força, a sua autoridade! Enforquem-me!
–Louis Lingg-

***Ficha técnica do livro***
Título: Louis Lingg. Já o devem saber pelos estrondos. Memória insurreta: Origens do 1º de Maio e a vida de um dos seus protagonistas.
Autor: Colecciones Memoria Negra
Editorial: Colecciones Memoria Negra
Preço: $4.000
Páginas: 198 com Ilustrações.

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* Companheirxs de Bibliotecas e editoras: Para as editoras que queiram distribuir este livro, assim como para as bibliotecas às quais podemos doar algum exemplar contatem-se particularmente – antes de assistirem – para  se coordenar entregas durante a atividade.

*Companheirxs prisioneirxs da Guerra Social: As visitas e íntimxs de cada companheirx na prisão que nos escrevam e avisem-nos para coordenar a entrega de uma cópia do livro para xs compas encarceradxs e efetivamente esta chegue às mãos do/a compa.

Colecciones memoria negra
www.coleccionesmemorianegra.wordpress.com
coleccionesmemorianegra@gmail.com

Avis de tempêtes #3 – jornal anarquista para a guerra social acaba de sair

https://pt-contrainfo.espiv.net/files/2018/04/Avisdetempetes3.pdf
Clica na imagem para descarregar o pdf (francês)

O GRANDE DESAFIO

Para ler, imprimir e difundir este pequeno jornal à sua volta (em formato A5 e são 20 páginas), pode encontrar cada novo número a cada 15 dias, assim como os anteriores, no blog:

avisdetempetes.noblogs.org

“Nada parece escapar à reprodução social, nada parece ser capaz de se opôr ao eterno retorno ao mais mortal dos hábitos: o poder. As greves selvagens que param após a concessão de algumas migalhas, os protestos populares a que só falta a satisfação de sua reivindicação serena para se tornar consenso de massas, a abstenção política que se precipita nas urnas ao apelo de novxs políticxs, revoluções sociais triunfantes quando recebem uma mudança de custódia … “Foi  preciso a rotina contrair dentes longos para nós aparecermos por aí!” costumava dizer um velho surrealista.

em francês

Madrid, Espanha: Sai a publicação anarquista “Infâmia”

Na época da Antiga Roma, a infâmia era a degradação da honra civil. O afetado por ela deve ter levado a cabo um ato desonroso ou vil para acto contínuo ser desacreditado por um censor, que lhe outorgava a categoria de infame. Dessa forma o afetado não podia aceder a cargos públicos ou votar nas eleições, o que limitava as suas faculdades sociais e jurídicas.

A lei romana reconhecida dois tipos de infâmia de acordo com as suas causas. A infâmia iurs é uma consequência de uma fraude ou alguma ação dolosa. A infâmia facti era decretada quando a pessoa desenvolvia um ato contrário à ordem pública, moral ou de bons costumes.

É com este tipo de infâmia que nos sentimos identificadxs, aquela que orgulhosamente reivindicamos, pois que tarefa, ação ou estratégia claramente anarquista não se enquadra na definição de “um ato contrário à ordem pública, à moral ou aos bons costumes”?

Se a sua ordem pública se baseia no exercício de uma violência (explícita e simbólica) para nos forçar a agir contra os nossos interesses e a favor dos benefícios dos assassinos e exploradores, rebelamos-nos contra ela e declaramos-nos infames. Se a sua moral a única coisa que defende é a propriedade privada (o conceito sob o qual a pilhagem da vasta maioria dxs despojadxs e oprimidxs é realizada através da acumulação dos meios de subsistência em algumas poucas mãos privilegiadas), rebelamos-nos contra isso e declaramos-nos infames. Se os seus bons costumes nos amarram à hierarquia social, convertendo-nos em seres humanos de segunda classe, rebelamos-nos contra ela e declaramos-nos infames.

Por isso nasce esta publicação. Para estender a chama da infâmia e da desobediência. Para lutar pela anarquia.

Para ler mais e descarregar clica aqui.

em espanhol

Santiago, Chile: Panfletos em memória do companheiro anarquista Javier Recabarren

Uma vida curta em revolta vale muito mais do que cem anos de submissão. Javier Recabarren presente!

 18/03/2018. Pegamos neste pequeno panfleto, em memória do companheiro Javier, começamos a lançá-lo pelos ares nas ruas da podre cidade de Santiago. Um gesto mínimo de memória pela sua revoltosa vida, da qual somos afins.

