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Santiago do Chile: Sai o nº 25 do boletim “La Bomba”- Projeto Nemesis

{Edição Especial} Projeto Nemesis.

Falar da CCF é falar de convicção revolucionária, é falar de novas formas de dar vida às ideias anarquistas. É práxis contra o mundo decadente, contra os poderosos, aqueles que dirigem as vidas de milhões de pessoas em todo o mundo, contra o capital e tudo o que cheire a poder. Trata-se de ataque – um ataque digno e ilegal desenvolvido de forma progressiva – sob uma nova visão de guerrilha.

A nova guerrilha urbana em território grego instalou na opinião pública a recusa ao modo de vida imposto, aos seus valores e lógica, o jogo da Imprensa por segurança apressou-se a minimizá-los e/ou silenciá-los (da mesma forma que aconteceu e ainda acontece no nosso território), mas o CCF atingiu de tal forma que não importa o que diga a élite grega, os seus media ou quem quer que seja. A prática da nova anarquia está aí, está viva e só resta posicionar-se: de um lado a subordinação e do outro a busca da liberdade.

Uma busca de liberdade em que só cada um dos membros saberá quando começou a traçá-la, o que se sabe publicamente é que a CCF nasce em Janeiro de 2008 – e daí em diante foram mais de 300 os atentados da mais diversa envergadura contra estruturas financeiras, policiais, judiciais, casas de políticos e um longo etc. em território grego – o medo mudou de campo, os poderosos já não se podiam manter tranquilos, seguramente que nojentas polícias procuravam dia e noite xs executorxs daqueles atos, atos esses que punham em causa a segurança interna.

Por outro lado, as ideias e atos de guerrilha levados a cabo pela CCF começaram a cruzar fronteiras, e claro, chegaram rapidamente ao nosso país, tal como a muitos outros. Sempre que membros da organização foram detidxs novas propostas chegavam a diversos lugares, a luta não acabava na prisão, esta tornava-se um novo campo de batalha. Os poderosos e os media de certeza que festejaram o suposto fim da CCF – supunham que a prisão seria o suficiente para apaziguar a ação anarquista, no entanto com o tempo ficou claro que as ideias fluíram novamente, saíam da prisão e materializavam-se em comunicados, livros, revistas e supostamente em ações da mais diversa índoles em diversos países (o Chile, por exemplo) enquanto que na Grécia renascia novamente nas ruas, com uma conspiração que procurava dar continuidade ao projeto da nova guerrilha urbana.

De aí em diante – com prisioneirxs nas prisões de máxima segurança, com perseguições e extorsões a familiares, difamações, através de extensos julgamentos que procuravam condenações eternas, com prémios sobre as cabeças dxs clandestinxs, com outrxs companheirxs que continuam nas ruas – a CCF não terminou e isso ficou demonstrado através de uma nova proposta internacional na qual se  procura atentar contra o meio envolvente pessoal do inimigo: o Projeto Nemesis.

Assim, a CCF começou por fazer voar um explosivo na casa da procuradora do Ministério Público Georgia Tsatani e lançando a sua proclamação. As ideias chegaram ao nosso território e alguns grupos de ação anarquista responderam. Uma bomba falsa semeou o pânico numa Villa Militar, recinto onde vivem membros das Forças Armadas. Posteriormente uma bomba incendiária queimou o acesso da Associação de Funcionários do Poder Judicial. Por outro lado, da Grécia para a Alemanha, a CCF voltaria a causar estragos, através do envio de uma carta-bomba ao Ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble. A quinta e última ação de que temos conhecimento é a de uma bomba incendiária que danificou a Confederação de Donos de Camiões (Chile).

Nesse sentido, querendo promover a expansão das ideias e ações da CCF à volta desta proposta internacional e por conseguinte as ideias e ações dos diversos grupos que a ela responderam – e como não – dos 10 anos passados desde a aparição daquele grupo armado grego, demos corpo a este boletim especial.

O nosso trabalho é uma modesta contribuição da propaganda que temos vindo a realizar desde 2012, sob o nome “La Bomba”, um boletim cujo objectivo é que não se percam as contribuições em torno do ataque anarquista no Chile; é por este motivo que continuamos a criar um arquivo tanto on-line como material, de modo a que estas iniciativas continuem a ter difusão e possam ser lidas em qualquer parte do mundo.

Editorxs do Boletim “La Bomba”.
Janeiro 2018, Chile.

Clica aqui para ler/descarregar a publicação.

em espanhol

Santiago, Chile: Sabotagem à linha férrea do metro 4A

Na madrugada do dia 20 de Novembro procedeu-se à sabotagem – com material de betão contundente – das zonas férreas da linha 4A do metro de Santiago, à altura da estação metro La Granja[1]. Não podíamos permitir que – no dia seguinte à festividade democrática da eleição – as coisas seguissem o seu curso normal. É que a nós não nos basta chamar a não votar, decidimos posicionarmos-nos contra o Estado e as suas lógicas de controlo e dominação sobre as nossas vidas. Estamos contra o estado, uma das máximas expressões do exercício de autoridade, que tortura e reprime; estamos contra a sua democracia com ilusões de mudança social – oferecidas pelos poderosos e assumidas pela cidadania.

A nossa opção, neste e em todos os processos eleitorais, é a subversão permanente que assinala que uma vida livre se cria na destruição da ordem autoritária e na necessária violência contra os opressores e as suas estruturas de poder.

Com esta ação de sabotagem ampliamos e fazemos chegar a saudação e a cumplicidade solidária a todxs aquelxs que desta vereda confrontam o poder e os seus defensores.

Aos/às nossxs companheirxs sequestradxs nas prisões da democracia: Nataly, Juan e Enrique – que nesta semana será onde o estado e as suas autoridades farão sentir todo o seu castigo. A Marcelo Villarroel, Juan Aliste, Freddy Fuentevilla, Joaquín García, Natalia Collao, Sol Vergara.

Solidariedade com xs companheirxs encarceradxs no âmbito da Operação Scripta Manent, aos/às nossxs irmãos/irmã  da Conspiração das Células de Fogo e ao companheiro anárquico Konstantinos Yagtzoglou, axs/às companheirxs perseguidxs pelo estado brasileiro na Operação Erebo.

Contra o estado e a sua democracia.
A nossa única eleição é a violência organizada pela libertação total.

Banda de sabotagem Santiago “Brujo” Maldonado

[1] “Alta afluência de passageiros na Linha 4A do Metro provoca problemas de frequência”. Bio Bio Chile, 20 de Novembro de 2017.

en espanhol

Hamburgo, Alemanha: Ataque à frota da Sicherheit Nord e chamada à luta anarquista

Sabotagem é isso: meios adequados, fachada da autoridade arrebatada. Quando e onde as agências da Segurança se guardam a si próprias – movimentando-se nesse sentido e, em seguida, se encontram perante os escombros das ferramentas que a mantêm de pé – o seu poder torna-se visivelmente questionado e mais e mais infracções da lei serão encorajadas.

Como no caso da Suíça, a empresa de construção Implenia tem visto a sua participação  em projetos penitenciários ser paga com máquinas de construção em chamas. Como no caso da Vinci, SPIE ou Eiffage, em França, devido a conexões semelhantes com a repressão.

No dia 13 de Novembro em Hamburgo, Barmbeck, a frota da Sicherheit Nord foi destroçada, incendiámos vários veículos. A Sicherheit Nord tem acordos de cooperação com a bófia em dez estados federais, protegendo a base da NATO em Lüneburg e as embaixadas, estabelecendo o aprovisionamento de refugiados e lojas em bairros que pareçam inseguros para os que dominam.

Esta acção e este texto são para nós. Para xs milhares que tornaram o levante de Hamburgo possível. Para xs prisioneirxs. Para as pessoas afectadas pela Operação “Scripta Manent”em Itália. Um fogo em solidariedade com Nikos Maziotis e Pola Roupa, em greve de fome, e uma saudação para Konstantinos G., em prisão preventiva, acusado de envio de carta-bomba e de pertença às CCF. Liberdade para Lisa, acusada no processo de assalto a bancos de Aachen!

Estamos comprometidos com uma luta contra o Estado, a todos os níveis. A repressão não nos poderá deter.

Para a anarquia – Grupos Autónomos

P.S. O mais difícil de ser captado…
É provável que o prejuízo resultante para a Sicherheit Nord seja manejável. Atualmente, pode até nem ser possível medir o sucesso das lutas através dos danos materiais ao Estado e aos seus servos.

Conforme se demonstrou – através dos grandes tumultos ocorridos em Julho e também nos ataques militantes, no período anterior ao G20 – o propósito de uma estratégia ofensiva de atacar e de lidar com a polícia, como a forma mais visível e não interpretável, é fortalecer as posições antagónicas. Observou-se com que facilidade o estado forneceu 40 milhões de euros para mitigar os danos perceptíveis à burguesia de Hamburgo; pouco antes os enlutados pela série de 9 assassinatos nas estruturas nazis com o conspiratório nome soando NSU confortaram-se com os 900 mil euros que foram jogados fora.

As campanhas com o objetivo duma quantidade predeterminada de danos à propriedade têm, na melhor das hipóteses, um aspecto desportivo. O carácter de uma cena que não é política, perseguindo objectivos mas esperando-os do evento, também. Evento para saltar e que a miúdo, no seu consumismo, expira. A campanha do ano passado pela Rigaer 94 não deveria fazer isso, mais comentários é nocivo. Mas destacam-se a série de ataques contra a Cimeiro do G20, sem problemas, nesta fase muito ativa de grupos pequenos, embora a continuidade do conteúdo tivesse ficado atrás da prática contínua.

Depois dos tumultos ficou à vista que existem poucas estruturas anti-estatais que sejam pela violência. O compromisso com a abordagem ofensiva (foi escolhido a das estruturas militantes) – e tal como em relação a grupos  que tinham pretenciosamente prometido o inferno – sofreu ameaças governamentais e a perseguição dos media. Porque estes factos não são compreensíveis: suporta-nos a história de um movimento radical de esquerda com experiência na estratégia governamental contra a revolta e esmagamento das estruturas de oposição. Nela podemos apreender, se lhe quisermos dchamadaatenção, a traição que esse distanciamento público constitui. Uma ausência de ação, depois desta Cimeira de resistência é, no máximo, impróprio. Incompreensível é também a preocupação com as consequências graves que virão se se trabalhar visivelmente com as estruturas.  A proibição do Linksunten.indymedia.org é o único caso que o estado assim como assim poderia dar-se ao luxo de ter uma ação populista para bloquear uma estrutura que, de todos os modos, no nosso entendimento, no seu papel central era defeituosa. Vale a pena assinalar que o Linksunten já não tinha sido antes porque  a ligação desligada foi tomada – e este meio pode voltar a ser usado a qualquer momento, se necessário, para voltar a estar operacional. E se olharmos para o caso da França, vemos um exemplo de como se pode ultrapassar a censura dos sítios da internet: O Indymedia anunciou que continuará a ser acessível no endereço Onion.

Não existe nada significativo neste momento. As consequências são de esperar, ser militante é um termo mais amplo que se envolver em atividades de impacto e pequenas escaramuças. Necessitamos de mais pessoas que se sintam vinculadas a posições antagónicas nas suas batalhas locais para as dar a conhecer e propagar. Necessitamos de estruturas alternativas outra vez, a luta anti-estatal a sentir-se conetada, auto-organizada e com grupos de ajuda-mútua, grupos de vizinhos, individuais e coletivos, lidando com o nosso bloco negro e os nossos pequenos grupos “noturnos”, a comunicarem-se olhos nos olhos. Sobre os objetivos, as estratégias e os meios.

Na Cimeira do G20 mostramos que somos capazes de atuar, en interação com algumas estruturas de ação aberta, a organização do acampamento, a rede de apoio sanitário, o comité de investigação, algo semelhante precisamos ter. Tal interação deve desenvolver continuidade. Neste momento, onde todxs temos um considerável êxito na nossa tufarada podemos escrever a nossa memória coletiva ainda fresca e que já não está aleatória. A vida quotidiana da cena entre Soliparty e os plenários, perdidos estão.

de.indymedia (alemão)

Uma resposta do membro da CCF Panagiotis Argyrou à chamada para solidariedade com xs detidxs do G20 em Hamburgo

Recebido e revisado a 13 de Agosto de 2017

Compartilhamos uma tradução que apareceu na Crônica Subversiva 1, aproveitando para mandar o abraço terno, a solidariedade raivosa e firme, para o companheiro Panagiotis Argyrou: Tuas palavras são bem recebidas compa!

[Resposta do membro da CCF Panagiotis Argyrou à chamada para a solidariedade com xs detidxs do G20 em Hamburgo]

Durante o exílio ou a detenção, poucas são as coisas que conseguem nos fazer sorrir ou nos oferecer uma sensação agradável. Posso, no entanto, dizer com certa certeza que devido a estes dias de julho nos quais Hamburgo se rendeu ao caos dos protestos contra o encontro do G20, aos choques com a policia, às barricadas ardentes, saqueios, vandalismo e incêndio de alvos da dominação, meus pensamentos foram impulsionados. Fiquei recheado de vários “valeu” assim como de emoções muito vivas e um sorriso apareceu no meu rosto.

