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CCL na Feira Anarquista do Livro 2018: 26, 27 e 28 de Outubro em Lisboa

recebido a 25/10/18

Nos dias 26, 27 e 28 de Outubro, o CCL vai estar presente na Feira Anarquista do Livro em Lisboa. Vão ser três dias dedicados às edições, ideias e movimentos libertários com bancas, debates, concertos e oficinas.

Logo no primeiro dia, pelas 21.30, terá lugar uma apresentação sobre o Centro de Cultura Libertária e a sua situação actual.

Consulta aqui o programa completo: https://feiraanarquistadolivro.net/programa.php

[convite] Feira Anarquista do Livro de Lisboa, nos dias 26, 27 e 28 de outubro

Dado que as mudanças climáticas nos trouxeram o verão mais frio dos últimos trinta anos, dada a nossa constante e orgânica exigência de nos incendiarmos de paixão e de nos aquecermos com a rebeldia das nossas lutas diárias, vamos acender a nossa chama neste outono! E assim regressa a Feira Anarquista do Livro de Lisboa, nos dias 26, 27 e 28 de outubro, e novamente nos belos bosques da Penha de França. Se quiseres participar com a tua editora/distribuidora/espaço de informação ou simplesmente vir espalhar umas palavras de subversão impressas em papel, escreve-nos para feiranarquistadolivro@riseup.net
Até já!

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Lisboa, Portugal: Crónica da concentração realizada junto à embaixada de Espanha a 13 de Março de 2018


recebido a 15.03.18

[Concentração contra a Repressão no Estado Espanhol realizada a 13 de Março de 2018, Lisboa]

No dia 13 de Março concentraram-se junto à Embaixada de Espanha, em Lisboa, cerca de 3 dezenas de pessoas em protesto contra a repressão que se tem feito sentir no Estado Espanhol e em solidariedade com todas as pessoas presas e perseguidas por exercerem o seu direito à liberdade de expressão. A faixa afixada de frente para a Embaixada ostentava a frase “Contra a vossa repressão, contra a vossa democracia, somos ingovernáveis”. Um megafone fez soar música combativa e palavras de ordem anti-autoritárias, e distribuíram-se flyers informativos com o texto que se segue:

Contra a repressão, solidariedade e insurreição!

Nas últimas semanas o Estado Espanhol voltou a evidenciar o seu carácter fundamentalmente repressor e fascista, tendo diversos músicos sido condenados a penas de prisão e multas, por insultos à monarquia e exaltação do terrorismo, outras pessoas acusadas e sentenciadas porfrases escritas em algumas redes sociais e a censura de uma exposição sobre presxs políticxs na maior feira de arte de Madrid.

Desde a aprovação da Ley Mordaza em 2013, o Estado Espanhol tem vivido um estado de excepção não-declarado, onde a mera expressão de opinião crítica ao regime tem como consequência graves penas, tendo assim o intuito de estender um clima de medo numa sociedade onde os movimentos sociais e a organização de base têm experimentado uma forte adesão nos últimos anos. Foi até criada uma rede por parte da Polícia Nacional Espanhola chamada “Stop Radicalismos”, renovada recentemente, que incentiva a denúncia aleatória de qualquer pessoa por motivos ideológicos ao melhor estilo de um regime totalitário.

Desde a instauração da  democracia este estado de excepção era já uma situação quotidiana em regiões como o País Basco onde, devido ao contexto de conflito histórico, a transição democrática nunca escondeu a continuação de um projeto de Estado centralizado, imperialista e fortemente repressivo.

Esta tendência de aumento e normalização da repressão não é exclusiva ao Estado Espanhol, sendo que em França o estado de emergência justificado pelos atentados de 2015 tornou-se permanente com a nova lei antiterrorista do governo de Macron.

A perseguição que habitualmente era aplicada a grupos minoritários de dissidência política, tais como anarquistas, independentistas, ou qualquer outro tipo de militante ou ativista social, generaliza-se como algo quotidiano que afeta todos e todas e aqueles e aquelas que se atrevem a tornar público um pensamento que põe em causa as bases do sistema capitalista, denuncia as suas estruturas opressivas e se arrisca a propôr novas formas de organização social.

Estas situações demonstram que esta democracia (que enche a boca a tantos defensores da liberdade de expressão) e ditadura são as duas face de uma mesma moeda, que se alternam de maneira a perpetuar um sistema de domínio, o capitalismo, cujo único objectivo é a reprodução de si mesmo.

Contra toda a vossa polícia, os vossos juízes, os vossos media, seremos sempre ingovernáveis!

[Portugal]”Descolonização do Imaginário Tecnológico”- vídeo da performance apresentada na Disgraça, em Lisboa

“Vivemos num estado artificial de consciência e queremos destruir a prisão que aliena a nossa existência natural”.

A Hipótese Biogeoquímica apresentou, no espaço anti-autoritário Disgraça nos finais de Novembro de 2017, integrada na atividade do Tattoo Circus Lixboa – Tinta de Solidariedade para Prisioneirxs, a performance “Descolonização do Imaginário Tecnológico”

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Portugal: Programa da Feira Anarquista do Livro de Lisboa [1 a 8 Outubro 2017]

Depois de dez anos a instigar a subversão, a conspiração e a difusão das ideias acratas, a FAL é hoje mais indispensável do que nunca e traz a debate temas diversos: Colapso capitalista, Violência policial e Racismo, Transfeminismo, Okupação, Saúde anti-autoritária, Anti-especismo, Repressão de Estado, Memória histórica anarco-feminista, Guerrilha anti-franquista, Hortas urbanas, Artes e Resistência.

Este ano a feira decorrerá em vários espaços com apresentações de livros, conversas, workshops, documentários, música, exposições, mostra de editoras e distribuidoras. Tal como nas edições anteriores, a FAL convida-nos a conhecer a(s) história(s) de um passado de revolta e a pensar formas de luta para um presente que se organiza a partir da hierarquia, do autoritarismo, da competição, da chantagem e do medo. Contra tudo isto urge fazer alianças para um futuro rebelde, combativo e solidário.

Há um elemento comum nas lutas que na última década agitaram a “paz social” podre em diferentes geografias. A luta contra a precariedade na Grécia, na Itália, em Espanha e em Portugal, as ZAD’s e a resistência ao estado de emergência em França, a revolta dxs estudantes e do movimento indígena no Brasil, México e Chile, as Primaveras Árabes e todos os outros focos de insurreição revelam e convergem na vontade de auto-organização, de autonomia e de liberdade. Unem-se num grito conjunto: somos ingovernáveis!

Sabemos as consequências de permanecer sempre ao lado daquelxs que se recusam a obedecer; sentimos como anarquistas a repressão violenta do Estado, mas não nos vergamos perante aquelxs que engendram e perpetuam os sistemas globais de dominação: o Estado, as corporações, os bancos, os exércitos, os média corporativos, os burocratas, os tecnocratas, os democratas, etc. Partimos das experiências de um passado de rebelião, aprendemos com todxs que sempre tiveram a coragem de cuspir naquelas pessoas que desde as suas torres de marfim assinam decretos, sentenças e contratos para precarizar vidas, expropriar recursos naturais, fortalecer políticas imperialistas, controlar corpos e desejos, reprimir a dissidência, gentrificar os nossos bairros, aprisionar a liberdade, minar os movimentos sociais, etc. Organizamos-nos hoje num contexto em que o capitalismo se reforça e concentra poder através de um feudalismo neoliberal que nos rouba a autonomia em todos os âmbitos, a extrema-direita se renova e alastra, o cishetero-patriarcado continua a ramificar a violência, o racismo prevalece institucionalizado, os discursos xenófobos adquirem legitimidade pública, a “guerra contra o terrorismo” justifica a suspensão das poucas liberdades que a democracia ainda permite, e um quotidiano que se torna cada vez mais refém de tecnologias.

E depois lembramos-nos que em todo o lado existem resistências que não capitulam: a experiência autónoma de Rojava e a luta do povo curdo; os movimentos indígenas da Amazónia e do Dakota; a eterna luta pela sobrevivência que xs palestinianxs travam contra a ocupação israelita; as greves selvagens por todo o lado e principalmente nos países onde o capitalismo trata cada ser humano como despojos da economia (Bangladesh, China, etc.); as lutas de apoio aos/às refugiadxs e migrantes contra as políticas racistas e assassinas de todos os Estados e das suas fronteiras; as lutas contra a especulação e pelo direito à habitação; as lutas contra o neocolonialismo; as lutas queer e transfeministas contra a assimilação neoliberal e estatal; o activismo pela libertação animal; as lutas contra o ecocídio capitalista, etc. A resistência quotidiana urge!