* * *
Javier Recabarren, rebelde anarquista de 11 anos de idade, falece ao ser atropelado por um autocarro da locomoção coletiva em Santiago de Chile a 18/03/2015.

Nós, seus/as companheirxs, continuaremos a segui-lo, recordando-o nas lutas cotidianas pela libertação total – libertação animal, humana e da terra. Em cada encapuçadx, em cada barricada incendiária, em cada ataque à polícia, em suma em qualquer transbordo anticapitalista, estará presente.

Javier Recabarren Presente!
Juventude Combatente, Insurreição Permanente!

em espanhol

Espanha: II Punhalada no nacionalismo. Recompilação de textos anarquistas

[Fanzine] II Punhalada no nacionalismo

Já se encontra disponível a segunda parte desta coleção recompilatória de textos anarquistas contra o nacionalismo. Neste segundo número, podem ser encontrados os seguintes textos:

Cartas contra o patriotismo dos burgueses

Patriotismo, uma ameaça para a liberdade
Perplexidades intempestivas

Nenhum Estado nos tornará livres

Comunicado anarquista para os que apoiam o Congresso Nacional Indígena

Destrói as barreiras

Pode ser descarregado aqui o pdf  – ou ser encontrado em distribuidoras, locais e centros sociais de diversos pontos do Estado Espanhol. O seu preço de venda ao público é de 2 euros, sendo 1,5 euros o preço de venda a distribuidoras. Para realizar pedidos (ou mandar propostas de textos para futuros números) escrever para o seguinte mail: grupotension@inventati.org

Introdução

Existe no Poder uma firme vontade de incentivar a exaltação do nacionalismo, aproveitando-se da confusão. Poderia parecer sem intenção a existência de uma multitude de definições, argumentos que se contradizem ou as interpretações que rodeiam conceitos como nação, pátria, independência, auto-determinação ou povo, mas não é.

É gerada assim uma estranha nebulosa onde um líder liberal e direitista se torna uma represália política, como representante de uma comunidade nacional, que sob a legitimidade democrática foi dotado de uma República como concretização desse projeto de nação. E aqueles que recentemente cercaram a mais alta instituição daquela nova república, o Parlamento, como alarido contra um governo autónomo que comandou as medidas neoliberais, com a velha desculpa da crise, agora aclamam e vitoriam os seus líderes. Do outro lado da mesma moeda encontramos-nos com os – na aparência – inofensivos trapos que ondeiam em edifícios públicos,mobilizam paixões e massas e dão pé e espaço ao fascismo, que se encontra como Pedro por sua casa num contexto de tensão nacionalista.

O nacionalismo sempre lá esteve, está sempre lá. É por isso que é tão simples acordar em certos indivíduos, especialmente nos explorados, o sentimento de identidade, porque já anteriormente existiu um processo de reprodução social e naturalização do nacionalismo nos media, no sistema educacional, no desporto, nas tradições … unindo tudo isso às mentiras propagadas pelos políticos e jornalistas que nos asseguram que o nacionalismo, ou bem que era uma coisa do passado ou bem que era uma causa das periferias globais, apenas seguida por alguns fanáticos e extremistas.

Tudo isso afirmado sob a firme vigilância do padrão nacional. A nebulosa.

É importante apontar direta e claramente se quisermos descobrir o monstro que se camufla sob identidades nacionais: ao estado e ao capitalismo, os ricos e poderosos que jogam a velha carta nacionalista. Que sirva esta segunda facada no nacionalismo, na forma de diversos textos anarquistas, como uma ferramenta para atacar o calcanhar de Aquiles da besta.

Morte às nações e que viva a anarquia.

contramadriz

Porto, Portugal: Erva Rebelde número Dois

Erva Rebelde número Dois
Passados cem anos, grande parte dos mitos do comunismo da Rússia soviética foram derrubados e as suas atrocidades desvendadas. Mas reduzir o que aconteceu na Rússia, no início do século vinte, a uma data em particular, a alguns nomes conhecidos e algumas decisões políticas descarta o importante legado da experiência de um movimento popular, da natureza da sua organização e práticas, do impacto que teve nos meios anarquistas e do consecutivo debate que se iniciou entre plataformistas e sintetistas, entre método insurreccionalista e método sindicalista. Talvez possa parecer anacrónico ou nostálgico, quiçá até será! Mas pouco importa ao desafio que se fez o colectivo Gera, porque lhe permitiu remexer na História para falar do pequeno povo, das suas lutas e mortes, revisitar um importante movimento popular e fazer uma recolha histórica dando relevo às anarquistas e aos anarquistas da Rússia desde 1880.