Apesar disso, tenho de ser honesto. Embora num estágio inicial uma grande parte do anarquismo insurrecionário aspirasse a que fosse atingido um nível elevado, algo que já tinha ficado claro desde a chamada para uma campanha militante de organização informal – meses antes do encontro. E, embora existissem uma grande quantidade de textos públicos e reivindicações de responsabilidade que responderam a esse chamado (alguns/mas companheirxs tiveram a gentileza de mencionar a herança do dezembro negro), não estava tão certo que os dias em questão envolvessem realmente um momento tão grandioso. Isso devido ao fato de não serem desconhecidas para mim as dificuldades que isso implicava, tais como as adversidades e os desafios que tinham que ser confrontados pelas pessoas que queriam organizar e levar a cabo um plano de protestos tão ambicioso.

O estado de emergência declarado, em muitos países, pela ameaça assimétrica jihadista, o reforço dos controlos nas fronteiras devido aos grandes fluxos migratórios, o anúncio da militarização de Hamburgo e a construção de prisões especiais para os manifestantes; a mídia terrorista apelando à tolerância zero com os problemáticos, o domínio e o pessimismo de várias correntes anarquistas anti-insurgentes (isso pode ser devido, um pouco ironicamente, pela tentativa de se repetir os eventos de Génova) e até mesmo um preconceito contra anti- encontros – como armadilhas com policiais – por parte de cada grupo de anarquismo insurreccional (um ponto de vista que também tinha mantido no passado, tenho que admitir), tudo isso junto constituiu, portanto, factores de dificuldade crescente, sem nenhuma dúvida.

E ainda assim, contra todas as probabilidades, a chama brilhou e a campanha de “trazer o caos para Hamburgo” triunfou e, como resultado, todo o mecanismo repressivo tão bem armado – que supostamente ia esmagar os protestos – ficou eventualmente sob ridículo.

A intensidade dos eventos e, sobretudo, o êxito dos vários planos que, afinal, combinaram tácticas de ataque descentralizado do tipo bate-e-corre com aquelas das revoltas, justo no coração dos protestos, provou da maneira mais tangível que a competição entre as duas diferentes racionalidades é inútil já que cada uma contribui e enriquece, na sua própria forma, a insurreição anarquista. Além do mais, quando as revoltas se atrevem a se confrontar de frente com a supostamente todo-poderosa repressão do terrorismo de Estado, então tudo é possível. Assim como o ridículo da ativação urgente de tal mecanismo extravagante de repressão durante os dias do encontro em Hamburgo. É também um fato que alguns dos momentos mais potentes da historia das insurreições, do mundo inteiro, aconteceram precisamente contra todas as probabilidades e isso, em muitos casos, constitui a beleza de tudo.

Portanto, não posso deixar de me sentir emocionado por este vento de entusiasmo e autoconfiança que viajou milhares de quilômetros, de Hamburgo para este lugar de cativeiro. Isso porque através desses eventos todxs podem ver que as dinâmicas que acontecem em situações tão explosivas não começam nem terminam em um momento, antes viajam e se expandem, enviando uma mensagem para todos os lugares, dizendo que a chave para tudo é a determinação e a morte do derrotismo. Isso é suficiente para induzir um, dois, ou mais, momentos que podem funcionar como pedras angulares, marcas históricas, algo para onde podemos deslizar nosso olhar quando as coisas estão ruins, quando a frustração e a inutilidade são prevalecentes.

E quando olharmos para atrás, as lembranças nos darão a força exacta que precisamos para continuar até ao próximo Hamburgo, até a próxima revolta, até a completa destruição da dominação. Por outro lado, no entanto, as autoridades sabem muito bem como aproveitar estes momentos, para avaliá-los, entender seus efeitos a
longo prazo e, respectivamente, retaliar de forma clara e definitiva, afirmando que toda ocasião de insurreição será esmagada. Assim, depois das centenas de prisões de manifestantes, viu-se a investida dos comandos, totalmente armados, das forças policiais especiais contra xs rebeldes, nas ruas de Hamburgo, após o assalto brutal a um grupo de manifestantes; a repressão mostrou seus dentes ainda mais, mantendo em custódia muitas dezenas de pessoas, acusadas de participar dos tumultos, segundo as actualizações (36 ainda estão sob custódia).

Neste momento, uma nova chamada foi já feita, precisamente pela solidariedade com xs detidxs dos eventos anti-encontro. Foram já realizadas as primeiras manifestações, bem como ataques com vandalismos e incêndios em várias metrópoles europeias. Em resposta a esta chamada, gostaria também de expressar a minha solidariedade aos/às que foram detidxs pelos acontecimentos em Hamburgo, como também gostaria de enviar esse amplo sorriso que eu recebi de todxs aquelxs que lembraram da maneira mais linda que, quando a Anarquia quer, ela é poderosa.

Panagiotis Argyrou,
membro da Conspiração das Células de Fogo – FAI/FRI

[Alemanha, Grécia] Conspiração das Células de Fogo: Projeto Nemesis – Ato 2

CCF/FAI assume responsabilidade por ataque com carta-bomba contra o Ministro das Finanças alemão

Nove anos depois da primeira aparição da Conspiração de Células de Fogo, em Janeiro de 2008.

Depois de mais de 300 ataques contra alvos de dominação que resultaram em dezenas de milhões de euros em danos e a transferência do medo para o campo do poder.

Depois de mais de 60 prisões de companheirxs e outrxs indivíduxs ao longo dos anos em que foram acusadxs de serem nossxs membrxs e dos milhares de anos de prisão que lhes foram impostos.

Depois das tantas vezes que os ministros e chefes de polícia declararam nos media que tinham conseguido nos ‘desmantelar’ e que “a CCF está acabada”.

Depois da inclusão da CCF em listas de organizações “terroristas” pelo Departamento de Estado dos EUA e pela Europol, na UE.

…continuamos até mesmo mais estrondosos.

Com a criação de uma rede conspiratória internacional de células FAI e CCF, em dezenas de países que já levaram a cabo e continuam a levar a cabo ações de guerrilha.

Com paixão ainda maior e tenacidade não apenas para atacar a infra-estrutura do sistema, mas também as pessoas no poder.

Sempre contra a apatia social.

Sempre contra os opressores de nossas vidas.

Ainda assim, não conseguem entender que a CCF é uma ideia e que a ideia não pode ser aprisionada porque é como a Hydra. Por cada companheirx que está presx, novxs companheirxs estão prontos para tomar o seu lugar e continuar no caminho do ataque.

Nós ainda transportamos a raiva…

Enviamos um pacote-bomba ao Ministro das Finanças alemão, no contexto da campanha do segundo ato do Projeto Nemesis.

Um comunicado vai seguir nos próximos meses.

Saudações companheiras aos grupos de ação direta da FAI no Chile e na Grécia pelas suas contribuições ao Projeto Nemesis.

Saudações rebeldes aos companheirxs da FAI em Itália e aos/à membrxs presxs da CCF na Grécia que permanecem irredutíveis.

Encaminhar para a Internacional Negra de Anarquistas da Praxis.

Nada terminou, tudo continua.

VIVA A ANARQUIA
Conspiração de Células de Fogo / FAI

via 325 em inglês

[Chile] Projecto Nemesis: Dispositivo incendiário/explosivo contra a Associação Nacional de Funcionários do Poder Judicial

Durante a madrugada de 11 de Dezembro instalámos um dispositivo incendiário/explosivo – de fabricação caseira com um sistema de retardador – na “Associação Nacional de Funcionários do Poder Judicial”, situada no centro de Santiago (rua Cienfuegos). O dispositivo funcionou correctamente, incendiando a porta do recinto.

A “Associação Nacional de Funcionários do Poder Judicial” é o lugar onde se reúnem os funcionários que permitem diariamente o funcionamento do complexo judicial-carcerário. Atingimos uma guarida das engrenagens activas do sistema – a mesma que permite diariamente que os miseráveis indivíduos do aparelho do Estado exerçam o direito que a si mesmos atribuíram para julgar e encerrar outras pessoas.

Cada sentença emitida por juízes, cada condenação solicitada pelo ministério público, cada encerramento nos cárceres do poder, são sustentados pelo rol de funções de cada funcionário judicial –  pois valida com o seu trabalho a existência e manutenção da indústria repressiva.

Em tempo de julgamentos contra anarquistas em que se arriscam condenas pesadas, a nossa ação constitui um raio de fogo proveniente do mais profundo das nossas obscuras intenções para com a ordem social do domínio.

Ação que enquadramos na proposta internacional do PROJETO NEMESIS, impulsionado a partir da Grécia por companheirxs da Conspiração de Células de Fogo – com vista a atingir os poderosos e os cúmplices nos seus lugares, casas, trabalho ou reunião.

Forma de ação que é autónoma, quebrando a passividade dos cidadãos, atuando fora dos horários programados pelas manifestações dos movimentos sociais.

Incêndios intencionais que complementam e elevam de grau os distúrbios nas ruas e o da pequena sabotagem.

Qualquer um/a pode fazê-lo, trata-se apenas de se decidir, planificar, tomar medidas de precaução, agir e experimentar o prazer do ataque, essa sensação que acalma as nossas ânsias de atingir diretamente o Poder – essa que nos faz sentir mais completxs e respirar mais oxigénio sem nos sentirmos superiores a nada nem a ninguém.

Os fogos e as explosões noturnas, nascidas de conspirações, constituem o órgão dinâmico da proposta insurrecional contra o domínio – totalmente vigente nas nossas vidas, para além de quanto adversa se mostre a realidade perante nós.
Não queremos criar um movimento, apelamos à conformação de células de ação, coordenadas entre si.

Somos xs continuadorxs de cada revolta e de cada conspiração que no Chile, América Latina, e no mundo tem oposto a violência libertadora à violência da escravatura. Somos o gérmen da continuidade das estratégias e das táticas guerrilheiras – experimentando ares novos com os nossos princípios e métodos anti-autoritários.

A morte de Fidel Castro, um ex-guerrilheiro que terminou a construir um Estado comunista em Cuba, os acordos de paz entre o Estado da Colômbia e as FARC, a guerrilha esquerdista existente há mais tempo no mundo contemporâneo, não representam para nós em absoluto a morte da luta revolucionária e da ação armada contra a opressão. O que morre com elxs é tão somente a derrota do paradigma autoritário, nas filas da luta anti-capitalista.

Mais do que nunca o nosso tempo convida à ação anti-autoritária e autónoma.

Os nossos incêndios e explosões não esquecem a matança perpetuada pelo Estado na Escola Santa María de Iquique, em 1907, nem o assassinato de 81 presos no incêndio da prisão cárcel de San Miguel, em Dezembro de 2010.

Saudamos a vida insurreta do companheiro anarquista Alexandros Grigoropoulous, arrebatada por um polícia em Dezembro de 2008.

Recordamos com fogo o companheiro anarquista nihilista Sebastian Oversluij que morreu disparando, a 11 de Dezembro de 2013, ao tentar expropriar o dinheiro aos responsáveis da miséria.

Do Chile à Grécia, de Rojava ao México, dos EUA a Espanha, Itália, Alemanha e no mundo inteiro.

Ação insurrecional e solidariedade com xs companheirxs presxs!

Pela expressão armada dos nossos desejos de liberdade.
Todos os dias são Dezembro Negro!
Não fiques de fora! Arma-te e sê violentx!

Guerra ao domínio!
Morte à civilização, ao patriarcado e a toda a autoridade.

Célula Incendiária “Novos Fogos no Horizonte”.
Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional.

Santiago: Reivindicação de dispositivo simulado em Villa Militar Oeste

No dispositivo foi escrito: “Sebastián Oversluij Presente”. Junto a um A, símbolo anarquista.

“A grande cidade apresenta, além disso, uma elevada concentração de objectivos de ataque (…) Alguns/mas combatentes, por poucxs que sejam, podem pôr em xeque, até, grandes contingentes de forças inimigas, através de acções apropriadas – a guerrilha deve deixar bem claro que os seus ataques se dirigem, por princípio, contra todas as instituições do inimigo de classe, todos os postos de administração e de polícia, o ponto nevrálgico dos centros diretivos, mas também os altos funcionários dessas instituições, juízes, directores, etc.; deixar muito claro que a guerra vai ser levada até aos bairros residenciais desses senhores (…) Utiliza a surpresa como arma e que seja ela que determine o tempo e lugar das operações.”

O moderno estado capitalista e a estratégia da luta armada / RAF.

As ideias e práticas antagónicas ao capital e ao estado têm sido a dor de cabeça da ordem burguesa – desde que se entranharam há séculos atrás, com toda a sua pujança, em território chileno – gerando diversas reacções, levadas a cabo pelos aparelhos armados do estado, fosse em ditadura ou democracia.