Tenaz e desobediente, a Feira Anarquista do Livro propõe um espaço de difusão de ideias, teorias e projectos, de co-aprendizagens críticas, de aquisição de ferramentas políticas para a transformação social e de fortalecimento de redes de afinidade. Surge da raiva, da contestação, do sentido de comunidade. É em si mesma um exercício de autonomia, de auto-gestão, de apoio mútuo, de acção directa, de praxis anarquistas, enfim, de liberdade.

Oprimidxs? Assim nos querem. Dominadxs? Jamais. Rebeldes? Sempre! >> PROGRAMA COMPLETO <<

DIA 1, DOMINGO | À da Maxada
TIRO DE PARTIDA: OKUPAÇÃO

A partir das 17h | Forno a lenha com pizzas e outros petiscos

17h | Tarde infantil – Oficina de brinquedos
Um bom brinquedo é aquele que sem ser nada concreto pode ser tudo, um mesmo objecto tem o poder de transformar-se de acordo com o jogo. Nesta oficina de brinquedos, queremos promover a criação/fabricação própria como uma forma de luta anti-consumo, usando múltiplos objectos quotidianos e convertendo-os em brinquedos. O que procuramos é criar um espaço onde só é necessário tempo, criatividade e vontade de brincar, enquanto promovemos o uso de brinquedos que potenciem as habilidades artísticas, estimulem o pensamento e a imaginação.

20h | Apresentação da feira e projecção do documentário “De stad was van ons – Era a nossa cidade”
Documentário sobre a ascensão e queda do movimento de okupação em Amsterdão entre 1975 e 1988. A história da okupação em Amsterdão está marcada pelos diversos movimentos de contra-cultura (como os Provos) que marcaram a década de 1960. A facilidade com a qual se podia entrar em prédios abandonados e o sangue que fervilhava nas veias de muitxs jovens holandesxs naqueles anos levou ao rápido crescimento de um movimento de okupação pioneiro na Europa. Com o passar dos anos, a crítica anti-capitalista e a militância política dos primeiros okupas foram sendo substituídas por uma outra forma de entender a prática de ocupar casas, transformando-se num estilo de vida onde proliferavam as festas. O choque geracional e os conflitos permanentes levaram à decadência de um movimento que foi uma referência para a crítica anti-capitalista do fim do século.

21h45 | Conversa “O momento em que nos encontramos e as perspectivas dos movimentos de Okupações”

À da Maxada (Estrada das Machadas, Setúbal)

DIA 2, 2ª FEIRA | Gaia
DAS HORTAS OKUPADAS ÀS CAMARÁRIAS

18h30 | Debate “Hortas Urbanas ou Camarárias, impulso rebelde ou cedência aos mandos camarários”

20h | Jantar vegano

21h30 | Apresentação do livro “Decrescimento – Vocabulário para um novo mundo” (Tomo, 2016. Ed. Brasileira)

Gaia (Rua da Regueira nº 40, Alfama)

DIA 3, 3ª FEIRA | Centro de Cultura Libertária
BIBLIOTECAS AUTÓNOMAS E PENSAMENTO CRÍTICO

Exposição de cartazes anarquistas de ontem e de hoje.

20h | Jantar vegano

20h30 | Conversa/debate sobre a relevância e o papel que desempenham as bibliotecas autónomas e de difusão do pensamento crítico num tempo em que acelera a desmaterialização do Livro.
Com a participação da Biblioteca do CCL, BOESG (Biblioteca e Observatório dos Estragos da Sociedade Globalizada) e RDA49, três bibliotecas sociais e não institucionais que desde Almada e Lisboa mantêm o compromisso de disponibilizar uma extensa colecção de títulos, para analisar e transformar o quotidiano de miséria ao qual todos os sistemas de domínio nos pretendem manter acorrentadxs.

Centro de Cultura Libertária (Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto – Cacilhas – Almada)

DIA 4, 4ª FEIRA | Disgraça
SUBVERSÃO, ARTE E GRITOS

18h00 | Oficina “Artes, Subversão e Propaganda à Moda Antiga”
Vamos lá pintar faixas e fazer stencils para espalhar as palavras da heresia anarquista!

20h00 | Jantar vegano

21h00 | Concertos
Hyle – Anarchafeminist Powersludge/Witchcore desde Bolonha
NOFU – DIY Old School Punk Hardcore desde Roma (www.nofuhc.bandcamp.com)

Disgraça (Rua Penha de França 217A/B, Penha de França, Lisboa)

DIA 5, 5ª FEIRA | C.O.S.A.
CONTANDO A NOSSA HISTÓRIA: OKUPAÇÕES

19h | Apresentação do Arquivo Digital Público – Okupações em Portugal pós anos 90

20h | Pestiscada brava

22h | Som e convívio

COSA (Rua Latino Coelho 2, Setúbal)

DIA 6, 6ª FEIRA | Praceta António Sardinha /Disgraça
RUMO À PRAÇA

Praceta António Sardinha:

A partir das 16h! Bancas de editoras e distribuidoras

19h | Apresentação da editora Ké Animal Es Esse Gato pelo colectivo de editores
Ké Animal es ese Gato é uma editora auto-gerida e independente nascida em 2017 na cidade de Lisboa. A sua existência baseia-se na necessidade de comunicar ideias, textos, imagens e música que tentam abrir mais uma fenda na construção do caminho para um mundo novo, fazendo das suas edições uma extensão das lutas em que este colectivo de editores participa e acredita.

Disgraça:

20h | Jantar vegano

21h30 | Apresentações a cargo da rede Contra Info

Hamburgo contra G20: Informação sobre a luta contra a cimeira do G20, realizada em Hamburgo no mês de Julho, e a consequente repressão e censura do Indymedia alemão, com a apreensão de diversos computadores em Friburgo e a perseguição daquelxs que acusam de administrar o site.

Repressão na Argentina: Desaparecimento de Santiago Maldonado, anarquista
Desaparecido desde 1 de Agosto quando foi sequestrado pela polícia argentina na sequência da repressão a uma acção de solidariedade com o povo Mapuche.

Breve actualização dos últimos episódios repressivos em Itália, Grécia, Chile e México.
Solidariedade com xs presxs anarquistas.

21h30 | Projecção do documentário “Mutantes: Punk Porn Feminism”
Filme documental, dirigido por Virginie Despentes (2009), que mostra a luta do feminismo pró-sexo que teve início na década de 1980. Reúne mais de vinte entrevistas realizadas nos EUA, em Paris e em Barcelona, bem como inclui documentos de arquivo sobre acções políticas de trabalhadoras do sexo, activistas queer e performances pós-porno.

DIA 7, SÁBADO | Praceta António Sardinha / Disgraça
QUANDO TUDO ESTALA

Praceta António Sardinha:

A partir das 11h! Bancas de editoras e distribuidoras

12h | Workshop sobre saúde anti-autoritária e como fazer uma utilíssima caixa de primeiros socorros (pelo Grupo de Saúde Anti-autoritária)

13h30 | Piquenique na praceta – traz a tua merenda!

14h30 | Conversa sobre a luta contra a maxi-prisão em Bruxelas e consequente repressão (com a presença de um companheiro belga)

16h30 | Apresentação do livro “Colapso: Capitalismo Terminal, Transición Ecosocial, Ecofascismo” (pelo autor Carlos Taibo)

18h30 | Apresentação da editora Eleuthera
Com mais de 30 anos a editar literatura anarquista, este colectivo de editorxs italianxs vem a Lisboa falar sobre a sua história e destacar algumas das edições recentes, como “Voltairine de Cleyre – Un’anarchica Americana” e “Pirati e sodomia”. Apresentarão também o Centro de Estudos Libertários/Arquivo G. Pinelli, do qual fazem parte.

Disgraça:

18h30 | Projecção do filme “Maciste Contre le Capital”
“Maciste Contre le Capital” é um détournement (desvio) político de um filme da série “Maciste”, ao melhor estilo de René Vienet, autor situacionista que em 1973 realizou aquele que é considerado o primeiro filme do género “La dialectique peut-elle casser des briques?”.

20h| Jantar vegano

21h | Concertos
dUAS sEMIcOLCHEIAS iNVERTIDAS – colectivo de terapeutas do ruído
Desflorestação – post industrial grindcore / cybergrind grand raout

23h | Dj set >Rata Dentata<
///Variedades anti-Sistema. Putação musical. Descanonização. Armação. Beat’n’Clit. Hard-Whore. Soft-Pot. Junk. Desclássica. Letal. Pazz. Transgressive. Saphoric. Transditional. Fock. Laundry. ///

DIA 8, DOMINGO | Praceta António Sardinha / Disgraça
RECOLHENDO AS CINZAS

Praceta António Sardinha:

A partir das 11h! Bancas de editoras e distribuidoras

12h | Conversa-workshop sobre resistência(s) no quotidiano

13h30 | Piquenique na praceta – traz a tua merenda!

