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Uma resposta do membro da CCF Panagiotis Argyrou à chamada para solidariedade com xs detidxs do G20 em Hamburgo

Recebido e revisado a 13 de Agosto de 2017

Compartilhamos uma tradução que apareceu na Crônica Subversiva 1, aproveitando para mandar o abraço terno, a solidariedade raivosa e firme, para o companheiro Panagiotis Argyrou: Tuas palavras são bem recebidas compa!

[Resposta do membro da CCF Panagiotis Argyrou à chamada para a solidariedade com xs detidxs do G20 em Hamburgo]

Durante o exílio ou a detenção, poucas são as coisas que conseguem nos fazer sorrir ou nos oferecer uma sensação agradável. Posso, no entanto, dizer com certa certeza que devido a estes dias de julho nos quais Hamburgo se rendeu ao caos dos protestos contra o encontro do G20, aos choques com a policia, às barricadas ardentes, saqueios, vandalismo e incêndio de alvos da dominação, meus pensamentos foram impulsionados. Fiquei recheado de vários “valeu” assim como de emoções muito vivas e um sorriso apareceu no meu rosto.

Apesar disso, tenho de ser honesto. Embora num estágio inicial uma grande parte do anarquismo insurrecionário aspirasse a que fosse atingido um nível elevado, algo que já tinha ficado claro desde a chamada para uma campanha militante de organização informal – meses antes do encontro. E, embora existissem uma grande quantidade de textos públicos e reivindicações de responsabilidade que responderam a esse chamado (alguns/mas companheirxs tiveram a gentileza de mencionar a herança do dezembro negro), não estava tão certo que os dias em questão envolvessem realmente um momento tão grandioso. Isso devido ao fato de não serem desconhecidas para mim as dificuldades que isso implicava, tais como as adversidades e os desafios que tinham que ser confrontados pelas pessoas que queriam organizar e levar a cabo um plano de protestos tão ambicioso.

O estado de emergência declarado, em muitos países, pela ameaça assimétrica jihadista, o reforço dos controlos nas fronteiras devido aos grandes fluxos migratórios, o anúncio da militarização de Hamburgo e a construção de prisões especiais para os manifestantes; a mídia terrorista apelando à tolerância zero com os problemáticos, o domínio e o pessimismo de várias correntes anarquistas anti-insurgentes (isso pode ser devido, um pouco ironicamente, pela tentativa de se repetir os eventos de Génova) e até mesmo um preconceito contra anti- encontros – como armadilhas com policiais – por parte de cada grupo de anarquismo insurreccional (um ponto de vista que também tinha mantido no passado, tenho que admitir), tudo isso junto constituiu, portanto, factores de dificuldade crescente, sem nenhuma dúvida.

E ainda assim, contra todas as probabilidades, a chama brilhou e a campanha de “trazer o caos para Hamburgo” triunfou e, como resultado, todo o mecanismo repressivo tão bem armado – que supostamente ia esmagar os protestos – ficou eventualmente sob ridículo.

A intensidade dos eventos e, sobretudo, o êxito dos vários planos que, afinal, combinaram tácticas de ataque descentralizado do tipo bate-e-corre com aquelas das revoltas, justo no coração dos protestos, provou da maneira mais tangível que a competição entre as duas diferentes racionalidades é inútil já que cada uma contribui e enriquece, na sua própria forma, a insurreição anarquista. Além do mais, quando as revoltas se atrevem a se confrontar de frente com a supostamente todo-poderosa repressão do terrorismo de Estado, então tudo é possível. Assim como o ridículo da ativação urgente de tal mecanismo extravagante de repressão durante os dias do encontro em Hamburgo. É também um fato que alguns dos momentos mais potentes da historia das insurreições, do mundo inteiro, aconteceram precisamente contra todas as probabilidades e isso, em muitos casos, constitui a beleza de tudo.

Portanto, não posso deixar de me sentir emocionado por este vento de entusiasmo e autoconfiança que viajou milhares de quilômetros, de Hamburgo para este lugar de cativeiro. Isso porque através desses eventos todxs podem ver que as dinâmicas que acontecem em situações tão explosivas não começam nem terminam em um momento, antes viajam e se expandem, enviando uma mensagem para todos os lugares, dizendo que a chave para tudo é a determinação e a morte do derrotismo. Isso é suficiente para induzir um, dois, ou mais, momentos que podem funcionar como pedras angulares, marcas históricas, algo para onde podemos deslizar nosso olhar quando as coisas estão ruins, quando a frustração e a inutilidade são prevalecentes.

E quando olharmos para atrás, as lembranças nos darão a força exacta que precisamos para continuar até ao próximo Hamburgo, até a próxima revolta, até a completa destruição da dominação. Por outro lado, no entanto, as autoridades sabem muito bem como aproveitar estes momentos, para avaliá-los, entender seus efeitos a
longo prazo e, respectivamente, retaliar de forma clara e definitiva, afirmando que toda ocasião de insurreição será esmagada. Assim, depois das centenas de prisões de manifestantes, viu-se a investida dos comandos, totalmente armados, das forças policiais especiais contra xs rebeldes, nas ruas de Hamburgo, após o assalto brutal a um grupo de manifestantes; a repressão mostrou seus dentes ainda mais, mantendo em custódia muitas dezenas de pessoas, acusadas de participar dos tumultos, segundo as actualizações (36 ainda estão sob custódia).

Neste momento, uma nova chamada foi já feita, precisamente pela solidariedade com xs detidxs dos eventos anti-encontro. Foram já realizadas as primeiras manifestações, bem como ataques com vandalismos e incêndios em várias metrópoles europeias. Em resposta a esta chamada, gostaria também de expressar a minha solidariedade aos/às que foram detidxs pelos acontecimentos em Hamburgo, como também gostaria de enviar esse amplo sorriso que eu recebi de todxs aquelxs que lembraram da maneira mais linda que, quando a Anarquia quer, ela é poderosa.

Panagiotis Argyrou,
membro da Conspiração das Células de Fogo – FAI/FRI

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