Durante os anos 60 salientou-se a VOP (Vanguarda Organizada do Povo), enquanto nos anos 70 esse lugar é ocupado por diversos grupos armados marxistas, a finalidade era sempre combater o poder estabelecido nessa época. Enquanto que a VOP o fazia nos tempos de Allende, o MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária), FPMR (Frente Patriótica Manuel Rodríguez) e Mapu Lautauro (Movimento de Ação Popular Unitária) combatiam contra a ditadura militar de direita, fazendo-se parte da guerra contra a dominação, contra o Estado.

Durante a transição democrática estas organizações acabam por sentir o golpe ofensivo do Estado, desmembrando-se em seguida, ainda que parte dos seus/suas combatentes decida não desistir.

Durante os anos 90, e dada a reduzida expressão anti-capitalista, ressurgem novas correntes de autonomia e horizontalidade, fazendo-se estas notar na expressão política – principalmente em manifestações e violência nas ruas. Do anonimato à sabotagem com cargas explosivas a diversos alvos do capital e do Estado, aquelas começam a ressoar e, na década seguinte, esta forma de agir coloca a anarquia debaixo da mira atenta da polícia de investigação criminal.

A expressão viva desta nova etapa do anti-capitalismo começa a cimentar, a pulso em território chileno, a nova subversão, autónoma e libertária.

Nas mentes dos agentes do poder não cabe a possibilidade de que. no meio da democracia, existam indíviduxs dispostxs a fragilizar e interromper a paz social e a circulação capitalista. Os bombazos, a luta nas ruas, as extensas jornadas de protesto acompanhadas de fortes ataques à polícia, sabotagens, o fogo destruidor e a propaganda das ideias insurretas, de forma multiforme, começam a tomar parte da nova prática difusa e descentralizada, sem liderança nem dirigentes da expressão anti-capitalista – a práxis da luta anarquista insurreccional.

Com o passar do tempo o Estado começa a reestruturar-se, armando-se até aos dentes, fazendo a sua vigilância constante e sistemática, introduzindo o seu discurso na sociedade com o amparo da sua fiel amiga de sempre: a imprensa. Por isso mesmo as manipulações fazem da prisão o castigo efectivo, para xs que saem da norma imposta, o aniquilamento físico e mental debaixo de toneladas de betão e sim, é possível, o assassinato, sendo esta a forma máxima de castigo para xs subversivxs.

Sob estas tácticas do estado, a luta subversiva é catalogada como delinquência. Para todxs xs os que fazem dela a sua vida vida isto não tem relevância alguma, porque a reivindicação e o orgulho revolucionário contradirão sempre as suas “verdades”. No entanto, devemos entender que este qualificativo tem como objectivo a prevalência dos interesses dxs poderosxs. Aí radica a aposta do ataque insurreccional – golpear e atingir o poder – até que não possam controlar a sua asquerosa ordem.

Desta forma, e sob o prisma das ideias e acontecimentos expostos, voltámos a gerar uma corrente de acções, as que não pararam e que em seguida descreveremos. Hoje, tornámos parte do nosso projecto o seguinte: envio de balas ao pároco da Igreja dos Sacramentinos, em Março; os roubos em universidades, para fins políticos, em Julho; a colocação de um dispositivo incendiário num autocarro da transantiago (sem passageirxs) em Agosto. Todas estas acções reivindicadas pela Brigada da Morte, Bando Ilegalista Sebastián O. Seguel e o Núcleo de Ataque Herminia Concha, afins à FAI/FRI, que agora formam parte dos Núcleos Antagónicos da Nova Guerrilha Urbana.

No dia 2 de Dezembro, abandonámos um artefacto simulado no interior da Villa Militar Oeste, localizada na Av. Pajaritos, Estação Central, Santiago, Chile. (1)

O nosso dispositivo era composto por um extintor com cabos ligados a um telemóvel, o qual simulava um detonador à distância. Avisamos desde já, a não colocação de um engenho explosivo real foi por decisão política. Porque se bem que neste lugar vivam seres que merecem morrer, dia e noite passam trabalhadores que não são os nossos objectivos.

Dessa mesma perspectiva, utilizámos essa simulação no Mall Plaza Alameda e num autocarro da transantiago (com passageirxs) em Dezembro de 2015. Ao contrário do que se passou com o engenho explosivo que colocámos no Centro de Reinserção da Guarda- Prisional, em Fevereiro deste ano, composto por 1 kilo de ANFO, colocado estrategicamente junto a um reservatório de gás.

Agora, regressando à madrugada do 2 de Dezembro: esta acção de hostilidade, num local onde vivem os militares e polícias, está destinada a desmoralizar o inimigo histórico dxs revolucionárixs. Inimigo a combater com todas as nossas forças e armas. Daqui, da nossa posição, avisamos-vos poderosos: hoje foi uma simulação, mas temos todas as armas e explosivos de que precisamos e não hesitaremos em utilizá-los, no dia, hora e local que decidamos para vos atingir.

Desde já advertimos: militares nojentxs, caminhem com cuidado: María Riquelme (Bloco 4 dpto 12), Iván Pinto (Bloco 11 dpto 24), Luis Orellana (Bloco 11 dpto 1123), Oscar Moya (Bloco 11 dpto 1124), Sergio Martínez (bloco 11, dpto 1142). A vossa paz e tranquilidade terminou. Hoje, foram escolhidxs aleatoriamente, qualquer um ou uma podia estar ali, com cuidado mas estamos a xs observar.

Para finalizar, é imprescendível enviar uma saudação combativa e um sinal de cumplicidade aos/às companheirxs da Conspiração das Células de Fogo (na prisão e cá fora) na Grécia. Com esta acção desejamos contribuir mesmo que humildemente à iniciativa do Projecto Nemesis. Esperando que essa proposta ressoe em cada revolucionárix e se materialize em acções concretas, por todo o mundo.

Tão pouco esquecemos xs nossxs irmãos/irmãs na prisão. Marcelo Villaroel, Freddy Fuentevilla, Juan Aliste, quando passam já 9 anos da emissão da ordem de busca e captura contra eles. Não esquecemos como o já extinto torturador Alejandro Bernales dava a mensagem entre linhas, através da imprensa. “ Caminham com a morte”. Não esquecemos também o extenso processo jurídico que tiveram que enfrentar por uma acção iniciada pela justiça militar, que com o decorrer do tempo, foi transferida para a justiça civil a cargo do fiscal militar Roberto Reveco. Transferência onde não existiu grande mudança, predominando o desejo das condenações do poder. Ainda assim, os nossos irmãos mantiveram-se firmes e irredutíveis, dignos e indómitos. A vocês, a nossa solidariedade.

Também desejamos enviar uma saudação internacionalista às mulheres guerrilheiras autónomas que dão vida à Revolução, em Rojava, no Médio Oriente. Mulheres que levam à prática ideias antagónicas ao capital, estado e patriarcado, no meio de um conflito bélico contra sacanas, polícias e militares opostos à liberdade e à autonomia.

Por último recordamos o nosso irmão e companheiro Sebastián Oversluij Seguel, a 3 anos da sua morte, duramte uma tentativa de assalto bancário, a 11 de Dezembro de 2013, na comuna de Pudahuel, Santiago, Chile. Morto às mãos do vigilante William Vera, militar com um currículo extenso, assassino a soldo do capital, com experiência em conflitos bélicos no estrangeiro.

Por tudo isto e muito mais: Atacar o corpo Militar!
A hostilidade está plenamente justificada!
Guerra ao inimigo, no seu território!
Tudo continua… Voltaremos!

Coluna Insurreccional “Ira e Complot” – FAI/FRI
Núcleos Antagónicos da Nova Guerrilha Urbana

(1) “Bomba simulada, na proximidade do metro Pajaritos, mobilizou Carabineros”. Bio Bio Chile, 2 de Dezembro 2016.

em espanhol

[CCF/FAI-FRI] Projeto Nemesis: uma proposta aberta

«Quem fala de guerra, deve ter um plano…»

A autoridade mais insidiosa é a que mantém a promessa de globalidade. É por isso que passamos de uma monarquia para uma democracia e não para a liberdade. A palavra “segurança” é a mais apreciada pela democracia. Quanto mais ouvimos falar sobre “segurança” mais as nossas vidas e a nossa liberdade recuam. Mas, sobretudo, o poder e a democracia contemporâneos empurraram a sociedade  para compromissos e para se submeter quase voluntariamente. A democracia agita-se como uma fábrica transparente que produz relações sociais. Os indivíduos submetem-se à ideologia governamental, às normas sociais e aos comportamentos disciplinados, considerando que o que vivemos hoje (a tirania económica, a chantagem da escravidão assalariada, na ditadura do espectáculo, a segurança tecnológica) é uma inevitável e natural ordem do mundo.

Portanto, mesmo na presença de uma autoridade omnipresente, chefes, funcionários, gerentes e proprietários sempre existirão. Hoje, a visibilidade de quem está no poder é particularmente clara. Políticos, líderes empresariais, proprietários, armadores, editores, jornalistas, juízes e a bófia são as pessoas no poder. O projeto Nemesis visa atacar essas pessoas. Esta é a nossa oportunidade de jogar para que o medo mude de campo. Em vez de se atacar os símbolos impessoais da justiça, acreditamos que é muito importante traduzir os nossos ataques no ambiente pessoal dos nossos inimigos: casas, escritórios, locais de socialização e veículos. Sabemos que para o poder, “ninguém é insubstituível”, mas também sabemos que um golpe em particular a um deles seria o medo instilado em cem outros. Criamos um legado de medo para as pessoas de sua espécie assim como para as susceptíveis de as substituir. Este é o contrapeso mínimo que podemos trazer o equilíbrio do terror em que o inimigo tem todo o controlo. Equilibrando o terror causado pelos assassinatos de trabalhadores pelos seus patrões, os disparos acidentais pela bófia, os milhares de anos de prisão proferidas pelos juízes, as mentiras de jornalistas, as leis e ordens de políticos. Em todos estes casos, o inimigo tem um nome e um endereço.

Ao atacá-los mostra-se que as pessoas como autoridade podem ser vencidas – ao mesmo tempo que, em vez de confinar a insurreição anarquista a conflitos ocasionais com a bófia – podemos fazer da revolução uma componente permanente das nossas vidas. Descobrindo aqueles que se escondem atrás de ordens e decisões que governam nossas vidas, estudando os seus movimentos e rotas e organizando as nossas próprias células ofensivas que responderão aos desafios da autoridade. Não antecipamos um curto-circuito social que conduzirá a mobilizações de massas, mas tornamos-nos os aceleradores da história através de nossas ações, criando o dicotomia ” com a autoridade ou com a liberdade”. Criamos espaços e eras onde a história é escrita pela nossa própria mão e não  percorrendo-a passivamente. O guerrilheiro urbano anarquista é uma forma de olhar a vida directamente nos olhos, de modo a que se forme um autêntico “nós” coletivo. É a construção de um processo anarquista de libertação com coragem, coerência e determinação. As nossas ações não são avaliadas apenas em função dos golpes infligidos ao inimigo, mas também em relação à possibilidade de mudar as nossas próprias vidas.

O projeto Nemesis é uma proposta internacional de se criar uma lista com os nomes de pessoas do poder com o objetivo de as atacar lá, onde se sintam em segurança, nos bastidores … nas suas próprias casas. A explosão da bomba em Atenas, na casa da procuradora distrital do M.P. Georgia Tsatani, foi o primeiro ataque, o primeiro ato do projeto Nemesis. Compartilhamos este projecto com todas as células do FAI-FRI e todos os anarquistas de ação, por todo o mundo, querendo iniciar um diálogo sobre a difusão da luta anarquista. E nós sabemos que o melhor diálogo para a avaliação de uma acção não pode ser outra coisa senão uma nova ação…

Através do projeto Nemesis saudamos todos xs nossxs companheirxs cativxs nas celas da democracia em todo o mundo e que não estão mais ao nosso lado. É especialmente dedicado aos membros do CCF  Olga Economidou, George Polydoros, Gerasimos Tsakalos, Christos Tsakalos, à nossa companheira anarquista Angeliki Spyropoulou e aos companheiros italianos da FAI, Alfredo Cospito e Nicola Gai.

A todxs aquelxs que não enterraram o machado de guerra…

Conspiração de Células de Fogo / FAI-FRI

Voltaremos em breve.

em  francês

Ilha de Creta, Grécia: Veículo do corpo diplomático incendiado em Chania

kemadoNa madrugada de 14 de Novembro, na cidade de Chania (Ilha de Creta) incendiámos um Citroen C5, um veículo pertencente ao corpo diplomático. O veículo ficou completamente carbonizado. Enquanto exista Estado e Capital, não vacilaremos em atacar os seus meios e estruturas em qualquer oportunidade que tenhamos. Com esta ação enviamos uma mensagem de solidariedade a todxs xs que resistem e se rebelam em cada canto do planeta.

Liberdade para todxs xs nossxs compas anarquistas que estejam presxs nas masmorras do Estado.

Força aos/às membrxs da Luta Revolucionária, Conspiração de Células de Fogo e ao anarquista-comunista Tasos Theofilou nos seus julgamentos de apelação a ter lugar agora assim como aos/às anarquistas envolvidxs nestes casos.