14h30 | Apresentação da editora Barricada de Livros com duas edições “Preferi Roubar a ser Roubado” e “Os Cangaceiros” (pelo colectivo editorial)

16h30 | Apresentação dos livros “Quico Sabaté y la Guerrilla Anarquista” e “Oriol Solé Sugranyes – 40 años después” (pelo autor Ricard Vargas)

18h30| Debate “Transfeminismo anti-cistema” (pelo colectivo Rata Dentata)
Este debate propõe uma reflexão crítica sobre o transfeminismo – numa conciliação apimentada entre a teoria e a praxis – tendo por base uma perspectiva anti-autoritária. Abordaremos o movimento queer e as influências deste para a emergência do transfeminismo enquanto movimento político. Através de uma breve análise cronológica, percorreremos os seus lugares teóricos e os seus campos de acção política. A partir da experiência directa de uma companheira, faremos uma incursão pelo movimento transfeminista autónomo de Barcelona.

Disgraça:

16h30 | Debate “Especismo e lutas anti-autoritárias” (pelo colectivo Rata Dentata)
Este debate propõe uma reflexão sobre o especismo a partir de uma perspectiva anti-autoritária. Abordaremos o anti-especismo – como teoria e praxis – e as suas articulações com as lutas anti-capitalistas, indo além da análise das micro-políticas (e.g., veganismo). Faremos uma incursão pelas críticas (trans)feministas ao especismo, focalizando naquela que corresponde à sua principal dimensão: a exploração dos corpos dxs animais não-humanxs para consumo. Através da apresentação de um conjunto de exemplos, discutiremos os principais pontos de intersecção entre a libertação animal e os movimentos anti-autoritários.

18h30 | Projecção do documentário “Maquis a Catalunya 1939-1963”
“Maquis a Catalunya 1939-1963” aborda a história do movimento de guerrilha anti-franquista na Catalunha desde o fim da guerra civil até à morte das suas figuras mais relevantes e desaparecimento do movimento nos anos 60.

20h | Jantar vegano

21h00 | Debate sobre violência policial e racismo

Durante o fim-de-semana, na Praceta António Sardinha:

“Resistências Des/enterradas: Exposição sobre a(s) História(s) das Mulheres nas Lutas Anti-autoritárias”
Esta exposição pretende visibilizar as histórias das mulheres que, em diferentes geografias e a partir de múltiplos lugares de enunciação, se afirmaram como precursoras dos movimentos anarquista e autónomo entre os finais do séc.XIX e os meados do séc.XX. Partindo da necessidade de recuperação da memória histórica (anarco-feminista), inclui notas biográficas, ilustrações, referências a acontecimentos políticos, a menção de publicações, entre outros. Trata-se de um projecto itinerante, baseado nos valores do DIY, de elaboração inacabada.

Mercadinho de troca de roupa
Mercadinho é uma acção informal de troca directa de bens de vestuário. Um mercado de trocas surge como um espaço de pluralidade de participantes e bens promovendo a troca de roupa e fortalecendo relações comunitárias em torno de um diálogo aberto sobre as roupas e as suas histórias, lançando um novo olhar para o seu ciclo de vida.
Traz artigos de roupa, acessórios ou calçado que normalmente se poderia trocar com amigxs, vender ou doar, e troca-os por outros disponíveis.
O número de trocas aconselhado corresponde ao número de peças depositadas.

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Bancas participantes:

Bakakai (Granada)
Batalha
Barricada de Livros
Biblioteca BOESG
Centro de Cultura Libertária
Chili com Carne
Contra-Info
Elèuthera editrice (Itália)
Indesiderabili Edizioni (Itália)
Grupo Surrealista de Madrid
Livraria Letra Livre
Jornal Mapa
Pandorca Distro
Covil/Suporte Okupa
Tortuga

Espaços e condições de acessibilidade:
http://feiraanarquistadolivro.net/espacos.php

Contactos:
http://feiraanarquistadolivro.net/
feiranarquistadolivro@riseup.net

Portugal: Feira Anarquista do Livro de Lisboa – 6, 7 e 8 de Outubro de 2017

Talvez seja por teimosia, ou talvez seja por ingenuidade, mas sabendo que algumas tradições valem a pena ser preservadas, este ano voltamos a organizar a Feira Anarquista do Livro de Lisboa. Contando com a instabilidade climática, mas também com o aquecimento global e os gases de efeito estufa, este ano a feira realizar-se-á nos dias 6, 7 e 8 de Outubro, novamente ao ar livre, na praceta António Sardinha e também na Disgraça.
E tal como nos anos anteriores, aqui vos lançamos o convite para que nos acompanhem nestes dias com as vossas editoras, distribuidoras ou com aquela sempre bela vontade de espalhar a voz da subversão, pois a cada ano, mês, dia, minuto e segundo que passa temos cada vez menos a perder, ou seja, qualquer foco de resistência contra a presença quotidiana do domínio é, já em si, uma grande vitória.

Grande abraço cheio de saúde, amor e anarquia!

feiranarquistadolivro@mail.riseup.net

Disgraça
Rua da Penha de França nº217A/B, 1170-183 Lisboa

em alemão

[Portugal] Luta multiforme contra a tirania global, nem um palmo ao avanço do terrorismo de estado

[semana de solidariedade internacional com presos/as anarquistas –
23 a 30 de agosto 2017]

Recebido a 24 de agosto

Luta multiforme contra a tirania global, nem um palmo ao avanço do terrorismo de estado

Na Argentina, Chile, Uruguai, Perú, Brasil, México, Bolívia, Paraguai, Grécia, Turquia, Síria, Estados Unidos, Venezuela, Alemanha, Polónia, Rússia, Índia ou China  –  tal como em Portugal ou noutra qualquer parte do mundo – a ordem é para atacar por todos os meios quem resista, perseguindo implacavelmente todos os/as lutadores/as, aprisionando-os/as, torturando-os/as, matando-os/as, se preciso for. Os cães do poder são pagos para isso, as leis são feitas para proteger todos os crimes de terrorismo de estado, todos os crimes do capitalismo. O capitalismo, de todos os matizes, alimenta-se destas situações enquanto as populações se mantêm inertes, aterrorizadas ou adormecidas, ignorando a que ponto a sua inação reforça todo o fascismo que se tenta instalar por todo o lado.

Somos contra todas as fronteiras, contra todas as formas de poder, de subordinação, contra todas as formas de capitalismo. Poderíamos apelar à solidariedade em particular com o companheiro Santiago Maldonado feito desaparecer pela polícia, na Argentina, quando se solidarizava com a digna luta do povo Mapuche – ou com todos/as os/as outros/as anarquistas que lutam diariamente em todo o mundo pela destruição deste sistema, pela liberdade, arriscando a sua vida, dentro e fora das prisões – mas consideramos que a única forma de defender a sua liberdade e a sua vida é todos/as cuidarmos da nossa liberdade e da nossa vida. Essa é a memória que deve prevalecer.

Luta multiforme contra a tirania global, nem um palmo ao avanço do terrorismo de estado.

A paixão pela liberdade é mais forte do que todas as prisões!

Alguns e algumas anarquistas

24 de agosto de 2017

em pdf aqui

em espanhol, inglês, alemão

Lisboa, Portugal: Contra os técnicos e o seu mundo – Apoio mútuo anti-fracking, na BOESG a 6 de Maio

A Biblioteca e Observatório dos Estragos da Sociedade Globalizada volta ao ataque!

A Secção dos estragos da Técnica & sua Ultrapassagem apresentam no dia 6 na BOESG – às 18h “Apoio Mútuo Anti Fracking” com a presença de dois companheiros da Assembleia contra a Fractura Hidráulica em Burgos, seguido de jantarada vegan (Rua da Penha de França nº 217 B – Lisboa)

Contra os Técnicos e o seu Mundo!

Assistimos com amargura e impotência à transformação de um mundo em que a Técnica se tornou religião e ideologia, e onde os seus missionários (técnicos) se propagam e ocupam um espaço cada vez mais inquestionável no quotidiano de todos os seres vivos. E é a partir da necessidade de questionar este presente (e inevitavelmente um futuro) de morte a que nos tentam conduzir estes timoneiros da verdade científica, que na BOESG se organizarão três conversas centradas em três dos principais “estragos” que tornam as nossas vidas e o meio que nos envolve numa história sem qualquer final feliz possível: Combustíveis Fósseis, Mineração e Energia Nuclear.

