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Solidariedade com anarquistas na Rússia – Semana de Acção a partir de 11 de Março de 2018

Eleição Presidencial Russa, 2018

Chamada para semana de acção a  partir de 11 de Março de 2018

A próxima eleição de Putin acontecerá a 18 de Março. O rito de inauguração da re-eleição terá lugar em condições de terrorismo doméstico e ameaça de guerra nuclear. Os serviços de segurança russos deram início a uma vaga de repressão massiva contra todxs xs dissidentes do regime, exercendo uma pressão sem precedentes para cada dissidente, da oposição liberal a anarquistas.

Os serviços de segurança federal conduziram uma série de detenções e buscas às casas de anarquistas e antifascistas sob o seu escrutínio, no Outono de 2017. Seis anarquistas de Penza foram presxs e acusadxs de preparação de um golpe de estado. A única prova de tal “preparação” é o facto de todxs xs detidxs terem jogado airsoft. Durante vários meses, xs detidxs foram expostxs a tortura até se declararem culpadxs.

Dois/duas anarquistas foram detidxs em S. Petersburgo, em Janeiro de 2018. Foram sujeitxs a tortura, tal como xs companheirxs de Penza. A polícia forçou-xs a assumir uma confissão e a repeti-la perante os investigadores. Um dos anarquistas raptados, Victor Filinkov, foi levado para a floresta, onde foi sujeito a tortura. Ilya Kapustin foi também detido e torturado mas como não fez nenhuma confissão foi considerado “testemunha”.
Houve muitos assaltos policiais contra anarquistas e socialistas na Crimeia em Fevereiro e Março. O primeiro detido foi Eugenie Karkashev. A razão apresentada para a sua detenção foi uma conversa na rede social “Vkontakte”. Passado um mês, houve invasões policiais em massa contra outrxs anarquistas e comunistas desta península. A lista dxs detidxs na Crimeia inclui o anarquista Shestakovich e o comunista Markov, que foram presos durante 10 dias.

Depois disso, xs anarquistas Kobaidze e Gorban foram presxs e acusadxs de tumultos junto das instalações do partido no poder, “Russia Unida”. A polícia recusou admitir a presença do advogado da detida até ela se declarar como culpada, violando todas as regras da lei.

Três anarquistas, juntamente com familiares e amigos, foram raptadxs pelo FSS em Chelyabinsk. Foram também sujeitxs a tortura com choques eléctricos, com o objectivo de lhes extrair os testemunhos necessários e de os fazer admitir a sua participação numa acção que consistiu no hastear de uma faixa contra a repressão.

O presidente Putin deu pessoalmente a ordem para “lidar” com os discursos de protesto e com xs “organizadores de acções de rua não autorizados” num discurso oficial no Ministério da Administração Interna (MIA). As autoridades estão tão inseguras de si mesmas que recorrem ao
terror, a raptos e a tortura, vendo ameaças em qualquer protesto de rua. Ao mesmo tempo, os protestos e a maior publicidade possível destes acontecimentos podem realmente ajudar xs anarquistas presxs. Não houve muita informação sobre xs anarquistas de Penza e isso permitiu que o FSS xs tenha torturado por muito tempo. Imediatamente depois da campanha internacional de Fevereiro de 2018, o gabinete do procurador de S. Petersburgo foi forçado a confirmar o depoimento acerca da tortura de Victor Filinkov. Recorde-se que o silêncio e a inactividade de hoje nos condenam à prisão e a raptos amanhã.

Assim, na semana anterior à eleição de Putin, a 11 de Março, apelamos à atenção de todxs para as condições de terror em que estas eleições decorrem. Hoje, carrascos e terroristas querem ser novamente “eleitos”. E todxs nós conseguimos ver o que estas eleições são. Agora podemos chamar a atenção pública (russa e internacional), limitar o alcance do terror hoje e adiar o seu início amanhã. Só a pressão pública pode travar o terrorismo de estado. Apelamos à acção. “Noites solidárias”, agitação nas ruas, difusão de informação, performances ou manifs, tudo
o que esteja ao alcance do vosso poder e imaginação, tudo o que possa chamar a atenção para esta ilegalidade, nada será em vão.

O novo termo de Putin é um termo de prisão para cada russx.

Requisitos para ajuda dxs anarquistas reprimidxs e endereços para envio de cartas:naroborona.info

Chamada urgente para se continuar a campanha de solidariedade com xs anarquistas reprimidxs na Rússia- Ações realizadas de 5 a 12 de fevereiro

Mais detenções e prisões: Na Crimeia, os serviços especiais detiveram o anarquista e activista social Yevgeny Karakashev (02/02). Em Moscovo, a anarquista Elena Gorban foi presa (13/02). No mesmo dia, o anarquista Alexei Kobaidze foi detido e preso. Apelamos a toda a gente para continuar a campanha de solidariedade!

Liberdade para xs anarquistas na Rússia (EUA).
Rússia.
Toronto (Canadá). FSB é o terrorista real.

De 5-12 de fevereiro, teve lugar uma semana internacional de solidariedade com xs anarquistas da Rússia. A 21 acções contra a repressão juntaram-se 21 cidades russas e um grande número de companheirxs estrangeirxs, da Bielorússia aos Estados Unidos e ao Canadá.

Foram distribuídos materiais informativos, panfletos, grafittis e stencils foram distribuídos, e foram afixadas faixas com informação sobre a repressão contra anarquistas. Organizaram-se acções em Kaliningrad, Altai, Kursk, Novosibirsk, Samara, Kemerovo, Astrakhan, Volgograd, Rostov-on-Don, Izhevsk, Penza, S. Petersburgo, Moscovo, Nakhodka, Chelyabinsk e Vorkuta.

Em Yekaterinburg, Kandalaksha, Tomsk, Sochi, Moscow, S. Petersburgo e Saratov organizaram-se piquetes informativos sobre o terrorismo do FSB (Serviços Federais de Segurança) contra anarquistas.

Em Samara organizou-se uma noite de solidariedade. Xs visitantes foram informadxs acerca da repressão contra xs anarquistas e acerca das regras básicas da conspiração. Depois mostrou-se o filme “Sacco and Vanzetti”, cuja história demonstra bem a desumanidade e a inutilidade dos sistemas estatais e dos métodos usados, até hoje, para suprimir quaisquer protestos.

Em Moscovo houve uma marcha não autorizada de anarquistas contra a ilegalidade do FSB. Várias dúzias de pessoas bloquearam Myasnitskaya – uma das ruas centrais, adjacente a Lubyanka, onde o departamento principal do FSB está localizado. A marcha passou com a faixa “FSB é o principal terrorista”.

Houve também acções de solidariedade noutros países. Na Bielorússia, anarquistas distribuíram informação acerca da repressão exercida sobre anarquistas na Rússia.
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Em Lutsk, na Ucrânia, fez-se também grafittis em solidariedade com xs anarquistas russxs.

Acções de solidariedade aconteceram em Varsóvia, Gdansk (Polónia) e Praga (República Checa).

Em Praga fez-se um concerto em apoio dxs anarquistas russxs reprimidxs. No concerto distribuiu-se informação acerca da repressão na Rússia e angariou-se fundos para a Cruz Negra Anarquista, que oferece apoio a prisioneirxs políticxs. Outras acções de recolha de fundos aconteceram na Estónia, em concertos com as bandas Ognemöt, Adrestia e Prophets V, em Tallinn e Tartu.

Organizou-se, também, um evento para ser dada informação sobre a repressão na Rússia e recolha de fundos em Budapeste, na Hungria.

Em França fez-se um jantar de solidariedade, tendo os fundos recolhidos sido enviados directamente para apoiar xs anarquistas russxs.

Houve também muitos outros eventos solidários nos Estados Unidos. Em Minneapolis fez-se uma noite de solidariedade e. em Brooklin, uma projecção de filmes. Um sítio on-line antifascista de Portland espalhou informação e recolheu dinheiro para apoiar xs anarquistas reprimidxs. No Kansas, uma manifestação de rua em apoio dxs anarquistas teve lugar. Em Nova Iorque, organizou-se um piquete junto ao consulado russo. Também representantes do Movimento Revolucionário Abolicionista de Nova Iorque expressaram solidariedade.

Acções de solidariedade aconteceram em Toronto, no Canadá. Anarquistas organizaram um piquete na mais movimentada praça da cidade, informando quem passava acerca da repressão na Rússia.

