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Prisões gregas: Texto de Panagiotis Argirou tendo em vista o final do julgamento pelo Projecto Fénix

phoenixA TODXS XS COMPAS QUE ATRAVÉS DOS SEUS ACTOS ME DERAM MOMENTOS DE LIBERDADE

Só nos momentos em que a nossa tensão pela liberdade se encontra com a práxis é que somos realmente capazes de viver a anarquia, aqui e agora. Desgraçadamente, o sonho que carregamos nos nossos corações é demasiado grande para se evitar o risco de nos vermos frente à monstruosa muralha da autoridade levantada em defesa do Estado e do Capital. Quando realmente pomos a nossa vida em jogo, inevitavelmente acabamos por nos confrontar com as duras condições associadas à luta: a morte e a prisão.”
Nicola Gai*

Pouco antes do final do 4º julgamento consecutivo contra a Conspiração de Células de Fogo, e contra mim em particular – como um dos anarquistas que assumiu a  responsabilidade pela sua participação na CCF – gostaria de dizer algumas coisas dirigidas não ao tribunal mas a todxs xs companheirxs cuja ação deu ímpeto e subsistência ao Projeto Fénix.

A saudação clara de todxs xs membrxs presxs da CCF aos/às compas da Célula Sole – Baleno (a célula de sinpraxis entre Conspiração das Células de Fogo e Bandas de Consciência), custou-nos, no início, o processo por incitamento a 4 ações do Projeto Fénix: o ataque explosivo contra o veículo pessoal da directora da prisão de Korydallos em Atenas, o ataque explosivo ao veículo pessoal de um chefe dos carcereiros da prisão de Nafplio, o ataque incendiário a um hotel na Indonésia e o envio de uma carta-bomba ao ex-chefe da polícia anti-terrorista, em Atenas.

À posteriori, depois das autoridades competentes terem percebido que o ataque na Indonésia por parte da Unidade da Cólera / Conspiração Internacional pela Vingança – FAI / FRI, nunca se manteria de pé no julgamento, essa acusação caíu antes mesmo do início do julgamento.

No entanto, no que diz respeito aos outros ataques e à acusação em que me consideram instigador, por um lado isso ofende-me porque como anarquista abomino todas as formas de relação hierárquica, mas, por outro lado, ajuda-me a compreender que a dominação se sente ameaçada por guerrilheirxs anarquistas – quando, mesmo que a partir de uma situação de cativeiro, tentam estar presentes e conectadxs com a luta fora dos muros, saudando as hostilidades desencadeadas pelxs seus/suas companheirxs. A dominação sente-se ameaçada quando comprova que a condição de confinamento não é nem de longe suficiente para acabar com a energia combativa dxs presxs anarquistas. Isso por si só é suficiente para que se montem listas inteiras de acusação por incitação. Mas em nenhum caso é suficiente para quebrar a minha moral e o desejo de me conectar com todxs xs compas anarquistas que tomem uma posição combativa.

Portanto, por ocasião do final deste julgamento, gostaria de saudar novamente xs amadxs compas que por todo o lado, em todo o mundo, puseram em marcha a Conspiração da Internacional Negra dxs anarquistas da práxis através dos ataques do Projeto Fénix: do Chile à Rússia e da Alemanha à Indonésia.

Assim, em vez de declarar diante dos juízes, optei por enviar da minha cela um flamejante abraço a todxs aquelxs que optaram por atacar e a quem tenha armado a Anarquia com fogo e pólvora.

Cada actividade em separado, cada ação em especial, deu-me força e iluminou o meu coração com a chama da insurgência anarquista.

Daqui, do país do cativeiro, senti perto de mim cada um/uma dxs compas que das trincheiras do ataque conspirativo prejudicou a normalidade social, de cada forma possível.

A dinâmica que se manifestou com o Projeto Fénix deixou um legado significante, ao estudar o seu impacto dei conta de novas perspectivas de luta aberta para a Anarquia, quando se vai além das fronteiras e distâncias e se elege o choque frontal contra a dominação na base da organização informal.

Foi um desses momentos importantes que me incentivou a contribuir de novo com outra proposta para uma nova posição do combate anarquista através de uma chamada por um Dezembro Negro, um apelo conjunto com o companheiro anarquista Nikos Romanos.

Creio que as perspectivas abertas pelo Projeto Fénix e a coordenação informal da ação direta anarquista a nível internacional podem evoluir para algo mais ameaçador para o Poder, se se encontram com o resto da gama de práticas anarquistas, compondo um mosaico de ação anarquista multiforme a nível mundial que constantemente avança contra o Poder.

Então, tudo o que tenho a dizer à sua justiça é que moralmente, politicamente e em termos de valores, me encontro de todo o coração em cada ataque anarquista contra a dominação. Se quiserem, podem-me acusar de incitação a uma perpétua guerra anárquica contra a dominação, tal como eu poderei acusá-los de incitação a cada ato de barbaridade autoritária assinado em nome da justiça. Nada me daria maior satisfação do que a jubilosa notícia de que uma bala tinha sido cravada na sua cabeça como prémio pela sua vida miserável.

Viva o Projecto Fénix!

Viva o Dezembro Negro!

Viva a Coordenação Informal da Ação Anarquista Multiforme por todo o mundo!

Panagiotis Argirou
membro da Conspiração de Células de Fogo – FAI/FRI
24 de Dezembro de 2015

N.T. * Nicola Gai é um compa anarquista, preso em Itália, que assumiu a responsabilidade pela sua participação no ataque reivindicado pelo Núcleo Olga-FAI/FRI (disparar contra Roberto Adinolfi, o director executivo da Ansaldo Nucleare)

em grego l espanhol l inglês l italiano

[Chile] Projecto Fénix 2016: Dispositivo incendiário contra empresa de segurança, em Santiago

Bird-phoenix-flight-artContra a tirania da realidade que tem sido imposta às pessoas escolho sempre o realismo mágico da anarquia e a revolução que nunca se termina
Christos Tsakalos.