Balanço da situação

Em 2011 nos territórios autónomos vizinhos, tal como em Portugal em 2012, descobriu-se que a Península Ibérica estava assinalada para procura e exploração de gás natural não convencional (Shale Gas) através da técnica de Fracturação Hidráulica (Fracking) e de petróleo não convencional, no caso de Portugal (heavy oil, Lith Oil). Portugal e Espanha, tal como a Irlanda e a Noruega, além de serem primeiros países a receber fontes de combustível não convencional na Europa, foram investindo bastante em estudos e construção de infraestruturas de apoio como gasodutos, locais de armazenamento de gás, centrais de tratamento de petróleo pesados como as Tar Sands, e portos.

O Fracking e as energias não convencionais são o novo monstro da indústria petrolífera, o novo combustível da economia mundial, como também o novo messias do conforto Ocidental. Um produto que veio levantar mais uma vez a questão do papel dos humanos no ecossistema, e que fez crescer a preocupação com os gases efeito de estufa e o seu impacto na camada de ozono, para além do risco de contaminação dos lençóis freáticos.

Em Burgos, a resistência tornou-se uma referência para os colectivos anti fracking  de toda a Europa e no final do ano passado, diversos meios davam a notícia de que uma das principais empresas – a que tinha em sua posse autorizações para perfurações através da técnica do fracking, a BNK Petroleum – abandonava finalmente a península e desistia dos seus projectos em Espanha. No entanto, a Assembleia contra o Fracking alerta que as sombras negras de outras multinacionais (Gas Natural e Repsol) continuam presentes na Cantábria e no norte de Burgos.

BOESG

Lisboa, Portugal: O Livro “Abolição do Trabalho” do anarquista Bob Black, em versão ilustrada pela Oficina Arara, apresentado neste 1º de Maio

Aproveitamos este dia feriado que celebra o ser humano reduzido à condição de escravo, para apresentar uma obra já bem velha mas que insistimos em reivindicar: “A Abolição do Trabalho” de Bob Black. Desta feita é editada pela Oficina Arara, em parceria com a Turbina e ilustrada por Bruno Borges. Para animar a tarde contaremos com os cartazes da Arara e de uma actuação do Presidente Drogado, esse indescritível artista da canção.

A partir das 17 h. Mais tarde podes jantar na cantina (comida vegan)

DISGRAÇA – RUA DA PENHA DE FRANÇA nª 217 A/B – Lisboa, Portugal

A Disgraça é um centro DIY anticultural cujo objectivo é criar um espaço horizontal livre de racismo, especismo, homofobia e sexismo.

Tem uma cantina autónoma aberta de segunda a sexta, espaço de concertos e oficinas.

Lisboa, Portugal: Participação de Contra Info na Feira Anarquista do Livro 2016

Banca Contra Info, Feira Anarquista de Livros 2016, Lisboa
Banca de Contra Info – Feira Anarquista do Livro 2016 (Lisboa)

contra-info-4-feira-livro-anarquista-2016contra-info-3-feira-livro-anarquista-2016De 23 a 25 de Setembro realizou-se em Lisboa mais uma feira anarquista do livro em que o ênfase principal foi posto nas publicações anarquistas, dos fanzines aos jornais, dos livros às revistas de todo o mundo.

Companheirxs vindos de Espanha, França e Bélgica, apresentação de livros, ensaios e histórias cruzaram-se com as memórias subversivas e da prisão, mas a ação direta não se podia fazer esquecer e assim na banca da Contra Info surgiu uma publicação com um apanhado de traduções difundidas através dos seus blogs, com especial ênfase em espanhol e português, mas também em inglês, italiano e francês.

Também postais com informação sobre as condições de publicação e de colaboração com Contra Info além de outros sobre a recente Operação Scripta Manent em Itália, contendo os contactos dxs compas detidxs para correspondência. Para consulta ou distribuição gratuita nas restantes bancas ou aos visitantes em geral. Publicações tão preciosas como as vindas do Chile, das Ediciones La Idea, o boletim Lucha Revolucionaria (1 e 2) e o boletim La Bomba de Santiago, assim como o livro “Entrenamiento físico en condiciones de aislamiento” [Treino físico em condições de isolamento] da Bolívia. Em português, o Erva Rebelde nº 0 e o Projeto Insurrecional de Alfrefo M. Bonanno. A carta recentemente escrita na Grécia, por alguns membros presos da CCF,  uma contribuição pessoal e histórica em relação ao caso de Nicola Sacco e Bartholemeo Vanzetti e traduzida para português na Contra Info, foi largamente distribuída.

De assinalar que um evento proposto inicialmente por Contra Info referente à situação repressiva de compas na Grécia, Espanha, Chile e Itália, a ser apresentado na Feira Anarquista, vai ser proximamente agendado assim como os locais onde se realizará.

O jardim público onde se instalaram as bancas e as apresentações/debates e no local libertário Dis Gracia onde se apresentaram diversos filmes e uma exposição/debate, os dias lindos de sol e as cálidas noites a que não faltaram canções de tango anarquista e abraços de novxs e velhxs amigxs, temperaram um ambiente de companheirismo e de partilha na diversidade do pensamento e práxis anarquistas. Até já companheirxs!
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em italiano, espanhol, alemão

Lisboa, Portugal: Programa da Feira Anarquista do Livro 2016 – 23, 24 e 25 de Setembro

www.fal2016.tk
Clica aqui para teres acesso ao programa da FAL 2016 em Alemão, Castelhano, Catalão, Francês, Galego, Grego, Inglês e Italiano.

Feira Anarquista do Livro 2016

                                                                 Rua da Penha de França 217, Lisboa

Em todos os sítios onde os civilizados apareceram pela primeira vez, foram sempre considerados pelos indígenas como seres nocivos, fantasmas, espectros. Nunca como seres vivos!
Intuição insuperável, profética perspicácia, se ainda se pode dizer.

E. Cioran

A tragédia talvez tenha começado com o advento da humanidade, mas nunca como agora a vida esteve tão encurralada e acorrentada. As utopias sociais estão completamente mortas, os novos messias da democracia caem muito antes de poderem sequer indicar o caminho da salvação… e os dominados e dominadas? Esses resignam-se cada vez mais à sua condição de rebanho, o progresso tecnológico condiciona-os como nunca e nada nesta história nos faz esperar um final feliz. Sabemos que tudo isto vai acabar muito mal e, por isso, alguns e algumas já não temos nada a perder: decidimos agarrar a vida com os dentes e os punhos fechados, porque o sangue ainda nos queima as veias! E é assim que insistimos em mais uma Feira Anarquista do Livro, porque ainda nos interessa propagar a palavra dos/as rebeldes, dos criminosos e das criminosas, dos conspiradores e das conspiradoras, e porque insistimos em manter vivas memórias e saberes dos quais nos tentam, a todo o custo, tornar órfãos, porque sabemos que desistir já não é uma opção, encostaram-nos ao abismo e só nos resta resistir…

E depois de dois anos de Mostra de Edições Subversivas optámos por recuperar um nome já velho (com uma pequena mudança na ordem das palavras, sempre traiçoeiras), e não, não nos pusemos nostálgicos, mas nestes dias em que a anarquia volta a ser o crime que contém todos os crimes, com a repressão a golpear grupos e indivíduos em todo o globo (Espanha, República Checa, França, Grécia, Chile, etc.), decidimos que esta palavra não está vazia, carrega às suas costas séculos de uivos que gritam “Não!”
E como um fungo especialmente teimoso, aqui estamos e aqui continuaremos…

Para participar na Feira Anarquista do Livro de Lisboa, contacta-nos através do email: feiranarquistadolivro@riseup.net

Feira Anarquista do Livro 2016 | Lisboa

www.fal2016.tk

PROGRAMA:

SEXTA 23
20h
Jantar

21h
Mesa redonda em torno da história do fanzine anti-autoritário em diferentes latitudes: Venezuela, Espanha e Portugal.
Exposição de fanzines durante os três dias da feira.

23h
Projecção do documentário “Que Trabaje Federica”, de Carlos Plusvalías (28 min.)
Documentário baseado no livro de Michael Seidman, “Os Operários contra o trabalho”, editado pela Pepitas de Calabaza.Michael Seidman faz um estudo comparado da história social e política durante a revolução espanhola em Barcelona e o governo da Frente Popular em Paris, entre 1936-1939, centrando-se na atitude adoptada pelos trabalhadores de ambas as cidades face ao trabalho, quando as organizações que os representavam exerciam, em maior ou menor medida, responsabilidades de governo.
Editado pela primeira vez em 1991, nos Estados Unidos, “Os operários contra o trabalho” abunda em documentos e informações em primeira mão sobre as lutas operárias quotidianas, e demonstra que as análises produtivistas e culturalistas são incapazes de abarcar de forma adequada aspectos fundamentais do comportamento da classe trabalhadora. Este trabalho, que oferece um exame da actividade da classe operária tanto em contextos revolucionários como reformistas, põe em evidência a persistência de uma resistência directa e indirecta ao trabalho.