Solidariedade com xs detidxs nos distúrbios de 15 e 17 de Novembro.

Anarquistas

em espanhol

[Projeto Nemesis, 1º acto] CCF reivindica ataque à bomba contra casa da procuradora M.P. Georgia Tsatani (Atenas – 10/2016)

ccfwolvesPROJETO NEMESIS
PRIMEIRO ATO

Reivindicamos a responsabilidade pelo ataque [12 de Outubro de 2016] à casa da procuradora distrital do Ministério Público, Georgia Tsatani, situada na rua Ippokratous, ao lado do departamento de polícia de Exarhia, no centro de Atenas.

Sabíamos que G. Tsatani tinha uma escolta policial e era um alvo bem guardado mas isso não nos impediu de realizar o ataque.

Optámos por uma ação simbólica – único propósito era apenas causar danos materiais – mas a Conspiração das Células de Fogo não se limitará a isso no futuro…

Existem duas ordens de razão para se ter escolhido em particular esta procuradora distrital.

A primeira prende-se com o facto de G. Tsatani ser um membro da rede para-judicial cujo actividade passa por colocar fora de vista os ficheiros que incidem nos interesses da máfia empresarial e de políticos (com o fim de tirar proveito disso, obviamente). É pois a vanguarda judicial dos seus mestres.

O ponto alto da sua maculada carreira é o caso Vgenopoulos, tendo G. Tsatani encerrado o caso, ajudando-o a ser descartado de uma condenação certa. A  venalidade que teve com o empresário Vgenopoulos foi bombeada até si através de invisível conta para-judicial. Estas imperceptíveis cortesias de homens de negócios podem até construir as moradias dos magistrados, em troca da sua “justiça”.

Outra amostra do estilo de escrita desta procuradora distrital, mantida diligentemente em segredo pelos medias, é o caso Meimarakis, relacionado com o equipamento e os subornos de Vagelis Meimarakis, sendo a única a assumir o arquivo do caso – o ex-ministro da defesa nacional volta nessa altura, tendo ela feito questão de se “esquecer” de enviar para o parlamento os ficheiros – claramente com vista à sua cobertura. Em troca desta conciliação dá-se a colocação da filha e do marido de Tsatani como candidatos a ministros da Nova Democracia na presidência Meimarakis.

Georgia Tsatani esteve envolvida no caso Vatopedi, deixando bem claro e uma vez mais a mafiosa cooperação Igreja -Justiça, bem como em muitos outros famosos casos nos quais se “iria cortar” a fim de esconder e proteger os interesses de autoridade.

A segunda ordem de razões para se escolher como alvo de ataque a procuradora distrital Georgia Tsatsani prende-se com a sua participação na sujeição judicial dxs parentes dxs nossxs companheirxs.

A obsessão de vingança dos juízes contra as famílias dxs nossxs companheirxs foi uma escolha que todos os juízes envolvidos serão convidados a pagar e com grande custo. Temos recordações e acima de tudo paciência, persistência e diligência …

Dedicamos esta ação aos/à membrxs detidxs da C.C.F, Gerasimos Tsakalos, Christos Tsakalos, Giorgos Polydoros e Olga Economidou.

Enviamos a nossa solidariedade à companheira anarquista Angeliki Spyropoulou, bem como a todxs xs presxs políticxs irredutíveis que se encontram nas celas da democracia grega e também para os companheiros italianos Alfredo Cospito, Nicola Gai e anarquistas perseguidxs em Itália no âmbito da operação “Scripta Manent” ” contra a F.A.I.

Em breve seguirá a versão completa desta proclamação, bem como a nossa proposta para o projecto “Nemesis”.

Voltaremos…

Conspiração de Células de Fogo / F.A.I.

em inglês / grego, italiano, alemão

Brasil: Ataque a uma viatura da polícia civil em Porto Alegre

Solidariedade com os sequestrados nas gaiolas dos Estados.

Na madrugada do dia 25 de setembro, deixamos uma carga incendiaria embaixo duma viatura na primeira delegacia da polícia civil, situada na rua Canabarro.

Ainda quando na cidade se respira o ar repressivo com a chegada da Força Nacional, conseguimos atacar. E não somos os únicos, o ataque à polícia neste território não é exclusividade nem profissão de ninguém. Abraçamos essa atitude de irreverencia, e celebramos o fogo na delegacia da vila Cruzeiro. Que a revolta e o ataque sejam permanentes!

Toda forma de polícia é inimiga da liberdade. Não só a polícia militar é repressiva e assassina. Há toda uma rede que defende a “ordem social”: Os p2 fazem um trabalho de inteligência para perseguir e encarcerar a todos os que não aceitam serem submissos a esse sistema, a guarda municipal é quem cuida da “limpeza social” das ruas das cidades, perseguindo moradores de rua, vendedores ambulantes etc… enquanto nos protestos pedem o fim da polícia militar esquecendo que toda polícia busca a eliminação da divergência… toda polícia é nossa inimiga.

Junto com nosso gosto por atacar esta força repressiva, nossos inimigos de sempre, nos acompanha também o desejo de mandar um abraço para nossos companheiros. Aos inquebrantáveis guerrilheiros urbanos da Conspiração das Células de Fogo que seguem lutando dentro das prisões gregas (estamos com vocês, hoje e sempre). Aos compas da Itália sequestrados pelos ataques da FAI FRI. A Rafael Braga Vieira, que ainda se encontra preso no Rio, acuado absurdamente por portar uma garrafa de pinho sol durante uma manifestação em 2013.

Pelo fim de todo tipo de polícia e pela propagação dos ataques contra a dominação.

Alguns amigos da revolta

PD. Os meios de comunicação assim como a própria polícia não falaram sobre o acontecido, obviamente, não seria muito estratégico expor suas fraquezas, vai que outros “vândalos” e rebeldes se inspiram e busquem atacar novamente as “forças da ordem” na sua própria casa….

em grego

Prisões italianas: Ação do compa Alfredo Cospito em solidariedade com a Conspiração das Células de Fogo

A 30 de Agosto o preso anarquista Alfredo Cospito destruíu os vidros das divisórias da sala de visitas da secção de alta vigilância AS 2 da prisão de Ferrara, em solidariedade com xs presxs da CCF, recentemente condenadxs a mais de cem anos de prisão cada um/a por intenção de fuga das prisões de Koridallos. Segue-se o comunicado do companheiro:break1

Hoje, 30 de Agosto, passados quase quatro anos da minha detenção, quis celebrar o aniversário, oferecendo-me a destruição dos painéis da sala de visitas. Esta ação é a minha contribuição à solidariedade revolucionária com os meus irmãos e a minha irmã da CCF-FAI/FRI, condenadxs no enésimo julgamento a mais de 110 anos cada um/a pela tentativa falhada de fuga da prisão. O preso anarquista não é nenhuma bandeirazinha nem muito menos é necessário que se construa um monumento à sua volta, às vezes é um pedaço do nosso coração, às vezes não….de qualquer maneira continua a lutar, vivendo… Não há necessidade de o recordar, mas de o reivindicar, libertá-lo, ainda que ao fim e ao cabo também o possa fazer por si mesmx  porque pela sua natureza não pertence a nenhum rebanho…

Viva a FAI/FRI
Longa vida à CCF

em espanhol

Sacco e Vanzetti: Uma viagem através do tempo – Texto de membros da CCF para um evento organizado pela Biblioteca Anárquica Kaos

//pt-contrainfo.espiv.net/files/2016/09/carta-de-elementos-CCF-para-evento-Biblioteca-Kaos.pdfTexto em pdf

Apresenta-se abaixo um texto escrito em Atenas, na Grécia – por vários membros presos da Conspiração de Células de Fogo – para um evento da Okupa Biblioteca Anárquica Kaos, no Brasil.

A todxs xs companheirxs, a todxs xs nossxs irmãos e irmãs anarquistas presentes neste evento organizado pela biblioteca Anárquica Kaos. Deixem que os nossos pensamentos irrompam e viajem para o Brasil de forma a serem enviadas estas breves palavras, com a esperança de que possam sentir um pouco a nossa presença ao vosso lado.

Em resposta ao tema do evento a ter lugar durante a Semana Internacional de Solidariedade aos/às presxs anarquistas gostaríamos de lançar a nossa contribuição pessoal e histórica em relação ao caso de Nicola Sacco e Bartholemeo Vanzetti. A Conspiração de Células de Fogo foi desde o início um grupo anarquista de ação direta que aspirava a um recrudescimento da presença agressiva anarquista na Grécia. Assim, a CCF não hesitou em criticar muitas vezes aquilo que se acreditava estar a ser impeditivo da generalização dessa intensificação. Mas quando a opressão finalmente chegou à nossa porta, aí entendemos completamente que se não estivéssemos ao nível dos nossos padrões ter-nos-íamos recusado a defender a nossa identidade, os nossos pontos de vista políticos e a nossa própria substância. Além do mais, poderíamos ter acabado por estar em completo contraste com as nossas críticas contra outrxs no passado. Deste modo, sete anos após o dia em que a repressão se abateu sobre nós, continuamos na vanguarda da dignidade anarquista, pelo menos de modo que a percepcionamos. Recusamos-nos a nos desonrar de qualquer forma e defendemos o que acreditávamos que tínhamos de defender, pagando o preço da nossa atitude intransigente.

Voltando ao passado, numa época em que dois companheiros – os anarquistas da práxis forjados no fogo da revolta Nicola Sacco e Bartholomeo Vanzetti – foram presos com acusações de expropriação armada e assassinato, enfrentámos desafios que não são de modo algum inéditos. Um fato que beneficia de ampla evidência é que tanto Sacco como Vanzetti participaram em redes militantes informais de afinidade anarquista, todas elas foram afiliadas a publicações como o jornal anarquista Cronaca Sovversiva, em cuja publicação eles próprios ajudaram, publicação essa que apoiava a necessidade de propaganda pela práxis. Sabe-se também que estas redes militantes informais foram responsáveis por uma série de ataques que sacudiram os Estados Unidos de 1914 em diante, ataques esses que estavam a ser financiados por expropriações armadas. Finalmente, é um facto que alguns dos companheiros de Sacco e Vanzetti confidenciaram, após o assassinato dos dois companheiros, que eles eram dois dos cinco ladrões da fábrica de calçados em Braintree, Massachusetts. Um dos companheiros de Sacco e Vanzetti, Mario Buda, por exemplo, durante uma entrevista, quando lhe perguntaram sobre o financiamento do seu grupo, respondeu: “Nós geralmente íamos aos sítios onde poderíamos encontrá-lo (o dinheiro) e levávamo-lo“, ou seja, aos bancos e fábricas. Muitos anos depois, em 1955, ele recebeu a visita do anarquista Charles Poggi, que estava a investigar historicamente o caso de Sacco e Vanzetti. Na discussão entre eles, Buda admitiu, pelo menos, a participação de Sacco no roubo em Braintree com a frase “Sacco estava lá” (“Sacco c ‘era“). Poggi ficou também com a impressão de que Buda foi um dos assaltantes, mas devido à discrição daquele, não levantou a questão.

Os dois companheiros foram presos após uma perseguição e apesar de se encontrarem armados não havia elementos de prova de incriminação contra eles – sem a técnica de investigação de balística que não tinha sido aperfeiçoada ainda naquela época e uma vez as testemunhas não podiam testemunhar nada que fosse confiável. Assim, ambos os companheiros escolheram defender-se declarando que estavam inocentes do roubo, ainda que culpados como anarquistas – num tempo em que, por tão pouco que isto representasse, poderia ser prova suficiente para alguém ser processado, torturado, preso ou mesmo deportado – na medida em que a onda de ataques anarquistas que abalaram os EUA tinha levado o Estado a tomar medidas de emergência contra anarquistas e imigrantes anarquistas, através de uma série de leis.

No pico da histeria anti anarquista, a que puseram o nome de Red Scare [Medo Vermelho], os dois companheiros tentaram equilibrar-se sem rede de modo a evitarem a pena de morte e a manterem a dignidade – uma vez que teimosamente se recusavam a perder a sua identidade, embora isso pudesse revelar-se suficientemente condenatório também.

Infelizmente, o caso de Sacco e Vanzetti é lembrado hoje exclusivamente como um exemplo de montagem do governo. A narrativa histórica que tem prevalecido está a tentar lançar um véu no contexto histórico mais amplo da era em que se deu o julgamento de dois companheiros referidos, induzindo deliberadamente em erro – retratando-os como meros sindicalistas organizados quando na verdade Sacco e Vanzetti e quase todxs xs companheirxs em torno da Cronaca Sovversiva tinham sentimentos profundamente anti – formalistas, distanciando-se das organizações oficiais anarquistas.

Em última análise, o caso dos dois companheiros foi sendo degradado tornando-o numa história onde se eleva o valor da vítima, em vez de ser um exemplo atemporal de uma orgulhosa insurreição anarquista. Tal tema é quase desconhecido até hoje. Naturalmente que cada companheirx mantém sempre o direito de não dar sequer um pingo de si mesmx para o inimigo, especialmente quando têm evidências insuficientes – se as houver até – para o/a condenar.