Lutar pela liberdade inclui combater a impunidade de quem reprime e vigia as nossas vidas.

Abrimos a época dos incêndios de 2016 durante a noite de domingo, 3 de Janeiro, atacando com um dispositivo incendiário de ativação retardada os escritórios centrais da ISP Service, empresa de segurança privada criada por um ex-agente de inteligência da ditadura chilena que, como muitos outros ex-agentes da repressão ditatorial, desenvolveram o seu próprio negócio de segurança no sector privado, uma vez chegada a democracia. O nosso fogo conseguiu danificar parte da fachada do edifício localizado na rua Lord Cochrane, no centro de Santiago.

Estamos conscientes de que as empresas de guardas, câmaras e monitoramento remoto são um negócio rentável apoiado pela ideologia da segurança, promovida pelo Estado / Capital e apoiada pela maioria social que, sem questionar os discursos do poder, reproduz e defende a ideia da Segurança Total, fica feliz por em cada esquina de bairro aparecerem cada vez mais câmaras, guardas e bófia.

Acendendo o nosso fogo revoltoso nos narizes de quem vigia, demonstramos uma vez mais a vulnerabilidade da rede de dominação, potenciando as nossas decisões, relações e práticas quootidianas no ataque direto a edifícios, representantes, gestores e defensores do controlo social.

Já o dissemos e reafirmamos-lo: o poder nunca é invulnerável, o ataque anarquista é sempre possível.

A partir da informalidade antiautoritária, organizamos-nos sem especialistas, sem líderes ou hierarquias, para levar a cabo a praxis da conspiração anarquista contra o poder, dando continuidade, através do fogo, ao projeto da Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional, porque a FAI / FRI  cobra vida onde qualquer indivíduo, célula ou grupo forjou com a sua própria AUTONOMIA o ataque direto, sem dar origem a dúvidas sobre as suas intenções, com uma forma de atuar certeira e não indiscriminada, com a SOLIDARIEDADE e o INTERNACIONALISMO anárquico como componentes essenciais de uma sedição libertadora sem centros nem periferia que quebre a normalidade opressiva e construa no presente a perspectiva da liberdade total.

Que mais ações como esta motivem a planificação de mais e melhores ignições e incêndios contra a miséria da ordem estabelecida, lembrando-se sempre de combinar as aprendizagens sobre como fabricar bombas incendiárias/explosivos com os conhecimentos necessários sobre como como deslocarmos-nos de forma segura através da cidade no momento de empreender a ação conspiratória e clandestina.

Combinemos as diversas formas de luta para derrubar este ou qualquer sistema de vida baseado no poder e na exploração!

Saudamos aquelxs que responderam com propaganda e acção à iniciativa por um Dezembro Negro – proposta a partir das prisões gregas pelos companheiros Panagiotis Argirou e Nikos Romanos. Que o ímpeto pela ação e debate não se detenha, que continue, se projecte e se concretize em estratégias de luta e em mais actos de insurreição que criem obstáculo e ponham em perigo os planos do poder.

Saudamos cada presx em luta que se mantenha dignx e consequente nas prisões do mundo civilizado.

Saudamos a vida em luta do guerreiro mapuche Matias Catrileo, assassinado há 8 anos (3 de Janeiro de 2008) pelas balas da democracia, disparadas nessa ocasião pelo polícia Walter Ramirez Espinoza, durante uma ação de recuperação de terras ancestrais.

Saudamos a cada humanx e animal que luta pela sua liberdade passando à ação contra o mundo da autoridade.

E aos/às nossxs companheirxs da FAI/FRI, encontrar-nos-emos novamente no voo da Fénix.

Viva a Coordenação Informal da Ação Anarquista Multiforme em todo o mundo!

Célula Anarquista de Ataque Incendiário “Fogo e Conciência”.
Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional – Chile.

 

em espanhol l inglês  traduzido por Insurrection News

Grécia: Ataque contra o centro estatal de emprego em Larissa

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A 27 de Dezembro, de madrugada, atacámos com pedras a sede de OAED (centro estatal de emprego) no âmbito da chamada por um Dezembro Negro. Enquanto a sociedade se diverte nos templos do consumo xs nossxs compas permanecem encerradxs nas celas da democracia, em todo o mundo. Não esquecemos nada e enviasmos -lhes um sinal de solidariedade e cumplicidade.

Força a todxs xs processadxs pelo Projeto Fénix.

Por um Dezembro Negro e por novo ano ainda mais negro para o inimigo.

Núcleo de destruições urbanas – FAI/FRI

em grego l espanhol

Santiago: Ataque incendiário a empresa de exploração animal

Projecto Fénix 2015: Ataque a empresa de exploração animal. Pela libertação humana, animal e da terra (Chile)

O poder é mantido e reproduzido dia a dia, minuto a minuto, tanto nas relações sociais de todos aqueles que aceitam esta ordem – baseada no exercício da autoridade, dominação e exploração – como em cada uma das instituições, empresas e maquinarias que permitem o seu normal desenvolvimento, sem nunca esquecer a ação voluntária dos dignitários do poder e dos seus cúmplices: empresários, políticos, polícias e os cidadãos defensores do poder e submissão que se esforçam para que se mantenha e funcione a ordem estabelecida.

