Atenas, Grécia: Carta do prisioneiro anarquista Andreas Tsavdaridis a partir da prisão de Korydallos

4 de Setembro de 2013

“Para a minha meta desejo ir, continuo a minha caminhada; passarei por cima dos indecisos e dos retardatários. Que seja a minha caminhada o seu ocaso!”
-Friedrich Nietzsche

Este texto não é dirigido ao espaço anarquista oficial e às suas estruturas corroídas. Desprezo os seus estereótipos, o fétido hálito putrefacto da sua fixação e considero que este ambiente “anarquista” de burocratas é um enclave do Poder, já que reproduz os seus valores. Não tenho intenção alguma de fazer relações públicas nem desejo nenhum tipo de solidariedade ou ajuda não oficial de dignatários e subordinados do lifestyle anti-autoritário.

Estou-me a dirigir às minorias; às individualidades que mostram o seu desprezo e que burlam não só a Dominação, mas também os seus serventes, não hesitando em passar à ação contra a essência da civilização contemporânea; a todos/as esses/as anarquistas da práxis, que se alinham com a rede informal da FAI e que furiosamente orquestram os seus planos destrutivos, causando dor de cabeça no campo do inimigo.

A 11 de Julho, fui detido por uma unidade das forças anti-terroristas, quando regressava a casa. Fui colocado no interior de um carro convencional ao seu serviço, em Tessalónica, e passado um par de horas encontrava-me no piso 12 do quartel general da polícia de Atenas. A 17 de Julho fiquei em prisão preventiva e desde então tenho estado encarcerado nas prisões de Korydallos.

Assumo a responsabilidade do envio de um pacote  incendiário ao ex-comandante das forças anti-terroristas, Dimitris Chorianopoulos, como célula da FAI-FRI, sob o nome Comando Mauricio Morales. Continuo sem arrependimento pela minha escolha. Um golpe contra o complexo de segurança é um ataque direto ao coração do sistema; um ataque direto às instituições estatais, as quais operam independentemente da formulação de políticas dos respetivos governos, tendo como missão a perpetuação da Dominação sobre a minha vida.

Creio que o Poder é uma inspiração e uma consequência imediata dos valores da sociedade. O Poder é uma ideia. Parece algo inacessível, como um deus que inunda os pensamentos, os sonhos e os sentimentos dos seus fiéis; uma moderna religião social a que as massas se apressam a ser induzidas. Os/as dominadores/as não se impõem através de um golpe de Estado, mas sim pelo consentimento dos/as seus cidadãos/ãs. Todos os problemas de patogênese social são simplemente o lado obscuro  de um mundo que quer viver sem responsabilidades.

Não creio em nenhuma revolução popular. Qualquer coisa baseada nas massas, o rebanho, leva dentro as sementes da escravidão. Essa multidão, cujos valores são determinados por outros/as, é incapaz de definir a sua própria vida. Este conjunto de forças, mesmo que pudesse ser denominada revolucionária, seria derrubada depois da sua explosão, fosse qual fosse o resultado. Os seus participantes buscam um sistema económico mais favorável, à medida dos seus interesses. Eles/as não estão dispostos/as a derrubar os valores da civilização; mendigam simplemente a reforma-restruturação do capitalismo através de meios não institucionais.

Não creio em nenhum futuro paraíso social, como suposta evolução inevitável de uma metafísica predominância de justiça, a qual consagra o Povo como um messias, com o objetivo de alimentar profecias sociedistas. Aquelas teorias encontram-se plenas de ressentimentos e degradam a noção do Humano à nulidade dos seus criadores e os seus advogados.

Contrariamente aos/às fanáticos/as das mobilizações de massas, enfocados/as na libertação do seu papel social, eu busco a libertação da minha própria individualidade de todo papel social. A minha intenção projetual é a constante revolta anarquista contra todo o sistema, contra toda a sociedade e contra qualquer tipo de moralidade de massas. A minha própria guerra tem a sua base na minha vontade e força e ataco tudo o que insulte a minha Estética. Para mim, a guerra é uma loucura Dionisíaca que não pode ser explicada pelas racionalizações dos/as papagaios sociedistas.

Em minha opinião, a solidariedade com um/a prisioneiro/a de guerra deveria ser sempre levada a cabo para se avançar e reproduzir o motivo pelo qual ele/ela  foi aprisionado/a. Assim, em relação a mim, a única solidariedade que reconheço é a luta pela difusão da ação direta anarquista.

Antes de terminar, gostaria de expressar a minha solidariedade com os/as anarquistas encarcerados por todo o mundo: aos/às compas da CCF, Panagiotis, Giorgos, Makis, Olga, Haris, Christos, Theofilos, Michalis,  Damiano, e Giorgos; aos compas Nicola Gai e Alfredo Cospito em Itália,  que estão acusados da ação da Célula Olga; a Gabriel Pombo da Silva, encarcerado nas prisões espanholas; a Marco Camenish, compa prisioneiro na Suíça; ao não arrependido Thomas Meyer-Falk (ainda encarcerado na  Alemanha). A Jock Palfreeman na Bulgária; ao lutador Hans Niemeyer,  assim como aos bandidos Freddy Fuentevilla, Marcelo Villarroel e Juan Aliste Vega, no Chile. Ao compa Henry Zegarrundo na Bolívia, e ao anarquista Braulio Durán no México. Aos fugitivos/as Felicity Ryder e Diego Ríos: mantenham-se firmes!

Força a todas as células da FAI  no México, Equador, Bolívia, Argentina, Chile, Indonésia, Itália,  Grécia, Espanha, Reino Unido, Holanda, Rússia, Bielorússia, Ucrânia, Finlândia, Brasil e Austrália.

HONRA PARA SEMPRE A MAURÍCIO MORALES

Andreas Tsavdaridis
Dikastiki Filaki Koridallou, A Pteryga, 18110 Koridallos
Atenas, Grécia

Ps1: O “PROJECTO FÉNIX” foi iniciado a 7 de Junho de 2013 pelos/as compas da Célula Sole-Baleno/Conspiração de Células de Fogo/Banda da Consciencia/FAI-FRI com um ataque explosivo ao automóvel privado da  diretora da prisão de Koridallos, pela regeneração e o dinâmico ressurgir da nova guerrilha urbana. O projeto encontrou cúmplices nos rostos dos/as nossos/as irmãos e irmãs em Indonésia. A Unidade da Cólera/FAI-FRI e a Conspiração Internacional pela Vingança/FAI-FRI responderam à chamada e atacaram estruturas do  régime indonésio, implementando respetivamente o terceiro e quinto ato do Projeto Fénix. Os/as irmãos e irmãs demonstraram que o discurso  anarquista, acompanhado de ações, pode superar as enormes distâncias que  nos mantêm separados/as. Sabemos que, embora haja compas que passam dos  seus desejos às ações , nenhum prisionero/a anarquista estará só alguma  vez. Irmãos e irmãs da CIV/FAI-FRI, a vossa ofensiva dá-nos coragem. Os  nossos corações estão convosco. Até ao nosso encontro! Até ao final!

Ps.2: O meu companheiro e amigo Spyros Mandylas de nenhuma maneira está envolvido neste caso.