Entendemos a revolução russa como uma mudança profunda que se construiu no seio da sociedade e que se desenvolveu a partir do final do século dezanove. Foi um movimento popular de descontentamento e sofrimento com aspirações à liberdade e dignidade que levou ao movimento insurreccional contra o poder do Czar em 1905 e à sublevação popular que antecipava alterações profundas nas estruturas sociais, políticas e económicas em Fevereiro de 1917.

Assim, este número da Erva Rebelde dedica-­se exclusivamente ao tema da revolução russa, não para trazer novamente os grandes nomes da História, mas para visitar os outros nomes destas histórias da História. Aquelas pessoas que se envolveram nas actividades anarquistas de 1903 a 1917, aquelas que morreram em 1905, as que foram fuziladas, assassinadas, deportadas, exiladas, as que voltaram com a miragem de uma possibilidade em 1917, as que morreram na Grande Guerra 1914-­1918 ou na guerra civil de 1917-­1921, todas as que pereceram ou sofreram por acreditar num ideal anarquista. Este número da Erva Rebelde apresenta textos de reflexão, traduções, notas de leituras, mas também uma separata composta apenas por mulheres que empreenderam um trabalho de investigação e escrita criativa sobre anarquistas russas, intitulada “O Manuscrito encontrado na Utopia”. Contém, além disso, um DVD com documentos (uma cronologia, uma bibliografia, um índice biográfico e outros textos), várias pastas de imagens (fotografias, gravuras, mapas, pinturas, retratos), vídeos e ficheiros de som.

Erva Rebelde número Dois em pdf  aqui

ervarebelde.noblogs.org

Avis de Tempêtes [Aviso de Tempestades] – boletim anarquista para a guerra social nº2 acaba de sair

Para ler, imprimir e difundir este pequeno boletim (em formato A5, com 16 páginas), é possível encontrar cada novo número todos os dias 15 de cada mês, bem como os precedentes, no blog: avisdetempetes

“Aos olhos do poder, parece que sermos espiadxs o tempo todo pelas suas altas esferas ou que ser flashadxs por cidadãos-delatores não é suficiente: além das 10 000 câmaras de vigilância anunciadas até 2019 (operação «Vá, enche a câmara!»), os 110 000 tablets e smartphones NEO da polícia e da guarda implantados até 2020 arriscam acabar por obstruir completamente o nosso campo de visão.

A menos que possamos fazer algo para o remediar, já que quando o controlo neo-policial se torna tão simples como clicar no botão de uma máquina fotográfica ou das aplicações de um smartphone, com ligação directa a bancos de dados, é na interacção entre o real e o virtual que reside a principal fragilidade da sua arquitectura.”

original em pdf aqui

 

em francês

Bra$il: Roda de conversa em solidariedade, contra a Operação Erebo – 04/03 – em S. Paulo

recebido a 28.02.18

No domingo (04/03), às 16 horas, haverá uma roda de conversa em solidariedade com xs anarquistas perseguidxs na região sul do território dominado pelo estado brasileiro.

O encontro acontecerá no “centro de cultura social”, no centro da cidade de São Paulo.

Durante nossa conversa, haverá leitura de contra-informativos e troca de ideias afins.

Para isto, preparamos um livreto com alguns dos textos escritos sobre o assunto. O material está disponível em português, espanhol, inglês e italiano para difusão gratuita.

Da leitura… à cumplicidade…
TDF

em pdf (clica no idioma para descarregares)  português, espanhol, inglês, italiano

[Brasil] Publicação informativa sobre a Operação (Anti-anárquica)Erebo em Porto Alegre – Um convite para o debate

recebido a 01.03.18

Vimos uma iniciativa, que chama à ofensiva e aviva nossos impulsos e instintos.
Assim, respondemos ao chamado de Agitação contra a Operação (Anti-anárquica)Erebo em Porto Alegre – Um convite para o debate, desde a tocaia, na propagação de reflexões.