A luta pela libertação total adquire todo o sentido quando se decide enfrentar a autoridade em todas as suas formas e expressões, pois engloba os diversos cenários ao abrigo dos quais o poder executa o seu domínio. A nossa luta não divide, integra, de forma que lutar pela liberdade total implica também lutar contra o Estado, o capital, o especismo, as hierarquias, a especialização e as múltiplas expressões do autoritarismo.

E, apesar dos esforços do Estado chileno, de modo a eliminar as ideias e práticas de revolta, o ataque direto dos grupos de ação anarquista continua.

Na madrugada de 7 de Abril atacámos os escritórios administrativos da empresa de produção animal Rio Bueno SA, dedicada ao confinamento e matança de animais, nas suas prisões de abate, para posterior comercialização como mercadoria para o consumo humano massivo. O ataque foi realizado com um dispositivo incendiário, munido de um mecanismo retardador que funcionou sem problemas, danificando parte da fachada do edifício.

Os motivos são claros e não faltam. Ao decidirmos lutar pela libertação assumimos a luta de forma plena e completa, sem hierarquizar espécies. Assim, não podemos permanecer passivxs perante a maquinaria especista e assassina que a empresa representa, não podemos permanecer passivxs perante o confinamento, isolamento e morte de centenas de animais.

A nossa luta é anti-especista porque é essencialmente anti-autoritária, é para a nossa libertação, a da terra e a dos animais.

Os símbolos e estruturas de poder estão em toda a parte, é uma questão de audácia e de saltar para a ofensiva, colocando em prática as nossas ideias e valores de libertação, os nossos conhecimentos e o nosso engenho na guerra.

E se bem entendemos a luta como acto multiforme, não hierarquizando os meios e ferramentas que usamos, apelamos para a multiplicação das ações de ataque direto. Fazemos-lo com humildade, mas também com a certeza de que o ataque anarquista autónomo, através de grupos de indivíduos afins, organizadxs de maneira horizontal, é real, possível, e sempre vigente e necessário.

Reivindicamos também esta ação, como parte da proposta organizativa da Federação Anarquista Informal – Frente Revolucionária Internacional (FAI-FRI), visto compartilharmos os objectivo que esta apresenta: ATAQUE ANÁRQUICO AUTÓNOMO, sempre na ofensiva e livre de hierarquias e especializações; INTERNACIONALISMO, pois a praxis anti-autoritária não reconhece barreiras,
Estados nem nações, conectando-se com outras vontades insurretas de todo o mundo; e SOLIDARIEDADE, porque não esquecemos xs nossxs compas encerradxs nas prisões do poder.

Também enquadramos esta ação no Projeto Phoenix, para dar um novo impulso à ação violenta anti-autoritária neste território controlado pelo Estado do Chile, como forma de enfrentar a repressão e demonstrar que o ataque anarquista ainda está vivo e não se renderá.

Hoje em dia, o poder global tenta assegurar o seu domínio, evoluindo no seu modo de operar repressivo para formas cada vez mais totalitárias. Através das suas operações repressivas o poder visa companheirxs anárquicos e revolucionárixs, para colocar tudo sob a difusa e ampla ideia de “terrorismo”.

Do mesmo modo, os solidárixs mais próximos são atacadxs, para castigar o seu apoio axs/ás prisioneirxs e isolar ainda mais a quem se encontre atrás das grades. As últimas operações repressivas em Espanha e a detenção de familiares de companheirxs da Conspiração de Células de Fogo, na Grécia, são exemplo disto, assim como o é a mais recente detenção de Enrique Guzmán – amigo solidário do companheiro Juan Flores – a quem o poder tenta implicar no atentado contra um quartel policial. A crueldade mediática também é outro modo de expressão da repressão do Estado, tal como se viu no caso de Javier Pino e Natalia Collado, acusadxs de incendiar um autocarro de transporte público, os quais precisam agora da nossa solidariedade.

Força e solidariedade com xs companheirxs da Conspiração das Células de Fogo na Grécia e com todxs xs presxs em luta nesse território.

Abraços para Nicola Gai, Alfredo Cospito e todxs xs anarquistas presxs em Itália.

Saudações cúmplices para Mario e Carlos López, companheirxs do México, hoje na clandestinidade.

Solidariedade com Mónica Caballero, Francisco Solar e xs anarquistas detidxs em Espanha.

Saúde para sempre ao prisioneiro Mumia Abu-Jamal, que resiste em luta nos EUA.

Amor e solidariedade em guerra com Nataly Casanova, Juan Flores, Guillermo Durán, Juan Aliste, Freddy Fuentevilla, Marcelo Villarroel, Carlos Gutierrez, Hans Niemeyer e Sol Vergara. Que a convocatória de agitação entre 10 e 20 de Abril, seja frutífera em ação multiforme!

HOJE É O DIA DE PASSAR À OFENSIVA
RUPTURA COM O MEDO E A COMODIDADE
A MULTIPLICAR OS ATAQUES CONTRA O PODER

Célula Anarquista de Ataque Incendiário “Fogo e Consciência”.
Federação Anarquista Informal-Frente Revolucionária Internacional – Chile.

Berlim: Projeto Fénix #11

Projeto Fénix: Sinais de fumo a partir de Berlim

O fogo entra nas tuas cidades, nas tuas noites. Do nosso espírito, nele contido, esculpimos o seu caminho. Irá aquecer xs nossxs amigxs com solidariedade e incendiar o seu gosto pela ação. Transformará o nosso inimigo em cinzas. Imprime-nos bem na tua memória. Queremos o teu coração. Não importa quem és nem tampouco quem eu seja. Talvez a Conspiração vá transformar em cinzas tanto de nós e, ao mesmo tempo, encher-nos-à de vida. O que conta é o caminho em que estamos e que tomámos este caminho porque temos a liberdade de escolher. Esta liberdade evolui na mente, não é algo porque lutar. O que surge depois não é liberdade, mas o poder sobre a própria vida. O que fazemos não é falar disso; isso é o que pelo qual lutamos”. (CCF) [1]

Reivindicação de responsabilidade por alguns fogos postos em Berlim

A 8 de Abril de 2014 incendiámos um veículo da autoridade reguladora municipal e o carro de uma empresa de segurança, perto da principal estação ferroviária de Berlim.