Durante meses, xs detidxs foram torturadxs e espancadxs até que concordassem em se caluniar. Foram penduradxs de cabeça para baixo, espancadxs, torturadxs com choques eléctricos. Em janeiro de 2018, várixs anarquistas foram raptadxs em S. Petersburgo. Dois suspeitxs e uma testemunha foram presxs, todxs foram torturadxs. Com esse propósito, um dxs detidxs foi levadx para a floresta, perto da cidade. Outrx foi torturadx durante mais de um dia. Mas, oficialmente, o interrogatório durou um dia – das três da manhã às três da manhã do dia seguinte. Apesar de um dxs acusadxs e uma testemunha terem feito uma declaração acerca da tortura, esta não tida em consideração pelas autoridades estatais.

O FSB está a anunciar planos de mais prisões no caso fabricado de um grupo terrorista de duas dúzias de anarquistas em Moscovo, S. Petersburgo,Penza e Bielorússia.

Também na Crimeia, os serviços especiais detiveram o anarquista e activista social Yevgeny Karakashev. A razão para a sua detenção é a participação activa de Eugene na luta social dxs habitantes desta península. No dia da detenção, o autarca de Evpatoria encontrou-se com xs manifestantes contra a construção da ponte e fez uma insinuação acerca de possíveis prisões. A razão para a prisão foi a correspondência de Yevgeny num chat de grupo numa rede social.

Imediatamente após o fim da semana de acções de apoio aos/às anarquistas russxs, a repressão teve continuidade em Moscovo. A 13 de fevereiro, de manhã cedo, a anarquista Elena Gorban foi presa. Em violação de todas as normas, Elena não teve contacto com o advogado durante várias horas, até que concordasse em admitir-se como culpada no pogrom do gabinete do partido no governo russo, “Rússia Unida”. No mesmo dia, o anarquista Alexei Kobaidze foi detido e preso, sob a mesma acusação. A razão evocada para as prisões seria uma manifestação não autorizada em Moscovo contra o terrorismo do FSB. De manhã cedo – antes do surgimento de informação nos media e na internet acerca das detenções dos anarquistas – os canais pró-governo publicaram um vídeo de uma detenção e a mensagem de que xs anarquistas que participaram na manifestação tinham sido presxs em Moscovo. Os investigadores que questionaram Elena também lhe perguntaram sobre a manifestação apesar dxs detidxs terem sido acusadxs do pogrom da “Rússia Unida”, e não de participar na manifestação.

Depois da prisão, as acções de solidariedade continuaram na Rússia. Em Chelyabinsk, anarquistas hastearam uma faixa perto do edifício do FSB e atiraram uma bomba de fumo para o seu território. Nos subúrbios de Moscovo, organizou-se uma invasão de mobilização em solidariedade com xs anarquistas reprimidxs.

Apelamos a todxs para se continuar a campanha de solidariedade!

Mais fotos e vídeos: naroborona.info (em russo e inglês)

em alemão l inglês

Rússia: Apoie prisioneirxs anarquistas e antifascistas em S. Petersburgo e Penza!

Começou a angariação de fundos para os advogados a trabalhar nos casos dos assaltos policiais e das prisões de anarquistas e antifascistas em S. Petersburgo e Penza, na Rússia. Neste momento ( 31/01) estão presas duas pessoas em S. Petersburgo e cinco em Penza, e outras estão ligadas ao caso como testemunhas. É provável que os assaltos policiais e prisões continuem. Xs presxs são acusadxs com a parte 2 do artigo 205.4 do código criminal russo (participação em organização terrorista), por ordem do tribunal de Penza.

A 23 de Janeiro, a caminho do aeroporto de Pulkovo, os Serviços de Segurança Federal (FSB) detiveram Victor Filinkov. Para se conseguir o seu testemunho, foi espancado e torturado com choques eléctricos na floresta. Os sinais de tortura foram confirmados pelo advogado de Filinkov e pelos membros da Comissão Pública de Monitorização (ONK) que o visitaram no centro de detenção, antes do julgamento. Filinkov está preso há dois meses.

A 25 de Janeiro o FSB fez um assalto inesperado ao apartamento de Igor Shishkin. Depois do assalto, nem o seu advogado nem os membros da Comissão Pública de Monitorização conseguiram localizar Igor, durante mais de um dia. A 27 de Janeiro Igor foi presente a tribunal com sinais de tortura, e foi preso no Centro de Detenção Pré-julgamento por dois meses. Xs jornalistas foram impedidxs de assistir ao julgamento, tendo ainda dois/duas sido presxs.

Também as testemunhas foram torturadas. Ilya Kapustin foi espancado e torturado com choques eléctricos enquanto a polícia lhe exigia que testemunhasse que alguns/mas dxs seus/suas conhecidxs estariam a planear “algo perigoso”. Numerosas marcas das armas de choques eléctricos foram registadas pelos serviços de saúde.

Em Penza, as prisões começaram em Outubro de 2017. O FSB local prendeu seis jovens, cinco dxs quais estão neste momento em detenção pré-julgamento. Todxs xs presxs foram brutalmente torturadxs. Pode ler-se em detalhe acerca dos eventos de Penza neste artigo. A ajuda legal é necessária para xs prisioneirxs (cujo número pode aumentar) e testemunhas. Ainda é cedo para mencionar valores exactos, mas serão necessários pelo menos 200 mil rublos para o trabalho de advogadxs nos próximos meses.
Cruz Negra Anarquista S. Petersburgo

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Caso queiras apoiar um/a presx específicx, adiciona uma nota mencionando isso. Caso queiras contribuir para o caso de S. Petersburgo e Penza, escreve uma nota para “St. Petersburg and Penza”. Recomendamos o envio em euros ou dólares, já que as outras moedas são automaticamente convertidas de acordo com as taxas PayPal.

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Caso prefiras outra opção para a transferência de dinheiro, por favor contacta a Cruz Negra Anarquista de Moscovo:
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Todo o material sobre o caso pode ser encontrado nesta secção:
Caso dos anti-fascistas de S. Petersburgo e Penza.

em inglês

Brasil: Faixa em solidariedade com xs perseguidxs pela Operação Erebo

recebido a 21.02.18

Algumas palavras em solidariedade com xs anarquistas perseguidxs pela Operação Erebo em Porto Alegre (RS), desde algum lugar, no território controlado pelo estado brasileiro e o capitalismo global.

Há quase 4 meses, uma operação policial liderada pelo delegado Jardim invadiu casas particulares e espaços coletivos na cidade de Porto Alegre. Várias pessoas e espaços acabaram sendo alvo dessa operação e alguns livros editados pela biblioteca anárquica Kaos foram usados como elementos comprobatórios para perseguir xs anarquistas.

Não pretendemos, nesse texto, voltar sobre a maneira como a imprensa brasileira levou o caso, mesmo se vale a pena ressaltar a pertinência com a qual a imprensa manipula as massas com o objetivo de manter uma paz social titubeante. Mesmo com todos os esforços do aparato policial-midiático por despolitizar algumas propostas anarquistas- buscando encontrar alguma “legitimidade” política em perseguir xs anarquistas “do mal” aproveitando diferenças e buscando criar divisões entre tendências diversas do anarquismo- a solidariedade combativa anarquista se manteve em pé, e os punhos ficaram fechados aos inimigos!

Como acreditamos que a solidariedade é uma arma contra as tentativas repressivas e contra o esquecimento e que também sabemos que ela deve ser mais do que palavra para vibrar nos corações dos rebeldes, mandamos essa mensagem simples mas, acreditamos, importante. Penduramos uma faixa em solidariedade com xs anarquistas perseguidxs de Porto Alegre.
Para todxs aqueles que estão brigando contra as tormentas da solidão e as intempéries da incerteza. Para todxs aqueles cuja vida foi/está sendo perturbada por essa onda repressiva e que não baixaram nem os braços, nem a cabeça. Para todxs aqueles que, fazem frente as dificuldades despertando-se cada manhã com a convicção de ter cruzado o ponto de não retorno. Nunca nos poderão parar!

O contexto político-econômico no Brasil e da América Latina está cada vez mais repressivo com os movimentos sociais. O clima político tem sabor um sabor amargo para todxs xs que se opõem, de maneira geral, aos avances do capitalismo devastador. Há uns dias, 12 famílias indígenas do sul do Brasil foram torturadas, atingidas por balas de borracha e balas de verdade pelo simples fato de reivindicar suas terras, que por certo, lhes foram prometidas há quase 30 anos*!

Também tem esse sabor para as grandes “minorias” dessa sociedade doente, que se vêm alvos de uma cada vez maior “limpeza social” em prol de grandes empreendimentos, frutos do “progresso” e do “desenvolvimento”. O governo mata “legalmente” mandando as forças armadas do exército “limpar” as favelas e o faz também organizando “feiras agrícolas” cujo dinheiro é investido na “segurança” dos fazendeiros podres e na matança dos índios e camponeses que se atrevem a retomar, com suas próprias mãos, suas terras invadidas.