“Sentimos a necessidade de trazer o tema da Operação Erebo para a troca de ideias- anárquica e Anarquista – pois o tema parece observado através de um vidro embaciado. Não fica claro quais os alvos da Operação, suas repercussões, a situação dos anárquicxs atingidxs e nem se fala do que poderíamos apreender dessa experiência. Assim, achamos que há vários pontos que valem a pena serem reflectidos. E esta publicação é a ferramenta que nos parece que pode ajudar a desembaciar alguns aspectos. Com essa intenção reproduzimos alguns textos e compartilhamos nossas reflexões. Trazemos estas reflexões, dentre várias perspectivas, a partir da visão com a qual nos sentimos mais próximos. Mas, não se trata somente de afinidade ou cumplicidade, trata-se também da necessidade de afincar na reflexão sobre a informalidade anárquica no território controlado pelo estado brasileiro.

Dentro das diferentes formas de viver o anarquismo e procurar a anarquia, o ataque informal anárquico está sendo omitido das reflexões e debates. Não podemos imaginar se isso acontece porque “não se sabe” dos ataques, porque “não se quer falar disso” ou porque algumas tendências anarquistas têm criado uma linha quase única de pensamento ácrata. O que está claro é que pouco ou nada se debate sobre o tema. Isto nos estranha já que, sendo anarquistas como somos, as práticas subversivas de confrontação contra a dominação teriam que estar entre os temas favoritos de nossas conversas.”

publicação em pdf  aqui

[Espanha] “I Punhalada no nacionalismo” – fanzine

Já está disponível a 1ª parte desta colecção de recompilação de textos anarquistas contra o nacionalismo. No primeiro número podem encontrar textos sobre os seguintes temas:

– A pátria

– O nacionalismo como religião política

– Multi-culturalismo, capitalismo e nacionalismo

– Espaço, território e cultura

– Nação e nacionalismo: o atractivo manjar envenenado

– Estratos de “O persistente atractivo do nacionalismo” de Fredy Perlman

– Diferenças entre nacionalismo e anarquismo

– Catalunha no contexto do movimento populista

– Algumas considerações sobre a situação actual na Catalunha e a actuação dxs anarquistas

– Sobre a tríade, pátria, independência e estado

Podem descarregar aqui o PDF ou encontrarem-no nas distribuidoras, locais anarquistas e centros sociais de diversos pontos de Espanha. O preço de venda ao público é de 2 euros, sendo 1,5 euros o preço de venda a distribuidoras. Para realizar pedidos (ou enviar propostas de textos para futuros números) escrever para o seguinte mail: grupotension@inventati.org

Deixamos aqui a introdução

Um vez mais voltou a passar por aqui. Nesta altura nem faz sentido qualquer surpresa. Vivemos um processo de repressão, exploração e miséria material em crescendo. E novamente a burguesia conseguiu canalizar toda a raiva que isso poderia vir a gerar. Voltaram a adiantar-se. Após o 15M, conseguiram resgatar um antigo canto de sereia, apto para revoltosos e acomodados, com capacidade para seduzir tanto a mais aguerrida das militantes revolucionárias como o casposo mais reaccionário que possas imaginar.

Damas e cavalheiros, permítam que lhes apresentemos o nacionalismo.

O nacionalismo é jovem. Sabemos que não o parece. Se olharmos para trás parece até que anda connosco desde o princípio dos tempos. De facto, é isso que os seus amigos mais próximos querem que acreditemos. No entretanto sabe-se que nasceu há pouco tempo ainda, no seio de uma família numerosa mas muito bem estruturada. Os seus amorosos progenitores são tanto o Estado como o Capitalismo que o decidiram engendrar quando a sua irmã, a burguesia, acedeu ao poder.

O nacionalismo é atraente. Tem um não sei quê que conquista, que agrada tanto aos próprios como a estranhos. A sua última grande façanha foi ter atraído a esquerda – que tradicionalmente tem apoiado o internacionalismo. A verdade é que – se nos pusermos a pensar bem – nunca se conformou com isso. Conseguiu até a proeza de ver certos sectores da chamada “esquerda radical” apoiarem coisas que até há pouco tempo custava a acreditar ser possível, como os mossos (bófia da Catalunha). Ou que vejamos anarquistas convocando para votar num referendo ou a defender a democracia.

O nacionalismo é oportunista. Chegado o momento, não hesitará a deixar de lado a todxs xs que conseguiu que o apoiassem. Todxs xs oprimidxs e  exploradxs que agora mesmo estão a encher a boca com a “independência do capitalismo e do estado. E que continuarão a sofrer se a Catalunha se tornar independente. Ou se a Espanha mantiver a sua sacrossanta unidade.