As autoridades reguladoras municipais de Berlim receberam da bófia a tarefa de andar atrás das infracções administrativas e manter os olhos e os ouvidos bem abertos no dia a dia da cidade. Limitados, bisbilhoteiros,  equipados com rádio transmissor e spray de pimenta. Eles trabalham, assim como a bófia, em conjunto com as empresas de segurança privada. Na principal estação ferroviária, compartilham um estacionamento para funcionários com uma empresa de segurança, ao lado de uma esquadra de polícia.

Também assumimos a responsabilidade pelo incêndio dum veículo da embaixada pertencente a uma diplomata grega, em Berlim, a 24 de Abril no distrito de Dahlem, cheio de moradias.

Os representantes diplomáticos de um Estado são exatamente o endereço certo para correspondências ardentes. Desta forma belisca-se o seu sentimento de superioridade e invulnerabilidade, tal aconteceu recentemente com o embaixador alemão em Atenas, em que foram disparados tiros na sua casa. O Estado é em si o problema, algo que muitos lutadores em lutas seccionais não levam em consideração. Nazis são Estado; armamento e tecnologia nuclear são Estado; alterações climáticas e pobreza também são Estado.

Através da nossa acção negamos o monopólio do Estado sobre a violência.

A Alemanha assume uma posição que promove a repressão no que diz respeito à aplicação das políticas de imigração na Grécia. Não é suficiente para a política alemã que a maioria dxs refugiadxs que chegam à Grécia acabem em campos de concentração e que sejam caçados e mortos pelos nazis, com ou sem uniforme.

Os políticos alemães consideram uma ameaça ao seu rico mundo dos brancos xs poucxs queridxs que conseguem atravessar a fronteira grega vivxs. Assim, por exemplo, o ex-ministro do Interior alemão, Friedrich, exige controlos de fronteira mais fortes e medidas mais duras contra aquelxs que, por causa da exploração dos locais onde vivem pelas sociedades ocidentais, são forçadxs a fugir da guerra, da fome e da repressão. O apoio prático desse assassinato em massa  que ocorre nas fronteiras europeias  é visível a todxs quando detetives do Gabinete Federal de Polícia Investigativa Criminal da Alemanha (BKA) estão colocados em aeroportos gregos, a fim de passar o seu conhecimento da Discriminação Racial aos seus colegas gregos. O aparelho governamental alemão tem apoiado os assassinatos nas fronteiras europeias não apenas através do envio de pessoal como também através da pressão para acordos a nível europeu, como o Regulamento de Dublim II.

A 10 de Agosto de 2013, um motim eclodiu em Amygdaleza, um campo de concentração, localizado a 25 km ao norte de Atenas, onde os imigrantes são mantidos em cativeiro pelo Estado grego. Os prisioneiros deitaram fogo aos seus colchões e celas para protestar contra as condições do campo; os guardas foram atacados e muitos imigrantes tentaram sair da prisão – cerca de dez prisioneiros escaparam temporariamente.

Solidariedade aos e às prisioneirxs

Saudamos os prisioneiros Andreas-Dimitris Bourzoukos, Dimitris Politis, Yannis Michailidis, Nikos Romanos, que foram presos no dia 1 de Fevereiro de 2013, acusados de duplo assalto em Velventós, Kozani.

A nossa solidariedade vai também para Fivos Harisis, Argyris Ntalios, Yannis Naxakis e Grigoris Sarafoudis, que foram detidos pelo mesmo caso [2] em Nea Filadelfeia, Atenas.

Força e coragem para os nossos irmãos e irmã, Damiano Bolano, Haris Hadjimihelakis, Giorgos Polydoros, Panagiotis Argyrou, Theofilos Mavropoulos, Christos Tsakalos, Giorgos Nikolopoulos, Michalis Nikolopoulos e Olga Ekonomidou. [3]

Solidariedade a
Tasos Theofilou
Theofilos Mavropoulos
Mónica Caballero
Francisco Solar

Liberdade para todxs xs prisioneirxs!

Em memória de Sebastián Oversluij, que caiu na batalha contra o sistema capitalista. Liberdade para Hermes González e Alfonso Alvial. Liberdade para Tamara Sol!

Força, vigor e coragem para todas as pessoas que estão a lutar. Para todos os imigrantes que partem para romper a Fortaleza Europa. Para todxs aquelxs que têm caído. Todxs xs sem nome. Todxs aquelxs que lutam contra os porcos nas ruas de Atenas.

Contra a construção de fronteiras e nações. Contra prisões! Pela liberdade! Pela anarquia!

Células Autónomas “Christos Kassimis”

Christos Kassimis [membro de Luta Popular Revolucionária (ELA)] foi morto pela bófia emuma Atenas, durante uma tentativa de ataque à empresa AEG alemã no dia 20 de Outubro de 1977. A ação foi uma resposta ao assassinato de prisioneiros [três membros do RAF] em Stammheim.
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Notas dxs tradutorxs: [1] traduzimos as palavras do Alemão da melhor maneira possível, no entanto a origem exata desta citação é desconhecida para nós; [2] para o caso de Velventós, Fivos Harisis e Argyris Ntalios (não para todos os quatro); [3] aparentemente, o nome do Gerasimos Tsakalos foi inadvertidamente omitido.