Que não se enganem, terrorista é o Estado e violento o sistema que quer nos impor uma vida que nunca escolhemos. Os debates sobre a legitimidade da violência são um falso debate. Nunca estaremos do lado de quem gosta de viver como escravo…Os mesmos que celebram insurreições passadas, hoje condenam qualquer impulso de violência libertadora, isso, sob pretextos diversos como o fato de nos vivermos em uma “democracia”. Democracia, tecnocracia, Ditadura, todos os regimes político-econômicos merecem de ser atacados, nunca são e nunca poderão ser outra coisa que a expressão do poder coercitivo e da dominação de uns poucos sobre o resto.

A articulação entre poder centralizado e capitalismo é inerente a qualquer sociedade moderna globalizada e achar que se pode destruir o capitalismo sem, junto, destruir as estruturas do poder estatal é uma ilusão que nutrem alguns partidos de esquerda para seduzir almas revolucionárias e assim ganharem alguns votos a mais nas próximas eleições. Sejam de esquerda ou de direita quem governa, para eles, as vidas dos Guarani Kaiowá, sempre valerão menos que a os benefícios da exportação de toneladas de soja. Se, no governo “Dilma” a limpeza social, a lei antiterrorismo, a correria rumo a cada vez mais progresso e a perseguição política contra os anarquistas estavam à ordem do dia, hoje, militantes do PT e do MST e de   toda a esquerda “radical” partidária tornam-se também alvos de perseguição política.

Se ultimamente nos encontramos nas ruas para lutar, não esqueçamos porém das profundas diferenças ideológicas e políticas que nos separam. Mesmo se acreditamos que devemos repensar estratégias e tácticas de luta no contexto atual, é interessante que nos questionemos sobre o papel/lugar que jogamos no tabuleiro de xadrez da política regional, nacional (e internacional), isso, justamente para não acabar sendo um dos peões usados para ganhar a partida. A história tem muito a nos ensinar sobre isso…Mais que repostas, apontamos a provocações para refletir o panorama atual e imaginar estratégias e ações que sigam espalhando a guerra-social.

As ondas repressivas contra xs que lutam buscam amedrontar e paralisar qualquer tentativa de oposição ao sistema. É justamente o que não podemos deixar que aconteça. Buscaremos os jeitos para, de qualquer maneira, seguir lutando contra um sistema e um modo de vida que além de não nos satisfazer enquanto indivíduos, baseia seus valores na dominação e na exploração de uns poucos contra o resto. A opressão, a dominação e a exploração devem ser atacadas desde suas raízes e de forma radical. Não existem métodos prontos para isso, só se tem a combinação da memória histórica com a imaginação criativa para inventar, pensar, experimentar estratégias de luta em esse contexto cada vez mais adversos.

Que essa pequena mensagem, como uma chama de revolta, ilumine o coração dxs companheirxs perseguidxs….Força e solidariedade combativa com xs anarquistas perseguidxs pela Operação Erebo! Com, na memória insurreta, Guilherme Irish e Samuel Eggers presentes!

Viva a Anarquia
Viva a Insurreição!
t

Obs:
No dia 17 de fevereiro de 2018, 12 famílias Kaingang em Passo Fundo foram espancadas pelo BOE. Estavam ocupando uma aera do DNIT reivindicando a demarcação das suas terras.
Sobre esse tema ver o filme Martírio, ele traz informações interessantes sobre os vínculos entre seguranças privados nas fazenda, políticos e fazendeiros.

Bélgica: Chamada Internacional por solidariedade contra a proibição de okupação

recebido a 08.02.18

Fim de semana de ação
23-24-25 de fevereiro contra a nova proibição de okupação na Bélgica!

No Verão de 2017 foi votada uma nova lei na Bélgica, tornando a okupação ilegal. No Outono a lei entrou em ação. Gostaríamos de fazer uma chamada para um fim de semana internacional, em solidariedade contra a nova lei.

Porque os espaços autónomos estão em perigo em todo o mundo, porque nunca pararemos de reivindicar os nossos espaços.

Fevereiro – dias 23 – 24- 25  2018
Cria alguns problemas e diverte-te
Okupantes da Bélgica

em inglês l alemão

[EUA] Convocatória de solidariedade com xs acusadxs no caso 20J

Recebido a 27.12.17

APELO PARA UM DIA DE SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL COM XS ACUSADXS DO DIA DA TOMADA DE POSSE – 20 DE JANEIRO DE 2018

Em 20 de janeiro de 2017, dezenas de milhares de pessoas receberam a tomada de posse do presidente Donald Trump com grandes protestos, que iam de bloqueios criativos a ações militantes de rua. Entre as manifestações daquele dia havia um «bloco anticapitalista e antifascista» conduzido por faixas, onde se podia ler «Nenhuma transição pacífica» e «Que os racistas voltem a ter medo». Em resposta ao protesto, a polícia atacou-o violentamente e rodeou cerca de 230 pessoas, detendo-as por alegadamente terem cometido danos materiais ou por estarem próximas dessas ações.

Depois de uma série de acusações formais e de manobras legais, perto de 200 pessoas foram por fim acusadas de seis crimes (cinco casos de danos materiais e incitamento a motim) e duas contravenções (participação em motim e conspiração para motim). Isto significa que cada uma dessas pessoas enfrenta uma pena 61 anos de prisão.

Este caso sem precedentes é importante porque é uma tentativa por parte do governo dos Estado Unidos de reprimir os protestos disruptivos que surgiram espontaneamente em resposta à eleição de Trump. As acusações estão destinadas a asfixiar a resistência ativa e a enviar uma mensagem de que a resistência não será tolerada, num momento em que é necessária mais do que nunca. Em muitos aspetos, este caso é uma experiência quanto à expansão dos poderes repressivos do Estado, com procuradores que tentam incriminar toda a gente enquanto grupo pela mesma mão cheia de vidros partidos, tendo simplesmente como fundamento a sua presença no local. Além disso, a polícia e outros agentes do Estado estão a tentar redefinir a mais básica organização política – a realização de reuniões, o planeamento de protestos e a participação nestes enquanto grupo – como um ato de conspiração. Isto faz parte de uma tendência contínua, tanto nacional como internacionalmente, de um aumento da repressão, que tem como alvo os movimentos sociais nos supostos Estados «democráticos». Se os Estados Unidos tiverem sucesso na condenação dos movimentos sociais desta forma, isso certamente encorajará outros governos a fazerem o mesmo.

À medida que o governo de Trump contribui diariamente para que o mundo esteja cada vez mais à beira de uma calamidade, é importante apoiar aqueles que nos Estados Unidos arriscaram a sua liberdade para se oporem a ele desde o seu primeiro dia no governo. Os protestos do dia da tomada de posse deram o tom para muita da resistência que se seguiria e garantiram que governo de Trump e os seus aliados de extrema-direita não ficariam sem oposição. Mais tarde, por todo o país, as pessoas usaram a ação direta para encerrar quase todos os aeroportos internacionais, num protesto histórico que travou temporariamente as políticas anti-imigração e islamofóbicas do novo governo. Continuando esta luta na sala de audiências, a maioria dos acusados estão a trabalhar em conjunto para responder politicamente a estas acusações e estão a usar este caso como forma de fortalecer os laços entre diferentes lugares e diferentes lutas.

Como resposta, este é um apelo para um dia de solidariedade internacional a 20 de janeiro de 2018. As ações solidárias provenientes de todo o mundo têm entusiasmado os corações dos acusados, numa altura em que enfrentam uma intensa repressão. Além disso, são parte de uma prática política que reconhece que estamos envolvidos numa luta comum que transcende as fronteiras. Pedimos solidariedade não enquanto ato de caridade, mas como gesto para uma cumplicidade comum no esforço de resistir ao governo Trump e ao futuro que procura impor.

alemão l catalão l inglês l espanhol

Berlim: Rigaer94. Apelo à resistência.

O estado policial faz uso de todas as armas ao seu alcance: segunda-feira, 18 de dezembro, foram publicados cerca de 100 rostos de pessoas que participaram nos eventos de Hamburgo. A campanha do estado finalmente abandonou a máscara dos procedimentos penais e lançou a engrenagem de degradação que deve dobrar toda a resistência. Façamos com que estes incidentes – este ataque generalizado sobre os últimos elementos sociais e resistentes que ainda persistem- não passem em silêncio. Queimar na fogueira esta sociedade de informantes e assassinos – e o fascismo – é um dever que continua por cumprir.