Uma vez dito tudo isto sobre o nacionalismo, demos-nos conta que não gostamos disso. Não só isso, mas que acabamos por compreender que é nosso inimigo e que temos que nos livrar dele. Nós o queremos morto e enterrado. Esperamos que este fanzine possa ser a primeira punhalada de muitas que o conduzam à morte.

Não queríamos terminar sem dedicar algumas palavras a Rodrigo Lanza, recentemente preso como consequência da morte de um neonazi em Zaragoza. Preso como resultado do aumento do nacionalismo do Estado espanhol, que não hesitou em utilizar o seu caso para apontar, reafirmar e reforçar o seu próprio nacionalismo frente ao catalão. Porque a luta contra o fascismo é sempre uma autodefesa, enviamos-te muita força e apoio, companheiro.

em espanhol

[França] : Surge uma nova publicação – Avis de tempêtes

Acaba de sair uma nova publicação: Avis de tempêtes [Tormentas à vista] boletim anarquista para a guerra social.

Para ler, imprimir e distribuir à sua volta este pequeno boletim (em formato A5, tem 12 páginas) – pode ser encontrado um novo número a 15 de cada mês, bem como os anteriores, no blog: avisdetempetes.noblogs.org.

“Recomeçar, sempre. Esta é a sorte (que pode parecer um pouco trágica) de todxs aquelxs que se encontram em guerra contra este mundo de horrores infinitos. Ao longo do caminho alguns e algumas tombam, outros e outras não resistem às sirenes que apelam à resignação e a entrar nos eixos, a virar completamente a casaca. Outrxs, aquelxs que persistem em lutar entre altos e baixos, têm de encontrar sempre a força e determinação para recomeçar.

No entanto, vendo bem, a tragédia não é começar de novo, começar do zero, mas sim desistir e trair-se. A consciência, sempre individual, pode transformar-se num pesado fardo e ser cruel quando a traímos sem dispôr de quantidade suficiente de anestésicos.

Porque este mundo não se esquece delxs e destila-os até. Uma pequena carreira alternativa à sua própria custa, domingos para se ir maravilhar num parque natural, um projecto humanitário ou cultural, de facto drogas, francamente mais duras: telas de todos os tipos, realidades e sociabilidades virtuais, embrutecimento total.

Não, uma tal sorte assusta-nos muito mais do que todo o sofrimento, que todas as penas relacionadas com a falha na destruição da autoridade …

Clica aqui para descarregares o boletim nº 1

em francês

Kiev, Ucrânia: Caminhada de passagem de ano “Marusya Nikiforova”

Saí de casa quando as luzes estavam a arder em todas as janelas. Senti que as ruas estavam à minha espera. Os táxis estão a passar, mas não tenho nada para pagar, e não preciso deles, ando sózinho…Eu vi a madrugada caminhar toda a noite até manhã. Na véspera de Ano Novo de 2017 a 2018, em vez de me sentar numa cela de concreto e beber, decidi fazer uma caminhada num dos bairros de Kiev. Realmente queria andar nessas horas pelas ruas e becos escuros. Queria expressar a minha raiva e desejo de vingança.Tirei para fora uma pistola e munições que estavam escondidas. Limpei muito bem para que não deixassem marcas biológicas nas balas e cartuchos. Coloquei 12 balas no carregador. Uma bala foi imediatamente enviada para a câmara, por isso me acalmei. Com a pega de segurança na arma coloquei-a num coldre que foi fixado de forma fiável no meu cinto. Sob o meu casaco comprido, o coldre não sobressai. Para poder chegar rapidamente à arma, não apertei o casaco. Mas gosto de andar, bem como viver livremente. Sou assim desde a infância.Na verdade, raramente carrego uma arma. É muito perigoso e arriscado. Exige uma responsabilidade séria. É difícil decidir isso com quem não tenha experiência em usá-la em condições reais, com quem, sem uma autorização de armas, não ultrapasse esta proibição e tenha medo de possíveis punições do estado. Também é difícil para aquelxs que têm uma sequência de casos criminais iniciados pela autoridade. Portanto, no fundo eu respeito as pessoas que, para sua própria defesa e para alcançar a liberdade, nunca se separam das armas. A única excepção é a polícia e outros servos dos regimes estatais.