SÁBADO 24
15h
Apresentação de O Irresponsável de Pedro García Olivo, pelo seu editor e tradutor.
O Irresponsável, livro diabólico de Pedro García Olivo, inaugura a crítica feroz que o autor dispara contra a Escola, campo laboral que tinha justamente acabado de experimentar. Essa experiência, entranhada na sua consciência e na sua carne, só poderia ser expurgada através do ato da escrita catártica libertada no papel através de um ataque sem tréguas ao alvo da sua repulsa. O Irresponsável é o seu resultado. Nem sempre fácil de adentrar, este é um livro pessoal que nos abre uma janela para a luta do autor dentro e contra a Instituição Escolar e que deixa entrever a crítica antipedagógica por si elaborada em trabalhos posteriores como El educador mercenario, El enigma de la docilidad e La bala y la Escuela.

17h
Mesa redonda em torno de publicações de informação crítica: CQFD (França) / El Topo (Espanha) / Mapa (Portugal)
O El Topo Tabernário é de Sevilha, e o CQFD de Marselha. Dois jornais Libertários em papel que continuam a chegar às ruas independentemente de Estados de Excepção, de perseguições políticas ou das limitações à liberdade de informação, tão comuns nos nossos dias. Para os apresentar, estarão presentes membros dos dois colectivos redactoriais que, para além de partilharem os seus modos de funcionamento e os seus formatos, farão parte de um debate sobre a informação alternativa, a crise política e social na Europa, o papel dos jornais e da comunicação alternativa. Ao debate juntar-se-ão projectos de Portugal organizados na Rede de Informação alternativa, compondo assim uma mesa redonda aberta à discussão.

20h
Jantarzinho bom

22h
Concerto de tango com La Miséria Deluxe e mais alguma banda surpresa…

DOMINGO 25
11/12h
Manhã “Pipi das Meias-Altas” para os mini-humanos, actividades diversas:
Grande espectáculo de fantoches!
Encadernação de livros
Oficina de brinquedos
Tinta para pintar paredes
& etc…

15h30
Surrealistas & Anarquistas. Apresentação a partir do livro Manifestos do Surrealismo de André Breton (Letra Livre, 2016) por António Cândido Franco.
A partir de 1946, Andre Breton aproxima-se do movimento libertário francês, analisando em retrospectiva o nascimento do surrealismo e a respectiva ligação ao partido comunista francês em 1925. Agarramos na recente edição da Letra Livre de “Os Manifestos do Surrealismo” para propor uma viagem pela aproximação dos surrealistas ao movimento anarquista.

17h
Apresentação de A un Latido de Distancia pela autora, Adelaida Artigado.
Não há nada mais antigo, recorrente e rotineiro que o poder de intimidação e dominação do castigo. E poucos castigos minaram tanto a vontade popular, poucas instituições o condensaram de uma forma tão nítida, como a prisão.
As dores e as penas que povoam estes breves relatos, dão-nos conta da crueldade e do absurdo inerentes ao encerro humano. Mas, como um maravilhoso contrário que sempre forma parte dessa paisagem tenebrosa, Adelaide Atrigado faz-nos sentir, a um batimento de distância, o espírito de luta das e dos pobres, a sua cumplicidade e solidariedade, a sua lealdade, essa força para resistir, criar e, em definitivo, para rir-se do poder e da opressão que nos destrói sem piedade.
Para Dostoievsky, “o grau de civilização de uma sociedade mede-se pela forma como trata os seus presos”. Felizmente, a humanidade também se reflete em todos e em cada um dos gestos de rebeldia das pessoas que estão sequestradas por todos os Estados.

20h
Jantarada

21h
Projecção do documentário “Curdistão, guerra de raparigas” de Mylène Sauloy, 2016 (legendas em espanhol) e debate com o colectivo da editora Descontrol de Barcelona sobre o livro A revolução ignorada. Feminismo, democracia directa e pluralismo radical no Médio Oriente.
A partir destes dois meios (documentário e livro), lançamos a última conversa da feira sobre a revolução que se está a levar a cabo na zona ocidental do Curdistão, Rojava, assediada pela guerra fratricida da Síria. Uma revolução/guerra onde as mulheres têm um papel protagonista.

* FIM *

Portugal: Feira Anarquista do Livro de Lisboa, 24-25/09/2016

indexFeira Anarquista do Livro 2016

Lisboa, 24 e 25 de Setembro.

“Em todos os sítios onde os civilizados apareceram pela primeira vez, foram sempre considerados pelos indígenas como seres nocivos, fantasmas, espectros. Nunca como seres vivos! Intuição insuperável, profética perspicácia, se ainda se pode dizer.”  E. Cioran

A tragédia talvez tenha começado com o advento da humanidade, mas nunca como agora a vida esteve tão encurralada e acorrentada. As utopias sociais estão completamente mortas, os novos messias da democracia caem muito antes de poderem sequer indicar o caminho da salvação… e os dominados e dominadas? Esses resignam-se cada vez mais à sua condição de rebanho, o progresso tecnológico condiciona-os como nunca e nada nesta história nos faz esperar um final feliz. Sabemos que tudo isto vai acabar muito mal e, por isso, alguns e algumas já não temos nada a perder: decidimos agarrar a vida com os dentes e os punhos fechados, porque o sangue ainda nos queima as veias! E é assim que insistimos em mais uma Feira Anarquista do Livro, porque ainda nos interessa propagar a palavra dos/as rebeldes, dos criminosos e das criminosas, dos conspiradores e das conspiradoras, e porque insistimos em manter vivas memórias e saberes dos quais nos tentam, a todo o custo, tornar órfãos, porque sabemos que desistir já não é uma opção, encostaram-nos ao abismo e só nos resta resistir…

E depois de dois anos de Mostra de Edições Subversivas optámos por recuperar um nome já velho (com uma pequena mudança na ordem das palavras, sempre traiçoeiras), e não, não nos pusemos nostálgicos, mas nestes dias em que a anarquia volta a ser o crime que contém todos os crimes, com a repressão a golpear grupos e indivíduos em todo o globo (Espanha, República Checa, França, Grécia, Chile, etc.), decidimos que esta palavra não está vazia, carrega às suas costas séculos de uivos que gritam “Não!”.

E como um fungo especialmente teimoso, aqui estamos e aqui continuaremos…

Para participar na Feira Anarquista do Livro de Lisboa, contacta-nos através do email: feiranarquistadolivro@riseup.net

Lisboa, Portugal: Breve relato duma semana de solidariedade com Mónica e Francisco

A 24 de Março de 2016 realizou-se em Lisboa, cerca das 17h 30, junto ao Consulado Geral de Espanha, uma concentração de protesto pelo julgamento fantoche dos anarquistas Mónica Caballero e Francisco Solar. Presentes cerca de duas dezenas de anti-autoritárixs e anarquistas, tendo sido distribuído um comunicado e um folheto à população, entoadas algumas palavras de ordem “Nem culpadxs nem inocentes”, “A liberdade é o crime que perseguem”, “A liberdade está nos nossos corações, fogo em todas as prisões”, “Julgamento fantoche, terrorismo de estado em Espanha”.

Cerca de três horas depois lançaram-se flyers noutra zona de Lisboa, situação que se repetiu por vários dias, em várias praças de Lisboa, até ao dia 30 de Março.

No total, várias centenas de flyers, comunicados e folhetos foram distribuídos  à população e deixados em vários locais de cultura anarquista ou anti-autoritária.

Uma faixa foi deixada no centro de Lisboa, numa zona turística, exigindo a liberdade imediata dxs compas Mónica e Francisco, em português, espanhol, grego, alemão, italiano, francês e inglês.

Lisboa: Força e liberdade para Mónica e Francisco e todxs xs lutadorxs perseguidxs ou prisioneirxs

força para monica e francisco poster

A LIBERDADE É O CRIME QUE PERSEGUEM

Nem culpadxs nem inocentes: simplesmente anarquistas

Força e liberdade para Mónica e Francisco e todxs xs prisioneirxs e lutadorxs perseguidxs!

Até que a última jaula esteja vazia..

Morte ao Estado e viva a Anarquia!