No entanto, isso é uma coisa outra coisa é o fetichismo político da vítima que omite deliberadamente e totalmente aquelxs que optam pessoalmente por defender o seu compromisso militante à anarquia. E se alguém tem dúvidas, deixem-nos saber os motivos porque é que os nomes dxs companheirxs de Sacco e Vanzetti continuam a ser lançados no esquecimento. Quantos ainda se lembram ou sabem sequer alguma coisa da “dinamite-girl”, a velha companheira de 19 anos de idade Gabriella Antollini, que reivindicou a responsabilidade do transporte de armas e explosivos? Quantos se lembram de Nicola Recci que perdeu quase toda a mão durante a fabricação de dispositivos explosivos? Com que frequência é Carlo Valdinoci mencionado, ele que morreu pela explosão de uma bomba que estava a planear colocar na casa do ministro da Justiça Palmer; ou Andrea Salsedo, que foi atirado de uma janela pela polícia, durante um interrogatório acerca de uma reivindicação de responsabilidade que foi descoberta na sua loja de impressão? Todxs estxs e muitxs mais, estavam destinadxs a ser deixados de fora dos livros de história, porque como realmente é o caso não eram “inocentes”.

Neste ponto, apesar do stress e de se declararem inocentes das acusações, nunca Sacco e Vanzetti denunciaram o seu património insurrecionário. Um fato comprovado pelo número das ações ofensivas em todo o mundo feito em nome da solidariedade aos dois companheiros. Desde o bombardeio, usando um carro com fios, de Wall Street até ao pacote-bomba enviado para o embaixador dos EUA em Paris, bem como dezenas de atentados de embaixadas americanas em diversos países. Os companheiros muitas vezes exortaram eles mesmos o movimento a fazer retaliações contra o Estado e juízes. Em Junho de 1926, numa edição da Protesta Umana, Vanzetti escreveu entre outras coisas: ”Tentarei ver Thayer morto antes do anúncio da nossa sentença” e pediu aos/às companheirxs “Vingança, vingança em nosso nome e em nome do nosso modo de vida e mortxs “. O artigo conclui com  “Health Is In You” [A saúde está em você] que foi o título de um manual sobre dispositivos explosivos publicado pela Cronaca Sovversiva (alguns dizem que traduzido por Emma Goldman a si mesma).

A rica contribuição da anarquia insurrecional no movimento de solidariedade com Sacco e Vanzetti está a ser, em grande parte, negligenciada até hoje. Na ocasião da chamada para a Semana de Acção Internacional pelxs anarquistas encarceradxs, vale a pena ser definitivamente lembrado em toda a sua perspetiva o legado de tal solidariedade militante. Quem acredita que a dissociação com atos militantes de solidariedade é nova ou tem falta de raízes, está profundamente enganadx.

Um fato notável é que, enquanto certos círculos anarquistas na Argentina caluniavam Severino Di Giovanni, acusando-o mesmo de ser um fascista, a viúva de Sacco – numa correspondência, alguns dias após a execução de ambos os companheiros – expressava a sua gratidão pelo apoio daquele ao caso. Na mesma carta, indicava que o diretor de uma determinada empresa de cigarros com o nome “Combinador” se tinha oferecido para dar a um tipo particular de cigarros da marca o nome “Sacco e Vanzetti”, tentando obter descaradamente lucro da notoriedade do caso. Em 26 de Novembro de 1927, uma bomba colocada por Di Giovanni e companheirxs explodiu numa filial da referida empresa em Buenos Aires. Fazia parte desse mesmo grupo o companheiro de Sacco e Vanzetti Ferrecio Coacci, o qual tinha sido deportado dos EUA. Coacci também era suspeito no roubo pelo qual Sacco e Vanzetti foram condenados, tendo a sua casa sido a primeira a ser invadida na investigação do caso.

Esperamos que consigamos nestas poucas palavras incentivar o interesse dos/as participantes do evento, definindo as bases para um autêntica discussão de companheirismo sobre todas as questões acima mencionadas – uma vez que, infelizmente, estamos condenadxs a nada aprender da nossa história, condenando-nos assim ao mesmo erro, uma e outra vez.

Do coração, enviamos a todos vós as nossas mais calorosas saudações.

Por fim, devemos lembrar-nos da frase do anarquista Luigi Galleani, companheiro de Sacco e Vanzetti e um dos editores de Cronaca Sovversiva: “Nenhum ato de rebelião é inútil; nenhum ato de rebelião é prejudicial.

Os membros da Conspiração de Células de Fogo

Michalis Nikolopoulos
Giorgos Nikolopoulos
Haris Hatzimihelakis
Panagiotis Argirou
Theofilos Mavropoulos
Damiano Bolano

Biblioteca Kaos, Porto Alegre: Atividade integrada na Semana de Agitação pelxs anarquistas presxs – 27/08

SEMANA-Agitação-1
     Clica na imagem para teres acesso ao comunicado da Biblioteca Anárquica Kaos

Cartaz em  pdf

ATIVIDADE: SEMANA DE AGITAÇÃO
PELXS PRESXS ANARQUISTAS
89 anos do assassinato de Sacco e Vanzeti…a memória e a solidariedade…continuam!
BIBLIOTECA ANARQUICA KAOS
Apresentação do livro
Vigência da memória e solidariedade anarquista: das jornadas dos anos 20 à agitação permanente pelos/as anarquistas sequestrados/as hoje.
Troca de ideias
Reivindicação anarquista diante da prisão
 Escrita e tradução de cartas para xs compas da CCF (Grécia), Tato [Natalia Collado]/(Chile) e Fernando Bárcenas (México)
Feira de material anarquista
A atividade acontecerá na Ocupação Pandorga: Vila Cabo Rocha (Rua Professor Freitas e Castro, 191 – Bairro Azenha )
16 horas, Sábado 27 de agosto de 2016
COM ESPAÇO, SEM ESPAÇO…SEGUIMOS INCOMODANDO!

Prisões de Korydallos, Atenas: Resumo das sentenças relativas ao recurso interposto no julgamento por tentativa de evasão da CCF

HammerHand A 8 de Julho de 2016, o tribunal da prisão de Korydallos – presidido pela juíza especial Asimina Yfanti – condenou todxs xs membros da organização revolucionária anarquista Conspiração das Células de Fogo, acusadxs de terem colocado um dispositivo explosivo na seção de finanças de Korydallos; do envio de um pacote-bomba para a esquadra de polícia em Itea (em retaliação pelo assassinato do preso Ilir Kareli às mãos dos guardas prisionais); do envio de uma carta-bomba para a casa de Dimitris Mokkas (juiz especial do tribunal de apelação contra o terrorismo); de terem planeado uma fuga armada da  prisão de Korydallos (apelidada de “projeto Gorgopotamos”); de posse de armas de fogo, explosivos e lança chamas anti-tanque com o objetivo de “perturbar a vida social, económica e política do país”. Em relação às acusações aqui contidas, também foram consideradxs culpadxs de “direcção de uma organização terrorista” e incitação (“instigação moral”) a quatro tentativas de homicídio.

Durante a leitura da sentença houve uma forte presença de companheirxs em solidariedade com xs anarquistas e individualidadxs dignxs co-acusadxs no processo para o caso da evasão da CCF. Houve também forte presença policial (incluíndo um esquadrão anti-motim).

Membrxs da CCF:

Xs dez prisioneirxs anarquistas da CCF Gerasimos Tsakalos, Christos Tsakalos, Giorgos Polidoros, Olga Ekonomidou, Theofilos Mavropoulos, Panagiotis Argirou, Giorgos Nikolopoulos, Michalis Nikolopoulos, Damiano Bolano, Haris Hadjimihelakis foram condenadxs a 115 anos de prisão cada um/a.

Companheira Angeliki Spyropoulou:

A prisioneira anarquista Angeliki Spyropoulou foi condenada a 28 anos de prisão.

Familiares de membros da CCF:

Athena Tsakalou (a mãe dos membros da CCF Gerasimos Tsakalos e Christos Tsakalos) e Evi Statiri (companheira sentimental de Gerasimos Tsakalos) não foram consideradas culpadas por uma opinião de maioria (veredicto não unânime).

No entanto Christos Polidoros (irmão do membro da CCF Giorgos Polidoros) foi condenado por “pertença à organização terrorista Conspiração das Células de Fogo” tendo recebido uma condenação a seis anos de prisão condicional.

Outras condenações & um par de absolvições

Christos Rodopoulos (apelidado de “Iasonas” pelas autoridades), o qual negou todas as acusações, foi condenado a 75 anos de prisão.

Quatro outros acusados foram sentenciados por suposta participação na organização e condenados a 27-28 anos de prisão cada.

Fabio Dusko foi condenado a 8 anos de prisão.

Quatro outros acusados foram absolvidos da participação na organização, mas receberam uma pena suspensa de 6 anos,

Dois outros réus foram considerados culpados de delitos leves.

em inglês l alemão l italiano

La Paz, Bolívia: Panfletos em solidariedade com xs presxs anarquistas em Espanha e Grécia

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PANFLETOS EM SOLIDARIEDADE COM XS COMPANHEIRXS MÓNICA E FRANCISCO, ANGGELIKI SPYROPOULO, CCF E PRÓXIMXS

“As palavras são cómodas, a ação não o é”
Desde que nascemos que nos impõem o respeito, mas: O que é o respeito? Obedecer aos paradigmas autoritários que a sociedade nos impõe? A obediência é por acaso o respeito?

O respeito imposto levou-nos a ficar atolados a tal nível que nos converteram numa sociedade em que  somos inúteis indivíduos dependentes dalguma das autoridades que nos restringem, limitando-nos a obedecer sem qualquer tipo de análise pessoal – é por isso que vemos milhares de pessoas ajoelhadas perante indivíduos que, por usarem uma batina, uniforme, etc., acreditam que são superiores a nós, porque a sua batina torna um serviço sagrado por causa do “nosso” Senhor, ou por usarem sotaina são venerados pelo seu grau de autoridade e assim reprimem, abusam e assassinam.  O respeito à autoridade é o nosso inimigo, seremos toda a vida inrespeitosxs – já que NÃO vamos respeitar cada raiz da dominação implantada – temos a opção que sempre quiseram extinguir, a opção da desobediência. Não esperem que tenhamos respeito às igrejas, à bófia ou ao Estado. Nunca respeitaremos a dominação.

Quando hesitamos em atacar é porque no nosso pensamento surge a repressão e o que ela arrasta consigo, perseguições que não são brincadeira e a privação da “liberdade”; o desafio de um/a anarquista sempre foi e sempre será  o enfrentar este desapiedado sistema fazendo o impossível para não cair na trampa; um colossal militarismo aproxima-se a passos gigantes, não ficaremos para trás embora não escolhêssemos seguir os seus mecanismos, a luta anarquista amplia-se dia e noite, dia e noite  iremos em frente para muito mais. A crítica sempre estará na apresentação e não na comodidade.

Ao longo de séculos, a Inquisição mantém a vigência em vigor, subtilmente tem-se “humanizado”, ou seja, mostrar-se mais “piedosa” e respeitar os “direitos” das pessoas, aprisionando aquelxs que quebram esse respeito e autoridade que tem o poder para dominar as mentes dos crentes; nesse sentido, aquelxs que decidem atacar os seus símbolos e estruturas continuam a ser perseguidxs, castigadxs, não há diferença entre os períodos de suplício e a atualidade.  Xs companheirxs Mónica Caballero e Francisco Solar foram sentenciadxs a 12 anos de prisão nas masmoprras espanholas, a solidariedade deve ser permanente. Colámos alguns cartazes no Centro Cultural da Espanha, porque esta cultura de garantir conforto ao sistema opressor é mais um dos símbolos da alienação social.

A ética anarquista continua enquanto o conflito continuar e dói quando atingimos o inimigo, valorizamos xs nossxs companheirxs, amamos as suas atitudes e a sua coragem. E não estamos aqui para avaliar nem para julgar os seus “erros”, o sistema já o faz.

O que cada ser vivente aspira é à liberdade, o instinto de sobrevivência leva-nos a escapar de qualquer intenção de submetimento, sendo por isso a intenção de fuga dxs companheirxs da CCF na Grécia o procedimento segundo os termos da liberdade dxs que não se deixam submeter e continuam a lutar dentro das prisões.

O chicote do Poder estende-se a familiares e entorno daquelxs que lutam e decidem não deixar sós os seus entes queridos; nesse sentido, o Poder desconhece afeto, solidariedade e cumplicidade. A nossa ímpia alma estará sempre livre, as nossas blasfémias serão a cuspidela a qualquer símbolo de dominação, a autoridade não representa para nós nenhum símbolo de respeito.

A cumplicidade é a arma, é fogo, aos nossos irmãos e irmãs enviamos-lhes firmeza e força, abraços do coração e beijos, que haja saída por todo o lado, que o vento sopre forte e que se converta a situação.