… Estou a caminhar pelo bairro de Svyatoshinsky. Não vejo a bófia à volta. Sei que devem haver mais nas ruas esta noite e que os faróis intermitentes não estarão a funcionar em carros de patrulha. Entro num beco. Há muitos graffiti anarquistas nas paredes. Fico satisfeito por os nossos irmãos terem pintado aqui. Mas esse prazer interrompe a visão de carros caros entre os mais simples. Existe pobreza no país. O meu vizinho – um homem trabalhador que vive com a mulher e filha, esgadanhou-se para comprar um Opel por 5 mil dólares. Eu sei o quão difícil foi para ele. E esses bastardos viajam em roadsters, carros desportivos e jipes. Eles também os estacionam nas calçadas. Vêem que há muitas pessoas pobres à volta. Sabem que isso não é normal. Mas ainda enfatizam mais o seu luxo e superioridade social, dominando a desigualdade e a pobreza, que é anti-humana. Portanto, à vista dos carros burgueses tenho a primeira ideia – punir, incendiá-los e se o proprietário se esgotar terá então uma lição. Mas agora não há gasolina. Estarei sem ela esta noite.

A hora é 00:05. Das janelas dos blocos de apartamentos com painéis cinza saem gritos e saudações, nalgum lugar a música toca alto. Residentes do bairro, sentados nos apartamentos, bebem, divirtem-se e enfartam as barrigas com vários alimentos. Não se importam mas depois será difícil para os seus corpos. Afinal, é interessante para a engorda. Isso funciona como distração. Muitas pessoas vivem assim durante muito tempo.

De repente, alguém começa a lançar fogo de artifício. Olho à volta. Das entradas, pouco a pouco, saem os fãs da pirotecnia, lançam-se fogos de artifício. As ruas ganham vida, as explosões expulsam o silêncio.

Os alarmes de carro uivam. Ninguém reage a isso. No ar há fumo, o cheiro de pólvora queimada. Tudo isso me excita muito. Por um momento, lembrei-me das Maidan e das barricadas de 2014. A paixão por armas e explosivos assombra toda a minha vida. No jardim de infância gostei de fósforos e me apaixonei pelas fogueiras. E agora empunho uma arma. Mudo a patilha de segurança para o modo “fogo”. Seguro o gatilho. A bala está na câmara há muito tempo. Olho à volta. O pátio da moradia Nikolskaya Borshchagovka sussurra-me – venha. Eu entro na pista e aponto para um carro fora da estrada vazio, provavelmente de um proprietário rico. Bam-bam-bam! As orelhas estão a zumbir nos meus ouvidos. O carro está danificado pelo chumbo. Mas o alarme por algum motivo não funcionou. Retiro a arma do coldre. Corro pelo pátio da escola. Irrompo noutro quarteirão e circulo em torno dos pátios.

Colocando no caminho uma bala, para outro carro caro, deixei Borshchagovka. Uma hora depois encontro-me numa área residencial de Svyatoshino. Havia muita gente na rua naquele momento. A cem metros de mim, um grupo de indivíduos lançou fogos de artifício poderosos. As explosões são tão fortes que o tiro da pistola simplesmente se dissolve no barulho. Dei com o Hyundai Sonata. Queria matá-lo já, mas notei que um homem vinha a correr na minha direção. Estava a perseguir o seu cão, o qual aparentemente estava assustado com os fogos de artifício. Logo que o homem desapareceu do meu campo de visão, comecei a realizar os meus planos. Escondi-me atrás de um canto de um edifício alto. Eu olhei em volta. Bam-bam! Duas balas perfuraram a janela lateral. O alarme disparou. Estou feliz na minha alma, vou a correr para outro quarteirão. Um pequeno nevoeiro ajuda-me a me embrenhar mais depressa na selva de concreto. Ainda há mais 6 balas …

Depois disso, atirei em mais dois carros. Voltei para casa ao início da manhã. Bebi leite e fui para a cama.
A minha vingança mais uma vez recaíu nos carros de luxo; pela primeira vez, as balas de chumbo foram usadas em vez do fogo. Ataquei um modo de vida e objetos que enfatizam o fosso entre pobres e ricos. Fiz isso porque queria e poderia.

Os mortos retornam para se vingar!
Burgueses e bófia não podem dormir descansados!