É evidente, para qualquer ser humano razoável, que o episódio de Hamburgo era absolutamente necessário. As mentiras e falsos debates – tanto das autoridades de repressão, do sistema pactuante como dos media de extrema-direita – não conseguiram reescrever a resistência bem sucedida contra o G20. Num dos regimes democráticos mais auto-confiantes do mundo inteiro – com um aparelho diferenciado de poder e a imagem de invencibilidade – dez mil pessoas atreveram a surpreendê-lo, assumindo grandes riscos e em particular sérias consequências para as suas próprias vidas. Uma miscelânia de ações ofensivas, de protesto e de resistência transformou a cimeira dos poderes dominantes num desastre. Um desastre para a marca de Hamburgo, Alemanha e para os mais poderosos dentre deles, cuja reunião mais importante agora tem um futuro imprevisível.

E a cimeira também foi desastrosa para a polícia. Esta instituição que tanto no Império Germânico como na Alemanha fascista e na democracia, nunca foi apenas o poder executivo mas acima de tudo o poder que legitima esta nação de assassinos e perdedores. Todos sabemos quão profundamente enraizada é a ideologia do estado policial na nossa sociedade. Uma sociedade que lançou uma Rosa Luxemburg já morta no canal de Landwehr, que perseguiu Anne Frank escondida na parte de trás de uma livraria e a enviou, juntamente com milhões de outrxs “subhumanxs” para os campos da morte; Esta sociedade que eventualmente declara as forças armadas germano-nacionais  (1) como “resistência” é fascista. O aparelho de segurança do BRD – formado pelos mesmos açougueiros que davam caça sem piedade a partisanxs e antifascistas para a nação alemã  – é fascista. Sociedade essa, no sentido mais amplo do termo, que se juntou aos poderes executivos na caçada aos comunistas, trazendo o mecanismo contra os grupos de guerrilha que, felizmente, dispararam contra o fascista alemão que encarnou Hans-Martin Schleyer a uma perfeição nunca antes vista, apenas alguns anos depois da “libertação”.

Os rostos da resistência eram estampados em cada esquina, nos folhetos de procurados – em cada cruzamento alguém poderia ser controlado por uma polícia fortemente armada – a reintrodução da pena de morte foi levada em consideração e é posta em prática graças ao trabalho da polícia. O discurso da sociedade – dirigido pelo pessoal da imprensa. políticos e polícia – estabeleceu as bases para inúmeros tiroteios fatais, tortura branca e leis especiais contra ampla parte da sociedade.  O estado policial – ainda a dar os primeiros passos no momento do assassinato de Benno Ohnesorg e sob a constante ameaça de uma revolta – desenvolveu-se ao longo dos anos até se tornar um estado dentro do estado. Com o fim da guerra urbana e dos novos movimentos sociais, estamos diante de uma sociedade incapaz de manter uma oposição real a este sistema. Nem mesmo quando as pessoas são cruelmente torturadas e assassinadas nos bunkers das estações de polícia – como Oury Jalloh em Dessau, queimado vivo por um esbirro fascista.

O único factor que parece ter atrasado o aperfeiçoamento do estado policial totalitário é a cautela com que os líderes estratégicos procederam – para não levantar muitas preocupações aos/às ativistas para os direitos civis. E agora temos cada vez menos meios e suporte – numa sociedade civil que decidiu que o estado não pode estar errado; aquela em que a imprensa diz o que está certo e em que a resistência é absurda.

O tempo dos protestos em ambiente seguro acabou, definitivamente. A este respeito pode até dizer-se que a sociedade alemã voltou a um ponto em que já não se encontrava há mais de 80 anos. Estas são as principais inovações e os desafios para a resistência:

– A simples participação numa manifestação pode significar uma condenação a longo prazo.
– A polícia pode definir a área em que vigora a sua lei.
– A polícia pode classificar qualquer pessoa como potencial ofensor (“Gefährder”) (2), para encarcerar as pessoas, sem decisões judiciais, vigiando-as completamente.

As medidas havia já sido tomadas – antes do G20 – contra a gente da resistência. A que foi classificada pela polícia como potencial criminoso/a, pelo que havia recebido a proibição de ir a Hamburgo. Foram enviadas obrigações signatárias à delegacia de polícia, impostas com ameaças de multas e prisões. Além disso, o reconhecimento visível foi realizado para fins de intimidação e foi posta em prática uma vigilância sob disfarce (secreta) de toda a zona. Não é preciso explicação pós-cimeira de que, durante a mesma, toda a cidade de Hamburgo foi posta sob controlo pela aplicação da lei, situação que levou tropas policiais fortemente armadas a um “ajustamento” dos direitos civis e à violência das massas.
As actividades policiais – antes e durante a cimeira – não mostraram uma nova qualidade. Todo o evento importante do passado foi acompanhado por ataques do aparelho de segurança em convenções societárias. Mas a massa de ataques e a implicação da forma com que foram exercidos contra o que se passou no passado, tornou evidente por si própria que as formas de protesto em Hamburgo foram notáveis.

O que começou após a cimeira é um salto quântico. Há aquelxs que afirmam que os tumultos foram iniciados pelo estado para esmagar as estruturas do sistema, numa campanha final. Essa linha de pensamento é uma estupidez, sabemos muito bem que, politicamente, todos queríamos o naufrágio do estado em Hamburgo. Para pôr fim às teorias da conspiração de uma vez por todas, assumimos a responsabilidade política por tudo o que aconteceu em Hamburgo: de protestos civis até a última pedra jogada para a polícia. Como parte das estruturas rebeldes organizamos uma manifestação em solidariedade com todxs aquelxs que tiveram que enfrentar a repressão imediatamente após a cimeira e da mesma forma no futuro não esqueceremos a responsabilidade para incentivar a revolta. Vê-se uma conspiração estatal, por trás de qualquer coisa, para neutralizar a resistência com todas as suas prerrogativas e que não tem legitimidade para falar em seu nome.

Agora, torna-se claro que o estado está a lutar para poder definir a seu belo prazer este evento, da mesma forma com que procura dominar em tudo. Nas nossas vidas e nas nossas estruturas sociais, natureza e técnica. Nesta batalha da ideia capitalista e nacionalista o estado sempre usará métodos fascistas. São sempre esses os seus métodos utilizados mais e mais vezes para denunciar a resistência como criminosa, não política e associal (3). Desta forma, o estado alemão pode contar com a sua polícia, a sua imprensa e seu povo como seus representantes. Difícil é dizer quem é que é mais repugnante entre essas criaturas. O chefe do grupo especial da pesquisa “Black Block” que daria caça x todx aquelx que lhe fosse apresentadx à frente das suas mandíbulas? O Brechmittel-Scholz (4),que representa a vulgar burguesia de Hamburgo com a sua limusine de luxo? Ou os jornalistas que se tornaram o poder executivo da propaganda policial. Ou quem colabora, entregando os seus filmes feitos com smartphones, milhares de pessoas nas mãos da repressão porque são dos covardes que temem assumir o controle da própria vida e gostariam de marchar atrás de cada Hitler.

Alguns/mas de nós ainda estavam a rir sobre a última onda de ataques, a que tinha sido lançada antes. Ou sobre o fato de Fabio, um rapaz simpático, se estar a tornar um problema para a estratégia da repressão. No entanto, a estratégia policial não deve ser subestimada. Uma parte importante da estratégia envolve uma propaganda de longo prazo para recuperar o poder da definição sobre os eventos de Hamburgo. Quem poderia acreditar que vários meses depois, o G20 ainda estaria na agenda diária graças a frequentes conferências de imprensa organizadas pela polícia? E quem poderia acreditar que a propaganda profissional com recursos quase infinitos falharia sem o nosso contributo?

É por isso que – neste ponto de uma grande caçada humana – renovamos a nossa confissão de luta contra o estado, organizações fascistas como a polícia, serviços secretos e organizações de direita, bem como contra colaboradores e informantes no seio da população e na imprensa. Fabio e todxs aquelxs que, mesmo em um tribunal, mantêm a cabeça alta são nossos modelos para desafiar o medo e enviar saudações de liberdade e solidariedade para aqueles que enfrentam a repressão e o mundo do G20.

Por ocasião desta caçada e por causa dos apelos para a denúncia de 100 pessoas, decidimos publicar fotos de 54 polícias que participaram no ano passado no despejo
da Rigaer94. Gostaríamos de receber algumas pistas dos seus endereços pessoais. Eles podem ser responsabilizados de despejo e violência das três semanas de ocupação.

E agora é importante pôr fim à nossa atitude de estar à espera e fortalecer a mobilização e a solidariedade das estruturas ativas. A manifestação após a onda de invasões policiais foi um ponto de partida (5). Mas para a perseguição seguinte, temos que ser mais numerosxs. Se não temos outro caminho, devemos pelo menos ir às ruas para assumir a responsabilidade pelxs nossxs amigxs perseguidxs pelo estado.