Aos/às traidorxs bastardxs, lacaixs do sistema, a sua hora chegará. E o nosso dia chegará também…

Saudações aos/às guerreirxs, nem culpadxs nem inocentes, a partir destas terras longínquas dominadas pelo Estado boliviano.

Uma saudação ao/à companheirxs Mónica Caballero e Francisco Solar.

Saudações aos companheirxs da CCF e a Anggeliki Spyropoulo, um abraço aos seus familiares e amigxs perseguidxs, Athena, Evi estamos com vocês.

Vândalos nómadas selvagens

Porto Alegre: Ataque incendiário a sucursal do Banco Santander

Recebido em 11 de março de 2016:

Na noite do 9 de março, colocamos um artefato incendiário na sucursal do banco Santander na rua Ramiro Barcelos, incentivadxs a conspirar e dar o passo do ataque pela cumplicidade anarquista e solidária com quem, detrás das grades, aguentando dias e dias de encerramento, se mantém com a cabeça alta, orgulhosx das suas ideias e convicções.

Respondendo à chamada de solidariedade com xs compas Mônica Caballero e Francisco Solar, nos organizemos para que nossas ânsias de solidariedade se tornem em chamas e que cheguem até xs companheirxs que estão enfrentando um julgamento no qual arriscam 44 anos de prisão, acusadxs de terrorismo e particularmente de um atentado contra a Basílica “del Pilar” em Barcelona.

Sobram razões e motivos para atacar o Banco Santander, por exemplo, além de ser representantes do estado espanhol (que tem sequestrado axs nossxs companheirxs) neste território, porque eles foram administradores do dinheiro de Augusto Pinochet após a ditadura militar do Chile. No fim, estes fatos só são detalhes que incrementam nossa raiva… Qualquer instituição bancaria, por mais que tente disfarçar suas intenções genocidas em “projetos culturais” ou demais paradas pseudo-humanistas, representa todo um sistema que somente nos inspira nojo.

Sucursais do banco Santander foram atacadas já duas vezes nos últimos dias, em Santiago do Chile e em Buenos Aires, os dois ataques foram realizados em solidariedade com Mônica e Francisco. Esta coordenação silenciosa, instintiva e solidaria não só provoca um grande incomodo na vida normalizada em diferentes pontos no mundo, mas fortalece nossos laços que deixam claro que não existem fronteiras, que não precisamos cabeças nem estruturas verticais para atacar várias grades da mesma gaiola.

Junto com esta ação solidária para Mônica e Francisco, mandamos um gigante SALVE axs compas da Conspiração das Células de Fogo e seus familiares que também estão enfrentando mais um julgamento na sua contra. Sua firmeza nos inspira cada dia para caminhar procurando que o fogo ilumine a escuridão…

Abaixo os muros da prisão.

Solidariedade incendiaria com Mônica e Francisco

Pela proliferação dos grupos de ataques. A beleza está na cumplicidade solidaria.

Viva a anarkia!

Porto Alegre: Pixos em solidariedade com a galera de Conspiração de Células de Fogo

Recebido em 1 de março de 2016:

Pixos em solidariedade com a galera de Conspiração de Células de Fogo

Uma tentativa de fuga é uma grande provocação. Que é mais natural, para quem ama apaixonadamente a liberdade, que tentar escapar de uma jaula? Este instinto de sobrevivência fortalece laços de afinidade e solidariedade com xs compas irredutíveis de CCF e nos torna ainda mais afins com sua entranhável convicção que a prisão não é, e nunca será um freio á guerrilha anarquista…

Acreditamos que neste julgamento, não só são xs compas da CCF os que vão enfrentar a máquina legal de encarceramento. Nosso salve para Evi Statiri, Christos Polydoros, Athena Tsakalou e Spyros Mandylas por afrontar com dignidade as consequências de se solidarizar com xs compas. Estes são laços que fortalecem não só os companheirxs mas que dão um destelho no meio da merda da colaboração da sociedade com a polícia.

Esperando que estas palavras possam cruzar oceanos e grades. Queremos mandar-lhes um salve nesta temporada de juízo. Particularmente por ser mais um momento em que não aceitam as regras do circo judicial, rejeitando estas, como feras que não se deixam domesticar para ser parte do show. Que mais coerente para um anarquista que se negar em colaborar e cair nas armadilhas jurídicas do estado?

Caminhando, de cabeça erguida rumo a anarquia com dignidade e rebeldia… Saibam que cada passo que vocês dão são um fortalecimento e um entranhável impulso para seguir lutando…

Salve Aggeliki Spyropoulou e CCF

Atenas: Julgamento do caso intenção de fuga das CCF marcado para 15 de fevereiro de 2016

3quivers15 de fevereiro: Data do julgamento para o plano de fuga da Conspiração das Células de Fogo – Perseguições contra parentes de presxs políticxs

O julgamento dxs companheirxs da Conspiração de Células de Fogo, referente ao plano de fuga das prisões de Korydallos, foi marcado para dia 15 de fevereiro. Um total de 28 pessoas são acusadas neste julgamento. Xs companheirxs da Conspiração de Células de Fogo assumiram a responsabilidade do plano de fuga desde o início defendendo que a sua opção era um meio para continuar a luta anarquista.

Entretanto, a máfia judicial tem vindo a experimentar contra elxs uma chantagem insidiosa e vingativa – na sequência destes factos – além de usarem acusações as mais pesadas possíveis contra várixs dxs acusadxs (cuja relação com xs membrxs da Conspiração de Células de Fogo se limita unicamente a contatos amistosos) e contra quem prepararam já novas guilhotinas.

O inquisidor Eftichis Nikopoulos (juíz especial de apelação contra o terrorismo) e os conselhos judiciais que o seguiram também apresentaram acusações para levar a julgamento xs familiares dxs presxs políticxs: Athena Tsakalou (a mãe de Gerasimos Tsakalos e Christos Tsakalos, membros da CCF), Evi Statiri (companheira sentimental de Gerasimos), e Christos Polidoros (o irmão de Giorgos Polidoros, membro da CCF), sob a acusação de “pertença à organização terrorista Conspiração de Células de Fogo”!!!

Athena Tsakalou e Evi Statiri foram originalmente detidas em Março de 2015 e conseguiram sair logo em seguida do cativeiro.

Athena foi posta em liberdade um mês depois da sua detenção, na sequência da greve de fome dxs membrxs da Conspiração de Células de Fogo e da companheira anarquista Angeliki Spyropoulou. Seis meses mais tarde Evi saía também da prisão, após a greve de fome empreendida por ela e pelo seu companheiro sentimental Gerasimos Tsakalos.

Durante as duas greves de fome foi desenvolvido um movimento multifacetado contra o golpe judicial o qual expressou a sua solidariedade através de concentrações, faixas, ocupações de edifícios, actos de sabotagem e ataques incendiários…

No entanto, após a libertação de Athena e Evi, o movimento de solidariedade obteve somente meia vitória.

Os juízes-carrascos “concederam-lhes” uma liberdade aleijada. Athena foi exilada na ilha de Salamina e Evi só pode se mover num raio de um kilómetro de casa, através de uma “liberdade distância – metro”.

Simultaneamente, foi-lhes proíbida qualquer comunicação com xs seus/suas parentes, isolando-as deste modo atrás de grades invisíveis…

Observa-se também que a estratégia do poder para isolar xs presxs políticxs tem vindo a ser ampliada – como no caso da recente proibição de visitas ao companheiro Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária [um compa seu amigo foi recentemente proíbido de o visitar na prisão].

De forma similar, a máfia judicial continua a sua alquimia contra familiares de presxs políticxs, tendo detido María Theofilou* [companheira sentimental de Giorgos Petrakakos, assim como a irmã do preso anarquista Tasos Theofilou].

A 15 de fevereiro o poder voltará a erigir as suas guilhotinas contra xs familiares de presxs políticxs.

Agora as suas intenções ficaram muitíssimo claras. De acordo com o dossier de acusação, com mais de 10.000 páginas, decidiram chamar somente 20 testemunhas para suporte (metade das quais são agentes da polícia antiterrorista), com o propósito de aceleramento do processo; parece que as condenações já foram emitidas…

15 de Fevereiro marca o início de uma nova aposta para as pessoas em luta, xs que renegam o Poder, gente em solidariedade…A nossa aposta é anular os planos vingativos do Poder, ficar lado a lado com xs companheirxs, e continuar o que começámos…de modo a se subverter o golpe judicial e enfrentar a perseguição dxs familiares dxs presxs políticxs.

Desde logo porque este julgamento prefigura perseguições futuras. O que está a ser testado hoje, contra parentes de presxs políticxs, amanhã será testado contra amigxs, pessoas em solidariedade, gente em luta …

Por esta razão e todas as razões deste mundo, estamos a preparar-nos uma vez mais para nos aventurarmos em novas batalhas contra as leis da bófia, juízes e sacerdotes do Poder.

A nossa aljava contém muitas flechas, tais como a memória recente dos gestos contra as perseguições fascistas de parentes dxs presxs políticxs e também as marcas frescas das ações para um Dezembro Negro – as que se desviaram dos caminhos silenciosos da paz social.

Perante os desafios colocados pelo Estado e máfia judicial desafiamos à ação insurrecional. Com o julgamento a 15 de Fevereiro como ponto de encontro – para a oposição à perseguição dxs familiares – vamos tornar este Ano Novo (a começar pelo nosso próprio reinício) com chamadas internacionais, assembleias, contra-informação, manifestações, ocupações, actos de sabotagem, ataques, para a derrubada completa do existente. Sem um só momento desperdiçado.

“A pedra, o ferro, a madeira quebram…contudo é impossível quebrar um ser humano determinado pela sua consciência”.

Solidariedade com xs companheirxs da Conspiração de Células de Fogo e a anarquista Angeliki Spyropoulou

Contra a perseguição dxs familiares dxs presxs políticxs
(Christos Polidoros, Athena Tsakalou, Evi Statiri)

em grego | inglês

* Em 21 de janeiro de 2016 María Theofilou saiu da prisão Koridallos sob condições restritivas (5000 euros de fiança, a obrigação de se apresentar duas vezes por mês na esquadra de polícia mais próxima).

Grécia / México [2012]: “Uma troca de ideias entre anarquistas”

Uma troca de ideias entre anarquistas: Uma discussão sobre tática e prática entre @s membr@s encarcerad@s da Conspiração das Células de Fogo e alguns anarquistas de práxis radicad@s no México.

Clique na capa para baixar, ler e/ou imprimir o texto. A tradução foi realizada por um grupo de tradução improvisado: inconstancia@riseup.net.

Cartaz da Biblioteca Kaos, em Porto Alegre, aqui.

Introdução do anarquista preso da CCF Christos Tsakalos (4 de Dezembro de 2015), em grego, aqui.

Prisões gregas: Texto de Panagiotis Argirou tendo em vista o final do julgamento pelo Projecto Fénix

phoenixA TODXS XS COMPAS QUE ATRAVÉS DOS SEUS ACTOS ME DERAM MOMENTOS DE LIBERDADE

Só nos momentos em que a nossa tensão pela liberdade se encontra com a práxis é que somos realmente capazes de viver a anarquia, aqui e agora. Desgraçadamente, o sonho que carregamos nos nossos corações é demasiado grande para se evitar o risco de nos vermos frente à monstruosa muralha da autoridade levantada em defesa do Estado e do Capital. Quando realmente pomos a nossa vida em jogo, inevitavelmente acabamos por nos confrontar com as duras condições associadas à luta: a morte e a prisão.”
Nicola Gai*

Pouco antes do final do 4º julgamento consecutivo contra a Conspiração de Células de Fogo, e contra mim em particular – como um dos anarquistas que assumiu a  responsabilidade pela sua participação na CCF – gostaria de dizer algumas coisas dirigidas não ao tribunal mas a todxs xs companheirxs cuja ação deu ímpeto e subsistência ao Projeto Fénix.

A saudação clara de todxs xs membrxs presxs da CCF aos/às compas da Célula Sole – Baleno (a célula de sinpraxis entre Conspiração das Células de Fogo e Bandas de Consciência), custou-nos, no início, o processo por incitamento a 4 ações do Projeto Fénix: o ataque explosivo contra o veículo pessoal da directora da prisão de Korydallos em Atenas, o ataque explosivo ao veículo pessoal de um chefe dos carcereiros da prisão de Nafplio, o ataque incendiário a um hotel na Indonésia e o envio de uma carta-bomba ao ex-chefe da polícia anti-terrorista, em Atenas.

À posteriori, depois das autoridades competentes terem percebido que o ataque na Indonésia por parte da Unidade da Cólera / Conspiração Internacional pela Vingança – FAI / FRI, nunca se manteria de pé no julgamento, essa acusação caíu antes mesmo do início do julgamento.