Hoje ,24 Março, 17h30
Concentração solidária com Mónica Caballero e Francisco Solar
Frente ao Consulado Geral de Espanha
R. Salitre, 3, Lisboa

Lisboa, Portugal: Concentração no Consulado Geral de Espanha por Mónica e Francisco – 24/03

monica e francisco 1

NEM CULPADXS NEM INOCENTES
5ª feira 24 de Março 17: 30
Consulado Geral de Espanha
R. Salitre 3, Lisboa

Para o Estado, terroristas são aquelxs que põem em perigo os seus interesses. Fartxs desta realidade de medo, corrupção, abusos policiais, manipulação mediática, alguns/mas decidem não se resignar e lutar. Por isso são perseguidxs.

CONCENTRAÇÃO DE REPÚDIO PELO JULGAMENTO FANTOCHE DXS ANARQUISTAS MÓNICA CABALLERO E FRANCISCO SOLAR

SOLIDARIEDADE COM XS ANARQUISTAS DETIDXS

ABAIXO OS MUROS DE TODAS AS PRISÕES

solidárixs

Ações internacionais coordenadas em solidariedade com Evi Statiri (em greve de fome desde 14/9)

No período de 12 a 17 de Setembro de 2015 alguns/mas dxs participantes da rede de Contra Info levaram a cabo uma série de ações em solidariedade com a presa em luta Evi Statiri – em greve de fome desde 14 de Setembro – exigindo o fim da prisão preventiva que lhe foi imposta há seis meses.

Se Evi Statiri está de cana isso deve-se à mania da vingança dos aparelhos repressivos da democracia grega – desencadeada após o plano de fuga falhado dos companheiros presos da Conspiração das Células de Fogo no início de 2015 e tendo como alvo parentes e amigos dos membros da organização.

Quando o Poder se vê incapaz de dobrar presxs subversivxs então volta-se para o seu entorno íntimo e solidário, procurando semear o medo e punir tudo o que não se encaixa no calhamaço da bíblia da legislatura, o que trespassa os muros da prisão, o que vai além da dicotomia inocência e culpa: a solidariedade.

Após Evi Statiri ter escolhido a greve de fome como forma de luta, fazemos uma chamada aos e às companheirxs de todo o mundo para uma ação anarquista polimorfa que fortaleça esse grito de liberdade. Que ressoe nas ruas: EVI STATIRI LIVRE JÁ!

Deixamos aqui algumas das fotos das ações realizadas nos territórios controlados pelos estados da Bolívia,
França, Grécia, Portugal, Chile e Espanha, esperando com expetativa as suas contribuições a contrainfo [arroba] espiv.net
15 33-1024x576 24-1024x768 41-1024x768 – Uma faixa foi colocada em La Paz (Bolívia), onde se pode ler: “A partir da Bolívia saudamos-te, companheira Evi Statiri, sequestrada pelo Estado grego”; folhetos também foram distribuídos: “Da Bolívia à Grécia, liberdade para Evi Statiri – A tua luta dentro da prisão é um sinal de ferocidade indomável frente ao Poder e repressão” 16-768x1024 25 34-768x1024 – Folhetos e volantes em Toulouse (França): “Solidariedade com Evi Statiri, presa política na Grécia – Evi Statiri está detida em prisão preventiva nas prisões de Korydallos, na Grécia, desde 2 de Março de 2015, presa por ser a companheira de vida de Gerasimos Tsakalos, membro preso da Conspiração das Células de Fogo (organização revolucionária anarquista internacional). Após ver novamente recusado o seu pedido de libertação, iniciou uma greve de fome no dia 14 de Setembro – Fogo às fronteiras – Fogo às prisões ” 17 26-1024x582 35-1024x768 42 – Duas faixas na Escola Politécnica de Atenas, em Exarchia (Grécia): Numa pode ler-se “Evi Statiri, continua firme – Somos todos familiares das Células de Fogo – Morte aos juízes!” e na outra “Nem inocentes, nem culpados – Solidariedade com Evi Statiri” evi-statiri_lisboa-1024x530 18 27-1024x722 – Uma faixa foi colocada na zona central e turística da cidade de Lisboa, Portugal : “Liberdade para Evi Statiri”. Foram também distribuídos folhetos assinados por alguns e algumas anarquistas onde, além da descrição da situação de Evi e de um extrato da sua carta (prisão de Koridallos, 7 de Setembro de 2015), se pode ler: ” Solidariedade internacionalista e anarquista com Evi Statiri – Após 6 meses de prisão preventiva, ato de pura vingança e arbitrariedade do poder, Evi Statiri iniciou uma greve de fome, a 14 de Setembro de 2015 nas masmorras da democracia grega, até à sua libertação incondicional (…) Liberdade para xs que estão nas celas – Libertação imediata de Evi Statiri – Levantamento das medidas restritivas contra Athena Tsakalo!” 19 – Faixa em Santiago do Chile com as palavras de Evi: “O medo pode governar mas não reina nas mentes e corações das pessoas livres – Evi Statiri livre já” 113-1024x768 – Pintada a spray onde se pode ler – Evi askatu! (“Evi livre!”, em basco) e outras mais nas ruas de Iruña / Pamplona, Navarra (Espanha)

"Liberdade para Evi Statiri"
“Liberdade para Evi Statiri”
"Liberdade para Evi Statiri, companheira na Grécia"
“Liberdade para Evi Statiri, companheira na Grécia”
Solidariedade com Evi Statiri
Solidariedade com Evi Statiri

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 "Até a destruição total de todas as prisões - Evi livre"

“Até a destruição total de todas as prisões – Evi livre”
"Liberdade para Evi Statiri"
“Liberdade para Evi Statiri”
Evi Stariri livre
Evi Stariri livre

em inglês espanhol grego

De Portugal até Grécia: Força para xs presxs em greve de fome

Na quarta-feira, 18 de Março de 2015, saímos às ruas para expressar a nossa solidariedade com a luta dxs grevistas de fome nas prisões gregas. No cais dos barcos de Cacilhas, na zona da cidade de Almada, deixou-se uma faixa onde se pode ler: “Força presxs na Grécia. Fogo às prisões! (A)”

Espalhados ficaram flyers (1, 2) por ruas e praças, jardins e passeios, de várias zonas de Almada e Lisboa, onde se apela à solidariedade através da luta anarquista: “Luta pela demolição total do Estado e do Capital // Luta sem trégua pela abolição de todas as prisões // Contra qualquer governo, contra todo o poder // Solidariedade com xs grevistas de fome nas prisões gregas // Cumprimento imediato das demandas dxs presxs na Grécia // De Portugal até Grécia, força para xs grevistas de fome // Resistência anarquista em todo o mundo // Fogo e explosões a todas as prisões!”

Europa: Gestos solidários com Diego Ríos e Tamara Sol Farías Vergara

Alguns/algumas participantes da rede Contra Info decidimos coordenar as nossas forças para dar maior visibilidade aos casos dxs dois companheirxs anarquistas que recentemente sofreram represálias por parte dos verdugos do Estado chileno: Diego Ríos e Tamara Sol Farías Vergara.

A 4/2/2015, Tamara Sol Farías Vergara foi condenada a mais de 7 anos de prisão – após um ano em prisão preventiva – por ter disparado contra um guarda do BancoEstado, em Santiago (Janeiro de 2014). A 7/2/2015, Diego Ríos foi detido – após 5 anos e meio em fuga – acusado por porte ilegal de materiais explosivos encontrados no verão de 2009, encontrando-se neste momento em prisão preventiva.

De 24 a 26 de Fevereiro de 2015 realizámos nos territórios controlados pelos Estados da Grécia, Portugal, Espanha e França as seguintes ações de propaganda:

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lienzo-diego3– Faixa colocada na praça de Exarchia, em Atenas, onde se pode ler: Força a Diego Ríos, anarquista preso no Chile. Sempre em pé de guerra.

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lienzo-tamara-sol3– Faixa colocada nas grades da Politécnica (rua Stournari), em Atenas, onde se pode ler: De Atenas até Santiago, liberdade para Tamara Sol.

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lisboa3– Lançamento de flyers em Lisboa com as seguintes palavras de ordem: Solidariedade ativa com Diego Ríos, preso anarquista no Chile // O caminho da liberdade nasce sobre as ruínas da sociedade carcerária // Liberdade para Tamara Sol, presa anarquista no Chile // Vingança pelxs nossxs mortxs, vingança pelxs nossxs presxs // Força para Diego Ríos, anarquista sequestrado pelo Estado chileno // Fogo às fronteiras, fogo às prisões // Cumplicidade com Tamara Sol, anarquista sequestrada pelo Estado chileno // Morte ao Estado e que viva a Anarquia.

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stencil3 – Stencil nas paredes de Oeiras, distrito de Lisboa, com a palavra de ordem: Solidariedade Tamara, Diego (A).