Todxs nas ruas! Determinadxs e furiosxs combatamos a ordem dominante e resistamos de face erguida contra a repressão!

(1) Stauffenberg era um general de alto escalão que tentou assassinar Hitler. Era parte da aristocracia, que basicamente criticava Hitler como mau estratega.

(2) “Gefährder” é um termo criado pela polícia alemã e amplamente utilizado nos debates públicos para estigmatizar e criminalizar a população muçulmana. É provável que o seu uso contra militantes da esquerda e anarquistas venha a ser adotado cada vez mais frequentemente.
(3) Originariamente “associal”, um meio termo entre anti-social e não civilizado.
(4) Brechmittel-Scholz: presidente da câmara de Hamburgo, famoso por ter autorizado o uso de um veneno (Brechmittel) pela polícia para provocar o vómito no preso para verificar se havia ingerido a droga.
(5)A 5 de dezembro, a polícia invadiu as casas de várias pessoas identificadas como participantes num bloqueio – que havia sido atacado pela polícia, em Rondenbargstrasse, enquanto tentavam bloquear a cimeira. Como reação, houve manifestações nas principais cidades alemãs.

em italiano

Hamburgo, Alemanha: Ataque à frota da Sicherheit Nord e chamada à luta anarquista

Sabotagem é isso: meios adequados, fachada da autoridade arrebatada. Quando e onde as agências da Segurança se guardam a si próprias – movimentando-se nesse sentido e, em seguida, se encontram perante os escombros das ferramentas que a mantêm de pé – o seu poder torna-se visivelmente questionado e mais e mais infracções da lei serão encorajadas.

Como no caso da Suíça, a empresa de construção Implenia tem visto a sua participação  em projetos penitenciários ser paga com máquinas de construção em chamas. Como no caso da Vinci, SPIE ou Eiffage, em França, devido a conexões semelhantes com a repressão.

No dia 13 de Novembro em Hamburgo, Barmbeck, a frota da Sicherheit Nord foi destroçada, incendiámos vários veículos. A Sicherheit Nord tem acordos de cooperação com a bófia em dez estados federais, protegendo a base da NATO em Lüneburg e as embaixadas, estabelecendo o aprovisionamento de refugiados e lojas em bairros que pareçam inseguros para os que dominam.

Esta acção e este texto são para nós. Para xs milhares que tornaram o levante de Hamburgo possível. Para xs prisioneirxs. Para as pessoas afectadas pela Operação “Scripta Manent”em Itália. Um fogo em solidariedade com Nikos Maziotis e Pola Roupa, em greve de fome, e uma saudação para Konstantinos G., em prisão preventiva, acusado de envio de carta-bomba e de pertença às CCF. Liberdade para Lisa, acusada no processo de assalto a bancos de Aachen!

Estamos comprometidos com uma luta contra o Estado, a todos os níveis. A repressão não nos poderá deter.

Para a anarquia – Grupos Autónomos

P.S. O mais difícil de ser captado…
É provável que o prejuízo resultante para a Sicherheit Nord seja manejável. Atualmente, pode até nem ser possível medir o sucesso das lutas através dos danos materiais ao Estado e aos seus servos.

Conforme se demonstrou – através dos grandes tumultos ocorridos em Julho e também nos ataques militantes, no período anterior ao G20 – o propósito de uma estratégia ofensiva de atacar e de lidar com a polícia, como a forma mais visível e não interpretável, é fortalecer as posições antagónicas. Observou-se com que facilidade o estado forneceu 40 milhões de euros para mitigar os danos perceptíveis à burguesia de Hamburgo; pouco antes os enlutados pela série de 9 assassinatos nas estruturas nazis com o conspiratório nome soando NSU confortaram-se com os 900 mil euros que foram jogados fora.

As campanhas com o objetivo duma quantidade predeterminada de danos à propriedade têm, na melhor das hipóteses, um aspecto desportivo. O carácter de uma cena que não é política, perseguindo objectivos mas esperando-os do evento, também. Evento para saltar e que a miúdo, no seu consumismo, expira. A campanha do ano passado pela Rigaer 94 não deveria fazer isso, mais comentários é nocivo. Mas destacam-se a série de ataques contra a Cimeiro do G20, sem problemas, nesta fase muito ativa de grupos pequenos, embora a continuidade do conteúdo tivesse ficado atrás da prática contínua.

Depois dos tumultos ficou à vista que existem poucas estruturas anti-estatais que sejam pela violência. O compromisso com a abordagem ofensiva (foi escolhido a das estruturas militantes) – e tal como em relação a grupos  que tinham pretenciosamente prometido o inferno – sofreu ameaças governamentais e a perseguição dos media. Porque estes factos não são compreensíveis: suporta-nos a história de um movimento radical de esquerda com experiência na estratégia governamental contra a revolta e esmagamento das estruturas de oposição. Nela podemos apreender, se lhe quisermos dchamadaatenção, a traição que esse distanciamento público constitui. Uma ausência de ação, depois desta Cimeira de resistência é, no máximo, impróprio. Incompreensível é também a preocupação com as consequências graves que virão se se trabalhar visivelmente com as estruturas.  A proibição do Linksunten.indymedia.org é o único caso que o estado assim como assim poderia dar-se ao luxo de ter uma ação populista para bloquear uma estrutura que, de todos os modos, no nosso entendimento, no seu papel central era defeituosa. Vale a pena assinalar que o Linksunten já não tinha sido antes porque  a ligação desligada foi tomada – e este meio pode voltar a ser usado a qualquer momento, se necessário, para voltar a estar operacional. E se olharmos para o caso da França, vemos um exemplo de como se pode ultrapassar a censura dos sítios da internet: O Indymedia anunciou que continuará a ser acessível no endereço Onion.

Não existe nada significativo neste momento. As consequências são de esperar, ser militante é um termo mais amplo que se envolver em atividades de impacto e pequenas escaramuças. Necessitamos de mais pessoas que se sintam vinculadas a posições antagónicas nas suas batalhas locais para as dar a conhecer e propagar. Necessitamos de estruturas alternativas outra vez, a luta anti-estatal a sentir-se conetada, auto-organizada e com grupos de ajuda-mútua, grupos de vizinhos, individuais e coletivos, lidando com o nosso bloco negro e os nossos pequenos grupos “noturnos”, a comunicarem-se olhos nos olhos. Sobre os objetivos, as estratégias e os meios.

Na Cimeira do G20 mostramos que somos capazes de atuar, en interação com algumas estruturas de ação aberta, a organização do acampamento, a rede de apoio sanitário, o comité de investigação, algo semelhante precisamos ter. Tal interação deve desenvolver continuidade. Neste momento, onde todxs temos um considerável êxito na nossa tufarada podemos escrever a nossa memória coletiva ainda fresca e que já não está aleatória. A vida quotidiana da cena entre Soliparty e os plenários, perdidos estão.

de.indymedia (alemão)

[Prisões italianas] O prisioneiro anarquista Davide Delogu ainda se mantém em greve de fome

Do telefonema semanal de Davide com os seus parentes, sabemos que:

Davide continuará a greve de fome a longo prazo, iniciada a 4 de Novembro, até que o seu total confinamento solitário, pelo artigo 14bis, seja revogado.

O nosso companheiro convida todxs para a solidariedade direta.

Davide fortalece a sua proximidade com os companheiros da AS2 [secções de prisão de alta segurança].

Repetidamente sublinhou a necessidade de uma solidariedade revolucionária.

Ele encontra-se de bom humor, mas já perdeu 13 quilos [28 libras].

CNA [Croce Nera Anarchica]

em italiano l inglês

Buir, Alemanha: Chamada urgente pela FLORESTA DE HAMBACH

O processo judicial que deu à Floresta de Hambach um pouco mais de tempo para preparar a temporada de corte, está perdido. A RWE começou hoje com os arbustos de limpeza para se preparar para corte total. Os preparativos para uma ação policial massiva são óbvios. Anunciaram já que querem expulsar toda a ocupação. Esperamos-los o mais tardar na segunda-feira para despejos. Eles já estão na floresta para protegerem a maquinaria.

Mas para tornar possível que a Floresta de Hambach Forest permaneça, precisamos de ti e da tua malta /companheir@s!

