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Declaração de Marius Mason para a jornada de ação e solidariedade com xs prisioneirxs trans a 22/01

Feliz Ano Novo, família e amigxs! O meu muito, muito obrigada por tanto apoio e por toda a atenção recebida ao longo deste ano, quer seja dxs amigxs de longa data ou dxs novxs amigxs por correspondência. Sinto-me muito grato e sempre humilde perante o incentivo e recursos que me são enviados por pessoas que estão a fazer já tanto para aumentar as nossas chances de sobrevivência coletiva. As notícias [EUA] estão plenas de histórias sobre alguém ter ganho a grande pilha de dinheiro que se acumulou para o Lotto americano – mas o mais importante “ganho” não tem nada a ver com dinheiro. Estou a apostar no movimento para ganhar em grande este ano: obter mais força para as nossas comunidades e defendê-las contra a brutalidade policial e desigualdade racial, conquista de mais vitórias para os animais e na defesa dos espaços selvagens, na criação de relações sociais baseadas no respeito, dignidade e compaixão por todas as pessoas … independentemente da sua raça, orientação, credo ou apresentação de género.

Obrigado por nos reunirmos todxs aqui hoje, a dar apoio aos/às membrxs da nossa comunidade que estão a lutar arduamente atrás dos muros para manter as suas próprias consciências intactas. A autonomia sobre nós mesmxs, sobre os nossos corpos, é essencial para que qualquer outro tipo de liberdade seja possível. Ao estenderem a mão aos/às presxs trans confirmam xs seus direitos para definirem elxs mesmxs em relação a si mesmxs – e estão a defendê-lxs contra as vozes avassaladoras que afirmam que elxs não existem e que devem permitir que sejam outros a defini-lxs. No ambiente de isolamento da prisão, isto é tóxico e intimidatório e eleva-se à forma mais cruel de tortura psicológica. Ao oferecer a sua ajuda e solidariedade, pode estar até a salvar uma vida. Eu sei, porque no passado ano e meio lutei para me afirmar como um homem trans, porque me bati para obter o alívio de uma ajuda médica adequada à minha disforia de género – e foram os lembretes ternos e amorosos da minha família alargada que me deram força e coragem para continuar. Por favor, junte-se a mim para oferecer esta assistência a tantxs outrxs que dela precisam para continuar. Não subestime o poder curativo de uma carta, essas cartas permitiram que eu continuasse … e eu quero retribuir este presente, se concordar em me ajudar.

Mais uma vez obrigado por se terem juntado neste dia, em conexão com xs de dentro que realmente precisam de vós, que precisam que vocês xs vejam como elxs realmente são e estão a lutar para ser. Até às prisões desaparecerem precisamos trabalhar duro para apoiar aquelxs de nós que estão cá – especialmente aquelxs de nós que nem sempre são tão visíveis para o resto do mundo. Somos sempre mais fortes juntxs.

Marius Mason
Janeiro de 2016

22 de Janeiro – Dia de ação pelxs prisioneirxs trans

itpsdJuntemos-nos a 22 de Janeiro de 2016

A 22 de Janeiro de 2016 será o primeiro ano de um dia de ação pelxs prisioneirxs trans: um dia internacional de ação em solidariedade com prisioneirxs trans.

Esta é uma chamada à ação contra o sistema que exclui a nossa existência. A sobrevivência de pessoas trans e outras minorias sexuais não faz parte do léxico comum sendo a luta que empreendemos para viver num mundo decidido a nos marginalizar, desumanizar e criminalizar – especialmente às mulheres trans e às pessoas trans nativas, negras e latinas.

Discriminam-nos em todos os âmbitos da sociedade, incluindo a habitação, saúde e emprego. A nossa sobrevivência é sempre precária e muitxs de nós sobrevivemos com um trabalho criminalizado também ele, tornando-nos mais um alvo para o assédio policial e o crime de “caminhar sendo trans”.

Uma vez encarceradas, as pessoas trans são confrontadas com a humilhação, o abuso físico e sexual, a negação de suprir as suas necessidades médicas e as represálias legais. Muitas das pessoas trans são postas em confinamento solitário durante meses ou anos, só por serem trans. As mulheres trans são postas geralmente em prisões de homens – onde existe um risco maior de sofrer violência sexual.