Atenas, Grécia: Spyros Mandylas e Andreas Tsavdaridis foram libertados da prisão!

LaunchingSpyros Mandylas e Andreas Tsavdaridis foram libertados da prisão em 12 de Janeiro de 2015,  após terem atingido o prazo máximo de 18 meses de prisão preventiva.

Os dois anarquistas foram detidos em 11 de Julho de 2013 em Tessalónica, e, em seguida, enviados para a prisão de Koridallos,  em Atenas, em prisão preventiva e sob acusações de terrorismo.

Tsavdaridis assumiu a responsabilidade pelo envio de um pacote – bomba (como célula FAI-FRI sob o nome de Comando Mauricio Morales) a Dimitris Chorianopoulos, ex-comandante da unidade da polícia anti-terrorista, enquanto Mandylas (participante da Nadir, ex-okupa em Tessalónica) negou todas as acusações contra ele.

Os dois companheiros enfrentam julgamento no tribunal especial da prisão de mulheres de Korydallos, ao lado dxs dez membros presxs da Conspiração das Células de Fogo, desde 4 de Junho de 2014. Andreas Tsavdaridis e Spyros Mandylas são acusados de suposta participação na CCF, tentativa de homicídio do ex-comandante da força anti-terrorista, e tentativa de explosão e posse de explosivos (em conexão com o mesmo pacote postal incendiário, ação reivindicada, na Grécia, como parte do “Projeto Fénix”).

Atenas: Intervenção solidária com prisioneirxs da guerra anarquista em todo o mundo

Liberdade a Mónica Caballero e Francisco Solar (presxs em Espanha)
Solidariedade com Marcelo Villarroel, Freddy Fuentevilla, Juan Aliste Vega, acusados no Caso Security (presos no Chile)
Solidariedade com os anarquistas Alfredo Cospito e Nicola Gai (presos em Itália)
Força ao compa José Miguel Sánchez Jiménez, em greve da fome desde 27 de Novembro (preso no Chile)

Atualização: O companheiro José Miguel Sánchez Jiménez está bem de saúde, encontrando-se atualmente na 9ª secção da prisão “Ex-Penitenciáría” em Santiago do Chile tendo suspendido a sua greve da fome.

Liberdade a Mónica Caballero e Francisco Solar; solidariedade com Valeria Giacomoni, Gerardo Formoso e Rocío Yune, acusadxs pelos ataques do Comando Insurreccional Mateo Morral (Espanha)
Liberdade ao nosso irmão Gabriel Pombo Da Silva (preso em Espanha)
Liberdade aos irmãos e a irmã presxs da Conspiração das Células do Fogo
Solidariedade com xs presxs da FLA/FLT
Liberdade ao anarquista vegano Walter Bond (preso nos EUA)
Liberdade a Spyros Mandylas e Andreas Tsavdaridis, acusados pelo Projeto Fénix. 10, 100, 1000 núcleos da FAI-FRI. Liberdade aos compas da CCF (presxs na Grécia)
Liberdade para todos os prisioneiros da FLA/FLT

Sexta-feira, 29 de Novembro, durante a noite, no centro de Atenas, um grupo de compas anarquistas realizou uma intervenção solidária com xs anarquistas presxs em todo o mundo. Várias palavras de ordem foram pintadas, assim como se lançaram folhetos sobre casos recentes e ainda se colocaram auto-colantes relacionados com os casos dos compas acusadxs pelo Projeto Fénix. Continuar a lerAtenas: Intervenção solidária com prisioneirxs da guerra anarquista em todo o mundo

Santiago, Chile: Projeto Fénix, Ato 8

Ação com dispositivo incendiário/explosivo contra a mesa eleitoral e em solidariedade com Mónica Caballero e Fransisco Solar.

Não somos espetadorxs, somos convencidxs inimigxs de toda a forma de domínio.

Hoje, empunhando as armas da vida e os ideias de rebelião, quisemos presentear um pouco de ímpeto anárquico. Convencidxs que o atual estado de coisas se sustenta não somente por conta de quem administra o domínio, mas também na atitude servil de quem o avaliza de forma tática, hoje decidimos atacar com um dispositivo incendiário/explosivo a 98ª Mesa Eleitoral, na comuna de La Reina.

É esta também mais uma das peças da engrenagem democrática, devido ao seu papel na organização logística de todo o processo eleitoral a nível territorial. Em termos simples, designa os vogais das mesas, integrantes contadores dos colégios e delegados das oficinas eleitorais, além de ser o organismo que determina os locais de votação.

Não camuflamos as nossas obscuras intenções.

Porquê passar ao ataque? A anarquia não deve gastar energia em criar obstáculos ao caminho aos cardumes de cidadãos no rito democrático das eleições, mas deve tentar demonstrar que o debate entre os refratárixs e a autoridade é impossível. Deve-se  procurar o confronto, não o apelo esperançoso para corrigir o caminho errado.

Chamadas a não votar, a construir o Poder Popular, a  marcar no voto “AC” (Assembleia Constituinte), a votar nulo, a votar  branco, a votar pelo “mal menor”, não significam outra coisa que manifestar desabafos em linguagem cidadanista, jamais colocar em tensão o domínio autoritário.

A única resposta entre tanta miséria é a ofensiva anti-autoritária nas suas múltiplas arestas e formas. É a incitação ao incêndio por qualquer meio. É o incêndio mesmo, a ideia que o motiva e também as mãos que o concretizam, a vontade inquebrantável de quem luta até ao último suspiro, com os meios que tem à mão.

Contra a democracia, contra a miséria de alguns/algumas anarquistas.