No entanto, no que diz respeito aos outros ataques e à acusação em que me consideram instigador, por um lado isso ofende-me porque como anarquista abomino todas as formas de relação hierárquica, mas, por outro lado, ajuda-me a compreender que a dominação se sente ameaçada por guerrilheirxs anarquistas – quando, mesmo que a partir de uma situação de cativeiro, tentam estar presentes e conectadxs com a luta fora dos muros, saudando as hostilidades desencadeadas pelxs seus/suas companheirxs. A dominação sente-se ameaçada quando comprova que a condição de confinamento não é nem de longe suficiente para acabar com a energia combativa dxs presxs anarquistas. Isso por si só é suficiente para que se montem listas inteiras de acusação por incitação. Mas em nenhum caso é suficiente para quebrar a minha moral e o desejo de me conectar com todxs xs compas anarquistas que tomem uma posição combativa.

Portanto, por ocasião do final deste julgamento, gostaria de saudar novamente xs amadxs compas que por todo o lado, em todo o mundo, puseram em marcha a Conspiração da Internacional Negra dxs anarquistas da práxis através dos ataques do Projeto Fénix: do Chile à Rússia e da Alemanha à Indonésia.

Assim, em vez de declarar diante dos juízes, optei por enviar da minha cela um flamejante abraço a todxs aquelxs que optaram por atacar e a quem tenha armado a Anarquia com fogo e pólvora.

Cada actividade em separado, cada ação em especial, deu-me força e iluminou o meu coração com a chama da insurgência anarquista.

Daqui, do país do cativeiro, senti perto de mim cada um/uma dxs compas que das trincheiras do ataque conspirativo prejudicou a normalidade social, de cada forma possível.

A dinâmica que se manifestou com o Projeto Fénix deixou um legado significante, ao estudar o seu impacto dei conta de novas perspectivas de luta aberta para a Anarquia, quando se vai além das fronteiras e distâncias e se elege o choque frontal contra a dominação na base da organização informal.

Foi um desses momentos importantes que me incentivou a contribuir de novo com outra proposta para uma nova posição do combate anarquista através de uma chamada por um Dezembro Negro, um apelo conjunto com o companheiro anarquista Nikos Romanos.

Creio que as perspectivas abertas pelo Projeto Fénix e a coordenação informal da ação direta anarquista a nível internacional podem evoluir para algo mais ameaçador para o Poder, se se encontram com o resto da gama de práticas anarquistas, compondo um mosaico de ação anarquista multiforme a nível mundial que constantemente avança contra o Poder.

Então, tudo o que tenho a dizer à sua justiça é que moralmente, politicamente e em termos de valores, me encontro de todo o coração em cada ataque anarquista contra a dominação. Se quiserem, podem-me acusar de incitação a uma perpétua guerra anárquica contra a dominação, tal como eu poderei acusá-los de incitação a cada ato de barbaridade autoritária assinado em nome da justiça. Nada me daria maior satisfação do que a jubilosa notícia de que uma bala tinha sido cravada na sua cabeça como prémio pela sua vida miserável.

Viva o Projecto Fénix!

Viva o Dezembro Negro!

Viva a Coordenação Informal da Ação Anarquista Multiforme por todo o mundo!

Panagiotis Argirou
membro da Conspiração de Células de Fogo – FAI/FRI
24 de Dezembro de 2015

N.T. * Nicola Gai é um compa anarquista, preso em Itália, que assumiu a responsabilidade pela sua participação no ataque reivindicado pelo Núcleo Olga-FAI/FRI (disparar contra Roberto Adinolfi, o director executivo da Ansaldo Nucleare)

em grego l espanhol l inglês l italiano

Barcelona: Ações por um Dezembro Negro das individualidades pela Dispersão do Caos – FAI/FRI

Após as últimas operações policiais contra o meio anarquista, muito se disse e se escreveu – sendo na sua grande maioria uma queixa ou uma “condenação” à repressão por parte do poder – tanto em comunicados como nas opiniões.  Tendo em conta a última operação repressiva e as reacções que se seguiram, consideramos importante dar a nossa perspectiva sobre os acontecimentos

Começando pela visão de que a repressão, que se tem vindo a abater sobre nós, é a resposta lógica do Estado aqueles que consideram (ou o Estado mesmo considera) como os seus/suas inimigxs – não entendemos os comunicados em que de uma ponta à outra se descrevem como vítimas (e, claro, com as palavras mais apropriadas) se roga ao Estado que deixe de lançar as suas hordas policiais de forma “indiscriminada” contra xs anarquistas. Que a repressão é injustificada, supostamente usa-se e abusa-se do termo “montagem”, que não fazemos nada de mal…que nos atacam por “pensar diferente”… tenta-se dar uma imagem de “normalidade” e, por todos os meios, que esta imagem pública seja o mais limpa ou socialmente aceitável. Faz-se o possível para se distanciar de discursos ou práticas violentas, caindo assim no jogo de poder, usando a mesma linguagem, fazendo distinções entre anarquistas “bons/boas” e “maus/más” fomentando deste modo a mesma criminalização.

Chegados a este ponto, entre estxs “anarquistas” há quem não tenha tido vergonha de conceder entrevistas aos meios de comunicação dando uma imagem lamentável e, o que é pior, situando-se como porta-vozes do “movimento anarquista” (e já de passagem por todos os movimentos sociais) estxs aspirantes a políticxs e guias de massas tentam fazer todo o possível para afastar o anarquismo de seu carácter subversivo e de confronto, pintando-o como um simples movimento de activismo social, vazio de todo o discurso e prática de confronto com o poder e a ordem existente.

Por outro lado há os discursos dos que falam continuamente sobre o terrível que é a repressão, que todxs estamos controladíssimxs, que não se pode fazer nada… estas atitudes não fazem mais que difundir o pânico e a paranóia colectiva e por trás destes discursos e atitudes estão aquelxs que escondendo o seu imobilismo usam, como pretexto, a omnipresença da repressão, os seguimentos, os clássico  “a mim têm-me fichadíssimx”…etc, etc. Não estar disposto a assumir as coisas é uma decisão pessoal, mas esconder-se atrás de um medo descontrolado – e em muitos casos infundado – e dedicar-se a espalhar esse sentimento derrotista é perigoso é contraproducente. Isso não quer dizer que uns/umas sejam “bravxs” e xs outrxs “cobardes”, é totalmente normal ter medo das detenções nas delegacias de polícia, das prisões, dos espancamentos, das torturas e assassinatos realizados pela bófia ou pelos carcereiros …

No entanto, dar rédea solta ao medo permite o pânico e a paranóia – que por sua dá lugar aos discursos derrotistas que atraem a passividade e o imobilismo e ao é melhor “portar-se bem” tanto para si mesmx como para com o resto dxs companheirxs para não se acabar por ser o alvo de investigações policiais.

Como nota final sobre este assunto apenas dizer que, ainda que o Estado não tenha mostrado mais que a ponta do iceberg, isto não é nada comparado com o que poderia ter sido solto e, de fato, basta olhar para a repressão que se exerce actualmente noutras partes do mundo (e não é preciso ir muito longe) ou na própria Espanha há algumas décadas.

Deve ficar claro que, a partir do momento em que nos posicionemos como anarquistas, passamos a viver em risco permanente e com possibilidade de sermos atingidxs pela engrenagem repressiva – ainda que à margem das nossas práticas, pois como já se viu, há ocasiões nas quais a dita máquina repressiva procura acima de tudo provocar medo entre o inimigo, levando à frente qualquer um/a em vez de dar golpes certeiros – aos olhos do poder qualquer um de nós pode ser um objectivo.

Não obstante o desencadear das operações policiais, encarceramentos e  difamações levadas a cabo (e do está por vir) o poder sabe que permanecemos, como sempre, indivíduxs aos quais não nos podem controlar nem assustar por mais que tentem – não poderão acabar com as nossas ânsias de destruir todo aquilo que nos oprime. Enche-nos de alegria comprovar que, apesar de todo o transcrito, não conseguiram deter a ofensiva contra o existente, há sempre continue sem ceder ao medo e à submissão social, passando ao ataque permanente. A acção multiforme anarquista continuou espalhando-se pelos diversos bairros, cidades e vilas em forma de publicações e textos combativos, cartazes, pintadas, faixas, sabotagem, incêndios e explosivos, cortes de ruas com barricadas com barricadas, confrontos, ataques a edifícios do poder e distúrbios durante manifestações…

Ainda que a tendência em Espanha tem sido para a não reivindicação das ações, pelo que muitas delas ficam mudas ou são silenciadas, sabemos bem que tudo isto tem vindo a ser sucedido em maior ou menor grau. A violência minoritária sempre continuou e continuará e, sim, falamos de violência, sem tabus ou complexos, pois estamos convencidos de que o poder não cairá por si nem nenhum messias cairá do céu com a solução debaixo do braço.

Não usamos palavras como “auto-defesa” ou “contra-violência” ou não falamos de violência anarquista apenas quando haja um contexto de levantamento de massas porque resulta mais aceitável. Temos comprovado que, apesar de tudo, a prática insurrecional e o ataque continua a ser possível, a polícia não pode estar em toda a parte, nem nos espiar ou controlar a todxs: um pouco de senso comum, uma boa planificação e vontade são mais do que suficientes para se comprovar que a imagem de um mundo controlado e pacificado não passa de uma ilusão e quebrar esta ilusão de tranquilidade está nas nossas mãos.

Porque frente aos ataques do poder e à miséria de alguns/mas “anarquistas” que só se preocupam em darem ares de bons/as jovens inocentes perante a sociedade, e salvar-se a si mesmxs, nós armamos os nossos desejos e paixões, passamos ao ataque. Frente às massas e à sua passividade apenas oferecemos a nossa agressividade, não esperamos nada deles e lançamos-nos em pleno à revolta anárquica permanente.

Somos xs revoltosxs que decidiram seguir de pé e assumir o risco por nos atrevermos a viver a anarquia aqui e agora.

Para nós, as palavras sem actos são palavras mortas, por isso aproveitamos este comunicado para reivindicar as siguintes ações em diferentes zonas de Barcelona:

O incêndio de vários veículos de diferentes empresas privadas oo estatais, a maioria deles de empresas de segurança.

Ataques a sucursais bancárias mediante la rotura dos vidros e do caixa eletrónico com martelos, pedras e tinta ou incêndio do mesmo.

Incêndio de contentores e destruição de diverso mobiliário urbano.

Através deste comunicado queremos saudar afectivamente xs nossxs presxs, especialmente Monica e Francisco que lestão há mais de dois anos em prisão preventiva sem baixar a cabeça, xs compas Nicola e Alfredo, xs compas do CCF e xs compas atualmente prisioneirxs no Chile, assim como todxs xs compas presxs em qualquer parte do mundo, tal como saudamos xs nossxs e recordamos xs que tombaram e a todxs aquelxs que dia a dia continuam a apostar no conflito e na insurreição permanente em todo o lado, fazendo da anarquia uma ameaço, de novo.

Por um Dezembro Negro em todo o lado!

Pela Internacional Negra de anarquistas da praxis!

Pela extensão do Caos e da Anarquia!

Nada acaba, a guerra continua…

Individualidades pela Dispersão do Caos – FAI/FRI

Nota: Desenho realizado no Chile por um compa em prisão preventiva, acusado na montagem “Caso Bombas”, há anos atrás.

Atenas: Acusação para o plano de fuga da CCF

25-2A 16 de Novembro de 2015, foi anunciado que um total de 27 pessoas foram indiciadas no caso do plano de fuga da prisão de Korydallos da Conspiração das Células de Fogo. As pessoas pertencentes ao núcleo da família mais próxima de anarquistas em cativeiro estão incluídas entre xs acusadxs; o que significa que Athena Tsakalou (mãe dos membros da CCF, Christos e Gerasimos Tsakalos) e Evi Statiri (companheira sentimental de Gerasimos Tsakalos) serão também chamadas a julgamento.

Entretanto, Evi Statiri tinha apresentado um pedido para a retirada de uma das medidas cautelares impostas após a sua libertação da prisão. Solicitou o levantamento da proibição de se comunicar e visitar na prisão o seu companheiro sentimental Gerasimos Tsakalos, mas o seu pedido foi rejeitado no início deste mês (3 de Novembro).

São Paulo: Ataques incendiários contra agências bancárias – Por um Dezembro Negro

M.I.A. – Manifesto 16/11:

A célula “Carlo Giuliani” do Movimento Insurgente Anarquista assume a autoria dos quatro ataques incendiários que consumiram agências bancárias na madrugada do dia 16 de Novembro de 2015, na cidade de São Paulo.

No dia 15 de Novembro é “comemorada”, entre grandes e irônicas aspas, a proclamação da república. Temos este fetiche por comemorar datas e personagens históricos que lembram nossos massacres e subserviências. Não comemoramos as insurgências de escravos ou a Insurreição de Canudos, tampouco celebramos o passado épico de Marighella, Zumbi, João Cândido, Jesuíno Brilhante, Olga ou Espirtirina Martins. Na contramão da lógica, compramos a versão histórica enlatada, contada pelos vencedores que hoje continuam a nos dominar.

A fétida e corrupta monarquia que parasitava o Brasil, deposta após a proclamação da república, não difere em absolutamente nada da elite que hoje parasita a tão admirada república democrática. Banqueiros, lobistas, políticos, corporativistas, CEOs, especuladores e latifundiários, todos vermes que acumulam inúmeras riquezas em cima do suor alheio.