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barna2– Faixa colocada numa saída de Barcelona onde se pode ler: Força para Diego e Tamara!. A prisão não parará o nosso desejo de liberdade.

– 2 faixas no centro de Marselha (não fotografadas, infelizmente). Numa pode ler-se: “Solidariedade com xs anarquistas presxs ou na clandestinidade” e na outra: “Diego Ríos, Tamara Sol Liberdade (A)”.

Através destes gestos simbólicos mostramos o nosso apoio a Diego e Tamara Sol, trespassando as fronteiras e procurando também reforçar a solidariedade internacionalista com xs nossxs irmãos e irmãs presxs. Não esquecemos todxs xs outrxs presxs combativxs, no Chile e no mundo inteiro.

Em frente compas, ânimo e luta até se destruirem todos os muros do Poder!

Lisboa: Crónica breve da concentração solidária exigindo libertação imediata dxs anarquistas presxs na “Operação Pandora”

Hoje, 29 de Dezembro de 2014, cerca das 18 horas, em frente ao consulado-geral de Espanha em Portugal, começaram a concentrar-se dezenas de solidárixs assim como dezenas de polícias, a proteger as instalações daquele e em várias carrinhas policiais numa rua lateral. Várias faixas, solidárixs a distribuir flyers, comunicados tanto sobre a “ley Mordaza” como informação solidária com xs 7 compas sequestradxs pelo estado espanhol e sobre a situação de alguns outros sequestrados pelo estado grego.

Cerca de duas horas depois uma carta de Mónica Caballero sobre a Operação Pandora, presa numa faixa anarquista, foi deixada abraçada a uma árvore, frente ao edifício representante do terrorismo de estado espanhol. Partimos em desfile até à Praça do Rossio, seguidxs pelas carrinhas da polícia. O trânsito intenso “prendeu-as”, a noite e o barulho das luzes deixaram-nos na Praça do Rossio, tempo ainda para solidárixs “redecorarem” a Praça com as faixas e continuar-se a distribuição de flyers.

LIBERDADE ANARQUISTAS PRESXS!
ABAIXO OS MUROS DE TODAS AS PRISÕES!

Lisboa: Concentração contra o terrorismo de estado e pela libertação imediata anarquistas presxs na Operação Pandora, em Barcelona e Madrid

conc“A solidariedade com aqueles que passaram à ofensiva tem sido sempre criticada por todos aqueles pseudo revolucionários que vêem as práticas anti-autoritárias como uma bela prática da juventude, mas quando a guerra acarreta custos elevados se apressam a sair de cena e a serem meros espectadores de uma batalha, já que não tiveram nem ovários nem culhões para a seguir; por outro lado não se trata de fazermos uma imolação em grupo e entregarmo-nos de bandeja ao inimigo, mas o que aconteceria se não se tivessem gestos solidários com quem foi atingido pelo capital? É menos perigoso apoiar somente os que são legalmente inocentes? Eu sou anarquista e não me interessa as leis da sociedade. A solidariedade não é somente uma palavra bombástica nos comunicados, é uma prática material e concreta.

Qualquer anti-autoritário enjaulado não pode sentir-se abandonado seja qual for o lugar onde se encontre. Amanhã pode ser tarde…

[…]

A hegemonia do poder usa (usará) as mesmas estratégias, o processo que está ocorrendo nesta parte do mundo é uma cópia má de outros processos, o vosso caso será um modelo a seguir para muitíssimos governos, é como “a grande vitória antiterrorista”, mas estas ideias persistem desde que surgiu a mais bonita das desobediências, não se derrotam, pelo contrário, fortalecem-se em outro/as que as trazem tatuadas no peito.”
-Mónika Caballero,
Anarquista à espera de julgamento (Chile, julho de 2011)

Solidariedade com xs anarquistas detidxs na “Operação Pandora” em Madrid e Barcelona, a 16 de Dezembro de 2014.

LIBERDADE IMEDIATA ANARQUISTAS PRESXS!

ABAIXO OS MUROS DE TODAS AS PRISÕES!

Concentração junto à embaixada de Espanha, 2ª feira, 29 de Dezembro, 18 horas, em Lisboa.

Lisboa: Ação solidária com Nikos Maziotis e Antonis Stamboulos, anarquistas presos na Grécia

lisboa

solid lisboa

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sol ptAo final da tarde de dia 24 de Novembro de 2014, na Praça do Rossio em Lisboa, foi colocada uma faixa de solidariedade com xs lutadorxs na Grécia, tendo sido distribuídos comunicados à população e disseminados também em locais de cultura anarquista.

Na faixa pode ler-se: “Solidariedade com xs lutadorxs na Grécia. Nikos Maziotis – Antonis Stamboulos. Liberdade (em grego)”

O comunicado que foi distribuído (em formato pdf aqui):

Nikos Maziotis, lutador anarquista e membro do grupo de guerrilha urbana Organização Luta Revolucionária, foi capturado em Atenas, na Grécia, após um confronto armado com os polícias que o perseguiam, no dia 16 de Julho de 2014, tendo sido baleado num braço. Após ter tido alta, foi transportado às prisões de Koridallos, em Atenas, mas por pouco tempo, pois a 26 de Julho foi transferido para a prisão de Diavata, perto de Tessalónica, numa atitude vingativa por parte do Estado grego, já que nesta prisão não existem as mínimas condições para tratamentos de feridos com gravidade.

Antonis Stamboulos, anarquista, foi detido a 1 de Outubro de 2014, em Atenas, de forma arbitrária, sob acusação de terrorismo e suspeita de pertencer ao grupo de guerrilha urbana Organização Luta Revolucionária. Foram-lhe retiradas à força amostras de ADN e as impressões digitais, sofreu torturas na prisão e só lhe foi permitido falar com a sua advogada 24 horas após a detenção. A dia 6 de Outubro, em Atenas, anunciou ter entrado em greve de fome e sede após suspeitar que a sua prisão preventiva iria ser passada muito longe da família e da sua advogada, exigindo ficar em Atenas, mas foi transferido a 7 de Outubro para a prisão de Larissa, muito afastada de Atenas. Deu por terminada a greve de fome e sede a 11 de Outubro, já na prisão de Larissa, pois concluiu que – tendo sido mobilizadas milhares de pessoas por toda a Grécia em protesto pela sua situação – havia condições para a luta continuar de outra forma.

Na Grécia, como em Portugal ou noutra qualquer parte do mundo, a ordem é para atacar por todos os meios quem resista, perseguindo implacavelmente todos os/as lutadores/as, aprisionando-os/as, torturando-os/as, matando-os/as, se preciso for. Os cães do poder são pagos para isso, as leis são feitas para proteger todos os crimes de terrorismo de estado, todos os crimes do capitalismo. O capitalismo, de todos os matizes, alimenta-se destas situações enquanto as populações se mantêm inertes, aterrorizadas ou adormecidas, ignorando a que ponto a sua inação reforça todo o fascismo que se tenta instalar por todo o lado.

Somos contra todas as fronteiras, contra todas as formas de poder, de subordinação, contra todas as formas de capitalismo. Poderíamos apelar à solidariedade com estes anarquistas ou com todos/as os/as outros/as anarquistas que lutam diariamente em todo o mundo pela destruição deste sistema, pela liberdade, mas consideramos que a única forma de defender a sua liberdade e a sua vida é todos/as cuidarmos da nossa liberdade e da nossa vida. É lutarmos corajosamente e dignamente contra esta tirania global, é não cedermos nem um palmo ao avanço do terrorismo de estado. A luta é multiforme, avancemos!

A paixão pela liberdade é mais forte do que todas as prisões!

Alguns e algumas anarquistas

em inglês

Lisboa: Mostra de Edições Subversivas

Dias 26, 27 e 28 de Setembro na BOESG
Rua das Janelas Verdes nº 13 1º Esq. – Santos – Lisboa

Na realidade em que vivemos, poucos são os espaços não virtuais de confluência criados para o debate e exposição de ideias críticas dos vários processos de dominação e exploração em que nos vemos enredados. A criação desses espaços é de vital importância na construção de um discurso que ataque esses mesmos processos, gerando uma cumplicidade prática entre os diversos indivíduos que constituem a base dessa crítica.

É nesse sentido que criamos este espaço de debate e de mostra de edições subversivas, para que continuemos a fazer da palavra uma arma que ataque tudo aquilo que repudiamos nesta sociedade e para a construção de alternativas que nos libertem das relações de dominação nela prevalecentes. Durante três dias haverá espaço para a apresentação de livros, revistas, jornais, fanzines, música e vídeo, ponto de partida para o debate de ideias e práticas que contribuam para a subversão dessa mesma realidade em que vivemos.

contacto: mostradedicoesubversivas@riseup.net

Mais informação aqui.