Parece que assistimos a uma sacralização da democracia, pois esta encontra-se na boca de todxs. Cidadãos e pretensos revolucionários apostam nela como ideal futuro. Aperfeiçoar a atual ou realizá-la verdadeiramente parece ser todo o espetro de posturas da fauna política. Quem crê na tática eleitoral assim como quem a recusa põem-se de acordo neste ponto: o problema não é a democracia, mas a sua gestão.

Uma posição anárquica coloca na ordem do dia a recusa a qualquer tipo de domínio e não se detém em problemas de forma: nem como ordem histórica nem como dinâmica social a democracia significa um caminho de libertação. Lutar por mais democracia equivale a lutar pelo aprofundamento de um sistema social que esconde o conflito em que ela emerge e sobre a qual se funda.

No plano local, parece que ninguém se lembra já que provenientes de espetros que se reivindicam anarquistas e libertários estão a fazer grosseiras concessões a favor da democracia. Ou, por acaso, ninguém se  recorda o efêmero deslize de alguns intergrantes da Organização Comunista Libertária com o Pacto eleitoral “Juntos Podemos” aqui em Santiago faz alguns anos? “Anarquistas”, comunistas, humanistas e demais, todos dando as mãos e soltando algumas gargalhadas. Apoio crítico? Simples desfaçatez plataformista.

Menção à parte merece uma tal Rede Libertária, que não dissimula o seu apoio, hoje, a um dos  atuais candidatos presidenciais da esquerda parlamentar. Será necessário perguntar-se que classe de anarquistas apoia um possível presidente? Isso é cuspir na cara de cada companheirx que decidiu afirmar a anarquia através do magnicídio.

Por outro lado não faltam os que buscam, da mesma forma que os políticos, ampliar a sua base militante a todo custo. À Corrente Revolução Anarquista não lhe basta falsificar a história recente da luta anárquica neste território, abraçando um suposto protagonismo e uma pretendida e “insustentável” hostilidade policial à sua organização especifista. Agora também tentam manifestar o seu repúdio ao processo eleitoral, acenando as bandeiras de sua organização. A ação anárquica deve ser propaganda da luta, não deste ou daquele grupo ou organização de chefes anarquistas.

Tanto uns/umas como outrxs esperam conseguir frutos de tudo isso, mas quem participa no circo eleitoral tem ao menos a honestidade de não esconder as intenções que o motivam. Não merecem o nosso respeito, não são nossxs companheirxs, aquelxs que mediante toda uma retórica de oposição criticam o domínio de forma superficial.

Não é surpresa, então, que a tática eleitoral se reproduza também noutras escalas políticas e  organizativas onde a urna, o voto ou a mão erguida se impõem e são validados como métodos para tomar decisões em federações estudantis, organizações de esquerda, assembleias e, inclusive, em alguns coletivos autônomos. Um bom e asqueroso exemplo disso é a recente eleição de uma  jovenzinha libertária transformada em Presidenta da Federação de Estudantes do Chile, que reivindica que o anarquismo é um movimento histórico “profundamente democrático”.

Quem busca ter palanque para a sua organização no mercado da política cai também no jogo que tanto recusa. E sendo este o panorama geral, parlamentares e anti-eleitorais de esquerda, ademais de uns “anarquistas libertários” coincidem na estratégia: a disputa dos espaços de Poder.

Minorias ativas para o combate anti-estatal e anti-autoritário.

A anarquia incontrolável não submete-se à democracia e os seus valores. Não fala de maiorias, consensos ou direitos fundamentais. Não abaixará a cabeça por umas quotas de poder nem muito menos esperará tempos melhores para experimentar a sua luta. Hoje estamos a praticar, em todas  as partes do globo, a guerra irregular contra o domínio.

Estamos a pensar o conflito nesses parâmetros, quem espera exércitos revolucionários ou milícias populares não entende a natureza da guerra atual. Se o conflito é assimétrico então vamos morder e desaparecer, vamos hostilizar o inimigo onde esteja, em todas as partes, inclusive dentro de cada um/uma. Longe de toda a herança militarista, vamos combater o poder de forma multiforme, com o agir autônomo e organizados a  partir da informalidade.

O ataque não somente é possível, é também necessário. Vamos gerar situações e meios para seguir experimentando o conflito e lá, onde se apresentem, vamos praticar os nossos avanços.

Cara a cara com o inimigo.

Sabemos que esse espírito se expande internacionalmente como peste negra e isso inflama os nossos ardentes desejos de seguir adiante. Gestos de luta como o de Alfredo Cospito e Nicola Gai fazem-nos sentir, a milhares de quilómetros de distância, a urgência de contribuir com um grãozinho de areia para essa imensa praia da insurreição anárquica. Para quem não se curva na boca do lobo, para quem afirma as suas motivações frente ao carrasco, para Nicola e Alfredo, os nossos sinceros respeitos e cumplicidades.

Enquanto planeávamos esta ação enteiramo-nos do triste acidente do companheiro Ilya Eduardovich Romanov, ferido pela explosão de um dispositivo explosivo no oeste da Rússia. Essa notícia realmente atingiu-nos, lembrou-nos acontecimentos semelhares que ocorreram no Chile e quão frágil é o caminho de quem luta, assim como nos deu mais força e dedicação ao momento, para seguir em frente com os nossos preparativos. Esta noite o nosso coração esteve junto ao teu,  Ilya, este é um pequeno gesto para ti, é a nossa forma de te abraçar à distância e de te desejar uma rápida recuperação.