Pelo menos aparece por aí.
E trás contigo ao menos:

– saco-cama, colchão
– a tua malta
– uma ideia do que pretendes fazer (a infra-estrutura do RWE  é grande                 demais  para poder proteger tudo)
– botas impermeáveis, camuflagens
– câmera (para gravar violência policial)
– luvas de trabalho
– escova dental
– kit de primeiros socorros
– protecção para a chuva
– uma pequena tenda (não necessária, mas se tiveres trás)
– nenhuma droga
– nenhum passaporte (se precisares dele para viajar, enterra-o nalgum lugar
da floresta)

O que podes fazer a partir do exterior:

– espalha as noticias
– faças o que fizeres mostra solidariedade
– distrai as forças policiais (eles precisarão da bófia de toda a Alemanha              para nos conseguirem expulsar)
– ataca as veias do capitalismo e da sua indústria de combustíveis fósseis
– não ser apanhada
– não esquecer dxs que estão nas gaiolas

vemos-nos nas barricadas
hambacherforst.org

[Dueren, Alemanha] Chamada da Floresta de Hambach: Precisamos de todxs vós!

A partir de 21 de Novembro, precisamos que todos vocês ajudem a parar a temporada de corte deste ano!

Em Novembro veremos o fim do julgamento do processo de BUND (contra a destruição planeada da RWE da Hambacher Wald nesta temporada de corte). O tribunal publicou um “veredicto” que dá já mostra do tipo de resultado que podemos esperar: um pedaço da floresta. Não se trata do mesmo, na zona de corte existente, a floresta deve ser protegida. Calculamos que a RWE tente começar a destruição logo que o julgamento termine, a 21 de Novembro. Neste ano, a RWE planeja cortar as partes mais antigas da floresta e de todas as aldeias das casa nas árvores.

Já construímos casas nas árvores em muitos pontos estratégicos e mais estão a  ser planeadas. Agora precisamos das vozes e ações do máximo de pessoas para salvar a floresta.

Vamos demonstrar que esse tipo de exploração de habitats para fins de lucro não pode acontecer sem resistência maciça. A luta aqui diz respeito a todos. Um terço das emissões alemãs de CO2 são causadas pela mineração de lenhite – os danos resultantes para o clima estão a causar morte, destruição e a forçar pessoas a sair das suas casas, em todo o mundo.

Prepare-se para vir proteger a floresta em meados de Novembro. Organize-se em grupos de afinidade com antecedência. Coloque os seus números de telemóvel na lista de despejo e espalhe a nossa chamada por aliadxs e amigxs.

Todos podem nos apoiar da maneira que se sintam confortáveis. As casas da árvore estão bem equipadas, abertas para todxs, a servir como espaços seguros. Compartilhamos os encargos da repressão juntos. Organizamos lugares fora da ação em toda a Alemanha. Se não puder vir para a floresta, pode nos apoiar na sua cidade através de ações de solidariedade e de outros meios.

Vamos manter a zona de corte okupada até ao final da estação de corte. Vamos trazer tanta vida à floresta que a RWE não será capaz de realizar os seus planos este ano. Iremos difundir o que vai acontecendo durante a temporada de corte com a ajuda de diversos meios de comunicação, para que todo o mundo saiba quais os crimes que a RWE está a cometer em nome do lucro.

Em caso de despejo generalizado, vamos reocupar a floresta no último fim de semana após o dia X com a sua ajuda. Mantenha-se informado e divulgue a notícia para a família, amigos e aliados. A solidariedade é a nossa arma mais forte.

Juntos vamos parar esta temporada de corte crucial. Transforme a sua teoria em prática e resistência ao vivo.

Na Floresta de Hambach e em todos os lugares.

Mais informações sobre a temporada de corte e como a preparar em hambachforest.org/cutting-season-17

Para nos contatar: hambachforest.org/contact/

Em inglês l alemão

Prisões chilenas: Acerca da situação jurídica do nosso companheiro Marcelo Villaroel – Solidariedade revolucionária como resposta à vingança do Estado!

Acerca da situação jurídica do nosso companheiro Marcelo Villarroel… ou de como a vingança do estado se perpetua em silêncio

Em Setembro passado, foi notificada na 4ª Procuradoria Militar de Santiago a resposta negativa à petição feita para prescrição das sentenças, solicitação essa realizada pelo nosso companheiro Marcelo, há vários meses.

Imediatamente, Marcelo apelou dessa recusa, ficando a resolução do recurso nas mãos do Tribunal Marcial, reafirmando este a recusa, nos primeiros dias de Outubro.

Estas condenações correspondem a causas originadas por ações enquadradas na antiga militância no Mapu-lautaro, organização na qual o nosso compa foi ativo desde muito jovem e da qual foi expulso por “desvios anarquistas”, quando já se encontrava na prisão, em 1995.

Marcelo purgou ininterruptamente 11 anos, dois meses e quinze dias – de 13 de Outubro de 1992 até 28 de Dezembro de 2003 – ficando depois, em prisão noturna, até Março de 2005, altura em que lhe é concedida a chamada “liberdade condicional”, que o obriga a assinar semanalmente até cumprir 20 anos de controle penitenciário.

Marcelo é indiciado como participante no assalto ao Bank Segurity, aos primeiros dias de Novembro de 2007, assim como outros compas –  expropriação essa na qual morreu um polícia e que causou uma resposta do Estado sem precedentes. Marcelo decide passar à clandestinidade e, em Fevereiro de 2008, na sua ausência a “liberdade condicional” é-lhe revogada.

É detido na Argentina em Março de 2008 e, em Setembro de 2014, é condenado a 14 anos efetivos por 2 assaltos bancários.

Foram, entretanto, reactualizadas as penas relativas às causas antigas (emanadas da sempre sinistra “Justiça Militar” ), ficando da seguinte maneira:

– Associação ilícita terrorista: 10 anos e 1 dia.

– Danos a um veículo fiscal, com lesões graves a carabineiros (bófia): 3 anos + 541 dias.

– Co-autoria de homicídio qualificado como terrorista: 15 anos e 1 dia.

– Roubo com intimidação, lei 18.314: 10 anos e 1 dia.

– Atentado explosivo contra embaixada da Espanha: 8 anos.

No total, essas condenações antigas totalizam 46 anos, estabelecendo como data de término o mês de Fevereiro de 2056.

Há uma série de irregularidades nos cálculos e, embora a questão legal nunca tenha sido nem virá a ser o nosso ponto de concentração único, acreditamos que se torna urgente e necessário enfrentar essa situação que, à luz de qualquer ponto de vista, representa uma clara vingança contra um companheiro que mantém em alta as suas convicções subversivas – de corte autónomo e libertário – nunca tendo abandonado o confronto direto pela libertação total, nem nunca renunciado à sua história de combate, deixando-a como mercadoria para livros ou galardões para traficantes de histórias – prestadas onde se refugiam centenas de renegadxs que perambulam por diferentes espaços de índole pseudo-radical.

A nossa chamada é para se deixar tanto a verborreia como os falsos gestos de solidariedade – para que se enfrente esta e cada uma das vinganças que provêm do Estado, como política constante contra todxs aquelxs que não renegam os seus vínculos e convicções.

É hora de agir, de tornar realidade aquilo de nenhum compa estar sózinho na orisão.

PELA DESTRUIÇÃO DE TODAS AS PRISÕES!!!
ENQUANTO EXISTIR MISÉRIA, HAVERÁ REBELIÃO!!!

Pessoas próximas a Marcelo
Santiago-Valparaíso
Outubro de 2017

Chile: Semana de solidariedade subversiva com Kevin Garrido e Joaquín García [13 a 20 de Novembro]

Semana de solidariedade subversiva, 2 anos depois de aprisionarem Kevin e Joaquín

Sabemos que ali, dentro das prisões, nunca se faz noite. Ali, as recordações cristalizam e esquece-se de como se vê o céu sem grades e arame farpado. Se a morte tiver a sua cor própria, deve ser a pintada nas prisões, porque é lá que se encontra o reino da morte lenta, isso sente-se todos os dias.