Lisboa, Portugal: Ação em solidariedade com o anarquista Kostas Sakkas em greve da fome na Grécia

Na quinta-feira, 27 de junho de 2013, durante uma marcha de protesto no centro da cidade de Lisboa, no âmbito da greve geral lançada pelas Confederações Sindicais em Portugal, realizamos uma ação de solidariedade com o anarquista Kostas Sakkas, prisioneiro na Grécia (desde dezembro de 2010).

O companheiro iniciou uma greve de fome desde 4 de junho, exigindo a sua imediata libertação da prisão. O dia 4 de junho também foi o dia em que o período de sua prisão preventiva acabou —de acordo com a lei grega, 30 meses são o tempo máximo que um prisioneiro acusado em dois casos pode ser mantido em prisão preventiva.

Durante a manifestação, 400 cartazes anarquistas foram colados e centenas de panfletos foram jogados ou colados nas paredes, como um gesto mínimo de solidariedade para com o nosso companheiro na sua luta permanente pela liberdade e pela vida.

Bruxelas, Bélgica: Operação Cinzas – Registos em casas de compas

No dia 22 de Maio de 2013, cerca das 6 da mamhã, dezenas de polícias da unidade anti-terrorista da polícia federal judicial investigaram e registaram 3 domicílios – onde vivem compas anarquistas e anti-autoritários/as, para além da biblioteca anarquista Ácrata. Todas as pessoas presentes (11) foram detidas e levadas aos escritórios da polícia federal.

As acusações são: pertença a organização terrorista, associação de malfeitores e incêndio(s) voluntário(s). A operação foi batizada “cinzas (cendres)” e é dirigida pela juíza de instrução Isabelle Panou, tristemente célebre pela sua larga carreira ao serviço do Estado.

A polícia levou numerosos documentos,objetos pessoais, computadores pessoais, e tudo o que fosse relacionado com a informática, os telemóveis, o material de agitação, etc. Durante as declarações, nas quais todos/as se negaram a colaborar – parece que a investigação remonta a lutas, revoltas e atividades desde 2008 até hoje – em especial, contra as prisões, a construção do novo centro encerrado de Steenokkerzeel, os transportes públicos (STIB), as instituições europeias e os eurocrátas, a construção de um RER (rede ferroviária express) em Bruxelas, a NATO, a máquina de expulsão, os agentes executivos e a construção de uma mega-prisão em Bruxelas. Também estão a apontar contra publicações como Hors-Service ou, mais em geral, escritos, cartazes, etc, difundidos por anarquistas e anti-autoritários.

Cerca das 13:00, soltaram toda a gente, sem terem comparecido perante o juíz de instrução.

Perante estas acusações de terrorismo e o seu chorrilho de intimidações e perseguições, não se pode abandonar as ideias e os atos que visam a destruição de toda a autoridade e a alegria que esta batalha produz.

Continuaremos a lutar pela liberdade, até ao derrube  deste mundo mortífero que nos oprime e explora.

Nada está terminado, tudo continua
Ataquemos a quem nos oprime

Bruxelas, 23 de Maio de 2013

Na foto: Pintada de Lisboa com amor, em solidariedade com os/as compas assaltados/as e detidos/as em Bruxelas.

Lisboa: Entrevista a membros NO MUOS

Em meados de Maio, alguns compas pertencentes ao NO MUOS realizaram em Lisboa uma sessão informativa tendo alguns/algumas miembros de Contra Info decidido aproveitar a oportunidade para lhes fazer uma entrevista. O NO MUOS é um movimento em luta contra a base da NATO instalada na Sicília. Segue-se mais alguma informação sobre isso.Contra Info: O que é o MUOS?
No MUOS: O MUOS é mais um de muitos projectos militares criados em território italiano contra a saúde, a vontade e o respeito pela população. Mesmo em 2012, é ainda a guerra que faz de patroa.

Acrónimo de Mobile User Objective System, é um sistema integrado de telecomunicações satélites desenvolvido pela marinha militar estado-unidense, dotado de cinco satélites geoestacionários e quatro estações terrestres. Qualquer uma destas estações apresenta três grandes parabólicas com um diâmetro de 18,4 metros e duas grandes antenas de 149 metros de banda UHF. Esse sistema será utilizado para coordenar de forma minuciosa todos os sistemas militares estado-unidenses dispersos pelo globo, em particular drones (aviões sem piloto) e submarinos, mas também poderá controlar as comunicações civis.

O programa MUOS, gerido pelo departamento de defesa dos Estados Unidos, está ainda em fase de desenvolvimento e prevê-se que os satélites entrem em órbita em 2015.

C: O MUOS é perigoso em que medida?
N: Neste momento estão construídas três estações terrestres, instaladas na Virgínia, na ilha do Hawai e na Austrália, todas dispersas por zonas desérticas. Só a que está projetada para a Sicília será instalada num zona bastante próxima de áreas habitadas, de modo que irá afetar não só a população de Niscemi – que se encontra apenas a um par de quilómetros da base, em linha recta – mas também das vilas vizinhas (Vittoria, Comiso, Gela, Caltagirone, Acate).
Deve também ser dito que a base militar americana NRTF-8 (Naval Radio transmitter Facility) de Niscemi, onde será instalada a estação MUOS, encontra-se operacional desde 1991 e conta já com 41 antenas com uma potência de emissão na ordem dos 500-2.000 KW. Estudos baseados em dados recolhidos pela ARPA Sicília afirmam que se encontra cientificamente provado o receio que a atual instalação supere os limites impostos na lei para emissões electromagnéticas.

Os campos electromagnéticos produzidos poderão interferir com qualquer equipamento eletrónico, com by-passes, cadeiras de rodas, pacemakers, mesmo a uma distância de 140 quilómetros. Entre os efeitos mais comuns para a saúde humana estão indicados os deslocamentos de retina, as cataratas, o risco de esterilidade e a formação de tumores. Infelizmente, a incidência de tumores é em geral mais elevada entre as crianças, sobretudo em relação ao aparecimento de leucemias.

Outro “detalhe” que torna tudo ainda mais interessante é o da base militar se encontrar dentro de uma reserva natural, a Sughereta di Niscemi, um dos poucos parques naturais com sobreiros em Itália e que conta com uma vegetação densa e exuberante protegida por leis que proíbem quem quer que seja de causar danos ou de deturpar a fauna e a flora existentes na área. No ano 2000, o parque tinha sido inserido na Rede Natura 2000 como sítio de importância comunitária (sic).

C: Que é o NO MUOS?
N: O comité NO MUOS de Niscemi nasce neste contexto, nos últimos dois anos juntou, multiplicando-se, pessoas das vilas vizinhas e de outras realidades associativas sensíveis à questão. Exprimindo, desde o início, fortíssimas preocupações em relação às consequências que a instalação deste “EcoMUOStro” (ecomonstro) poderia trazer, acima de tudo, para a saúde humana, para o ecossistema de Sughereta e para a qualidade dos produtos agrícolas. Desde há mais de 4 meses que os ativistas do comité No MUOS e as pessoas locais vigiam dia e noite a estrada de entrada da base, procurando fechar de forma física a entrada dos trabalhadores contratados para a construção do MUOS, com bloqueios removidos, continuamente, pela polícia, de forma violenta. Nalgumas cidades da Sicília e de Itália nasceram comités de apoio a esta luta popular.

C: No meio de tudo isto movem-se as empresas ligadas à máfia na Sicília… Qual é a sua reação ao NO MUOS?
N: O movimento já se confrontou com a máfia. Ela não tem interesse nisso, já recebeu todo o dinheiro e, agora, tem uma posição neutral.

C: Na Sicília, uma nova geração de jovens com fortes sensibilidades ambientais toma consciência do contexto de guerra para o qual o MUOS nos projeta.  É anti-militarista esta luta?
N: A luta No MUOS é uma luta anti-militarista contra o imperialismo americano e a guerra e pela soberania popular, tendo como objetivo a desmilitarização da reserva natural do bosque de sobreiros da Sícilia e a do mundo inteiro.

C: Partindo da preocupação com a saúde e com o ambiente passou-se a uma dinâmica de ativismo autónomo dos partidos…o futuro do No MUOS é uma geração libertária na Sicília?
N: Pode vir a ser, tudo depende da habilidade dos companheiros: não deixar espaço aos partidos e estar sempre presente.

C: Como anarquistas, que dificuldades encontram dentro do NO MUOS, apesar da horizontalidade deste movimento?
N: As dificuldades são da ordem da paciência, de se colaborar com pessoas com diferentes posições políticas e de não se ter pressa para realizar as ações de que a maioria não pode ainda compreender a importância.