Porque cada passo, esta noite, esteve acompanhado da atitude irredutível e digna de todxs xs nossxs irmãxs e companheirxs sequestradxs em distintos pontos do planeta, aquelxs que dia a dia se mantêm em luta, sem se curvar nem arrepender… saibam que não estão sós nem esquecidxs: Marcelo Villarroel, Juan Aliste Vega, Freddy Fuentevilla, Hans Niemeyer, José Miguel Sánchez, Alberto Olivares, Nicolás Sandoval, Victor Montoya, Marco Camenisch en Suiza, Gabriel Pombo Da Silva na Espanha, Sonja Suder na Alemanha, Nicola e Alfredo em Itália, os compas resistentes frente ao grande júri nos EUA, xs guerrilheirxs urbanos da Conspiração das Células de Fogo, Luta Revolucionária e xs compas detidxs pelo duplo roubo em Kozani, que enfrentam julgamento dentro em pouco. Ao irredutível Henry Zegarrundo na Bolívia e também xs compas que enfrentaram de forma digna e não vitimista, a detenção em Villa Francia no último 11 de Setembro.

Para terminar, com o fogo e a explosão de nossos desejos de liberdade levados à ação, enviamos a nossa solidariedade revolucionária a Mónica Caballero e a Francisco Solar, companheirxs do Chile, sequestradxs pelo Estado Espanhol na madrugada de 13 de Novembro, acusadxs de instalar um dispositivo explosivo, reivindicado pelo Comando Insurrecional Mateo Morral, em Outubro deste ano.

Enquanto os Estados do Chile e Espanha voltam a colocar em prática, de maneira mecânica, a sua conhecida estratégia discursiva, repressiva e jurídica sobre supostas organizações criminais anarquistas de caráter internacional, enviamos força axs nossxs companheirxs, para além de serem ou não responsáveis dos fatos de que os acusam. Chamamos à solidariedade internacional com Mónica Caballero, Francisco Solar e xs demais detidxs em Espanha.

Dedicamos essa ação a estxs companheirxs, tentando também contribuir para revitalizar e multiplicar a ação direta neste território. Por isso, saudamos, apesar das diferenças, os grupos que durante esse mês realizaram ataques contra bancos espalhados pela cidade.

Solidariedade com xs companheirxs perseguidxs pelo poder: Diego Ríos e Felicity Ryder.

Nenhuma trégua ao domínio.
Memória e ação pelo companheiro Mauricio Morales!
Memória e ação pelo companheiro Lambros Foundas!

Célula Longa Vida a Ilya Romanov
Afim à Internacional Negra

em espanhol

Atenas, Grécia: Carta do prisioneiro anarquista Andreas Tsavdaridis a partir da prisão de Korydallos

4 de Setembro de 2013

“Para a minha meta desejo ir, continuo a minha caminhada; passarei por cima dos indecisos e dos retardatários. Que seja a minha caminhada o seu ocaso!”
-Friedrich Nietzsche

Este texto não é dirigido ao espaço anarquista oficial e às suas estruturas corroídas. Desprezo os seus estereótipos, o fétido hálito putrefacto da sua fixação e considero que este ambiente “anarquista” de burocratas é um enclave do Poder, já que reproduz os seus valores. Não tenho intenção alguma de fazer relações públicas nem desejo nenhum tipo de solidariedade ou ajuda não oficial de dignatários e subordinados do lifestyle anti-autoritário.

Estou-me a dirigir às minorias; às individualidades que mostram o seu desprezo e que burlam não só a Dominação, mas também os seus serventes, não hesitando em passar à ação contra a essência da civilização contemporânea; a todos/as esses/as anarquistas da práxis, que se alinham com a rede informal da FAI e que furiosamente orquestram os seus planos destrutivos, causando dor de cabeça no campo do inimigo.

A 11 de Julho, fui detido por uma unidade das forças anti-terroristas, quando regressava a casa. Fui colocado no interior de um carro convencional ao seu serviço, em Tessalónica, e passado um par de horas encontrava-me no piso 12 do quartel general da polícia de Atenas. A 17 de Julho fiquei em prisão preventiva e desde então tenho estado encarcerado nas prisões de Korydallos.

Assumo a responsabilidade do envio de um pacote  incendiário ao ex-comandante das forças anti-terroristas, Dimitris Chorianopoulos, como célula da FAI-FRI, sob o nome Comando Mauricio Morales. Continuo sem arrependimento pela minha escolha. Um golpe contra o complexo de segurança é um ataque direto ao coração do sistema; um ataque direto às instituições estatais, as quais operam independentemente da formulação de políticas dos respetivos governos, tendo como missão a perpetuação da Dominação sobre a minha vida.

Creio que o Poder é uma inspiração e uma consequência imediata dos valores da sociedade. O Poder é uma ideia. Parece algo inacessível, como um deus que inunda os pensamentos, os sonhos e os sentimentos dos seus fiéis; uma moderna religião social a que as massas se apressam a ser induzidas. Os/as dominadores/as não se impõem através de um golpe de Estado, mas sim pelo consentimento dos/as seus cidadãos/ãs. Todos os problemas de patogênese social são simplemente o lado obscuro  de um mundo que quer viver sem responsabilidades.

Não creio em nenhuma revolução popular. Qualquer coisa baseada nas massas, o rebanho, leva dentro as sementes da escravidão. Essa multidão, cujos valores são determinados por outros/as, é incapaz de definir a sua própria vida. Este conjunto de forças, mesmo que pudesse ser denominada revolucionária, seria derrubada depois da sua explosão, fosse qual fosse o resultado. Os seus participantes buscam um sistema económico mais favorável, à medida dos seus interesses. Eles/as não estão dispostos/as a derrubar os valores da civilização; mendigam simplemente a reforma-restruturação do capitalismo através de meios não institucionais.

Não creio em nenhum futuro paraíso social, como suposta evolução inevitável de uma metafísica predominância de justiça, a qual consagra o Povo como um messias, com o objetivo de alimentar profecias sociedistas. Aquelas teorias encontram-se plenas de ressentimentos e degradam a noção do Humano à nulidade dos seus criadores e os seus advogados.