… de 13 de Novembro a 20 de Novembro…

FAZ 2 ANOS A 19 DE NOVEMBRO QUE KEVIN E JOAQUÍN FORAM SEQUESTRADXS PELAS GARRAS SUJAS DO CAPITAL E  SUA ABSURDA ORDEM, CORTANDO DE UM SEGUNDO PARA O OUTRO, OS SEUS SELVAGENS E MUITAS VEZES CERTEIROS PASSOS…

AGORA, O SEU PRESENTE ASQUEROSO É OUTRO: DIA APÓS DIA TÊM DE COMBATER O SISTEMA NUM DOS AMBIENTES MAIS RUINS E ANGUSTIANTES. APESAR DISSO, É BASTANTE CLARO QUE NÃO GANHARAM ESTA GUERRA A ELES E A NÓS TAMPOUCO, JÀ QUE OS NOSSOS NEGROS CORAÇÕES CONTINUAM A BATER COM FORÇA, POR MAIS FARTOS E ESGOTADOS QUE ESTEJAM, CONTINUAREMOS A LUTAR, CONSPIRANDO E TENTANDO FAZER COLAPSAR TODA ESTA MALDITA SOCIEDADE DEVASTADORA DO QUE A RODEIA…

CHAMAMOS A TODXS XS MALDITXS DE CORAÇÃO NEGRO PARA SE SOLIDARIZAREM COM A SITUAÇÃO DXS COMPAS JOAQUÍN E KEVIN  TAL COMO COM TODXS XS OUTRXS PRESXS!! DE 13 DE NOVEMBRO A 20 DE NOVEMBRO, DEMOS AS MÃOS PARA SE CONSPIRARE AMPLIAR O CAOS, FORA DOS LICEUS, UNIVERSIDADES, NA CIDADE E ATÉ MESMO NAS CASAS DXS BASTARDXS QUE ALIMENTAM E DEFENDEM A AUTORIDADE.

AO CONSPIRAR, SOMENTE NOS DETÉM AS NOSSAS PRÓPRIAS CAUTELAS, É ASSIM QUE VAMOS, COM TODA A RAIVA E S0LIDARIEDADE, QUEIMAR, SAQUEAR E SABOTAR!!

NÃO OS ESQUECEMOS, TODXS XS PRESXS EM LIBERDADE JÁ!!!
ABAIXO A SOCIEDADE CARCERÁRIA DE CONTROLO!!!
LIBERDADE A TODXS XS QUE LUTAM CONTRA A AUTORIDADE!!!

em espanhol

[Itália] Convocatória de Solidariedade Internacional a 16 de Novembro de 2017 – Julgamento “Scripta Manent”

A 16 de Novembro, às 10 horas, perante o tribunal de alta segurança de Turim, celebrar-se-á a primeira audiência do julgamento “Scripta Manent”. Será um julgamento de longa duração, no qual 22 companheirxs anarquistas estão acusadxs, sete dxs quais continuam na prisão.

O aparelho repressivo do Estado acusa uma parte do movimento anarquista de o atacar, através das práticas de ação directa destrutiva contra as suas estruturas e os seus homens, a realização e distribuição de publicações anarquistas e apoio aos/às prisioneirxs revolucionárixs.

A teoria do acusador do ministério público Sparagna é que as posições dxs compañerxs acusadxs são isoladas e distantes do contexto anarquista. É uma tentativa flagrante de fraccionar e confinar o anarquismo a certos recintos fechados, legais e interpretativos.

Demoliremos a intenção de se isolar estxs companheirxs – afirmamos que a prática e as acusações de que são acusadxs constituem um património de todxs xs anarquistas e revolucionárixs – e reafirmamos a nossa proximidade com xs acusadxs.

Fazemos uma chamada para se participar na concentração de 5ª feira, 16 de Novembro, às 10 da manhã, em frente ao tribunal de alta segurança da prisão “le Vallette” em Turim, e reafirmamos a chamada à solidariedade internacional com todxs xs prisioneirxs anarquistas, rebeldes e revolucionárixs, em qualquer lugar e de acordo com as modalidades que cada pessoa considere mais apropriadas.

em espanhol, inglês, italiano, alemão

Semana Internacional de Ação Contra o Especismo [30 de Outubro a 5 de Novembro]

recebido a 9/10/17

Uma chamada internacional por uma semana de ação contra o especismo foi lançada para a semana de 30 de Outubro a 5 de Novembro. Apela-se à realização de todo o tipo de ações, desde a propaganda nas ruas (grafitis, pintadas, cartazes, distribuição de panfletos…), conversas e debates nos seus espaços de encontro e auto-organização, até a ações diversas contra negócios especistas – com as ferramentas que cada qual considere apropriadas – além de concentrações e manifestações. Que cada qual se organize como lhe convenha, individualmente ou em grupo, que se agite contra todas as jaulas. Em memória de Barry Horne e de todas as vítimas humanas e não humanas do especismo e da dominação.

A solidariedade entre espécies não é só palavra escrita!

em espanhol, inglês

Atenas: Carta do anarquista refém do Estado Panagiotis Z.

Li nalgum lugar que no mundo inteiro, em todos esses milhões, não há dois meninos ou duas meninas que sejam iguais como duas gotas de água. O mesmo acontece com os revolucionárixs. Cada um transporta a sua participação, os seus próprios sonhos, os seus próprios amores. O ser próprio deles, o seu próprio “eu posso”. Ai, se fosse de outra forma. Seríamos máquinas ou amebas.

“E a história a meretriz é assim que eles a escrevem, tanto os burgueses como os comunistas: horizontal, plana. Falam sobre os povos, falam sobre massas. Nenhum deles poderia sentir porém a intensidade, a paixão, o clímax e a queda de mundos inteiros  em apenas vinte e quatro horas de vida de um revolucionário”.

‘Fixe, conseguiste que te matassem cedo’.
Chronis Missios

Tudo começou em 2012 num protesto, onde participei intensamente contra o memorando, como todas as pessoas. No final do protesto, outrxs foram para casa, outrxs para alguns cafés, outrxs para a Praça de Exarchia. Continuei a pé em direção à minha residência. Isso tem pouca importância para o Estado e seus lacaios, já que não me permitiam que me defendesse em sede própria antes da minha custódia.

Na noite de terça, 25/07/2017, quando estava a sair da casa de um amigo – repito que não era a minha casa – encontrei-me cercado por 25 lixos da Segurança do Estado que me algemaram e me conduziram à Diretiva Geral da Polícia, onde me anunciaram que havia um mandado de prisão pendente há três meses, em relação ao qual nunca fui informado. Após cerca de 30 minutos o chefe chamou-me ao escritório dele e, quando entrei, estendeu-me a mão. Reflexivamente, ri e disse-lhe para se segurar a ele próprio. Ele mencionou que sabia que sou um bom tipo, mas que suspeita que participei em protestos do movimento. Não neguei nem aceitei nada. Não respondi nada. Em seguida, ele mencionou alguns nomes sem me perguntar nada específico. Então, representando o perfil do “bom” polícia, disse-me que não vão a minha casa “porque a minha mãe é idosa, não querem que algo aconteça com ela”. Tudo isso durou 5 minutos.

Voltei ao corredor do 6º andar e, após uma hora, levaram-me para o 7º para as celas, onde seguram os corpos dos humanos. Na manhã seguinte, seguiram os procedimentos típicos e levaram-me para fotos e depois para Evelpidon-Loukareos, onde me anunciaram a custódia em Korydallos, com o pretexto de que tenho uma residência desconhecida, sem que eu fosse visto pela pessoa responsável. Deve ser esclarecido desde já que depois da minha prisão eles não foram procurar nada a minha casa e a razão é óbvia. Não queriam que pudesse provar que sabiam onde eu vivo, quando na realidade me podiam encontrar 24 horas por dia, como aconteceu. É divertido mencionar que depois da minha prisão vi na esquadra da polícia muitos dos rostos que eu tinha visto à volta da minha casa e nos arredores da casa da minha mãe, também.

Para mim era óbvio porque me detiveram através de tanto lixo estatal e porque não fui chamado para obter acusações sem fundamento. Era óbvio que essas acusações não são capazes de colocar alguém em custódia. Não conheci através de algum papel certificado que teria de me apresentar ao investigador para o caso que estava pendente, logo o resultado é permanecer insuspeito nas suas mãos.

Estas práticas são conhecidas pelo movimento. Tentam reprimir as nossas lutas e capturar cada uma das ideias que vão contra a miserável regularidade que é comercializada como segurança e tranquilidade. Escumalha do Estado, que joga num tabuleiro de xadrez a maioria da sociedade no seu todo.

Os protestos são uma forma de luta que rompe o silêncio do cemitério social. Todos aqueles alienados vivem dentro dos compromissos e dos “não fazem”. Com relacionamentos afogados em mentiras que visam o lucro e a atualização do status social. O estado, através dos olhos dele, tenta monitorizar quem perturba essa podridão. Aprisiona aquelxs que resistem, mas a solidariedade dos companheirxs leva as almas dos prisioneirxs a vogar no presente e a percorrer a segurança dentro dos momentos de insurreição, os momentos em que os compromissos não se encaixam.