Da mesma forma as suas vidas são violentamente reprimidas lá fora e atrás dos muros – as pessoas trans experimentam o sofrimento e a morte atrás dos muros das prisões, no interior das cadeias, prisões, centros juvenis e centros de detenção para imigrantes.

O dia de ação pelxs prisioneirxs trans de 22 de Janeiro é um dia para reconhecer as experiências de pessoas trans e de outras minorias sexuais. Tem a ver com colaboração. Como forjar novas relações e desmantelar o isolamento da prisão. Tem a ver com a resistência à violência estatal. É sobre a solidariedade entre aquelxs que experimentam a violência do sistema em primeira mão e para aquelxs a quem o estado ainda não encontrou.

Muitos grupos abolicionistas e de apoio a presxs de todo o mundo fazem um excelente trabalho ao escreverem cartas a prisioneirxs, educando o público com cartas a editores e artigos para os media – levando a cabo protestos e marchas, a organização das comunidades queer para se fazer chamadas de massas e para exigir que xs presxs trans sejam tratadxs com respeito e dignidade além do fim da sua detenção. O dia de ação pelas pessoas trans tem como objetivo tornar acessível esta atividade a qualquer pessoas que queira apoiar – animamos-vos a fazerem vigílias para todxs aquelxs que nas nossas comunidades sofreram a violência estatal, a celebrar um evento, fazer palestras, projectar vídeos e realizar oficinas para difundir o tema das experiências dxs presxs trans, compartilhar conhecimentos e construir estratégias de resistência. Fazer festas e recolher fundos para as pessoas e grupos que já estão a levar a cabo um trabalho incrível. Atuemos. Unamos-nos e mostremos a nossa convicção de nos apoiarmos uns/umas aos/às outrxs, pondo fim às prisões de uma vez por todas.

Este projecto foi imaginado por Marius Mason, prisioneiro trans do Texas, Estados Unidos. Desde aí, através dxs seus/suas amigxs e do seu grupo de apoio, um coleticvo internacional de pessoas – dentro e fora dos muros das prisões – uniu-se para fazer do dia de ação pelxs prisioneirxs trans uma realidade. Somos pessoas trans e não-trans, amigxs e simpatizantes. Unimos-nos, naquilo que já é uma larga tradição para pessoas queer e trans que resistem à violência estatal.

Une-te a nós na luta pela liberdade.

Aqui podes descarregar o cartaz da chamada em pdf

em inglês l espanhol l alemão |italiano | francês via IAATA

[EUA] Liberdade a Marius Jacob Mason!

7 de Julho de 2014, 

marius

Gostaríamos que todxs soubessem que Marius Jacob Mason não irá usar mais o nome Marie e passará a usar um pronome masculino. Esperamos que se juntem a nós a apoiar Marius nesta transição, que será sem dúvida ainda mais desafiante dentro do sistema prisional. Até o seu nome ser mudado legalmente, qualquer correio enviado para Marius na prisão precisará ainda de ser dirigido a “Marie Mason”, no envelope. O mesmo para as doações. Por favor escrevam a Marius, neste momento! Receber mensagens amistosas e de apoio faz toda a diferença.

Marie Mason #04672-061
FMC Carswell, Federal Medical Center
P.O. Box 27137, Fort Worth, TX 76127 (USA)/EUA

Todas as cartas têm de ser escritas só em inglês.

Abaixo encontra-se um excerto de uma declaração lida por Moira Meltzer-Cohen, uma das representantes legais de Marius, num evento de solidariedade organizado recentemente pela Cruz Negra Anarquista da cidade de Nova Iorque:

Não tem sido nem será fácil para Marius fazer uma transição enquanto está sobre custódia da parte mais hedionda do sistema prisional dos EUA. Mas podemos tornar este processo um pouco mais fácil apoiando a sua identidade de género, usando os pronomes masculinos apropriados e o seu nome correcto, escrevendo-lhe e a outrxs trans presxs dando um apoio social significativo, e custeando batalhas legais e necessidades médicas tanto dentro como fora da prisão.”

Mais informação: supportmariusmason.org