República, presidencialismo, monarquia ou mesmo social-democracia. Não há alternativa para um capitalismo mais “humanizado” pois o problema é o próprio capitalismo. Seremos oprimidos e explorados enquanto houver capitalismo, classes sociais e exploração do homem pelo homem.

Não acreditem em soluções mágicas propostas por demagogos e oportunistas. Não há alternativa para a crise capitalista que se agiganta no horizonte. Impeachment, golpe, eleições ou qualquer outro paliativo não solucionará os problemas estruturais que o Estado brasileiro apresenta. Somente a organização autônoma, livre e revolucionária dos trabalhadores, trabalhadoras e jovens, poderá garantir a construção de uma nova sociedade rumo à plena liberdade.

Ressaltamos: não há como se manter pacifista frente à uma das sociedades mais violentas já construídas ao longo da história. Não nos iludimos em acreditar que esta gigante pirâmide de opressões hierarquizadas poderá ser derrubada ou mesmo deslegitimizada a partir de ações pacíficas.

Prosseguiremos a violentamente atacar a superestrutura de dominação capitalista. Faremos da pólvora e do fogo nossa única voz frente às injustiças para a construção e propagação das guerrilhas urbanas anarquistas que hoje começam a surgir em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, paralelamente à luta de massas que também surge com novos sujeitos revolucionários.

A luta dos estudantes em São Paulo contra o fechamento das escolas públicas pelo regime ditatorial e militarista de Geraldo Alckmin é extremamente heróica e notável. Nossa mais sincera solidariedade, força e compaixão à todas as 19 escolas ocupadas, até o presente momento, por alunos e alunas. Continuem a resistir bravamente. Não se intimidem com os ataques da polícia, da mídia ou do judiciário. O povo certamente está com vós.

Nossa solidariedade também para com a luta feminista das mulheres que marcharam em São Paulo e no Rio de Janeiro contra o fascínora Eduardo Cunha e toda a corja reacionária que hoje infesta o cenário político e econômico com suas podres agendas conservadoras e teocráticas. Continuem a lutar a boa luta, o povo também está com vós!

Nossas condolências e mais sincera solidariedade às vítimas, familiares e todos os atingidos pelo desastre de Mariana, perpetrado pela tríplice capitalista Vale, Samarco e BHP Billiton. Um prévio aviso: suas ações que acabaram por acarretar em danos irreparáveis ao meio ambiente e à vida de milhares de pessoas em prol do seu sujo lucro, não passarão em branco.

Ademais, gostariamos também de saudar a Greve Geral que ocorreu na Grécia no último dia 12 deste mês, contra a austeridade, a pobreza e a repressão impostas pela elite banqueira da Europa. Nossa mais sincera solidariedade à Conspiração das Células de Fogo, em especial aos camaradas gregos que hoje se encontram emprisionados: Gerasimos Tsakalos, Olga EKonomidou, Haris Hatzimichelakis, Christos Tsakalos, Giorgos Nikolopoulos, Michalis Nikolopoulos, Damiano Bolano, Panayiotis Argyrou e Giorgos Polydoras.

Continuaremos a aumentar progressivamente nossos ataques de acordo com o aumento em nossa capacidade operacional. Esperem por mais sabotagens e ações diretas para os próximos meses.

Convocamos de antemão à todas e todos os anarquistas e comunistas que se preparem material e logisticamente para o último mês deste ano. O Dezembro Negro está sendo organizado por revolucionários de todos os cantos do mundo, visando ataques múltiplos, contínuos e constantes, e será, se tudo ocorrer como planejamos, reconhecido pelo caos e pela energia revolucionária que tomará conta de São Paulo e demais estados brasileiro.

Façam da prática e da ação direta a evolução da teoria libertária. De forma autônoma e descentralizada, a partir de pequenos grupos de intimidade, qualquer um disposto e organizado pode realizar suas próprias ações.

Nenhum passo atrás.

Guerra ao Estado e ao Capital!

em inglês, grego, espanhol

Cartaz do Dezembro Negro pelo Movimento Insurgente Anarquista (M.I.A.):

em inglês, grego

[Prisões gregas] “Do país dxs esquecidxs, contra o esquecimento…”, texto da compa Olga Ekonomidou

evi-a-la-calleOlga Ekonomidou, Conspiração de Células de Fogo
Do país dxs esquecidxs, contra o esquecimento…

A condição de cativeiro em que me encontro desde há 4 anos e meio, como punição exemplar e de vingança, obriga-me à distanciação da realidade exterior, da ação. Além disso, a prisão destina-se à discriminação, ao isolamento político, à destruição moral de todxs xs que combatem o existente.  Mas há sempre barras para quebrar e caminhos pelos corredores monótonos e esterilizados de uma “penitenciária” ou cruzamentos nas ruas transversais ornamentadas dentro da consumista sociedade-prisão. Agora, dentro das celas da democracia, o alento de cada dia continua a ser a necessidade de liberdade. É a força motivadora para pensar, imaginar, organizar, agir. A decisão do confronto total com o existente, a força da opção individual, enriquecida pelas experiências colectivas de ação, são os componentes que podem atravessar as barras e muros altos. Porque na prisão não te resignas … continuas. Reorganizas-te e lutas. Durante os últimos 4 anos e meio na prisão desperto pouco depois do amanhecer – mas quando estava fora gostava muitas vezes de prolongar o sono – organizo melhor cada um dos meus movimentos, embora quando estava fora me emocionasse o espontâneo, analiso e julgo os dados (políticos e pessoais) do dia anterior, sozinha, embora os dados fossem sempre partilhados com compas, quando estava fora da prisão. Desde há 4 anos e meio que me levanto tendo a certeza de que a minha participação na guerra contra todas as formas de Poder fui eu que a determinei e de que a liberdade não se oferece … conquistas-la tu, sózinhx.

Janeiro de 2015 … Estava tudo pronto para se executar um projecto, para ser de carne e osso. Um passo … uma lufada de ar antes da liberdade … Embora o objectivo não tenha sido alcançado … a tentativa valeu totalmente a pena!

A tentativa da CCF de fuga das nossas futuras tumbas confirmou que a luta pela liberdade nunca pára e ao mesmo tempo tocou à campainha do mecanismo de estado. Foi vislumbrado o dano que traria, tanto em relação ao prestígio como à confiança no sistema, se a tentativa tivesse tido uma saída com êxito. No fim, um projecto de libertação deu origem a toda uma repressão repressiva cujo principal e básico objectivo foi a vingança contra anos de atitude tenaz e sem  arrependimentos.

A ampliação do amedrontamento ao sector solidário do espaço anarquista, a fim de isolar politicamente xs presxs, não foi suficiente. Pela primeira vez, no que diz respeito aos territórios gregos e à tensão com que se expressou, aplica-se uma perspectiva mais ampla da lógica antes mencionada. Uma vez que o poder viu que as armas “lícitas” ou “ilegítimas” de que dispõe não tinham tido até agora o resultado esperado sobre nós, arrastou-se como um vil réptil para morder o tendão de Aquiles.

Desta vez colocaram xs parentes no ponto de mira. A criminalização das relações familiares não mostrou mais do que uma clara intenção de vingança por parte do Estado. De chantagem e exterminação de todxs aquelxs que feriram o prestígio das suas estruturas. A caça de novas detenções,as buscas e as incursões em casas foram concluídas com duas prisões preventivas: a da mãe de Christos e Geramimos Tsakalos e a da companheira sentimental deste último. No entanto, quanto mais tempo se dá ao inimigo mais facilmente se este acredita que se vai ganhar. Portanto, no mesmo dia dos ingressos na prisão, começou uma greve de fome exaustiva da CCF que conseguiu tirar da prisão a mãe dos dois compas. À greve de fome de muitos dias, juntou-se desde o seu início, nas masmorras dos serviços antiterroristas, a anarquista Angeliki Spyropoulou, acusada pela sua contribuição política para a tentativa de fuga. Durante dois meses, os cães da polícia procuraram-na, depois daquela ter optado por não se entregar, escolhendo o caminho belo e difícil da ilegalidade. Compartilhamos, até ao momento a mesma célula, analisando tudo o que tem acontecido e tudo o que está por vir numa perspectiva comum, sob um novo ponto de vista.

Desde os primeiros dias de Janeiro que a CCF está sob contínuo ataque, com a separação de quatro dxs nossxs compas da população geral da prisão –  foram transferidos a meio da noite para celas de isolamento especiais. Revistados de forma continua, permanecem nas celas subterrâneas da seção especial da prisão de mulheres de Korydallos, onde os retêm sob a pretexto da segurança ou de qualquer alegada informação. E, embora de cada vez que tenham feito buscas, nada que os possa incriminar em termos penais tenha sido encontrado, sentindo-se insatisfeitos, os cães de caça mostram no olhar que retornarão em breve. Também com a abolição informal das visitas a Christos e Gerasimos – uma vez que, nos termos da libertação de sua mãe, esta não pode sair dos limites da ilha onde vive, mesmo que seja por razões de saúde. E por fim, com a sua persistência e desejo de vingança de manter Evi presa, seis meses mais tarde.

A extensão da prisão de Evi é de dupla importância para a dominação. Por um lado, põe à prova os limites dxs guerrilheirxs e a tolerância dxs solidárixs, legitimando a tática mais ampla da criminalização das relações familiares. Trata-se do jogo psicológico do Poder que, entre outras coisas, invade com arietes as consciências. Tem como alvo as mentes dxs parentes, a fim de xs cansar, desanimar, decepcionar e por fim xs pôr contra, corroendo a relação de confiança que temos com elxs, uma vez que pagam o preço das nossas escolhas. E se, desta forma, em cada história pessoal alguns/mas compas, amigxs ou do seu entorno permaneceram e outrxs te abandonaram é porque se posicionam facilmente do lado das pessoas quando têm êxito, mas dificilmente nos seus momentos difíceis. Ainda assim, o Poder não ganhou neste jogo. O que apostou no enfraquecimento dos laços emocionais e sua transformação, já o perdeu. Porque mesmo após 6 meses, as pessoas do nosso entorno, na prisão ou dos espaços restritivos e limitados onde se encontram devido a ordens judiciais, continuam a nos oferecer sorrisos de paciência e confiança, mantendo a sua própria dignidade.

A aposta, então, continua a ser a nossa, de cada núcleo anarquista e de cada individualidade que promova o ataque contínuo e a insurreição, para mostrar que não haverá trégua com o inimigo, nem agora, nem nunca. Especialmente em tempos de operações repressivas não se deve voltar atrás, mas reavivar os focos de ataque para ser verdadeiramente perigosx. Continuar a ser uma ameaça como inimigx internx no coração do sistema. Porque qualquer coisa a rolar ladeira abaixo só pára quando um obstáculo se levanta antes dela, continuando a fazê-lo infinitamente, com aumento da velocidade, atropelando à sua passagem qualquer que seja de proporções interiores. É uma aposta viva, sem fim, mas com duração, evolução e tensão numa direção … a libertação, a anarquia.

Nem preciso nem quero a vossa disciplina. Quanto às minhas experiências, eu mesmo  as realizo. É delas e não de vós que tirarei a minha regra de conduta. Quero viver a minha própria vida. Detesto a quem domina e repugna-me quem está dominado. Tenho horror a escravos e lacaios. O que consente em inclinar as costas sob o chicote não vale mais do quem o chicoteia. Amo o perigo e a incerteza, o inesperado me seduz. Quero a aventura e não me interessa um chavelho o êxito. Odeio a vossa sociedade dos gestores de empresas e dos milionários e mendigos. Não quero me adaptar aos seus hábitos de hipócritas ou à vossa falsa cortesia. Quero viver o meu entusiasmo no meio do ar fresco da liberdade … Mantenho o meu caminho, de acordo com os meus caprichos, transformando-me constantemente, e não quero que amanhã seja como sou hoje. Deambulo e não deixo que ninguém corte as minhas asas com a tesoura … Odeio cada corrente e toda a travagem, adoro andar despida com a minha pele acariciada pelos raios de sol voluptuosos. E, oh!, ancião! importo-me muito pouco que a sua sociedade seja quebrada em pedaços para que eu possa viver a minha vida.
—  Quem és tu, menina fascinante, misteriosa e tão selvagem quanto o instinto? Sou a anarquia
(Émile Armand, francês, anarquista individualista)

Olga Ekonomidou
Membro da CCF-FAI
Prisões de mulheres de Korydallos

O texto “Desde o país dxs esquecidxs, contra o esquecimento…” é uma contribuição às compas presas no Chile, Tamara Sol e Natalia Collado. É também um gesto solidário com a presa Evi Statiri, no marco da convocatória a nível nacional de 2 de Setembro. Evi Statiri suspendeu uma greve de fome iniciada a 14 de Setembro de 2015, no dia 2 de Outubro, data em que o conselho judicial competente decidiu conceder-lhe a liberdade condicional a partir da prisão preventiva, embora sob duras condições restritivas.

em grego, espanhol