Todos nós desejamos a destruição desta sociedade miserável, que continua a ser um espectador e que destrói através da sua passividade. Paralelamente, queremos criar novas formas de interação e devemos armar-nos com a nossa consciência e agir por todos os meios, não passivamente. Temos de nos tornar criadores de nossas ideias, todas essas ideias que visam ações diversas contra o Estado. Devemos semear as sementes da liberdade e insurreição por todo o movimento, por todas as comunidades em dificuldades e por toda a individualidade revoltada. Sabemos que essas palavras muitas vezes ressoam para o vazio mas, impenitentes, levamos a nossa vida nas mãos e encaramos as dificuldades que se situam à nossa frente. Não ficamos atados, mesmo que nos possas amarrar as mãos. A nossa alma desliza das galeras do estado que aprisiona o que quer que não possa controlar. Tentam assustar companheirxs e parentes de pessoas que são processadas, mas esquece que quem reage nunca está só.

Olhamos o monstro com olhos ardentes e voamos sem um amanhã, como Daedalus e Icarus, pela jornada dos nossos sonhos. Que sonham com pessoas livres, mulheres armadas que amassam os seus estupradores, animais com os seus donos na coleira, trabalhadores pendurados em seus chefes, homens de lixo deitando os presidentes de câmara nas latas de lixo.

Com a nossa consciência ao volante e a nossa paixão no acelerador, olhamos para trás para o outro dia que morreu, esperando que o próximo nascesse ainda que seja o mais difícil. Aceitamos isso da mesma forma que aceitamos as consequências das nossas ideias
e ações. Para sempre impenitente.

Solidariedade aos/às okupas

Solidariedade aos detidxs do G20

Solidariedade aos/às imigrantes que se revoltam dentro dos campos de concentração

Informantes e delatores para trás – Companheirxs em frente!

Viva a Anarquia!

Panagiotis Z. – ala ‘A’ da prisão de Korydallos

via 325

Prisões chilenas: Carta do companheiro Marcelo Villarroel Sepúlveda respeitante ao caso de Santiago Maldonado

LUTA CONSTANTE CONTRA TODAS AS JAULAS, A AMNÉSIA E A PASSIVIDADE COBARDE!!!

Estas palavras nascem e tornam-se necessárias quando é preciso abraçar todxs aquelxs que se entregam desmedidamente ao buscado encontro da Libertação Total.

Pela ampliação da Revolta, pela ineludível confrontação com o poder, pela disseminação das práticas autónomas de negação da dominação e tudo o que a torna possível.

Enquanto escrevo, o Ódio e a Raiva guiam-me… Enquanto cada um segue a sua vida há um queridx compa que nos falta…

SANTIAGO MALDONADO, o Lechu, o Brujo, desapareceu.
E não posso guardar silêncio nem evitar a sua física ausência.

Desde a altura em que experienciamos a prisão na região dominada pelo Estado da Argentina que os nossos passos se cruzaram. Nós encarceradxs na província de Newken e Santiago agitando na cidade de La Plata, junto a um universo de ativxs companheirxs, solidárixs e cúmplices.

Mais de nove anos depois do momento em que os nossos passos se cruzaram no contínuo caminho da irmandade, caminho esse que nos situa no mesmo lado da trincheira.

Porque tem de ser dito claramente: Estamos em Guerra contra a opressão e a miséria!!!
Contra todas as polícias, Estados, pátrias e xs cobardes que acomodam os seus discursos e vidas para torná-las inofensivas e integradas.

Não há que esquecer nunca que aquelxs de nós que decidiram passar à ofensiva também assumiram o risco permanente. Não somos vítimas passivas das circunstâncias nem merxs espectadorxs.

Tal como aconteceu com Santiago que em completa coerência com o seu sentir anárquico foi feito desaparecer a 1 de Agosto pela Gendarmeria (força intermédia entre a Polícia e o exército) enquanto se solidarizava ativamente com a luta Mapuche em Cushamen, província de Chubut, ao sul da Argentina e próxima da fronteira com o Chile.

Já passou um mês e o Lechuga não aparece. E ainda que Santiago esteja entre todxs xs de nós que não esquecemos nem abandonamos a luta diária a sua presença física faz-nos falta.

Trazê-lo-emos de volta devolvendo golpe por golpe, multiplicando os seus gestos e actos em todo o planeta, contra xs miseráveis responsáveis de que hoje não o possamos abraçar.

Aqui da prisão, hoje a minha chamada é para se aprofundar o ataque contra a amnésia e o medo. Porque quem diz crer na Anarquia deve entrar em ação em concordância com a dita convicção.

Centenas de prisioneirxs revolucionárixs em todo o mundo, unidxs por convicções similares, somos a expressão viva de uma luta sem pátrias nem fronteiras que busca a destruição total de todas as cadeias, jaulas e cárceres nas quais vivem grande parte da população do planeta.

São tempos de combate, não podemos ocultar o evidente.

O fogo rebelde e ancestral vai incinerando as máquinas do capital depredador, o sangue insurreto dxs nossxs caídxs acompanha os nossos rituais de guerra, as nossas silenciosas conspirações buscam a única justiça possível: A Vingança faz-se urgente e necessária.

POR SANTIAGO E TODXS XS NOSSXS CAÍDXS: NEM UM MINUTO DE SILÊNCIO E TODA UMA VIDA DE COMBATE!!!

SOLIDARIEDADE E FRATERNIDADE INTERNACIONAL PELA DEMOLIÇÂO DE TODAS AS PRISÔES!!!

ATÉ À DESTRUIÇÃO DO ÙLTIMO BASTIÃO DA SOCIEDADE CARCERÁRIA!!!

ENQUANTO EXISTIR MISÉRIA HAVERÁ REBELIÃO!!!

Marcelo Villarroel Sepúlveda
Prisioneiro Libertário
Prisão de Alta Segurança
Stgo. Chile
30 Agosto 2017.

em espanhol l inglês

Santander, Cantábria: Faixa em solidariedade com anarquistas presxs

ANARQUISTAS PRESXS PARA CASA

No contexto da semana internacional pelxs anarquistas presxs, realizamos [1 de Setembro] aqui em Santander, um pequeno gesto de solidariedade com todxs xs lutadorxs ácratas que se encontram presxs por todo o mundo. Com especial carinho para a compa Lisa, encarcerada en Köln (Alemanha), recentemente condenada a 7 anos e meio de prisão,por assalto en Acheen.

Via contramadriz

A responder à chamada pela agitação por Santiago Maldonado!

A 1/9 já se terá passado um mês da data de desaparição forçada do nosso compa Santiago Maldonado. Claramente foi detido, sequestrado e feito desaparecer pela gendarmeria. O estado e a sua força repressiva são obviamente responsáveis. A partir de 1/9 responderemos à chamada extensiva de um mês de agitação e ação através da insurreição pela revolta e o caos.

Fogo revólver e bombazos até que nos devolvam Santiago

Célula nihilista pela revolta expansiva

Chamada internacional pelo aparecimento do companheiro Santiago Maldonado – 01/09

TERRORISTA É O ESTADO

Chamada a nível internacional para nos manifestarmos pela aparição do companheiro Santiago Maldonado, feito desaparecer pelo estado argentino durante a repressão à comunidade mapuche a 1 de Agosto na lof em resistência de Cushamen (Chubut-Arg.). Este facto demonstra-nos uma vez mais quanto sinistro é o estado e os seus verdugos.

A 1 de Setembro cumpre-se UM MÊS de desaparição do “Lechu” ,“el Brujo”. Mês esse durante o qual o Estado e os meios de comunicação, mais do que uma vez, justificaram a desaparição e noutras viraram do avesso a informação, chegando até a culparem a comunidade mapuche e a sua família.

QUE A RAIVA E AS AÇÕES TRANSBORDEM!
A SOLIDARIEDADE NÃO DESAPARECE!

S. Paulo, Brasil: “Atropelo” no pixo dos fascistas… pixo por lechuga…

Recebido a 21 de Agosto

Na manhã de segunda-feira, dia 21/08, começamos cedo nossa agitação exigindo aparição com vida do kompa Santiago Maldonado “Lechuga” –  por semanas ouvimos falar que os fascistas do bairro escreveram merda nos muros da zona leste da cidade… encontramos o recado deles e adicionamos algumas palavras à essa frase para compor nossa própria mensagem.

Como lembraram xs kompas que transitam pelo sul, do estado argentino ou de qualquer outro estado não esperamos nada, nossa mensagem é um grito de rebelião que faremos ecoar até ensurdecer as autoridades.

O militarismo levou o anarquista Santiago Maldonado tal como levou muita gente para prisões e cemitérios clandestinos até que caíssem no limbo do esquecimento. Morte ao militarismo, vida à Lechuga. enquanto estivermos respirando vamos lembrar de você, kompa…

“Morte ao militarismo já! aparição com vida de Santiago Maldonado”.
“Lechuga, vivo o queremos!”

anarquistas