Grupo anarquista “Revenge of Marusya Nikiforova” / FAI
01/01/2018

(traduzido do texto em russo em Anarquia Hoje)

em inglês

Santiago, Chile: Sai o número 23 do boletim “La Bomba”

Pegando na ideia final do editorial anterior, começaremos pelo objetivo da recompilação de reivindicações de sabotagens, atentados, notícias formuladas etc. – gerar um arquivo, tanto material como online – permitindo assim que as diversas ideias ali expressas, a partir da ação e as notícias afins, atinjam mais companheirxs, tanto nas ruas como na prisão, aquelxs que não têm acesso à contra-informação via web.

Estas recompilações são parte de uma linha anti-autoritária, ações que escolhemos com as respectivas fontes, tais como outras anónimas – não necessariamente fazendo parte da luta anárquica mas com as quais vemos semelhanças e são afins desta iniciativa. A ideia do arquivo material – em papel – é também devido ao facto dalguns servidores, onde foram alojados blogs afins, terem sido atacados, outros desactivados e, desta forma, se ter perdido muito material valioso (de diversas temáticas). Assim, tornam-se essenciais os arquivos em boletins e livros (recompilações e cronologias).

Acreditamos, também, que as ideias e reflexões dxs companheirxs que se encontram na clandestinidade – arriscando muito por isso – não podem passar despercebidas, não podendo perder-se na Internet. Este trabalho – o que estamos a realizar – não é nem fetiche nem jornalismo. Trata-se, apenas, de uma contribuição solidária à luta anárquica e um apoio aos grupos de ação que atuam na nossa zona.

Isto já tinha sido expresso em dado momento, noutra das nossas publicações, mas nunca será demais repeti-lo, de forma a não restarem dúvidas do porquê da realização desta pequena  iniciativa anti-autoritária.

Vamos então a Outubro. Xs jovens insurretxs do Liceu de Aplicación, em Santiago, fazem das suas novamente, a bófia corre espavorida à frente de uma chuva de cocktails molotov e um mini-autocarro acaba parcialmente queimado. Uns dias depois próximo da UMCE, anónimxs convertem em sucata outro mini-autocarro. Aparecem notas de imprensa na TV, anunciam as clássicas querelas. O Poder parece nem acreditar nisto.

Outro facto que causou revolta nos meios de imprensa e em pessoas das redes sociais foi a libertação de diversos animais, no biotério de JGM em Santiago, ação realizada por uma célula da Frente de Libertação Animal e da Frente de Libertação da Terra contra o especismo, o confinamento, o maltrato e a morte. Através da sua nota de reivindicação  compreendem-se os factos, as reflexões e as posições de luta dxs companheirxs.

Já na parte final do mês, diversos grupos de ação dos Núcleos Antagónicos da Nova Guerrilha Urbana voltaram à carga. Assim, de forma coordenada, foram colocados dois dispositivos explosivos em diversas sedes de partidos políticos, os quais não explodiram devido a alguma falha. A polícia chegou a realizar as suas indigações com um helicóptero incluído, fecho de ruas, evacuações, horas de trabalho e análises por parte do GOPE, LABOCAR, enquanto notas de imprensa na televisão e nos jornais online, denúncias dos partidos políticos ao Ministério Público e a preocupação vinda da Moneda antes de se realizar as eleições presidenciais.

Nessa altura, o Subsecretário do Interior, Mahmud Aleuy, começou a coordenar unm reunião para tratar do tema da “segurança” para as eleições do dia 19 de Novembro. Muitxs polícias estarão a resguardar as ruas, em pontos estratégicos e fixos, como por exemplo – em todas as sedes dos partidos políticos. Por outro lado é de referir que o 24horas realizou uma nota intitulada: “Amigos da Pólvora”: Investigam um grupo que estari por trás dos dispositivos explosivos deixados em sedes políticas.

Sem ldúvida que o medo mudou de campo, a ANARQUIA torna-se PERIGOSA quando se configura em TEORIA e PRÁTICA. Assim o demonstraram xs companheirxs, na luta nas ruas, incendiando autocarros, libertando animais em cativeiro, levantando barricadas, atacando a partir dos liceus a bófia asquerosa, nas universidades, até à rua, emboscando-os, rebentando consulados,colocando explosivos no inimigo. Não há dúvidas, irmãos/ãs, a paz dxs exploradorxs e poderosxs terminou já.

“La Bomba”, Pela expansão do Caos e da Anarquia.
Individualidades Anárquicas.
Outubro de 2017, Chile.

Clica aqui para ler/descarregar a publicação.