Contrariamente aos/às fanáticos/as das mobilizações de massas, enfocados/as na libertação do seu papel social, eu busco a libertação da minha própria individualidade de todo papel social. A minha intenção projetual é a constante revolta anarquista contra todo o sistema, contra toda a sociedade e contra qualquer tipo de moralidade de massas. A minha própria guerra tem a sua base na minha vontade e força e ataco tudo o que insulte a minha Estética. Para mim, a guerra é uma loucura Dionisíaca que não pode ser explicada pelas racionalizações dos/as papagaios sociedistas.

Em minha opinião, a solidariedade com um/a prisioneiro/a de guerra deveria ser sempre levada a cabo para se avançar e reproduzir o motivo pelo qual ele/ela  foi aprisionado/a. Assim, em relação a mim, a única solidariedade que reconheço é a luta pela difusão da ação direta anarquista.

Antes de terminar, gostaria de expressar a minha solidariedade com os/as anarquistas encarcerados por todo o mundo: aos/às compas da CCF, Panagiotis, Giorgos, Makis, Olga, Haris, Christos, Theofilos, Michalis,  Damiano, e Giorgos; aos compas Nicola Gai e Alfredo Cospito em Itália,  que estão acusados da ação da Célula Olga; a Gabriel Pombo da Silva, encarcerado nas prisões espanholas; a Marco Camenish, compa prisioneiro na Suíça; ao não arrependido Thomas Meyer-Falk (ainda encarcerado na  Alemanha). A Jock Palfreeman na Bulgária; ao lutador Hans Niemeyer,  assim como aos bandidos Freddy Fuentevilla, Marcelo Villarroel e Juan Aliste Vega, no Chile. Ao compa Henry Zegarrundo na Bolívia, e ao anarquista Braulio Durán no México. Aos fugitivos/as Felicity Ryder e Diego Ríos: mantenham-se firmes!

Força a todas as células da FAI  no México, Equador, Bolívia, Argentina, Chile, Indonésia, Itália,  Grécia, Espanha, Reino Unido, Holanda, Rússia, Bielorússia, Ucrânia, Finlândia, Brasil e Austrália.

HONRA PARA SEMPRE A MAURÍCIO MORALES

Andreas Tsavdaridis
Dikastiki Filaki Koridallou, A Pteryga, 18110 Koridallos
Atenas, Grécia

Ps1: O “PROJECTO FÉNIX” foi iniciado a 7 de Junho de 2013 pelos/as compas da Célula Sole-Baleno/Conspiração de Células de Fogo/Banda da Consciencia/FAI-FRI com um ataque explosivo ao automóvel privado da  diretora da prisão de Koridallos, pela regeneração e o dinâmico ressurgir da nova guerrilha urbana. O projeto encontrou cúmplices nos rostos dos/as nossos/as irmãos e irmãs em Indonésia. A Unidade da Cólera/FAI-FRI e a Conspiração Internacional pela Vingança/FAI-FRI responderam à chamada e atacaram estruturas do  régime indonésio, implementando respetivamente o terceiro e quinto ato do Projeto Fénix. Os/as irmãos e irmãs demonstraram que o discurso  anarquista, acompanhado de ações, pode superar as enormes distâncias que  nos mantêm separados/as. Sabemos que, embora haja compas que passam dos  seus desejos às ações , nenhum prisionero/a anarquista estará só alguma  vez. Irmãos e irmãs da CIV/FAI-FRI, a vossa ofensiva dá-nos coragem. Os  nossos corações estão convosco. Até ao nosso encontro! Até ao final!

Ps.2: O meu companheiro e amigo Spyros Mandylas de nenhuma maneira está envolvido neste caso.

Jakarta, Indonésia: Reivindicação do ataque incendiário contra o Media Hotel & Towers

“Irmãos/irmãs de cadeia, companheiros/as de sofrimento, a batalha aproxima-se. Em breve lançaremos, ébrios de vingança, o nosso ataque; e fugirá o inimigo pois é terrível a Federação da Dor”
–Bruno Filippi

A nossa ação pode (se é que pode) ser chamada PROJETO FÉNIX – TERCEIRO ATO. É a nossa decisão coletiva de responder à chamada dos/as nossos/as compas na Grécia.

Esta noite (26 de Junho) saímos levando o fogo e incendiamos o terceiro piso do Media Hotel & Towers (ex – Hotel Sheraton) na rua Sahari Mountain, em Jakarta. O nosso fogo é não só uma resposta à chamada dos/as nossos/as irmãos/irmãs do Projeto Fénix na Grécia, como também um gesto de solidariedade para com Kostas Sakkas, anarquista em greve da fome para alcançar a sua liberdade. Colocamos o dispositivo incendiário com um temporizador num dos recipientes do lixo na sala de karaoke (que se encontra no terceiro piso) e deixamos que o fogo falasse por nós.

Enviamos à distância as nossas saudações revolucionárias aos/às integrantes da Conspiração de Células de Fogo e ao seu Núcleo de Membros Presos/as na Grécia, aos 4 anarquistas que foram detidos em Kozani – nunca os esquecemos, para Cospito e Gai, a Carla, Ivan, Juan, Marcelo e Freddy, a Henry e sempre aos/às presos/as anarquistas na Grécia e Itália e às células da FAI/FRI de todo o mundo.

Nunca diremos que somos só uns/umas poucos/as, deixaremos que o fogo fale por nós.

Façamos do Projeto Fénix um projeto internacional de vingança!

Unidade da Cólera
Conspiração Internacional pela Vingança
FAI/FRI

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